HISTÓRIA, MEMÓRIA E AS PAISAGENS CULTURAIS
DA CIDADE HISTÓRICA DE SÃO BORJA
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Alex Sander Retamozo
Carolina Campos
César Peixoto de Oliveira
Daniele Jungton
Eveline Borchhardt
Francine Mendes
Fe...
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Conselho Editorial
Alex Sander Retamozo
Carolina Campos
César Peixoto de Oliveira
Daniele Jungton
Eveline Borchhardt...
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AUTORES DO LIVRO
Rodrigo F. Maurer – Historiador: Lecionou no curso de História da
Urcamp e nos cursos de Ciências P...
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Prof. Dr. Ronaldo Bernardino Colvero: Diretor do campus de São Borja
- UNIPAMPA
Mestre em História Regional - UPF - ...
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Unidade 1.......................................................................................................09
1...
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3.1 Festas de São João Batista......................................................................37
3.2 Maria do ...
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6.1 Getúlio Dornelles Vargas (1883 -1954).....................................................79
6.1.1 Getúlio Varga...
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UNIDADE 1
1. DA FRONTEIRA INDÍGENA À CLASSIFICAÇÃO
MISSIONEIRA: A TRANSFORMAÇÃO DE UMA REGIÃO
HISTÓRICA ATRAVÉS DA E...
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Esse mapa ou registro cartográfico pode ter sido feito por alguém tão
comum quanto qualquer dos nossos parentes. Ló...
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Figura 01: Representação do espaço missioneiro antes de 1690
O que vemos são dois momentos distintos de projeto mis...
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Fonte: A.G.N.A. Sala IX: 22.8.2. División colonia – sección Gobierno. Temporalidades de Bs. As.
Paraguay. 1780-1809...
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Os documentos no geral confiam situações de um passado que
desconhecemos. Logo, todo o desconhecimento ou imprecisã...
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Fonte: Mapa de las misiones de la Compañía de Jesús de Guaranies y del Tarumá. Año 1771. É atribuído
a José Cardiel...
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Figura 2: Representação do espaço missioneiro a partir da fundação de
San Francisco de Borja
1.2 PASSOS, CAPELAS E ...
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de longas datas. De modo geral, os religiosos que se colocaram a caminho
de São Borja, procuraram a todo custo cont...
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A finalidade técnica dos passos era facilitar o acesso aos locais
estratégicos do projeto reducional, no entanto, a...
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Por fim, o meu ofício enquanto historiador e pesquisador de documentos
antigos, não estariam completo se no decorre...
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Alajas de Plata
Primeramente: una custodia de Plata sobre Dorada con esmalte
Siete Calices cinco sobre Doradas dos ...
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Doze laminas finas grandes con marcos negros y dorados.
Veinte y cuatro cormipias con sus espejos sin adición â exe...
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UNIDADE 2
2.1 Historiografias da Redução de São Francisco de Borja
Jardel Vítor Silva7
Eveline Borchhardt8
Xana San...
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Nesse período foram criados os chamados Sete Povos das Missões: São
Francisco de Borja, São Nicolau, São Luiz Gonza...
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2.3 Origens do nome de São Borja e seu Padroeiro
A redução de São Francisco de Borja
recebeu este nome em homenagem...
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formação em Milão e passagem por Sevilha já na condição de artista formado.
Em São Borja, pôde colocar em prática s...
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Figura 6: Maquete hipotética em 3D primeira Igreja Missioneira
2.5.2 O cotidiano de trabalho e o sistema religioso ...
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Figura 7: Imaginária de São Miguel Arcanjo
Figura 8: Imagem pontifícia
Figura 9: Tocheiro do período reducional
Fig...
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As igrejas eram decoradas com esculturas talhadas em madeira
policromada e telas com pinturas a óleo. Nas paredes e...
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2.7 A Cruz Missioneira
A cruz foi adotada por todos os povos missioneiros. Em mapa encontrado
recentemente no Arqui...
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reforma, onde foram acrescentadas duas torres e se conservaram os altares
do período jesuítico. Essa reforma foi tã...
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Fontes: Arquivo histórico do Itamaraty. Museu Apparício Silva Rillo. Francine Mendes
Fonte: Mapoteca do Itamarati
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2.10 Tratados de Madri
Em 1750, após mais de 200 anos do Tratado de Tordesilhas, uma nova
configuração de territóri...
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2.12 Ações indígenas e projeção reducional: fatos que formalizaram
a fundação de um centro conversor das Missões
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correrías en los meses del año en que sus tierras
son capaces de caminarse12
.
Esta ilustração de modo isolado pode...
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Fonte Missioneira de São João Batista
A outra fonte remanescente da época missioneira que era utilizada
na época pe...
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manifestando, e que foi considerado tosco e ingênuo por muito tempo passa a
ser vislumbrado como um estilo original...
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“entrelaçamento cultural” formando assim o que conhecemos hoje por “Barroco
Crioulo” ou “Barroco Missioneiro” (BOFF...
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UNIDADE 3
3. RELIGIOSIDADE, CRENÇAS E MITOS
Maiquel Jardel Schneider14
A religiosidade se faz presente em diferente...
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Rua Moreira Cezar, 1781, bairro Paraboi, onde fica a imagem do santo que,
todos os anos, é carregada durante a proc...
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o padre dava a benção aos que acompanhavam a procissão, porem com o
acréscimo de elementos não religiosos, o padre ...
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Gostava muito de festas, teve vários amantes e companheiros, mas não
mantinha um relacionamento duradouro com nenhu...
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Em seu túmulo se encontra varias garrafas de bebidas e vários maços
de cigarros, estes são oferendas dos que buscam...
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Poemas escritos por: José Luís do Nascimento Aria
O rio de águas cristalinas habitado por varias espécies de peixes...
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3.4 Devoções a Iemanjá
A religião Afro-Brasileira, conhecida como Umbanda, tem presença
marcante em São Borja, atra...
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Figura 20: Túmulo do Anjinho de São Borja
3.6 Procissões de Corpos Christi
As procissões em honra a Corpus Christi ...
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UNIDADE 4
4. BAIRRO DO PASSO, CULTURA RIBEIRINHA E RELAÇÕES
DE FRONTEIRA
Muriel Pinto15
Ulisses Souza16
Ronaldo Ber...
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Figura 22: Antiga capela do Passo
Como se observa nas fotos acima, igreja Nossa Senhora Imaculada
Conceição era um ...
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Francisco acompanha de longe o 3º. Batalhão de
infantaria montada da guarda nacional. Para chegar
ao potreiro, os s...
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Foi então no ano de 1935, que a atual sede da receita federal foi construída.
A realização da obra foi autorizada p...
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Figura 26: Casal no Clube Fraternidade (1952)
A foto acima representa a
construção da calçada da receita
federal 19...
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Fonte: Arquivo Fernando Vargas Souto
Apparício Silva Rillo; Cais Folia; Festival da Barranca, festa do peixe.
Além ...
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Figura 29: Calçamento da Rua General Marques
A procissão de Nossa Senhora dos Navegantes é outra prática social
que...
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acompanhamento de pessoas que conhecessem bem a região para transpor
os obstáculos geográficos existentes.
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Existia o contrabando de grande escala feito por atravessadores que
utilizavam as estradas ou o Rio Uruguai, mas ta...
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Fonte: Alberto Lucero
A fiscalização e proteção da fronteira sempre foi uma constante, desde
a consolidação dos est...
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períodos de enchentes. É importante destacar que as balsas eram construídas
com as próprias madeiras que seriam com...
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Acervo: Clóvis Benevenuto
Como nos mostra a foto acima, o estabelecimento foi muito movimentado
e freqüentado, incl...
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Figura 36: Prática da pesca na década de 1970
Fonte: Acervo pessoal de Agripino Matoso
Fonte: Acervo pessoal de Agr...
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A pesca destaca-se como umas das principais práticas sociais das
comunidades ribeirinhas de São Borja. As fotos aci...
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A prática cultural deriva por ser um elemento próprio da lida diárias
dos pescadores, pois a pesca dos dias de hoje...
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Fonte: Acervo de Alberto Lucero
4.7 ENCHENTES NO RIO URUGUAI NO BAIRRO DO PASSO
Para quem reside nas margens do rio...
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Figura 41: Enchente de 2014
Fonte: Ulisses Souza
Outra enchente que teve grandes proporções foi a de 2014, nesta o ...
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Unidade 5
5. A GUERRA DO PARAGUAI E A INVASÃO DE SÃO BORJA
César Peixoto de Oliveira19
A Guerra do Paraguai
Em 1682...
História, Memória e as Paisagens Culturais da Cidade Histórica de São Borja-RS
História, Memória e as Paisagens Culturais da Cidade Histórica de São Borja-RS
História, Memória e as Paisagens Culturais da Cidade Histórica de São Borja-RS
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História, Memória e as Paisagens Culturais da Cidade Histórica de São Borja-RS

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O município de São Borja-RS é considerado uma cidade histórica pelo Estado do RS, esta titulação deve-se pela sua importância política, histórica, e cultural para nosso país. Cabe destacar que São Borja foi uma Redução Jesuítico-Guarani (século XVI), onde fazia parte dos chamados Sete Povos das Missões. Este período missioneiro contribuiu para a construção de práticas vinculadas a lida campeira, que deu origem a figura típica do gaúcho. Por sua localização estratégica na fronteira com a Argentina, tal território serviu como espaço de entrada dos paraguaios durante a Guerra do Paraguai. Foi no século XX, que São Borja obteve um maior destaque no cenário nacional, pois tanto Getúlio Vargas, como João Goulart foram presidentes nascidos no local. Nacionalmente o município é conhecido como “berço do trabalhismo” , “Terra dos Presidentes”. Esta relevante trajetória histórica construiu símbolos, narrativas, e elementos culturais que estão representados através do patrimônio cultural. O projeto proposto, objetiva contribuir com o processo de valorização e aprendizagem sobre a história, cultura, patrimônio, identidades, e espaços sociais da cidade. Entre suas principais ações destaca-se a realização de mini-cursos e oficinas sobre patrimônio, historiografia, museologias, memória e identidades locais, assim como serão elaborados um livro didático sobre a história e cultural da cidade e uma cartilha com propostas de novas metodologias. Para a realização do projeto haverá a necessidade de haver um reflexão interdisciplinar que envolverá docentes e discentes dos cursos de Ciências Humanas, Relações Públicas: Ênfase em produção cultural.

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  1. 1. HISTÓRIA, MEMÓRIA E AS PAISAGENS CULTURAIS DA CIDADE HISTÓRICA DE SÃO BORJA HISTÓRIA,MEMÓRIAEASPAISAGENSCULTURAISDACIDADEHISTÓRICADESÃOBORJA Realização: Financiamento: Orgs: Muriel Pinto & Jardel Vitor Silva Autores Muriel Pinto Maiquel Jardel Schneider Rodrigo F. Maurer Ronaldo Bernardino Colvero Rosicler de Sá Ulisses Souza Xana Santos Alex Sander Retamozo Carolina Campos César Peixoto de Oliveira Daniele Jungton Eveline Borchhardt Francine Mendes Fernando Rodrigues Jardel Vítor Silva O município de São Borja-RS é considerado uma cidade histórica pelo Estado do RS, esta titulação deve-se pela sua importância política, histórica, e cultural para nosso país. Cabe destacar que São Borja foi uma Redução Jesuítico-Guarani (século XVI), onde fazia parte dos chamados Sete Povos das Missões. Este período missioneiro contribuiu para a construção de práticas vinculadas a lida campeira, que deu origem a figura típica do gaúcho. Por sua localização estratégica na fronteira com a Argentina, tal território serviu como espaço de entrada dos paraguaios durante a Guerra do Paraguai. Foi no século XX, que São Borja obteve um maior destaque no cenário nacional, pois tanto Getúlio Vargas, como João Goulart foram presidentes nascidos no local. Nacionalmente o município é conhecido como “berço do trabalhismo” , “Terra dos Presidentes”. Esta relevante trajetória histórica construiu símbolos, narrativas, e elementos culturais que estão representados através do patrimônio cultural. O projeto proposto, objetiva contribuir com o processo de valorização e aprendizagem sobre a história, cultura, patrimônio, identidades, e espaços sociais da cidade. Entre suas principais ações destaca-se a realização de mini-cursos e oficinas sobre patrimônio, historiografia, museologias, memória e identidades locais, assim como serão elaborados um livro didático sobre a história e cultural da cidade e uma cartilha com propostas de novas metodologias. Para a realização do projeto haverá a necessidade de haver um reflexão interdisciplinar que envolverá docentes e discentes dos cursos de Ciências Humanas, Relações Públicas: Ênfase em produção cultural.
  2. 2. - 1 - Alex Sander Retamozo Carolina Campos César Peixoto de Oliveira Daniele Jungton Eveline Borchhardt Francine Mendes Fernando Rodrigues Jardel Vítor Silva Muriel Pinto Maiquel Jardel Schneider Rodrigo F. Maurer Ronaldo Bernardino Colvero Rosicler de Sá Ulisses Souza Xana Santos HISTÓRIA, MEMÓRIA E AS PAISAGENS CULTURAIS DA CIDADE HISTÓRICA DE SÃO BORJA 1ª Edição Erechim/RS 2015
  3. 3. - 2 - Conselho Editorial Alex Sander Retamozo Carolina Campos César Peixoto de Oliveira Daniele Jungton Eveline Borchhardt Francine Mendes Fernando Rodrigues Jardel Vítor Silva Muriel Pinto Maiquel Jardel Schneider Rodrigo F. Maurer Ronaldo Bernardino Colvero Rosicler de Sá Ulisses Souza Xana Santos © 2014, Editora Erechim 1ª edição Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou duplicada sem autorização expressa dos autores e do editor © 2014 by Autores Direitos para esta edição: Editora Erechim Ltda. BR 153 - Km 52 - Nº 430 - Bairro Frinape - CEP 99700-000 - Erechim - RS Telefone: (54) 3519-4486 - e-mail: graficaerechim@gmail.com www.graficaerechim.com.br Impresso no Brasil – agosto de 2014 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, Brasil) xxxxx História, memória e as paisagens culturais da cidade histórica de São Borja / organizadores Muriel Pinto & Jardel Vitor Silva – Rio Grande do Sul, Erechim: Editora Erechim, 2014. Bibliografia ISBN 978-85-68266-01-4 1. Fronteira indígena – missões 2. Reduções – São Francisco de Borja 3. Religiosidade 4. Bairro do Passo – Cultura ribeirinha 5. A guerra do Paraguai - invasão de São Borja 6. História Política de São Borja 7. Paisagens culturais. CDU
  4. 4. - 3 - AUTORES DO LIVRO Rodrigo F. Maurer – Historiador: Lecionou no curso de História da Urcamp e nos cursos de Ciências Políticas e Serviço Social da Unipampa campus de São Borja. Mestre em História pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Por duas vezes auxiliou como pesquisador para o Instituto Andaluz e Iphan, tendo auxiliado na intervenção arqueológica no sítio histórico de São Miguel das Missões (2011). Atualmente vem realizando pesquisas em arquivos platinos e da Europa para a conclusão de sua tese de doutorado pelo PPG em História da UFRGS. Jardel Vítor Silva: Acadêmico do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas, da UNIPAMPA, Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja. Eveline Borchhardt: Possui graduação em Licenciatura em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas (2006). Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Arte Popular, atuando principalmente nos seguintes temas: historia da arte, arte educação e arte africana. Licenciada em Artes. Especialista em Imagem, História e Memória das Missões: Educação para o Patrimônio (UNIPAMPA). Xana Santos: Especialização em Imagem, História e Memória das Missões pela Universidade Federal do Pampa, Brasil(2014) Maiquel Jardel Schneider: Graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2011). Acadêmico do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas, da UNIPAMPA, Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja.Pós-Graduando em Políticas Públicas- UNIPAMPA-SB Muriel Pinto: Licenciado em Geografia. Mestre em Desenvolvimento Regional. Doutorando em Geografia pela UFRGS. Professor Assistente da UNIPAMPA, Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja. Coordenador do Projeto Proext-Mec “Curso de Educação Patrimonial para os docentes da rede pública de São Borja”. Ulisses Souza: Bacharel em Relações Públicas: Ênfase em Produção Cultural
  5. 5. - 4 - Prof. Dr. Ronaldo Bernardino Colvero: Diretor do campus de São Borja - UNIPAMPA Mestre em História Regional - UPF - Passo Fundo - RS Doutor em História das Sociedades Ibéricas e Americanas - PUC - Porto Alegre - RS Prof. Adjunto da Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA - Campus de São Borja - RS Professor do Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural – UFPEL Rosicler de Sá: Acadêmica do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas, UNIPAMPA, Campus São Borja César Peixoto de Oliveira: Coronel de Cavalaria do Exército Brasileiro. Bacharel em Relações Públicas: Ênfase em Produção Cultural. Pela Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja. Carolina Campos: Acadêmica do Curso de Relações Públicas: Ênfase em Produção Cultural, da UNIPAMPA, Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja. Francine Mendes: Acadêmica do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas, UNIPAMPA, Campus São Borja Fernando Rodrigues: Administrador. Especialista em Imagem, História e Memória das Missões: Educação para o Patrimônio Alex Sander Retamozo: Administração. Mestre em Desenvolvimento pela Unijui Daniele Jungton: Graduação em História na UNIJUÍ , Ano: 2006, Pós graduação em História do Rio Grande do Sul, URCAMP,Ano: 2009, atualmente Professora no Ensino Público Foto da capa: Fonte Acervo Alberto Lucero e fonte de pesquisa César Peixoto de Oliveira ,Ulisses Souza, dos históricos. Elaboração da Capa: Jardel Vitor Silva
  6. 6. - 5 - Unidade 1.......................................................................................................09 1. DA FRONTEIRA INDÍGENA À CLASSIFICAÇÃO MISSIONEIRA: A TRANSFORMAÇÃO DE UMA REGIÃO HISTÓRICA ATRAVÉS DA EXPERIÊNCIA DE SÃO FRANCISCO DE BORJA.......................................09 1.1 E SE TUDO QUE CONHECEMOS TIVESSE PERMANECIDO CONFORME A ÉPOCA DOS ÍNDIOS?.................................................................................13 1.2 PASSOS, CAPELAS E CAMINHOS: O PROCESSO DA IDENTIFICAÇÃO E O CONVÍVIO ENTRE ÍNDIOS REDUZIDOS E ÍNDIOS ERRANTES..........15 Unidade 2.......................................................................................................21 2.1 Historiografias da Redução de São Francisco de Borja.....................21 2.2 Padre jesuíta Francisco Garcia de Prada: Fundador da Redução São Francisco de Borja (atual São Borja)..............................................................22 2.3 Origens do nome de São Borja e seu Padroeiro.......................................23 2.4 José Brazanelli..........................................................................................23 2.5 Como era a estrutura urbana da redução São Borja................................24 2.5.2 O cotidiano de trabalho e o sistema religioso de uma redução.............25 2.5.3 Material utilizado nas construções.........................................................25 2.6 A arte Barroca Missioneira........................................................................25 2.6.2 Altar da Igreja Imaculada Conceição do Bairro do Passo......................27 2.7 A Cruz Missioneira.....................................................................................28 2.8 Sistemas de oficinas.................................................................................28 2.9 A Igreja Missioneira de São Borja.............................................................28 2.10 Tratados de Madri...................................................................................31 2.11 Guerra Guaranítica..................................................................................31 2.12Ações indígenas e projeção reducional: fatos que formalizaram a fundação de um centro conversor das Missões..............................................................32 2.13 Espaços públicos que remetem as Missões:..........................................33 2.14 Introdução a história da arte dentro do contexto nas Reduções Jesuíticas no território do Rio Grande do Sul...................................................................34 Unidade 3.......................................................................................................37 3. Religiosidade, Crenças e Mitos...............................................................37 SUMÁRIO
  7. 7. - 6 - 3.1 Festas de São João Batista......................................................................37 3.2 Maria do Carmo.........................................................................................39 3.3 Festas de Nossa Senhora dos Navegantes..............................................41 3.4 Devoções a Lemanjá.................................................................................43 3.5 O Túmulo do Anjinho.................................................................................43 3.6 Procissões de Corpus Christis..................................................................44 Unidade 4.......................................................................................................45 Bairro do Passo, cultura ribeirinha e relações de Fronteira.....................45 4.1 A História do Bairro do Passo....................................................................45 4.2 O Bairro do Passo e a relação de fronteira...............................................47 4.3 Práticas de contrabando no rio Uruguai....................................................51 4.4 Antigas formas de travessia no rio Uruguai...............................................54 4.5 Antigos estabelecimentos comerciais no bairro do passo.........................55 4.6 A cultura da Pesca e a Zona Ribeirinha....................................................56 4.7 Enchentes no Rio Uruguai no bairro do Passo.........................................60 Unidade 5.......................................................................................................62 A Guerra do Paraguai e a Invasão de São Borja........................................62 A Guerra do Paraguai....................................................................................62 5.1 O início da guerra e a ofensiva paraguaia................................................63 5.1.1 O Tratado da Tríplice Aliança.................................................................64 5.1.2 A Batalha Naval do Riachuelo................................................................64 5.1.3 Invasão do Rio Grande do Sul...............................................................65 5.2. A rendição de Uruguaiana e o recuo das tropas paraguaias...................65 5.3 A invasão do Paraguai e a ofensiva aliada................................................66 5.4 O fim da guerra.........................................................................................69 5.5 O 1º Corpo de Voluntários da Pátria........................................................70 5.6 A Invasão de São Borja............................................................................71 5.7 Concentrações das forças paraguaias......................................................71 5.8 Marcha para São Tomé e transposição do Rio Uruguai............................72 5.9 Combates de São Borja (batismo de fogo do 1º de Voluntários)..............72 5.9.1 Questões Relacionadas.........................................................................76 5.9. 2 A morte do Tenente-Coronel João Manoel Mena Barreto.....................76 5.9.3 O Cemitério Paraguaio...........................................................................77 UNIDADE 6.....................................................................................................79 HISTÓRIA POLÍTICA DE SÃO BORJA.........................................................79
  8. 8. - 7 - 6.1 Getúlio Dornelles Vargas (1883 -1954).....................................................79 6.1.1 Getúlio Vargas e a Identidade Gaúcha...................................................81 6.1.2 Morte de Getúlio Vargas e seu sepultamento em São Borja..................82 6.2 João Goulart (1919- 1976)........................................................................86 6.2.1 Exílio, Morte e Exumação......................................................................88 6.3 Patrimônio Cultural trabalhista em São Borja...........................................89 6.4 O fim da República Velha e o Revolução/Golpe do Exército em 1930.....94 6.4.1 Era Vargas..............................................................................................94 6.4.2 O governo provisório..............................................................................95 6.5 Estado Novo; Imprensa, teatro de Revista, Rádio, Política de Nacionalismo, Educação e Cultura na Era Vargas; Leis trabalhistas e intervenções do Estado no cotidiano; Deposição de Vargas em 1945..................................................96 UNIDADE 7.....................................................................................................99 A DIMENSÃO IMATERIAL DOS BENS CULTURAIS DE SÃO BORJA - RS.....................................................................................99 7.1 Paisagens Culturais..................................................................................99 7.2 UMA HISTÓRIA CULTURAL: as Paisagens Culturais de São Borja – Uma reflexão sobre “História, Cultura e Memória”................................................100 7.3 Paisagens Culturais Ribeirinhas.............................................................103 7.4 Relações de poder nas identidades locais: identidades missioneiras e trabalhistas....................................................................................................108 7.4.1 Praça XV de Novembro: análise de um espaço público difusor de paisagens culturais........................................................................................108 7.5 Bens patrimoniais missioneiros em São Borja........................................ 111 Referencias Bibliográficas.........................................................................114
  9. 9. - 8 -
  10. 10. - 9 - UNIDADE 1 1. DA FRONTEIRA INDÍGENA À CLASSIFICAÇÃO MISSIONEIRA: A TRANSFORMAÇÃO DE UMA REGIÃO HISTÓRICA ATRAVÉS DA EXPERIÊNCIA DE SÃO FRANCISCO DE BORJA * Historiador. Lecionou no curso de História da Urcamp e nos cursos de Ciências Políticas e Serviço Social da Unipampa campus de São Borja. Mestre em História pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Por duas vezes auxiliou como pesquisador para o Instituto Andaluz e Iphan, tendo auxiliado na intervenção arqueológica no sítio histórico de São Miguel das Missões (2011). Atualmente vem realizando pesquisas em arquivos platinos e da Europa para a conclusão de sua tese de doutorado pelo PPG em História da UFRGS. Rodrigo F. Maurer* Fonte: A.G.N.A. Sala IX: 22.8.2. División colonia – sección Gobierno. Temporalidades de Bs. As. Paraguay. 1780-1809. Foto própria.
  11. 11. - 10 - Esse mapa ou registro cartográfico pode ter sido feito por alguém tão comum quanto qualquer dos nossos parentes. Lógico se imaginassemos esse mesmo parente em meados do ano de 1784. Por conta da distância de tempo que nos separa dos nossos antepassados, ou pela ausência de maiores informações sobre este mapa, o mesmo chegou aos dias de hoje, sem reconhecermos seu autor. Tampouco sabemos se foi realizado por um índio ou por uma índia, se por um jovem ou idoso se foi realizado a mando do rei espanhol ou por alguém que respondia os interesses do reino português. O pouco que sabemos sobre a ilustração que passamos a conhecer faz parte do inventário realizado para o pueblo de La Cruz. A ilustração conforme a utilização de outras informações garante que o conteúdo em questão foi representado visando reaproveitar o ensinamento do povoado para com seus espaços sagrados de poder e identificação. Afundaçãodeumaredução,nogeral,exigiuporpartedosseusidealizadores um conhecimento amplo da geografia e da logística do território escolhido, contudo, não foram os únicos conhecimentos levados em consideração. A escolha do local procurava contemplar outros interesses que não somente as questões relacionadas ao ambiente físico. A expansão da Companhia de Jesus no que hoje, denominamos região centro-oeste do Estado do Rio Grande do Sul, foi dada de modo a remover uma parcela de índios infiéis para um cenário que deveria receber em conjunto uma leva de jesuítas providos de conhecimentos artísticos e militares1 . O território missioneiro antes da fundação de São Borja (1690) pode ser considerado conforme a ilustração: 1 - Estamos fazendo referências dirigida para o sujeito Joseph Brazanelli, que será abordado na sequência por outros estudiosos do tema.
  12. 12. - 11 - Figura 01: Representação do espaço missioneiro antes de 1690 O que vemos são dois momentos distintos de projeto missional: um totalmente consolidado, do lado ocidental do rio Uruguai, por meio das reduções de Yapeyu, La Cruz e Santo Tomé; o outro, do lado oriental, que nos interessa explorar, se encontrava num momento incipiente, pois significava a retomada de um progresso interrompido pelos ataques bandeirantes na terceira década do século XVII2 . Passado praticamente cinco décadas, a Companhia de Jesus foi convocada novamente a retornar à margem esquerda do rio Uruguai. Esta reconfiguração veio acontecer no ano de 1687, com o retorno das reduções de São Nicolau e São Miguel3 , mais o acréscimo da redução de São Luís Gonzaga e, por fim São Francisco de Borja. Começava assim, o que muitos estudiosos 2 - Estamos nos referindo à interrupção que o projeto missional sofreu por conta das ações promovidas pela bandeira de Raposo Tavares (1638). O fato vem a justificar a primeira fase reducional (1610-1640). 3 - O povo de San Nicolás foi fundado a primeira vez em 1626, já o povo de San Miguel foi alocado inicialmente no ano de 1632, num local chamado Rincão de San Pedro, na margem direita do rio Ybicuí. Para um melhor entendimento sobre estes povos na primeira fase reducional, ver: FURLONG, Guillermo. Missiones y sus Pueblos de Guaraníes. Buenos Aires: Teorema, 1962. Fonte: MAURER, 2011
  13. 13. - 12 - Fonte: A.G.N.A. Sala IX: 22.8.2. División colonia – sección Gobierno. Temporalidades de Bs. As. Paraguay. 1780-1809. Foto própria. denominam ser a segunda fase reducional4 . Situações que reforçam-se ainda mais, quando podemos situar os fatos conforme os documentos de época: 4 - Para saber mais sobre esta linha de interpretação, ver: Flores (1983); Araújo (1986); Gambini (1988); Hartmann (1969); Hilbert (2001).
  14. 14. - 13 - Os documentos no geral confiam situações de um passado que desconhecemos. Logo, todo o desconhecimento ou imprecisão dos seus discursos acompanham coerências que serviram à uma época – por mais remota que a mesma aparente algum desconforto para os dias de hoje. Esses mesmos documentos quando bem aproveitados sintonizam a autenticidades das ações praticadas por nossos antepassados e, por conta das peculiaridades que concentram qualquer registro, estarão sempre a esclarece uma variedade de fatos que bem indicam um tempo índio que teve de ser alterado para valorizar a política de colonização de uma Companhia de Jesus que foi sendo absorvida paulatinamente por moradores mais antigos que os próprios jesuítas que por aqui aportaram. 1.1 E SE TUDO QUE CONHECEMOS TIVESSE PERMANECIDO CONFORME A ÉPOCA DOS ÍNDIOS? 10 de dezembro de 1683, o então jesuíta Francisco Garcia, eufórico comemora que: “Las almas que vinieron conmigo son treinta y dos, de ellas están ya diez bautizados.” É o registro mais antigo que se tem conhecimento ao momento que situa a experiência de um jesuíta com um grupo de índios guenoas. Depois de vários sermões e encontros com lideranças indígenas, Garcia se dava por satisfeito com o resultado alcançado, pois aparentava um grande feito perante as dificuldades de tal empreitada. A base do conhecimento por parte daqueles personagens é praticamente a mesma que envolveu qualquer outro grupo indígena do pampa: eram índios nômades, caçadores e altamente belicosos. Costumavam transitar nas margens dos rios e buscavam o fortalecimento interno do grupo a partir das representações simbólicas que envolviam os interesses de parentesco ou de ancestralidade. Com a expansão do projeto reducional o controle passou a ser maior sobre os índios aldeados, contudo, não foi suficiente para extinguir a relação dos mesmos com seus pares errantes. Um exemplo que sintetiza muito bem o que acabamos de referir foi à relação de identificação que envolveu estes personagens com outros grupos (minorias étnicas) que costumavam transitar nos arredores das chamadas estâncias de gados.
  15. 15. - 14 - Fonte: Mapa de las misiones de la Compañía de Jesús de Guaranies y del Tarumá. Año 1771. É atribuído a José Cardiel. In: Pastells, Tomo VII. Em outras palavras, os caminhos que levavam as estâncias também conduziam à ancestralidade dos índios. Apesar das várias incertezas que sustentam a história dos Guenoas, podemos afirmar que a influência deste grupo foi muito comum nas reduções ocidentais e, possivelmente, teria se expandido até os povos orientais caso não fosse idealizada a fundação de São Francisco de Borja. Os interesses não tardaram a transformar a localidade numa espécie de embaixada para os grupos nômades que preferiam o campo ao invés da redução, como demonstra o seguinte cenário:
  16. 16. - 15 - Figura 2: Representação do espaço missioneiro a partir da fundação de San Francisco de Borja 1.2 PASSOS, CAPELAS E CAMINHOS: O PROCESSO DA IDENTIFICAÇÃO E O CONVÍVIO ENTRE ÍNDIOS REDUZIDOS E ÍNDIOS ERRANTES Imagine-sequenãoexistiriaterritóriomissioneirosenãohouvesseaçõesou práticas conduzidas por grupos indígenas. A tarefa não é fácil de ser formulada, porém é necessário que façamos tal raciocínio de modo a compreendermos à lógica que garantiu ao jesuíta o direito de conviver com sociedades originárias Fonte: MAURER, 2011
  17. 17. - 16 - de longas datas. De modo geral, os religiosos que se colocaram a caminho de São Borja, procuraram a todo custo contemplar um modelo de integração que valorizasse a margem ocidental do rio Uruguai, representado pelos povos de Yapeyu, La Cruz e Santo Thomé e por conseguinte, reaproximasse tais interesses da margem oriental, reativando a expansão que havia sido interrompida por praticamente quatro décadas. A necessidade de um posto que aproximasse as duas margens do rio Uruguai se mostrou imprescindível para o desenvolvimento do projeto. A combinação dos meios acontecia pela aproximidade cultural (já que a redução foi fundada a partir de uma divisão da redução de Santo Thomé); e também pelo livre acesso às representações extra-reducionais que as reduções ocidentais mantinham sob constante convívio, dentre estas, as estâncias de gado, os passos e as capelas. Por esse motivo as escolhas das alocações reducionais dependiam de um estado permanente de aproximação entre os pueblos e aqueles invariavelmente acabavam tornando-se quase que por obrigação de tarefas espécies de embaixadas para determinados grupos de índios infiéis . No tocante à relação estabelecida entre San Borja e Santo Thomé e, por conseguinte a política de controle sobre os mesmos reservou outros acréscimos no que diz respeito à efetivação de um modelo ou de um aparato logístico que teve de ser acreditado em substituição a um conjunto de situações que apartavam aquelas comunidades no que diz respeito a aplicabilidade da seguinte configuração: Sobre el Río Uruguay se destacaban los “pasos” San Isidro y San Lucas. Ambos permitían la comunicación con las misiones orientales, desde la reducción de Concepción el primero y desde Apóstoles el segundo. El siguiente “paso” de relevancia era el que comunicaba Santo Tomé con la reducción de San Borja. Río abajo existían otros pasos frente a las reducciones de La Cruz y Yapeyú, los que llevaban directamente a las vaquerías y a los yerbales y a estancias misioneras ubicadas en las misiones orientales5 . 5 - SNIHUR, Esteban. El universo Misionero Guaraní. Buenos Aires: Sudamerica Joven Ensayo, 2007, p. 114-115.
  18. 18. - 17 - A finalidade técnica dos passos era facilitar o acesso aos locais estratégicos do projeto reducional, no entanto, a simbologia dos mesmos foi muito mais significativa do que os interesses geopolíticos. Ademais, se existia a possibilidade de chegar até o outro lado do rio, é porque havia conivência do lado que esperava, ou seja, existia uma relação de confiabilidade mútua e aceita por seus praticantes. Da mesma lógica de auto identificação redundam as capelas. De Yapeyu à San Borja, foram estabelecidas aproximadamente 20 capelas6 . Esse número é uma prova concreta da integração daqueles povos e elucida parte considerável da indiferença estabelecida entre os borjistas para com os demais povos da banda oriental do rio Uruguai. Figura 03: Plano del Pueblo de la Real Corona Nombrado Santo Tomé, 1784 6 - A constatação foi feita a partir de dois pontos básicos de análise: algumas documentações que encontramos e que serão apresentadas na sequência deste trabalho e dos estudos feitos por Guillermo Furlong (1962); Artur Barcelos (2006); Baptista (2007b). No que se refere a antiga redução de San Borja já se sabe que a mesma tinha ligação com as capelas de San Ignacio, San Lucas, San Antonio, San José, San Javier, San Martín, San Pedro, San Marcos entre outras. Já o povo de Santo Thomé tinha acesso as capelas de San Estanislao, San José de Caazapá, Los Santos Mártires, San Lorenzo, Ntra. Sra. De la Concepción, San Isidro del Boyrucay e Coay Guazú. Todas no entanto se encontravam localizadas em pontos estratégicos mantendo uma uniformidade de direção, que para este caso seria o raio composto entre San Borja e Yapeyu. Fonte: Mapa de 1784, que representa a composição de algumas destas capelas, o mesmo foi contextualizado de forma muito categórica por Artur Barcelos (2006:370). O título original foi apresentado por Guillermo Furlong como: Plano o Mapa del Pueblo de la Real Corona Nombrado Santo Tomé, 1784. In: Cartografia Jesuítica del Rio de La Plata. Texto I. Talleres. Buenos Aires, 1936.
  19. 19. - 18 - Por fim, o meu ofício enquanto historiador e pesquisador de documentos antigos, não estariam completo se no decorrer das análises deixasse escapar a oportunidade de reproduzir um inventário que em 1784, tinha muito valor, não só para quem redigia o conteúdo e o fazia reconhecer, mas principalmente para os moradores que em outros tempos habitaram a profícua e ordeira São Borja. Daqueles bens móveis resta a esperança de ao menos conhecermos uma mísera parte do que foi produzido. Aliás, penso que depois dos assuntos aqui tratados seria muito proveitoso a realização de uma visita aos museus, bibliotecas ou casas de particulares que por alguma circunstância ainda conservam resquícios que interessavam aos nossos antepassados, mesmo que estejamos distantes de situar com plenitude a sua importância para o tempo histórico e para os roteiros que condenam determinadas situações do tempo presente – mesmo que estas invariavelmente não acompanhem os aprendizados de outrora. Año de 1784 Ymbentario General Razon y Noticias de el Pueblo de la Real Corona Nombrado San Franco . de Borxa formado por orden el Sor . Governador Yntendte . Super Yntend.te pen.l de Rl Hac.da de este virreynato q.e Cotiene 25 foxas utiles sin inducion de el Estado Docum.to Numº 26. O documento comporta a seguinte informação: Estatuas de el Señor y otros Santos Primeram.te San Fran.co de Borja San Ignacio de Loyola San Luis Gonsaga San Xavier San Estanislao Santos Martires tres Ocho Crucifixos Un Santo Christo en el Sepulcro Uno Idem Resusitado Cuatro Virgenes ô Imagenes de Nra. Señora de Madera Santa Rosa Santa Barbara San Jose San Antonio de Padua San Isidro San Miguel San Juan Cuatro Angeles de Maderas
  20. 20. - 19 - Alajas de Plata Primeramente: una custodia de Plata sobre Dorada con esmalte Siete Calices cinco sobre Doradas dos de estos esmalta, dos, y dos de plata Siete Patenas cinco sobre Doradas y dos de plata. Tres Cuchaxiras de plata. Copones de plata tres. Cafetas de plata en que se lleva el veativo dos una sobre Doradas Cinco pares de Minaferas de plata. Con três Salvillas y das platillas Un Incensario de Plata com tapa de Idem Un Salero de Idem con su tapa, y salbilla de Idem Una Lampada de idem pequeña Tres crismeras de plata, y dos por tapases Una Corona sobre Dorada [...] A lajas echas en tipo de el Actual Adm.or D.n Josset Victorino de Medina Para el culto de esta Iglesia Primeramente Dos Retablos Colaterales de el Christo y Nrã Señora de el Rosario Una Imagen grande de Jesus Nazareno com tunica de tercio pelo morada forra en Ruan guarnecida de galon de oro falso con su singulo de galon de Idem, y Cruz pintada de verde y sus ondas correspondientes; Una Imagen de Dolores grande com su vestido de tercio pelo morado guarnecida de galon de oro falso, compuesto de manto Tuben y pollera com treinta y cinco alamanes finos en el manto forrado, todo em Ruan: Diadema de plata Camisa toca y paño todo de gasa fina, y sus Naguas de Ruan y un medio singulo de oro fino con corazon y Puñal pintado, y plateado. Otra Imagen de Nuestra Señora de Dolores con su vestido entero de terciopelo Negro guarnecido con galon de plata Mocguetero com su Cumisa toca, y paño, y enaguas y su corazon y puñal plateados, y pintados. Una Imagen del Rozario Colocada en su Retablo con dos vestides de [sic] uno Manto com Manto Tuben Pollera ena qual de Bretaña guarnecidos de galon de punta fino su forro de Bretaña las pollera y el manto com tafetan asul con Rosario de Pied. venturinas, y en la garganta su Collar de perlas falsas una Cruz chica de Piedras de Francia. su Niño con três rayos de punta, y el otro vestido verde guarnecida de galon de plata fino y entero como el Blanco forrado en Bretaña y tafetan amarillo y un Delusitan, y outra tina q.e Le coge p. el Pescuesa todo de oro fino Diez y ocho laminas de cristaes inclusas tres retas
  21. 21. - 20 - Doze laminas finas grandes con marcos negros y dorados. Veinte y cuatro cormipias con sus espejos sin adición â exepcion de dos quebradas con su talla todas Doradas, son dose de dos luses y las ótras dose de uma. Un velo de vetillo en el Altar de Crhisto guarnecido con galon de seda, y condenes de idm; Una cortina o sobre mesa de Damasco Colorado con uma y tres cuartas varas y es de dos y médio paños. Um velo en el Altar de San Jose de Tunquillo Chines com su galon de seda al remate Un Misal grande forrado en tercio pelo Carmesi con sus Broches y chapas de plata con su tapa pollo de Madana Colorada Una Sacra Dorada Un atril idem Dos Lababes idem Dose Campanillas de plata Tres Idem de metal Blanco Dose Ramos en una caja con sul lave. La virgem del Rosario tiene un par de Sursilles de Pied.s falsas. Catorce sillas de Pié de Cabra Doradas con asientos de paja tejida con sus tapapollos de lienso grueso cada una. Tres Mandas de Melillo colorado con guarnicion de fleio de oro fino. Um Paño de Cadiz de ló mismo con su guarnición de punta de galon de oro fino Dos mantas de tafetan una azul y otra Blanca ambas con felco de liston de Granada Tres Arañas en las tres Nabes todas de Cristal una de color y dos Blancas las dos grandes de a dos e luzes cada una y la una chica con cinco y la del médio a colores tiene muchas figuritas de cristal por adorno cuias no son pertencientes ã outra araña con su tapapollo de redillo de plata Blanca. [...] Dos Banderas de tafetan nacan con varias sintas y em Ella puesto viva San Borja En la puerta de la Iglesia se hallan Cuatro partes de Ella ô Pilares Nuebos, y redificado el Portico a la mitad. [...] Un Estandarte correspondiente a los Niños dela Escuela en que estan Pintadas Nuestra Señora de el Rosario S.n Borja, San Fran.co S.to Domingo y San Josè.
  22. 22. - 21 - UNIDADE 2 2.1 Historiografias da Redução de São Francisco de Borja Jardel Vítor Silva7 Eveline Borchhardt8 Xana Santos9 A origem das Missões Jesuíticas teve inicio por volta de 1607, os religiosos da Companhia de Jesus criaram a Província Jesuítica do Paraguai e aliaram-se aos índios Guaranis para dar inicio ao seu trabalho de conquista e desenvolver o conhecido Povo Missioneiro, vale ressaltar que nessa época uma grande parte da America Latina era de domínio dos espanhóis e outra de portugueses. No total foram fundadas 30 reduções missioneiras e diversas capelas. No Paraguai foi oito, Argentina, 15; e no Brasil sete, chegando aproximadamente 140 mil habitantes. Cada redução ou missão tinha em torno de dois padres jesuítas e até seis mil índios. Figura 1: Localização de São Francisco de Borja (atual São Borja) FONTE: Projetos Itinerários Culturais do MERCOSUL, Adaptado por Muriel Pinto 7 - Acadêmico do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas, da UNIPAMPA, Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja. 8 - Licenciada em Artes. Especialista em Imagem, História e Memória das Missões: Educação para o Patrimônio (UNIPAMPA). 9 - Licenciada em História. Especialista em Imagem, História e Memória das Missões: Educação para o Patrimônio (UNIPAMPA). Foi utilizado conteúdos de RODRIGUES, PINTO, COLVERO. Histórias Missioneira de São Borja- Métodos para o ensino do patrimônio cultural. 2013
  23. 23. - 22 - Nesse período foram criados os chamados Sete Povos das Missões: São Francisco de Borja, São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista e Santo Ângelo Custódio. (ver Figura 1) Esse “povoado, “Missões” ou “Reduções”, que eram chamados tanto pelos índios e quanto pelos padres jesuítas, implantaram vários conhecimentos nos campos do urbanismo, arquitetura, das artes e todos seguiam uma linhagem que tentava integrar e seguir um estilo próprio, mas com uma base e modos culturais vindo da Europa. É importante destacar que cada redução tinha suas peculiaridades seja nas praticas sociais, culturais e nas atividades econômicas. A instalação de um povo reducional dependia de vários fatores e critérios, tais eles geográficos e estratégicos que pudessem ter uma contribuição com as políticas comerciais, defesa territorial e sustentabilidade dos povoados. Nesses fatores e critérios que a primeira Redução dos Sete Povos das Missões foi instalada em 1682, fundada 1690, no segundo ciclo das Missões, então chamada Redução São Francisco de Borja. 2.2 Padre jesuíta Francisco Garcia de Prada: Fundador da Redução São Francisco de Borja (atual São Borja) FundadapeloPadrejesuítaFranciscoGarciadePrada,filhodeCastrodanta, nasceu em 04 de outubro de 1649 em Galícia uma região histórica da Europa Central. O padre era uma espécie de líder espiritual e político na redução de Santo Tomé, na Argentina entre 1679 a 1689. Tentou catequizar índios infiéis e nômades que cruzavam o Rio Uruguai para saquear as reduções de Yapeyu, La Cruz e Santo Tomé (ver figura 1). Inicialmente a redução São Francisco de Borja era uma espécie de colônia da redução de Santo Tomé, o padre Francisco Garcia de Prada foi o primeiro padre cura de São Borja, em 18 de fevereiro de 1705, teria sido enterrado no cemitério da redução de São Francisco de Borja, que ficava localizado ao lado da igreja missioneira.
  24. 24. - 23 - 2.3 Origens do nome de São Borja e seu Padroeiro A redução de São Francisco de Borja recebeu este nome em homenagem a São Francisco de Borja e Aragão, (fig. 1) jesuíta que atuou na Direção da Ordem, em seu começo. Ele foi Comissário Geral do Vaticano na Espanha, em Portugal e nas Índias. Nascido em 28 de outubro de 1510, na cidade de Valência, no Ducado de Gandía, na Espanha, veio falecer em 30 de setembro de 1572 em Roma. Foi canonizado pela Igreja Católica em 1671. O dia 10 de outubro foi instituído como seu dia santo, na atualidade em São Borja é comemorado. Ajudou a construir Roma, é considerado um dos maiores arquitetos jesuítas do Renascimento. Fig. 3: Pintura de Jean Aubert (São Francisco de Borja em adoração a eucaristia Fonte: BASSEGODA, Boaventura (2013) Figura 4: Imaginária de São Francisco de Borja (Igreja Matriz de São Borja) Fonte: Eveline, 2014. 2.4 José Brazanelli O jesuíta José Brazanelli nascido em Milão, trazido pela ordem dos jesuítas em torno de 1691, era considerado irmão leigo da Companhia de Jesus, pois tinha formação teológica, mas não era padre. Cabe destacar a influencia do jesuíta Brazanelli (irmão Brazanelli). Os nove anos (1696- 1705) que passou em São Borja resultaram em muitas obras de destaque nas Missões. Sem dúvida, foi uma das figuras mais importantes nas Missões no período reducional, sendo atribuída a ele, a construção da primeira Igreja de São Borja, assim como sua ornamentação, altares, retábulos e imaginárias. A figura de Brazanelli é impar para a Companhia de Jesus, este teve sua
  25. 25. - 24 - formação em Milão e passagem por Sevilha já na condição de artista formado. Em São Borja, pôde colocar em prática suas habilidades como escultor, pintor, arquiteto, engenheiro e militar. Teve grande influência na catequização dos Guaranis com seus ensinamentos das técnicas que proporcionaram a Imaginária Missioneira de São Borja – uma singularidade na expressão plástica. Uma de suas principais esculturas que foram documentadas foi a de São Francisco de Borja adorando a eucaristia. Para saber mais: Uma hipótese seria que o jesuíta José Brazanelli tivesse se inspirado nessa pintura abaixo de Jean Aubert, Sant Francesc de Borja en adoració de l’eucaristia. (São Francisco de Borja adorando a Eucaristia), para elaborar sua principal estatuaria barroca em São Borja. 2.5 Como era a estrutura urbana da redução de São Francisco de Borja Como praticamente em todas as reduções a praça era o centro, nesse local eram realizadas procissões, desfiles militares, jogos, celebrações artísticas, cerimônias religiosas, enforcamentos. A igreja era o prédio mais importante. Nas suas proximidades se localizavam os prédios comunais, do outro, o cemitério e o cotiguaçu (local onde viviam as viviam as viúvas e os órfãos). Ao redor das praças distribuíam-se as casas dos índios e os cabildos, ou conselho. Uma rua principal chegava até praça, bem em frente à igreja. Atrás da Igreja existia o sítio dos padres, com horta, jardim e pomar. Nos povoados havia ainda açudes, fontes de água, capelas, estâncias e ervais. Ver Figura abaixo: Figura 5: Plano Urbano Reducional Fonte: Luiz Antônio Bolcato Custódio, adaptado por Muriel Pinto
  26. 26. - 25 - Figura 6: Maquete hipotética em 3D primeira Igreja Missioneira 2.5.2 O cotidiano de trabalho e o sistema religioso de uma redução A rotina do povoado era composta de trabalhos e intervalos que eram aproveitados com orações, ritos cerimoniais e jogos. As orações regulavam a rotina da comunidade. Antes do início das tarefas eram realizadas as rezes matinais. Ao entardecer realizavam a “Hora de Ângelus” (18h), que era marcado pelo toque do sino da Igreja, era feita a oração de encerramento das atividades. 2.5.3 Material utilizado nas construções As construções eram feitas de pedra ou de tijolos de barro, e as coberturas, de telhas. Eram utilizados, basicamente, dois tipos de pedras: o Grés (arenito) e a itacuru, que também fornecia matéria-prima para a fabricação de ferro em alguns povoados. A liga entre os tijolos e as pedras dava-se por uma mistura de barro e esterco de vaca. 2.6 A arte Barroca Missioneira O estilo Barroco influenciou a arquitetura e o urbanismo nas missões. A escultura, a pintura, o teatro e a música foram bastante difundidos no período reducional. Os padres trouxeram seus conhecimentos artísticos europeus e ensinaram os índios nas oficinas. Criaram obras que ficaram conhecidas como “arte missioneira”, (ver figuras abaixo) obtendo um estilo próprio: o barroco crioulo ou barroco missioneiro. Fonte: Imagens Maquete hipotética em 3D do plano urbano da Redução São Borja. Arte Gráfica Kelli Bisonhim & Daniel Timm
  27. 27. - 26 - Figura 7: Imaginária de São Miguel Arcanjo Figura 8: Imagem pontifícia Figura 9: Tocheiro do período reducional Figura 10: Pintura de Nossa Senhora do Socorro
  28. 28. - 27 - As igrejas eram decoradas com esculturas talhadas em madeira policromada e telas com pinturas a óleo. Nas paredes externas, trabalhos em arenito geralmente representavam elementos da flora e da fauna. As missas tinham acompanhamento de corais e, em frente às igrejas, apresentava-se o teatro sacro. A música era tocada por uma orquestra de índios e, aos domingos, o povoado despertava-se por tambores e clarinetes. Vale ressaltar que o jesuíta José Brazanelli em sua permanência na redução São Francisco de Borja ensinou a arte de escultura em madeira para os índios, essas estatuetas existem traços dos índios como rosto e algumas deformações na escultura, mas o mesmo índio tido como indolente e incapaz, foi magistral ao esculpir um magnífico conjunto de esculturas. Hoje, ainda existem em São Borja 83 peças confeccionadas no período reducional, sendo sete de posse da igreja, 40 do Museu Municipal Apparício Silva Rillo, 35 de particulares e uma está desaparecida ou foi queimada. Abaixo fotos de algumas delas (ver imagens acima). 2.6.2 Altar da Igreja Imaculada Conceição do Bairro do Passo Figura 11: Altar missioneiro da Igreja do Passo, Fonte: Ulisses Souza Na Igreja Imaculada Conceição, localizada no bairro do Passo, encontra-se uma das maiores relíquias das missões: um altar entalhado em madeira. Suas riquezas em detalhes e simbologias chamam atenção, conforme o Professor Darko Sustersic, um dos principais especialistas em arte missioneira, provavelmente este altar foi um projeto de Brazanelli.
  29. 29. - 28 - 2.7 A Cruz Missioneira A cruz foi adotada por todos os povos missioneiros. Em mapa encontrado recentemente no Arquivo Geral do Vaticano, datado de 1691, que contém a disposição e a distancia dos Povos Missioneiros, consta acima de cada redução uma Cruz Missioneira, o que reafirma, cada vez mais, como símbolo do bem contra o mal. Os dois braços simbolizam a fé redobrada e o portador da cruz, ao fazer um pedido a Deus, devia mantê-lo em secreto. A cruz é considerada um amuleto, uma proteção espiritual contra todos os males. 2.8 Sistemas de oficinas Os sistemas de oficinas desenvolvidos pelos jesuítas nas Reduções transformam os índios em hábeis artífices metalúrgicos, tipógrafos, escultores, pintores, músicos, ceramistas, tecelões, fabricantes de instrumentos musicais, entre outras manifestações. Em relação a pratica nessas oficinas a produção de imagens foi um dos ofícios mais marcantes nas reduções, pois ocupava os indígenas e criava uma relação e catequização na forma da arte, as estatuarias estavam presente nos e nas procissões, acompanhando preces e ladainhas, motivando festas e pedidos de intercessão divina, por vezes até protagonizando “milagres”, vale ressaltar que em todos os povoados a imagem mais venerada era da Nossa Senhora. 2.9 A Igreja Missioneira de São Borja Na fundação da redução de São Francisco de Borja foi construída, primeiramente, uma pequena capela, coberta de capim Santa Fé. Só a partir de 1696, com a chegada de José Brazanelli, iniciou a construção da primeira igreja, toda em pedra trabalhada, ornamentada com esculturas e coberta de telhas de barro. Brazanelli inspirou-se nos traços arquitetônicos dos templos da Lombarda (Itália). A igreja de São Borja serviu de modelo para as igrejas de São João Batista e São Nicolau. Em 1845, por conta da má conservação, a Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul determinou a edificação da segunda igreja Matriz. As obras começaram em 1846. As ruínas da primeira igreja ainda se mantiveram visíveis até 1858. A segunda Igreja foi construída no mesmo local da primeira, porém, em tamanho menor, Foram reutilizadas as mesmas pedras. No inicio do século XX, houve uma grande
  30. 30. - 29 - reforma, onde foram acrescentadas duas torres e se conservaram os altares do período jesuítico. Essa reforma foi tão significativa que foi considerada uma nova igreja. O templo durou até o inicio da década de 1960, quando foi destruído e, em seu lugar, foi construído a quarta Igreja Matriz, com estilo completamente diferente das anteriores jesuíticas. O projeto foi assinado pelo arquiteto José Maria Oliveira Vilela e executado pelo engenheiro Nei Silveira, de Santo Ângelo. Abaixo imagem antiga da Igreja. Figura 12: Maquete hipotética em 3D da primeira Igreja Missioneira Fonte: Arte Gráfica Kelli Bisonhim & Daniel Timm Figura 13: Mosaico com fotos e comparação de suas mudanças ao longo do tempo: Fotos da antiga Igreja de 1905-2014
  31. 31. - 30 - Fontes: Arquivo histórico do Itamaraty. Museu Apparício Silva Rillo. Francine Mendes Fonte: Mapoteca do Itamarati Figura 14: Detalhes da arquitetura da primeira Igreja Missioneira
  32. 32. - 31 - 2.10 Tratados de Madri Em 1750, após mais de 200 anos do Tratado de Tordesilhas, uma nova configuração de território entre a Coroa Portuguesa e Espanhola foi efetivada por negociações, para resolver um problema de fronteira e território, foi assinado o chamado Tratado de Madri ou de limites, desse modo uma nova etapa na trajetória das missões jesuíticas. O acordo determinava que a Colônia de Sacramento10 que estava em posse dos portugueses passasse de novo para os espanhóis, em troca dos Sete Povos missionários, da margem oriental (esquerda) do Rio Uruguai. (São Francisco de Borja, São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista e Santo Ângelo Custódio). Os índios deveriam abandonar as suas terras, e entregar as aldeias edificadas ao longo das décadas e retirando-se das reduções (atual Rio Grande do Sul), para a margem ocidental (direita) do rio Uruguai, hoje território argentino e paraguaio. 2.11 Guerra Guaranítica Após o tratado de Madri houve um conflito militar, denominado de “Guerra guaranítica”, onde os índios das Reduções Missioneiras se uniram para enfrentar os exércitos conjuntos de Portugal e de Espanha em busca da soberania e da manutenção de suas reduções, pois eram contra o acordado no Tratado de Madri. Esse conflito provocou um declínio demográfico, a dispersão dos índios e a destruição das comunidades de jesuítas e guaranis, não foi tão fácil, pois esse longo conflito que teve quase dezoito anos (1750-1768) para liquidaram a “República dos Guaranis.” Nesse período foi morto o famoso cacique Sepé Tiaraju, em 1756, Sepé é considerado “herói” Guarani missioneiro rio- grandense pela Lei 12.032/99. Cabe ressaltar e destacar que nesse cenário do conflito a Redução São Francisco de Borja não participou das batalhas da Guerra Guaranítica, e sim, aceitou pacificamente a intervenção e fez sua transmigração política e civilizadamente. 10 - A Coroa Portuguesa fundou em 1680 a Colônia de Sacramento, seu interesse era participar da economia que escoava pelo Rio da Prata. Mas também fazer-se presente na região do extremo sul da América Latina, a banda Oriental, já que a outra margem (Ocidental) do Rio da Prata estava ocupada pelos espanhóis, na cidade de Buenos Aires.
  33. 33. - 32 - 2.12 Ações indígenas e projeção reducional: fatos que formalizaram a fundação de um centro conversor das Missões A fundação de uma redução exigiu por parte dos religiosos um conhecimento amplo da geografia e da logística de um território, contudo não foram os únicos conhecimentos levados em consideração. A escolha do local considerava outros interesses que não somente as questões relacionadas ao ambiente físico. Situações de ordem indígena foram observadas, porém, na maioria das vezes, não ficaram registrados em documentos. A saída encontrada para garantir a expansão da Companhia de Jesus no que hoje, denominamos região centro-oeste do Estado do Rio Grande do Sul, foi dada de modo a remover uma parcela de índios infiéis para um cenário que deveria receber em conjunto uma leva de jesuítas providos de conhecimentos artísticos e militares11 . Diante do contraste apresentado, chamamos a atenção para a disposição do espaço missioneiro antes de 1690. Par além da realidade contrastada o território ainda contava com a presença de índios pampeanos; personagens de uma cultura nômade que costumavam defrontarem-se ao ensinamento sacro-cristão que o projeto missional expandia. Esta resistência estabeleceu para aqueles índios um reconhecimento de infiéis, ou seja, índios que não conviviam com os ensinamentos religiosos que o cotidiano reducional determinava. Dentre esta parcela de índios infiéis estavam os Guenoas, que nas palavras de Francisco Jarque se projetavam como sendo: La nación de los indios llamados guanoás son los gentiles más inmediatos a las reducciones, pobladas sobre el río Uruguay, discurren por las tierras que hay entre el dicho río y las costas del mar del Norte, entre el cabo de Santa Catalina y el Río de la Plata. [...] De estos bárbaros, algunos frecuentan, cuando no lo impiden las crecientes de los ríos, las reducciones del Yapeyú, la Cruz y Santo Tomé, para comprar algunos frutos. Otros roban ganados y aún gente que los guarda, en las heredades pertenecientes a dichas reducciones. Y así por muchos motivos solicitan los padres misioneros su conversión, haciendo repetidas 11 - Estamos fazendo referências dirigida para o sujeito Joseph Brazanelli, que será abordado na sequência por outros estudiosos do tema.
  34. 34. - 33 - correrías en los meses del año en que sus tierras son capaces de caminarse12 . Esta ilustração de modo isolado poderia ser utilizada para situar o contexto histórico dos Guenoas e, por conseguinte, a própria história da redução de San Francisco de Borja. A fundação da redução representou uma política de organização que não visou isoladamente à consolidação de um poder colonial, mas também um avanço geoestratégico que deveria garantir a solidez necessária para o bloco regional (Yapeyu, La Cruz, Santo Tomé e San Borja). E foi justamente esse sentido de organização que acabou elevando a redução ao posto de centro conversor das missões até meados do XVIII. Apesar das várias incertezas que sustentam a história dos Guenoas, podemos afirmar que a influência deste grupo foi muito comum nas reduções ocidentais e, possivelmente, teria se expandido até os povos orientais caso não fosse idealizada a fundação de San Francisco de Borja. Ao final, o contexto que insere esse grupo começa num período pré- colonial (isto é, anterior à chegada do jesuíta) e se prolonga até idos de 1800. Os documentos provam ainda que o indígena persistiu para demonstrar que tais “mundos” poderiam ter funcionado em perfeita harmonia. Para tanto, de nada basta reconhecermos o sentido de harmonia sem antes imaginarmos o inverso, ou seja, sendo desenvolvida por aqueles que segundo consta, tiveram de ser inseridos no espaço reducional, no caso: os “índios infiéis”. 2.13 Espaços públicos que remetem as Missões: Fonte missioneira de São Pedro AFonte de São Pedro fica localizada na Rua Felix da Cunha, n° 955, sendo a primeira cacimba comunal (Poço artesanal, lugar de guardar água feita no chão, pertencente a toda população) que se localizam no núcleo urbano de São Borja, Na época das reduções ou missões os primeiros lugares a serem habitados eram aqueles que ofereciam água potável sendo assim a fonte servia como descanso de tropas e também para abastecer de água as pessoas e os animais. E de grande importância salientar que a fonte de água São Pedro possui um importante valor histórico para São Borja, por testemunhar esse tipo de pioneirismo, atualmente é um ponto tombado à preservação do Patrimônio Histórico e Cultural do município. 12 - JARQUE, Francisco. Las misiones Jesuíticas en 1687. El estado que al presente gozan las misiones de la compañía de Jesus en la provincia del Paraguay, Tucumás y Rio de La Plata. 1ª ed. Buenos Aires: Academia Nacional de la Historia, 2008, p. 121-122.
  35. 35. - 34 - Fonte Missioneira de São João Batista A outra fonte remanescente da época missioneira que era utilizada na época pelos índios e jesuítas, que se localiza na Rua Bompland que é denominada fonte de São João Batista que se encontra na região mais central da cidade, e se encontra em bom estado de preservação, esse local é o ponto de chegada da procissão realizada durante a festa de “São Joãozinho Batista”, como chamam os populares, todos os anos acontece nesse local o ápice da procissão. 2.14 Introdução a história da arte dentro do contexto nas Reduções Jesuíticas no território do Rio Grande do Sul As oficinas surgiram da necessidade estética da doutrina católica, era necessário renovar seus altares, instrumentos, estátuas, utensílios de ferro, ferramentas, etc. e de devido a distância e todo o “transtorno” para conseguir estes artefatos, se percorria em torno de 100 léguas. E através delas que os índios começaram a ter contato com ferramentas para o trabalho em madeira. Inicialmente através de modelos europeus de esculturas e artefatos sacros da época e em seguida como conseqüência de um aperfeiçoamento da técnica, as imagens eram ainda realistas, porém com um estilo mais direcionado aos indígenas reducionados. Por mais que tivessem os moldes a serem obedecidos, muitos de seus elementos culturais foram sendo integrados ao que era produzido. Com o domínio do talho, o artífice guarani foi atribuindo sua expressão e olhar próprio, acrescentando elementos de sua cultura e cotidiano. Essa visão de que o índio era apenas um imitador vem sendo questionada, pois se compararmos o que foi produzido pelo homem europeu e branco com o que foi produzido pelo gentio, pode se perceber os elementos que este carrega consigo, as coisas que ele enxerga. Elementos esses que formam padrões repetitivos e quase geométricos, dificilmente o europeu educado na escola clássica adornaria suas peças com esses padrões de traços simples. Outra peculiaridade bastante perceptível nos remanescentes está nas representações de algumas estátuas, que muito provável tenha sido esculpida somente pelo índio, sem a interferência do padre. Pode se observar que as faces bem indígenas, os cabelos “retos”. O indígena não se enxergava branco com feições do branco, ele se “inspirava” nas suas pessoas. Pode ser que por algum tempo ele imitara os santos e a imagens trazidas da Europa, imagens bizantinas, renascentistas, barrocas com suas formas leves e “volumosas”, porém com a prática do talho como consequência a criatividade foi se
  36. 36. - 35 - manifestando, e que foi considerado tosco e ingênuo por muito tempo passa a ser vislumbrado como um estilo original. Nesse sentido que é importante “desromantizar” e desconsiderar a função do índio como um mero imitador do europeu (padre jesuíta), e sim observar e retificar sua importância social dentro do contexto reducional. Os Povos Guaranis não tinham por hábito o cultuar imagens, este fora inserido pelos padres jesuítas com a intenção inicial da catequização. Suas representações visuais não eram figurativas, e sim geométricas e repetitivas aplicadas em cestaria e nas pinturas em cerâmicas ou corporais. “O fato de o indígena esculpir com novos instrumentos, usando goivas e cinzel, provocou uma relação positiva com todo o entorno social da produção dos objetos. Ao sentir-se valorizado pelo seu trabalho de artífice, o índio se envolvia nesse ambiente evangelizador.” (BOFF, 2002, p.109) Num primeiro momento, como foi citado anteriormente, na produção dentro das oficinas de escultura, os aprendizes e artesãos guaranis se detinham numa meticulosa imitação de modelos trazidos da Europa. “A fase criativa apareceu mais tarde, no século XVIII, quando o domínio técnico e formal se consolidou. Ele marcará as esculturas com interpretações realistas e com características missioneiras.” (BOFF, 2002, p.110). Dentro destas características observam- se nitidamente traços mais geométricos (retos) no talho das vestimentas dos santos, juntamente a proporção dos braços e pernas com juntas mais grossas. Diferente do Barroco europeu, que apresentava formas com movimento nas vestimentas e sempre buscava um senso de leveza e proporção corporal clássica. Vale ressaltar que somente homens eram aceitos nas oficinas, as mulheres se dedicavam mais a trabalhos de tecelagem e cerâmica para uso doméstico, o papel do artesão era de grande importância. O indígena que trabalhava nas oficinas de artes não era visto apenas como operário, ele tinha lugar de destaque perante a população da redução, pois era através de suas mãos que o sagrado era materializado. Como descreve Claudete Boff em sua dissertação de mestrado, “O movimento e a emoção exarcebada do barroco dão lugar às figuras estáticas com acento étnico guarani. Os cânones e as decorações das peças também surgem da interpretação do artista indígena.” (BOFF, 2002, p.163). Esta é uma das principais características da produção artística dos Povos das Missões que mesmo com os modelos ideais de noção e técnicas inseridos pelo homem branco para esculpir, sua forma primitiva no traço e seus elementos referenciais permaneceram. Uma transformação na representação da forma que se tornou mais estilizada, original no sentido de liberdade da expressão do indígena, um
  37. 37. - 36 - “entrelaçamento cultural” formando assim o que conhecemos hoje por “Barroco Crioulo” ou “Barroco Missioneiro” (BOFF, 2002). Um dos principais nomes dentro da escultura missioneira, quem trouxe o Barroco para as oficinas reducionais foi o Jesuíta Brazanelli antes de Brazanelli não havia Barroco nas Missões. Ele soube introduzir o estilo europeu que aos poucos foi sendo adaptado para melhor recepção do indígena. A estátua de São Francisco de Borja, localizada na matriz de São Borja-RS é sua principal peça, não só pelo característico movimento dos panos provenientes do Barroco e perfeição técnica, mas sim por ser a única estátua existente que foi documentada e referida a Brazanelli. Destacando a importância da imagem e das manifestações artísticas dentro do contexto Reducional, e também observando (analisando) de maneira critica, pode-se considerar que o índio não foi simplesmente um imitador do modelo imposto. Mas sim, alguém que soube apreender a técnica (de forma não ingênua) e com ela desenvolver o seu próprio olhar (estilo), ou seja, o gentio não era inocente em sua produção. Neste sentido é importante considerar a relação de trocas e convívio intercultural entre índios e padres ao invés de um confronto cultural13 . Constatou-se a importância da imagem como instrumento de persuasão para a catequização e “civilização” do índio, dentro do contexto histórico e social das Reduções Jesuítas e Guaranis. Considerando a Arte como importante instrumento de representação social, e não apenas como algo produzido espontaneamente pelo artista, mas sim que foi elaborada além da técnica, por diversos fatores sociais e culturais que o artista carrega e transmite com total intenção em sua obra. 13 - Ver mais em: THEODORO, Janice. América Barroca. Revista Tempo Brasileiro, disponível em http:// www.fflch.usp.br/dh/ceveh/public_html/biblioteca/livros/ab/. Acessado em 1/06/2013 ás 17:06. p. 2
  38. 38. - 37 - UNIDADE 3 3. RELIGIOSIDADE, CRENÇAS E MITOS Maiquel Jardel Schneider14 A religiosidade se faz presente em diferentes espaços e etnias. Todas as religiões têm um espaço sagrado seja através de símbolos ou imaginarias, onde o sagrado se opõe ao profano. O sagrado é administrado por uma pessoa que teve um preparo para poder estar apta a ministrar a (magia sagrada), geralmente são pessoas que tem bastante fé e que estudam mais a fundo as questões sagradas. Em São Borja a religiosidade entrou através dos padres jesuítas, primeiramente com o padre Francisco Garcia e com os índios que o acompanharam provindos das missões de São Tomé. Os padres foram os que introduziram o catolicismo entre os índios através da redução jesuítica, que aqui foi implantada em 1690. Em São Borja há outras manifestações religiosas além do catolicismo como a Luterana, a Umbanda, Adventista, metodista, Assembleia de Deus, Universal, espírita entre outras denominações neopentecostais e muitas vezes a mistura de duas ou mais crenças, formando assim as crenças populares. 3.1 Festas de São Joãozinho Batista A tradição de cultuar São João Batista vem de muitos anos, segundo relatos bíblicos foi São João Batista quem anunciou que Jesus era o messias, e ao vê-lo passar gritou “ECCE AGNUS DEI”, que em português significa: eis o cordeiro de Deus. Essa passagem bíblica se encontra em João 1,29, e por conta do anuncio Jesus teria pedido que João o batiza-se nas águas do rio Jordão. O santo tem duas datas comemorativas, sendo dia 24 de junho o dia do seu nascimento e dia 29 de agosto dia do seu martírio. A tradição em São Borja comemora o dia 24 de junho, quando ocorrem as chamadas festas juninas. A procissão ocorre todos os anos na noite do dia 23 de junho, na véspera do dia em que é comemorado. O trajeto percorrido durante a procissão sai da 14 - Filosofo. Acadêmico do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas, da UNIPAMPA, Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja.
  39. 39. - 38 - Rua Moreira Cezar, 1781, bairro Paraboi, onde fica a imagem do santo que, todos os anos, é carregada durante a procissão. Figura 17: Procissão de São João Batista Fonte: Maiquel Schneider A tradição de São João Batista se espalhou pelo mundo, e veio ao Brasil com a colonização européia. Em São Borja, segundo relatos a tradição de cultuar São João Batista surgiu com a promessa de uma viúva, que teve seu filho único levado à Guerra do Paraguai (1864-1870). A promessa da viúva era de que seu filho voltasse ileso do confronto, se tal pedido fosse aceito, todos os anos faria uma festa em honra ao santo. Com o filho de volta à sua mãe e trazendo na bagagem uma estatuazinha de madeira encontrada nos campos de batalha, justamente de São João Batista, começou a festa que se estende até os dias de hoje, porem se incorporaram a procissão vários elementos profanos. O motivo de a festa ter se tornado uma procissão e o motivo do santo ser banhado em uma fonte, é questionamentos que ninguém sabe explicar. A procissão sai da casa onde se encontra a estatuazinha, sendo levada em um andor pelos peregrinos percorrendo as ruas centrais da cidade e volta para casa. No trajeto são entoados cantos e rezas com uma procissão de velas e o ritual de “banhar” a imagem em uma fonte próxima ao centro. Durante vários anos a procissão passava em frente à igreja matiz, onde
  40. 40. - 39 - o padre dava a benção aos que acompanhavam a procissão, porem com o acréscimo de elementos não religiosos, o padre se negou a dar a benção o que alterou o seu trajeto original. Outra mudança que ocorreu é que a imagem não é mais banhada na “praça da lagoa”, e sim na fonte de São João Batista. A imagem da procissão não é mais a original encontrada nos campos de batalha, pois esta foi trocada por uma de gesso de aproximadamente 40 cm, por um padre que gostava de peças antigas. Durante a procissão quando a imagem é levada num andor pelos fiéis, são rezado pai nossos e ave Maria, além de cantos próprios. Uma procissão luminosa segue a imagem, além de mastros e bandeiras. No dia da festa são acessas fogueiras que simbolizam o nascimento de João Batista, sendo a fogueira o sinal do nascimento. A mãe de João batista – Santa Isabel –teria feito uma fogueira sobre um monte para avisar o nascimento de seu filho à sua prima Maria, que era a mãe de Jesus, porém em São Borja não há mais a tradição de acender fogueiras devido à segurança e proteção ao meio ambiente. Um grande questionamento que surge durante essa pesquisa. Por que a senhora viúva escolheu São João Batista para sua devoção? Será que ela se identificou com a história de Isabel, a mãe de João Batista? A festa de São João Batista é comemorada em vários países, mas no Brasil são acrescentados elementos típicos como as comidas e os cantos. As comidas são à base de milho, amendoim, entre outras. Já as bebidas também são próprias, como o quentão à base de vinho, e a cachaça. São Joãozinho Batista identifica-se como uma exaltação exótica, pois a mesma não faz parte das práticas religiosas do Estado do Rio Grande do Sul. No entanto, o que chama a atenção é a crença neste santo, a partir de uma crendice surgida em São Borja. Nesta perspectiva as paisagens culturais da procissão de São João Batista, deixam transparecer que está prática envolve elementos socioculturais e religiosos de diversas crenças, como da católica, Umbanda, entre outras. Depois de percorrido todo o trajeto pelas ruas e do “banho”, a procissão volta até a casa de onde saiu, onde ocorre uma comemoração com pipocas e outros doces típicos da época das festas juninas. 3.2 Maria do Carmo Segundo a tradição oral, Maria do Carmo Fagundes era natural de Bagé e veio para São Borja. Era uma mulher muito bonita e diferente das outras, dadas as questões da época em que viveu, pois era uma mulher de vida airada ou profana e que gostava de bebida e de fumar.
  41. 41. - 40 - Gostava muito de festas, teve vários amantes e companheiros, mas não mantinha um relacionamento duradouro com nenhum deles. Os modos de agir de Maria do Carmo entravam em conflito com os costumes da época, pois era uma sociedade bem tradicional. Porém ao mesmo tempo em que afrontava a sociedade com seu modo de agir, era bem vista pelas pessoas mais humildes, ajudando os que precisavam principalmente as mulheres de seu circulo de amizade. Maria do Carmo foi assassinada e esquartejada por um de seus amantes pela paixão e ódio, denominado como um militar. Após serem mortos por faca, seus membros foram esquartejados e sua cabeça decepada. Os restos mortais foram encontrados no dia 31 de agosto de 1890, por rapazes que deram a falta de seus cachorros e foram à procura dos mesmos. Quando encontraram seus animais de estimação, notaram que estes estavam devorando carne humana, dado o espanto foram chamar o seu pai que acionou a autoridade competente. Os restos mortais foram encontrados próximos ao banhado São João, (hoje localizado na Rua Arthur Oscar onde também se encontra o túmulo) e devido ao estado de putrefação que se encontrava o cadáver, foi ali mesmo sepultado numa cova raso sendo o local marcado por uma rústica cruz de madeira. O dia da provável morte, foi dada como 27 de agosto de 1890, como consta na sua certidão de óbito. Figura 18: Túmulo de Maria do Carmo Fonte: Maiquel Jardel Schneider
  42. 42. - 41 - Em seu túmulo se encontra varias garrafas de bebidas e vários maços de cigarros, estes são oferendas dos que buscam suas graças, além de fitas, velas e flores. As pessoas que buscam alguma graça por intermédio de Maria do Carmo, oferecem principalmente cigarros e bebidas, já que durante sua vida ela gostava de fumar e beber. Outro aspecto que percebemos é que o local recebe varias visitas, isso se percebe devido às velas acesas e talvez o aspecto mais importante seja a conservação do local pela população que busca suas graças. Percebe-se o cuidado com o túmulo através da pintura ou pelos letreiros em honra ás graças alcançadas. Segundo outros comentadores e populares os restos mortais de Maria do Carmo teriam sido sepultados no cemitério jardim da paz, como mandavam as normas (leis) da época. Mas no cemitério não se encontra nenhum livro que relate a existência do túmulo de Maria do Carmo, seja pela por não estar sepultada lá ou pela perca dos livros e pelo longo tempo de sua morte. Qual o motivo que levou a população a peregrinar ao local de sua morte, qual seria os poderes da “santa prostituta”? 3.3 Festas de Nossa Senhora dos Navegantes Nossa Senhora dos Navegantes é um dos inúmeros títulos que são dados à Maria, a mãe de Jesus. A data da comemoração de Maria, sob o titulo de nossa senhora dos navegantes, geralmente é dia 2 de fevereiro, mesmo dia em que a Umbanda celebra Iemanjá. A tradição de comemorar Nossa Senhora dos Navegantes veio ao Brasil com os navegadores Portugueses e Espanhóis, que rogavam a proteção à Maria durante suas expedições. Os navegadores pediam proteção contra os perigos do mar principalmente contra tempestades e naufrágios. Os principais lugares onde se devota Nossa Senhora dos Navegantes, são ao longo de rios e no litoral. A procissão em São Borja começou no ano de 1940, sendo formada por pessoas da igreja católica, organizado pela Igreja Imaculada Conceição, mas principalmente por pescadores e moradores da encosta do rio Uruguai que celebram a data e buscam proteção, pois o rio é uma fonte trabalho e renda o que se percebe pela forma simples do povo e através de poesias produzidas nas encostas do rio Uruguai.
  43. 43. - 42 - Poemas escritos por: José Luís do Nascimento Aria O rio de águas cristalinas habitado por varias espécies de peixes com grandes ilhas e cachoeiras. As margens do rio os matos ricos em flora, fauna e animais selvagens. Nas barrancas o ar puro e agradável nasceu varias cidades. O rio que já foi palco de grandes aventuras, batalhas e romances é a inspiração para escritores e músicos. O rio que sempre foi e é fonte de renda, é vida esta esquecida e abandonada poluído e agonizando. As grandes empresas que usam e abusam do rio nunca fizeram nada pro rio voltar a ser saudável. Este rio é o nosso Uruguai. Índio velho pescador macho valente de sangue quente. Em seu acampamento de pau a pique ele é o monarca soberano. Com sua canoa a remo enfrentou varias corredeiras e cachoeiras para o peixe pescar. E numa medonha tempestade sem nada a enxergar orientado somente pelos seus instintos. E o inverno se aproxima no acampamento o fogo de chão corre frouxo o chimarrão e a caipirinha. Das noites no acampamento o clarão da lua cheia dedilhando a gaita velha resmungona e chorona até o dia clarear. Gaúcho da fronteira talentoso bonachão só se rende a um grande amor. Como podemos observar através das poesias, o rio Uruguai é fonte de renda e inspiração, e como forma de agradecer, celebram todos os anos em honra a Nossa Senhora dos Navegantes pelo ano que passou e pedem graças para que o ano seja de bons frutos. Todos os anos no segundo dia do mês de fevereiro, milhares de pessoas acompanham a procissão que se estende da Igreja Imaculada Conceição até o porto. A cada ano vai aumentando o número de fieis que acompanham a ritualização. Ainda há o deslocamento da igreja até o porto, porem o que terminou foi à travessia de barca do porto até Santo Tomé. Como a procissão se tornou muito grande ocorre uma missa campal que ocorre no Cais do Porto, esta que reúne os devotos da Santa, admiradores e curiosos.
  44. 44. - 43 - 3.4 Devoções a Iemanjá A religião Afro-Brasileira, conhecida como Umbanda, tem presença marcante em São Borja, através dos seus dois templos; o Centro Espiritualista de Umbanda São Jorge e o Centro Espírita de Umbanda Pai Oxalá. Os devotos da Umbanda também devotam nossa senhora dos navegantes porem com o nome de Iemanjá, no mesmo dia 2 de fevereiro, porém em uma celebração paralela a da católica. Não há uma data exata quando começou a festa à Iemanjá, mas pelo que se percebe por uma foto antiga, ela já existe há muito tempo, com oferendas e procissões a rainha do mar. Figura 19: Procissão de Iemanjá 3.5 O Túmulo do Anjinho O famoso túmulo se encontra no cemitério Jardim da Paz, é o tumulo 03. Conta a história que o túmulo apareceu da noite para o dia, e quando foram abrir para ver o que tinha, havia um recém nascido. Não há registros de nome, somente o ano em que foi enterrado que são 1922. Fonte: Luís do Nascimento Aria
  45. 45. - 44 - Figura 20: Túmulo do Anjinho de São Borja 3.6 Procissões de Corpos Christi As procissões em honra a Corpus Christi surgiu no ano de 1264, instituída pelo Papa Urbano IV, para confirmar que na eucaristia e no vinho Jesus Cristo se faz presente. Essa procissão teve inicio em Liege na Bélgica e através dessa experiência foi expandida pelo mundo inteiro. Não há um dia exato da comemoração de corpus Christi, pois é uma comemoração com data móvel que segue o “calendário” religioso. O que rege a data da comemoração de Corpus Christi é a comemoração da Páscoa que é outra data móvel. O dia da comemoração é na quinta-feira após a festa da Santíssima Trindade, e é sempre em uma quinta-feira relembrando a quinta-feira Santa, dia em que na Igreja Católica se comemora a instituição da Eucaristia. A tradição de enfeitar as ruas para a procissão é como se fosse demarcar um lugar “sagrado” para que por esse lugar servisse de passagem e que diferenciasse os demais lugares “profanos”. Essa tradição de enfeitar as ruas remete a outra passagem bíblica quando Jesus entra em Jerusalém e é aclamado rei, e o povo enfeita as ruas com ramos. Em São Borja essa tradição é muito forte, além de ser feriado, há inúmeras pessoas que levantam cedo para começar a confeccionar os “tapetes”, que são verdadeiras obras de artes. Os tapetes mostram a criatividade da população e revelam o “sagrado” através das imagens nos “tapetes”. Neste dia é celebrada uma missa toda solene e após a missa o padre segue em procissão pelos “tapetes” pelas ruas em volta da Igreja. Inúmeras pessoas seguem a procissão cantando e rezando. A procissão depois de percorrer as principais ruas volta até a igreja onde o padre abençoa os fiéis. Fonte: Maiquel Schneider
  46. 46. - 45 - UNIDADE 4 4. BAIRRO DO PASSO, CULTURA RIBEIRINHA E RELAÇÕES DE FRONTEIRA Muriel Pinto15 Ulisses Souza16 Ronaldo Bernardino Colvero17 Rosicler de Sá18 4.1 A História do Bairro do Passo O Bairro do Passo é o bairro mais antigo de São Borja, sua povoação se iniciou com poucos casebres e inúmeros ranchos que se espalhavam entre a atual Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição e ao largo do porto. Segundo O’ Donnell, (1987, p. 18), “o passo, cerca de 100 casebres e inúmeros ranchos, espalhava-se em torno ao potreiro da capela Nossa Senhora da Conceição e do largo do porto. Por estar mais próximo do limite nacional, estabelece constante relação de fronteira com a municipalidade vizinha de Santo Tomé- Argentina. Figura 21: Praça do Passo 15 - Licenciado em Geografia. Mestre em Desenvolvimento Regional. Doutorando em Geografia pela UFRGS. Professor Assistente da UNIPAMPA, Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja. Coordenador do Projeto Proext-Mec “Curso de Educação Patrimonial para os docentes da rede pública de São Borja” 16 - Bacharel em Relações Públicas: Ênfase em Produção Cultural 17 - Professor Adjunto e Diretor da UNIPAMPA, Campus São Borja. Historiador e Doutor em História. 18 - Acadêmica do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas, UNIPAMPA, Campus São Borja Fonte: Arquivo pessoal de Alberto Lucero Fonte: Ulisses Souza Arquivo Paróquia Imaculada Conceição do Passo
  47. 47. - 46 - Figura 22: Antiga capela do Passo Como se observa nas fotos acima, igreja Nossa Senhora Imaculada Conceição era um dos poucos imóveis construídos na época. Entretanto, nessa época o Passo não era denominado bairro e sim fazia parte da Vila de São Borja. Conforme O’donnel (1987 p.18-19): Tomando-se pela antiga estrada das Missões, 5 km para sul, chegava-se à vila. Na praça grande, via-se, além da Matriz, em construção desde 1846, (...) Coronel Manuel dos Santos Loureiro, o Manduca. Um veterano, que substituíra o coronel Manuel Pereira da Silva Lago. Com esse poder, somado ao prestígio defensor do Império na recém-finda revolução, impedira, 1848, que se fizesse do Passo o centro da Vila. Somente após a fundação do município de São Borja que o Passo recebeu a denominação de Bairro. Este bairro é o mais antigo da cidade e traz consigo uma vasta carga de cultura e história, uma vez que fica localizada na divisa com a municipalidade de Santo Tomé-Argentina, estabelecendo assim uma relação de fronteira com o vizinho país. Através de sua divisa portuária, o bairro guarda acontecimentos importantes para o município de São Borja, sendo um destes a sangrenta invasão paraguaia durante a Guerra do Paraguai, onde estes adentraram a cidade pelo bairro do Passo, e muitos desses soldados morreram em território brasileiro. Fonte: Acervo Paróquia do Passo.
  48. 48. - 47 - Francisco acompanha de longe o 3º. Batalhão de infantaria montada da guarda nacional. Para chegar ao potreiro, os soldados atravessaram uma sanga. Água pela cintura. Como se flutuassem nas brumas da manhã de 10 de Junho de 1865. Súbito, a fuzilaria. A vanguarda invasora tentava desembarcar 400 homens em chalanas. (DONNEL, 1987, p.22) Esse acontecimento ficou marcado, através da construção do cemitério onde foram enterrados os paraguaios que morreram em combate. O referido cemitério fica localizado, no bairro Passo, especificamente, na zona ribeirinha, sendo considerado um dos pontos turísticos do município. 4.2 O Bairro do Passo e a relação de fronteira O bairro do Passo possui uma forte relação com o município de São Borja, em virtude de sua localização na divisa com a Argentina, via rio Uruguai. Esta região da cidade destacou-se por muitos anos por ser a zona portuária de São Borja. Em 1914, a fiscalização aduaneira era realizada através da casilha do Passo. Essa era uma construção em formato de chopana, que servia de resguardo aos fiscais encarregados de verificar o que é que entrava da Argentina. Cabe destacar que no século XIX o porto local fazia conexão com o porto de Salto no Uruguai, que se ligava com o Porto de Buenos Aires. Figura 23: Casilha do Passo Fonte: Acervo de Clóvis Benevenuto
  49. 49. - 48 - Foi então no ano de 1935, que a atual sede da receita federal foi construída. A realização da obra foi autorizada pessoalmente pelo Presidente Getúlio Vargas a pedido do prefeito da época Cleto Dória de Azambuja. Na mesma época foi implantado oficialmente o porto de São Borja. Em 1937 construiu-se a faixa no cais do porto, que servia de zona de entrada e saída de Mercadorias, como o exemplo o embarque das sementes de linho que se destinavam a Holanda, tal comercialização que esta representada na figura abaixo. Figura 24: Embarque de Linho samborjense para Holanda Figura 25: Trabalhadores na construção da calçada da Receita Fonte: Acervo pessoal de Clóvis Benevenuto Fonte: Acervo pessoal de Clóvis Benevenuto
  50. 50. - 49 - Figura 26: Casal no Clube Fraternidade (1952) A foto acima representa a construção da calçada da receita federal 1938, percebe-se que havia poucos imóveis na época. Ao fundo visualiza-se o Clube Fraternidade, entidade social que por muitas décadas foi considerado um dos principais clubes da cidade, este que foi muito freqüentado entre as décadas de 1950- 1960. Na figura ao lado, visualiza- se um casal freqüentador do Clube Fraternidade. Fonte: Arquivo de Adiles Calazans Pinto tt Figura 27: Construção do Cais do Porto de São Borja (1938) A figura acima representa o inicio da construção do Cais do Porto de São Borja em 1938, três anos depois da construção da receita federal. A maior parte dos operários dessa obra trabalhava de bombacha, pois não havia preocupação com os modos trabalho como há hoje. Atualmente o Cais do Porto da cidade destaca-se por ser o local de ocorrência das principais festividades populares de São Borja, como: festival de musicas de Carnaval Fonte: Acervo de Alberto Lucero
  51. 51. - 50 - Fonte: Arquivo Fernando Vargas Souto Apparício Silva Rillo; Cais Folia; Festival da Barranca, festa do peixe. Além das festividades musicais, percebem-se ritos relacionados a manifestações profano-religiosos, como a Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes e Iemanjá. Portanto, tal espaço pode ser definido como lugar de difusão cultural, pois além das festividades, constantemente recebe moradores da cidade que procuram um maior contato com o rio Uruguai. Nos últimos anos o cais passou por diversas transformações, que alteraram as características deste espaço social samborjense. Figura 28: Batalhão de Infantaria do bairro do Passo (1900) Entre os anos de 1878 a 1883 foi o período de construção do quartel do Passo. A devida obra foi de responsabilidade do Marechal Carlos Eugênio sob o comando de seu irmão, o general Artur Oscar. A foto acima tirada no ano 1900 representa o Batalhão de Infantaria em forma, este que se localizava no bairro do Passo, onde hoje se localiza a subestação da Corsan. Nessa época as unidades militares tinham como ponto estratégico proteger suas fronteiras de uma possível invasão inimiga. No ano de 1930, foi realizado a pavimentação das ruas General Marques e General Osório, estas que passaram a ligar o centro da cidade com o bairro do passo. A foto abaixo mostra o trabalho de calçamento que tornou o acesso mais rápido entre estas duas áreas urbanas.
  52. 52. - 51 - Figura 29: Calçamento da Rua General Marques A procissão de Nossa Senhora dos Navegantes é outra prática social que anualmente é realizada no Passo, esta que é oficializada pela igreja desde 1940. Moradores mais antigos do bairro, afirmam que a procissão fluvial ocorreu em 1925, portanto um dos grandes incentivadores da devoção à senhora dos navegantes teria sido o monsenhor Patrício Petit Jean, que por longos anos comandou o catolicismo no Bairro do Passo. Em 1940 a sua ritualização no rio Uruguai tomou nova dimensão, a partir da instalação de um pelotão de fuzileiros navais junto ao rio. Este pelotão passou a comandar os festejos, fator este que contribuiu para uma maior integração entre as Paróquias do Passo e de Santo Tomé. Nestas atividades os fuzileiros brasileiros e marinheiros de Santo Tomé, realizavam em conjunto a procissão no rio. Na argentina é exaltada a santa Stella Maris. Esta ritualidade em conjunto foi celebrada até 1997, antes da construção da ponte da integração, fator este que expõem como a construção desta obra vem contribuindo para perda de práticas sociais e manifestações tradicionais das comunidades ribeirinhas. 4.3 Práticas de contrabando no rio Uruguai A região da Campanha, em especial a fronteira oeste, assumiu o papel de fronteira-zona, como ponto de troca de mercadorias na região entre os brasileiros e os países que faziam parte da Bacia da Prata. Sabe-se que o fator que facilitava as trocas nessas regiões era o transporte fluvial, ainda que limitado pela segurança, que era precária. Por sua vez, o transporte por terra estava limitado às estradas, que eram muito escassas e exigiam o Fonte: Arquivo de Clóvis Benevenuto
  53. 53. - 52 - acompanhamento de pessoas que conhecessem bem a região para transpor os obstáculos geográficos existentes. A preocupação em construir vias de transportes terrestres para comunicação com as fronteiras, tornava-se visível nesta região com a chegada do transporte fluvial e o grande fluxo de mercadorias que chegavam da Europa, via portos de Montevidéu e Buenos Aires – os primeiros receptores de produtos europeus e também americanos -, para depois subirem o rio e serem redistribuídos para as vilas à beira do rio Uruguai. No entanto, nota-se também que as primeiras ferrovias ligavam cidades que faziam parte das fronteiras do Império, mesmo sendo essas linhas férreas particulares. A história da formação dessas fronteiras da região oeste da província do Rio Grande do Sul está ligada mais intimamente à questão alfandegária, do reconhecimento de direitos e veiculação de mercadorias, pois a exigência de determinados produtos para consumo e sua facilidade de aquisição por vias não legais muitas vezes se anteciparam à legislação do tráfego mercantil, dando vazão ao contrabando. Em função da sobrevivência e à mercê de intercâmbios, as povoações às margens do rio Uruguai foram se formando, criando um longo corredor mercantil, pois se dispunham uma frente à outra; no caso de Uruguaiana, formou-se uma tríplice fronteira, um entreposto comercial e populacional que facilitaria o comércio, ao mesmo tempo em que chamaria atenção de comerciantes legais. O intercâmbio entre essas povoações seria facilitado, pois as necessidades individuais poderiam ser supridas pelo coletivo; assim, formou-se uma rede de comercialização, beneficiamento e manufatura. Outro ponto fundamental era a moeda corrente em cada país com o que, devido à balança cambial, uma povoação teria privilégios em detrimento de outra; logo, foi esse o fator gerador do comércio e do contrabando nessa região de fronteira. No caso de São Borja, em virtude do isolamento das duas comunidades e dos difíceis caminhos, o contrabando tornou-se uma alternativa de sobrevivência e uma maneira de superar estas dificuldades. O rio Uruguai foi o local, por excelência, tanto do contrabando de grande, como de pequena monta. Novamente aqui, a fronteira tornou-se o centro das preocupações das autoridades provinciais e depois estaduais e imperiais e, mais tarde, nacionais, onde o contrabando também contribuiu para forjar laços transfronteiriços. Agentes envolvidos com o contrabando na fronteira contribuíram para o esforço revolucionário federalista no contexto de transição do Império para República. Em outubro de 1857, se reforçaram as medidas para controlar a circulação de pessoas e mercadorias nas costas dos rios, com especial atenção o rio Uruguai 364.
  54. 54. - 53 - Existia o contrabando de grande escala feito por atravessadores que utilizavam as estradas ou o Rio Uruguai, mas também existia o contrabando de pequena escala, o chamado “contrabando formiga”. Este contrabando, geralmente, era realizado pelos moradores da Vila de São Francisco de Borja e de Santo Tomé e, raramente, causava problemas para aqueles que o executavam. A foto abaixo representa a apreensão de contrabando feita pelos fuzileiros Navais, nas imediações do porto do Passo, nesta oportunidade foram apreendidas 300 bolsas de café que vinham de São Paulo, em 1964. Nesta ocasião houve troca de tiro com os contrabandistas, isso reforça que a pratica de contrabando continuava persistindo nas fronteiras do rio Uruguai na década de 1960. Figura 30: Apreensão de contrabando de café no porto de São Borja Fonte: Arquivo pessoal de Edgar Lucena Fonte: Arquivo pessoal de Edgar Lucena Figura 31: Patrulha dos fuzileiros navais nas margens do Uruguai em São Borja-RS
  55. 55. - 54 - Fonte: Alberto Lucero A fiscalização e proteção da fronteira sempre foi uma constante, desde a consolidação dos estados nacional brasileiro e argentina. Na década de 1970, os fuzileiros navais realizavam patrulhas de chalana no rio Uruguai, tal situação que esta representada na figura acima. 4.4 Antigas formas de travessia no rio Uruguai Ao se falar com diversas pessoas da cidade, surgem diversas versões sobre as formas de translado do rio Uruguai, para Santo Tomé. Entre estas se destaca: transporte via barca; via balsa; piráguas; a nado; e agora mais recentemente via carro pela ponte da integração. A foto abaixo expõe o transporte fluvial em São Borja, por volta de 1885, esta imagem foi retirada da Rua Tiradentes no Bairro Passo. As embarcações que constam na imagem são as chamadas as piráguas (embarcações com vela transversais), que descarregavam nos depósitos do porto as mercadorias, que dai eram transportadas em carroças puxadas por mulas. Figura 32: Navegação fluvial em São Borja (1885) O transporte de areia e de madeira foram produtos que constantemente circulavam no cais do porto de São Borja. As embarcações que eram utilizadas para estes serviços eram chamadas de balsas. As famílias de barqueiros moravam em chalanas com toldos nessa época (1952). Os balseiros que transportavam madeira vinham do estado de Santa Catarina, principalmente da cidade de Chapecó. As circulações destas balsas eram mais frequente nos
  56. 56. - 55 - períodos de enchentes. É importante destacar que as balsas eram construídas com as próprias madeiras que seriam comercializadas, quando chegavam ao seu destino, eram desmontadas e a madeira lavada e comercializada. Figura 33: Balseiros transportando areia no rio Uruguai O translado do rio Uruguai, constantemente era realizado via barca, ou lança estas que transportavam mercadorias e os moradores fronteiriços. 4.5 Antigos estabelecimentos comerciais no bairro do passo O bairro Passo, por mais que estivesse por muito tempo não articulado urbanamente com a região central da cidade, obtiveram um destaque comercial que dava suporte as relações portuárias do local. Um dos estabelecimentos mais tradicionais da década de 1950 da zona portuária era o hotel da dona Emília Jeske, este que estava localizado exatamente na frente do atual Prédio da Receita Federal de São Borja. Figura 34: Hotel de Emília Jeske Fonte: Acervo de Alberto Lucero Fonte: Arquivo de Clovis Benevenuto
  57. 57. - 56 - Acervo: Clóvis Benevenuto Como nos mostra a foto acima, o estabelecimento foi muito movimentado e freqüentado, inclusive por pessoas importantes da época, como o presidente João Goulart. Nesta imagem percebe-se o grande fluxo de caminhões que estavam no local, estes que transportavam vários tipos de mercadorias. O prédio do hotel possuía uma arquitetura diferenciada para época, o que tornava imponente sua presença nas margens do rio Uruguai. Hoje esse prédio foi reformado e é o atual posto de saúde Ricardo Pinheiro. Cabe destacar que as residências que estão ao lado do hotel, até hoje permanecem presentes nestas imediações do bairro. Figura 35: Antigo Cine Vitória A imagem acima representa outro ponto marcante do Bairro do Passo, que foi o Cine Vitória. Este cinema foi iniciado pelo senhor Zambini, ele tinha capacidade de duzentos lugares. Sua localização era na frente da escola Olavo Bilac, este ficou ativo até 1979. Nos anos posteriores seu prédio foi demolido. 4.6 A cultura da Pesca e a Zona Ribeirinha Os ribeirinhos são identificados como um tipo de população tradicional, orientada por valores, que regem um modelo de comportamento comunitário dos recursos naturais. O ribeirinho enquanto categoria designativa favorece a identificação de como modo de vida, aproveitamento e exploração de recursos naturais, ocupação e apropriação do território, identidade cultural e simbólica, crenças e valores. Em São Borja percebem-se diversos modos de vida, saberes e práticas sociais que identificam uma cultura ribeirinha.
  58. 58. - 57 - Figura 36: Prática da pesca na década de 1970 Fonte: Acervo pessoal de Agripino Matoso Fonte: Acervo pessoal de Agripino Matoso Figura 37: Pesca de dourado nos 1970
  59. 59. - 58 - A pesca destaca-se como umas das principais práticas sociais das comunidades ribeirinhas de São Borja. As fotos acima expõem imagens de algumas pescarias realizadas na área territorial do município, até então esta atividade não possuía nenhuma fiscalização, fator este contribuiu para o controle de algumas espécies que entram em perigo de extinção. A foto acima foi tirada para comemorar a pesca de um dourado de 18 kg. O hoje através de relatos de autoridades da época constata-se que antes da construção da ponte havia muito mais pescadores que hoje, no entanto atualmente eles se encontram mais organizados através da Associação de pescadores e da Colônia de pescadores Z21. A culinária típica, a base de pescado remete a períodos muito antigos do que a própria alimentação a base de carne bovina na região. O tradicional peixe-frito do cais do porto de São Borja é um prato reconhecido da cidade, assim como o peixe assado em taquara. Nos últimos anos vem ocorrendo a Festa do Peixe de São Borja, esta que é realizada no cais do porto, envolvendo inúmeras atividades, como: corridas de chalana; jantar típico; construção de chalanas; exposição de artesanato elaborada pelas mulheres da Colônia Z21, entre outras. Figura 38: Corrida de Chalanas na festa do peixe em São Borja (2013) Fonte: Rosicler de Sá
  60. 60. - 59 - A prática cultural deriva por ser um elemento próprio da lida diárias dos pescadores, pois a pesca dos dias de hoje sofre muitas influências de variadas linhas de crédito, e por isso muitos pescadores passaram a comprar embarcações de alumínio e a motor, com isso puderam explorar mais ainda o limites do rio Uruguai, indo mais longe e mais rápido. Até então as chalanas eram as embarcações mais utilizadas, estas que são construídas pelos próprios pescadores, sendo utilizada para as práticas diárias de subsistência, durante a festa do peixe a embarcação é construída é serve como premio para o ganhador da corrida de chalanas, onde este sai da margem Ocidental (lado da Argentina) e chega até a margem Oriental (Cais do Porto – São Borja RS). Figura 39: Artesanato de escama de peixe Fonte: Rosicler de Sá As expressões artísticas ribeirinhas são fatores que expõem as representações sociais ribeirinhas, pois se observa a produção de arte a partir de elementos culturais vinculados a rio, como: o artesanato de escama de peixe e construção de réplicas de madeiras que simbolizam as balsas. Após da construção da Ponte da Integração em 1994, percebe-se a perda de diversos costumes e práticas sociais ribeirinhas, como por exemplo, a diminuição do número de pescadores no rio Uruguai.
  61. 61. - 60 - Fonte: Acervo de Alberto Lucero 4.7 ENCHENTES NO RIO URUGUAI NO BAIRRO DO PASSO Para quem reside nas margens do rio Uruguai em São Borja, conviver com as enchentes tornam-se vivências constantes. Em virtude da área do município estar no curso médio do devido corpo d’água, constantemente quando chove na sua nascente, entre os rios Pelotas e Canos, ou quando são abertas as comportas das usinas hidrelétricas construídas no seu curso mais alto, as águas descem com grande vazão para região de São Borja. Figura 40: Enchente no bairro do Passo em 1983 A foto acima representa a maior enchente já ocorrida na região ribeirinha da cidade, esta que assolou a fronteira-oeste do Rio Grande Sul no ano de 1983. Nesta enchente o rio chegou a 19m, acima do nível normal, deixando vários moradores desabrigados. Após a enchente foi construído um pequeno marco, que simboliza a altura que água chegou, bem em frente ao atual Clube Fraternidade.
  62. 62. - 61 - Figura 41: Enchente de 2014 Fonte: Ulisses Souza Outra enchente que teve grandes proporções foi a de 2014, nesta o nível do rio chegou a 15m e 80 cm acima de seu nível normal, onde muitos moradores foram desalojados. Na figura acima, percebe-se que vários estabelecimentos foram vitimas da cheia, como o posto de saúde Ricardo Pinheiro, antigo mercado do porto, hoje o atual mercado Chesini do porto. Nesta ocasião todos os bares do cais do porto ficaram de baixo da água, fazia mais de três décadas que o rio Uruguai não tinha uma cheia tão grande, como a que ocorreu neste ano.
  63. 63. - 62 - Unidade 5 5. A GUERRA DO PARAGUAI E A INVASÃO DE SÃO BORJA César Peixoto de Oliveira19 A Guerra do Paraguai Em 1682, o padre jesuíta Francisco Garcia atravessou o Rio Uruguai à frente de cerca de duas mil pessoas, com o objetivo de fundar uma colônia em sua margem esquerda. O aldeamento, que pertenceria à redução de Santo Tomé, teve importância estratégica na execução dos planos expansionistas do ditador paraguaio Francisco Solano Lopez (Fig. 42), que levaram ao envolvimento do Brasil, da Argentina e do Uruguai no maior conflito armado internacional da América do Sul. Historicamente denominada “Guerra da Tríplice Aliança” ou “Guerra do Paraguai” por autores brasileiros, ou ainda “A Guerra Grande” pelo povo paraguaio, a guerra durou de dezembro de 1864 a março de 1870. Figura 42: Disputas territoriais na região platina (1864) 19 - Coronel de Cavalaria do Exército Brasileiro. Bacharel em Relações Públicas: Ênfase em Produção Cultural. Fonte: https://www.google.com.br/search?q=disputas+territoriais+na+america+do+sul+(1864)+- +imagens+da+guerra+do+paraguai

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