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Korky Paul
No espaço e no mar
com a Bruxa Mimi
Por estes dias, a Bruxa Mimi entra em órbita. Para o ano, andará deb...
o exacto momento em que se
lembrou de “atirar a bruxa
para debaixo de água”: “Ia a
descer a rua da minha editora
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A Mimi no Espaço
Texto: Valerie
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ilustração: Korky
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Página Miúdos Pública de 14 de Novembro de 2010. Bruxa Mimi e Korky Paull. Blogue letra pequena online de Rita Pimenta

Publicada em: Educação, Diversão e humor
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  1. 1. miúdos Korky Paul No espaço e no mar com a Bruxa Mimi Por estes dias, a Bruxa Mimi entra em órbita. Para o ano, andará debaixo de água com o gato Rogério. Korky Paul, o ilustrador da bruxa colorida que mora na casa preta, esteve em Portugal e contou-nos tudo. Quase. Texto Rita Pimenta D istribuída há pouco tempo pelas livrarias, a mais recente história da desajeitada Bruxa Mimi leva-a até ao espaço. “A diferença neste livro é que a bruxa sai de casa. Todos os livros da Mimi se passam em torno da sua grande casa preta. Este não”, contou Korky Paul no fim-de-semana passado numa visita guiada à exposição de originais das suas ilustrações, no Festival Internacional de BD da Amadora. O ilustrador, de origem zimbabwena, infância passada na África do Sul e actualmente a residir em Oxford, explicou como surgiu a ideia para que a Mimi mudasse de ambiente e entrasse em órbita. Para isso, mostrou aos visitantes a imagem que encerra o livro Que Grande Abóbora, Mimi! Aí, vê-se a bruxa (e o gato) a sobrevoar a terra numa abóbora gigante (tipo Cinderela… mas com mais graça). “Os editores olharam para esta ilustração e pensaram: temos de enviá-la para o espaço.” E lá foi ela (e o gato). Debaixodeágua “Fiquei muito feliz com esta ideia porque adoro o espaço”, disse o ilustrador. “Ele gosta do espaço porque vive lá”, comentou divertido o seu assistente e ex-aluno Mário Coelho, que o acompanhou na visita e foi traduzindo as suas declarações. Mário Coelho é brasileiro, ilustrador e também vive em Oxford. Korky Paul entusiasma-se a descrever a forma como as ideias lhe surgem, por isso contou Crianças portuguesas poderão participar num concurso de desenhos da Bruxa Mimi para serem integrados no próximo livro
  2. 2. o exacto momento em que se lembrou de “atirar a bruxa para debaixo de água”: “Ia a descer a rua da minha editora [Oxford University Press], com os desenhos do espaço debaixo do braço, e pensei que a seguir queria levar a Mimi até ao fundo do mar. Pô-la debaixo de água.” E lá foi ela (e o gato). Agora, anda a imaginar em que tipo de submarino a vai fazer mergulhar. O livro será publicado em 2011 e, segundo Helena Rafael, da Gradiva, editora que detém os direitos para Portugal, ainda não está decidido se o título será uma tradução literal de Winnie Underwater (Mimi Debaixo de Água). Como em todos as edições, haverá um concurso de desenhos feitos por crianças, cujo vencedor verá o seu trabalho impresso nas guardas do livro e receberá um exemplar assinado por Korky Paul. A escola a que pertence o aluno fica registada na obra, recebe um prémio e livros para a biblioteca. A novidade (e a boa notícia) é que para a história da Mimi no fundo do mar os desenhos serão recolhidos em Portugal, só ainda não se definiram as escolas que irão participar. O ilustrador explicou o processo. “Faço uma curta descrição da história, mas não mostro os desenhos já feitos por mim para não influenciar. Os professores fazem uma selecção de 20 desenhos de raparigas e 20 de rapazes. Eu, o editor e o director escolhemos o melhor.” Mostrou a imagem vencedora de A Mimi no Espaço, e continua surpreendido com a semelhança entre o desenho da criança e o seu. “Telepatia”, diz a rir-se. “Assim que o vi, decidi logo que seria a vencedora.” Pode ser que as crianças portuguesas também “adivinhem” o que vai na cabeça colorida de Korky Paul e consigam criar algo como um fato de mergulho às riscas ou um mini-escafandro para o bichano. Continuaadivertir-se “A Mimi tem a idade da minha filha Zöe, 23 anos. Nasceu em 1987”, responde a uma visitante da exposição que quis saber há quanto tempo desenha esta personagem. E não está farto?, perguntar-lhe-á mais tarde a Pública. “Não, claro que não, continuo a divertir- me com ela.” Korky Paul recorda como tudo começou: “O meu irmão trabalhava para a Oxford University Press no departamento das publicações para África. E disse ao editor: ‘Eu tenho um irmão que sabe desenhar…’.” Não consegue deixar de se rir a imaginar a cena do irmão, a elogiar o mano... perante um editor importante. Valeu a pena. Foi chamado, deram-lhe a primeira história de Valerie Thomas a ler (aquela em que a Mimi “pinta” o gato de verde, primeiro, e de muitas cores, depois, para não tropeçar nele e o conseguir encontrar na casa preta) e pediram-lhe que fizesse um livro pequeno (de bolso) para escolas. A preto-e-branco. “Li a história a caminho de Londres (onde morava) e gostei bastante, embora de início ficasse desiludido porque estava à espera que me entregassem um ‘texto importante’. Mas era uma boa história.” Fez três desenhos para as primeiras páginas do livro, Illustrations©KorkyPaul.TakenfromWinnietheWitchbyValerieThomasandKorkyPaul,publishedbyOxfordUniversityPress c
  3. 3. A Mimi no Espaço Texto: Valerie Thomas; tradução: Gonçalo Terra; ilustração: Korky Paul. Edição: Gradiva. €13 O Computador da Mimi Texto: Valerie Thomas; tradução: Gonçalo Terra; ilustração: Korky Paul. Edição: Gradiva. €13,12 A Bruxa Mimi no Inverno Texto: Valerie Thomas; tradução: Gonçalo Terra; ilustração: Korky Paul. Edição: Gradiva. €13,12 Que Grande Abóbora, Mimi! Texto: Valerie Thomas; tradução: Gonçalo Terra; ilustração: Korky Paul. Edição: Gradiva. €13,12 Mini Mimi / Sorri, Mimi! Texto: Laura Owen; tradução: Gonçalo Terra; ilustração: Korky Paul. Edição: Gradiva. €7,57 num formato próximo do A3 e muito coloridas. Tudo ao contrário do que lhe haviam pedido. Esta “desobediência” foi-lhe logo acusada por Ron Heapy, o editor. Korky disse-lhe: “Esqueça esse julgamento e veja o trabalho.” Foi aprovado. “Fiquei a saber depois que havia três ilustradores a pensar nesta história. Os editores gostaram que a bruxa não se vestisse de preto, como é comum. A ideia de uma bruxa colorida numa casa preta funcionou para eles”, conclui. Para nós, também. ‘Apanhado’adesenhar E assim deixou uma carreira na publicidade: “O dinheiro era melhor, mas eu passava a vida a ser ‘apanhado’ a desenhar e a ser chamado à atenção: ‘Então, em vez de estar na reunião tal e tal... está aqui a fazer desenhos?’.” Rendeu-se. Na conversa com a Pública, falou da infância: “Quando era pequeno, já desenhava bastante. Estive muitas temporadas com a minha avó no meio do Calaári e ela pintava muito, desenhava aquela África real, os bosquímanos. Era extraordinária. Quando ficou demasiado velha para pintar, deu-me todo o material e encorajou-me muito.” Como desenha Korky Paul? “Começo por um esboço a lápis, depois uso a caneta de aparo [tinta permanente], segue-se um novo desenho sobre a mesa de luz e finalmente a pintura.” São quatro “demãos” para cada desenho, que é sempre pensado em articulação com a mancha de texto. De cada vez que trabalha sobre as imagens já criadas, redesenha-as, “nunca é uma tradução mecânica nem um contorno preciso sobre o que está feito, para não se perder a espontaneidade”. Vai acrescentando detalhes, aprimorando ou até “torcendo”, como um relógio de parede que se podia ver na exposição e que, no primeiro esboço, estava na vertical, mas no final já estava inclinado, num efeito dinâmico eficaz. Ou um “pobre” cavaleiro tombado, que, no trabalho final, estava bastante “mais maltratado” do que no início. Para apresentar um livro novo, faz as três primeiras páginas, com desenhos “finais” e mostra à editora. Se gostarem, segue em frente. “Alguns ilustradores mostram 12 desenhos. Depois, os editores querem fazer alterações. É preciso fazer novos desenhos. É preciso mostrá-los outra vez e lá vêm com mais ideias... Para mim, não. Três desenhos e já está.” Preferia fazer as capas no final de ilustrar todo o livro, “a capa é uma síntese de tudo o que imaginei e construí lá dentro, mas não é possível”. Com as obras traduzidas em 26 línguas, é preciso ir adiantando a divulgação em muitos países. “Então, faço um rascunho. Depois, 30 pessoas dirão o que pensam, blá-blá-blá... E, se for preciso, ajusta-se.” As perguntas mais frequentes que as crianças lhe fazem nas escolas britânicas são: qual o seu clube de futebol e se gosta de subir às árvores. Respostas: Liverpool e, sim, sobe às árvores. “Gosta, gosta”, testemunha Mário Coelho, “eu já vi, lá em Oxford somos vizinhos”. a rpimenta@publico.pt

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