Pag.miudos 8 maio2011 yara

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Página Miúdos da Pública de 8 de Maio de 2011. Blogue Letra pequena. De Rita Pimenta

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Pag.miudos 8 maio2011 yara

  1. 1. miúdos Yara Kono Ilustrar é transformar Nasceu no Brasil, mas numa família japonesa. Veio para Portugal porque se apaixonou. Yara Kono ganhou o Prémio Nacional de Ilustração 2010, com o livro O Papão no Desvão, escrito por Ana Saldanha. A ilustradora — que tinha medo do escuro — agora ilumina palavras. E transforma-as. Texto Rita Pimenta O lhar para verdade foi o terceiro álbum acabou por enviar. “No último debaixo da cama que ilustrou. “Antes, ainda fiz dia, mesmo no prazo final. Se o arrepiava-a, A Ovelhinha Dá-me Lã, com a carimbo não tivesse aquela data, mas nunca teve Isabel Minhós Martins.” Com já não contava.” Devido a essa receio de uma esse projecto ganhou uma menção, a Kalandraka decidiu personagem menção honrosa no Prémio editar o livro em 2010. “Já vai específica, como o Papão. “Acho de Compostela para Álbuns na segunda edição”, informa que tinha mais medo do escuro, Ilustrados 2008. satisfeita. do breu. Do desconhecido, “Foi uma surpresa gigante, Para Yara Kono, ilustrar é: no fundo”, diz Yara Kono, 38 deram a notícia em Bolonha “Transformar, passar, transmitir anos, ilustradora e designer [Feira Internacional do Livro com cores, com formas um gráfica. Nenhum desses receios a Infantil e Juvenil]. Eu estava ali parágrafo, um sentimento. Pode impediu de vir de São Paulo para deslumbrada com os trabalhos ser uma sensação. É transmitir Lisboa há 11 anos — e às escuras. dos outros colegas portugueses através de imagens alguma coisa. “Com uma mão à frente e outra da exposição .PT. Os melhores Seja ela escrita ou não.” E adora atrás”, conta à Pública no atelier ilustradores estavam lá todos e fazê-lo. do Planeta Tangerina, onde eu pude conhecê-los. Mas eu só trabalha, a vencedora do Prémio estava ainda a começar a fazer Escritores especiais Nacional de Ilustração 2010. livros, já ilustrava, mas para O primeiro livro com os seus O premiado O Papão no outros projectos. Fiquei mesmo desenhos que chegou às livrarias Desvão, com texto de Ana surpreendida. E feliz.” portuguesas foi o título De Sol Saldanha e edição da A surpresa foi maior ainda a Sonho, com texto de Raul Caminho, foi o segundo porque Yara nem queria Malaquias Marques (Caminho). livro que viu editado concorrer. Pensou: “Isto não está “Se eu fizesse esse livro hoje, em Portugal com a sua nada fixe. Não envio.” Mas, por ‘puxava’ muito mais as cores. assinatura. Mas na insistência da autora do texto, lá A capa resultou muito bem.
  2. 2. Foi bastante marcante. Adoreitrabalhar com o Raul, é uma na cave, espreitavam por cima do muro quando eu brincava ganhou com isso, vejo-o como um conjunto. Há livros que Um trabalho quepessoa muito especial”, recorda ailustradora, que diz ter sorte por, com as minhas irmãs no jardim, apareciam na escola (aí, chamava- perdem com essa separação, e até dá dó.” não se prendeaté agora, ter recebido sempre se ‘professora’, uma senhora Este foi um dos motivos por a detalhes,textos “de escritores especiais”.Ana Saldanha é um deles. muito má e assustadora).” A autora gostava de nesse tempo que gostou tanto de fazer O Papão. “O próprio Bernardo procura a Para o Papão no Desvão (quefala de uma menina com medo ter encontrado um Papão com um ar simpático como o que [Carvalho] disse que o editaria no Planeta Tangerina. Eu sou essência do textode se aproximar da escada à a ilustradora criou : “O livro muito minimalista, não menoite, mas que vence o medo da Yara ter-me-ia sossegado os prendo aos detalhes. Se calhar,e acaba por se tornar amiga do medos...” isso faz a diferença neste livro.Papão), o processo foi: “A Ana Hoje, os seus receios são Tem muito a essência.”apresentou-me dois textos. Este outros: “O papão da dor e Depois de ler “imensas vezesfoi o primeiro, cuja personagem, da morte dolorosa; de mais o texto”, a ilustradora faz uma Sofia, em princípio vai aparecer nenhum.” esboço, para poder passarnoutros livros. Apresentou- Ana Saldanha remata a sua à segunda fase. “Àsme para ver se eu gostava. Eu mensagem à Pública com um vezes, visualizogostei e fiz uma experiência. aviso sobre esta obra: “O Papão umas partesPrimeiro desenhei a personagem não é um livro para leitura antes.e também o Papão, ela adorou. autónoma por gente pequena;Desde então temos tido uma boa a intenção era que fosse alguémrelação. Como vive no Porto, crescido a mediar o contactofalamos muito por telefone e por com o texto e com as imagensmail. É uma pessoa fantástica, — e por isso ele tem palavrasveio de propósito a Lisboa para um pouco obscuras (‘desvão’,o lançamento de A Manta. Outra por exemplo), que se podempessoa especial.” transformar em adivinhas, e A Ana Saldanha também ilustrações nada simplistas,agrada o trabalho em conjunto que podem dar origem a váriascom a ilustradora, como fez outras histórias.”saber à Pública via email:“Outras colaborações com a Vantagem de ser designerYara? Sim, sim, por favor!” Quando Yara chegou ao PlanetaE informa que já há um livro Tangerina (por resposta a umpronto, a sair brevemente, Eu anúncio do jornal Expresso eSó Eu. “É um trabalho magnífico depois de seleccionada entreda Yara”, diz a autora. “Adorei muitos), o que lhe estavaa leitura que fez do meu texto. destinado era o design gráfico,Todos os trabalhos dela me que continua a fazer. Uma mais-parecem inspirados, cheios de valia importante, acredita.humor e inteligentes.” “Este livro é bastante gráfico. Em O Papão no Desvão, E aí está a vantagem dea escritora inspirou-se na o ilustrador ser designersobrinha-neta, a quem queria gráfico. O livrodar “munições para combateros papões que possam vir aatormentá-la”. Isto porque aprópria autora, na infância,tinha alguns medos: “Ele[o Papão] e as bruxas, ohomem do saco, o homemdas barbas escondiam-se nodesvão das escadas, no sótão,
  3. 3. miúdos Para a escritora Não do princípio ao fim. Posso até visualizar a última página, bolseira, já designer. Mas, antes, tinha ido lá para Ana Saldanha, mas a do meio ainda não. conhecer “aquele outro Trabalho muito com o autor, que lado” da família. “Eu os desenhos é importante na distribuição do leio pouco em japonês e da ilustradora texto. Verifico com ele se está bem ou se é preciso ajustar.” falo mais ou menos... Na família no Brasil, o meu são muito Mas é na procura da essência pai deve ser o único que de cada parágrafo ou trecho fala fluentemente japonês inteligentes e que centra o seu trabalho. e lê em japonês.”cheios de humor “Começo com mais elementos, mas vou eliminando. Até chegar Hoje, trabalha mesmo no que gosta. “Com amor, ao essencial. No Papão, é tudo que é muito importante. digital. A textura foi conseguida É uma família, eu gosto por digitalização de uma capa de trabalhar cá. Desde o antiga. Depois desenhei por cima. início.” E conta divertida Cem por cento no computador. que quando entrou Às vezes, utilizo material que pela primeira vez no fotografo e digitalizo para atelier (na altura em São enriquecer a ilustração.” Pedro do Estoril), pensou: Embora sempre se lembre “Eu quero trabalhar de ter gostado de desenhar, a aqui. Tenho de trabalhar primeira formação superior de aqui.” Não conhecia os Yara é em Farmácia Bioquímica. futuros colegas (e amigos). “Trabalhei durante cinco anos em “Achei piada ao nome Planeta São Paulo nessa área. Primeiro Tangerina. Ainda havia a revista O Papão no Desvão em indústria, em controlo de Batatoon e outros projectos Texto: Ana Saldanha; qualidade. Não gostei nada do que já acabaram. A gente entra e ilustração: Yara Kono; ambiente. Depois trabalhei sente que é um bom ambiente. As edição: Caminho numa farmácia de manipulação, paredes com aquelas ilustrações(Prémio Nacional de Ilustração um conceito que em Portugal todas. Falei para mim: ‘Uau, 2010) não existe (o medicamento é quero trabalhar aqui’.” manipulado consoante Nunca diz que o seu destino é as necessidades fazer isto ou aquilo. “Se eu fosse do paciente, os seguir os planos de há 15 anos, princípios activos hoje continuava numa farmácia. são prescritos à Em pequena, gostei muito de medida). Aí eu Matemática e, mais tarde, de gostei muito Química. Desenhar, sempre. A Manta mais.” Quando Quando era miúda, nunca tive Texto: Isabel Minhós Martins; passou para o essas coisas de ‘gostava de ser ilustração: Yara Kono; laboratório, bailarina ou professora’.” edição: Planeta Tangerina decidiu fazer E hoje gostava de ser o quê? o curso de “Gostava de ser o que sou. Está Ovelhinha Dá-me Lã Design de a correr bem. É algo que gosto Texto: Isabel Minhós Martins; Comunicação de fazer, com paixão, com ilustração: Yara Kono; à noite. vontade. Nunca nos podemos edição: Kalandraka Ainda bem. arrepender das coisas. Agora já (Prémio Compostela para Passou sou portuguesa. E com muito Álbuns Ilustrados 2008) depois orgulho. Eu tinha de vir para quase um aqui, isso devia estar escrito De Sol a Sonho ano no algures.” Ou desenhado. a Texto: Raul Malaquias Japão Marques; ilustração: Yara como rpimenta@publico.pt Kono; edição: Caminho

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