A Nova Demografia Mundial

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A Nova Demografia Mundial

  1. 1. A Nova Demografia Mundial Megatendências que vão mudar o mundo JACK A. GOLDSTONE George Mason School de Políticas Públicas Originalmente publicado na FOREIGN AFFAIRS Jan-Fev/2010 Janeiro de 2010
  2. 2. Nos próximos 40 anos o mundo ficará mais rico <ul><li>Atualmente a população mundial é de 6,8 bilhões </li></ul><ul><li>A Divisão de População da ONU projeta que até 2050 teremos estabilizado em 9,2 bilhões de pessoas ( World Population Prospects: The 2008 Revision ) – um crescimento de 35% em 40 anos </li></ul><ul><li>Apesar do atual clima de crise, a produção econômica mundial deverá aumentar 2-3% por ano no mesmo período , o que significa que a renda global pode aumentar até 67% acima da população nas próximas quatro décadas </li></ul>© 2010 JACK A. GOLDSTONE
  3. 3. Esse enriquecimento, contudo, não será uniforme <ul><li>O p eso demográfico relativo dos países desenvolvidos sofrerá uma queda de cerca de 25%, deslocando o poder econômico para as nações em desenvolvimento </li></ul><ul><li>A maior parte do crescimento populacional projetado se concentrará nos países atualmente mais pobres e jovens </li></ul><ul><li>A força de trabalho dos países desenvolvidos irá envelhecer e declinar substancialmente, restringindo o crescimento econômico no mundo desenvolvido </li></ul><ul><li>Pela primeira vez na história, a maior parte da população mundial tornou-se urbanizada, sendo que os maiores centros urbanos estão localizados nos países mais pobres do mundo </li></ul>Nas próximas décadas os centros do crescimento econômico serão as grandes cidades do Terceiro Mundo
  4. 4. A inversão de destino da Europa Crescimento… <ul><li>Início Séc. 18: 20% dos habitantes do mundo viviam na Europa+Rússia </li></ul><ul><li>Revolução Industrial: população da Europa cresce e fluxos de emigrantes europeus partem para as Américas </li></ul><ul><li>1913: </li></ul><ul><ul><li>População da Europa quadruplicou; Europa tem mais gente do que a China </li></ul></ul><ul><ul><li>Uma em cada 3 pessoas do mundo vive na Europa ou América do Norte </li></ul></ul>© 2010 JACK A. GOLDSTONE
  5. 5. A inversão de destino da Europa & Declínio <ul><li>Após 1ª. Guerra Mundial: </li></ul><ul><ul><li>Cuidados com saúde e saneamento básico começam a se espalhar para países mais pobres </li></ul></ul><ul><ul><li>Na Ásia, África e América Latina, as pessoas começam a viver mais, enquanto a taxa de natalidade mantem-se elevada </li></ul></ul><ul><li>2003: apenas uma em cada 6 pessoas do mundo vive na Europa ou América do Norte </li></ul><ul><li>2050: uma em cada 8 pessoas do mundo viverão na Europa ou América do Norte </li></ul>© 2010 JACK A. GOLDSTONE
  6. 6. O relativo declínio do Ocidente é mais dramático se considerarmos mudanças na renda <ul><li>A Revolução Industrial tornou os europeus não só mais numerosos mas consideravelmente mais ricos </li></ul><ul><li>Início do século 19: Europa e America do Norte produzem 32% do PIB mundial </li></ul><ul><li>1950: Europa e America do Norte produzem 68% do PIB mundial </li></ul><ul><li>De 1800 a 1973, a maior parte do crescimento econômico mundial sempre ocorreu na Europa, Estados Unidos e Canadá </li></ul><ul><li>2003: Europa e America do Norte produzem 47% do PIB mundial </li></ul><ul><li>2050: Europa e America do Norte produzirão menos de 30% do PIB mundial (participação menor do que em 1820) </li></ul>© 2010 JACK A. GOLDSTONE Desde 1973 a maior parte do crescimento econômico mundial ocorre fora da Europa e América do Norte
  7. 7. Cerca de 80% do crescimento do PIB mundial ocorrerá fora da Europa, dos EUA e do Canadá <ul><li>Em meados deste século, a classe média global ( aqueles capazes de comprar produtos de consumo duráveis, como automóveis, eletrodomésticos e eletrônicos ) estará cada vez mais localizada no que hoje é considerado o mundo em desenvolvimento </li></ul><ul><li>O Banco Mundial prevê que em 2030 o número de pessoas de classe média no mundo em desenvolvimento será de 1,2 bilhões - um aumento de 200% desde 2005 </li></ul><ul><li>A classe média em desenvolvimento será, sozinha, maior do que a população total da Europa, Japão e Estados Unidos juntos </li></ul>A partir de agora, o principal motor da expansão econômica global será o crescimento dos países recém-industrializados, como Brasil, China, Índia, Indonésia, México e Turquia © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  8. 8. Economias desenvolvidas serão menos dinâmicas e suas populações substancialmente mais velhas <ul><li>Europa, Canadá, EUA, Japão, Coréia do Sul e mesmo China estão envelhecendo a níveis sem precedentes </li></ul><ul><li>A queda na população ativa é ainda mais severa do que a diminuição do crescimento populacional </li></ul><ul><li>A geração &quot;baby boom&quot; (1945-65) está se aposentando e não está sendo substituída pelo mesmo número de trabalhadores (+15 anos) </li></ul>© 2010 JACK A. GOLDSTONE % da população acima de 60 anos 2010 2050 China 12-15% 30% Coréia do Sul 12-15% +40% Europa + Am.Norte 15-22% 30% Japão 30% +40%
  9. 9. A Coréia do Sul é o exemplo mais extremo <ul><li>População diminuirá cerca de 9% até 2050 (de 48M para 44M) </li></ul><ul><li>População ativa deve sofrer queda de 36% (de 33M para 21M) </li></ul><ul><li>Sul-coreanos com mais de 60 anos aumentará em quase 150% (7M para 18M) </li></ul><ul><li>Em 2050 a população ativa será pouco maior do que a população acima de 60 anos </li></ul>© 2010 JACK A. GOLDSTONE
  10. 10. Embora extremo, o caso coreano representa um destino cada vez mais comum para os países desenvolvidos <ul><li>A Europa deve perder 24% da população ativa (cerca de 120M) até 2050 </li></ul><ul><li>Ao mesmo tempo, a população acima de 60 anos deve aumentar em 47% </li></ul><ul><li>Nos EUA, índices de fertilidade e imigração maiores do que na Europa elevarão a população ativa em 15% nas próximos quatro décadas </li></ul><ul><ul><li>Versus 62% de crescimento entre 1950 e 2010 </li></ul></ul><ul><li>Até 2050, a população acima de 60 anos dos EUA deve dobrar </li></ul>© 2010 JACK A. GOLDSTONE
  11. 11. Todas as forças que alimentaram o crescimento dos países industrializados, de 1950 a 2000, estão enfraquecendo Isto terá um impacto dramático sobre o crescimento econômico nos países desenvolvidos © 2010 JACK A. GOLDSTONE 1950-2000 2000-2050 Aumento na produtividade devido a melhor escolaridade Explosão no número de matrículas em universidades, após a 2ª. Guerra Mundial, não deverá se repetir no século 21 Entrada das mulheres na força de trabalho Mudança social que só ocorre uma vez Inovações tecnológicas Inovadores que criam novos produtos e consumidores dispostos a experimentá-los diminuem com o envelhecimento da população
  12. 12. O crescimento econômico será prejudicado pela redução no número de novos consumidores e novas famílias <ul><li>Enquanto a força de trabalho crescia 0,5-1% ao ano, como ocorreu até 2005, mesmo aumentos de produtividade de apenas 1,7% geravam crescimentos de 2,2 a 2,7% por ano </li></ul><ul><li>Com a força de trabalho diminuindo 0,2% ao ano (como na Alemanha, Hungria, Japão, Rússia e países bálticos) ou com crescimento inferior a 0,2% (como na Áustria, Rep. Checa, Dinamarca, Grécia e Itália ) o mesmo aumento de 1,7% na produtividade produz apenas 1,5-1,9% de crescimento anual </li></ul><ul><li>Países desenvolvidos terão sorte se conseguirem sequer manter este nível de crescimento da produtividade </li></ul><ul><ul><li>Em muitos países desenvolvidos, a produtividade tende a declinar com o envelhecimento da população </li></ul></ul>© 2010 JACK A. GOLDSTONE
  13. 13. Enquanto isso, países em rápido crescimento na África, América Latina, Oriente Médio e SE Asiático terão populações jovens <ul><li>Cerca de nove em cada dez crianças com menos de 15 anos vivem hoje em países em desenvolvimento </li></ul><ul><li>Estes são os países que continuarão a ter as maiores taxas de natalidade </li></ul><ul><li>Mais de 70% do crescimento da população até 2050 ocorrerá em 24 países – todos com menos de 3.855 dólares de renda per capita </li></ul>13 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  14. 14. <ul><li>Pela primeira vez na história a maioria da população mundial vive em cidades, ao invés do campo </li></ul><ul><li>Menos de 30% da população mundial era urbana em 1950; mais de 70% será em 2050 </li></ul><ul><li>Países de baixa renda na Ásia e África urbanizam-se particularmente rápido, com a mecanização da agricultura e as oportunidades de emprego migrando para os setores industrial e de serviços </li></ul><ul><li>A maioria dos grandes aglomerados urbanos do mundo já se encontra em países de baixa renda </li></ul><ul><ul><li>Mumbai (pop. 20M), Nova Delhi (17M) e Calcutá (15,6M), na Índia </li></ul></ul><ul><ul><li>Cidade do México (20M), Xangai (16M), Karachi (13M), Cairo (13M), Manila (12M), Lagos (11M), Jacarta (10M) </li></ul></ul>O mundo também está se urbanizando de forma sem precedente 14 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  15. 15. Muitos desses países têm várias cidades com mais de um milhão de habitantes <ul><li>Paquistão: 8 cidades </li></ul><ul><li>México: 12 </li></ul><ul><li>China: mais de 100 </li></ul>15 © 2010 JACK A. GOLDSTONE % de população urbana 2010 2050 China 40% 73% África Sub-Saariana 35% 67% (1 Bi de pessoas) India 30% 55%
  16. 16. Esta urbanização pode ser desestabilizante <ul><li>Quando os países industrializados se urbanizaram, tinham renda per capita muito maior do que os países que se urbanizarão no século 21 </li></ul><ul><li>Quando os EUA atingiram 65% de urbanização, em 1950, sua renda per capita era de US$ 13 mil (em dólares de 2005) </li></ul><ul><li>Em contraste, Nigéria, Paquistão e Filipinas, que estão próximos desse nível de urbanização, têm renda per capita de apenas US$ 1,8 a 4 mil (em dólares de 2005) </li></ul>16 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  17. 17. A rápida urbanização pode trazer, de forma amplificada, problemas semelhantes aos da Europa do século 19 <ul><li>Cidades empobrecidas e vulneráveis ao crime organizado, rebeliões e ações de gangues </li></ul><ul><li>Desemprego cíclico, policiamento inadequado, saneamento e educação limitados frequentemente geram confrontos trabalhistas, períodos de violência e, ocasionalmente, revoluções – como nas década de 1820, 1830 e em 1848 </li></ul><ul><li>A demografia política indica que países com população mais jovem são especialmente propensos a desordem civil e menos capazes de criar ou manter instituições democráticas </li></ul>17 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  18. 18. Uma nova partição em três mundos <ul><li>Um Novo Primeiro Mundo de nações industrializadas envelhecendo </li></ul><ul><ul><li>América do Norte, Europa, Japão, Cingapura, Coréia do Sul e Taiwan, assim como a China depois de 2030 (quando a política do filho único terá provocado envelhecimento significativo) </li></ul></ul><ul><li>Um Novo Segundo Mundo composto por países em rápido crescimento, com economias dinâmicas e um saudável mix de jovens e idosos </li></ul><ul><ul><li>Brasil, Irã, México, Tailândia, Turquia e Vietnã, assim como a China até 2030 </li></ul></ul><ul><li>Um Novo Terceiro Mundo de países em rápido crescimento , muito jovens e cada vez mais urbanizados, com economias mais pobres e, muitas vezes, governos instáveis </li></ul>18 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  19. 19. Uma nova política global <ul><li>Instabilidade frequentemente originada da urbanização, conflito econômico, desordem e atividade terrorista do Novo Terceiro Mundo </li></ul><ul><li>As nações industrializadas e envelhecidas do Novo Primeiro Mundo precisarão construir alianças com as potências emergentes do Novo Segundo Mundo </li></ul><ul><li>Potências do Segundo Mundo serão protagonistas no século 21 </li></ul><ul><ul><li>Impulsionarão o crescimento econômico e o consumo das tecnologias desenvolvidas no Primeiro Mundo </li></ul></ul><ul><ul><li>Serão centrais para a segurança e cooperação internacionais </li></ul></ul><ul><li>Imperativos religiosos, culturais e geográficos determinam que qualquer relação pacífica e produtiva, entre nações do Primeiro e do Terceiro Mundos, exigirá a cooperação de países do Novo Segundo Mundo </li></ul>19 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  20. 20. A estrutura das atuais instituições globais deve mudar <ul><li>As instituições internacionais perderão sua legitimidade se excluírem os países de maior crescimento e economias mais dinâmicas do mundo </li></ul><ul><li>O G-8, por exemplo, se tornará obsoleto na definição da política econômica global </li></ul><ul><li>O G-20 já está cada vez mais importante – começo de um necessário reconhecimento do Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Turquia e outros como potências econômicas globais </li></ul>20 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  21. 21. A OTAN deveria convidar países como o Brasil e Marrocos, para a aliança, ao invés de países como a Albânia <ul><li>A OTAN é composta quase inteiramente por países com populações envelhecendo e em declínio e economias de crescimento relativamente lento </li></ul><ul><li>Orientada ao Hemisfério Norte e à lógica da Guerra Fria, que não endereça adequadamente as ameaças contemporâneas </li></ul><ul><li>Em momentos de instabilidade, países jovens e populosos podem mobilizar rebeldes muito mais rapidamente do que a OTAN pode mobilizar as tropas necessárias para estabilizá-los </li></ul>© 2010 JACK A. GOLDSTONE 21
  22. 22. Os atuais níveis de imigração são mínimos, comparados com os que podem ocorrer em breve <ul><li>As forças da oferta e demanda atuarão fortemente sobre o Terceiro Mundo, no qual países pobres continuarão a ter aumento dramático da população, nas próximas décadas </li></ul><ul><li>Em 1950 a população combinada de Bangladesh, Egito, Indonésia, Nigéria, Paquistão e Turquia era de 242 milhões </li></ul><ul><li>Em 2009, os seis países formavam a concentração muçulmana mais populosa do mundo, com 886 milhões de habitantes </li></ul><ul><li>Essa população aumentará em 475 milhões até 2050 </li></ul><ul><li>Nesse período a população dos seis países desenvolvidos mais populosos aumentará apenas 44 milhões </li></ul>22 © 2010 JACK A. GOLDSTONE

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