05 2014 - dificuldades financeiras

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Gestão de Empresas em Dificuldades Financeiras - Falências e Recuperação Judicial

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05 2014 - dificuldades financeiras

  1. 1. Dificuldades Financeiras Prof. Milton Henrique mcouto@catolica-es.edu.br
  2. 2. Empresa • Crescimento = investimentos ($$ próprio ou emprestado) • Quem empresta? => Bancos • Como? Constituindo garantias reais • O problema: a quebra do devedor • Bancos precisam ter certeza de receber de volta os valores emprestados + juros pactuados, pois têm obrigações com seus depositantes • Sem essa certeza, cobram um adicional a título de ‘risco de crédito’ (spread)
  3. 3. Quanto mais precisa do dinheiro Menos crédito disponível Paga-se mais caro pelo dinheiro Mais difícil de pagar o empréstimo INADIMPLÊNCIA
  4. 4. O Primeiro Erro • Toda a empresa em situação financeira difícil tende a cometer os mesmos erros. O primeiro deles é o “aumento do preço dos produtos” para fazer face a; – – – – – Manter o volume de vendas. Aumento dos insumos Despesas financeiras crescentes Dissídios Fechar os números • A resultante é sempre a mesma – Queda do volume de vendas – Perda de clientes – Menor margem em valor absoluto.
  5. 5. O Segundo Erro • Toda a empresa em situação financeira difícil tende a queimar estoques para fazer face a: – Melhorar o fluxo de caixa – Manter a Folha de Pagamento em dia – Fechar os números • A resultante é sempre a mesma – Piorar o desempenho do fluxo de caixa no longo prazo – Não repor os estoques – Menor margem em valor absoluto.
  6. 6. O mais grave dos erros • • • • • Não admitir que a situação esteja difícil Querer resolver a situação sem ajuda externa Não querer fazer ajustes de custos e despesas Considerar que existam despesas intocáveis Menosprezar o mercado, a concorrência, as tendências • Não desejar fazer mudanças profundas
  7. 7. Algumas Empresas Brasileiras que Enfrentaram Dificuldades Financeiras
  8. 8. Sobrevivência das Empresas USA Brasil De 100 empresas: De 100 empresas: • 30 ficam na 2ª geração • 10 ficam na 3ª geração • 30 ficam na 2ª geração • 05 ficam na 3ª geração Praticamente não existem no Brasil empresas na 5ª geração. Estima-se em menos de 10 empresas apenas nesta condição.
  9. 9. Crise da Empresa PATRIMONIAL – Ativo menor que o passivo ECONÔMICA – Falta de faturamento em razão da retração nos negócios FINANCEIRA – Falta de liquidez – falta de montante em caixa para pagamento de obrigações imediatas
  10. 10. Dificuldades Financeiras São situações pelas quais passa uma empresa cujos fluxos de caixa operacionais são insuficientes para atender os compromissos financeiros nas datas de vencimento e/ou o valor de seus ativos é insuficiente para cobrir seus débitos junto a credores
  11. 11. Dificuldades Financeiras Desequilíbrio do fluxo de caixa
  12. 12. Sinais de que uma empresa passa por dificuldades financeiras • • • • • • • Atraso de pagamentos Prejuízos Reduções de dividendos Fechamento de instalações Dispensa de pessoal Mudança de diretores Queda de preço das ações
  13. 13. Papel dos Administradores Os administradores devem conhecer as possibilidades e os processos de reestruturação e liquidação Sua própria empresa Forem credores de outras empresas
  14. 14. Dificuldades Financeiras com base em Balanços e em Fluxos de Caixa • Balanços (Posição Estática) – Dizemos que uma empresa é insolvente quando seu patrimônio líquido é negativo
  15. 15. Dificuldades Financeiras com base em Balanços e em Fluxos de Caixa • Fluxos de Caixa (Posição Dinâmica) – Dizemos que uma empresa é insolvente quando não consegue pagar suas dívidas
  16. 16. Insolvência • Econômico-Financeira • Técnica
  17. 17. Insolvência Econômico-Financeira • Ocorre quando as receitas da empresa não cobrem seus custos, e a geração de caixa é insuficiente para honrar seus compromissos
  18. 18. Insolvência Técnica • Ocorre quando a empresa não é capaz de saldar suas dívidas nas datas combinadas, embora tenha ativos permanentes superiores a suas dívidas Crise de liquidez
  19. 19. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Ausência de planejamento estratégico
  20. 20. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Brigas familiares
  21. 21. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Cancelamento de um grande pedido
  22. 22. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Controles financeiros deficientes
  23. 23. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Custos altos
  24. 24. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Dependência de poucos clientes
  25. 25. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Dependência de poucos fornecedores
  26. 26. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Desvio de dinheiro para negócios particulares
  27. 27. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Diversificações mal conduzidas
  28. 28. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Entrada de concorrentes poderosos
  29. 29. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Estoques altos
  30. 30. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Estrutura de capital inadequada
  31. 31. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Excesso de endividamento
  32. 32. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Excesso de otimismo sobre o negócio
  33. 33. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Falta de capacidade gerencial
  34. 34. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Falta de capital próprio
  35. 35. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Falta de investimentos tecnológicos
  36. 36. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Falta de vantagem competitiva
  37. 37. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Lentidão na tomada de decisão e nas ações
  38. 38. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Má administração de crédito e cobrança
  39. 39. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Falhas na distribuição dos produtos
  40. 40. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Má localização geográfica
  41. 41. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Gerenciamento de risco precário ou inexistente
  42. 42. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Morte dos fundadores
  43. 43. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Mudanças na conjuntura econômica
  44. 44. Fatores que Levam a Dificuldades Financeiras • Paternalismo na avaliação dos resultados
  45. 45. Lei de Falências (número 11.101 de 09/02/2005) • Objetivos – Facilitar a recuperação da empresa em crise econômico-financeira, com a manutenção da fonte produtora e dos empregos, bem como aumentar a probabilidade aos credores da retomada de seus bens e direitos
  46. 46. Lei de Falências (número 11.101 de 09/02/2005) • Não se aplica – – – – – – Empresa pública Economia mista Instituição financeira Cooperativa de crédito Consórcio Entidade de previdência complementar – Sociedade operadora de plano de assistência à saúde – Sociedade seguradora – Sociedade de capitalização
  47. 47. Lei de Falências Extrajudicial • Fase de Recuperação • Fase Falimentar • Fase Criminal Judicial
  48. 48. Lei de Falências • Recuperação – Concordata = ‘Contrato’ entre devedor e credores mais um terceiro não contratante (o Estado-juiz) que visa a reabilitação do devedor em estado temporário de insolvência – Finalidade real: fazer o devedor ganhar tempo para negociar dívidas ou preparar sua empresa para a falência (‘limpeza’)
  49. 49. Lei de Falências • Falência – Forma jurídica de solucionar a situação jurídica do comerciante que não cumpre, no vencimento, com obrigações líquidas e certas – Finalidade: liquidação do patrimônio do devedor insolvente
  50. 50. Lei de Falências • Crime Falimentar – Todo e qualquer ato praticado antes, durante e até mesmo após a falência, com o objetivo de prejudicar credores em benefício próprio – Exemplos de crimes • Escriturar Livros Contábeis e Fiscais em atraso ou não ter esses livros • não encerrar o balanço no prazo legal • falsificar, destruir ou inutilizar material utilizado para escrituração
  51. 51. Lei de Falências • Recuperação Extrajudicial • Recuperação Judicial • Falência
  52. 52. Recuperação ExtraJudicial • Tem por objetivo permitir ao devedor negociar fora dos tribunais com seus principais credores e aprovar um plano de pagamento para suas dívidas, dentro de suas reais possibilidades
  53. 53. Recuperação ExtraJudicial Plano de Pagamentos aprovado por pelo menos 60% dos credores ? NÃO Refaz o Plano SIM Homologação
  54. 54. Reestruturação Financeira • Adequação do Passivo ao Ativo, do fluxo de caixa ao ciclo econômico e das contas a pagar às contas a receber
  55. 55. Reestruturação Financeira Soluções mais utilizadas: • Alongamento do perfil da dívida • Transferência do controle acionário
  56. 56. Reestruturação Financeira • Alongamento do perfil da dívida – Consiste em renegociar as condições da dívida a vencer ou vencida, com maiores prazos e taxas de juros menores
  57. 57. Reestruturação Financeira • Transferência do controle acionário – É a transferência do controle acionário e legal da empresa aos credores ou a terceiros, por iniciativa própria dos sócios da empresa em dificuldade – Aproveita-se a sinergia da transferência do controle acionário para um fornecedor que terá a missão de salvar a empresa, liquidando seus débitos
  58. 58. Recuperação Judicial • Tem por objetivo viabilizar a superação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e do interesse dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo a atividade econômica
  59. 59. Recuperação Judicial • É uma trégua solicitada pela empresa devedora e decretada, via sentença judicial, como melhor forma de pagamento de seus credores
  60. 60. Recuperação Judicial • A empresa tem 2 anos de prazo para pagamento das dívidas ou desconto de 50% do valor para pagamento à vista
  61. 61. Recuperação Judicial • Geralmente a empresa perde o crédito, tendo que efetuar as próximas compras à vista junto a seus fornecedores
  62. 62. Recuperação Judicial • Se a empresa não cumprir o plano de pagamentos ou não se reerguer ao final do prazo, a falência será decretada
  63. 63. Falência • É um processo jurídico que ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, visa a preservar e aperfeiçoar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos, inclusive os intangíveis da empresa
  64. 64. Falência • É considerada falida a empresa cujas dívidas de curto e de longo prazos são maiores que seu ativo, ou seja, a empresa apresenta um patrimônio líquido negativo
  65. 65. Falência • É nomeado um sindico pelo juiz para administrar a massa falida, receber todos os direitos e quitar todas as obrigações
  66. 66. Falência • O processo de falência visa também apurar e mensurar responsabilidades pela situação de insolvência (inclusive criminais), legitimar e relacionar os credores em ordem de preferência de recebimento
  67. 67. Fases da Falência • Fase Preliminar – Do pedido a constituição do síndico • Fase de Sindicância – Levantamento dos direitos e haveres • Fase de Liquidação – Venda e rateio entre os credores
  68. 68. Falência • O processo inicia-se com um pedido de falência: – Pelo próprio devedor (autofalência), quando o juiz decreta, de imediato – Solicitada pelos credores (presumida), quando o juiz citará o devedor para que o mesmo apresente defesa ou efetue pagamento – Decretada pelo juiz após a recuperação judicial, seja por insucesso na recuperação ou por não cumprimento das cláusulas
  69. 69. Falência • Os titulares ficam impedidos de administrar outras empresas durante o processo de falência • Quando todas as dívidas são pagas, os titulares são liberados para iniciar ou administrar um novo empreendimento • Se o valor apurado não for suficiente para quitar todas as obrigações, os titulares ficarão impedidos de iniciar outro empreendimento ou administrar empresas por 5 anos
  70. 70. Falência • Ordem de Pagamento – créditos extraconcursais (tributos com fato gerador ocorrido após a decretação da falência) – créditos trabalhistas (até 150 salários mín/credor) – créditos com garantia real – créditos tributários (exceto multas) – créditos com privilégio especial – créditos com privilégio geral – créditos quirografários – multas em geral – créditos subordinados
  71. 71. Créditos Extraconcursais • Despesas contraídas para manter a massa falida em operação após a decretação da falência com o administrador judicial, as custas processuais, etc. São os gastos necessários para se manter o processo de falência!
  72. 72. Créditos Trabalhistas e Acidente de Trabalho
  73. 73. Créditos com Garantias Reais • Hipotecas • Alienações • Penhores
  74. 74. Créditos Tributários
  75. 75. Créditos com Privilégio Especial • Art. 964. Têm privilégio especial: I - sobre a coisa arrecadada e liquidada, o credor de custas e despesas judiciais feitas com a arrecadação e liquidação; II - sobre a coisa salvada, o credor por despesas de salvamento; III - sobre a coisa beneficiada, o credor por benfeitorias necessárias ou úteis; IV - sobre os prédios rústicos ou urbanos, fábricas, oficinas, ou quaisquer outras construções, o credor de materiais, dinheiro, ou serviços para a sua edificação, reconstrução, ou melhoramento; V - sobre os frutos agrícolas, o credor por sementes, instrumentos e serviços à cultura, ou à colheita; VI - sobre as alfaias e utensílios de uso doméstico, nos prédios rústicos ou urbanos, o credor de aluguéis, quanto às prestações do ano corrente e do anterior; VII - sobre os exemplares da obra existente na massa do editor, o autor dela, ou seus legítimos representantes, pelo crédito fundado contra aquele no contrato da edição; VIII - sobre o produto da colheita, para a qual houver concorrido com o seu trabalho, e precipuamente a quaisquer outros créditos, ainda que reais, o trabalhador agrícola, quanto à dívida dos seus salários.
  76. 76. Créditos com Privilégio Geral • Art. 965. Goza de privilégio geral, na ordem seguinte, sobre os bens do devedor: I - o crédito por despesa de seu funeral, feito segundo a condição do morto e o costume do lugar; II - o crédito por custas judiciais, ou por despesas com a arrecadação e liquidação da massa; III - o crédito por despesas com o luto do cônjuge sobrevivo e dos filhos do devedor falecido, se foram moderadas; IV - o crédito por despesas com a doença de que faleceu o devedor, no semestre anterior à sua morte; V - o crédito pelos gastos necessários à mantença do devedor falecido e sua família, no trimestre anterior ao falecimento; VI - o crédito pelos impostos devidos à Fazenda Pública, no ano corrente e no anterior; VII - o crédito pelos salários dos empregados do serviço doméstico do devedor, nos seus derradeiros seis meses de vida; VIII - os demais créditos de privilégio geral.
  77. 77. Créditos Quirografários • Compreende aqueles sem qualquer garantia; os saldos das instituições financeiras superiores à garantia real e os trabalhistas acima dos 150 salários mínimos, nessa ordem.
  78. 78. Multas
  79. 79. Créditos Subordinados • Corresponde àquele pertencente aos sócios ou administradores, ou seja, o pro labore (retirada) ou à parte dos lucros que lhes cabe nos resultados da em presa falida, pendentes na data da quebra.
  80. 80. Como Enfrentar as Dificuldades Financeiras • Fazendo fusões, aquisições ou cisões
  81. 81. Como Enfrentar as Dificuldades Financeiras • Buscando novas linhas de financiamento
  82. 82. Como Enfrentar as Dificuldades Financeiras • Desmobilizando
  83. 83. Venda tudo o que não fizer falta!
  84. 84. Como Enfrentar as Dificuldades Financeiras • Negociando com bancos e outros credores
  85. 85. Como Enfrentar as Dificuldades Financeiras • Reduzindo custos
  86. 86. Como Enfrentar as Dificuldades Financeiras • Reduzindo investimentos
  87. 87. Como Enfrentar as Dificuldades Financeiras • Reduzindo gastos com pesquisa e desenvolvimento
  88. 88. Como Enfrentar as Dificuldades Financeiras • Substituindo diretores e gerentes
  89. 89. Como Enfrentar as Dificuldades Financeiras • Substituindo dívidas por ações
  90. 90. Dificuldades Financeiras Não há reestruturação financeira Recuperação Dificuldades Financeiras Recuperações Há reestruturação financeira Fusão, aquisição ou cisão Falência Solução negociada
  91. 91. Por que as Empresas Quebram? • • • • • • Baixa Produtividade Baixa Rentabilidade Deficiência Estrutural Baixa Capitalização Descuido com a Essência Envelhecimento das Crenças
  92. 92. Descuido com a Essência • • • • Desatenção do Produto Perda de Qualidade Custos Altos Atraso Tecnológico
  93. 93. Indicadores de Eficiência Global • Lucro – Produtividade – Giros • Retorno sobre Investimentos – Estrutura – Rentabilidade • Fluxo de Caixa – Produtividade – Capitalização
  94. 94. Indicadores de Eficiência Global • Ajustabilidade – Modernização do Produto – Custo Compatível • Capital Humano – Treinamento – Participação nos Resultados • Filosofia de Gestão – Revisionismo
  95. 95. Quem sou eu? Prof. Milton Henrique do Couto Neto mcouto@catolica-es.edu.br Engenheiro Mecânico, UFF MBA em Gestão Empresarial, UVV MBA em Marketing Empresarial, UVV Mestre em Administração, UFES Pós-MBA em Inteligência Empresarial, FGV http://lattes.cnpq.br/8394911895758599
  96. 96. Professor Universitário 2004 2011 2006 2007 2009 2011
  97. 97. Disciplinas Lecionadas Marketing Empreendedorismo Administração de Materiais Matemática Matemática Financeira Gestão Financeira Fundamentos da Administração Gestão de Processos e Empresas
  98. 98. miltonhenrique miltonhcouto miltonhcouto
  99. 99. Este e outros arquivos estão disponíveis para download no www.slideshare.net/miltonh

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