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  1. 1. INFORMÁTICA E EDUCAÇÃO – CONFLITOS E NECESSIDADES DA SALA DE AULA Marina Nunes Durães Instituto Superior Anísio Teixeira da FHA Jonathan Luiz Trindade de Carvalho Instituto Superior Anísio Teixeira da FHARESUMO: Analisando o desenvolvimento tecnológico na sociedade atual e a importância daeducação escolar neste contexto, o presente artigo procura configurar esta realidade avaliando anecessidade da real inserção e utilização de recursos tecnológicos na sala de aula. Para obteruma maior percepção desta realidade, o artigo propõe a realização de uma pesquisa empírica, decunho qualitativo, em escolas do Ensino Básico da rede pública de Belo Horizonte.1. IntroduçãoA evolução do uso das técnicas é uma constante na história da humanidade. Desde ainvenção da roda e a descoberta do fogo, o homem vem desenvolvendo novas técnicas eartefatos que o auxilie em seu dia-a-dia. Os avanços são muitos, indústria, comércio,infra-estrutura, lazer, enfim, a sociedade como um todo está em constante evoluçãotecnológica. Sabe-se que no atual mundo capitalista e globalizado, um dos principaisprodutos desta tecnologia é a informação, tanto, que nossa sociedade é atualmentechamada de a “sociedade da informação”.No mundo do trabalho, que a cada dia é mais exigente ao cobrar competências de seustrabalhadores, é necessário que se saiba lidar, pesquisar, discutir, intercambiar,assimilar, criticar, explorar e desenvolver estas informações. Urgencia-se portanto, anecessidade da escola preparar o aluno para saber lidar com tais informações. Não que aescola tenha que prepará-lo unicamente de acordo com as necessidades do mercado detrabalho, mas o ambiente escolar, um dos principais locus de formação humana eprofissional dos sujeitos, precisa dar condições para que o futuro trabalhador, além de
  2. 2. saber viver de forma consciente, crítica e humana na atual sociedade da informação,adquira condições para também saber questionar os contrastes e contradições destasociedade, contribuindo para a sua melhoria.Diante disto, nos perguntamos: a nossa escola atual, consegue desenvolver estascompetências em seus alunos? Estando inserida numa sociedade desenvolvidatecnologicamente, a escola também se desenvolveu sob este mesmo ponto de vista? Sefora da escola, o aluno lida diariamente com a tecnologia, o mesmo acontece dentrodela? E a formação de nossos professores neste contexto? Eles estão aptos a trabalharcom o desenvolvimento tecnológico dentro da sala de aula? Eles utilizam os recursostecnológicos disponíveis para ajudá-los no processo ensino-aprendizagem? Elesrealmente preparam seus alunos para viverem na sociedade da informação?Os questionamentos são muitos. Não temos a pretensão de respondê-los, nem de esgotaro assunto. Buscamos, portanto, aprofundar nossos estudos neste complexo contextopresente nas escolas atuais, a fim de contribuirmos para uma formação que, fazendo usoda tecnologia, prepare o aluno para saber viver e trabalhar na atual sociedade dainformação.2. O desenvolvimento tecnológico e a sociedade atualGlobalização, era da informação, desenvolvimento tecnológico, sociedade de consumo,são alguns dos termos que cada vez mais fazem parte do nosso dia-a-dia. Sem querersugerir determinismos, sabemos da grande influência que o desenvolvimento datecnologia tem sobre as atuais mudanças sociais. Percebemos que atualmente,desenvolvimentos tecnológico e social têm uma grande interação um com o outro,ficando difícil determinar exatamente onde está a origem de cada um deles. Castells,reforçando a idéia de uma constante interação entre sociedade e tecnologia,observa: (...) É claro que a tecnologia não determina a sociedade. Nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica, uma vez que muitos fatores, inclusive criatividade e iniciativa empreededora, intervêm no processo de descoberta científica, inovação tecnológica e aplicações sociais, de forma que o resultado final depende de um complexo padrão interativo. Na verdade, o dilema do determinismo tecnológico é, provavelmente, um problema infundado, dado que a tecnologia é a sociedade, e a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas.(...) (CASTELLS, 1999, p. 25)
  3. 3. Tal colocação reforça a idéia da constante relação existente entre as questões estruturaisdo atual momento histórico. Economia, política, cultura, ciência e tecnologia estão emconstante interação. Descobertas feitas em um setor, geram conseqüências em outro,refletindo mudanças e desenvolvimento em todo o contexto social.Tecnologicamente falando, a sociedade atual desenvolve-se a passos largos.Desenvolvimento científico e tecnológico estão juntos nesse processo; avanços na áreada genética e da medicina têm sido comemorados. Também temos progressos nossetores das telecomunicações, da robótica, das redes neurais e da microinformática entreoutros campos de desenvolvimento. No entanto, não podemos deixar de observar que,apesar de tais avanços terem um grande significado para o progresso de toda asociedade, estes mesmos avanços não chegam “às mãos” de todos.Sendo nossa sociedade capitalista, é de se esperar que haja injustiças e estratificaçõessociais. Esperar igualdade entre todos dentro desta sociedade, seria ingenuidade.Beinstein, nos mostra alguns fatos do atual mundo globalizado, característicos dosistema produtivo em que vivemos, que contribuem para o agravamento dos contrastesatuais: (...)Primeiro, a cisão entre centro e periferia que, em lugar de diluir-se em uma nova distribuição internacional do potencial de produção, se aprofundou ainda mais. Segundo, a concentração empresarial global, reforçando a tendência anterior. Terceiro, o agravamento dos processos de desigualdade e exclusão social na perifieria, mas também nos países centrais. Quarto, a crise do Estado moderno em suas diferentes versões centrais e periféricas. Quinto, a irrupção de fenômenos de entropia: extensão global das redes mafiosas, catástrofes sanitárias, exacerbação de conflitos étnicos e outras manifestações de desestruturação social. (...) (BEINSTEIN, 2001, p. 42)É sabido que os avanços acima citados (genética, medicina, telecomunicações, robótica,redes neurais e microinformática) são usufruídos basicamente pelos habitantes doschamados países centrais. Estes países, tradicionalmente desenvolvem e investem emtecnologia, estas, são vendidas aos países periféricos, criando assim, um eterno ciclo dedependência tecnológica. A este respeito, o autor observa que “a fantasia de que ‘todosavançam’ no quadro da globalização é desmentida pelos fatos. Os ricos estão cada vezmais ricos e os pobres cada vez mais pobres” ele ainda completa:
  4. 4. “(...) O aparecimento destas inovações agravou as desigualdades regionais. As empresas dos países ricos dispõem de vantagens tecnológicas que lhes permitem deslocar as dos países pobres, neles provocando perdas de empregos e o esvaziamento da renda. A anunciada futura difusão destas tecnologias chegará demasiado tarde, porque nesse meio tempo se produzirão na periferia desmantelamentos e desnacionalizações da produção que aumentarão o círculo vicioso do subdesenvolvimento. (...)” (BEINSTEIN, 2001, p. 48)No entanto, sabemos que a presença de contradições é característica deste sistema. Aomesmo tempo em que temos grandes desigualdades entre as populações de todo oplaneta, o próprio sistema desenvolve mecanismos de combatê-las. Na atual era dainformação, a internet é um destes mecanismos. Através dela, cidadãos de todos ospaíses podem ter acesso a um maior saber coletivo, podem ter um melhor acesso àsinformações e aos acontecimentos ocorridos em todo o mundo digital. Com a ajuda daInternet, imagens, textos, notícias, concepções e opiniões são compartilhadosinstantaneamente por todos que utilizam o ciberespaço1. A informática, que no início doseu desenvolvimento “servia” apenas a grandes empresas, e à área científica, atingiu apopulação comum contribuindo para um saber e uma inteligência coletiva.Neste contexto, é de fundamental importância a contribuição da escola para a sociedade.Uma sociedade que prioriza a educação, terá como conseqüência um desenvolvimentocultural, econômico, social e tecnológico. Quando observamos historicamente o acessoda classe trabalhadora à escola, constatamos que nunca esta grande maioria dapopulação teve tanto acesso ao ensino conforme acontece atualmente. Hobsbawmconfirma este fato nos lembrando que: (...) O século XX permitiu um considerável aumento da mobilidade social e profissional, e creio que o próximo século só irá intensificar esse processo. E não apenas no âmbito de uma única geração. Os filhos são mais educados, preparados e prósperos que seus pais. A principal causa desse desenvolvimento foi o enorme incremento dos padrões educacionais, desde a alfabetização até os cursos secundários e superiores. Na escala em que vem se dando, este é um fenômeno muito recente, restrito às três últimas décadas. Pela primeira vez na história, no século XXI a maior parte da população mundial será alfabetizada, isto é, poderá ler e escrever, e um percentual muito alto terá formação universitária.(...) (HOBSBAWM, p.193, 2002)Tal afirmação confirma a perspectiva de no século XXI haver uma presença cada vezmaior de toda população na escola, fazendo com que a importância da educação na1 Termo utilizado por autores como Levy (1996), Gibson (1984) e Castells (1999) para caracterizar oespaço criado pelas comunicações mediadas por computador. A internet, local onde é possível trafegardados, imagens, vídeos, som, informação, é a maior expressão deste espaço.
  5. 5. formação e no desenvolvimento da sociedade seja cada vez mais ampla. Desta forma, éinteressante aprofundarmos um pouco mais nos aspectos relacionados à educação e àtecnologia2, à tecnologia na sala de aula e ao uso da internet neste contexto.3. Tecnologia e Educação no BrasilPara que possamos aprofundar nos aspectos referentes à tecnologia e à educação, éinteressante resgatar, mesmo que brevemente, as iniciativas e políticas públicas dogoverno brasileiro no que se refere à inserção da informática na escola. Através do sitedo Ministério da Educação (MEC) é possível obter informações que nos ajudam, comuma breve linha do tempo, a contextualizar algumas destas iniciativas: 1981 - I Seminário Nacional de Informática na Educação, promovido pelo MEC/SEI/CNPq, em Brasília – DF; 1982 - Criação do Centro de Informática – CENIFOR / Funtevê (Portaria nº 09, 18/02/92). Ao Cenifor competia, entre outras atribuições, assegurar a pesquisa, o desenvolvimento, a aplicação e a generalização do uso da informática no processo de ensino-aprendizagem em todos os níveis e modalidades; - II Seminário Nacional de Informática na Educação, promovido pelo MEC/SEI/CNPq, em Salvador - BA, com o tema “O impacto do Computador na Escola: subsídios para uma experiência piloto do uso do computador no processo educacional brasileiro”; 1983 - Criação da Comissão Especial nº 11/83 - Informática na Educação (Portaria SEI/CSN/PR nº 001, de 12/01/83); - Reestruturação do Cenifor (Resolução do Conselho Diretor da Funtevê nº 16/83, de 20/10/83), para que assumisse os papéis de órgão indutor, mediador e produtor de tecnologia educacional de informática, coordenando o processo de informatização da educação. 1984 - Assinatura, em 03/07/84, do Protocolo de Intenções entre MEC – SEI – CNPq – FINEP – FUNTEVÊ, para dar sustentação financeira à operacionalização do Projeto Educom nas universidades; 1985 - Divulgação em junho, pelo MEC, do I Plano Setorial - Educação e Informática, prevendo ações nos segmentos de ensino e pesquisa relacionadas ao uso e aplicação da informática na educação; 1986 - Aprovação do Programa de Ação Imediata em Informática na Educação para 1987; 1987 - Aprovação do Regimento Interno do Comitê Assessor de Informática e Educação - CAIE/MEC (Portaria MEC/SG nº 165, de 13/08/87); - Início da implantação dos CIED - Centros de Informática na Educação de Primeiro e Segundo Graus e Educação Especial, junto aos sistemas estaduais públicos de ensino. 1988 - A Organização dos Estados Americanos (OEA) convida o MEC-Brasil para avaliar o programa de Informática Aplicada à Educação Básica, do México, e o resultado foi um projeto multinacional de cooperação técnica e financeira integrado por oito países americanos que vigorou até 1995.2 Neste texto, ao falarmos em tecnologia, estamos considerando de forma ampla, qualquer artefato,método ou técnica criados pelo homem para auxiliá-lo no seu dia-a-dia. Seja no trabalho, em casa ou nolazer. Trataremos portanto, do uso destes recursos tecnológicos na escola considerando aquelesinstrumentos utilizados pelos professores para auxiliá-lo nas questões didático-pedagógicas, seja esteinstrumento um software, um hardware ou qualquer outro que o ajude tanto na elaboração, quanto naapresentação e/ou execução de uma aula.
  6. 6. 1989 - Realização da Jornada de Trabalho Latino-Americano de Informática na Educação e Reunião Técnica de Coordenação de Projetos em Informática na Educação; - O Conselho Nacional de Informática e Automação (CONIN) altera a redação do II Plano Nacional de Informática e Automação (II PLANIN), introduzindo ações de informática na Educação:"....implantar núcleos de informática em educação junto às Universidades, Secretarias de Educação e Escolas Técnicas, no sentido de criar ambientes informatizados para atendimento à clientela de primeiro, segundo e terceiro graus, educação especial e ensino técnico, objetivando o desenvolvimento de pesquisa e formação de recursos humanos"; 1990 - Aprovação do Regimento Interno do PRONINFE (Portaria MEC/SG nº 27, de 07/03/90) e integração do PRONINFE na Secretaria Nacional de Educação Tecnológica-SENETE/MEC, (Portaria MEC/Secretário Executivo nº 58, 06/06/90). 1992 - Criação de rubrica específica no orçamento da União para ações de Informática na Educação, (PT nº 088043019911082.001 – Informática na Educação). 1995 - O PRONINFE foi vinculado, informalmente, à Secretaria de Desenvolvimento, Inovação e Avaliação Educacional – SEDIAE. 1996 - Criação da Secretaria de Educação a Distância – SEED, (Decreto nº 1.917, 27/05/96); 1997 - Criação do Programa Nacional de Informática na Educação – ProInfo, (Portaria MEC nº 522, 09/04/97).Vê-se que principalmente a partir da década de 80, o MEC realizou várias iniciativas deinserção da informática na educação. Através desta resumida linha do tempo, nota-semuitas idas e vindas nas políticas públicas. Portarias, decretos, programas, conselhos eorçamentos foram criados, cancelados e em alguns casos, reestruturados e criadosnovamente. As políticas adotadas pelos governos que passaram por este período,demonstram a consciência de que o país não pode ficar ausente de uma política queintegre informática e educação, mas contraditoriamente, também percebemos a ausênciade uma política ampla e duradoura neste sentido.Assim como a sociedade, a escola atual não é a mesma de décadas atrás, sabemos queela ainda reproduz a ideologia da classe dominante, ainda é excludente, além do fatoainda não termos uma escola de qualidade acessível a todos. Mas não podemos ignoraros avanços que tivemos nos últimos anos. Dentro da sala de aula, atualmente, temosprofessores mais conscientes de que o aluno não é um “copo vazio”. Hoje, oconhecimento tende a ser construído entre professor e aluno e não apenas repassadocomo se fosse uma propriedade apenas do professor que ele entrega ao aluno.Neste contexto, o papel da tecnologia que auxilia o professor dentro da sala de aula é degrande importância. Assim como afirma Chaves (2004), a necessidade de introduzir a
  7. 7. informática na educação de forma séria e definitiva, faz-se presente por uma série defatores. Entre eles, o autor destaca o fato de que o processo de informatização dasociedade brasileira estar caminhando com rapidez e de forma irreversível, tornandonecessário aproximar nossos alunos desta informatização. Além disso, a maioria dasescolas particulares de hoje já estão participando deste processo, é fundamental que asescolas públicas não “fiquem para trás” neste aspecto, não permitindo que os filhos daclasse trabalhadora tenham uma formação menos inserida na “era digital” do que osfilhos da burguesia. O autor ainda observa que pesquisas feitas tanto no Brasil como noexterior mostram que a informática no ensino contribui para acelerar o desenvolvimentocognitivo e o raciocínio lógico do educando. O autor destaca: “(...) o computador em situação de ensino-aprendizagem contribui positivamente para o aceleramento de seu desenvolvimento cognitivo e intelectual, em especial no que esse desenvolvimento diz respeito ao raciocínio lógico e formal, à capacidade de pensar com rigor e sistematicamente, à habilidade de inventar ou encontrar soluções para problemas.” (CHAVES, 2004)Recursos tecnológicos como retro-projetor, televisão, CD’s, DVD’s, projetoresmultimídia e principalmente, o laboratório de informática podem ser grandesinstrumentos de aprendizagem. “Nas mãos” de professores conscientes e capacitados,estes recursos contribuem positivamente com o processo de aprendizado dos alunos.4- Recursos Tecnológicos em sala de aulaÉ importante esclarecer aqui, nossa concepção de que não vemos os recursostecnológicos como instrumentos de aprendizagem que irão substituir o professor noambiente escolar. Ao contrário, procuramos colocar tais recursos como ferramentas queauxiliem no processo ensino-aprendizagem dentro da sala de aula. No caso aquicolocado, as novas tecnologias presentes na escola, além de contribuírem para umaeducação com a tecnologia (a tecnologia utilizada como recurso ou meio didático) têm oobjetivo de preparar o aluno para esta nova sociedade que vem se desenvolvendo.Portanto, ao falarmos nos objetivos do uso do computador na sala de aula, é importantetambém abordarmos os próprios objetivos da educação, afinal, a tecnologia na sala deaula deve contribuir com este objetivo mais amplo. Entretanto, chegar a uma única
  8. 8. definição de educação, de função da educação, não é tarefa fácil. Chaves (1998), faz umbreve resgate observando as diversas concepções a este respeito presentes na literatura: “O que dizer da definição de Émile Durkheim, segundo o qual a educação é o processo de transmissão de crenças, valores, atitudes e hábitos, conduzido pelas gerações mais velhas, com o objetivo de tornar as gerações mais novas aptas para o convívio social? O que dizer, por outro lado, da tese de Jean-Jacques Rousseau de que educar é não interferir, é deixar a criança desabrochar, espontaneamente, seguindo a sua natureza, e assim concretizando as suas potencialidades? E o que dizer, por fim, da tese de Sócrates de que a função do professor, semelhante à da parteira (que facilita, mas não dá à luz a criança), deve ser facilitar a aprendizagem, mas não ensinar?” (CHAVES, 1998)Diante de tanta diversidade, optaremos aqui, em adotarmos o conceito de educaçãoinserido na concepção de Educação Tecnológica3. Esta, segundo alguns autores,preocupa-se em proporcionar ao aluno uma formação ampla e integral, objetivandoformar um sujeito capaz de lidar com a tecnologia e a ciência atual, envolvendoaprendizado e reflexão sobre sua aplicação, fundamentos e desenvolvimento. Alémdisso, a educação tecnológica também se preocuparia com a formação humana docidadão, gerando nele uma capacidade de tomada de decisões e de raciocínio críticofrente às questões políticas, humanas e sociais do mundo em que está inserido. Portanto,é neste contexto e com estes objetivos que vemos a inserção da informática na escola,contribuindo com esta formação ampla e consciente de nossos alunos.Considerando que o mundo fora do contexto escolar está em constante transformação,vemos a necessidade de “levar este mundo para dentro da escola”. Computador,multimídia, vídeo-cassete, hipertexto são alguns recursos que cada vez mais, farão partedo dia-a-dia da sala de aula. Professores e especialistas devem unir-se num esforço deadaptação e numa vontade de adequar o ambiente escolar às novas mudanças presentesna sociedade. O uso da informática na educação exige em especial um esforço constante dos educadores para transformar a simples utilização do computador numa abordagem educacional que favoreça efetivamente o processo de conhecimento do aluno. Dessa forma, a sua interação com os objetos da aprendizagem, o desenvolvimento de seu pensamento hipotético dedutivo, da sua capacidade de interpretação e análise da realidade tornam-se privilegiados e a emergência de novas estratégias cognitivas do sujeito é viabilizada. (OLIVEIRA, C, C de; COSTA, J, W; MOREIRA, M; 2001)3 Para aprofundar neste conceito, ver autores como BAPTISTA, João Manuel Pereira Dias (1993),BASTOS, João Augusto de S. L. de Almeida (1997), COELHO, Suzana Lanna Burnier (1997),GRINSPUN, Mirian P. S. Zippin (2001) e OLIVEIRA, Maria Rita N. S. (2000)
  9. 9. Um ponto importante a ser observado, é que não basta simplesmente inserir (semnenhum critério) os recursos tecnológicos no dia-a-dia da sala de aula. A maneira comoesta inserção é feita influencia diretamente no bom aproveitamento (para o professor epara o aluno) de tais recursos. Simplesmente mostrar um filme aos alunos não farámuita diferença. O grande diferencial estará na maneira em que esta atividade é feita, nacapacidade de contextualização que o professor terá. Debates, textos, painéis, atividadesextra-classe e outras atividades podem ser utilizados como meios e instrumentos deaprendizagem a partir de um determinado recurso.A capacidade de proporcionar a interatividade no ambiente da sala de aula éfundamental para a plena utilização destes recursos. A verdadeira interação chega à salade aula através do diálogo. Este, um método tão importante nas tradicionais aulasexpositivas, também é essencial quando fala-se em uso do computador, do retro-projetor, ou de qualquer outro recurso tecnológico. Entretanto, ao abordarmos estesrecursos, não podemos nos referir apenas ao computador. Sabemos que atualmente, eleé a ferramenta que proporciona ao professor uma maior diversidade de aplicações. Noentanto, outros recursos, como o próprio quadro-negro, não podem ser “deixados delado”. Neste contexto, reafirmamos que independente do recurso utilizado, a interaçãoproporcionada é essencial. Silva, refere-se à Paulo Freire alertando para a necessidadede uma verdadeira interação na sala de aula: (...) O educador P. Freire já chamou nossa atenção para o problema da transmissão quando dizia: “A educação autêntica, repitamos, não se faz de ‘A’ para ‘B’ ou de ‘A’ sobre ‘B’, mas de ‘A’ com ‘B’, mediatizados pelo mundo” (...) Tradicionalmente, a sala de aula é identificada como o ritmo monótono e repetitivo associado ao perfil de um aluno que permanece demasiado tempo inerte, olhando o quadro, ouvindo récitas, copiando e prestando contas. Assim tem sido a pragmática comunicacional da sala de aula: o falar/ditar do meste.(...) (SILVA, 2000)O termo interatividade aqui citado, refere-se a um processo constante de interação ediálogo, seja entre professor e aluno, professor e recursos tecnológicos, aluno e recursostecnológicos ou entre todos os sujeitos e objetos do contexto escolar. Este diálogo naescola, é importante na construção coletiva do conhecimento. Neste caso, o aluno deixade ser um sujeito passivo e assume o papel (junto ao professor) de um ser ativo nomomento da aprendizagem.
  10. 10. Neste início de século, temos a internet como uma fonte quase ilimitada de informaçõese de recursos de aprendizagem. A vinda dos laboratórios de informática para as escolasproporcionou a efetiva entrada da Internet no ambiente da sala de aula. Através dela,alunos têm acesso a um mundo infinito de informações, que dependendo da conduçãoda aula, podem ser assimiladas, discutidas, ignoradas, criticadas, acrescentadas,transformadas, associadas e vinculadas a outros conhecimentos adquiridos na sala deaula. Além disso, a democracia e as facilidades presentes na internet, ainda permitemque os alunos divulguem suas idéias e concepções “na rede”, deixando “suas marcas”,no ciberespaço. Lévy fala um pouco desta dinâmica interativa presente na internet: (..) Na Web, tudo se encontra no mesmo plano. E, no entanto tudo é diferenciado. Não há hierarquia absoluta, mas cada site é um agente de seleção, de bifurcação ou de hierarquização parcial. Longe de ser uma massa amorfa, a Web articula uma multiplicidade aberta de pontos de vista, mas essa articulação é feita transversalmente, em rizoma, sem o ponto de vista de Deus, sem uma unificação sobrejacente.(...) Sem fechamento dinâmico ou estrutural, a Web também não está congelada no tempo. Ela incha, se move e se transforma permanentemente. A World Wide Web é um fluxo. Suas inúmeras fontes, suas turbulências, sua irresistível ascensão oferecem uma surpreendente imagem da inundação de informação contemporânea. Cada reserva de memória, cada grupo, cada indivíduo, cada objeto pode tornar-se emissor e contribuir para a enchente. (...) (LÉVY, 1999)Conforme afirma Moran (1997), a internet pode ser uma fonte de divulgação,institucional ou dos alunos, pode ser uma fonte de pesquisa, podendo ser feitaindividualmente ou em grupo, dentro ou fora da escola, pode ser uma atividadeobrigatória ou livre, pode ser uma atividade de apoio ao ensino, possibilitando textos,imagens, sons, programas específicos, além de também poder ser uma inesgotável fontede comunicação, com pessoas conhecidas e desconhecidas, que estejam próximas oudistantes. Projetos utilizando a internet na sala de aula mostram que com este recurso,há um aumento da motivação dos alunos pelos estudos e pela pesquisa, além de ummaior interesse nos trabalhos em grupo. Há mais sensibilidade para uso das novastecnologias de comunicação e para o aprendizado do inglês, linguagem universal na“era digital”. Além disso, os alunos desenvolvem contatos pessoais e amizades por meioda rede (MORAN, 1997). Entretanto, é importante observarmos que a entrada desterecurso na escola não pode ser considerada como a solução para todos os problemas deaprendizagem. Outros fatores internos e externos à escola, como formação deprofessores, materialidade, organização dos tempos escolares, apoio técnico-
  11. 11. administrativo, infra-estrutura, políticas públicas de emprego, saúde e habitação tambémcontribuirão a efetiva melhora dos problemas de ensino-aprendizagem.Diante do que foi colocado até o momento, percebe-se o quanto a utilização dosrecursos tecnológicos é benéfica no processo ensino-aprendizagem desenvolvido naescola. No entanto, percebemos que esta utilização ainda não é uma prática presente emtodas as escolas, principalmente quando falamos em escolas públicas. É possívelperceber que mesmo nas escolas que possuem laboratórios de informática, osequipamentos muitas vezes permanecem trancados e sem nenhuma utilização.Vemos então, a necessidade de procurar entender melhor o atual contexto das escolaspúblicas de Belo Horizonte, para melhor entender os motivos que levam os professoresa utilizarem, ou não tais recursos. Desta forma, propomos uma pesquisa que verifique apresença, ou não, de recursos tecnológicos nestas escolas. Identificando quais são estesrecursos, a relação que os professores e alunos possuem com eles, a freqüência em quesão utilizados e o retorno, observado pelos professores que os utilizam, em relação àscontribuições para a formação de seus alunos.5- ConcluindoConforme já foi dito, o desenvolvimento das novas tecnologias vem permitindo que o“mundo da comunicação e da informação” torne-se cada vez mais influente nasociedade. Na educação não é diferente, estamos vivendo a chamada “era digital”, ondeo acesso, uso, a construção e a divulgação de informações nunca foram tão importantesno cotidiano do professor e das escolas.No entanto sabemos que “(...) o conhecimento tecnológico no atual contexto deglobalização, é importante, mas o que é chance para alguns, é exclusão para outros,sendo perceptível que há mais exclusão do que chances nessa sociedade global.”(Vilela, 2007). Sabemos, portanto, que enquanto algumas escolas da rede pública detêmuma grande infra-estrutura tecnológica, com equipamentos como: laboratórios decomputação, projetores multimídia, televisão, DVD e etc. outras vivem na precariedadeestrutural tecnológica, sem possuírem nenhum destes recursos.
  12. 12. Além dos problemas relacionados à ausência de infra-estrutura tecnológica, é sabidoque muitos de nossos professores encontram-se despreparados para a utilização dessesrecursos. A história de vida, e a formação de cada um deles, contribuem com apresença, ainda muito forte, de uma tendência educacional tradicional. “No fundo, persiste ainda um problema da própria pedagogia tradicional que não transita pelas teorias pós-modernas da aprendizagem, muitas vezes não incluindo-se na formação do educador, a questão da aprendizagem tecnológica, fazendo com que este profissional permaneça, à margem da história contemporânea, ou seja contemplado por limitados treinamentos”. (Vilela, 2007)Neste aspecto, vemos a importância da capacitação desses profissionais da educação,pois, sendo a escola um lócus que contribui para a socialização de indivíduos, énecessário que os professores trabalhem a inserção de seus alunos nessa nova “era”educacional se atualizando e estando por dentro das novas tecnologias educacionais.Não estamos aqui, defendendo aulas exclusivas com a utilização de recursostecnológicos. Não desprezamos os valores de uma boa aula tradicional, utilizando“cuspe e giz”, mas é preciso estar atento às novas tendências para que “(...) osprofessores desenvolvam a habilidade de beneficiarem-se da presença doscomputadores e de levarem este benefício para seus alunos.” (PAPERT, 1985, p. 70).Enfim, acreditamos que a utilização desses recursos busca também criar um sensocritico ao conhecimento técnico e científico do aluno, Freire: “a educação não se reduz à técnica, mas não se faz educação sem ela, utilizar computadores na educação, em lugar de reduzir, pode expandir a capacidade crítica e criativa de nossos meninos e meninas. Depende de quem o usa, a favor de que e de quem, e para quê. O homem concreto deve se instrumentalizar com os recursos da ciência e da tecnologia para melhor lutar pela causa de sua humanização e de sua libertação.” (FREIRE, 1979, p. 22)Não pregamos, portanto, que nossos alunos tenham contato com o “mundo tecnológico”dentro da escola, apenas com o objetivo de adaptá-los ao meio, de adaptá-los às novasnecessidades do mundo do trabalho. O que desejamos, é que nossos alunoscompreendam a sociedade atual, com toda a sua tecnologia, com a finalidade dedominá-la e de transformá-la.
  13. 13. 6- Referências BibiográficasBEINSTEIN, Jorge. Capitalismo Senil – A grande crise da economia global, Rio de Janeiro,Record, 2001CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. In: A Era da Informação: Economia, sociedade ecultura. São Paulo: Paz e Terra, 1999.CHAVES, Eduardo O. C.. Tecnologia e Educação: O futuro da escola na sociedade dainformação. Retirado do endereço: http://escola2000.net/futura/textos-reflex/MEC%20Proinfo.pdf em 15/02/2006.CHAVES, Eduardo O. C.. O computador na Educação. Retirado do endereço:http://chaves.com.br/textself/edtech/funteve.htm em 15/02/2006.FREIRE, P. Educação e mudança. 14a. edição, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. ColeçãoEducação e comunicação.HOBSBAWM, Eric. O Novo Século. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.MARCONI, Marina de Andrade, LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do Trabalho Científico.6. ed. São Paulo: Editora Atlas S.A. 2001MORAES, Raquel de Almeida. Informática na Educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.MORAN, José Manuel. Como utilizar a Internet na educação, Revista Ciência da Informação,1997.OLIVEIRA, Celina Couto de; COSTA, José Wilson da; MOREIRA, Mercia. AmbientesInformatizados de Aprendizagem – Produção e avaliação de software educativo. Campinas:Papirus, 2001OLIVEIRA, M. R. N. S. Do mito da tecnologia ao paradigma tecnológico; a mediaçãotecnológica nas práticas didático-pedagógicas. Revista Brasileira de Educação, n.18,set./out./nov./dez. 2001OLIVEIRA, M. R. N. S. Educação Tecnológica – Pontos para reflexão. Educação &Tecnologia, v.2, n.2, p.18-21, jul./dez. 1997.PAPERT, S. A máquina das Crianças. São Paulo: Brasiliense, 1985.SANTAROSA, L. M. C. Reflexões sobre a formação de Recursos Humanos em Informática naEducação. Colômbia. 1992SILVA, Marco, Sala de Aula Interativa. Rio de Janeiro: Quartet, 2000.VILELA, L. R. A formação de educadores na era digital. 2007www.proinfo.gov.br, Departamento de Informática na Educação a Distância – O que é oProinfo; Departamento de Informática na Educação a Distância – Linha do Tempo. – Acessadoem 25/06/2004

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