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Apostila de sociologia para turma M1.

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Sociologia m1

  1. 1. Colégio Mauá – M1 – Sociologia – Prof. Ms. Michel Willian Zimmermann de Almeida Prof. Ms. Michel Willian Zimmermann de AlmeidaAPOSTILA DE SOCIOLOGIA – M1
  2. 2. Colégio Mauá – M1 – Sociologia – Prof. Ms. Michel Willian Zimmermann de Almeida deixar de ser mínimo e poderia passar a regular alguns CAPITALISMO1 aspectos econômicos e sociais. Sistema econômico e social baseado na propriedade Neoliberalismo: Surge como uma reação à intervenção privada dos meios de produção, na organização da do Estado, principalmente na economia, consideram o produção visando o lucro e empregando o trabalho Estado como um elefante gordo, retomam o ideal de assalariado e no funcionamento do sistema de preços. Estado mínimo, cuja ação se restringe ao policiamento, (FERREIRA, 2004). justiça e defesa nacional. Assim o Estado reduziria gastos e poderia se fortalecer nestas áreas. A partir dos Liberalismo: Surge entre os anos 80, os governos Reagan e Bush nos EUA, e séculos XVII e XVIII, a partir Margareth Thatcher na Inglaterra passam a representar do desejo burguês em este modelo. No Brasil, isso se materializa através das conquistar a sua libertade em privatizações e a abolição da reserva de mercado. relação ao Estado, disto, apóia- se em três partes, liberdade ética, liberdade política e ESPAÇO PARA ANOTAÇÕES liberdade econômica, sendo assim, temos o liberalismo éticoque busca as garantias das liberdades individuais, taiscomo liberdade de expressão, liberdade de pensamento,liberdade de religião e etc. Já o liberalismo político,baseou-se contra o poder absoluto dos reis da época,pregando a liberdade política, o direito de escolha dosgovernantes, o sistema representativo a partir de eleiçõese a limitação do poder do Estado frente ao coletivosocial. Por fim, temos o liberalismo econômico, que seopõe à intervenção do Estado na economia, pregam olaissez-faire, laisse-passer, lê monde va de lui même,“deixai fazer, deixai passar, que o mundo anda por simesmo”, tais idéias foram desenvolvidas pelos inglesesAdam Smith (1723 – 1790) e David Ricardo (1772 –1823). Buscava-se a defesa da propriedade privada dosmeios de produção, e a economia de mercado, baseadana livre iniciativa e competição, além da implantação deum Estado mínimo. A Independência dos Estados Unidos (1776), e aRevolução Francesa (1789), consolidaram os ideaisburgueses, desejosa de seguir o seu próprio caminho,livre dos impedimentos da concepção aristocrática. Umadas conquistas do liberalismo clássico foi o ideal doEstado não-intervencionista, que deixava o mercadolivre para sua auto-regulação.Liberalismo Social (Social Democracia): Após aquebra da bolsa de Nova York em 1929, o mundocapitalista entra em grave crise financeira, falências,desemprego, inflação e tensões sociais. Para evitar operigo socialista; que havia passado imune pela crise;pensadores capitalistas desenvolvem a idéia de que oEstado deve oferecer algumas garantias a sociedade,surge assim o Estado de Bem Estar Social com asseguintes premissas: todo cidadão teria direito aemprego, controle de salário, seguro contra invalidez,doença, proteção na velhice, licença maternidade,aposentadoria entre outros. Para tanto, o Estado deveria1 Texto elaborado pelo professor, a partir da obra: ARANHA, M. L. de A.MARTINS, M. H. P. Filosofando: Introdução à Filosofia. 2° ed. São Paulo:Moderna, 1996. 396 p.
  3. 3. Colégio Mauá – M1 – Sociologia – Prof. Ms. Michel Willian Zimmermann de Almeida Estado pode ser destacada pela analise da Constituição AUGUSTO COMTE2 Estadual do Rio Grande do Sul de 1891, que foi É considerado o pai da elaborada praticamente apenas por Julio de Castilhos, Sociologia, desenvolveu a idéia de sustentando: que a sociedade deve ser analisada seguindo os mesmos princípios das - O combate à democracia e ao voto popular como ciências, ou seja, de forma positiva. medida legítima para a implantação de um mandato Para ele, esta ciência deveria orientar- governamental; se no sentido de conhecer e - A centralização do poder em mãos do Chefe do estabelecer aquilo que ele Executivo, inclusive as tarefas legislativas, como pordenominava leis imutáveis da vida social, abstendo-se de exemplo, a elaboração de leis.qualquer consideração critica, eliminando também - A continuidade administrativa garantida pela reeleiçãoqualquer discussão sobre a realidade existente e do governante, prevista pela Constituição;deixando de abordar questões como a igualdade, justiça - Incorporação do proletariado e das forças econômicase liberdade. Assim, a nova teoria que ele denominava de ao Estado.“positiva”, “deveria ensinar os homens a aceitar a ordem - Nomeação do governante substituto em caso deexistente3”. Para tanto, Comte criou uma nova igreja, necessidade.onde a divindade máxima era a Deusa Sabedoria. Outroaspecto importante, foi a divisão do desenvolvimento da Lema Positivista: Amor por principio, ordem porhumanidade em 3 Estágios: base e progresso por fim Estado Teológico = explicação divina/ religião =infância. ESPAÇO PARA ANOTAÇÕES Estado Metafísico = observação,questionamento/ Filosofia = adolescência. Estado Positivo = conclusões, apoiada naciência/ científica = adulta/ maturidade. POSITIVISMO NO BRASIL As idéias do Positivismo chegam ao Brasil emfins do século XIX, através dos estudantes; filhos defamílias abastardas; que realizavam a conclusão dos seusestudos em Paris e eram influenciados pelas idéias derepública, cientificidade e modernidade. Disto, as idéiaspositivistas passaram a agradar aos adeptos do PartidoRepublicano, que entendia que os problemas brasileirossomente seriam resolvidos, com o fim da Monarquia e ainstalação de uma Ditadura Sociocrática. Assim, tãologo se proclamou a república, as idéias positivistaspassaram a ganhar mais espaços e a demonstrar a suainfluência no movimento golpista.Influências:A bandeira republicana com o seu dístico ORDEM EPROGRESSO;A separação da Igreja e do Estado;O decreto dos feriados;O casamento civil, entre outros. No Rio Grande do Sul, o Positivismo foidifundido principalmente por Júlio de Castilhos, queafirmava que “A República é legitima, não por direitodivino, nem por direito popular, mas sim por direitocientifico e histórico”. A influência do Positivismo no2 Referências: COMTE, Auguste, Curso de filosofia positiva; Discurso sobre oespírito positivo; Discurso preliminar sobre o conjunto do positivismo. Catecismopositivista; Tradução: José Arthur Giannotti, Miguel Lemos. São Paulo: AbrilCultural, 1978. MARTINS, C. B. O que é Sociologia. Ed. 8°. São Paulo:Brasiliense, 1985. SELL, Carlos Eduardo. Sociologia Clássica. São Paulo: Univali,2003.3 MARTINS (1985), p. 28.
  4. 4. Colégio Mauá – M1 – Sociologia – Prof. Ms. Michel Willian Zimmermann de Almeida As contradições deste sistema de produção favorece o IDEIAS MARXISTAS surgimento de uma nova figura, o burguês, que se dedica não ao cultivo do campo, mas ao artesanato e ao seu LUTA DE CLASSES → Para os comércio, dando inicio a um novo modo de produção, marxistas a história se move onde o burguês se apodera dos meios de produção,ou através das lutas de classes. seja das ferramentas necessárias a produção enquanto que ao trabalhador resta apenas a possibilidade de MAS O QUE É LUTA DE vender a sua força de trabalho. Esse modo de produção CLASSES??? Consiste no ficou conhecido como Modo de Produção Capitalista. conflito entre duas classes antagônicas, ou seja, que Desta forma os marxistas identificam nas classes defendem interesses diferentes: dominantes os OPRESSORES, e nas classes dominadasDe um lado os OPRESSORES e do outro os os OPRIMIDOS.OPRIMIDOS. No atual sistema capitalista essa relação fica evidente através da MAIS-VALIA, que nada mais é do que oTáh,! Mas como isso aconteceu??? Bom, é o seguinte! valor que o trabalhador gerou A MAIS, alem doNo inicio, no tempo das sociedades primitivas os necessário para cobrir os custos de produção aohomens viviam unidos para poderem enfrentar os seus empresário.inimigos, isso inclui a natureza e os animais ferozes,Esse período é conhecido como Comunismo Primitivo. É importante se perceber que o trabalhador se diferencia do escravo e do servo pelo fato de receber salário,Passado algum tempo, surge a domesticação de animais através de um contrato livremente aceito entre ambas ase a invenção de agricultura e instrumentos de metal. partes. No entanto, a exploração se dá a partir do que oAlteram-se a organização e as funções dentro dos trabalhador produz a mais do que o necessário paragrupos, ou seja, se modificam as relações e o modo de cobrir o seu custo.produção, as terras passam a pertencerem a famílias Desta forma o lucro esta na MAIS-VALIA e não nodando o surgimento da propriedade privada da terra. preço de venda do produto.Diferenciam-se as funções e criam-se a classe. As No que diz respeito ao ESTADO, este não supera asfamílias são conduzidas pelo chefe familiar, o pai ou contradições da sociedade civil, e esta sempre a serviçopatriarca. Esse período ficou conhecido como Modo de da classe dominante, utilizando-se de recursos eProdução Patriarcal. estratégias para manter esta classe no poder.Passado algum tempo, em decorrência do aumento da A teoria desenvolvida por Marx, busca a implantação doprodução surge o excedente, Ou seja, se produz mais Sistema Comunista, no entanto antes se deve passar poralimento do que o necessário para o consumo da família. um período de ditadura do proletariado, que correspondeEsse excedente passa a ser usado para a troca com outras ao SOCIALISMO, que consiste na existência de umfamílias ou grupos. Desta forma se torna necessário o aparelho burocrático estatal, nessa fase persistem asaumento constante da produção para a realização do lutas contra a antiga classe dominante, que tenta retornarcomércio, para isso se cria a mão de obra escrava. Mas ao poder numa contra-revolução.quem são os escravos??? Esses escravos são obtidos A fase seguinte consiste no COMUNISMO, ondeatravés de guerras e conquistas de famílias, tribos ou desapareceriam por completo as classes e o Estado, ondegrupos , ou seja, são prisioneiros de guerra. Nesse o desenvolvimento das forças produtivas levaria amomento se destacou a separação do trabalho intelectual sociedade a abundancia. Porem as lutas de classesdo trabalho manual. Esse período ficou conhecido como ressurgiria em um novo sentido, agora entre as classeModo de Produção Escravista progressistas e classe conservadora. Um ponto importante de se notar é que a relação entre estas novasA contradição do regime escravista o leva a ruína, já que classes não se daria entre dominantes e dominados, masescravo não recebe salário e assim não gasta e não move sim através da disputa entre as novas e as velhas idéias.a economia. Diante da crise econômica as sociedades sevoltam para o campo, sendo que os donos das terras edas ferramentas passam a aceitar os homens livrestrabalhem em suas terras em troca de terra e proteçãomilitar. Desta forma o homem que era até então livre setorna servo e passa a trabalhar um tempo para si e outropara o senhor, que ainda lhe toma parte da produção elhe cobra impostos. Esse período ficou conhecido comoModo de Produção Feudal.
  5. 5. Colégio Mauá – M1 – Sociologia – Prof. Ms. Michel Willian Zimmermann de Almeida mobilidade, envolvendo geralmente uma mudança de ESTRATIFICAÇÃO E DESIGUALDADE4 ocupação, é mais comum. Esse tipo de estratificação social opera por meio O conceito sociológico de estratificação social de conexões de larga escala e de tipo impessoal. Apesarserve para descever as desigualdades que existem entre de as fronteiras entre as classes nunca serem muitoos indivíduos e os grupos sociais. Essas desigualdades precisas, particularmente no que se refere à identidadepodem ocorrer tanto em termos de acesso aos bens das pessoas, diferenças de riqueza e ocupaçãomateriais (riqueza) quanto em termos de acesso aos bens profissional, elas determinam o grau de desigualdadesimbólicos (poder). socioeconômica existente em um país. Geralmente, quando pensamos em estratificação No Brasil, a parcela do 1 % mais rico dasocial em termos de riqueza ou propriedade estamos nos população se apropria de uma quantidade de renda que éreferindo às sociedades modernas, divididas em classes da mesma magnitude daquela apropriada pelos 50%sociais. Mas há outros tipos de estratificação, nos quais mais pobres. Não há dúvidas de que esse cenárioas desigualdades se expressam com relação a atributos perverso de distribuição de renda se deve, em grandecorno gênero, raça, idade, filiação religiosa etc. medida, ao legado deixado por uma história de 300 anosHistoricamente, existem quatro sistemas de de escravidão no país (o Brasil foi o último país doestratificação social: a escravatura, a casta, os estados e mundo a abolir a escravatura, em 1888). Mas é precisoas classes sociais. reconhecer também que medidas importantes estão A escravatura é urna forma de desigualdade sendo tomadas nos últimos anos para reverter essaextrema, na qual alguns indivíduos são literalmente situação social: afinal, o coeficiente de Gini, que mede adonos de outros. Nesse tipo de estratificação social, um desigualdade de um país, vem apresentando, no caso doser humano tem direitos de propriedade sobre o outro, e Brasil, uma queda considerável.essa condição é imposta por meio da força. Como instituição formal, a escravidão vigorou Mobilidade socialno Brasil do período colonial até o final do Império. Osnegros trazidos do continente africano eram O termo "mobilidade social" se refere aotransformados em escravos, mas n podemos esquecer movimento ascendente descendente de indivíduos ouque muitos indígenas também foram vítimas desse grupos sociais em termos de status sociais. A mobilidadeprocesso. social faz que a desigualdade de classe torne tolerável. No caso dos estados, as desigualdades se Se essa for alta, ainda que os indivíduos tenham gensexpressam em relações pessoais de dever ou de sociais desiguais, todos podem acreditar que têm chanceobrigação. Nos estados feudais europeus, por exemplo, a igual de alcançar uma posição mais elevada de classearistocracia e a pequena nobreza rural eram consideradas social. Se a mobilidade for baixa, a maioria das pessoaso estado mais elevado (senhores); o clero constituía ficará congelada no status de seus antepassados. Em suaoutro estado e os homens do povo (servos, mercadores e obra Sociologia, Anthony Giddens distingue dois tiposartesãos), outro ainda. de mobilidade social: a vertical e a rizontal. A vertical O Sistema de castas, por sua vez, estrutura o tipo seria o movimento ascendente ou descendente hierarquiade contato que pode ocorrer entre membros de diferentes de um sistema de estratificação; a horizontal seria ocastas e está associado, sobretudo, às culturas do movimento físico de indivíduos ou grupos entre regiões.subcontinente indiano e à crença hindu do renascimento.Nesse contexto, acredita-se que aqueles que não Medida de desigualdaderespeitam os rituais e deveres próprios à sua posiçãosocial renascerão numa posição inferior na próxima O coeficiente de Gini é uma das medidas devida. Por exemplo, membros de castas superiores, como desigualdade mais utilizadas pelos especialistas. Oa dos guerreiros (Kshatriya), que tocarem fisicamente índice de Gini varia entre 0-1, sendo maior aaqueles que pertencem a uma casta mais baixa desigualdade quanto mais próximo de 1; ou seja, quando(denominada "os intocáveis") perdem seu status o índice de Gini é zero, corresponde à igualdadeimediatamente. Nesse tipo de estratificação social, a absoluta; quando é um, corresponde à desigualdade totalmobilidade de uma casta para outra não é possível, e a (isto é, a renda se concentra em um único indivíduo). Noinfluência da religião é mais importante que fatores Brasil, o coeficiente de Gini declinou 4,6% entre 2001 eeconômicos. 2005, passando de 0,594 para 0,566. Apesar da recente Contudo o sistema de classes das sociedades queda da desigualdade de renda no país, o Brasil aindamodernas é muito mais fluido. Nesse caso, a posição ocupa posição negativa no cenário internacional comosocial de um indivíduo é, pelo menos em parte, um dos países mais desiguais do mundo. Algunsalcançada e não simplesmente dada ao nascimento, e a estudiosos estimam que, para o Brasil atingir um nível4 similar de desigualdade ao da média dos países com Texto transcrito da obra de: DIMENSTEIN, G. RODRIGUES, M. M. A. maior grau de desenvolvimento, seriam necessários,GIANSANTI, A. C. Dez lições de Sociologia para um Brasil cidadão. São Paulo:FTD, 2008. ainda, mais de 20 anos de políticas de combate à pobreza.
  6. 6. Colégio Mauá – M1 – Sociologia – Prof. Ms. Michel Willian Zimmermann de Almeida segunda metade do século, o seu inchaço patológico e o CENÁRIO RURAL NO BRASIL5 despertar para a realidade de que os serviços urbanos se tornariam uma demanda não só das classes dominantes, A vida na zona rural no mas de toda a população de trabalhadores, Brasil nunca foi fácil, seja para subempregados e desempregados que se amontoavam os trabalhadores empregados, dos centros urbanos. seja para os posseiros ou pequenos proprietários. Em boa parte do território brasileiro, a cultura de subsistência das famílias rurais esteve (e em certas regiões ainda hoje está)"no fio da. navalha", beirando a subnutrição. Mestiços,mamelucos e, às vezes mulatos, desde o século XVII aoinício do século XX, ocuparam esparsamente as regiõesdo sertão nordestino, da Amazônia e da antigaPaulistânia, isto é, a antiga área de influência dosbandeirantes. Nos três casos, as condições de ESPAÇO PARA ANOTAÇÕESsobrevivência isolada da unidade familiar de produçãosempre foram bastante precárias. O ribeirinho da Amazônia, o sertanejo da"civilização do gado" na caatinga [...] e o "bandeirantedecaído" do interior de Paulo, Minas, Goiás eadjacências [...] quando obtinham algum excedente deprodução, era sempre coisa muito modesta. Quandoessas populações são tocadas pela urbanização e pelosprodutos e serviços que ela oferece, muitas vezes oequilíbrio precário em que vivem se deteriora. O desejode adquirir utensílios de metal (mais tarde de plástico),assim como outros produtos e serviços triviais, comotransporte automotivo (em trens, ônibus, ou barcosatendimento médico, por exemplo, exige que elasobtenham alguma renda extra. Muitas vezes, a economianecessária para isso coloca essas populações emcondições ainda mais frágeis de subsistência. Com a decadência da economia açucareira doNordeste e do café no Sudeste, observou-se também umadecadência nos padrões da antiga ocupação rural. Aomesmo tempo, o início da industrialização incrementoufortemente a urbanização, sobretudo a partir da décadade 1930. Na primeira metade do século XX, as reformas urbanas e o investimento nos serviços e equipamentos públicos (iluminação, rede de água, transporte, saneamento, construção de teatros etc.) se multiplicavam nas diversas capitais estaduais dopaís, como Manaus, Belém, Recife, Salvador, PortoAlegre, Florianópolis e, principalmente, São Paulo e aCapital da República, o Rio de Janeiro. Já então, asainda incipientes cidades que eram as capitais brasileirastiveram um prenúncio do que seria o crescimento urbanodesordenado. Mas ainda não se podia imaginar adimensão das conseqüências que ele teria ao longo da5 Texto transcrito da obra de: DIMENSTEIN, G. RODRIGUES, M. M. A.GIANSANTI, A. C. Dez lições de Sociologia para um Brasil cidadão. São Paulo:FTD, 2008.
  7. 7. Colégio Mauá – M1 – Sociologia – Prof. Ms. Michel Willian Zimmermann de Almeida do Senado, Nereu Ramos, sucederam-se na presidência da República em meio a tentativas de golpe e ameaças ao processo eleitoral. MODERNOS E ATRASADOS6 A transição do mundo rural para o mundo A morte dramática de Getúlio havia comovido ourbano no Brasil acelerou a partir do final da Segunda país e impediu que os setores antidemocráticos daGuerra Mundial. Na “era Vargas” (1930-1945), o sociedade brasileira dessem o golpe de Estado quegoverno havia feito pesados investimentos na instalação planejavam havia anos. A eleição de JK renovou ade indústrias de transformação (siderurgia, petróleo, esperança de fortalecimento da frágil democraciapetroquímica, hidrelétricas e mineração de ferro), instalada no país Constituição de 1946.facilitando o crescimento da produção de bens deconsumo e estimulando o êxodo rural. Em substituição ao projeto nacionalista de Getúlio, que considerava o Estado o único responsável Na década de 1950, o Brasil assistiu a um pelos investimentos necessários para promover ogrande fluxo migratório, especialmente do interior do progresso do país, JK abriu as portas da economiaNordeste para as grandes cidades da região Sudeste. Um brasileira para os investimentos de empresaslongo período de secas no interior nordestino castigava estrangeiras. Em seu governo, várias indústriasgravemente a agricultura local, levando milhares de automobilísticas receberam incentivos do governo parapequenos proprietários a abandonar suas terras, indo em instalar suas fábricas na região do ABC paulista,direção às cidades em busca da sobrevivência. As gerando milhares de empregos. Ao mesmo tempo, foipolíticas governamentais que pretendiam modernizar o construída em tempo recorde urna nova capital: Brasília,país aumentaram não só o número de empregos na símbolo da modernidade ... e atraso também.indústria, na construção civil e no setor de serviços, mastambém contribuíram para o crescimento urbano Embora os planos de JK fossem outros, adesordenado. Muitos migrantes vindos dos estados mais concentração dos investimentos nos estados maispobres e atrasados constituíram um exército de mão-de- desenvolvidos agravou as diferenças regionais. Apesarobra despreparada, analfabeta quase, vivendo à beira da disso, a marca de seu governo foi o binômio de cidade-miséria nas periferias das cidades. carro, símbolos de um projeto de modernização que se opunha a antiga estrutura agrária apoiada no trio Indústria, migração, urbanização. O Brasil fazenda-ferrovia-porto."rural" encontrou-se com o Brasil "urbano". Foi um período em que a auto estima dos Dentre as várias experiências que buscaram brasileiros esteve alta. Parecia ser possível conquistardiminuir as diferenças regionais, uma se destacou das tudo o que havia sido negado por séculos: paz,demais pelos resultados alcançados: o governo JK. democracia, progresso. Contribuindo com esse alto astral, o Brasil destacava-se no plano internacional: Com um plano de metas ambicioso e um estilo venceu a Copa do Mundo de futebol em 1958, a Bossade governo ousado para sua época, Juscelino Kubitschek Nova levou a música brasileira a palcos internacionaissuperou resistências das elites conservadoras e colocou de destaque e o Cinema Novo expôs nas telas osem ação seu programa de modernização do Brasil. conflitos entre modernidade e atraso. Não foi à toa que oBatizado com o pomposo nome "Cinqüenta anos em período governo JK ficou conhecido como "anoscinco", o plano de JK tornou-se marca registrada de seu dourados".governo. Ele enfrentou, também, o difícil desafio de trazertranqüilidade para o país. Disputas políticas abalaram oBrasil levando não só ao suicídio de Getúlio Vargas, em1954, mas também paralisando o país durante um ano emeio. Nesse curto período, o vice-presidente, Café Filho,o presidente da Câmara de Deputados, Carlos Luz, e o6 Texto transcrito da obra de: DIMENSTEIN, G. RODRIGUES, M. M. A.GIANSANTI, A. C. Dez lições de Sociologia para um Brasil cidadão. São Paulo:FTD, 2008.
  8. 8. Colégio Mauá – M1 – Sociologia – Prof. Ms. Michel Willian Zimmermann de Almeida de carvão mineral. Ocorreu expansão da produção de fertilizantes e da construção de armazéns e frigoríficos para estocagem da produção agropecuária. Com a ANOS DOURADOS: COMO ASSIM?7 mecanização da agricultura, desenvolveram-se as Os anos dourados do governo JK foram também lavouras de trigo e de outros cereais. A produção de aço,muito polêmicos. Eleito com apoio dos partidos políticos alumínio, cimento, papel e celulose, álcalis e borrachaque haviam apóia Getúlio Vargas em 1950, Juscelino era atingiu índices inéditos.considerado um de seus "herdeiros" políticos. Por isso,nada mais natural que mantivesse a comunicação direta Apesar desses avanços da política agrária, umcom a população das grandes cidades. dos maiores êxitos da política de desenvolvimento de JK foi a instalação das indústrias automobilísticas. Era esperado que o Estado comandasse odesenvolvimento nacional e a política de investimentos O plano de Metas também buscava promover opúblicos em áreas estratégicas por meio da atuação de desenvolvimento regional. Apesar da criação da Sudeneempresas estatais. Também não era de se espantar que - Superintendência de Desenvolvimento Nordeste, ofosse estimulada a participação do empresariado esforço para distribuir o progresso por todo o país nãonacional nos projetos modernizadores da economia foi bem-sucedido. A industrialização concentrou-se nobrasileira. Centro-Sul do país e as desigualdades econômicas regionais se agravaram. Continuou havendo, no Brasil, A surpresa, na época, foi que Juscelino, para vários Brasis num mesmo país.viabilizar suas idéias, buscou empresas estrangeiras parainvestir no Brasil e financiar seu projeto de Aumentaram, também, as diferenças sociais. Adesenvolvimento, agindo em perfeita sintonia com os pobreza no campo provocou grande êxodo rural einteresses das empresas multinacionais. migrações, especialmente na região nordeste. Mesmo com o aumento do número de empregos nas cidades, os Na campanha eleitoral de 1955, o presidente salários eram baixos e uma crescente infração geravadivulgou o Plano de Metas, afirmando que promoveria insatisfações. Embora fosse um hábil negociador écinqüenta anos de desenvolvimento em cinco de evitasse usar a repressão contra os movimentos degoverno. Para criar esse plano. JK apoiou-se nas idéias trabalhadores, Juscelino tinha poucos vínculos com asda Cepal - Comissão Econômica para a América Latina, lideranças sindicais e não conseguia evitar os conflitosórgão criado pela ONU em 1948, e do Iseb - Instituto trabalhistas.Superior de Estudos Brasileiros, fundado por intelectuaisnacionalistas no Rio de Janeiro em 1955. Apesar de sua popularidade, o presidente "bossa- nova" não elegeu seu sucessor, e as bases do Foram definidas 31 ações prioritárias para desenvolvimento brasileiro lançadas por JK foramimpulsionar a industrialização e desenvolver as várias interrompidas ou desvirtuadas.regiões do país. Todos os recursos disponíveis noorçamento da União para realizar investimentos, Novos desequilíbrios, novas crises. Seriamsomados aos capitais nacionais e estrangeiros, seriam necessários mais cinqüenta anos para o país superá-las?aplicados energia (42,4%), transportes (28.9%),indústrias de base (22,3%), aumento da produção dealimentos (3.6%) e ampliação do ensino público (2,8%). Os resultados desse plano foram significativos.Houve reforma e ampliação de ferrovias e a construçãode novos portos e rodovias, além do crescimento dostransportes aéreos e da frota mercante. Também houveaumento da produção de energia elétrica com aconstrução de novas usinas, cresceu a extração depetróleo e a produção de seus derivados e a exploração7 Texto transcrito da obra de: DIMENSTEIN, G. RODRIGUES, M. M. A.GIANSANTI, A. C. Dez lições de Sociologia para um Brasil cidadão. São Paulo:FTD, 2008.
  9. 9. Colégio Mauá – M1 – Sociologia – Prof. Ms. Michel Willian Zimmermann de Almeida CATADOR DE LIXO EM SÃO PAULO Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento ESPAÇO PARA ANOTAÇÕESBásico, realizada pelo IBGE em 2000, são coletadas, pordia, 228,4 mil toneladas de resíduos domiciliares ecomerciais no Brasil, sem contar o lixo industrial, ohospitalar e o entulho. Cada brasileiro contribui com1,35 kg/ dia. Graças aos catadores de materiaisrecicláveis, que trabalham sem garantia de remuneraçãoou proteção social, o país consegue reciclar cerca de30% do papel e papelão, cerca de 20% do plástico, maisde 90% das latas de alumínio, além de vidro, metais etc.Projetando idéiasA industrialização e a urbanização geraram grandesimpactos no meio ambiente. O lixo produzido pelosindivíduos, empresas e fábricas é cada vez maior,tornando-se uma grande preocupação. A poluição do ar edas águas é um dos principais problemas enfrentadospela nossa sociedade, interferindo diretamente naqualidade de vida. A preocupação com o futuro, com adisponibilidade dos recursos naturais e da energiaaumenta, assim como a destruição da natureza. Algunsproblemas graves já podem ser sentidos, como foi o casodo "apagão" energético, em 2001, e da falta dágua emalgumas regiões do país. Sem falar no aquecimentoglobal, que aumenta a temperatura mundial todos osanos.Nesse quadro catastrófico, surgiu o conceito desustentabilidade, cada vez mais difundido entre asempresas. A idéia é desenvolver maneiras de manter umcrescimento econômico levando em consideração o meioambiente. Cresce a preocupação com a preservação dosecossistemas e da biodiversidade, tendo em vista que asfuturas gerações serão extremamente prejudicadas casoações desse tipo não sejam adotadas rapidamente.E quanto a nós, cidadãos comuns, o que é possível fazerpara diminuir o impacto que causamos na natureza?Algumas iniciativas como a reciclagem do lixo e aeconomia de água, por exemplo, já são adotadas poralgumas pessoas em seus lares. É preciso que tenhamosconsciência de que todos são responsáveis pelapreservação do planeta.

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