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Textos do pe. lauro sérgio 07-02-2013

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Textos do pe. lauro sérgio 07-02-2013

  1. 1. TEXTOS DO PE. LAURO SÉRGIO VERSIANI BARBOSAReitor do Seminário São José da Arquidiocese de MarianaA Salvação vem pela Fé A fé é uma palavra eminentemente cristã. A palavra fé e seus derivadosperpassam a Bíblia. No Novo Testamento o substantivo fé (pístis) aparece 243 vezes,o verbo crer (pistéuo) ocorre 241 vezes e o adjetivo fiel (pistós) aparece 67 vezes. Afé se relaciona com a esperança, com o futuro, mas também com o presente, com ahistória, é compromisso de vida fiel. O apóstolo Paulo em suas cartas sublinha arelação pessoal entre o crente e o seu Senhor a partir da fé. A Carta de Tiago fala dainseparabilidade entre a fé autêntica e a coerência de vida testemunhada pelas boasobras (Tg 2,14.26). O que está de acordo com a afirmação paulina de que a fé operapela caridade (Gl 5,6). A fé em Paulo é o modo de acolher o Evangelho de Jesus Cristoe comporta níveis de adesão sucessivos e crescentes. O primeiro nível diz respeito àaceitação de Cristo morto e ressuscitado na própria vida. A fé é abertura total,incondicionada, ao dom de Deus. Trata-se de aceitar e querer Deus na própria vidacomo Ele se revelou, sem a pretensão de controlar Deus e seu Evangelho. Implicasaída do próprio sistema de vida para realizar-se plenamente, encontrando-se a simesmo e alcançando o ser como deve ser. Não é alienação, mas libertação. Trata-seda fé das comunidades cristãs desde o princípio (1 Cor 15,1-11) e que implica obatismo (Rm 6,1-11). No batizado a morte e a ressurreição de Cristo são ativadas e,liberto do pecado, o fiel vive em Deus por meio de Cristo, como o ramo que sealimenta da seiva conforme Jo 15,1-17. A fé exige conversão, abandono dos ídolos(1Ts 1,9). O dom o Espírito Santo recebido no batismo permite ao cristão se configurar aCristo, passando ao segundo nível da fé que é a personalização ou encarnaçãocrescente do Evangelho em todas as dimensões da vida. Cresce a vitalidade de Cristoem nós e se pode dizer com o Apóstolo: Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que viveem mim. Minha vida presente na carne vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amoue se entregou a si mesmo por mim (Gl 2,20); Pois para mim o viver é Cristo e o morreré lucro (Fl 1,21); Mais ainda: tudo considero perda pela excelência do conhecimentode Cristo Jesus, meu Senhor.Por ele, perdi tudo e tudo tenho como esterco, paraganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo como minha justiça aquela que vem daLei, mas aquela pela fé em Cristo, aquela que vem de Deus e se apóia na fé, paraconhecê-lo, conhecer o poder da sua ressurreição e a participação nos seussofrimentos, conformando-me com ele na sua morte, para ver se alcanço aressurreição de entre os mortos (Fl 3,8-11); Combati o bom combate, terminei a
  2. 2. TEXTOS DO PE. LAURO SÉRGIO VERSIANI BARBOSAReitor do Seminário São José da Arquidiocese de Marianaminha carreira, guardei a fé (2 Tm 4,7). Experimenta-se a convicção de que nadapode nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm8,39). O terceiro nível é o contexto comunitário da fé, que impulsiona e faz crescer aexperiência de fé pessoal. O nível comunitário da fé é o das assembléias litúrgicas oureuniões motivadas pela fé, onde a fé se alarga e cresce na confissão comumconforme Rm 10,9-10: com o coração se crê (responsabilidade pessoal) e com a bocase confessa (profissão da assembleia litúrgica). No Novo Testamento temos várioshinos ou profissões de fé litúrgicas: Fl 2,6-11; Ef 1,3-14; Cl 1,15-20; 1 Tm 3,16; 1 Tm6,15-16; 2 Tm 2,11-13. O quarto nível é experimentado juntamente com o nívelcomunitário e diz respeito à exigência missionária da fé. A comunidade é o ponto departida e de chegada da missão. Na missão cresce a fé e a fidelidade ao Evangelho(cf. 1 Cor 9,19-23). Mediante o ato de fé Deus nos torna justos e santos pela suagraça, capazes de amar gratuitamente. Tornamo-nos participantes da vida divina.Somos salvos pelo amor misericordioso de Deus. Pe. Lauro Sérgio Versiani Barbosa.
  3. 3. TEXTOS DO PE. LAURO SÉRGIO VERSIANI BARBOSAReitor do Seminário São José da Arquidiocese de MarianaH omilia para a Formatura da FAM 15/12/ 2012 Alegramo-nos hoje com formatura dos Bacharéis em Filosofia da FaculdadeArquidiocesana Dom Luciano Mendes de Almeida e bendizemos a Deus por tantosbenefícios alcançados ao longo desses anos de estudos! Estudar na FAM é umprivilégio, uma responsabilidade e um compromisso. O privilégio vem não só doreconhecimento alcançado por instrumentos avaliativos do Ministério da Educaçãodando conta da excelência educacional da Faculdade Dom Luciano, mas da longatradição educacional do Seminário de Mariana com 262 anos de existência e daatmosfera intelectual cultivada de harmonia entre fé e razão. Estudar Filosofia naFAM implica responsabilidade e compromisso no uso audacioso da razão com rigormetodológico e amplitude de horizonte a serviço da verdade, da vida e da esperança.A Faculdade que carrega a tradição do Seminário de Mariana e o nome ilustre deDom Luciano Mendes de Almeida está compromissada com o uso responsável,amplo e integral da razão. No horizonte de uma cultura racionalista, fé e razão seopõem. Na verdade, o racionalismo reduz a razão à forma de “razão instrumental”,de caráter “técnico-científico”. Em seu famoso opúsculo Resposta à Pergunta: Que é o Esclarecimento?, Kant 1define o projeto da Ilustração (razão moderna) a partir de dois vetores básicos:posição crítica em relação à tradição e a autoridade e comprometimento com ointeresse emancipatório do homem. Sair do estado de menoridade é recusar astutelas e afirmar-se como capaz de pensar e se conduzir autonomamente. Há umarelação indispensável entre esclarecimento e liberdade. Kant não advoga oindividualismo ao defender a autonomia, mas insiste na liberdade de se fazer um usopúblico da razão em todas as questões. Aponta para a busca do consenso obtido pelotrabalho de uma razão crítica. Todas as pessoas e épocas têm direito a esse exercício,ao esclarecimento. O problema é que Kant estabeleceu uma cisão ao recusar ametafísica no nível da razão pura e aceitá-la só no nível da razão prática. O idealismoalemão rejeitou a solução kantiana e tentou uma reconstrução sistemática dametafísica nas modalidades de Fichte, Schelling e Hegel. Mas a partir do século XIX aposição crítica em relação à metafísica foi radicalizada. 1 Cf I. KANT, Resposta à Pergunta: “Que é o Esclarecimento”?, in, ID., TextosSeletos, Petrópolis 1985, 100-116.
  4. 4. TEXTOS DO PE. LAURO SÉRGIO VERSIANI BARBOSAReitor do Seminário São José da Arquidiocese de Mariana Os “enciclopedistas franceses”, Nietzsche, Adorno, Horkheimer e, no Brasil, oensaísta Sérgio Paulo Rouanet2, compreendem a “Ilustração” do século XVIII comoparte (para alguns privilegiada) de uma “família espiritual” batizada como “correnteiluminista”, com raízes na Antigüidade, passando pela Renascença, para chegar atéMarx, Freud, Adorno, Michel Foucault, Habermas e outros. O “iluminismo” seria umatendência intelectual “trans-epocal” que combate o mito e o poder a partir da razão. Na Dialética do Esclarecimento3, Adorno e Horkheimer observam umadialética no iluminismo: “o mito já é esclarecimento e o esclarecimento acaba porreverter à mitologia”4. O iluminismo nasce de uma ruptura com a natureza, nosentido de dominá-la, dando início a uma incessante trabalho da razão que combatetodo pensamento que contém traços de sua pré-história. Assim o animismo écriticado pelo mito, o mito pela metafísica, a metafísica pela ciência matematizada.Atualmente o iluminismo absolutiza a ciência como única forma de verdade. E arazão instrumental, própria do iluminismo e fruto da luta contra a magia e o mito,transforma-se em mito. Observa-se em todo o processo, desde o seu início, um usoredutor da razão a par do “progresso” alcançado. Segundo Clodovis Boff em sua Teoria do Método Teológico a razãomoderna só admite duas funções: demonstrativa (argumentos necessários, como namatemática e na lógica silogística) e científica empírico-formal5. Embora a “razãomoderna” esteja em crise, como demonstram discussões epistemológicas6, pesquisasneurológicas7, pensamento pós-moderno8, ainda é hegemônica, sendo necessária 2 Diplomata brasileiro, foi Ministro da Cultura; ensaísta, possui diversaspublicações e pode ser considerado um habermasiano. Aqui a referência é: S. P.ROUANET, As Razões do Iluminismo, São Paulo 1987. 3 Cf T. W. ADORNO – M. HORKHEIMER, Dialética do Esclarecimento, BeloHorizonte 1986. 4 T.W. ADORNO – M. HORKHEIMER, Dialética do Esclarecimento, 15, 23 e 39. 5 Afirmava David Hume: “Se tomarmos nas mãos um volume qualquer deTeologia ou de Metafísica escolástica, por exemplo, perguntemos: ‘Este livro contémalgum raciocínio abstrato sobre quantidade ou número?’ Não. ‘Contém algumraciocínio experimental sobre questões de fato ou de existência?’ Não. Para o fogo comele, pois outra coisa não pode encerrar senão sofismas e ilusões”. D. HUME, “Investigaçãosobre o Entendimento Humano”, in Col. Os Pensadores 23, São Paulo 1973, 198. 6 L.C. SUSIN , ed., Mysterium Creationis – Um Olhar Interdisciplinar sobre oUniverso, São Paulo 1999; J. GUITTON – G. BOGDANOV – IG. BOGDANOV, Deus e aCiência. Em direção ao metarrealismo, Rio de Janeiro 1992; R. WEBER, Diálogos comcientistas e sábios. A busca da unidade, São Paulo s.d. (orig. 1986). 7 D. GOLEMAN, Inteligência emocional, São Paulo 1996; A. DAMÁSIO, O erro deDescartes, São Paulo 1996. 8 G. VATTIMO, Credere di credere, Milano 1996; O. MADURO, Mapas para a festa.Reflexões latino-americanas sobre a crise e o conhecimento, Petrópolis 1994.
  5. 5. TEXTOS DO PE. LAURO SÉRGIO VERSIANI BARBOSAReitor do Seminário São José da Arquidiocese de Marianauma ampliação da ideia de razão. Além da razão formal (lógica) e empírico-formal(científica) existe a razão discursiva em geral e que pode ser denominada “razãocrítica” em sentido amplo porque busca o sentido das coisas e revista tudo. Abarcadesde a razão simples e direta do cotidiano (o “bom senso”) até a “razãohermenêutica” utilizada pelas ciências humanas (também para estas, o racionalismohegemônico produz uma certa hesitação epistemológica). Alargando-se o conceitode razão, supera-se o racionalismo científico estreito, conhecido como“cientificismo”9. Mas é preciso ir além e superar toda forma de racionalismo. Épreciso considerar a “razão intuitiva”(noûs para os gregos, intellectus para oslatinos). Em linguagem atual se pode chamar esta “razão intuitiva” de“pensamento”, “mente” ou “espírito” e até mesmo “consciência”. O noûs é intuição,percepção, apreensão do ser, contemplação e saber imediato da verdade. Na medidaem que é abertura-ao-mundo, é coextensivo ao ser humano. O conhecimento queproporciona é atemático, isto é, supraconceitual e supraconsciente10. É justamenteatravés do noûs que se pode chegar ao mistério do Ser, a uma contemplaçãoamorosa da Realidade. O noûs é, no dizer de Heidegger, o pensamento que deixa oSer ser Ser (das Sein seinlassen)11. Entram em cena as “razões do coração” de quefala Pascal (Pensées, 277). O nôus ou intellectus é o princípio e fundamento dopensar, é o pensamento pensante. É a fonte da ratio (pensamento pensado). O pensamento cristão em geral, seja na perspectiva do platonismo cristão oudo aristotelismo cristão, com os seus expoentes maiores, respectivamente SantoAgostinho e Santo Tomás de Aquino, seja na vertente mais contemporânea, semprecultivou uma visão ampla e positiva da razão, uma razão amiga da fé e da vida.Talvez a problemática mais dramática de nossa época seja a questão do sentidodiante do vazio do niilismo metafísico e ético característico do imanentismoantropocêntrico e expresso no relativismo difundido no mundo contemporâneo.Sem dúvida nós podemos constatar dois problemas gravíssimos no mundo à nossavolta: a fome decorrente da miséria e das injustiças sociais e a violência, muitas 9 JOÃO PAULO II, Fides et Ratio 88. 10 Karl Rahner trata deste tipo de conhecimento transcendental proporcionadopela “originária possessão de si”, de sua relação com o saber temático ou reflexivo e dasconseqüências para o conhecimento religioso. K. RAHNER, Curso Fundamental da Fé,São Paulo 1989, especialmente p. 26-36. M. HEIDEGGER, Ser e Tempo – Parte I, Parágrafo 44, Petrópolis 1989, 280-300; 11M. HEIDEGGER, Que é isto – a filosofia?, São Paulo 1971.
  6. 6. TEXTOS DO PE. LAURO SÉRGIO VERSIANI BARBOSAReitor do Seminário São José da Arquidiocese de Marianavezes carregada de um ódio disseminado e que explode em atos de terror. Mas oeixo da crise epocal passa pela questão do sentido. E a questão do sentido deve serenfrentada com a razão e com a fé. Estamos no tempo litúrgico do Advento. Contemplamos o Logos que se fezcarne e habitou entre nós (cf. Jo 1,14). Podemos dizer que o cristianismo é umafamília espiritual trans-epocal que combate o mito e o poder através da emergênciade Deus transcendente na experiência cultural por meio da kénosis de seu FilhoUnigênito, rompendo a atemporalidade do mito através da historicidade da ação.Deus se revelou em Jesus de Nazaré: na sua vida, paixão, morte e ressurreição. Massó os simples, os que têm o coração de pobre, o percebem, como ouvimos noEvangelho hoje proclamado: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porqueocultastes estas coisas aos sábios e doutores e as revelastes aos pequeninos. Sim,Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguémconhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a que oFilho o quiser revelar” (Mt 11,25-27). Jesus é a Sabedoria em pessoa como o FilhoUnigênito de Deus que assumiu a condição humana. Ele é o Logos do universo, Ele éa imagem do Deus invisível, primogênito de toda a criação...tudo foi criado por ele epara ele, ele é anterior a tudo e nele tudo tem a própria consistência (Cl 1,15.17).Jesus confere sentido à existência humana: Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo14,6), Ele é o pão da vida (Jo 6,35), a luz do mundo (Jo 8,12). O Evangelho do Reinoproclamado por Jesus ensina como enfrentar os grandes desafios do mundo atualque apontamos anteriormente. Diante da fome, da miséria e da injustiça ele nosensina a partilha, a solidariedade. Diante da violência e do ódio, ele nos ensina operdão e a reconciliação. Mas nada disso se faz só com a conduta pessoal. A fé e acaridade não dispensam a razão. O trabalho da razão é necessário para que apartilha e o perdão cheguem às comunidades, às sociedades e a todos os povos. O Beato Papa João Paulo II nos ensina em sua Carta Fides et Ratio que a fé e arazão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva paraa contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejode conhecer a verdade e, em última análise, de conhecer a Ele, para que,conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio.A Filosofia deve, portanto, recuperar a sua vocação primeira de busca da verdade,não se contentando com verdades parciais e provisórias, mas enfrentado as
  7. 7. TEXTOS DO PE. LAURO SÉRGIO VERSIANI BARBOSAReitor do Seminário São José da Arquidiocese de Marianaperguntas radicais sobre o sentido e o fundamento último da vida humana, pessoal esocial (FR 5). O homem, por sua natureza, procura a verdade. Esta busca não sedestina apenas à conquista de verdades parciais, físicas ou científicas; não busca só overdadeiro bem em cada uma de suas decisões. Mas a sua pesquisa aponta parauma verdade superior, que seja capaz de explicar o sentido da vida; trata-se, porconseguinte, de algo que não pode desembocar senão no absoluto (FR 33). Também o magistério do Papa Bento XVI12 tem insistido na importância darazão para a fé e da fé para a razão. Para o Papa Bento XVI não agir segundo a razãoé contrário à natureza de Deus. O Evangelho segundo João começa qual novoGênesis: No princípio era o Logos (Jo1,1). Logos, lembra Bento XVI, significa aomesmo tempo razão e palavra – uma razão que é criadora e capaz precisamente dese comunicar, mas como razão. Assim, não é por acaso que se encontraram opensamento bíblico e o pensamento grego, terra de nascimento da filosofia. Sócratescombateu o mito com a razão. Já no Antigo Testamento a revelação de Deus aMoisés na sarça ardente contestou o mito na afirmação do “Eu Sou”. Para Bento XVIhá um autêntico iluminismo que se encontra com a fé cristã. O Papa Bento XVIcombate a autolimitação da razão e defende uma razão aberta, dialogal, integral.Certamente a razão é ultrapassada pelo amor como ensina São Paulo no seguimentode Cristo, mas sempre, recorda Bento XVI, estaremos diante do amor do Deus-Logospara o qual se dirigem o culto e a práxis cristãs. Caríssimos novos Bacharéis em Filosofia é neste horizonte delineado quevocês são chamados ao exercício do pensar e do agir. Como ouvimos na primeiraleitura da missa de hoje: como eleitos de Deus, santos e amados, revesti-vos desentimentos de compaixão de bondade, humildade, mansidão, longanimidade (...)Mas sobre tudo isso, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. E reine nosvossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados em um só corpo. E sedeagradecidos. A Palavra de Cristo habite em vós ricamente: com toda a sabedoriaensinai e admoestai-vos uns aos outros e, em ação de graças a Deus, entoem vossoscorações salmos, hinos e cânticos espirituais. E tudo o que fizerdes de palavra ou de12 Cf. especialmente BENTO XVI, Fé, razão e universidade. Recordações e reflexões.Discurso na Universidade de Regensburg, 12/09/2006.
  8. 8. TEXTOS DO PE. LAURO SÉRGIO VERSIANI BARBOSAReitor do Seminário São José da Arquidiocese de Marianaação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, por ele dando graças a Deus, o Pai (Cl3,12.14-17).O Cristão vive da Fé Celebramos o Ano da Fé proclamado pelo Papa Bento XVI, de 11 de outubrode 2012 (cinqüentenário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II e vinte anosda publicação do Catecismo da Igreja Católica) a 24 de novembro de 2013(Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo). A fé nos introduz na vidade Jesus Cristo, fazendo-nos mergulhar no mistério da Santíssima Trindade, atravésdo Sacramento do Batismo. A fé é uma adesão pessoal a Deus e que tem porconteúdo a Revelação feita pelo próprio Deus, dando-nos a conhecer o seu desígniode salvação sobre a pessoa humana. Quanto maior for a fé, mais nos abrimos aomistério de Deus e à sua presença em nossa vida. A fé é, ao mesmo tempo, acolhidado dom de Deus que se revela e aceitação do conteúdo dessa Revelação, expresso navida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Jesus nos mostrou que Deus é Paie o quanto o Pai nos ama. Jesus nos mostrou o quanto ele ama o Pai e também anós, ao ponto de doar a sua vida pela humanidade. Jesus nos comunicou o EspíritoSanto que procede do Pai para que sejamos realmente filhos de Deus pela graça eirmãos uns dos outros sem qualquer discriminação ou exclusão. O ato de fé é pessoal e comunitário. A Revelação de Deus foi confiada àcomunidade de fé, não se dirigindo a cada um separadamente. Ter fé cristã é abraçara fé da Igreja. A profissão de fé nasce do coração e se expressa na confissão de féeclesial: Porque, se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor e creres em teucoração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Pois quem crê decoração obtém a justiça, e quem confessa com a boca, a salvação (Rm 10,9-10). A fénos abre ao Transcendente (Deus) e nos liberta do egocentrismo individualista econsumista. A plenitude da fé se encontra na Igreja e é dentro da Igreja queconfessamos: eu creio! Nós cremos! A fé é uma realidade eclesial: a experiência daIgreja nos precede e se torna a nossa própria experiência. O Espírito Santo é quematua na fé dos fiéis e constitui a Igreja na sua realidade mais profunda como “o povocongregado na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Lumen Gentium 4).
  9. 9. TEXTOS DO PE. LAURO SÉRGIO VERSIANI BARBOSAReitor do Seminário São José da Arquidiocese de Mariana A fé é celebrada na liturgia da Igreja, que é a ação sagrada por excelência. A féé graça celebrada nos sacramentos da Igreja. Os sacramentos da Igreja são acelebração do mistério pascal de Cristo na vida dos cristãos. O cristão que vive da féé uma criatura nova que só se compreende no relacionamento livre, gratuito,explícito e comunitário com Jesus Cristo, autor e consumador de sua fé (cf. Hb 12,2).O sacramento é o encontro propiciado pela graça de Deus entre Jesus Cristo e o seuCorpo Místico, que é a Igreja, a comunidade de fé. Na Igreja e como Igreja se vive acomunhão com Jesus Cristo na concretude histórica, na celebração do sentidoprofundo da vida, em perspectiva escatológica. Trata-se de celebração radicalmenteorientada para a construção do Reino de Deus inaugurado por Jesus Cristo. Nossacramentos a vida é afirmada em gesto simbólico realizado em nome do Senhorpela comunidade que vive na mesma fé, testemunhando a presença e proclamando aplenitude do Reino que há de vir. A fé celebrada deve ser testemunhada na vida cotidiana, segundo o estado devida e a vocação de cada pessoa. Devemos estar prontos para dar as razões da nossaesperança cristã a todos e em nosso tempo (cf. 1 Pd 3,15), com firmeza e serenidade,em atitude aberta e dialogal. E, sobretudo, devemos dar o testemunho da caridade,pois a fé opera pela caridade (Gl 5,6) e a fé sem obras é morta (Tg 2,17). A fé énecessária para a verdadeira caridade, que procede de Deus que é amor (cf. 1 Jo4,8.16) e nos conduz ao amor misericordioso para com todos, critério de salvação (cf.Mt 25,31-46). Impulsionados pela caridade de Cristo (cf. 2 Cor 5,14), fortalecidos pelotestemunho de fé de tantos na história da salvação (cf. Hb 11), somos conduzidospelo Espírito Santo à plenitude de nossa vocação no amor (cf. 1 Cor 13) para a glóriado Pai! Pe. Lauro Sérgio Versiani Barbosa.

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