Hotel Toffolo é ponto de referência cultural e histórica em OuroPretoCasarão ganhou poema de Drummond, pinturas de Takaoka...
escadaria aqui toda hora e isso é um ótimo exercício”, justifica.Realmente, a presteza em subir os 40 degraus íngremes que...
Drummond: carne na chapa com batata e mandioca e queijo em cima, que se chama Véu denoiva”, revela.O outro poeta frequenta...
Marcos Michelin/EM/D.A Press
Em: Jornal Estado de Minas de 11 de agosto de 2011
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Hotel toffolo 1

  1. 1. Hotel Toffolo é ponto de referência cultural e histórica em OuroPretoCasarão ganhou poema de Drummond, pinturas de Takaoka efoi escolhido por Manuel Bandeira para ser o ponto de partidade seu guia sobre a cidadeAna Clara Brant - EM Cultura Aos 82 anos, Gracinda Toffolo se orgulha de preservar o hotel e suas recordações, ligando o nome da família à cultura brasileira.Naquele ambiente Guignard desenhava, Drummond ansiava pelo seu “pão de nuvens” eSivuca tocava sua inseparável sanfona. Também ali, Vinicius de Moraes não desgrudava doseu cachorro engarrafado, o uísque, Manuel Bandeira elaborava o famoso Guia de Ouro Pretoe Takaoka pintava seus cavalinhos.Tudo num casarão setecentista localizado no número 72 da Rua São José, em Ouro Preto, aantiga Rua Tiradentes. O Hotel Toffolo, que há 110 anos é propriedade da família de mesmonome, que veio da Itália no fim do século 19, é mais do que um pouso para turistas e viajantesde todos os lugares. É sobretudo um ponto de referência cultural e histórica da antiga VilaRica.Cada canto, cada degrau, cada parede de pau a pique guarda uma relíquia. A atualproprietária do hotel, que ainda recebe hóspedes a uma diária de aproximadamente R$ 80, éuma simpática senhora de 82 anos. Gracinda Toffolo, nora do fundador do estabelecimento,“seu” Olívio Ângelo Toffolo, — falecido em 1971 — tem coração e uma pressão de fazerinveja. “O médico diz que minha saúde é de menina. Sou muito dinâmica. Subo essa
  2. 2. escadaria aqui toda hora e isso é um ótimo exercício”, justifica.Realmente, a presteza em subir os 40 degraus íngremes que levam ao último andar docasarão e a animação em dirigir seu fusquinha 1974 pelas ladeiras históricas de Ouro Pretoimpressionam. Isso sem contar a disposição para administrar o hotel, além do bar erestaurante que funcionam no andar de baixo do sobrado. “A gente sempre abriu para almoçoe jantar, mas o restaurante agora só funciona de terça a domingo, a partir das 17h. E fico aquiaté o último cliente, mesmo que seja de madrugada. Se tiver hóspede para tomar café damanhã às 7h, já estou de pé”, gaba-se dona Gracinda. Os livros de registros do hotel, que acabaram se perdendo no tempo, mostravam nomes depeso. Os poetas Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Olavo Bilac; o urbanistaLúcio Costa, os artistas plásticos Alberto Guignard e o japonês Yoshiya Takaoka, fora os queapenas passaram pelo bar e restaurante do hotel que, durante muitos anos, foi um dos únicosda cidade. “O Toffolo sempre foi o ponto de maior convergência de Ouro Preto. Ele é um hotel,bar e restaurante, então era natural que muita gente viesse aqui seja como hóspede oufrequentador do restaurante. Até porque, durante muitos anos não havia muita opção nessesentido na cidade. Muitos passaram e ainda passam por aqui. Políticos, artistas, intelectuais.Gente como Vinicius de Moraes, que afirmava que aqui era o melhor bar da cidade, PedroNava, Cecília Meireles, Gonzaguinha, Sivuca”, conta o gerente do bar e filho de Gracinda,Rodrigo Toffolo.Histórias Cada figura que circulou por ali tem um caso para contar. O mestre Guignard, quechegou a morar no hotel, é lembrado com carinho pelos Toffolo. “Ele era vermelho, gordo, eramuito doce e gostava bastante de crianças. E ficava na mesa do restaurante desenhando porhoras, tomando seu conhaque e fumando um charuto”, recorda Gracinda. Como não tinhaonde ficar, acabou sendo acolhido por “seu” Olívio Toffolo. O fundador do hotel se apiedou doartista, que dormia na rua e “criava coisas lindas”. “Guignard veio para cá como um mendigo.Ele não tinha dinheiro, não tinha onde ficar. E então, „seu‟ Toffolo ficou com pena e deu cama,comida, abrigo. Ele gostava muito daqui. Mas „seu‟ Toffolo nunca aceitou um quadro dele,apesar de Guignard ter oferecido várias vezes. Meu sogro achava que quando uma mãoajuda, a outra não quer recompensa”, explica a matriarca da família.Se nenhuma obra de arte de Alberto Guignard enfeita o histórico casarão, há outraspreciosidades artísticas por lá. A começar pelos famosos cavalos do pintor japonês YoshiyaTakaoka, que adornam a parede localizada logo atrás do balcão do bar e restaurante. “OTakaoka adorava ficar pelas ruas de Ouro Preto pintando mãos e cavalos. Um dia, lá pelosanos 1970, ele chegou e disse: „Esta parede está muito vazia, branca, ela precisa de algumacoisa‟. E aí pegou um bambu, colocou o pincel na borda e criou esses cavalos. E foi muitorápido. É uma beleza de obra de arte”, repara Gracinda Toffolo. Já o refeitório conta com umabela pintura da Santa Ceia do artista plástico Edésio Esteves.Até inspiração para Drummond o Toffolo serviu e se transformou em poema do itabirano. Rezaa lenda que durante uma de suas temporadas no hotel ele chegou para jantar, mas nãoencontrou o restaurante aberto. A fome do poeta virou verso: “E vieram dizer-nos que nãohavia jantar. Como se não houvesse outras fomes e outros alimentos. Como se a cidade nãonos servisse o seu pão de nuvens”.“Para poder jantar tinha que deixar o nome anotado e o Drummond não deixou. E acaboucriando poesia em cima desse fato. Até o pão de nuvens que ele cita estaria associado à típicaneblina ouro-pretana”, observa Rodrigo Toffolo. O quarto onde Carlos Drummond de Andradee o colega Manuel Bandeira costumavam se hospedar fica no último andar do casarão, pelomenos é o que especula Rodrigo. Simples e aconchegante: duas camas, uma cômoda, umcriado e uma bela paisagem na janela. “A gente acredita que seja lá que eles ficavam porqueo Drummond sempre comentava que mesmo de dentro do quarto era possível contemplar abeleza de Ouro Preto”, acrescenta.Gracinda lembra que o poeta mineiro era muito pensativo e quieto. Não era de beber, masgostava de observar e degustar um picadinho de carne com queijo derretido por cima. “Agente acabou criando um tira-gosto que é nosso carro-chefe e foi inspirado nesse prato do
  3. 3. Drummond: carne na chapa com batata e mandioca e queijo em cima, que se chama Véu denoiva”, revela.O outro poeta frequentador do Toffolo, o pernambucano Manuel Bandeira, se hospedou pelaprimeira vez no hotel na década de 1930 e foi nesse período que elaborou um guia turísticonotório sobre a antiga Vila Rica: o Guia de Ouro Preto, publicado em 1938. E é justamente noToffolo que se inicia o roteiro.Porém, o que mais chama a atenção quando se visita o Hotel Toffolo é que ele, em pleno2011, é praticamente o mesmo sobrado que abrigou tanta gente ilustre no passado. Algumasreformas e modificações foram executadas ao longo dos anos. Entretanto os mesmos lustres,móveis, piso, teto e outros objetos decorativos compõem o ambiente há décadas. “O hotelsempre foi muito simples, mas acolhedor, com um ótimo astral. O lugar é praticamente omesmo de quando começou. A essência é a mesma e é assim que preservamos sua história,tradição e o nome da nossa família que, para mim, é a nossa maior riqueza”, resume donaGracinda Toffolo.Hóspedes e frequentadores ilustresAlberto GuignardCarlos Drummond de AndradeManuel BandeiraYoshiya TakaokaVinicius de MoraesLúcio CostaCecília MeirelesOlavo BilacPedro NavaSivucaAmílcar de CastroGonzaguinhaEnquanto isso......Em Nova YorkO hotel mais emblemático da cidade, localizado no Bairro de Chelsea, em Manhattan, nãorecebe mais hóspedes desde a semana passada. O Chelsea Hotel foi comprado por US$ 80milhões por Joseph Chetrit, que ainda não decidiu o que fará com o edifício, construído em1884. Por enquanto, os hóspedes fixos continuam morando no hotel. Pelos quartos passaramartistas de todas as áreas, que moldaram a cultura norte-americana no século passado. Entreos mais ilustres estão Bob Dylan, Charles Bukowski e Robert Crumb, que chegaram a morarno hotel. Foi em uma suíte que Sid Vicius esfaqueou e matou a namorada, Nancy Spungen.Lá também morreu Dylan Thomas. Mas não somente de tragédias o hotel é marcado. Amúsica Chelsea Hotel #2 foi escrita por Leonard Cohen depois de uma noite de amor comJanis Joplin, no quarto número dois. (Daniel Camargos)Hotel ToffoloE vieram dizer-nos que não havia jantar.Como se não houvesse outras fomes e outros alimentos.Como se a cidade não nos servisse o seu pão de nuvens.Não, hoteleiro, nosso repasto é interior e só pretendemos a mesa.Comeríamos a mesa, se no-lo ordenassem as Escrituras.Tudo se come, tudo se comunica,tudo, no coração, é ceia.Carlos Drummond de Andrade
  4. 4. Marcos Michelin/EM/D.A Press
  5. 5. Em: Jornal Estado de Minas de 11 de agosto de 2011

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