Crnicasnosarespprof 130506192859-phpapp02

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Crnicasnosarespprof 130506192859-phpapp02

  1. 1. CRÔNICAS NO SARESP Profª. Adriana CarrionTEXTO 1- RECADO AO SENHOR 903Vizinho,Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, queme mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento.Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veementereclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. Oregulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e aPolícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousarno 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormirquando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamosreduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003,me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números sãocomportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído efuncionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor damaré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje emdiante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão;ao meu número) será convidado a se retirar às 21:45, e explicarei: o 903 precisa repousar das22 às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua,onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que elasó pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita,ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homembatesse à porta do outro e dissesse: "Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tuacasa. Aqui estou". E o outro respondesse: "Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meuvinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua ébela".E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinhoentoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nasárvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.BRAGA, Rubem. Recado ao senhor 903. In: Para gostar de ler. Crônicas. 12 ed. São Paulo:Ática, 1989. v. 1. p. 74-75.01. Ao receber a reclamação do vizinho, o morador do 1003(A) alega que a Lei e a Polícia estão a favor do vizinho.(B) critica o fato de o vizinho ter reclamado do barulho.(C) fica desolado e reconhece que o vizinho tem razão.(D) ignora a visita do zelador que lhe mostrava a carta.
  2. 2. 02. Ao mencionar a possibilidade de “sonhar com outra vida e outro mundo” o narradorimagina um mundo em que todos(A) acordassem sempre às três horas da manhã.(B) ignorassem que a vida é curta e a lua é bela.(C) pudessem viver dançando, cantando e bebendo.(D) vivessem felizes e solidários com os semelhantes.03. No texto, a identificação dos moradores por meio de números sugere(A) a relação impessoal entre vizinhos.(B) a amizade entre vizinhos do prédio.(C) a solidariedade entre as pessoas.(D) a hostilidade entre os homens.04. Pode-se afirmar que este texto é uma crônica porque(A) objetiva esclarecer e orientar as pessoas.(B) procura colher informações sobre os vizinhos.(C) trata de forma pessoal e bem humorada um fato cotidiano.(D) visa a convencer o leitor a mudar o seu comportamento.05. A ideia em torno da qual o texto se organiza é a(A) amizade existente entre os moradores.(B) relação conflituosa entre vizinhos de prédios.(C) responsabilidade do zelador pelo silêncio.(D) importância dos regulamentos dos edifícios.TEXTO 2- Cascas de barbatimãoEu ia para Araxá, isto foi em 1936, ia fazer uma reportagem para um jornal de BeloHorizonte.O trem parou numa estação, ficou parado muito tempo, ninguém sabia por quê.Saltei para andar um pouco lá fora. Fazia um mormaço chato. Vi uma porção de cascas deárvores. Perguntei o que era aquilo, e me responderam que eram cascas de barbatimão queestavam ali para secar. Voltei para meu assento no trem e ainda esperei parado algum tempo.A certa altura peguei um lápis e escrevi no meu caderno: “Cascas de barbatimão secando aosol.”Perguntei a algumas pessoas para que serviam aquelas cascas. Umas não sabiam; outrasdisseram que era para curtir couro, e ainda outras explicaram que elas davam uma tintaavermelhada muito boa.Como repórter, sempre tomei notas rápidas, mas nunca formulei uma frase assim para abrir amatéria - “cascas de barbatimão secando ao sol.” Não me lembro nunca de ter aproveitadoesta frase. Ela não tem nada de especial, não é de Euclides da Cunha, meu Deus, nem deMachado de
  3. 3. Assis; podia ser mais facilmente do primeiro Afonso Arinos, aquele do buriti. Ela me surgiuali, naquela estaçãozinha da Oeste de Minas, não sei se era Divinópolis ou Formiga.Um dia, quando eu for chamado a dar testemunho sobre a minha jornada na face da terra,que poderei afirmar sobre os homens e as coisas do meu tempo? Talvez me ocorra apenasisto, no meio de tantas fatigadas lembranças: “cascas de barbatimão secando ao sol.”(Rubem Braga. Recado de primavera. Rio de Janeiro: Record, 7.ed, 1998, p.175)1. Considere os três primeiros parágrafos do texto. É correto afirmar que o elemento quedesencadeia o desenvolvimento da história está(A) na necessidade de esclarecer os leitores de um jornal, com informações exatas arespeito de um fato qualquer.(B) na parada do trem por um tempo além do previsto, numa das estações do percursofeito regularmente.(C) no desconhecimento dos demais viajantes sobre as propriedades oferecidas pelascascas de certas árvores.(D) na falta de informações precisas dos responsáveis, a respeito de problemas ocorridosdurante uma viagem.2. A continuidade do texto se baseia(A) nas diferentes opiniões emitidas por algumas pessoas a respeito da utilidade das cascasde barbatimão.(B) na alternância entre a 1ª pessoa verbal, para marcar a visão pessoal do autor e a 3ªpessoa, como um narrador de fora dos acontecimentos.(C) na seqüência de presente, passado e futuro, respectivamente, marcada pelos temposverbais, que garante o desenvolvimento cronológico do assunto.(D) no uso da frase entre aspas, sempre repetida, que une a narrativa da viagem a umareflexão pessoal, na segundaparte do texto.3. O hábito de tomar notas rápidas, como afirma o cronista, se deve à circunstância de(A) viajar constantemente, por lugares que desconhecia.(B) estar sujeito a contratempos, em suas viagens.(C) ser ele um repórter, atento a fatos interessantes.(D) dar testemunho dos fatos ocorridos em sua vida.4. "Cascas de barbatimão secando ao sol."Em relação à frase acima, está correto o que se afirma:(A) No final do texto, o cronista atribui a ela um sentido figurado, relacionando-a ao sentidoda vida, diferente do sentido com que aparece no final do 1º parágrafo.(B) A frase está empregada sempre em seu sentido próprio, como cascas de um tipo deárvore, todas as vezes em que surge no contexto.(C) A frase apresenta sentido figurado, sempre que é repetida no contexto, simbolizando asdificuldades da vida.
  4. 4. (D) O cronista não consegue atribuir sentido à frase, por ignorar a utilidade das cascas debarbatimão.5. A intenção do autor, insistindo no uso das aspas, em uma das frases do texto, é:(A) repetir informações obtidas em outros autores.(B) valorizar o conhecimento popular a respeito de uma árvore.(C) assinalar o caráter singular da frase.(D) realçar a pouca importância do seu sentido no contexto.6. A citação de autores consagrados em nossa literatura permite afirmar que o cronista(A) avalia com ironia a si mesmo e aquilo que escreve, como se sua obra não tivesse valorliterário.(B) cria uma situação de humor involuntário, atribuindo algo sem importância a Machadode Assis.(C) sabe, com desprezo, que não consegue escrever uma obra longa e de vulto, como ofezEuclides da Cunha.(D) se considera também um importante defensor da cultura brasileira, respeitando oscostumes populares.TEXTO 3- O SINO E O SONOPareceu-me ouvir um sino bater: consultei o relógio. Uma hora da madrugada!Para quem quer sair do hotel, aí pelas sete horas, é preciso aproveitar o tempo edormir bem.(Eu tenho uma amiga que sempre verifica de que são feitos os colchões doshotéis. Penso nisto porque este não me parece muito cômodo.)A noite me infunde um sentimento de infinita humildade: entre as outrasorações, cada um de nós podia dizer ainda: “Deus, recebe-me em Teus braços,toma conta de mim, sou, na Tua vontade, como um pássaro caído no mar!” Mas écurioso: neste quarto de hotel essas palavras e esses sentimentos não produzemaquele efeito de aconchego e ternura que parecem palpáveis no ambiente da minhacasa! Até as paredes são diferentes em sensibilidade – penso. E fecho os olhospensando.(É verdade que eu não uso travesseiro. Mas seria difícil usar travesseiroscomo estes. De que serão feitos? Aquela minha amiga examina os travesseiros,também.)O sino torna a bater. Ah! Estamos perto de um relógio que marca todos osquartos de hora! Meu Deus, como o tempo voa! É preciso dormir antes que sejauma hora e meia...(Mas esta cama acaba logo ali ... Se eu medisse um metro e oitenta, não meseria possível ocupá-la! Que coisa estranha: no infinito da noite e do sono, estelimite de madeira, ameaçador! Mas uma noite passa depressa, não temimportância. No entanto, como é difícil descansar assim!)(Novamente o sino bate: uma hora e meia!)
  5. 5. Recordo vários métodos de conciliar o sono. Deixar o corpo solto como umvestido abandonado. Ir pensando em coisas cada vez mais distantes: a rua, acidade, a estrada, o país, o Mundo, o espaço, a eternidade ...(Mas o sino bate uma hora e quarenta e cinco minutos!)Continuo a recordar. Como se dorme mais facilmente? Sobre o lado direito ouo esquerdo? Ah, onde foi que eu li que é bom pensar nas pontas dos pés, paradesviar a circulação etc. ... etc.? E quem disse que é bom tomar um copo de leitemorno com bolachas, ao deitar, para o sono vir mais depressa?(O sino bate duas horas.)Duas horas! Agora dormirei com certeza. Já estou cansada de lutar com ocomprimento da cama, com os pensamentos sobre a arte de dormir ... Fechai-vos,olhos meus, e esqueçamos tudo ...(Ah, mas o sino bate duas e um quarto!)Que idéia, construir-se um hotel em cima de um sino! E este sino onde fica?Abro a janela para ver. O sino está na minha frente. É um gigantesco relógio, queme fita com todos os seus números e ponteiros. Belo de ver. Belo de ouvir,também. Mas...(E são duas e meia ...)E não há nada a fazer, o sino vai batendo de quarto em quarto, de hora emhora, todas as horas da noite ... três, quatro, cinco ...Talvez Olavo Bilac tenha pousado por aqui, alguma vez, e, desistindo dedormir, tenha tomado de um papel e começado a escrever:“No ar sossegado um sino canta,Um sino canta no ar sombrio ...”É quase sempre assim: sobre uma adversidade, abre-se a flor da poesia. Osom da poesia. Um sino muito alto, no meio da noite, no meio do sono ...MEIRELES, Cecília. Escolha o seu sonho. (crônicas). 25 ed. Rio de Janeiro: Record,2002, p.109 – 111.01. O texto deixa claro que a narradora pretende dormir e(A) fica com saudade de seu lar.(B) busca hospedar-se em um chalé.(C) incomoda-se com barulhos externos.(D) hospeda-se próximo à casa da amiga.02. Os parágrafos se sucedem intercalados por trechos entre parênteses,recurso pelo qual a narradora(A) expressa o aborrecimento que lhe causa o sino.(B) transcreve a fala de outro personagem.(C) insere comentários paralelos.(D) desenvolve narrativa central.03. No período “Que ideia, construir um hotel em cima de um sino!”, o trechogrifado e o ponto de exclamação ressaltam sentimentos de(A) perplexidade e discordância.(B) admiração e júbilo.(C) conivência e resistência.D) repúdio e aceitação.
  6. 6. 04. O tratamento dado ao tema e o modo como as informações são organizadaspermitem classificar o texto como uma(A) crônica reflexiva, que avalia criticamente um assunto polêmico ,apresentando opiniões e argumentos.(B) crônica narrativa, que recupera condensadamente fatos e impressõesexperimentados por um sujeito.(C) crônica jornalística, que comenta objetivamente um acontecimentorelevante da atualidade.(D) crônica de viagem, que relata detalhadamente as descobertas de umaexperiência de deslocamento.5.Pode-se dizer que o que motivou a escrita da crônica foi a(A) amizade.(B) humildade.(C) novidade.D) oposicão.
  7. 7. .TEXTO4- Apelo Dalton TrevisanAmanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias,para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversade esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, oprato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de suaperda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardoudebaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficoumudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos.Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença atodas as aflições do dia, como a última luz na varanda.E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero nasalada – o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suasvioletas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão nacamisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nóssabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando.Venha para casa, Senhora, por favor.Fonte: TREVISAN, Dalton. Apelo. In: BOSI, Alfredo (Org.). O contobrasileiro contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 1975..1. Para não demonstrar que estava sentindo falta da companheira, onarradora) colocava água nas violetas da janela.b) deixava a luz da varanda acesa.c) permitia jornais se acumularem no chão.d) saía para beber com os amigos.e) Ficava na conversa de esquina.2. Expressões como “leite coalhou”, “corredor deserto”, “canário mudo”foram usadas para simbolizar o modo pelo quala) o narrador era sempre descuidado com a casa.b) a ausência da mulher se tornou insuportável.c) o narrador ignorava a ausência da mulher.d) os objetos e animais sentiam a falta da mulher.e) o narrador não gostava de solidão.3. Pela ordem, com o decorrer dos dias, o narrador experimentou osseguintes sentimentos:a) alegria, solidão, prazerb) alívio, desespero, indiferença.
  8. 8. c) prazer, indiferença, alívio.d) tristeza, desânimo, saudade.e) satisfação, saudade, angústia04-Observando atentamente o modo de construção do enunciado, épossível pressupor que o conflito da narrativa, da ótica do personagem, émotivado pelo fato de esteA) sentir-se incapaz para realizar as tarefas domésticas.B) ter sido abandonado pela companheira.C) entristecer-se pelo fato de seu canário ter ficado mudo.D) ter perdido os amigos

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