Aborto entre jovens

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Aborto entre jovens

  1. 1. ARTIGO ARTICLE 1411Cogitação e prática do aborto entre jovensem contexto de interdição legal:o avesso da gravidez na adolescênciaConsidering and submitting to abortion amongyoung people in the context of legal prohibition:the hidden side of teenage pregnancy Simone Ouvinha Peres 1 Maria Luiza Heilborn 2 Abstract Introdução1 Instituto de Psicologia, This article aims to unveil the notion of abor- Este artigo examina o aborto, circunscrevendo-Universidade Federal tion as an element in young people’s thoughts o à problemática da gravidez na adolescência.do Rio de Janeiro,Rio de Janeiro, Brasil. on teenage pregnancy. The study analyzes data Nas últimas décadas, a gravidez nessa etapa da2 Instituto de Medicina from semi-structured interviews with 123 young vida vem sendo tratada no país como um pro-Social, Universidade men and women 18-24 years of age in Porto Ale- blema social, levando a um conjunto de açõesdo Estado do Rio de Janeiro,Rio de Janeiro, Brasil. gre, Rio de Janeiro, and Salvador, Brazil, belong- de políticas públicas voltadas para seu contro- ing to different social strata. Based on informa- le 1,2,3. Na literatura especializada sobre a te-Correspondência tion concerning their affective, sexual, and re- mática convencionou-se chamar de crescimen-S. O. PeresInstituto de Psicologia, productive circumstances, an abortion typology to da gravidez na adolescência o fenômeno doUniversidade Federal was established with a gradient ranging from aumento da sua ocorrência entre os 10 e 19do Rio de Janeiro.Av. Pasteur 250, fundos, considering the act to the attempt to material- anos, em contraste com o declínio observadoRio de Janeiro, RJ ize it, actually submitting to abortion, and even em relação à fecundidade do total de mulheres22290-240, Brasil. ruling out the possibility of interrupting the em idade fértil no Brasil 4,5,6. A este dado é pre-ouvinhaperes@uol.com.brsimoneperes@psycho.ufrj.br pregnancy. According to the data, 73% of inter- ciso acrescentar o aumento na proporção de viewees had considered the possibility of an partos realizados entre as adolescentes. abortion, demonstrating an important presence Diversos autores associam a gravidez na of this notion as a recourse vis-à-vis an unpre- adolescência a uma gama heterogênea de fato- dicted pregnancy, even in the Brazilian context res: dos eventuais riscos de saúde aos prejuízos where abortion is illegal. Among the 86 young sociais para as jovens que engravidam preco- people who had experienced a pregnancy, 27 re- cemente 7,8,9,10,11,12,13,14,15. A proliferação dis- ported having resorted to abortion (20 males cursiva em torno do fenômeno resulta da ex- and seven females). The results indicate gender pectativa social hegemônica em relação aos differences and contribute to an understanding adolescentes, preconiza uma escolarização of teenage pregnancy by examining induced prolongada, um controle contraceptivo ade- abortion, a hidden dimension in the public and quado e privilegia a constituição de uma famí- scientific debate on this issue. lia. Espera-se que os jovens cumpram trajetó- rias ideais e obedeçam a etapas pré-determi- Induced Abortion; Pregnancy in Adolescence; nadas, como a conclusão dos estudos e a inser- Sexuality ção no trabalho – visão que corrobora o evento da gravidez como inoportuno e fruto de impru- Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(7):1411-1420, jul, 2006
  2. 2. 1412 Peres SO, Heilborn ML dência. Neste sentido são ressaltados os riscos cados e conseqüências da gravidez na adoles- da associação da gestação com maternidade cência. celibatária e o contexto de pobreza material 13. A ausência de debates sobre a especificida- Na maioria dos trabalhos em que o tema é ana- de da interrupção da gravidez favorece uma vi- lisado, é dada maior ênfase à maternidade e suas são reducionista sobre o significado desse conseqüências. A gravidez interrompida por evento no início da trajetória reprodutiva, na abortamento é parcamente analisada 16,17,18. medida em que não é levado em conta o fato O aborto é um relevante problema de saú- de que a decisão sobre a continuidade de uma de pública no Brasil, na medida em que é pra- gravidez abriga, ainda que de forma não reve- ticado amplamente pelas mulheres em contex- lada, a eventual possibilidade dos ônus e riscos to clandestino, com meios inseguros e por pro- da opção pelo aborto. A influência e a autori- fissionais despreparados 13,19,20. Nas estatísti- dade dos pais sobre os jovens também não são cas de mortalidade, os dados relacionados à examinadas nos trabalhos. Deve-se também hospitalização indicam o aborto como uma considerar que algumas jovens omitem dos fa- das principais causas de morte no país 21 o que miliares a informação da gravidez. Por fim, não é ainda mais contundente quando se verifica são conhecidas as circunstâncias nas quais o que a prática da interrupção da gravidez espe- casal adolescente realiza uma escolha sem con- lha as desigualdades sociais brasileiras 13,17,22. sultar a família, busca recursos para o aborto e As jovens sujeitas à maior exclusão social são o concretiza, o que implica o conhecimento justamente as que recorrem mais freqüente- dos modos de negociação desenvolvidos entre mente aos hospitais públicos em busca de pro- os dois jovens. Assim, a impossibilidade legal cedimentos, como curetagem pós-aborto, e de- do aborto deve integrar a multiplicidade de fa- claram gravidezes não planejadas 23,24. Estudos tores envolvidos em qualquer análise sobre a epidemiológicos voltam-se majoritariamente reprodução no início da vida sexual e reprodu- para uma descrição do perfil das mulheres, das tiva. Entre jovens, ainda em fase de aprendiza- variáveis sócio-demográficas e dos métodos do do exercício da sexualidade com o parceiro utilizados 8,17,19,20: eles não se detêm sobre as e do contexto relacional ali implicado, a idéia representações construídas pelas mulheres do aborto está presente desde o momento da que optaram por essa intervenção, o que impe- descoberta da situação. Trata-se das circuns- de o conhecimento acerca das práticas do tâncias da notícia e da revelação da gravidez à aborto. Pesquisas com população geral permi- família, ao parceiro ou aos pares, até a delibe- tem, por seu lado, descortinar o universo de ração de realizá-lo com os recursos disponíveis, casos que não chega aos hospitais 18,25,26. uma vez que esse procedimento não é acessí- As pesquisas sobre a gravidez na adoles- vel a qualquer adolescente que o deseje. cência – definida pela Organização Mundial da Este estudo tem por objetivo demonstrar Saúde (OMS) como a que ocorre entre os dez e como o aborto pode integrar as reflexões sobre vinte anos incompletos 27 – se limitam a tratar uma gravidez não prevista na adolescência. Pa- dos condicionantes da gravidez, sem levar em ra tal, enfoca as narrativas acerca da primeira conta a influência da ilegalidade nas conse- gestação, tenha ela sido levada a termo ou não. qüências da tomada de decisão dos jovens re- Cabe ainda destacar que freqüentemente estu- lativa à interrupção ou prosseguimento da ges- dos sobre reprodução ou aborto excluem de- tação. Os estudos não tratam dos problemas poimentos dos homens 8,12,29. Sob nosso ponto específicos enfrentados pelos adolescentes fa- de vista, a diferença de gênero é um fator rele- ce à escolha do aborto: as formas de acesso a vante na condução do processo decisório. O recursos materiais, a premência de tempo para desfecho tanto pode incluir a escolha pela ma- a realização da intervenção em contexto ilegal, ternidade ou paternidade, como também pelo a minoridade civil, a consulta a um médico, a aborto compartilhado ou solitário. Assim, este realização de exames, até efetivamente a con- trabalho busca tornar o aborto visível sob dis- cretização do aborto em clínicas clandestinas tintos prismas: como uma idéia possível diante ou pelo uso de medicamentos sem controle da gravidez, e não apenas a partir de sua práti- adequado. Com o enquadramento jurídico da ca efetiva e/ou tentativas, o que significa con- prática do aborto como ilegal – as leis brasilei- ferir à interrupção da gestação um lugar legíti- ras não punem o aborto apenas em duas cir- mo entre os eventos relativos à reprodução 23,30. cunstâncias: resultante de estupro ou situações que representem risco de vida para a gestante 28 – ocorrem restrições à análise dos contextos empíricos no quais o aborto é realizado, ser- vindo de obstáculo à investigação dos signifi- Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(7):1411-1420, jul, 2006
  3. 3. COGITAÇÃO E PRÁTICA DO ABORTO ENTRE JOVENS 1413Sobre as estratégias metodológicas Domicílios (PNAD) de 1997, que apresenta umae procedimentos de pesquisa distribuição da renda familiar per capita por decis 32. Foram levados em conta outros refe-Universo de estudo renciais para a classificação da situação de clas- se, observados no momento da entrevista, taisEste artigo examina os dados resultantes da como propriedade de imóvel e outros bens du-etapa qualitativa da Pesquisa GRAVAD (Gravi- ráveis, condição de moradia, número de ele-dez na Adolescência: Estudo Multicêntrico sobre trodomésticos, situação sócio-econômica doJovens, Sexualidade e Reprodução no Brasil), bairro ou vizinhança (se é favela ou não; se háque investiga os comportamentos sexuais e re- luz, saneamento básico, água encanada) e ofer-produtivos de jovens residentes em Porto Ale- ta de bens culturais e lazer. A descrição deta-gre, Rio de Janeiro e Salvador, Brasil. Foram lhada das condições de moradia, de sobrevivên-realizadas 123 entrevistas semi-estruturadas cia e do contexto cultural foi registrada em diá-com jovens de 18 a 24 anos de ambos os sexos, rios de campo elaborados pelos entrevistadores.pertencentes a distintos estratos sociais, que Se, por um lado, as cotas de sexo ou seg-experienciaram (ou não) uma gravidez antes mento social reproduzem razoavelmente a rea-dos vinte anos, a partir de um critério de cotas lidade sócio-demográfica dos jovens brasilei-pré-definido 31,32. Em relação à primeira gesta- ros, por outro, o mesmo não ocorre com o cri-ção, investigou-se o contexto no qual ela ocor- tério adotado para a parentalidade (termo quereu (idade, parceria e apoios). Nas quarenta en- engloba maternidade e paternidade). A esco-trevistas estipuladas por cidade, decidiu-se que lha superdimensionada atendeu ao propósitoseriam vinte de homens e vinte de mulheres. A de obter informações mais precisas sobre oinfluência das relações de gênero nas intera- universo de jovens que iniciaram a carreira re-ções entre os parceiros e nos comportamentos produtiva na adolescência. Neste sentido, a co-reprodutivos leva a incluir os homens na popu- ta da etapa qualitativa utilizada foi de 60% dolação de jovens a ser investigada. Do total dos total de depoimentos, quando, no grupo etárioquarentas informantes previstos para cada ci- considerado, na população juvenil geral, cercadade, 13 pertencem a camadas populares e se- de 30% das mulheres e menos de 25% dos ho-te a camadas médias da população. Em relação mens têm filhos 24,32. Esta decisão produz umao segmento social, foi decidido que, no caso perfil específico dos homens entrevistados: sãode pertencimento a camadas populares, oito rapazes mais precoces sexualmente e com umjovens teriam experiência reprodutiva e cinco número maior de parceiras, em relação à po-não a teriam, enquanto para os de camadas pulação masculina juvenil em geral.médias, quatro teriam e três não teriam essacondição. O recorte etário da população entre- Entrevista: a narrativavistada não seguiu a definição da OMS para biográfica retrospectivaadolescência 27, tendo em vista que o pertenci-mento a idades ligeiramente superiores permi- A abordagem do tema assegurou bastante aten-te descrever os desdobramentos das trajetórias ção ao relato das circunstâncias envolvidas nasexuais, conjugais e reprodutivas após a ado- gravidez e aborto. Um roteiro semi-estrutura-lescência. A escolha da idade dos jovens consi- do permitiu a comparabilidade de depoimen-derou também maioridade civil, autonomia e tos colhidos em diferentes cidades e por dife-liberdade para tomar a decisão de participar da rentes pesquisadores, contendo 12 módulospesquisa, sem a necessidade de conhecimento relacionados à trajetória de vida. No tema aquie autorização dos pais. Os informantes foram em exame, foram investigados: a idade do par-contatados por redes de sociabilidade diversi- ceiro(a); o processo de tomada de decisões; seficadas, abrangendo o maior número possível o parceiro tomou conhecimento da gravidez ede locais de interação de jovens. A técnica de do aborto e qual sua reação; os tipos de apoiobola de neve, através da qual cada jovem podia recebido; a participação das famílias na esco-indicar outros para serem entrevistados, tam- lha de manutenção (ou não) da gestação; asbém foi utilizada. circunstâncias e o método empregado; se foi O universo de 123 jovens entrevistados em realizado somente um aborto; quais as concep-2000 é assim constituído por 81 informantes do ções sobre o aborto e as opiniões sobre a gravi-segmento popular e por 42 do segmento mé- dez. Solicitou-se na entrevista uma descriçãodio. Como critério para a estratificação por detalhada da sucessão dos acontecimentos,classe, foram utilizados os dados do Instituto desde a constatação da gestação até as nego-Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a ciações/escolhas em prol de sua continuidadepartir da Pesquisa Nacional por Amostras de ou interrupção. Não somente foram investiga- Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(7):1411-1420, jul, 2006
  4. 4. 1414 Peres SO, Heilborn ML das as experiências de aborto, mas também as nica, médico ou farmacêutico também consti- cogitações em torno dessa prática, as tentati- tui um indicativo dessa categoria. O aborto é vas, o contexto relacional e a rede social na qual considerado “possivelmente induzido” quando as alternativas foram consideradas. Respostas há “menção implícita” a alguns dos meios, ou explícitas sobre a possibilidade de um aborto quando há, no conjunto da entrevista, algum permitiram detalhar o desenrolar dos eventos, trecho que indique que “é mais ou menos pro- a partir da descoberta da gravidez. O fato dos vável que a indução ou tentativa tenha ocorri- entrevistados terem sido claramente indaga- do”. Por fim, entende-se por “aborto possivel- dos sobre a idéia do aborto possibilitou a ob- mente espontâneo” aquele em que não há alu- tenção de histórias com tentativas (bem-suce- são ao uso de qualquer método para interrup- didas ou não), desistências ou até ausência de ção da gravidez, mas afirma-se a existência de referência e intenção a essa possibilidade. um aborto. Os entrevistadores da etapa qualitativa, em Os exemplos a seguir mostram como se pro- número de 32, eram, em sua grande maioria, cedeu à classificação dos tipos de aborto. Uma estudantes de pós-graduação em ciências so- jovem pertencente à camada popular atribuiu ciais, com experiência anterior em pesquisa ao aborto “espontâneo”, aos quatro meses de qualitativa, treinados previamente para a te- gestação, susto e contrariedades. Revelou ainda mática e com o emprego de consentimento in- uso oral e local do Misoprostol 33 (nome co- formado. Foi assegurada a confidencialidade mercial Cytotec), adquirido na farmácia, por das declarações. O trabalho de campo foi su- “indicação médica”. Em relação à gravidez que pervisionado pelas coordenadoras regionais da resultou em um aborto “espontâneo” ela diz: pesquisa. Cada entrevistador elaborou um re- “perdi de quatro meses, foi de um susto que eu latório de campo, no qual retratou o contexto tomei, eu tava com raiva, ele tava me enchendo social e as condições da tomada do depoimen- o saco (...). A gente veio de uma festa, e eu já ta- to e as possíveis implicações envolvidas na de- va enraivada mesmo com ele. Ele tava me en- claração de um aborto, os motivos de eventuais chendo. Quando a gente chegou aqui, na frente omissões e as dificuldades de certificação de de casa, eu e ele ficamos namorando (...) quan- aborto espontâneo ou induzido. As entrevistas do eu fui reparar, vinha duas pessoas de lá (...). tiveram duração média de uma hora e meia, Aí eu corri, fiquei com aquela pressão (...). Aí fui sendo integralmente gravadas e transcritas pe- dormir e, quando foi três horas da manhã, me los entrevistadores. A equipe de pesquisa apre- senti mal (...) Desceu” ( Jovem de 19 anos, mãe, sentou um predomínio de mulheres embora Salvador, segmento popular – Entrevista A). dez homens tenham participado. A primeira Em relação ao uso “ineficaz” do Misopros- autora deste artigo entrevistou alguns jovens tol, explica: “eu fiz a ultra-sonografia (...). Na pertencentes a distintas inserções sociais 30. maternidade, a médica mandou tomar três Cytotec, e eu tomei e não perdi! Graças a Deus Categorização do aborto: o viés da minha filha está bem saudável. Mãinha foi na declaração e as evidências empíricas rua comigo e com meu marido, compramos (...) e eu tomei esses três, coloquei, aliás, os três, mas O aborto foi pesquisado em relação às atitudes de duas em duas horas. Desceu um tanto de de princípio e às atitudes de princípio em si- sangue” (Jovem de 19 anos, mãe, segmento po- tuação e as práticas efetivas dos jovens con- pular, Salvador, Entrevista A). frontados com o problema da gravidez. Esta es- O caso desta entrevistada, cuja primeira tratégia permitiu apresentar as circunstâncias gestação é objeto de análise, dá lugar à hipóte- reprodutivas nas quais a gravidez e o aborto se de um aborto “possivelmente induzido”. ocorrem, o posicionamento dos jovens e o pro- Através de evidências empíricas de outros es- cesso de negociação envolvido numa decisão tudos 19,33, e da própria experiência de campo reprodutiva na adolescência. O fato do jovem de uma das autoras com mulheres internadas ter sido convidado a revisitar o passado recen- em enfermarias por abortamento, gradualmen- te de sua trajetória permitiu que ele falasse do te relaciona-se a referência genuína ao susto, à modo como as questões sobre o aborto foram raiva, situações de conflito com os parceiros a tratadas, bem como saber dos fatores envolvi- tentativas mal sucedidas de aborto. Por outro dos na decisão. Classificamos um aborto como lado, também se sabe que esses motivos po- “certamente induzido” quando há, em algum dem ser suficientes para provocar um aborto trecho da narrativa, “menção explícita” à sua espontâneo 33. Optamos pela classificação co- indução, com indicação do uso de algum mé- mo uma “possível” indução na primeira gesta- todo, remédio ou correlato para viabilizá-lo. A ção porque a menção ao “susto”, o domínio do menção à procura por um serviço de saúde, clí- uso de Misoprostol e a posição favorável ao Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(7):1411-1420, jul, 2006
  5. 5. COGITAÇÃO E PRÁTICA DO ABORTO ENTRE JOVENS 1415aborto por todos os envolvidos indicaram a Resultadospossibilidade de um aborto induzido. Um ou-tro elemento são as referências em estudos nos Tipos de experiências de abortoquais o uso de medicamentos como o Miso- e diferenças de gêneroprostol é interpretado como integrado pelasmulheres 33,34. Em 86 entrevistas é expressivo o número de ho- mens que declarou aborto realizado por parcei-A tipologia de experiências de aborto ras (43%), especialmente quando comparado à proporção declarada pelas mulheres (17%) (Ta-O panorama extraído das circunstâncias repro- bela 1). Aquino et al. 31 encontraram tambémdutivas e sexuais permitiu a criação de uma ti- um maior percentual de homens entrevistadospologia de experiências de aborto, em uma clas- que relataram um aborto provocado (41,3% desificação que propõe, em um contínuo, a cogita- relatos de rapazes contra 15,3% de informaçãoção do aborto, a tentativa de concretização, sua das jovens). A grande proporção de relatos mas-realização e a exclusão da possibilidade de in- culinos sobre o aborto não se repete em rela-terromper a gestação 30. A hipótese de realizar ção às demais experiências (tentar, pensar eum aborto e a concretização efetiva da interrup- não pensar no aborto). Entretanto, 73% dos jo-ção da gravidez se contrapõem a uma visão po- vens entrevistados, no universo pesquisado,sitivista sobre as atitudes frente ao aborto (ter “pensou, tentou ou realizou aborto”, o que evi-feito vs. não ter feito). Nosso argumento é de dencia uma proporção expressiva da hipóteseque somente uma minoria de jovens nunca co- de aborto e uma tendência à aceitação “ima-gitou a idéia de interrupção da gravidez. nente da prática” 35. Assim, a possibilidade de Na elaboração da tipologia foi necessária a interrupção da gravidez, ainda que na clandes-menção do jovem sobre algum método ou lo- tinidade, supera o dualismo fez ou não o abor-cal em que realizou o aborto (ou para uma ten- to. Os dados assim classificados evidenciamtativa fracassada), ou de respostas que sinali- um espectro decisório mais amplo, como “umzam a não problematização da gravidez, como: horizonte possível diante de uma gravidez”. As“em nenhum momento pensamos nisso, nem eu escolhas diante desse evento são construídasnem ele(a)”; “sou contra o aborto e ele(a) tam- pelas condições sociais, visão de mundo e bio-bém”; “foi bem desejado e de certa forma até grafia individual de cada jovem, bem como pe-planejado”; “não, depois que ele soube ele que- lo gênero 35,36.ria muito ser pai”; “eu queria ser mãe”; “não,não concordou” ou, finalmente, “aceitei com o Efeitos de declaraçãomaior carinho e ajudei ela”. A categoria “pen-sou no aborto” é reveladora da posição e parti- O predomínio de experiências masculinas decipação do parceiro ou da família na decisão aborto pode ser considerado como efeito de de-dos jovens que aventam a hipótese do aborto, claração: os rapazes possivelmente relatammas dele desistem. Já para incluir um rapaz na com maior facilidade uma gravidez e um abor-categorização de “jovem com experiência de to que eles, muitas vezes, não possuem certezaaborto”, é preciso que ele tenha aludido a cer-tas circunstâncias tais como: à certeza ou à dú-vida sobre a concretização do aborto, ao fatodo procedimento ter sido claramente expresso Tabela 1pela parceira, ou mencionado de forma indire-ta por terceiros. Na grade classificatória foram Proporção de jovens de 18 a 24 anos de Porto Alegre, Rio de Janeiroconstruídas quatro categorias, sendo selecio- e Salvador, Brasil, de ambos os sexos, com experiência de gravideznada apenas a primeira gestação e seu desfe- em relação ao tipo de experiência de aborto.cho, ainda que um entrevistado tenha relatadomais de um episódio. A seleção de apenas uma Tipo de experiência Feminino Masculino Totalgestação objetiva a identificação, em ordem de de aborto n % n % n %importância, de quem fez aborto, tentou fazê- Aborto 7 17 20 43 27 31lo e pensou nessa hipótese. Um grande número Tentativa 8 20 5 11 13 15de tentativas fracassadas por abortamento é Pensou 13 33 10 22 23 27apontado na literatura sobre o tema como um Não pensou 12 30 11 24 23 27problema enfrentado por mulheres, face a uma Total 40 100 46 100 86 100gravidez não prevista 17,19. No entanto, poucosestudos analisam mais profundamente essa n = 86 jovens. Fonte: Pesquisa GRAVAD, 2000 (entrevistas qualitativas) 32.problemática. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(7):1411-1420, jul, 2006
  6. 6. 1416 Peres SO, Heilborn ML e nos quais não se sentem necessariamente tentativa de “fazer descer as regras”, sem no- implicados ou responsáveis. Muitos jovens não meação desse recurso como tentativa de abor- sabem ao certo se a gravidez ocorreu ou ainda to 12,20. a quem cabia a paternidade. As mulheres são assertivas ao declarar a concretização de um Decisão de abortar aborto, o que pode ser compreendido pelo pro- cesso vivido por elas até a tomada de uma de- O modo como os jovens narram as conversas cisão. em torno da gravidez não prevista – nas quais a cogitação do aborto tem lugar assegurado – as- Iniciação amorosa e sexual sinala sua aceitabilidade nos diálogos entre parceiros, pares e família. Desse modo, ele não Como dito anteriormente, os homens decla- é alvo de interdição total; é aventado entre e ram mais histórias de aborto, o que pode ser por familiares dos jovens, aparecendo também interpretado como número maior de parceiras nos relatos sobre as experiências de amigos e eventuais no início de sua vida sexual. Os rapa- terceiros. Os interlocutores são parte impor- zes tendem a ter um maior número de parcei- tante do contexto decisório: a decisão é rara- ras sexuais e, assim, estão potencialmente ex- mente tomada pelos jovens de forma solitária, postos a um maior número de situações de en- principalmente porque as famílias se posicio- gravidamento de parceiras, sobretudo se con- nam, são importantes fontes de consulta, ofe- siderarmos a baixa incorporação pelos homens recem condições materiais e apoio no caso do dos cuidados contraceptivos 12. aborto. Entre os entrevistados, 62% das moças Há diferenças marcantes na iniciação se- e 45% dos rapazes compartilharam a notícia da xual de rapazes e moças: enquanto a trajetória gravidez com pares e familiares. Em especial, feminina, de modo geral, é marcada por rela- as mães são coadjuvantes consideradas pelos ções afetivas duráveis; o modelo masculino é jovens fundamentais no enfrentamento da de- caracterizado por relacionamentos com forte cisão (dados não apresentados). Veja-se o caso ênfase na sexualidade sem o compromisso do da mãe de uma jovem, oriunda de camadas po- vínculo afetivo. Nos primeiros anos de vida se- pulares e residente em Salvador, que declara xual as moças desenvolvem uma maior expe- um aborto “espontâneo” na primeira gestação riência relacional comparativamente aos rapa- e relata que em três ocasiões de engravidamen- zes, que vivenciaram experiências sexuais pon- to a mãe “sugere” à filha a fazer o aborto como tuais. A iniciação sexual das mulheres entrevis- alternativa. No caso da primeira gestação a tadas assinala uma construção tradicional da moça acata a opinião da mãe. Contudo, pouco sexualidade feminina, na qual as representa- tempo depois volta a engravidar e se recusa – ções de feminilidade, acerca da importância da terminantemente – a abortar uma segunda vez, fertilidade, monogamia – ainda que o parceiro a despeito da “pressão” materna: “depois veio a mantenha relações com outras moças 35,37. minha família toda de novo, dizendo que era pra não deixar pagar, aí me perguntaram se eu Métodos de abortamento empregados queria tirar e falei que não, que dessa vez eu não tiro nem se me amarrarem e me levarem para As entrevistas evidenciam diferenças relativas tirar, eu não quero tirar. Aí perguntaram a ele se aos métodos utilizados em tentativas e na rea- ele queria deixar, ele disse que não ia deixar ti- lização do aborto na primeira gestação. Nota- rar porque agora a responsabilidade era dele. Aí se ausência de menção a métodos perfurantes, minha mãe deixou” ( Jovem de 19 anos, mãe, como sondas ou correlatos e a maioria dos ra- segmento popular, Salvador – Entrevista B). pazes declararam não possuir conhecimento O depoimento ilustra os dilemas presentes do método usado pelas parceiras. O Misopros- na negociação familiar. Vilar & Gaspar 15 obser- tol, outros “remédios” e a clínica são os méto- varam em pesquisa semelhante, realizada em dos referidos preferidos pelos jovens de ambos Portugal, que muitas mães de adolescentes não os sexos, equivalendo a grande parte do total conseguem impedir que a gravidez prossiga e de procedimentos abortivos ( Tabela 2). Vale salientam as reações de tolerância e resigna- observar que a menção a um método não ex- ção, por parte delas. Segundo os autores, acei- clui o recurso a qualquer outro: combinações tar a parentalidade dos filhos é, em parte, ex- de chás com remédios, injeções com Misopros- pressão de constrangimentos – sobretudo em tol, chás e injeções são relatados nas entrevis- famílias de segmentos populares – pelo fato de, tas. O predomínio de chás como recurso referi- também, essas mulheres terem se tornado do nas tentativas é indicativo de uma estraté- mães na adolescência, ou de outros membros gia de testagem de uma possível gravidez e da da parentela terem passado por circunstância Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(7):1411-1420, jul, 2006
  7. 7. COGITAÇÃO E PRÁTICA DO ABORTO ENTRE JOVENS 1417Tabela 2Tipo de experiência de aborto de jovens de 18 a 24 anos, de ambos os sexos, de Porto Alegre,Rio de Janeiro e Salvador, Brasil, em relação aos métodos mencionados para tentar e realizar o aborto. Experiências de aborto Métodos mencionados Clínica Misoprostol Chás Injeção Não sabe Total e/ou remédio caseiros Feminino Tipo de experiência de aborto Aborto 3 3 0 0 0 7 Tentativa 0 3 6 1 0 10 Total 3 6 6 1 1 17 Masculino Tipo de experiência de aborto Aborto 3 2 2 1 12 20 Tentativa 1 2 2 1 0 6 Total 4 4 4 2 12 26n = 40, jovens com experiências e tentativa de aborto.Fonte: Pesquisa GRAVAD, 2000 (entrevistas qualitativas) 32.semelhante, o que as impede de impor “san- que ela estava grávida. Mas (...) os amigos dela,ções” morais aos filhos, frente à não observân- todos sabiam. Ela começou a tomar remédio,cia do ideal cada vez mais difundido de uma não desceu a criança, ai morreu, ela não resis-idade adequada e mais tardia para a reprodu- tiu. De tanto tomar remédio ficou doente e nãoção. Observamos nessa direção nos relatos que conseguiu. Morreu no parto, a criança sobrevi-os rapazes e seus familiares geralmente inda- veu. Tentei depois conversar com a avó dela pragam se a adolescente deseja interromper a ges- falar se eu podia fazer um exame para saber setação. Nessas circunstâncias a moça pode per- o filho era meu. Não consegui conversar” ( Jo-sistir em sua decisão de abortar, sem que o par- vem de 19 anos, sem paternidade, segmentoceiro e a família apóiem integralmente tal es- popular, Rio de Janeiro, Entrevista D).colha. No trecho a seguir, observa-se a inter- Nas entrevistas com rapazes, muitas vezesvenção e influência da mãe numa negociação o conhecimento da gravidez da parceira é ad-favorável ao aborto na primeira gestação: “ela mitido provisoriamente, já que a gestação nãojá teve uma gravidez antes dessa, mas abortou, é suficientemente constatada, há incerteza se,uns oito meses antes. Ah, no momento a gente de fato, a gravidez da parceira ocorreu, se hou-não tinha nenhuma preparação psicológica pra ve aborto ou ainda há dúvidas sobre a paterni-ser pai, era garotão. A gente veio amadurecer dade. Esse fato certamente amplia a complexi-bastante depois do aborto. A família dela con- dade de categorização dos casos e tentativas dedenou na hora e a gente nem pôde impor resis- aborto, na medida em que os homens se refe-tência. Quem levou até o aborto foi justamente rem a situações sobre as quais as informaçõesa mãe dela. A mãe dela foi logo levando ela pro são incertas, sobretudo quando estão afastadasmédico. A mãe dela pagou setecentos reais” (Jo- das parceiras à época da descoberta da gravi-vem, segmento médio, Salvador – Entrevista C). dez. O aborto mencionado pelos rapazes, mes- Há também casos nos quais o rapaz sabe da mo quando eles têm duvidas, é considerado,tentativa, mas evita envolver-se, por não reco- pois partimos do pressuposto de que se a de-nhecer a paternidade. Destacamos uma situa- claração de um aborto é feita, é porque ele éção na qual a ex-parceira tomou remédio – Mi- admitido na trajetória como tal.soprostol e ele atribui o óbito ao uso dessa me-dicação, sugerindo desconhecimento do rapazsobre a causa de morte e o fato de qualquer ne- Considerações finaisgociação incluir a possibilidade de tensões en-tre os atores sociais envolvidos, face aos riscos Face a uma gravidez não prevista na adoles-associados ao aborto ilegal: “...aí tudo constava cência, constata-se a expressiva presença deque era meu, sendo que a mãe dela não sabia cogitação do aborto entre os entrevistados. As Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(7):1411-1420, jul, 2006
  8. 8. 1418 Peres SO, Heilborn ML condições sociais impostas pelo enquadramen- Suas narrativas elucidam, em parte, as omis- to legal do aborto interferem fortemente na to- sões presentes em pesquisas sobre o aborto, mada de decisões durante a gravidez. De acor- além de favorecer a contextualização das nego- do com nossa pesquisa, os extremos integram ciações relativas às decisões reprodutivas. um continum relativo ao comportamento dos A sistematização das experiências dos jo- jovens: a cogitação do aborto se apresenta na vens indicou que o aborto como um horizonte maior parte das experiências relatadas, o que de possibilidade é uma dimensão da reprodu- significa que os jovens não aceitam simples- ção freqüente na iniciação sexual, contribuin- mente uma gestação com naturalidade, como do para uma compreensão mais ampla da gra- uma inescapável imposição de maternidade ou videz na adolescência e das transformações paternidade mas, sim, que há uma expressiva dos valores vinculados à sexualidade e à repro- tendência à aceitação da hipótese do aborto 35, dução. Em síntese, a possibilidade de realizar apesar da dificuldade de realizá-lo. Nesse sen- um aborto integra o quadro gerado por uma tido, os dados ajudam a problematizar o dis- gravidez não prevista. Entretanto é preciso con- curso hegemônico sobre o crescimento da gra- siderar as barreiras que são enfrentadas para videz na adolescência no país, discurso este regular a reprodução, especialmente num con- que dissolve a distinção entre gravidez e paren- texto como o do Brasil no qual o aborto é ilegal talidade na adolescência. É verdade que ape- e onde permanece insuficiente o acesso à con- nas uma pequena parcela de jovens possui con- tracepção e aos serviços de saúde. Junte-se a dições de viabilizar a tempo a opção de abor- isto a radical heterogeneidade de oportunida- tar. Os jovens e suas famílias sabem que a gra- des sociais, de escolarização, inserção profis- videz pode ocorrer e que o aborto é uma alter- sional e a persistência da assimetria de gênero, nativa, ainda que em contexto de ilegalidade. que contribuem para certas decisões tomadas Nos resultados conhecidos há uma possibi- pelos jovens na passagem para a vida adulta. lidade de subestimação, em virtude dos limites O fato da proporção de gravidez na adoles- do universo pesquisado, do silêncio das mulhe- cência se manter elevada no país, mesmo com res sobre suas experiências, de seu desconheci- a tendência de queda verificada nos anos 2000, mento sobre o que de fato ocorreu. A não decla- não significa que os jovens não ambicionem ração dos abortos pelas moças não é devida so- controlar sua reprodução e garantir a autode- mente à ilegalidade, mas também aos valores terminação e o exercício dos seus direitos se- que definem a identidade em termos da repro- xuais e reprodutivos. Entretanto, enquanto al- dução e maternidade 11,15,36,38 e das represen- gumas jovens com recursos são atendidas para tações negativas associadas ao aborto. Por ou- realizar o aborto de modo seguro, adolescentes tro lado, é inegável a contribuição dos relatos em condição de vulnerabilidade social são masculinos nos resultados da investigação e ca- obrigadas a se confrontar com os riscos físicos be ressaltar a relevância da incorporação dos e o constrangimento moral do aborto clandes- homens em pesquisas relativas à reprodução. tino e inseguro. Resumo Este artigo objetiva desvelar a presença da idéia do siderou a possibilidade do aborto, demonstrando uma aborto como elemento do âmbito das reflexões dos jo- expressiva presença da idéia desse recurso face à gravi- vens sobre uma gravidez na adolescência. Analisam-se dez não prevista, mesmo em contexto de ilegalidade. dados de entrevistas semi-estruturadas com 123 jovens Entre os 86 jovens com experiência de gestação, 27 de- de 18 a 24 anos de ambos os sexos, moradores de Porto clararam a prática do aborto, sendo vinte rapazes e se- Alegre, Rio de Janeiro e Salvador, Brasil, pertencentes a te moças. Os resultados indicam diferenças relativas distintos estratos sociais. A partir de informações sobre ao gênero e contribuem para a compreensão da gravi- as circunstâncias amorosas, sexuais e reprodutivas dos dez na adolescência ao examinar o aborto induzido, entrevistados, foi construída uma tipologia das expe- dimensão encoberta no debate público e científico so- riências de aborto, em um gradiente que vai desde a bre o tema. cogitação, a tentativa de concretizá-lo, sua realização e até a exclusão da possibilidade de interrupção da Aborto Induzido; Gravidez na Adolescência; Sexuali- gestação. Os dados apontam que 73% dos jovens con- dade Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(7):1411-1420, jul, 2006
  9. 9. COGITAÇÃO E PRÁTICA DO ABORTO ENTRE JOVENS 1419Colaboradores AgradecimentosS. O. Peres e M. L. Heilborn redigiram o artigo. S. O. A investigação Gravidez na Adolescência: Estudo Mul-Peres é responsável pela sistematização, categoriza- ticêntrico sobre Jovens, Sexualidade e Reprodução noção e análise do material empírico. M. L. Heilborn é Brasil (Pesquisa GRAVAD) foi elaborada por Mariaresponsável pela edição do texto. Luiza Heilborn (Instituto de Medicina Social, Univer- sidade do Estado do Rio de Janeiro – IMS/UERJ), Mi- chel Bozon (Institute National dÉtudes Démogra- phiques – INED, França), Estela M. L. Aquino (Progra- ma Integrado de Pesquisa e Cooperação Técnica em Gênero e Saúde/Universidade Federal da Bahia – MUSA/UFBA) e Daniela Knauth (Núcleo de Antropo- logia do Corpo e Saúde/Universidade Federal do Rio Grande do Sul – NUPACS/UFRGS). O estudo foi reali- zado por três centros: Programa em Gênero, Sexuali- dade e Saúde (IMS/UERJ), MUSA/UFBA e NUPACS/ UFRGS. Os principais resultados do inquérito encon- tram-se publicados no livro O Aprendizado da Sexua- lidade: Reprodução e Trajetórias Sociais de Jovens Bra- sileiros (Rio de Janeiro: Garamond; 2006), onde po- dem ser obtidas informações sobre a composição de- talhada da equipe de pesquisadores. Agradecemos também à Fundação Ford, ao programa de bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.Referências1. Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil. 8. Cunha A, Monteiro D. Gravidez na adolescência Pesquisa Nacional Saúde Reprodutiva e Sexuali- como problema de saúde pública. In: Monteiro dade do Jovem 1989-1990. Rio de Janeiro: So- D, Cunha A, Bastos A, organizadores. Gravidez na ciedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil; 1992. adolescência. Rio de Janeiro: Revinter; 1998. p.2. Ministério da Saúde. Programa de Saúde do Ado- 32-42. lescente: bases programáticas. 2a Ed. Brasília: Co- 9. Dadoorian D. Pronta para voar: um novo olhar ordenação da Criança e do Adolescente; 1996. sobre a gravidez na adolescência. Rio de Janeiro:3. Área Técnica de Saúde da Mulher, Secretaria de Editora Rocco; 2000. Políticas Públicas. Manual dos Comitês de Mor- 10. Katz RA. Adolescentes e maternidade: um desti- talidade Materna. 2 a Ed. Brasília: Ministério da no, um problema, uma escolha? [Dissertação de Saúde; 2002. Mestrado]. Rio de Janeiro: Instituto Fernandes4. Cavenaghi SM, Berquó E. Increasing adolescent Figueira, Fundação Oswaldo Cruz; 1999. and youth fertility in Brazil: a new trend or a one- 11. Le Van C. Les grossesses à l’adolescence. Normes time event? In: Anais Population Association of sociales, réalisés vécues. Paris: Éditions L’Har- America: 2005 Annual Meeting. Filadélfia: Popu- mattan; 1998. lation Association of America; 2005. p. 1-18. 12. Leal OF, Legoy B. Pessoa, aborto e contracepção.5. Camarano AA. Fecundidade e anticoncepção da In: Leal OF, organizador. Corpo e significado: en- população jovem. In: Berquó E, organizador. Jo- saios de antropologia social. Porto Alegre: Uni- vens acontecendo na trilha das políticas públicas. versidade Federal do Rio Grande do Sul; 1995. p. v. 1. Brasília: Comissão Nacional de População e 55-75. Desenvolvimento; 1998. p. 109-33. 13. Monteiro M. Gravidez na adolescência no Estado6. Laurenti R, Jorge MH, Gotlieb S. Mortalidade de do Rio de Janeiro (Brasil). Investigación en Salud mulheres de 10 a 49 anos com ênfase na mortali- 1998; 1:57-63. dade materna. Brasília: Ministério da Saúde/Or- 14. Paiva AS, Caldas MLC, Cunha AA. Perfil psicosso- ganização Pan-Americana da Saúde/Universi- cial da gravidez na adolescência. In: Monteiro D, dade de São Paulo; 2002. Cunha A, Bastos A, organizadores. Gravidez na7. Alegria FVL, Chor N, Siqueira, AAF. Gravidez na adolescência. Rio de Janeiro: Revinter; 1998. p. 7-30. adolescência: estudo comparativo. Rev Saúde Pú- 15. Vilar D, Gaspar AM. Traços redondos. A gravidez blica 1989; 23:473-7. em mães adolescentes In: Pais JM, organizador. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(7):1411-1420, jul, 2006
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