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Reflexões sobre a função da estrutura da
Igreja Adventista 150 anos depois
No início deste ano uma...
Por natureza, a Igreja Adventista não se define como mais uma denominação que acompanha o
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Em 1909, portanto após a reorganização de 1901,Ellen G. White chama a atenção sobre a importância
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Um movimento organizado: reflexões sobre a função da estrutura da Igreja Adventista 150 anos depois

  1. 1. Um Movimento Organizado Reflexões sobre a função da estrutura da Igreja Adventista 150 anos depois No início deste ano uma interação curiosa me despertou para uma tendência atual. Uma mensagem recebida no Twitter chamou a atenção: “Jesus fundou um movimento, não uma organização”. Ao retuitar a minha versão, incluí o originador da primeira ideia como destinatário. Isso resultou num interessante diálogo com Neil Cole, conhecido plantador de igrejas e escritor do provocante livro Igreja Orgânica. A mensagem publicada na internet reflete a atual reação à superinstitucionalização das denominações. Especialmente os membros mais jovens da sociedade apresentam a atitude paradoxal de gostarem de Jesus, mas não da religião organizada. No entanto, estudiosos também têm alertado para esse perigo. Isso tem levado muitos a imaginar que uma expressão genuína do cristianismo seria um movimento sem organização. Neste ano a Igreja Adventista mundial completa 150 anos desde a sua organização. A Associação Geral foi organizada em 1863 em Michigan, Estados Unidos, apesar dos opositores, sob a orientação divina. Nesta data comemorativa emblemática, afinal, como os adventistas deveriam se posicionar? A ameaça da superinstitucionalização é real, como apontada inclusive por historiadores adventistas. Ela segue um fenômeno observado, no qual o tempo tende a alterar a natureza do movimento inicial. O perigo é quando ela passa a ser “dominada por uma burocracia estabelecida mais preocupada com o perpetuar dos próprios interesses do que em manter as distintivas que ajudaram o grupo a vir à existência” (David O. Moberg é um estudioso que observa esse conhecido fenômeno sociológico entre denominações.) Infelizmente, nesse caso, o sucesso de uma organização pode ser mais uma agravante, já que também leva as atenções a se voltarem para “dentro” em vez de para “fora”. Aobservação da igreja apóstolica, no livro de Atos, não inclui instituições e organizações formais. No entanto, dificilmente poderia ser descrita como desorganizada.Claramente o Espírito Santo torna-se o principal organizador das ações da igreja de Atos, o que é coerente com o caráter ordeiro de Deus. Além disso, é natural que um movimento no seu início não tivesse a necessidade e as condições de contar com formas mais elaboradas de organização, o que se repete em muitos casos, inclusive na história do movimento adventista. No entanto, a pergunta que resta é: Têm os cristãos alguma responsabilidade como mordomos da organização divina da Igreja? Eu surgiro que sim, o que seria coerente com o caráter da graça de Deus, que convida, delega e investe os Seus filhos com poder para participar como coobreiros na Sua missão. A Bíblia destaca a interdependência entre os membros da igreja. A metáfora do Corpo de Cristo, por exemplo, ressalta a presença de conexões e estrutura na Igreja. A estrutura, os mensageiros e a mensagem pertencem a uma mesma realidade. Portanto, a estrutura da igreja também testemunha das suas crenças e relacionamento com Deus.
  2. 2. Por natureza, a Igreja Adventista não se define como mais uma denominação que acompanha o processo de fossilizaçãodo tempo como sítios arqueológicos da tradição. O adventismo é essencialmente um movimento profético-escatológico (com um testemunho de fidelidade a Deus para os últimos dias). Além disso, há 150 anos esse movimento tem uma estrutura organizacional com o objetivo de potencializar a missão de Deus. Para que isso aconteça, o estudo e o diálogo sobre a estrutura da igreja tem que avançar além da dicotomização extremista entre o isolacionismo congregacionalista e o engessamento superinstitucionalizado, ou a total rejeição de uma organização. Inevitavelmente qualquer expressão do cristianismo que busca seguir a Bíblia irá desenvolver algum tipo de estrutura organizacional. Iniciativas atuais nos Estados Unidos têm desenvolvido igrejas multi-campi, o que acaba por reafirmar as conexões interdependentes entre as igrejas. Tradicionalmente, o pêndulo das discussões tem variado entre os extremos do espectro, quando claramente os modelos organizacionais que auxiliaram o cumprimento da missão adventista (1863 e 1901) foram mais equilibrados do que essas posições. Os extremos obviamente também não são opções válidas para hoje. De forma geral, a estrutura de uma organização não deve ser encarada como estática. Alguns princípios devem ser preservados, enquanto que a aplicação deles deve variar de acordo com o tempo e o espaço. Esse entendimento adventista resulta em contextualizações como a recente decisão da igreja mundial de estabelecer a União do Oriente Médio diretamente ligada à Associação Geral. Esse experimento reflete o princípio da flexibilidade na estrutura em prol da missão num determinado contexto. Uma proposta que deve ser mais discutida é o estudo de George Knigth que menciona o quadrilátero organizacional adventista sendo composto pelas obras de publicação, médica, educacional e administrativa. No Brasil, hoje existe um quinto vértice formado pela obra de comunicação, através do rádio e da TV. Como ele aponta, essas frentes não foram desenvolvidas intencionalmente, mas refletem a “visão integral da natureza humana e da realidade em geral do adventismo”. Apesar de a reflexão sobre a estrutura da igreja muitas vezes ter se limitado às instituições, ela deveria também alcançar a realidade da igreja local.Nesse caso, um dos maiores perigos é se ocupar demais com as tarefas e rotinas da igreja e nãoter tempo e prioridade para se relacionar com os de fora. De forma paralela, repentinamente a missão fica resumida amanter a “bolha”! A estrutura organizacional é apontada por George Knight como um dos elementos fundamentais do sucesso evangelístico do movimento milerita. Outros dois grupos resultantes do milerismo, os espiritualizantes e os grupos da Igreja de Deus não contaram com essa eficiência. No entanto, o fator mais importante para a expansão do milerismo foi o “senso de missão profética”, segundo Knight, agregado ao senso de urgência gerado por essa compreensão.“Instituições, estruturas formais e até mesmo tradições são necessárias, se a mensagem e a missão da igreja (incluindo o adventismo) continuarem preservados. No entanto, esses mesmos itens se tornam uma ameaça à missão original da igreja, se não forem flexíveis o suficiente para eficientemente acompanharem as mudanças do tempo e do espaço” (The Fat Lady and the Kingdom,p. 166).
  3. 3. Em 1909, portanto após a reorganização de 1901,Ellen G. White chama a atenção sobre a importância da organização da igreja: “Oh! como Satanás se regozijaria se alcançasse êxito em seus esforços de penetrar no meio deste povo, e desorganizar a obra num tempo em que a organização integral é essencial, e constitui a maior força para evitar os levantes espúrios, e refutar pretensões não abonadas pela Palavra de Deus! ... Alguns têm apresentado a idéia de que, ao aproximarmo-nos do fim do tempo, cada filho de Deus agirá independentemente de qualquer organização religiosa. Mas fui instruída pelo Senhor de que nesta obra não há isso de cada qual ser independente” (Testemunhos para a Igreja, vol. 9, pág. 257 e 258). Tanto tempo depois,e o desafio continua: manter a organização da igreja dinâmica e relevante para o cumprimento da missão. As condições globalizadas e interconectadas do mundo no século 21 continuarão produzindo mudanças. A intencionalidade nas decisões, o estudo sobre os melhores modelos e o zelo quanto aos princípios bíblicos, no entanto, podem se antecipar a possíveis desencontros, favorecer o cumprimento da missão e promover a fidelidade ao plano de Deus. A propósito, o meu tuíte, que inesperadamente causou tanta reação, foi bem curto: “Jesus fundou um movimento organizado”. Marcelo E. C. Dias Professor de Teologia no UNASP (Campus 2). Atualmente, doutorando (PhD) em Missiologia na Universidade Andrews, nos Estados Unidos.

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