Consultar para melhor decidir

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Consultar para melhor decidir

  1. 1. Osmar Mendes Consultar para Melhor Decidir Guia Prático para Tomada de Decisão em Grupo
  2. 2. Osmar Mendes Termo de Uso do © Copyleft Ao adquirir este livro em versão eletrônica, você aceita a seguir os seguintes termos e condições dos nossos procedimentos privados. A Editora Bahá’í do Brasil pode revisar o Termo de Uso a qualquer tempo sem aviso prévio. Você tem permissão de fazer e usar livremente cópias deste livro eletrônico e de qualquer informação dos textos contidos neste documento/livro incluindo: imprimir, postar eletronicamente ou por correio, copiar, fazer download, transmitir e disponibilizar parte ou a totalidade de seu conteúdo seguindo as orientações abaixo: 1. 2. 3. A informação de nosso Copyright ou Copyleft deve estar anexa ao conteúdo; O conteúdo não pode ser modificado ou alterado em qualquer forma, a não ser para mudar o tipo de fonte (letra) ou o lay-out (aparência); O conteúdo somente pode ser utilizado para propósitos não-comerciais. Apesar deste anúncio permitir a reprodução do conteúdo livremente, sem qualquer permissão especial, a Editora Bahá’í do Brasil retém completa proteção do direito autoral (Copyright) sobre esta obra, a qual é aplicada a lei internacional e nacional. Para obter permissão para publicar, transmitir, expor ou outra forma de uso deste conteúdo para qualquer fim comercial, por favor contatar: administrativo@editorabahaibrasil.com.br. © 2009 copyleft Todos os direitos em português reservados para: Editora Bahá’í do Brasil Caixa Postal 1085 13800-973 Mogi Mirim SP www.editorabahaibrasil.com.br ISBN: 978-85-320-0199-3 1a Edição: 1989 2a Edição: 2009 (versão eletrônica) Caso for imprimir o livro utilizar papel A4: 210 x 297 mm. [2]
  3. 3. Consultar para Melhor Decidir Sumário Introdução ...................................................................................... Consulta Bahá’í, ou tomada de decisão grupal .............................. A reunião de consulta ..................................................................... As cinco etapas da Consulta ........................................................... I – Concordar sobre os fatos ............................................... II – Concordar sobre os princípios envolvidos .................... III – Criatividade participativa integral ............................... IV – Formulação da moção e votação respectiva ................ V – Definição da ação ......................................................... Exemplo de uma consulta .............................................................. Os requisitos básicos ...................................................................... As condições essenciais ao bom êxito ........................................... Aceitação da decisão do grupo....................................................... Resumo ........................................................................................... [3] 4 6 9 10 10 11 12 13 14 15 19 21 24 26
  4. 4. Osmar Mendes “A consulta confere maior consciência e transforma conjeturas em certezas. É uma luz brilhante que, num mundo escuro, ilumina e guia o caminho. Para tudo existe e continuará a existir um estágio de perfeição e maturidade. A maturidade do dom do entendimento é manifesta através da consulta.” Bahá’u’lláh INTRODUÇÃO Bahá’u’lláh, o Fundador da Fé Bahá’í (1817 / 1892), trouxe, com Sua revelação no século passado, muitos ensinamentos novos para ajudar a humanidade a resolver seus problemas. Problemas individuais e problemas coletivos. Ele foi mais um Mensageiro divino que se revelou à humanidade, como Muhammad, Cristo, Moisés, Buda, Zoroastro e Krishna no passado. Como todos esses seres raros, que fundaram novas religiões, as quais se desenvolveram e se espalharam amplamente, com milhões de seguidores através dos séculos, Bahá’u’lláh também inspirou, e continua inspirando, milhões e milhões de almas, e hoje sua Fé é, conforme o Livro do Ano da Enciclopédia Britânica, 1987, a segunda religião mais espalhada no mundo depois do cristianismo. As estatísticas revelam existirem bahá’ís (os seguidores da Fé Bahá’í) em todos os continentes, em cerca de 220 países e territórios livres do mundo, num total de 118.000 localidades. Seus ensinamentos não são apenas de ordem espiritual e mística. Bahá’u’lláh revelou princípios universalistas para a solução dos problemas sociais, que são subsídios vitais para que a espécie humana alcance uma era de verdadeira maturidade, para a paz e a fraternidade, para o progresso e a justiça social, para todos os povos, no mundo inteiro. Os bahá’ís trabalham para que a humanidade se desperte integralmente para a realidade de que “A Terra é um só país, e os seres humanos, seus cidadãos” – frase famosa de Bahá’u’lláh que é uma afirmativa da unidade humana. A Ordem Mundial de Bahá’u’lláh é um dos temas mais fascinantes de nossa época, um desafio para os estudiosos, uma esperança para aqueles que almejam uma nova vida no planeta, uma certeza para aqueles que já estão trabalhando para sua concretização e que, pouco a pouco, veem a realização de tão elevado e nobre ideal. [4]
  5. 5. Consultar para Melhor Decidir Um dos ensinamentos práticos que tem sido muito testado e que, felizmente, tem se mostrado eficaz em sua aplicação, é o da CONSULTA BAHÁ’Í. Trata-se de algo que pode ser aplicado em qualquer nível de ação e para qualquer grupo de pessoas – na tomada de decisões. Consultar para melhor decidir – é uma afirmativa que se baseia em orientações dadas por um ser divino, um Mensageiro de Deus, um iluminado. Questão de fé, para os que creem. E às pessoas que ainda não conhecem a Revelação de Bahá’u’lláh pedimos que, sem preconceito e considerando a consulta bahá’í como uma nova técnica que lhes está sendo apresentada, analisem o trabalho imparcialmente e, ao mesmo tempo, coloquem em prática suas recomendações. Não há porque se preocupar com a “árvore”, sua aparência, ou procedência, ou mesmo com sua “família botânica” É mais prático – e este é o nosso objetivo – provar logo do sabor de seus “frutos”, pois quando o fruto é bom a árvore de onde ele procede certamente também o será. Assim, pedimos que nos concentremos na leitura, na análise e na prática deste “fruto” chamado CONSULTA BAHÁ’Í. É o convite que lhe fazemos. [5]
  6. 6. Osmar Mendes CONSULTA BAHÁ’Í ou PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO EM GRUPO Uma das características da VERDADE, como um fato científico por exemplo, é sua universalidade, ou seja, o fato se repete com os mesmos resultados qualquer que seja a pessoa que dele trate, em qualquer parte do mundo, - contanto que sejam idênticas as condições essenciais. Na consulta bahá’í existem também algumas condições que são vitais para o sucesso do processo como um todo. Em primeiro lugar, os OBJETIVOS. 1. A consulta é feita para levar a uma tomada de decisão em grupo. Em qualquer consulta, a finalidade é chegar-se a uma decisão, que será a opinião consensual do grupo. Portanto, consultar, segundo a orientação bahá’í, não é “bater-papo”, “trocas ideias”, “relatar experiências pessoais”, “mostrar conhecimentos”, “entretenimento verbal”. Tudo isso pode fazer parte da consulta, mas um ponto vital, condição “sine-qua-non” da mesma, é que o grupo, a priori, concorda que ao final uma DECISÃO terá de ser tomada. 2. A consulta é utilizada para uma finalidade bem definida, aprovada a priori pelo grupo: a. chegar a um consenso da VERDADE existente em determinado assunto, ou b. chegar a uma conclusão sobre uma tomada de decisão que represente os melhores interesses: 1. do próprio grupo, quando é assunto de seu exclusivo interesse; 2. de toda a coletividade, quando se trata de assunto que afete a terceiros, além do grupo. [6]
  7. 7. Consultar para Melhor Decidir Exemplo: a. Um grupo de estudante se reúne para consultar sobre um tema escolar e o objetivo é descobrir a verdade. O método será aplicado para que todos cheguem a uma conclusão de que tais e tais pontos consultados representam a “verdade” encontrada. b. Um grupo está enfrentando um problema de seu interesse direto. 1. Moram num mesmo bairro e há um grande buraco na rua, feito pelas chuvas. Têm de decidir o que fazer para desimpedir a rua, uma vez que não podem sair de cada com seus carros. Ou 2. Um grupo de técnicos, na Prefeitura, foi solicitado para urgentemente resolver o problema do conserto da rua onde o buraco existe. Não há verba para as obras e os moradores estão, inclusive, reclamando publicamente com a presença da imprensa. 3. A consulta é de aplicação universal, isto é, tanto pode ser usada na família, para resolver problemas gerais da mesma, como para casos mais específicos, assuntos entre esposos, ou entre os pais e um dos filhos, ou ainda entre irmãos ou parentes. E também no âmbito de empresas e instituições, quaisquer que sejam, órgãos do governo, clubes, escolas, indústrias, comunidades de bairros, etc. Na Fé Bahá’í, a consulta é aplicada em todas as suas reuniões administrativas e em todos os níveis de sua vida comunitária. O método da consulta para ser completo e trazer os resultados esperados consiste de 5 passos práticos, que são os seguintes: I – Concordar com os fatos II – Concordar sobre os princípios envolvidos III – Criatividade participativa integral IV – Formulação da moção e votação respectiva para sua aprovação V – Definição da ação a ser tomada No aspecto teórico, que seria de preparação interna para cada participante alcançar o ponto ideal, psicológico, para a consulta, existem: [7]
  8. 8. Osmar Mendes I - os requisitos básicos: 1. Pureza de motivo 2. Espírito radiante 3. Desprendimento pessoal 4. Humildade 5. Paciência e resignação em dificuldades II – as condições essenciais ao bom êxito, que são: a condição: Amor e harmonia entre os participantes 1 a condição: Voltar-se para Deus, pedindo auxílio e inspiração, 2 a condição: A forma de expressar seus pontos de vistas: 3 a. com cortesia, b. com dignidade, c. cautela, d. moderação, e. atitude devocional, f. não insistir para impor suas próprias ideias, g. aceitar a decisão da maioria e defendê-la como se fosse sua própria. A seguir, serão analisados, um a um, todos os itens acima. [8]
  9. 9. Consultar para Melhor Decidir A REUNIÃO DE CONSULTA É necessário organizar com antecedência a reunião, convidando todos os seus integrantes previstos, que deverão ser informados dos assuntos a serem tratados, dia, local e hora. Há reuniões mais simples, com pequeno número de participantes, e há as maiores, mais numerosas em integrantes. Quanto mais numeroso o grupo mais complexa se torna a condução dos trabalhos. Sempre, porém, deve haver uma pessoa para COORDENAR a reunião e outra para SECRETARIAR, anotando as decisões tomadas. No decorrer das explanações do livro, os leitores tomarão conhecimento das funções de um e de outro. Desde logo deve ser esclarecido que uma coordenação na reunião de consulta é vital para a correta e eficiente condução dos trabalhos. E um bom secretário anota de forma imparcial as moções aprovadas, registrando de forma completa as decisões que foram aprovadas, as quais representam o consenso do grupo e nunca aquilo que ele pessoalmente, julga melhor anotar. [9]
  10. 10. Osmar Mendes AS CINCO ETAPAS DA CONSULTA I - CONCORDAR SOBRE OS FATOS Este primeiro passo consiste na busca dos fatos e na concordância de que realmente o grupo tem conhecimento dos fatos relacionados ao assunto em consulta. Há um perigo muito grande em se confundir “opinião” com “fato” ou “informação de ouvir dizer” com “testemunhos pessoais”. “Opinião”, ou pontos de vistas, é algo que poderá ocorrer no III estágio da consulta. Não aqui, quando se está iniciando a consulta. Há que se evitar qualquer colocação emocional ou sentimental, como preconceitos, desejos pessoais, simpatias ou antipatias por coisas, pessoais ou situações. As informações, para ajudar a compreensão de todos os fatos pertinentes ao assunto, devem ser as mais fatuais possíveis, pois há grande perigo em se aceitar como fato uma informação de terceiros que, muitas vezes, quando bem investigada, não tem procedência. Quanto mais dados informativos sobre o assunto, melhor. Quanto mais fatos concretos, prováveis, mais claro se torna o assunto a ser tratado; mais completo ele será, pois qualquer assunto, com meias informações, só leva a meias soluções. Portanto, não deve haver pressa, neste primeiro passo. Cada um dos participantes deve chegar ao ponto de ficar satisfeito com as informações apresentadas sobre o assunto em consulta. Devem até perguntar: • Sabemos tudo o que deveríamos saber sobre o assunto? • Que fatos adicionais poderíamos ainda buscar saber? • Estamos satisfeitos com o nível de informações? É importante que, antes da reunião, especialmente as pessoas que convocam a consulta, seu presidente ou coordenador, o secretário do grupo, ou a pessoa que servirá como relator, procurem reunir todos os dados possíveis atinentes ao assunto a ser tratado, para ganhar tempo durante a consulta e evitar que, eventualmente, a reunião tenha de ser suspensa até alguém ir buscar documentos ou telefonar a esta ou aquela pessoa para obter informações precisas sobre determinados aspectos do assunto. Quanto melhor preparada for a reunião, mais eficiente ela será. [10]
  11. 11. Consultar para Melhor Decidir II – CONCORDAR SOBRE OS PRINCÍPIOS ENVOLVIDOS Tendo em vista buscar a consulta a solução de problemas para benefício de um grupo, em alguns casos dos próprios participantes, como no caso de uma consulta em família, ou, como ocorre na maioria dos casos, em benefício de terceiros, É necessário buscar um ponto de referência, suprapessoal, pelo qual pautar o senso de justiça e a legitimidade da decisão tomada. Isso ocorre quando a decisão é tomada em função dos PRINCÍPIOS ENVOLVIDOS no assunto tratado, e nunca em razão das pessoas ou dos fatos em si. Os princípios são fixos, autoritativos, acima de interesses pessoais. São as normas gerais pré-estabelecidas, as diretrizes básicas, a lei e sua jurisprudência. Podem ser espirituais, legais, morais, administrativos, ou ainda normativos por tradição. Os Estatutos de uma sociedade, a Constituição de um estado ou nação, os Livros Sagrados de uma religião, as normas morais da família, os procedimentos legais em empresas ou clubes, são exemplos de fontes oficiais que definem o que chamamos de “princípios”. Assim, depois do grupo ter concordado sobre os FATOS atinentes ao assunto consultado, deve, agora, concordar sobre os princípios envolvidos. Em especial, o relator do assunto apresentado, ou mesmo qualquer outro integrante do grupo, deve prover informações e comprovações dos princípios dentro dos quais se encaixa o assunto tratado. Conscientes todos os participantes de que é este ou aquele o princípio, ou mesmo mais de um os envolvidos no assunto, a consulta passará a ser feita em função dos mesmos a sua aplicação no caso em pauta. Há que se esclarecer não se tratar de uma “desumanização” do assunto. Se o mesmo envolve pessoas, o fato de se tratar de um ser humano encontra guarida, certamente, em algum dos princípios que regem o campo de atividade no qual se encaixa o assunto tratado. Mas, o direcionamento da consulta não será motivado pelas pessoas envolvidas, ou porque seria difícil tratar com elas se a decisão tomada não for de seu interesse. Em casos pessoais, as decisões devem basear-se sempre nos princípios, por mais “influentes” ou “importantes” que possam ser as pessoas envolvidas. Em casos não-pessoais, a aplicação dos princípios não cria problemas de relacionamento humano, que poderia afetar a decisão do grupo, para não “ferir” ninguém. A despersonalização na tomada de decisões é fator imprescindível para chegar-se “à verdade” e ou para “tomar-se a decisão mais justa e eficaz.” [11]
  12. 12. Osmar Mendes III – CRIATIVIDADE PARTICIPATIVA INTEGRAL Este é o passo criativo cem por cento e durante o qual cada participante tem o direito de expressar livremente suas ideias. O coordenador organiza a ordem dos pronunciamentos e procura manter a concentração dos mesmos no assunto em consulta. Nem sempre todos desejam falar. Os que têm algo a dizer pedem a palavra, o coordenador anota e por ordem de solicitação os participantes expressam seus pareceres. Outro procedimento, normalmente quando o assunto exige mais criatividade e é importante que todos expressem suas ideias, é dar a palavra a todos, um por um, dando uma, duas ou três rodadas completas de opiniões, até que a maioria concorde que o assunto está realmente esgotado, nada mais havendo a acrescentar para a tomada de decisão. Algumas vezes ocorre que a consulta tende a se acalorar, transformando-se num verdadeiro debate entre duas ou mais pessoas. Ou alguém pode tentar “dominar” a consulta com seus pontos de vistas, insistindo demasiado em sua própria opinião. O papel do coordenador é vital neste estágio da consulta. Deve manter-se sempre imparcial, dar a todos oportunidades iguais e evitar qualquer extremo de excessiva participação ou alienação. Alguns pensam mais rápido e ficam ansiosos de chegar logo à solução. Outros pensam mais demoradamente e retardam o ritmo dos pronunciamentos. Há que se ter paciência em ambos os casos. O coordenador deve manter o equilíbrio geral. Em caso de alguma dúvida, ou ponto polêmico, o coordenador interrompe a ordem dos pronunciamentos e procura esclarecer a dúvida ou harmonizar o ponto em conflito. À cada rodada, o coordenador deve fazer um resumo dos pontos levantados e tentar expressar o consenso do grupo até aquele ponto. E assim até a rodada final. É imprescindível que a consulta caminhe passo a passo, mas cada um deles claramente definido e aprovado pelo grupo, sem dúvidas ou constrangimento de quem quer que seja. A atenção do coordenador é vital para isso. Conforme o grupo, e com a repetição das reuniões, cria-se normalmente um acordo tácito de procedimento, havendo elasticidade na forma da condução da consulta – nesta fase – mas sempre dentro dos princípios gerais da consulta como um todo. Nesta fase pode ocorrer também o tipo de reunião conhecido como “brainstorming”, na qual cada um busca dar contribuições criativas ao assunto sem se importar sobre sua aprovação ou se é uma ideia pouco prática ou muito custosa. O objetivo é criar, apresentar algo novo, mas sempre com vistas à solução do problema proposto. Cabe ao coordenador anotar tudo, estratificar os conceitos e, num momento oportuno, ao final de uma rodada por exemplo, resumir o que foi tratado, destacando os pontos principais como subsídios do grupo para a solução do problema. [12]
  13. 13. Consultar para Melhor Decidir IV – FORMULAÇÃO DA MOÇÃO E VOTAÇÃO RESPECTIVA Esgotados os debates, a troca de ideias e a apresentação de sugestões, o coordenador parte para o quarto passo do processo da consulta, que é a formulação de uma moção e respectiva votação. A moção é o texto da decisão. Pode ser formulado pelo coordenador, ou por qualquer outro membro do grupo. Idealmente seria o coordenador, mas ocorre muitas vezes que outro integrante do grupo, que também acompanhou com atenção a consulta e está “bem por dentro” do assunto tratado, tenha mais facilidade para formular o texto da moção. Todas as moções devem ser secundadas, isto é, alguém deve dizer que “secunda a moção”, o que significa que achou completa sua formulação. Há casos em que a moção deve ter seu texto expresso palavra por palavra, para aprovação imediata do grupo. De um modo geral, o secretário lê o que anotou, muitas vezes apenas o conceito e os aspectos essenciais da moção formulada, e posteriormente, quando redige formalmente a ata da reunião, completa o texto detalhadamente. Normalmente, deve-se dar as justificativas para a decisão tomada, como preâmbulo da moção. Antes de dar o assunto como encerrado, o coordenador deve perguntar se todos estão satisfeitos com os dados anotados, ou com o texto completo da moção. Se alguém tiver algo a acrescentar, ou a modificar, consulta-se a respeito e a nova formulação da moção, corrigida, ampliada, ou reduzida, é submetida à aprovação final do grupo. A aprovação ocorre de duas maneiras: • Por unanimidade, com o consenso do grupo, ou • Por voto da maioria Todos têm votos iguais, um por pessoa. Ganha a maioria simples. Se forem 9 os integrantes do grupo, 5 votos dão ganho à moção. No caso de empate, por exemplo, se forem 10 pessoas consultando e 5 votam a favor, a moção não passou. Por isso, abster-se numa votação dessa natureza é o mesmo que votar contra. O ideal numa consulta é atingir-se sempre a unanimidade, pois não se trata de “uns ganharem e outros perderem”. O objetivo é sempre o interesse maior do grupo ou de terceiros sobre os quais o grupo está consultando. Há casos em que o coordenador pergunta àquele ou àqueles que não votaram a favor da moção se gostariam de ter mais esclarecimentos sobre o assunto votado, ou se alguma ideia que tinham não foi considerada. Pode ocorrer que, pela pressa, omite-se uma ideia ou sugestão de um dos participantes, a qual, uma vez reconsiderada, mostra-se ser muito útil para a solução do problema. Justiça, imparcialidade, participação de todos – são ingredientes imprescindíveis para uma correta tomada de decisão. Uma vez aprovada, a moção passa a ser a decisão do grupo. Deve-se até “esquecer” de [13]
  14. 14. Osmar Mendes quem veio a ideia inicial, ou quem votou a favor ou contra quando da aprovação da moção, se a mesma não tiver sido tomada por unanimidade. A decisão deve representar a unidade do grupo, em pensamento e ação. Uma imagem que fixaria bem este aspecto seria a de que o grupo em consulta assemelha-se a um grupo que fosse preparar um bolo, para cuja composição os participantes estariam oferecendo os ingredientes, como o trigo, o fermento, os ovos, a manteiga ou o sal. Depois de pronto, o bolo é o resultado da contribuição de todos, e todos os ingredientes são importantes para a unidade final. O secretário do grupo anota o texto da moção aprovada, para fins de registro em ata e para posterior acompanhamento da ação respectiva. A ata formal é imprescindível em reuniões de empresas e instituições, a qual deverá ser lida na próxima reunião do grupo para confirmação definitiva. Algumas organizações têm como procedimento regular que todos os integrantes da reunião de consulta recebam cópia da ata logo que a mesma seja formalmente redigida pelo secretário, o que ocorre num prazo médio de uma semana normalmente. V – DEFINIÇÃO DA AÇÃO Toda decisão deve ser complementada por uma ação. E para que tal AÇÃO seja a mais eficaz possível, há que se definir os seguintes pontos: 1. O QUE deverá ser feito. (praticamente é o que a moção define). 2. QUEM o fará. (o grupo deve decidir, se a moção não inclui a definição de quem deverá encarregar-se da execução da ação aprovada). 3 COMO será feito. (definição da estratégia ou das diretrizes de ação, pois os detalhes devem ser tratados por QUEM irá executar a ação). 4 EM QUE TEMPO. (para fins de acompanhamento da ação, há que se definir também em que prazo de tempo o grupo quer ver a ação realizada, podendo dar prazos intermediários e um prazo final). 5 ONDE. (há casos em que se deve definir o local, ou locais, onde a ação deverá ser implementada). 6 COM QUE RECURSOS, (devem ser claramente definidos os recursos financeiros e de materiais, se necessários). Importante definir, ainda, QUEM do grupo fará o acompanhamento da ação. Em uma próxima reunião um relatório final deverá ser apresentado pela pessoa encarregada de fazer o acompanhamento, para o assunto poder ser dado como ENCERRADO, ou para que seja novamente tratado, com relação a correções que se fizerem necessárias e tomada de novas ações para “apressar” ou “dar novos subsídios” à AÇÃO – até a sua conclusão definitiva. [14]
  15. 15. Consultar para Melhor Decidir EXEMPLO DE UMA CONSULTA A diretoria de um clube social reúne-se mensalmente para decidir sobre assuntos de interesse da sua instituição. São nove pessoas. O secretário, em consulta com o coordenador, prepara a agenda da reunião, incluindo os assuntos que precisam ser levados ao conhecimento de toda a diretoria e alguns deles tratados para a tomada de decisões. Um assunto para consulta é a BIBLIOTECA DO CLUBE. O coordenador, normalmente, evita antecipar suas opiniões sobre o assunto em consulta, embora possa sempre esclarecer um ou outro ponto, quando achar pertinente. Mas sua palavra pessoal na consulta tem o mesmo “peso” que a de qualquer outro membro do grupo e ele também deve esperar a sua vez para falar. Cada pessoa pede a palavra e tem o direito de falar, objetivamente, sobre o aspecto do assunto em pauta. Há que buscar ser concisa, clara e ater-se ao ponto tratado. Ninguém deve cortar a palavra de outro, esperando com paciência a sua vez de falar. O PRIMEIRO PASSO: Concordar sobre os fatos O coordenador pede ao secretário para apresentar o problema para consulta. O secretário diz que muitos sócios têm reclamado que a biblioteca há meses não compra novos livros, que também não há muitas revistas para lerem, especialmente revistas em inglês, e que a senhora que cuida da biblioteca à tarde, conversa muito alto e fala demais, atrapalhando aqueles que querem ler em silêncio, bem sossegados, como normalmente ocorre em bibliotecas públicas. O coordenador pergunta se alguém mais tem fatos ou informações a apresentar sobre o assunto. Um dos diretores diz: — É, realmente, eu também acho que a biblioteca poderia ser melhorada. Meus filhos, por exemplo, gostariam de ler revistas infantis e nunca encontram tais revistas. Afinal, nossos filhos deveriam ter direitos especiais. Somos diretores. Aqui, cabe um esclarecimento do coordenador: [15]
  16. 16. Osmar Mendes — Caro amigo diretor. Devo lembrar-lhe que nossa consulta é para tomarmos decisões em benefício de todo o corpo associativo e não apenas de “nossos filhos”. Os filhos de todos os sócios têm os mesmos direitos que os nossos. Outros jovens, e os adultos também. Portanto, vamos nos ater aos interesses gerais do clube e não a interesses pessoais. Por favor! Embora não goste muito da advertência, o diretor em questão, entendendo o espírito da consulta, agradece ao coordenador, dizendo: — Tudo bem. Outro diretor pede a palavra e diz que o problema maior é a falta de verba: — Lembrem-se todos que reduzimos nossas verbas em 30%, diante das rendas do clube, que não estão dando para cobrir todas as despesas. O coordenador, então, sugere que, inicialmente, seja tratado este aspecto da consulta – o FINANCEIRO. Todos concordam. A consulta é dirigida para a solução dos aspectos financeiros do clube, com relação às despesas da biblioteca. O SEGUNDO PASSO: Concordar sobre os princípios A Diretoria concordou que um dos aspectos do problema é a falta de verba e aprovou consultar sobre este item, especificamente. O coordenador pergunta qual é o princípio envolvido neste problema. Vários diretores manifestam seu parecer e o coordenador, ao final de alguns minutos, resume o que acha ser o consenso do grupo: • Os estatutos dizem que os associados têm direito a uma biblioteca cultural e de entretenimento; • O orçamento anual previa uma verba para compra de livros e outros materiais para a biblioteca, verba essa que foi cortada em 30% no último semestre. • A diretoria tem o dever de prover soluções no interesse social. Todos concordaram serem estes três, os princípios sobre os quais deveriam consultar para buscar solucionar o problema. O TERCEIRO PASSO: Criatividade participativa integral Bem definidos os princípios, o terceiro passo fica mais fácil de ser tratado. Neste exemplo, não há necessidade de muita criatividade, pois o problema é de simples solução. [16]
  17. 17. Consultar para Melhor Decidir O coordenador oferece a palavra a quem dela quiser fazer uso. O diretor social diz que realmente a diretoria deve aprovar uma verba extra para a compra de livros e revistas. E deu uma ideia criativa, a qual, sem mais debates, foi aprovada unanimamente – a de se colocar uma folha em branco à disposição dos frequentadores da biblioteca, na qual escreveriam suas sugestões sobre que tipos de livros e de revistas gostariam que fossem compradas. Aprovado também anunciar tal ideia no Noticioso Mensal do clube recomendando que os associados escrevam para a diretoria, com suas sugestões. O tesoureiro pediu a palavra e disse que o clube poderia dotar uma verba extra de $200,00 para o próximo mês, cortando outros itens que poderiam ser adiados, como a compra de um tapete para o hall de entrada da sede social. Aberto o debate, ninguém objetou tal recomendação do tesoureiro, sendo aprovada por consenso. O QUARTO PASSO: Formulação da moção e votação respectiva O coordenador perguntou se todos estavam satisfeitos, para ele poder formular a moção respectiva. Ninguém contra, diz que este primeiro ponto da consulta sobre a biblioteca – a questão financeira – seria resolvido com a dotação de uma verba extra de $200,00 para a compra de livros e revistas. Porém, tal compra dependerá das recomendações dos sócios sobre que tipos de livros e de revistas o quadro social mais deseja. Definido este aspecto, a compra poderá ser feita. O QUINTO PASSO: Definição da ação Aprovada a moção, o grupo trata da complementação da mesma, definindo as ações decorrentes da decisão: 1 – O que deverá ser feito? • informar aos sócios sobre suas recomendações com relação aos tipos de livros e revistas que desejam que o clube compre. • o tesoureiro deverá anotar a dotação da verba de $200,00. 2 – Quem o fará? • o diretor-social fará a comunicação aos sócios. • o tesoureiro do clube. [17]
  18. 18. Osmar Mendes 3 – Como fazê-lo? Através dos procedimentos normais do clube. 4 – Em que tempo? A diretoria aprovou que as recomendações dos associados serão recebidas até um máximo de 30 dias, e nos 30 dias seguintes serão comprados os livros e revistas (pela bibliotecária). 5 – Onde? A bibliotecária deverá contatar as livrarias que normalmente dão um bom desconto nas compras. 6 – Com que recursos? A verba de $200,00 deverá ser utilizada da melhor forma possível, tentando-se obter descontos, os maiores possíveis, para pagamento à vista. Esta foi apenas uma parte da consulta total, na qual tratou-se do aspecto financeiro do problema da biblioteca e de cuja consulta resultou também numa medida bem democrática e popular sobre a questão do tipo de livros e de revistas a serem adquiridos. Havia, ainda, o problema da bibliotecária, que conversa muito e em voz alta para um local de silêncio como uma biblioteca pública. O coordenador menciona esse fato e pergunta quais são os princípios envolvidos no assunto. O diretor social esclarece que o regulamento da biblioteca esclarece que as pessoas devem manter silêncio e falar em voz baixa na biblioteca. Só este ponto do regulamento é suficiente para chamar a atenção da bibliotecária. Um dos diretores lembra que a citada senhora é filha de um dos sócios fundadores do clube e que não deveriam melindrá-la, pois o pai poderia sentir-se ofendido. O coordenador lembra que os princípios estão acima das personalidades, mas que, obviamente, dever-se-ia falar com ela com toda a diplomacia, mas com energia. Feita a moção, todos aprovaram que a bibliotecária deveria ser solicitada a mudar seus modos de agir no trabalho, pelas razões expostas. O diretor social ficou encarregado dessa ação, com o que encerrou-se a reunião. Este exemplo é de um problema muito simples, mas serviu para mostrar como a consulta se desenvolve, passo a passo. Há consultas bem mais complicadas, em assuntos muito complexos, nem sempre de natureza material. Porém, para todos os assuntos o processo é o mesmo e o exemplo acima é válido. A sub-divisão do problema em problemas menores, ou em aspectos diferentes do mesmo, tratando-se um de cada vez e depois chegando-se ao todo – completando-se a consulta – é uma técnica muito eficaz. [18]
  19. 19. Consultar para Melhor Decidir OS REQUISITOS BÁSICOS Os cinco passos do processo da consulta são as condições técnicas e a sequência natural para melhor conseguir uma decisão eficaz. No entanto, sem o “espírito”, sem as condições psicológicas, sem as qualificações pessoais ideais, todo o processo corre o risco de falhar. Idealmente, cada integrante do grupo deve esforçar-se para manifestar o que já lhe é intrínseco (qualidades internas) ou expressar, mesmo com esforços pessoais, as seguintes atitudes mentais e espirituais: 1 – Pureza de motivos Sua participação no grupo, para consultar, não deve ser com interesses pessoais, nem para tentar obstruir uma solução que se espera seja útil e a melhor para a finalidade prevista. Deve participar com pureza de motivos, para servir, para ajudar com sua presença, seus conhecimentos e sua boa vontade em cooperar para o bem-comum. 2 – Espírito radiante Deve expressar-se positivamente diante do grupo, com entusiasmo e compreensão, com alegria e confiança. Colocar-se no lado bom das coisas e assumir uma atitude positiva, sempre. 3 – Desprendimento pessoal O desapego das coisas leva a uma condição de liberdade. Quanto mais apegado se está a qualquer ideia ou hábito, menos livre se é. Há que se reconhecer que cada ser humano, por mais competente e estudioso que seja, sempre será incompleto e imperfeito. Perfeição e infalibilidade pertencem unicamente ao Criador. Consultar desapaixonadamente e de forma desprendida leva a pessoa mais próxima de um posicionamento pautado na justiça e na equidade. A humildade intelectual é um acervo dos mais valiosos num ser humano. O desprendimento pessoal e a dependência espiritual de Deus iluminam e ampliam a mente e o coração, ampliam a visão interna e a intuição, ajudam muito no conhecimento e na sabedoria, no domínio próprio e na conquista das verdadeiras riquezas humanas. [19]
  20. 20. Osmar Mendes 4 – Humildade O grupo em consulta representa uma unidade coesa, cada integrante um elo importante, mas num mesmo nível de igualdade. Atitudes e ações de superioridade prejudicam seriamente a unidade do grupo, enquanto que a humanidade entre os participantes enaltece a todos e a cada um e cria uma atmosfera de união e liberdade muito especial, que faz bem a todos. A falta de humildade faz surgir os erros daninhos do egoísmo, acirra os ânimos e torna tensa a reunião, tornando-a ineficiente e desagradável. 5 – Paciência e resignação em dificuldades Apesar de todos os cuidados que se possam ter, dos esforços pessoais para “acertar” sempre e da obediência escrita aos passos da consulta, sempre podem ocorrer dificuldades. Afinal, são seres humanos que estão reunidos, com ainda muitas imperfeições, apesar da boa vontade e intenção sincera que possam demonstrar. As dificuldades são de vários tipos: pessoais, devido ao temperamento da pessoa ou seu apego às próprias ideias; ou ainda pela seriedade do assunto em consulta, que pode implicar no destino de vidas humanas, o que muitas vezes deixa os participantes por demais preocupados com os resultados a que poderão chegar. Ou, também, porque o grupo não tem os dados todos que precisaria ter para melhor consultar, e a urgência exige uma tomada de decisão. Em todas essas possibilidades, cada participante deverá ter muita paciência, consigo mesmo e com seus companheiros de grupo. E resignar-se quando as dificuldades não podem ser superadas, ou são dificilmente superadas. Se perderem a paciência e não souberem conter o desespero, com certeza estragarão completamente a reunião. Em vez de luz, que é o que se busca ao final da consulta, o resultado será frustração e confusão. O grupo lamentar-se-á. Críticas generalizadas, acusações mútuas e até mesmo rancores ou mágoas surgirão. Enfim, o caos. Estes cinco requisitos básicos são vitais, reafirmamos. Com paciência, esforço constante e aprimoramento permanente, cada pessoa ficará mais apta a melhor consultar e obter os melhores resultados de suas reuniões. [20]
  21. 21. Consultar para Melhor Decidir AS CONDIÇÕES ESSENCIAIS AO BOM ÊXITO Finalmente, existem as condições essenciais ao bom êxito da consulta, que são três e que incluem aspectos espirituais e práticos: PRIMEIRA CONDIÇÃO: AMOR E HARMONIA ENTRE OS PARTICIPANTES Nem sempre todos os membros reunidos em consulta têm simpatia, amor fraterno e admiração uns pelos outros. São seres humanos, com qualidades e defeitos. Alguns se conhecem há muitos anos e seu relacionamento pode ter levado a alguns desentendimentos pessoais ou à defesa de ideias diferentes, até contraditórias, em alguns assuntos. Socialmente, podem ter dificuldades de relacionamento, por razões as mais diversas possíveis. Assim, quando os dois participam de uma reunião de consulta, há o perigo de ambos utilizarem a oportunidade para deixar renascer suas diferenças e transparecer sua antipatia mútua. Contra tal atitude, que seria desastrosa para o bom andamento da consulta, é que existe esta primeira condição. Durante a reunião, todos os membros devem mostrar AMOR e HARMONIA entre si. É o pequeno preço que cada um deve pagar para ajudar o grupo a chegar a um bom resultado na consulta. Cada qual pode fazer um esforço pessoal e procurar esquecer questões pessoais com outros participantes – em benefício do grupo e para o sucesso final da consulta. A verdade é que não estão consultando sobre suas desavenças pessoais e sim sobre algo que transcende suas personalidades. Idealmente, o coordenador deveria ter conhecimento dos problemas de relacionamento pessoal entre os participantes, para estar atento e evitar que choques ou acirramentos, de uma ou outra parte, prejudique o processo normal da consulta. Firmeza na condução da consulta é muito importante. Quando não há, ou não se revelam problemas pessoais de relacionamento ou de pontos de vistas contraditórios, acirrados, o amor e a harmonia fluem normalmente, sentindo todos que a atmosfera é realmente de unidade e de compreensão, todos dispostos a consultar com total isenção de ânimos, imparcialmente, buscando sinceramente a melhor solução para o assunto em consulta. [21]
  22. 22. Osmar Mendes SEGUNDA CONDIÇÃO: VOLTAR-SE PARA DEUS, PEDINDO AUXÍLIO E INSPIRAÇÃO Deus significa fonte de inspiração superior. Mesmo as pessoas que não acreditam num Deus, creem nas forças da mente e em seus próprios poderes supra-conscientes. Há ainda os que creem em uma Força Cósmica Infinita – independente do conceito de Deus, que negam no sentido de um Deus pessoal – da qual provém a inspiração interna, principalmente para as criações artísticas, como a música, poesia, pintura. Para a finalidade da consulta, o importante é o aspecto prático dessa atitude de dependência de “algo superior à própria pessoa”, ao qual recorre para receber a inspiração devida, criativa, oportuna, eficaz. A própria mente tem formas misteriosas de criar, que a maioria das pessoas já experimentou e que chamam de inspirações do sub-consciente ou do “eu superior”. Não importa o que a pessoa julgue ser a fonte de sua inspiração. Necessária é a atitude de superação de suas próprias limitações e a busca de uma “luz espiritual”, algo superior a si mesma, o impulso interno que leva àquele “click” mental ou inspiração que sempre ocorre quando se tem uma boa ideia. O reconhecimento de suas próprias limitações e a entrega de si mesmo, com humildade intelectual, de forma sincera e confiante, para receber ajuda de uma fonte superior, são fatores vitais para se ter boas ideias, que irão colaborar de forma criativa e eficaz no processo de consulta. Um esclarecimento, no entanto, deve ser ressaltado. Há o perigo da pessoa julgar ser a sua inspiração a única verídica, correta, e a melhor de todas as ideias apresentadas na consulta, passando, por esta convicção que tem, a insistir demasiadamente em seu ponto de vista. Geralmente, com a consulta em grupo, cria-se um espírito coletivo de pensamento e dificilmente uma ideia é aprovada cem por cento como é formulada pelo seu idealizador. As contribuições de outros participantes normalmente enriquecem, completam, ampliam, aperfeiçoam a ideia original. É uma experiência maravilhosa a consulta criativa, com humildade de todos, sinceridade, franqueza e mente aberta. O coordenador deve estar sempre atento para tornar a consulta um fruto da contribuição de todos. [22]
  23. 23. Consultar para Melhor Decidir TERCEIRA CONDIÇÃO: COMO MELHOR EXPRESSAR OS PONTOS DE VISTA Aqui estão as regras finais de todo o processo. Sempre que alguém for expressar suas ideias, ou defender seus pontos de vista, em qualquer estágio da consulta, deve fazê-lo com: • CORTESIA, • DIGNIDADE, • CAUTELA, • MODERAÇÃO, • ATITUDE DEVOCIONAL O ato de se expressar, durante uma consulta, deve ser considerado como uma comunhão de ideias, um intercâmbio de pensamentos e experiências, uma forma de ser útil a um ideal – algo realmente dignificante. Com tal atitude mental, mais fácil se torna expressar-se com: • cortesia – a forma respeitosa de se dirigir ao próximo, • dignidade – a seriedade que deve ser dada a todos os assuntos, • cautela – o cuidado que se deve ter para não ferir ninguém com palavras ásperas ou com atitudes depreciativas ou acintosas, • moderação – o reconhecimento de que sua contribuição é apenas uma dentre outras, e nunca a única mais importante, mais sábia, mais correta. • a atitude devocional significa reverência e humildade, respeito e seriedade para com os assuntos tratados e, em particular, para com a “fonte de sua inspiração divina”, qualquer que ela seja. [23]
  24. 24. Osmar Mendes ACEITAÇÃO DA DECISÃO DO GRUPO É o corolário da consulta, mesmo que a decisão final não tenha sido por unanimidade. Todos os participantes, quando se encerra a reunião, são co-participes de todas as decisões tomadas, mesmo que não tenham votado favoravelmente à moção aprovada. A decisão final é a expressão da vontade do grupo como um todo, omitindo-se definitivamente qualquer referência à pessoa que teve a ideia inicial ou o autor da moção aprovada. Todos devem acatar e defender como se fosse sua própria a ideia final do grupo. É a prova final da unidade do grupa e da solidariedade das partes com relação ao todo. Ninguém deve vangloriar-se de ter sido o autor da ideia ou criticar o grupo por não ter aprovado a sua ideia. Isso não é uma forma de totalitarismo? É a pergunta que qualquer pessoa pode fazer, diante do que acima foi dito. Pode achar também injusta tal forma de conceituação, pois a decisão aprovada pelo grupo pode não ser a MELHOR SOLUÇÃO, ou algum dos participantes pode pensar melhor, com mais calma, posteriormente, e achar que ele próprio deixou de contribuir devidamente para a consulta, ou porque se distraiu mentalmente, ou teve de sair da sala para ir ao banheiro ou atender a um telefonema. Julga ter uma ideia melhor, agora, ou que o grupo esqueceu-se de um ponto muito importante na consulta. O processo prevê solução para isso também. Qualquer pessoa pode pedir reconsideração da moção em uma reunião posterior do grupo, mas deverá apresentar argumentos que provem haver FATOS NOVOS que justifiquem reabrir o assunto. E uma outra pessoa do grupo deverá “secundar” tal moção de reabertura do assunto. Querer que o grupo volte a tratar do assunto apenas porque pessoalmente não gostou da decisão, ou porque não pode contribuir cem por cento como gostaria de tê-lo feito no momento da consulta, não são justificativas aceitáveis. Deve apresentar pelo menos um FATO NOVO, importante e pertinente à decisão final aprovada como moção. O assunto, se aprovado para reconsideração, entrará em consulta normal para tratar [24]
  25. 25. Consultar para Melhor Decidir apenas dos aspectos que o fato novo provocou. Dependendo da decisão, a reconsideração poderá vir a alterar a moção anteriormente aprovada. É evidente que muitas vezes a AÇÃO decorrente da moção já terá sido feita, ou estará em andamento quando da época da reconsideração da moção. Para evitar que isso ocorra, a pessoa que pede a reabertura do assunto deve procurar fazê-lo no mais curto espaço de tempo após tomar conhecimento da DECISÃO do grupo. Claro que somente com relação à decisão que julga precisa de reconsideração urgente. Conforme a urgência e a importância do assunto, uma reunião de emergência do grupo deve ser convocada. [25]
  26. 26. Osmar Mendes RESUMO Objetivos: 1 – A consulta é feita para levar a uma tomada de decisão grupal. 2 – A consulta é utilizada para uma finalidade bem definida. 3 – A consulta é de aplicação Universal. As 5 etapas práticas da consulta: 1- Concordar sobre os fatos 2 – Concordar sobre os princípios envolvidos 3 – Criatividade participativa integral 4 – Formulação da moção e votação respectiva para sua aprovação. 5 – Definição da ação a ser tomada Os requisitos básicos para os que consultam: 1 – Pureza de motivo 2 – Espírito radiante 3 – Desprendimento pessoal 4 – Humildade 5 – Paciência e resignação em dificuldades As condições essenciais ao bom êxito da consulta: 1a condição: - Amor e harmonia entre os participantes 2a condição: - Voltar-se para Deus, pedindo auxílio e inspiração 3a condição: - A forma de expressar seus pontos de vista: a. com cortesia b. dignidade c. cautela d. moderação e. atitude devocional f. não insistir para impor suas próprias ideias g. aceitar a decisão da maioria e defendê-la como se fosse sua própria. [26]
  27. 27. OSMAR MENDES (1927-2008) trabalhou durante 30 anos em publicidade e em comunicações, inicialmente em Curitiba, Paraná, sua terra natal, e posteriormente, em São Paulo e no Rio de Janeiro, sendo que só na agência internacional de publicidade, McCann-Erickson, trabalhou de 1959 a 1976. Como tradutor de inglês, traduziu inúmeras obras para o nosso idioma, publicadas pela Editora Bahá’í do Brasil. Aposentou-se em 1980 para se dedicar exclusivamente aos serviços da Comunidade Bahá’í, integrando por décadas o órgão máximo da Administração da Fé no Brasil, a Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Brasil. Estudioso profundo dos problemas sociais e da religião em geral, escolheu a Fé Bahá’í como seu caminho espiritual, encontrando nos ensinamentos bahá’ís a solução para seus problemas pessoais e a base, o conhecimento, as instituições e as ações práticas para a melhoria do relacionamento humano, em paz e fraternidade, bem como do progresso e cooperação, em amor e unidade, para a humanidade como um todo. Osmar Mendes foi também o editor do jornal BAHÁ’Í BRASIL, órgão noticioso oficial da comunidade bahá’í brasileira. www.editorabahaibrasil.com.br ISBN 978-8532001993 9 788532 001993

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