Massareto 101 c

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Massareto 101 c

  1. 1. 1 Seja uma pessoa mais criativa
  2. 2. Outras obras do autor: Livros Potencializando a sua Criatividade? HAN? Guia Rápido e Prático para Falar em Público Criatividade e Inovação - Gerando Ideias de Sucesso para a sua Empresa DVDs Endomarketing Criatividade: 1 clipe, 10 minutos, 100 ideias
  3. 3. Humberto Emílio Massareto 1ª edição São Paulo K01 Capital Intelectual 2014
  4. 4. Massareto, Humberto Emílio Seja uma pessoa mais criativa [livro eletrônico] : criatividade : inovação : desenvolvimento pessoal : desenvolvimento profissional : / Humberto Emílio Massareto. - - Jundiaí : K01 Capital Intelectual, 2014. 3278 Kb ; PDF Bibliografia. ISBN 978-85-67956-00-8 1. Criatividade 2. Inovação 3. Desenvolvimento pessoal 4. Desenvolvimento profissional I. Título
  5. 5. Clarinha, luz da minha vida inteira. Antes. Agora. Amanhã.
  6. 6. Índice Introdução ................................................................................ 11 Parte 1 - Afinal, o que é Criatividade? ....................................... 15 1. O Segredo da Criatividade ......................................................... 18 2. Uma muito breve e incompleta história da Criatividade ........... 25 3. Importância da Criatividade ...................................................... 29 4. Mitos da Criatividade ................................................................ 31 5. Pessoas Criativas, Equipes Criativas, Organização Criativa ........ 37 6. Muito Prazer, seu Cérebro......................................................... 40 7. Uma pessoa mais criativa a cada dia ......................................... 44 Parte 2 - O Processo Criativo ..................................................... 47 1. Divergência ou etapa do Pensamento Divergente .................... 49 2. Convergência ou etapa do Pensamento Convergente............... 51 3. Ideias valiosas em Quantidade e Qualidade.............................. 53 Parte 3 - Ferramentas da Criatividade para Geração de Ideias ... 56 1. Brainstorming ou Tempestade de Ideias ................................... 57 2. MindMapping ou Mapa Mental ................................................ 71 3. SCAMPER ou SACUDIR .............................................................. 77 4. Matriz Morfológica ou Conexões Inusuais ................................ 86 Parte 4 - Ferramentas da Criatividade para Seleção de Ideias .... 90 1. Voto .......................................................................................... 91 2. NUV- Novidade, Utilidade, Viabilidade .................................... 93 3. Matriz de Comparação Par a Par .............................................. 94 4. Os 6 Chapéus Pensantes........................................................... 97 Conclusão? Não, Provocação! ................................................. 100 Apêndice................................................................................. 102 O Autor ................................................................................... 109
  7. 7. 10 Seja uma pessoa mais criativa
  8. 8. 11 Seja uma pessoa mais criativa Introdução “A Criatividade é um ingrediente indispensável para a Inovação, mas a Criatividade por si não garante a Inovação” Humberto E. Massareto Olá! Que cara de sorte eu sou, você comprou ou ganhou esse livro onde juntei um pouco de minha experiência de algum tempo estudando, prati- cando e falando sobre Criatividade para pessoas com todo o tipo de inte- resse e em diferentes áreas de atuação, em muitos lugares no Brasil e uns poucos fora dele. Minha sorte consiste em eu ter mais uma oportunidade de compartilhar o que aprendi ao longo do tempo. E se você chegou até aqui, eu tenho um ou dois parágrafos para conven- cer você a ir até o final do livro, ou pelo menos prosseguir por mais algu- mas páginas. Escrevi esse livro com dois principais objetivos: 1. Propor uma discussão e reflexão sobre o mito da criatividade como dom divino, e; 2. Apresentar técnicas da criatividade utilizadas por empresas de todo porte, atuando em diferentes segmentos do mercado, em nível nacional ou internacional, atendendo a todo o tipo de público e clientes. São técnicas para você aplicar imediatamente, com a fi- nalidade de gerar uma quantidade maior de ideias para seus desa- fios pessoais ou profissionais, e de selecioná-las com foco na qua- lidade. Se eu tivesse só uma oportunidade, só um objetivo dos dois acima para atacar, seria a discussão sobre o mito da criatividade como dom divino. Em minha opinião essa é a crença que mais oprime a expressão criativa de qualquer pessoa: acreditar que somente alguns eleitos têm o direito à criatividade, como um privilégio especial. Não é assim. A criatividade é uma habilidade, e como tal pode ser treinada, desenvolvi- da, melhorada, explorada e aplicada constantemente. E como qualquer outra habilidade, melhora com a prática. Porque então algumas pessoas sentem-se nada ou pouco criativas?
  9. 9. 12 Seja uma pessoa mais criativa Para estas pessoas eu pergunto: como era sua vida na escola, quando você tinha cinco ou seis anos de idade? Você apenas se sentava na cadeirinha e esperava pelas instruções da professora ou estava entre as demais crian- ças, desenhando no papel, rabiscando as paredes, mexendo com massinha de modelar, esquecendo os tênis e meias pelo caminho? Se você quer ver alguém em plena atividade criativa, sem bloqueios, ob- serve uma criança de até 5 anos de idade brincando, sozinha ou em gru- po. Veja como ela supera de forma criativa, simples, inusitada cada desa- fio que enfrenta, sempre com bom humor. Algo comum é vermos pais e mães à busca de uma maneira de gerenciar, por exemplo, os lápis de cor em casa, especialmente quando a criança aprender as primeiras letras. Tudo vira suporte para desenhar e escrever: livros, revistas, paredes, portas, telas de TV e computador, tudo. Calma! As paredes a gente lava ou pinta, mas infância eles terão apenas uma. O que fazer nessas horas? Bem, tenho as sugestões de como lidei com isso com meus dois filhos, e confesso que funcionaram bem: 1. Evite gritar, isso será apenas mais um bloqueio, no meio de inúmeros a que cada pessoa é exposta ao longo da vida; 2. Crie limites. Ah, esses limites dificilmente serão respeitados, as crianças estarão em pleno ato criativo. Antes de qualquer outra providência, respire fundo e volte à sugestão 1; 3. Crie espaços exclusivamente dedicados a essa expressão artística. Co- memore, vibre, compartilhe, escreva e pinte junto, e esse vai se tornar o espaço de vocês se divertirem na parede; 4. O dia em que essa produção rarear, por volta de 6 ou 7 anos, lave ou pinte as paredes; 5. Opa, ia esquecendo, antes de lavar ou pintar as paredes, fotografe e guarde como recordação. Seus filhos vão agradecer por essa linda lem- brança da infância. O educador britânico Ken Robinson, autor de livros e palestras sobre edu- cação e criatividade, proferiu uma memorável no TED, disponível em seu site “Como a escola mata a criatividade”. Ele conta a história de como a bailarina Gillian Lynne poderia ter tido seu talento reprimido, na década de 1930 na escola, não fosse a percepção do médico a que sua mãe a levou na época. http://www.ted.com/talks/ken_robinson_says_schools_kill_creativity Robinson afirma que entramos na escola com muitos lápis de cor, pode-
  10. 10. 13 Seja uma pessoa mais criativa mos nos sentar no chão, tirar os tênis e meias, rabiscar, pintar fora dos contornos, e mesmo assim ganhamos estrelas ao final do dia. À medida que passamos de ano e progredimos nas séries na escola, as regras tor- nam-se mais rígidas; temos de nos sentar em carteiras, não podemos mais usar os lápis de cor tantas vezes quanto gostaríamos e, sim, devemos pin- tar dentro do contorno dos desenhos. A criatividade que era expressa de corpo inteiro, agora se manifesta ape- nas da cintura para cima, pois estamos sentados. Nessa posição permane- cemos por mais de uma década, com cada vez mais regras, ou seja, a criatividade passa a manifestar-se apenas do pescoço para cima, até que, finalmente, utilizando apenas os recursos da lógica, do cotidiano, da roti- na, nossa criatividade pode se manifestar apenas em um lado da cabeça, o esquerdo. Claro que essa não é uma regra, mas ela é bastante difundida e aplicada. Em geral a escola tem o papel de ensinar, a partir de modelos que visam atender à média de habilidades e competências dos estudantes. Sempre que tenho espaço, recomendo e insisto: mães e pais, facilitem em casa e nas atividades de fim de semana o espaço para a expressão criativa de seus filhos e filhas. A escola pode até criar ambientes favoráveis e ofere- cer experiências que incentivam a criatividade, mas seria exceção. Se dispomos de cada vez menos espaço para expressarmos nossa criatividade, tenderemos a acreditar também que não somos pessoas cri- ativas, porque fica cada dia mais distante a percepção de como era agir criativamente. Experimente um exercício muito simples para comprovar: pegue uma folha de papel e uma caneta ou lápis e desenhe uma casa nessa folha. Clique aqui e compare com o seu desenho. Sua casinha também tem cha- miné, mesmo que moremos num país tropical? Ela tem a árvore e você desenhou ou teve vontade de desenhar um sol sorrindo? Se sim, é porque essa foi a última casa que você desenhou, e ela saiu exatamente como sua memória recuperou. Com a criatividade acontece a mesma coisa, se fazemos um exercício cons- tante de nossa criatividade, ela se expressará espontaneamente quando for preciso, na vida pessoal ou profissional. Se você deseja desenhar casas mais arrojadas, modernas, com mais deta- lhes, de modos diferentes, com perspectivas inusitadas, pratique. E faça o mesmo com sua criatividade. Nesse livro eu recomendo alguns exercícios para ativar a sua criatividade
  11. 11. 14 Seja uma pessoa mais criativa todos os dias. Além de divertidos, eles serão bastante úteis no momento em que você tiver de usar seu potencial criativo para o segundo objetivo desse livro: gerar ideias em seu ambiente de trabalho, em quaisquer dos papéis: profissional a serviço da empresa ou empreendedor. Como eu disse, são técnicas utilizadas por grandes, médias e pequenas empresas em todo o mundo, e o que é melhor, você não terá de investir nada mais que seu tempo e o tempo dos profissionais de sua empresa, e algumas folhas de papel e canetas ou lápis, para começar imediatamente sua jornada criativa profissional, no caminho das ideias inovadoras. Voltar para o texto
  12. 12. 15 Seja uma pessoa mais criativa Parte 1 Afinal, o que é Criatividade? “Criatividade é 1% de inspiração e 99% de transpiração” Thomas Edison Criatividade, dom divino ou habilidade? Em aulas ou workshops eu tenho um exercício específico para que as pes- soas possam refletir sobre essa questão provocadora, mas proponho o exercício depois de as pessoas responderem à pergunta acima; depois de se apontarem como criativas, não-criativas, ou mais-ou-menos criativas; e por fim, depois de atribuírem uma nota para sua criatividade pessoal, com a nota variando de Zero a Dez, valendo as notas intermediárias. Tenho muita curiosidade, e na maioria das vezes questiono, sobre que tipo de criatividade as pessoas avaliam, a pessoal, a profissional; a dos finais de semana com a família, ou da sexta à noite no barzinho com ami- gos; nas posições horizontal ou vertical etc. Como você avalia seu potencial criativo? E com qual critério você avalia? Você tem duas opções: 1. Responder em até 3 minutos para responder as questões abaixo I. A criatividade é um dom divino ou uma habilidade humana? ( ) Dom Divino ( ) Habilidade Humana II. Eu sou uma pessoa criativa? ( ) Sim ( ) Não ( ) Mais ou menos ( ) Depende ( ) Às vezes III. Qual a nota da minha criatividade? (De Zero a Dez) _______ 2. Clicar aqui e ir direto para a resposta. Você decide! Ninguém tem como saber qual foi a sua decisão pessoal.
  13. 13. 16 Seja uma pessoa mais criativa OK, você chegou até as respos- tas. Eu vou confessar que mes- mo sem conhecer você pessoal- mente, ou tendo conhecido em algum evento, mas não tendo oportunidade de uma convivên- cia maior, sei as respostas para as questões II. e III. E eu sei das questões a seu respeito, apenas porque com o tempo, descobri a resposta da questão I. I. Criatividade, dom ou habilida- de? Habilidade, que como tal, pode ser treinada, praticada e melho- rada com o tempo II. Você é uma pessoa criativa? ( X ) Sim. Todas as pessoas são criativas e você faz parte do grupo, bem-vindo de volta! A mais utilizada definição de criatividade é a arte de solucionar problemas. E você solucionou muitos deles ao longo de sua vida, logo, por dedução lógica, você é sim uma pessoa criativa. III. Qual a nota da sua criatividade? 10. Ora se você solucionou seus problemas, você foi adiante do obstá- culo além do desafio, nada mais justo que a nota mais alta. Porque então você não se vê como uma pessoa criativa? Pelo mesmo motivo pelo qual Sherlock Holmes responderia para você, como responderia ao seu assistente Watson: “Elementar!”. Assim como para Holmes solucionar um caso era algo trivial, ele controlava o raciocí- nio lógico de maneira a encadear as variáveis e chegar á solução, você faz isso todos os dias, mas por pensar que é “tão simples”, então não se clas- sifica como uma pessoa criativa, ou então diz ser mais ou menos criativa. Nós nos comparamos também a grandes mestres, grandes artistas, gran- des descobridores e inventores, e então pensamos, “não fiz nada grandio- so, como posso ousar me classificar como uma pessoa criativa?” A conta não é essa. Criatividade é um processo, e as pessoas que você eventual-
  14. 14. 17 Seja uma pessoa mais criativa mente aponte não trabalham ou não trabalharam sozinhas para atingir seus resultados. É como numa corrida de Fórmula 1, vemos o piloto cam- peão, em uma equipe que conta com centenas de pessoas, cada uma de- las com uma função específica para que a máquina como um todo atinja seus resultados e metas. Os argumentos acerca de que todas as pessoas são criativas e que a nota é 10, não são meus, mas de especialistas no tema, a partir de estudos e pesquisas. Vou pedir algo muito especial para você, somente siga adiante quando você estiver completamente de acordo com o fato de que é uma pessoa criativa.
  15. 15. 18 Seja uma pessoa mais criativa Capítulo 1 O Segredo da Criatividade “Se eu tivesse uma hora para resolver um problema e minha vida dependesse dessa solução, eu passaria 55 minutos definindo a pergunta certa a se fazer, porque quando eu definisse a pergunta corretamente, poderia resolver o problema em menos de cinco minutos” Albert Einstein “Afinal, qual é o segredo para a criatividade?” Essa é a segunda pergunta que eu mais ouço em minhas aulas, palestras ou workshops ao abordar o tema Criatividade. A primeira pergunta é “to- das as pessoas são mesmo criativas?” Essa é fácil: sim, todas as pessoas são criativas. Se você não fosse uma pessoa criativa, não teria chegado até aqui, e entenda aqui, como o estágio atual de sua vida. Algumas pessoas, mesmo depois de terem a comprovação por meio de exercícios e dinâmi- cas de que são criativas, ainda teimam em não admitir ou em não acredi- tar em seu potencial. Juntando as duas questões, posso assegurar que o primeiro e principal segredo para a criatividade ou a prática do pensamento criativo é acredi- tar ou lembrar que todos somos pessoas criativas. Ao aceitar esse fato, o passo seguinte é entender que a criatividade é um processo, dividido em duas principais etapas: divergência e convergência, apoia- das por um conjunto de procedi- mentos que favorecem criação das condições favoráveis para a gera- ção de ideias. Por conta própria eu separo essa abordagem em duas partes: a de- finição da situação (Problema ou Desafio, mas tratarei por problema daqui em diante) e a postura de cada pessoa diante dessa situação. Responder criativamente a uma si- tuação, passa por transformar esse
  16. 16. 19 Seja uma pessoa mais criativa problema em um bom problema. Um bom problema não é uma categoria específica de problema, mas a forma que ele assume após uma elabora- ção bem feita de seu enunciado. Em seguida transforme esse bom proble- ma em um desafio provocador, a fim de evitar o desperdício de energia gerando ideias para um desafio mal formulado. Uma boa maneira para transformar seu problema em um desafio provo- cador é escrevê-lo no centro de uma folha em branco para em seguida questioná-lo, anotando suas impressões: Por que isso é um problema? O que causa esse problema? O que há por detrás desse problema? O que mais está relacionado ou associado a esse problema? E outros questionamentos possíveis Ideias criativas originadas para um desafio provocador representam solu- ções para problemas potenciais, nem sempre diretamente relacionadas ao problema que resolveram, por exemplo quando Einstein desenvolveu sua teoria da relatividade, buscava resolver a discrepância entre eletromagnetismo e física; Picasso, quando pintava seus quadros cubistas, na verdade buscava uma resposta para a representação tridimensional no espaço bidimensional em suas telas. Um desafio provocador pode come- çar com: De que forma nós...? Como poderíamos...? Que tipos de...? Um exemplo clássico da maneira de elaborar um desafio provocador a partir de um problema é o da profissional que passeando em um Shopping Center vê um lindo vestido exposto em uma loja. O vestido custa R$ 5.000,00 e ela entende que o vestido é perfeito para impressionar e prospectar clientes em uma festa para a qual foi convidada. Ela não dis- põe do dinheiro e então define o problema: “como posso levantar R$ 5.000,00 para comprar o vestido, em seguida tem várias - e boas - ideias. Na verdade, o problema dessa mulher tem nada a ver com a compra do vestido; seu problema é como desenvolver novos negócios. Um vestido especial pode até ajudar, mas é apenas uma das maneiras para atingir seu objetivo. Há muitas outras maneiras, sem dúvida, e a maioria delas não necessita de um investimento de R$ 5.000,00. O desafio provocador aqui é: “de que forma eu posso conquistar novos
  17. 17. 20 Seja uma pessoa mais criativa clientes?” ou “como eu posso gerar mais negócios para a empresa?” As respostas para esses desafios são bastante diferentes daquelas que colo- cam a compra do vestido como o problema a ser abordado: Oferecer novos produtos aos clientes já existentes Rever a tabela de preços Buscar parcerias estratégicas Ao longo de nossas vidas recebemos uma imensa quantidade de informa- ções na forma de estímulos sensoriais, que vão compor nossa biblioteca pessoal de referências, nosso repertório. No momento em que nos solici- tam uma resposta criativa diante de um problema ou desafio, a combina- ção dessas informações pode gerar uma gama de possibilidades de res- postas, mas mesmo assim muita gente afirma “eu não sou uma pessoa criativa”. Muitas são as razões que fazem com que alguém pense assim, em especial os bloqueios de toda ordem, como o receio de ser julgado, não querer errar, não sentir segurança, entre outros. Bloqueios constitu- em a maior barreira para que as ideias ganhem forma. Quantas vezes deixamos de expor uma ideia por receio de classificarem- na como uma ideia menor, uma ideia sem valor? George Lucas já afirmou que há muitas pessoas que sonham todos os dias em salvar o mundo empunhando um sabre de luz, e acabam perdendo a grande chance de salvar uma única pessoa fazendo um gesto menor em extensão, porem vital em abrangência. O judaísmo ensina: “quem salva uma vida, salva a humanidade”. Não é necessário ter uma grande ideia todos os dias, basta uma única que salve ou modifique o mundo de alguém. Já teve a sua hoje? Ou vai ficar aí sentado de braços cruzados reclamando que não é uma pessoa criativa? Você vai continuar acreditando que alguém vai enfrentar você perguntando: quem você pensa que é para ter uma boa ideia? Você pensa que somente artistas, pessoas famosas ou importantes é que po- dem ter boas ideias? Questionar e refletir, fazem parte do segredo da criatividade. A crítica simples, a crítica construtiva ou a autocrítica são outras barreiras à criatividade. A crítica até pode ser bem-vinda, mas na fase final do pro- cesso, no momento de convergir, de julgar, de classificar uma ideia, não antes. No início do processo a crítica, mesmo disfarçada de crítica cons- trutiva, tem apenas a função de inibir a geração de ideias, quando na ver- dade o momento é de divergir, de gerar ideias transgressoras, ideias sel- vagens. Eu já repeti algumas centenas de vezes em aulas e palestras que as pri-
  18. 18. 21 Seja uma pessoa mais criativa meiras respostas dadas por diferentes pessoas para um mesmo problema tendem a ser muito parecidas e previsíveis, pois trata-se do momento do aquecimento. À medida que novas ideias vão surgindo, especialmente durante uma seção de brainstorming (ou toró de palpites, técnica de gera- ção de ideias explicada mais adiante), o estímulo para aquelas ideias que sejam inusitadas ou originais é mais intenso. Em um ambiente onde existe crítica essa possibilidade é reduzida. Medo de errar, receio de ser criticado, falta de confiança no próprio po- tencial criativo são alguns dos comportamentos a evitar para acessar e explorar sua própria criatividade. Há também crenças arraigadas que im- pedem a expressão mais elaborada da criatividade. Uma dessas crenças é a de que especialistas têm as melhores respostas. Eu acredito que os es- pecialistas conhecem muito o assunto e têm algumas respostas de especi- alistas, mas para abordar uma situação de um modo novo, é sempre bom contar com uma visão também diferenciada, alguém que olhe de fora. Reunir uma equipe de especialistas de marketing para gerar ideias para o lançamento de um produto talvez resulte em ideias previsíveis. O risco de ter um ponto de vista ou abordagem a partir do ponto de vista de uma equipe homogênea é uma ideia na média, isto é, medíocre. Note que em
  19. 19. 22 Seja uma pessoa mais criativa escrevi talvez, pois nada impede que um profissional dessa categoria (ou outra) desenvolva sua habilidade de olhar de fora uma determinada situ- ação. A heterogeneidade, ou diversidade, para usar a palavra da moda, promo- ve visões únicas, diferenciadas, pontos de vista singulares. Na minha opi- nião, esse tipo de visão é bastante bem-vindo na fase de divergência do processo criativo, no momento em que ideias são lançadas, sem a preocu- pação com a crítica ou o julgamento, promovendo novas ideias ou abor- dagens. Explorada essa fase, aí sim a experiência dos especialistas contri- bui para selecionar e julgar as ideias propostas. Participei como convidado de uma seção de dinâmica divergente, o brainstorming, em que o seu condutor parou o processo diante de uma ideia muito interessante, ou pelo menos assim parecia, suspendendo a continuação da dinâmica e passando por cima da etapa de convergência, implantando imediatamente a ideia. Uma boa ideia não é um fim em si, até ter sido amplamente discutida, estudada e explorada. Há ainda crenças de que o nosso cérebro responde bem a estímulos quí- micos, o que é verdade até certo ponto. Três categorias de combustíveis, sólido, líquido e gasoso realmente otimizam a maneira como os neurônios funcionam durante as sinapses que o cérebro realiza, são eles respectiva- mente açúcar, água e oxigênio. Sacarose, glicose e frutose são os tipos de açúcar mais conhecidos; a água nós ingerimos pura ou misturada em vári- os tipos de bebidas, mas dê preferência à água pura, em temperatura ambiente; finalmente o oxigênio, as melhores maneiras de oxigenar o cé- rebro são os exercícios físicos, ioga e, claro, o bom o humor, pois sempre que rimos enviamos uma quantidade maior de oxigênio para o cérebro. Quando eu digo até certo ponto, lá no início do parágrafo, me refiro àque- le tipo de pensamento herdado da década de 1960, quando algumas pes- soas utilizavam alguns tipos de drogas, que supostamente liberavam o potencial criativo do cérebro. As drogas realmente alteram o funciona- mento tanto do cérebro quanto do nosso corpo em geral, e quem olha de fora para uma pessoa que utiliza algum tipo de droga para ficar mais cria- tiva, vê apenas uma pessoa que usou droga. Do ponto de vista da criatividade, não existe qualquer tipo de comprovação científica de que de fato funcione. Me arrisco a pensar que você não é aquele tipo de pessoa que acredita que em time que está ganhando não se mexe, certo? Para essas pessoas eu gosto de lembrar de um time que foi participar de um torneio e já chegou pretensamente campeão, foi a seleção brasileira de futebol na
  20. 20. 23 Seja uma pessoa mais criativa copa do mundo da Alemanha em 2006. Todos sabem o que aconteceu. Nenhuma pessoa é mais (ou menos) criativa que outra, a priori, a ponto de merecer dormir sobre as glórias de uma grande ideia que teve no pas- sado, assim como não há nada que não possa ser de alguma forma altera- do para melhor. Nada é definitivo, exceto que mudanças sempre vai ha- ver, assim como a necessidade de renovação contínua e constante. Se pensar de outra forma, vai olhar para as situações, problemas ou desa- fios e ver o que todo mundo vê, e corre o risco de conformar-se, algo como “se não está quebrado, não precisa ser arrumado”. Isso é um enga- no até certo ponto leviano, pois se até mesmo a roda pode ser reinventada ou reinterpretada, talvez não exista nada mesmo que não mereça igual tratamento. Em algumas de minhas aulas, gosto de propor a reflexão de porque as pessoas têm mesmo que ficar esperando sem fazer nada em salas de es- pera. Não haveria nada melhor ou mais útil a fazer? Nenhuma outra for- ma de fazer passar o tempo em ambientes desse tipo? Que tal um espaço para experiências para um uso mais adequado do tempo, dando sentido à vida, à existência, durante as horas que desperdiçamos nestes espaços? Em que outros momentos, espaços ou situações as interações não podem 23
  21. 21. 24 Seja uma pessoa mais criativa ser, de alguma maneira, modificadas, alteradas, melhoradas? Só isso já é um exercício de observação da realidade extremamente útil para o cére- bro, e rende dividendos de pensamento criativo da maior qualidade. Pra- tique em todos os lugares em que estiver, observando ao seu redor. Finalmente, minha última observação que completa o segredo da criatividade, leia tudo e anote tudo. A leitura amplia seu repertório de informações o potencializa de modo exponencial as possibilidades de no- vas combinações, a partir dessas informações, ou seja, quanto mais infor- mações, proporcionalmente mais combinações possíveis e originais de respostas você poderá oferecer para problemas ou desafios que atacar. E a fim de recuperar informações, especialmente as mais recentes, as que ainda não foram incorporadas ao seu repertório de modo definitivo, ano- te tudo. Não confie na memória, pois ela já tem uma quantidade grande de informações para registrar e você corre o risco de ela deixar algo im- portante de lado. Tenha sempre com você uma agenda, caderno ou bloco que possa carregar na mão, na bolsa ou no bolso, e também caneta ou lápis para tomar nota de ideias ou impressões no instante em que ocor- rem, e isso pode acontecer a qualquer momento, em qualquer situação. Portanto, radar ligado!
  22. 22. 25 Seja uma pessoa mais criativa Capítulo 2 Uma muito breve e incompleta história da Criatividade “Toda criança é artista. O problema é continuar a ser artista enquanto você cresce” Pablo Picasso De modo muito superficial, é possível supor que a criatividade foi desde sempre uma habilidade da raça humana, se considerarmos a criatividade como a arte de solucionar problemas. Minha avó paterna, Angelina Nardi Massaretto, viva e com 101 anos até o dia em que escrevi esse livro, dizia para nós, seus netos, nos passeios na praia na minha infância: quando a água bate numa certa parte da anatomia, aprendemos a nadar. Não explicitei a parte da anatomia por pudor, mas porque, aprendi ainda com ela, essa parte mudava quanto mais o tempo passava, essa parte movia-se mais para o alto ou mais para baixo. Gosto de como os engenheiros abordam problemas: todo problema tem pelo menos uma resposta; se para uma situação não houver uma respos- ta, ela não representa um problema. Engenheiros buscam a solução de problemas e são contratados por suas aptidões em resolver problemas
  23. 23. 26 Seja uma pessoa mais criativa Não há nenhuma técnica específica para solucionar problemas, e a forma mais eficiente para solucionar problemas, é resolvendo-os. Problemas são resolvidos por pessoas já que os computadores são apenas ferramentas. Muitas vezes um problema representa apenas uma situação onde ainda não foi encontrada uma solução óbvia. Alguns tipos de problemas com os quais você pode se defrontar: - Problemas de pesquisa: comprovação de uma hipótese - Problemas de conhecimento: quando você se depara com uma situação que não entende - Problemas de defeitos: quando equipamentos se comportam de forma inesperada - Problemas matemáticos: descrever um fenômeno físico através de mo- delos matemáticos - Problemas de recursos: encontrados no mundo real. Tempo, dinheiro, pessoal, equipamentos - Problemas sociais: escassez de mão-de-obra por falta de escolaridade. - Problemas de projeto: como levar um projeto adiante com os recursos e conhecimentos disponíveis; exige criatividade, trabalho em equipe e am- plo conhecimento Note que alguns dos problemas que a raça humana solucionou ao longo de sua história, para chegarmos ao nosso estágio atual de desenvolvimen- to, dependeram do conhecimento e uso de algumas técnicas. Desde o início na Grécia antiga, temos uma controvérsia nesta abordagem. A pala- vra grega para a arte é tecnhe que significa literalmente, “a fabricação de coisas de acordo com as regras.” Pronto! Regras de novo! A teoria da época pregava que uma vez que a natureza é perfeita e opera de acordo com suas próprias leis, quando o homem interferir, deverá fazê- lo de acordo com as regras de uma estrutura ordenada. É curioso obser- var como essa crença era tão oposta à dos Puritanos fundadores dos Esta- dos Unidos, que viam a natureza como má, desordenada e indomável. Veja a definição para a palavra Latina creatio: “aquilo que é criado a partir do nada “, uma visão sob a luz da Igreja Medieval Cristã, época em que os seres humanos não eram vistos como capazes de creatio, uma atribuição divina, ao mesmo tempo em que se faz uma distinção entre o poder cria- tivo de Deus e o do homem, uma batalha semântica até os dias de hoje. Há ainda a inspiração, aquela centelha que acende o fogo da nossa imagi- nação e nos impressiona e estimula a necessidade de criar. Inspirare vem
  24. 24. 27 Seja uma pessoa mais criativa do latim e significa “influência direta de Deus”. Subjacentemente significa “inflamar”. Literalmente ainda é a junção de “in” (dentro) e “spirare” (respirar), que tem relação estreita com “spiritus”, alma ou respiração. Assim, a repre- sentação é a da inspiração, ou inalação, para estimular a alma, impreg- nando o aspecto divino em nós para o ato criativo. Que tal agora você fechar os olhos, respirar profundamente pelo nariz e expelir o ar lenta- mente pela boca? É uma sensação muito agradável e, sim, estimulante para a criatividade. Lembre-se, oxigênio é um dos 3 principais combustí- veis para os nossos cérebros. Uma pitada de mitologia Lembra das musas da mitologia grega? Eram nove deusas vistas como a inspiração para a criação em todas as artes. A tradição no início de um poema épico era a invocação à sua Musa, um grito suplicante à doce inspi- ração para escrever com velocidade e facilidade. Aliás, quem não deseja- ria ter essa competência? Esse chamado é basicamente a oração do autor sobre o papel em que escreve, como forma de evitar ou contornar todo tipo de eventual blo- queio, até que conclua a sua obra. Vamos avançar um pouco na linha do tempo da criatividade, até Leonardo da Vinci, mestre criador extraordinário, que dizia “empregar formas que não existem na natureza”. O poeta GP Capriano dizia que seus “poemas vêm do nada”. À medida que o tempo avança, menor fica a distância entre a criatividade do homem e a de Deus. Então, finalmente, um polonês chamado Sarbiewski diz que sua poesia é criada a partir do nada “à maneira de Deus.” Ele expressa a vaidade huma- na ao declarar-se superior à natureza e igual a Deus em criatividade? Ou será que ele simplesmente tocou no ponto de comparação simbólica de sua própria capacidade de chamar as coisas como Deus fez, quando disse: “Haja luz, e hou- ve.” Os teólogos definem essa capacidade de cri- ar com a palavra, Logos. Logos é ambos, Deus e Palavra: “No princípio
  25. 25. 28 Seja uma pessoa mais criativa era o Verbo. E o Verbo estava com Deus. E o Verbo era Deus.” Não apenas no cristianismo Logos é visto como a s criatividade divina ou suprema. Em outros mitos da criação divina em várias religiões, há a men- ção ao poder da Palavra. Há uma frase em latim para isso: ex nihilo, que significa “a partir do nada.” Hmm. Onde já ouvimos isso antes? Além dis- so, não é estranho como ex nihilo soa semelhante a exalar ou expirar. Se a inspiração é respirar, então a criação consiste em expirar.
  26. 26. 29 Seja uma pessoa mais criativa Capítulo 3 Importância da Criatividade “Não tema a Perfeição. Você jamais irá atingí-la” Salvador Dali Responda rápido, qual a sua percepção sobre a importância da Criatividade? Pergunta difícil, não é mesmo? Seria melhor propor um con- texto, pessoal ou profissional, por exemplo. Então vamos começar com o profissional, especificamente porque a Criatividade é importante para as organizações? Uma das respostas pode- ria ser porque as empre- sas precisam de novas ideias, para agradar seus clientes. Perfeito e até fá- cil. Vamos adiante então. Porque as empresas preci- sam agradar seus clientes? Para garantir a satisfação destes e a natural fidelização. O que a em- presa ganha com a fidelização? O retorno do cliente. Sugiro um atalho: as empresas precisam ser criativas para garantir sua sobrevivência no mercado. A criatividade pode levar à inovação, então a empresa deve praticar a criatividade diariamente, vitaliciamente. Outras perspectivas da importância da criatividade: para garantir empregabilidade; para facilitar a resolução de problemas do dia-a-dia; para garantir o engajamento e o comprometimento de uma equipe em torno de um projeto, e nesse caso a criatividade ganha pitadas de lideran- ça; para que um artista possa vislumbrar abordagens inusitadas em seu trabalho etc. Eu arrisco dizer que a criatividade é a sua característica pessoal mais im- portante, aquela que distingue você, porque sendo pessoal e única, ela
  27. 27. 30 Seja uma pessoa mais criativa não pode ser simulada, copiada, reproduzida por qualquer outra pessoa, como, por exemplo, seu conhecimento técnico sobre um assunto especí- fico. A impressão de que criatividade é dependente de genialidade tirou muita gente criativa de cena. Criatividade tem muito mais em comum com a simplicidade. Gosto muito da definição de Charles Mingus que reforça essa ideia: “criatividade é mais do que apenas ser diferente; qualquer pessoa pode agir, pensar ou planejar de um modo estranho ou inusitado, único ou dife- rente; isso é fácil. O que é difícil é ser tão simples como Bach; fazer o simples, de uma maneira impressionantemente simples, isso é criatividade.” Se você olhar agora mesmo ao seu redor, independente de onde esteja vai ver no mínimo dez grandes e simples ideias, que ajudaram a moldar o mundo como o conhecemos. Comece a pensar agora mesmo em suges- tões de ideias simples e geniais, para manter sua empresa viva num cená- rio de muita competitividade.
  28. 28. 31 Seja uma pessoa mais criativa Capítulo 4 Mitos da Criatividade “A criatividade surge do conflito de ideias” Donatella Versace É muito comum gestores afirmarem que um de seus grandes desafios é o de promover a criatividade e a inovação junto à equipe de profissionais de suas empresas. Diante dessa missão, os questionamentos mais frequen- tes são: 1. Como promover a geração de ideias? 2. De onde vêm as ideias? 3. Qual o melhor procedimento para a geração de ideias? 4. Como estimular a criatividade em cada profissional da minha equi- pe? 5. Como romper com as barreiras à criatividade? Teresa Amabile, diretora da Unidade de Gestão Empresarial da Harvard Business School, estuda o tema Criatividade há mais de 30 anos e foi uma das primeiras pessoas a dedicar-se ao estudo da inovação nas empresas norte-americanas. Em 1996 Amabile levou sua investigação para um nível mais elevado, a fim de compreender os mecanismos da criatividade. Trabalhando com uma equipe composta por PHDs, estudantes de graduação e gestores de diver- sas companhias, ela reuniu aproximadamente 12.000 anotações diárias feitas por 238 profissionais diretamente envolvidos em projetos criativos em 7 grandes empresas, nas áreas de produtos de consumo, alta tecnologia e indústrias químicas. Ela não mencionou aos participantes que o objeto principal de seu estudo era a criatividade, apenas solicitou que enviassem e-mails diários, respondendo as questões que a equipe elaborou sobre como havia sido seu dia no trabalho, os aspectos do ambiente de trabalho e como havia sido cada experiência de cada novo dia. A equipe tabulou as respostas com destaque para os momentos que abordavam criatividade, de modo direto ou não, quando cada profissional deparava com um novo desafio ou gerasse uma nova ideia.
  29. 29. 32 Seja uma pessoa mais criativa Segundo Amabile a estratégia adotada e as perguntas elaboradas para esse e-mail diário foram concebidas de modo a permitir vislumbrar a criatividade em estado bruto. A intenção era rastrear cada cabeça de cada profissional da amostra, para compreender como as características de cada ambiente, assim como as de cada nova experiência interferiam na manei- ra de conduzir o processo criativo, a reflexão e as novas descobertas. A análise dos resultados desse estudo apontou para algumas crenças ou mitos que ainda hoje vigoram e persistem nos ambientes de trabalho nas empresas, e que se não forem compreendidos e superados podem preju- dicar os resultados que uma equipe pode oferecer. Os 6 mitos que esse estudo apresentou são: 1. Existe um tipo próprio de profissional que é criativo Se você perguntar para o diretor de uma empresa onde ele mais deseja ou espera que sua empresa seja cri- ativa, ele normalmente responderá: pesquisa, desenvolvimento e marketing, entre outros. Já se você perguntar onde ele não quer que a empresa seja criativa ele certamen- te responderá: na contabilidade. Há uma conotação negativa acerca de contabilidade criativa. E essa per- cepção, comum entre gestores, aca- ba por reforçar a convicção de que algumas pessoas ou profissionais têm permissão para ser criativos e ou- tros não. Isso não é verdade. Como gestor você não pretende sufocar o surgimento de ideias úteis, criativas e inovadoras em sua empresa, e isso vale, sem dúvida, para os profissionais da área financeira também. Como gestor atualizado, você conhece muitas inovações na área de con- tabilidade financeira, extremante positivas e úteis para as empresas. O fato é que qualquer pessoa com um nível de inteligência normal é capaz executar funções com relativo grau de criatividade. Criatividade depende de uma série de fatores, como experiência, conhecimento técnico, habili- dades, talento, capacidade de pensar em várias possibilidades, e a capaci- dade de oferecer respostas quando a situação é bastante árida e crítica. Nos últimos anos as empresas têm prestado muita atenção à criatividade
  30. 30. 33 Seja uma pessoa mais criativa e inovação, mas um número significativo de profissionais dessas mesmas empresas estão distantes de extrair o máximo de seu potencial criativo, em parte por trabalharem em ambientes não favoráveis à criatividade. 2. Recompensas em dinheiro estimulam a criatividade Uma pesquisa experimental fei- ta em criatividade apontou que dinheiro não é tudo (em que pese o fato de o cantor pernambucano Falcão afirmar que “dinheiro não é tudo, mas é 100%!”). Nos diários analisa- dos pela pesquisa conduzida por Teresa Amabile, diante da ques- tão “em que medida sua performance criativa foi motiva- da por algum tipo de recompen- sa?”, a maioria das respostas apontava “isso é irrelevante.” Muitas anotações vieram ainda acompanhadas da observação de que as pessoas da equipe mais preocu- padas com seus bônus eram as que menos contribuíam em termos de pensamento criativo. A recompensa sempre é bem-vinda, mas se uma empresa decide recom- pensar sempre por performance, pode criar um problema. Afinal, as pes- soas passam a acreditar que cada movimento vai afetar sua recompensa; numa situação desse tipo tende-se a evitar o risco. Naturalmente as pes- soas precisam sentir que receberam uma recompensa justa. No entanto pesquisas apontam que profissionais dão preferência a ambientes onde a criatividade é incentivada, valorizada e reconhecida. As pessoas buscam oportunidades de se envolver profundamente com seu trabalho e com as empresas onde atuam, a fim obter progressos reais. Por esse motivo é importante que gestores reconheçam os profissionais mais afinados com cada projeto da empresa, não levando em conta ape- nas a experiência, mas também seus interesses. As pessoas tendem a ser mais criativas quanto mais envolvidas estiverem com o seu trabalho e quanto mais avançam no desenvolvimento de suas competências. Desafios muito além de suas competências geram frustração; desafios
  31. 31. 34 Seja uma pessoa mais criativa aquém geram desinteresse. Gestores eficientes são capazes de identificar os pontos de equilíbrio. 3. A pressão do tempo é um bom combustível para a criatividade Há ainda quem acredite que as pessoas são mais criativas quanto maiorforapressãodotempoaque são submetidas. No dia a dia nas empresas o que se vê é exatamen- te o oposto: a criatividade diminui proporcionalmente à pressão a que se é submetido. Pior, a pres- são tem efeitos residuais por cer- ca de dois dias após essa pressão. Na verdade a pressão impede um envolvimento profundo entre pro- fissional e projeto. A criatividade requer um tempo para incubação, as pessoas precisam de tempo para mergulhar profundamente em um problema para que as ideias ganhem forma e subam à tona. Menos que o prazo final de um projeto, são as distrações durante um processo que interferem no desempenho de cada profissional. Você pode ser criativo e certamente será diante de alguém com uma arma apontada para sua cabeça exigindo que um prazo seja cumprido, mas você vai gerar respostas mais criativas e mais originais se puder dedicar um tempo com- patível com o nível de exigência do projeto. Apenas lembre-se que você não tem todo o tempo do mundo à sua disposição, então racionalize o uso do seu tempo. 4. O medo promove avanços significativos Há uma crença generalizada de que sob o impacto de determinadas emo- ções tornamo-nos pessoas mais criativas. Alguns estudos no campo da psicologia sugerem inclusive que a depressão potencializa a criatividade especialmente em escritores e artistas em geral. Alguns exemplos citados tratam realmente de gênios muito originais em sua maneira de pensar, mas o padrão não se reproduziu na amostra estudada pela professora Amabile. Outras emoções como medo, ansiedade, tristeza, raiva, alegria e amor,
  32. 32. 35 Seja uma pessoa mais criativa percebidas e anotadas em cada uma das 12.000 mensagens de- pois de tabuladas, leva- ram a outras percep- ções. Por exemplo, criatividade é positiva- mente associada a ale- gria e amor e negativa- mente associada a rai- va, medo e ansiedade. As pessoas em geral sentiram-se mais felizes quando percebiam que estavam no caminho de uma ideia criativa. O ciclo é virtuoso, ou seja, um dia feliz facilita o caminho para uma ideia criativa no dia seguinte. 5. Concorrência entre os profissionais é melhor que Colaboração Especialmente em empresas de alta tecnologia ou da área financeira, dis- seminou-se a crença de que a concorrência interna favorece a criatividade e a inovação. A pesquisa apontou para um caminho diferente; trabalhan- do em equipe - ou no mínimo em grupo - o espírito colaborativo favorece a troca de informações e de conheci- mento e o surgimento de ideias cria- tivas. Num ambiente de concorrência, pode haver uma predisposição para o não compartilhamento de informações. Esse tipo de comportamento compro- mete o resultado, uma vez que não existe uma única pessoa na empresa que detenha todas as informações e todo o conhecimento. 6. Uma empresa enxuta é uma em- presa mais criativa A tecnologia favoreceu um cenário de encolhimento dos quadros das em-
  33. 33. 36 Seja uma pessoa mais criativa presas ou em alguns casos de departamentos específicos, como linhas de montagemdeautomóveis,umexemplobastanteóbvio.Associadoaomedo – fator humano – a racionalização dos quadros tem sido percebida como elemento positivo para a geração de ideias e prática da criatividade. Em ambientes onde não fica claro quais são as diretrizes nesse campo ou pior, onde há muitos boatos sobre demissões, o ambiente tende a tornar- se canibal, ou autofágico, mas sempre extremamente pouco criativo. Um fato inegável é que a redução dos quadros de profissionais nas organi- zações é irreversível e contínua. Isso implica numa maior concentração do tempo dos gestores nas ações que favoreçam o sucesso. Dessa forma, co- municação e colaboração entre profissionais tendem a diminuir, o que levará os gestores a desenvolverem em suas empresas e departamentos ambientes com maior liberdade de ação e autonomia para decisões, pro- porcionalmente associadas à responsabilidade que cada uma envolve. Tra- balho duro e agilidade são pré-requisitos para cada profissional adequar- se a esse modelo, a fim de que ideias novas e originais sejam geradas. Este modelo requer profissionais inteligentes, flexíveis, originais, ágeis, antenados com a informação e fluentes. Quando as pessoas envolvem-se verdadeiramente em suas atividades profissionais, e quando o trabalho é valorizado e reconhecido, a criatividade surge de várias maneiras e sem- pre que necessário, mesmo que as condições sejam ou pareçam ser des- favoráveis.
  34. 34. 37 Seja uma pessoa mais criativa Capítulo 5 Pessoas Criativas, Equipes Criativas, Organização Criativa “A criatividade é uma droga, e eu não consigo viver sem ela” Cecil B DeMille Se entendermos que a criatividade é uma qualidade fundamental para que as empresas sobrevivam num cenário de muita competitividade, en- tão pessoas criativas são a matéria-prima indispensável para movimentar essa engrenagem. Outro ponto em que concordamos é que todas as pessoas são criativas, então você não precisa se preocupar, já tem na equipe as pessoas criati- vas de que necessita, certo? Sim, certo, mas elas estão agindo criativa- mente todos os dias, em todas as oportunidades ou quando é mais neces- sário? O ambiente em sua empresa facilita a expressão criativa dos profis- sionais? Quem é responsável por gerar, administrar, conduzir e implantar as novas ideias na organização? Mel Rhodes, em seu livro “An analysis of creativity”, de 1961, propôs os 4Ps ou as 4 dimensões da criatividade: Pessoa, Processo, Produto e Pres- são do Ambiente.
  35. 35. 38 Seja uma pessoa mais criativa 1. Dimensão Pessoa Segundo Rhodes, cada pessoa é única e resultado de suas crenças, valo- res, percepções, paradigmas e preconceitos. Essa combinação define uma pessoa, e a soma de seu repertório, mais a capacidade subjetiva comple- tam e compõem o repertório de cada um. A qualidade das soluções criati- vas que uma pessoa pode oferecer é proporcional à qualidade de seu re- pertório. Se há um investimento valioso que você pode e deve fazer e que garante dividendos de longo prazo, é sem dúvida em seu repertório. 2. Dimensão Processo O processo é a maneira ou caminho original como cada pessoa chega à solução de um problema. Este caminho tem 4 estágios: Preparação: exame do problema em todas as direções Incubação: tempo dedicado a pensar de modo não consciente no proble- ma, por exemplo, num passeio no shopping ou praticando um esporte Iluminação: quando surge a ideia brilhante Verificação: checagem da viabilidade da ideia e seu refinamento para im- plantação 3. Dimensão Produto Resultado final criativo de seu processo. Pode gerar soluções que combi- nam de diferentes maneiras os níveis de utilidade e de novidade. O foco para a implantação da solução dependerá de quanto a solução atende ao desafio proposto.
  36. 36. 39 Seja uma pessoa mais criativa 4. Dimensão Pressão Refere-se à pressão ambiente de todo tipo, interno e externo; pessoal e profissional, positivo e negativo, entre outros. Somos pessoas únicas e naturalmente sujeitas e dependentes da forma como as variáveis do am- biente se combinam e nos impactam. Se você entende como estas 4 dimensões fun- cionam e interagem entre si, sua habilida- de em formar uma equipe criativa, e es- pecialmente heterogênea se poten- cializa. Pessoas criativas, em ambientes que fa- voreçam a atuação criativa, vão compor equipes profissionais também criativas. Equipes criativas moldam uma empresa criativa. Esse é o caminho para o sucesso, e ele só depende da gestão da criatividade, que pode levar à inovação. Ambientes criativos não são, necessariamente a sede do Google, referên- cia sempre que se fala disso. Até porque se trata de uma visão parcial. Sim, existem lá quadras de vôlei de praia, piscinas, mesas de pebolim, dia de levar o cachorro, dia de levar doces, não existem postos fixos ou salas, mas você é cobrado por resultados, se eles não forem atingidos, pode ter certeza, o processo se adapta e expurga o excesso. O ambiente favorável pode até oferecer essas facilidades, mas o que ga- rante o ambiente criativo é desafio, motivação, incentivo, reconhecimen- to (não necessariamente financeiro) e projetos realizados, entre outros. Algumas mudanças no ambiente vão sim surtir efeito no curto e médio prazo, mas não se dedique exclusivamente a esse item, quando for tratar do ambiente criativo em sua organização. Como uma sugestão complementar, geralmente proponho às organiza- ções um olhar para a comunidade ao seu redor, a fim de descobrir formas de se integrar, por meio, principalmente da ação direta de seus profissio- nais, de modo espontâneo, nunca imposto. Não apenas a percepção da organização no contexto da comunidade torna-se significativamente po- sitiva, como a participação dos profissionais proporciona novas formas de olhar para o meio em que se insere. A comunidade também tem uma oportunidade de ser uma fonte de recursos criativos para a organização, na forma de ideias e de pessoas.
  37. 37. 40 Seja uma pessoa mais criativa Capítulo 6 Muito Prazer, seu Cérebro “Criatividade é contagiosa. Passe adiante!” Albert Einstein Sendo bastante óbvio e simplista, a primeira abordagem do cérebro diz respeito a sua hemisferialidade, ou seja, a divisão do cérebro em hemisfé- rios esquerdo e direito. No âmbito dessa simplicidade, o hemisfério esquerdo, que controla o lado direito de nosso corpo, e é responsável por toda atividade lógica, racional e rotineira em nosso cotidiano, como leitura, cálculo, locomoção de uma ponto a outro da cidade, tarefas rotineiras e repetitivas, como levantar- se, arrumar-se e dirigir-se ao trabalho. O hemisfério direito de nosso cérebro controla o lado esquerdo de nosso corpo, e é responsável por toda atividade associada à intuição, sensibili- dade e arte. Para ter uma ideia da diferença em termos de números, cerca de 98% da população mundial é composta por pessoas destras. É comum dizer que
  38. 38. 41 Seja uma pessoa mais criativa pessoas destras têm maior atividade no lado esquerdo do cérebro, assim como pessoas canhotas têm maior atividade no lado direito. Essa afirma- ção é relativa. Se considerarmos que tanto destros quanto canhotos exe- cutam mais atividades rotineiras, lógicas e repetitivas todos os dias, uma afirmação mais apropriada seria que todos temos maior atividade no he- misfério esquerdo de nossos cérebros, destros e canhotos, e que os ca- nhotos têm um pouquinho a mais de atividade no hemisfério direito, pelo fato de terem de controlar o lado esquerdo do corpo. Para aumentar nossa capacidade criativa, o estímulo do lado direito do cérebro constitui uma forma muito eficiente. O estímulo do lado direito do cérebro ocorre sempre que fazemos algo novo, especialmente relacio- nado à expressão artística, como, desenhar, pintar, tocar um instrumento musical, aprender um novo idioma, ler um livro de tema ou abordagem novos para nós, ir ao cinema, ir ao teatro, ir à opera, ir a exposições, ir a shows musicais ou ouvir músicas diferentes de nossa preferência, cozi- nhar, viajar, fazer as tarefas diárias com a mão trocada etc. Qual a vantagem de estimular o lado direito do cérebro? Bem, se conside- rarmos que ele está associado à intuição e sensibilidade, e que algumas pessoas inclusive associam à criatividade, então estamos colocando para trabalhar, a nosso favor, um especialista na atuação criativa, certo? Observe como é maior o número de pessoas canhotas no papel de capi- tães de equipes esportivas, ou como é mais difícil para um destro enfren- tar um oponente canhoto em esportes individuais. Também é grande o número de pessoas classificadas como geniais, e que são canhotas. Para elas o exercício de estimular aquele hemisfério é mais fácil, e já que funci- ona bem, devemos incorporar o comportamento. Outra característica do cérebro, do ponto de vista fisiológico, é o fato de que existem diferenças acentuadas entre homens e mulheres, desde a constituição física, até a quantidade de neurônios. Estima-se que homens tenham em torno de 86 bilhões de neurônios e mulheres 82 bilhões. Que vantagens os ho- mens têm nesse caso? Nenhuma, pelo fato de a relação sináptica feminina ser mais veloz, o que compensa a diferença. A informação genética herdada e carregada pelo DNA ao longo do desenvolvimento da raça humana, as- sociada às características de atuação de cada gê- nero, também tem impacto na diferença de gêne-
  39. 39. 42 Seja uma pessoa mais criativa ro. Por exemplo, homens têm maior afinidade com velocidade e foco, e mulheres com detalhes de um ambiente. Isso se deve, em parte, ao fato de que na pré-história homens caçavam coelhos para o jantar, ocupando- se da observação de um animal pequeno e veloz, enquanto as mulheres cuidavam da casa, caverna, no caso, das crianças e do jantar, com uma preocupação com o que acontecia ao redor. Se você, mulher, paga menos pelo seguro de seu automóvel nos dias de hoje, agradeça ao desenvolvimento da atenção aos detalhes de sua antepassada das cavernas. Homens e mulheres têm muitas diferenças em termos de comportamen- to e expressão de suas emoções. O livro “Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus” trata do assunto com bom humor e muitos dados colhidos pelo casal de pesquisadores Allan e Barbara Pease. Homens e mulheres também têm algumas características comuns em ter- mos de princípios de funcionamento cérebro, como: 1. Irradiância: a partir de um foco central, o pensamento expande-se em várias direções. 2. Associação: as informações processadas pelo fluxo de pensamen- to organizam-se em forma de uma rede associativa, em consonân- cia com a configuração neuronal. 3. Probabilidade: toda vez em que ocorre um pensamento, aumenta a chance de ele mesmo se repita. Finalmente, a Teoria do cérebro trino, elaborada em 1970 pelo neurocientista Paul MacLean, e apresentada em 1990 no seu livro “The Triune Brain in evolution: Role in paleocerebral functions”, discute o fato de que nós, humanos-primatas, temos o cérebro dividido em três unida- des funcionais diferentes. Cada uma dessas unidades representa um extrato evolutivo do sistema nervoso dos vertebrados: 1. Cérebro Reptiliano O Cérebro Reptiliano ou cérebro basal, ou ainda, como o chamou MacLean, “R-complex”, é formado apenas pela medula espinhal e pelas porções basais do prosencéfalo. Esse primeiro nível de organização cerebral é ca- paz apenas de promover reflexos simples, o que ocorre em répteis, por isso o nome 2. Cérebro dos Mamíferos Inferiores O Cérebro dos Mamíferos Inferiores: ou cérebro emocional, ou
  40. 40. 43 Seja uma pessoa mais criativa “Paleommamalian Brain”, é o segundo nível funcional do sistema nervoso e, além dos componentes do cérebro reptiliano, conta com os núcleos da base do telencéfalo, responsáveis pela motricidade grosseira; pelo Diencéfalo, constituído por Tálamo, Hipotálamo e Epitálamo; pelo Giro do Cíngulo; e pelo hipocampo e parahipocampo. Esses últimos componentes são integrantes do Sistema Límbico, que é responsável por controlar o comportamento emocional dos indivíduos, daí o nome de Cérebro Emoci- onal. Esse nível de organização corresponde ao cérebro da maioria dos mamíferos 3. Cérebro Racional Conhecido também como neocórtex, é compostos pelo córtex telencefálico. Esse por sua vez é dividido em lobos, sendo esses: a. Frontal: o mais derivado dos lobos cerebrais, responsável pelas funções executivas b. Parietal: responsável pelas sensações gerais c. Temporal: responsável pela audição e pelo olfato d. Occipital: responsável pela visão e. Insular: responsável pelo paladar e gustação. O cérebro racional é o que diferencia o homem/primata dos demais ani- mais. Segundo Paul MacLean é apenas pela presença do neocórtex que o homem consegue desenvolver o pensamento abstrato e tem capacidade de gerar invenções.
  41. 41. 44 Seja uma pessoa mais criativa Capítulo7 Uma pessoa mais criativa a cada dia “Criatividade é a extensão natural do nosso entusiasmo” Earl Nightingale Para encerrar esse capítulo, aqui vai uma lista com 18 recomendações para que você pratique e possa tornar-se uma pessoa mais criativa a cada dia. Basta lembrar que o simples fato de acordar a cada novo dia já representa uma experiência nova que se incorpora ao seu repertório pessoal, e que impacta diretamente seu potencial criativo. Aproveite então a oportuni- dade de cada novo dia e aperfeiçoe ainda mais essa experiência com ati- tudes e hábitos que vão manter sua criatividade sempre pronta para ser colocada em prática toda vez que precisar. 44
  42. 42. 45 Seja uma pessoa mais criativa Vou pular a parte dos hábitos saudáveis, porque essa recomendação apa- rece com muita frequência em diferentes contextos. Entendo ser óbvia, e assino embaixo de todas que recomendem exercícios regulares, alimenta- ção saudável e que se evitem excessos de todo tipo. Lembre-se de que até água em excesso faz mal, porque sobrecarrega seus rins e bexiga. 1. Observe e anote tudo, crie um banco de ideias. Tenha sempre à mão um sistema e rápido para anotar as suas ideias 2. Faça uma coisa nova todos os dias, como provar um novo prato, ir a um lugar novo, iniciar a leitura de um novo livro, anotar uma nova frase etc 3. Registre seus sonhos. Logo que acordar, em um caderno ou bloco, ano- te em uma linha qual foi o sonho daquela noite 4. Converse sobre suas ideias, veja o que as pessoas pensam sobre ela, como elas analisam e quais desdobramentos elas propõem 5. Vá a lugares novos, uma igreja ou templo, uma nova cidade, uma expo- sição, um novo restaurante ou livraria alternativa. Inspire-se com o novo 6. Tenha um passatempo. Passatempos são excelentes formas de organi- zar e disciplinar o cérebro para organizar ideias 7. Aprenda algo novo, um idioma, uma forma de expressão artística (pin- tura, foto, instrumento musical etc), um curso de especialização em sua área, um curso muito distante de sua área etc 8. Evite o preconceito, talvez o estilo musical ou de roupa que não lhe agrade possa de alguma forma inspirar uma nova ideia; experimente 9. Busque sempre novas conexões de tudo com tudo 10. Busque sempre uma nova perspectiva, um novo olhar, coloque-se no lugar do cliente, e observe o problema sob seu ponto de vista 11. Passe um tempo só, momentos de reflexão são valiosas formas de estabelecer conexões e também servem para percorrer viagens intrapessoais de iluminação e descobertas 12. Faça perguntas. Perguntar, inquirir, pesquisar, são as melhores manei- ras de saber mais sobre um problema, e assim chegar mais rapidamente a uma solução 13. Assuma riscos, estabeleça qual o limite do risco que pretende correr, mas vá sempre para além do limite 14. Procure as fontes que confirmem seus argumentos; afirmações ou suposições de “ouvir falar” não se sustentam por muito tempo e podem induzir a erro. Errar é uma excelente forma de aprendizagem e conduz à
  43. 43. 46 Seja uma pessoa mais criativa solução, mas no momento em que a solução é escolhida e as decisões devem ser tomadas, você tem que estar certo das informações que refor- çam a escolha 15. Mantenha o bom humor, ainda que o conflito seja uma interessante forma de administrar uma organização, no dia-a-dia o bom humor tem se mostrado mais eficiente para promover a criatividade das pessoas. 16. Não tenha medo de errar, o maior erro que uma pessoa pode come- ter, é imaginar que é infalível. Eu insisto com alguma frequência, se você nunca erra, alguma coisa está muito errada, talvez as pessoas não tenham coragem de apontar seus erros, ou já desistiram de você 17. Procure sempre pela próxima resposta certa. Sempre vai haver mais de uma resposta para um problema. Quando encontrar a primeira respos- ta, parta em direção á segunda, à terceira e vá por esse caminho tão longe quanto o tempo disponível lhe permita 18. A lista das100 coisas. Nos momentos em que não tiver nada para fazer, como por exemplo a sala de espera do dentista, ou para embarcar numa viagem de ônibus, trem ou avião, use seu tempo para exercitar o cérebro com desafios do tipo: 100 coisas que eu mudaria nesse ambiente. Estabe- leça limites de tempo. Comece com 30 minutos e vá diminuindo até che- gar a 100 ideias em 10 minutos. Você vai se surpreender com a velocidade que pode atingir em termos de quantidade e qualidade de ideias que pode gerar nesse período de tempo. Estas são apenas sugestões. Crie sua própria lista incluindo ou excluindo itens, e siga a sua lista à risca para tornar-se uma pessoa mais criativa a cada dia de sua vida.
  44. 44. 47 Seja uma pessoa mais criativa Parte 2 O Processo Criativo “Criatividade é apenas conectar as coisas. Quando você pergunta a uma pessoa criativa como desenvolveu e chegou a uma nova ideia, ela demonstra até uma certa culpa, por não se sentir como se tivesse criado algo novo, mas sim como quem apenas viu algo aparentemente óbvio a princípio, e depois sintetizou como algo novo, resultado de conexões obtidas em novas experiências“ Steve Jobs Vou resgatar alguns pontos do que apresen- tei até aqui: 1. Todas as pessoas são criativas 2. Logo, você é uma pes- soa criativa 3. A nota de sua criatividade é DEZ! E aproveito para incluir mais um ponto: o Pro- cesso Criativo. A criatividade é um pro- cesso, e você tem total controle sobreas etapas que o compõem. Na verdade são apenas duas etapas, e não mudaram nada nos últimos quase 400 mil anos, idade aproximada do mais antigo suposto osso, um fêmur, contendo DNA humano, encontrado em uma caverna na Espanha. As duas etapas do processo criativo que nossos ante- passados percorriam para acender uma fogueira, encontrar comida ou construir uma lança, são as mesmas que você percorre nos dias atuais, para ligar o microondas, fazer compras de mercado via Internet ou mon- tar um robô com as peças do Lego que seu filho ganhou no Natal. As eta- pas são: Divergência e Convergência. Durante a Divergência, ou etapa do Pensamento Divergente, geramos as opções de solução para um Problema ou Desafio. Durante a Convergên-
  45. 45. 48 Seja uma pessoa mais criativa cia, ou etapa do Pensamento Convergente, elegemos a solução, por meio de filtros que auxiliam essa tomada de decisão; em geral a decisão leva em conta sua viabilidade de execução com os recursos disponíveis ou que possam ser disponibilizados. Na Divergência o foco é na Quantidade de Ideias Geradas. Na Convergên- cia o foco é na Qualidade da ideia escolhida. É um exercício constante, e serei redundantemente óbvio, melhora com a prática. Nesse caso, com a prática consciente, afinal você pratica este pro- cesso várias vezes ao dia sem nem mesmo perceber, pois é um processo inconsciente incorporado à sua rotina e que lhe garante, como garantiu à raça humana até hoje, a sua sobrevivência no planeta, desde as condições mais hostis, ao conforto da modernidade. Minha sugestão é a de que você monitore seu processo criativo durante seu percurso entre identificar um Problema ou Desafio, até a escolha da Solução. Você não precisa fazer esse monitoramento todas as vezes em que aplicar o processo, mas observe quando monitorar, como você pode ter total controle sobre as etapas. Um desvio comum nesse percurso é tropeçar nas etapas, tentando pular uma ou buscar atalhos. Não funcionam assim. Cada uma delas deve ser percorrida de maneira única, ou seja, primeiro Divergir e apenas Divergir, e em seguida Convergir, e apenas mesmo Convergir. Porque esse caminho deve ser assim percorrido? Por conta das posturas que devemos assumir em cada etapa e que você verá com mais detalhes a seguir.
  46. 46. 49 Seja uma pessoa mais criativa Capítulo 1 Divergência ou etapa do Pensamento Divergente “Conecte tudo com todas as coisas. Junte o injuntável” Humberto Emílio Massareto Diante de qualquer Situação, seja ela um Problema ou Desafio, todas as pessoas percorrem o mesmo caminho até a Solução. Um caminho com- posto por duas etapas, e o primeiro deles é a fase da Divergência ou do Pensamento Divergente. Eis algumas definições de dicionário para Divergir: v.i. Afastar(-se), de maneira progressiva, uma coisa de outra coisa. Afastar- se cada vez mais do ponto de partida - separar-se ou desviar-se. v.t.i e v.i. Figurado. Discordar - não se combinar. v.i. Matemática. O que está circunscrito no infinito, diz-se de uma parte ou integral. (Origem do latim: divergere) As definições parecem familiares com a proposta desse livro? Penso que sim, mas sou suspeito; sou entusiasta da geração de ideias resultantes de afastamento, mais de um ponto de partida, desconexão óbvia, discordância e provocação. Aborde uma situação sob esta perspectiva. Você já fez e faz isso, no modo automático, agora você vai ter atenção e observar como seu cérebro se com- porta nestas situações, quando tem que gerar ideias, na etapa do pensamento Divergente. Existem técnicas que facilitam a geração de ideias, que você verá no próximo capítulo, in- dependente da técnica que você use, e que podem ser aplicadas tanto individualmente quanto em grupo. O importante é ter em men- te que nesta etapa o que conta é a Quantida- de de Ideias geradas. Minha sugestão nessa etapa é anotar suas ideias na maior velocidade que puder. Anote tudo o que vier à mente, de forma que você
  47. 47. 50 Seja uma pessoa mais criativa não pare para julgar cada uma, mas escreva compulsivamente. A quantidade razoável de ideias é de 6 por minuto ou uma a cada 10 se- gundos. E o tempo mínimo de 3 minutos, de tal forma que você possa gerar nesse tempo pelo menos 30 ideias para um Problema ou Desafio proposto. Essa etapa é facilitada se você assumir uma postura de quando tinha 5 anos de idade, provavelmente a última vez em que você atuava quase que totalmente sem impacto de bloqueios. Naturalmente não é um exercício simples, necessita de prática para aperfeiçoar. O 18 exercício sugerido na página 46, “Uma pessoa mais criativa a cada dia”, pensar em 100 ideias sobre como modificar um ambiente, é uma maneira de treinar o cérebro para gerar ideias em quantidade. E lembre-se, nessa fase apenas preocupe-se com a geração de ideias. Não descarte ideias que possam parecer absurdas no início, são elas que po- derão servir de inspiração para uma ideia inovadora, por meio de cone- xões inusuais.
  48. 48. 51 Seja uma pessoa mais criativa Capítulo 2 Convergência ou etapa do Pensamento Convergente “As portas foram criadas para pessoas sem imaginação” Derek Landy Muito bem, você gerou uma quantidade significativa de opções que aten- dem direta ou indiretamente um Problema ou Desafio Proposto. Nessa lista também você pode observar ideias desconectadas da proposta, num primeiro olhar, e você não deve descartá-las, nem as absurdas, muito ou- sadas e malucas. Pelo menos não antes de buscar alguma conexão entre cada uma delas e seu Problema ou Desafio. Algumas definições de dicionário, para Convergir: v.t.i. Fazer com que seja guiado para uma mesma direção; dirigir-se: algu- mas ruas convergem para este cruzamento; os clientes convergiam para o caixa. Permanecer junto; reunir-se: algumas teorias literárias convergem no modernismo. Sentido figurado: Que tende a seguir o mesmo propósito (objetivo); enca- minhar-se: o trabalho árduo não o convergia para o dinheiro. (Origem do latim: convergo.is.ere) É isso que você fez, faz e continuará a fazer sempre que for tomar uma decisão, porém agora com os canais de atenção ligados para melhor ges- tão do Processo Criativo. Nesta etapa seu foco é essencialmente na Qualidade da Ideia, e deve con-
  49. 49. 52 Seja uma pessoa mais criativa centrar-se em ser útil, ser original, agregar valor, criar um novo conceito, e ser viável, entre outros filtros. Se na etapa anterior a sugestão era agir como quando você tinha 5 anos, aqui você deve projetar seu comportamento como quando tiver (se já tem é só colocar em modo operacional) 50 anos de idade. Nessa fase da vida desenvolvemos bom senso, maturidade para tomada de decisões e experiências acumuladas que auxiliam na avaliação, seja para uma ideia mais morna, como para uma ideia mais ousada. Avalie, pesquise o mercado, busque conexões improváveis, especialmen- te para as ideias malucas ou ousadas, e tome sua decisão com base na experiência. Nem sempre você deverá optar por apenas uma ou duas ideias. Vai acon- tecer de poder colocar 5 ou 10 ideias em operação, e deverá estabelecer as prioridades. Tanto para selecionar apenas uma, duas, ou três, quanto para selecionar 10 e estabelecer a prioridade, existem técnicas que auxili- am esta tomada de decisão, seja individualmente, seja em grupo.
  50. 50. 53 Seja uma pessoa mais criativa Capítulo 3 Ideias valiosas em Quantidade e Qualidade “Se você não está preparado para cometer erros, você jamais criará algo original” Ken Robinson Repetidas vezes já ouvimos pessoas dizerem ”um problema precisa de apenas uma resposta”. Isso demonstra como é fácil o controle sobre o processo criativo a fim de gerar as melhores ideias. E é tão automático, que a resposta já está pré definida para ser entregue com velocidade. Veja as duas questões abaixo e pense nas respostas: - Para o quê serve um lápis? - Qual a metade de 12? Vou arriscar alguns palpites de resposta: Um lápis serve para: - Escrever - Desenhar - Prender os cabelos A metade de 12 é: - 6 - Seis - Meia dúzia
  51. 51. 54 Seja uma pessoa mais criativa Se você respondeu uma ou mais dessas alternativas para essas duas ques- tões e não pensou em outras opções além delas, parabéns! Você faz parte do grupo de 90,4% de pessoas do planeta que entregam as primeiras e mais óbvias respostas logo de cara. Elas estão erradas? Não! Elas surpre- endem, encantam ou prendem a atenção? Não também! Não devo então propor estas soluções para estes problemas? Deve sim, só não pode con- tentar-se em não ir além deles! Concordo em termos com a afirmação inicial. De fato um problema preci- sa de uma resposta, a melhor delas. E como podemos saber qual é a melhor delas? Bom, é fácil dizer quais não serão as melhores: provavelmente as 10 primeiras deverão ser as mais comuns, as mais óbvias e as mais previsíveis. Como eu sei disso? Ora se durante a vida ouvimos dizer que um problema precisa de apenas uma ideia, quando eu encontro essa ideia, não existe mais o problema. Como a maioria das pessoas não gosta de lidar com problemas, quanto mais rapi- damente encontra uma solução, mais rapidamente também livra-se dele. Como então eu vou além das 10 primeiras e mais previsíveis respostas? Não se limitando a colocar em prática o processo criativo apenas uma vez, mas tantas vezes quanto o tempo disponível para resolver a situação per- mita. Vou ilustrar com números. Imagine que a primeira ideia, a mais óbvia de todas valha apenas 1 centavo, independente de qual seja a moeda, real, dólar ou euro, e que cada nova ideia que você proponha dobre de valor em relação à anterior, ou seja, sua segunda ideia valeria $ 0,02, a terceira $ 0,04, a quarta $ 0,08, e assim em diante. Qual seria o valor da décima ou da vigésima ideia? Eu fiz a conta, veja abaixo os valores para as primeiras 30 ideias. Lembre-se, no entanto, que
  52. 52. 55 Seja uma pessoa mais criativa se trata de uma hipótese considerar que cada nova ideia poderia dobrar de valor. Nada garante que a ideia nº 30 valha o valor associado na tabela. Ela pode até valer muito mais! O valor de uma ideia está diretamente associado à abrangência que ela tem. Uma ideia de abrangência nacional valerá mais que uma de abrangência local – uma cidade ou estado – e menos que outra de abrangência mundial, mas de qualquer maneira, a tabela ilustra a proba- bilidade de uma ideia se valorizar à medida que o processo criativo de gerar e selecionar ideias se aprimora e aperfeiçoa, baseando-se na quan- tidade de ideias como combustível para a qualidade da solução. Quer ver isso acontecer de fato? Dedique em algum momento entre 5 e 10 minutos para gerar entre 30 e 100 ideias para uma das duas questões iniciais. Em seguida, faça uma seleção de pelo menos 20 das mais surpre- endentes, ousadas e improváveis. Coloque numa lista e veja como elas são valiosamente mais criativas do que as respostas iniciais. Você dedica- rá em torno de meia hora nesta tarefa, e poderá perceber o impacto que o processo monitorado e controlado pode agregar muito valor às solu- ções que você vai propor de hoje em diante.
  53. 53. 56 Seja uma pessoa mais criativa Parte 3 Ferramentas da Criatividade para Geração de Ideias “Criar é um ato de desafio” Twyla Tharp Neste capítulo vou apresentar as mais conhecidas técnicas da criatividade para a geração de ideias. São técnicas utilizadas por empresas como Apple, Google, Microsoft, IBM, 3M e a loja de aviamentos e armarinhos Ponto dos Botões, do RN, onde em 13 de maio de 2011 tive oportunidade de apresentar as técnicas junto a duas equipes com 15 pessoas cada, na sede que fica na agradável cidade de Alecrim, região metropolitana de Natal. No exercício que efetuamos, pudemos avaliar o impacto e o valor da con- tribuição dos profissionais para o sucesso do negócio, à luz de suas per- cepções, vivenciando o dia-a-dia do Ponto dos Botões. As técnicas aqui apresentadas têm o mesmo objetivo: facilitar e potencializar em quantidade a geração de ideias. Cada técnica tem carac- terísticas próprias, adaptadas a diferentes perfis. Experimente todas as técnicas. Avalie, experimente mais algumas vezes, anote suas impressões, faça ajustes e observe qual ou quais melhor se adaptam ao seu estilo e ao estilo dos profissionais de sua equipe que você convidar para uma seção para gerar ideias. Para saber sobre o Pontos dos Botões: www.pontodosbotoes.com.br
  54. 54. 57 Seja uma pessoa mais criativa Capítulo 1 Brainstorming, Tempestade de Ideias, ou Toró de Palpites “O acaso favorece a mente preparada” Louis Pasteur O Brainstorming talvez seja a técnica da criatividade mais conhecida e mais utilizada no mundo para geração de ideias. E por mundo, entenda-se mun- do corporativo e mundo pessoal. A tradução literal para Brainstorming é Tempestade Cerebral, mas existem variações como Tempestade de Ideias, Chuva de Ideias, Toró de Palpites, entre outros. Particularmente prefiro e utilizo Toró de Palpites, a mesma versão utiliza- da pelo SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empre- sas). O Brainstorming foi formalizado e proposto inicialmente por Alex Faickney Osborn (1888-1966) na década de 1940. Osborn foi sócio-fundador de uma das maiores e mais criativas agências de publicidade de todos os tempos, a BBDO (saiba mais sobre a agencia em www.bbdo.com), e também foi criador da Fundação para a Educação Criativa (saiba mais sobre a funda- ção, em www.creativeeducationfoundation.org). Eu tive o privilégio de trabalhar por cerca de 10 anos na agência brasileira que mantinha acordo operacional com a BBDO na década de 1980, tendo vivido experiências fantásticas, entre elas o lançamento americano do Apple Macintosh, o até hoje muito comentado e fantástico filme de TV
  55. 55. 58 Seja uma pessoa mais criativa 1984, dirigido por Ridley Scott, e das campanhas memoráveis da PEPSI, também nos EUA na mesma época. Esse período representou para mim uma especial oportunidade de aprendizagem e de crescimento profissio- nal, mesmo não trabalhando diretamente na área de criação, mas que foi fundamental para os desdobramentos de minha carreira nas décadas se- guintes. Na BBDO Osborn liderava o time de profissionais criativos, com a principal missão de gerar ideias e conceitos inovadores para seus clientes. Diante deste desafio, adaptou uma técnica de meditação indiana à natural ten- dência e vocação das pessoas para gerar ideias e batizou Brainstorming. O Brainstorming foi originalmente concebido para ser aplicado em equi- pe. Com o tempo foram criadas alternativas de aplicação, entre elas a do Brainstorming individual. Como funciona uma seção de Brainstorming em equipe Nas organizações em geral o Brainstorming pode ou deve ser aplicado, quando um Problema ou Desafio são identificados e requerem uma res- posta. Dessa forma, uma pessoa nos papéis de Gestão ou Liderança con- voca ou convida uma equipe de profissionais para geração de ideias. Em geral convoca-se entre 4 a 15 pessoas. Nada im- pede que a quantidade seja diferente, mas pode haver prejuízo na dinâ- mica. Com menos de 4 pessoas o tempo para gerar novas ideias é mui- to curto, o que pode ini- bir, e com mais de 15, muito longo, o que pode tornar a seção desinteressante, e desinteresse não favorece a geração de ideias criativas. Chame o especialista Se você convidar os especialistas em Marketing para gerarem ideias para um Problema ou Desafio de Marketing, você ouvirá as mais interessantes ideias e propostas de solução, baseadas em estudos de caso, exemplos de sucesso e receitas que já deram certo em outros cenários e organizações em diferentes lugares do mundo. Agora, se quiser ouvir as ideias mais
  56. 56. 59 Seja uma pessoa mais criativa ousadas, as mais originais, as menos óbvias, as mais desconectadas, as mais inspiradoras, convide também pessoas que não sejam especialistas, ou que não estejam diretamente envolvidas com o Problema ou Desafio desta seção. Considere convidar clientes, fornecedores, pessoas de outras áreas, pa- rentes dos profissionais da empresa, e até mesmo concorrentes, depen- dendo do tipo de relação com ele e do tema da seção. Você quer um exemplo que justifique convidar um concorrente? Ok, lá vai, como uma empresa que produza geleia de framboesa localizada numa região de difí- cil acesso, com pouco movimento turístico pode reduzir seus custos e as- sim tornar-se mais competitiva? Se todos os produtores de geleia daquela região se unirem para compras coletivas de matérias-primas ou insumos, como por exemplo, açúcar, conservantes, rótulos embalagens etc, todos saíram ganhando. Já no convite para a reunião, com antecedência de entre 3 a 5 dias, pode- se adiantar em parte ou no todo qual será o tema a discutir, de forma que as pessoas convidadas possam de alguma maneira iniciar um processo de incubação e de associação preliminar de ideias e de conceitos. É impor- tante que as pessoas convidadas confirmem suas participações, para evi- tar que na hora a seção fique esvaziada. Lembre-se, uma seção de Brainstorming é um compromisso profissional. Sempre sugiro que a seção seja realizada num ambiente reservado e sem interrupções ou distrações de qualquer tipo, como pessoas entrando ou saindo, atendimento de chamadas telefônicas profissionais ou pessoais, acesso a redes sociais via dispositivos móveis etc. O espaço pode ser a sala de reuniões da organização, uma sala de hotel, a mesa de restaurante, ou até o gramado de uma praça ou jardim. O importante é que não haja interrupções ou distrações. A duração de uma seção pode durar de um mínimo de 30 ao máximo de 60 minutos, com alguma pequena variação, confirme a percepção da par- ticipação das pessoas. Organização do ambiente As mesas e/ou cadeiras devem ser organizadas em formato de círculo ou U, assim cada pessoa pode ver todas as demais. Tenha à disposição água e café e petiscos doces e salgados; você pode incrementar com suco, refri- gerante, leite, chás diversos, frutas, balas, bombons, bolos, tortas etc.,
  57. 57. 60 Seja uma pessoa mais criativa alguns combustíveis para o cérebro. O ambiente deve ainda dispor de: 1. Papel e lápis ou caneta para todas as pessoas. Se for possível, ofere- ça também lápis e canetas coloridas, pois quando desenhamos ou mesmo escrevemos com cores, estimulamos o hemisfério direito de nossos cérebros, o que contribui para ideias mais criativas 2. Um quadro, lousa ou folhas de flipchart e pincéis, para anotar as ideias das pessoas em local visível a todos 3. Opcionalmente, um relógio que fique em lugar visível a todos, para controle do tempo A dinâmica do Brainstorming Você tem o ambiente, os materiais e o principal, as pessoas, é hora de começar a seção de Brainstorming. Organizadas em círculo ou em U, você inicia a seção e explica o motivo pelo qual todas as pessoas estão lá presentes e qual será o papel delas. O motivo é gerar ideias para o Problema ou Desafio proposto antecipada- mente ou que você irá mencionar agora. Num primeiro momento evite dizer “gerar ideias criativas”, pois algumas pessoas que não se acreditam criativas podem se bloquear nesse momento. Deixe claro qual será o tempo dessa seção, que deve ser o mesmo pré- determinado no convite que você fez. O fato de uma seção de Brainstorming ter duração de 30 a 60 minutos, não significa que esse é o tempo total investido, mas o tempo dedicado apenas à geração de ideias. Considere cerca de 20 a 30 minutos a mais, para a fase de organização das pessoas, explicação da dinâmica, eventual aquecimento e o encerramen- to da seção. Comece pontualmente no horário marcado e encerre no tem- po previsto. Ao iniciar a seção de Brainstorming você vai definir os papéis: - Condutor ou Condutora: a pessoa que vai conduzir a seção, controlan- do o tempo de duração, a participa- ção de cada um e corrigindo even- tuais desvios de foco. Esta pessoa pode ser você, que convocou a reu-
  58. 58. 61 Seja uma pessoa mais criativa nião, ou uma pessoa por você selecionada. Se for selecionar outra pessoa, avise-a com antecedência para que ela possa preparar-se e sentir confor- tável com o papel - Anotador ou Anotadora: a pessoa que vai anotar no quadro, lousa ou folhas de flipchart as ideias que os participantes gerarem durante a seção. Esta pessoa além desse pa- pel também contribui na geração de ideias - Geradores de Ideias: todos os par- ticipantes, que oferecerão suges- tões de ideias para solucionar o Problema ou Desafio proposto Com os papéis estabelecidos, apresente a forma de participação dos Ge- radores de Ideias: cada pessoa, em ordem sequencial (sentido horário, ou anti-horário, você decide), deve apresentar uma ideia objetiva por vez em cada rodada. Entenda-se por ideia objetiva aquela que não precisa de muita explicação. A dinâmica de participação é simples assim, uma pessoa por vez, uma ideia objetiva durante 30 a 60 minutos. No início deixe muito claro, se possível imprima com letras grandes e cole nas paredes, ou escreva qual o Problema ou Desafio que aquela equipe deverá atacar, e com qual objetivo. Nesse momento também você estabelece as regras para esta seção. São 5 apenas e muito simples: 1. Apresente ideias ousadas Viaje na maionese, acrescente uma certa dose de loucura e ousadia, vá onde as pessoas comuns evitam ir por medo, falta de visão, ou porque não quererem se arriscar. Deixe as ideias comuns para a concorrência, aqui somos pessoas muito criativas. 2. Evite crítica e auto-crítica Se a pessoa que conduz uma seção de Brainstorming, ou até mesmo se um dos participantes critica, diminui, zomba ou menospreza a ideia e a participação de outra pessoa, esta segunda ficará muito desconfortável no ambiente e sem dúvida não participará de modo ativo e criativo da seção. Mais ainda, as demais pessoas também pensarão que o mesmo pode acontecer com elas e as ideias tenderão à mediocridade. Jamais cri- tique uma ideia. Ajustar um caminho de uma ideia quando ela desvia do
  59. 59. 62 Seja uma pessoa mais criativa propósito da missão deve ser feito de modo elegante e inteligente, nunca se parecendo com uma crítica. Da mesma maneira devemos evitar a auto-crítica. Lembre-se, você tem autorização para ideias ousadas. Qual o limite da ousadia? Não existe, ou melhor ele existe, ele é o que facilita a vida em sociedade, o limite são as regras de convivência social; você pode dizer e fazer aquilo que não fira suscetibilidades, nem constranja as pessoas no ambiente, e cada ambien- te tem suas próprias regras e sua própria dinâmica. Se elas não estão cla- ras, sinta-se à vontade para esclarecer com os colegas ou a pessoa que convocou para essa seção de Brainstorming. 3. Aprimore as ideias das pessoas Aprimore, aperfeiçoe, pegue carona nas ideias de outras pessoas que ins- piram você. Se uma ideia provocou uma nova ideia, ou uma melhoria, a hora de dizer é agora. 4. Anote tudo Nossos cérebros têm uma limitação para registrar fatos ou ideias novas, especialmente as mais recentes. Durante uma seção de Brainstorming, com tantas ideias sendo propostas pelas outras pessoas, nosso cérebro começa a estabelecer muitas conexões reunindo e combinando os dados, as informações e todo nosso conhecimento adquirido, e ideias novas afloram, mas lembre-se, você só pode dizer uma por rodada, e depois de você manifestar-se demora quase 3 minutos até ter a palavra de novo. Como registrar e resgatar as 8 ideias que você tem agora? Pior, ou melhor, esse número aumenta cada vez que alguém apresenta uma nova ideia, faz parte da natureza irradiante do cérebro. Simples, anote tudo. Se for preci- so desenhe, afinal uma imagem vale por mil palavras, se for o caso, mos- tre o desenho, cole-o no quadro na sua vez de expressar uma ideia. 62
  60. 60. 63 Seja uma pessoa mais criativa Papel e lápis ou caneta à mão é uma sugestão que vale para as 24 horas de seu dia, todos os dias. Todas as pessoas estabelecem novas conexões o tempo todo, inclusive quando dormem. Acordar no meio da noite com uma ideia que você acredita vai lembrar pela manhã é a mais traiçoeira armadilha dos nossos cérebros. 5. Mantenha o foco no Desafio ou Problema proposto Esta é uma atribuição fundamental da pessoa que conduz a seção, manter o foco e identificar se uma determinada situação ou ideia é uma fuga do foco ou o caminho para conexão inédita. Na dúvida, não intervenha e dê mais algum tempo para certificar-se. É preferível um leve desvio durante a seção, do que interromper o fluxo de uma ideia com potencial para a ori- ginalidade. Aqui vai um comentário que talvez ajude nessa decisão. Com o tempo notei que há 3 diferentes fases durante uma seção de Brainstorming: a. Fase das ideias comuns: quando são apresentadas ideias mais ou me- nos previsíveis, e que servem como um aquecimento e estímulo paras as duas próximas fases b. Fase das ideias ousadas: quando ideias menos comuns, menos conven- cionais, até com elevados graus de dificuldade de implementação são apre- sentadas c. Fase das ideias absurdas ou malucas: aqui é o momento de se surpreen- der. Ideias jamais imaginadas surgem nessa hora vislumbram horizontes de inovação Estas fases não têm a mesma duração. Em geral a distribuição aproximada percentual de tempo é respectivamente 50% 35% 15%, com pequenas variações. Procure estimular as fases 2 e 3, e diminuir o percentual da fase 1. Se numa seção de 40 minutos, depois de 20 as ideias ainda são comuns, provoque, apresente ideias ousadas ou malucas que isso serve como com- bustível e incentivo. Imprima estas regras, sem o detalhamento, apenas as regras, e cole nas paredes do ambiente, como forma de reforço e lembrança para os partici- pantes. Você já tem tudo de que necessita para começar mais uma seção de Brainstorming de sucesso! Que tal então aquecer os motores, ou melhor, os cérebros das pessoas? Um quebra gelo de até 5 minutos funciona mui- to bem. Pode ser um desafio de lógica, um jogo, uma dinâmica que de-
  61. 61. 64 Seja uma pessoa mais criativa pende de participação ativa das pessoas, uma brincadeira, uma história, ou uma piada. Existem muitas sugestões disponíveis na Internet. Bom agora que você já tem tudo pronto, todos em posição, aquecidos e com seus instrumentos à mão, é hora de começar a sua seção de Brainstorming. A participação da pessoa que conduz a seção é opcional, mas sempre bem-vinda e inspiradora para as demais pessoas. Uma nova habilidade que desejamos desenvolver se aprimora com a prá- tica. Comece agora mesmo a praticar o pensamento divergente convidan- do as pessoas para uma seção de Brainstorming. Não precisa ser necessa- riamente um Problema ou Desafio da organização em que você atua. Você pode reunir colegas de sala de aula, vizinhos e ami- gos e propor uma seção para gerar ideias para os Problemas e Desafios da atualidade, como fome no mundo, educação de qualidade, economia de energia, qualidade de vida, como sermos mais felizes, como gerenciar o tempo, entre outros. O importante é praticar. Como funciona uma seção de Brainstorming Individual Às vezes gerar ideias para um Problema ou Desafio é algo mais pessoal, ou o tempo não permite uma convocação de equipe e você precisa de ideias. Nesse mo- mento você vai então fazer uma seção de Brainstorming individual. Ela é exatamente como a que fazemos em equipe, exceto que você não tem ideias de outras pessoas para aperfeiçoar. Quer di- zer, você não tem em termos, pois individualmente a dinâmica também muda. No lugar da sala com pessoas em círculo, é você sozinho e o ambiente é você quem determina e define. Pode ser durante um passeio numa praça ou Seja uma pessoa mais criativa
  62. 62. 65 Seja uma pessoa mais criativa parque; uma visita para observar vitrines de uma área comercial da cida- de ou shopping; um passeio no zoológico ou aquário da cidade; visita a uma exposição de arte, um evento esportivo ou artístico ou musical; um momento de meditação; enquanto dedica-se a uma atividade que esti- mule um ou mais de seus 5 sentidos, como pintar, desenhar, tocar um instrumento musical, cantar, cozinhar; praticando um esporte; lendo um livro novo, sobre um assunto diferente dos que você costuma ler; assistin- do a um filme; viajando; indo a um restaurante que sirva pratos que você não experimentaria normalmente; enfim, saindo do convencional, mu- dando sua rotina, estimulando seus sentidos. Esse tipo de atitude estimula áreas do cérebro que normalmente não estimulamos e podem favorecer conexões menos comuns ou até mesmo inusitadas. Claro que nem sempre temos tempo para esses momentos e oportunidades de inspiração. Vamos imaginar só por um momento que você tivesse de gerar ideias para um Problema ou Desafio, e você tem apenas 10 minutos para gerar a maior quantidade de ideias que puder para, por exemplo, novos usos para um clipe de papel, ou sugestões de mudanças no ambiente em que você se encontra nesse momento, que pode a sala de sua casa, a praça durante uma caminhada no intervalo de almoço na empresa, o ônibus em que você se encontra para ir até seu trabalho, ou a sala de espera do dentista. Só por ter lido, você já pensou em algumas ideias, tanto para novos usos do clipe de papel, como para os ambientes, mesmo que não esteja em nenhum deles. É isso, nossa imaginação nos leva para longe, e a capacidade de gerar ideias em quantidade se potencializa com o tempo, assim como quanto mais praticamos. Vamos então praticar? Se estiver num computador de mesa, use o espaço abaixo para digitar, senão, numa folha de papel anote a maior quantidade de ideias de novos usos para um clipe de papel, no espaço de tempo de 5 minutos. Prepare- se, e quando estiver tudo ok para iniciar a geração de ideias, clique no cronômetro ao lado, assim poderá monitorar e avaliar seu desempenho ao final. Pode começar!Quantas ideias você gerou? Mais de 10? Mais de 15? Mais de 30? Um número entre 25 e 30 seria bastante razoável. Você pode até questionar, puxa, porque não em disse antes qual seria o número razoável? Porque é importante você perceber como em algumas situações nós não exigimos mais de nós mesmos. Se não se estabelece um limite, o
  63. 63. 66 Seja uma pessoa mais criativa limite é infinito ou não existe? Até onde eu posso chegar por minha conta e risco?O número de 25 a 30 na verdade considera uma ideia gerada a cada 10 segundos em média. 5 minutos igual a 300 segundos, divididos por 10 segundos igual 30 ideias. Esse é o número ideal? Não, é o razoável. Um número ideal sem muita exigência seria uma ideia a cada 6 segundos, o que totalizaria 50 ideias. Pense nisso: para qualquer que seja o Desafio ou Problema para o qual geramos ideias, se tivermos de 30 a 50 opções, uma delas tem que ser no mínimo surpreendente, a não ser que a gente se aprisione na mediocridade e na mesmice. Vamos repetir o mesmo exercício no espaço abaixo, com uma variação, o clipe é apenas uma inspiração, um ponto de partida; você anotará tudo o que vier à sua mente, sem pensar; será o que se chama de viagem hipertextual, ou seja, uma viagem em que uma ideia ou palavra puxa outra, que puxa outra, que puxa mais uma e assim continua. Prepare-se acione o cronômetro e anote a maior quantidade de ideias, sem qualquer outra preocupaçãoquenãosejaescreveramaiorquantidadedeideiasquepuder. Ótimo, fim do exercício e há uma probabilidade muito grande de você estar entre os quase 88% de pessoas que têm mais ideias nesse segundo Brainstorming individual do que teve no primeiro. Como eu sei disso? Pela observação e prática, entre 2006 a 2013, em minhas aulas de Criatividade ministradas em graduação, pós-graduação e MBA nas instituições em que atuo, bem como nos cursos e treinamentos em diferentes empresas, os participantes fizeram este mesmo exercício em duas etapas, e eu computei osnúmeros,anotandoemumaplanilha.Nototalforam4.792participantes, dos quais 4.214 geraram mais ideias na segunda tentativa.
  64. 64. 67 Seja uma pessoa mais criativa Aprofundando um pouco mais essa análise, se você notou na segunda tentativa o tempo foi metade do primeiro, ou seja, 2 minutos e meio. Então, se você gerou 15 ideias ou mais, atingiu o número razoável de ideias; e se anotou 25 ou mais, você está no nível de excelência em termos de desempenho no Brainstorming individual. Você não deve se preocupar se ficou entre os 12% que geraram menos ideias na segunda vez. Não desempenhamos da mesma forma, nem reagimos da mesma maneira quando nos comparamos com outras pessoas. Você é um conjunto de habilidades e competências que se desenvolveu para solucionar seus atuais Problemas e Desafios. Preparar-se para os do futuro é fará de você uma pessoa imprescindível na organização em que atua ou atuará. Outro detalhe desse exercício, é o fato de que algumas pessoas preferem gerar ideias de novos usos, são consideradas as pessoas mais práticas, enquanto outras viajam com facilidade na maionese, e levam longe seu pensamento, são as visionárias. Agora pense comigo, qual a vantagem do segundo exercício? Que valor existeem anotar corrente, papagaio, bicicleta, prego ou sanfona quando faço associações livres no segundo exercício? É uma brincadeira de certa forma divertida, mas a empresa em que você atua espera mais que isso de você! Ao final de um exercício desse tipo, esse comentário é muito comum: qual o valor dessas ideias? Nesse momento eu sugiro às pessoas, olhem agora para cada item de sua viagem na maionese e crie pelo menos 3 associa- ções com o clipe de papel, de forma que isso gere valor, um novo concei- to, ou um novo produto. Aí sim as pessoas percebem o valor dessa via- gem. O que você deverá usar no lugar do clipe de papel nesses dois exercícios daqui pra frente? Ora, o Problema ou Desafio que você tem diante de si, ou então crie novos Problemas e Desafios para praticar sempre e estar pronto para quando for preciso. O Brainstorming apresenta melhores resultados aplicado em Equipe ou Individualmente? Essa é mais uma questão recorrente, e minha sugestão é que se você dis- põe de diversidade de equipe, disponibilidade de seus profissionais e tem- po para aplicação, o conjunto de ideias tende a ser mais produtivo. No entanto, você pode promover uma mistura das duas modalidades, ou seja, se as pessoas já conhecem a dinâmica do Brainstorming sugira já venham para a seção em equipe, munidas de ideias que anotarem desde o convi-

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