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O estado geral  da Terra Veja 12/2004  Uma jóia única no universo
O estado geral da Terra Uma jóia única no universo  A Terra é o terceiro planeta do sistema solar. Se fosse o primeiro ou o segundo, seria quente demais e toda água se evaporaria. Se fosse o quarto, o quinto, o sexto... ou o nono, sua superfície seria tão gelada que não haveria água em forma líquida.   O tamanho e a massa da Terra também foram calibrados pela natureza para sustentar a vida. Um pouco menos de massa e não haveria força gravitacional para manter uma atmosfera. Um pouco mais de massa e o núcleo provocaria oscilações gravitacionais capazes de transformar o clima em um inferno.  O mais espantoso: se a súbita expansão que se seguiu ao Big Bang na criação do universo tivesse se atrasado em uma fração de trilionésimo de segundo, as galáxias e os planetas teriam sido atraídos para o núcleo cósmico e destruídos. Se a expansão tivesse se adiantado a mesma fração de tempo, o universo teria se evaporado na forma de uma nuvem de partículas geladas.
Sinais de mudança  A questão não é mais se haverá aquecimento global: o processo já está em  andamento e o que se vê  agora são apenas seus primeiros efeitos   O ciclone Catarina, que se formou neste ano no litoral sul do Brasil, foi considerado por um grupo de cientistas ingleses como sinal antecipado da mudança do clima.
Sinais de mudança  Blocos de gelo de tamanho inusitado têm se desprendido dos pólos. Em 1998, um deles, do tamanho do Distrito Federal, se soltou de uma geleira na Antártica. Outro, com 720 bilhões de toneladas de gelo e três vezes maior que a cidade do Rio de Janeiro, desprendeu-se em 2002.  Dois séculos atrás, a Praça de São Marcos, em Veneza, era inundada uma ou duas vezes por ano. Agora é interditada quase toda semana por causa do avanço das águas.  No sul dos Estados Unidos, o estado de Louisiana perde cerca de 16 hectares de terra por dia. Os Everglades, turísticos pântanos da Flórida, podem desaparecer até o fim deste século. Países asiáticos, como Bangladesh e China, estão perdendo faixas de terra férteis usadas para o cultivo do arroz.
Sinais de mudança  A década mais quente já registrada foi a de 1990. Essa tendência é observada também nos últimos cinco anos. Atribuem-se a uma inédita onda de calor 30 000 mortes na Europa Ocidental, no verão de 2003.  Um estudo da Organização Mundial de Meteorologia, ligada às Nações Unidas, estima que pelo menos 160 000 pessoas morram por ano em conseqüência das mudanças no clima.  Entre as causas da mortandade está a elevação das marés, que inviabiliza fontes de água na foz de rios. No Egito, o avanço do mar está deixando a água do Nilo salobra e afetando o abastecimento da região. A febre do oeste do Nilo chegou aos Estados Unidos em um ano de fortes secas, por meio de aves migratórias infectadas, e nos últimos cinco anos matou 500 americanos.   .
Sinais de mudança  A análise de bolhas de ar presas há milênios no subsolo gelado da Antártica comprovou que a atual concentração de CO2 na atmosfera é a maior já registrada nos últimos 440 000 anos. É um terço a mais do que a natureza é capaz de reciclar.  Em setembro, cientistas japoneses do Instituto Nacional de Pesquisa Polar revelaram que os níveis de CO2 já interferem na qualidade do ar dos lugares mais remotos do planeta.  Com o auxílio de balões que coletaram amostras do ar, descobriram que a quantidade do poluente cresceu 2,6% em seis anos no continente gelado. É a primeira vez que um gás causador do efeito estufa aumenta a ponto de influenciar a qualidade do ar nos pólos.
Sinais de mudança  Medições do oceanógrafo Sydney Levitus, do serviço de meteorologia americano, mostram que a quantidade de calor nos oceanos aumentou 10 watts por metro quadrado nos últimos cinqüenta anos.  Levitus afirma que, mesmo que se venham a reduzir as emissões e controlar o efeito estufa, a atmosfera terrestre continuará esquentando por no mínimo 100 anos, devido à absorção do calor emitido pelos oceanos.  É que, assim como a água demora para se aquecer, também demora para perder calor. As conseqüências são facilmente imagináveis. "A elevação de apenas 1 grau onde a temperatura era zero significa que, ali, tudo o que é gelo vai derreter e fazer aumentar a quantidade de água escorrendo para os oceanos"
Além dos limites   Os pessimistas, que previam fome no planeta com o crescimento da população, estavam enganados. Mas os recursos naturais continuam ameaçados pelos 6,5 bilhões de habitantes da Terra   Os avanços tecnológicos aplicados à agricultura multiplicaram as safras e, se a fome persiste em muitas partes do globo, isso se deve menos à falta de alimentos do que à desigualdade na distribuição.   Os avanços tecnológicos aplicados à agricultura multiplicaram as safras e, se a fome persiste em muitas partes do globo, isso se deve menos à falta de alimentos do que à desigualdade na distribuição.
Além dos limites   A geração de energia e a busca de matérias-primas aniquilaram alguns ecossistemas. Metais pesados foram despejados nos rios e áreas de florestas, e montanhas se transformaram em crateras após décadas de mineração. Esse desequilíbrio resulta de várias atividades humanas – queimadas, poluição e pesca excessiva
O paradoxo da abundância   Desperdício e distribuição desigual tornaram a água uma fonte de conflitos   O Mar de Aral, na antiga União Soviética, morreu. Outrora quarto maior lago do planeta, com superfície maior que a dos estados do Rio de Janeiro e Alagoas juntos, hoje ocupa um terço da área original. Os rios que o alimentam foram desviados e canalizados para a agricultura. Os ventos carregaram o sal do leito seco para terras antes férteis. Esse processo inviabilizou ao mesmo tempo a pesca e a agricultura.
O paradoxo da abundância   Uma vez que a água cobre cerca de  70%  da superfície do planeta, costuma-se vê-la como um recurso inesgotável. Trata-se de uma abundância enganosa. Apenas  2,5%  da água é doce, e a maior parte está no topo das montanhas e nos pólos, na forma de gelo ou de neve. Sobra menos de  1%  em condições para consumo animal e uso na agricultura. Desse total, o homem já utiliza mais da metade – com uma taxa de desperdício próxima a  60%.  A agricultura consome a maior parte da água doce. A indústria é responsável por um quarto da utilização, e o consumo residencial representa menos de  10%.  De acordo com um levantamento realizado pelo Conselho Mundial da Água, se os atuais padrões de consumo forem mantidos, em vinte anos a humanidade será obrigada a derreter geleiras para garantir o abastecimento.
O paradoxo da abundância   A disponibilidade também é desigual. Uma dúzia de países – o Brasil entre eles – concentra mais de metade das reservas mundiais. O mesmo se verifica com os padrões de consumo. Enquanto um americano consome a média diária de  600  litros de água, um cidadão africano não dispõe de mais do que  20  litros por dia. Em duas décadas, nas contas da Organização das Nações Unidas, haverá  4  bilhões de pessoas sem acesso a água em quantidade adequada à sobrevivência, e boa parte sem água potável. Dados da Organização Mundial de Saúde contabilizam  7  milhões de mortes por ano decorrentes da falta de saneamento ou do consumo de água contaminada
O paradoxo da abundância   No Brasil há casos de escassez. Embora o país detenha  17%  da água doce disponível no planeta, ela é mal distribuída. Mais de  70%  do recurso está concentrado na Amazônia, onde moram menos de  10%  dos brasileiros. Enquanto um morador de Roraima tem à disposição  1,8  milhão de litros de água por ano, em Pernambuco essa média é de pouco mais de  1 000  litros. No Nordeste e no Sudeste, algumas localidades enfrentam racionamentos regulares. Em São Paulo, as crises de abastecimento são em parte resultado da poluição dos rios, como o Tietê e o Pinheiros. A maior cidade do país produz menos da metade da água necessária para seu abastecimento. A outra parte é trazida da bacia do Rio Piracicaba, a cerca de  100  quilômetros.
Cada um destes incêndios tem 15 km²   Provocadas pelo homem, queimadas como estas na África ameaçam a biodiversidade, alteram o clima e geram bilhões em prejuízos. Mesmo assim, seu número não pára de crescer ! A África em chamas A cada ano, no início de maio, a África fica coberta de nuvens de fumaça. A imagem mostra 4000 incêndios florestais simultâneos, provocados pelo homem para abrir caminho para pastagens e plantações. O impacto dessa antiga prática é muito maior do que o simples dano ao solo. Somados, tantos focos de chamas afetam o clima em uma vasta parte do continente. Prova disso é a imagem da direita, obtida por satélite um mês depois da foto maior. As áreas amarelas e vermelhas representam uma densa nuvem de monóxido de carbono espraiando-se muito além da zona original dos incêndios .
Cada um destes incêndios tem 15 km²   O homem é culpado por mais de  95%  dos incêndios em florestas. Segundo a Nasa, chegaram a queimar em apenas um ano  820  milhões de hectares. É um Brasil inteiro incendiado. O Brasil também é um dos líderes nesse ranking negativo.  Em 2004, houveram  226 000  focos de incêndio em todo o Brasil. Há quatro anos, o número era menos que a metade desse total. A fumaça gerada pelas queimadas lança na atmosfera quase três vezes o total de poluentes gerado no Brasil pela indústria, pelos transportes e pela agricultura.  A Amazônia responde por  77%  das emissões, produzindo   776  milhões de toneladas de partículas de CO2 por ano. O custo não é apenas ambiental. O prejuízo com cercas e pastos queimados é de  100  milhões de dólares por ano.
O mar está perdendo fôlego   Sobrepesca  - Em 1992,  44 000  pescadores da região de Newfoundland, no Canadá, perderam o emprego. As autoridades decidiram proibir a pesca do bacalhau, base da economia local, ao constatar que a produção baixara  90%  em relação à década de 70.   Todos os anos são retirados dos mares e rios do planeta  100  milhões de toneladas de pescado. Fonte barata de proteínas e de riqueza durante milênios, o mar dá sinais de perder fôlego pela primeira vez na história. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) calcula que em apenas seis anos a produção será até  20  milhões de toneladas menor que a atual. Das 200 espécies mais valiosas no mercado,  120  são exploradas além de sua capacidade de reprodução. No Brasil, entre as consideradas sobrepescadas estão a lagosta, certas variedades de sardinha e camarão e peixes de água doce, como o tambaqui amazônico.
O mar está perdendo fôlego   Artesanal desde o início dos tempos, hoje a pesca também é industrial. A pesca de arrasto, com redes que varrem o fundo do mar, é extremamente predatória. Além de recolherem indiscriminadamente todas as espécies, as redes usam bolas de aço que destroem corais e revolvem o fundo do oceano.  Por outro lado, equipadas com sonares e softwares de localização por satélite, as embarcações modernas encontram os cardumes com uma facilidade jamais vista. Com o colapso dos estoques em várias partes do Mar do Norte, na Europa, pesqueiros europeus e asiáticos se aventuram em águas internacionais próximas à África e ao Brasil. "Seguirão nesse ritmo até chegarem à Antártica. E essas serão as últimas águas a ser exploradas", diz Clover.
1 000 toneladas  de lixo por segundo Essa é a quantidade produzida na Terra   Todos os anos, a humanidade joga no lixo  30 bilhões  de toneladas de detritos. Isso representa quase  1 000 toneladas por segundo.  Muitas regiões já não dispõem de espaço para armazenar a própria sujeira. Nas principais cidades do planeta, como São Paulo, a construção de aterros sanitários virou um problema grave. Os lixões não podem ser instalados em áreas urbanas, devido aos riscos de contaminação do ar e do solo. De Nova York, que produz  11 000 toneladas por dia , saem diariamente  550 caminhões  de lixo para aterros sanitários nos estados de Nova Jersey e Virgínia. No Canadá, o lixo coletado na cidade de Toronto (na província do mesmo nome) viaja  800 quilômetros  até ser despejado em uma mina desativada no interior da província.   .
1 000 toneladas  de lixo por segundo Essa é a quantidade produzida na Terra   Levar o lixo para mais longe só encarece e muda o problema de lugar, sem resolvê-lo. Boa parte, além disso, é de difícil reciclagem. O  plástico  – que leva mais de  400 anos  para se decompor – responde por  20% do lixo urbano . Aterros sanitários ajudam na proliferação de mosquitos transmissores de dengue, febre amarela e outras enfermidades. São um importante foco de leptospirose, doença transmitida pelos ratos. Bastam  50 toneladas  de lixo para contaminar definitivamente  1 hectare  de terra. O chorume, líquido tóxico originado da decomposição do material orgânico, misturado com a água da chuva, penetra no solo e pode alcançar lençóis subterrâneos.
1 000 toneladas  de lixo por segundo Essa é a quantidade produzida na Terra   A contaminação vem também dos esgotos. No Brasil, produzem-se em média 150 litros de esgoto por habitante diariamente. Mais de 95% são jogados nos rios e no mar sem nenhum tipo de tratamento. Somente no litoral, onde vivem mais de 40 milhões de pessoas, todos os dias são lançados ao mar 6 bilhões de litros. Nos Estados Unidos, o lixo e a poluição levada pelos rios estão transformando o Golfo do México em região morta. A degradação ambiental afugentou centenas de espécies que viviam naquela área.
1 000 toneladas  de lixo por segundo Essa é a quantidade produzida na Terra   Os Estados Unidos, que ocupam o topo da lista dos países que mais reciclam seu lixo, conseguem reaproveitar pouco mais da metade do que vai parar nas lixeiras. Na Europa Ocidental, virou rotina nos supermercados cobrar uma taxa para fornecer sacolas plásticas. Os clientes levam as suas de casa. Também na Europa, o bom e velho casco (de vidro ou de plástico) vale desconto na compra de refrigerantes e água mineral. Para a redução do lixo industrial, a União Européia está financiando projetos em que uma indústria transforma em insumo o lixo de outras fábricas. Até a fuligem das chaminés de algumas é aproveitada para a produção de tijolos e estruturas metálicas.
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Vilões ambientais   O homem polui para gerar energia, mas alternativas limpas começam a se tornar viáveis  A maior parte da energia consumida no planeta vem das chamadas fontes sujas – principalmente petróleo e carvão mineral. Elas são a principal causa da elevação dos níveis de CO2 na atmosfera e criam outros riscos ao ambiente. Petroleiros realizam viagens transoceânicas transportando milhões de toneladas de óleo cru. Estão sempre sujeitos a vazamentos catastróficos, como os do  Exxon Valdez,  em 1989, na costa do Alasca, e do  Prestige,  em 2002, que tingiu de negro as costas da Espanha e da França. Tubulações que transportam gás e petróleo também são um risco constante para o meio ambiente.
Vilões ambientais   Na lista dos combustíveis sujos enquadram-se igualmente as fontes da eletricidade que abastece empresas e residências. A mais polêmica é a energia nuclear, que, embora não lance poluentes na atmosfera, gera rejeitos que se transformam em um problemão ambiental praticamente eterno. Ainda não foram bem resolvidas as questões de o que fazer com essas sobras e como tornar as usinas à prova de vazamentos. Acredita-se que o lixo atômico tenha poder de contaminação por mais de 30 000 anos. A solução atual é, literalmente, enterrar o problema.
Vilões ambientais   Na lista de grandes geradores de energia – e de problemas ambientais – também estão as hidrelétricas. Elas são, teoricamente, uma fonte limpa. Mas, além de alagarem e desestruturarem complexos ambientais, são emissoras de metano, um gás com poder de retenção de calor 21 vezes maior que o do dióxido de carbono. Isso porque guardam em seus reservatórios bilhões de toneladas de matéria orgânica que, ao se decompor, se tornam fontes poluentes. Segundo INPA, somente as quatro maiores represas da Amazônia (Tucuruí, Balbina, Samuel e Curuá-Una) emitiram juntas, em 1990, quatro vezes mais gases causadores do efeito estufa do que se produziria gerando a mesma quantidade de energia com combustíveis fósseis.
Vilões ambientais   As alternativas são as chamadas fontes limpas – energias solar, eólica e das marés, por exemplo. Produzidas para poluir menos ou, em alguns casos, nada, elas ainda são caras demais para se tornar um substituto viável às fontes atuais, mas deixaram de ser vistas como projetos de cientistas malucos e vêm sendo levadas a sério por governos e empresas de grande porte.
Para onde vamos   Os cientistas dizem que não há como parar o aquecimento global. Seu ritmo de expansão, porém, pode ser reduzido É provável que dentro de um século alguns pontos do planeta estejam 6 graus mais quentes do que hoje. O nível do mar pode subir até 80 centímetros. Essas mudanças serão sentidas por centenas de milhões de pessoas. Segundo uma das previsões, Bangladesh, pequena nação asiática com 140 milhões de habitantes, perderá 16% de seu território para o mar. Isso obrigaria 20 milhões de pessoas a se transferir para terras mais altas.
Para onde vamos   Veja outras previsões:  •  A Organização Mundial de Saúde estima que em duas décadas o saldo de mortes provocadas pelo efeito estufa deverá ser de mais de 300 000 por ano.  •  Economistas da Universidade Yale afirmam que os prejuízos provocados pelos fenômenos climáticos deverão chegar a 794 bilhões de dólares por década, a partir de 2010.  •  Segundo estudo do Conselho Ártico – entidade que reúne os países vizinhos do Pólo Norte, como Noruega, Canadá e Rússia –, até o fim do século o Círculo Polar Ártico ficará sem gelo durante o verão e o princípio do outono.
Para onde vamos   •  A Universidade de Leeds, na Inglaterra, estima que 1 milhão de espécies são vulneráveis ao aquecimento e que 15% a 35% poderão estar extintas em 2050.  •  Pesquisa do cientista israelense Roni Avissar, da universidade americana Duke, relacionou o desmatamento na Amazônia à redução das chuvas no Meio Oeste dos Estados Unidos, onde se concentra o grosso da produção agrícola americana.  •  No Brasil, cientistas do Inpe e da Universidade de São Paulo prevêem que em cinqüenta anos o clima no país será desfavorável ao plantio de café em São Paulo e de algodão no Centro-Oeste.
Para onde vamos   Cenas como as mostradas no filme  O Dia Depois de Amanhã,  do diretor Roland Emmerich – em que o clima da Terra mudou em apenas uma semana, provocando uma era glacial –, são impossíveis na vida real, porém. Os pesquisadores descartam qualquer mudança abrupta, o que permitirá à humanidade se antecipar. "O que não podemos é ignorar as evidências", diz o físico americano James Hansen, da Nasa. Para o cientista, por meio de ações práticas pode-se não só desacelerar o aquecimento como também, a longo prazo, neutralizá-lo, impedindo que as catástrofes venham a ocorrer. Essas previsões, dizem os cientistas da corrente otimista, não levam em conta as evoluções tecnológicas dos próximos cinqüenta ou 100 anos. Vários cenários catastróficos elaborados no passado não levaram em consideração essas mudanças importantes.

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O Estado Geral Do Planeta

  • 1. O estado geral da Terra Veja 12/2004 Uma jóia única no universo
  • 2. O estado geral da Terra Uma jóia única no universo A Terra é o terceiro planeta do sistema solar. Se fosse o primeiro ou o segundo, seria quente demais e toda água se evaporaria. Se fosse o quarto, o quinto, o sexto... ou o nono, sua superfície seria tão gelada que não haveria água em forma líquida. O tamanho e a massa da Terra também foram calibrados pela natureza para sustentar a vida. Um pouco menos de massa e não haveria força gravitacional para manter uma atmosfera. Um pouco mais de massa e o núcleo provocaria oscilações gravitacionais capazes de transformar o clima em um inferno. O mais espantoso: se a súbita expansão que se seguiu ao Big Bang na criação do universo tivesse se atrasado em uma fração de trilionésimo de segundo, as galáxias e os planetas teriam sido atraídos para o núcleo cósmico e destruídos. Se a expansão tivesse se adiantado a mesma fração de tempo, o universo teria se evaporado na forma de uma nuvem de partículas geladas.
  • 3. Sinais de mudança A questão não é mais se haverá aquecimento global: o processo já está em andamento e o que se vê agora são apenas seus primeiros efeitos O ciclone Catarina, que se formou neste ano no litoral sul do Brasil, foi considerado por um grupo de cientistas ingleses como sinal antecipado da mudança do clima.
  • 4. Sinais de mudança Blocos de gelo de tamanho inusitado têm se desprendido dos pólos. Em 1998, um deles, do tamanho do Distrito Federal, se soltou de uma geleira na Antártica. Outro, com 720 bilhões de toneladas de gelo e três vezes maior que a cidade do Rio de Janeiro, desprendeu-se em 2002. Dois séculos atrás, a Praça de São Marcos, em Veneza, era inundada uma ou duas vezes por ano. Agora é interditada quase toda semana por causa do avanço das águas. No sul dos Estados Unidos, o estado de Louisiana perde cerca de 16 hectares de terra por dia. Os Everglades, turísticos pântanos da Flórida, podem desaparecer até o fim deste século. Países asiáticos, como Bangladesh e China, estão perdendo faixas de terra férteis usadas para o cultivo do arroz.
  • 5. Sinais de mudança A década mais quente já registrada foi a de 1990. Essa tendência é observada também nos últimos cinco anos. Atribuem-se a uma inédita onda de calor 30 000 mortes na Europa Ocidental, no verão de 2003. Um estudo da Organização Mundial de Meteorologia, ligada às Nações Unidas, estima que pelo menos 160 000 pessoas morram por ano em conseqüência das mudanças no clima. Entre as causas da mortandade está a elevação das marés, que inviabiliza fontes de água na foz de rios. No Egito, o avanço do mar está deixando a água do Nilo salobra e afetando o abastecimento da região. A febre do oeste do Nilo chegou aos Estados Unidos em um ano de fortes secas, por meio de aves migratórias infectadas, e nos últimos cinco anos matou 500 americanos. .
  • 6. Sinais de mudança A análise de bolhas de ar presas há milênios no subsolo gelado da Antártica comprovou que a atual concentração de CO2 na atmosfera é a maior já registrada nos últimos 440 000 anos. É um terço a mais do que a natureza é capaz de reciclar. Em setembro, cientistas japoneses do Instituto Nacional de Pesquisa Polar revelaram que os níveis de CO2 já interferem na qualidade do ar dos lugares mais remotos do planeta. Com o auxílio de balões que coletaram amostras do ar, descobriram que a quantidade do poluente cresceu 2,6% em seis anos no continente gelado. É a primeira vez que um gás causador do efeito estufa aumenta a ponto de influenciar a qualidade do ar nos pólos.
  • 7. Sinais de mudança Medições do oceanógrafo Sydney Levitus, do serviço de meteorologia americano, mostram que a quantidade de calor nos oceanos aumentou 10 watts por metro quadrado nos últimos cinqüenta anos. Levitus afirma que, mesmo que se venham a reduzir as emissões e controlar o efeito estufa, a atmosfera terrestre continuará esquentando por no mínimo 100 anos, devido à absorção do calor emitido pelos oceanos. É que, assim como a água demora para se aquecer, também demora para perder calor. As conseqüências são facilmente imagináveis. "A elevação de apenas 1 grau onde a temperatura era zero significa que, ali, tudo o que é gelo vai derreter e fazer aumentar a quantidade de água escorrendo para os oceanos"
  • 8. Além dos limites Os pessimistas, que previam fome no planeta com o crescimento da população, estavam enganados. Mas os recursos naturais continuam ameaçados pelos 6,5 bilhões de habitantes da Terra Os avanços tecnológicos aplicados à agricultura multiplicaram as safras e, se a fome persiste em muitas partes do globo, isso se deve menos à falta de alimentos do que à desigualdade na distribuição. Os avanços tecnológicos aplicados à agricultura multiplicaram as safras e, se a fome persiste em muitas partes do globo, isso se deve menos à falta de alimentos do que à desigualdade na distribuição.
  • 9. Além dos limites A geração de energia e a busca de matérias-primas aniquilaram alguns ecossistemas. Metais pesados foram despejados nos rios e áreas de florestas, e montanhas se transformaram em crateras após décadas de mineração. Esse desequilíbrio resulta de várias atividades humanas – queimadas, poluição e pesca excessiva
  • 10. O paradoxo da abundância Desperdício e distribuição desigual tornaram a água uma fonte de conflitos O Mar de Aral, na antiga União Soviética, morreu. Outrora quarto maior lago do planeta, com superfície maior que a dos estados do Rio de Janeiro e Alagoas juntos, hoje ocupa um terço da área original. Os rios que o alimentam foram desviados e canalizados para a agricultura. Os ventos carregaram o sal do leito seco para terras antes férteis. Esse processo inviabilizou ao mesmo tempo a pesca e a agricultura.
  • 11. O paradoxo da abundância Uma vez que a água cobre cerca de 70% da superfície do planeta, costuma-se vê-la como um recurso inesgotável. Trata-se de uma abundância enganosa. Apenas 2,5% da água é doce, e a maior parte está no topo das montanhas e nos pólos, na forma de gelo ou de neve. Sobra menos de 1% em condições para consumo animal e uso na agricultura. Desse total, o homem já utiliza mais da metade – com uma taxa de desperdício próxima a 60%. A agricultura consome a maior parte da água doce. A indústria é responsável por um quarto da utilização, e o consumo residencial representa menos de 10%. De acordo com um levantamento realizado pelo Conselho Mundial da Água, se os atuais padrões de consumo forem mantidos, em vinte anos a humanidade será obrigada a derreter geleiras para garantir o abastecimento.
  • 12. O paradoxo da abundância A disponibilidade também é desigual. Uma dúzia de países – o Brasil entre eles – concentra mais de metade das reservas mundiais. O mesmo se verifica com os padrões de consumo. Enquanto um americano consome a média diária de 600 litros de água, um cidadão africano não dispõe de mais do que 20 litros por dia. Em duas décadas, nas contas da Organização das Nações Unidas, haverá 4 bilhões de pessoas sem acesso a água em quantidade adequada à sobrevivência, e boa parte sem água potável. Dados da Organização Mundial de Saúde contabilizam 7 milhões de mortes por ano decorrentes da falta de saneamento ou do consumo de água contaminada
  • 13. O paradoxo da abundância No Brasil há casos de escassez. Embora o país detenha 17% da água doce disponível no planeta, ela é mal distribuída. Mais de 70% do recurso está concentrado na Amazônia, onde moram menos de 10% dos brasileiros. Enquanto um morador de Roraima tem à disposição 1,8 milhão de litros de água por ano, em Pernambuco essa média é de pouco mais de 1 000 litros. No Nordeste e no Sudeste, algumas localidades enfrentam racionamentos regulares. Em São Paulo, as crises de abastecimento são em parte resultado da poluição dos rios, como o Tietê e o Pinheiros. A maior cidade do país produz menos da metade da água necessária para seu abastecimento. A outra parte é trazida da bacia do Rio Piracicaba, a cerca de 100 quilômetros.
  • 14. Cada um destes incêndios tem 15 km² Provocadas pelo homem, queimadas como estas na África ameaçam a biodiversidade, alteram o clima e geram bilhões em prejuízos. Mesmo assim, seu número não pára de crescer ! A África em chamas A cada ano, no início de maio, a África fica coberta de nuvens de fumaça. A imagem mostra 4000 incêndios florestais simultâneos, provocados pelo homem para abrir caminho para pastagens e plantações. O impacto dessa antiga prática é muito maior do que o simples dano ao solo. Somados, tantos focos de chamas afetam o clima em uma vasta parte do continente. Prova disso é a imagem da direita, obtida por satélite um mês depois da foto maior. As áreas amarelas e vermelhas representam uma densa nuvem de monóxido de carbono espraiando-se muito além da zona original dos incêndios .
  • 15. Cada um destes incêndios tem 15 km² O homem é culpado por mais de 95% dos incêndios em florestas. Segundo a Nasa, chegaram a queimar em apenas um ano 820 milhões de hectares. É um Brasil inteiro incendiado. O Brasil também é um dos líderes nesse ranking negativo. Em 2004, houveram 226 000 focos de incêndio em todo o Brasil. Há quatro anos, o número era menos que a metade desse total. A fumaça gerada pelas queimadas lança na atmosfera quase três vezes o total de poluentes gerado no Brasil pela indústria, pelos transportes e pela agricultura. A Amazônia responde por 77% das emissões, produzindo 776 milhões de toneladas de partículas de CO2 por ano. O custo não é apenas ambiental. O prejuízo com cercas e pastos queimados é de 100 milhões de dólares por ano.
  • 16. O mar está perdendo fôlego Sobrepesca - Em 1992, 44 000 pescadores da região de Newfoundland, no Canadá, perderam o emprego. As autoridades decidiram proibir a pesca do bacalhau, base da economia local, ao constatar que a produção baixara 90% em relação à década de 70. Todos os anos são retirados dos mares e rios do planeta 100 milhões de toneladas de pescado. Fonte barata de proteínas e de riqueza durante milênios, o mar dá sinais de perder fôlego pela primeira vez na história. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) calcula que em apenas seis anos a produção será até 20 milhões de toneladas menor que a atual. Das 200 espécies mais valiosas no mercado, 120 são exploradas além de sua capacidade de reprodução. No Brasil, entre as consideradas sobrepescadas estão a lagosta, certas variedades de sardinha e camarão e peixes de água doce, como o tambaqui amazônico.
  • 17. O mar está perdendo fôlego Artesanal desde o início dos tempos, hoje a pesca também é industrial. A pesca de arrasto, com redes que varrem o fundo do mar, é extremamente predatória. Além de recolherem indiscriminadamente todas as espécies, as redes usam bolas de aço que destroem corais e revolvem o fundo do oceano. Por outro lado, equipadas com sonares e softwares de localização por satélite, as embarcações modernas encontram os cardumes com uma facilidade jamais vista. Com o colapso dos estoques em várias partes do Mar do Norte, na Europa, pesqueiros europeus e asiáticos se aventuram em águas internacionais próximas à África e ao Brasil. "Seguirão nesse ritmo até chegarem à Antártica. E essas serão as últimas águas a ser exploradas", diz Clover.
  • 18. 1 000 toneladas de lixo por segundo Essa é a quantidade produzida na Terra Todos os anos, a humanidade joga no lixo 30 bilhões de toneladas de detritos. Isso representa quase 1 000 toneladas por segundo. Muitas regiões já não dispõem de espaço para armazenar a própria sujeira. Nas principais cidades do planeta, como São Paulo, a construção de aterros sanitários virou um problema grave. Os lixões não podem ser instalados em áreas urbanas, devido aos riscos de contaminação do ar e do solo. De Nova York, que produz 11 000 toneladas por dia , saem diariamente 550 caminhões de lixo para aterros sanitários nos estados de Nova Jersey e Virgínia. No Canadá, o lixo coletado na cidade de Toronto (na província do mesmo nome) viaja 800 quilômetros até ser despejado em uma mina desativada no interior da província. .
  • 19. 1 000 toneladas de lixo por segundo Essa é a quantidade produzida na Terra Levar o lixo para mais longe só encarece e muda o problema de lugar, sem resolvê-lo. Boa parte, além disso, é de difícil reciclagem. O plástico – que leva mais de 400 anos para se decompor – responde por 20% do lixo urbano . Aterros sanitários ajudam na proliferação de mosquitos transmissores de dengue, febre amarela e outras enfermidades. São um importante foco de leptospirose, doença transmitida pelos ratos. Bastam 50 toneladas de lixo para contaminar definitivamente 1 hectare de terra. O chorume, líquido tóxico originado da decomposição do material orgânico, misturado com a água da chuva, penetra no solo e pode alcançar lençóis subterrâneos.
  • 20. 1 000 toneladas de lixo por segundo Essa é a quantidade produzida na Terra A contaminação vem também dos esgotos. No Brasil, produzem-se em média 150 litros de esgoto por habitante diariamente. Mais de 95% são jogados nos rios e no mar sem nenhum tipo de tratamento. Somente no litoral, onde vivem mais de 40 milhões de pessoas, todos os dias são lançados ao mar 6 bilhões de litros. Nos Estados Unidos, o lixo e a poluição levada pelos rios estão transformando o Golfo do México em região morta. A degradação ambiental afugentou centenas de espécies que viviam naquela área.
  • 21. 1 000 toneladas de lixo por segundo Essa é a quantidade produzida na Terra Os Estados Unidos, que ocupam o topo da lista dos países que mais reciclam seu lixo, conseguem reaproveitar pouco mais da metade do que vai parar nas lixeiras. Na Europa Ocidental, virou rotina nos supermercados cobrar uma taxa para fornecer sacolas plásticas. Os clientes levam as suas de casa. Também na Europa, o bom e velho casco (de vidro ou de plástico) vale desconto na compra de refrigerantes e água mineral. Para a redução do lixo industrial, a União Européia está financiando projetos em que uma indústria transforma em insumo o lixo de outras fábricas. Até a fuligem das chaminés de algumas é aproveitada para a produção de tijolos e estruturas metálicas.
  • 22. 1 000 toneladas de lixo por segundo Essa é a quantidade produzida na Terra Os Estados Unidos, que ocupam o topo da lista dos países que mais reciclam seu lixo, conseguem reaproveitar pouco mais da metade do que vai parar nas lixeiras. Na Europa Ocidental, virou rotina nos supermercados cobrar uma taxa para fornecer sacolas plásticas. Os clientes levam as suas de casa. Também na Europa, o bom e velho casco (de vidro ou de plástico) vale desconto na compra de refrigerantes e água mineral. Para a redução do lixo industrial, a União Européia está financiando projetos em que uma indústria transforma em insumo o lixo de outras fábricas. Até a fuligem das chaminés de algumas é aproveitada para a produção de tijolos e estruturas metálicas.
  • 23. 1 000 toneladas de lixo por segundo Essa é a quantidade produzida na Terra Os Estados Unidos, que ocupam o topo da lista dos países que mais reciclam seu lixo, conseguem reaproveitar pouco mais da metade do que vai parar nas lixeiras. Na Europa Ocidental, virou rotina nos supermercados cobrar uma taxa para fornecer sacolas plásticas. Os clientes levam as suas de casa. Também na Europa, o bom e velho casco (de vidro ou de plástico) vale desconto na compra de refrigerantes e água mineral. Para a redução do lixo industrial, a União Européia está financiando projetos em que uma indústria transforma em insumo o lixo de outras fábricas. Até a fuligem das chaminés de algumas é aproveitada para a produção de tijolos e estruturas metálicas.
  • 24. Vilões ambientais O homem polui para gerar energia, mas alternativas limpas começam a se tornar viáveis A maior parte da energia consumida no planeta vem das chamadas fontes sujas – principalmente petróleo e carvão mineral. Elas são a principal causa da elevação dos níveis de CO2 na atmosfera e criam outros riscos ao ambiente. Petroleiros realizam viagens transoceânicas transportando milhões de toneladas de óleo cru. Estão sempre sujeitos a vazamentos catastróficos, como os do Exxon Valdez, em 1989, na costa do Alasca, e do Prestige, em 2002, que tingiu de negro as costas da Espanha e da França. Tubulações que transportam gás e petróleo também são um risco constante para o meio ambiente.
  • 25. Vilões ambientais Na lista dos combustíveis sujos enquadram-se igualmente as fontes da eletricidade que abastece empresas e residências. A mais polêmica é a energia nuclear, que, embora não lance poluentes na atmosfera, gera rejeitos que se transformam em um problemão ambiental praticamente eterno. Ainda não foram bem resolvidas as questões de o que fazer com essas sobras e como tornar as usinas à prova de vazamentos. Acredita-se que o lixo atômico tenha poder de contaminação por mais de 30 000 anos. A solução atual é, literalmente, enterrar o problema.
  • 26. Vilões ambientais Na lista de grandes geradores de energia – e de problemas ambientais – também estão as hidrelétricas. Elas são, teoricamente, uma fonte limpa. Mas, além de alagarem e desestruturarem complexos ambientais, são emissoras de metano, um gás com poder de retenção de calor 21 vezes maior que o do dióxido de carbono. Isso porque guardam em seus reservatórios bilhões de toneladas de matéria orgânica que, ao se decompor, se tornam fontes poluentes. Segundo INPA, somente as quatro maiores represas da Amazônia (Tucuruí, Balbina, Samuel e Curuá-Una) emitiram juntas, em 1990, quatro vezes mais gases causadores do efeito estufa do que se produziria gerando a mesma quantidade de energia com combustíveis fósseis.
  • 27. Vilões ambientais As alternativas são as chamadas fontes limpas – energias solar, eólica e das marés, por exemplo. Produzidas para poluir menos ou, em alguns casos, nada, elas ainda são caras demais para se tornar um substituto viável às fontes atuais, mas deixaram de ser vistas como projetos de cientistas malucos e vêm sendo levadas a sério por governos e empresas de grande porte.
  • 28. Para onde vamos Os cientistas dizem que não há como parar o aquecimento global. Seu ritmo de expansão, porém, pode ser reduzido É provável que dentro de um século alguns pontos do planeta estejam 6 graus mais quentes do que hoje. O nível do mar pode subir até 80 centímetros. Essas mudanças serão sentidas por centenas de milhões de pessoas. Segundo uma das previsões, Bangladesh, pequena nação asiática com 140 milhões de habitantes, perderá 16% de seu território para o mar. Isso obrigaria 20 milhões de pessoas a se transferir para terras mais altas.
  • 29. Para onde vamos Veja outras previsões: • A Organização Mundial de Saúde estima que em duas décadas o saldo de mortes provocadas pelo efeito estufa deverá ser de mais de 300 000 por ano. • Economistas da Universidade Yale afirmam que os prejuízos provocados pelos fenômenos climáticos deverão chegar a 794 bilhões de dólares por década, a partir de 2010. • Segundo estudo do Conselho Ártico – entidade que reúne os países vizinhos do Pólo Norte, como Noruega, Canadá e Rússia –, até o fim do século o Círculo Polar Ártico ficará sem gelo durante o verão e o princípio do outono.
  • 30. Para onde vamos • A Universidade de Leeds, na Inglaterra, estima que 1 milhão de espécies são vulneráveis ao aquecimento e que 15% a 35% poderão estar extintas em 2050. • Pesquisa do cientista israelense Roni Avissar, da universidade americana Duke, relacionou o desmatamento na Amazônia à redução das chuvas no Meio Oeste dos Estados Unidos, onde se concentra o grosso da produção agrícola americana. • No Brasil, cientistas do Inpe e da Universidade de São Paulo prevêem que em cinqüenta anos o clima no país será desfavorável ao plantio de café em São Paulo e de algodão no Centro-Oeste.
  • 31. Para onde vamos Cenas como as mostradas no filme O Dia Depois de Amanhã, do diretor Roland Emmerich – em que o clima da Terra mudou em apenas uma semana, provocando uma era glacial –, são impossíveis na vida real, porém. Os pesquisadores descartam qualquer mudança abrupta, o que permitirá à humanidade se antecipar. "O que não podemos é ignorar as evidências", diz o físico americano James Hansen, da Nasa. Para o cientista, por meio de ações práticas pode-se não só desacelerar o aquecimento como também, a longo prazo, neutralizá-lo, impedindo que as catástrofes venham a ocorrer. Essas previsões, dizem os cientistas da corrente otimista, não levam em conta as evoluções tecnológicas dos próximos cinqüenta ou 100 anos. Vários cenários catastróficos elaborados no passado não levaram em consideração essas mudanças importantes.