Marta Fiorillo
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A partir da observação do aumento dos constantes e violentos conflitos que
ocorrem nas escolas do Brasil, resul...
Mais da metade dos que morrem por homicídios, acidentes de trânsito são
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Cabe ao governo e a toda comunidade escolar, capacitar profissionais para a
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2- O bullying no Brasil
A Plan Brasil, uma organização não governamental da Inglaterra que atua
em 66 países, realizou em ...
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brincadeiras, agressões verbais e violência física, nem que ...
As famílias são acusadas de negligentes quanto à socialização das crianças,
enquanto que os profissionais da educação são ...
4- Sinais indicativos de bullying
Pais e professores, gestores precisam identificar quando uma criança está
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5- As consequências devastadoras do bullying
O bullying pode funcionar como um detonador de doenças psíquicas que a
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Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) – esta doença causa uma sensação de
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Assim, não há tempo para refletir para a ação ou sobre o processo desenfreado de
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O Brasil ocupa o 6º lugar no mundo em mortes por homicídios e o 10º em
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As questões do convívio social, dos padrões que regem as relações entre as
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Outras propostas relevantes de combate ao bullying são feitas por Silva
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É fundamental a revisão de conceitos a respeito da violência, da escola, dos
“nossos tempos líquidos”.
Assim, podemos conc...
Considerações finais
Há uma urgência em nossa sociedade para que ações se concretizem na
Educação e que gerem mudanças efe...
Referências bibliográficas
ARAÚJO de, Frederico Antônio. Bullying: uma abordagem teórica dessa
construção social. Rio de J...
PLAN BRASIL. Pesquisa: bullying escolar no Brasil. São Paulo, mar, 2010.
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Diagnóstico, prevenção e combate ao bullying

  1. 1. Marta Fiorillo
  2. 2. Resumo: Os índices de agressão dentro das escolas brasileiras aumentam aceleradamente, um fenômeno que acompanha o mesmo processo em todo o mundo. Atrelado a este aumento, constata-se que o bullying afeta o processo de ensino-aprendizagem de forma significativa e comprometedora dentro das escolas públicas e particulares. Identificá-lo, compreendê-lo e combatê-lo, torna-se essencial para transformar a escola num local de real construção de saberes, respeito, justiça e consequentemente de cidadania. É fundamental transformar a escola num local de referência contra a violência, a intolerância e a omissão. Palavras-chave: Bullying. Identificação. Diagnóstico. Prevenção.
  3. 3. Introdução A partir da observação do aumento dos constantes e violentos conflitos que ocorrem nas escolas do Brasil, resultando em graves sequelas ou morte para os envolvidos, assim este artigo tem como objeto de estudo uma análise do bullying nas escolas do país. Pretende-se verificar os motivos que levam cada vez mais alunos a agredirem-se violentamente, física ou moralmente, bem como como toda a comunidade escolar identificar, prevenir e combater o bullying nas instituições de ensino. As pesquisas de organizações não governamentais e governamentais demonstram de forma alarmante os níveis absurdos de violência em que se encontra o país. Certamente, o Brasil não está isolado nesta trágica constatação, já que vários países da América Latina e alguns países asiáticos apresentam um quadro similar, todavia, nenhum apresenta um mesmo panorama de homicídios, violência doméstica e mortes no trânsito.
  4. 4. Mais da metade dos que morrem por homicídios, acidentes de trânsito são jovens. Morre-se mais no Brasil, num mesmo período de quatro anos do que em doze diferentes conflitos armados pelo mundo. Agrega-se a este processo desastroso, uma sociedade atomizada em indivíduos cada vez mais individualistas e consumistas. Os reflexos desta sociedade repercutem pelos quatro cantos das escolas no país, através de uma cultura da violência. É imprescindível que todos estejam preparados para identificar, prevenir e combater a violência que se apresenta na escola. E o bullying é uma das mais antigas, na história da humanidade e da própria instituição escolar. Para Silva (2010, p.14) o bullying não pode ser mais encarado como um fenômeno exclusivo da área educacional. Atualmente, ele já é definido como um problema de saúde pública e por isso deve entrar nas discussões de todos os profissionais que atuam na área média, psicológica e assistencial. A falta de conhecimento sobre a existência, o funcionamento e as consequências do bullying propicia o aumento desenfreado no número e na gravidade de novos casos, e expõe as pessoas a situações trágicas que poderiam ser evitadas.
  5. 5. Cabe ao governo e a toda comunidade escolar, capacitar profissionais para a identificação, o diagnóstico, a intervenção e o encaminhamento adequado de todos os casos ocorridos na unidade escolar. Para a elaboração deste artigo foi utilizada apenas a pesquisa bibliográfica. 1- A diferença entre conflito e bullying Os conflitos são parte da vida de qualquer pessoa e muitas vezes superá-los faz parte do nosso crescimento pessoal, todavia uma situação supera os limites do conflito quando identificamos que as atitudes tem o objetivo de ferir e prejudicar; apresentam-se de forma intensa e sistemática; é notória uma situação de poder da pessoa que intimida; é proposital, pois o agressor não pede desculpas, além de causar impacto negativo na pessoa agredida. Neste caso, ocorre o bullying, palavra inglesa, derivada de bully cujo significado é valentão, provocador, brigão. O bullying caracteriza-se como um comportamento violento nas esferas físicas e psicológicas de forma intencional, repetitiva e intimidadora, impossibilitando a defesa da vítima. Assim, há uma nítida configuração de abuso de poder, intimidação e prepotência nos bullies, como são chamados aqueles que praticam o bullying.
  6. 6. 2- O bullying no Brasil A Plan Brasil, uma organização não governamental da Inglaterra que atua em 66 países, realizou em 2009 a pesquisa “Bullying no Ambiente Escolar”. O relatório indicou que quanto maior a frequência de agressões contra um aluno, maior será o tempo de duração dessa violência. Isso demonstra que a repetição das atitudes de bullying fortalece a iniciativa dos bullies e reduz as possibilidades de defesa das vítimas, identificando ser essencial uma ágil detecção das ações agressivas e uma rápida intervenção. Constatou-se que 70% dos estudantes entrevistados presenciaram cenas de agressões entre colegas, 30% vivenciaram pelos menos uma situação de violência no mesmo período e 20% presenciaram atos de violência com uma frequência muito alta. Verificou-se, ainda, que o bullying é muito mais comum nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, bem como a incidência maior está na faixa de 11 a 15 anos de idade, prioritariamente nas sextas-séries. Os motivos para as agressões não foram indicados, pois os alunos agressores ou vítimas não souberam informar.
  7. 7. Os próprios alunos não conseguem diferenciar os limites entre brincadeiras, agressões verbais e violência física, nem que pode existir um crescimento gigantesco dessas situações de violência. As escolas não estão preparadas para evitar essa progressão logo no seu início, nem para esclarecer aos alunos quais são os limites e quais são as formas estabelecidas para que sejam respeitados por todos. O número de vítimas do sexo masculino é o maior, mais de 34,5%, enquanto que entre as meninas de 23,9% Em relação ao ciberbullying, 16,8% são vítimas, 17,7% são praticantes e apenas 3,5% são ao mesmo tempo praticantes e vítimas. O envio de e-mails maldosos é o tipo de agressão mais frequente e na maior parte das vezes é praticado pelos meninos. Entre as meninas, o uso de ferramentas e de sites de relacionamento são as formas mais utilizadas. Na pesquisa os alunos percebem os danos do bullying sobre o processo de aprendizagem, assim como os gestores e professores sabem da existência de uma cultura da violência, porém as escolas estão despreparadas, possivelmente por considerar que este problema e sua solução não fazem parte das atribuições da escola.
  8. 8. As famílias são acusadas de negligentes quanto à socialização das crianças, enquanto que os profissionais da educação são acusados de desinteresse, incompetência, alienação quanto às necessidades e problemas dos alunos. 3- As várias faces do bullying O bullying pode se apresentar de forma verbal, através de insultos, ofensas, xingamentos, gozações, apelidos e piadas ofensivas; físico e material, por meio de chutes, espancamentos, empurrões, beliscões, roubo, destruição de materiais de outra pessoa; psicológico e moral quando causa irritação, humilhação, ridicularização, exclusão, isolamento, desprezo, desmoralização, discriminação, aterroriza, intimida, tiraniza, persegue, difama; sexual, caracterizado pelo abuso, violência, assédio e insinuações; virtual (ciberbullying), propaga calúnias, maledicências pela internet ou celular.
  9. 9. 4- Sinais indicativos de bullying Pais e professores, gestores precisam identificar quando uma criança está sofrendo bullying, para isso é necessário observar diariamente a fim de detectar alguns indícios desta prática: dificuldade de concentração na aula; quer fazer um caminho diferente para a escola; subitamente se desinteressa pelos eventos promovidos pela escola; queda repentina nas notas; demonstra felicidade aos finais de semana, porém fica infeliz, tenso na segunda- feira; de repente prefere ficar com os adultos; sente-se cansado e tem pesadelos e insônia; volta para casa com ferimentos e manchas roxas sem explicação; torna- se gago ou com dificuldade na fala; alteração no apetite; carrega instrumentos para se proteger; pede dinheiro extra com frequência; o material é constantemente perdido ou destruído; súbita mudança de comportamento ( molha a cama, rói unhas), chora demais e até dormir; afirma ser alvo de gozações; humilhações; agressões; exclusões; fofocas; quer mudar de escola; torna-se rebelde; agressivo; desrespeitoso; cerca-se de péssimas amizades; frequenta culto ou grupo estranho; repentinamente se interessa por filmes, videogames e livros violentos; pensa em fugir; deprime-se; fala sobre suicídio.
  10. 10. 5- As consequências devastadoras do bullying O bullying pode funcionar como um detonador de doenças psíquicas que a pessoa pode trazer geneticamente, aliado a um ambiente desagregador e a fragilidade da pessoa, conforme Silva (2009) são elas: Sintomas psicossomáticos – a pessoa apresenta vários sintomas físicos como dor de cabeça, cansaço crônico, insônia, dificuldades de concentração, náuseas, diarreia, boca seca, palpitações, alergias, crise de asma, sudorese, tremores, sensação de “nó” na garganta, tonturas ou desmaios, calafrios, tensão muscular, formigamentos. Transtorno do pânico – caracteriza-se por medo intenso e sem motivo, que parece surgir do nada. É acompanhado de taquicardia, calafrios, boca seca, dilatação das pupilas, suores. Ultimamente este transtorno já pode ser observado em crianças de 6 a 7 anos de idade. Fobia escolar – é a sensação de medo intenso de frequentar a escola, ocasionando repetência por faltas, problemas de aprendizagem e evasão escolar. Fobia social (transtorno de ansiedade social (TAS)- também conhecida por timidez patológica, a pessoa sofre de ansiedade excessiva e persistente, com temor exacerbado de se sentir o centro das atenções ou de estar sendo julgada e avaliada negativamente. Com o decorrer do tempo, evita-se qualquer evento social.
  11. 11. Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) – esta doença causa uma sensação de medo inseguranças persistente e a pessoa preocupa-se com todas as situações ao seu redor, desde as mais delicadas e importantes até as mais corriqueiras. Depressão- os sintomas mais comuns são tristeza persistente, ansiedade ou sensação de vazio, sentimentos de culpa, inutilidade ou desamparo, insônia ou excesso de sono, irritabilidade e inquietação, perda ou aumento de apetite, fadiga e sensação de desânimo, irritabilidade e inquietação, dificuldades de concentração e de tomar decisões, sentimentos de falta de esperança e pessimismo, perda de interesse por atividades que antes despertavam prazer, ideias ou tentativas de suicídio. Anorexia e bulimia- A anorexia nervosa caracteriza-se pelo pavor descabido e inexplicável que a pessoa tem de engordar, com grave distorção de sua imagem corporal. Já a bulimia nervosa caracteriza-se pela ingestão compulsiva e exagerada de alimentos, geralmente muito calóricos, seguida por um enorme sentimento de culpa. Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) – caracteriza-se por pensamentos sempre de natureza ruim, intrusivos e repetitivos (obsessivos). Um exemplo é a pessoa que pensa insistentemente que pode se contaminar ou adquirir uma doença grave ao tocar em maçanetas ou apertando a mão de alguém.
  12. 12. Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) – experiências traumáticas como vivenciar a morte de perto, acidentes, sequestros, catástrofes naturais que trouxeram medo intenso acarretam em ideias intrusivas e repetitivas do acontecimento traumático, voltando como se fosse um filme, causando na pessoa depressão e frieza com as pessoas próximas. 6- As possíveis causas do bullying Preferências inatas- pesquisas realizadas pelo psicólogo Tom Cash na Old dominion University, constatou que bebês olham para os rostos mais atraentes por mais tempo. Assim, se as pessoas são atraídas por rostos mais atraentes, é possível que tratem os menos atraentes de forma menos favorável. Fatores biológicos – alguns estudiosos perceberam que a agressão é um fator básico, inerente ao ser humano, porém alguns aspectos da biologia humana podem aumentar essa agressão. Temperamento – há pesquisas que comprovam que o temperamento de uma criança é um fator importante para o bullying. Entendendo-se temperamento como a mescla de características e qualidades que formam a personalidade da pessoa, assim uma criança impulsiva e ativa terá maior propensão para ser agressiva com as outras.
  13. 13. Preferências aprendidas – as crianças aprendem com seus pais e com a sociedade a valorizar determinadas características, de acordo com os aspectos históricos e culturais em que ela está inserida. Por exemplo, na nossa sociedade, aprende-se a valorizar a aparência, juventude, poder, força. E estabelecem-se padrões de uma suposta “normalidade” social. Confiança na própria superioridade – existem crianças que aprendem que são melhores que as outras e por isso devem evitar conviver com “gente sem futuro”. Ou mesmo perder tempo auxiliando pessoas deste tipo. Violência na mídia - Pesquisadores concordam que a violência na televisão teve um aumento de 3 a 15% o comportamento agressivo do indivíduo após assistir a programas violentos, já que as crianças imitam aquilo a que são expostas. Consta-se que a quantidade de violência nos programas televisivos vem aumentando, desenhos animados ficam cada vez mais violentos, isto se torna um problema greve quando os pais quase sempre estão fora de casa trabalhando, assim a TV passa a ser a “babá”. Videogames encorajam ou solicitam uma participação ativa da criança em atitudes agressivas, preconceituosas e cruéis. Já se observou que vítimas de bullying que acabaram se vingando, envolveram-se com videogames violentos.
  14. 14. Quando uma vítima pensa em revidar, esses tipos de videogames podem dar a ela a ideias a serem postas em prática em sua vingança. Eles também podem prover meios de prática de represália, algo como simulador de assassinato. (BEANE, 2010, p. 44) Descobertas recentes sobre a formação do cérebro humano feito pelo National Institutes of Health afirmam que o centro de controle de impulsos, a parte que nos proporciona o pensar com antecedência, contatar consequências e administrar os impulsos, ou seja, o chamado córtex pré-frontal está se desenvolvendo durante a adolescência, e apenas por volta dos 20 anos está completamente formado, assim a criança estará mais vulnerável ao lidar com determinadas programações televisivas, sites e videogames violentos.
  15. 15. Preconceito –É uma das causas mais notórias de bullying. Observa-se que pessoas preconceituosas fazem julgamentos sobre outras, levando em conta seus medos e crenças sem fundamento. O preconceito começa cedo na vida, cresce na ignorância e vai persistir se não for tratado. As crianças são as mais vulneráveis ao mal gerado pelo preconceito. Por volta dos 5 anos, as crianças começam a ouvir opiniões negativas sobre sua herança racial ou religião. Crianças preconceituosas podem decidir que não gostam de estudantes negros, gordos, com incapacidades ou que são de outra nacionalidade. Esses comportamentos de preconceito e rejeição prejudicam a autoimagem da criança e minam seus esforços para ser aceita. (BEANE, 2010, p.46) Inveja- É uma das causas mais evidentes de bullying entre as meninas. Há uma tendência das crianças em atacar aqueles que aparentam ser melhores que a média, seja por serem mais atraentes, ricos, populares, perspicazes. Proteção da autoimagem – Algumas crianças tendem a proteger sua imagem evitando pessoas diferentes façam parte de seu grupo de amigos. Ser amigo ou defender uma vítima de bullying pode parecer um risco para a reputação de alguém.
  16. 16. Medo – Medo de ser motivo de piada e como defesa elas podem debochar primeiro ou medo de perder o que tem, ou medo da rejeição e por isso rejeitam primeiro para evitar a dor, ou medo do desconhecido e por isso acabam rejeitando as pessoas diferentes, ou ainda medo de ficar exposto, os bullies expõem os outros. Egocentrismo- Crianças pequenas são naturalmente egocêntricas e só gradualmente aprendem a perceber o outro. Ocorre que algumas não são ensinadas a ser tolerantes, sensíveis e reconhecer as diferenças nos colegas. Outras ainda são mimadas. Eventualmente, as crianças atacam e provocam para ser o centro das atenções. Vingança - Pessoas que já foram feridas e que não superaram o sofrimento podem revoltar-se e atacar os outros. Elas acreditam que ferir outras pessoas compensará o sofrimento que passaram, ou a rejeição e a falta de amor. Mentalidade de grupo – Crianças podem ser rejeitadas, não por causa de seu comportamento ou características, mas porque os grupos precisam de um alvo para a rejeição. Esta ajuda o grupo a definir as fronteiras de sua aceitação e conquistar unidade.
  17. 17. Uma das regras para pertencer a uma facção ou gangue é fazer o que o grupo faz, o que pode incluir maltratar os outros mesmo que façam parte daquele grupo. A prática do trote, por exemplo, é um esforço do grupo para se sentir unido e poderoso, frequentemente por meio da humilhação e do sofrimento de novos membros. [...] A recompensa é a segurança, o poder e o respeito por pertencer ao grupo. (BEANE, 2010, p.50) Ambiente familiar ruim- Um ambiente familiar desestruturado costuma elevar a probabilidade de uma criança ser vítima de bullying ou ainda dela se tornar uma agressora. Nestas famílias, normalmente ocorre a falta de afeto e envolvimento; a ausência de limites claros para o comportamento agressivo com irmão, adultos, vizinhos; pouco amor e cuidado e muita liberdade; uso de métodos de afirmação de poder através de punições físicas e violentas explosões emocionais. Os pais ignoram ou se esquecem que são os primeiros modelos para seus filhos e a violência só poderá gerar mais violência.
  18. 18. É justamente a omissão educacional dos pais em situações- chave que produz os conflitos familiares.[...] A indiferença dos pais equivale a uma renúncia oficial e perigosa ao papel essencial que eles deveriam exercer: o de educar os seus filhos. [...] As consequências dessa renúncia dos pais aos seus papéis de educadores são, no mínimo desastrosas [...] Resultam em filhos egocêntricos, sem qualquer noção de limites, totalmente despreparados para enfrentar os desafios e obstáculos inerentes à própria via. (SILVA, 2009, p.62) Nunca ter sido orientado a não maltratar- Infelizmente, existem crianças que nunca foram orientadas a não maltratar outras. Os pais podem ser excessivamente permissivos e possivelmente não ensinaram aos seus filhos a serem solidários, a terem bons modos, a serem bons, a usarem a regra essencial para a vida em sociedade: trate os outros como gostaria de ser tratado. Baixa autoestima- Alguns pesquisadores afirmam que os bullies podem ter sentimentos de inadequação e transferi-los para crianças mais frágeis. E, ainda, os bullies que foram vítimas têm baixa autoestima.
  19. 19. Desejo por poder e controle – Para alguns bullies a motivação é o domínio e poder sobre o outro, estas parecem ter pouca empatia por suas vítimas. Ambiente escolar inadequado- Vários fatores podem acarretar um ambiente escolar ruim como: a alta rotatividade de professores, padrões de comportamento indefinidos; métodos de disciplina incoerentes, organização e supervisão ineficientes da sala de aula e áreas comuns; tratamento desrespeitoso com as crianças; falta de apoio para novos alunos; professores que se atrasam, gritam; intolerância a diferenças; permanência de pichação ofensiva; inexistência de política antibullying; agressões ignoradas pelos funcionários da escola; falta de recursos e apoio para os alunos com necessidades especiais. Agressão permitida e recompensada- A escola pode ser cuidadosa e atenta, demonstrando tolerância zero com relação ao bullying ou pode apoiá-lo, ignorando o problema. Crianças que batem ou xingam outras atraem muita atenção de seus colegas que percebem que elas têm poder e são respeitadas por esse poder. Assim os agressores sentem-se recompensados.
  20. 20. 7- Mundo globalizado e violento A escala de desenvolvimento está tão acelerada que o homem pode estar destruindo o único lugar que tem para viver. O processo acentuado de globalização provocou um profundo impacto político e cultural, com base num mercado livre e sem controles. Esse desenvolvimento brutal trouxe desagregações que se acentuam proporcionalmente aos avanços tecnológicos e econômicos. Primeiro, a globalização acompanhada de mercados livres, atualmente tão em voga, trouxe consigo uma dramática acentuação das desigualdades econômicas e sociais no interior das nações e entre elas. [...] Este surto de desigualdade, especialmente em condições de estrema instabilidade econômica [...] está na base das importantes tensões sociais e políticas do novo século. (HOBSBAWM, 2010, pp.11e12) Atingimos o que chama Bauman (2010) de tempos líquidos, o processo de aceleração, circulação de mercadorias não dá oportunidade do fluxo se condensar e solidificar em formas estáveis, com uma esperança de vida maior.
  21. 21. Assim, não há tempo para refletir para a ação ou sobre o processo desenfreado de consumismo e individualismo, e as consequências são no mínimo catastróficas. Já que segundo Bauman “...O verdadeiro problema é: quem é capaz de fazer o que tem que ser feito para evitar o desastre que já podemos prever ?” A sociedade brasileira está entre as mais violentas do planeta. Segundo o Ministério da Saúde, as mortes por acidentes e violências ocupam o terceiro lugar no país. Entre 2009 e 2010, foram notificadas 108.393 vítimas de violência doméstica, sexual e outras violências, destes 20.404 casos foram entre crianças de 0 a 9 anos, 28.354 entre adolescentes de 10 a 19 anos, 54.300 entre adultos de 20 a 59 anos e 5.309 entre idosos. Assim, crianças e adolescentes totalizam 48.758 casos de violência doméstica, quase 50% dos casos notificados. A Secretaria conclui que este tipo de morte, por causas externas e acidentes, é uma das mais importantes questões impostas à saúde pública atualmente. No Brasil, 192.804 pessoas foram vítimas de homicídios no período de 2004 a 2007, somando-se os doze maiores conflitos armados no mundo com vítimas chega-se a um total de 169.574, ou seja, morre-se mais no Brasil por assassinatos do que em guerras por todo planeta. Segundo Waiselfisz (2012), a violência homicida se espalhou por todas as regiões do país, quando se comparam os índices de 2000 e os de 2010. Ainda, 73,6% dos jovens morrem de causas externas entre homicídios 39,7%; 19,3% em acidentes de trânsito e 3,9% em suicídios.
  22. 22. O Brasil ocupa o 6º lugar no mundo em mortes por homicídios e o 10º em mortes por acidentes de trânsito. Vive-se com certeza num estado de violência gerando mais violência, Ansara e Costa (2010, p. 99) destacam “...A violência praticada no ambiente escolar é, pois, reflexo de uma sociedade que produz a violência e sua própria banalização. Atos de violência passam a fazer parte do cotidiano escolar...” 8- Prevenção e combate ao bullying A pesquisa da Plan Brasil concluiu que ações devem ser tomadas, assim família, educadores, educandos, equipe técnica e funcionários estejam efetivamente envolvidos com as ações voltadas para redução e eliminação da violência no ambiente escolar. É a comunidade educativa que tem condições de planejar ações, identificar necessidades, falhas, desejos e principalmente propor soluções. Enquanto que os gestores devem estimular e facilitar este processo. As escolas devem criar ações preventivas e formas de reação ágeis para evitar a ocorrência de situações de bullying e quaisquer outras manifestações de violência entre estudantes. As normas devem ser claras, objetivas, aplicadas com rigor e transparência. A elaboração de tais regras e processos pode ser um excelente exercício participativo, que resulta em clara compreensão do fenômeno por todos da comunidade, estimulando o engajamento dos próprios alunos e suas famílias, assegurando a legitimidade de sua aplicação.
  23. 23. As questões do convívio social, dos padrões que regem as relações entre as pessoas e dos direitos de cidadania a que todos devem ter acesso não devem ser tratadas em uma disciplina específica, mas serem trabalhadas no conteúdo de todas as disciplinas da grade curricular. As escolas devem procurar diagnosticar, sistematicamente, a emergência de casos de bullying e outras formas de violência nas relações interpessoais, de modo a estabelecer metas objetivas de redução e eliminação do bullying na elaboração de seus planejamentos. Todos aqueles que trabalham nas escolas de Ensino Fundamental devem ser capacitados para assumir medidas de restrição e controle da violência escolar. A gestão escolar deve incorporar atribuições de prevenção e controle da violência, que podem ser exercidas de forma integrada com outras instituições do Estado – segurança publica; polícias civil, militar, municipal, comunitária; conselhos municipais e da sociedade civil – associações de moradores, ONGs, fundações empresariais, movimentos sociais.
  24. 24. Outras propostas relevantes de combate ao bullying são feitas por Silva (2010), como a aplicação de questionário sobre bullying (já existe um modelo traduzido e adaptado para a nossa realidade) pode auxiliar na detecção e no planejamento de estratégias na escola. Os alunos podem ser estimulados a escrever autobiografias, focalizando sua rotina escolar, que pode ser documentada em computador e enviada por e-mail, garantindo o anonimato de seus relatos. Por outro lado Beane (2010) faz várias propostas para a atuação dos pais na prevenção e no combate ao bullying como: elaboração de abaixo-assinados antibullying; ser voluntário na supervisão das áreas de risco na escola; incentivar a escola a usar relatórios ou “caixas de bully” (local para os alunos colocarem suas queixas sobre possíveis agressões); solicitar horários de intervalo diferentes para alunos mais velhos e os mais novos; incentivar a escola a criar um programa antibullying com reuniões periódicas e com participação de todos os representantes da comunidade escolar; solicitar que a escola utilize os uniformes, pois assim elimina-se um fator de provocação: as roupas; incentivar a escola a solicitar segurança pública e se necessário particular.
  25. 25. É fundamental a revisão de conceitos a respeito da violência, da escola, dos “nossos tempos líquidos”. Assim, podemos concluir que um primeiro passo no enfrentamento do fenômeno da violência na escola é o abandono de idealizações, seja do passado, da infância e da relação educativa. Outro passo é democratizar as regras entre os membros da comunidade, como vários no caso das crianças de nível socioeconômico menos privilegiado [...]. É preciso que a autoridade do professor seja legitimada pelo saber, competência e tradição da instituição escolar na cultura [...] Por isso, é necessário que o professor reflita e se conscientize do poder de suas ações, inculque aversão à violência e renuncie às práticas homogeneizadoras, massificantes que impedem o indivíduo de se conhecer e às suas razões. Deve abandonar também as práticas que fomentam a competição entre os alunos e que resultam na rejeição da diferença, vista como desigualdade, e no consequente fomento da intolerância. (LEME, 2009, pp.132 e 133).
  26. 26. Considerações finais Há uma urgência em nossa sociedade para que ações se concretizem na Educação e que gerem mudanças efetivas e permanentes nas vidas e nas mentes de todos. O tempo das palavras desvinculadas de atitudes inexiste. Hoje são ações pautadas em constatações e reflexões da nossa realidade que devem fazer parte da rotina escolar e da própria vida. É inadmissível que toda uma geração de crianças e jovens seja dizimada por homicídios, acidentes ou atormentada por bullying. Erradicar a violência parte de um processo amplo de transformações e formação nas escolas e no conjunto da sociedade. A escola é o começo de uma sequência de posturas que devem repercutir em todo o contexto social. A escola deve apresentar um projeto coletivo que possa criar mecanismos de discussão de valores e de troca de ideias entre todos. O currículo deve ser pensado a partir de concepções sobre o desenvolvimento moral, cognitivo e afetivo, visando o amadurecimento e o bem comum. Para Aristóteles (1973), o bem comum é o ideal regulador da ação do Estado, e é por meio deste ideal que é desencadeada a busca dos interesses da maioria.(TARDELI, 2009, P.110)
  27. 27. Referências bibliográficas ARAÚJO de, Frederico Antônio. Bullying: uma abordagem teórica dessa construção social. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado, 2009. BAUMAN, Zygmunt. Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar. Isto é. São Paulo, setembro, 2010.Seção Entrevista. Disponível em www.istoe.com.br/assuntos/detalhes/102755 _VIVEMOS+TEMPOS+LIQUIDOS+NADA+E+PARA+. Acesso em: 29 de mar. de 2012. BEANE, Allan L. Proteja seu filho do bullying. Tradução: Débora Guimarães Isidoro. Rio de Janeiro, RJ : Editora Best Seller, 2010. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2010. Brasília, 2011, capítulos 10 e 11. PAULA, Fraulein Vidigal de. (org.) Violência na escola e da escola: desafios contemporâneos à Psicologia da Educação. São Bernardo do Campo: Ed. Metodista, 2009.
  28. 28. PLAN BRASIL. Pesquisa: bullying escolar no Brasil. São Paulo, mar, 2010. Disponível em: http://arquivo.campanhaeducacao.org.br/semana/2011/pesquisa_plan_resum o.pdf. Acesso em:19 mar.2012. SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes perigosas nas escolas – Bullying. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Biblioteca Universitária. Como fazer referências bibliográficas, eletrônicas e demais formas de documentos. Disponível em: http://www.bu.ufsc.br/home982.PDF. Acesso em 29 mar. 2012. WAISELFISZ, Júlio Jacobo. Mapa da violência 2012-Os Novos Padrões da Violência Homicida no Brasil. São Paulo: Instituto Sangari, 2011. ________________________. Mapa da violência 2011–Jovens do Brasil. São Paulo: Instituto Sangari, 2011. HOBSBAWM, Eric. Globalização, democracia e terrorismo. Tradução: José Viegas. São Paulo, SP: Companhia das letras, 2010.

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