Imanência 
Márcio Otávio Ferreira Pereira 
Resumo: O presente trabalho pretende estabelecer relações entre o conceito 
de ...
Segundo Didi-Huberman essa estética privilegiaria o gesto e não a 
representação, o processo e não simplesmento o aspecto,...
generalizado, a dobra de cada coisa em cada coisa, a vida em toda parte, a 
matéria porosa destinada às turbulências.” (Di...
Em seus desenhos que tematizavam o mar ou as ondas, também 
apresentados pelo texto de Didi-Huberman, pode se perceber um ...
possibilitando ao desenho seus traçados e as intensidades que ele 
apresenta. 
Referências bibliográficas: 
A imanência es...
possibilitando ao desenho seus traçados e as intensidades que ele 
apresenta. 
Referências bibliográficas: 
A imanência es...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

A imanência e o desenho

273 visualizações

Publicada em

O presente trabalho pretende estabelecer relações entre o conceito de imanência, a partir de ideias apresentadas por Georges Didi-Huberman no texto A imanência estética, e a prática do desenho. Essa relação se fez possível ao estabelecer uma aproximação entre o corpo do desenhador, seus gestos e suas projeções mentais, que conecta a experiência do desenhar com tempo/espaço, e o resultado final, apresentado através do desenho.

Publicada em: Arte e fotografia
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
273
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
5
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
2
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A imanência e o desenho

  1. 1. Imanência Márcio Otávio Ferreira Pereira Resumo: O presente trabalho pretende estabelecer relações entre o conceito de imanência, a partir de ideias apresentadas por Georges Didi-Huberman no texto A imanência estética, e a prática do desenho. Essa relação se fez possível ao estabelecer uma aproximação entre o corpo do desenhador, seus gestos e suas projeções mentais, que conecta a experiência do desenhar com tempo/espaço, e o resultado final, apresentado através do desenho. Abstract: This paper aims to establish relations between the concept of immanence , from ideas presented by Georges Didi-Huberman in the text Aesthetics immanence, and the practice of drawing . This relationship is made possible by establishing a connection between the body of the drawer, their gestures and mental projections, which connects the experience of the draw with time / space , and the end result , presented through drawing. Corpo e pensamento em um mesmo plano. A imanência no desenho. Segundo o dicionário Aurélio, poderíamos usar o termo imanência para descrever aquilo que está intimamente ligado à vida, que não pode ser encontrado do lado de fora, algo inerente, inseparável, intríseco. Da mesma forma poderíamos pensar o desenho. Não podemos conceber o desenho como algo externo ao próprio ato de desenhar ou mesmo à própria ação do intelecto que projeta o desenho. O desenho nasce de uma ação, é circunscrito por uma ação. Desta forma, para se pensar o desenho é necessário pensá-lo em sua condição imanente. No texto A imanência estética, Geoges Didi-Huberman analisa alguns procedimentos gráficos e poéticos em desenhos do poeta, dramaturgo e artista francês Victor Hugo e aponta para uma estética da imanência.
  2. 2. Segundo Didi-Huberman essa estética privilegiaria o gesto e não a representação, o processo e não simplesmento o aspecto, o contato ao invés da distância. O desenho constitui a modalidades artísticas mais imanente por excelência. Por si é constituido por gestos corporais e especulações mentais que se transformam em registros gráficos, em sua grande maioria. Uma sucessão de movimentos provocados pelo desenhador que ficam registrados em algum suporte ou que dão forma à alguma coisa. O desenho seria uma forma direta de transmitir o que se passa no corpo e pensamento do desenhador. Também seria a inscrição do movimento do tempo e espaço e a inauguração da forma. Neste trabalho trataremos de uma das várias modalidades do desenho, denominada esboço. Por acreditar que essa modalidade comporta o fazer e o pensar ao mesmo tempo, ou seja, o esboço ser um tipo de desenho em que o artista pensa enquanto faz, esta modalidade permitirá aqui aproximar o desenho da ideia de imanência. O desenho reencontra no gesto seu propósito existencial. E o gesto, o que seria? Os gestos fazem parte de uma linguagem corporal utilizados para comunicar de forma não verbal, possuem uma certa codificação e dizem do corpo, se inscrevendo no espaço e tempo em que acontecem. Um desenho se faz exister por este mesmo processo e não por aspectos exteriores a si mesmo. Seria então o desenho a síntese perceptiva e um rítmo que nasce do encontro do corpo com o espaço/tempo no qual este mesmo corpo habita? Para isso teríamos que pensar que esse mesmo desenho, a partir de oscilações corporais, variações de intensidades e amplitudes, constituindo um acontecimento1. Segundo Didi-Huberman poderíamos caracaterizar imanência por: “o fluxo 1 Aqui o uso do termo acontecimento remonta ao conceito desenvolvido por Gilles Deleuze e apresentado por Francois Zourabichvili no livro O Vocabulário de Deleuze. O verbete Acontecimento neste vocabulário e apresentado “como aquilo que, na linguagem, distingue-s da proposição, e aquilo que no mundo distingue-se dos estados de coisas”.
  3. 3. generalizado, a dobra de cada coisa em cada coisa, a vida em toda parte, a matéria porosa destinada às turbulências.” (Didi-Huberman, 2003) O desenho visto como imanência requisita acesso direto ao tempo, ele se inscreve no tempo atraves do corpo do desenhador. Ele existe enquanto movimento, enquanto pulsação. Poderíamos então pensar o ato de desenhar como o ato se colocar exposto a este fluxo, como uma forma de perceber e especular a partir dessa matéria porosa destinada a tais turbulências. Em outra passagem do texto, Didi-Huberman nos descreve como essas caracteristicas se encontravam presentes em um dos desenhos de Victor Hugo: Num pequeno folheto conservado na Biblioteca Nacional da França, Hugo desenhou o perfil severo de um homem de barba; uma espécie de mancha, na frente de sua boca, parece fazer as vezes de sopro sombrio, como este caos "vomitado de volta à terra" pela goela do homem-peixe. Embaixo, à direita, está inscrito: "Demócrito ria/ Heráclito chorava/ Aristóteles observava". Depois, em letras grandes: "Lucrécio sonha". Como em vários outros desenhos, o rosto traçado a pena parace exalar esta visão – esta "ciência terrível" – que a aguada torna indistinta como um turbilhão no qual tudo é chamado a se afogar, a se dissolver. (DIDI-HUMERMAN, 2003) Seria então desenhar uma tentativa de entrar em contato com algo que se encontra em plena transformação, em constante metamorfose? O desenho pderia servir como instrumento para tentar captar o que Victor Hugo chamou de “a substância2 e imagem que é irradiada de todos os corpos”3? Na sequência do texto A imanência estética, Didi-Huberman aproxima a ideia de imanência à imagem do mar. O fluxo das ondas, seu rítmo incessante, sua extensão e profundidade, uma pulsação que está intimamente ligada à ideia de vida. Talvez isso explique o interesse imenso que Victor Hugo nutria por essa paisagem e tudo que se via associado a ela. 2Segundo Spinoza, a substância “é algo em si e e que é concebido por sí, isto é, isso cujo conceito não necessita do conceito de nenhuma outra coisa a partir do qual deva ser formado” (SPINOZA, 2007). 3 Hugo, V. "Philosophie prose" (1840, 1854 e 1860). Océan: 64, 69 e 109; "Science – Questions relatives à la forme sphérique" (1843). Océan: 130-1 e "Critique" (1840 ?). Océan: 148.
  4. 4. Em seus desenhos que tematizavam o mar ou as ondas, também apresentados pelo texto de Didi-Huberman, pode se perceber um movimento de ir e vir produzido pela pena embebida em tinta marrom e aguada que procura não simplesmente reproduzir a figuração do mar. Ao contrário, parece que Victor Hugo ao desenhar procura através dos gestos recriar esse movimento em sua qualidade imanente. Asiim como afirma Didi-Huberman: “o poeta verdadeiro será ondas e fará ondas”. (Didi-Huberman, 2003) Meu Destino, 1864. 17,4 x 25,9 cm Pena, aguada de tinta marrom e guache sobre papel velino. Paris, Maison de Victor Hugo (Inv. 927) E exatamente nesse momento, em que o ato de desenhar se faz imanente, no qual o desenhador não quer simplesmente representar algo, mas sim disponibilzar seu corpo a uma experiência maior, “fazer elevar em si o trabalho do mar”. (Didi-Huberman, 2003) O desenho entendido como imanência então atua através dessa experiência com o instante espacial de realização do desenho. Esse desenho carrega em si a vitalidade dos gestos do desenhador. E seria através dessa vitalidade que o artista tenta captar o movimento infinito que há nas coisas,
  5. 5. possibilitando ao desenho seus traçados e as intensidades que ele apresenta. Referências bibliográficas: A imanência estética. Didi-Huberman,Georges Alea : Estudos Neolatinos 2003- 07-01 info:eu-repo/semantics/article text/html http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517- 106X2003000100009 por info:eu-repo/semantics/publishedVersion ZOURABICHVILI, François. O Vocabulário de Deleuze. Trad. André Telles. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2004. SPINOZA, Ética. Tradução de Tomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988
  6. 6. possibilitando ao desenho seus traçados e as intensidades que ele apresenta. Referências bibliográficas: A imanência estética. Didi-Huberman,Georges Alea : Estudos Neolatinos 2003- 07-01 info:eu-repo/semantics/article text/html http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517- 106X2003000100009 por info:eu-repo/semantics/publishedVersion ZOURABICHVILI, François. O Vocabulário de Deleuze. Trad. André Telles. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2004. SPINOZA, Ética. Tradução de Tomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988

×