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RESUMOO desenvolvimento das estratégias do programa Escolar Ativa é primordial para queo ensino a partir de classes multis...
RESUMENEl desarollo de lãs estratégias del programa Escuela Activa es primordial para que laenseñanza a partir de clases d...
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101 INTRODUÇÃO      A Escola Ativa é um programa de Ministério da Educação proposto à escolado campo, onde predominam as c...
11multisseriado, como as estratégias estão sendo aplicadas e ainda, se a mesma estáfavorecendo o cumprimento dos objetivos...
12         O terceiro capítulo traz uma abordagem sobre o planejamento de ensino e arealidade de aprendizagem, enfocando n...
132 CONTEXTO HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO NO CAMPO      No decorrer dos tempos a educação no campo era tão esquecida por portadas...
14didático pedagógicas que fossem de encontro coma realidade vivenciada no campo,porém foram mudanças que passaram a ser c...
152.1 ESCOLA ATIVA: Estratégia de ensino em uma realidade especifica      Diante do que foi relatado, as classes multisser...
16      O programa Escola Ativa além de promover recursos e meios que facilitem odesenvolvimento educacional das escolas d...
17      Já em sua segunda fase, foi onde ocorreu a elevação do numero de escolas aadotarem a metodologia, mas sem que qual...
18oportunidade de mudanças perante a prática de ensino a ser desenvolvido nestemeio.        Como já foi relatado, no campo...
19acordo com as possibilidades e capacidades de carências de toda ordem,destacando que o campo atualmente situa-se como es...
20Exigem-se práticas que venham a atender toda a demanda e que estas sejamdesenvolvidas de acordo com a realidade dos educ...
21      A escola ativa busca auxiliar o trabalho do professor em sala de aula e paraisto, desenvolvem-se estratégias que s...
22      As instituições, como parte do ambiente em que se insere, deve reforçar suainserção na medida em que se desenvolva...
233 PLANEJAMENTO DE ENSINO X REALIDADES DE APREDIZAGEM      A necessidade de planejar se faz necessário em todos os setore...
24do saber cotidiano, ou seja, da realidade vivenciada pela criança, relacionada aotrabalho e à educação familiar de campo...
25      Na escola ativa, além de se trabalhar as questões cognitivas e psíquicas, oprograma propõe uma prática diferenciad...
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27      Nesse sentido, se faz necessário resalvar que o plano a ser desenvolvidopara as classes multisserie não deve preoc...
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294 INTERVENÇÃO SOCIOESCOLAR      A intervenção socioescolar deve focalizar um tema/problema pertinente aocampo de observa...
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31       O Centro de Ensino Rural tem como objetivo proporcionar o ensino dequalidade no campo, visando a formação do indi...
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35educador 03 sugere ainda mais acompanhamento e suporte para os professores,pois estes devem dispor de uma prática difere...
36      Nesse sentido, vale a ressalva de que o professor enquanto universitário nãorecebe uma formação que também venha d...
374.3 INTERVENÇÃO E AÇÕES INOVADORAS      A ação interventiva se deu em 20 (vinte) de Agosto de 2012 nasdependências da Un...
38relatado novamente o que a Escola Ativa propõe ao trabalho simultâneo com sérieescolares que é o de realizar um planejam...
39pauta diária, sendo que o primeiro grupo ficou responsável pela simulação de umplanto voltado para uma turma composta pe...
40trilha das operações onde se almejava desenvolver o raciocínio matemático e osconceitos relacionados às quatro operações...
415 CONSIDERAÇÕES FINAIS      A prática de intervenção socioescolar alcançou com êxito a finalidade dedebater as estratégi...
42      De acordo com o que se propôs a realização do ato interventivo também setorna positivo à medida que propiciou aos ...
43      As contradições detectadas serviram como incentivo para que os conflitosconceituais fossem superados, pois com bas...
44                                 REFERÊNCIASBRASIL, Ministério da Educação. Diretrizes operacionais para a educação bási...
PROGRAMA ESCOLA ATIVA: um instrumento inovador no ensino multisseriado da educação no campo.
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Trabalho de Intervenção Socioescolar apresentado a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) como requisito parcial para obtenção do título de Licenciado em Pedagogia.

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PROGRAMA ESCOLA ATIVA: um instrumento inovador no ensino multisseriado da educação no campo.

  1. 1. UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚCURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA LICENCIATURA PLENA JOAQUIM MARQUES DE OLIVEIRA NETOPROGRAMA ESCOLA ATIVA: um instrumento inovador no ensino multisseriado da educação no campo MOSSORÓ, RN 2012
  2. 2. JOAQUIM MARQUES DE OLIVEIRA NETOPROGRAMA ESCOLA ATIVA: um instrumento inovador no ensino multisseriado da educação no campo Trabalho de Intervenção Socioescolar apresentado a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), como requisito parcial para obtenção do título de Licenciado em Pedagogia. Orientador: Prof. Esp. Jose Aldo de Melo MOSSORÓ, RN 2012
  3. 3. O48p Oliveira Neto, Joaquim Marques de. Programa escola ativa: um instrumento inovador no ensino multisseriado da educação no campo. / Joaquim Marques de Oliveira Neto. Mossoró/RN: ed. do autor, 2012. 57f. Orientador: Profº. Esp. José Aldo de Melo Trabalho de Intervenção Socioescolar apresentado à Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, como requisito parcial para a obtenção do título de Licenciado em Pedagogia. 1. Escola Ativa - Intervenção. 2. Planejamento Adequado - Intervenção. 3. Qualidade - Intervenção. I. Título.IBRAPES/UVA/RN CDU 37.014.
  4. 4. JOAQUIM MARQUES DE OLIVEIRA NETO PROGRAMA ESCOLA ATIVA: um instrumento inovador no ensino multisseriado da educação no campo Trabalho de Intervenção Socioescolar apresentado à Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), como requisito parcial para obtenção do título de Licenciado em Pedagogia.Aprovado em __________ de 2012. BANCA EXAMINADORA Prof. Esp. Jose Aldo de Melo - Orientador Universidade Estadual Vale do Acaraú - Natal/RN Profª. Ms. Maria José Araújo Melo Sousa - Convidada Universidade - /RN Profª. Esp. Geiza Maria Batista Carlos de Almeida - Convidada Universidade Estadual Vale do Acaraú - Natal/RN MOSSORÓ, RN 2012
  5. 5. A meus avós paternos Otávio e Maria doPatrocínio e ao meu saudoso tio Junior Nolasco,ambos durante suas passagens na Terra,acreditavam em meu potencial. A todos os meusalunos, em especial os das Escolas Maria HelenaMarques e Idelzuite Fernandes que lecionoatualmente e que ambas serão campos deintervenção.
  6. 6. AGRADECIMENTOSA Deus, pai celestial a quem devo a vida;A minha mãe Edneide Nolasco, pelo incentivo dado durante o meu processo deaperfeiçoamento pessoal e acadêmico;A minha avó materna Edinete Cunha pelos conselhos dados, visando incentivar-mena busca pelo saber;Aos meus familiares que contribuem para o desenvolvimento de práticas e princípiosmorais e justos;As professoras Lourdes Fernandes, Luzinete Cabral, Geiza Carlos, e em especialaos professores Júlio Thalles Andrade, Franceliza Monteiro e Lindalva Batista, quede forma significativa, contribuíram na fundamentação teórica e principal pedagógicaadquirindo no decorrer de suas disciplinas, servindo de referência na busca de umaperfeiçoamento acadêmico e de bom desenvolvimento profissional;A professora Maria de Fátima de Lima das Chagas que orientou os estágios comsabedoria o que facilitou meu desenvolvimento neste trabalho;Ao orientador José Aldo de Melo que com sua sabedoria faz com que os momentosde tensão tornem-se espaços de aprendizagem mútua.
  7. 7. “Tinha chovido muito toda noite. Havia enormes poçasde água nas partes baixas do terreno. Em certos lugares,a terra, de tão molhada, tinha virado lama. Às vezes, ospés apenas escorregavam nela, às vezes, mais do queescorregar, os pé se atolavam na lama até acima dostornozelos. Era tão difícil andar. Pedro e Antônioestavam a transportar numa caminhada, cestos cheiosde cacau, para o sitio onde deveriam secar.Em certa altura perceberam que a camioneta nãoatravessaria o atoleiro que tinham pela frente. Pararam,desceram da caminhoneta, olharam o atoleiro que eraum problema para eles. Atravessaram a pé uns doismetros de lama, defendido pelas suas botas de canolongo. Sentiram a espessura do lamaçal. Pensaram.Discutiram como resolver o problema. Depois, com ajudade algumas pedras e de galhos secos de arvores, deramao terreno a consistência mínima para que as rodas dacamioneta passassem sem atolar.Pedro e Antonio estudaram. Procuraram compreender oproblema que tinham de resolver e, em seguida,encontraram uma resposta precisa. Não se estudaapenas na escola. Pedro e Antonio estudaram enquantotrabalharam. Estudar é assumir uma atitude séria ecuriosa diante de um problema”. Paulo Freire
  8. 8. RESUMOO desenvolvimento das estratégias do programa Escolar Ativa é primordial para queo ensino a partir de classes multisseriadas se dê com mais qualidade, valendo aressalva de que este é considerado um ensino de baixa qualidade. Esta intervençãotem como objetivo debater as contribuições do programa em estudo para com asclasses multisserie na zona rural e observar se os planejamentos estãocoerentemente elaborados de acordo com as necessidades dos níveis deaprendizagem que compõe a turma. A metodologia utilizada foi de caráterbibliográfico e de campo, onde foi diagnosticada a necessidade de se adequar osplanejamentos para cada ano escolar a fim de atender as necessidades viajantes e,dessa forma melhorar as qualidades debatidas passam ser supridas ou amenizadas.Vale ainda ressaltar que o desenvolvimento deste se baseia através dos estudos deCastedo (2012), Freire (1979), Nolasco (2003), Piletti (1989), Vygostsky (2006),Wallon (1995), Perrenoud (1997), entre outros.Palavras Chave: Escola Ativa. Estratégias. Planejamento adequado. Qualidade.Classes multisseriadas.
  9. 9. RESUMENEl desarollo de lãs estratégias del programa Escuela Activa es primordial para que laenseñanza a partir de clases de varias series se produzca com más calidad,valiendo la resalta de que este es considerado uma enseñanza de baja calidad. Estaintervención tiene como objetivo discutir las contribuiçones del programa, em estúdiopara las zona rural y observar se las planejamientos están coherentementeelaborado de acuerdo com las necesidades de los niveles de aprendizaje quecompone la clase. La metodologia utilizada fue de carácter bibliográfico y de campo,donde fue diagnosticado la necesidades vigentes y, así mejurar la calidad de laenseñanza, estudiando donde lãs dificuldades discutidas puedan ser suplidas odisminuidas.También vale la pena mencionar que el desarollo d este trabajo sebasa em lós estúdios de Castedo (2012), Freire (1979), Nolasco (2003), Piletti(1989), Vygostsky (2006), Wallon (1995), Perrenoud (1997), entre otros.Palabras Claves: Escuela Activa. Estrategias. Planeanientos adecuados. Clases devárias series.
  10. 10. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO........................................................................................... 102 CONTEXTO HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DO CAMPO......................... 132.1 ESCOLA ATIVA: ESTRATÉGIA DE ENSINO EM UMA REALIDADE ESPECIFICA.............................................................................................. 152.2 A FORMAÇÃO DOCENTE E SUA PRÁTICA PEDAGÓGICA................... 172.3 TEORIA E PRATICA: METODOLOGIAS ADEQUADAS AS REALIDADES DOS DISCENTES.............................................................. 193 PLANEJAMENTOS DE ENSINO X REALIDADES DE APRENDIZAGEM...................................................................................... 233.1 UM NOVO OLHAR SOBRE OS NÍVEIS DE APRENDIZAGEM................ 243.2 RESULTADOS DE APRENDIZAGEM, UMA REALIDADE COERENTE DOS ALUNOS PROVENIENTES DA ESCOLA ATIVA............................. 264 INTERVENÇÃO SOCIOESCOLAR........................................................... 294.1 CARACTERÍSTICAS REAIS DA INSTITUIÇÃO........................................ 294.2 PROBLEMATIZANDO O OBJETO DE ESTUDO..................................... 324.3 INTERVENÇÃO E AÇÕES INOVADORAS............................................... 375 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................... 41 REFERÊNCIAS........................................................................................ 44 ANEXOS.................................................................................................. 46
  11. 11. 101 INTRODUÇÃO A Escola Ativa é um programa de Ministério da Educação proposto à escolado campo, onde predominam as classes multisseriadas, com a tarefa de levar aaprendizagem, a socialização e o saber as crianças e jovens do campo. Quando se observa dados da educação do campo de um modo geral,identificam-se desigualdades históricas no que se refere à educação com direito detodos, especialmente no tocante a distorção idade/ano escolar e a formação dasturmas que em sua maioria é composta por mais de um nível de ensino, ou seja, sãomultisseriadas, valendo a ressalva de que 71,5% destes alunos encontram-sematriculados nos anos inicias do ensino fundamental. Historicamente, a educação do campo ocorre em grande parte, de maneiraprecária, deixando de cumprir os objetivos que são estabelecidos para odesenvolvimento de competências e habilidades das crianças por etapa de ensino. Diante disso, os sistemas de ensino começaram a olhar o campo com umavisão diferenciada, tendo como missão elaborar propostas metodológicas que visemcombater a reprovação e a evasão escolar nas turmas multisseriadas do ambientedo campo, daí surge o projeto (atualmente programa) Escola Ativa. A escolha da temática parte da experiência vivenciada pelo pesquisador, estepor sue vez associou o tema com o campo de atuação pedagógica que desenvolvedesde o ano de 2009. A educação do campo e as classes multisseriadas eram consideradas comoum ensino precário e condenado a evasão, fator esse que é decorrente do forteprocesso de urbanização. A partir daí, surge a estratégia metodológica escola ativaque vem melhorar a qualidade do ensino oferecido aos estudantes do campo. Nessa linha de pensamento, cabe a ressalva de que este trabalho servirácomo um suporte teórico e prático, pois será através de seu desenvolvimento, queos princípios e métodos estudados terão sua veracidade questionada e avaliada,sendo uma importante contribuição para que a relação entre teoria e a práticadesenvolvida sejam revistas, promovendo o bem comum de uma maneira eficaz eprazerosa. Nesse sentido, a intervenção tem o intuito de debater as estratégias deprograma escola ativa para que o processo de ensino em classes multisseriadas docampo seja melhorado, observando se as propostas estão adequadas ao
  12. 12. 11multisseriado, como as estratégias estão sendo aplicadas e ainda, se a mesma estáfavorecendo o cumprimento dos objetivos traçados. A intervenção se dá em dois momentos de pesquisa, sendo que o primeiro foide caráter bibliográfico, abrangendo pensamentos, citações e discussões sobre atemática até então questionada. Já o segundo momento refere-se à pesquisa decampo, através das atividades vivenciadas nas Escolas Municipais Profª MariaHelena Rebouças Marques e Idelzuite Fernandes, sendo que a primeira está situadana comunidade praia de Gado Bravo e a ultima localiza-se no Sitio Gangorra, estaslocalidades são zonas rurais do município de Tibau, RN. As escolas citadas sãomultisseriadas e trabalham de acordo com o programa Escola Ativa. Ambas asunidades de ensino estão vinculadas ao Centro Municipal de Ensino RuralProfessora Aldenora Barbosa Rebouças que tem a função de administrá-las eacompanhar o andamento da metodologia e da aprendizagem do alunado. Apesquisa está fundamentada nos estudos de Castedo, Freire, Nolasco, Piletti,Vygostsky, Wallon, entre outros, servindo de alicerce para a ação interventiva paraas escolas do campo de Tibau, esta visa aprimorar a qualidade do ensino oferecidonessa instituição. O atual momento desafia-nos a reconhecer o campo enquanto fonte de suasreflexões e superar toda essa visão retrógrada do campo, sendo ainda que o maiorproblema dentro da educação vigente é a forma de se trabalhar com a multisseriadoa medida que nenhuma das séries envolvidas sejam prejudicadas, tendo apenasque seguir os elementos que o programa propõe, e aí sem, o professor poderáobservar a veracidade dos resultados obtidos com o desenvolvimento dametodologia. Sendo assim, o trabalho de intervenção socioescolar está dividido emcapítulos que contemplam informações sequenciadas a respeito da que se vemdebatendo. O segundo capítulo faz um cotextualização histórica da educação no campode modo geral e do programa escola ativa, onde ressalva a metodologia comoestratégia em uma realidade específica, o que de fato se pode afirmar, pois suasatividades são dirigidas de acordo com a realidade dos alunos do campo. Aindaneste capitulo são discutidas questões referentes à formação docente e sua praticade ensino e sobre a teoria e pratica, onde questiona se a metodologia é adequada arealidade dos discentes.
  13. 13. 12 O terceiro capítulo traz uma abordagem sobre o planejamento de ensino e arealidade de aprendizagem, enfocando novos olhares sobre os níveis deaprendizagem e fazendo uma breve explanação a respeito dos resultados deaprendizagem, pois são realidades coerentes dos alunos provenientes da EscolaAtiva. Já quarto capítulo refere-se a ação interventiva, traz um respaldo dascaracterísticas gerais das instituições campo de observação e ação. O resultado dacoleta dos dados que serviram para que a problemática fosse diagnosticada, comotambém o relato crítico reflexivo do microcentro realizado com os profissionais doCentro Municipal do Ensino Rural. Vale considerar ainda que se referindo a educação no campo, o ensino deveestá voltado para com a realidade vivenciada, ou seja, a educação escolar devetrabalhar com conteúdos que enriqueçam os seres humanos para que a partir daí,os mesmos, possam fazer parte e interagir por meio das discussões de convíviosocial do individuo. Da observação realizada, se diagnostica que a dificuldade que permeia otrabalho do professor de classes multisseriadas é trabalhar de forma adequada comos níveis de aprendizagem que compõe a turma, fazendo com que os alunos nãoconstruam os conhecimentos de cada etapa do ciclo de aprendizagem e desta formao ensino passa a ser desacreditado, então aí entra a escola ativa com forma deinovar e facilitando processo de ensino através de métodos construtivistas ematérias que venham fortalecer a aprendizagem. Em relação à intervenção espera-se que os professores observados estejamabertos a mudanças, fato esse que já permitirá obter bons resultados com esta,ação, além do enriquecimento teórico e pratico que esta vem proporcionar aopesquisador, as unidades escolares observadas e por fim, para a própria pedagogia,trazendo medidas que solucionem aquilo que dificulta o trabalho educativo e si.
  14. 14. 132 CONTEXTO HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO NO CAMPO No decorrer dos tempos a educação no campo era tão esquecida por portadas gestões ou política públicas educacionais sendo que a mesma sequer foimencionada nos textos constitucionais até 1891, fatos esses fizeram com que aeducação em questão fosse considerada como uma herança de precariedade noque se refere a educação que era oferecida aos povos do meio rural, destacando oselementos humanos para o funcionamento do trabalho pedagógico, a infraestruturae os aspectos físicos que apresentavam ou até se apresentam ainda, de uma formanão adaptada à realidade pertinente as escolas e a formação inicial e continuadados profissionais envolvidos no processo que seja adequada com prática docenteque se faz necessário no campo de estudo. De inicio, o ensino campo foi proporcionado de uma maneira excludente queainda reflete em alguns aspectos nos dias atuais, pois ao ser implantado, o mesmo,tinha o intuito de atender as elites, sendo que era inacessível para boa parte dapopulação, ou seja, mulheres, agricultores, negros, indígenas não deveriamaprender a ler, pois o pensamento era que os mesmos não necessitavamdesenvolver as habilidades de leitura, escrita e matemática devido trabalharem noque se refere ao “pesado”. Em meados dos anos de 1950 surge um discurso urbanizado onde asociedade rural estava devidamente propicia ao desaparecimento por acreditaremque o processo de industrialização em andamento no Brasil faria com que o espaçocamponês deixasse de ser habitado com relacionou Moreira apud, Abrão (1989). “Ocampo é uma divisão sócio cultural a ser superada e não mantida”. Desde aí, com ogolpe de 1964, onde a educação e os movimentos sindicais passaram a sercensurados e quem se manifestasse terminaria preso ou tendo que ficar exilado, aelite brasileira almejava que o pais se tornasse uma potência no cenário nacional e,ao mesmo tempo existia algo que a desafiava e impedia que o Brasil se destacasseno cenário já citado, o analfabetismo, daí foram elaborados projetos e campanhaspara que a demanda fosse amenizada e que com isso a nação entrasse no rumo dodesenvolvimento. A partir da década de 1990 o processo de educação na zona rural passa adar sinais de mudanças pois os movimentos sociais pressionavam o governo com oobjetivo de universalizar o ensino no que diz respeito a elaboração de propostas
  15. 15. 14didático pedagógicas que fossem de encontro coma realidade vivenciada no campo,porém foram mudanças que passaram a ser contínuas num processo não tão rápidomas que já se entrava no caminho adequado. O forte processo de urbanização das cidades onde a maior parte das famíliasmigrou para a zona urbana em buscar de melhores condições de vida proporcionouuma drástica redução do número de criança a ser matriculadas na escola do campo,o que implicou em mais um fato tão criticado e vítima de preconceito chamado deturmas multisseriadas ou unidocentes onde mais de um nível escolar encontra-seestudando na mesma sala com um único professor, sendo que a precariedade daeducação oferecida aos povos dos campo se acentuam nestas turmas. De acordo com o Censo Escolar de 2006 existem cerca de 50 milestabelecimentos educacionais onde predominam esta organização das turmas,antes desta estatística pôde se notar com eficácia, porém não se realizou necessáriopois acreditavam que com o passar dos tempos, as mesmas viriam a desaparecercomo um fato natural, como o que se esperava não ocorreu, muito antes se deraminicio à estudos que construíssem uma proposta que visasse a melhoria daqualidade do ensino no campo em especial aquele que se desenvolve a partir declasses multisseriadas onde o principal objetivo foi de acabar com a reprovação eevasão escolar nas turmas aqui debatidas e estudadas, daí surgiu a então propostametodológica escola ativa que viera reconstruir o ensino em questão. Diante disso, o campo deixaria de ser observado como espaço de exclusão esim campo de reflexão quanto ao espaço regional e os demais aspectos a serexplorado no meio convívio rural. Nesse sentido, as Diretrizes Operacionais para educação do campo (2004, p.32) afirma que, O campo hoje não é sinônimo de agricultura ou de pecuária. Há traços do mundo urbano que passam a ser incorporados no modo de vida rural (assim como há traços do mundo camponês que resgatam valores sufocados pelo tipo de urbanização vigente). Assim pendo, a inteligência sobre o campo e também a inteligência sobre o modo de produzir as condições de existência em nosso país. Desta forma, fica nítido que mesmo com realidades e costumes diferenciados,ambas as culturas sofrem influencias recíproca uma da outra.
  16. 16. 152.1 ESCOLA ATIVA: Estratégia de ensino em uma realidade especifica Diante do que foi relatado, as classes multisseriadas foram durante muitotempo alvo de críticas perante as dificuldades existentes na realização de umtrabalho pedagógico eficaz que se aplique a esta realidade de ensino de um modoque nenhum dos níveis que formam a turma venha a ser prejudicada. Durante anos essa problemática foi pauta de estudos aqui no Brasil ondeforam sucessivas tentativas sem sucesso até que em meados do mês de maio doano de 1996, um grupo de técnicos da Direção/Coordenação de Projeto Nordeste(Projeto Educação Básica para o Nordeste) este vinculado ao Ministério daEducação, e técnicos dos estados do Maranhão e Minas Gerais foram convidadospelo Banco Mundial à participarem na Colômbia de um encontro de capacitaçãosobre a estratégia “Escuela Nueva – Escuela Activa”, esta elaborada a discutida poruma equipe de profissionais colombianos que há muito tempo desenvolviam suadocência a partir de turmas multisseriadas daquela nação. A partir desse momento surge a ideia de implantar a estratégia a fim deauxiliar o trabalho docente nas classes multisseriadas brasileiras. Já em agosto domesmo ano Direção Nacional do Projeto Nordeste reuniu em Brasília todos ossecretários de educação e diretores de ensino dos estados do nordeste, a fim departiciparem de um seminário ministrado por um representante da FUNDACIONVOLVAMOS A LA GENTE, que foi responsável pela implantação e consolidação daestratégia na Colômbia, invento esse que tinha como propósito apresentar as ideiasda proposta e decidirem sobre a adoção, logo após o seminário, os estados daBahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão, Piauí foramde encontro com o que tinha sido proposto e diante mão decidiram pela adoção,sendo que em Outubro do corrente ano, técnicos destes estados passaram porformações na Colômbia, desde então, a estratégia passou a se chamar Escola Ativa,porém sua implantação ocorreu no ano de 1997 com orientações e auxilio financeirodo projeto Nordeste, onde seu principal objetivo é aumentar ou qualificar o nível deaprendizagem dos discentes, diminuir a reprovação e evasão e escolar no que sediz respeito as classes multisseriadas e elevar o número de concluintes de parte doEnsino Fundamental, isto é, o ensino fundamental anos iniciais do 1º ao 5º ano. Em1998, com a rápida repercussão dos bons resultados da estratégia nos estados quejá haviam implantado e Sergipe e Alagoas também decidiram pela adoção.
  17. 17. 16 O programa Escola Ativa além de promover recursos e meios que facilitem odesenvolvimento educacional das escolas do campo, tem a função de desenvolvermomentos de reflexão ação acerca da prática que os educadores realizam servindode momentos que propiciam troca de experiências vivenciadas e estas podem edever ser fundamentadas de acordo com princípios teóricos que a pedagogia debatecotidianamente. Sobre essa passagem, as Orientações Pedagógicas para Formaçãode Profissionais do Programa Escola Ativa (p.24) observam que é, Importante destacar a necessidade da formação continuada do professor para atuar nas classes multisseriadas. Esta deve contar, ainda, com a participação da comunidade, para um melhor desenvolvimento do ensino aprendizagem. Estas contribuições devem ser frequentes, auxiliando a ação pedagógica do professor com estratégias e vivencias que favoreçam a aprendizagem, as atividades e decisões escolares. Nesse sentido, a adequação do ambiente escolar deve ser feita de forma propicia ao desenvolvimento das atividades, à melhoria da autoestima do aluno e a participação da comunidade na preservação da escola, não perdendo a identidade do campo, sua cultura, mas compreendendo-a e valorizando-a. Diante disso, pode-se resaltar que trabalhar com uma classe multisseriadaexige do profissional uma atuação coerente que vá de encontro com uma formaçãoinicial e continua que vise qualificar a docência desenvolvida neste meio que trata-sede um realidade especifica. Voltando ao percurso histórico do programa, no ano de 1999, o projetoNordeste encerrou suas atividades dando lugar a um novo momento, a criação doprograma FUNDESCOLA (Programa Fundo de Fortalecimento da Escola), o que nãoimplicou nas ações de implementação da estratégia, uma vez que esta já seconsolidava nos estados, em especial, nos da região Nordeste, a Escola Ativa,então, passou a fazer das ações do novo programa de fortalecimento da escola. Partindo disso, para melhor entendimento, o processo de implantação daEscola Ativa se dá que em quatro (4) fases que representam o processo percorridodesde sua implantação. A primeira corresponde ao momento da implantação etestagem, que além de servir de momento de implantação foi neste que houveacompanhamento para que a efetividade da estratégia fosse avaliada. O ProjetoNordeste planejou ações que nesta estavam induzas a elaboração dos guias deaprendizagem e a contratação de coordenadores/supervisores pedagógicos pararealizar os monitoramentos nas escolas.
  18. 18. 17 Já em sua segunda fase, foi onde ocorreu a elevação do numero de escolas aadotarem a metodologia, mas sem que qualidade saísse do foco. Na terceira fasehouve o reconhecimento da eficácia da estratégia pelos estados e municípios o queresultou na criação de redes de formadores da estratégia dando aos municípios odireito de participarem das ações de formação e monitoramento de modo quefavoreça a ações de monitoramentos que são desenvolvidas nas escolas do campo,dando mais autonomia aos estados e cidades nas ações e formações dosprofissionais de sua competência. A quarta fase encontra-se em dois momentos, onde o primeiro foi a fase deexpansão II onde que foram incorporados aos municípios autônomos asresponsabilidades de capacitar os docentes o profissionais e equipar a escola deestrutura e de kit pedagógicos (globo, mapas, etc.) cabendo ao FUNDESCOLA adistribuição dos recursos instrucionais para formação de educadores, e de Guias deAprendizagem (livros didáticos elaborados de acordo com a realidade das classesmultisseriadas) que são necessários a implantação. O segundo momento é marcadocomo a fase de disseminação e monitoramento onde se refletiu a grande rede deresponsáveis pela sua implementação junto a gestores, técnicos, educadores,alunos e pais que se apoiam e buscam a preservação do campo e a melhoria daqualidade do ensino em questão. Esse momento foi distinto e em 2007 o ProgramaEscola Ativa novamente passou por adaptações com sua transferência para aSecretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, sendo gerida pelacoordenação geral de educação do campo como parte das ações dos MEC, o quedesafiou o programa o reconhecer o campo enquanto espaço de suas reflexões. Contudo, os povos camponeses almejam boas escolas para seus filhos, ondenão sejam ensinados apenas conteúdos e sim, princípios que norteiem o respeito eo reconhecimento das várias das formas de existências, de manifestações erelações sociais e com o ambiente natural.2.2 A FORMAÇÃO DOCENTE DE SUA PRÁTICA DE ENSINO “A formação de professores só tem hipóteses de ser tornar uma força demudança da escola se adquirir maior autonomia em relação ao sistema”(PERRENOUD, 1997, p. 97). Nesse sentido, a formação de um educador se faznecessário está adaptada à realidade que se vivencia no campo, proporcionando
  19. 19. 18oportunidade de mudanças perante a prática de ensino a ser desenvolvido nestemeio. Como já foi relatado, no campo predominam as classes multisseriadas e,estas por sua vez são consideradas um ensino precário assim como a formação deboa parte de seus professores, diante disso, o programa escola ativa propõe emseus pressupostos que este profissional deva estar aperfeiçoando seusconhecimentos, o que consequentemente implicará numa melhor pratica de ensino,fazendo com que o educador tenha autonomia para mediar o processo deaprendizagem mediante a realidade do aluno e do ambiente em que esteja inserido. As reflexões acerca da autonomia a ser adquiridas pelo professor através desua formação contribuem para que se analise o papel que os sistemas de ensinotem desempenhado na relação com os professores das escolas do campo que seapresentam, em muitos casos, fechados a novas ideias e estratégias a seremdesenvolvidas, salientando que essa formação vai além da escola, possibilitando acompreensão das peculiaridades e necessidades. Partindo deste pensamento, fica óbvio que o trabalho acerca de turmasmultisseriadas requer do professor uma formação e um perfil diferenciado, poisatender um grupo de 15 ou 20 alunos com idades, interesses, níveis de maturidadee conhecimento diferentes não é tarefa simples, pelo contrário exige do professor,além de uma grande dose de boa vontade e dedicação, o conhecimento técnicopedagógico necessário à execução do seu trabalho, a adaptação e o entrosamentocom a comunidade onde a escola está inserida e muita criatividade para desenvolverum plano de ensino de qualidade. No entanto segundo Piaget, numa classe multisseriada o conhecimento se dáatravés de ações de interações entre os educandos e professor. Este último deveconter uma formação e um perfil onde deve ter habilidade suficiente para criar umambiente e uma atmosfera de trabalho, no qual as crianças sejam ativas, quetenham capacidade de iniciar e finalizar suas atividades num clima de interação eajude mútua e com materiais ao seu alcance; entender que aprendizagem é umprocesso caracterizado pelas ações de uns sobre os outros, pelas diferenteslinguagens utilizadas pelos valores e regras de grupo. Desta maneira, além de uma formação inicial, fazem-se necessários estudoscontínuos especialmente que sejam relacionados com o campo de estudo ou devivência para que o professor possa realizar um trabalho multi e interdisciplinar, de
  20. 20. 19acordo com as possibilidades e capacidades de carências de toda ordem,destacando que o campo atualmente situa-se como espaço de reflexão, fator esteque deve este incluso no currículo do profissional da educação vigente. A formação continuada dos professores de Escola Ativa é deresponsabilidade das três camadas governamentais, ou seja, cabe a UniãoFederativa, aos Estados e aos municípios, o desenvolvimento e avaliação doprograma e da formação proporcionada aos professores. O projeto base (2008, p.35) afirma que: A formação continua dos educadores será de responsabilidades compartilhadas entre os sistemas públicos de ensino, com as atribuições definidas da forma como se segue. Caberá a União articular através da Rede de Diversidade o conjunto Universidades que desenvolvem programas de formação de educadores para as escolas do campo, financiando cursos de aperfeiçoamento de no mínimo 180 horas para no mínimo dois técnicos municipais e coordenadores das secretarias estaduais. É ainda de responsabilidade da União construir um sistema nacional de monitoramento do Programa Escola Ativa com o objetivo de obter dados para avaliação de resultados redimensionamento das metas e realização das mudanças necessárias na estrutura e na propostas pedagógica. Aos estados cabe coordenar a articulação entre as universidades e municípios para o planejamento conjunto e monitorar a formação realizada pelas universidades designadas pelo Governo Federal. O município, por sua vez deverá organizar e manter os microcentros, garantindo a formação continuada dos educadores, garantir o deslocamento e presença dos formadores nas atividades de formação e criar formas de acompanhamento, monitoramento e avaliação do Programa no âmbito local. Nesse contexto, a união designará universidades para que capacitem oscoordenadores estaduais e municipais, aos estados cabem articular ações entreuniversidades e municípios e este último, em como responsabilidade promover arealização de microcentros que fazem parte das estratégias da Escola Ativa que visaproporcionar trocas de experiências, oportunidades para que os educadores possamse organizar e construir novos conhecimentos, bem como refletirem sobre asdificuldades existentes no tocante ao ensino aprendizagem, sendo um espaço parateorização, avaliação do que se está desenvolvendo e a autoavaliação por parte dodocente.2.3 TEORIA E PRÁTICA: Metodologias adequadas à realidade dos discentes O trabalho com ensino multisseriado, em especial na zona rural deve sertrabalhado de uma maneira diferenciada da dita educação seriada ou regular.
  21. 21. 20Exigem-se práticas que venham a atender toda a demanda e que estas sejamdesenvolvidas de acordo com a realidade dos educandos. Nesse sentido, o Programa Escola Ativa, ao procurar resposta para essasquestões, elaborou uma proposta voltada para o trabalho em classe multisserie, poiscombina uma série de elementos e instrumentos de caráter pedagógico, social e quetambém cabe à gestão escolar. De acordo com o caderno Orientações Pedagógicaspara Formação de Profissionais do Programa Escola Ativa (2008, p.33), a estratégiareflete que para se obter mudanças no ensino, auxiliar a pratica dos professores eacompanhar a aprendizagem dos alunos, faz-se necessário levar em consideraçãoque:  O estudante é sujeito histórico  O professor e o estudante são protagonistas do processo de ensino e aprendizagem, sendo que o papel do professor é o d planejar e coordenar o mesmo, introduzir novos conhecimentos, diversificar os possibilidades de acesso;  A realidade do estudante é o ponto de partido e o ponto de chegada do processo de ensino – aprendizagem;  A aprendizagem supõe o estudo da realidade e de conceitos, para melhor analisá-la, e a proposição de ações para transformá-la. Este processo, proposto para entender e tornar viva a relação com o conhecimento, a parti da problematização da vida social, passa por sua interpretação segundo os conhecimentos teóricos e posterior intervenção;  A aprendizagem deve estar relacionada com a vida social em todos os seus níveis de organização, através do trabalho cooperativo, dentro e fora do espaço escolar;  A escola é o espaço de encontro entre os concito ligado ao senso comum, aos saberes individuais e comunitários e os conceitos científicos (saber sistematizado, conhecimento socialmente produzido pela humanidade.)  A escola está inserida em um contexto social, político, econômico e cultural e faz parte de sua tarefa pensar sua importância na preparação para o trabalho e na forma do ser humano;  O professor não deve atuar solitariamente. Nesse contexto, primeiro deve-se diagnosticar a necessidade do aluno e,buscar forma de atuação conjunta, seja por intermédio de recursos, participação dafamília ou da comunidade, ou seja, seu objetivo é propor condições para odesenvolvimento de uma aprendizagem voltada para compreensão da realidadesocial na qual a criança esteja inserida, sempre buscando incentivar vivências quepropiciam além da aprendizagem, sentimentos de companheirismo, colaboração,solidariedade e participação nas atividades do meio social, especialmente aparticipação constante na gestão escolar pelos alunos, pais, professores ecomunidade.
  22. 22. 21 A escola ativa busca auxiliar o trabalho do professor em sala de aula e paraisto, desenvolvem-se estratégias que sendo relacionadas, tendem a enriquecer aproposta curricular. As estratégias são:I Caderno de Ensino – Aprendizagem Estes são livros específicos por áreas de estudo (língua portuguesa,matemática, história, geografia, ciências e alfabetização e letramento), elaboradospara a utilização em classes multisseriadas, o mesmo, introduz o conhecimento apartir dos conhecimentos prévios dos alunos e dos assuntos que foram trabalhadosnas unidades anteriores, por isso devem seguir a sequência. O recurso aqui discutido não implica na substituição do livro didático, pelocontrário, o mesmo deixa espaço aberto para que o educador amplie o conteúdo afim de atender as necessidades de seu alunado.II Espaço Interdisciplinar de Pesquisa Nesta estratégia, são criados espaços que disponham de livros para pesquisae recursos lúdicos que o programa disponibiliza para tornar a aula mais rica. Sugere-se que estes espaços sejam interdisciplinares, mas em sua maioria são divididos emcantinhos por área de estudo o que não justifica afirmar que não seja interdisciplinar,pois ao fazer uma pesquisa ou desenvolver um jogo de história e geografia, alémdos conhecimentos dessas áreas, são desenvolvidas práticas de leitura e oraciocínio lógico que compete a outras áreas de trabalho. O docente pode através dessa estratégia, buscar conexões entre a histórialocal e geral, percorrendo espaços teóricos e vivenciais, valendo a ressalva que é nocampo em que a criança poderá vivenciar e situar-se como ser agente transformadordo ambiente em que vive.III Colegiado Estudantil O colegiado estudantil é o coletivo de representantes dos comitês, propostopela Escola Ativa, a fim de favorecer a gestão democrática no campo, estimulando aauto-organização dos alunos frente as tomadas de decisões, o comando deexecução das tarefas, bem como a coordenação das assembleias. O desenvolvimento desta estratégia, além de proporcionar uma maiororganicidade, contribui para que os educandos observem e compreendam oscompromissos da escola e do indivíduo para com a sociedade.IV Escola e Comunidade
  23. 23. 22 As instituições, como parte do ambiente em que se insere, deve reforçar suainserção na medida em que se desenvolvam atividades relacionadas ao dia-a-dia dacomunidade, fazendo estudo de seus problemas buscando formas de solucioná-los,trabalhando obviamente, com base na interdisciplinaridade a ser praticada nocotidiano escolar, onde promovam a participação da localidade para debatersugestões acerca das dificuldades, sejam elas econômicas, educacionais, entreoutros. O desenvolvimento das estratégias aqui descritas leva-nos a observar que seabrindo cominhos para construção de uma concepção do ensino aprendizagemcapaz de superar a classificação em séries, onde os anos iniciais do EnsinoFundamental tornam-se uma etapa menos fragmentada favorecendo uma atuaçãointegral e multidisciplinar, onde a infância passa a ser compreendida como diferentesestágios de desenvolvimento e não como séries. O programa não vai solucionar imediatamente todos os desafios nas classesmultisseriadas no campo, sobre isto, recorre-se novamente ao Caderno OrientaçõesPedagógicas para Formação dos Profissionais do Programa Escola Ativa (2008,p.36) onde se esclarece de forma nítida que, As classes multisseriadas precisam ser consideradas como uma alternativa para oferecer uma educação de qualidade no e do campo. O programa não pretende esgotar ou solucionar todos os desafios colocados para o professor de classes multisseriadas, mas abrir possibilidades de atuação e desafiá-lo a seguir formulando com seus pares e com os sujeitos do campo. Ou seja, a estratégia apresenta formas adequadas para que o professor, apartir de sua prática venha a superar os desafios existentes no caminho. Dessa forma, a metodologia proposta pelo programa em estudo baseia-se narealidade dos alunos e da comunidade a qual faz parte.
  24. 24. 233 PLANEJAMENTO DE ENSINO X REALIDADES DE APREDIZAGEM A necessidade de planejar se faz necessário em todos os setores da atividadehumana, pois transformar sonhos em realidade concreta é uma preocupação dequalquer pessoa. Segundo Freire (1979) estudar é assumir uma atitude seria e curiosa de umproblema, isto é, estudar é planejar e, diante de um problema procurar refletir paraquais alternativas de ação possam vir a ser realizadas. O ato de planejar não surgiu de agora, porém atualmente tomou uma maiordimensão por causa da complexidade, dos problemas, pois quanto mais complexosse tornarem os problemas mais necessária se faz a prática de planejamento. No planejamento espera-se responder às seguintes questões:  O que pretendo alcançar?  Em quanto tempo pretendo alcançar?  Como alcançar o que pretendo?  O que fazer e como fazer?  Quais os recursos necessários?  Como verificar se o que se objetivo foi alcançado? Acerca do planejamento de ensino, é importante ressaltar que, O planejamento de ensino é a especificação do planejamento de currículo. Consiste em traduzir em termos mais concretos e operacionais o que o professor fará na sala de aula, para conduzir os alunos a alcançar os objetivos educacionais propostos (PILETTI, 1989, p.62). Nesse sentido, é através do ato de planejar que o professor vai especificarsua docência de acordo com a necessidade de sua classe, o que nos remete arealidade do educador de classes multisseriadas, este por sua vez, além de adequarseu trabalho ao nível de aprendizagem da turma, tem a tarefa de estabelecerobjetivos diferentes a fim de atender a todos os anos escolares que a compõe, tendoainda, que promover momentos de interação entre os diferentes níveis, para queambas troquem conversas e práticas que favoreçam uma aprendizagem cada vezmais sólida. Para se realizar um planejamento de forma adequada é preciso saber, antesde tudo, com quem se irá trabalhar, só desta maneira, é que se poderá elaborarobjetivos que atendam a necessidade dos alunos. Neste caso, a escola se aproxima
  25. 25. 24do saber cotidiano, ou seja, da realidade vivenciada pela criança, relacionada aotrabalho e à educação familiar de campo e de cidade. Valendo a ressalva de queestes saberes implicam na forma de comportamento das pessoas, no entanto, ameta é que esse saber popular se torne situações de estudo e problematização,tecendo ligações entre a realidade e o conhecimento científico, daí surge aressignificação da criança. Introduzir novos conceitos fará com que o aluno possapensar e transformar sua realidade. Diagnostica-se que o planejamento de acordo com a vivência do alunorelacionado com as estratégias da escola ativa, entre elas, o colegiado e escola ecomunidade fazem com que as crianças desenvolvam noções ou conhecimentosdiferenciados dos que se trabalham nas escolas ditas, regulares, promovendosentimentos e atitudes de companheirismo, aprendizagem coletiva, democracia eigualdade.3.1 UM NOVO OLHAR SOBRE OS NÍVEIS DE APRENDIZAGEM A aprendizagem do aluno com o passar dos tempos deixou de estar ligadainteiramente a uma visão reducionista em que ensino aprendizagem centrava-seapenas na absorção de conhecimentos teóricos ou didáticos. A aprendizagem e o desenvolvimento da criança parte sempre deobservações ou fatos práticos, acerca disso, pode-se afirmar que, A aprendizagem parte sempre de uma situação completa, inicialmente a visão do problema ou da situação e sincrética, ou seja, é geral, difusa, indefinida. Em seguida, através da análise, das considerações dos diversos elementos integrantes, chega-se a uma visão total do problema ou da situação. O terceiro passo é a síntese. Através da síntese integram-se os elementos mais significativos e essenciais (PILETTI, 1989, p.34). Dessa forma, o conhecimento passa a ser construído à medida que a criançaatribui um significado, mesmo que seja simples, mas isso implicará numaaprendizagem da qual não passará despercebida pela mesma. O processo de ensino aprendizagem deve ser desenvolvido de uma maneiraque os alunos possam por em prática suas habilidades de compreensão, aplicação emodos de solucionar problemas, buscando um pleno desenvolvimento no que serefere aos níveis cognitivos, afetivos e psíquicos.
  26. 26. 25 Na escola ativa, além de se trabalhar as questões cognitivas e psíquicas, oprograma propõe uma prática diferenciada que envolve o aspecto afetivo da criançaà medida, que, são desenvolvidas atividades em grupos de estudos em que o alunoauxilia o colega em dificuldade. Valendo a ressalva de que são em momentos decompanheirismo e amizade, fazendo com que ocorra maior aceitação, identificaçãoe sensibilização das crianças para com a proposta de se trabalhar com omultisseriado. Com base nisso, a proposta metodológica escola ativa destaca que o ensinodireto de conceitos não tem bom aproveitamento, sendo que sua tarefa é defavorecer processo de humanização, os conceitos científicos devem ser adaptadosao nível da criança através de atividades adequadas. Vale destacar que, A aprendizagem pedagógica mostra que o ensino direto de conceitos é impossível e pedagogicamente improdutivo. O professor que tenta usar essa abordagem não alcança mais do que um aprendizado estúpido de palavras, um verbalismo vazio que estimula ou imita a presença de conceitos na criança. Nessas condições, a criança aprende não o conceito, mas a palavra, que ela capta pela memória, não pelo pensamento. Esse conhecimento revela inadequado em qualquer aplicação significativa (VYGOTSKY, 2006, p.120). Nesse contexto, faz-se necessário a elaboração de atividades que estejam deacordo com a demanda dos níveis de aprendizagem, respeitando suas etapas paraque se alcance o objetivo. Diante de qualquer classe, seja multisseriada ou não, os níveis deaprendizado são bastante variados e perante uma turma multisseriada o professorsente a necessidade de um planejamento voltado para cada nível, observando o seudesenvolvimento e se necessário, replanejá-lo, pois nem sempre os alunos do 1ºano, por exemplo, acompanharão com êxito, as atividades que também são dirigidasao 2º ou 3º ano. Nesse pensamento, é importante frisar que, O professor deve organizar vários planejamentos ao mesmo tempo, por mais que eles tenham partes semelhantes. Se a sala tem alunos do primeiro ciclo do Ensino Fundamental, é preciso ter dois planos: um para os menores e para os intermediários e outro especifico para os maiores. Deve-se pensar que a atividade que um grupo está fazendo tem de durar exatamente o tempo necessário para ensinar e atender o outro. Para dar conta de necessidade de aprendizagem tão diferente, o apoio de um coordenador pedagógico é fundamental (CASTEDO, 2012, p.52). E afirmar ainda que,
  27. 27. 26 É preciso intercalar momentos em conjuntos com atividades em pequenos grupos. O conteúdo determina as formas de trabalho. O importante é dar atenção aos conceitos importantes de cada série, que precisam ser ensinadas (idem ibidem, p. 52). Dessa forma, reflete-se que os níveis e conteúdos devem ser respeitados,porém faz-se preciso atividades a serem desenvolvidas em grupos para que hajaaprendizagem por intermédio da convivência com os colegas e, como a própriaautora afirmou, o conteúdo é quem vai definir a forma de se trabalhar, observandoas fases e níveis de desenvolvimento da aprendizagem do educandos.3.2 RESULTADOS DE APRENDIZAGEM, UMA REALIDADE COERENTE DOSALUNOS PROVENIENTES DA ESCOLA ATIVA Durante a vivência, os professores de escola ativa tem se deparado com umaquestão prazerosa, onde se diagnostica que os alunos provenientes de escala ativaao chegarem a outras escolas para dar continuidade aos anos finais do ensinofundamental ou médio se destacam pela qualidade de produção, ações e visão demundo que desenvolveram a partir de um ensino que a maioria dos indivíduoscondena o que deixa ainda mais claro que a forma de trabalho que se desenvolveestá alcançando os objetivos com êxitos. No entanto, percebe-se ainda que o desenvolvimento cultural do aluno é umprocesso singular, pois se dá em ritmos diferentes, sendo que a sua visãoconstruída a partir da vivência em família passa a ser transformada e superada pelarealidade sócio cultural do individuo, ou seja, o seu desenvolvimento biológico,proporciona o desenvolvimento social, porém é o meio no qual se desenvolve acriança que implicará no grau de evolução conquistado pela mesma. Acerca disso,Wallon (1995 apud Orientações pedagógicas para formação de profissionais doprograma escola ativa, 2008, p.42), afirma que, O planejamento das atividades escolares não deve se restringir somente a seleção de seus temas, isto é, do conteúdo de ensino [...] Deve incluir uma reflexão acerca do espaço em que será realizada, decidindo sobre aspectos como área ocupada, os materiais utilizados, os objetos colocados ao alcance das crianças a disposição dos mobiliários, etc.
  28. 28. 27 Nesse sentido, se faz necessário resalvar que o plano a ser desenvolvidopara as classes multisserie não deve preocupar-se apenas com seleção eorganização de conteúdos didáticos, mas desenvolver aulas que estimule além dosconteúdos curriculares abrangendo a transversalidade que o ensino requer, levandoo pensamento dos alunos além da sala de aula, fazendo com que os mesmosatribuam sentido aquele tema que estão estudando, seja por intermédio de recursoslúdicos, aulas de campo, etc. Os alunos que estudam em escola que põe a estratégia em prática,constroem uma relação na sala de aula baseada em sentimentos deresponsabilidade, cooperação, sociabilidade, julgamento, autonomia, expressão,criatividade, comunicação, reflexão individual e coletiva e afetividade, assim comodefendeu Freinet durante a sua pedagogia. Dentre os elementos estruturantes do programa escola ativa, para odesenvolvimento de atitudes democráticas, colaborativas e responsáveis, destacam-se os comitês, estes vinculados ao colegiado estudantil que tem como funçãoplanejar atividades em diferentes aspectos da escola. Os comitês devem serdefinidos pelo educador em parceria com alunos e comunidades através deassembleia feral para formação destes, os mesmo são formados acordo com arealidade de cada escola, por exemplo, pode haver comitê de leitura, deorganização, recepção, de meio ambiente, etc. Após a formação, os comitês se reúnem para escolha de líderes e monitoresonde serão designados alunos que servirão de relatores para registro de atos dasreuniões destes. Portanto, ao finalizar as escolhas, o coletivo dos lideres de cadacomitê formarão o colegiado estudantil, onde a opinião dos alunos influencia natomada de decisões dos professores e da gestão escolar, dando a esta um carátermais dinâmico e por fim, democrático. A atuação do colegiado implicará na elaboração de projetos com temáticassociais que estimule a ampliação do currículo e favoreça contribuições para odesenvolvimento local. Em seu desenvolvimento, o colegiado estudantil utilizainstrumentos de caráter social, pedagógico e administrativo, que são: I) Livro Ata do Colegiado Estudantil: este servirá para registro das assembleias a serem realizadas e compromissos registrados na caixa de sugestão e compromisso.
  29. 29. 28 II) Cartaz dos Combinados: este elaborado sob orientação do professor, onde em conjunto com os estudantes, definem normas para convivência democrática, propiciando a prática de direitos e deveres. III) Ficha de Controle da Presença: é a chamada dos alunos feita pelo mesmo através de um cartaz mensal, propiciando ao aluno responsabilidade quanto a sua permanência em sala de aula. IV) Caixa de Sugestão: é onde os alunos escrevem sugestões de cunho social, administrativo e pedagógico para o desenvolvimento da gestão escolar democrática. V) Caixa de Compromisso: confeccionadas para firmar os compromissos assumidos nas atividades do colegiado estudantil. VI) Cadernos de Auto - Avaliação do Estudante: são instrumentos de registro pessoal do estudante sobre suas interações na escola e deu processo de aprendizagem (construção do saber) Dessa maneira, o colegiado estudantil estabelece interações entre todos oselementos da escola ativa fazendo com que os alunos articulem-se no ambientesócio cultural no processo de ação – reflexão – ação. As Diretrizes Operacionais para Educação Básica nas Escolas do Campoafirma que, A identidade da escola do campo é definida pela sua vinculação às questões inerentes à sua realidade. Ancorando-se na temporalidade e saberes próprios dos estudantes, na memória coletiva que sinaliza futuros, na rede de ciência e tecnologia disponível na sociedade e nos movimentos sociais em defesa de projetos que associem as soluções exigidas por essas questões à qualidade de vida coletiva do país. Contudo, pode-se afirmar que a proposta orienta que seja desenvolvido umtrabalho a partir da realidade vivenciada do aluno, onde o saber prévio do estudantepassa a ser problematizado e refletido, fazendo com que o individuo situe-se comoser crítico e ativo do processo social. Sendo assim, o conhecimento construído nestamodalidade de ensino vai além daqueles que se encontra em livros ou dentro doprédio escolar. A aprendizagem passa a ser para o mundo, para sociedade da qualestá inserido, alçando assim um dos mais importantes objetivos da escola que é ode formar cidadãos capazes de refletir sobre seus atos e responder seus anseiosperante o meio.
  30. 30. 294 INTERVENÇÃO SOCIOESCOLAR A intervenção socioescolar deve focalizar um tema/problema pertinente aocampo de observação e, a partir da criatividade e do interesse do orientando vempropiciar, ao mesmo, a relação entre a teoria que se questiona e a prática que édesenvolvida, de acordo com a realidade que vem sendo debatida desde o iniciodeste trabalho.4.1 CARACTERÍSTICAS REAIS DA INSTITUIÇÃO A proposta de intervenção segue tratando sobre a demanda do ensinomulotisseriado no campo e da escola ativa como instrumento que vem a inovar oensino em questão a partir da realidade vivenciada pelas escolas de zona ruralvinculadas ao Centro Municipal de Ensino Rural Professora Aldenora BarbosaRebouças em Tibau, Rio Grande do Norte. A criação do Centro Rural, assim como é mais conhecido, se deu em 07 deMaio de 2001, através do ato de ordem 004/2001, sendo que o seu nome foi umahomenagem merecedora a professora Aldenora Barbosa Rebouças, hojeaposentada, que por toda sua vida profissional prestou serviços nas zonas ruraislocais. De inicio o centro rural compreendia três escolas: a Unidade I IdelzuiteFernandes, a Unidade II São João Batista, ambas localizadas na comunidade deGangorra e a Unidade III Professora Maria Helena Rebouças Marques, estalocalizada na comunidade Praia de Gado Bravo, também pertencente a Tibau.Posteriormente, devido a redução do numero de crianças em todas as localidadesrurais, fato esse ainda decorrente do forte processo de urbanização das cidades, aUnidade II São João Batista foi desativada, sendo que seus alunos restantes foramdeslocados para Unidade I Idelzuite Fernandes e tomando a sua ordem, passa a serconstituída de Unidade II, a Escola Municipal Professora Maria Helena RebouçasMarques que antes era a III unidade. Desde sua fundação, a gestão da instituição se da através de portariasexpedidas para nomeação de cargos comissionados, ou seja, o poder executivonomeia que melhor preferir, sem que sejam observados os ritmos de trabalho e as
  31. 31. 30necessidades que a instituição requer. Acerca da realidade local é importantedestacar que, Deve haver prioridade, atenção e respeito com a educação. O que vemos atualmente é que a prefeitura se dá por satisfeita tão somente pelo fato de ter completado seu quadro de professores. Isso quer dizer que tendo o professor na escola, ela já cumpriu com seu papel. Na verdade, o mais coerente seria acompanhar o trabalho desse profissional, porque o aluno e a peça primordial desse relacionamento. É preciso ver o estímulo de ambas as partes e verificar se a mensagem está sendo decodificada pelo aluno. Precisamos de eleição direta para escolha de diretores. Não custaria nada a prefeitura doar uma bolsa para o melhor aluno, uma promoção ao professor de melhor desempenho em sala de aula. Isso geraria mais interesse entre as partes citadas. É preciso, ainda, verificar se há material didático disponível para que o professor possa desempenhar seu trabalho pelo menos de forma mais básica possível (NOLASCO, 2003, p.51). Dessa maneira, revela-se a necessidade de se observar quem está sendodesignado para gerir o centro rural e, consequentemente as escolas do campo destemunicípio. Apesar desses descontentamentos perspicazes na educação pública deTibau, as gestões que até a presente data passaram pela zona rural foramcompostas por pedagogas e que antes disso, já atuavam na área educacional,sendo que até o momento se passaram cinco dirigentes: de 2001 a 2004, a senhoraEdilene Elvira de Medeiros Duarte (atualmente exerce função de coordenadorapedagógica efetiva na instituição); de 2005 a 2007, a senhora Kelle Jaciani da SilvaFernandes; na sequência (2008 a 2010), a senhora Maria de Fátima Silva deMedeiros, no período do mês de julho de 2009, atuou interinamente a senhora GilvaMaria da Silva em virtude da cassação do mandato do gestor, e atualmente quemresponde pela direção é a pedagoga Maria da Piedade Lopes. Ainda de acordo com a citação de Nolasco (2003), é preciso verificar aquestão do material didático, pois se observa que as escolas vinculadas ao CentroRural dispõem de um rico acervo literário e recursos metodológicos que sãodistribuídos pelo MEC via Escola Ativa, porém o que é de responsabilidade domunicípio, no momento, deixa bastante a desejar, pois falta o essencial como papelofício, cartolinas, lápis, cola e etc. A instituição campo de intervenção é de pequeno porte, não dispondo desede própria, tendo como missão/função administrar e promover acompanhamento eincentivos pedagógicos nas escolas municipais da zona rural do município, tendo oindivíduo ciente de seus direitos e deveres como ser social na sua visão de futuro.
  32. 32. 31 O Centro de Ensino Rural tem como objetivo proporcionar o ensino dequalidade no campo, visando a formação do indivíduo como cidadão pertencente aum meio social, sendo que sua meta é promover a construção de conhecimentos demaneira construtivista, proporcionando dessa forma, uma aprendizagemsignificativa. Seu quadro de funcionamento é composto por uma diretora e umacoordenadora pedagógica que fazem o acompanhamento das duas unidades deensino, onde as mesmas, em consonância desenvolvem ações de monitoramento eavaliações dos professores e acompanhamento da aprendizagem do aluno, além deatuarem nas tomadas de decisões em comum acordo com o colegiado estudantil.Dispõe de seis professores atuantes em sala de aula, sendo que um destes é oautor deste trabalho que atua nas duas unidades de ensino em horários diferentes,vale a ressalva de que são três turmas na Escola Idelzuite Fernandes e trêsnaEscola Professora Maria Helena Rebouças Marques, ambas com a mesma ordem:uma turma de educação infantil que atende alunos de três a cinco anos e duasturmas de ensino fundamental, sendo uma composta pelos 1° e 2° anos e a outrapelos 3°, 4° e 5° anos. Dos docentes, apenas um encontra-se em fase formaçãosuperior, os demais já são graduados em pedagogia através do Programa Especialde Formação Profissional para Educação Básica – PROFORMAÇÃO pelaUniversidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, sendo que três sãoespecialistas em Educação Especial, oferecido pela Faculdade Kúrios (FAK) e osoutros dois encontram-se em pós-graduação em gestão escolar e psicopedagogia. Vale destaca que a coordenadora pedagógica é quem é responsável pelorepasse dos módulos do programa escola ativa, a mesma é capacitada em Natal erepassa para os docentes através dos microcentros. Em relação ao seu funcionamento, quem planeja as ações é a coordenadorapedagógica em conjunto com a gestora, professores e colegiado estudantil. Ainstituição possui um Projeto Político Pedagógico que é o que determina os objetivosde comum acordo com as necessidades vigentes. A atual gestora é a senhora Maria da Piedade Lopes que é pedagoga etrabalha na educação há mais de quinze anos, porém está com apenas dois anos afrente da instituição, a mesma em entrevista, relata que a responsabilidade peloplanejamento é de competência da coordenação pedagógica, porém como seclassifica como uma gestora democrática, articula atividades junto a coordenadora e
  33. 33. 32aos membros do colegiado estudantil para que se tracem metas a serem alcançadasem determinados períodos. O ingresso na instituição se dá através de concursopúblico ou portarias de nomeação provisória em regime emergencial. Seguem abaixo, algumas informações sobre as escolas vinculadas ao CentroRural:  ESCOLA MUNICIPAL IDELZUITE FERNANDES: Localizada na comunidade de Gangorra, atualmente atende a uma clientela de cinquenta e dois alunos e tendo quatro funcionários efetivos e três contratados (sem a devida necessidade) e quatro professores, a mesma, desenvolve a escola ativa desde o ano de 2001.  ESCOLA MUNICIPAL PROFESSORA MARIA HELENA REBOUÇAS MARQUES: Localizada na comunidade praia de Gado Bravo, atualmente atende a uma clientela de quarenta e três alunos e tendo três funcionários efetivos e três contratados, além dos três professores lotados em cada turma, a mesma já chegou a ser modelo no tocante ao desenvolvimento da estratégia Escola Ativa que põe em prática desde o ano de 2001.4.2 PROBLEMATIZANDO O AMBIENTE DE ESTUDO Dando continuidade ao processo de intervenção, o que requer o diagnósticode um problema que impeça de alguma forma o processo de ensino desenvolvido nocampo, fez-se necessária uma aplicação de instrumentos (questionários) a seremtrabalhado com um aluno do 5° ano, com os professores, coordenador pedagógico egestora, lembrando que os instrumentos foram aplicados nas duas unidades deensino vinculadas ao Centro Rural, o que resultou em dois alunos e quatroprofessores atuantes em sala de aula. Aos alunos foram dirigidos questionamentos de acordo com sua faixa etária enível de aprendizagem. Ao ser questionado como eram realizadas as atividades emclasse, o aluno 01 afirmou que eram feitas pelo quadro e pelos cadernos de ensino eaprendizagem, já o aluno 02 destacou a mesma forma de trabalho, acrescentandoapenas que seu professor também utilizava atividades complementares. Aoresponder se existiam atividades diferenciadas para os outros anos escolares quefazem parte da turma, a criança 01 falou que na maioria das vezes sim, onde aturma é dividida em grupos e o educador presta assistência a todos, já a criança 02
  34. 34. 33relatou que existem sim atividades diferenciadas, mas enquanto o seu grupo realizaatividades pelo caderno de ensino, o restante da turma desenvolve atividade escritano quadro. Em relação ao colegiado estudantil, ambos são líderes do comitê derecepção onde tem a função de orientar as visitas que chegam à escola. Já o aluno02 destaca apenas a utilização dos cadernos. Até o momento, de acordo com os alunos entrevistados, percebe-se que osprofessores da turma 3°, 4° e 5° anos de ambas unidades põem em prática algunselementos da escola ativa, mas que ainda existe uma certa inflexibilidade no tocantea aceitação da estratégia por completo. Já com os professores foram desenvolvidas questões bem típicas de umasala multisseriada do campo. Ao ser questionado quanto ao seu trabalho em classesmultisseriadas, o professor 01 relata que busca realizar um trabalho de acordo coma proposta em estudo, através da realização de atividades em grupo. No entanto, oprofessor 02 diz utilizar a dinâmica do apoio, onde o aluno que entende primeirosocializa com os colegas e reforça que esse procedimento facilita o seu trabalho,pois os alunos têm a mesma linguagem. A professora 03 afirma que seu trabalho éde acordo com as necessidades dos alunos, onde se pretende respeitar as etapasde aprendizagem de cada série escolar; e por fim, o professor 04 realiza conformeos níveis de aprendizagem da turma, utilizando os cadernos de aprendizagem eatividades de acompanhamento. Em relação ao desenvolvimento das estratégias da Escola Ativa e como osmesmos a avaliam, a professora 01 classifica como positiva, tendo em vista que asestratégias da mesma são relevantes para realizar um bom trabalho e,consequentemente alcançar bons resultados, já o educador 02 afirma que buscadesenvolver o que acha mais coerente e que as estratégias seriam melhordesenvolvidas acerca de turmas seriadas, o que transparece a sua inflexibilidade noque se refere a adequação da proposta. O professor 03 diz utilizar a estratégia que aclassifica como importante, pois é por meio de seus elementos que se pode realizarum trabalho que venha atender as necessidades de cada ano escolar de sua turma.Já o educador 04 diz que os resultados são ótimos, visto que desenvolvendo ametodologia ajuda tanto na questão da disciplina como também no processo deensino, que é de acordo com a realidade do aluno. Em seguida, os docentes foram questionados sobre o planejamento de suasaulas e se existiam planejamentos diferenciados para todos os níveis escolares da
  35. 35. 34turma, o educador 01 afirma que sim, pois na medida que são utilizados os cadernosde ensino e aprendizagem não há como não se planejar de forma diferente. Já oprofessor 02 ressalva que o planejamento precisa ser diferenciado, porém commuitos conteúdos, procura adaptá-los para outras séries sempre que possível, oprofessor 03 relata que ao planejar suas aulas, constrói objetivos para cada ano e seexistir conteúdos diferentes, elabora uma meta para cada, sempre observando onível de aceitação de seu alunado. O professor 04 foi muito breve e relatou apenasque dirige os planejamentos conforme o nível de aprendizagem do alunado. Ao questionar sobre as dificuldades, a maior parte dos docentes entrevistadosfocalizou na questão do planejamento adequado para todos os anos escolares, poisrequer muito do professor no tocante ao tempo e a criatividade do mesmo. Osprofessores foram questionados se enquanto profissionais de educação acreditamnuma educação de qualidade a partir de classes multisseriadas, os mesmos,relataram que sim, pois triste do educador que não acredita em seu trabalho. Aindasobre as dificuldades, o educador 01 reforça a falta de um auxílio ao professorquanto este se depara com uma turma em que a maioria não são alfabetizados,exigindo uma constante atenção do educador frente as atividades desenvolvidascom estes. Ao destacar os elementos, os educadores relataram os que de acordo comsuas práticas favorecem uma aprendizagem mais centralizada no aluno e nas açõesque este passa a desenvolver. O educador 01 destacou o colegiado estudantil comoo principal elemento, pois este leva o aluno a desenvolver ações democráticas, alémdos combinados que os leva a cumprir com sua palavra, o professor 02 destacou oscombinados e a folha de frequência, já 03 e 04 destacam além do colegiado, oscadernos de ensino e aprendizagem que são subsídios para prática educativanestas classes, pois os mesmos são elaborados de acordo com a realidade docampo. Finalizando os questionamentos com os educadores, os mesmos, foraminstigados a darem sugestões à proposta. O professor 01 sugeriu que os órgãosintensificassem as ações de fiscalização para observar como o trabalho vem sendodesenvolvido em conjunto, pois a estratégia requer uma continuidade e que é deconhecimento a nível geral o que há de professores relapsos. O professor 02sugeriu uma modificação no material didático, o que reflete o quanto os mesmo éequivocado quanto ao desenvolvimento da estratégia e o que a mesma oferece. Já o
  36. 36. 35educador 03 sugere ainda mais acompanhamento e suporte para os professores,pois estes devem dispor de uma prática diferenciada da educação dita regular e porfim, o educador 04 sugere que a mesma também sirva de metodologia para asclasses seriadas, pois em sua concepção, ver que fazendo isso vai melhorar tanto oprocesso de ensino como a sua aceitabilidade junto a comunidade. Já com a coordenadora pedagógica foram dirigidas outras questões, porémtodas com a finalidade de destacar um possível problema. A mesma, em suaoportunidade frisou que o trabalho a partir de classes multisseriadas é muito difícil,pois requer muito estudo, planejamento, preparação e que tudo isso é preciso detempo, o que muitas vezes o professor não tem. Contudo, a coordenadora relata quea Escola Ativa colabora para melhorar a qualidade do ensino desenvolvido nestasclasses a partir do momento que desenvolve uma metodologia específica, levandoem conta a realidade local e através dos seus instrumentos, permite que o alunoconstrua seus próprios conhecimentos. Ao ser questionada sobre quais tarefas a mesma desenvolve enquantocoordenadora pedagógico para melhorar o desenvolvimento da estratégia nasescolas, a pedagoga diz estar sempre em sintonia com os professores, apoiando-osno que for possível, promovendo formação continuada, planejamentos,microcentros, oficinas de estudo, além de acompanhar o ensino-aprendizagem doalunado. Segundo a profissional, a dificuldade de parte dos professores das escolas docampo em Tibau, é desenvolver um trabalho que atenda todos os níveis deaprendizagem que compõe uma turma indo de encontro com o que este trabalhovem questionando desde o inicio, que é a falta de preparação, visto que é precisodesenvolver o trabalho através de atividades diferenciadas, o que requer segurança,planejamento e domínio de conhecimentos, a mesma, sugere ainda que além dasformações que são promovidas pela instituição, os professores devem estudar,serem mais assíduos as formações e principalmente planejar adequadamente. Acerca dessa afirmação, o livro Orientações Pedagógicas para Formação deProfissionais da Escola Ativa destaca que, Dentro desse contexto, o professor encontra-se muitas vezes sem orientação, uma vez que, em seu processo de formação, os cursos não deram enfoque as especificidades da multissérie. O professor tampouco recebeu subsídio pedagógico suficiente para o exercício da função docente nessa especificidade de ensino (BRASIL, 2008, p.32).
  37. 37. 36 Nesse sentido, vale a ressalva de que o professor enquanto universitário nãorecebe uma formação que também venha debater as características domultisseriado, porém esse fato não implica numa continuidade de práticaspermanentes, o professor deve ser flexível no tocante a aceitação de propostas cujoobjetivo é avaliar o trabalho que vem sendo desenvolvido. Ainda sobre a realidade das escolas do campo em Tibau, foram aplicadosinstrumentos para coleta de dados com a responsável pela direção das mesmas,que de inicio avalia o trabalho desenvolvido nestas classes diante sua realidadecomo positivo, pois segundo a dirigente, tem-se alcançado com êxito aquilo que vemsendo proposto. Ao ser questionada sobre como a Escola Ativa contribui no tocante aodesenvolvimento da aprendizagem dos alunos, a mesma afirma que contribui demaneira eficaz pois o que é proposto e desenvolvido leva o alunado a desenvolveraprendizagens extracurriculares, levando o conhecimento para a vida. Quanto questionada sobre o monitoramento e avaliação dos professores, agestora relata que são feitos de forma sistemática através dos microcentros mensaispara a discussão da proposta. Se tratando do planejamento diferenciado para cada ano escolar que compõea turma a diretora destaca que as necessidades do 4° ano, por exemplo, não serãosempre as mesmas do 3° ou do 5° ano e considera ainda que esta demanda é o queassola em alguns casos da instituição, o que necessita de ser estudado, debatido esolucionado. Contudo, através da coleta de dados realizada com agentes do processo e daobservação feita diariamente nas unidades de ensino no campo, em conjunto,diagnosticou-se a deficiência frente ao planejamento adequado que venha arespeitar as etapas de desenvolvimento de cada criança em seu determinadoperíodo escolar, o que servirá de ponto de partida na tomada de decisões para quea intervenção socioescolar possa ser posta em prática e solucionar o que permeiade maneira negativa o ensino campo de estudo e, que através desta, osprofessores, alunos, coordenador pedagógico, gestor escolar e comunidade possamreconhecer as importantes contribuições que a Escola Ativa favorece aodesenvolvimento do ensino-aprendizagem a partir de turmas multisseriadas, o quevem a desconstruir qualquer pensamento negativo relacionado para com estas.
  38. 38. 374.3 INTERVENÇÃO E AÇÕES INOVADORAS A ação interventiva se deu em 20 (vinte) de Agosto de 2012 nasdependências da Unidade de Ensino Idelzuite Fernandes, esta contou com apresença de quase todo corpo docente das duas escolas do campo da cidade deTibau, da coordenadora pedagógica do Centro de Ensino Rural e de umarepresentante da comunidade. De início, a coordenadora pedagógica fez a abertura do microcentro ondedemonstrou total satisfação em relação a temática abordada, pois segundo amesma, o autor deste trabalho cresceu na comunidade e desde 2009 que vivencia otrabalho pedagógico que é realizado pela instituição no tocante a umdesenvolvimento das estratégias da escola ativa que venha a proporcionar cada vezmais um ensino de qualidade a partir das classes multisseriadas. Após a abertura do evento feita pela coordenadora pedagógica, foi que aintervenção socioescolar entrou em prática, iniciando com uma justificativa onde seesclareceu o motivo do evento e da escolha da temática, focalizando o que a opiniãopública e a própria comunidade tem a dizer sobre a forma de organização dasturmas e que os conceitos não qualitativos devem ser desconstruídoscotidianamente, pois o que relata-se é que essa modalidade não favorece um bomdesempenho na aprendizagem do aluno, a partir daí foi que se pode destacar aimportância e as contribuições que a metodologia traz consigo e a necessidade deser desenvolvida como se deve, valendo a ressalva de que a mesma requer umacontinuidade e só dessa maneira se alcança os objetivos que são propostos. Seguindo a linha de pensamento, foi lançada a problemática relacionada aquestão do planejamento e logo foi realizado um debate denominado “A importânciado ato de planejar” voltando o olhar para as especificidades do multissérie e que deupara avaliar como positivo, pois alguns educadores fizeram colocações relacionadasas dificuldades de se por em prática um plano de trabalho simultâneo, isto é, de sedirigir atividades adequadas a cada ano escolar que compõe a turma, pois para quese desenvolva um plano para cada atividade e para cada ano escolar requer muitotempo, o que geralmente o professor não dispõe, e mesmo que se faça o planodessa forma, no decorrer da aula vai ficar tudo tão corrido que vai criar umaconfusão na cabeça do professor e, consequentemente do aluno. Diante disso, foi
  39. 39. 38relatado novamente o que a Escola Ativa propõe ao trabalho simultâneo com sérieescolares que é o de realizar um planejamento mais amplo, articulando as atividadesdo cadernos de ensino e aprendizagem com outras fontes de pesquisas. Acerca dessa afirmação, o caderno Orientações Pedagógicas para Formaçãode Profissionais do Programa Escola Ativa (2008, p.51) ressalva que, Na metodologia da Escola Ativa, o professor organiza e sistematiza as atividades encontradas nos Cadernos, fazendo sempre esta ligação. Devemos, porém ter o cuidado de ressaltar que o planejamento do professor deve ser articulado com outras fontes de pesquisas para ampliar o tema a ser abordado em sala de aula. Nesse sentido, se as atividades de ambas as séries requer auxílio doprofessor, cabe ao mesmo recorrer a outras fontes ou procedimentos diferentes, porexemplo: se uma série realiza atividades do caderno de ensino, a outra pode realizaruma atividade de pesquisa cujo tema seja o de seu caderno de ensino, ou seja, oconteúdo deve está adequado a cada nível mesmo que se utilizem procedimentosdiferentes, porém estes deverão sempre estar acompanhados de objetivos ou metasa serem cumpridas. Diante dessas colocações, foram esclarecidas dúvidas quanto aoplanejamento simultâneo onde foi destacada a importância de se trabalhar osconteúdos de cada série, pois esta problemática é o que torna as classesmultisseriadas mal vistas, uma vez que essa resistência se estende para além dospais, mas também para uma boa parcela de professores que antes de mais nadacondenam essa forma de trabalho, pois não acreditam numa aprendizagem eficaz apartir destas classes utilizando a metodologia, simplesmente pelo fato de nãoconhecer e não dispor interesse em conhecer e avaliar os resultados que sãoobtidos, só por não acreditarem, por isso que muito se reforça a questão doprofissional de educação estar aberto a mudanças, pois assim como a sociedade, aescola e a educação perpassam por constantes e significativas transformações. Vale a ressalva de que o debate cumpriu com os objetivos propostos uma vezque favoreceu aos professores uma reflexão crítica acerca de sua prática, além defazer com que os demais participantes desconstruíssem os maus conceitosperspicazes a educação do campo e as classes multisseriadas. Dando continuidade a programação do microcentro, foi desenvolvida umaatividade prática, onde o grupo foi dividido em dois com a tarefa de elaborar uma
  40. 40. 39pauta diária, sendo que o primeiro grupo ficou responsável pela simulação de umplanto voltado para uma turma composta pelos 1° e 2° anos e o outro ficouresponsável pela turma de 3°, 4° e 5° ano do ensino fundamental, após os trabalhosfoi realizada a socialização, onde o primeiro grupo trabalhou com língua portuguesae matemática, utilizando o folclore como êxito temático tendo como objetivo levar oalunado a compreender o significado das lendas e de seus personagens, sendo queseriam dirigidas atividades diferenciadas onde o primeiro ano realizaria atividade depintura dos personagens e o segundo iria desenvolver atividade escrita de pesquisae de identificação, já em um segundo momento foram propostas atividades dematemática relacionadas cujo objetivo seria adquirir noções de subtração. Já o grupo responsável pelo 3°, 4° e 5° anos elaborou uma pautainterdisciplinar, também utilizando o folclore como eixo temático, objetivandoresgatar a cultura, despertar nos alunos o interesse pelas tradições e compreendermelhor o folclore, desenvolvendo a percepção visual e auditiva, trabalhandosequência lógica, orientação espaço-corporal, quantidade, formas geométricas,cores e lateralidade par ao 3° ano, recitação de poesias, musicas, trava línguas,parlenda e cantiga de roda para o 4° ano e por fim, para o 5° ano, trabalhou-seleitura e interpretação coletiva de diversos gêneros textuais dispostos nos cadernosde ensino e produção de textos e pesquisas. Diante do que foi exposto na apresentação das pautas, diagnosticou-se que oque foi discutido durante o debate surtiu efeitos positivos, pois os professoresrealizaram a atividade com bastante eficácia o que demonstrou o quanto a açãointerventiva vem contribuindo para instituição antes mesmo de ser finalizada. Num segundo momento, como sugeriu a coordenação pedagógica, realizou-se uma oficina de recursos pedagógicos sendo que a temática e o recurso a serconstruído ficaram a cargo dos professores para que confeccionassem de acordocom que se vem trabalhando no cotidiano de sala de aula. Dessa maneira, a turmafoi dividida em três grupos. O primeiro grupo confeccionou uma maquete dos personagens e lendas dofolclore que teve como objetivo realizar uma atividade prática e de exposição, onde aaprendizagem ocorresse de maneira lúdica e que torna-se satisfatória. Já o segundogrupo confeccionou um jogo da memória dos personagens folclóricos tendo comometa desenvolver o raciocínio lógico e, levar o aluno a desenvolver conceitos no quediz respeito ao conhecimento das culturas regionais. O terceiro grupo construiu uma
  41. 41. 40trilha das operações onde se almejava desenvolver o raciocínio matemático e osconceitos relacionados às quatro operações fundamentais. Após a confecção, houve a apresentação dos recursos e diante disso pode-seobservar o quanto as oficinas foram bem aceitas, pois levou os profissionais aprática, saindo do discurso da teoria, porém sempre relacionando-se com o quevinha sendo desenvolvido. Por intermédio da utilização dos slides foram expostas fotos das açõesdesenvolvidas pela escola ativa no ano de 2011 e 2012 nas escolas do campo emTibau, mostrando a veracidade dos resultados conquistados, uma realidadecoerente dos alunos, professores e comunidades provenientes do programa emestudo. Para finalizar o evento, debateu-se em que sentido, o mesmo contribuiu paraque a prática desenvolvida e o andamento da metodologia da escola ativa nomunicípio fossem revistas e o que surpreendeu foi o fato da maioria dos docentesafirmar que há muito tempo não ocorria um microcentro tão proveitoso e que asuniversidades deveriam trabalhar no currículo do curso de pedagogia, asespecificidades da escola multisseriada e as contribuições que o programa escolaativa favorece para que o processo de ensino desta modalidade torne-se um ensinode qualidade. Após a socialização, os docentes avaliaram o evento de forma escritaapresentando os pontos que veio a contribuir, as críticas cabíveis e sugestões epara encerrar foi utilizada a palavra para demonstrar o orgulho que foi de trabalharuma questão muito complexa, porém vivenciada e que existe meios para superar osproblemas pertinentes, deixando assim traços positivos tanto para quem promoveu adiscussão quanto para quem participou o que propiciou um momento de ação-reflexão-ação.
  42. 42. 415 CONSIDERAÇÕES FINAIS A prática de intervenção socioescolar alcançou com êxito a finalidade dedebater as estratégias que metodologia da Escola Ativa tem a oferecer para que oensino a partir de classes multisseriadas do campo seja um processo que se dê demaneira qualitativa, fazendo com que os professores do campo revissem a suaprática e se a mesma está favorecendo a conquista de bons resultados. Através das atividades realizadas com esta ação foi possível promover adiscussão e a elaboração de planos de trabalho que contemplem as necessidadesde cada ano escolar, observando a forma que o professor utilizará para que atendaa todos de maneira satisfatória, o que se verificou que é possível e necessário, poispor intermédio dos procedimentos que são desenvolvidos por meio da proposta, osresultados são os melhores e o próprio corpo docente admitiu essa ideia, o que já foium avanço significativo. Com a ação interventiva foi possível avaliar os resultados locais obtidos porintermédio da utilização adequada da metodologia que muito contribui para aformação do individuo camponês, observando que são desenvolvidosconhecimentos além dos cognitivos, abrangendo os aspectos críticos e sociais. A prática de intervenção socioescolar deixou princípios que com certeza,jamais passarão despercebidos para aqueles que participaram com eficácia doevento promovido pela ação já citada, voltando o olhar do professor para com osresultados obtidos e tornando-os mais flexíveis e críticos em relação a sua prática. Já em relação ao interventor, a ação teve uma passagem muito importante,deixando uma aprendizagem cada vez mais sólida, propiciando a oportunidade derelacionar a teoria que vem sendo estudada nos últimos tempos com a prática quevem sendo desenvolvida no decorrer do dia a dia das salas de aulas multisseriadas.Observando também os desafios e os procedimentos para superá-los, utilizando ametodologia como norte de um trabalho enriquecedor de formação do caráterhumano. Pedagogicamente falando, o processo de intervenção deixou pontospositivos, pois proporcionou uma socialização prazerosa para os agentes envolvidosna educação vigente, sendo que esta veio a favorecer meios de melhorar ainda maisa prática, tendo a escola ativa como suporte necessário.
  43. 43. 42 De acordo com o que se propôs a realização do ato interventivo também setorna positivo à medida que propiciou aos profissionais agentes da educação docampo uma relação entre o que a metodologia interpõe e o que se alcança napratica, onde os resultados positivos são sem sombra de dúvidas, notórios. O que se pode avaliar como ponto negativo foi a questão do compromissodos que não compareceram ao evento e perderam uma rica discussão voltada aprática que os mesmos desenvolvem, onde só vinha a contribuir para que oprocesso de ensino aprendizagem, desenvolvidos em suas classes, fossemelhorado. O estudo realizado proporcionou uma rica aprendizagem, o que deixa abertoum norte para novas pesquisas que busquem estratégias que tenham a finalidadede suprir a demanda do ensino em classes unidocentes, inclusive novasmetodologias, se houverem. Vale destacar que o que é desenvolvido nestas classesnão deixa de ser um trabalho árduo, mais prazeroso, pois proporciona resultadoscoerentes. Quando se refere à educação do campo, em especial, as classesmultisseriadas, imediatamente remete uma educação pautada pela precariedade,com um ensino de má qualidade, onde os objetivos não são alcançados, deixandoaqueles que fazem parte da mesma, sem direito algum a escolaridade e a educaçãocomo um todo. Vale a ressalva de que as classes unidocentes ou multisseriadas representamum bom número de estudantes em todo o país, e estes por sua vez, assim como osdemais dever ter acesso a uma educação de qualidade, onde sejam construídos ocaráter da criança, tornando-a um ser participativo e agente transformador do meioem que vive. Pautada nesses objetivos, o programa Escola Ativa vem proporcionarsubsídios para que os professores desta realidade possam desenvolver um ensinoque venha a superar todas essas concepções a respeito da educação do campo,mostrando resultados reais e coerentes, características essas que fazem parte dosalunos provenientes de escola que adotam a metodologia. Serie interessante que os sistemas de ensino intensificassem ainda mais asações de monitoramento e avaliação da proposta, levando essa metodologia para asescolas seriadas, o que viria a favorecer um melhor processo de ensino –aprendizagem e a sua aceitação junto à comunidade em que as escolas estejaminseridas.
  44. 44. 43 As contradições detectadas serviram como incentivo para que os conflitosconceituais fossem superados, pois com base no que foi desenvolvido através daspesquisas realizadas e da intervenção posta em prática, foi possível avaliar que aeducação do campo tem condições de proporcionar um ensino de qualidade, tendoainda mais espaços para reflexões acerca das ações do ser humano perante asociedade e o meio ambiente. Tendo apenas que intensificar a questão do trabalhoadequado às necessidades do alunado desta modalidade. Por fim, cabem as instituições de ensino superior avaliar a importância que aeducação representa e trabalharem mais as particularidades do ensinomultisseriado, abrangendo a escola ativa como instrumento facilitador do processode aprendizagem a ser desenvolvido nestas, tornando a estratégia mais conhecida edinamizada no setor educativo de modo geral.
  45. 45. 44 REFERÊNCIASBRASIL, Ministério da Educação. Diretrizes operacionais para a educação básicanas escolas do campo. Brasília/DF: MEC, 2004._______. Ministério da Educação. FUNDESCOLA – Fundo de Fortalecimentos doEscola. Escola Ativa: Capacitação de professores. Brasília/DF: MEC, 1999._______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada.Alfabetização e Diversidade. Orientações Pedagógicas para Formação deProfissionais do Programa Escola Ativa. Brasília/DF: MEC, 2008._______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada,Alfabetização e Diversidade. Projeto Base Escola Ativa. Brasília/DF: MEC, 2008._______. Ministério da Educação. Referências para uma política nacional deeducação do campo. Brasília/DF: MEC, 2004.CASTEDO, Mirta. Diversidade a favor das aprendizagens. Revista Nova Escola,editora Abril, n. 249, p. 48 – 53, Jan. 2012.FREIRE, Paulo. Educação e Mudança, 18. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991._______. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários a prática docente, 38.ed. São Paulo: Paz e Terra, 2008.GUEDES - PINTO, Ana Lúcia, et. Al. A Organização do Tempo Pedagógico e oPlanejamento do Ensino. Brasilia/DF: MEC. Secretaria da Educação a distancia,2006. (Coleção Pró – letramento. Fascículo 02).LEITE, L. C. L. Encontro com Paulo Freire: Educação e Sociedade. São Paulo:Cortez e Moraes, 1979.LIBÂNEO, José Carlos. Didática. 15. ed. São Paulo: Cortez, 1999.MOLLINARI, Claudia. A diversidade ajuda no avanço de classes multisseriadas.Disponível em: http://planetasustentavel. abril.com.br/noticias/educacao/contrudo_425087.shtml.htm. Acesso em: 19 jun, 2012.NOLASCO, Francisco; NOLASCO NETO, Pedro. Grãos de Areias: Tibau – Históriase fatos pitorescos de um povo. Mossoró: Coleção Mossoroense, 2003.PERRENOUD, Philippe. Práticas Pedagógicas, Profissão Docente, Formação,Perspectivas Sociológicas, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1997.PELETTI, Claudino. Didática Geral. São Paulo: Ática, 1989.

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