Antropologia filosófica 2- homo somaticus

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Antropologia Filosófica para introdução dos estudos de Antropologia Jurídica. Destinado aos estudos dos discentes do Curso de Direito. Uma visão filosófica do Homo somaticus.

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Antropologia filosófica 2- homo somaticus

  1. 1. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 1
  2. 2. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 2
  3. 3. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 3
  4. 4. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 4
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  6. 6. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 6
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  9. 9. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 9
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  11. 11. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 11
  12. 12. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 12
  13. 13. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 13
  14. 14. FENOMENOLOGIA DO HOMEM - I - A DIMENSÃO CORPÓREA DO HOMEM (Homo somaticus) O corpo humano – A expressão “homo somaticus”, hoje, é um tanto quanto rara; Era, no entanto, comum nos tempos de São Paulo; dois elementos eram distintos no homem: um psíquico, dizendo respeito à alma, e outro somático, referente ao corpo. – Nos valeremos da expressão (Homo somaticus) para identificar a dimensão corpórea do homem. – Propriedades do corpo humano: O conhecimento que a ciência tem do corpo humano é ainda muito limitado e imperfeito: “O volume de nossa ignorância supera o de nossos conhecimentos”. Todavia, o que já sabemos é mais que suficiente para deixar- nos estupefatos e maravilhados. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 14
  15. 15. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 15 FENOMENOLOGIA DO HOMEM A DIMENSÃO CORPÓREA DO HOMEM Outro fato surpreendente diz respeito ao desenvolvimento do corpo humano. Enquanto o animal nasce, geralmente, com o corpo já perfeito, inteiramente pré-fabricado, pelo qual torna-se independente desde os primeiros dias, o homem nasce com um corpo que está ainda em fase de estruturação. Mas enquanto o corpo do animal não é mais capaz de desenvolver-se ulteriormente de modo apreciável, o corpo humano é dotado de um poder de desenvolvimento maravilhoso. O homem não só é senhor de seu corpo como também graças a ele torna- se senhor do mundo. O elemento fisiológico que lhe permite atingir e também superar todas as várias especializações dos animais é o cérebro. O cérebro aparece aqui como fator de equilíbrio biológico.
  16. 16. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 16 FENOMENOLOGIA DO HOMEM A DIMENSÃO CORPÓREA DO HOMEM Outro aspecto que caracteriza o corpo humano e o distingue nitidamente de todos os outros animais é sua posição vertical. A construção corpórea dá, porém, só a predisposição ao porte ereto: ele não é um fato adquirido desde o nascimento. A postura vertical e o porte ereto são, portanto, ato livre e consciente do homem. Ao contrário da posição horizontal, o porte ereto é sinal de vida, de saúde, de vigília, de força. Por esse motivo a posição vertical assumiu importantes conotações simbólicas. (edifícios: a torre de Babel, a torre Eiffel etc. Os soberanos sobem ao trono. O céu, montes, árvores etc)
  17. 17. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 17 FENOMENOLOGIA DO HOMEM A DIMENSÃO CORPÓREA DO HOMEM Funções da corporeidade em geral: A somaticidade é componente fundamental do existir; do viver; do conhecer; do desejar, do fazer, do ter etc. Ou seja, o corpo é elemento essencial do homem. Sem ele: - não pode alimentar-se - não pode reproduzir-se - não pode aprender - não pode comunicar - não pode divertir-se. É mediante o corpo que o homem é um ser social. Os fantasmas assustam-nos justamente porque não têm corpo. É mediante o corpo que o homem é um ser no mundo.
  18. 18. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 18 FENOMENOLOGIA DO HOMEM A DIMENSÃO CORPÓREA DO HOMEM Entre essas funções, algumas têm grande importância para a compreensão da natureza específica do ser humano: assim as funções de “mundanização”, de individuação, de autocompreensão, de posse, e outras mais. Função mundanizante Uma das principais funções da somaticidade é a de “mundanizar” o homem, isto é, de o fazer um ser-no-mundo. É por obra do corpo que o homem faz parte do mundo; ele se reconhece constituído dos mesmos elementos do mundo, sujeito às mesmas leis, por causa do seu corpo. Como qualquer corpo, o nosso também se insere em uma situação espacial bem definida e deve ocupar sempre determinada porção do espaço. Sair do espaço significa abandonar o próprio corpo, desencarnar-se, cessar de existir no mundo. O meu corpo é aquilo para que e mediante o qual os objetos existem.
  19. 19. ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA Antropologia e metafísica Função epistemológica A contribuição da somaticidade ao conhecimento (função gnosiológica) é muito mais vasta e importante do que se admitia na filosofia clássica. A autoconsciência se cristaliza sempre na cinestesia: o sentimento fundamental que nós possuímos do nosso ser, o qual se qualifica sistematicamente mediante as condições e disposições somáticas: sinto-me bem ou mal, confortável ou não, sereno ou preocupado etc. Há situações em que apalpo o meu corpo para saber se estou bem. Alto e baixo, na frente e atrás, direita e esquerda constituem, graças ao corpo, totalidade orgânica. O meu corpo determina o centro do universo... 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 19
  20. 20. ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA Antropologia e metafísica 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 20 Gnosiologia
  21. 21. ExplicaçõesExplicações dos termosdos termos 16/08/14 21 GnoseologiaGnoseologia = Indaga das condições= Indaga das condições do conhecimento pertinente aodo conhecimento pertinente ao sujeito que conhece.sujeito que conhece. OntologiaOntologia = indaga das condições ,= indaga das condições , segundo as quais algo torna-sesegundo as quais algo torna-se objetoobjeto do conhecimento.do conhecimento. MetafísicaMetafísica = indagações sobre a= indagações sobre a estrutura e o significado doestrutura e o significado do serser emem si e da vida.si e da vida. Profº.Esp. Mário Correia - FALS
  22. 22. ExplicaçõesExplicações dos termosdos termos (resumo)(resumo) 16/08/14 22 GnoseologiaGnoseologia = teoria do= teoria do conhecimento.conhecimento. OntologiaOntologia = refer-se à teoria= refer-se à teoria dodo “ser”“ser”.. MetafísicaMetafísica = parte geral.= parte geral. Profº.Esp. Mário Correia - FALS
  23. 23. Ser, para o idealista, não é outra coisa senão = “ídéia”; Ser, é “ser” pensado = atitude lógica Ser, é “ser” percebido = atitude psicológica; 16/08/14 23 Profº.Esp. Mário Correia - FALS
  24. 24. ONTOGNOSEOLOGIA: 16/08/14 24 Profº.Esp. Mário Correia - FALS
  25. 25. ONTO 16/08/14 25 GNOSE LOGIA ser conhecimento estudo Profº.Esp. Mário Correia - FALS
  26. 26. ONTOGNOSEOLOGIA: Teoria transcendental do conhecimento; Correlação primordial entre Pensamento e a Realidade; Correlação entre o sujeito cognocente e algo a conhecer. 16/08/14 26 Profº.Esp. Mário Correia - FALS
  27. 27. Que é que se conhece?Que é que se conhece? “Nós conhecemosconhecemos aquilo que elevamos ao plano do pensamento, de maneira que só há realidade como realidaderealidade espiritual” (Reale, 2010, p.121) 16/08/14 27 Profº.Esp. Mário Correia - FALS
  28. 28. Que é a realidade?Que é a realidade? 16/08/14 28 Profº.Esp. Mário Correia - FALS
  29. 29. Que é que realidade?Que é que realidade? “Situa-se no plano da Metafísica” “Desdobra-se em Objetos”Objetos” 16/08/14 29 Profº.Esp. Mário Correia - FALS
  30. 30. Objetos:Objetos: 16/08/14 30 Profº.Esp. Mário Correia - FALS
  31. 31. ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA Antropologia e metafísica Função econômica ou de posse O corpo é antes de tudo necessário para possuir a existência. Com o exercício da função de posse, nós temos a impressão que ocorre uma dilatação do nosso corpo, da nossa dimensão somática. Consideramos as coisas como possíveis prolongamentos do nosso corpo... A mão é órgão específico da função econômica como também da mundanizante: é com ela que tomamos posse das coisas e também moldamos e transformamos as coisas. Na mão se atua sobretudo o movimento bivalente do homem para o mundo e do mundo para o homem. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 31
  32. 32. ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA Antropologia e metafísica Função ascética 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 32 Filósofos, moralistas, escritores de coisas espirituais têm sempre instituído relação entre perfeição moral e espiritual, de uma parte, e uso do próprio corpo de outra. Mas o fizeram de duas maneiras opostas. Alguns (Platão, Plotino, Agostinho) pensaram que o corpo, com as suas paixões, os seus instintos, as suas misérias e fraquezas constituía um peso ou um laço para a alma e a impedia de ascender para o mundo do espírito. Outros (Aristóteles, Tomás), ao contrário, creram que o corpo, enquanto constitutivo essencial do homem, seja diretamente envolvido na sua perfeição: ela depende em grande parte dos hábitos somáticos que uma pessoa consegue atingir.
  33. 33. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 33 ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA Antropologia e metafísica A experiência cotidiana nos diz que o exercício de uma virtude, como a prática de um vício, são em larga medida devidos aos hábitos que conseguimos adquirir com o nosso corpo. Função ascética Não há, pois, nenhuma dúvida que corpo tem uma função capital a desenvolver também em relação ao ascetismo e à vida espiritual. Por exemplo, os vícios do fumo e da bebida dependem essencialmente de hábito somático. Assim também é a prática da castidade, que para alguns parece tão árdua e mesmo impossível: também essa é uma questão de hábito somático. Ascetismo: uma filosofia de vida na qual são refreados os prazeres mundanos.
  34. 34. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 34 ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA Antropologia e metafísica Implicações onto-antropológicas As principais implicações da análise da somaticidade são: I. A importância capital de que a dimensão somática se reveste para o homem: a somaticidade é uma componente essencial do ser do homem. Sem a corporeidade o homem não é mais homem, porque não pode mais realizar muitas atividades que são típicamente suas, como o sentir, o falar, o cantar, o jogar, o trabalhar, etc. II. Eu supero incessantemente o meu corpo: estou sempre além de mim mesmo e, não obstante a pequenez da minha configuração corpórea, consigo fazer minha a imensidão do universo.
  35. 35. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 35 ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA Antropologia e metafísica Implicações onto-antropológicas III. Embora essencial ao homem e embora relativo do mistério profundo que o homem traz em si mesmo (o corpo é a manifestação divina desse mistério), o corpo não é o homem. Eis as suas razões principais: - mesmo perdendo uma parte do meu corpo, sinto-me ainda substancialmente o mesmo; - o corpo sem vida, ainda que permanecendo por algum tempo substancialmente o mesmo, não é mais homem; - a autoconsciência distingue nitidamente o nosso ser do nosso corpo (Descartes); - nas nossas atividades há um aspecto físico e um aspecto psíquico;
  36. 36. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 3636 ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA Antropologia e metafísica Implicações onto-antropológicas IV. A profunda unidade do corpo. A alma move-se “de qualquer modo” com o corpo; isso significa que o eu, como polo idêntico de todos os atos, é onde o corpo é considerado como totalidade. V. O corpo humano denota melhor que qualquer outra coisa o estado de finitude, Contingência e indigência para que tende o ser humano, não só pela necessidade de ser nutrido, protegido e defendido, mas também pela sua própria estrutura. “Somos bípedes e bímanos por causa de nossa indigência; temos necessidade de explorar o mundo, conquistá-lo, dominá-lo. VI. Além de ser indício e causa da nossa finitude e indigência, o corpo é também motivo de ambiguidade e dissimulação. Ele opõe sempre certa resistência ao espírito; não é apenas espírito e Expressão do homem mas também o seu escondimento e impenetrabilidade”.
  37. 37. 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 37 ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA Antropologia e metafísica Implicações onto-antropológicas A somaticidade humana é efetivamente “fenômeno”, ou seja, manifestação de alguma coisa que a ultrapassa; é símbolo de uma realidade mais profunda, que a permeabiliza e transforma totalmente, à qual nós damos o nome de alma. É dessa realidade íntima e profunda que ela ao mesmo tempo esconde e revela, que a somaticidade manifesta as condições e o estado definitivos. É no corpo que lemos a bondade, a malícia, o prazer, a serenidade, a astúcia, a preguiça, a luxúria, a avareza etc. de um homem.
  38. 38. 16/08/14 38 Platão Obra de Platão: Górgias: virtude – o bem moral – o destino da alma do além
  39. 39. 16/08/14 39
  40. 40. 16/08/14 40
  41. 41. 16/08/14 41
  42. 42. 16/08/14 42
  43. 43. ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA Antropologia e metafísica In O homem, quem é ele?: elementos de antropologia filosófica Battista Monfin, 11ª ed. – São Paulo: Paulus, 2003 16/08/14 Profº. Esp. Mário Correia/José Ivan 43 BONS ESTUDOS!

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