Miranda Lee 
The Boss's Babx
Capítulo 1 
OCORRE algo, Olivia? 
Olivia levantou a vista para encontrar-se com seu chefe, que a estava olhando desde sua ...
-Sinto muito -desculpou-se. 
-Pelo amor de Deus, Olivia! Não tem por que me pedir desculpas -disse Lewis-. Não me estava 
...
Ela sentiu o olhar dele, mas não se atreveu a levantar a vista. fico olhando fixamente a tela e 
começou a teclar. -Não se...
seguiu um sabão, um gel de ducha, um xampu e um aparelho de ar condicionado. e três anos atrás, 
uma Colônia grande êxito ...
sempre da maneira tradicional. i Nem sequer tinha provado a ficar ela em cima! Isso não estava 
em sua limitada lista de e...
-Desgraçadamente, é muito difícil desfazer-se dos empregados hoje em dia -dlijo a mãe de seu 
chefe-. Se Lewis tivesse se ...
-e crie que não tinha sexo comigo ? 
-Não do tipo que ele queria, carinho. Bom te deixo. felizes festas! 
Olivia ficou com...
Olivia descobriu em si mesmo um genuíno sentido do ritmo. Seu corpo tomou vida própria, 
ondulando-se com toda a agilidade...
Ele se deu a volta e a olhou com expressão séria. -Que demônios está fazendo? -perguntou ao 
ver que ela enchia ambas as t...
bebeu-se o resto de sua taça de caminho à porta. Logo, deu-se a volta e fez um gesto travesso. 
-Não queremos que nos inco...
-Sim, logo -prometeu ela-. Mas, primeiro, te tombe e desfruta. Não temos pressa, verdade? 
Olivia esboçou de novo um sorri...
Abriu-lhe a camisa, subindo o prendedor para descobrir uns peitos cheios e duros. Logo, 
aproximou sua língua ao mamilo ma...
-Vete -gritou-. Digo-te que vá. 
-Não seja tola. Está doente. Assim que me vou ficar. 
-Se não for agora mesmo, não sei o ...
-Sinto muito, Olivia. Mas não parece estar bem. e não me perdoaria se te deixasse neste 
estado. me deixe entrar. 
-Não. N...
Mas antes tinha que conseguir que Lewis se sentisse algo melhor. 
-Obrigado -disse ela, mais tranqüila, lhe devolvendo o c...
Ela se girou bruscamente, com uma expressão de dor. -OH, não, Lewis. Por favor, não há... Eu... 
preciso estar a sós. 
-Nã...
laboratório inventando maravilhosos produtos para as mulheres. Mas para ti isso não é trabalho, 
verdade? É um prazer. E n...
Deu um suspiro profundo e fechou os olhos, tentando esvaziar sua mente. O sonho chegou, 
finalmente, mas não por muito tem...
Olivia permaneceu imóvel, incapaz de dizer nada. -Tem uma relação estável? -perguntou o 
doutor-. Ou é o resultado de um ú...
De repente, pareceu-lhe que era muito e se levantou bruscamente. 
-Não tome uma decisão apressada. Olivia -aconselhou o do...
Olivia tinha estado pensando em alguma desculpa que a eximisse de confessar que estava 
grávida. 
-O que imagina? 
-Tomar ...
depois de que Nicholas me deixasse. Temo-me que bebi muito e fui... fui muito longe. Ambos nos 
arrependemos depois. 
-Est...
-Estou pensando no menino! 
-Não o suficiente, acredito eu. Mas o fará. Os filhos têm o poder de tirar o melhor que há 
de...
Olivia deu um suspiro profundo que não tinha nada que ver com a inclinação do atalho que 
conduzia da grade ao edifício pr...
-Graças a Deus por que? 
-Durante as férias, tive o pressentimento de que não voltaria, de que teria uma chamada de sua 
m...
-tiveste notícias dele? 
-Não. 
-Se te chamar, não volte com ele, Olivia. Não te merece. Esse estúpido nem sequer te tinha...
Lewis perdesse os estribos. Quando a luz do interfone voltou a piscar, agarrou o auricular com 
muito cuidado. 
-Sim, Lewi...
-Inútil? -repetiu ela, com o coração palpitante. -Não posso me concentrar, estou muito zangado. 
Preciso sair daqui. irei ...
-É obvio que não. Você o prohíbo. 
-O prohíbe -repetiu ela. sonriendo com amargura-. Esta é uma faceta tua desconhecida. N...
-Não? 
-É obvio que não. Você o prohíbo. 
-O prohíbe -repetiu ela. sonriendo com amargura-. Esta é uma faceta tua desconhe...
-Por favor, Lewis -disse secamente-. Prometeu-me que falaríamos de qualquer outra coisa. 
Ele suspirou. 
Felizmente, o caf...
-Parece-me que é uma boa base para as fofocas. Ao Phil Baldwin interessará muitíssimo esse 
aumento de salário. 
-se preoc...
-Não é isso, Lewis -protestou, então sorriu-. Se me conhecesse, saberia que ninguém, e digo 
ninguém, nem sequer Nicholas,...
Capítulo 7 
A SEMANA transcorreu rapidamente. Olivia se passou quase toda na terça-feira organizando as 
entrevistas do Le...
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  1. 1. Miranda Lee The Boss's Babx
  2. 2. Capítulo 1 OCORRE algo, Olivia? Olivia levantou a vista para encontrar-se com seu chefe, que a estava olhando desde sua considerável estatura com o cenho franzido. Ela conseguiu finalmente apartar seus tumultuosos pensamentos e lhe sorrir com um desses sorrisos de plástico que estava acostumado a utilizar no despacho. -Não ocorre nada -respondeu ela, já sem sorrir-. Tudo vai bem. Estou perfeitamente -apartou os olhos do olhar inquisitorial dele e ficou a ordenar sua mesa de um modo maquinal. Não queria lhe confessar a seu chefe seus problemas pessoais. Não tinha suficiente confiança com ele. Quando a contratou dezoito meses antes, Lewis lhe advertiu que tinha tido sérios problemas com sua anterior secretária, que se tomava muitas confianças com ele e que estava acostumado a vestir-se de um modo algo excessivo. Assim Olivia se esforçou por parecer uma mulher reservada e cautelosa que tivesse a aprovação da mulher de seu chefe. E em qualquer caso, essas qualidades tinham formado sempre parte de seu caráter. Ela era uma mulher reservada que tinha vestido sempre de um modo singelo. Com trajes negros de jaqueta e blusas brancas ou de cor nata. Seu guarda-roupa era bastante econômico, ao igual ao singelo estilo com o que se penteava seu comprido cabelo de cor mogno. Sempre o tinha recolhido com um alfinete muito singelo. Sua maquiagem era também mínima, assim como as jóias que levava. Durante suas estranhas visitas ao despacho, a mulher de seu chefe nunca teve nenhuma razão para suspeitar ou sentir-se ciumenta da nova secretária de seu marido. Olivia estava segura de que nunca cruzaria a linha que Lewis tinha esboçado. e tampouco havia razões para isso. Possivelmente seu chefe, um homem alto, moreno e muito bonito, sim que as tivesse, mas ela certamente não. Estava profundamente apaixonada por homem com o que ia se casar. Ironicamente, Lewis e sua mulher se separaram fazia seis meses, e isso tinha provocado que seu chefe estivesse sempre mal-humorado e sumido em seus próprios pensamentos. Por isso lhe resultou tão estranho que ele tivesse percebido que não se encontrasse muito bem, e o certo era que a irritava sua intromissão. por que não podia ele ficar toda 1a manhã encerrado no laboratório, como era seu costume nos últimos tempos? por que tinha tido que ir entremeter se em sua vida privada?. -Pois não parece estar bem -insistiu ele. -OH? -suas mãos comprovaram seu penteado de um modo automático. -Não refiro a seu aspecto, a não ser a seu modo de atuar. Leva toda a manhã sentada aí, com o olhar perdido. Olivia tinha que reconhecer que isso devia ser verdade. Levava toda a manhã pensando em que Nicholas, seu prometido, havia-lhe dito a passada noite que necessitava mais liberdade. Tinha sido uma das razões para pôr fim a sua relação. -Nem sequer acendeste o ordenador -acrescentou Lewis como se fora uma coisa muito grave. Olivia comprovou o relógio de parede e viu que eram as nove e meia, por isso levava com o olhar perdido mais de uma hora. Assim timidamente se decidiu a acender o ordenador.
  3. 3. -Sinto muito -desculpou-se. -Pelo amor de Deus, Olivia! Não tem por que me pedir desculpas -disse Lewis-. Não me estava refiriendo a que pusesse a trabalhar. Simplesmente, estava-me preocupando com ti. Pode entendê-lo? -Preocupando? -repetiu ela, sem poder acreditar-lhe Fazia muito tempo que ninguém dava amostras de preocupar-se com ela, certamente por sua imagem de mulher eficiente. Seus pais pareciam pensar que era perfeita. Igual a suas duas irmãs pequenas: E ela tinha toda a vida planejada... até a noite passada, quando Nicholas tinha recolhido suas coisas e abandonado o apartamento onde viviam, deixando-a ali sozinha, depois de descrevê-la como uma mulher aborrecida, calculadora e miserável. Também lhe havia dito que tinha estado arruinando sua vida durante os dois últimos anos. Que lhe tinha tido controlado, limitando sua personalidade e convertendo-o em um homem débil. Ele já estava cansado de economizar dinheiro, cansado de comer em casa e terrivelmente cansado de só poder ter sexo em uma cama. Ele era mais jovem que ela, tinha-lhe recordado com mordacidade. Ele queria divertir-se antes de assentar-se. Necessita diversão e liberdade. Assim não queria casar-se ainda. Não queria confrontar ainda a responsabilidade do matrimônio e os filhos. E não estava disposto a comprar um carro familiar. Queria conduzir um Porsche. Queria viajar. Queria ter outras mulheres. Mulheres que fossem mais apaixonadas pela cama que ela. lhe incomodaram especialmente os comentários dele a respeito de sua vida sexual, já que nunca se imaginou que Nicholas estivesse insatisfeito nesse sentido. Sempre havia dito que compreendia que lhe desgostassem certas coisas, E de fato, ele tinha declarado que estava de acordo com ela. -É uma mulher muito reprimida, Olivia -tinha-lhe seguido dizendo-. Não tem nem idéia de como fazer feliz a um homem. Nem idéia!. Naquele momento, ela tinha pensado que ele devia estar louco. Mas, nesses momentos, Olivia acreditava que Nicholas estava no certo. -Olivia? pode-se saber o que te passa? -voltou a lhe perguntar seu chefe. Ela conseguiu reprimir as lágrimas com grande esforço. -É pelo Nicholas? Ela só pôde assentir enquanto os olhos lhe umedeciam finalmente. -É que está doente? Ela sacudiu a cabeça. -Não me irás dizer que lhes separastes! Olivia sentiu saudades pelo tom de assombro de sua voz. O certo era que vinte e quatro horas antes ela tampouco poderia haver-se acreditado que isso pudesse acontecer. Ela estava tão convencida de que pareciam o um para o outro, de que procuravam as mesmas coisas... foram casar se ao ano seguinte. e ao outro, poderiam comprar a casa. e ao seguinte, teriam seu primeiro filho, justo antes de que ela cumprisse os trinta. Mas nesse instante, quão único ela via para si mesmo aos trinta anos era a solidão. Tinha-lhe levado anos encontrar ao Nicholas. e já tinha vinte e sete anos... -Por favor, Lewis -disse ela, com lábios trementes, enquanto abria o correio eletrônico no ordenador-, não quero falar disso.
  4. 4. Ela sentiu o olhar dele, mas não se atreveu a levantar a vista. fico olhando fixamente a tela e começou a teclar. -Não se preocupe em excesso, Olivia -disse Lewis-. , Lhe dê tempo para que repense. Você arrumado o que queira a que Nicholas voltará antes de que a semana acabe. e o fará arrastando-se. Olivia levantou a cabeça enquanto sentia que seu coração voltava a albergar certa esperança. -Isso crie? -Nenhum homem em seu são julgamento abandonaria a uma mulher como você, Olivia -afirmo seu chefe-. Confia em mim. Nicholas retornou o seguinte fim de semana, mas não o fez arrastando-se e não foi ficar. Simplesmente, queria recolher umas quantas coisas que se esqueceu. Uns artigos de asseio e uma coleção de discos compactos. Quando saiu pela porta, disse a Olivia em um tom sarcástico que ela podia ficar com o maravilhoso mobiliário que tinham compartilhado. Da janela principal, ela pôde ver como Nicholas partia em seu novo carro, um Porsche negro no que devia haver-se gasto tudas suas economias. Dinheiro que estava pensado para comprar a casa pela metade com ela. A casa onde ia ter seus dois filhos, conforme o planejado. Olivia ficou entre o mobiliário que tinha comprado de saldo para economizar para seus planos futuros. Sentiu como a depressão a invadia mais e mais. e sem dúvida, agravava-a o fato de que se aproximassem os natais. supunha-se que a gente devia estar feliz em natais. Olivia se comportava de um modo automático no trabalho, mas em casa logo que podia nem comer. A hora livre para comer a passava perambulando sem objetivo pelo centro comercial Parramatta. Havia- dito ao Lewis que tinha que fazer as compras de natal, mas em realidade, seu único propósito tinha sido escapar de seu atento olhar. Não se sentia cômoda ante o intento de seu chefe de ser amável com ela. Sem dúvida, o fato de que chegasse o último dia de trabalho do ano sem lhe haver levado nenhum presente nem felicitação de natal, indicava o distraída que Olivia estava naqueles dias. sentiu-se muito culpado quando viu a preciosa felicitação natalina com borde dourados que o lhe tinha dado, acompanhando a uma caixa de bombons que ela guardou em uma gaveta como solução de emergência para uma baixada de açúcar. Decidiu sair a comprar algo. Pensou que ninguém cartório sua ausência. Todo o pessoal do Altean Industries estaria celebrando a chegada das férias de natal. Haveria um baile e suficiente comida para acabar com a dieta mais severo. Por não falar de que tampouco faltariam a cerveja e o champanha de qualidade. Essa festa custava ao Lewis uma fortuna. Olivia sabia. Mas era algo tradicional e ele podia permitir-lhe Altman Industries era uma empresa relativamente pequena, mas seus benefícios cresciam cada ano e mais desde que fazia três anos tinha começado a ser uma companhia internacional. Lewis tinha começado sua empresa no pátio traseiro de uma garagem uns dez anos atrás. Ele era químico de carreira, mas sua vocação era de ecologista, assim decidiu combinar ciência e natureza para produzir uma singela gama de produtos para o cuidado da pele dos homens, começando por uma espuma de barbear e uma mescla de loção pós-barba e nata hidratante. Logo,
  5. 5. seguiu um sabão, um gel de ducha, um xampu e um aparelho de ar condicionado. e três anos atrás, uma Colônia grande êxito tinha sido acrescentada à gama. Lewis tinha sido suficientemente inteligente para contratar a uma companhia de publicidade muito boa desde o começo, que tinham sabido lançar perfeitamente a marca AlIMan, que provinha do sobrenome do Lewis, Altman. Utilizavam a famosos esportistas australianos para publicitar seus produtos e tinham conseguido um êxito imediato. Lewis mudou a empresa da limitado garagem a uma fábrica moderna com um complexo de escritórios, dentro do central polígono industrial do Ermington. A expansão tinha sido possível graças a um empréstimo bancário, mas não passou muito tempo antes de que Altman Industries pudesse devolvê-lo e começar a conseguir benefícios que eram a inveja de seus principais competidores. Lewis estava planejando ampliar o negócio para o ano seguinte e lançar uma gama de produtos All Woman. Já tinha confeccionado os produtos para o cuidado da pele e o cabelo e atualmente estava trabalhando no perfume. Olivia não sabia todo isso por suas conversações privadas com o Lewis, embora como secretária pessoal dele algo tinha ouvido. Ela tinha lido um artigo recente sobre ele na revista Good Business, que estava confeccionando uma série de reportagens sobre as empresas mais famosas do Sydney e sobre seus proprietários. Ela tinha lido também que Lewis tinha trinta e quatro anos, que era filho único e que seu pai tinha morrido quando ele tinha cinco anos. Ele tinha recebido uma boa educação graças ao sacrifício de sua mãe, coisa que ele nunca tinha esquecido. Na revista se podia ver a foto de uma mulher de cabelo grisalho de uns sessenta anos. Um dos motivos que lhe tinham impulsionado em sua ambição era o desejo de compensar de algum jeito a sua mãe pelo muito que tinha trabalhado por ele. Ele queria lhe oferecer tudo o que ela nunca tinha tido. Olivia não conhecia pessoalmente à mãe do Lewis, mas tinha falado com ela por telefone muitas vezes. A senhora Altman não vivia com seu filho, nem sequer agora, que ele se separou de sua mulher. Ela vivia no Drummoyne, um bairro do centro da cidade que rodeava o porto. Olivia sempre havia sentido que à senhora Altman nunca tinha gostado da esposa do Lewis. Dado o unidos que estavam, possivelmente à senhora Altman tampouco teria gostado de nenhuma mulher para seu filho. A revista só mencionava seu matrimônio de passada, dizendo que tinha durado dois anos e que a separação tinha sido amigável Olivia se tinha posto-se a rir ao ler isso. amigável, que tolice! Mas essa manhã de sexta-feira não gostava de rir. Nesses momentos. podia entender o desespero do Lewis quando Dinah o abandonou. A idéia de ir à festa de natal lhe pareceu inaceitável. Como podia desfrutar ela em seu estado? Toda essa comida e bebida... Por não mencionar o baile. O único tipo de baile que lhe gostava de era o tradicional. Mas esse não ia ser o tipo de baile que ia haver na planta da fábrica. Poriam música de discoteca. Já não gostava de nada exibir-se em público. sentia-se muito inibida e o mais grave era que se dava conta de que nunca lhe tinha gostado de exibir-se em privado tampouco. lembrou-se das recriminações do Nicholas, quando lhe havia dito que só tinham feito o amor na cama. e ele levava razão. Só tinha praticado sexo na cama e
  6. 6. sempre da maneira tradicional. i Nem sequer tinha provado a ficar ela em cima! Isso não estava em sua limitada lista de experiências sexuais. e muito menos tinha praticado outras posturas ou possibilidades mais sofisticadas. Quando conheceu o Nicholas, aos vinte e cinco anos, ela era virgem ainda. e Nicholas também o era, embora ele tinha só vinte e dois anos naquela época. Assim que sua vida sexual não tinha tido muito êxito ao princípio. Mas mais adiante aprenderam o básico para dirigir-se e ela pensava sinceramente que Nicholas o passava bem na cama. Nunca o tinha rechaçado e ele sempre tinha chegado ao clímax, embora ela não o fizesse. Mas parecia que tinha superestimado o prazer que seu corpo lhe tinha proporcionado, por não falar de seus mais que limitadas habilidades amorosas. O telefone a tirou de seus pensamentos. -Despacho do senhor Altman respondo de um modo automático-, fala-lhe Olivia Johnson. No que posso lhe ajudar? -Eu gostaria de falar com meu filho, querida, se não estar muito ocupado. Já sei que hoje estão de festa. -Ele está ainda no laboratório, senhora Altman. A passo com ele. -antes disso, querida, eu gostaria de te desejar felizes páscoas e te agradecer que seja tão amável comigo quando chamo por telefone. -Muito obrigado, senhora Altman. Eu também lhe desejo umas felizes páscoas. -O que vai fazer o dia de Natal? -Irei a casa de meus pais. -E onde vivem eles? -Perto do Morisset. -Morisset? Isso está na costa, não? -Assim é. Entre o Gosford e Newcastle. Está a umas duas horas de trem do Sydney. Ao menos desde o Hornsby, onde eu tomo o trem. -Já vejo. Bem, pois então comeremos juntas um dia do ano que vem. Eu gostaria de lhe pôr uma cara e um corpo a essa voz. Perguntei ao Lewis em uma ocasião como foi e o único que me respondeu foi que foi uma castanha de olhos marrons e olhar inteligente. Quando lhe perguntei como era seu corpo, ele ficou perplexo antes de me dizer que foi de estatura medeia. Apesar de sentir-se um pouco desgostada, não podia culpar ao Lewis por isso. Os trajes alfaiate que levava não estavam desenhados precisamente para realçar seu corpo. Suas saias tampouco eram suficientemente curtas ou rodeadas. E os decotes das jaquetas estavam acostumadas estar tampados por alguma camiseta ou camisa. O traje que levava esse dia não era nenhuma exceção. Se se tivesse acordado de que ia haver festa, teria se posto um traje um pouco mais chamativo. Mas não tinha sido assim! - Já sabe que não fui ao despacho desde que essa horrível garota trabalhava como secretária de meu filho -continuou dizendo a senhora Altman-. A última vez que estive ali, ela ia Com um vestido que lhe chegava ao umbigo. E esse perfume que levava... Pensei que se banhou nele. Pobre Lewis. Finalmente entendi por que sua ex-mulher estava acostumada queixar-se de que ele cheirava como o mostrador de cosméticos David Jones quando chegava a casa de noite. Olivia não ia perfumar, mas Só se permitia orvalhar-se discretamente todas as manhãs Com um pouco do Eternity
  7. 7. -Desgraçadamente, é muito difícil desfazer-se dos empregados hoje em dia -dlijo a mãe de seu chefe-. Se Lewis tivesse se despedido dessa horrível garota, haveria-se visto envolto em toda classe de trâmites legais. Olivia se deu conta de que as comissuras de sua boca se enrugavam em um sorriso. -Imagino que Lewis se sentiu muito aliviado quando ela decidiu partir a percorrer mundo. -Mais que aliviado, pode estar segura. E agora está encantado contigo. Conforme parece, você não lhe causaste nenhuma só moléstia. Olivia não estava segura de se gostava de ouvir isso. -Embora a outra noite, ele parecia preocupado porque você tinha tido uma rixa Com seu noivo. E me disse que parecia muito triste. -Sim, bom... -sua Voz se apagou. O certo era que tampouco queria falar sobre Nicho1as com a senhora Altman. -Não te deixe levar pelo orgulho -aconselhou-lhe a mulher-. Lhe chame. lhe diga que o sente, embora pense que foi culpa dele. Se o quiser, não deve te importar te humilhar um pouco. Olivia ficou perplexa. Ela não se humilhou ante ninguém em toda sua vida e não ia começar a fazê-lo a essas alturas. Embora... a senhora Altman podia levar razão. O orgulho fazia impossível que muitos casais se reconciliassem. E havia uma grande diferencia entre humilhar-se ante o Nicholas e lhe chamar por telefone. Podia utilizar a desculpa de que queria lhe felicitar os natais. Certamente, ele estaria no trabalho nesses momentos. Sentiu que sua pena se aliviava ao renascer a esperança. logo que Olivia passou à senhora Altman com seu filho, marcou o número do Nicholas antes de pensar no que estava fazendo. O telefone dele soou várias vezes. -Despacho do Nickie -respondeu uma Voz feminina. Olivia se qued6 desconcertada. -Renee? É você? -Renee era uma companheira do Nicholas que algumas vezes respondia o telefone, quando ele tinha Saído. -Renee já não trabalha aqui -respondeu a mulher com voz rouca-. Eu sou Ivetee, sua substituta. Assim que a substituta do Renee se chamava Ivette... E ela chamava Nickie ao Nicholas. Oliva comenz6 a sentir-se mau. -Poderia falar com o Nicholas, por favor? Houve um breve silêncio ao outro lado da linha. Logo se ouviu um suspiro. -Não será Olivia por acaso? -me passe ao Nicholas, por favor. -Não posso. Ele não está aqui. foi ao banho. Mas está perdendo o tempo. Ele não quer verte nem pensar contigo nunca mais. Agora me tem e eu lhe dou tudo o que ele necessita. Olivia tratou de manter a calma. -E desde quando lhe dá tudo o que ele necessita? -Há mais tempo do que você pensa. Confronta-o, Carinho, você não soubeste lhe dar o que necessitava. O que pode fazer feliz a um homem hoje em dia não é a eficácia no trabalho nem na organização do lar. Essas tarefas as fazem os ordenadores e as senhoras da limpeza. O que um homem precisa é paixão, espontaneidade e diversão. -Sexo, quererá dizer -acrescentou Olivia, que já entendia de onde tinha tirado Nicholas tudo o que lhe havia dito durante seu discurso de despedida. .....É o mesmo.
  8. 8. -e crie que não tinha sexo comigo ? -Não do tipo que ele queria, carinho. Bom te deixo. felizes festas! Olivia ficou com o auricular na mão. de repente, sentiu que a fúria a invadia. Pendurou de repente e se levantou bruscamente. Sentiu que o sangue corria a toda velocidade por suas veias. Tinha decidido ir à festa. E ia divertir se como uma louca! ia estar -de festa todo o dia e ia esquecer se de tudo. ia esquecer se do Nicholas e Ivette. A esquecer-se de que seu futuro se quebrou. A esquecer-se de tudo salvo de divertir-se. Olivia se tirou a jaqueta e a deixou sobre sua cadeira. Divertir-se não seria tão difícil. Ao menos depois de umas poucas taças de champanha. Seguro que beber lhe sentaria bem. Ou isso imaginava, porque nunca se embebedou em toda sua vida. Embora sim que tinha bebido um par de copos de vinho e recordava que lhe tinham sentado bem. e Deus sabia que precisava sentir-se bem. Precisava sentir-se bem desesperadamente! tirou-se a forquilha que recolhia seu cabelo e agitou a cabeça, com o que seu cabelo ficou solto. Logo se desabotoou os dois primeiros botões da blusa e fez um gesto desafiante com a cabeça, dirigindo-se para onde a música tinha começado a soar. Capítulo 2 POR VOLTA DAS duas daquela tarde, Olivia estava bastante alegre. sentia-se realmente bem. Se tivesse sabido que o champanha era um antidepressivo tão magnífico, o teria provado muito antes. Desde sua terceira taça todo tinha começado a ir muito melhor. Seu ânimo, a música, os homens... Para quando terminou sua primeira garrafa, um das representantes, um homem de uns trinta anos chamado Phil com o que jamais tinha falado, começou a lhe resultar encantador. Levava meia hora falando com ele quando Olivia se deu conta de que Lewis a estava olhando com o cenho franzido. Seu chefe estava com um grupo da seção de marketing, perto de uma das mesas cheias de comida. Tinha um copo de cerveja em uma mão e uma parte de bolo na outra. A expressão de seu chefe provocou na Olivia um escuro desafio. Lewis não era seu guarda-costas. Ela tinha direito a divertir-se se queria. Pelo rosto dele, parecia que ela estava fazendo um pouco equivocado, em vez do que faziam ali todas as mulheres solteiras da empresa: divertir-se um pouco e tratar de conhecer algum homem arrumado! Quando Phil lhe pediu um baile, Olivia não vacilou um segundo. Deixou sua taça vazia e tomou a mão que lhe ofereciam para deixar que a levassem a centro da pista. A melodia que soava nesse momento deu passo a uma música rítmica que acendeu seu sangue e a sensação de rebeldia que levava dentro. Isso fez que sonriera e dançasse com o Phil de maneira mais provocadora.
  9. 9. Olivia descobriu em si mesmo um genuíno sentido do ritmo. Seu corpo tomou vida própria, ondulando-se com toda a agilidade e sensualidade de uma bailarina árabe. Elevou os braços por cima da cabeça como duas serpentes sob a influência hipnótica de um encantado. O olhar azul do Lewis, surpreso ante a sinuosidade de seu corpo, não passou desapercebida a Olivia. Imediatamente, ela tomou consciência de sua feminilidade. Notou a maneira em que seus peitos redondos se moviam sob sua blusa, o balanço de seus quadris femininos, o calor que se produzia em seus lugares mais secretos. Era a experiência mais excitante que jamais tivesse vivido. Olivia se sentia do mais provocadora. Tinha uma sensação quase de pecado. Podia haver ficado dançando para sempre, exibindo-se sem a mais mínima vergonha ante os olhos assombrados dos homens. Mas sobre tudo de um deles. Atuar assim ante seu chefe, sem sua habitual complacência, resultava-lhe algo verdadeiramente divertido. Gostava que a olhasse por uma vez como a uma mulher capaz de atrair aos homens, inclusive capaz de atrai-lo a ele. A verdade era que não só gostava, parecia-lhe... excitante. A música, entretanto, chegou a seu fim e o discotecário anunciou que ia tomar se um descanso. -Não sabia que fosse assim -declarou Phil, ao tirar a da pista. Ao passar por uma das mesas, o homem tomou uma taça de champanha e a pôs nas mãos. -Como? O sorriso lascivo do Phil alertou de repente à moça, enjoada pelo álcool. O dar-se conta de como Phil pensava que ia terminar aquela noite para ambos a fez duvidar uns segundos, mas imediatamente apagou de sua mente o pensamento. Estar bêbada tinha além outra deliciosa vantagem, pensou nesse momento: que um não se preocupa com nada. De maneira que Phil ia zangar se ao final da noite. e o que? Não estava fazendo nada mau. Deu um gole a sua bebida e olhou a seu redor para ver se Lewis seguia observando-a. Mas não era assim. Não lhe via por nenhuma parte. Olivia não pôde evitar sentir-se irritada. -Outro baile? -sugeriu Phil Olivia começava a pensar que dançar sem ser observada pelo Lewis não tinha nenhum atrativo. Assim de repente perdeu todo interesse por seguir ali. -Sinto muito -desculpou-se ela-, mas tenho que fazer algo agora mesmo. Deixando ao Phil com a boca aberta, cruzou a pista de baile e chegou à mesa onde estavam as garrafas de champanha, metidas em um recipiente com gelo. Tirou uma, tomou duas taças podas e se dirigiu para o edifício principal. Lewis não estava no laboratório, a não ser em seu escritório. Olhava pela janela para os cuidados jardins. tirou-se a jaqueta e a gravata, que tinha deixado descuidadamente sobre a poltrona negra de pele. Enquanto observava distraídamente à frente, começou a tirá-los gêmeos já arregaçá-la camisa. Olivia ficou na entrada sem fazer Cuido, observando-o. Era um homem incrivelmente atrativo, admitiu finalmente. Algo que ela sempre tinha sabido, mas ao que nunca antes se enfrentou com sinceridade. Esta era outra das vantagens de estar um pouco ébria. Sonriéndose para si, Olivia decidiu denominá-lo como inspiração alcoólica. -Assim está aqui! -exclamou alegremente a moça, fechando a porta com um pé e dirigindo-se para a mesa.
  10. 10. Ele se deu a volta e a olhou com expressão séria. -Que demônios está fazendo? -perguntou ao ver que ela enchia ambas as taças com o líquido espumoso, parte do qual, caiu sobre a madeira escura. - te trazendo aqui a festa, chefe -respondeu com um sorriso provocador, enquanto se encaminhava para ele, alegrando-se de que as taças estivessem só pela metade-. É o único dia do ano em que não trabalhamos aqui e isso inclui a ti. Assim, se crie que vais esconder te neste maldito laboratório, está muito equivocado. Toma esta taça -ofereceu ela, levando a seus aos lábios com olhos brilhantes-. Feliz Natal, Lewis. -Olivia, você não está unicamente feliz, está bêbada. -Estou-o, verdade? -respondeu com uma gargalhada. -vais ter uma ressaca horrível manhã. -Preocuparei-me disso pela manhã. Enquanto isso seguirei me divertindo. O homem arqueou uma de suas escuras sobrancelhas. -Já me dei conta. Não terá esquecido a fama que Phil Baldwin tem com as mulheres, verdade? -Não. . -Pelo amor de Deus, Olivia, se quer te vingar do Nicholas escolhe a alguém um pouco mais discreto. Não me agradaria escutar que Phil anda presumindo por aí de que se deitou com minha secretária na festa de natal, de acordo? -Crie que eu o permitiria? -Não sei o que pensar -os olhos dele tinham uma expressão confusa enquanto observava a sombra entre seus seios-. Quando te soltaste o cabelo, Olivia, realmente o tem feito de verdade. O ar entre os dois pareceu espessar-se. Espessar-se e encher-se de eletricidade. A tormenta que tinha ido formando-se no interior da Olivia durante todo aquele dia, ganhou em intensidade e acendeu suas veias. Seu coração começou a palpitar com força. Seus olhos brilharam. -Pelo menos te deu conta de que era uma mulher -respondeu com voz rouca. -Era difícil não fazê-lo. -Você gostaria de te deitar comigo, Lewis? O homem ficou confuso. Mas junto com a confusão havia uma poderosa fascinação. Não podia apartar os olhos dela. E Olivia se aproveitou de sua momentânea imobilidade para aproximar-se dele e apertar-se contra seu corpo. Os orifícios nasais do Lewis se alargaram pela surpresa. Olivia estava além da surpresa, além de tudo e só queria que Lewis a olhasse do mesmo modo em que o tinha feito quando ela estava na pista de baile. Era um desejo imperioso que acendia seus sentidos e nublava sua consciência. Quão único queria era que seu chefe admitisse que a desejava, o ter a sua mercê. Nicholas a tinha chamado aborrecida. Se a pudesse ver nesse momento... Lewis não a olhava como se se estivesse aborrecendo, certamente. Ficando nas pontas dos pés, roçou seus lábios com os seus. Seu chefe ficou gelado, mas só por um segundo. Quando ela o beijou pela segunda vez, mais firmemente, os lábios dele se fizeram suaves, separaram-se de uma vez que os dela. Quando a língua da Olivia foi ao encontro da dele, Lewis soltou um gemido de abandono. Uma escura sensação de triunfo encheu sua alma. Sonriendo, separou-se um pouco para observar o rosto ruborizado dele. -Volto em seguida -disse, com um sorriso malicioso.
  11. 11. bebeu-se o resto de sua taça de caminho à porta. Logo, deu-se a volta e fez um gesto travesso. -Não queremos que nos incomodem, verdade?. No fundo, algo lhe dizia que seu comportamento estava sendo escandaloso, mas nada ia deter a. Suas razões, qualquer escrúpulo, estava enterrado sob a excitação do momento. Os olhos dele não deixaram de observá-la enquanto ela cruzava de novo a sala. e lhe brilhavam, delatando o excitado que estava. Ela depositou sua taça sobre a mesa, mas não fez gesto de agarrar a sua. Simplesmente tomou a mão livre dele e lhe conduziu para a poltrona negra de pele. Lewis se sentou onde lhe indicou. Os olhos azuis dele arderam ao vê-la tirá-los sapatos e acurrucarse a seu lado. -Agora terminaremos isto os dois juntos, verdade? -disse ela, agarrando já a taça dele. Quando ela a pôs nos lábios, ele bebeu obedientemente, ficando em silêncio quando lhe tocou terminar a Olivia. Decidida a não ficar nervosa por seu silêncio, terminou-se o copo e logo o arrojou brandamente sobre o tapete. Depois, agarrou o rosto dele entre as mãos e o beijou. Primeiro brandamente e logo com mais intensidade, conseguindo que gemesse. Com as mãos surpreendentemente ágeis, Olivia conseguiu desabotoar a camisa e beijá-lo. Finalmente, apartou os borde da camisa a ambos os lados para pôr as mãos sobre seu peito nu. Ele era firme e musculoso, com o pêlo suficiente para emanar uma virilidade que começava a acender-se abertamente. Lewis tinha um corpo magnífico, decidiu. Seria porque equilibrava perfeitamente a vida sedentária com sessões no ginásio. A meta de seduzi-lo-se acrescentou quando seu próprio desejo se acendeu. A cabeça lhe dava voltas e apartou a boca de seus lábios para lamber e beijar o lugar que suas mãos haviam meio doido. Quando chegou a um de seus mamilos, ele deu um suspiro entrecortado. Com uma sabedoria da que não tinha sido consciente até esse momento, deliberadamente evitou seus mamilos depois daquilo, até que ficaram rígidos por si mesmos. -OH, Deus! -exclamou Lewis, quando ela apanhou um deles com os dentes. A nua paixão do estalo dele a excitou, e começou a atormentá-lo com mais intensidade até que o peito do Lewis começou um movimento ascendente e descendente acompanhado de uma respiração irregular. Quando os beijos da Olivia viajaram para seu umbigo e suas mãos encontraram a cremalheira de suas calças, ele tratou de detê-la. -Não -disse ele. Mas ela pensou que sua voz não tinha sido muito firme. Sonriendo seductoramente, ela tomou suas mãos e as apartou, colocando-lhe depois no respaldo do sofá. Olivia teve que ficar virtualmente em cima dele para fazê-lo, seus seios se apertaram contra o peito largo dele. Ao sentir a impressionante ereção dele contra seu ventre, sentiu uma mescla de segurança e excitação. De algum jeito, assegurava-lhe que Lewis não ia negar se a fazer o que ela tinha pensado. e tinha um montão de coisas na cabeça. Todas as coisas que Nicholas pensava que era incapaz de fazer. Todas as coisas que a querida Ivette tinha estado lhe dando em seu próprio despacho. A necessidade de vingança, intensificada por seu próprio desejo, acendeu suas veias e enviou uma ordem firme a seu coração. -Cala -disse ela-. Você quer que o faça. Sabe. Ele juramento que soltou a fez sorrir.
  12. 12. -Sim, logo -prometeu ela-. Mas, primeiro, te tombe e desfruta. Não temos pressa, verdade? Olivia esboçou de novo um sorriso. Era maravilhoso sentir-se tão segura. Certamente, em realidade, estava bastante longe de sentir-se segura. sentia-se totalmente fora de controle. Mas precisava fazê-lo mais que nenhuma outra costure no mundo. Lewis ia devolver lhe sua auto-estima, sua confiança e sua alma. Ele ia fazer que seu espírito se revitalizasse, que se enchesse de vida. ia fazer que se sentisse de novo como uma verdadeira mulher. Foi bastante fácil tirar a roupa ao Lewis. maravilhou-se do modo em que seus dedos dirigiam seu sexo de um modo tão natural, como se fora uma verdadeira perita. e não sentiu nenhuma repulsão ao fazê-lo. Era como se se converteu em outra pessoa. Em uma mulher desinhibida e com uma grande experiência. -Olivia -exclamou Lewis quando a cabeça dela começou a descender. Ela se deteve e o olhou aos olhos. -Está bem -disse ela, sonriendo-. Deixa de preocupar-se. Lewis ficou mudo depois disso, exceto pelo pequeno ruído que suas unhas começaram a fazer sobre o couro do sofá enquanto seus dedos se retorciam. -Agora fique exatamente onde está -murmurou ela finalmente, apartando o cabelo da cara e sentando-se sobre ele-. Me prometa que não te moverá. Ele parecia completamente assombrado enquanto ela se despia. subiu um pouco a saia e se tirou as meias e as braguitas. Olivia desfrutou ao ver que ele devorava suas pernas com a vista. deixou-se a saia posta, já que lhe parecia muito erótico estar completamente nua baixo ela. e tampouco se tirou a blusa. Isso podia esperar. Logo se deu a volta e voltou a encher seu copo com champanha, dando um bom gole, se por acaso o maravilhoso efeito do álcool começasse a debilitar-se. Levando o copo com ela, voltou para o Lewis e subiu escarranchado sobre ele, mas apoiando-se com seus joelhos, de modo que seus corpos não se tocassem ainda. Olivia deu obrigado a que sua saia não fora muito ajustada. e logo deu outro gole de champanha. ...Acredito que eu necessito também um gole -murmurou Lewis, com voz rouca. -Bebe do meu -disse ela, lhe alcançando seu copo. Ele o esvaziou e o arrojou atrás do sofá. -Tenho que te advertir que não levo preservativo. -Já me dei conta -disse ela com um pequeno sorriso, enquanto começava a desabotoá-la blusa. -Isto é uma loucura, Olivia. -te tranqüilize, chefe. Só sou a velha Olivia. Crie que posso supor um risco para a saúde? -Habitualmente não... -Nicholas sempre usava preservativos. E eu comecei a tomar a pílula o mês passado, já que confiava no Nicholas. Que idiota! Mas não se preocupe. Confio em ti, Lewis. Você é um homem honorável. -honorável! meu deus! E crie que isto é honorável? te deixar fazer isto quando sei que estas bebida? -Não subestime seu atrativo, Lewis. Como sabe que não estou fazendo isto porque morria por ti e me controlava só porque sabia que foi um homem felizmente casado? Como sabe que eu não fantasiei contigo cada dia destes seis últimos meses, que não pensei em que me fazia o amor no laboratório ou sobre seu escritório ou como agora? Ela observou que ele estava já fora de si. Uma expressão selvagem e primitiva enchia seu rosto.
  13. 13. Abriu-lhe a camisa, subindo o prendedor para descobrir uns peitos cheios e duros. Logo, aproximou sua língua ao mamilo mais próximo. Olivia jogou para trás a cabeça, e soltou um sensual gemido. Enquanto lambia o mamilo dela, Lewis lhe subiu a saia até a cintura e a colocou sobre ele, empurrando-a logo para baixo. Olivia ofegou. Não estava segura de por que essa postura gostavam tanto aos homens, mas finalmente compreendeu qual era seu atrativo para as mulheres. Nunca se havia sentido tão enche, sua carne atravessada completamente pela dele. Ela se começou a mover de um modo instintivo e voluptuoso, subindo e descendo de um modo incrivelmente prazenteiro. Todos os pensamentos a respeito do Nicholas e as vontades de vingar-se dele, desapareceram ao enfrentar-se à experiência sexual mais incrível de toda sua vida. Lewis estava agarrando suas nádegas, as apertando fortemente e lhe urgindo para que incrementasse o ritmo. Ela começou a mover-se mais rapidamente. A cabeça lhe dava voltas e sentia que o corpo lhe ardia. Logo que podia respirar. Sua boca se abriu e seus gritos fizeram que Lewis se excitasse ainda mais, começando a ofegar até que sentiu o primeiro espasmo. Soltou um gemido e jogou a cabeça para diante. Lewis começou a gemer já arquear-se, aprofundando mais nela. Olivia a sua vez podia sentir sua própria carne, que se contraía ao redor da dele, apertando-a, ordenhando-a... As sensações quase lhe fizeram perder a cabeça. Finalmente, ele se relaxou baixo ela e se afundou no sofá. Olivia ficou olhando a boca ofegante dele e seus olhos fechados em tensão, enquanto voltava pouco a pouco em si. Gradualmente, suas terminações nervosas se relaxaram e uma onda de satisfação alagou seu corpo, fazendo que baixasse bruscamente das alturas como se lhe tivessem arrojado uma esponja úmida à cara. Uma realidade asquerosa substituiu ao júbilo selvagem que ela havia sentido um minuto antes e um suor frio e pegajoso brotou de todo seu corpo. Santo Deus! Mas, o que tinha feito? Sentiu que o estômago lhe revolvia, Vendo o estado no que estava, tratou de arrumá-la roupa, enquanto depois de notava como a bílis lhe subia pela garganta, delatando que ia se pôr má. Logo que pôde chegar ao quarto de banho privado do Lewis. Nada mais fechar a porta, vomitou sobre o cesto de papéis. Inclusive depois de jogar fora de seu corpo tudo o que tinha comido e bebido, sentiu novos espasmos. E, sobre sua frente, apareceram gotas de suor enquanto se retorcia de dor. Por uns minutos, Olivia pensou que ia se morrer. e quase tivesse desejado morrer. Assim não teria que sair do quarto de banho e enfrentar-se ao Lewis. Tremiam-lhe as mãos ainda quando alcançou uma toalha para limpar-se. Gemendo, aproximou-se até o lavabo, onde se enxaguou a boca com água. Finalmente, derrubou-se sobre o frio chão. e ficou ali atirada enquanto ouvia golpes na porta. -Está bem, Olivia? Estar bem? Como podia está-lo depois do que tinha feito? Só de recordá-lo-os olhos lhe enchiam de lágrimas e o peito lhe esticava de remorso e vergonha. -Olivia?
  14. 14. -Vete -gritou-. Digo-te que vá. -Não seja tola. Está doente. Assim que me vou ficar. -Se não for agora mesmo, não sei o que sou capaz de fazer. ouviu-se um suspiro do Lewis. -Já vejo. Já imaginava que te arrependeria depois. E eu também me arrependo, diabos. Mas me foi impossível te deter, Olivia. -Por favor -rogou ela-. Eu... não quero seguir falando disto. -Quer esquecer a que passou, não é isso? -Sim. -Eu não estou seguro de que possa me esquecer. -Pois tem que fazê-lo. Ou eu... apresentarei minha demissão. -Sua demissão? -Sim. -Não quero que demita. Assim que me partirei se isso te faz te sentir melhor. me prometa que pedirá um táxi. Paga-lhe isso a empresa. - Já me pagarei isso eu mesma, muito obrigado. Não necessito que me recompense. Nunca estive tão desgostada comigo mesma. ! -A culpa foi que os dois, Olivia, caso que culpa seja a palavra adequada. -E o que outra palavra há? -Necessidade, possivelmente. -Necessidade? -Sim. Mas podemos falar disso outro dia. Acredito que neste seu momento estado não é o melhor para te pôr a discutir a respeito das complexidades da vida. -Só parte. pelo amor de Deus! -Muito bem. Vejo que está tão transtornada, que não pode raciocinar, assim que te chamarei amanhã a casa e poderemos falar sobre o acontecido já mais tranqüilos. -De acordo -disse ela entre dentes. -Boa garota. Boa garota? Ele devia estar brincando. Seu comportamento tinha sido vergonhoso. Lewis não tinha por que sentir-se culpado. Não se tinha aproveitado de que ela estivesse bebida. Tinha sido ela a que se aproveitou do estado de frustração no que se encontrava ele. Olivia estava segura de que Lewis não tinha estado com nenhuma mulher desde que seu matrimônio se rompeu. Sabia porque nenhuma mulher lhe tinha chamado e ele se ficou trabalhando até tarde todos os dias. Inclusive alguma vez se ficou toda a noite. Não, ele tinha sido celibatário desde que Dinah o abandono, assim que sua reação tinha sido normal em um homem jovem e são. entendia-se que não se resistiu às insinuações de sua secretária. Assim que a única culpado era ela e só ela devia envergonhar-se. e ele tinha sido muito generoso ao tratar de desculpá-la. Ela não se merecia tanto. -me diga de novo que está bem -insistiu ele. -Porei-me bem -disse ela fracamente. Logo, secou-se as lágrimas que lhe desciam pelas bochechas.
  15. 15. -Sinto muito, Olivia. Mas não parece estar bem. e não me perdoaria se te deixasse neste estado. me deixe entrar. -Não. Não posso. -Pois você o quiseste. Olivia olhou boquiaberta como Lewis jogava a porta abaixo com grande estrépito. Capítulo 3 MALDITA SEJA! -queixou-se Lewis, esfregando o braço-. E parecia tão fácil nos filmes... Apesar dos gestos de dor, ele se agachou para ajudar a Olivia a levantar do chão. Ela estava aniquilada ante a gentileza com a que a tirou do banho para tombá-la sobre o sofá. Logo, aproximou-se de por lenços de papel a seu escritório e com eles lhe secou as bochechas e a boca, apartando uma mecha de cabelo que tinha entre os lábios. -Trarei-te um copo de água -disse ele amavelmente, voltando para quarto de banho. Desgraçadamente, em sua ausência, Olivia recordou outra vez a cena do crime. Não pôde evitar um grunhido ao ver ali seus sapatos e roupa interior atirados pelo chão. Alagava-a a lembrança do que havia dito e feito. Sentiu que lhe encolhia o coração. deu-se a volta, afundando a cabeça no couro negro e pôs-se a chorar de novo. Sentiu a mão do Lewis sobre seu ombro tremente. -Por favor, não chore mais, Olivia. Não posso verte assim. -O... sinto muito -balbuciou ela. -Não é você quem tem que desculpar-se. Olivia se sentiu fatal ver que ele se estava desculpando. Com grande esforço, conseguiu dar a volta para olhá-lo à cara. -Mas se não foi tua culpa, Lewis. -Já, claro. Os olhos dele se cravaram nos dela. Olivia tomou o copo de água que lhe tinha levado e deu um bom gole, aproveitando o tempo que demorou para esvaziar o copo para ordenar suas idéias. Tratou de convencer-se de que devia confrontar honestamente o que tinha feito e tratar de superá-lo. Mas a tentação de dar-se por vencida era forte, tinha que admiti-lo. depois de tudo, que sentido tinha seguir adiante? O futuro pelo que tinha estado trabalhando já não existia. Ivette o tinha deixado claro. E Olivia sabia que demoraria anos em voltar a abrir seu coração a outro homem" Era uma pessoa muito prudente. Ao menos quando estava sóbria. Olivia terminou de beber a água e de tomar uma decisão. Como não queria que Lewis se sentisse culpado, ela simularia sentir-se bem, embora não fosse certo. Mas, mesmo assim, seguia pensando que tinha que deixar seu posto. Como ia poder enfrentar-se ao Lewis dia detrás dia? Como ia esquecer se da tarde em que ela tinha perdido o respeito por si mesmo e por seu chefe? Mas podia esperar a demitir depois das férias natalinas. Além disso, francamente, não estava em condições de fazer nada que não fora partir a casa e meter-se na cama. Sozinha.
  16. 16. Mas antes tinha que conseguir que Lewis se sentisse algo melhor. -Obrigado -disse ela, mais tranqüila, lhe devolvendo o copo vazio. -Já está melhor, Olivia? -perguntou ele, olhando-a aos olhos. -Sim -disse, esboçando um débil sorriso-. Acredito que. levei-me como uma mulher típica. -OH, nada disso! Você está longe de ser uma mulher típica. Olivia se ruborizou. -Bom, não queria dizer exatamente isso -desculpou-se ele-. maldita seja! Parece que não sei fazer nada bem. -Acredito que tem feito muitas coisas bem, Lewis. Não muitos homens teriam sido tão considerados nestas circunstâncias. me acredite quando te digo que não te culpo de nada. -Isso é porque não está dentro de mim! -O fato, feito está. Acredito que ambos estamos sendo muito duros conosco mesmos. -Pode que leve razão. Ao fim e ao cabo, somos humano. Acredito que o melhor será que te leve a casa. Ainda tem mau aspecto. Olivia estava segura de que assim era. sentia-se fatal. Devia ser1a ressaca, sem dúvida. Ou isso, ou que o fruto do mar que tinha devorado estivesse em mal estado. - Trarei o carro até a porta -ofereceu-lhe Lewis-, e nos encontraremos ali dentro de uns... cinco minutos; Olivia agradeceu a possibilidade de ficar de novo a roupa interior em privado, embora o fato de ficar-lhe recordou o momento no que a tinha tirado. Mas, tinha sido ela quem o tinha feito? Tinha sido ela a mulher tão sensual e decidida que tinha seduzido ao Lewis? Ele não tinha podido apartar os olhos dela nem tinha podido evitar desejá-la. Olivia se estremeceu violentamente. Ainda não se podia acreditar o que tinha feito. Ao recordá-lo, parecia-lhe que tinha sido outra pessoa a que havia dito e feito aquelas coisas. Sacudiu a cabeça e se apoiou no escritório para ficá-los sapatos. Logo, meteu-se as abas da blusa dentro da saia. Quando saiu a seu escritório, o primeiro que viu foi a forquilha negra que se tinha tirado horas antes para soltar o cabelo. Resmungando, colocou o doloroso aviso em sua bolsa. Logo, agarrou sua jaqueta e saiu a toda pressa. Lewis estava já esperando-a, sentado ao volante de seu Fairlane Ghia. Ao vê-la, desceu-se do carro. -Estava pondo o ar condicionado -disse ele, lhe abrindo a porta do co-piloto-. Terá que me indicar o caminho. Sei que vive no Gladesville, mas não estou seguro da direção exata. -Segue por Vitória Road -Respondeu ela enquanto subia e ele a ajudava a ficar o cinto de segurança. Quando o braço dele roçou seus seios, ainda sensibilizados, ela se encolheu ligeiramente, logo ficou rígida, .,... eu... direi-te onde tem que girar. Felizmente, demoraram só quinze minutos. Olivia pensava que seu estômago não poderia agüentar mais desse tempo em um carro. Tampouco era muito agradável ir ao lado do Lewis, dadas as circunstâncias. Tinha vontades de lhe gritar. Mas por que? Teria que ter vontades de gritar ao Nicholas. Ele era o canalha, não seu chefe. De algum jeito, conseguiu superar o quarto seguinte de hora, mas quando o Fairline se deteve brandamente na entrada de seu bloco, lançou um suspiro profundo. Lewis não pôde evitar olhar a de reojo. -Subirei contigo -anunciou.
  17. 17. Ela se girou bruscamente, com uma expressão de dor. -OH, não, Lewis. Por favor, não há... Eu... preciso estar a sós. -Não quero discutir, Olivia. Gemendo, fechou os olhos. Olivia sabia que seu chefe era muito teimoso, algumas vezes até ditatorial. Ela podia admirar essas qualidades no trabalho, mas não ali e nesse momento. De maneira que ia ter que lutar. Sujeitando o estômago, ainda revolto, enfrentou-se a ele com uma expressão igualmente teimosa. , -Sinto muito, Lewis, mas agora não estou no trabalho e terá que aceitar que me negue. Se está preocupado porque possa fazer alguma estupidez, não tome cuidado. Sou uma pessoa forte. . . . . -Todos temos momentos de debilidade, Olivia -replicou ele com voz tranqüila. E ela se perguntou se se estaria refiriendo ao que tinha passado momentos antes ou a como se sentou ele quando sua mulher o abandonou-. Não é bom estar sozinho quando está triste. -Não estarei sozinha -replicou-. Pelo menos, não muito tempo. Amanhã irei a casa de meus pais para passar tudo os natais ali. -E onde está a casa de seus pais? Deus, nem se: queira sei isso! Não sei quase nada de ti. Leva sendo minha secretária dezoito meses e sei sobre ti quão mesmo saberia se tivesse estado contratada um só mês. por que, Olivia? É por sua culpa ou pela minha? Ela se encolheu de ombros. -Se te lembrar, quando me contratou me aconselhou que não te tratasse com muita familiaridade. A sua esposa não gostava do atrevimento de sua última secretaria, recorda? -Sim, recordo-o. . -Essa foi a única razão pela que eu te falei de mim relação com o Nicholas. Para que Dinah não se inquietasse por minhas possíveis intenções para ti. . -E também por isso alguma vez te arruma para vir ao trabalho? -Em certo modo sim. -O que quer dizer isso?. -Resulta-me cômodo me vestir como o faço -respondeu com um sorriso-. É barato. -Barato?. Olivia esteve a ponto de soltar uma gargalhada. -Isso é algo que teria que ter visto em mim. Sou muito poupadora. Cuido muito o dinheiro: Tenho certa inclinação a planejar cuidadosamente meu orçamento mensal, a economizar, a fazer contas. Sim, sempre estou fazendo contas. Olivia precisava falar. -Mas o pior de meus pecados é que sou aborrecida. Segundo meu ex-prometido, não tenho espontaneidade nem frescura. Por isso me trocou por uma mulher livre de espírito e divertida chamada Yvette que lhe faz todo tipo de coisas excitantes que a pobre e aborrecida Olivia nunca faria. Mas ele se equivoca, verdade? -a moça olhou ao Lewis com um sorriso irônico que bordeó a histeria-. Eu posso fazer essas coisas. j E em qualquer sítio! Nicholas se teria assombrado, não crie? -Acredito que deveria esquecer ao Nicholas. -OH, claro que o farei. Com o tempo. Vou, Lewis. Sozinha. Sinto não te haver agradável nada pelas festas. Pensei em comprar algo hoje, mas foi um dia bastante diferente a como o tinha planejado. Ultimamente nada está saindo como eu quero. Tenha um feliz Natal e descansa, merece-o. Não acredito que o faça, sei que te passará as cinco próximas semanas metido em seu
  18. 18. laboratório inventando maravilhosos produtos para as mulheres. Mas para ti isso não é trabalho, verdade? É um prazer. E não se preocupe por mim. Estou bem, de verdade. Amanhã a estas horas estarei no trem, de caminho a casa. Estou desejando começar a viagem. Nunca pensei que gostaria tanto ir. Os natais em casa são um pouco loucas. Mas acredito que este ano a estadia me vai vir bem. A moça pôs a mão no fechamento da porta. -Verei-te dentro de cinco semanas, chefe -acrescentou, saindo. Olivia lhe fez um gesto com a mão. Sim, veria-o de novo ao cabo de cinco semanas, mas com uma carta de demissão do trabalho. Sua consciência a obrigava a ficá-las quatro semanas estipuladas no contrato, embora seria duro para ela. Seria horrível enfrentar-se a ele cada dia, embora o conseguiria. e encontraria uma substituta para o Lewis que não lhe desse problemas. Uma mulher agradável, eficiente, sensata e amadurecida. Casada, a ser possível. Felizmente casada. O pobre Lewis não tinha tido muita sorte com suas secretárias nos últimos tempos. Primeiro contratava a uma loira descarada, cuja única preocupação era a de conseguir que alguém a mantivera toda a vida. Logo, uma mulher de cabelo de cor mogno tentando demonstrar que podia ser uma violadora se o propunha. A violadora em potência subiu as escadas de entrada do edifício de tijolo vermelho. A cabeça lhe dava voltas e tinha o estômago revolto. Deu-lhe o tempo justo de chegar ao banho antes de vomitar de novo. Depois, com o estômago já vazio, despiu-se e se deu uma ducha que durou muito momento, tentando apagar os aromas de seu corpo. Sentindo-se só ligeiramente melhor e muito mais limpa, saiu finalmente. secou-se, ficou uma camiseta grande e se tombou sobre a cama. depois de meia hora, abandonou a idéia de dormir naquela habitação claustrofóbica e se levantou para abrir a janela e fazer um café. Devido ao estado de seu estômago não queria tomar nenhuma aspirina, a pesar da dor que sentia nas têmporas. Uma bolsa de gelo a ajudou um pouco. Por volta das sete se fez uma torrada de pão integral que acompanhou com um café puro bem carregado. Depois, tratou de fazer a mala, embora finalmente abandonou a idéia e ficou a ver a televisão. Viu uma série que a fez sentir-se melhor. Pensou que sua vida era quase normal comparada com as vidas torturadas da gente que saía na série. Também a fez esquecer-se de muitas coisas. Eram as onze quando apagou a televisão e tentou dormir de novo. Estava tombada, olhando ao teto, quando recordou a pílula. levantou-se de um salto e correu para o banho. Caramba O que teria passado se se tivesse ido dormir e se esqueceu de tomar a pílula? A só idéia a horrorizou. Olivia se tomou a pílula da sexta-feira e voltou para a cama, onde, uma vez mais, demorou para conciliar o sonho Começou a perguntá-lo que Lewis pensaria realmente de seu comportamento. O fazia todo o possível por ser amável com ela, mas seguro que lhe tinha perdido o respeito. Era curioso, já que em seu estado o que mais precisava era o respeito de outros. De, todos modos, ia pagar por sua estupidez, não era assim? ia ter que deixar um trabalho que gostava e um Chefe ao que admirava. A gente pagava por seus pecados. Podia estar toda a vida te comportando corretamente, mas cometia uma só falha e seu mundo se vinha abaixo.
  19. 19. Deu um suspiro profundo e fechou os olhos, tentando esvaziar sua mente. O sonho chegou, finalmente, mas não por muito tempo. despertou acontecidas as duas, suando e com o estômago revolto. Parecia que as conseqüências da festa de natal ainda seguiam lhe dando problemas. Talvez, as ostras que tinha comido estivessem em mal estado. levantou-se da cama e foi para o banho onde , permaneceu sentada o que pareceu uma eternidade. Finalmente voltou para a cama, até sua próxima visita ao quarto de banho. Pela manhã estava pálida e esgotada. nada, entretanto, disse-se com firmeza, evitaria que fizesse as malas e tomasse o trem. O telefone começou a soar quando se dirigia por volta da porta no meio da amanhã. depois de duvidá-lo uns segundos, continuou caminhando, dizendo-se que não tinha tempo para falar com ninguém nesse momento. O táxi a esperava abaixo. . . . Se era Nicholas, importava-lhe um pimiento, Se era Lewis... quanto antes se desse conta de que não ia ser um problema para ele, tão melhor. Não queria sua compaixão. ., E isso era o que sentia por ela. Compaixão. O coração do Lewis ainda pertencia a sua esposa. Qualquer podia dar-se conta disso. O que tinha ocorrido no despacho no dia anterior tinha sido unicamente sexo. Nada mais. Qualquer homem podia desfrutar de do sexo sem sentir-se apaixonado. «Igual às mulheres bêbadas, ao parecer», sussurrou uma voz dentro de sua cabeça. O telefone seguia soando. e se era Lewis pensando que podia divertir-se um pouco durante as festas de natal? e se não tinha compreendido que não era a verdadeira Olivia a que lhe tinha feito o amor no dia anterior? e se a tinha acreditado, depois de tudo, quando lhe tinha assegurado que sempre lhe tinha gostado? OH, Meu deus! . Olivia baixou correndo as escadas e se meteu no táxi, que já a estava esperando. Capítulo 4 Eu Tênia razão, Olivia, está grávida -anunciou o doutor, olhando o papel que tinha na mão-. Pelas datas que me deste e o tamanho de seu útero, acredito que está de um mês. Os olhos da Olivia se aumentaram pela surpresa. -mas não pode ser ! -protestou-. Já o disse, tomo a pílula e não a esqueci nem um só dia. O doutor se encolheu de ombros. -Isso não significa que não possa ficar grávida. A pílula não é cem por cem segura, inclusive embora tome sempre à mesma hora. Há muitos fatores que contam. Os antibióticos podem reduzir sua efetividade, assim como certas drogas. Inclusive uma quantidade alta de vitamina C se acredita que pode provocar alterações em sua efetividade. E sobre tudo se houver problemas gástricos. estiveste doente durante o último ciclo? tiveste vômitos ou diarréia os dias próximos a suas relações sexuais? Olivia se teria posto a chorar. De fato, estava ao bordo de fazê-lo. a vida podia ser tão cruel! -Por sua expressão, acredito que encontramos a causa de seu inesperado, e acredito que não desejado, embaraço -disse o doutor com tato.
  20. 20. Olivia permaneceu imóvel, incapaz de dizer nada. -Tem uma relação estável? -perguntou o doutor-. Ou é o resultado de um único encontro? Olivia fez uma careta. Que maneira tão suave de chamar uma aventura de uma noite! Ou em seu caso, à aventura de uma tarde. - Já não tenho nenhuma relação estável -respondeu com tristeza-. Tenho quebrado recentemente com meu noivo. -É ele o pai então? -Não -OH! Entendo... Olivia não sabia como podia entendê-lo. -Há alguma possibilidade de que o pai se faça cargo do filho? -Não o vou pedir. -Compreendo. Então o que vais fazer, Olivia? -Não sei -disse. Tudo lhe parecia tão irreal e cruel... -por que não vai a casa, pensa seriamente nisso e volta dentro de uma semana? -É que voltarei para o Sydney a semana que vem. Tenho... tenho que voltar para trabalho. - Já. Tem um doutor regular ali? -Não. Quando necessitava um doutor, ia ao centro médico que havia perto de sua casa, que recebia pacientes as vinte e quatro horas do dia, e pedia o doutor que melhor lhe convinha. O certo era que quase nunca caía doente e nunca tinha pensado na necessidade de ter um mesmo doutor. -Imagino que posso ir à consulta da doutora que me receitou a pílula -respondeu-. Era muito amável. -Isso me parece boa idéia. As doutoras podem ser mais sensíveis com as moças que estão em sua situação. As moças em sua situação... Olivia piscou. Nunca lhe teria ocorrido que pudesse chegar a ser uma mãe solteira Y. certamente, nunca o teria planejado. Sabia por casos próximos, as conseqüências e problemas que uma mulher tinha, e não o desejava para si. A sua mãe um embaraço não desejado a levou a um matrimônio precipitado e dele resultou uma vida inteira cheia de brigas. Sua irmã Carol tinha cansado na mesma armadilha e, nesse momento, com vinte e cinco anos. já tinha quatro filhos. Seu marido e ela tinham sérios problemas para chegar a fim de mês. Sua outra irmã. Sally, tinha escapado de um destino parecido por pura sorte, em opinião da Olivia. É obvio que o matrimônio não era a única saída nestes dias, mas o aborto tampouco era a única resposta. Certamente não para ela. Seu melhor amiga do colégio se ficou grávida durante o último ano escolar e seus pais a pressionaram para que abortasse. Anna fracassou em seus exames finais e teve uma depressão nervosa. tomou uma overdose de pastilhas para dormir, mas nunca se chegou ou seja se tinha sido ou não premeditado. Ao parecer, ocorreu justo o dia em que seu filho podia ter nascido. O funeral afetou terrivelmente a Olivia naquele momento e durante muitos anos mais. Foi uma das razões pelas que não quis deitar-se com ninguém até que cumpriu os vinte e cinco anos.
  21. 21. De repente, pareceu-lhe que era muito e se levantou bruscamente. -Não tome uma decisão apressada. Olivia -aconselhou o doutor-. Tem umas semanas para pensar. Agora mesmo está aturdida e pode que pense outra coisa dentro de um ou dois meses. -Não se preocupe. Não tomarei nenhuma decisão apressada. -Bem -o doutor se levantou e pôs uma mão sobre seu ombro-. Ter um filho não é o fim do mundo. Olivia. Não é uma jovencita estúpida. Para mim é uma pessoa bastante sensata. Seria uma boa mãe. Ela o olhou pensando pela primeira vez no filho e não nela mesma. Mas, de algum jeito, não podia acreditar-se que fora uma mãe em potência. Não se sentia como uma mãe. Não se sentia diferente do dia anterior. Olivia deu as graças ao doutor e foi caminhando devagar até a sala de espera. Sua mãe estava ali sentada pacientemente, com a cabeça inclinada sobre uma revista do coração. Era evidente que se estava divertindo bastante com tudas as fofocas. Nesse momento, Olivia pensou em que sua mãe nunca tinha tido o dinheiro suficiente para comprar pequenos luxos como esses. Uma enorme tristeza a invadiu. Era isso o que queria para si mesmo? e para seu filho? Uma vida sem possibilidades para fazer nada extraordinário, de aluguéis baratos, de roupas usadas? Olivia olhou a sua mãe. Observou seu rosto estragado e seu cabelo cinza. Tinha sozinho quarenta e cinco anos e parecia muito mais velha. e uma vez tinha sido bonita. Os anos de trabalho duro e os desgostos 1e tinham acontecido fatura. Aquele ano, além disso, tinha sido também difícil. O pai da Olivia tinha perdido o emprego e, a sua idade, era bastante difícil encontrar outro. Isso lhe tinha sumido em uma terrível depressão. Os natais aquele ano tinham sido um pouco mais aborrecidas do habitual, apesar de que toda a família se reuniu O estado de ânimo da Olivia não passou tão desapercebido como ela tivesse querido. passou-se os dias sentada em uma cadeira de balanço no alpendre lendo livro detrás livro. Só pelas noites dedicava seus pensamentos ao Nicholas e, algumas vezes, ao Lewis. Finalmente conseguiu aceitar o abandono do Nicholas. Não desejava ter a seu lado a ninguém que não a correspondesse. Também aceitou inclusive o que tinha feito ao Lewis. A distância e o tempo tinham feito desaparecer parte da vergonha e suas ações lhe pareceram quase desculpáveis. Até começou a considerar a idéia de voltar para trabalho do Altman lndustries a semana seguinte sem deixar seu posto. Ou pelo menos, tinha-o estado pensando até aquele dia... A mãe da Olivia apartou os olhos da revista e ficou olhando-a. -Está tudo bem? -perguntou, deixando a revista e levantando-se. Olivia esboçou um sorriso. -Estou bem. Tão sã como uma maçã. Não tinha por que acrescentar mais preocupações a sua mãe. -Eu não acreditava que te passasse nada -disse sua mãe enquanto saíam da clínica-. Com o bom aspecto que tem é impossível que tenha nenhuma enfermidade. e o que te disse o médico de que te atrasasse o período? deve-se a algum problema com a pílula?
  22. 22. Olivia tinha estado pensando em alguma desculpa que a eximisse de confessar que estava grávida. -O que imagina? -Tomar algo contra a natureza não é bom, poderia deixar de tomá-la, Olivia. -É o que vou fazer. -Sejamos claras, agora que Nicholas e você têm quebrado não tem nenhum motivo para seguir tomando-a. -Tem razão. -Sei que isto é desagradável para ti, carinho - disse sua mãe-, mas nunca pensei que Nicholas fosse o homem adequado para ti. -Não? por que? Chegaram até o velho utilitário cinza de seu pai e subiram. Sua mãe se encolheu de ombros ao arrancar o motor. -Era muito bonito, suponho. Também bastante elegante, mas muito jovem e imaturo. Você necessita um homem que já tenha feito sua vida, alguém seguro de si mesmo e que possa te oferecer a segurança que necessita. Conheço-te, Olivia -continuou a mulher, enquanto olhava para a estrada para ver se chegava algum carro-. Quererá que seus filhos tenham o melhor. Sally e Carol não são tão sensatas como você e entendo quão difícil foi para ti crescer em meio da pobreza. Os olhos da Olivia se encheram de lágrimas. -jOh, mamãe! A mãe se girou, com os olhos cheios de alarme. -O que te passa, carinho? O que hei dito? jOh, Meu deus! -exclamou, ao tempo que apartava as mãos do volante e abraçava a sua filha-. Está doente, verdade? -Não estou doente, mamãe. -Então o que tem? -Estou grávida. Ao parecer a pílula não é infalível. Olivia logo que podia suportar a tristeza e compaixão que os olhos de sua mãe expressavam. -jOh, minha pobre menina! A mãe apertou a sua filha contra ela já continuação tomou seu rosto entre as mãos. -Isto troca as coisas. Terá então que dizer-lhe ao Nicholas. Fazer que se case contigo. Olivia não tinha pensado em que aquilo seria a Única solução para sua mãe. Casar-se com o pai de seu filho. Não podia ver outro caminho. Olivia se apartou devagar e tomou ar. -Acredito que não, mamãe. Sabe? Não é filho do Nicholas. -Não? -a mãe abriu muito os olhos-. Então de quem? -Do Lewis. -Lewis? -repetiu sua mãe-. Quem é Lewis? supõe-se que tenho que conhecê-lo? -É meu chefe. Lewis Altman. A mãe olhou a Olivia com uma expressão de desgosto. -Está me dizendo que saía com seu chefe a costas do Nicholas? Por isso te deixou? -Não, mamãe. É Nicholas quem esteve saindo a minhas costas com uma garota com a que trabalha. Nunca houve nada entre o Lewis e eu até o dia da festa de natal, que foi duas semanas
  23. 23. depois de que Nicholas me deixasse. Temo-me que bebi muito e fui... fui muito longe. Ambos nos arrependemos depois. -Estou segura de que será um consolo para sua esposa. -Não tem esposa. Lhe deixou. -jAh! Eu também o deixaria se for por aí deixando grávidas a suas secretárias. Por isso lhe deixou ela? Pela secretária que teve antes de ti? Olivia soltou um gemido de protesto. -Lewis não é assim. -Como é então? Reage como se você tivesse sido a culpado. Nunca ouvi dizer que violassem a um homem. -me acredite quando digo que foi quase o que aconteceu -murmurou Olivia. -filha! Estava também ele bêbado? Foi assim? -Não, só estava bêbada eu. -Então ele tem a mesma culpa que você. Possivelmente mais. Este filho é responsabilidade dela e tem que fazer-se carrego dele. O menos que pode fazer é te ajudar economicamente. É um homem que tem dinheiro, segundo o que nos contaste. Que pague seus caprichos! Assim, quando o vais contar? -Toda... ainda não -respondeu, pensando que sua mãe não entendia a situação exata. -É bonito? -O que? Sim, muito. -Quantos anos tem? -Trinta e quatro. -Muito bem, muito bem. Nesse caso, acredito que possivelmente tenha razão. Não o diga ainda, não há por que assustá-lo. Terá que lhe dar tempo para que se apaixone por ti. Olivia conteve uma exclamação. -Apaixonar-se por mim? Mamãe, não me tinha cuidadoso nos dezoito meses que levo trabalhando para ele. Além disso, ainda está apaixonado por sua mulher. -Não durante muito tempo, garanto-lhe isso. Os homens não se apaixonam durante muito tempo. Olivia fez um gesto de impotência. Sua mãe, pensou, estava-se voltando muito cínica com os anos. -Já lhe hei isso dito. Ele não é assim. Ele é... uma pessoa profunda. -OH, vamos, Olivia. Não pode ser tão profundo. Os homens raramente são profundos. Você é uma mulher muito atrativa quando quer. Ele já se rendeu uma vez a seus encantos. Asseguraste-me que ele não estava bêbado, verdade? A próxima vez será muito mais fácil. antes de que se dê conta, estará rendido a seus pés e te pedirá que te case com ele. Então, só então, deve lhe falar do filho. Olivia logo que podia acreditar o que ouvia. -Esperas que o seduza uma segunda vez? -Pois naturalmente. No amor e a guerra todo está permitido. -Não estou apaixonada pelo Lewis. -Mas te parece muito atrativo. -Sim, isso imagino, mas... -Mas nada -interrompeu sua mãe-. Pensa no menino.
  24. 24. -Estou pensando no menino! -Não o suficiente, acredito eu. Mas o fará. Os filhos têm o poder de tirar o melhor que há dentro de uma mulher. Nada supõe nenhum sacrifício para uma mãe quando pensa em seus filhos. Além disso, parece que conquistar ao Lewis não seria um sacrifício muito grande -acrescentou sabiamente-. Se o que diz é verdade, tem todas as qualidades que deveria procurar em um homem. É bonito, amadurecido, tem estabilidade econômica, inteligência Y... profundidade, não é assim? Francamente Olivia, parece que é justo o que te aconselharia qualquer doutor. Capítulo 5 Olivia não estava segura do que ia fazer respeito ao menino. é obvio que ia ter! Era da única coisa da que estava segura. Ainda não fala pensado se dizer-lhe ao Lewis ou não. Tinha rechaçado o plano de sua mãe por ingênuo e inconcebível. Dois equívocos não davam como resultado algo bem feito. Não tinha descartado dizer-lhe ao Lewis em algum momento, mas tinha vários motivos para atrasá-lo e não tinha nada que ver tentando seduzi-lo primeiro. Para começar, ele tentaria convencer a de que abortasse. Olivia o entendia e lhe seria difícil não respeitar a opinião do pai. . , Segundo, jogaria-a à rua, o que a obrigasse a denunciar a situação e provocar um escândalo desnecessário. Ponto três, talvez ele a acusasse de tentar apanhá-lo, o qual seria terrivelmente injusto com ela. Quarto ponto, pode que lhe desse um cheque generoso com a advertência acrescentada de que não voltasse a entrar em seu escritório jamais. Olivia franziu o cenho. e era todo isso um bom argumento para lhe falar ou não ao Lewis do filho? É obvio que haveria gente que diria que ele tênia direito ou seja o. Era o pai, depois de tudo. Olivia aceitava essa opinião... em teoria, mas pensava também Que as circunstâncias não eram as normais. Ela. tinha sido a instigadora e tinha assegurado ao Lewis a impossibilidade de um embaraço. Provavelmente o diria em algum momento, mas mais tarde. Muito mais tarde. Enquanto isso, ia voltar para trabalho e não ia deixar o. Necessitava o dinheiro. Já tinha começado um plano de economia para poder comprar um pequeno apartamento de duas habitações em um bairro acomodado, mas barato, no Sydney. TIVESTE umas boas férias, Olivia? -Sim, obrigado, Pat -replicou alegremente. Pat era o guarda de segurança do Altman Industries. Não tinha por que pôr má cara, nem ao Pat nem a ninguém. Apesar do que sua mãe lhe havia dito, Olivia sabia que a culpa não era de ninguém mais que de si mesmo. -Tem bom aspecto -replicou ele. -Obrigado. E para cúmulo, era certo, pensou ela com amargura. Sua pele estava reluzente, seu cabelo brilhava e seu corpo nunca antes tinha estado melhor. Sentava-lhe bem o embaraço.
  25. 25. Olivia deu um suspiro profundo que não tinha nada que ver com a inclinação do atalho que conduzia da grade ao edifício principal. Cada vez que pensava em seu embaraço não podia evitar que o estômago lhe encolhesse. Ainda lhe era difícil acreditar em sua atual situação. Ela sempre tinha estado segura de que sua vida seguiria o plano que ela mesma tinha esboçado depois de conhecer o Nicholas. Ponto por ponto. Um trabalho bem pago ao cumprir os vinte e seis, um matrimônio aos vinte e oito, uma casa comprada e mobiliada para os vinte e nove e seu primeiro filho aos trinta. Em seus planos não figurava ficar grávida de seu chefe como primeiro ponto. E tampouco que Nicholas a abandonasse. Deixar Sydney era impensável. Ali era onde trabalhava e sempre teria que fazê-lo, embora isso implicasse ter que deixar o menino aos cuidados de uma babá. Tinha uma boa quantidade economizada no banco e receberia uma generosa liquidação se alguma vez deixava o trabalho. Também tinha muitos móveis para o pequeno apartamento e poderia procurar todo o necessário para o menino em lojas de segunda mão. Todos aqueles planos a tinham mantido ocupada e não tinham permitido que sua mente se enchesse de pensamentos mais tristes. Possivelmente, o doutor que tinha visto durante as férias tivesse razão e começasse a pensar de outra maneira sobre o menino, ou pelo menos, a dar-se conta de que era real; Mas despertava pela manhã sem vômitos e com uma energia e vitalidade incríveis, e aquilo não a ajudava a sentir-se grávida. Várias pessoas lhe tinham comentado que tinha muito bom aspecto. perguntava-se se Lewis o notaria aquela manhã. O estômago da Olivia se encolheu. Uma coisa era pensar no Lewis de uma maneira desapaixonada e pragmática fora do despacho, a sós. e outra muito diferente ter que enfrentar-se a ele, especialmente quando seria a primeira vez que se viam depois daquela horrorosa tarde, sabendo, além disso, que levava um filho dele. Quando entrou no edifício, estava tão nervosa que começou a revolver-se o estômago. O único consolo foi encontrar a cabine de recepção deserta. Eram só as oito e dez, vinte minutos antes da hora de começo das atividades, e os empregados não tinham costume de chegar antes de tempo, especialmente uma segunda-feira detrás cinco semanas de férias. Enfrentar-se aos empregados era tão difícil como enfrentar-se ao Lewis. Se alguém fazia algum comentário malintencionado sobre seu comportamento na festa, morreria de vergonha. Felizmente, o despacho do Lewis estava bastante afastado de outros, isolado, portanto, das fofocas. Olivia caminhou pelo corredor que conduzia ao despacho. Deixou a sua direita o departamento de Vendas e Distribuição já sua direita o de Marketing e Contabilidade. de repente, uma porta se abriu bruscamente e apareceu Lewis. Viu a Olivia e pôs uma expressão de assombro que em seguida se converteu em alívio. -Graças a Deus. Olivia esteve a ponto de deter-se. esqueceu-se de quão bonito Lewis era. De seu físico... impressionante. Levava um traje muito bonito aquela manhã. Era de uma cor cinza clara e a camisa branca ressaltava o azul de seus olhos. Era evidente que tinha estado praticando algum esporte ao ar livre porque estava bronzeado.
  26. 26. -Graças a Deus por que? -Durante as férias, tive o pressentimento de que não voltaria, de que teria uma chamada de sua mãe dizendo que te tinha ido e de que te mandasse um cheque a Angola, Afeganistão ou qualquer outro lugar, Tem mãe, não? -acrescentou, franzindo o cenho. Ela ficou surpreendida. -Não a tem todo mundo? -Refiro-me... viva e com boa saúde. -Minha mãe só tem quarenta e cinco anos. -Seria muito jovem quando te teve. -Sim. Os olhos do Lewis olharam a Olivia de cima abaixo. -e você como está? Tem, certamente, muito bom aspecto. Não está tão pálida nem parece cansada. -Sinto-me melhor -replicou, tentando parecer natural. Mas lhe estava custando tentar não olhá-lo aos olhos, não recordar como tinha sido concebido aquele menino que levava dentro. . . Entretanto, os pensamentos não lhe produziam vergonha nem eram desagradáveis, pelo contrário, Olivia não podia evitar pensar na sensação do penetrando-a profundamente. -superaste já o do Nicholas? -O que? -Isso me parece que é uma afirmação -disse esboçando um sorriso. Olivia tentou concentrar-se no presente. Lutou desesperadamente por não ruborizar-se. -É uma afirmação em parte. -Isso esta bem. temos por diante um ano muito ocupado, Olivia. Quero que All Woman se converta na melhor linha de cosméticos do mercado. Necessitarei que trabalhe mais horas do habitual. Será um problema? Naturalmente, pagarei-te as horas extras. Olivia vacilou. O dinheiro lhe viria bem, mas seria terrível ter que passar mais horas com o Lewis. se está preocupada com o que passou aqui o dia da festa-dlijoLewis, quase com brutalidade-, por favor te tranqüilize. Dava-me conta de que o lamentava sinceramente e quero que se esqueça completamente disso. Eu não posso dizer: que o tenha esquecido, mas não quero danificar a relação com a melhor secretária que tive alguma vez. Tranqüiliza-te o que te digo? -Sim -respondeu, esperando que assim fora. Mas algo parecia ter trocado em seu trato com ..o Lewis. Enquanto antes era capaz de ignorar seu considerável atrativo, agora de repente, resultava-lhe impossível. Os olhos da Olivia observaram cuidadosamente cada detalhe do rosto daquele atrativo homem. A perfeita simetria de seus rasgos duros, a cor azul clara de seus olhos inteligentes e profundos. Sua boca firme e larga, seu lábio inferior sensual... .Olivia ~ repente notou que a expressão dos olhos do trocava e voltou para a realidade. -O que? -perguntou, reagindo involuntariamente. -Estava-me olhando de uma maneira estranha. -OH, sinto muito. Estava muito longe daqui. -Pensando no Nicholas? -Não -dlijo, com uma sensação de triunfo.
  27. 27. -tiveste notícias dele? -Não. -Se te chamar, não volte com ele, Olivia. Não te merece. Esse estúpido nem sequer te tinha comprado um anel de compromisso, dava-me conta. -Isso foi minha culpa, Lewis. Disse-lhe que preferia que economizássemos o dinheiro para a casa. Lewis a olhou com incredulidade. -Certamente é uma mulher única. Ela riu. -Muito troca, quererá dizer. -Nada em ti é barato, Olivia -murmurou-. Nada. Vêem. Vamos ao despacho antes de que comece a te dizer coisas que não devesse. «Como o que?», pensou Olivia enquanto tratava de manter seus passos ao ritmo dos dele. O olhou de esguelha e se deu conta de que Lewis estava preocupado por algo. antes de que chegassem ao despacho tinha as chaves preparadas. e assim foi toda a manhã a partir de então. Todo rapidez e brutalidade. Não houve mais conversações sobre temas pessoais. Só trabalho e mais trabalho. Olivia passou a maior parte da manhã chamando diferentes pessoas com as que Lewis tinha que citar-se durante a semana. Pelo despacho, passaram o diretor de vendas, de marketing e o contável. Às doze e meia, Lewis saiu a tomar um aperitivo com um representante da agência de publicidade Harriman's, com o que Altman Industries tinha assinado um novo contrato. Harriman's tinha crescido grandemente nos últimos anos. Durante o anterior lhe tinham enviado um catálogo de seus últimos anúncios de televisão. Olivia se tinha encarregado de visionários e, francamente, opinava que não eram grande coisa. Pouco antes das três, Lewis estava de volta e parecia de muito mau humor. -Maldito idiota. me ponha com a agência Harriman's, Olivia. Quero falar com o Bill Harriman em pessoa. e não me importa se ele está reunido ou não. Olivia ficou assombrada. Nunca tinha visto o Lewis de tão mau humor. Passou-lhe com o Bill Harriman, mas não pôde escutar a conversação. Lewis não era dos que pegavam vozes por telefone. Era um homem que sabia controlar-se, Tudo o que ela pôde saber foi que a conversação não durou muito. Quando as luzes do interfone se acenderam, ela pulsou o botão e agarrou o auricular. -Sim, Lewis? -Acredito que necessitamos outra agência de publicidade, tem alguma sugestão? -Bom, não caio agora mesmo... Mas posso investigar. Que tipo de agência quer? Conservadora? Vanguardista? Quer que seja famosa ou uma pequena que esteja crescendo? -Pequena e em crescimento. e que a levem mulheres. ? -Mulheres.... -jSí, mulheres! Imagino que as mulheres saberão apelar melhor à sensibilidade feminina, coisa da que esses idiotas do Harriman's não têm nem idéia. Esses arrogantes incompetentes... -Lewis cortou a comunicação. Oliva levantou as sobrancelhas assombrada. Não era nada habitual que
  28. 28. Lewis perdesse os estribos. Quando a luz do interfone voltou a piscar, agarrou o auricular com muito cuidado. -Sim, Lewis? -Sinto muito, te esqueça dê o que te hei dito. Procurar uma nova agência publicitária não entra dentro de seu encargo. O encarregarei ao Walter, que é o encarregado da seção de marketing. Quando ele tenha selecionado três candidatos, chama-os por telefone e conserta uma entrevista com eles aqui em meu escritório. Não vou contratar a uns estúpidos ignorantes que cobram umas tarifas enormes. -Muito bem, chefe. Ele voltou a suspirar. -É muito paciente comigo -ouviu-se o Lewis, que certamente estava esboçando um de seus maravilhosos sorrisos. -Isso sim entra dentro de minha competência. -Olivia... -Sim? Houve um comprido e incômodo silêncio. -Nada -murmurou ele finalmente-. Nada -e voltou a pendurar. Olivia então respirou fundo e ao fazê-lo-se deu conta de que tinha estado contendo o fôlego. Estava sofrendo alucinações, ou Lewis também tinha descoberto que seus sentimentos por ela tinha trocado? O que faria se fosse nesse momento a lhe dizer que ia ter um filho dele? Como reagiria? A sensatez e a experiência sugeriam que não se alegraria muito. A maioria dos homens não recebiam de bom grau a notícia de um inesperado e não desejado embaraço, especialmente de uma mulher a que não amassem. Olivia não pensava que os sentimentos do Lewis tivessem trocado tanto. Não, talvez Lewis sim que a visse já como uma mulher, mas não a amava. Tampouco ia apaixonar se por ela. E, portanto, não gostaria de saber a existência daquele filho. Só a queria como secretária, não como amante ou esposa. Sua mãe se equivocava nisso. Não entendia aos homens como Lewis. Além disso, se Lewis tivesse querido filhos, os teria tido já. Tinha trinta e quatro anos, era viciado no trabalho e não tinha tempo para ser pai. Olivia sempre tinha suspeitado que Dinah o abandonou pelo assunto dos filhos, além de pela quantidade de tempo excessiva que dedicava ao trabalho. Provavelmente se sentia pouco querida ou necessitada. antes de que Nicholas a deixasse, este sempre tinha dado a entender que a necessitava, embora só fora para organizar sua vida. lhe gostava de sentir-se necessitada. Era quase tão bonito como sentir-se amada. A porta do despacho do Lewis se abriu e Olivia elevou a vista para olhá-lo. Estava ali em pé, com as mãos nos quadris e as pernas separadas. Seu rosto estava ruborizado, o cabelo revolto e tinha as mangas dobradas para cima. Estava impressionante, pensou ela. Parecia um animal à espreita. -É inútil, Olivia -declarou.
  29. 29. -Inútil? -repetiu ela, com o coração palpitante. -Não posso me concentrar, estou muito zangado. Preciso sair daqui. irei tomar um café. Vem-te comigo? Virá-me bem sua companhia sensata e relaxante. Então assim era como seguia vendo-a, não? Sensata e relaxante. i Que idiota tinha sido imaginando, embora só fora por um momento, que era para ele uma mulher atrativa e desejável! Sua mãe tinha a culpa por lhe haver metido aquelas estúpidas idéias na cabeça. -Se insistir... -disse, com voz débil. A moça apagou a tela do ordenador e se levantou. Notou que Lewis a observava. Mas ele pareceu sentir-se incômodo e começou a baixar-se apressadamente as mangas da camisa. -Irei por minha jaqueta -anunciou, colocando-a gravata-. Se quer ir ao banho, vê agora. Verei-te na porta lateral em dois minutos. -Sim, papai -murmurou ela, em voz baixa. Tratava-a como se fora uma menina! Olivia se olhou a si mesmo no lavabo de senhoras. Como ia ter Lewis dela outra imagem que não fora a de secretária? Porque, de acordo, esse dia não ia com um desses trajes retos habituais. Fazia muito calor para levar blusa e jaqueta. No despacho havia ar condicionado, mas ela não tinha um carro cômodo para ir ao trabalho e sempre ia em ônibus. Mas seu vestido era negro, tão afetado como discreto, com um pescoço redondo singelo, manga curta e apertado ligeiramente só na cintura. O comprido era justo por cima do joelho. Umas meias negras cobriam suas pernas largas e seus sapatos eram negros, de salto baixo. O cabelo estava sujeito no coque habitual e o único acerto do rosto era o toque nos lábios com uma barra que tinha comprado fazia umas semanas e que lhe havia flanco menos de dois dólares. Por último, seu perfume fazia horas que tinha deixado de cheirar. Em resumo, via-se como uma mulher sem nenhum atrativo, sem nenhuma magia. Uma pele reluzente e um cabelo brilhante, apesar de demonstrar boa saúde, não podia comparar-se com os rostos maquiados das secretárias que trabalhavam no edifício. As dois recepcionistas, por exemplo, pareciam saídas de uma revista de moda. Olivia nunca tinha invejado a sofisticação ou aqueles vestidos curtos, até esse momento. Mas era muito tarde para trocar, disse-se com tristeza, enquanto recolhia sua bolsa e saía do quarto de banho. Muito tarde. Capítulo 6 Ela se ruborizou e apartou a vista. -Não fique em silêncio. eu gosto das mulheres engenhosas. -Já mim eu não gosto das complicações. -Resulta-te uma complicação trabalhar para mim? -Não. mas sim sair contigo no meio da tarde. Minha intuição não se equivocava ao pensar que tinha que ter deixado o posto faz cinco semanas. -Não o teria aceito. -Você não teria muito que dizer a respeito. Pode que te tenha esquecido. Lewis. mas uma empregada tem direito a deixar o trabalho. -Bom. mas você não vais fazer o. -Não?
  30. 30. -É obvio que não. Você o prohíbo. -O prohíbe -repetiu ela. sonriendo com amargura-. Esta é uma faceta tua desconhecida. Não te há dito ninguém. Lewis. que pode chegar a ser muito egoísta e teimoso? além de amável e generoso. honrado e sincero. Mas não ia dizer se o Já tinha um ego suficientemente grande. -Minha mãe já me há isso dito várias vezes -confessou ele. -Sua esposa não? --quis saber. olhando-o com uma súbita curiosidade enquanto a boca dele se torcia em uma careta. -Seguro que também o mencionou em alguma ocasião. Olivia morria de vontades de lhe perguntar por que se separaram. mas no último momento não foi capaz. -Já chegamos -anunciou Lewis. colocando o carro no estacionamento do Carlingford Court-; Agora temos que encontrar uma cafeteria em um lugar suficientemente conhecido para alimentar a fofoca. Phil Baldwin nos estava olhando por uma das janelas -revelou Olivia enquanto Lewis tirava o carro para a estrada. -E o que? -perguntou este. olhando a de reojo. -Pode pensar que é suspeito que saiamos no meio da tarde juntos. Lewis deu um bufido. -Sem dúvida acredita que todos estão tão obcecados com o sexo como ele. Olivia ficou em silêncio. Não queria acrescentar que Phil haveria sem dúvida notado a ausência de ambos na festa de natal. já que ele tinha estado flertando com ela antes de que se fora em busca do Lewis com a garrafa de champanha na mão. Como nenhum dos dois voltou para a festa. Phil chegaria certamente a qualquer conclusão desagradável. -Sei o que está pensando. Olivia -disse Lewis-. mas pensar algo não é sabê-lo. Além disso. Phil é um supervivente. Dará-se conta de que lançar intrigas contra seu chefe pode ser contraproducente para sua segurança e sua carreira. -Isso espero. -me acredite. se disser alguma inconveniência. irá à rua e ficará sem trabalho. -Claro. Gesso deteria os rumores. verdade? -replicou Olivia ironicamente. Lewis a olhou com olhos brilhantes. -É isto uma nova faceta que desconhecia em ti? Ela se ruborizou e apartou a vista. -Não fique em silêncio. eu gosto das mulheres engenhosas. -Já mim eu não gosto das complicações. -Resulta-te uma complicação trabalhar para mim? -Não. mas sim sair contigo no meio da tarde. Minha intuição não se equivocava ao pensar que tinha que ter deixado o posto faz cinco semanas. -Não o teria aceito. -Você não teria muito que dizer a respeito. Pode que te tenha esquecido. Lewis. mas uma empregada tem direito a deixar o trabalho. -Bom. mas você não vais fazer o.
  31. 31. -Não? -É obvio que não. Você o prohíbo. -O prohíbe -repetiu ela. sonriendo com amargura-. Esta é uma faceta tua desconhecida. Não te há dito ninguém. Lewis. que pode chegar a ser muito egoísta e teimoso? além de amável e generoso. honrado e sincero. Mas não ia dizer se o Já tinha um ego suficientemente grande. -Minha mãe já me há isso dito várias vezes -confessou ele. -Sua esposa não? --quis saber. olhando-o com uma súbita curiosidade enquanto a boca dele se torcia em uma careta. -Seguro que também o mencionou em alguma ocasião. Olivia morria de vontades de lhe perguntar por que se separaram. mas no último momento não foi capaz. -Já chegamos -anunciou Lewis. colocando o carro no estacionamento do Carlingford Court-; Agora temos que encontrar uma cafeteria em um lugar suficientemente conhecido para alimentar a fofoca. Assim foi, apesar de que Lewis escolheu um café com muitas curvas e apartadas. A garçonete chegou logo que se sentaram, possivelmente porque eram os únicos clientes no lugar. Os centros comerciais não estavam acostumados a ter muito movimento uma segunda-feira pela tarde. -Dois cappuccinos -ordenou Lewis-. e duas fatias desse delicioso bolo de cenoura que têm na vitrine. Gosta, Olivia? -Sim, obrigado. A garçonete se foi e Lewis se recostou na cadeira, com os azuis olhos pensativos. -É fácil de agradar. -Sempre agradeço os convites. Ele fez uma careta e ela esboçou um sorriso. Fez-o sem pensar, automaticamente. -Tome cuidado, a gente pode pensar que está flertando comigo. -Que gente? Este sítio está deserto. -Então pode flertar tudo o que queira -respondeu, sem pensá-lo duas vezes. -Meu trabalho não é flertar com meu chefe -murmurou ela, olhando para outra parte. -Não -disse ele com suavidade. -Não o que? -perguntou ela, olhando-o de novo. -Não olhe para outra parte como se tivesse algo do que te envergonhar. Disse-lhe isso uma vez, Olivia, e lhe digo isso de novo: o que passou entre nós foi tanto minha culpa como tua. Teria que te haver detido. estive durante todas as férias tentando descobrir por que não o fiz e ainda não encontrei a resposta. Aquela revelação não fazia mais que confirmar o que Olivia já sabia: que os sentimentos do Lewis para ela não tinham trocado muito. Era evidente que ainda se perguntava e lhe surpreendia o fato de haver-se deixado seduzir por ela daquela maneira. Gesso não era muito adulador para uma mulher. Tampouco permitia albergar esperanças de que pudesse. Repetir-se de novo, e menos que daí pudesse surgir uma relação afetiva verdadeira. Olivia ficou surpreendida do muito que lhe incomodou a confissão do Lewis.
  32. 32. -Por favor, Lewis -disse secamente-. Prometeu-me que falaríamos de qualquer outra coisa. Ele suspirou. Felizmente, o café e o bolo de cenoura chegaram e a tensão do momento desapareceu. Olivia decidiu que estava muito sensível aquele dia. Tinha ouvido que as mulheres grávidas se voltavam irracionais e bastante sentimentais. Era melhor trocar de tema e falar de um pouco mais neutro. -O que aconteceu para que te zangasse tanto? -perguntou enquanto punha dois envelopes de açúcar em sua taça de café. Lewis se encolheu de ombros e se levou a taça aos lábios. -Acredito que perdi a paciência. -Sei, Lewis, mas por que? O que lhe disseram no Harriman's para que pusesse assim? A taça de café do Lewis soou sobre o prato, a nata se balançou perigosamente. -Esse idiota não tem uma só idéia original na cabeça! Acreditou que podia simplesmente copiar o que se feito nos produtos All Man e acrescentar fotos de mulheres atletas para os diferentes produtos. Disse-me como seriam as fotografias e os modelos que tinha em mente. Uma delas era uma mulher muito magra que poderia ser facilmente confundida com um homem. A outra era uma corredora de maratona que parece anoréxica. Quando lhe disse que essa modelo poderia ganhar um concurso do Míster Nova Iorque me disse que lhe resultava bonita. Mas tenho razão! me chame se quiser machista, mas nenhuma dessas mulheres coincidem com a imagem que eu tenho na cabeça. -Já. Quer vender uma imagem sexy, não é assim? -Não necessariamente. Só quero vender produtos. O nome da linha de produtos fala de mulheres femininas, não de anoréxicas ou mulheres de aspecto ambíguo. -por que não escolhe modelos de uns desses calendários femininos? Ou de uma revista de trajes de banho femininos? Lewis entreabriu os olhos. -Isso é sarcasmo, Olivia? Ou é que é feminista? -Eu não gosto dos modelos de mulheres estabelecidos, sobre tudo os que se utilizam nos anúncios. -Crie que tenho feito mal em descartar ao Harriman's? -Não, claro que não. A agência Harriman's faz muito que vive dos prêmios passados. Agora mesmo acredito que estão sobre valorados e que lhes paga um preço que não merecem. Mas se o que quer agora é contratar a uma agência dirigida por mulheres, será melhor que te tire esse machismo antiquado. Ela olhava como se pensasse que se converteu em um marciano. -É assombrosa, sabia? Não só é uma mina de informação, mas também também intuitiva. Acredito que desperdicei seu verdadeiro talento durante estes dezoito meses. Olivia não pôde evitar recordar o dia em que ele tinha aproveitado todo seu talento. -No futuro consultarei contigo temas mais criativos -disse ele, ignorando o rumo de seus pensamentos-. De fato, vou te dar um aumento de salário já te chamar de outra maneira desde hoje. Nomeio-te meu ajudante pessoal. É melhor que secretária, não te parece? E o que opina de um aumento de dez meus dólares ao ano?
  33. 33. -Parece-me que é uma boa base para as fofocas. Ao Phil Baldwin interessará muitíssimo esse aumento de salário. -se preocupa muito pelo Phil Baldwin. E muito das fofocas! -É lógico que diga isso, Você é o chefe. É indispensável para o funcionamento do Altman lndustries e, portanto, para todos os empregados. Eu só sou sua secretária. -Meu ajudante pessoal-corrigiu ele. -O que seja. Lewis se tornou para trás com expressão desgostada. -Trouxe-te aqui para me relaxar, Olivia, não para me pôr mais nervoso. Está-me dizendo que não quer o novo posto ou um aumento de salário? Ela se encolheu de ombros. -Sempre pensei que os títulos não são nada, são palavras vazias quando tudo está dito e feito. Mas pode me chamar como você gosta. -Não me tente. E o que me diz do dinheiro? -Claro que aceitarei o aumento de salário. Não me posso permitir o luxo de escolher. Olivia soube, nada mais dizê-lo, que tinha cometido um grave engano. Lewis se tornou para diante com um gesto de confusão. -O que quer dizer com isso? Tem problemas? Olivia teve que pensar rapidamente em alguma saída. -um pouco. Nicholas e eu estávamos pagando pela metade o piso e agora o terei que pagar eu sozinha. -Quanto pagamentos? Olivia vacilou uns segundos. Em realidade o preço era bastante baixo para a zona. Tinha demorado meses em encontrar um piso tão barato. Embora tinha que admitir que era pequeno e o último piso. além de que dava ao oeste, com o qual era no verão bastante caloroso. Nicholas se tinha queixado freqüentemente, mas Olivia sempre dizia que era preferível queixar-se um pouco e ter algo seguro no futuro. Se dizia ao Lewis o preço verdadeiro, suspeitaria que lhe estava enganando, que era quão último queria fazer. Por outro lado, Lewis era bastante obsessivo quando se enfrentava a um problema, assim tinha que lhe desviar em seguida de seus problemas econômicos. -Duzentos e vinte -mentiu, cruzando os dedos sob a mesa como estava acostumado a fazer o de menina; como se com isso acreditasse que todo ia se solucionar. -Isso não é tanto, considerando a zona. Olivia esteve a ponto de gemer. Deveria ter pensado que para o Lewis não era tanto. -Não me está dizendo toda a verdade, Olivia -disse--. Vejo-o em seus olhos. Esse canalha te deixou dívidas, a que sim? Arrumado a que utilizou seu cartão de crédito ou seu dinheiro e é muito orgulhosa para me dizer isso Olivia consideró si seguirle la corriente, pero finalmente rechazó la idea. Nicholas se había portado mal con ella, pero no merecía aquella fama. Olivia considerou se lhe seguir a corrente, mas finalmente rechaçou a idéia. Nicholas se tinha levado mal com ela, mas não merecia aquela fama.
  34. 34. -Não é isso, Lewis -protestou, então sorriu-. Se me conhecesse, saberia que ninguém, e digo ninguém, nem sequer Nicholas, teve acesso nunca a meu cartão de crédito. -Então que problemas tem? «Seu filho», pensou em silêncio, mas se reprimiu bem a tempo. Procurou alguma outra razão pela que pudesse necessitar dinheiro, mas não encontrou nada. -Meu pai se ficou em parada -explicou finalmente-, e estou tentando lhes ajudar -disse, dizendo uma verdade pela metade. Ela tinha devotado várias vezes dinheiro a sua família, mas sempre se negaram, dizendo que no passado tinham tido que confrontar épocas muito piores. De pequena, ela nunca tinha entendido a negativa de seus pais a aceitar caridade, mas de major se orgulhava daquilo. -Quantos anos tem seu pai? -Quarenta e seis. -E no que trabalha? ~En algo. Não estudou e está acostumado a fazer trabalhos mecânicos. Mas não é estúpido. -Estou seguro de que não, é seu pai. Ela se ruborizou adulada. -O que é quão último fez? - Trabalhar como mineiro no Hunter Valley. antes disso, teve um emprego em uma central elétrica e antes. Na fábrica de aço do Newcastle. Sempre vivemos na zona do Newcastle, mas nos mudamos várias vezes. -Entendo. Então seus pais não têm uma casa própria? - . . . -Não. Têm um pequeno piso alugado no Monsset. por que? -Pergunto-me se poderiam mudar-se. -Ao Sydney, quer dizer? Seria capaz de oferecer a seu pai um trabalho na fábrica? , perguntou-se. -Não necessariamente, mas se poderia pensar. -Para ser sinceros, não acredito que a mamãe gostasse de ir-se da região de Central Coast Area -disse Olivia rapidamente-. Minha irmã Carol vive no Wyong e necessita que minha mãe cuide de seus filhos os fins de semana enquanto vai trabalhar. Logo está minha irmã menor, Sally, que está estudando o último ano de universidade no Morisset High. Não acredito que gostasse de deixar a universidade, especialmente no último ano. -É normal. Bom, deixa que pense e verei o que posso fazer. Tenho vários contatos com outras, fábricas em outros lugares. Algumas vezes não é o que seu sabe, Olivia, a não ser a quem conhece. -Isso... isso seria muito amável por sua parte -balbuciou, emocionada. -Não me agradeça isso ainda, meus motivos são egoístas. -por que? Os olhos do Lewis adquiriram uma expressão ilegível. -Não posso ter a meu ajudante preocupada com dinheiro, não crie? -disse, entre sorvos de café-. Tenho para ela outros planos. E agora termina o café, Olivia, para que te possa levar a despacho de volta e os fofoqueiros possam falar.
  35. 35. Capítulo 7 A SEMANA transcorreu rapidamente. Olivia se passou quase toda na terça-feira organizando as entrevistas do Lewis com as três agências de publicidade que Walter tinha recomendado, embora nenhuma delas estava dirigida exclusivamente por mulheres. Mas sim tinham muitos mulheres na diretiva e como trabalhadoras. Olivia, por instruções do Lewis, pediu que enviassem a uma representante de cada uma delas para uma entrevista preliminar. Também, sob ordens do Lewis, Olivia falou com elas primeiro para lhes comentar um pouco o ponto de vista de seu chefe. A entrevista da quarta-feira não teve os frutos desejados. As idéias da representante não tinham nenhuma originalidade nem atrativo especial do ponto de vista feminino. na quinta-feira foi mais ou menos o mesmo. A representante era uma intelectual esnobe que irritou a Olivia com suas idéias condescendentes sobre as mulheres. A publicitária opinava que só se necessitava um pacote bonito e bem apresentado. A candidata da sexta-feira provocou no Lewis um gesto de surpresa nada mais entrar. Olivia não podia culpá-lo. Certamente, seu aspecto não era o mais indicado para levar a campanha do All Woman. Levava o cabelo muito curto, possivelmente barbeado. Tinha um anel no nariz e outro na sobrancelha. Falou com ela uns minutos. Certamente, tinha uma personalidade vibrante e criativa, mas era impossível confiar em uma mulher que tentava parecer o menos atrativa possível. Além disso, excedia-se dando explicações. Todos se tinham partido no Altman Industries quando terminaram a entrevista. Olivia a conduziu para a porta pouco antes das seis, despedindo-se amavelmente dela. Quando Olivia entrou no despacho do Lewis, este fez um gesto negativo com a cabeça. -caramba, Olivia! Pode me chamar machista se quiser, mas prefiro uma mulher que pareça uma mulher, não uma andrógina com aspecto de refugiada por suas roupas de loja de segunda mão. Olivia pensava o mesmo, mas as palavras do Lewis a incomodaram. Não deveria havê-lo tomado como uma crítica, mas o fez. -Não acredito que uma mulher deva ser julgada por seu aspecto -replicou-. Não o faria com um homem. -É obvio que o faria. E o tenho feito. Se esquece do menino com o que tive que ir comer hoje! Olivia teve que sorrir. Lewis tratava com o mesmo desdém que seu pai aos homens que não eram muito viris. . -Falando de comida -continuou Lewis, levantando-se da mesa e estirando-se-. Não comi muito hoje, morro de fome. O que te parece uma fonte de fruto do mar acompanhada de um bom vinho branco? -Não sei o que te dizer -murmurou Olivia. Ainda se sentia bastante bem de seu embaraço, mas tinha um desejo constante por ostras, o qual era horrível porque provavelmente tinha sido uma ostra maligna a que a tinha metido em toda aquela confusão. -Você gosta do fruto do mar? -quis saber Lewis.

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