PRESENTE DE UMA NOITE 
The Ruthless Caleb Wilde 
Sandra Marton 
Selvagens por natureza! 
O insensível advogado Caleb Wilde...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
2
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Querida leitora, 
Mesmo o homem mais sério do mundo...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
4 
CAPÍTULO UM 
Caleb Wilde se esforçava ao máximo ...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
5 
aos irmãos, naquela manhã. 
— Você certamente es...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Na verdade, fora um pouco rude com ela. Mas, afinal...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
— Estou sendo paga para falar com você — retrucou a...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
8 
estava mesmo empolgada. 
E os funcionários que a...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Caleb deixou o piso superior, pousando o copo na pr...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Foi tudo que precisou para o homem cair para trás, ...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
bem? — A garçonete ergueu o olhar para encará-lo. O...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
— Por que eu a deixaria pagar? 
- Não. Quero dizer,...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Aquele homem era incrivelmente belo. Não no sentido...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
14 
certamente precisava de... alguma coisa. 
De um...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
O comentário o premiou com um discreto sorriso. 
— ...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Caleb soltou uma risada. 
— Obrigado... acho — resp...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Para o inferno com a educação! 
— Não — respondeu, ...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
18 
a porta da frente, Caleb estendeu a mão. — Suas...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
O outro sorriu, exibindo dois dentes de ouro na fre...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
20 
significasse algo mais? 
— Sage? Você está bem?...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
fechou a porta e a trancou. — Para ser sincera... a...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
22 
sobre o encosto de uma cadeira estofada que já ...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Caleb retirou o celular do bolso e falou com o moto...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
24 
CAPÍTULO TRÊS 
A luz vinda da rua lançava uma s...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Sabia a resposta certa para aquela pergunta. Fechou...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Caleb tinha vontade de erguer aquele pé, levá-lo à ...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Aquilo era ridículo. 
Sage limpou a garganta. 
— Eu...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
— Eu estou machucando você? 
— Não. — Ela se apress...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
29 
sedosos pressionados aos dele, a ereção rígida ...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Lençóis brancos. Fronhas brancas. Edredom branco. A...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Os músculos internos de Sage se contraíram em torno...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Sim, de quê? 
Caleb virou as costas para a porta da...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
— Não! Não é o que está pensando... 
Caleb soltou u...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
34 
CAPÍTULO QUATRO 
Travis Wilde estacou do lado d...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Travis endireitou a gravata e limpou a garganta. Em...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
— Algumas pessoas estão. E já ouviu falar em bater ...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
— Como um carro? 
Travis sorriu. 
— Exatamente como...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
Caleb ouviu a porta bater e deixou escapar um suspi...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
atirou na direção do irmão. — Todos têm, incluindo ...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
40 
da porta de algo novo quando acordara nos braço...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
41 
CAPÍTULO CINCO 
O toalete feminino no St. Regis...
Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 
E certamente fizera aquilo. 
Quando descobrira que ...
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
02 presente de uma noite
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

02 presente de uma noite

887 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
887
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
20
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

02 presente de uma noite

  1. 1. PRESENTE DE UMA NOITE The Ruthless Caleb Wilde Sandra Marton Selvagens por natureza! O insensível advogado Caleb Wilde tem um temperamento implacável e uma inteligência afiada como navalha... Anos de trabalho incessante endureceram o coração de Caleb... Até que uma noite em Nova York mudou tudo. Agora ele é assombrado pela lembrança de lençóis amarfanhados, ondas de prazer e uma mulher inesquecível: Sage Dalton. A sereia de seus sonhos é, na verdade, a única pessoa que o fez de bobo. Mas, ainda assim, nada consegue aplacar seu desejo ardente por ela. Ao descobrir que Sage tem algo muito precioso que lhe pertence, um presente da noite que passaram juntos, Caleb irá reivindicar aquilo que lhe é de direito! Digitalização: Silvia Revisão: Andréa M.
  2. 2. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 2
  3. 3. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Querida leitora, Mesmo o homem mais sério do mundo possui um coração sensível e ansiando pelo amor de uma mulher. Caleb sucumbiu à paixão ao passar uma noite inesquecível com Sage. Mas agora ele deseja mais. E se tornará mais insistente quando descobrir o segredo que ela esconde dele há algum tempo... Boa leitura! Equipe Editorial Harlequin Books 3 Tradução Vera Vasconcellos HARLEQUIN 2013 PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.à.r.l. Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte. Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Título original: THE RUTHLESS CALEB WILDE Copyright © 2012 by Sandra Marton Originalmente publicado em 2012 por Mills & Boon Modern Romance Projeto gráfico de capa: Nucleo i designers associados Arte-final de capa: Isabelle Paiva Editoração eletrônica: EDITORIARTE Impressão: RR DONNELLEY www.rrdonnelley.com.br Distribuição para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil: FC Comercial Distribuidora S.A. Editora HR Ltda. Rua Argentina, 171,4° andar São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ — 20921-380 Contato: virginia.rivera@harlequinbooks.com.br
  4. 4. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 4 CAPÍTULO UM Caleb Wilde se esforçava ao máximo para dar a impressão de que estava se divertindo. Não havia dúvida de que deveria estar. Encontrava-se em Nova York, uma de suas cidades favoritas, em uma festa que acontecia em uma boate do SoHo, tão na moda que a porta não possuía nenhuma identificação. Não que “na moda” fosse o termo que ele escolheria para rotulá-la. “Ostentosa” seria mais adequado, mas, afinal, o que ele sabia? Caleb suprimiu um bocejo. O cérebro parecia ter tirado férias. Não por causa do barulho, embora o som no enorme salão atingisse níveis estratosféricos, mas o que se poderia esperar de um DJ tão famoso a ponto de dar autógrafos nos intervalos do show? Também não se devia à bebida alcoólica. Caleb estivera com o mesmo copo de uísque na mão durante quase toda a noite. E definitivamente não por achar a festa entediante. O cliente, o qual Caleb viajara até ali para ver, estava comemorando 40 anos. A boate estava lotada de pessoas importantes. Administradores de fundos de cobertura, banqueiros internacionais, mandachuvas da mídia, astros e estrelas de Hollywood, realeza europeia. De segundo escalão, mas, ainda assim, realeza. E, claro, a cota exigida de beldades femininas. O problema era que Caleb estava muito cansado para apreciar qualquer uma delas. Estava na ativa desde antes do amanhecer. Tivera uma reunião às 7h com um cliente em seu escritório de Dallas. Às 10h, encontrara-se com os irmãos no rancho Wilde. Em seguida, voara para Nova York em um dos jatos particulares da família. Jantara e tomara alguns drinques com um colega dos tempos nebulosos em que trabalhara para a CIA. Caleb suprimiu outro bocejo. “Cansaço” não definia nem de longe o que sentia. Estava quase dormindo em pé. Sua presença ali, naquela noite, se devia apenas às obrigações sociais. Obrigações sociais e curiosidade. Havia pouco tempo, Caleb celebrara o próprio aniversário com um churrasco no rancho, ao lado dos irmãos e da cunhada. Recebera telefonemas das irmãs e outro do general... o último, dois dias depois, mas, afinal, quando alguém tinha um mundo a administrar, estava sempre ocupado. Tudo fora muito divertido, tranquilo e relaxado. Nada que se comparasse à festa em que se encontrava. — Esse cara está ficando velho para frequentar boates da moda — Caleb dissera
  5. 5. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 5 aos irmãos, naquela manhã. — Você certamente está — retrucara Travis, com expressão séria. — Bem, sim Quero dizer, não. Não exatamente. Quero dizer... — Sabemos o que quer dizer — acrescentara Jacob, com a mesma expressão de Travis. — É um dinossauro. — Sem dúvida. Podemos ouvir seus ossos estalarem. Os dois irmãos haviam trocado olhares significativos e, em seguida, começado a rir. — Estão parecendo uma dupla de mocinhas — dissera Caleb, esperando soar indignado. Os três sorriram e a discussão acabou por aí. Os irmãos deram início ao processo de dar cotoveladas e bater com as mãos espalmadas umas nas outras, gesto que homens adultos faziam quando se amavam. Em seguida, Caleb dissera, com um suspiro exagerado, que faria o grande sacrifício de ir à festa. — E depois nos conte como foi — Travis acrescentara, agitando as sobrancelhas. — Porque nós, igualmente macacos velhos, queremos todos os detalhes. Caleb ergueu o copo de uísque e o levou aos lábios, tomando um gole. Até então, os detalhes não diferiam do que esperara. No piso superior, onde estava, encontrara seu anfitrião e se engajara nos dois minutos de conversa gritada necessária. De lá, tinha uma visão de tudo que acontecia na pista de dança. O piso superior estava lotado, mas não se comparava ao que acontecia lá embaixo. O DJ se encontrava empoleirado em uma plataforma. As luzes ofuscantes pulsavam. O que parecia ser uma multidão de mil corpos suados se agitava ao som da música. Muitas das mulheres, todas espetaculares, mostravam interesse suficiente para lhe lançar sorrisos e olhares que apenas um defunto não saberia interpretar. O que não era nenhuma surpresa. Mas aquele efeito não era obra dele, e sim do DNA Wilde, uma mistura de centurião romano e sangue viking misturado com um pouco do que provavelmente seria Comanche e Kiowa. As irmãs Wilde provocavam os irmãos sem misericórdia sobre a aparência deles. — Oh, oh, oh — Jaimie costumava dizer, em uma perfeita imitação de uma donzela vitoriana desfalecida. — Aguente firme, coração! — Emily suspirava, com a mão espalmada no meio do peito. — Tão altos, tão morenos, tão perigosos. — Essa era a frase de Lissa, dita com toda a carga dramática de uma estrela de cinema. E aquele era o perfeito território Wilde. Tantas beldades femininas... Porém, naquela noite, Caleb não estava interessado. — Sou apenas um rapaz do campo vindo do Texas — dissera para uma loira que se insinuara para ele, havia pouco, forçando um sotaque interiorano. Aquilo fora o suficiente para afugentá-la.
  6. 6. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Na verdade, fora um pouco rude com ela. Mas, afinal, que tipo de mulher adejava os cílios para um homem e perguntava em uma voz sussurrada, que Caleb desconfiava ser usada para conquistar, se ele era alguém rico e famoso que ela deveria conhecer? Na verdade, ele era. Certamente rico. E famoso também, nos círculos jurídicos e 6 corporativos. A abordagem da loira fora ao menos sincera. E decididamente diferente. Em outra ocasião o teria feito rir, dizer que era as duas coisas e perguntar o que ela faria quanto a isso. Mas não naquela noite. Naquele momento, pensou, relanceando o olhar ao relógio de pulso, o que queria era que se passassem mais 30 ou 35 minutos para poder ir embora. E então poderia encontrar seu anfitrião, se aquilo fosse possível, dizer-lhe que se divertira, mas tinha uma reunião bem cedo no dia seguinte em Dallas e, sentia muito, mas não poderia ficar por mais tempo. — ... para você? Caleb girou. Havia uma moça parada logo atrás dele. Bonita, não espetacular. Não em uma multidão de beldades como aquela, mas era bonita. Alta, loira, com enormes olhos azuis. E muita maquiagem. Demais para seu gosto. Não que seu gosto importasse. Bonita ou não, Caleb não estava disposto. — Desculpe — respondeu ele. — Mas terei de partir em breve. A moça se inclinou um pouco para a frente. Os seios lhe roçaram de leve o braço, mas ela recuou com rapidez. Embora breve, o contato teve o impacto de uma descarga elétrica para Caleb. A moça falou outra vez, mas ele não conseguiu escutar graças à música. Porém, certamente lhe dirigiu um segundo olhar. O que diabos era aquela coisa que ela estava usando? Um vestido ou algo que poderia ser considerado um vestido caso se acrescentasse mais 30 centímetros de tecido no comprimento. Era preto. Ou azul-marinho. Iridescente ou brilhante. Ou talvez fosse o efeito das luzes. De qualquer forma, a peça de roupa parecia ter sido colada nela. Alças finas e um pecaminoso corpete decotado que revelava a curva perfeita dos seios. Os olhos de Caleb baixaram até onde o vestido terminava, no topo das coxas. Surpreso, ele sentiu o corpo e o cérebro emergirem da apatia. Caleb sorriu, mas a moça permaneceu séria. — Sou Caleb — disse ele. — Não entendi seu nome. Os enormes olhos azuis adotaram a consistência de um iceberg. — Não lhe disse meu nome. Bastava daquela conversa. Aquela mulher podia estar disposta a jogos de sedução, mas ele não estava. — Nesse caso — disse, em seu melhor tom de intimidar testemunhas -, por que está falando comigo?
  7. 7. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) — Estou sendo paga para falar com você — retrucou a moça, com a voz tão fria 7 quanto o olhar. — Bem, isso é bem direto, mas posso lhe garantir, moça, que não estou interessado... — Sou paga para perguntar o que está bebendo e lhe trazer outra dose. — Dessa vez, o olhar que ela lhe lançou refletia uma satisfação pétrea. — Sou uma garçonete, senhor. Acredite-me, não teria lhe dispensado um segundo olhar se não fosse esse o caso. Caleb pestanejou, confuso. Ao longo dos anos, algumas mulheres o haviam dispensado. A menina no quinto ano, Carrie ou Corey, algo assim, que o tinha esmurrado depois que ele debochara dela sobre alguma coisa durante o recreio. E uma ex-amante, que lhe dissera exatamente o que fazer com os brincos de safira de despedida que ele lhe enviara depois que ela o pressionara para determinar uma data para o casamento. Mas nenhuma delas o colocara em seu devido lugar como aquela moça. Deveria estar zangado. Mas não estava. A verdade era que admirava a insolência da loira. Aquele rosto, aquele corpo, aquele vestido... provavelmente fora importunada uma dúzia de vezes naquela noite, até que, por fim, pensara: basta! Não era tolo para pensar que aquela moça teria conseguido evitar o assédio, vestida daquela forma. Caleb preferira cursar a faculdade de Direito em vez de tocar no dinheiro do pai ou na herança que a mãe lhe deixara. Nessa época, trabalhara como entregador de pizza, garçom e balconista em um bar no campus da universidade. Conhecia o padrão de vestimenta para os garçons e as garçonetes de bares. Ao contrário dos homens, as mulheres sempre tinham de usar roupas mais ousadas e reveladoras naquele tipo de estabelecimento. Ou eram demitidas. A discriminação sexual ainda estava a todo o vapor na América do século XXI, Como advogado e homem, Caleb sabia disso. Ainda assim, achava que merecia coisa melhor do que ser tratado como algum tipo de predador. E disse isso à loira. A garçonete ergueu o queixo. — Isso significa um “não” para mais um drinque? — perguntou ela, em um tom de voz frio. — Exatamente — respondeu Caleb, virando-lhe as costas, tomando mais um gole do copo que tinha na mão e se acomodando para observar o cenário pelos próximos 15 ou 20 minutos. Não houvera muita mudança daquele que encontrara ao chegar. Muitos corpos roçando uns nos outros. Movimentos que eram quase tão divertidos na vertical quanto seriam se estivessem sendo executados na horizontal. A multidão
  8. 8. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 8 estava mesmo empolgada. E os funcionários que a servia também Não havia reparado neles antes, mas agora conseguia identificá-los, sem nenhum esforço. Homens de boa aparência, sem camisa, usando calça comprida preta, riam com os clientes mais simpáticos e davam atenção às mulheres que flertavam com eles. Mulheres belas, com cópias do vestido da loira que o abordara há pouco. Porém, nenhuma das garçonetes era tão bela ou tinha a mesma postura dela. Era fácil identificar a loira, mesmo em meio àquela multidão. O cabelo estava preso no topo da cabeça, formando uma massa de cachos. Além disso, havia a forma como ela se conduzia. Alta. Orgulhosa. A postura quase rígida. Esquecia-se de que estava vestindo aquela coisa extremamente sexy. Era a conduta dela que falava mais alto e dizia: mantenha-se a distância. Caleb descobriu seu olhar cravado nela. Viu o que aconteceu quando ela se aproximou de uma das minúsculas mesas que ladeavam a pista de dança. Um dos otários sentados lá ergueu o olhar, sorriu, disse algo e pousou uma das mãos nos quadris da garçonete loira. A moça saltou para trás como se a mão do cliente fosse um escorpião. Caleb observou quando ela abriu caminho através da pista de dança lotada, com uma pequena bandeja prateada cheia de drinques nas mãos, e outro idiota lhe passou a mão nas nádegas. A loira conseguiu dar um passo à direita e cravar o salto do sapato no dorso do pé do homem. Sem entornar uma única gota das bebidas. Caleb sorriu. Aquela moça sabia se defender... Ao menos, estava conseguindo, até que o mesmo idiota a seguiu, encurralou em um canto que se encontrava vazio por algum milagre e lhe disse alguma coisa. A loira fez um gesto negativo com a cabeça. O homem disse outra coisa e a tocou. Uma apalpadela rápida em um dos seios. O sorriso de Caleb desapareceu. Ele se ergueu, tentando ver melhor, mas as pessoas passavam diante dos dois, se interpondo em sua linha de visão. Muito bem. A loira conseguira escapar. Movia-se o mais rápido possível, dirigindo-se ao que devia ser a porta de serviço. Mas o homem a seguiu e alcançou a porta no mesmo segundo que ela. Em seguida, segurou-a pelos ombros e a puxou contra o corpo. A loira resistiu, mas foi inútil. O homem era muito grande e determinado. Provavelmente estava sob o efeito de drogas ou bebida. Agora, tinha uma das mãos no seio da moça e a outra — droga! — entre as pernas dela. A raiva fez o sangue de Caleb ferver. Ninguém via o que estava acontecendo? Seria ele o único que percebia que aquilo não era um homem fazendo o papel de bobo, mas sim... uma tentativa de estupro?
  9. 9. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Caleb deixou o piso superior, pousando o copo na primeira mesa pela qual passou. Abriu caminho pela multidão e desceu a escadaria mais próxima. Da mesma forma como passava pelos defensores em seus dias de atacante no time de futebol do ensino médio. Onde ela estava? Caleb era alto, tinha 1,90m, mas era quase impossível avistá-la em meio àquela 9 multidão. Conseguiu ver a porta. Mas nada além disso. A loira havia sumido. Assim como o homem Caleb olhou ao redor. Nada. Muito bem Respirou fundo. Algum bom samaritano tinha que ver o que estava acontecendo e colocar um fim àquilo. Ou... Deus do céu! Alguém abriu porta de serviço, recuou apressado e a largou, oscilando, até fechar. O tempo decorrido foi talvez três segundos... mas o suficiente para ele ver o que precisava. A porta não levava à cozinha, mas sim a algum tipo de armário amplo e imerso em penumbra. Provavelmente, um depósito. Lá dentro, a garçonete loira se encontrava pressionada à parede, lutando contra o homem que assomava sobre ela. Caleb correu na direção da porta, escancarou-a e disse algo grosseiro em tom alto. O homem girou na direção dele. — O que, diabos, você quer? — rosnou ele. — Isso não é da sua conta. Vá embora daqui! Caleb dirigiu o olhar à mulher. Os olhos azuis estavam arregalados, o rosto, pálido apesar das camadas generosas de maquiagem Uma das alças do vestido estava arrebentada e o corpete caía. — Você está bem? — Ele ia... — A voz da garçonete falhou. — Ele ia me... — Ei, amigo. É surdo? Disse para você sumir daqui... O homem era quase do tamanho de Caleb e também tinha a mesma compleição musculosa. Mas havia uma diferença. Um deles era só lascívia e ego. O outro era todo raiva justificada. Caleb se projetou para cima do homem Não demorou muito tempo. Alguns rápidos ganchos de direita, um de esquerda no abdome e o bastardo se desequilibrou, levando as mãos à barriga. — Estava apenas me divertindo — disse o homem Caleb exibiu um sorriso largo. — Eu também — E o golpeou uma última vez.
  10. 10. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Foi tudo que precisou para o homem cair para trás, colidir contra a parede e descer lentamente até ficar estirado ao chão, onde era seu lugar. Ao lado dos pés da garçonete. Caleb olhou para a forma caída, limpou as mãos na calça comprida e dirigiu o olhar 10 à mulher. Ela se encontrava ainda mais pálida do que há instantes atrás. — Ei! — disse ele, em tom de voz suave. Os imensos olhos azuis voaram para o rosto de Caleb. — Está tudo bem A garganta da garçonete se contraiu enquanto ela engolia em seco. — Ele... me perseguiu a noite toda. As palavras saíram em um sussurro enferrujado. Ela começava a tremer. Caleb soltou um palavrão baixo, retirou o blazer do terno e lhe entregou. — Vista isso. — Eu tentei afastá-lo, mas ele não me deixava em paz. — Um tremor lhe varou o corpo e ela voltou a fixar o olhar em Caleb. — E então, ele... me agarrou. E... me arrastou para cá. E... e... Caleb deu um passo à frente e começou a lhe envolver os ombros com o blazer. A garçonete se sobressaltou com o toque de suas mãos. — Calma — disse ele, com a mesma suavidade com que costumava domar as potrancas quando era garoto e trabalhava com os peões em El Sueno. Com muito cuidado, Caleb colocou o blazer em torno dos ombros da garçonete. A peça a cobriu do pescoço aos joelhos. — Coloque os braços nas mangas. A loira obedeceu. Com ainda mais cautela, procurando não deixar que as mãos a tocassem, ele juntou as lapelas e fechou os botões. Embora trêmula, ela não ofereceu resistência. O agressor gemeu. Caleb baixou o olhar ao homem, cujo nariz sangrava e se encontrava em um ângulo torto no rosto. Um dos olhos havia se fechado pelo inchaço. Não era o suficiente, pensou Caleb com frieza. A mulher pareceu pressentir sua intenção e lhe tocou o braço. — Por favor, pode me tirar deste lugar? — Devo chamar a polícia? A garçonete negou com a cabeça. — Não. A publicidade... E... ele não... ele não... conseguiu fazer mais do que... me tocar. Você chegou antes que ele pudesse... — Ela inspirou profundamente. — Quero apenas ir para casa. Caleb assentiu com a cabeça. Era uma excelente ideia... até ele pensar em passar pela multidão que se aglomerava na boate. — Existe alguma saída nos fundos? — Sim. É aquela porta, atrás de você. Dominado pela raiva, Caleb não havia notado a porta, mas agora a via na parede dos fundos. — Vou colocar o braço em seus ombros — disse ele. — Apenas por segurança. Está
  11. 11. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) bem? — A garçonete ergueu o olhar para encará-lo. O rosto estava manchado pelo rímel, os lábios tremiam e Caleb pensou que nunca vira mulher mais bela em toda sua vida. — Está bem? — repetiu ele. — Sim Caleb lhe envolveu os ombros com um dos braços. Ela enrijeceu o corpo, mas não 11 se soltou. Os dois caminharam em direção à porta e ele a abriu. Do lado de fora, a rua estava escura e deserta. Caleb havia cruzado muitas ruas como aquela em seus dias de CIA e todos os seus sentidos vieram à tona. — Mantenha-se perto de mim — disse ele, em tom suave. A garçonete se grudou a ele quando a porta se fechou. Parecia delicada, quase frágil, na curvatura dos braços de Caleb. Ele teve vontade de voltar à boate e arremessar o punho contra o rosto do bastardo que a machucara. Mas não poderia. A moça precisava dele. E ele precisava de um transporte. Havia chegado ali de táxi, mas, ao que parecia, levaria muito tempo até que algum cruzasse o caminho deles. Os dois se encaminharam à esquina. Caleb pegou o celular e discou o número pré-programado do serviço de veículos particulares que utilizava quando se encontrava em Nova York. Estava com sorte. Uma das limusines acabara de deixar alguém a apenas alguns quarteirões dali. Enquanto esperavam, Caleb a mantinha colada a ele. Levou apenas alguns minutos para que o longo carro preto parasse no meio-fio. O motorista saiu do veículo e abriu a porta de trás. A moça girou na direção de Caleb. — Obrigada. — Não há de quê — retrucou ele, sorrindo. — Nem ao menos sei seu nome. Caleb ficou tentado a dizer que se apresentara a ela mais cedo, mas era evidente que a moça não se lembrava do incidente. Além disso, não se orgulhava do que acontecera. — Caleb — disse ele. — E você é...? — Sage. O nome combinava com ela. Era forte. E lindo. Assim como ela. Por que a achara apenas bonita quando a vira pela primeira vez? Até mesmo agora, com manchas pretas sob os olhos, aquela mulher tinha uma aparência adorável. — Bem — repetiu ela. — Obrigada por... — Fez uma pausa, corando. — Oh. — O que foi? — Quanto esse transporte custará? — Ela bateu de leve em uma peça enfeitada com lantejoulas que lhe adornava o pulso e que ele julgara ser um bracelete. — Guardo meu dinheiro e minhas chaves comigo. Ninguém pode confiar nos armários, portanto... o negócio é o seguinte, tenho dinheiro, mas acho que não será o suficiente para pagar...
  12. 12. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) — Por que eu a deixaria pagar? - Não. Quero dizer, não poderia permitir que você... — Eu iria pedir um carro de qualquer forma — mentiu ele. — Acompanhá-la até sua 12 casa será apenas um pequeno desvio. — Acompanhar-me...? — Ela fez um gesto negativo com a cabeça. — Quer dizer, ir comigo? — Caleb assentiu. — Oh, não — Sage se apressou em dizer. — Sério, isso não é... — É, sim — retrucou Caleb em tom de voz suave, porém determinado. — Eu a acompanharei até a porta de sua casa e me certificarei de que ficará segura. Só então partirei. — Sage mordeu o lábio inferior. Caleb quase podia ler-lhe os pensamentos. Iria ele se transformar em um pesadelo ainda pior? — Palavra de escoteiro — disse ele, porque não lhe ocorria nenhuma forma de convencê-la de que suas intenções eram honradas. Além disso, tornar a atmosfera mais leve era melhor do que ceder à raiva que ainda fervilhava dentro dele. Por fim, Sage assentiu. — Obrigada, mais uma vez. — Ela girou e começou a entrar na limusine, mas tornou a virar para encará-lo. — Devo preveni-lo de que moro no Brooklyn. A forma como ela dissera aquilo dava a impressão de que estava se referindo à Mongólia Exterior. — Tudo bem — disse ele, o mais sério possível. — Minhas vacinas estão todas em dia. Sage o encarou por alguns segundos e soltou uma risada. Um som hesitante, mas, ainda assim, ouvi-lo o fez se sentir bem — Você é um cara legal — disse ela, em tom de voz suave. Ele? Legal? Caleb Wilde, ex-espião? Caleb Wilde, o advogado corporativo? Fora chamado de inteligente, de brilhante. Ousado. Diabos, até mesmo de implacável... — Obrigado — disse ele, com sinceridade. — Não há de quê. Os dois trocaram um sorriso. Sage clareou a garganta. — Eu não... não gosto nem de pensar no que poderia ter acontecido se você não... — Então, não pense. — Caleb se apressou em dizer. — E não falaremos sobre isso. Combinado? — perguntou, estendendo a mão. Sage fixou o olhar na mão estendida. Em seguida, aceitou-a com um gesto lento. Os dedos longos e a palma da mão de Caleb engolfaram a dela. NÃO era nenhuma surpresa, pensou Sage, enquanto entrava na limusine. Seu salvador era um homem grande. Não apenas alto, mas grande no sentido de um homem em ótima forma física. Também era alta e estava usando sapatos de salto alto, mas, ainda assim, tinha de inclinar a cabeça para trás para lhe ver o rosto. E que rosto!
  13. 13. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Aquele homem era incrivelmente belo. Não no sentido de um menino bonito, como 13 muitos outros homens naquela cidade, mas de uma forma agressivamente masculina. Não que aquilo tivesse alguma importância. Grande. Valente. Destemido. E viera em seu socorro quando ninguém mais tentara. Muitas pessoas viram o que acontecera. Que um homem a havia quase arrastado até o depósito. Ela resistira, chutando-o e o socando, mas as pessoas que viram haviam decidido que aquilo devia fazer parte de algum jogo sexual ou não quiseram se envolver. Alguém abrira até mesmo a porta, soltara uma risada e dissera: — Ei, desculpe pela intromissão! Se aquele estranho não chegasse... — Sage? Pestanejando, ela o encarou. — Seu endereço — disse ele, em tom de voz gentil. Pelo tempo de uma batida do coração, apesar de tudo que estivera pensando, Sage hesitou. Caleb lhe cobriu a mão com a dele, sobre o couro macio do assento do carro. — Prometo — disse ele. — Que pode confiar em mim E Sage, que vivia há tempo suficiente para saber que não devia, exibiu um sorriso trêmulo para seu herói e decidiu que poderia. CAPÍTULO DOIS O tráfego estava intenso enquanto cruzavam Manhattan, mas voltou a diminuir quando transpuseram a Brooklyn Bridge. Agora a limusine se movia rapidamente pelas ruas escuras. Sage estava silenciosa. A breve risada que Caleb conseguira arrancar dela há muito se dissipara. Encontrava- se encolhida na extremidade do banco comprido. O rosto, virado para a janela. Tudo que ele podia ver era a nuca e a rigidez dos ombros delicados sob o blazer que lhe emprestara. E as pernas muito longas. Diabos! Não deveria pensar sobre aquelas pernas. Não em um momento como aquele. Sage tivera uma experiência terrível. De alguma forma, pensar nela como mulher naquele momento lhe parecia errado. O que ela precisava era... o quê? Caleb se sentia impotente. Sage não quisera chamar a polícia e ele podia entender seus motivos, mas
  14. 14. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 14 certamente precisava de... alguma coisa. De um chá quente? Um conhaque? Alguém para conversar? Um abraço? Sage lhe permitira abraçá-la, mas apenas por um minuto. Era um estranho. Do sexo masculino. A última coisa que ela desejaria era estar em seus braços. O problema era que todos os instintos de Caleb lhe diziam para esticar a mão, puxá-la para perto e lhe acariciar o cabelo. Passar um pouco de sua força para ela. Se ao menos pudesse tirá-la daquele estado de apatia. Fazê-la dizer alguma coisa. Vasculhou o cérebro à procura de algo para dar início a uma conversa. “O que está achando desse tempo?” parecia-lhe inadequado. Além disso, Sage não parecia disposta a conversa fiada. A verdade é que ele também não estava. A mandíbula de Caleb se contraiu. Ainda fervilhava de raiva. Deixara que o patife que a atacara saísse tranquilo da situação. Um homem que tentava se impor a uma mulher merecia ser surrado até quase à morte. Caleb deixou escapar um profundo suspiro. Porém, varrer o chão com aquele bastardo apenas a teria deixado mais aterrorizada. A melhor coisa fora tirá-la de lá o mais rápido possível. Mais uma vez, dirigiu o olhar a Sage. Ela havia puxado as pernas para baixo do corpo e estava trêmula. Caleb se inclinou para a frente. — Motorista? Desligue o ar-condicionado, por favor. Sage girou rapidamente na direção dele. — Não, por favor. Não por minha causa. Caleb forçou um breve sorriso. — Ora — disse ele, tentando soar casual. — Estou fazendo isso por mim. Estou quase congelando. Vocês, nortistas, parecem ter mania de arrepios. Os olhos azuis, arregalados e quase luminosos no interior sombrio do veículo lhe procuraram o rosto. — É mesmo? — Ora — disse ele, forçando o sotaque texano pela segunda vez naquela noite, disposto a fazer o que fosse necessário para que ela continuasse falando. — Sou um rapaz do Texas. Porém, o artifício não funcionou. Ela se limitou a assentir e dizer “Oh”, antes de voltar mais uma vez o olhar à janela. Caleb deixou passar alguns minutos e voltou a tentar. — Então — começou, com animação forçada. — Estamos no Brooklyn agora, certo? Era uma pergunta estúpida, que merecia uma resposta tola, mas Sage era muito educada para dá-la. Em vez disso, girou na direção dele. — Sim. Caleb assentiu com a cabeça. — Em que parte você mora? — É um lugar chamado East New York. — Nome interessante.
  15. 15. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) O comentário o premiou com um discreto sorriso. — É um bairro interessante. — Que significa...? — Já esteve no Brooklyn antes? — Serve um open house em Park Slope talvez sete ou oito anos atrás? — A pergunta o agraciou com outro sorriso vago. Caleb teve vontade de erguer o punho no ar em um gesto de vitória, mas se conformou em retribuir o sorriso. — Claro que não. Park Slope é luxuoso. Cheio de advogados, economistas... O que 15 foi? — Era a profissão da pessoa que eu estava visitando naquela noite — explicou Caleb. — Um advogado amigo meu, cuja esposa é uma contadora pública. — Não me diga que você é um contador público! — Não sou. — Caleb sorriu. — Sou advogado. — Também não parece ser advogado. — Por que não? Sim, por que não? Bem, porque advogados e contadores públicos deviam ser frios e lógicos, certo? Porém, aquele homem agira influenciado por puro instinto. Protegera-a e a salvara. Sage detestava até mesmo o conceito da violência, mas ver Caleb nocautear seu agressor lhe causara um frisson. O comportamento dele era tão masculino. Bruto, embora terno. A combinação mais sexy possível. Era verdade que não possuía grande conhecimento sobre os homens — bem, exceto por David, a quem adorava -, mas era impossível imaginá-lo cuidando dela como Caleb. Tinha quase certeza de que fora ele o cara que a aborrecera no piso superior da boate, mas, no final das contas, Caleb fora o único homem que conseguiria enxergar além de seu vestido indecente e ir em seu socorro. Agora estava tentando fazê-la relaxar. Aquela era a finalidade daquela conversa trivial. Sage apreciava os esforços de seu salvador, mas o que realmente desejava era se enroscar em um canto e fingir que não estava ali, como costumava fazer quando criança. Mas Caleb não lhe permitiria. E provavelmente estava certo. Fingir que algo não estava acontecendo não funcionara quando era uma menina e não estava funcionando agora. — ... ainda estou esperando — dizia ele. Sage pestanejou, confusa. — Esperando? — Claro. Se é bom ou ruim o fato de não achar que pareço um advogado. Caleb estava sorrindo e o coração de Sage sofreu uma discreta aceleração. Aquele homem era dono de um sorriso espetacular. E incrivelmente belo. — Aquele soco de direita que deu — disse ela, afastando todos aqueles pensamentos absurdos da mente. — Não é típico de um advogado.
  16. 16. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Caleb soltou uma risada. — Obrigado... acho — respondeu, percebendo os lábios de Sage se curvarem em um breve sorriso. Excelente, mas o silêncio voltou a reinar no interior do veículo. Aquilo não era bom, pensou ele enquanto a mente funcionava a todo vapor para encontrar outra forma de recomeçar a conversa. Aquele pequeno diálogo tivera um efeito positivo. Sage tinha a postura um pouco 16 mais relaxada. Diga alguma coisa, Wilde, pensou ele, limpando a garganta. — Então, se Park Slope é luxuoso, onde você vive é... ? A velocidade da limusine reduziu até parar ao meio-fio. — Chegamos, senhor — disse o motorista. Caleb olhou pela janela, observando a rua e os prédios que se enfileiravam um do lado do outro. Em seguida, dirigiu o olhar a Sage. — É aqui que você vive? Mas logo percebeu que empregara o tom errado. Sage enrijeceu o corpo, dessa vez indignada. Porém, que reação poderia ter um homem quando acompanhava uma mulher à porta de casa e a tal porta se localizava no que poderia ser chamado de um cortiço, para ser generoso? Encontravam-se em frente a uma construção de quatro andares. O prédio era um dentre uma fileira de construções idênticas, coladas umas as outras como contas em uma corrente. Caleb podia ver as janelas cobertas por ripas de madeira. Barras de ferro enferrujadas. Degraus débeis que levavam a sacadas ainda mais frágeis. A rua era longa, estreita, com alguns postes de luz apagados. O lugar parecia uma propaganda da deterioração urbana. O que não se conseguia ver eram pessoas. Era tarde, claro, mas aquela era uma cidade que fervilhava e nunca dormia. — Obrigada — agradeceu Sage. Caleb girou o corpo na direção dela. O motorista estava parado, com a porta aberta, e ela se preparava para sair do carro. — Espere um minuto. — Foi muito gentil de sua parte, senhor... Caleb. Mas ele a segurou pelo braço. — Eu disse “espere um minuto”! Sage sibilou, tentando se soltar. Movimento errado, droga! Podia quase ver o que ela estava pensando. Com muito cuidado, ele a soltou. — Quis apenas dizer... tem certeza de que este é o endereço certo? A expressão de Sage mudou de temerosa para desafiadora. — Sim É aqui que eu moro. — Caleb pensou em um modo educado de lhe dizer que aquela vizinhança era perigosa, mas certamente ela já sabia disso. Mas não importava. Sage lera sua mente. — Não é como Park Slope — disse ela, com a sombra de um sorriso.
  17. 17. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Para o inferno com a educação! — Não — respondeu, sem rodeios. — Certamente não. A resposta varreu a sombra do sorriso do rosto de Sage. — Devo me desculpar por você não aprovar o lugar onde moro? — Não. Claro que não. Quis apenas dizer... — Caleb se calou, inspirou 17 profundamente e expeliu o ar antes de prosseguir. — Onde fica o metrô? — Por quê? — Porque estou tentando imaginá-la perfazendo esse caminho todas as noites! Esse é o motivo. — Eu... costumo andar do metrô até em casa com uma pessoa. — E ela trabalha com você? — Não, mas nossa jornada de trabalho é similar. — Sim, bem, onde está ela esta noite? Aquela era uma excelente pergunta, embora complicada. Começando pelo fato de que “ela” era “ele” e se chamava David. Além disso, não estava disposta a responder àquela pergunta. — Ouça — começou ela. — Admito que este... não é exatamente um bairro espetacular e, graças a você, não tive de vir de metrô. Portanto, agradeço-lhe mais uma vez. Aqui está seu blazer e... — Fique com ele — retrucou Caleb, em um tom quase rude. — Ao menos, dê-me seu endereço para que eu possa... — Pode me devolver depois de eu acompanhá-la até a porta. — Não, isso não é necess... Caleb saiu da limusine e a contornou. — Sem discussões. Vou levá-la até sua porta. Está resolvido. — Está acostumado a fazer valer sua vontade? — Sim, quando é necessário. Caleb podia quase vê-la pesando suas palavras. Por fim, Sage suspirou. Uma parte da beligerância desapareceu de seu semblante enquanto ele lhe estendia a mão. Após hesitar por alguns instantes, ela a aceitou. A mão era quente e segurava a dela com força. Sage lutou contra o desejo de entrelaçar os dedos aos dele. A verdade era que a bravata a havia abandonado. O fato de Caleb ter lhe lembrado de que, se não a tivesse trazido, ela teria feito aquele caminho a pé tivera tal efeito sobre Sage. Ainda mais quando sabia que houvera uma série de assaltos recentes no bairro a mulheres que viviam sozinhas. Não que vivesse sozinha. Não exatamente. A questão era que não havia nada a ganhar, fingindo que não apreciara a ajuda de Caleb. — Obrigada — disse ela enquanto subiam os degraus que levavam à sacada. — Mais uma vez. — Não há o que agradecer. Fico feliz em ter podido ajudá-la. — Quando alcançaram
  18. 18. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 18 a porta da frente, Caleb estendeu a mão. — Suas chaves. Sage deu de ombros, como se aquilo não fosse importante. — A fechadura está quebrada. Caleb queria dizer alguma coisa, ela podia ver, mas não o fez. Em vez disso, assentiu e abriu a porta. E disse algo baixo e desagradável. Sage não podia culpá-lo. Era assim que se sentia todas as vezes que penetrava no hall escuro e sujo, inspirava o fedor da cerveja, urina e maconha. Quando via as portas semidestruídas que se enfileiravam no corredor e a escada de madeira que se erguia na escuridão. Diga alguma coisa, disse ela a si mesma, diga alguma coisa. — Bem — começou ela, em tom alegre. — É isso. — Caleb a olhou como se ela fosse louca. — Meu apartamento é no quarto andar. Nenhuma palavra da parte dele. Ou... espere. Havia... alguma coisa. Uma discreta faísca nos olhos azuis. — O que, diabos, está fazendo em um lugar como este? Sage pensou em uma meia dúzia de respostas, mas qualquer uma delas revelaria questões pessoais que ele não precisava saber. — Moro aqui — disse ela, com o máximo de dignidade que pôde reunir, antes de se dirigir à escada. Porém, não conseguiu ir muito longe, antes que as mãos longas se fechassem em seus ombros e a girassem na direção dele. — Droga! — disse ele, em tom brusco. — Pare de representar! Pode ser vantajoso fingir ser forte e experiente, mas eu estava lá, uma hora atrás, quando o preço por esse fingimento se tornou muito alto. — Sage ofegou quando ele a ergueu até que ficasse na ponta dos pés. — Há muitos perigos para você aqui. — Nada aconteceu até agora. — É mesmo? É assim que define o que lhe aconteceu esta noite? — Aquilo não tem nada a ver com isto. — Você trabalha em um lugar perigoso. E vive em um lugar perigoso. — Isso se chama fazer o que posso para ter um teto sobre minha cabeça. — Não há ninguém que possa ajudá-la? — Estou me virando bem sozinha. — Oh, sim Estou vendo... Uma das portas do prédio se abriu. Dois homens saíram para o corredor. Um deles era enorme e feio. Metade do rosto de um deles estava coberto por tatuagens feitas em casa. Sage os vira antes. Tinham o hábito de lhe dizer coisas obscenas quando ela passava. Aqueles dois a apavoravam. — Uau! — disse o tatuado. — Estamos interrompendo a festa?
  19. 19. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) O outro sorriu, exibindo dois dentes de ouro na frente. — Está parecendo divertido. — Claro que sim. Acha que talvez eles queiram companhia? As mãos de Caleb se enterraram nos ombros delicados. Ela quase podia sentir a 19 tensão se irradiando dele. — Caleb — murmurou ela. — Não. — Kay-Leb — imitou o tatuado, em falsete. — Não. Oh, Deus! — Caleb — disse ela, em tom áspero. — Você vem ou não? — Sim, cara. Você vai com ela ou não? Porque se não for... Sage se soltou das mãos que lhe apertavam os ombros, segurou o braço de Caleb e quase o arrastou na direção da escada. Apesar dos esforços em se soltar, ele concluiu que Sage não permitiria. A única forma de se desvencilhar seria a machucando, e Caleb preferia cortar a própria garganta a fazer isso. — Droga! — rosnou ele. — Não fugirei desses... desses... — Eles são dois — sussurrou Sage. — E você é apenas um. Caleb soltou uma risada. Um som áspero e grotesco. E ela soube que aqueles dois não seriam páreo para o homem ao seu lado. Ainda assim, não poderia permitir que Caleb corresse aquele risco por sua causa. Sage agia baseada no instinto feminino. — Sim, mas se estiver errado? — Não estou. — E se estiver? — insistiu ela. — O que acontecerá comigo depois? Caleb a encarou. A porta no andar de baixo bateu com força. Sage conseguiu expelir o ar que prendia, aliviada. Caleb xingou baixo, envolveu-a com um braço e ela se colou ao corpo musculoso. Ela podia sentir as batidas vigorosas do coração de Caleb. A estrutura forte parecia ter sido forjada em aço. E então, lentamente, ele deixou escapar um longo suspiro. — Está tudo bem — disse, em tom de voz suave. Sage assentiu com a cabeça e girou o rosto para enterrá-lo na curva do pescoço largo. Estava tudo bem, agora que ele a abraçava. E se Caleb não estivesse ali? Sage deixou escapar um fraco gemido de nervoso. Ele a puxou mais para perto. Os dois permaneceram assim por alguns longos minutos. E, então, ela recuou. — Não... não sei o que dizer. — Não precisa dizer nada. — Quero dizer, quantas vezes uma pessoa pode dizer “obrigada”? Caleb inclinou a cabeça e roçou os lábios da forma mais suave possível contra os dela. Não havia nada de sexual no gesto. Sage sabia que ele quisera confortá-la com aquele gesto e conseguira. Como seria se Caleb a beijasse de maneira diferente, de uma forma que
  20. 20. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 20 significasse algo mais? — Sage? Você está bem? — Sim — respondeu ela, levemente ofegante. — Estou. — Muito bem — Caleb retrucou, de forma brusca. — Mais três lances de escada e pode se livrar de mim. Subiram o restante dos degraus e Sage estacou quando chegaram ao quarto andar, apontando para uma porta em frente a eles. — É aqui que moro. Caleb estendeu a mão. — Suas chaves. — Ergueu as sobrancelhas. — Suponho — acrescentou, em tom de voz seco — que essa fechadura esteja inteira? Sage confirmou com a cabeça. Em seguida, entregou-lhe as chaves. As mãos dos dois se tocaram. A dela estava trêmula. Os olhos de Caleb se estreitaram — O que foi? Sage negou com a cabeça. O que poderia dizer? Não a verdade. Que, no momento em que cruzasse aquela porta e ele partisse, estaria sozinha. Que, apesar do acordo que fizera, de ela ter prometido não pensar no que havia acontecido na boate, sabia que não conseguiria. — Está assustada — disse ele, sem rodeios. — Não — Sage se apressou em dizer. — Estou bem. — Uma ova que está. E não a culpo. — Sério, estou bem. Caleb não respondeu. Em vez disso, destrancou a porta, mas a bloqueou com o corpo. No passado, aprendera a nunca entrar em um lugar que oferecia perigo em potencial, sem estar vigilante. Estavam nos Estados Unidos, não no Iraque ou no Paquistão, mas tudo era possível. E, depois do que acontecera na boate e o que quase acontecera no andar térreo há pouco, seu nível de adrenalina ainda estava alto. — Lar, doce lar — disse ela, com uma risada baixa. De onde estavam parados tinham a visão de todo o apartamento, mas não havia nada de agradável nele. Uma sala de estar do tamanho de uma caixa de sapatos. Um quarto. Um toalete. Uma cozinha minúscula. O lugar ostentava uma mobília velha e gasta, mas tudo se encontrava escrupulosamente limpo. — Fique aqui — disse ele. Caleb entrou em um por um dos aposentos e, por fim, voltou à porta de entrada. — Tudo limpo. Caleb sabia que estava na hora de lhe desejar boa-noite, mas não conseguia proferir as palavras. Então ela disse: — Sei que está tarde, mas... gostaria de tomar um café? Caleb respondeu que café era exatamente o que estava querendo. Estava claro que aquela também era a resposta que Sage esperava. — Ótimo — retrucou ela, deixando escapar um profundo suspiro. Em seguida,
  21. 21. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) fechou a porta e a trancou. — Para ser sincera... acho que... não conseguiria dormir de imediato. Caleb pousou a mão sob o queixo delicado e lhe ergueu o rosto. — Está segura agora — disse, em tom de voz suave. — Eu sei. — Sage exibiu outro sorriso. — Esse é um dos riscos de ser atriz. Quero dizer, ter uma imaginação fértil. — É isso que faz? É atriz? — Aham. Por isso trabalho de noite na boate. Sobra tempo para fazer testes 21 durante o dia. — Eu já a vi antes? — perguntou ele e os dois gargalharam, sabendo que aquela era a mais clichê das perguntas. — Recentemente? Bem, há um comercial de água mineral que, se conseguir reparar, sou a cliente número quatro da fila no caixa. Caleb sorriu. — Cliente número quatro, certo? — Tentei ser a cliente número dois, porque havia um texto para citar, mas o diretor achou que outra atriz seria melhor para o papel. — Erro dele. Sage lhe devolveu o sorriso e ele teve vontade de aplaudir. — Quando eu conseguir meu primeiro Tony ou Oscar, vou destacar isso no meu discurso de premiação. Os dois gargalharam outra vez. Em seguida, o riso secou. O tempo pareceu se estirar enquanto a sala imergia em um silêncio pesado. Repleta de energia sexual. Mútua. Caleb podia sentir a pulsação nas orelhas e deu um rápido passo atrás. Sage fez o mesmo. — O café logo ficará pronto — disse ela, em tom de voz jovial. — Dê-me ao menos um minuto para trocar de roupa, está bem? Caleb limpou a garganta. — Sem problemas. Vou... vou... — Vou o quê? Não faria nada sensato se não fosse cauteloso. Sage desapareceu por cinco minutos, o que foi suficiente para que Caleb recobrasse o autocontrole. E imaginasse o que ela estaria vestindo. Imagens pipocavam em sua mente, das quais deveria se envergonhar, porque não havia nada de sexual naquilo. E Sage reforçou isso ao reaparecer trajando um conjunto de moletom, com o rosto sem maquiagem e o cabelo solto. Como conseguia estar ainda mais graciosa sem nenhum daqueles artifícios? — ... blazer. — Caleb pestanejou várias vezes. Ela estava lhe devolvendo o blazer. — Disse que acho que seu blazer está amarrotado. — Ah, não tem problema. Apenas... esqueça isso... — Ele pegou o blazer e o pousou
  22. 22. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 22 sobre o encosto de uma cadeira estofada que já vira dias melhores. Droga, por que não conseguia formar uma frase coerente? — Ah, vou lavar as mãos se não se importar. — Oh, claro. Farei o café. Acha que o chofer quer uma xícara? Posso levar uma para ele... — Ele tem uma garrafa térmica. Os motoristas dessas empresas sempre... — Caleb fez um movimento negativo com a cabeça, admirado. Depois de tudo que acontecera, ela ainda conseguia pensar na necessidade dos outros. — Mas direi a ele que você pensou nisso — afirmou. — Ele ficará agradecido. De alguma forma, Caleb conseguiu se dirigir ao toalete do tamanho de um armário. Girou a torneira de água fria. Tinha de manter a cabeça no lugar. Sage era uma mulher bonita. Diabos, era linda! E daí? Vivia em um local horrível e trabalhava em outro não menos perigoso. Mas ele não era seu protetor, nem guardião. Também não queria uma aventura de apenas uma noite com ela. Sage não era o tipo de mulher talhada para sexo casual. Caleb colocou as mãos em concha sob a torneira e jogou água no rosto. — Uma xícara de café — disse ele, ao espelho. — E estará fora daqui. Abriu a porta e se encaminhou à cozinha. Tomou uma xícara de café. Rápido. Sage fez o mesmo, porque, sim, estava na hora de colocar um ponto final naquilo. — O café está ótimo — elogiou, com um breve sorriso. — Eu mesma moo os grãos — informou Sage, retribuindo o sorriso. — Bem.. — disse Caleb por fim, erguendo-se da cadeira. Ela fez o mesmo e os dois se encaminharam à porta, a qual não oferecia grande proteção. Oca. Nenhum olho mágico. Uma corrente que em uma porta como aquela era como carregar um revólver com bolinhas de espuma de borracha. — Esqueceu algo — disse Sage. Caleb girou e ela lhe estendeu o blazer. — Obrigado — disse ele, pegando o blazer e hesitando por alguns instantes. — Você vai ficar bem? — Sim — respondeu Sage, rápido demais. — Ouça, talvez não devesse passar a noite aqui, sozinha. — Pode acreditar, ficarei bem. Caleb desviou o olhar para o sofá. Era feio como o pecado e projetado para uma casa de boneca, mas havia uma grande almofada em uma das extremidades e um cobertor dobrado sobre o encosto. — Parece confortável. Sage corou. Por quê? Saberia o que ele estava a ponto de dizer? Porque ele sabia, mesmo antes de as palavras lhe escaparem pelos lábios. — Ficarei aqui — disse ele. — No sofá. Até amanhã. — Não — protestou Sage. — Sério, não é necess...
  23. 23. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Caleb retirou o celular do bolso e falou com o motorista da limusine. Informou-o de que havia mudado de planos. — Diga ao seu chefe para me enviar a fatura e acrescentar duzentos dólares para 23 você. Sim. Claro. Não há de quê. — Não — repetiu ela. — Espere... — Lembra-se do que eu disse sobre sempre fazer valer minha vontade quando quero? — Caleb desabotoou os punhos da camisa e os enrolou. — Bem, este é um dos momentos. — Mas eu estou bem. Estou segura. Estou... — Conheço algumas pessoas — disse, em tom de voz brusco. — Darei alguns telefonemas pela manhã e verei o que posso fazer para lhe arranjar outro apartamento e outro emprego. — Caleb. Estou falando sério... Erguendo uma das mãos, ele afastou uma mecha de cabelo dourado do rosto de Sage. — Aqui vai algo que precisa aprender sobre mim — disse ele, em tom de voz baixo. — Posso ser tão teimoso quanto uma mula. Os olhos de Caleb lhe varreram o rosto e se detiveram nos lábios aveludados. O desejo de beijá-la pulsava forte dentro dele, mas não iria ceder à ânsia. Passaria a noite ali para protegê-la, não porque a desejava. Mentiroso. Desejava-a. E muito. Mas não iria tirar vantagem de Sage. Mas poderia beijá-la. Apenas uma vez... Droga! — Vá se deitar — disse ele, com voz áspera. — Descanse um pouco. Conversaremos mais amanhã. Sage não argumentou. Caleb imaginou se ela estava tendo o mesmo problema, se pensamentos similares aos dele lhe passavam na mente. Rilhando os dentes, ele a observou se afastar em direção ao quarto e fechar a porta. Em seguida, se sentou no sofá, retirou os sapatos e se deitou de costas. Não esperava dormir, mas, por fim, acabou cochilando... Um som o acordou. Era Sage, parada do lado de fora do toalete, observando-o.
  24. 24. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 24 CAPÍTULO TRÊS A luz vinda da rua lançava uma suave iluminação sobre ela. Sage trajava o mesmo conjunto de moletom que ele vira mais cedo. O cabelo, de um dourado desbotado, se encontrava desgrenhado, e ela estava descalça. Parecia macia, doce e tão desejável que o fez querer se levantar e envolvê-la nos braços. Mas Caleb não o fez. Sage o estava observando com uma imobilidade que dava a impressão de estar decidindo o que faria no momento seguinte. Poderia apenas esperar que aquela decisão o incluísse. Caleb permaneceu tão estático quanto ela, embora cada célula viva de seu corpo estivesse alerta com a presença daquela mulher. Ele engoliu a respiração em seco, observando-a por sob o anteparo dos próprios cílios. Sage iria até ele? Iria se inclinar e beijá-lo? Ou estaria simplesmente vagando pelo apartamento sem nenhuma motivação específica? Talvez apenas não estivesse conseguindo dormir. Caleb esperou por algum sinal de resposta. Alguns minutos se passaram até conseguir um. Sage desviou o olhar e, em seguida, caminhou em silêncio até a cozinha. Caleb deixou escapar um longo suspiro. Aquilo fora desanimador... e, ao mesmo tempo, não fora. Não passara a noite ali para fazer sexo, e sim para protegê-la. Querer fazer amor com ela não tinha nada a ver com aquilo. Era um desejo voraz, egoísta e totalmente masculino. Sage merecia tratamento melhor. Se por mais nenhuma outra razão, ao menos por ter confiado nele. Tinha de honrar aquela confiança. A honra, sem nenhum exagero, era o princípio fundamental que norteava a vida de Caleb. E o mesmo valia para todos os irmãos Wilde. O pai sempre estivera muito ocupado construindo uma carreira quatro estrelas no exército para desempenhar um papel paterno decente, mas conseguira instilar um código de ética básico na mente dos filhos. Honra. Honestidade. Dever. Caleb ouviu a porta do refrigerador se abrir e depois fechar. Os sons que vinham da cozinha lhe diziam que Sage estava se servindo de um copo de água. Ou leite. Esforçava-se para fazer o mínimo de barulho possível, mas todos os sentidos de Caleb estavam sintonizados com ela. E agora? Devia ficar onde estava? Ir ao encontro dela? Ver se ela estava precisando dele? Caleb suprimiu um gemido.
  25. 25. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Sabia a resposta certa para aquela pergunta. Fechou os olhos e rolou para o lado, 25 fingindo dormir. Aquela não só era a atitude certa, mas também a mais sensata... Mas era um pouco tarde para se importar com a sensatez, certo? Por que, diabos, teria um homem sensato se oferecido... não, insistido em passar a noite no sofá do apartamento de uma mulher que mal conhecia? Levantou-se e se dirigiu à cozinha. Não o fez de modo muito silencioso. A última coisa que desejava era assustá-la. Estacou à soleira da porta, viu-a parada à bancada, com uma embalagem de leite aberta em uma das mãos. Estava de costas para ele. O cabelo cascateava pelas costas. Um desejo quente e aguçado o varou. Volte para o sofá, disse Caleb a si mesmo. Apenas vire as costas e ela nem saberá que esteve aqui. Em vez disso, ele limpou a garganta. — Sage? — Ao girar, ela deixou cair o copo que segurava, que se estilhaçou no que pareciam milhares de pedaços contra o linóleo gasto. Não precisava mais se preocupar em não assustá-la. — Querida. — Ele entrou rapidamente na cozinha. — Está tudo bem. Sou eu. — Oh, Deus! Pensei... Quero dizer, pensei... Sage estava trêmula. O rosto exibia a mesma brancura do leite. Cacos de vidro se encontravam espalhados por todos os lados. — Não se mexa — disse ele. — Ou se cortará. Tarde demais. Um fino veio escarlate se juntara ao leite derramado. Caleb estendeu os braços. — Venha. Deixe-me tirá-la daqui. Sage hesitou. Em seguida, se inclinou na direção dele, envolvendo-lhe o pescoço com os braços. Caleb a ergueu no colo. Deus, a sensação de tê-la contra o corpo! Macia. Quente. A fragrância refrescante e delicada, como uma tarde de primavera. Podia sentir a respiração suave contra o pescoço, o cabelo sedoso contra o rosto. Os seios, o abdome, todo o corpo de Sage pressionado a ele. Caleb ansiava por puxá-la ainda mais contra o corpo, escorregar as mãos pela espinha delgada, erguer-lhe o rosto na direção do dele... Pare com isso, disse ele a si mesmo. Aqueles pensamentos, o desejo ardente, eram totalmente errados. Talvez por esse motivo a voz de Caleb tenha soado tão rude enquanto a carregava para o toalete e a sentava sobre a tampa do vaso sanitário fechado. — Muito bem — disse ele, acendendo a luz sobre a pia. — Vamos cuidar desse corte. — Não é nada. — É bem provável que tenha razão. — Ele se ajoelhou e segurou seu pé. — Mas vamos nos certificar, está bem? O pé de Sage era pequeno, com um arco elevado. As unhas estavam pintadas em um tom de rosa muito pálido.
  26. 26. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Caleb tinha vontade de erguer aquele pé, levá-lo à boca e beijar o dorso... Uma lava fervente de desejo o invadiu, fazendo-o se erguer com extrema rapidez. 26 Em seguida, abriu a torneira da pia. — Muito bem — repetiu ele, franzindo a testa. “Muito bem” parecia ter se tornado sua expressão favorita. — Tudo de que precisamos agora é uma toalha de rosto, uma toalha de banho e um curativo. E de um sorriso de Sage, que o observava com expressão ilegível no rosto gracioso. Caleb sabia como mudar aquilo. Inclinou-se na direção dela, roçou-lhe os lábios com os dele e escorregou os dedos pelo cabelo sedoso... — Caleb. A voz de Sage soou tão suave que o fez estremecer sobre o toque etéreo daquela vibração sonora. — Sim — disse ele, forçando um sorriso largo. — Eu sei. Minhas habilidades médicas são limitadas, mas... — Caleb. — Sage o encarava com a cabeça inclinada para trás. Ele podia ver a pulsação alterada na base do pescoço delicado. — O que é? — respondeu ele, em um sussurro rouco. Sage umedeceu os lábios com a ponta da língua. — Meu... pé está ótimo. Sério. Veja. O sangramento estancou e o corte é tão pequeno que mal dá para ver. Caleb desviou o olhar do rosto gracioso a sua frente e o pousou no pé que segurava. Sage tinha razão. O sangramento havia parado. Tudo que restara fora um corte mínimo. O que Sage faria se ele encostasse os lábios naquele corte? Caleb se afastou. Um segundo a mais e se encontraria tão rígido quanto uma pedra. E o que seria da honra e da confiança? Deixou escapar um suspiro, pensando em rios, lagos e córregos gelados. — Toalhas de rosto — disse ele. — Onde você as guarda? — Estão no armário, na gaveta do meio. Caleb assentiu e pegou uma das que se encontravam em uma pilha bem organizada, mergulhou-a na pia e a torceu. — Perfeito — disse ele, agachando-se e erguendo mais uma vez o pé dela. Sage sorriu. — O que foi? — perguntou ele, erguendo o olhar e percebendo o sorriso. — Estou apenas constatando que você estava certo. Sabe ser muito teimoso. — Eu lhe disse. Caleb tocou levemente o corte com a toalha. Sage voltou a observá-lo. As mãos eram longas. Limpas, com unhas bem aparadas, mas não pareciam pertencer a um homem que ganhava a vida atrás de uma mesa. Eram mãos fortes. Firmes. Masculinas. Como seria a sensação delas em seu corpo? Uma onda de calor a envolveu. Droga! Não pensara em Caleb o suficiente por aquela noite? Não haviam sido as imagens daquele homem, daquele estranho, que a fizeram virar de um lado para o outro no colchão?
  27. 27. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Aquilo era ridículo. Sage limpou a garganta. — Eu, ah, acho que fiz uma grande bagunça na cozinha. Caleb ergueu mais uma vez o olhar. — A culpa foi minha. Dei-lhe um grande susto. — Não tive intenção de acordá-lo. É que... não conseguia dormir. — Pesadelos? Sage negou com a cabeça. — Não. Apenas não conseguia... — Eu também não. — Não é de admirar. Aquele sofá... Mais uma vez, ele ergueu o olhar. — Não tinha nada a ver com o sofá. A voz de Caleb soou baixa. Rouca. Sage o encarou e um rubor suave se espalhou 27 pelas bochechas de seu rosto. Sabia o que ele estava lhe dizendo. Fora ela que o mantivera acordado. Como Caleb reagiria se ela lhe dissesse que lhe acontecera a mesma coisa? Sentiu o coração dar um salto no peito. Os olhares dos dois se encontraram e se mantiveram fundidos um no outro até que Caleb se ergueu com um movimento rápido. — Está quase no fim — O tom de voz se tornara brusco. — Deixe-me colocar um curativo. — Não precisa de curativo. — Sim, precisa. Estão no armário dos medicamentos? Sage suspirou. — Sim De nada adiantaria argumentar com ele. Àquela altura, já havia chegado a tal conclusão. Seu cavaleiro era um homem determinado. O que, tinha de admitir, era uma qualidade admirável, principalmente quando toda aquela determinação estava focada em cuidar dela. Nunca ninguém fizera isso antes. Bem, exceto por David, algumas vezes, mas não era o mesmo. Caleb a fazia se sentir... protegida. Mais que isso. Fazia com que se sentisse estimada. Uma definição tola, já que ele era um completo estranho. Sage o observou retirar a caixa de curativos do armário, abri-la e se agachar em frente a ela. O toque das mãos longas era suave. Tudo nele era gentil. Aquilo a surpreendia, levando em conta o tamanho de Caleb e a forma como ele lidara com seu agressor e com a dupla de brutamontes no hall de entrada, horas atrás. Estava totalmente focado. Em seu pé e no corte inconsequente. Seria Caleb sempre assim? Costumaria se focar com a mesma determinação na mulher que estivesse com ele na cama? Sage deixou um pequeno som escapar do fundo da garganta. Ele ergueu o olhar.
  28. 28. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) — Eu estou machucando você? — Não. — Ela se apressou em dizer. — Tem certeza? Sage confirmou com um gesto de cabeça, embora não tivesse mais certeza de nada. Como poderia ter quando, em uma noite, um homem parecia ter virado toda sua existência de cabeça para baixo? Desejava tocá-lo. Esticar a mão. Tocar-lhe o cabelo. Era curto. Preto como o azeviche. Queria lhe tocar o rosto, também Escorregar os dedos sobre aqueles ossos malares proeminentes, o nariz forte, a boca sensual. Desejava olhar no fundo daqueles olhos para ver se eram realmente azuis, ou seriam pretos? E aqueles cílios. Tinham a cor de fuligem Grossos. Longos. Uma mulher seria capaz de matar para ter um homem como aquele. Uma nova onda de calor a encobriu, rápida e perigosa. Estaria louca? Aquele não era seu modo de ser. Ficar observando um estranho e fantasiando sobre fazer amor com ele... — Não — disse Caleb. A voz grave soara baixa, como momentos atrás. E áspera, como uma lixa. Sage piscou várias vezes. Sentia a pulsação acelerada no pescoço. — Não me escutou? Disse para não me olhar desse jeito. Sage sabia o que ele queria dizer. A tensão no toalete exíguo gravitava na atmosfera como uma corrente cheia de eletricidade. Também sabia o que Caleb estava fazendo. Prevenindo-a. Dando- lhe uma chance para recuar. “Não sei a que está se referindo” seria a resposta mais simples, dada não em tom 28 provocativo, mas com uma inocência pueril. Afinal, era uma atriz. E das boas, apesar da escassez de créditos em seu currículo. Para o inferno com aquilo! — Não olhar para você como? — perguntou, nem um pouco pueril ou inocente, mas sim com a sincera aceitação do que queria por parte de uma mulher. Caleb deixou escapar um som que se assemelhava a um gemido de desespero. — Sage — disse ele. — Sabe o que está fazendo? — Não — sussurrou ela. — Mas sei o que quero. Os olhos de Caleb se tornaram tão escuros como uma noite sem luar. Ele esticou as mãos para alcançá-la, ou talvez ela o tivesse feito, mas quando se ergueu ele a tinha em seus braços. Caleb a beijou. Não apenas o leve roçar de lábios como fizera antes. Dessa vez, era um beijo faminto. A língua experiente exigiu acesso e Sage o concedeu de boa vontade, ávida, desejando aquela paixão. E Caleb a satisfez. Sem hesitação ou cautela. Agora era o homem que ela conhecera naquela noite. Másculo, fogoso e exigente. E Sage amou aquele contato. Envolveu o pescoço largo com os braços e ele a ergueu do chão, apertando-a contra o corpo. Os seios macios em contraste com a rigidez do peito musculoso, os lábios
  29. 29. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 29 sedosos pressionados aos dele, a ereção rígida de encontro ao abdome de Sage. A intensidade daquele beijo a fez enroscar os dedos dos pés. Quando a boca ousada abandonou a dela, Sage enterrou o rosto na curva do pescoço largo. — Ah, Deus! — disse ela. — Ah, Deus, Caleb... — Tem certeza disso? — perguntou ele, com a voz rouca. — Sim. Sim. Sim.. Mais uma vez Caleb se apossou daqueles lábios suculentos, antes de carregá-la para o quarto e a pousar de pé no chão ao lado da cama. Sage esticou as mãos para a bainha da camiseta de moletom, mas ele as segurou e as beijou. — Quero despi-la — disse Caleb. E assim o fez. Lentamente. Erguendo- lhe a camiseta ao mesmo tempo em que ela levantava os braços. Em seguida, arrancou-a pela cabeça de Sage e a atirou para o lado. O beijo frio do ar da noite nos seios desnudos logo foi substituído pelo calor da boca de Caleb, fazendo-a gritar de prazer. Sage fechou os punhos em torno do tecido da camisa que ele usava, mas Caleb fez um movimento negativo com a cabeça. — Ainda não — sussurrou ele, sabendo que tinha de vê-la por inteiro, antes que aquilo fosse mais adiante. Sentia o autocontrole se derramar como mel que transbordasse de uma colher. — Ainda não — repetiu, enganchando os polegares na calça de moletom de Sage e a puxando para baixo pelos quadris, pelas pernas longas... E, Deus, como ela era linda! Seios empinados e redondos. Cintura fina. Quadris femininos, sensuais e graciosos. As pernas longas e elegantes. Na junção das coxas, uma massa de pelos dourados, esperando para ser acariciada. — Sage. Você é linda... Caleb se livrou da camisa. Ela deixou escapar um som de puro prazer e escorregou as mãos sobre os ombros largos, o peito musculoso e o abdome definido. Caleb sempre cuidara da forma física, praticando esportes, treinando quando trabalhava na CIA ou cavalgando. Fazia isso para se manter forte e, por que não dizer, por vaidade também Agora, de alguma forma inexplicável, sabia que havia feito aquilo tudo para ela, para uma mulher que nunca esperara encontrar, conhecer e ter. As mãos delicadas trabalhavam em seu cinto e na braguilha da calça comprida. De repente, aquilo foi demais para Caleb. De modo gentil, afastou as mãos de Sage, mas não havia nenhuma gentileza no modo como baixou o zíper, livrou-se da calça e da cueca preta. Em seguida, puxou-a de volta para seus braços. Caleb gemeu com a sensação da pele sedosa contra a dele. Com a fragrância de Sage. De mulher. De sabonete. De excitação. Sage enterrou as mãos na massa espessa de cabelo negro e ergueu o corpo na direção do dele. Em seguida, deixou escapar um grito de prazer quando sentiu a ereção lhe pressionar o abdome. Os dois tombaram sobre a cama.
  30. 30. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Lençóis brancos. Fronhas brancas. Edredom branco. A combinação perfeita para a 30 pele e o cabelo dourado de Sage. Caleb lhe beijou os seios. Sugou-lhe os mamilos, ouvindo os gritos suaves de prazer, enquanto abria com uma trilha de beijos quentes um caminho descendente por aquele corpo de curvas perfeitas. Com o rosto a forçou a abrir as pernas, procurou e encontrou a inefável doçura que o aguardava. Os gritos de Sage se tornaram mais agudos. As mãos delicadas se enterravam no cabelo de Caleb enquanto ele a beijava, mordia de leve e a explorava com a língua. Com um grito ofegante, ela alcançou o clímax contra a boca experiente que a estimulava. Caleb se entregou ao prazer de lhe saborear o orgasmo. Em seguida, se ergueu, movendo-se de volta pelo corpo quente e sedoso, e se apossou dos lábios macios. Sage gemeu e ergueu os quadris, arqueando o corpo contra o dele. Caleb a beijou outra vez. Em seguida, se ajoelhou entre as coxas macias... E se tornou imóvel como uma pedra. Não, pensou ele, não... — O que foi? — sussurrou ela. Caleb teve vontade de soltar uma risada. Ou um grito. — Não trouxe nenhuma proteção comigo — disse ele. — Sage sacudiu a cabeça de um lado para o outro. — Preservativos. Não tenho... Sage esticou a mão e lhe pousou o dedo indicador de leve sobre os lábios. — Tudo bem. — Não. Eu... — Tudo bem. Estou tomando pílula. Caleb deixou escapar o ar que não percebera estar prendendo. Sage acabara de proferir as mais doces palavras que jamais ouvira. — Ótimo. Perfeito. Absolutamente perf... Sage arqueou os quadris e ele a penetrou. Ela estava quente. Úmida. Aquela mulher era um milagre esperando sua possessão. — Sage — sussurrou ele. Caleb observou os enormes olhos azuis perderem o foco, enquanto ela revirava a cabeça de um lado para o outro sobre o travesseiro. Penetrando-a ainda mais fundo, ele começou a se mover em um ritmo mais rápido e forte. Estabelecendo uma cadência que transcendia tudo que ele experimentara antes. Era um homem experiente com as mulheres, que fazia sexo com bastante frequência, que conhecia o prazer, a alegria e as maravilhas do ato... Mas nunca fora daquele jeito. Nunca como... Os pensamentos de Caleb se dissiparam em uma névoa. Sage estava trêmula, soluçando. Repetiu o nome dele algumas vezes, antes de soltar um grito tão repleto de prazer que o atirou à beira de um precipício de êxtase. — Sage... — disse ele.
  31. 31. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Os músculos internos de Sage se contraíram em torno dele. Ela gritou. Caleb atirou 31 a cabeça para trás e os dois mergulharam juntos em um universo de prazer. Envoltos NOS braços um do outro, os dois imergiram em um sono profundo e isento de sonhos até que algo o acordou. Um som. Um barulho. Por alguns segundos, Caleb não soube onde estava. E, então, a mulher ao seu lado suspirou e tudo lhe veio à mente. Caleb sorriu. Em seguida, se inclinou sobre a forma adormecida e depositou um beijo suave no cabelo de Sage. Luz incidia da janela e ele podia ouvir sons vindos da rua. Devia ter sido aquilo que o acordara. Estava acostumado ao silêncio de sua cobertura em Dallas e do rancho Wilde. Poderia Sage se acostumar àquelas mesmas coisas? O pensamento o pegou de surpresa. Por que pensar daquela forma? Sim, queria voltar a vê-la, sempre que estivesse em Nova York... A menos que pudesse encontrá-la em Dallas. Aquela era uma ideia louca. Absolutamente maluca. Precisava era de um pouco de café. Rolou para fora da cama com cuidado, vestiu a calça comprida e caminhou, descalço, na direção da cozinha. O leite derramado e os vidros continuavam como na noite anterior. Sem problemas. Limparia aquela bagunça, mas primeiro... Dissera a Sage que arranjaria outro lugar para ela morar. E um emprego. Teria alguma importância se fizesse aquilo ali ou em Dallas? — Ora, homem — sussurrou ele. — Claro que teria... Mas não faria nenhum mal se desse um telefonema para verificar algumas coisas... Encaminhou-se à sala de estar. Seu celular se encontrava sobre a mesa de centro, onde o deixara. Ele o pegou e voltou para a cozinha. Em seguida, apertou o botão de discagem rápida que correspondia ao número do irmão, Travis, que atendeu no oitavo toque. — É melhor ter uma boa razão para estar me telefonando — resmungou Travis. — Porque pode ser 6h em Nova York, mas aqui, no mundo real, são... — O que sabe sobre teatro em Dallas? — Seguiram-se alguns segundos de silêncio. — Eu perguntei... — Eu o ouvi. O que aconteceu? Bateu com a cabeça? Que diabos eu saberia sobre teatro? E por que está interessado? — Está namorando aquela ruiva. A atriz. Alguma vez ela mencionou alguma coisa sobre conseguir emprego nessa área? — Eu estava namorando a ruiva. Ela não é atriz, e sim cantora. E de que diabos está falando?
  32. 32. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Sim, de quê? Caleb virou as costas para a porta da cozinha. A última coisa que desejava era que 32 Sage o surpreendesse fazendo planos. Diabos! O que estava fazendo? Sexo maravilhoso e privação de sono. Uma péssima combinação. — Caleb? Travis parecia preocupado. Caleb resfolegou. Por que o irmão não ficaria? — Sim, estou aqui. Ouça, esqueça o que eu... Ouviu o som da descarga do vaso no banheiro através das paredes finas. Sage estava acordada. Droga! Tinha de pôr um fim àquele telefonema. — Quem, diabos, é você? Caleb virou. Um homem estava parado à soleira da porta da cozinha, encarando-o. Era alguns anos mais jovem que ele, menor, mas em boa forma física. — Caleb? — chamou Travis. — Mais tarde falo com você — disse ele, interrompendo a ligação. Ótimo. Alguém havia invadido o apartamento de Sage enquanto estivera ao telefone e agora teria de enfrentá-lo seminu e, aparentemente, com apenas metade do cérebro funcionando. — Calma — disse ele, no tom mais tranquilo que pôde conjurar. — Faça a coisa mais sensata. Vire e saia pela porta... O invasor deu um passo à frente. — Eu lhe fiz uma pergunta. Quem é você? E o que está fazendo em meu apartamento? Caleb pestanejou, confuso. — O que está dizendo? O que quer dizer com seu apartamento? — Quis dizer exatamente isso, amigo. — O olhar do homem varreu Caleb de cima a baixo, observando-lhe o peito nu e os pés descalços. — Onde está Sage? O que fez a ela? — Conhece Sage? E você... vive aqui... ? — Vou chamar a polícia. — Não. Espere um minuto. — David? Era Sage. Ela contornou o invasor, com os olhos fixos em Caleb. — Não o machuque. — Conhece esse cara? — perguntou Caleb. — Eu lhe disse, camarada, moro aqui. O olhar de Caleb se desviou para Sage. — Isso é verdade? — Sim, é, mas... — Sage — disse o invasor, segurando-a pelos ombros. — Você está bem? — Estou. — Ela fez uma pausa. — Caleb, este é... — David — terminou Caleb, com a voz fria. — Ouvi você dizer o nome dele.
  33. 33. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) — Não! Não é o que está pensando... Caleb soltou uma risada grotesca. — Não tem noção da metade do que estou pensando. — Sage — disse David. — O que está acontecendo aqui? Passo a noite fora e quando 33 volto encontro um.. homem seminu na nossa cozinha. — Caleb — Sage se apressou em dizer. — Há uma explicação simples para... — Aposto que há — retrucou Caleb, com um sorriso tenso. — Você e esse seu amante têm um acordo. — Não! — Sim. — David soltou uma risada constrangida, soltando Sage e se encaminhando na direção de Caleb. — Ei, rapaz, sinto muito. Você me pegou de surpresa. Acordo ou não, deveria ter telefonado antes de voltar. — Sorrindo, ele estendeu a mão para Caleb. — Estamos em paz agora? Caleb estreitou o olhar. A raiva se propagava por suas veias. Raiva daquele bastardo sorridente. De Sage. E, acima de tudo, de si mesmo por ter sido um tolo. — Estamos — rosnou ele e, pela segunda vez em menos de 12 horas, colocou toda a sua força em um gancho de direita. Sage soltou um guincho. O namorado despencou como uma pedra, os olhos revirando e os pés escorregando na mistura de leite e cacos de vidro. Ela se ajoelhou ao lado dele. — David! David! Fale comigo! — Sage ergueu o olhar a Caleb, os olhos arregalados pela incredulidade. — Você... o agrediu. Como pôde fazer isso? Caleb relaxou os lábios contraídos. — Diabos! — respondeu. — Por que não o faria? Passou por ela pisando duro, recolheu os sapatos e a camisa, no quarto, o blazer e a própria sanidade na sala de estar, antes de sair, decidido, pela porta.
  34. 34. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 34 CAPÍTULO QUATRO Travis Wilde estacou do lado de fora das portas duplas de vidro que levavam ao escritório de advocacia Wilde and Wilde, Attorneys at Law, em Dallas. Além daquelas portas, um mar de assoalho em carvalho vermelho levava à mesa da mulher de cabelo grisalho, sempre vestida de preto e com semblante austero. Edna Grantham, sra. Edna para os que não queriam ter a cabeça decepada, era a guardiã do portão de Caleb desde a fundação do escritório. Travis sabia, por instinto, que não era a pessoa favorita da sra. Edna. Os olhares frios que ela lhe lançava eram prova disso. Na opinião da secretária, ele era o responsável por desviar a atenção do patrão do trabalho. Mas não era exatamente assim. Quando não se encontrava no tribunal ou em reunião com algum cliente, Caleb quase sempre se mostrava disposto a desfrutar de um pouco de diversão. Chegava até mesmo a sugeri-la. Mas não ultimamente. Nos últimos dias, sempre se encontrava muito ocupado para fazer qualquer coisa que envolvesse conviver com outras pessoas. Fora essa a razão que trouxera Travis até ali, naquela manhã. Estava na hora de confrontar Caleb e lhe perguntar o que, diabos, estava acontecendo. O irmão mudara. Travis e Jake haviam notado. Assim como Addison, a esposa de Jake, que ocupava a segunda posição na Wilde and Wilde Attorneys at Law. “Muito ocupado” era a resposta constante de Caleb ultimamente. Além, claro, de “Não tenho tempo”. Para nada. A perguntar era: por quê? Travis não tinha a menor ideia. Tampouco Jake. A única coisa que sabiam era que a mudança do irmão começara pouco depois de ele ter viajado para Nova York, alguns meses atrás. Caleb voltara um homem diferente. Os irmãos Wilde eram muito unidos. Sempre foram e sempre seriam, mas respeitavam a privacidade uns dos outros. E, dos três, Caleb provavelmente era o que mais ruminava um problema, antes de dividi-lo com alguém. Porém, estavam começando a ficar preocupados e decidiram que alguém teria de descobrir o que estava acontecendo. Travis viera preparado. Não queria parecer muito óbvio, portanto trouxera algo em sua maleta de couro italiano, alguns documentos, uma carta... Um trabalho, diferente das usuais incursões de Caleb nas batalhas corporativas, que, por sorte, despencara sobre seu colo no dia anterior.
  35. 35. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Travis endireitou a gravata e limpou a garganta. Em seguida, escancarou as portas 35 de vidro. — Bom dia — disse, em tom de voz brusco. A sra. Edna olhou para um lado, depois para o outro. Em seguida, se inclinou para a frente, quase se erguendo da cadeira, até quase encostar o rosto ao dele. — Oh, sr. Travis — sussurrou ela. — Estou muito feliz em vê-lo! — Aquilo o pegou de surpresa. — É o sr. Caleb. Travis experimentou uma pontada de dor no coração. — O que aconteceu? — Esse é o problema, sr. Travis. Não sei. Tudo que sei é que ele não é mais o mesmo. E isso está piorando a cada dia. Hoje, o sr. Caleb tinha um horário marcado com o juiz Henry, que ele passou semanas tentando marcar. Porém, quando o lembrei desse compromisso, ele disse para cancelá-lo! Pode imaginar isso? Travis não podia. Caleb podia ser negligente com algumas coisas, mas nunca quando se tratava de seu trabalho. — Por favor, diga e ele que estou aqui. A sra. Edna corou. Aquilo era definitivamente uma novidade. — Talvez seja melhor o senhor apenas entrar, sem ser anunciado. — Quer dizer que, se disser a ele que estou aqui, talvez ele não... — Ele dirá que está ocupado. — Ou que não tem tempo. — Travis assentiu. — Tem razão. Muito bem Vou entrar e direi que a senhora não estava em sua mesa. — O fato de a sra. Edna estar preocupada a ponto de confiar nele era a prova de que precisava. O escritório de Caleb ficava localizado ao final de um longo corredor. A porta estava fechada. Travis contou até cinco e bateu, antes de girar a maçaneta sem esperar autorização para entrar. A porta se abriu para uma sala que era o retrato de Caleb. Paredes de vidro modernas. Tapete oriental tradicional. Sofá moderno de couro, cadeiras e uma mesa de centro. Uma mesa tradicional, antiquada e imensa. Caleb se encontrava de costas para a porta. — Estou ocupado, Edna — disse ele. — Seja o que for... — Bem, ao menos isso revela uma coisa. — disse Travis. — Que você não precisa chamá-la de “senhora”. Caleb virou de repente. — O que está fazendo aqui? — É bom vê-lo também. Caleb assentiu e forçou um sorriso quase tão genuíno quanto o de Travis. — Sim — disse ele. — Também fico feliz em vê-lo, Trav, mas... — Está ocupado. — Exatamente. Travis dirigiu um olhar significativo à superfície quase vazia da mesa do irmão. — Está sempre ocupado ultimamente. Caleb cruzou os braços.
  36. 36. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) — Algumas pessoas estão. E já ouviu falar em bater à porta antes de entrar? — Eu bati. — E quanto a esperar para ser autorizado a entrar? Já ouviu falar disso? — Autorizado a entrar — disse Travis em tom solene enquanto se encaminhava na direção do irmão. — Uma expressão dura quando se trata de decidir se quer receber ou não pessoas de seu próprio sangue, não acha? — Não estou com disposição para discussões tolas. — Não está disposto a fazer muitas coisas ultimamente. — Muito bem Chega. Não sei como passou por Edna, mas conseguiu. E eu já lhe 36 disse que estou... — Ocupado. Certo. — Travis se deixou afundar em uma das cadeiras de frente para a mesa do irmão. — Importa-se se eu me sentar? Caleb estreitou o olhar. — Ouça, Travis, tenho uma reunião com um juiz em.. — Mentira. — Droga, Travis... — Arranjei um novo cliente para você, irmão. — Já tenho muitos clientes. — Assunto empresarial — prosseguiu Travis, sem pressa. — Algo diferente. Caleb exibiu o espectro de um sorriso. — Posso lhe contar um segredo? — O sorriso secou. — É isso que faço. Direito Societário, para o caso de não ter notado. Travis retirou um envelope pardo da maleta, mirou e o atirou sobre o tampo da mesa. — Dê uma olhada. — Não estou interessado. — É de um dos meus clientes. Um nortista. Inteligente. Linha dura. Possui mais dinheiro que Deus e um pedigree inquestionável. — Bom para ele. Agora, se não se importa... — Mas ele está com um problema. Tem apenas um herdeiro. Um filho que nunca fez nada que orgulhasse o pai, mas agora agravou as coisas, morrendo. Mas a questão é que ele de fato deixou algo para a posteridade. Um bebê, aninhado confortavelmente na barriga da amante grávida. Caleb inspirou profundamente. — Muito bem. Vá direto ao ponto. — Estou no ponto. Veja bem, a amante não fará a vontade de meu cliente. Ele quer a criança. Deseja lhe dar o nome da família. Quer criá-la. Melhor ainda, adotá-la. — Adotá-la? — Caleb perguntou, surpreso mesmo contra a vontade. O direito societário era sua maior paixão, mas havia momentos em que se tornava um pouco maçante. A situação que Travis estava descrevendo não tinha nada de maçante. — Exatamente. Ele quer que a moça lhe dê a criança de papel passado assim que ela nascer. Caleb resfolegou.
  37. 37. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) — Como um carro? Travis sorriu. — Exatamente como um carro. Mas ela se recusa. Portanto, meu cliente quer levá-la 37 aos tribunais. — Sob que acusação? — Ele alega que a amante do filho não será uma boa mãe. Ela não tem dinheiro ou emprego e vive no que ele chama de pocilga. Afirma também que ela tem uma moral duvidosa. — E seu cliente tem tudo. Dinheiro. Status. Poder. E uma moralidade inquestionável. — Exatamente. — Travis fez uma pausa. — Mas o problema é que a moça tem algo que ele não pode contestar. Bem, além da criança em seu ventre, claro. — E o que é? — Ela alega que a criança não é neta de meu cliente. Caleb assentiu. — Interessante. Bem, um exame de DNA provará... — Ela não concorda em fazê-lo. Não quer nada de meu cliente, nem mesmo atende seus telefonemas. — Travis sorriu. — E é por isso que precisamos de um advogado durão e inteligente. — Ele precisa de um super-herói — retrucou Caleb. — Não eu. E por que um morador da costa leste está procurando por um texano? — Ele confia em mim. E conhece sua fama — explicou Travis, sorrindo. — Acontece que você tem a reputação de ser um excelente advogado. Quando ele soube que você era meu irmão... — Desculpe, Trav. Não estou interessado. — Muito ocupado? — perguntou Travis. — Não tem tempo? Caleb dirigiu um olhar colérico ao irmão. — Obrigado por ter vindo até aqui. Da próxima vez, telefone antes. — E é só? — Sim. Não estou interessado. Já disse isso. Travis se ergueu e caminhou até a porta. — Não está interessado em muitas coisas, ultimamente. Sim, ele tinha razão. Durante semanas, dez para ser mais exato, desde que retornara de Nova York, mantivera os irmãos a distância. Dissera a si mesmo que eles não notariam. Mas claro que eles haviam notado. E agora queriam respostas. Era uma pena, pensou Caleb, inflexível, porque não as teriam. Como poderiam, se nem mesmo ele sabia a resposta? Tudo que sentia era raiva e aversão. De Sage. De si mesmo.
  38. 38. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) Caleb ouviu a porta bater e deixou escapar um suspiro de alívio. Travis fora embora. Ao menos era alguma coisa, embora aquilo o deixasse exatamente onde se encontrava antes. Com a cabeça cheia de lembranças que não conseguia esquecer. Dormira com uma mulher que acabara de conhecer. Deus sabia que fizera isso 38 antes. Passara a noite na cama dela. Também fizera isso antes. A mandíbula de Caleb se contraiu. Mas, dessa vez, a cama não pertencia apenas à mulher. Era a cama que ela dividia com o amante. Aquilo o fez estremecer só de pensar. Como um homem podia se deitar naqueles lençóis, possuir uma mulher como ele o fizera, ouvindo os gritos dela, sentindo-lhe o calor do corpo... Aquela mulher o fizera de bobo, o deixara pensar que era doce e inocente, quando a mais pútrida verdade era que possuía um amante com o qual tinha um acordo. O cara era um promíscuo, assim como ela. Caleb estremeceu. O acordo que Sage tinha com o amante não era de sua conta. Era sórdido, claro, mas o bastante para fazer com que perdesse o controle e nocauteasse o homem? O bastardo da boate merecera a surra que levara, mas o amante de Sage apenas entrara no lugar certo, na hora errada. A reação que tivera, a violência da qual lançara mão se devia ao fato de ter sido iludido pela farsa de Sage, pela humilhação de se lembrar de que pensara em trazer aquela mulher para sua vida. — Algo aconteceu em Nova York. Caleb virou de repente e se deparou com Travis parado ao lado da porta fechada, com os braços cruzados. — Pensei que tivesse ido embora. — Fechei a porta, mas ainda estou aqui. — Bem, abra-a outra vez e vá embora. - Não vou a lugar nenhum. Não até que converse comigo, não até que me conte o que aconteceu no leste. Naquela manhã, quando estava em Nova York, você me ligou. Era muito cedo. Seis e pouco da manhã para você e... — Ouça, esse não é um bom dia para... — Nenhum dia tem sido bom. Não para você. Não há um bom tempo. — Acabou? — Por que me telefonou? Você parecia, não sei, feliz. E depois, de repente, soou... não muito feliz. — Que bom que seguiu o ramo das finanças — retrucou Caleb, em um tom de voz frio. — É muito melhor com números do que com as palavras. — Chega de charadas, cara. Algo aconteceu, e nós queremos saber o que foi. Estou aqui por minha causa. Por Jacob. Por Addison. E pelo dragão assustado que guarda seu reino. — Você tem muito tempo livre. — Caleb se encaminhou à própria mesa, ajustou uma pilha de papéis que não precisava ser ajustada, pousou o olhar no envelope pardo e o
  39. 39. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) atirou na direção do irmão. — Todos têm, incluindo esse seu cliente. As imaginações de vocês estão se tornando muito férteis. — Consultou algum médico? Caleb ergueu o olhar. — O quê? — Droga! Como isso não me ocorreu antes? O telefonema. A forma como tem agido desde então... — Travis deixou escapar um suspiro trêmulo. — Está doente? Jesus! Se estiver... se estiver lutando contra alguma doença e não nos contou... — Ah, cara. — Caleb se deixou afundar na cadeira atrás da mesa. — Não — disse, em voz baixa. — Não é nada disso. E sinto muito se... — Ergueu o olhar, percebeu a preocupação no olhar de Travis e se odiou por ser o culpado daquilo. — Estou bem, Trav. Juro. É que... é que... — Que o quê? Caleb encarou o irmão. Em seguida, deixou escapar um profundo suspiro. Talvez, se conversasse sobre o assunto, conseguisse expurgar toda aquela confusão de seu organismo. — Sente-se — disse ele, de modo brusco. — Vou lhe contar. Não levou muito tempo para relatar os fatos. Como poderia, quando eram tão 39 simples? Travis se limitou a assentir com a cabeça a certos intervalos. Caleb não omitiu nada. Relatou inclusive o fato de ter dormido com ela e todo o incidente com David no dia seguinte. — Nem mesmo sei por que fiz aquilo. — Caleb se ergueu e começou a andar de um lado para o outro do escritório. — Quero dizer, aquela era a casa do cara. A mulher dele. Eu era o intruso, não ele. — Passou uma das mãos pelo cabelo e dirigiu o olhar ao irmão. — Simplesmente perdi a cabeça, sabia? — Quem não perderia? — Aquilo era tão... era tão... — Sórdido. Eles têm uma relação aberta, ou o que queira chamar, e isso não combina com você. — Não. Diabos, não! Se eu soubesse que estava na cama de outro homem, com a mulher alheia... — Pensou que ela estava empolgada com você — disse Travis, em tom gentil. — Mas ela estava interessada em variar. Caleb fez uma careta de desgosto. — Exatamente. — Esfregou o rosto com as mãos. — Não entendo por que deixei que isso me afetasse tanto. Travis se ergueu e deu uma palmada firme no ombro do irmão. — Não permita que o afete mais. Foi coisa de uma noite só. Um pouco de divertimento, horas agradáveis... Não passaria mesmo disso, certo? — Certo — disse Caleb em tom de voz brusco, bloqueando todo o resto. A percepção desconfortável de que perdera o controle naquela noite, primeiro ao levar Sage para a cama e depois ao socar seu amante... Sentira-se como que pairando à soleira
  40. 40. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 40 da porta de algo novo quando acordara nos braços de Sage naquela manhã. — Ei! — disse Travis. — Estou falando sério. Foi apenas algo que aconteceu. Esqueça isso. Aquele era um bom conselho e Caleb assentiu. — Tudo que você está dizendo faz sentido. Obrigado — disse ele. — Oh, não. Não vai escapar tão facilmente. Se quer mostrar sua gratidão, ao menos leia o conteúdo daquela pasta. — O quê...? Oh, seu cliente. Aquele que quer roubar um bebê da amante do filho morto. — Ora, Caleb... — Estou brincando — respondeu Caleb, rindo. — Está bem Darei uma olhada. Talvez possa recomendar alguém, porque não há a menor possibilidade de eu pegar esse caso. Se não por outra razão, apenas pelo fato de não ter a experiência necessária nessa seara. Os dois homens se encaminharam à porta. Trocaram sorrisos, apertos de mão e, em seguida, Travis partiu. Caleb suspirou e voltou à própria mesa. Interessante, pensou enquanto afundava na cadeira, como se sentia melhor por ter conversado sobre o que acontecera em Nova York. Dera proporções colossais àquele incidente. Agora, graças a Travis, sua cabeça voltara para o lugar. Coisa de uma noite só. Nada mais, nada menos. E aquilo era passado. Caleb abriu o envelope pardo e entornou o conteúdo sobre a mesa. Algumas fotos brilhosas caíram com a face para baixo. Não tinha importância. Estava interessado apenas no conteúdo da pequena pasta. Ele a abriu. Leu rapidamente a primeira página. Tratava-se de informações sobre as partes envolvidas no que, provavelmente, seria um caso jurídico difícil. Thomas Stinson Caldwell. Idade: 62 anos. Endereço: Park Avenue. Fundador e presidente de um império da corretagem de imóveis no valor de... Caleb soltou um assovio baixo. Não era de se admirar que o homem pensasse ser o dono do universo. Caldwell era um viúvo. Pai de David Charles Caldwell morto. Idade: 28 anos na data da morte, há oito semanas. Muito bem. Página dois. A mulher. O nome dela era Sage Dalton. Tinha 24 anos. Caleb sentiu a pulsação acelerar. Sage? Sage e David? Não! Era impossível. Esticou a mão para as fotografias. Girou-as. E o sangue lhe fugiu para os pés. Uma das fotos era do rapaz que ele deixara nocauteado no apartamento do Brooklyn. A outra... Era de Sage.
  41. 41. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) 41 CAPÍTULO CINCO O toalete feminino no St. Regis em Park era um mar de dourado, mármore e paredes espelhadas. Uma atendente, trajada em um uniforme branco e dourado, movia-se com discrição ao fundo. — Se precisar de alguma coisa, senhora, basta pedir — dissera ela quando Sage entrara, havia pouco. Após agradecer à atendente, ela se virou para a parede espelhada. E estremeceu. Tinha uma péssima aparência. Estava pálida. Os olhos estavam enormes e com incipientes círculos escuros ao redor. Com exceção do abdome levemente abaulado e oculto pelo blazer que estava usando, exibia uma magreza doentia. Até alguns dias atrás, Sage era o clichê dos clichês, devolvendo o que comia todas as manhãs. E se sentia cansada, tanto pela gravidez quanto pelos turnos dobrados no restaurante grego em que estava trabalhando, próximo a seu apartamento, no Brooklyn. O patrão ameaçara demiti-la se ela não trabalhasse dobrado. Precisava do dinheiro. Voltara à boate para pegar suas coisas, o pagamento e dizer ao dono que estava se demitindo, mas não tivera oportunidade. O patrão tomara conhecimento da cena da noite anterior e a demitira. Sentia-se, para descrever de uma forma delicada, um caos. E preocupada. A verdade era que vivia preocupada o tempo todo. Tinha de encontrar um lugar seguro para morar. Aquela era a prioridade numero uno. A segunda era engordar suas economias. A escassa quantia que possuía nunca seria suficiente para cobrir as despesas do bebê... Seu bebê. Quando aquelas palavras haviam deixado de fazê-la tremer de medo e começado a enchê-la de esperança? Sage descobriu que estava grávida da forma mais antiquada. Primeiro, a suspensão do ciclo menstrual. E, depois, as manhãs curvada sobre o vaso sanitário. Por fim, comprou um teste de gravidez de farmácia. O homem que ela mais odiava no mundo lhe deixara um presente de despedida. Mas o erro fora dela. Primeiro por dormir com ele. Não que tivessem dormido, pensou, sentindo um nó na garganta. Em segundo, por não perceber que não se podia tomar uma pílula anticoncepcional, digamos, na segunda-feira pela manhã e a próxima na terça-feira no fim da tarde, independentemente do quanto estivesse ocupada com testes, trabalho, aulas... Mas, na ocasião, Sage não estava tomando pílula para evitar uma gravidez, e sim para regularizar o ciclo menstrual.
  42. 42. Sandra Marton - [Irmãos Wilde 2] - Presente de uma Noite (Paixão 332) E certamente fizera aquilo. Quando descobrira que estava grávida, caminhara de um lado para o outro do 42 apartamento, dias e noites, como um tigre enjaulado buscando a saída. Pensara que não poderia ter aquele bebê. Não tinha dinheiro. Tampouco um futuro definido. Nenhum plano, além de como sobreviver ao dia seguinte. Mas aquela pequena vida lhe pertencia. Significava que nunca mais seria sozinha, que podia criar aquela criança da forma como gostaria de ter sido criada, com amor e esperança em vez de amargura e desespero. Decisão tomada. Teria aquele bebê. A criança e a decisão nada tinham a ver com o estranho que a engravidara. Seu cavaleiro errante se revelara um vilão, um estranho judicioso, disposto a pensar o pior dela e nem mesmo lhe dar a chance de se explicar. Não que devesse qualquer explicação àquele homem. O que acontecera entre eles fora apenas... apenas aventura de uma noite. Não importava o fato de ela nunca ter tido aventuras daquele tipo em sua vida ou que quase não tivesse feito sexo antes. Agora era uma mulher adulta. E ele... apenas um doador de sêmen. Porém, tal “doação” não viera na forma de um tubo de ensaio, mas do tempo passado naqueles braços fortes, das carícias, suspiros e prazeres... Sage dirigiu um olhar furioso à pessoa que o espelho refletia. Era patético pensar naquilo. Retirou o batom da bolsa. Seria necessário mais do que um simples batom para melhorar a aparência. Ainda bem que trouxera um blush e um pó compacto. Estava na hora de disfarçar a palidez, os círculos escuros sob os olhos e se transformar na mulher que Thomas Caldwell não podia intimidar. Podia ser incauta quando o assunto era homens e sexo, mas não era estúpida quanto a qualquer outra coisa. Sabia por que ele havia escolhido o St. Regis para aquele encontro. Queria intimidá-la com um ambiente suntuoso. Não havia dúvida de que o pai de David a julgava uma mulher falida, solteira, grávida e desesperada. Bem, dos quatro termos, três eram verdadeiros. Mas não estava desesperada. As coisas seriam difíceis, mas factíveis. Tudo era factível quando se possuía força de vontade. Caldwell não a conhecia. Não conhecera nem ao menos o próprio filho, não o verdadeiro David, ou teria admitido que ele jamais poderia ser o pai do filho que ela estava esperando. Thomas Caldwell não gostava da verdade. Sage não tinha a menor ideia de como o pai de David descobrira que ela estava grávida. Suspeitava de que contratara detetives particulares para desencavar qualquer podridão em sua vida quando percebera o quanto ela e David eram íntimos, e talvez os

×