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20as manifestações sócios-culturais são características de um grupo e queservem para distingui-lo, em relação a quem é de ...
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22público. Certos atores de ruas demarcam o espaço público com “regras” por elesestabelecidas, determinam “posses” de “pon...
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26A paisagem urbana precisa ser revalorizada, devolvendo a ela o que há dehistórico, de memória, de sociabilidade, de conv...
27SENNETT, R. O declínio do homem público: as tiranias da intimidade. São Paulo:Cia das Letras, 1988.RELPH, E. A Paisagem ...
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Jor 2009 hga_globalizacao_e_espaco_urbano

  1. 1. 17Jornada dos Cursos de História, Geografia eArquitetura: Espaço, História e GlobalizaçãoGLOBALIZAÇÃO E ESPAÇO URBANONatália Lemos dos Santos1Paula Valéria Coiado Chamma2RESUMOO presente artigo tem por objetivo analisar a dinâmica da globalização e suainterferência no espaço urbano. As transformações do espaço público na sociedadecontemporânea apontam mudanças nos estilos de vida, na percepção do tempo edo espaço e nos usos da cidade. A dicotomia público-privado indica como o espaçoé transformado pelo processo da globalização.Palavras-chave: Globalização. Espaço público. Espaço privado.1 INTRODUÇÃOA maioria dos brasileiros vive hoje em cidades. Até mesmo a população quenão vive nas cidades tem um modo de vida urbano, em diferentes aspectos. Osmodernos meios de comunicação e as facilidades de transporte proporcionadas peloprocesso de globalização diminuem as distâncias e diferenças nas categorias deespaço urbano e rural.Grupos sociais que poderiam ter suas necessidades satisfeitas com umaprodução local estabelecem, cada vez mais, uma relação de dependência comaqueles que são detentores dos meios de produção e de tecnologias. A circulaçãode bens e pessoas facilitadas com a mecanização e motorizações diminuíram asdistâncias entre cidades.1Aluna do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Sagrado Coração – Bauru – SP.2Profª. Drª. do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Sagrado Coração – Bauru – SP.
  2. 2. 18A cidade que se caracterizava pelo local do encontro e da troca, torna-se coma globalização o local de passagem de pessoas, de serviços, de mercadorias e deinformações.Na sociedade capitalista, consumir é sinônimo de ascensão social. O espaçoprivado ou a propriedade privada é valorizado em detrimento ao espaço público. Tera posse de um espaço inacessível ao uso público torna-se sinônimo de poder.Salvo a minoria privilegiada, as populações urbanas dos paísessubdesenvolvidos e em desenvolvimento vivenciam uma situação de subconsumo.No entanto, as cidades aumentam com a mesma velocidade com que acontece oisolamento dos cidadãos e a segregação social.2 DESENVOLVIMENTO2.1 ESPAÇO PÚBLICO E ESPAÇO PRIVADOA dicotomia público-privado é manifestada em relação ao espaço desde muitotempo, antes mesmo de o mundo todo ter ciência dos efeitos da globalização. Combase em Sennett (1943) verifica-se que já no século XVII o público era usado nosentido de aberto à observação de qualquer pessoa. O privado significava umaregião protegida da vida, definida pela família e pelos amigos. No Renascimento, apalavra público significava o bem comum ou o corpo político e gradualmente opúblico foi se tornando o espaço da sociabilidade. A expressão “sair em público” erausada na época e persiste até hoje. No século XVIII, nas cidades de Paris eLondres, grupos diversos estavam entrando em contato com a sociedade.De acordo com o termo francês registrado em 1738, o homem público urbanoera designado “cosmopolita”. O cosmopolita era um homem que se movimentavadespreocupadamente em meio à diversidade, que está à vontade em situações semnenhum vínculo nem paralelo com aquilo que lhe é familiar. Assim sendo, o públicosignificava uma vida que se passava fora da vida da família e dos amigos íntimos.Era o espaço de convivência de grupos sociais diferentes, cujo contato erainevitável.Nessa época que surgiram enormes parques urbanos, ruas com passeio parapedestres, centros sociais como bares, cafés, estalagens, abertura do teatro e óperapara todos, através da compra de entradas.
  3. 3. 19No século XIX, o capitalismo industrial estimulou a privatização dos espaços.A família tornou-se cada vez mais o refúgio ideal, com valor moral mais elevado emrelação ao domínio público, pois em público ocorriam violações morais, rompimentode leis. Era em público que a sociedade experimentava sensações e relaçõeshumanas que não poderiam ser experimentadas em qualquer outro espaço.Segundo Relph (1987), as paisagens são feitas pelas idéias e pelaconstrução, e a última década do século XIX estava cheia de idéias sobre a formacomo a sociedade e as cidades evoluiriam no futuro. Uma vaga de inovaçõestecnológicas prometia progressos drásticos ao nível do conforto e da saúde,enquanto as filosofias do socialismo sugeriam que esses progressos estariam embreve ao alcance de todos.O domínio público e privado se diferenciava para homens e mulheres daépoca. Para as mulheres o público significava o perigo, o risco de perder as virtudes.Já para o homem o público tinha uma conotação moral diversa, pois podiam “perder-se em público”O público e o privado carregam ainda muitas conotações da história. Ferreira(1986) afirma que o público tem vários significados, entre eles, relativos oupertencentes ao povo, à coletividade; relativo a governo; o que é de uso comum; oque é aberto a qualquer pessoa; o que não é secreto; conjunto de pessoas queassistem a espetáculos, reuniões; conjunto de pessoas que lêem, vêem ou ouvemuma obra literária, dramática, musical.O privado significa o que não é público, o desprovimento, a carência.Atribuindo-se o conceito de privado ao espaço consideram-se os espaços livresurbanos, utilizados pelos diferentes grupos sociais. Toda sociedade tem seuscódigos culturais que viabilizam a apropriação dos espaços urbanos, que seconstituem em dois tipos: espaços construídos (casas, lojas, indústrias, igrejas,bares, escolas) e livres (ruas, vielas, avenidas, becos, largos, praças, jardins, pátios,quintais, parques, terrenos baldios, praias). Embora o espaço construído sejafechado ou privado nada impede que seja público. O espaço livre, embora aberto,pode também ser privado.Entre essas tipologias dos espaços urbanos se estabelecem as relações deapropriações. Para Santos, Vogel e Mello (1985):
  4. 4. 20as manifestações sócios-culturais são características de um grupo e queservem para distingui-lo, em relação a quem é de fora e para seus própriosmembros, sempre estarão referidas ao conceito de “abertura” de espaço. Irãose dar em locais públicos ou naqueles que, por força de um uso especial,passarão a ser vistos “como se fossem públicos”. Jogos, reuniões, festas,encontros, cerimônias e atividades semelhantes que se oponham às idéias deprivacidade e de intimidade, encontram na rua o seu lugar ideal. É aí quedeve estar o que é de todos, de modo que, quando se dão em locaisfechados, fazem-nos sofrer uma transformação. Em contrapartida, quandosão levados à rua ações que tenham sentido particular e restrito, a via públicacomo que se fecha.Na definição de Macedo (1996) espaços livres são todos aqueles nãocontidos entre as paredes e tetos dos edifícios construídos pela sociedade para suamoradia e trabalho. Para ele há divisão nos espaços livres urbanos, que devem serclassificados em espaços livres de edificação e espaços livres de urbanização. Nosespaços livres de edificação encontra-se toda sobra de terreno não edificado no lote,utilizado para quintais ou para jardins. Assim sendo, a morfologia urbana,particularmente no quarteirão, influi na possibilidade ou não da existência desseespaço livre. Além disso, o reparcelamento do solo e a propriedade do solo alteramos lotes, pois as formas de apropriação por diferentes extratos sociais da populaçãoinfluenciam a concepção dos espaços livres urbanos de edificação.No Brasil esses espaços livres de edificação se modificaram também atravésdo tempo, acompanhando a própria evolução das cidades. No período colonial, asvilas e cidades apresentavam casas térreas e assobradadas construídas noalinhamento da via pública e sobre os limites laterais do terreno. Já no século XIX ascasas urbanas se afastavam dos terrenos vizinhos laterais, surgindo os jardinslaterais, passando a exigir mudanças nos tipos de lotes. No século XX as casasurbanas passam a exigir não só o afastamento lateral como o afastamento da rua.Nos espaços livres de urbanização estão todos os espaços e áreas verdesurbanas, bem como as áreas de lazer e de circulação. Considera-se espaço verdetoda área urbana ou porção do território ocupada por qualquer tipo de vegetação eque tenha um valor social, como são as áreas utilizáveis na produção de alimentos eas áreas de preservação ambiental. Já a área verde é toda e qualquer área queexista vegetação, como são as praças, jardins e avenidas. Se essa área verde fordestinada prioritariamente ao lazer é considerada área de lazer, mesmo que sejatodo e qualquer espaço livre de edificação, ativo (área de jogos e brincadeiras) oupassivo (áreas de contemplação). A área de circulação é atribuída aos sistema de
  5. 5. 21comunicação e circulação urbana (ruas, avenidas, rotatórias, rodovias, ferrovias,hidrovia).A globalização modificou o conceito de espaço público e privado nas cidadescontemporâneas. O processo de globalização é ao mesmo tempo econômico, sociale cultural e estabelecem uma integração entre os países e as pessoas do mundotodo. É a expansão do capitalismo gerando novas formas de relações entre asnações.2.2 A GLOBALIZAÇÃO E AS MODIFICAÇÕES NO ESPAÇO PÚBLICOA globalização consiste em um movimento de transnacionalização dasgrandes empresas, transformações tecnológicas e científicas, avanços dos meios decomunicação, dissolução das fronteiras nacionais, diminuição do poder do Estado eprivatizações das estatais.O processo de globalização teve suas origens na era dos descobrimentos edas grandes navegações. Fatores históricos, como a queda do muro de Berlim,fortaleceram o capitalismo, bem como o fim da Guerra Fria. Esse processo foiintensificado com a formação dos blocos econômicos, que tem como objetivo aunificação econômica entre países.No Brasil, como em todo mundo, as cidades os espaços também vistos comoprodutos de consumo assistem à deterioração dos espaços públicos, principalmenteda área central. Esses espaços vão sendo abandonados ou degradados,destinando-se muitas vezes à passagem das pessoas e não à permanência. Soma-se a isso a falta de incentivo governamental e as diferenças sociais. O resultado é amorte dos espaços públicos de urbanização, que em geral, dependem dos governosmunicipais e do uso adequado por parte da população para sobreviverem.Os espaços públicos urbanos, principalmente, nos grandes e médios centrosurbanos, são destinados ao uso da população mais carente, para os mais diferentesfins. Segundo Frúgoli (1995) os homens que se apropriam dos espaços públicos,adaptando-os e modificando-os às suas necessidades específicas são os chamadosatores sociais de rua. São eles; os desempregados, os engraxates, os ambulantes,as prostitutas, os idosos e aposentados, os mendigos, os marginais e as crianças derua. Para atender suas necessidades os atores de rua subvertem o caráterdemocrático da cidade, na medida em que criam um domínio privado no espaço
  6. 6. 22público. Certos atores de ruas demarcam o espaço público com “regras” por elesestabelecidas, determinam “posses” de “pontos”, estabelecem lideranças e alianças.Nesses casos, os espaços públicos tornam-se espaços privados.A conjugação de todos esses fatores faz com que os espaços públicosurbanos, especialmente os espaços livres estejam cada vez menos utilizados. Osshoppings centers, de propriedade privada são considerados o edifício símbolo daglobalização, a representação máxima do consumismo. Ele permite o usointerclasses, com certa predominância dos estratos mais privilegiados e da classemédia. É um espaço privado funcional, de ocupação organizada, seletiva, previsívele controlada e dá a idéia de proteção contra os males do espaço público. Sãocidades dentro das cidades, expressões da centralidade urbana, possibilitando ailusão de acesso público e de segurança.Os shoppings centers transformaram-se em cenários para as relações sociaiscomo lazer, encontros, ócio, exibição, passeio e principalmente o consumo,modificando as relações temporais, já que na maioria deles o espaço intramurosproporcionado isolamento com o exterior, possibilitado pelo sistema de iluminaçãoartificial e pelo sistema de circulação, refrigeração ou de aquecimento do ar.Mas os shoppings dão margem a um conjunto de ocupações por parte dediversos grupos sociais que eventualmente não agradam a grupos de maior poderaquisitivo, podendo levar a uma nova resignificação na apropriação desse espaço.2.3 A GLOBALIZAÇÃO E AS MODIFICAÇÕES NO ESPAÇO PRIVADOÉ no espaço livre da edificação que se caracteriza o espaço privado, maisespecificamente, no lote. O modelo ideal de lote no mundo globalizado é aquele emque é possível ter a edificação, com afastamentos laterais e frontais e de preferênciaespaço para automóveis.A impossibilidade sócio-econômica na aquisição de um lote com bom padrãodimensional por classes de baixo poder aquisitivo faz surgir adaptações eapropriações indevidas nos espaços livres, criando uma cidade real que difere dacidade legal. Em quase todas as cidades brasileiras a situação é a mesma, maspermanece a inexistência de programas de implementação de espaços livres deedificação, destinado ao lazer, principalmente para as camadas mais carentes da
  7. 7. 23sociedade. Para as camadas de melhor poder aquisitivo, a solução implementada éa dos condomínios, enfatizando cada vez mais a criação dos espaços privados.Os condomínios são a resposta rápida para a busca dos espaços livres deedificação e, ao mesmo tempo, de urbanização, pois neles são implantadas áreasde lazer, praças, parques, dentro das devidas proporções, mas com a vantagem dasegurança do espaços privados. Eles são a representação da negação do espaçopúblico. Embora sejam eles espaços organizados para moradia procuram recriarinternamente uma “comunidade”, cuja identificação está principalmente no mesmopatamar sócio-econômico. São espaços à parte das cidades.Nas populações de composição social de classe média, as loteadorasvendem a idéia dos condomínios, embora com menor ostentação. No entanto aprincipal motivação para sua implantação é a proteção quanto à violência urbana.2.4 INFLUÊNCIA DA GLOBALIZAÇÃO NA ARQUITETURA CONTEMPORÂNEAAs exigências colocadas pela globalização resultaram numa competiçãonacional e internacional voltada para atração de investimentos, capitais, atividadesadministrativas e comerciais e para o incremento da movimentação turística visandodinamizar as estruturas econômicas das cidades.O aumento e a diversificação da produção industrial refletiram diretamente naorganização da indústria da construção e nas mudanças da estrutura dos paísesimplantando a produção dos bens duráveis, que se tornaram mais acessíveis pelapropagação e facilidade de crédito ao consumidor.A produção de materiais em larga escala modificou o cotidiano das pessoas,principalmente das classes média e alta. As inovações tecnológicas do final doséculo XIX modificaram a aparência das cidades. O aço estrutural torna possível aconstrução de arranha-céus, a eletricidade muda o aspecto da noite e os automóveispor sua vez também pedem adaptações no desenho urbano. As cidades passam aprecisar de aeroportos e são povoadas por anúncios e comunicação visual de todo otipo.A globalização mudou tudo, tornou o mundo um lugar mais imprevisível, maiscompetitivo, eliminou quase que completamente ou enfraqueceu as antigas idéiasculturais e artísticas, tornando a arquitetura um desafio ainda maior. Não se tem
  8. 8. 24mais um contexto limitado para dizer o que é bom ou não e nem é possível rotularum estilo, pois os rótulos se foram.A arquitetura foi sempre condicionada pelas contradições dos processossócio-econômicos. No século XX construiu-se tanto que o espaço rural se tornouurbano e com isso foi perdido o equilíbrio de ambiente natural e construído.O mercado passou à exigir que o arquiteto equilibrasse a relação custo-benefício de uma obra, tornando a criação um pouco limitada. Por outro lado, afacilidade de informação e materiais de altíssima tecnologia possibilitam aosarquitetos a liberdade de criar e pensa. É necessário superar esse momento deembriaguez de tanta informação e balancear a relação entre possibilidade decriações e até onde o mercado pode aceitar financeiramente essas criações.Nos prédios antigos é possível notar o exagero de espaços e abuso demedidas, pois o mercado oferecia e podia pagar por isso, hoje essa questão deespaço já está muito mais restrita. A busca pelo imóvel próprio fez com quehouvesse uma supervalorização do mercado imobiliário.Segundo Relph (1987), a arquitetura se tornou com o tempo, uma forma dedemonstração de status, com isso a vida dos menos favorecidos e dos que não tempoder é diretamente afetada pelas paisagens, já que pouco alteram seu entorno eapenas se adaptam. Já os ricos e politicamente poderosos podem alterar em largaescala as paisagens conforme suas necessidades para exibirem a supostasuperioridade social.O resultado global é uma paisagem urbana caracterizada, sobretudo pelo seutrabalho de composição de funções, onde há lugar para tudo e tudo tem um lugardefinido, segundo Alison Ravetz (1983), denomina-a “a cidade segregada”.3 CONSIDERAÇÕES FINAISA discussão do espaço público e privado apresenta uma dinâmica social comaceleradas modificações no tempo e no espaço. O que foi público no passado torna-se privado no presente. O que é privado no momento poderá se tornar público nofuturo. Da Antiguidade à Idade Barroca a representação máxima do espaço público,ou seja, a praça, foi concebida para a reunião da coletividade. Era a própria imagempública facilmente identificada pelo cidadão, onde ele se sentia livre. Nas cidadesreurbanizadas do século XIX, as praças eram deixadas à parte. Valorizava-se os
  9. 9. 25grandes espaços exteriores, que se tornaram impróprios para o uso coletivo. Nomodernismo, a arquitetura do vidro prometia oferecer a integração entre o espaçopúblico e privado.O encurtamento das distâncias entre as cidades e nações, a melhoria dosistema de informação e de meios de comunicação, a possibilidade de se trabalharem casa e passar maior tempo com a família não facilitou o lazer nos espaços livresurbanos. A facilidade em reencontrar pessoas, fazer novos contatos, integrar peloacesso instantâneo à informação, surpreendeu e construiu uma relação do homemcom o tempo e o espaço.As vantagens do comércio digital interferiram no espaço da cidade. Omercado local cedeu lugar ao mercado digital devido à redução dos custos compessoal, com as instalações físicas e manutenção, segurança aos usuários. Ainternet elimina a presença física nas relações pessoais e comerciais.Por outro lado, a mundialização dos saberes, a ampliação do conhecimentodas outras culturas em relação ao turismo, gastronomia, moda, arquitetura, música,cinema possibilitou um avanço cultural na sociedade.Na atualidade, o fax, o computador, a tv à cabo, os serviços on-line estãofavorecendo a não-distinção entre espaço de moradia e de trabalho, sendodesnecessário buscar nas ruas as mercadorias. Sendo as cidades o reflexo de seuscidadãos, é essencial conhecer o comportamento humano para supor os caminhosfuturos do espaço público e privado.O homem está preocupado cada vez voltado para si próprio, com suasemoções particulares. Há uma confusão entre vida pública e privada: as pessoastratam, em termos de sentimentos pessoais, assuntos públicos, que deveriam sertratados dentro dos códigos da impessoalidade. Convivem menos socialmente acada dia.O mundo globalizado tornou-se a metáfora da democracia, onde todos temacesso a tudo. Porém aumenta a distância entre os que têm acesso e os que nãotêm, por conseqüência aumentam as disparidades sociaisOs espaços livres de uso público privado podem ser reapropriados, comprogramas de incentivo por parte dos governantes, estimulando a cidadania econscientizando a população na importância de vivenciar sua cidade.
  10. 10. 26A paisagem urbana precisa ser revalorizada, devolvendo a ela o que há dehistórico, de memória, de sociabilidade, de convivência, de identidade e de traçohumano na cidade.GLOBALIZATION AND URBAN SPACEABSTRACTThe present article aims at analyzing the dynamics of globalization andinterference in urban areas. The transformations of the public space in thecontemporary society show changes in life-style, in the perceptions of time andspace, and in the uses of the city. The public-private dichotomy shows how the spacechanges in the process of globalization.Keywords: Globalization. Public space. Private space.REFERÊNCIASARANTES, O. B. F. O lugar da arquitetura depois dos modernos. São Paulo:EDUSP; FAPESP, 1993.FARIA, H. F.; SOUZA, V. Vidadania cultural em São Paulo. Revista Pólis, SãoPaulo, n. 28,1997.REIS FILHO, N. G. Quadro da arquitetura no Brasil. São Paulo: Perspectiva,1995.FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: NovaFronteira, 1986.FRÚGOLI, H. J. São Paulo: espaços públicos e interação social. São Paulo:Marco Zero, 1995.MACEDO, S. S. Paisagem Urbana : os espaços livres como elementos de desenhourbano. Bauru: UNESP, 1996 (Cadernos Paisagem, Paisagens 1 - Uma visãointerdisciplinar sobre o estudo da Paisagem).SANTOS, C. N. F.; VOGEL, A.; MELLO, M. A. da S. Quando a rua vira casa. SãoPaulo: Projeto Arquitetos Associados, 1985.
  11. 11. 27SENNETT, R. O declínio do homem público: as tiranias da intimidade. São Paulo:Cia das Letras, 1988.RELPH, E. A Paisagem Urbana Moderna. Rio de Janeiro: Edições 70, 1987.

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