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Curso de Tradutor Intérprete de LIBRAS
                                                                        Linguística Geral
                                                                   Prof.ª Mariana Correia
                               O poder da palavra no Egito
                                                                                Janaína Portilho Medeiros1

           A palavra era uns dos itens mais sagrados do Egito Antigo. Suas
fórmulas mágicas e rituais eram escritos em papiros e na decoração de seus
túmulos para que pudessem guiar a alma do morto nos obstáculos que
enfrentaria no mundo inferior. Por exemplo: na sala das duas verdades, em
frente ao deus Anúbis, a alma do morto devia fazer uma declaração negativa,
ou seja, afirmar que seu coração é puro, sem maldade e que só fez o bem.
Caso seu coração fosse mais pesado que a pena de Maat na balança, seu
coração era devorado pelo mostro Amut e sua alma condenada a vagar para
sempre.


           Vocês lembram a maldição que o sacerdote Imhotep sofreu no primeiro
filme da série “A Múmia”? Sua língua foi cortada, portanto não poderia
pronunciar as palavras sagradas.


           Para as múmias “verdadeiras” do Egito as palavras, ditas pelo sumo-
sacerdotes antes de serem lacradas em seus túmulos, traziam a múmia de
volta à vida. Este ritual chamava-se” ritual da abertura dos olhos e da boca.”


           Os faraós, em vida, construíam muitos templos e monumentos para que
seus nomes se perpetuassem por toda a vida. Você, turista, que visita os
monumentos egípcios e identifica (lê e fala!) o nome do faraó está participando
de um ritual mágico, trazendo para a vida a alma dos poderosos do Egito.




1
    Historiadora formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

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O poder da palavra no antigo egito

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