Ramatis 42-o-truinfo-do-mestre-2011-jys

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Ramatis 42-o-truinfo-do-mestre-2011-jys

  1. 1. 1
  2. 2. É característica de Ramatís, mentor sideral que impulsiona a evolução do planeta Terra, esclarecer o que ninguém ensinou e dizer o que ninguém disse. Suas obras propõem um novo patamar evolutivo, e colocam luz nos recantos "desagradáveis" da experiência humana, mostrando o avesso e o lado oculto do óbvio. Este novo texto disseca corajosamente uma prática que ainda resta como herança dos velhos cultos da primeira infância da humanidade: os sacrifícios animais em ritos de religiosidade e trocas interesseiras com o mundo oculto. Com a precisão que lhe é peculiar, Ramatís mostra o que realmente está por trás dos bastidores desse universo sanguinolento -uma rede de dominação e usufruto de energias vitais que mantém a inferioridade planetária em alta, patrocinando obsessões, violência e desregramentos diversos. Desvenda ainda, com ineditismo, o processo psicológico pelo qual Jesus promoveu a substituição dos velhos ritos de sacrifício do Velho Testamento pela sua imolação propiciatória, anulando a suposta "necessidade" deles. Acrescenta o depoimento de um mago das sombras, comandante de uma rede de oferendas animais, que ilustra perfeitamente a matéria. E inclui uma análise das seitas neopentecostais que propõem o escambo interesseiro com a Divindade, com o sacrifício financeiro dos humanos objetivando auferir dividendos materiais. O Triunfo do Mestre é o livro que faltava para iluminar os desvãos desse universo ainda mal compreendido; imprescindível para estudiosos de todos os matizes espiritualistas. 2
  3. 3. Norberto Peixoto nasceu em Porto Lu-cena, estado do Rio Grande do Sul, no ano de 1963. Ainda criança, viu-se diante do mediunismo por intermédio de seus pais, ativos trabalhadores umbandistas. Sendo filho de militar, residiu no Rio de Janeiro até o final de sua adolescência, onde teve a oportunidade de ser iniciado na umbanda, já aos sete anos de idade. Aos onze, deparou-se com a mediunidade aflorada, presenciando desdobramentos astrais noturnos com clarividência. Aos vinte e oito, foi iniciado na Maçonaria, oportunidade em que teve acesso aos conhecimentos espiritualistas, ocultos e esotéricos desta rica filosofia mul- timilenar e universalista, que somente são propiciados pela frequência regular em Loja Maçónica estabelecida. Em 2000 concluiu sua educação mediúnica sob a égide kar-dequiana, e atualmente desempenha tarefas como médium trabalhador na Choupana do Caboclo Pery, em Porto Alegre, casa um-bandista em que é presidente-fundador. Este nono livro, Mediunidade e Sacerdócio, redigido de seu próprio punho por inspiração de Ramatís e demais mentores espirituais que o acompanham, é um guia de estudos esclarecedor, principalmente para médiuns que desejam ampliar seus conhecimentos a fim de melhor praticar a caridade. 3
  4. 4. Ramatís e Pai Tomé O TRIUNFO DO MESTRE Obra mediúnica psicografada por Norberto Peixoto Auxiliando a humanidade a encontrar a Verdade. 4
  5. 5. Ramatís Como o interno, assim é o externo; como o grande, assim é o pequeno; como é acima, assim é embaixo: só existe uma vida e uma lei e o que atua é único. Nada é interno, nada é externo; nada é grande, nada é pequeno; nada é alto, nada é baixo na economia divina. Axioma hermético 5
  6. 6. OBRAS DE RAMATIS . 1. A vida no planeta Marte Hercílio Mães 1955 Ramatis Freitas Bastos 2. Mensagens do astral Hercílio Mães 1956 Ramatis Conhecimento 3. A vida alem da sepultura Hercílio Mães 1957 Ramatis Conhecimento 4. A sobrevivência do Espírito Hercílio Mães 1958 Ramatis Conhecimento 5. Fisiologia da alma Hercílio Mães 1959 Ramatis Conhecimento 6. Mediunismo Hercílio Mães 1960 Ramatis Conhecimento 7. Mediunidade de cura Hercílio Mães 1963 Ramatis Conhecimento 8. O sublime peregrino Hercílio Mães 1964 Ramatis Conhecimento 9. Elucidações do além Hercílio Mães 1964 Ramatis Conhecimento 10. A missão do espiritismo Hercílio Mães 1967 Ramatis Conhecimento 11. Magia da redenção Hercílio Mães 1967 Ramatis Conhecimento 12. A vida humana e o espírito imortal Hercílio Mães 1970 Ramatis Conhecimento 13. O evangelho a luz do cosmo Hercílio Mães 1974 Ramatis Conhecimento 14. Sob a luz do espiritismo Hercílio Mães 1999 Ramatis Conhecimento 15. Mensagens do grande coração America Paoliello Marques 1962 Ramatis Conhecimento 16. Brasil, terra de promissão America Paoliello Marques 1973 Ramatis Freitas Bastos 17. Jesus e a Jerusalém renovada America Paoliello Marques 1980 Ramatis Freitas Bastos 18. Evangelho, psicologia, ioga America Paoliello Marques 1985 Ramatis etc Freitas Bastos 19. Viagem em torno do Eu America Paoliello Marques 2006 Ramatis Holus Publicações 20. Momentos de reflexão vol 1 Maria Margarida Liguori 1990 Ramatis Freitas Bastos 21. Momentos de reflexão vol 2 Maria Margarida Liguori 1993 Ramatis Freitas Bastos 22. Momentos de reflexão vol 3 Maria Margarida Liguori 1995 Ramatis Freitas Bastos 23. O homem e o planeta terra Maria Margarida Liguori 1999 Ramatis Conhecimento 24. O despertar da consciência Maria Margarida Liguori 2000 Ramatis Conhecimento 25. Jornada de Luz Maria Margarida Liguori 2001 Ramatis Freitas Bastos 26. Em busca da Luz Interior Maria Margarida Liguori 2001 Ramatis Conhecimento 27. Gotas de Luz Beatriz Bergamo1996 Ramatis Série Elucidações 28. As flores do oriente Marcio Godinho 2000 Ramatis Conhecimento 29. O Universo Humano Marcio Godinho 2001 Ramatis Holus 30. Resgate nos Umbrais Marcio Godinho 2006 Ramatis Internet 31. Travessia para a Vida Marcio Godinho 2007 Ramatis Internet 32. O Astro Intruso Hur Than De Shidha 2009 Ramatis Internet 33. Chama Crística Norberto Peixoto 2000 Ramatis Conhecimento 34. Samadhi Norberto Peixoto 2002 Ramatis Conhecimento 35. Evolução no Planeta Azul Norberto Peixoto 2003 Ramatis Conhecimento 36. Jardim Orixás Norberto Peixoto 2004 Ramatis Conhecimento 37. Vozes de Aruanda Norberto Peixoto 2005 Ramatis Conhecimento 38. A missão da umbanda Norberto Peixoto 2006 Ramatis Conhecimento 39. Umbanda Pé no chão Norberto Peixoto 2008 Ramatis Conhecimento 40. Diário Mediúnico Norberto Peixoto 2009 Ramatis Conhecimento 41. Medinunidade e Sacerdócio Norberto Peixoto 2010 Ramatis Conhecimento 42. O Triunfo do Mestre Norberto Peixoto 2011 Ramatis Conhecimento 43. Aos Pés do Preto Velho Norberto Peixoto 2012 Ramatis Conhecimento 44. Reza Forte Norberto Peixoto 2013 Ramatis Conhecimento 45. Mediunidade de Terreiro Noberto Peixoto 2014 Ramatis Conhecimento 6
  7. 7. Invocação às Falanges do Bem Doce nome de Jesus, Doce nome de Maria, Enviai-nos vossa luz Vossa paz e harmonia! Estrela azul de Dharma, Farol de nosso Dever! Libertai-nos do mau carma, Ensinai-nos a viver! Ante o símbolo amado Do Triângulo e da Cruz, Vê-se o servo renovado Por Ti, ó Mestre Jesus! Com os nossos irmãos de Marte Façamos uma oração-. Que nos ensinem a arte Da Grande Harmonização! 7
  8. 8. Invocação às Falanges do Bem Do ponto de Luz na mente de Deus, Flua luz às mentes dos homens, Desça luz à terra. Do ponto de Amor no Coração de Deus, Flua amor aos corações dos homens, Volte Cristo à Terra. Do centro onde a Vontade de Deus é conhecida, Guie o Propósito das pequenas vontades dos homens, O propósito a que os Mestres conhecem e servem. No centro a que chamamos a raça dos homens, Cumpra-se o plano de Amor e Luz, e mure-se a porta onde mora o mal. Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano de Deus na Terra. 8
  9. 9. Paz, Luz e Amor RAMATIS Espírito responsável pela presente obra. Sua missão consiste em estimular as almas desejosas de seguirem o Mestre, auxiliando o advento da grande Era da Fraternidade que se aproxima. (Desenho mediúnico por DINORAH S. ENÉIAS) 9
  10. 10. RAMATIS Uma Rápida Biografia A ÚLTIMA ENCARNAÇÃO DE RAMATIS SWAMI SRI RAMATIS (3 partes) Parte I Na Indochina do século X, o amor por um tapeceiro hindu, arrebata o coração de uma vestal chinesa, que foge do templo para desposa-lo. Do entrelaçamento dessas duas almas apaixonadas nasce uma criança. Um menino, cabelos negros como ébano, pele na cor do cobre claro, olhos aveludados no tom do castanho escuro, iluminados de ternura. O espírito que ali reencarnava, trazia gravada na memória espiritual a missão de estimular as almas desejosas de conhecer a verdade. Aquela criança cresce demonstrando inteligência fulgurante, fruto de experiências adquiridas em encarnações anteriores. Foi instrutor em um dos muitos santuários iniciáticos na Índia. Era muito inteligente e desencarnou bastante moço. Já se havia distinguido no século IV, tendo participado do ciclo ariano, nos acontecimentos que inspiraram o famoso poema hindu "Ramaiana", (neste poema há um casal, Rama e Sita, que é símbolo iniciático de princípios masculino e feminino; unindo-se Rama e atis, Sita ao inverso, resulta Ramaatis, como realmente se pronuncia em Indochinês) Um épico que conte todas as informações dos Vedas que juntamente com os Upanishades, foram as primeiras vozes da filosofia e da religião do mundo terrestre, informa Ramatis que após certa disciplina iniciática a que se submetera na china, fundou um pequeno templo iniciático nas terras sagradas da Índia onde os antigos Mahatmas criaram um ambiente de tamanha grandeza espiritual para seu povo, que ainda hoje, nenhum estrangeiro visita aquelas terras sem de lá trazer as mais profundas impressões à cerca de sua atmosfera psíquica. Foi adepto da tradição de Rama, naquela época, cultuando os ensinamentos do "Reino de Osiris", o Senhor da Luz, na inteligência das coisas divinas. Mais tarde, no Espaço, filiou- se definitivamente a um grupo de trabalhadores espirituais cuja insígnia, em linguagem ocidental, era conhecida sob a pitoresca denominação de "Templários das cadeias do amor". Trata-se de um agrupamento quase desconhecido nas colônias invisíveis do além, junto a região do Ocidente, onde se dedica a trabalhos profundamente ligados à psicologia Oriental. Os que lêem as mensagens de Ramatis e estão familiarizados com o simbolismo do Oriente, bem sabe o que representa o nome "RAMA-TIS", ou "SWAMI SRI RAMA-TYS", como era conhecido nos santuários da época. É quase uma "chave", uma designação de 10
  11. 11. hierarquia ou dinastia espiritual, que explica o emprego de certas expressões que transcendem as próprias formas objetivas. Rama o nome que se dá a própria divindade, o Criador cuja força criadora emana ; é um Mantram: os princípios masculino e feminino contidos em todas as coisas e seres. Ao pronunciarmos seu nome Ramaatis como realmente se pronuncia, saudamos o Deus que se encontra no interior de cada ser. Parte II O templo por ele fundado foi erguido pelas mãos de seus primeiros discípulos. Cada pedra de alvenaria recebeu o toque magnético pessoal dos futuros iniciados. Nesse templo ele procurou aplicar a seus discípulos os conhecimentos adquiridos em inúmeras vidas anteriores. Na Atlântida foi contemporâneo do espírito que mais tarde seria conhecido como Alan Kardec e, na época, era profundamente dedicado à matemática e às chamadas ciências positivas. Posteriormente, em sua passagem pelo Egito, no templo do faraó Mernefta, filho de Ramsés, teve novo encontro com Kardec, que era, então, o sacerdote Amenófis. No período em que se encontrava em ebulição os princípios e teses esposados por Sócrates, Platão, Diógenes e mais tarde cultuados por Antístenes, viveu este espírito na Grécia na figura de conhecido mentor helênico, pregando entre discípulos ligados por grande afinidade espiritual a imortalidade da alma, cuja purificação ocorreria através de sucessivas reencarnações. Seus ensinamentos buscavam acentuar a consciência do dever, a auto reflexão, e mostravam tendências nítidas de espiritualizar a vida. Nesse convite a espiritualização incluía-se no cultivo da música, da matemática e astronomia. Cuidadosamente observando o deslocamento dos astros conclui que uma Ordem Superior domina o Universo. Muitas foram suas encarnações, ele próprio afirma ser um número sideral. O templo que Ramatis fundou, foi erguido pelas mãos de seus primeiros discípulos e admiradores. Alguns deles estão atualmente reencarnados em nosso mundo, e já reconheceram o antigo mestre através desse toque misterioso, que não pode ser explicado na linguagem humana. Embora tendo desencarnado ainda moço, Ramatis aliciou 72 discípulos que, no entanto, após o desaparecimento do mestre, não puderam manter-se a altura do padrão iniciático original. Eram adeptos provindos de diversas correntes religiosas e espiritualistas do Egito, Índia, Grécia, China e até mesmo da Arábia. Apenas 17 conseguiram envergar a simbólica "Túnica Azul" e alcançar o último grau daquele ciclo iniciático. Em meados da década de 50, à exceção de 26 adeptos que estavam no Espaço (desencarnados) cooperando nos trabalhos da "Fraternidade da Cruz e do Triângulo", o restante havia se disseminado pelo nosso orbe, em várias latitudes geográficas. Destes, 18 reencarnaram no Brasil, 6 nas três Américas (do Sul, Central e do Norte), e os demais se espalharam pela Europa e, principalmente, pela Ásia. 11
  12. 12. Em virtude de estar a Europa atingindo o final de sua missão civilizadora, alguns dos discípulos lá reencarnados emigrarão para o Brasil, em cujo território - afirma Ramatis - se encarnarão os predecessores da generosa humanidade do terceiro milênio. A Fraternidade da Cruz e do Triângulo, foi resultado da fusão no século passado, na região do Oriente, de duas importantes "Fraternidades" que operavam do Espaço em favor dos habitantes da Terra. Trata-se da "Fraternidade da Cruz", com ação no Ocidente, divulgando os ensinamentos de Jesus, e da "Fraternidade do Triângulo", ligada à tradição iniciática e espiritual do Oriente. Após a fusão destas duas Fraternidades Brancas, consolidaram-se melhor as características psicológicas e objetivo dos seus trabalhadores espirituais, alterando- se a denominação para "Fraternidade da Cruz e do Triângulo" da qual Ramatis é um dos fundadores. Supervisiona diversas tarefas ligadas aos seus discípulos na Metrópole Astral do Grande Coração. Segundo informações de seus psicógrafos, atualmente participa de um colegiado no Astral de Marte. Seus membros, no Espaço, usam vestes brancas, com cintos e emblemas de cor azul claro esverdeada. Sobre o peito trazem delicada corrente como que confeccionada em fina ourivesaria, na qual se ostenta um triângulo de suave lilás luminoso, emoldurando uma cruz lirial. É o símbolo que exalta, na figura da cruz alabastrina, a obra sacrificial de Jesus e, na efígie do triângulo, a mística oriental. Asseguram-nos alguns mentores que todos os discípulos dessa Fraternidade que se encontram reencarnados na Terra são profundamente devotados às duas correntes espiritualistas: a oriental e a ocidental. Cultuam tanto os ensinamentos de Jesus, que foi o elo definitivo entre todos os instrutores terráqueos, tanto quanto os labores de Antúlio, de Hermés, de Buda, assim como os esforços de Confúcio e de Lao-Tseu. É esse um dos motivos pelos quais a maioria dos simpatizantes de Ramatis, na Terra, embora profundamente devotados à filosofia cristã, afeiçoam-se, também, com profundo respeito, à corrente espiritualista do Oriente. Soubemos que da fusão das duas "Fraternidades" realizada no espaço, surgiram extraordinários benefícios para a Terra. Alguns mentores espirituais passaram, então, a atuar no Ocidente, incumbindo-se mesmo da orientação de certos trabalhos espíritas, no campo mediúnico, enquanto que outros instrutores ocidentais passaram a atuar na Índia, no Egito, na China e em vários agrupamentos que até agora eram exclusivamente supervisionados pela antiga Fraternidade do Triângulo. Parte III Os Espíritos orientais ajudam-nos em nossos trabalhos, ao mesmo tempo em que os da nossa região interpenetram os agrupamentos doutrinários do Oriente, do que resulta ampliar- se o sentimento de fraternidade entre Oriente e Ocidente, bem como aumentar-se a oportunidade de reencarnações entre espíritos amigos. Assim processa-se um salutar intercâmbio de idéias e perfeita identificação de sentimentos no mesmo labor espiritual, embora se diferenciem os conteúdos psicológicos de cada hemisfério. Os orientais são lunares, meditativos, passivos e desinteressados geralmente 12
  13. 13. da fenomenologia exterior; os ocidentais são dinâmicos, solarianos, objetivos e estudiosos dos aspectos transitórios da forma e do mundo dos Espíritos. Os antigos fraternistas do "Triângulo" são exímios operadores com as "correntes terapêuticas azuis", que podem ser aplicadas como energia balsamizante aos sofrimentos psíquicos, cruciais, das vítimas de longas obsessões. As emanações do azul claro, com nuanças para o esmeralda, além do efeito balsamizante, dissociam certos estigmas "pré- reencarnatórios" e que se reproduzem periodicamente nos veículos etéricos. Ao mesmo tempo, os fraternistas da "Cruz", conforme nos informa Ramatis, preferem operar com as correntes alaranjadas, vivas e claras, por vezes mescladas do carmim puro, visto que as consideram mais positivas na ação de aliviar o sofrimento psíquico. É de notar, entretanto, que, enquanto os técnicos ocidentais procuram eliminar de vez a dor, os terapeutas orientais, mais afeitos à crença no fatalismo cármico, da psicologia asiática, preferem exercer sobre os enfermos uma ação balsamizante, aproveitando o sofrimento para a mais breve "queima" do carma. Eles sabem que a eliminação rápida da dor pode extinguir os efeitos, mas as causas continuam gerando novos padecimentos futuros. Preferem, então, regular o processo do sofrimento depurador, em lugar de sustá-lo provisoriamente. No primeiro caso, esgota-se o carma, embora demoradamente; no segundo, a cura é um hiato, uma prorrogação cármica. Apesar de ainda polêmicos, os ensinamentos deste grande espírito, despertam e elevam as criaturas dispostas a evoluir espiritualmente. Ele fala corajosamente a respeito de magia negra, seres e orbes extra-terrestres, mediunismo, vegetarianismo etc. Estas obras (15 Psicografadas pelo saudoso médium paranaense Hercílio Maes (sabemos que 9 exemplares não foram encontrados depois do desencarne de Hercílio... assim, se completaria 24 obras de Ramatís) e 7 psicografadas por América Paoliello) têm esclarecido muito os espíritos ávidos pelo saber transcendental. Aqueles que já possuem características universalistas, rapidamente se sensibilizam com a retórica ramatisiana. Para alguns iniciados, Ramatís se faz ver, trajado tal qual Mestre Indochinês do século X, da seguinte forma, um tanto exótica: Uma capa de seda branca translúcida, até os pés, aberta nas laterais, que lhe cobre uma túnica ajustada por um cinto esmeraldino. As mangas são largas; as calças são ajustadas nos tornozelos (similar às dos esquiadores). Os sapatos são constituídos de uma matéria similar ao cetim, de uma cor azul esverdeado, amarrados com cordões dourados, típicos dos gregos antigos. Na cabeça um turbante que lhe cobre toda a cabeça com uma esmeralda acima da testa ornamentado por cordões finos e coloridos, que lhe caem sobre os ombros, que representam antigas insígnias de atividades iniciáticas, nas seguintes cores com os significados abaixo: Carmim - O Raio do Amor Amarelo - O Raio da Vontade Verde - O Raio da Sabedoria 13
  14. 14. Azul - O Raio da Religiosidade Branco - O Raio da Liberdade Reencarnatória Esta é uma característica dos antigos lemurianos e atlantes. Sobre o peito, porta uma corrente de pequenos elos dourados, sob o qual, pende um triângulo de suave lilás luminoso emoldurando uma cruz lirial. A sua fisionomia é sempre terna e austera, com traços finos, com olhos ligeiramente repuxados e tês morena. Muitos videntes confundem Ramatís com a figura de seu tio e discípulo fiel que o acompanha no espaço; Fuh Planu, este se mostra com o dorso nu, singelo turbante, calças e sapatos como os anteriormente descritos. Espírito jovem na figura humana reencarnou-se no Brasil e viveu perto do litoral paranaense. Excelente repentista, filósofo sertanejo, verdadeiro homem de bem. Segundo Ramatís, seus 18 remanescentes, se caracterizam por serem universalistas, anti-sectários e simpatizantes de todas as correntes filosóficas e religiosas. Dentre estes 18 remanescentes, um já desencarnou e reencarnou novamente: Atanagildo; outro, já desencarnado, muito contribuiu para obra ramatiziana no Brasil - O Prof. Hercílio Maes, outro é Demétrius, discípulo antigo de Ramatís e Dr. Atmos, (Hindu, guia espiritual de APSA e diretor geral de todos os grupos ligados à Fraternidade da Cruz e do Triângulo) chefe espiritual da SER. No templo que Ramatis fundou na Índia, estes discípulos desenvolveram seus conhecimentos sobre magnetismo, astrologia, clarividência, psicometria, radiestesia e assuntos quirológicos aliados à fisiologia do "duplo-etérico". Os mais capacitados lograram êxito e poderes na esfera da fenomenologia mediúnica, dominando os fenômenos de levitação, ubiqüidade, vidência e psicografia de mensagens que os instrutores enviavam para aquele cenáculo de estudos espirituais. Mas o principal "toque pessoal" que Ramatis desenvolveu em seus discípulos, em virtude de compromisso que assumira para com a fraternidade do Triângulo, foi o pendor universalista, a vocação fraterna, crística, para com todos os esforços alheios na esfera do espiritualismo. Ele nos adverte sempre de que os seus íntimos e verdadeiros admiradores são também incondicionalmente simpáticos a todos os trabalhos das diversas correntes religiosas do mundo. Revelam-se libertos do exclusivismo doutrinário ou de dogmatismos e devotam-se com entusiasmo a qualquer trabalho de unificação espiritual. O que menos os preocupa são as questões doutrinárias dos homens, porque estão imensamente interessados nos postulados crísticos. 14
  15. 15. Jesus foi o espírito eleito para sacudir o pó das superstições e esclarecer doutrinas que ainda sacrificavam animais, e até seres humanos, a um Deus cruel. RAMATÍS, O Sublime Peregrino O servidor do Pai, inspirado pelo Evangelho, tanto admira a urtiga que fere quanto a violeta que perfuma; tanto tolera a serpente rastejante, que atende ao sagrado direito de viver, quanto admira a andorinha que cor- ta os espaços. Sabe que Deus não cometeu distrações na contextura dos mundos; que não criou "coisas ruins ou impuras" e que não cabe ao homem o direito de criticar supostos equívocos do Pai! O bálsamo, que alivia a dor, tem o seu correspondente no ácido, que cauteriza a gangrena. Eis por que não podemos nos tingir a um sistema único de comunicações mediúnicas, de modo a vos entregarmos mensagens confeccionadas especialmente para o cabide do vosso comodismo mental. Não deveis criar a separação, exigindo preferência exclusiva para o que vos é simpático, pois, não existindo coisa alguma absolutamente impura, à medida que realmente evoluirdes, descobrireis os valores que se acham ocultos nas coisas consideradas inúteis ou daninhas. RAMATÍS, Mensagens do Astral Não tenhais medo! Eu venci o mundo. Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a todas as criaturas. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça daí. Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações. JESUS 15
  16. 16. Sumário Preâmbulo de Ramatís 17 I. O sacrifício de jesus, o cordeiro de deus, para libertar a humanidade da matança animal 19 II. A prisão dos espíritos nos sacrifícios animais mantidos pelas religiões 30 III. Diálogo com um príncipe das trevas 52 IV. Na busca do sagrado: do sacrifício animal à imolação corporal 57 V. O crescimento do sistema de trocas com o "reino de Deus" 64 no mercado mágico religioso VI. Os abusos espirituais e os traumas psíquicos causados 70 VII. Apometria - ferramenta do mestre para atuar nos corpos espirituais 82 VIII. A fisiologia oculta das curas de Jesus 88 IX. O triunfo do mestre - a fraternidade na coletividade crística 105 X. Anexo l - Os sacrifícios e o espiritismo 110 XI. Anexo 2 - explosão das seitas neoevangélicas 114 16
  17. 17. Preâmbulo de Ramatís Cumprindo nossos compromissos com os Maiorais da espiritualidade que nos autorizam os labores neste orbe, entrega-mo-vos mais esta singela obra, visando a auxiliar os cidadãos simpáticos aos nossos escritos a se libertarem de velhos hábitos que os mantém ligados ao magnetismo animalizado, que fatalmente os impulsionará ao reencarne compulsório em mundos inferiores à Terra. Como o Velho Testamento tem servido de base para que muitos sacerdotes de hoje justifiquem a crueldade cometida com os animais através do corte sacriflcial, recomendamos a sua re-leitura à luz do Evangelho, bem como dos exemplos deixados por Jesus quando esteve entre vós, pois Ele curava sem, no entanto, nunca ter recomendado o rito de purificação que sacrifica os nossos irmãos menores. Assim sendo, a liturgia externa das leis mosaicas, que sustentava um sistema de troca com Deus simbolizado pelo sacrifício do cordeiro, era totalmente inadequada à interiorização da mensagem de Jesus, pois além de as oferendas sangrentas não extinguirem os deslizes dos pecadores, nem promoverem a reforma íntima, a casta sacerdotal ainda exigia que fossem re- novadas continuamente com a substituição por outros animais, igualmente sacrificados, como pombos e bodes. Desse modo, acabou-se por estabelecer um sistema de escambo, baseado na mortandade desses inocentes, de tal magnitude que o próprio destino religioso da humanidade ficou comprometido. Esse estado de inconsciência coletiva não provinha somente do judaísmo antigo. Contudo, no contexto da época de Jesus, era o que mais se sobressaía. A sacralização com mortandade de animais estava tão enraizada, que até mesmo Moisés procedeu a um rito de purificação do altar, espargindo-lhe sangue antes de colocar sobre ele a pedra dos dez mandamentos, para a primeira leitura com os hebreus. Somente um Messias salvador poderia estabelecer uma lógica irrefutável àquelas mentes ignorantes e primárias, hipnotizadas no corte ritualístico, ao colocar-se como o Cordeiro vivo de Deus. E assim, diante dos ensinamentos libertadores do Cristo, se trocaria as imolações animais externas por preceitos evangélicos. Apesar dos protestos daqueles que não conhecem a importância vital da manutenção do éter-físico (prana ou vitalidade) do duplo-etérico e dos chacras planetários, a verdade é que a irresponsabilidade espiritual pelo derramamento de sangue animal, seja pelos sacerdotes, ou mesmo nos matadouros, frigoríficos e charqueadas, estagna a evolução coletiva; tanto faz se se trata de troca "salvacionista" com o Além, ou da destruição da natureza para a expansão da pecuária intensiva que sustenta indústrias motivadas por lucros. Ambas geram um destrutivo carma humano e planetário, tornando-se os grandes roteiristas do teatro dantesco que é a infelicidade das nações, pois enquanto o sangue de nossos irmãos menores se espalhar, os espíritos desencarnados continuarão se alimentando de tônus vital distorcido, promovendo a prática das vampirizações coletivas. O Pai, ao criar o Universo e as criaturas para preencherem a imensidão cósmica, estabeleceu, com Seu infinito amor, que a ninguém privilegiaria, deixando as escolhas para cada filho. Por Sua imanência e impessoalidade, não diferencia ou indica eleitos, pois ama a todos igualmente, bons e maus, justos e injustos, santos e criminosos, ateus e crentes, 17
  18. 18. independentemente de crenças ou descrenças personalísticas, tão comuns aos habitantes dos planos densos da existência. Dá o Criador a liberdade absoluta, pela concessão do livre- arbítrio, e deixa cada um escolher o caminho a seguir, obviamente arcando com as conseqüências, já que a semeadura é livre e a colheita obrigatória para a concessão do passaporte de entrada nos planos superiores da vida. Ocorre que, de tempos em tempos, finda-se um ciclo e outro se inicia. Neste momento planetário, é chegada a hora da colheita dos resultados de vossas ações; termina o prazo de existência física para certos espíritos recalcitrantes e inicia-se outro em orbes mais atrasados, enquanto espíritos mais esclarecidos nas leis do Cristo chegam à vossa psicosfera, contribuindo decisivamente para a consolidação da fraternidade. Findo o "dia final do carma", esgota-se o direito de estada neste atual endereço para muitos espíritos. As ondas do mar vão e vêm, vêm e vão. Assim, espíritos calcetas vão e vêm, vêm e vão, degredados de um orbe a outro, até a implantação definitiva do estado de consciência crística na Terra. Entre um movimento de fluxo e refluxo transmigratório, o planeta está sendo construído em sua cultura, psicologia, espiritualidade e geografia, tanto mais quanto mais se internalizam as verdades do Cristo. A transição planetária se dará com o "Triunfo do Mestre", como chama ardente consolidando a vitória final do Cristo interno em cada discípulo na Terra. Meus amados, uni-vos em nome do Cristo. É o apelo do amigo de sempre. Jesus vos abençoe! RAMATÍS Porto Alegre, 27 de abril de 2011 18
  19. 19. I O sacrifício de Jesus, o Cordeiro de Deus, para libertar a humanidade da matança animal Ele entrou de uma vez por todas no santuário, não com sangue de bodes e novilhos, mas com seu próprio sangue, depois de conseguir para nós uma libertação definitiva. Muito mais o sangue de Cristo, que, com um espírito eterno, se ofereceu a Deus como vítima sem mancha! Ele purificará das obras da morte (dos animais) a nossa consciência, para que possamos servir ao Deus vivo. EPÍSTOLA AOS HEBREUS 9:11-14 No entanto, a cruz no centro estava vazia, porque já se havia cumprido o sacrifício do Salvador. Daquele momento em diante, ela deixava de ser instrumento de castigo in-famante do homem, para tornar-se o caminho abençoado da libertação espiritual da humanidade. Jesus, o Messias, havia triunfado sobre as trevas, nutrindo a luz do mundo através do combustível sacriflcial do seu próprio sangue! RAMATÍS, O Sublime Peregrino Pergunta: - Alguns simpatizantes de vossos ensinamentos estão contrariados. Eles ignoram os recentes livros, afirmando que estais misturando "alhos com bugalhos", ao asso-ciardes os ensinamentos dos orixás com os de Jesus. Outros espiritualistas que antagonizam a umbanda julgam que isso é influência do médium, notadamente umbandista. Uns tantos consideram seus escritos "perigosos" aos iniciantes e o classificam de "polemista do Além". O que tendes a dizer? Ramatís: - Não temos o objetivo de agradar a todos. Nenhum religioso ou crente espiritualista deve nos classificar nesta ou naquela seara, pois somos livres em espírito, assim como o vento o é. Conforme diz a máxima de Jesus: "Não julgueis para não serdes julgados", seguimos resolutamente nossos compromissos à luz dos ensinamentos universais do Cristo, sem nos preocupar com as opiniões doutrinárias estandardizadas dos homens, porque sabemos que os julgamentos são temporários e mudarão com as sucessivas reencarnações. Ao sol do 19
  20. 20. meio-dia, vossos olhos não percebem a meia-noite, do outro lado do orbe, ainda que o movimento de rotação do planeta o indique, pois vossa percepção chumbada à crosta é limitada e ilusória. Assim, a expansão da consciência e o alargamento do sentimento fraterno requer a liberdade espiritual, que somente o tempo dará aos retidos no ciclo carnal. Quanto ao fato de meu atual sensitivo ser notadamente umbandista, temos a dizer que é da índole humana a vivência particularizada em um rito, culto, credo ou doutrina. Aquele que destaca no outro a opção religiosa demonstra contrariedade com o seu modo de pensar diferente. Fala-se muito em universalismo. Na aparência, os universalistas se dizem contrários aos postulados sectaristas e defendem a fraternidade, mas velada-mente muitos não abrem mão de seus estandartes: "Sou espírita, fulano é católico, beltrano é umbandista, sicrano é teosofista...". Enquanto os homens integrarem grupos distintos, separados por sistemas de crenças, ritos, liturgias e dogmas, e levantarem bandeiras particularizadas, estarão distantes de uma vivência plena e fraterna, como a preconizada por Jesus no código de conduta crística de seu sublime Evangelho. Aos nossos simpatizantes e antagonistas, temos a dizer que, assim como o caldo de cana pode se transformar em açúcar, que adoça, que não se desmancha no café, os melhores amigos de ontem podem ser os piores inimigos de hoje, ou, conforme o revezamento das personagens no teatro das existências humanas, se tornarão os confrades de amanhã. Exemplo disso são as polonesas judias, que foram as mais ferrenhas e cruéis torturadoras entre as prisioneiras dos campos de concentração nazistas, e retornaram em nova vida abandonadas em orfanatos alemães, à espera de adoção; e os africanos alforriados, feitos capatazes nas feitorias dos canaviais, que perseguiam obstinadamente os negros fujões e acabaram nascendo com paralisia infantil em núcleos de minoria étnica perseguida. Em ambos os casos, aprenderam o valor do amor e da tolerância incondicionais. Por isso, deveis libertar vosso psi-quismo diante das aceitações ou rejeições temporárias, já que, inexoravelmente, todos os viandantes deste planeta caminham para a integração amorosa e fraterna. Esta é a lei universal de equilíbrio entre as reencarnações sucessivas. Os ensinamentos de Jesus na umbanda seguem um plano previamente traçado no Astral, desde o advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas,1 não sendo apenas um repositório de máximas e ditames morais, nem códigos exclusivos de uma determinada religião, como desejam os crentes sectários. O Evangelho do Cristo é um tratado cósmico de libertação espiritual do homem que, como o prumo que alinha a construção, ajusta os tijolos internos da obra de Deus em Seus filhos, conforme a máxima: "Eu e o Pai somos um", adaptando-os às leis supremas do Universo, que valem para todas as religiões da Terra, independentemente de sua procedência. (1) Foi o fundador da umbanda. Sua primeira manifestação mediúnica se deu em perfeita incorporação inconsciente, através do médium Zélio, em 15 de novembro de 1908 na cidade de Niterói - RJ. Perguntaram ao Caboclo: "O que é umbanda?". Ele respondeu: "À umbanda é a manifestação do espírito para a caridade". Como Deus é uma Divindade Suprema, única e indivisível, os encarnados encontram sérias dificuldades de percebê-Lo em sua natureza sagrada - absoluta e intangível - nas religiões que professam. Com isso, intensifica-se o separatismo religioso, exaltando-se a intolerância aos livros santos (codificações) de fé alheia, especialmente quando se trata de aceitar Deus em outras crenças que não em suas religiões de origem, partindo-se muitas vezes para o abuso espiritual, a agressão física e lutas fratricidas. 20
  21. 21. Assim como os gatos machos se digladiam ferozmente nos telhados, os cidadãos animalizados ainda não conseguem dominar seus instintos primários de gladiadores, mesmo em nome do Criador. Essa oposição sectária tem de ser gradativa-mente escoimada, pois as imutáveis leis divinas, irrevogáveis, ditam que o sopro criador, a luz vivificante e o impulso religioso provindos de Deus são um só, em todos os fenômenos visíveis e ocultos da vida no Cosmo, independentemente dos rótulos das religiões terrenas transitórias. Pergunta: - Por que Jesus aceitou ser sacrificado. Ele que entrou na capital do país (Jerusalém) ovacionado como o "filho de Davi", "rei de Israel", legítimo herdeiro do trono de Salomão? Ramatís: - Nesta despretensiosa obra, tão-somente queremos mostrar os aspectos ainda ocultos do sacrifício cósmico do Nazareno, aos 33 anos, no auge de sua capacidade mediúnica, perfeito em sua evolução física, mental, emocional e espiritual, reforçando o legado evangélico que deixou aos humanos. Nunca um homem foi tão integralmente glorioso e triunfante, ao aceitar ser derrotado e sacrificado na cruz, tendo seu corpo físico aniquilado para renascer fortalecido em espírito no reino de Deus, provando aos incrédulos iludidos a realidade da verdadeira vida. Obviamente Jesus convivia com os sacrifícios animais, que já existiam entre os hebreus muito antes da entrega da Torah (lei recebida por Moisés no Monte Sinai), o que contrariava sua índole psicológica, que era toda amor e respeito à vida. Desde Caim e Abel, Abraão e filhos, Noé e família, todos ofereciam sacrifícios. Quando as leis dos sacrifícios foram entregues aos israelitas na Torah, o sistema preexistente de oferendas foi então regulamentado e praticado no templo de Jerusalém. Jesus sabia que somente com a chegada do Messias - ele próprio -, colocando-se como o cordeiro de Deus,2 estabelecendo as diretrizes morais crísticas do Evangelho, sendo inevitavelmente sacrificado no calvário, conseguiria deixar as sementes que mudariam o estado de consciência que imperava na época. Era uma noção hipnotizada de troca com Deus, baseada nas escrituras sagradas, que "legalizavam" o corte sacrificial para a remissão dos pecados. (2) "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo"- João l :29 Jesus cumpriu sua missão com galhardia. Depois da célebre entrada triunfal em Jerusalém, anulou a ilusão do poder religioso terreno transitório e incorporou soberbamente sua missão redentora. Assim como um alimento vigoroso deve ser triturado para ser metabolizado em forma protéica superior pelo corpo humano, o Mestre dos mestres caminhou resolutamente para a aniquilação física do seu veículo orgânico na cruz. A seqüência dos fatos de sua paixão e morte demonstrou a plenitude do seu sacrifício cósmico, integral, absoluto, renunciando às glórias efêmeras dos títulos sacerdotais terrenos e integrando-se à ordem universal do Cosmo, que se revela na prática incondicional do amor. Ele deixou-se crucificar num ato sublime de amor pela humanidade. Nessa caminhada, seus piores inimigos (os chefes da sinagoga) o desafiaram com arrogância: "Se tu és o filho de Deus, desce da cruz e estaremos contigo". Então, seus companheiros no suplício pediram que provasse ser o Messias,3 dizendo: "Se tu és o Cristo, o filho de Deus, salva-te a ti e a nós também". Sabedor das verdades espirituais, teve temperança inabalável e pediu perdão ao Pai por eles. Voltaria como o Cristo ressurreto, evidenciando o seu poder pela materialização do seu perispírito e provando a existência das estrelas reluzentes das verdades do reino de Deus diante do ouro ilusório do reinado pueril da materialidade. 21
  22. 22. (3) Pedra do Mar Morto confirma a "messianidade" de Jesus Cristo: Recentemente cientistas israelitas analisaram cuidadosamente uma laje de pedra de aproximadamente 100 centímetros de altura, que contém 87 linhas em hebraico. Ela data de alguns anos antes do nascimento de Jesus Cristo. A descoberta abalou os círculos de arqueologia bíblica hebraicos porque prova que os judeus alimentavam a expectativa de um Messias que haveria de vir e que ressuscitaria três dias depois de morto. Para os cristãos, a pedra é mais uma confirmação da fé e das escrituras. Porém, a descoberta semeou consternação entre os judeus, pois é uma prova da verdade de que Jesus Cristo tinha tudo para ser o Messias esperado. O achado deixa em situação incômoda a Sinagoga que o crucificou e os que compartilham o deicídio. A placa foi achada perto do Mar Morto e é um raro exemplo de inscrição em tinta sobre pedra em duas colunas, como a Tora (equivalente ao Pentateuco nas escrituras hebraicas). Para Daniel Boyarin, professor do Talmude na Universidade de Berkeley (EUA), a peça é mais uma evidência de que Jesus Cristo corresponde ao Messias tradicionalmente esperado pelos judeus. AdaYardeni e Binyamin Elitzur, especialistas israelenses em escrita hebraica, após detalhada análise, concluíram que datava do fim do primeiro século antes de Cristo. O professor de arqueologia da Universidade de Tel Aviv, Yuval Goren, fez uma análise química e acha que não se pode duvidar de sua autenticidade. Também Israel Knohl, professor de estudos bíblicos da Universidade Hebraica, defende que a pedra prova que a "a ressurreição depois de três dias é uma idéia anterior a Jesus, o que contradiz praticamente toda a atual visão acadêmica". Compreende-se a confusão e a contradição que a descoberta cria no judaísmo, dado que foram os judeus que arquitetaram o calvário de Jesus. Fonte:bttp://carissi-mos.blogspot.com/2008/07/pedra-do-mar-morto-confirma-divindade.html Pergunta: - Por que Deus exigia sacrifícios de animais no Velho Testamento? Ramatís: - Obviamente as exigências de sacrifícios de animais "por Deus", a fim de que os homens recebessem perdão de seus pecados (Levítico 4:35; 5:10), ocorreram porque os cidadãos da época não O compreendiam plenamente como fonte geradora de amor, justiça e bondade. As escrituras são um reflexo do inconsciente coletivo, que ditava os instintos dos indivíduos. A lei do "olho por olho, dente por dente" era apenas a institucionalização religiosa de um regramento para a contenção das comunidades cujo entendimento espiritual era por demais rudimentar, em que os cidadãos instintivamente vingativos eram capazes de atirar os filhos em fornalhas ardentes, como nos ditam os relatos bíblicos sobre os amonitas, uma etnia de Canaã. A matéria dominava o espírito na mentalidade dos povos antigos. Os instintos animais prevaleciam, e é por isso que "precisavam" da representação de um Deus cruel, punitivo, já que não tinham um sentido moral mais apurado e O concebiam capaz de se rejubilar até com o sangue humano para aplacar Sua ira. Prevalecia a falsa crença de que aos olhos de Deus o valor do sacrifício estava diretamente ligado à vítima, à imolação animal. Tinham o Deus que mereciam e podiam compreender. As escrituras do Velho Testamento refletiam o estado de incons-ciência e ignorância espiritual que dominava as coletividades, dentro da lei cósmica "semelhante atrai e cura semelhante". A evolução dá os passos certos para não derrubar os cidadãos, assim como os bebês não andavam a cavalo antigamente e ainda hoje não pilotam vossos possantes automotores. 22
  23. 23. Pergunta: - Simbolicamente, a assertiva bíblica "animais foram mortos por Deus para providenciar vestimentas para Adão e Eva" significa que a raça humana não se teria mantido e evoluído sem sacrificar vossos irmãos menores do orbe? Podemos ter esta interpretação? Ramatís: - Há de considerar-se que o impedimento da permanência de Adão e Eva no "paraíso", após o pecado original e a prevalência dos instintos animais potencializados pela influência da serpente, é uma forma de pedagogia simbólica para fazer-se entender a justiça sideral, com a finalidade de educar as almas errantes que subvertem as leis divinas. Adão e Eva, espíritos "caídos", exilados de outro orbe para a Terra, refletem o exílio de milhares de espíritos rebeldes que vieram de planetas superiores à Terra em reeducação, num ambiente físico mais hostil. A maçã e a serpente simbolizam os apelos do mundo e são elementos para a vitória do eu inferior, dos vícios, da sexolatria, da cupidez, da vaidade, do orgulho e do egoísmo que comprometem os ditames superiores da vida que Deus destinou a toda a Sua Criação. Como a casa do Pai tem muitas moradas, nada mais natural que os orbes mais primá- rios servirem de localização para espíritos que necessitam de retificação, reiniciando a caminhada rumo à estação angélica, nos paraísos dos planos rarefeitos. A palavra paraíso significa uma área com jardim murado e é descrito em remotas eras no idioma avéstico, uma das línguas mais antigas da família indo-européia, compondo os textos religiosos do zoroastrismo. Ainda temos no sânscrito (língua da índia com uso litúrgico no hinduísmo, budismo e jainismo) outra palavra símile, paradesha, que quer dizer país supremo. De conformidade com as diversas tradições orientais, paradesba é um reino espiritual em que a capital é shambhala, que significa em sânscrito um lugar iluminado de paz, felicidade e tranqüilidade. Podeis concluir que a plenitude cósmica dos planos celestiais se reflete remotamente nos orbes físicos, já que o Éden não é da matéria, muito menos de vossa Terra. É um estado de consciência crística que remete o espírito a dimensões vibrató- rias, que se pode comparar ao céu dos católicos. Sem dúvida, as primeiras raças do planeta necessitaram sacrificar os irmãos menores para alimentar e agasalhar os corpos físicos rústicos. A Terra, ainda um planeta primário, era açoitada pelas variações climáticas e, entre gelos e degelos, os corpos humanos teriam se extinguido sem a proteína animal e as peles que os aqueciam nos invernos congelantes. Há de se compreender que o primitivismo planetário e o carnivorismo, como supridor protéico, servem de palco e moradia educativa para espíritos rebeldes, de escassas capacidades psíquicas e necessitados de corretivos à sua própria evolução. Daí as intempéries, as variações climáticas selvagens e os cataclismos geológicos. Quanto à evolução espiritual da humanidade atual, que dá ares de civilização sustentada por tecnologia, conforto e informação que a ciência propicia, pode-se afirmar que continua matando os seus irmãos por motivos religiosos, entre acepipes, tragadas de cigarros e finos uísques. Em uma guerra santa insana, homens-bombas massacram seus semelhantes sob os rótulos transitórios de budistas, judeus, hindus, ensangüentando o solo do orbe, como há milênios, com o morticínio fratricida. Noutro ângulo, os cidadãos atuais, civilizados e bem-vesti-dos, entre paredes climatizadas com potentes condicionadores de ar e televisores de última geração - ao contrário dos homens selvagens de outrora, em suas cavernas -, apesar da fartura de cereais, hortaliças, frutas e legumes que Deus espargiu sobre o planeta, devoram famelicamente quitutes manufaturados de fígados, rins, estômagos, tripas, asas, peles e miolos de animais inocentes 23
  24. 24. que são massacrados aos milhões, diariamente, nos matadouros construídos com a mais engenhosa tecnologia que a inteligência humana pode desenvolver. E Jesus continua amparando a Terra para o serviço educativo das almas, mesmo que elas ainda se tinjam de sangue, matando-se reciprocamente pelas diferenças de doutrina, diversidade racial, competições no trânsito tresloucado, tráfico de drogas ou pelo imperialismo bélico, econômico e político das nações ditas civilizadas. Resumindo nosso pensamento, para não nos tornarmos por demais repetitivos, os homens dominam uns aos outros, cegos pela ânsia de poder, e não conseguem dominar evangeli-camente os seus passos no orbe. Vosso planeta sofre um grande suplício, um verdadeiro calvário para vos abrigar. Mas a bondade do Pai é infinitamente grande e provedora. Muitos outros orbes poderão alojar vossos espíritos, e ao que tudo indica, pela caminhada dos cidadãos até agora, serão planetas mais atrasados e inóspitos que a dadivosa e primária Terra, que se esvai paulatinamente pela ação nefasta dos seus habitantes mais evoluídos. Pergunta: - Podeis citar algumas passagens do Velho Testamento que descrevem o sacrifício de animais, e alimentavam o inconsciente coletivo à época de Jesus? Ramatís: - Quando Adão e Eva pecaram, ao comer a maçã, animais foram mortos por Deus para providenciar vestimentas para eles (Gênese 3:21). Como o paraíso é um estado de consciência inalcançável aos encarnados, pois o espirito que o alcança está liberto do ciclo de encarnações sucessivas e passa a habitar dimensões do plano superior, verifica-se nessa assertiva uma espécie de devaneio, ou melhor, uma projeção do inconsciente daqueles que escreveram as escrituras, já que Deus não poderia descer à crosta para sacrificar os animais. Reforça-se a verve sacriflcial sanguinolenta dos homens de letras de antigamente quando Caim e Abel trouxeram ofertas ao Senhor. A de Caim não foi aceita porque ele trouxe frutas, enquanto que a de Abel foi aceitável porque ele trouxe "das primícias do seu rebanho e da gordura deste" (Gênese 4:4-5). Claro está que se a gordura estava sendo ofertada, o sacrifício já tinha sido consumado, deslocando-se para Deus a preferência pela segunda oferenda, que na verdade é oriunda do atavismo sacrificatório do ofertante, captado pelo escriba das escrituras. Inexplicavelmente, Noé, após o trabalho hercúleo de juntar, alimentar e salvar os animais do dilúvio destruidor, durante quarenta dias e noites, sacrificou animais em agradecimento a Deus (Gênese 8:20-21). Sua arca deveria ser gigantesca, maior do que os vossos transatlânticos atuais, a fim de ter animais sobrando para serem sacrificados e ao mesmo tempo não comprometer a continuidade da vida de nenhuma espécie. Deus ordenou que Abraão sacrificasse seu filho Isaque. Abraão obedeceu a Deus, mas quando estava prestes a sacrificá-lo, Deus interveio e providenciou um carneiro para morrer no lugar dele (Gênese 22:10-13). Aqui temos a manifestação de um Deus "bondoso" que opta por um carneiro ao invés do sacrifício humano. Ele mesmo "providenciando" o animal a ser imolado, o que demonstra o reflexo psíquico das mentes paralisadas no corte sacrificial, que ditavam ao Criador como Ele deveria agir em relação aos seus anseios com o sagrado. O sistema de sacrifícios atinge seu auge com a nação de Israel, exatamente no fulcro gerador do judaísmo antigo. De acordo com Levítico 1:1-4, certos procedimentos deviam ser 24
  25. 25. seguidos: o animal tinha de ser perfeito; a pessoa que estava oferecendo o animal devia identificar-se com ele; o próprio ofertante tinha de infligir a imolação sacrificial, a fim de ter o perdão dos pecados. Outro sacrifício no chamado "dia de expiação", descrito em Levítico 16, também exalta o perdão e a retirada dos pecados: os sacerdotes judaicos tinham de oferecer anualmente dois bodes em sacrifício; um deles era abatido como oferta pelos pecados do povo de Israel (Levítico 26:15), enquanto o outro era solto no deserto (Levítico 16:20-22). A primeira oferta, o sacrifício com derramamento de sangue, providenciava o perdão dos pecados, e o segundo retirava os pecados e os levava para longe. Obviamente, quanto mais bonitos, resistentes e saudáveis fossem os animais, melhor seriam aceitos como oferendas. O bode a ser solto, quanto mais longe fosse deixado no deserto, mais garantia se tinha de que os pecadores não voltariam a cometer os mesmos pecados. O animal era martirizado até morrer pelo calor escaldante e a aridez insuportável, expiando os pecados do povo. Assim, criou-se o aforismo popular "bode expiatório", e dessa forma era feito o perdão dos pecados à época da vinda do amoroso Jesus, o Cordeiro de Deus. Pergunta: - Quais os motivos para Jesus ser considerado o salvador da humanidade? Ramatís: - A resposta a esta questão redundou em um livro à parte (O Sublime Peregrino) em que aprofundamos os motivos "ocultos" da vinda e da vida de Jesus durante sua estada na Terra. Ele é considerado o salvador porque até o momento cruciante de sua morte na cruz a humanidade vibrava intensamente na animalidade instintiva da inferioridade espiritual. O corpo de Jesus sacrificado foi o condensador energético do Cristo planetário, resumindo com galhardia o tratado cósmico de libertação espiritual deixado no seu sublime Evangelho. Para o enfoque dessa obra, é preciso sintetizar como era a cultura religiosa judaica preponderante na época de Jesus. A relação com o sagrado estava completamente banalizada pelos constantes e repetidos sacrifícios animais. Os ritos inerentes ao judaísmo antigo preceituavam um substituto sacrificial pelos pecados dos ofertantes. A liturgia externa das leis mosaicas, eivada de sacrifícios animais que sustentavam um sistema de "troca com Deus", era inadequada à interiorização do Evangelho que deveria ser deixado por Jesus. Estabeleceu-se um aleijão teológico tal, que para ser consertado foi necessário haver um sacrifício que não "somente" cobrisse os pecados dos cidadãos, mas que "tirasse", de uma vez por todas, os pecados do mundo, e se dispensasse a humanidade de continuar derramando sangue em nome de Deus, a fim de que os homens demonstrassem sua fé. Assim, Jesus construiu uma ponte de luz definitiva entre Deus e os homens, já que o Messias cumpriu o seu papel sacrificial de levar os pecados do mundo no seu calvário. O plano de Deus de acabar com todo o sistema de sacrifícios e da satisfação diária de Sua justiça "ofendida" pelos homens (bastava ter um animal e uma faca afiada em mãos sacerdotais) acabou também com a necessidade da lei externa e ritualística de Moisés. Logicamente Jesus, o Cordeiro de Deus, triunfou à luz da razão evangélica, diante das trevas das consciências nubladas pelo escambo fluídico sanguinolento com Deus, difundindo claridade espiritual num mundo de sombras egoísticas, através do combustível sacrificial do seu próprio sangue. Se Ele, o canal vivo do Cristo, se colocou como oferenda sacrificial a Deus, nenhum outro cordeiro do mundo se igualaria a Ele, liberando as almas arrependidas e aflitas de antanho da mortandade em troca do perdão dos seus pecados. 25
  26. 26. Jesus foi o tabernáculo vivo no planeta que transferiu para si os pecados da humanidade, salvando-a do abismo que se avizinhava e impediria a mensagem da Boa Nova evangélica de concretizar-se nas mentes cristalizadas nos ritos sacrificiais. Pergunta: - Parece-nos que foi uma "maldade" exigir-se o sacrifício de Jesus na cruz. Não haveria outra forma de convencer os incrédulos daquela época? Ramatis: - O Criador não vibra em considerações perso-nalísticas. Ele atua sempre na medida exata, por meio de Suas sábias, justas e perfeitas leis cósmicas, em favor da coletividade em evolução. O calvário de Jesus e o seu sacrifício na cruz são, antes de qualquer consideração emocional terrena, a maior comprovação testemunhai histórica que a comunidade da Terra pôde receber da fé inquebrantável na existência da vida após a morte. Em nenhum momento Jesus se afligiu com a sua cruci-ficação. Ao contrário, preocupava-se com os que iam ficar e, no seu último suspiro, pediu perdão ao Pai pelos que o sacrificaram, pois eles não sabiam o que estavam fazendo. O desconhecimento do reino de Deus era de tal magnitude, à época, que os cidadãos entendiam que o sofrimento da criatura pudesse transferir-se para um animal sacrificado em expiação, livrando-os dos pecados do mundo, e que Deus solidarizava-se com isso. Assim, como o camaleão que muda de cor para se camuflar com o ambiente, foi necessário um mimetismo sacrificial para se transferir ao corpo de Jesus a violência e o hipnotismo mental que predominavam no escambo religioso eivado de mortandade animal. Assim, deslocou-se a fixação dos homens da liturgia sanguinolenta para o calvário do Messias e para o seu corpo físico imolado na cruz. Entretanto, até os dias de hoje ainda predomina no meio do catolicismo popular a imolação corporal como prova viva da devoção sacrificial, esquecendo- se o Evangelho do sublime peregrino em favor da rememoração do seu sofrimento e seu sangue derramado. Em virtude de alguns leitores espiritualistas estudados estranharem as catarses geradas pela imitação do flagelo de Jesus, provocadas pelos devotos em seus próprios corpos, abordaremos este tema em capítulo à parte, aprofundando a fisiologia oculta dos processos que levaram ao deslocamento psíquico dos sacrifícios animais do passado para o presente, a imolação corporal dos crentes na sua busca pelo sagrado. Resta dizer que está demarcado no psiquismo profundo da coletividade encarnada, infantilizada pelos dogmas e infalibilidade dos sacerdotes, o tabu de que fé inquebrantável é aquela acompanhada de dor e sofrimento autoimpostos. Estas elucidações são importantes para a compreensão de quanto ainda o sacrifício é motivo de troca pelas benesses, milagres e facilidades espirituais buscadas nas religiões neoevangélicas e nas práticas mágicas populares. Deixam a psicologia libertadora do Evangelho do Rabi da Galiléia de lado, qual barco sem leme levado pela correnteza, pois não é nada fácil interiorizar-se os ensinamentos morais do Cristo e ainda é dificílimo ao cidadão comum praticá-los, ante a afoiteza com que busca resultados espirituais mágicos e imediatos. Transcorreram 2010 anos do calvário de Jesus, mudaram os cenários, as personagens, mas o atavismo que dita o menor esforço para o alcance e adoração dos bezerros de ouro continua o mesmo. 26
  27. 27. Pergunta: - Diante da máxima universal de que a seme-adura é livre e a colheita obrigatória, não existem pecados, apenas causas e efeitos. O fato de Jesus "liberar-nos da responsabilidade pelos nossos pecados" (atos) não nos infanti-lizou espiritualmente ao longo da história, pelos caminhos que as religiões instituídas deram ao cristianismo? O que tendes a dizer a esse respeito? Ramatís: - Em verdade, Deus não estabelece nenhum sistema punitivo aos cidadãos em evolução. Todas as dores e sofrimentos humanos, individuais e coletivos, regem-se pela mais absoluta justiça, por mais desagradáveis e trágicas que possam ser as colheitas de cada alma. Os seres ignorantes, ao agirem com descaso em relação à Lei Maior, ativam inconscientemente um automatismo cósmico retiflcador que reage em igual proporção, alinhando-os novamente nos trilhos de ascensão à estação angélica. Ninguém é punido ou castigado porque "peca", já que o pecado serve tão-somente às religiões para esculpir a culpa, o medo e a dominação nos crentes. Além do mais, aquilo que não era pecado ontem é hoje, e o que é pecado na atualidade antigamente não o era. Se os costumes morais e religiosos não mudassem, conforme o contexto da época, nos dias atuais seria normal matar o inimigo e o matador ser ovacionado ao voltar para casa com o derrotado morto puxado pelos cabelos como nos ritos sagrados de algumas etnias silvícolas, em que se comia os desafetos assados. Em sentido inverso, as mulheres divorciadas da sociedade atual seriam pecadoras hereges destinadas à fogueira; não se teria liberdade de opção religiosa e os bispos e cardeais católicos continuariam ricos, tendo muitas amantes e mandando em vossos governantes. Os "pecados" mudam na linha do tempo, em concordância com os sistemas sociais, religiosos, econômicos e morais de cada época; imputa-se atitudes punitivas a um Deus que é todo amor. Virtudes e vícios são perenes e servem para o aprendizado das leis divinas, conduzindo os homens ao manejo adequado de seus mecanismos de equilíbrio. Assim como o plantador de feijão deve regar as sementes adequadamente, sob pena de colocar excesso de água e apodrecer as raízes, ou pouca água e o solo não ficar suficientemen- te umidificado para nutrir as tenras folhas, danificando-as pelo ressecamento, o espírito eterno, enquanto não aprender a operar equilibradamente as leis cósmicas, colherá em si e para si as conseqüências boas ou ruins de sua falta de habilidade. É certo que toda a dominação religiosa para se conduzir um rebanho subjugado infantiliza as ovelhas. O fato de muitos crentes, até os dias de hoje, considerarem que basta a confissão ao padre, o testemunho de fé positiva ao pastor no púlpito dominical, o dízimo semanal para alcançar a graça do Espírito Santo, o trabalho pago aos orixás indicado pelos búzios, o passe semanal no terreiro umbandista ou assistir à palestra com água fluída do centro espírita, para livrá-los dos seus "pecados" (a colheita pelos seus atos) demonstra um entendimento infantil das leis de Deus, tal qual a criança que, colocando a capa do Super- Homem, sai correndo, pulando a janela para voar, e se esborracha no chão. Pergunta: - Diante dessa assertiva: "O espírito eterno enquanto não aprender a operar equilibradamente as leis cósmicas colherá em si e para si 27
  28. 28. as conseqüências de sua falta de habilidade", pedimos maiores elucidações. Como assim, colherá em si e para si? Podeis exemplificar? Ramatís: - Esqueceis facilmente que o tabernáculo físico é vossa igreja divina. O invólucro carnal que abriga o espírito nos interregnos reencarnatórios é como o templo religioso em que deveis ser o pastor, zelando por sua integridade para recepcionar e se relacionar com os viandantes, companheiros de jornada, que o visitam. Imaginais um local de encontro religioso sujo, escuro e mal-cheiroso? Assim fica impregnado o perispírito dos que caem nos apelos inferiores da materialidade, podendo, em certos casos, causar estigmas nos futuros corpos físicos, como acontece com os deficientes físicos e retardados mentais. O es- pírito colherá em si, nos seus corpos mediadores, no perispírito e corpo físico, o que semeou, sempre que justo for para o seu reequilíbrio perante as leis cósmicas. Exemplificando: um senhor feudal que matava seguidamente os invasores de suas terras que tentavam roubar algum terneiro para se alimentar, quebrando-lhes as espinhas dorsais para que não pudessem mais andar, pode ter um corpo físico com sérios problemas de coluna, tendo que fazer várias cirurgias nas vértebras, tantas vezes quanto assassinou outrora, correndo o risco de ficar manco tanto tempo quanto for necessário para que possa limpar o corpo perispiritual das sujeiras que o impregnam pelos próprios atos loucos do passado. De outra maneira, os que traíram esposas, abandonaram filhos, assassinaram inimigos, ludibriaram sócios, enganaram concorrentes, exploraram prostitutas, provocaram abortos, viciaram adolescentes, poderão abrigar pelos laços consanguíneos os desafetos de longa data, como filhos e filhas, esposos ou esposas, colhendo para si a retificação dos atos de outrora. A harmonia cósmica se rege pelo dedo de Deus: é como um violino que está sempre afinado, e as distorções sonoras na orquestra são imediatamente corrigidas. O aforismo popular "quem com ferro fere, com ferro será ferido" é perfeita alegoria para descrever o encadeamento cármico na vida das criaturas: quem separou casais, terá de viver separado; quem abandonou será abandonado; quem roubou será roubado; enfim, quem semeou ventos colherá tempestades. A funcionalidade da Lei de Causa e Efeito ajusta perfeitamente o fato causador ao efeito gerado, em todas as localidades do Cosmo. Pergunta: - Então a lei mosaica do "olho por olho e dente por dente" é reflexo da funcionalidade das leis cármicas e fruto do dedo de Deus? Ramatís: - Na parábola da ovelha perdida, Jesus declara que é vontade do Pai que não se perca nenhum de seus pequeninos, referindo-se aos que ficarem para trás, perdidos do reto caminho a seguir rumo ao infinito oceano do Seu reino. Assim, o Mestre deixa claro que o Deus que Ele proclama é um Deus de amor, que preconiza a necessidade de perdão para a remissão dos pecados, sendo inconcebível a imposição de punições e castigos eternos aos Seus filhos. A parábola mostra o amor infinito do Pai para com as almas perdidas e transviadas, que não ficarão desgarradas nos labirintos das paixões inferiores. Ainda que seja imperioso para a retificação do espírito renascer na Terra manco, sem um braço, cego, mesmo debilóide, em decorrência de seus atos pretéritos, ele não ficará sem salvação como a ovelha perdida da parábola, já que o determinismo das reencarnações sucessivas conduzirá a sua embarcação nos mares revoltos da materialidade, ancorando-a no porto seguro da eterna bonança espiritual. 28
  29. 29. Repetindo o que dissemos anteriormente, as leis vingativas do judaísmo antigo acomodavam o anseio de seres humanos raivosos, rudes, que só concebiam o mesmo pagamento de Deus aos seus inimigos, doesse a quem doesse. Não se vislumbrava o perdão das ofensas, assim como as ovelhas consideradas perdidas eram sumariamente estigmatizadas como pecadoras sem salvação. Obviamente, os homens não têm, até os dias atuais, o direito de serem justiceiros pelas suas próprias mãos, pois inevitavelmente haveria exageros, cobranças indevidas, desforras cruéis, punições torturantes, distorcendo-se o equilíbrio funcional e a impessoalidade da Lei de Ação e Reação. Acentuar-se-iam os ressentimentos e ódios entre irmãos de caminhada evolutiva, reforçando-se as obsessões ferrenhas e milenares. Pergunta: - De vossas palavras, entendemos que se Jesus, o Messias, não tivesse se sacrificado, oferecendo-se como o Cordeiro de Deus para tirar os pecados do mundo, a luz do seu Evangelho, diante das trevas das consciências, não teria se perpetuado? É isto? Ramatís: - Sem dúvida! Em verdade, nunca nenhum sacrifício animal foi necessário para se chegar a Deus, já que Ele é todo amor. Corrigiu-se essa distorção depois do advento de Jesus. Após o calvário, foi como se houvesse se instalado um grande incêndio nas consciências, sendo o seu feito (sangue derramado na cruz) o combustível. Isso é tão verdadeiro que o Mestre dizia, em Mateus 9:34-36: Eu vim para pôr fogo à terra e como eu gostaria que ele já estivesse aceso! Credes que eu vim trazer paz ao mundo? Pois eu vos afirmo que não vim trazer paz, mas divisão. Porque daqui em diante uma família de cinco pessoas ficará dividida: três contra duas e duas contra três. Os pais vão ficar contra os filhos, e os filhos contra os pais. As mães vão ficar contra as filhas, e as filhas contra as mães. As sogras vão ficar contra as noras, e as noras contra as sogras. Imaginai os cidadãos viciados nas trevas conscienciais, que imantavam as criaturas a um sistema de troca com Deus na base de sacrifícios animais para o perdão temporário dos pecados, terem a partir de então de mudar suas atitudes, diante da Boa Nova do Messias. Obviamente, após o advento do calvário de Jesus, estabeleceram-se muitas discórdias e conflitos teológicos, até a acomodação das consciências numa nova conduta diante de Deus e do sagrado. O plano divino prevê que os homens despertem o Cristo interno e também sejam deuses, exercitando a plenitude de suas potencialidades cósmicas. 29
  30. 30. II A prisão dos espíritos nos sacrifícios animais mantidos pelas religiões A Divindade não endossa o uso de sangue para fins ignóbeis; mas é a própria humanidade terrena que favorece tal acontecimento condenável, malgrado as advertências mais severas do Alto. Quantas tragédias, angústias e sofrimentos que há séculos afligem a hu- manidade, são resgates cármicos provenientes da culpa espiritual de verter o sangue do irmão menor, a serviço do vampirismo da Terra e do Espaço? RAMATÍS, Magia de Redenção Pergunta: - O sacrifício de animais é a mais antiga expressão de religação com o Divino, presente na maioria das civilizações da Terra, tendo sido praticado em todos os continentes. Esses rituais datam da época, segundo os mitos dos índios das Américas, em que "os deuses habitavam a Terra" e ensinaram aos humanos essa forma de conexão e culto à Divindade Suprema. Como pode Deus, que é todo amor, ser louvado e fazer-se "presente" no assassinato de animais? Isso é possível? Ramatís: - Tendo como base vossos achados arqueológicos, podeis constatar que em praticamente todas as civilizações an-ligas das Américas, do Alasca à Patagônia, havia o costume do sacrifício animal. Foi uma constante entre os incas, maias e aste-c;is, intensificando-se a insanidade sanguinolenta nos períodos de decadência dessas civilizações, quando recorreram aos sacrifícios humanos. Aliás, a prática sacrificial aos deuses nas disputas territoriais, ou para a derrota dos inimigos, foi comum em quase todas as civilizações da Terra, notadamente entre diversas etnias silvícolas de vosso país. A evolução das raças e das religiões se faz de acordo com a comunidade espiritual encarnada e desencarnada, nas diversas etapas históricas de formação da consciência terrícola. Obviamente Deus nunca está ausente e não depende de considerações morais personalistas de cada época do calendário humano. Cada criatura tem o Deus que merece e de acordo com o seu estágio de entendimento e abertura mental para o sagrado. Claro está que espíritos sedentos do combustível fktídico liberado pelo sangue derramado sempre estiveram em escambo vampirizador com os habitantes do orbe, transformando-se em "deuses habitantes da crosta" pelas conexões mediúnicas que mantinham com seus médiuns, matadouros vivos do Além. Considerai que as transmigrações espirituais planetárias não deixam nenhuma estação do Cosmo sem ocupação. Muitos espíritos vieram para a Terra degredados de outros orbes, uns tantos inclusive foram trazidos para cá por espaçonaves extraterrestres rarefeitas. Então, 30
  31. 31. não é incomum terem recaído nos atavismos mentais que se perde na noite dos tempos. Buscando nutrir-se, reintroduziram a troca com Deus através do derramamento de sangue obtido pelos rituais. Este era o Deus que conseguiam conceber. Infelizmente, até os dias de hoje, Jesus é sacrificado na cruz em várias liturgias de vossas diversas religiões. Pergunta: - Em relação à vossa assertiva "Muitos espíritos vieram para a Terra degredados de outros orbes, uns tantos inclusive foram trazidos para cá por espaçonaves extraterrestres rarefeitas", podeis nos dar maiores esclarecimentos? Sempre são necessárias espaçonaves para essas transmigra- ções espirituais? Isso nos parece um tanto herético, diante dos conceitos das religiões vigentes. Ramatís: - Quando Galileu Galilei formulou a Teoria He-liocêntrica, declarando cientificamente que o Sol era o centro do Universo, a "santa" Inquisição afirmou que isso era teologicamen-te errado e urna heresia perante os desígnios divinos. Giordano Bruno, ao afirmar que "uma vez que a alma não pode ser encontrada sem o corpo e todavia não é corpo, pode estar neste ou naquele corpo e passar de corpo em corpo", defendendo a reencarnação, foi levado às labaredas da fogueira da Inquisição. No instante em que o fogo chamuscava-lhe a barba e seus pulmões enchiam-se de fumaça, o filósofo lamentou profundamente a ignorância dos líderes religiosos e da humanidade, e enquanto as chamas levantavam sua pele, ele manteve a consciência firme na convicção de que logo veria outros sóis e diversos mundos celestiais, ao viajar pelo "infinito". Exercendo seu domínio sobre a alma, elevando-a a Deus, Giordano Bruno sabia que não precisava esperar o fim do veículo transitório para a sua união com o Cosmo, e que voltaria a ocupar novos corpos físicos em outras oportunidades dadas pelo Pai. Assim, pela imposição de sua vontade disciplinada, desprendeu-se do corpo físico chamuscado e voou para os paramos celestiais, como um iogue avançado que entra no êxtase provocado ou um pássaro que voa da gaiola aberta, não sentindo a dor da queima de suas carnes enrijecidas e deixando os circunstantes com suas ilusões, enquanto sentiam o odor de seus órgãos e vísceras queimados. Nem todos são espíritos do gabarito sideral deste sábio e conseguem manejar os comandos de suas próprias naves espaciais para viajarem pelo Cosmo. A liberdade do espírito, que impulsiona os veículos da consciência a movimentarem-se em planos dimensionais em que o espaço e o tempo não são cartesia-nos iguais aos vossos, é para poucos cidadãos cósmicos. Aliás, a maioria dos habitantes do orbe terreno ainda se amedronta diante da possibilidade de realmente existir o caldeirão do inferno, esquecendo-se de que sua própria consciência determinará se irão para as fogueiras depurativas do espírito ou não. Lembrai-vos de que o espírito é como uma chama incandescente em seu fulcro mantenedor ou mônada. A maior parte dos espíritos que habitam vosso orbe, e outros igualmente atrasados, quando são transportados entre os mundos habitáveis, ficam inertes, anestesiados em seus corpos astrais, quando então são necessárias naves espaciais (astralinas), imperceptíveis ainda aos vossos sentidos densos, que atracam nos portos astrais da Terra desde remotas eras. Afinal, não eram os deuses astronautas? 31
  32. 32. Pergunta: - O quinto mandamento da lei mosaica diz: "Não matarás". Como podem as escrituras, no Velho Testamento, conter tantos relatos de sacrifícios animais nas liturgias de intercâmbio com Deus? Ramatís: - O quinto mandamento da lei mosaica, recebida mediunicamente no Monte Sinai, diz "Não matarás". As dez leis sagradas ditadas a Moisés podem ser resumidas em duas: "amar a Deus sobre todas as coisas" e "amar ao próximo como a nós mesmos". O princípio da religião, em sua amplitude de religa-ção com o Divino, sustenta que havendo uma transgressão a um mandamento, será infringido todo o Decalógo, porque é um conjunto orgânico e indissociável, assim como não podeis dinamitar o quinto andar de um edifício de dez andares sem comprometer a estrutura do prédio. Entretanto, a manutenção da mortandade ritual não causou maiores discussões teológicas após a recepção mediúnica de Moisés. Claro está que os sacerdotes da época temeram perder o poder do escambo com Deus e minimizaram o quinto mandamento, dizendo que os sacrifícios não o contrariavam, pelo fato de os animais terem sido criados por Deus para agasalhar e alimentar os seus filhos, conforme a Gênese. Como o carnivorismo era a base alimentar daqueles seres, obviamente eles não contemplavam os animais como tendo alma. Logo, o sacrifício de carneiros, bodes e pombos não estava incluso no âmbito do quinto mandamento. Aliás, os sacrifícios eram permitidos nas práticas ritualísticas de oferendas, purificação, pactos, alianças, expiação, misericórdia... e mesmo nas iniciáticas (evocatória e invocatória), no interior dos templos. Em verdade, a alimentação carnívora é reforçada no judaísmo dentro do contexto bíblico, o qual denomina o princípio espiritual que anima os animais de Nephesh. Por toda a Gênese, quando esta palavra é citada, indica a criação do reino animal, sendo assim diferenciado do princípio espiritual dos homens (Neshamati) que foi o fôlego de Deus nas narinas de Adão, como se o hálito divino fosse diferenciado ao viviücar os homens e os animais neste planeta. Assim, para os hebreus que foram conduzidos à libertação do Egito por Moisés, os sacrifícios animais eram corriqueiros e amplamente aceitos. Eles entendiam que a morte de um animal fornecia "energia" para satisfazer Deus em suas cobranças, e redimi-los dos pecados. O segredo distorcido desse dogma está em que na morte do animal existiria a desagregação do seu espírito (Nephesh}, que não seria uma alma individualizada; ao contrário do homem, em que somente o corpo material se desagregaria e o espírito (alma) não. Obviamente Moisés se inseria no contexto religioso da época e não teria liderança se desconsiderasse os costumes sacrificiais milenares. Além do que, era príncipe egípcio, iniciado nos mistérios de ísis por Jehtro, seu sogro e sumo-sacerdote de escolas iniciáticas. Era um mago das escolas iniciáticas dos grandes mistérios e, como tal, dominava com riqueza de detalhes toda a ritualísüca mágica, inclusive os segredos para o intercâmbio e materialização dos mortos e os fundamentos da Ousekth-kha, a sala da elevação ou ofertório, onde eram expostas as oferendas vegetais e de animais imolados feitas aos deuses no templo. Neste recinto, por meio da força vital dos animais sacrificados, os sacerdotes preparavam as aparições e as evocações dos espíritos que se dariam nas salas dos mistérios, localizadas no fundo do templo e construídas como grutas naturais. 32
  33. 33. Hoje não se justifica sustentar os sacrifícios animais baseando-se no Velho Testamento. Se assim fosse, estaríeis andando em burricos como faziam na época hebraica de Moisés. O sagrado e o intercâmbio com o Divino são passíveis de progressividade, lei cósmica que rege os movimentos ascensionais, assim como o Alto enviou vários "profetas" ao longo dos tempos para esclarecer as verdades do reino de Deus. Conforme já dissemos, perante às leis cósmicas universais que regem os movimentos ascensionais, quando realizais um rito, dito sagrado, e sacrificais um animal, interferis num ci- clo cósmico da natureza universal, causando um desequilíbrio, já que interrompeis artificialmente o quantum de vida que o espírito ainda teria de ocupar no vaso carnal, direito sagrado concedido pelo Pai. Mesmo o irmão menor ainda não sendo uma alma individualizada, pertence a um grupo celeste1 que se enfraquece gradativamente quanto mais mortandades houver nas suas contrapartes encarnadas. (l) Alma-grupo. Pela Lei de Causa e Efeito, quanto maior o entendimento da evolução espiritual pelas informações disponíveis, o que difere da compreensão dos sacerdotes de antigamente, maior é a responsabilidade de quem fere o mandamento "não matarás", que é eterno e não se vincula a uma época, como as desconexas justificativas temporais dos religiosos atuais, dependentes do corte sacriflcial, que procuram se explicar no presente como se estivessem no passado remoto. O fato de matardes um animal não vos isenta de responsabilidades cármicas. Repetindo-nos, como já dissemos em outras vezes, o carma coletivo que rege os movimentos ascensionais não se prende às crenças humanas; trata-se de lei universal. Vós que sois homens e caminhais para a angelitude, tal qual os animais rumam para a humanização, gostaríeis de ser uma oferenda e ter vossa garganta cortada e o sangue vertido até a última gota entre ladainhas e mantras, para redimir os pecados do ofertante? Assim fazem com os animais, que rumam para a evolução. Mesmo que os irmãos menores do orbe sejam somente instintos, rege-os uma Inteligência Superior que os leva à inexorável individualização, direito cósmico sagrado que os conduz a encarnar em um corpo hominal. Quanto maior a consciência, menor a ignorância das verdades cósmicas e mais amplos os débitos ou créditos na contabilidade sideral de cada cidadão. A finalidade superior das almas-grupos e dos animais não é deixar-se escravizar ou esquartejar pelos crentes religiosos que acabam bloqueando-lhes o direito sagrado de aquisição dos princípios rudimentares de inteligência, através da convivência pacífica e amorosa com os humanos, experiência que propicia a formação dos veículos astral e mental, a fim de virem a estagiar no ciclo encarnatório humano oportunamente. Reforçamos o pedido de reflexão aos terrícolas que matam os animais em nome dos santos: gostaríeis que os anjos, para se tornarem arcanjos, viessem vos cortar em pedaços e "chupar" vosso sangue para se saciarem nos paramos celestiais? Pergunta: - Podeis citar algumas passagens nas escrituras que refletiam o estado de inconsciência coletiva na época em que o Divino Mestre encarnou? Ele, Jesus, que era um instrutor sideral apoiado pelas hostes 33
  34. 34. angélicas, como comportou-se diante desses diversos ritos sacriflciais? Que motivo o levou a não criticá-los abertamente? Ramatís: - A aplicação do sangue de Cristo para salvar vidas foi prefigurada de diversas maneiras nas escrituras hebraicas. Sendo um espírito de alta estirpe sideral, um psicólogo arguto da alma humana, Jesus sabia que somente com a chegada do Messias, ou melhor, Ele próprio se colocando como o Cordeiro de Deus, estabelecendo as diretrizes morais crísticas do Evangelho, e sendo sacrificado no calvário, conseguiria deixar as sementes que mudariam o estado de consciência do povo daquela época. Ele tinha de desviar a atenção das mentes para o sacrifício do filho de Deus, o qual, sacrificando-se pela humanidade, demonstrava que não era mais necessário imolar animais para chegar ao Pai. Como dissemos anteriormente, era óbvio que Jesus não concordava com a matança de animais, mas "obrigava-se" a conviver com esse costume, existente entre os hebreus muito antes da entrega da Torah, o que afligia sua índole psicológica. Por isso, não se tem maiores relatos de Jesus criticando os ritos sacrificiais. Ele simplesmente não os aplicava, pois sabia que a evolução não dá saltos na escada de Jacó. Seu silêncio e exemplo de mansuetude revoltava os sacerdotes das sinagogas, que se sentiam "enciumados" dos milagres que ocorriam sem os preceitos de purificação judaicos, para espanto e ira da classe eclesiástica sedenta de manter seu poder religioso e mercantil, uma vez que os ritos eram cobrados. As influências das escrituras no inconsciente coletivo à época de Jesus eram intensas. Por ocasião da primeira Páscoa, no Egito, o sangue exposto na parte superior das portas e nas ombreiras das casas israelitas tinha a finalidade de proteger o primogênito de ser morto pela mão do anjo de Deus (Êxodo 12:7,22,23; ICoríntios 5:7).2 (2) "Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós"-1 Coríntios, 5:7 O pacto com a Lei Divina de então estabelecia que a remoção dos pecados se daria pelo sangue de animais (Êxodo 24:5-8). Os incontáveis sacrifícios sanguinolentos, especialmente os oferecidos no Dia da Expiação dos pecados (Levítico 16: 5-10), foram o estágio anterior à verdadeira remoção dos pecados que viria por meio do sacrifício do Cristo. O poder que se entendia ter o sangue, aos olhos de Deus, aceito por Ele para fins de expiação, está ilustrado pelo derramamento de sangue ao pé dos altares com os chifres do animal imolado exposto sobre ele (Levítico 9:9; Hebreus 9:22; l Coríntios 1:18). O sangue e o sacrifício de animais, dentro do contexto bíblico, não são ligados somente à expiação dos pecados, mas também aos ritos de purificação. O lugar simbólico de moradia de Jeová é um lugar santiflcado, um santuário. Os templos construídos mais tarde por Salomão e por Zorobadel (reconstruído e ampliado por Herodes, o Grande), chamados de miq dásh ou qó dhesh, lugares "postos à parte" ou "santos", localizavam-se no meio de um povo pecaminoso. Estes lugares tinham de ser regularmente purificados por meio da aspersão de sangue de animais sacrificados (Levítico 16:16). O próprio pacto da lei, quando da transmissão das Tábuas, por meio de anjos para Moisés, entrou em vigor com o sacrifício de animais no Monte Sinai (Gaiatas 3:19; Hebreus 2:2; 9:16-20). Naquele evento mediúnico, Moisés respingou sobre o altar a metade dos sangue dos animais sacrificados, e então leu o livro do pacto para o povo, que concordou em ser obediente. Depois disso, ele aspergiu a outra metade do sangue sobre o livro e sobre o povo (Êxodo 24:3-8). 34
  35. 35. No meio de toda essa mortandade, cujos ritos religiosos alimentavam os espíritos sedentos desse fluido, Jesus andou serenamente, sem infligir violências físicas ou psíquicas. Não teve apegos, não esperou considerações, e nunca precisou de aplausos ou reconhecimentos. Espírito sideral, ensinou o amor em sua grandeza máxima. Sua temperança inabalável e mansuetude costumeira davam a força de cem leões ao Cordeiro de Deus en- carnado. Jamais tomou decisões precipitadas, e refletia em sua aura divina o fervor de sua missão terrena para a libertação da humanidade ignorante das verdades dos Céus. Eram almas iludidas por um Deus punitivo que deveria fazer-se todo amor através do seu verbo, o evangelho nascente. Espírito generoso, voltado à natureza, amava os animais, os montes cheios de árvores, os lírios dos campos, as águas dos rios e lagos, os trigais, as videiras, as brisas frescas das manhãs que antecediam dias causticantes. Não tendo onde reclinar a cabeça, dormia sob as copas das árvores. Sob as figueiras acordava e se deleitava com o som matinal dos pássaros. Onde estivesse, levava a paz aos corações, pelo simples envolvimento de sua vibração angélica que, como um manto de fluidos balsâ-micos, espargia sobre todos e interpenetrava os circunstantes, sem a necessidade de derramar uma gota de sangue sequer para conectar-se com o Altíssimo. Verdadeiro enviado do Alto, libertador das almas, foi luz fulgurante que iluminava a escuridão interior das criaturas desiludidas e desesperançadas pelas religiões vigentes, cansadas de terem de ofertar tudo o que possuíam a um Deus cruel, representado por sacerdotes fesceninos. Assegurou: "Eu estou no Pai e o Pai está em mim", implantando assim a mudança de paradigma para as criaturas alcançarem o reino do Céus, unificando-as ao pólo gerador e mantenedor de todo o Universo, criador de todos os seres. Ao se colocar como o Cordeiro de Deus, sendo um com o Pai, desobrigou os crentes a sacrificar animais a Deus. Ao deixar a primeira eucaristia registrada na ceia pascal com os apóstolos, deslocou para o simbolismo do pão, como corpo, e ao vinho, como sangue, o atavismo milenar dos sacrifícios animais. Sabia que se perpetuaria pelos evos a sua crucificação em prol da libertação das almas das liturgias sacrificiais regadas a sangue derramado. Comprovou a vida eterna com sua ressurreição (seu reaparecimento pela materialização do perispírito) três dias após seu desencarne na cruz, demonstrando irrefutavelmente que não é o sangue físico que anula os pecados, mas a transformação metafísica que existe após a morte, reforçando que a fé nas verdades do reino de Deus remove as montanhas ilusórias da materialidade transitória, diante da verdade espiritual inquestionável e perene. O triunfo do Mestre se fará neste momento de transição planetária. Sigamos resolutamente Jesus, pois Ele é a luz do mundo, o sol fulgurante que aquece as almas do frio interior, libertandoas da desilusão e da desesperança, como as trocas sacriflciais com mortandade de animais, em todas as religiões, nunca fizeram. Pergunta: - É possível termos maiores elucidações sobre a assertiva: "O triunfo do Mestre se fará neste momento de transição planetária"? Ramatís: - Na casa do Pai há muitas moradas. Se existem estradas que ligam vossas cidades umas às outras, e vossos aviões transitam entre as nações na face planetária, obviamente nos diversos orbes do Cosmo ocorrem movimentaçãos intensas, como se fossem rodovias movimentadas ou rotas espaciais congestionadas. As vidas nos diversos organismos 35
  36. 36. planetários compõem o "corpo de Deus", e nada mais são do que recursos educativos aos cidadãos, momentaneamente impedidos de auferirem o passaporte cósmico de libertação do ciclo carnal. Os infinitos mundos físicos são como o esmeril do Pai a des-bastar os seus filhos em reeducação comportamental, desintegrando os resíduos das paixões inferiores e da animalidade que ainda pulsam em seus fulcros psíquicos. Assim, a Administração Sideral seguidamente está recolocando os espíritos em uma ou outra moradia no Cosmo, de acordo com o ambiente em que precisam estagiar para se melhorarem. Neste momento, estais no alvorecer da transição planetária que conduzirá a outros orbes as consciências recalcitrantes em aceitar os ensinamentos do Evangelho de Jesus. Ao mesmo tempo, entidades com a internalização plena do Cristo, chegarão à psicosfera da Terra. O reaparecimento do Cristo está em curso, plenamente sustentado pelos Maiorais do Espaço e liderado pelo próprio Jesus. O triunfo do Mestre se dará pela vitória de todos os seus discípulos, que caminham para o amor incondicional, o que fará as individualidades reconhecerem-se fraternalmente, dispensando o senso descabido de superioridade recíproca. A presença do Cristo na aura planetária não será materializada numa individualidade. Acontecerá de maneira inevitável no despertamento do Cristo interno das criaturas encarnadas, independentemente de sua crença religiosa, fazendo arder o "amor ao próximo como a si mesmo", assim como Jesus nos ama. Pergunta: - O Yajurveda, um dos quatro Vedas, contém grande parte da liturgia e dos rituais necessários à prática religiosa hindu, incluindo os sacrifícios animais. Textos como o Ramayana, e outros, demonstram que os sacrifícios de animais eram comuns nos rituais hindus. Não é uma ironia que, justamente na cultura que prega o vegetarianismo e a não violência, degenerações dessa ordem se manifestem? Ramatís: - O binduísmo, por não ser uma religião "organizada" em sua formação, permitiu uma enorme diversidade de rituais. No período de 1000 a 800 a.C, passou a basear seu sistema de crenças na constante necessidade de sacrifícios (a população podia comer carne só de animais abatidos pelos sacerdotes). Observai a sabedoria oculta da natureza, e concluireis que degene-ração significa, no mais das vezes, regeneração: de milhares de tartarugas que nascem, somente uma minoria se tornará adulta; mesmo a mais capaz das águias terá filhotes que cairão do cume da montanha e serão abatidos pelo meio inóspito, eivado de predadores que precisam se alimentar para sobreviver; nenhuma lavoura está livre das pragas e a cada dia novos vírus surgem a causar danos à saúde, incentivando vossos biólogos e médicos a buscar soluções científicas para a restauração do bem-estar. A evolução não dá saltos, e a religiosidade tem uma seletividade natural entre as civilizações que abrigam espíritos egoístas e com instintos primários, como são os de vosso orbe. Entes em degene- ração pelos próprios atos, expatriados cósmicos de outros recantos siderais, são obrigados, para se regenerarem com as leis divinas, a estagiar neste planeta de provas e expiações, tal a teimosia desses espíritos, que só é vencida pelo infinito amor do Pai e de Suas muitas moradas. Nesse contexto cósmico, um orbe como o vosso, caminhando para a regeneração, serve indistintamente às leis de Deus como qualquer outro endereço sideral, independen- temente de sua escala evolutiva. Com o passar dos anos, o sistema teológico hinduísta foi se transformando e novas concepções foram introduzidas, até que surgiu a concepção de que as almas dos animais 36
  37. 37. podem evoluir à condição humana, deixando assim de serem repastos vivos para os estômagos humanos. Não foi só a escolástica hinduísta que teve "degenerações" diante das leis cósmicas, no decorrer dos anos. Sabeis que os sacrifícios estiveram presentes (e em alguns casos ainda estão) no seio das antigas religiões da Ásia: Confúcio descreve a existência de sacrifícios animais na China, no século VI a.C. No Islã, quando da época de peregrinação à Meca, são marcantes as liturgias de sacrifícios denominados Eid-ul-Adha, que significa "comemoração do sacrifício", cujo ritual lembra que Abraão não sacrificou Ismael, o qual, pela tradição muçulmana, não é Isaac. Quando passou pela prova de obediência a Deus, acabou oferecendo um animal surgido de repente do "éter" por uma intervenção divina. O Deus "bondoso" poupa o filho humano, dando em troca um animal de quatro patas para ser esfaqueado. Os preceitos que tratam da peregrinação religiosa à Meca estão contidos no Surata Al-Haji, capítulo do Alcorão, incentivando que os fiéis levem um cabrito, cabra ou ovelha, camelo ou vaca, para serem sacrificados. O Deus rigoroso do Alcorão, conseqüência da percepção indisciplinada d'Ele por uma coletividade religiosa, assim como em todos os demais livros sagrados, já que nenhum compêndio religioso é unanimidade na Terra, ao menos não se beneficia da carne nem do sangue dos animais sacrificados, como outras formas teológicas de entendimento do Divino. Com "bondade", não é permitido supliciar o animal, ao contrário do bode expiatório judaico. Neste caso "benevolente", o animal deve ser abatido tendo a sua jugular cortada e o seu sangue drenado até a última gota. Vós que, para chegardes ao anjo, cortais as jugulares dos animais, gostaríeis que os animais viessem vos dilacerar as gargantas para conseguirem estagiar como humanos? Pergunta: - Encontramos, na lei judaica, três motivos básicos para os sacrifícios - doação, substituição e louvor - que estão inseridos no Velho Testamento e servem de justificativa aos sacerdotes que sacrificam animais atualmente, para se defenderem quando são criticados. O que tendes a dizer sobre esse primitivismo selvagem existente em religiões que sacrificam animais para chegar ao sagrado? Ramatís: - Aos olhos dos Maiorais da espiritualidade, que zelam pelos processos evolutivos reencarnatórios, não existe o julgamento estreito a estabelecer sentenças de superioridade, de pior ou melhor, de imperfeito ou perfeito, primitivo ou evoluído. Assim como o mel de uma mesma floração mantém uniformidade nos índices de concentração de glicose e frutose, cálcio, cobre, ferro, magnésio, fósforo, potássio, entre outros componentes ativos, os homens, perante o Criador, são "vistos" em igualdade de amor, qual néctar de uma mesma flor, já que no Universo nada está errado e tudo caminha para a perfeição e harmonia. Há de se comentar que os aspectos sacrificiais envolvidos na lei judaica, antiquíssimos, também são encontrados em outras religiões, como a Yorubá, que veio da África nagô para o Brasil. A doação exige a renúncia de algo de melhor àquele que está ofertando, muito diferente dos que doam geladeiras velhas e roupas mofadas aos centros espíritas e umbandistas. Na ótica dessas religiões antigas, os animais devem ser domesticados, sadios e ainda servirem de alimentação aos prosélitos, depois de consagrados em ritos sacrificiais 37
  38. 38. propiciatórios. Por outro lado, certos de que o Deus único não necessita de oferendas votivas, cada bolsão de espíritos perdidos em religiões do passado, e ainda remanescentes na face do orbe, terá o tempo necessário para a mudança de consciência sem violentá-los, ainda que seja em outros planetas mais inóspitos que a Terra. Mais grave que manter hoje os resquícios "primitivos" das religiões antigas é a situação dos matadouros, que fornecem carne de animais crescidos artificialmente, lotados de ração cheia de hormônios, a fim de satisfazer uma indústria de alimentos insaciável por lucros, destinada a matar a fome e a gu-lodice das classes abastadas, materialistas e sem religiosidade, que se fartam em finos restaurantes. Agravam-se os desatinos com os animais quando hábitos e festas populares predominantes em alguns países e culturas os subjugam e os sacrificam em demonstrações de sadismo público, como o são as touradas, a festa do boi, os safáris e as dispensáveis caçadas para o deleite dos matadores. Em vossas nações mais ricas e evoluídas ocorrem diuturnamente as brigas de galos e cachorros, deslocando das arenas romanas para os cercados de rinhas a ânsia violenta dos homens por ver o snngue derramado. Essa substituição é um procedimento bastante comum nas operações de magia. Muitas vezes, faz-se entrega de alimentos, cereais, frutas preparadas em pratos sagrados, como o minchá judaico, quitutes que devem ser elaborados com o sacrifício e esforço do ofertante. Dentro desse princípio de substituição, também há a oferta de bebidas, como o nesekh judeu. Esses preceitos são largamente utilizados também no hinduísmo e nos cultos da matriz africana brasileira. Claro está que a substituição é um rito que objetiva envolver quem oferta e que deve transferir para a oferenda os objetivos espirituais esperados, amparando-se em sua fé. Os espiritualistas de grande conhecimento da atualidade podem criticar esses procedimentos como primários e atrasados, diante das revelações codificadas das doutrinas recentes, mas se esquecem que "civilizado" é o consumismo materialista de caros acessórios de peles de animais em extinção e a fome leonina por carnes nobres e raras, como por vossas baleias, capivaras, javalis e tartarugas. Paradoxalmente, esses "doutores da lei" não costumam questionar os motivos pelos quais os animais foram mortos, quando se trata do restaurante ali na esquina do bairro que faz esses raros petiscos gastronômicos, ou da vitrine que expõe um casaco de pele de raposa ou um sapato de couro de jacaré. A vaidade humana é cega para a caça clandestina e tráfico de animais exóticos, para o conflnamento de pássaros nas gaiolas domésticas e para a vil tortura a que são submetidas as espécies marinhas por vossas nações civilizadas. Louvor é a idéia de reverência e homenagem com a finalidade de estabelecer ligação com o Divino, incentivado pelo gesto de amor e gratidão sinceros que devem brotar do cora- ção. Nessas religiosidades antigas e "primitivas", ainda existe o louvor ao sagrado. Infelizmente, a intolerância dos homens desrespeita a opção religiosa do irmão de jornada. A religião do Cristo, que veio semear amor e perdão, descaracterizou-se em muitas frentes ditas cristãs e acabou dizimando milhares de cidadãos e civilizações inteiras em vários continentes, ao longo da formação da consciência planetária. É preferível conviver harmoniosamente com adeptos de outras religiões que buscam conectar-se ao sagrado, adotando ritos diferentes e até antagônicos ao vosso modo de praticar religião, do que retornardes à tortura psicológica das fogueiras da Inquisição, incentivando uma nova caça às bruxas quando julgais como primitivismo selvagem as liturgias que amparam uma fé diferente da vossa. 38

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