Poesia Trovadoresca

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Poesia Trovadoresca

  1. 1. BIBLIOGRAFIA Bragança, António – Lições de Literatura Portuguesa: 1º ano do Curso Complementar: séc. XII a XVI – 10ª ed. - Porto: Livraria Escolar Infante, [1975] Oliveira, Correa de; Machado, Saavedra – 2ªed. – Textos Portugueses Medievais: 3º ciclo dos liceus – Coimbra: Coimbra Editora, 1967 http://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=623&pv=sim http://cantigas.fcsh.unl.pt/versoesmusicais.asp?cdcant=530&vm1=128&vm 2=232 Elaborado por: Conceição Pereira Wanda Boucinha POESIA TROVADORESCA
  2. 2. CANCIONEIRO DA BIBLIOTECA NACIONAL CANCIONEIRO DA BIBLIOTECA NACIONAL
  3. 3. Levantou-ss’avelida, Levantou-sse a alva; E vay lavar camysas Eno alto. Vay-las lavar a alva. Levantou-ss’ a louçana, Levantou-sse a alva; E vay lavar delgadas Eno alto. Vay-las lavar a alva. E vay lavar camisas, Levantou-sse a alva; O vento lh’as desvia Eno alto. Vay-las lavar a alva; E vay lavar delgadas, Levantou-sse a alva; O vento lh’as levava Eno alto. Vay-las lavar a alva. O vento lh’asdesvya, Levantou-sse a alva; Meteu-ss’a alva enhira Eno alto. Vay-las lavar a alva. (...) - D. Dinis - 2 Quer' eu en maneira de proençal fazer agora un cantar d' amor e querreimuit' i loarmha senhor, a que prez nenfremusura non fal, nen bondade, e mais vos direi en: tanto a fez Deus comprida de ben que mais que todas las do mundo val, Ca mha senhor quiso Deus fazer tal quando a fez, que a fez sabedor de todo o ben e de mui gran valor e con todo est' é mui comunal, ali u deve; erdeu-lhibon sen e des i non lhi fez pouco de ben, quando non quis que lh' outra foss' igual. Ca enmha senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad' e loor e falar mui ben e rir melhor que outra molher; de i é leal muit', e por esto non sei oj' eu quen possa compridamente no seu ben - D. Dinis – 3
  4. 4. Amigo, pois vos nom vi, Nunca folguei nem dormi, Mais ora já des aqui Que vos vejo, folgarei E verei prazer de mi, Pois vejo quanto bem hei. Pois vos nom pudiveer, Jamais nom houvilezer, E, u vos Deus quis trager, Que vos vejo, folgarei E verei de mim prazer, Pois vejo quanto bem hei. Des que vos nom vi, de rem Nom vi prazer e o sem Perdi, mais, pois que mi avém Que vos vejo, folgarei E verei todo meu bem, Pois vejo quanto bem hei. De vos veer a mim praz Tanto que muito é assaz, Mais, u m’este bem Deus faz Que vos vejo folgarei E haverei gram solaz, Pois vejo quanto bem hei. - D. Dinis- 4 A tal estado mi adusse , senhor, O vosso bem e vosso parecer Que nom vejo de mi nem d’al prazer, Nem veerei já, enquant’eu vivo for, U nom vir vós que eu por meu mal vi. E queria mia mort’e nom mi vem, Senhor, porque tamanh’é o meu mal Que nom vejo prazer de mim nem d’al, Nem veerei já, esto creede bem, U nom vir vós que eu por meu mal vi. E pois meu feito, senhor, assi é, Querria já mia morte, pois que nom vejo de mi nem d’al nulhasazom prazer, nem veerei já, per bõa fé, u nom vir vós que eu por meu mal vi; pois nom havedesmercee de mi. - D. Dinis - 5
  5. 5. AS ORIGENS DO TROVADORISMO Foi desde os fins do séc. XII até meados do séc. XIV que a poesia dos trovadores floresceu por terras da Galiza, Portugal, Leão, Castela e Aragão. Existem algumas teses para explicá-lo: 1. Tese arábica - Na poesia arábigo-andaluza dos sécs. IX ou XIII foram usados dois tipos de composição estrófica que poderiam ter certa influência no primitivo lirismo peninsular. 2. Tese latino-medieval - Segundo os defensores desta tese é no latim cristão medieval e na sua métrica e música que devemos ir buscar as origens do trovadorismo. 3. Tese litúrgica - Esta é o complemento da anterior. Consiste em afirmar que é na liturgia que devemos buscar as origens do trovadorismo. 4. Tese folclórica – Tanto o lirismo português como o alemão e o italiano tiveram as suas origens remotas no lirismo francês. A lírica provençal assentou nas festas antigas da Primavera em honra de Vénus. As festas de Maio deram um contributo para o desenvolvimento do nosso lirismo. 5. Tese etnográfica – O ritmo que as donzelinhas imprimiam aos trabalhos caseiros ter-se-ia aplicado às cantigas, porque elas trabalhavam cantando. 6 VARIEDADE DENTRO DA POESIA TROVADORESCA 1. Cantigas de amigo e de amor – Os temas são muitos e variados, mas todos se referem ao amor da amiga pelo namorado. 2. Cantigas de escárnio e de maldizer – Aquelas em que os trovadores dizem mal de alguém, de forma delicada, velada ou de forma directa sem subterfúgios nem artifícios. OS CANCIONEIROS As cantigas trovadorescas foram recolhidas em folhas de pergaminho adornadas de vinhetas e caligrafia cuidada. As iniciais de cada cantiga eram feitas em iluminura e os versos acompanhados da música respectiva. Essas folhas reunidas originaram os Cancioneiros. 1. Cancioneiro da Ajuda – Foi encontrado na biblioteca dos jesuítas quando da sua expulsão de Portugal em 1759. Actualmente encontra-se na Biblioteca do Palácio Real da Ajuda. 2. Cancioneiro da Biblioteca Nacional – Encerra a mais completa colecção de cantigas medievais. Foi adquirido pelo Governo Português em 26 de Fevereiro de 1926 e levado para a Biblioteca Nacional. 3. Cancioneiro da Vaticana – Chama-se assim por se encontrar na Biblioteca do Vaticano. É constituído por 1205 cantigas de poetas portugueses e galegos. 4. Cantigas de Santa Maria – Este cancioneiro medieval é religioso e constituído de poesias musicadas e de refrão, onde se narram e celebram milagres da Virgem, produto de superstições e crendices. 7
  6. 6. ALGUNS TROVADORES D. Dinis João Garcia, de Guilhade (Barcelos) Pero da Ponte Pai Gomes Charinho João Aires, de Santiago D. Afonso X João Soares Coelho João Lobeira Rui Queimado João de Gaia Estêvão da Guarda Afonso Sanches Bernal de Bonaval João Zorro 8 CAUSAS DA DECADÊNCIA DO TROVADORISMO Com a morte de D. Dinis em 7 de Janeiro de 1325, começou a decadência da poesia trovadoresca. (…) “Os filhos do Rei-Trovador, D. Afonso Sanches e D. Pedro Afonso, conde de Barcelos, ainda tentaram continuar na esteira literária do pai, mas pouco mais fizeram do que assistir à agonia do primitivo lirismo nacional. Como explicar semelhante facto? Nos reinados de D. Fernando e D. João I vivem-se os problemas com Castela e logo a seguir as primeiras gestas africanas. A poesia começou a ser desprezada e, como diz MenendezPidal a respeito de um poeta do séc. XIV, faziam-se versos neste tempo só a quem os pagasse. Também começou a desaparecer aquela protecção dada por reis e fidalgos a jograis e trovadores, (…)” 9
  7. 7. 10 Ondas do mar de Vigo se vistes meu amigo? e ai Deus, se verrá cedo? Ondas do mar levado, se vistes meu amado? e ai Deus, se verrá cedo? Se vistes meu amigo, o por que eu sospiro? e ai Deus, se verrá cedo? Se vistes meu amado, o por que hei gramcoidado? e ai Deus, se verrá cedo? Martim Codax 11
  8. 8. El-rei de Portugale barcas mandou lavrare, e lá irá nas barcas sigo, mia filha, o voss'amigo. El-rei portugueese barcas mandou fazere, e lá irá nas barcas sigo, mia filha, o voss'amigo. Barcas mandoulavrare e no mar as deitare, e lá irá nas barcas sigo, mia filha, o voss'amigo. Barcas mandoufazere e no mar as metere, e lá irá nas barcas sigo, mia filha, o voss'amigo. João Zorro 12 Em Lixboa, sobre lo mar, barcas novas mandei lavrar, ai mia senhor veelida! Em Lixboa, sobre lo lez, barcas novas mandei fazer, ai mia senhor veelida! Barcas novas mandei lavrar e no mar as mandei deitar, ai mia senhor veelida! Barcas novas mandei fazer e no mar as mandei meter, ai mia senhor veelida! João Zorro 13
  9. 9. - Ai fremosinha, se bem hajades, longi de vila, quem asperades? - Vim atender meu amigo. - Ai fremosinha, se gradoedes, longi de vila, quem atendedes? - Vim atender meu amigo. - Longi de vila, quem asperades? - Direi-vo-l'eu, pois me preguntades: vim atender meu amigo. - Longi de vila, quem atendedes? - Direi-vo-l'eu, poilo nom sabedes: vim atender meu amigo. Bernal de Bonaval (Adaptação feita por Natália Correia, Ary dos Santos e Amália) 14 15

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