Como elaborar uma resenha

847 visualizações

Publicada em

Produção textual

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
847
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
16
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Como elaborar uma resenha

  1. 1. Como elaborar uma resenha 1. Definições Resenha-resumo: É um texto que se limita a resumir o conteúdo de um livro, de um capítulo, de um filme, de uma peça de teatro ou de um espetáculo, sem qualquer crítica ou julgamento de valor. Trata-se de um texto informativo, pois o objetivo principal é informar o leitor. Resenha-crítica: É um texto que, além de resumir o objeto, faz uma avaliação sobre ele, uma crítica, apontando os aspectos positivos e negativos. Trata-se, portanto, de um texto de informação e de opinião, também denominado de recensão crítica. 2. Quem é o resenhista A resenha, por ser em geral um resumo crítico, exige que o resenhista seja alguém com conhecimentos na área, uma vez que avalia a obra, julgando-a criticamente. 3. Objetivo da resenha O objetivo da resenha é divulgar objetos de consumo cultural - livros,filmes peças de teatro, etc. Por isso a resenha é um texto de caráter efêmero, pois "envelhece" rapidamente, muito mais que outros textos de natureza opinativa. 4. Veiculação da resenha A resenha é, em geral, veiculada por jornais e revistas. 5. Extensão da resenha A extensão do texto-resenha depende do espaço que o veículo reserva para esse tipo de texto. Observe-se que, em geral, não se trata de um texto longo, "um resumão" como normalmente feito nos CURSOS superiores ... Para melhor compreender este item, basta ler resenhas veiculadas por boas revistas. 6. O que deve constar numa resenha Devem constar:  O título  A referência bibliográfica da obra  Alguns dados bibliográficos do autor da obra resenhada  O resumo, ou síntese do conteúdo  A avaliação crítica 7. O título da resenha O texto-resenha, como todo texto, tem título, e pode ter subtítulo, conforme os exemplos, a seguir: Título da resenha: Astro e vilão Subtítulo: Perfil com toda a loucura de Michael Jackson Livro: Michael Jackson: uma Bibliografia não Autorizada (Christopher Andersen) - Veja, 4 de outubro, 1995 Título da resenha: Com os olhos abertos Livro: Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago) - Veja, 25 de outubro, 1995 Título da resenha: Estadista de mitra Livro: João Paulo II - Bibliografia (Tad Szulc) - Veja, 13 de março, 1996 8. A referência bibliográfica do objeto resenhado Constam da referência bibliográfica:  Nome do autor  Título da obra  Nome da editora  Data da publicação  Lugar da publicação  Número de páginas  Preço
  2. 2. Obs.: Às vezes não consta o lugar da publicação, o número de páginas e/ou o preço. Os dados da referência bibliográfica podem constar destacados do texto, num "box" ou caixa. Exemplo: Ensaio sobre a cegueira, o novo livro do escritor português José Saramago (Companhia das Letras; 310 páginas; 20 reais), é um romance metafórico (...) (Veja, 25 de outubro, 1995). 9. O resumo do objeto resenhado O resumo que consta numa resenha apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral. Pode-se resumir agrupando num ou vários blocos os fatos ou idéias do objeto resenhado. Veja exemplo do resumo feito de "Língua e liberdade: uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (Celso Luft), na resenha intitulada "Um gramático contra a gramática", escrita por Gilberto Scarton. "Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, a inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português". O velho pesquisador apaixonado pelos problemas de língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística;o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante". Pode-se também resumir de acordo com a ordem dos fatos, das partes e dos capítulos. Veja o exemplo da resenha "Receitas para manter o coração em forma" (Zero Hora, 26 de agosto, 1996), sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", produzido pela LDA Editora, com o apoio da Beal. Receitas para manter o coração em forma "Na apresentação, textos curtos definem os diferentes tipos de gordura e suas formas de atuação no organismo. Na introdução os médicos explicam numa linguagem perfeitamente compreensível o que é preciso fazer (e evitar) para manter o coração saudável. As receitas de Cozinha do Coração Saudável vêm distribuídas em desjejum e lanches, entradas, saladas e sopas; pratos principais; acompanhamentos; molhos e sobremesas. Bolinhos de aveia e passas, empadinhas de queijo, torta de ricota, suflê de queijo, salpicão de frango, sopa fria de cenoura e laranja, risoto com açafrão, bolo de batata, alcatra ao molho frio, purê de mandioquinha, torta fria de frango, crepe de laranja e pêras ao vinho tinto são algumas das iguarias". 10. Como se inicia uma resenha Pode-se começar uma resenha citando-se imediatamente a obra a ser resenhada. Veja os exemplos: "Língua e liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (L&PM, 1995, 112 páginas), do gramático Celso Pedro Luft, traz um conjunto de idéias que subvertem a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por COMBATER, veementemente, o ensino da gramática em sala de aula.
  3. 3. Mais um exemplo: "Michael Jackson: uma Bibliografia Não Autorizada (Record: tradução de Alves Calado; 540 páginas, 29,90 reais), que chega às livrarias nesta semana, é o melhor perfil de astro mais popular do mundo". (Veja, 4 de outubro, 1995). Outra maneira bastante freqüente de iniciar uma resenha é escrever um ou dois parágrafos relacionados com o conteúdo da obra. Observe o exemplo da resenha sobre o livro "História dos Jovens" (Giovanni Levi e Jean- Claude Schmitt), escrita por Hilário Franco Júnior (Folha de São Paulo, 12 de julho, 1996). O que é ser jovem Hilário Franco Júnior Há poucas semanas, gerou polêmica a decisão do Supremo Tribunal Federal que inocentava um acusado de manter relações sexuais com uma menor de 12 anos. A argumentação do magistrado, apoiada por parte da opinião pública, foi que "hoje em dia não há menina de 12 anos, mas mulher de 12 anos". Outra parcela da sociedade, por sua vez, considerou tal veredito como a aceitação de "novidades imorais de nossa época". Alguns dias depois, as opiniões foram novamente divididas diante da estatística publicada pela Organização Mundial do Trabalho, segundo a qual 73 milhões de menores entre 10 e 14 anos de idade trabalham em todo o mundo. Para alguns isso é uma violência, para outros um fato normal em certos quadros sócio-econômico- culturais. Essas e outras discussões muito atuais sobre a população jovem só podem pretender orientar comportamentos e transformar a legislação se contextualizadas, relativizadas. Enfim, se historicizadas. E para isso a "História dos Jovens" - organizada por dois importantes historiadores, o modernista italiano Giovanno Levi, da Universidade de Veneza, e o MEDIEVALISTA francês Jean-Claude Schmitt, da École des Hautes Études em Sciences Sociales - traz elementos interessantes. Observe igualmente o exemplo a seguir - resenha sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", LDA Editores, 144 páginas (Zero Hora, 23 de agosto, 1996). Receitas para manter o coração em forma Entre os que se preocupam com o controle de peso e buscam uma alimentação saudável são poucos os que ainda associam estes ideais a uma vida de privações e a uma dieta insossa. Os adeptos da alimentação de baixos teores já sabem que substituições de ingredientes tradicionais por similares light garantem o corte de calorias, açúcar e gordura com a preservação (em muitos casos total) do sabor. Comprar tudo pronto no supermercado ou em lojas especializadas é barbada. A coisa complica na hora de ir para a cozinha e acertar o ponto de uma massa de panqueca,crepe ou bolo sem usar ovo. Ou fazer uma polentinha crocante, bolinhos de arroz e croquetes sem apelar para a frigideira cheia de óleo. O livro Cozinha do Coração Saudável apresenta 110 saborosas soluções para esses problemas. Produzido pela LDA Editora com apoio da Becel, Cozinha do Coração saudável traz receitas compiladas por Solange Patrício e Marco Rossi, sob orientação e supervisão dos cardiologistas Tânia Martinez, pesquisadora e professora da Escola Paulista de Medicina, e José Ernesto dos Santos, presidente do departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da FACULDADE de Medicina de Ribeirão Preto. Os pratos foram testados por nutricionistas da Cozinha Experimental Van Den Bergh Alimentos. Há, evidentemente, numerosas outras maneiras de se iniciar um texto-resenha. A leitura (inteligente) desse tipo de texto poderá aumentar o leque de opções para iniciar uma recensão
  4. 4. crítica de maneira criativa e cativante, que leva o leitor a interessar-se pela leitura. 11. A crítica A resenha crítica não deve ser vista ou elaborada mediante um resumo a que se acrescenta, ao final, uma avaliação ou crítica. A postura crítica deve estr presente desde a primeira linha, resultando num texto em que o resumo e a voz crítica do resenhista se interpenetram. O tom da crítica poderá ser moderado, respeitoso, agressivo, etc. Deve ser lembrado que os resenhistas - como os críticos em geral - também se tornam objetos de críticas por parte dos "criticados" (diretores de cinema, escritores, etc.), que revidam os ataques qualificando os "detratores da obra" de "ignorantes" (não compreenderam a obra) e de "impulsionados pela má-fé". 12. Exemplos de resenhas Publicam-se a seguir três resenhas que podem ilustrar melhor as considerações feitas ao longo desta apresentação. Atwood se perde em panfleto feminista Marilene Felinto Da Equipe de Articulistas Margaret Atwood, 56, é uma escritora canadense famosa por sua literatura de tom feminista. No Brasil, é mais conhecida pelo romance "A mulher Comestível" (Ed. Globo). Já publicou 25 livros entre poesia, prosa e não-ficção. "A Noiva Ladra" é seu oitavo romance. O livro começa com uma página inteira de agradecimentos, procedimento normal em teses acadêmicas, mas não em romances. Lembra também aqueles discursos que autores de cinema fazem depois de receber o Oscar. A escritora agradece desde aos livros sobre guerra, que consultou para construir o "pano de fundo" de seu texto, até a uma parente, Lenore Atwood, de quem tomou emprestada a (original? significativa?) expressão "meleca cerebral". Feitos os agradecimentos e dadas as instruções, começam as quase 500 páginas que poderiam, sem qualquer problema, ser reduzidas a 150. Pouparia precioso tempo ao leitor bocejante. É a história de três amigas, Tony, Roz e Charis, cinqüentonas que vivem infernizadas pela presença (em "flashback") de outra amiga, Zenia, a noiva ladra, inescrupulosa "femme fatale" que vive roubando os homens das outras. Vilã meio inverossímel - ao contrário das demais personagens, construídas com certa solidez -, a antogonista Zenia não se sustenta, sua maldade não convence, sua história não emociona. A narrativa desmorona, portanto, a partir desse defeito central. Zenia funcionaria como superego das outras, imagem do que elas gostariam de ser, mas não conseguiram, reflexo de seus questionamentos internos - eis a leitura mais profunda que se pode fazer desse romance nada surpreendente e muito óbvio no seu propósito. Segundo a própria Atwood, o propósito era construir, com Zenia, uma personagem mulher "fora-da-lei", porque "há poucas personagens mulheres fora-da-lei". As intervenções do discurso feminista são claras, panfletárias, disfarçadas de ironia e humor capengas. A personagem Tony, por exemplo, tem nome de homem (é apelido para Antônia) e é professora de história, especialista em guerras e obcecada por elas, assunto de homens: "Historiadores homens acham que ela está invadindo o território deles, e deveria deixar as lanças, flechas, catapultas, fuzis, aviões e bombas em paz". Outras alusões feministas parecem colocadas ali para provocar riso, mas soam apenas ingênuas: "Há só uma coisa que eu gostaria que você lembrasse. Sabe essa química que afeta as mulheres quando estão com TPM? Bem, os homens têm essa química o tempo todo". Ou então, a mensagem rabiscada na parede do banheiro: "Herstory Not History", trocadilho que indicaria o machismo explícito na palavra "História", porque em inglês a palavra pode ser desmembrada em duas outras, "his" (dele) e story (estória). A sugestão contida no trocadilho é a de que se altere o "his" para "her" (dela). As histórias individuais de cada personagem são o costumeiro amontoado de fatos cotidianos, almoços, jantares, trabalho, casamento e muita "reflexão feminina" sobre a infância, o amor, etc. Tudo isso narrado da forma mais achatada possível, sem maiores sobressaltos, a não ser talvez na descrição do interesse da personagem Tony pelas guerras.
  5. 5. Mesmo aí, prevalecem as artificiais inserções de fundo histórico, sem pé nem cabeça, no meio do texto ficcional, efeito da pesquisa que a escritora - em tom cerimonioso na página de agradecimentos - se orgulha de ter realizado. Estadista de mitra Na melhor bibliografia de João Paulo II até agora, o jornalista Tad Szulc dá ênfase à atuação política do papa Ivan Ângelo Como será visto na História esse contraditório papa João Paulo II, o único não-italiano nos últimos 456 anos? Um conservador ou um progressista? Bom ou mau pastor do imenso rebanho católico? Sobre um ponto não há dúvida: é um hábil articulador da política internacional. Não resolveu as questões pastorais mais angustiantes da Igreja Católica em nosso tempo - a perda de fiéis, a progressiva falta de sacerdotes, a forma de pôr em prática a opção da igreja pelos pobres -; tornou mais dramáticos os conflitos teológicos com os padres e os fiéis por suas posições inflexíveis sobre o sacerdócio da mulher, o planejamento familiar, o aborto, o sexo seguro, a doutrina social, especialmente a Teologia da Libertação, mas por outro lado, foi uma das figuras-chave na desarticulação do socialismo no Leste Europeu, nos anos 80, a partir da sua atuação na crise da Polônia. É uma voz poderosa contra o racismo, a intolerância, o consumismo e todas as formas autodestrutivas da cultura moderna. Isso fará dele um grande papa? O livro do jornalista polonês Tad Szulc João Paulo II - Bibliografia (tradução de Antonio Nogueira Machado, Jamari França e Silvia de Souza Costa; Francisco Alves; 472 páginas; 34 reais) toca em todos esses aspectos com profissionalismo e competência. O autor, um ex-correspondente internacional e redator do The New York Times, viajou com o papa, comeu com ele no Vaticano, entrevistou mais de uma centena de pessoas, levou dois anos para escrever esse catatau em uma máquina manual portátil, datilografando com dois dedos. O livro, bastante atual, acompanha a carreira (não propriamente a vida) do personagem até o fim de janeiro de 1995, ano em que foi publicado. É um livro de correspondente internacional, com o viés da política internacional. Szulc não é literariamente refinado como seus colegas Gay Talese ou Tom Wolfe, usa com freqüência aqueles ganchos e frases de efeito que adornam o estilo jornalístico, porém persegue seu objetivo como um míssil e atinge o alvo. Em meio à política, pode-se vislumbrar o homem Karol Wojtyla, teimoso, autoritário, absolutista de discurso democrático, alguém que acha que tem uma missão e não quer dividi-la, que é contra o "moderno" na moral, que prefere perder a transigir, mas é gentil, caloroso, fraterno, alegre, franco ... Szulc, entretanto, só faz o esboço, não pinta o retrato. Temos, então, de aceitar a sua opinião: "É difícil não gostar dele". Opus Dei - O livro começa descrevendo a personalidade de João Paulo II, faz um bom resumo da História da Polônia e sua opção pelo Ocidente e pela Igreja Católica Romana (em vez da Ortodoxa Grega, que dominava os vizinhos do Leste), fala da relação mística de Wojtyla com o sofrimento, descreve sus brilhante carreira intelectual e religiosa, volta à sua infância, aos seus tempos de goleiro no time do ginásio ""um mau goleiro", dirá mais tarde um amigo), localiza aí sua simpatia pelos judeus, conta que ele decidiu ser padre em meio ao sofrimento pela morte do pai, destaca a complacência de Pio XII com o nazismo, a ajuda à Opus Dei (a quem depois João Paulo II daria todo o apoio), demora-se demais nos meandros da política do bispo e cardeal Wojtyla, cresce jornalisticamente no capítulo sobre a eleição desse primeiro papa polonês, mostra como ele reorganizou a Igreja, discute suas posições conservadoras sobre a Teologia da Libertação e as comunidades eclesiais de base, CEBs, na América LATINA, descreve sua decisiva atuação na política do Leste Europeu, a derrocada do comunismo, e termina com sus luta atual contra o demônio pós-comunista. Agora o demônio, o perigo mortal para a humanidade, é o capitalismo selvagem e o "imperialismo contraceptivo" dos EUA e da ONU. Szulc, o escritor-míssil, não se desvia do seu alvo nem quando vê um assunto saboroso como a Cúria do Vaticano, que diz estar cheia de puxa-sacos e fofoqueiros com computadores, nos quais contabilizam trocas de favores, agrados, faltas e rumores. O sutil jornalista Gay Talese não perderia um prato desses. Entretanto, Szulc está sempre atento às ações políticas do papa. Nota que João Paulo II elevou a Opus Dei à prelatura pessoal enquanto expurgou a Companhia de Jesus por seu apoio à Teologia da Libertação; ajudou a Opus Dei a se estabelecer na Polônia, beatificou rapidamente seu criador, monsenhor Escrivã. Como um militar brasileiro dos anos 60, cassou o direito de ensinar dos padres Küng, Pohier e Curran, silenciou os teólogos Schillebeeckx (belga), Boff (brasileiro), Häring (alemão) e Gutiérrez (peruano), reduziu o espaço pastoral de dom Arns (brasileiro). Em contrapartida, apoiou decididamente o sindicato clandestino polonês, a Solidariedade. Fez dobradinha com o general dirigente
  6. 6. polonês Jaruzelski contra Brejnev, abrindo o primeiro país socialista, que abriu o resto. O próprio Gorbachev reconhece: "Tudo o que aconteceu no Leste Europeu nesses últimos anos teria sido impossível sem a presença deste papa". Talvez seja assim também com relação ao que acontece com as religiões cristãs no nosso continente. Tad Szulc, com cautela, alerta para a penetração, na América LATINA, dos evangélicos e pentecostais, que o próprio Vaticano chama de "seitas arrebatadoras". A participação comunitária e o autogoverno religioso que existia nas CEBs motivavam mais a população. Talvez seja. Acrescentando-se a isso o lado litúrgico dos evangélicos que satisfaz o desejo dos fiéis de serem atores no drama místico, não tanto espectadores, tem-se uma tese. O perfil desenhado por Szulc é o de um político profundamente religioso. Um homem que reza sete horas por dia, com os olhos firmemente fechados, devoto de Nossa Senhora de Fátima e do mártir polonês São Estanislau e que acredita no martírio e na dor pessoais para alcançar a graça. Um gramático contra a gramática Gilberto Scarton Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino(L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft traz um conjunto de idéias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por COMBATER, veemente, o ensino da gramática em sala de aula. Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português". O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante. Essa fundamentação lingüística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processos espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si. Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula.
  7. 7. COMO FAZER UMA RESENHA CRÍTICA A resenha (ou resumo crítico) não é apenas um resumo informativo ou indicativo. A resenha pede um elemento importante de interpretação de texto. Por isso, antes de começar a escrever seu resumo crítico você deve se certificar de ter feito uma boa leitura do texto, identificando: 1. QUAL O TEMA TRATADO PELO AUTOR? 2. QUAL O PROBLEMA QUE ELE COLOCA? 3. QUAL A POSIÇÃO DEFENDIDA PELO AUTOR COM RELAÇÃO A ESTE PROBLEMA? 4. QUAIS OS ARGUMENTOS CENTRAIS E COMPLEMENTARES UTILIZADOS PELO AUTOR PARA DEFENDER SUA POSIÇÃO? No entanto, para se fazer uma RESENHA CRÍTICA ainda falta “A CRÍTICA”, ou seja, A SUA ANÁLISE SOBRE O TEXTO. E o que é esta ANÁLISE? A análise é, em síntese, a capacidade de relacionar os elementos do texto lido com outros textos, autores e idéias sobre o tema em questão, contextualizando o texto que está sendo analisado. Para fazer a análise, portanto, certifique-se de ter: - INFORMAÇÕES SOBRE O AUTOR, SUAS OUTRAS OBRAS E SUA RELAÇÃO COM OUTROS AUTORES; - ELEMENTOS PARA CONTRIBUIR PARA UM DEBATE ACERCA DO TEMA EM QUESTÃO; - CONDIÇÕES DE ESCREVER UM TEXTO COERENTE E COM ORGANICIDADE. A partir daí você pode escrever um texto que, em linhas gerais, deve apresentar: NOS PARÁGRAFOS INICIAIS, UMA INTRODUÇÃO À OBRA RESENHADA, APRESENTANDO: - O ASSUNTO/ TEMA; - O PROBLEMA ELABORADO PELO AUTOR; - E A POSIÇÃO DO AUTOR DIANTE DESTE PROBLEMA. NO DESENVOLVIMENTO, A APRESENTAÇÃO DO CONTEÚDO DA OBRA, ENFATIZANDO: - AS IDÉIAS CENTRAIS DO TEXTO; - OS ARGUMENTOS E IDÉIAS SECUNDÁRIAS. POR FIM, UMA CONCLUSÃO APRESENTANDO SUA CRÍTICA PESSOAL, OU SEJA: - UMA AVALIAÇÃO DAS IDÉIAS DO AUTOR FRENTE A OUTROS TEXTOS E AUTORES; - UMA AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DO TEXTO, QUANTO À SUA COERÊNCIA, VALIDADE, ORIGINALIDADE, PROFUNDIDADE, ALCANCE, ETC. Seguindo as dicas apresentadas, certamente você fará uma ótima resenha. Então, bons estudos e mãos à obra!!! OBS: Nunca se esqueça de conferir se sua resenha está de acordo com essas exigências: Exigências de conteúdo
  8. 8. _ Toda resenha deve conter uma síntese, um resumo do texto resenhado, com a apresentação das principais idéias do autor; _ Toda resenha deve conter uma análise aprofundada de pelo menos um ponto relevante do texto, escolhido pelo resenhista; _ Toda resenha deve conter um julgamento do texto, feito a partir da análise empreendida no item acima. Exigências de forma _ A resenha deve ser pequena, ocupando geralmente até duas laudas de papel A4 com espaçamento 1,5; _ A resenha é um texto corrido, isto é, não devem ser feitas separações físicas entre as partes da resenha (com a subdivisão do texto em resumo, análise e julgamento, por exemplo); _ A resenha deve sempre indicar a obra que está sendo resenhada.
  9. 9. COMO CONSTRUIR RESENHAS E RESUMOS Resenha Resenha é um resumo crítico. Assim sendo, vamos primeiro a algumas dicas para se escrever um resumo. O Resumo É comum, no meio acadêmico, a solicitação de resumo de um livro ou artigo. De imediato, surgem dúvidas: alguns têm dificuldade de resumir, outros não conseguem discernir o que é o principal e o secundário – na dúvida escreve sobre tudo – não compreendem bem o texto e... e, vai por ai ... O primeiro passo é saber o que é um resumo e como resumir um texto. O resumo é um pequeno texto que destaca as idéias essenciais do artigo, procurando guardar uma fidelidade ao texto original. O resumo é, portanto, uma apresentação concisa e seletiva de um artigo, obra ou outro documento que põe em relevo aspectos de maior interesse e importância. Destaco aqui três tipos de resumo: 1. Indicativo – que não dispensa leitura pormenorizada do texto completo, faz uma referência às partes mais importantes do texto, descrevendo a natureza, forma e objetivo do texto-base, utilizando-se de frases curtas; 2. Informativo – que contém todas as informações mais importantes apresentadas no texto-base e pode ser feita uma leitura “por cima”. O objetivo deste resumo é informar o conteúdo e as principais idéias do autor, a metodologia adotada e as conclusões obtidas. O resumo informativo possui, no final, um conjunto de palavras-chave; 3. Crítico – é um resumo informativo que formula um julgamento sobre o texto base. Trata-se de uma resenha. Qualquer que seja o tipo de resumo que você pretenda fazer, atente para as seguintes dicas: 1. Não se esqueça de escrever no seu resumo a referência bibliográfica completa do texto-base. Isto pode ser feito no cabeçalho ou no final; 2. Procure ser fiel ao texto original, buscando reproduzir as idéias do autor; 3. Tente usar suas próprias palavras, quando não o fizer e usar frases ou mesmo partes de frases do autor do texto-base, sempre use aspas; 4. Destaque a idéia principal do texto e os detalhes mais importantes. Preste atenção na estrutura do texto, identificando idéias de conseqüências, adição, oposição, incorporação de novas questões e complementação do raciocínio. Atente para os exemplos oferecidos, geralmente eles compõem um detalhe importante; 5. Sublinhe. Lembre-se que você deve sublinhar numa segunda leitura, quando tem condições de tudo novamente já tendo uma idéia do geral para poder pontuar as idéias mais importantes. Não precisa sublinhar orações inteiras, aprenda sublinhar só os termos essenciais; 6. Organize um esquema lógico. Visualizar o texto pode ajudar muito, facilitando uma consulta, a explicitação da relação entre as partes, dentre outros. Então, uma resenha nada mais é que um resumo crítico. A resenha Pedir para um aluno uma resenha é um verdadeiro tormento! Explico: geralmente o professor não diz exatamente do que ser trata porque acredita que o aluno já possui informações básicas necessárias; por sua vez, o aluno acha que resenha é isso ou aquilo (um colega disse isso, ele ouviu aquilo e por aí vai...), não consulta nenhuma fonte bibliográfica para esclarecer o termo e
  10. 10. nem pergunta ao professor. Na maioria das vezes, entrega-se como resenha alguma coisa parecida com um resumo. A maioria dos depoimentos de meus alunos é de que sabem fazer resenha, pois já fizeram muitas durante o CURSO. Um dia, quando coloquei nas mãos deles algumas resenhas de estilos variados, publicadas em revistas especializadas de circulação nacional, um aluno olhou para o colega e disse assustado: “Nossa! Você já fez alguma coisa parecida com isso?” A resposta foi um sonoro não! A rigor, esse tipo de trabalho não tenderia a ser qualificado como científico. No entanto, é praticamente um consenso na comunidade científica a importância da resenha: 1. Diante da enorme produção bibliográfica, a resenha tem contribuindo para uma “atualização” das pessoas interessadas no assunto; 2. Fazer uma resenha, para quem está iniciando no campo da investigação científica, é muito importante porque constitui um passo significativo na elaboração tanto de um projeto como de uma monografia, que impõe a condição, ao aluno, de fazer sínteses e apreciações. A resenha, como visto acima, nada mais é que um trabalho de síntese, uma apreciação e análise resumida de produções científicas ou não. É como se falou acima, um resumo crítico. Na resenha se elabora um julgamento da obra. Para tanto se deve fazer dois tipos de crítica: 1. Externa – ressalta a importância da obra no seu contexto histórico cultura, social e filosófico; 2. Interna – se dedica ao exame do conteúdo da obra, julgando-o. É bom que você saiba que não existe receita. Mas para que você não se perca, sugiro o roteiro abaixo que contempla alguns pontos importantes e que geralmente são abordados numa resenha. Com o tempo, e após fazer muitas resenhas você adquirirá seu estilo próprio – você ficará prático. Dicas para escrever uma Resenha Aqui, portanto, vão algumas dicas para que você escreva suas resenhas de textos, artigos e livros. Estas dicas também o ajudarão ao escrever seu projeto de ensino. Para escrever uma resenha você deve (muitas das dicas já estão escritas acima na parte de como se faz um resumo). Os pontos mais importantes que devem estar contidos em uma resenha são:  Referência bibliográfica – em algum lugar da resenha você deve registrar o(s) autor(es) da obra, e se for o caso subtítulo, da obra e a referência completa, inclusive o número de páginas. Algumas pessoas colocam logo na primeira frase da resenha, outros chamam uma nota de rodapé. Não importa o lugar, mas esse é um dado indispensável.  Credenciais do(s) autor(es) – é interessante oferecer ao leitor da resenha informações gerais sobre o(s) autor(es) da obra que você está resenhando, como também, se possível, as circunstâncias em que ele fez o estudo (quando, onde e porque).  Conteúdo da obra – aqui é o momento do resumo crítico das principais idéias, sempre lembrando que elas são idéias do autor da obra que você está resenhando. Não deixe o leitor esquecer disso, não tome a obra para você. Pergunte-se o que diz a obra, se ela tem alguma característica especial a forma como foi abordado o tema, se exige conhecimentos prévios para compreendê-la, que teoria serviu de referência, qual o método utilizado.  Conclusões da obra – é importante registrar se o autor conclui, se sim, em que momento e, finalmente, qual foi a conclusão.  Apreciação – esse é o momento mais trabalhoso, já que, exige mais de quem está elaborando uma resenha porque se refere ao julgamento da obra. Você pode se perguntar sobre o mérito da obra (qual a contribuição dada, se as idéias são criativas, se desenvolve novos conhecimentos, se propõe uma abordagem diferente), sobre o estilo (claro, conciso, objetivo,
  11. 11. coerente), sobre a forma (lógica, sistematizada, se há equilíbrio entre as partes, se há originalidade), sobre o fundamento teórico de onde fala o autor (onde se situa em relação as diferentes correntes científicas, filosóficas). Nesse momento, também são feitas considerações sobre uma possível indicação da obra. Você aconselha a obra? É dirigida a que público? Mais dicas:  Ler a obra com cuidado. Faça anotações com cuidado e com caneta especial para grifar as principais idéias e conceitos do autor. Faça anotações na lateral pensando em núcleos do tipo “PASSAGENS profundas”, “pontos obscuros”, “novidade”, “repetição”, etc.  Destaque com cuidado a tese central que o autor está desenvolvendo. Acompanhe sua argumentação. Essa apreciação tornará o seu julgamento mais denso e criterioso.  Faça uma lista (podendo ser desordenada) dos conceitos e das palavras chaves que deverão constar na resenha;  Depois, refletindo sobre as principais idéias do autor, dividir o artigo em partes e assim colocar a lista acima na ordem que você deseja escrever sua resenha.  Tente compor frases pequenas, mas não meteóricas, que contenham uma só idéia colocada claramente. A cada troca total de assunto (não de idéia – várias idéias juntas compõem um assunto) mude de parágrafo.  Na verdade todo este trabalho que você faz é, nada mais nada menos que, um resumo crítico (sintético) das principais idéias do artigo, comentando o que mais chamou atenção e porque.  Não se esqueça de, em sua resenha, escrever o objetivo do trabalho de pesquisa relatado no artigo foco de sua resenha, e também a justificativa e importância dada pelo autor para o artigo.  Escreva para que a pessoa que vir a ler a sua resenha tenha uma boa idéia sobre o que versa a obra.  Lembre-se que resenhas são escritas para serem lidas por pessoas que não leram a obra que está sendo resenhada. Então, dê para outra pessoa ler. Pergunte o que ele e/ou ela entenderam. Verifique se o que foi entendido está de acordo com o que você queria dizer. Se não estiver como você quer, re-escreva e repita este processo até que tudo esteja como você deseja.  Fique atento às concordâncias verbais. Procure o sujeito (singular ou plural) e procure o verbo (atento para a concordância singular ou plural) de cada uma das suas frases para ter certeza que há concordância verbal.  Após escrever uma frase pense no seu objetivo. Não escreva nenhuma frase que nada acrescente ao que já foi dito e/ou que não tenha nada a haver com o assunto. Seja objetivo.  Para que você escreva cada vez melhor tente ler mais e escrever muito, quanto mais lemos mais melhoramos nosso texto escrito. Recapitulando, o que escrever na resenha sobre: O Conteúdo da Obra Escreve-se o resumo das principais idéias da obra. Para isto, pergunte-se:  O que diz a obra?  A obra tem alguma característica especial?  Como foi abordado o tema? (a forma com que foi abordado o tema)  São necessários conhecimentos prévios para compreendê-la?  Que teoria serviu de fundamentação (referência)?  Se a obra é um relato de pesquisa, qual o método de pesquisa utilizado? Conclusões do autor
  12. 12. É importante ficar atento às conclusões da obra. Para escrever sobre as conclusões da obra, pergunte-se:  Quais as conclusões?  Em que momento são feitas? Apreciação (julgamento) Para apreciar (julgar) a obra, pergunte-se:  Quais as contribuições da obra?  O que a obra acrescentou?  As idéias foram criativas?  Foram desenvolvidos novos conhecimentos?  O autor se apoiou bem na literatura (fundamentação teórica e filosófica)?  A obra propôs abordagens diferentes?  Como é o estilo? Claro? Conciso? Objetivo? Coerente?  Como é a forma da obra? Lógica? Sistematizada? Há equilíbrio entre as partes?  A obra é original?  A obra se dirige a que público? (Isto é a indicação da obra) Exemplos de Resenha Abaixo se tem uma resenha de um livro, escrita por Fábio Sanchez. Título:Manual de Radiojornalismo - Produção, Ética e Internet Autores::Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de LimaEditora: Campus 185 páginas Regras, mas sem cinismo ético Ética tornou-se assunto da moda. Até a Câmara dos Deputados, agora dotada de um presidente com gosto pelo marketing, tem falado em votar neste segundo semestre um "pacote ético" de projetos, sem se dar conta que essa classificação deixa sob suspeita os projetos excluídos desse "pacote", ou seja, o trabalho rotineiro dos deputados. Mas quando o jornalista Heródoto Barbeiro, gerente de jornalismo do Sistema Globo de Rádio, junta-se a Paulo Rodolfo de Lima, editor da Rádio CBN em São Paulo, para escreverem um manual de radiojornalismo utilizando a ética como um dos motes, merecem atenção maior que aquela dada às ondas do marketing. Logo na primeira página do livro Manual de Radiojornalismo - Produção, Ética e Internet, vê-se uma referência escancarada a um tema incomum na mídia eletrônica: a negociata que no final dos anos 80 deu um ano a mais de mandato ao então presidente José Sarney em troca da distribuição entre deputados e senadores de concessões de canais de televisão e emissoras de rádio. Os autores pretendem ver reduzida a imagem negativa que esse escândalo imprimiu à mídia eletrônica. E chegaram a convidar para os comentários de contracapa Alberto Dines, idealizador do Observatório da Imprensa, dublê de portal na internet e programa de TV que repensa semanalmente a ética nas mídias. Embora ocupe logo as primeiras páginas do livro, o tema "ética" retorna depois, em meio a regras sobre frases duvidosas e a pronúncia correta de palavras (fica-se sabendo, por exemplo, que a pronúncia correta da palavra "circuito" acentua a letra u e não a i). Não devemos esquecer: trata-se de um manual, com direito a lista de palavras evitáveis e procedimentos sobre como escrever para locução de rádio. Não falta a imposição professoral de condutas, e talvez não pudesse ser de outra forma. Apesar disso, os autores resistiram ao cinismo ético que já se viu em manuais de redação. Reconhecem para começo de conversa que "a imparcialidade não existe. É utópica. O jornalista (...) toma sempre partido, de uma forma ou de outra, nas notícias que divulga ou comenta". Sobra o que? A busca pela "isenção", dizem os autores. Que também propõem, num
  13. 13. tom bem menos formal que os manuais de redação e por isso mais apetitoso, a discussão de temas que causam calafrios em muitos profissionais da informação. Por exemplo, a credibilidade de algum jornalista que faça comerciais ou que acumule seu trabalho na redação com outro serviço público ou privado. Esse livro não tem a riqueza de informações que se vê nos manuais de redação, feitos principalmente para a consulta rotineira, nem a organização enciclopédica deles. Mas por ter sido uma produção independente desta ou daquela redação, talvez inaugure uma nova geração compêndios para jornalistas, em que até desvios éticos dos patrões entram em debate. Junte-se a isso o fato de dedicar-se a radiojornalistas, uma categoria extremamente formadora de opiniões mas que costuma ser deixada de lado pela literatura especializada. (Fábio Sanchez)

×