CEB: comunicação e participação - um novo jeito de ser Igreja*

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CEB: comunicação e participação - um novo jeito de ser Igreja*

  1. 1. CEB: comunicação e participação - um novo jeito de ser Igreja* Elton Bruno Barbosa Pinheiro**Índice mesmas; discorre acerca dos conceitos, suas características; destacar o protagonismo dos1. Introdução 1 agentes pastorais; expõe o método de hori-2. Contextualização do processo em que zontalidade como pedagogia das CEB, bem surgiram as CEB 3 como aponta os novos desafios para as co-3. Mas, afinal o que são as CEB? 4 munidades e o seu papel na sociedade de4. Métodos e pedagogia das Comu- hoje. nidades Eclesiais de Base 7 Palavras-chave: Comunidades Eclesiais5. A Igreja nos anos 80 e 90 7 de Base. Comunicação Popular. Protago-6. Os novos desafios para asCEB 7 nismo. Igreja Católica.7. Considerações Finais 8 1. Introdução CEB um jeito de ser Igreja... um jeitoResumo muito especial. Não é para qualquer pessoa, é pra quem O presente artigo se propõe a estudar o entendepapel das Comunidades Eclesiais de Base que a vida é serviço, pra quem entende o(CEB) como meios efetivos da comuni- que é caminhada,cação popular; apresenta o contexto sócio- para quem entende que ser Seguidor doeconômico e eclesial no qual surgiram as Caminho é sacrifício. * Artigo elaborado para a disciplina Comunicação Para quem entende que a Vida é o maiorComunitária, ministrada pelo Prof. PhD Pedro Nunes dos dons.Filho, no Curso de Comunicação Social da Universi- Para quem é profeta nestes tempos.dade Federal da Paraíba - UFPB.. ** Para quem é luz nas trevas. Bacharel em Comunicação Social pela Universi-dade Federal da Paraíba - UFPB. Graduando do Cur- Para quem é anunciador da Verdade.so de Licenciatura Plena em Letras, habilitação em (Oculto)Língua Portuguesa, pela mesma Universidade. É inte-grante do Núcleo de Pesquisas em Mídias, Processos É bem certo que nas sociedades os mo-Digitais e Interatividade (NUMID/UFPB). Endereço dos de comunicação refletem os modos deeletrônico: eltonufpb@hotmail.com
  2. 2. 2 Elton Bruno Barbosa Pinheiroprodução. Os detentores dos meios de pro- prensa, se bem que em um ritmo menosdução possuem, também, a propriedade dos veloz. [...] A terceira fase correspondemeios de comunicação. E, conseqüente- à velocidade com que se dão as transfor-mente, determina o modo hegemônico de co- mações sociais e tecnológicas. A Igrejamunicação. vê-se compelida a acertar o passo, a se Estudar as práticas de comunicação da adaptar às exigências do mundo contem-Igreja Católica, mais especificamente o caso porâneo. [...] de repente, ela assumedas Comunidades Eclesiais de Base, sig- a postura de que é preciso evangelizar,nifica compreender como se estruturam po- multiplicar a palavra do Evangelho, uti-liticamente tais organizações religiosas e lizando os modernos meios de comuni-como exercem ali seus mecanismos da in- cação. [...] A quarta fase é a que estamosfluência e poder. vivendo, em particular a America Latina, O autor José Marques de Melo é referên- depois de Puebla. [...] A Igreja superacia nos assuntos referentes à Igreja junto à aquela fase do deslumbramento ingênuoConferência Nacional dos Bispos do Brasil e deixa de acreditar que a tecnologia pode(CNBB). De acordo com ele as práticas de resolver os problemas da ação evangélicacomunicação têm variado no tempo, corre- (MARQUES DE MELO, 2005: 23-24).spondendo às mutações estruturais da insti-tuição e refletindo o seu relacionamento com Pode-se identificar nessas quatro fases aa sociedade global (MARQUES DE MELO, caminhada da Igreja no relacionamento com2005: 23). Examinando a história da co- a sociedade, na sua integração com o povomunicação da Igreja, em uma perspectiva da de Deus, na sua familiarização com as ino-história social ou da história das relações en- vações tecnológicas, mas, sobretudo, na suatre a Igreja e a comunicação, Marques de profunda transformação pastoral.Melo nos ajuda a identificar quatros fases Desta feita cabe apontar que de modo par-bem definidas. ticular, na quarta fase a Igreja passa a adotar uma postura de avaliação crítica, começando A primeira fase é aquela em que o com- a repensar a questão da comunicação. A par- portamento da Igreja está orientado para tir desse momento, a Igreja, sobretudo por o exercício da censura e da repressão. meio das Comunidades Eclesiais de Base, Vai de Inocêncio VIII ao século XIX. passa a incentivar, a patrocinar, a respal- [...] Sua maior expressão, que se pro- dar experiências de comunicação do próprio jetaria até os nossos dias, é a Santa In- povo. quisição. [...] A segunda fase registra São as CEB ganhando destaque no cenário uma mutação profunda e se traduz pela Católico Brasileiro e Latino Americano, aceitação desconfiada dos novos meios tornando-se meio de comunicação no estilo de comunicação. Seus marcos históri- “voz dos que não têm voz”, ou seja, criando cos são o pontificado de Leão XIII e a condições para que o povo de Deus, or- convocação do Concílio Vaticano II, pelo ganizado em comunidades, passe a ter voz Papa João XXIII. [...] Começa também através dos seus próprios meios. a mudar sua postura em relação à im- www.bocc.ubi.pt
  3. 3. CEB: comunicação e participação - um novo jeito de ser Igreja 3 As CEB, portanto, estimulam a criação de no governo JK que não atendia às necessi-meios populares de comunicação, rompendo dades do povo e aumentava a dependência doo silêncio secular no qual o povo esteve con- país junto ao capital e a tecnologia externa.denado por bom tempo. Os governos de Jânio Quadros e João Leonardo Boff acredita que a abertura Goulart receberam os reflexos da políticapara o mundo, realizada na estrutura ecle- econômica de Juscelino Kubitschek. Jâniosial, nas últimas décadas, conduziu a um tipo Quadros teve uma “passagem meteórica” nade prática evangélica vista por ele como “a presidência e João Goulart teve um governoIgreja nasce pela fé do povo”. De acordo dúbio frente às exigências das elites e às ne-com Marques de Melo, essa é a prática de cessidades das classes populares, pela nãouma Igreja que se compromete com a fé realização das reformas de base. Foi de-do povo e avalia criticamente sua comuni- posto do poder com decisiva participação dascação, buscando novos meios, novas formas, forças armadas no golpe de Estado.abrigando novos conteúdos (MARQUES DE Os militares contaram com o apoio daMELO, 2005: 29). grande imprensa, através de jornais como “Jornal do Brasil”, “O Globo”, “Folha de São Paulo”, “Estado de São Paulo” e cadeias2. Contextualização do processo de rádio, revistas, jornais estações de rádio e em que surgiram as CEB TV dos “Diários dos Associados” Para uma análise sobre CEB torna-se A única oposição coube na imprensanecessário esboçar a relação da Igreja com ao Jornal Última Hora; a OAB tambémo conjunto da sociedade brasileira, uma vez aplaudiu a deposição de Jango; e a hierar-que as mudanças que se efetuaram no seio da quia da Igreja começava a apoiar os novosinstituição foram, até certo ponto, a tentativa governantes.de adequação às mudanças ocorridas no país Os bispos mais influentes elogiaram ono aspecto social, econômico e político. golpe por meio de um manifesto que recon- hecia a previdência dos militares que “inter- vieram a tempo de impedir a implantação de2.1. Contexto Sócio-Econômico e um regime bolchevista em nosso país”, ao Cultural mesmo tempo defendia os líderes do laicato Entre os anos de 1955 e 1965 a vida da da acusação de comunismo (SKIDMORE,sociedade brasileira sofreu algumas influên- 1989: 63-64).cias, nesse contexto insere-se o governo de Entre o final da década de 60 e osJuscelino Kubitschek, uma fase desenvolvi- primeiros anos de 70, os militares afinavam amentista, com inserção de capital e tecnolo- política com o desenvolvimento econômico.gia estrangeiros e criação de um parque in- Era a época do “milagre brasileiro”. En-dustrial. Tais avanços, ao mesmo tempo tretanto, havia uma distribuição negativa daagravaram o êxodo rural e o crescimento des- renda (MAINWARING, 1986).ordenado das grandes cidades. Vale ressaltar No plano político, exacerba-se a re-o modelo econômico do tipo concentrador, pressão, a partir da imposição do AI 5 (1968); A ditadura militar se encontrava nawww.bocc.ubi.pt
  4. 4. 4 Elton Bruno Barbosa Pinheirofase de fortalecimento; Os meios de comu- lemas pelos quais passava o país; MEB -nicação estão sob censura; O congresso foi Movimento de Educação de Base (ligadofechado e as organizações populares tiveram ao Método Paulo Freire, conceito de hor-seu líderes perseguidos, presos, banidos, tor- izontalidade, e a Ação popular; e MMMturados ou assassinados.(SILVA, 1998: 48). - Movimento por um Mundo Melhor, foi Então, a Igreja Católica efetua uma um curso orientado pelo padre José Mairinsguinada em sua linha política. De le- (1960-1965) com o propósito de renovaçãogitimadora do golpe passa à condição de apostólica e espiritual, recaindo sobre a ino-oposição. Isto por que a repressão perpetrada vação da estrutura paroquial e propiciando opela nova ordem atingia agora os membros aparecimento, até certa medida, das Comu-do próprio clero ou do laicato. nidades Eclesiais de Base. Os grupos católicos que estavam em O leigo assume papel importante, todavia,choque com o aparelho repressivo eram rep- seu desempenho está sob controle estrito doresentados pela Ação Popular (AP), Juven- poder eclesiástico.tude Universitária Católica (JUC) e Juven- A paróquia perde seu foco centralizador,tude Operária Católica (JOC). para a dinamização da comunidade, onde o A Igreja estava dividida em três alas: Pro- leigo deixa de freqüentá-la apenas com o in-gressista, encabeçada por D. Hélder Câmara, tuito de usufruir das funções sacramentais,pregava contra a violência e as injustiças so- saindo do anonimato e passa a sentir-se acol-ciais, encoraja a promoção humana; hido e com responsabilidade. Conservadora, liderada por D. Geraldo deProença, arcebispo de Diamantina, denun- 2.3. O Surgimentociava a ameaça subversiva e imperturbavel-mente apoiava o regime militar; e Moder- O Plano de Emergências da Conferên-ada, caracterizada por não tomar qualquer cia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)posição pública sobre injustiça social e prob- procurava atender às necessidades do conti-lemas sócio-econômicos. Tinha a tendên- nente. Os seus resultados foram incorpora-cia de se unir aos “Progressistas” quando a dos no Primeiro Plano de Pastoral de Con-questão era a defesa do clero implicado em junto - PPC (1965-1970) e que passou a sertorturas ou vexames. considerado lançamento oficial das Comu- nidades Eclesiais de Base no Brasil.2.2. Contexto Eclesial 3. Mas, afinal o que são as CEB? A “Ação Católica” foi um meio de inter-ferência sócio-política que tinha como obje- 3.1. Característicastivo principal orientar os partidos católicos ea rede de organizações sociais cristãs. Suas Antes de buscar traçar tais característicasramificações: JOC - Juventude Operária é importante mencionar a questão de queCatólica, deu grandes contribuições na dé- cada autor parte de diferentes perspectivascada de 60 para a Igreja começar uma trans- quando se trata de estabelecer uma definiçãoformação de sua postura diante dos prob- ao termo CEB, o que comprova a diversidade www.bocc.ubi.pt
  5. 5. CEB: comunicação e participação - um novo jeito de ser Igreja 5de suas formações desde seu surgimento até uma mesma vizinhança geográfica. Sãoos dias de hoje. eclesiais porque constituídas de cristãos Para tanto, faremos uma abordagem dos reunidos em razão da fé e em comunhãoconceitos estabelecidos por alguns autores. com toda a Igreja. É justamente este dadoIniciemos por Frei Betto em seu livro “O que eclesial que confere a identidade às queé Comunidade Eclesial de Base”: integradas por essas pessoas das camadas populares (TEIXEIRA, 1988: 305-306). As comunidades eclesiais de base (CEB) são pequenos grupos organizados em Sobre a finalidade da CEB e a motivação torno de uma paróquia (urbana) ou da que levam esses membros a se reunirem, capela (rural), por iniciativa de leigos, Mainwaring aponta: padres ou bispos. As primeiras surgi- ram por volta de 1960, em Nísia Flo- Uma CEB é um grupo pequeno (com mé- resta, arquidiocese Natal, segundo alguns dia de 15 a 25 participantes que geral- pesquisadores, ou em Volta Redonda se- mente se reúnem uma vez por sem- gundo outros. De natureza religiosa e ana, usualmente para discutir a Bíblia caráter pastoral, as CEB podem ter dez, e sua relevância face às questões con- vinte ou cinqüenta membros. [...] São temporâneas. Seus membros são re- comunidades, porque reúnem pessoas sponsáveis pelas cerimônias religiosas do que têm a mesma fé, pertencem a mesma grupo, assim como por muitas decisões. Igreja essas pessoas vivem uma comum- No Brasil, ao contrário da América Cen- união em torno de seus problemas de tral, as CEB foram quase em sua maioria, sobrevivência, de moradia, de lutas por criação de sacerdotes ou freiras (MAIN- melhores condições de vida e de anseios WARING, 1989: 127). e esperanças libertadoras. São eclesi- ais, porque congregadas na Igreja, como Para Lebauspin podem apresentar carac- núcleos básicos de comunidade de fé. terísticas variadas, mas o fator fundamental De base, porque são integradas por pes- deve ser que: soas que trabalham com as próprias mãos (classes populares) (BETTO, 1985:16- As pessoas possam se conhecer “pes- 17). soalmente”. É uma associação volun- tária: participar dela implica em uma es- Para Luiz Couto Teixeira aborda a termi- colha, um engajamento. Essas pessoasnologia CEB encerra: se reúnem em razão de suas crenças re- ligiosas: para rezar, celebrar, refletir so- São comunidades pelo fato de reunir bre as relações entre a Bíblia e sua vida, pessoas que comungam da mesma fé e para participar dos sacramentos. Essas que se unem por laços de solidariedade e comunidades desenvolveram-se em meio de compromisso de vida. Estas pessoas popular, seja nas zonas rurais, seja nas se reúnem normalmente em pequenos periferias e nas favelas (LEBAUSPIN, grupos e de maneira geral pertencem a 1997:50).www.bocc.ubi.pt
  6. 6. 6 Elton Bruno Barbosa Pinheiro3.2. Os Agentes Pastorais munidades, onde entram católicos, protes- Nessa perspectiva de organização, tantes, espíritas, ateus, etc. “A divisão nãodestaca-se a o protagonismo dos animadores é mais entre quem tem e quem não tem fé.das CEB são os chamados agentes pastorais: É entre quem está do lado dos interessesleigos, religiosos ou padres, formados pelas dos pobres e que está a favor dos privilé-próprias comunidades. Os agentes pastorais gios dos opressores”; 3ª) Fortalecimento dodevem seguir um trabalho horizontal, ou Movimento Operário: Oposição Sindical eseja, é preciso viver vinculado ao povo, valorização deste órgão de classe.comungar a sua vida, para aprender com elee refazer suas categorias e valores elitistas, 3.4. CEB e Movimentosacademicistas, populistas ou vanguardistas. Populares(BETTO, 1985, p. 19) Já os membros das Comunidades Eclesi- De acordo com Frei Betto as CEB não seais de Base são em geral, pessoas de re- fecham em si mesmas. “As questões levan-muneração salarial inferior a dois ou três tadas nas reuniões raramente deixam de sersalários mínimos mensais. Moram em casas questões sociais, ligadas à sobrevivência daspopulares e buscam na religião, de acordo classes populares” (BETTO, 1985:24).com o Frei Betto, não um “sedativo” para No vocabulário das CEB a palavra liber-os sofrimentos, mas um espaço de discern- tação sobressai. Ela está presente nos cânti-imento crítico frente a ideologia dominante cos, na meditação do Evangelho, no plano(BETTO, 1985:20). de ação, e ajuda a comunidade a passar de uma consciência social reformista para a consciência da modificação do modo de pro-3.3. Voz dos que não tem voz dução capitalista. Nos anos de regime militar no Brasil, osmembros das comunidades participaram ati- 3.5. As CEB na zona ruralvamente da oposição popular, muitos forampresos e torturados; alguns assassinados Pesquisadores confirmaram que “É napelas forças repressivas do poder político zona rural que as comunidades de base maise/ou econômico. proliferam. O homem do campo encontra na A Igreja passou a ser “voz dos que não tem Igreja seu principal referencial ideológico.”voz”, empenhando-se resolutamente na cam- Essa luta é travada pelos próprios lavradores:panha de denúncia às torturas e pela defesa procuram tomar o sindicato das mãos ofici-dos direitos humanos. ais, expressam seus sofrimentos em versos Três etapas percorridas pela CEB nos úl- e canções, promovem mutirões para com-timos anos: 1ª) A comunidade em si: cen- provar a força de sua união, fazem mani-trada em sua motivação religiosa, buscando festações públicas para denunciar a opressãono Evangelho as pistas para sua atividade so- em que vivem (BETTO, 1985: 27-28).cial; 2ª) Os movimentos populares: surgi-dos com a participação dos membros das co- www.bocc.ubi.pt
  7. 7. CEB: comunicação e participação - um novo jeito de ser Igreja 74. Métodos e pedagogia das julgam auto-suficientes no encaminhamento Comunidades Eclesiais de da pastoral popular. Base 5. A Igreja nos anos 80 e 90 As CEB se orientam pelo método ver-julgar-agir. O método é definido da seguinte Com a “abertura” política de 1970 surgemforma: ver, percebe-se que uma ou duas os questionamentos sobre o papel das CEB equestões se impõem como mais importantes; os novos desafios para as mesmas. Modifi-julgar, como Jesus agiria nessa situação? cada a conjuntura nacional, há de se aceitarComo devemos agir? Esta segunda parte uma transformação no papel que as CEB vin-do método é sempre ligada ao Evangelho; ham desempenhando. Mas, ao contrário doe agir, o planejamento, a busca pela forma que se esperava, houve, principalmente deconcreta de enfrentar o problema; (um mu- 1978 a 1985, uma incrementação da questãotirão, o abaixo-assinado, etc.). política. É importante mencionar que a ação Em conseqüência da aliança entre orga-das comunidades eclesiais de base dá- nizações de base, Igreja, movimentos soci-se de modo intra-eclesial (celebração de ais, foram alcançadas determinadas conquis-culto, festas litúrgicas, novenas, catequese, tas políticas como a reforma partidária, anis-preparação aos sacramentos, estudo de doc- tia política e outras favoreceram a fundaçãoumentos da Igreja) e de modo extra-eclesial do Partidos dos Trabalhadores.(vinculação às lutas populares, na cidade e Contudo, na conjuntura eclesial interna-no campo) (BETTO, 1985:32). cional, o início do Pontificado de João Paulo A Pedagogia do Oprimido, criada por II, procurava dar à Igreja um reordenamentoPaulo Freire, mostra que os agentes devem tentando conter o clima de abertura pre-permitir aos núcleos organizados ter clareza sente no período pós-conciliar. É a chamadade sua prática social e política. Os núcleos, “Volta à grande disciplina”.por sua vez, levam os agentes a assumiremessa prática. Podemos concluir que com essa 6. Os novos desafios para asCEBpedagogia o povo, então, deixa de ser ummito, um conceito quimicamente destilado, e As comunidades eclesiais de base contin-os agentes perdem a pretensão de ser dotados uam a representar um papel muito impor-de toda ciência capaz de mudar a história. tante na vida nacional. São os espaços ecle- Dois desvios devem ser evitados na prática siais onde o povo nutre, professa e celebrada pastoral popular: o populismo eclesial e sua fé com a atividade política.o vanguardismo eclesial. O Populismo ecle- Nelas a igreja reencontra suas origenssial é a atitude dos agentes que sacralizam o evangélicas e abandona, aos poucos, sua pos-povo, acreditando que este por só si é capaz tura da velha dama da monarquia.de se conscientizar e de se libertar. O Van- Leonardo Boff diz que as Comunidadesguardismo eclesial é a atitude dos agentes reinventam a Igreja, já que, pela ação doque julgam o povo incapaz, ignorante e se Espírito, refazem o caminho percorrido pelawww.bocc.ubi.pt
  8. 8. 8 Elton Bruno Barbosa Pinheirocomunidade primitiva, na liberdade dos dons o Pontificado de João Paulo II. Disser-que o Senhor concede a seus filhos. tação de Mestrado em Sociologia UFPB No entanto há alguns desafios a serem - João Pessoa, 2004.enfrentados pelas Comunidades Eclesiaisde Base, como por exemplo, desapropriar AZEVEDO, Marcelo. Comunidades Eclesi-o cristianismo das mãos da classe dom- ais de Base e Inculturação da Fé. Sãoinante; esvaziar o discurso religioso de Paulo: Loyola, 1996.suas conotações burguesas; e recuperar a di- BETTO, Frei. O que é Comunidade Eclesialmensão intrinsecamente libertadora da men- de Base. São Paulo: Abril, 1985.sagem evangélica. BOFF, Leonardo. E a Igreja se fez povo,7. Considerações Finais Eclesiogênese: a igreja que nasce da fé do povo. 3ª ed., Rio de Janeiro: Vozes, Ao estudar as Comunidades Eclesiais de 1986.Base como meio de comunicação popular,desde a contextualização sócio-econômico CASTANHO, Amury. Os caminhos dase eclesial até os desafios e papel na so- CEBs no Brasil. 2ª ed., Rio de Janeiro:ciedade de hoje em torna-se um novo jeito Marques Saraiva, 1988.de ser Igreja, se comprometendo com a fé CELAM, Conclusões da Conferência dedo povo, avaliando criticamente sua comu- Puebla. São Paulo: Paulinas, 1979.nicação, buscando novos meios, novas for-mas e abrigando novos conteúdos, é possível COMPÊNDIO DO VATICANO II. Consti-perceber alguns sinais que indicam como a tuições, Decretos, Declarações. 20ª ed.Igreja vem trabalhando não apenas para dar Petrópolis: Vozes, 1989.voz aos que não têm voz nem vez, mas,sobretudo para que os sem-voz e vez con- DELMIRO, Ivaldinete Araújo. CEBs: Es-struam seus próprios meios de comunicação paço de Fé, Formação e Cidadania.e através deles emitam sons que nasçam Estudo de Caso das CEBs da Dioceseda sua própria vivência e sejam modulados de Campina Grande - PB. (Tese deem função das suas perplexidades e esper- Mestrado em Ciências Sociais, UFPB,anças, sem mediação hierárquica, sem inter- João Pessoa, 1996.venção dogmática, sem instrumentação ritu- FERNANDES, Dom Luiz Gonzaga. Comoalista, conforme afirmou Marques de Melo se faz uma Comunidade Eclesial de(2005:29). Base. 4ª ed., Petrópolis: Vozes, 1985.8. Referencias FREIRE, Paulo. Extensão ou Comunicação? Rio de Janeiro: Paz e Terra.ANDRADE, Hamilton Ayres Freire de An- drade. Comunidades Eclesias de Base KUNSCH, Waldemar Luiz. O verbo se fez (CEBs): as descontinuidades discursi- palavra. Caminhos da Comunicação vas entre o plano Latino- Americano e Católica. São Paulo: Paulinas, 2001. www.bocc.ubi.pt
  9. 9. CEB: comunicação e participação - um novo jeito de ser Igreja 9LESBAUPIN, Ivo. As Comunidades de Base e a transformação Social. In As Co- munidades de Base em Questão. São Paulo: Paulus, 1997.MAINWARING, Seott. Igreja Católica e política no Brasil (1916-1985). São Paulo: Brasiliense, 1989.MARQUES DE MELO, José. Comunicação Eclesial: Utopia e Realidade. São Paulo: Paulisnas, 2005.SILVA, Jomar Ricardo da. Comunidades Eclesiais de Base. Poder e participação Sócio-Política. (Tese de mestrado em Sociologia, Campina Grande - PB, 1998.TEIXEIRA, Luiz Couto. A gênese das CEBs no Brasil – Elementos Explica- tivos. São Paulo: Paulinas, 1988.www.bocc.ubi.pt

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