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MUSEUS: UMA EXPERIÊNCIA COM UNIVERSITÁRIOS
                                                        Nainôra Maria Barbosa de Freitas1


          As propostas museológicas envolvem uma interação entre os museus e a ação
educativa. Os museus podem ser usados como um espaço que utiliza com funções
variadas com o intuito de preservar, conservar, expor e pesquisar. A função dos museus
é servir fundamentalmente a comunidade e podem e devem contribuir para uma efetiva
ação educativa contando com diretrizes que estejam voltadas para ampliar o leque de
comunicação dentro de uma dinâmica cultural das cidades.
          Esta comunicação aborda os resultados parciais de um trabalho desenvolvido
com alunos do curso de História, disciplina de Museologia, do Centro Universitário
Barão de Mauá, da cidade de Ribeirão Preto, situada no interior do Estado de São Paulo,
Brasil.
          A disciplina de Museologia tem por proposta desenvolver a reflexão de
conceitos que relacionam a Museologia com o Patrimônio Cultural, para isso partimos
da conceituação de Museu e Museologia para chegar ao estágio pedagógico
desenvolvido pelos discentes.
          Os museus e com eles suas coleções, acompanhando a história da humanidade,
passaram por profundas transformações desde o embrião da casa das Musas na Grécia
chegando ao século XXI2.
          A idéia de museu um lugar de coisas velhas, depósito, vem lentamente no Brasil
sendo aos poucos substituída pela idéia de museu como um espaço de educação mas
também de lazer e entretenimento, um espaço interativo, de fruição. Os museus estão se
modernizando como uma resposta ao mundo globalizado realizando eventos, worshops,
cursos, bem como outras atividades se inserindo nos calendários culturais das cidades.
          Essa modernização se estende com o objetivo de também atrair maior número de
visitantes para os museus e por isso várias instituições modernizaram seus espaços,
melhoraram as formas exposigráficas e passaram a oferecer serviços como cafeterias,

1
    Doutora em História pela Faculdade de História, Direito e Serviço Social -
Universidade Estadual Paulista UNESP- Franca - São Paulo – Brasil. Professora de
Museologia e Patrimônio Cultural no Centro Universitário Barão de Mauá- Ribeirão
Preto- São Paulo – Brasil.
2
 BARRETTO, Margarita. Os Museus como Centro de Educação Permanente. B.C.M.U. Campinas, v.4,
n.7/8, jan/dez 1992.
restaurantes, lojas de souvenir com produtos personalizados ou que dizem respeito a
temática do museu. Parte destes projetos abragem uma adequação para o público
portador de necessidades especiais seja físicas, auditivas e ou visuais.
       Em meio a esta modernização algumas instituições tem se preocupado com a
ação educativa para atender a demanda de públicos específicos de acordo com a idade,
escolaridade, entre outros aspectos. Muitas instituições nem sempre contam com
profissionais capacitados para atuar na área da educação e, portanto precisam contar
com parcerias das quais resultam projetos que possam ser facilitados por meio de uma
ação entre o público receptor e o museu e seu acervo, o pólo emissor3.
       O encontro do museu e do público deve ocorrer tendo em vista uma maior
interação construindo uma relação em que o museu deixa de ser um lugar de velharia
para ser um espaço de lazer, um lugar de brincar, bem como, um espaço de reflexão e
discussão de temas de cotidiano como a vida, a morte, a doença, alimentação, a
organização social, prática religiosa, entre outros aspectos que pontuam o dia-a-dia de
uma comunidade.
       Paralelo a estas transformações no campo dos museus e da museologia a relação
com o patrimônio cultural possibilita outras interações quando passamos a compreender
o patrimônio como o conjunto de bens mais caros à sociedade, aqueles que constituem a
herança que se recebeu de gerações anteriores. O patrimônio diz respeito à identidade
cultural de um povo, de uma região, de um país, e por isso deve ser preservado e
valorizado o máximo possível. Ele é o testemunho de uma cultura, material e imaterial.
O patrimônio material e imaterial como todas as ações por meio das quais os povos
expressam suas formas específicas de ser, constituem a sua cultura que ao longo do
tempo, foi adquirindo formas e expressões diferentes.
       Partindo deste leque de atividades que podem envolver um museu, o projeto
“Mauá no Museu”, do Centro Universitário Barão de Mauá, da cidade de Ribeirão
Preto, tem por proposta levar o aluno do 3º. Ano letivo, do curso de História, a realizar
seus estágios dentro dos museus para conhecer a dinâmica de funcionamento e realizar
seu estágio aplicando um projeto pedagógico. A escolha da instituição e do projeto a ser
desenvolvido são opções que o aluno dispõe, respeitando as particularidades de cada
um.

3
 CURY, Marilia X. Os usos que o público faz do museu: a (re) significação da cultura
material e do museu. In: Musas, Rio de Janeiro, IPHAN, n.1, 2004. p.86-106.
O estágio realizado pelo discente permite a partir da praxis que desenvolva um
amadurecimento em relação a elaboração de uma proposta com uma ação efetiva
pedagógica preparada para ser aplicada junto ao público visitante seja por meio de
escolas e ou grupos avulsos. O desenvolvimento do projeto deve atender as
necessidades da instituição na qual realiza o estágio.
       A experiência que retratamos foi aplicada no complexo dos Museus da cidade de
Ribeirão Preto: Museu Histórico e de Ordem Geral Plínio Travassos dos Santos e
Museu do Café Francisco Schmidt. O Museu Histórico está localizado na casa da antiga
da sede da fazenda Monte Alegre que pertenceu a um dos maiores produtores de café do
mundo entre o final do século XIX e inicio do XX, sr. Francisco Schmidt. Ela
representa o apogeu da cafeicultura na história da cidade de Ribeirão Preto e do Brasil, e
é parte do conjunto do acervo do museu. O Museu do Café teve seu acervo
desmembrado do Museu Histórico por volta de 1955, quando foi construído um prédio
próprio, próximo ao casarão do século XIX. O acervo dos museus está relacionado com
a história do café, da imigração e formação da cidade de Ribeirão Preto e região.
       A aplicação do projeto pedagógico da disciplina de Museologia do curso de
História teve início no ano de 2004 buscando uma maior integração entre os alunos do
curso e as instituições museológicas. O museu, espaço considerado como um lugar de
velharia (denominação que entendemos até ser justificada em muitos casos) precisa se
adequar a novas instruções e caminhos pelos quais a museologia contemporânea tem
direcionado para novas leituras do acervo e do espaço museográfico e museológico.
       Na museologia tradicional (associada a idéia de velharia, depósito) vem sendo
substituída pela nova tipologias a exemplos dos museus abertos, interativos, com uso de
multi mídia e outros recursos visuais dentro do espaço museal.
       Esta mesma discussão alcança a Museologia, promovendo tanto uma redefinição
dos perfis das coleções, quanto da relação entre museu e comunidade. Neste caminho, a
museologia tem a preocupação com a superação de uma compreensão de museu como
espaço saudosista, estático, romântico; bem como, a compreensão do acervo como
exterior e exótico. A utilização do acervo como meio para uma leitura crítica do
processo histórico e para a percepção do museu como espaço dinâmico que reflete o
cotidiano é mais um das referências que compõem a Museologia atual, aproximando-a,
ainda mais, da História e de outras ciências.
       A Museologia se utiliza do museu como laboratório de experimentação de uma
nova metodologia que deixa de privilegiar o objeto em si, passando a tentar
compreendê-lo como suporte de memória e mediador das relações, contribuindo dessa
forma para uma nova valoração aos objetos museológicos, ampliando, assim, a
possibilidade de objetos musealizáveis. Estes novos objetos eram, até então, vistos pelo
museu como marginais, pois não carregavam a aura de importância estabelecida naquele
momento.
          O estudante do curso de História por excelência encontra nele (museu) um
espaço interativo para desenvolver atividades que podem ser realizadas antes, durante e
depois de uma visita aproveitando o que poderia ser um passeio para despertar a busca
de um conhecimento interativo e aprofundando a respeito de determinados temas.
          As opções de visita em tempos de tecnologia avançada podem também em
alguns casos serem virtuais. Alguns museus disponibilizam em seus sites visitas que
contemplam parte do acervo.
          Na mesma trajetória em que a museologia vem se modificando em relação a
museografia e apresentando um museu como espaço de lazer e cultura, a educação pode
e deve se apropriar deste espaço para ampliar a área de interdisciplinariedade que é
oferecida por meio destas instituições.
          O desenvolvimento de técnicas pedagógicas com o intuito de despertar no
estudante e ou visitante dos museus uma comunicação diferenciada possibilitando a
interação da comunidade escolar e dos outros visitantes com o museu.
          Mudanças conceituais, os museus históricos deixaram de utilizar os seus objetos
apenas como matéria-prima para o estudo da História, passando ele também a
desenvolver pesquisas em diversas áreas do conhecimento humano. O historiador se
utiliza dos objetos para interpretá-los com o intuito de relatar uma história mais
inteligível, elencando as várias facetas dos fatos e acreditando na importância dessas
mesmas ciências para explicar o presente e construir o futuro. Vale lembrar que não
deve existir uma hierarquização na escala valorativa tanto dos objetos como dos fatos.
          Então como pensar a educação, a preservação da memória cultural e o museu
como espaço de sociabilização? A educação patrimonial vem se desenvolvendo graças a
aplicação de projetos que viabilizam a interação da comunidade escolar.
          Os atos educativos requerem interação entre individuo, sociedade e educação
para estabelecer uma relação de compreensão entre as operações de preservação da
herança cultural: manutenção, conservação, restauração, uso, administração, entre
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A aplicação de projetos que trabalham no campo da educação patrimonial
envolve um aprendizado por parte de quem os aplica e de quem os recebe e participa.
Jograis, jogo de tabuleiro, caça palavras, jogo de memória, gincana cultural, teatro de
fantoches, uso de maquetes, teatro com a narração da instalação dos Museus Histórico e
do Café, idealizador e a composição do acervo; jogo de dominó composto de frases
relacionadas ao patrimônio, a história e aos museus compõem parte deste universo
lúdico.
          Destacamos que durante as atividades no ano de 2008, uma das alunas portadora
de necessidades visuais teve a possibilidade de ampliar o projeto com o intuito de
atender a partir de uma pequena experiência os portadores de necessidades visuais. Foi
confeccionada pelos alunos do curso de Arquitetura num projeto interdisciplinar uma
Maquete permitindo um contato táctil do complexo dos Museus Municipais: Histórico e
do Café da cidade de Ribeirão Preto, e acompanha a maquete um pequeno texto um
braile. Para os outros visitantes o trabalho com a maquete é realizado seguido de uma
narrativa sobre a história dos museus e de uma visita monitorada no jardim botânico que
pertence aos Museus.
          O estágio representa apenas uma pequena experiência num universo amplo da
relação entre a museologia e a preservação do patrimônio cultural.


Bibliografia:
BARRETTO, Margarita. Os Museus como Centro de Educação Permanente. B.C.M.U.
Campinas, v.4, n.7/8, jan/dez 1992
BREFE, Ana C. F. Museus Históricos na França: entre a reflexão histórica e a
identidade nacional. Anais do Museu Paulista. N.Sr. v. 5, p.175-203 jan/dez, 1997.
CURY, Marília X. Os usos que o público faz do museu: a (re) significação da cultural
material e do museu. MUSAS, Rio de Janeiro: IPHAN, n. 1, p. 87-106, 2004.
MUSEU Paulista. Como explorar um Museu Histórico. São Paulo: Museu Paulista/
USP, 1992.
STUDART, Denise C. Educação em museus: produto ou processo? MUSAS, Rio de
Janeiro: IPHAN, n. 1, p. 34- 40, 2004.
.
Doutora em História pela Faculdade de História, Direito e Serviço Social -Universidade
Estadual Paulista UNESP- Franca - São Paulo – Brasil. Professora de Museologia e
Patrimônio Cultural no Centro Universitário Barão de Mauá- Ribeirão Preto- São Paulo
- Brasil

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Experiencia Com Universitarios

  • 1. MUSEUS: UMA EXPERIÊNCIA COM UNIVERSITÁRIOS Nainôra Maria Barbosa de Freitas1 As propostas museológicas envolvem uma interação entre os museus e a ação educativa. Os museus podem ser usados como um espaço que utiliza com funções variadas com o intuito de preservar, conservar, expor e pesquisar. A função dos museus é servir fundamentalmente a comunidade e podem e devem contribuir para uma efetiva ação educativa contando com diretrizes que estejam voltadas para ampliar o leque de comunicação dentro de uma dinâmica cultural das cidades. Esta comunicação aborda os resultados parciais de um trabalho desenvolvido com alunos do curso de História, disciplina de Museologia, do Centro Universitário Barão de Mauá, da cidade de Ribeirão Preto, situada no interior do Estado de São Paulo, Brasil. A disciplina de Museologia tem por proposta desenvolver a reflexão de conceitos que relacionam a Museologia com o Patrimônio Cultural, para isso partimos da conceituação de Museu e Museologia para chegar ao estágio pedagógico desenvolvido pelos discentes. Os museus e com eles suas coleções, acompanhando a história da humanidade, passaram por profundas transformações desde o embrião da casa das Musas na Grécia chegando ao século XXI2. A idéia de museu um lugar de coisas velhas, depósito, vem lentamente no Brasil sendo aos poucos substituída pela idéia de museu como um espaço de educação mas também de lazer e entretenimento, um espaço interativo, de fruição. Os museus estão se modernizando como uma resposta ao mundo globalizado realizando eventos, worshops, cursos, bem como outras atividades se inserindo nos calendários culturais das cidades. Essa modernização se estende com o objetivo de também atrair maior número de visitantes para os museus e por isso várias instituições modernizaram seus espaços, melhoraram as formas exposigráficas e passaram a oferecer serviços como cafeterias, 1 Doutora em História pela Faculdade de História, Direito e Serviço Social - Universidade Estadual Paulista UNESP- Franca - São Paulo – Brasil. Professora de Museologia e Patrimônio Cultural no Centro Universitário Barão de Mauá- Ribeirão Preto- São Paulo – Brasil. 2 BARRETTO, Margarita. Os Museus como Centro de Educação Permanente. B.C.M.U. Campinas, v.4, n.7/8, jan/dez 1992.
  • 2. restaurantes, lojas de souvenir com produtos personalizados ou que dizem respeito a temática do museu. Parte destes projetos abragem uma adequação para o público portador de necessidades especiais seja físicas, auditivas e ou visuais. Em meio a esta modernização algumas instituições tem se preocupado com a ação educativa para atender a demanda de públicos específicos de acordo com a idade, escolaridade, entre outros aspectos. Muitas instituições nem sempre contam com profissionais capacitados para atuar na área da educação e, portanto precisam contar com parcerias das quais resultam projetos que possam ser facilitados por meio de uma ação entre o público receptor e o museu e seu acervo, o pólo emissor3. O encontro do museu e do público deve ocorrer tendo em vista uma maior interação construindo uma relação em que o museu deixa de ser um lugar de velharia para ser um espaço de lazer, um lugar de brincar, bem como, um espaço de reflexão e discussão de temas de cotidiano como a vida, a morte, a doença, alimentação, a organização social, prática religiosa, entre outros aspectos que pontuam o dia-a-dia de uma comunidade. Paralelo a estas transformações no campo dos museus e da museologia a relação com o patrimônio cultural possibilita outras interações quando passamos a compreender o patrimônio como o conjunto de bens mais caros à sociedade, aqueles que constituem a herança que se recebeu de gerações anteriores. O patrimônio diz respeito à identidade cultural de um povo, de uma região, de um país, e por isso deve ser preservado e valorizado o máximo possível. Ele é o testemunho de uma cultura, material e imaterial. O patrimônio material e imaterial como todas as ações por meio das quais os povos expressam suas formas específicas de ser, constituem a sua cultura que ao longo do tempo, foi adquirindo formas e expressões diferentes. Partindo deste leque de atividades que podem envolver um museu, o projeto “Mauá no Museu”, do Centro Universitário Barão de Mauá, da cidade de Ribeirão Preto, tem por proposta levar o aluno do 3º. Ano letivo, do curso de História, a realizar seus estágios dentro dos museus para conhecer a dinâmica de funcionamento e realizar seu estágio aplicando um projeto pedagógico. A escolha da instituição e do projeto a ser desenvolvido são opções que o aluno dispõe, respeitando as particularidades de cada um. 3 CURY, Marilia X. Os usos que o público faz do museu: a (re) significação da cultura material e do museu. In: Musas, Rio de Janeiro, IPHAN, n.1, 2004. p.86-106.
  • 3. O estágio realizado pelo discente permite a partir da praxis que desenvolva um amadurecimento em relação a elaboração de uma proposta com uma ação efetiva pedagógica preparada para ser aplicada junto ao público visitante seja por meio de escolas e ou grupos avulsos. O desenvolvimento do projeto deve atender as necessidades da instituição na qual realiza o estágio. A experiência que retratamos foi aplicada no complexo dos Museus da cidade de Ribeirão Preto: Museu Histórico e de Ordem Geral Plínio Travassos dos Santos e Museu do Café Francisco Schmidt. O Museu Histórico está localizado na casa da antiga da sede da fazenda Monte Alegre que pertenceu a um dos maiores produtores de café do mundo entre o final do século XIX e inicio do XX, sr. Francisco Schmidt. Ela representa o apogeu da cafeicultura na história da cidade de Ribeirão Preto e do Brasil, e é parte do conjunto do acervo do museu. O Museu do Café teve seu acervo desmembrado do Museu Histórico por volta de 1955, quando foi construído um prédio próprio, próximo ao casarão do século XIX. O acervo dos museus está relacionado com a história do café, da imigração e formação da cidade de Ribeirão Preto e região. A aplicação do projeto pedagógico da disciplina de Museologia do curso de História teve início no ano de 2004 buscando uma maior integração entre os alunos do curso e as instituições museológicas. O museu, espaço considerado como um lugar de velharia (denominação que entendemos até ser justificada em muitos casos) precisa se adequar a novas instruções e caminhos pelos quais a museologia contemporânea tem direcionado para novas leituras do acervo e do espaço museográfico e museológico. Na museologia tradicional (associada a idéia de velharia, depósito) vem sendo substituída pela nova tipologias a exemplos dos museus abertos, interativos, com uso de multi mídia e outros recursos visuais dentro do espaço museal. Esta mesma discussão alcança a Museologia, promovendo tanto uma redefinição dos perfis das coleções, quanto da relação entre museu e comunidade. Neste caminho, a museologia tem a preocupação com a superação de uma compreensão de museu como espaço saudosista, estático, romântico; bem como, a compreensão do acervo como exterior e exótico. A utilização do acervo como meio para uma leitura crítica do processo histórico e para a percepção do museu como espaço dinâmico que reflete o cotidiano é mais um das referências que compõem a Museologia atual, aproximando-a, ainda mais, da História e de outras ciências. A Museologia se utiliza do museu como laboratório de experimentação de uma nova metodologia que deixa de privilegiar o objeto em si, passando a tentar
  • 4. compreendê-lo como suporte de memória e mediador das relações, contribuindo dessa forma para uma nova valoração aos objetos museológicos, ampliando, assim, a possibilidade de objetos musealizáveis. Estes novos objetos eram, até então, vistos pelo museu como marginais, pois não carregavam a aura de importância estabelecida naquele momento. O estudante do curso de História por excelência encontra nele (museu) um espaço interativo para desenvolver atividades que podem ser realizadas antes, durante e depois de uma visita aproveitando o que poderia ser um passeio para despertar a busca de um conhecimento interativo e aprofundando a respeito de determinados temas. As opções de visita em tempos de tecnologia avançada podem também em alguns casos serem virtuais. Alguns museus disponibilizam em seus sites visitas que contemplam parte do acervo. Na mesma trajetória em que a museologia vem se modificando em relação a museografia e apresentando um museu como espaço de lazer e cultura, a educação pode e deve se apropriar deste espaço para ampliar a área de interdisciplinariedade que é oferecida por meio destas instituições. O desenvolvimento de técnicas pedagógicas com o intuito de despertar no estudante e ou visitante dos museus uma comunicação diferenciada possibilitando a interação da comunidade escolar e dos outros visitantes com o museu. Mudanças conceituais, os museus históricos deixaram de utilizar os seus objetos apenas como matéria-prima para o estudo da História, passando ele também a desenvolver pesquisas em diversas áreas do conhecimento humano. O historiador se utiliza dos objetos para interpretá-los com o intuito de relatar uma história mais inteligível, elencando as várias facetas dos fatos e acreditando na importância dessas mesmas ciências para explicar o presente e construir o futuro. Vale lembrar que não deve existir uma hierarquização na escala valorativa tanto dos objetos como dos fatos. Então como pensar a educação, a preservação da memória cultural e o museu como espaço de sociabilização? A educação patrimonial vem se desenvolvendo graças a aplicação de projetos que viabilizam a interação da comunidade escolar. Os atos educativos requerem interação entre individuo, sociedade e educação para estabelecer uma relação de compreensão entre as operações de preservação da herança cultural: manutenção, conservação, restauração, uso, administração, entre outras.
  • 5. A aplicação de projetos que trabalham no campo da educação patrimonial envolve um aprendizado por parte de quem os aplica e de quem os recebe e participa. Jograis, jogo de tabuleiro, caça palavras, jogo de memória, gincana cultural, teatro de fantoches, uso de maquetes, teatro com a narração da instalação dos Museus Histórico e do Café, idealizador e a composição do acervo; jogo de dominó composto de frases relacionadas ao patrimônio, a história e aos museus compõem parte deste universo lúdico. Destacamos que durante as atividades no ano de 2008, uma das alunas portadora de necessidades visuais teve a possibilidade de ampliar o projeto com o intuito de atender a partir de uma pequena experiência os portadores de necessidades visuais. Foi confeccionada pelos alunos do curso de Arquitetura num projeto interdisciplinar uma Maquete permitindo um contato táctil do complexo dos Museus Municipais: Histórico e do Café da cidade de Ribeirão Preto, e acompanha a maquete um pequeno texto um braile. Para os outros visitantes o trabalho com a maquete é realizado seguido de uma narrativa sobre a história dos museus e de uma visita monitorada no jardim botânico que pertence aos Museus. O estágio representa apenas uma pequena experiência num universo amplo da relação entre a museologia e a preservação do patrimônio cultural. Bibliografia: BARRETTO, Margarita. Os Museus como Centro de Educação Permanente. B.C.M.U. Campinas, v.4, n.7/8, jan/dez 1992 BREFE, Ana C. F. Museus Históricos na França: entre a reflexão histórica e a identidade nacional. Anais do Museu Paulista. N.Sr. v. 5, p.175-203 jan/dez, 1997. CURY, Marília X. Os usos que o público faz do museu: a (re) significação da cultural material e do museu. MUSAS, Rio de Janeiro: IPHAN, n. 1, p. 87-106, 2004. MUSEU Paulista. Como explorar um Museu Histórico. São Paulo: Museu Paulista/ USP, 1992. STUDART, Denise C. Educação em museus: produto ou processo? MUSAS, Rio de Janeiro: IPHAN, n. 1, p. 34- 40, 2004. . Doutora em História pela Faculdade de História, Direito e Serviço Social -Universidade Estadual Paulista UNESP- Franca - São Paulo – Brasil. Professora de Museologia e
  • 6. Patrimônio Cultural no Centro Universitário Barão de Mauá- Ribeirão Preto- São Paulo - Brasil