Capitulo IV

O Mundo Materíalísta : da Pornografia

Margaret C.  Jacob

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A Quimera:  riiosona s FORMAL

exerce seu comércio perto de Union-Stairs,  Wapping,  onde pode
ser reconhecida como "uma m...
A QUALIDADE FILOSOHCA e FomAL

mulheres que nos homens,  já que estes são dotados de maior
razão".  Esse mesmo autor descr...
O MUNDO MAYERIALISYA ca PORNOCRAFM

suficiente:  “essa idéia baseia-se nas principios da Antigüidade, 
tão falsa no amor q...
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A Quaumuz Fnosórioi E FORMAL

as imutáveis Leis da Natureza introduzem em' nós;  é também
na Natureza que temos o remédi...
A QUALIoAoe Fnosónca r FonMAL

A literatura pomográñca e os tratados filosóficos da nova
ciência concebem um espaço íntima...
0 Muupo Marmwsu na Poxnoáwu
A Quulmoc FILosoncA r Foram¡

   

A _ A muuuznheaawnmmnmnrimcmvqnu : ampliaram-GMA
Fiomntkhun...
A QUALIDADE Fnosóro f Forma

 

Baum.  kñ:  Con¡ mddnriul.  Fama;  Hinuú-¡deDamBà
pain-dc:  Charotwded.  diFx-ankíun,  ma;...
A Qumows FnosoncA r FORMAL

cessão Austríaco,  e os relatórios policiais estão repletos de no›
mes de homens e mulheres pr...
A Qumowr FILOSOHCA r FORMAt

Grand Maitre" [o Grande Mestre] Seu companheiro. 
Bertault,  preferiu o titulo de "la mére de...
A QUAUDAD!  FILOSÓFICA r FORMAL

mo através dos registros monótonos e respeitáveis dos maçons
e de suas lojas.  Essa nova ...
A QUAUDADE FIiosórlcA z FoaMAL

 

Flw».  4.7: "o Sibnrin P. : Dim,  Açoiundg . mim u.  EM, - -_ ¡- . 
?uma pastos-vu (Hli...
A QUALIDADE Fuosoncs z Fomu

animal;  L:  Cau/ zon mítnà [O Porco Mitmdo] usou a metáfora
em 1689, precisamente durante o ...
A QUAUDADE Fnosónox z FDRMAL

a Revolução respondeu afirmativamente à questão formulada
por Harris e,  no processo,  reord...
A QUAUDADE FnosóncA r FORMM

ficamente astuta como sua predecessora à;  meio' sécul(
Tliérése.  'Julie está muito ocupada,...
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  1. 1. Capitulo IV O Mundo Materíalísta : da Pornografia Margaret C. Jacob Uma grande transformação filosófica ocorreu no pensamento europeu entre os ¡éculosXVII e XVIII: a natureza foi mecani- zada. Os corpos foram awrnizados, despidos de sua aparência e qualidade, sendo reconheciveís apenas pelo tamanho, forma, movimento e peso. Tornaram-se. simples e inexonvelmente, matéria em movimento. Seu télos* para mover-ne em uma ' direção ou outra desapareceu, substituído pela interação mev cênica dos corpos; sua inércia não foi afetada, mas impulso e atração eram ativados por meio da colisão. Todos os relatos so- bre revolução cientifica referem-se aos filósofos naturalista¡ que participaram dessa transformação e, eventualmente, teoem comentários a respeito do contexto social-ecpecíñoo no qual atuaram Boyle ou Newton, Galileu ou Descaroes'. Em geral, supõe-se que os corpos fisicos sejam inanímados ou, no_ mw da fisiologia cartesiana, de animais vivos. A; transformações na sociedade européia e as relações entre os corpos humana¡ nun- ca foram analisadas com sucesso, considerando-se o contexto 'N. T.: Em grego, fim. _ I. Esses estudos são uma. Ver Steven Shapln e Sim Schllfef, Leviamn : nd lhaAlrr- Wma, Ptinceton, NI, Princeton University Prost, 19 5; Pluto Rodondl, Gol/ Ico Haut/ c, Princeton. N). Princeton Unlveuw Press, 'IML-Mamma Chcoh, The CuhunIMelnIn( ol lhe Scknfílíc Revolullon, Nova Iorque, MCGIMHCII, 1998. Aldéll deste ensaio surgiu com l lclrura de C. E. Macpherson, Tha Fb/ ltlcl/ 7mm of' Poucsrlve Individual/ sm: Hobbes ! Lv Lodle, Oxford, UK, Oxlnrd Unlvcrslly Press, 1962. n69
  2. 2. A QIMUDADE Filomena : town que tornou possivel. a- visão mecânica, ou ma, o, gaiola: - conceitual da RevoluçãoüCientÍ5cñ« Entre os awemegsasrasjitezárips auxilia: : n mundo que pcrniiliií kinêcànizaçic . da sempre foi considera" ' rérn, a pornografia pq _vgçzvm_ o' 'w , “a1 uhlio que originou a amphiiá? 'im', __ _ “os, tanto animadas quanto inanimadoa Devesse também argumentar que a Egg, nngmafía existiu llehttà de novas relaçõesaogigigurbànoáí 4.a', de certo modo, descreveu-as - comtituííisgpor muitos homens e algurr-iasãraulheres cuiís vidas foram isoladas, moiniudas e inãlviuomías, wine: os cbípõãêfdrázados da literatura. Corno se tornará evideníe, .o materialismo filbsôftoo era apropriado ao mundo n ae aos - fãfioos. Apenaso te~ ' ' criado antenas da nova dência agblioa o desejo incessante, o exóesnfibrwíto, a exuberãncia absoluta dos corpus libertos das amarras tradicionais e das inilnições pias, elementos agora considerados írrelevantespelo mercado e pela imprensa, mas desenvolvidospor autoresque tomavam tudo mais ativo e viril graças ao seuannnimato. A. capacidade conceitual 'demecanirar e atomizar a natureza Gsi: : sin-gia aproximadamenzena 'segunda metade do século XVII em uma gel-año singular da Europa do norte ocidental, ue criou um novo discurso materialista' e pornográfico. O rca l-liance pornográñ o periodo, tornou-se o novo melo para divulgar corpos sexuais emtizados, descritos em formas narrativas e discursivas. Os romances ofereciam ao leitor um espaço intimcgocupado' apenas por corpos em movi- mento. E', quase como um projeto, as narrativas pprnográñcas empregar-am o materialismo filosófico, que os similares onnhe~ : :iam por meio da nova leitura mecânica e cientifica da nature- 2a. Por volta de 17.00, a materialismo tornou-se a metafísica preferida, mas não a única, da üteratura que procurava esti- mular, com seus textos. a eiicitação e na desejos. 37H O Momo MHERJMWTA n¡ ? woman/ l v »mamy-amassar dência de Descartes e Boyle. a WWE não foi : n causttdasnovos discursos cientificas. Foi : rativas erótioafrêpidamente abrãçaram omaterialia- mwñeün mata» Esse novo' recurso memoria) e metafísica pro- pqwqsm uma alternativa '- inn recurso imaginltivo -- para aexperiãnaia : :ln-mundo urbano em: : meados e fim do *sl$íl¡l5XVH. universo social que permitiu a . articulação de uma nova metañsio: da, e de uma nm forma narrativa, O acornlsmo e o maxerialísmc possuem mzmarom e diferentes origens sociais e filosóficas. e entre suas miles sociais estaria n indõmiw mundo «nie produziu e consumiu a pornografia mo- derna. « l __ Nessa leitura moial, o materialismo metafísica, a verdadeira i heresia tão amada pela nova literatura pornográñca, pode ser visto como uma concha conceitual que envolve a nova 'sociabi- lidade', uma sociedade civílnasoerite ma! cheia de vitalidade Fase vida social preencheu o espaço público que surgiu depois de meados , do século XVII. nas grande cidades da Europa oci- dental, que eram mais numerosas, mais populosa: : e, provavel- mente, mais ricas. contrastando com a sociabilidade tradicio- nahanoorada narfamilia, m¡ corporação de oficio, na corte e na Igreja, o novo _u iiiverso social possuia um sinal caracteristica: os homens e algumas mulheres ecmtimiam individuos, não eram mais membros, de corporações tradicionais, nas quais 'pre- _Valeciam a origem, o parentesco e a ocupação. Mais livres e mais anônimos, eles se xucializavam como compradores e ven- dedores, como freqüentadores de cafés. tubernn, salões, ch» bes, saberes e, eventualmente, loja¡ maçônicas. Fiubeleeinm- se como mercadores, loiintasrviaiantes, leitores de jornais, con- mmidorea que tinham algum tempo livra a algun-n dlnhairo extra; negocínvam, dsbatiurl e, ocasionalmente, :: cuspir-warn ou spicnnvam, ou faziam nexo com pessoa¡ praticamente de¡- cnnhecidas. Na última década do século XVII, em londres, ,171 que produún ga metáforas necessárias. Contudo, as .
  3. 3. A QUALIDADE FILOSÔFICA r Foswu. podiam ser eleitores e, portanto, acompanhar as noticias parla- mentares; em Paris, ser jornalistas ou funcionários governa- mentais de baixo escalão; em Haia, embaixadores e atrizes, ou agentes clandestinos. En¡ todos os lugares, podiam ser vi« sitantes solitários que trabalhavam como negociantes, trafi- cantes de escravos, corretores de commodities ou atacadistas. Ou podiam ser prostitutas, livreiros, sodornitas (assim deno- minados na época) e, talvez, especuladores dispostos a investir em tudo, de algodão a pornografia”. Conhecemos a vida de observadores e observados, as idas e vindas dessas metrópoles e cidades, o atomismo social, o acaso e o estimado anonimato que a vida urbana proporcionam - tudo isso qua o novo materialismo captou e expandiu - a par- tir de fontes tão diversas como The . Spectator, tio áridas quan- to a coleção dos registros de portagem dos canais fluviais ho- landeses, e tão instigantes como os relatórios da polícia parisiense. A partir dessas últimas fontes, sabemos im¡ pouco sobre o novo universo social habitado pela pornografia frari› cesa e sobre seus colaboradores. Diante da liberdade para mm- prar, vender e lucrar - quando não iludir -, esse espaço social apresenta urna analogia com a narração pornográñoa. pois constitui o dormitório anônimo rro qual corpos em mo~ vimento, unidos por necessidade e interesse individuais, coli- dem corno as átomos dos filósofos naturais. Seja em dormito~ rios ou no mercado, os participantes recebam prazer ou dor fortuitamente, às vezes ate' furtivamente. Portanto, o discur- so pornográfico proporciona um elo perdido entre o social e o metafisico, um vinculo que pode ajudar a conhecer mais sor bre os homens e mulheres mais atrevidos da geração que in- ventou e advogou a nova ciência. Sua literatura e suas vidas, conforme cs registros policiais, correspondem às individuali- dades possessivas apresentadas por materialistas cientificas 2. m¡ uma dlscusslo ; maia sobre essa eslrulura conceitual, ver Margaret c. Jacob. Inuoduçso, em LMru lhe Enlíghtenmen Freemasomyandiblitics in Eighleenlh Century Europe, Oxlord, um oxlord Univelsí| y Press, 1991. x72 O Muuoo MATlki/ «USVA m POKNOGRMIA como Hobbeás autores pornográficos apropriaram-se ansi- osamente do materialismo metañsico para descrever, erotizar e, na mesma medida, pregar a ética do libertino impelido pelo deseio, pelo movimento rigido inerente à matter? ) público da literatura pornográñca de autores anónimos a o mesmo que lia os novos jornais e romances, que comprava e vendia, que viajava por toda parte e habitava. um universo em forma- ção, o mundo moderno. A ousadia ética e filosófica expressa pela pomogtaña toma- va as novas cidades e a nova ciência potencialmente perigosas Em ambas, as autoridades da Igreja e do Estado percebiam uma possivel ameaça : imoralidade e à ordem. Mas, com exceção de Hobbes e Spinoza, nenhum dos principais homens da Revo- lução Cientifica desejou prejudicar o Estado ou a Igreja. De fato, desde Galileu até Newton e Leibniz, todo esforço foi feito para cristianizar a filosofia mecânica, para repelir e suprimir o materialismo, para reter o espirito ou os agentes imateriais como fonte e controle sobre o movimento do universo, por mais me› cênicas que fossem suas leis. Contudo, exatamente como o na- turalismo pagão insinuouvse sob a superficie do neoplaoonismo no Renascimento A por exemplo, o naturalista e moleiro hu- milde de Carlo Ginzburg, que foi executado pela Inquisição por sua filosofia* - assim também o materialismo era intrín- seco à transformação ñlosóíica que acompanhava a vertente cientifica da modernidade. O materialismo é o resultado lógico quando a natureza é mecanizada de forma abstrata e os corpos em movimento tor- narn-se completamente suficientes, encapsulados pelo olhar experimental dos ñlosofos naturais. Quando essa lógica não pôde ser facilmente percebida, ou foi veementemente cr cada, uma vasta literatura, predominantemente clandestina e pornográ- fica, surgiu esboçando a inevitável conclusão metafísica. Em 3. _Carlo Glnzbutg, The Cheese and the Worms: The Cosmos ola Síxleenlh-Century MrUer, 113d. John Tadesdil e Anne C. Tedeschi, lüallímore. MD, The John Hopkins University Press, |9BU). 175
  4. 4. A Qunlnnes Famsona z Fmm Iáh/ 'éontexfo m: qual às pias cemêíam o avaiíçb i1' eia¡ e as lilbscfias naturais ormdóxbslutarãàíd para ser reêonhecidas, a nova filaà desençmiiuãlàda, ñbamn' e, sm 'eétm- ~ elabqràraiá XÍÉYÔÍSJQÉBIEQSQ-? BB- ' ginadwr punir Fzxpeaenaas ¡íesüeñfrààãüjieles aum-in. »mesma sbciiíe emeligiàsasvtraâíãibüàüü âlãüütãveram a &ien- cia em seu üabalhb boizioíuñx legicâfiiaacseiigrmeçupl e exal- 'Laramiaàíâsínalàgiq inexorável águia sei¡ angela À. Experiên- cia eaoexperimento. l Censuxadaunívexsalmentg -~ extract¡ para Hobbes, que se esgueiroupelas opnrtunidaderda Revóluçãb Inglesa e publi- cnu Imbuí, em [651, a Spinou, que vivia na República ho~ landesa, onde não havia censura ~, a literatura materialista era a província do circulo éla-ndeaüno de editores, livreiros e' seus clientes. Essapiovincia também espreitou a pornografia, o outro corpo literário inlluenciadb pela ñlbsuña natural, que no fim db século XVII tomowse cada vez mai: materialista. Apesar das estilos e propósitos diferentes. tanto as materialis- tás quam» oswporlviógrafos eram censurados, detidos e encaro: - rados, e seus livros eram oonflscados, pois ofexeciam o mesmo perigo: deaafiaàarna hierarquíarttadicional. 0 materialismo eliminoug a predominância do espirito e, es- sencíapnentmnniñoou matéria e mplrino; 'portaiitomcleto per- deu seu papel de árbitro de um reino espiritual. A maioria das visões do materíaliâmn modexno dos primeiras tempos»- mal- vez melhor descrito como matei¡ ismo nteista '_ também deiücou a namreza', eliminando a tradidona] fome supranahzral de ordem e hierarquia no universo. O mais ultrajante dos tra- tados materialistas do século XVIII foi Le Traízé de trai: impedem: ( 1719, mas em circulação desde 17 i0, pela menos). Uma parte desse livro é uma tradução da clara de Spinoza, e, simplesmente, apresentava Jesus, Mnisése Maomé como os três grandes impastores, políticos astutos que engana-am seus , se- '74- Q Muuoo Mavmmusn : :A ? dano-cum , _ _ ggal sa baseou - '^ V ” ' " ' -ns "formas" da áibanñx çsçalástlca. Pnrvsé- ' ambsxânciaresiditam gm_ tais formas; dus-a- às e atrlbnwa. quawmazvamz. reis» majesmsos , Pai-a os cnnâlioãaxa eàeelástieatambém ex- ? "iíamàãñpaaiaeñw a dtzwinê da ? üàãixlêstánciacãm 0 m** &egiálâãfbpgxfimlon e, nãe~anrpreendentemenlg~, ,os primeiros agi~ maduras; nsmziãnioa que_ neinvindicayam igualdade social e : eemômicya - os Queila-s** e oszlzidggcrs” ingleses das décadas 1.19164!) e 1650 - éram . liderados por filósofos rebeldea, como Bernard Wwstanlemque também erampanueism emonsgqtlen- temente, materialista. Nesse. mesmo momento revulucionárib, a indução inglesa de Lucrécia - um dos ; extos que conuibxxlxampara o ntomismu se tqrnar tão imprescindível na oonceitualâmção da natural! mecaninisna -v- : leu-Lava as leitoxes emaeu prefácio para as im- plicações democráticas do atomisxzio , epicurânaz “A mudança e os ámmns fazem o Todo/ Em ordam democrática/ Onde os eotpos livremente aeguemsau curso] Sem motivo, destino ou força". Muitas déaadas depois, guandu o velho ammismo m uma antiganovidnde comparado à¡ versões. cientificas do mn- (erialismo então disjumiveis, um poema eepirituoso de 1752 trataameszna uestiwsocial de maneira mais agradável: acres- - geme “inxele " à “uniram” e “esse Poderoso intelecto sará/ -N_T, ; Membros do ; Lupo repúbílcano e demo-aplica na lnglalerradurante dtmeregnuín (1649-1660), pellódo entre¡ execuçaode Carlos I e a resuu- _ . . ml-mãe Carlos JI. Ç nome ! avaliem foi_ dado por. seus 'inimigos 'sugerindo que desejavam nivelar (to level) a condvçin humana. "N12 Pequeno gmpo decampmtçss, ¡ormadoenve 1649-1650. Os dlggers defendi am o ñm da Pfbmiedadeprñzada no Çampo e o estabelecimento de ' uma sociedade mrporaliva. . 4. oesnudo rms . um e de Sylvia Berti, 'The rim Edition ol the Ttailédes mis lmposmm, and lts Deh¡ ta, Shinozzk ma", em Mlchael Humev e David woonon (mu), Aheísen (rom the Refornuõon to the Enligfllenmenc 04m! , UK. Cllrendan Press. 1992,». 133.120. 175
  5. 5. Aígpxmknáílnosósn amam¡ 131838155:- Já? . -íe mampxessñee na úídma áêema. Apesar de 'duzia z-ílíxáinai* iimreíramenwo nsturàiísmb, o 'materialismo 'mnwu-seu ekMHmñTosÉñbà po? exoeíênciã entre os narrada- : ré: qmgpmnnavanxmnslñ-. guagm by# üeêtñu¡ como realis- mo ficcíonal. Osmt Velhos apresentaram uma versão heré- tica 'da afísfàíeüfmo, uma Visão da sexunliflaãe naturalizada -- e, usandb uma estimada znetáíbragohre* : :que cabia 'às mu› lheres , resuikgüo &oíqrar que Ífnpgzlsiàna osmecaninnws mais Viñs 'D aum¡ parana-tática¡ naturaÍísba aispensavn a pcrçãc mepafísica que inclui": e os nnfgos; a¡ teorias médt eu gscüñktitas e warm até' um ! Lg e de alquimia. e Baseava-: e na xmuzéw 'como' *éh 'àsüiiésse “presente, cama muralha-ça. Anuçámmur rim da semlãliâádé huifhana eramais próxima da inunda. e' dõuunl que da: fikei: : demonstrativas dás nova: mñxbfókíiàturaiâ, Contudo, a poznograña naturalis- ta que emergiu na França em meados do século XVII. e que 5. Wir wflh ? durmir Or. hahah/ nha' IlIad/ 'A vnrleique Pdam, Lanches, 1732, 99.364. O mem¡ deEdnmndWlHIa de 1656; vuncom um repnlioesalmpnrhhn Evclyn, a tradutor assay unh- rm: Boom/ I: Lutlltius cam. o. :um Num. , Londres, 1655, Impresso na m-rgem. apud Robert H. duram, Alomlkm In England rmm Hub¡ InNzwmn, Oxford, UK, Q-dmd University Press. 1966, p. 92. 176 QÀMWÊKÉÉÉEBNQWMWOMMKMM . , _ . @HD5995 latim ão canal c dueans. me; »uma ~§ím@§, s , as*humbas e os motores agaeaíaüaísa 4.4' ' ' ^ @sigam as fànçesqnodeinas, ' um nova mxiverso, mag( . “ , aipim aim max/ mento › nimáüõ: : ou sã' xi¡ _ aníqmosguiaüm pela: *leis A O. 111133150 dg @mg d) mir criada pel-os mm maaegialístasxéxználqga aq u» mim dos E16- , gpf _m qíggas, Em 431595,” cmpoperam despidos de sua _ p_ abaixa e, qualidades. ? eneapsulados mma amas em . movimenta, :cuja vçxdadeira existência é definida pelo . mavímenço. No universo' do materialista, .porém, os mecanis- mos viria perderam seudominio excÍusivo sobre o movitnenw e a-forçaquaruio foram âssociados à: participants¡ femininas ativadas eehergizadas. Ainda que os pornbgrafos quisessem controlá-los. nenhum çorpo ficou isgnto das his da natureza recenfementearüculadas. › Ao contrário da voz_ da nova. .ciência, algumas , das vozes in- Ventadas então reaenzemangç, peloenmuxalietaa e materialista: pornográfico; graxa femininas. Quando a connéudo ülosóñoo natural da pornograñagrndualmenze deixou da rerzessrêncíal- meme acristonüico pana Lomax-se hereticumente' cartesiuna, nawtorúano ou hobbkna. a nanaãarafemininmao corpo fem# nino receberam rzbonhecímenm simultâneo. (Sama os corpos wmpeíidonpeloà desejes, essas , wazes femihinasvimpulaianm osrtextusjiravês da nmativn. Sega poda: cqmç narrjidoras rea# de na propriedade estimulanpe da» . temo, que atinge também o 2395335595» eonhecia eJEWÚ-EV¡ ' género literário emvs¡ e, talvez, ;ogia apovnliu t ra ñccional ue a or o aña inte a A nàn-âúíra : minima excita e ma- 7 q o u a; atende um marca' u literário' em expansão n, punível- menzz, :: fa um novo público. Apesar deva loquaz Fanny Hill m": a fúósuía 'fhénàseserem inventadas para : çrvit as necessida- ( ¡77
  6. 6. :Á QUPJ-! JHÉÊÍMSÉEU z Fama; de¡ deSeua-Ruêafãa ítlvãñávârüekfwüvsàxomakéiüliñ; pu anõnimasam «ie zmmiar * ' àezvâàão zfmewamrxm vam 66h27m! ! . mearzmoaenaaot Blah? e, , . sengxiúxmhrezn_ eu: @mma awpif 5573 Asacímnmméa @assumam êààíãviíõúâê «e Eraüum ñaeiunzfsçvaüwwàxfnras fêünihàajgprggqmhygãm. «um xmsásam péasía_ agpns , Pá: : nqsaqsgmqpaáixgs, uma 12km à 9155751659. aanzalpade sey-noqüdexada mídaaaí? “rã, peíawimse úémonsm-ar qq: : se-axíginnn davíeitura deohtas abnt-Mas é zhhüemparãnsatdezfüómñz! , nifmralislas. .Mas ngm mengayse também que *as declarações das nan-Adams femini- nas . sobre a, natureza' humana a seu mundi: sabia] podem ser eqmideraxias maís verdadeiras quando contexwalizadas. Era um uni/ warm ainda nbviamérxte dominado peitwhümens, mas que pagam¡ a admitir à participação feminina e mama . a atividade feminina. A *relativa autenficidade social da porno- grafia. pode se: : examinada se-volízirmoa aos relatórios da polí- cia e às celta da: priáões purisiemes, onda enaonvamas vis- lñmbras da vida da: mulheres e homens que xregociuvam m¡- teria¡ pornográfico. Esse! :América permitem . testemunhar, embwgprecarí-amenee, as pessoas anxjvas vidas-pediam ter apa» reais-lo nostnems. 'firmam nalarüriorpaliaíáis quanto a porno- grafia revekm um munda social ezmetafisicdñdvn e atomiudo. @qual-participavam hümense mlúherea, e m: qual uma imm gia-ação cromada - aupostàmente, sem limites -4 podia exis- tiij, Ve», supuitamente, florescer. Em: primeiro lugar, vamos ín- vuslígar a imaginação ñccional purnográfnm. e. Em »ambulante 4 Iprcwemida em um ; me de que mare¡ oonheclrvienlu : pá: term-nina: oyrnsénusmago. Ver [amante Shut, 'Lbenlne Sàxulllty kvrosmeuoraulon Englund: 619w sex and Flgellcnon amonglhe Mkidiim Son in NorwId-x ln ¡705- 07', ¡oumnrorrhc Hino/ y ofsoxuallln 2, 1992, pa. sl 1-26. Um das homens ame cflculayir: llvieírv. 178 ÓMrmUq MAísíiàjkíbmTcnguosum _ , _ age entradas: pr¡- ece a aúíIiHádeÀá maniiaío ›- fo cem- pn datadudmnáís-eogíênzdzdoynázer da nim¡- ab””_fCt~Íçng7;hgip ave; lcplus éu-mondel- En» botao ivàloxo seia ma en¡ anmmiá v de* cisva g : :dação semi¡ : uma um dçlsite pmp°f°i°md° P10. membm masculina tem pguqo a diper açbnesnsszorpoa femini- nos e seus movimentam, eXOQI-n ; Pando reagem ao mnlheim que vem para 11mm prazer - "lundcuiaun @na view-en: :iannerce pzmirchezezlex”. l l Porém na pornografia materialista produzida-a partir de IÊBÓÊeJáxtam-üiversas narradurnn fesmininuqne surgiram cialmente nnxextos ftanteses e que eram nmbém suítes e ñlõsófas. Elas não foram criadas peló maxzrínlitmo, mis ele possibilitou-lhes um 'pqpêl n93», mai: agressivo a dramática! ) xfdmñahnno paxeçíaTomecez uma mefqfígíca_ melhor pan o manga, úgn gun-ig param çml es ngrxatlotaa Pudim WW uma Hngupgem. ET-! tdvdâlfavüm ¡Inistenfsmenw que conhe- ciaannm universo sexual libeninp. para o, qualmmvidavnm o . leitor. As nun-radares femininas consideravam u maurialinno a únicà ñiosañà _nem mermo ulmmtivan _que ma. m 15, llsefllnaynalclnüontâd¡ hmm. lendas: !acusou-mana M5100?? u lote: da ! e banda¡ comme h dis - tem”. de n15: oulaphilosophà das Damos. dMsáeaodemrdbloguesyhlhJôô , w. IRIS. Gucci-andou: BíMIoÓÕCB Nalíonale, Faria-volume &zlev | 12 lsará lndíçnda como BN. . Énfere o mvwnLToda¡ as : aphsat Adição da rsss pancem (erdesnpcmuonaemmnle, quando a policia chega. os edlnoces desvulzm a¡ (Mm. Um hum sumido do uu ncormcimemos encontra-n em Fnkltkl. Ífcamey, A-Hlsloty amos: Llnrruum, tomara¡ manila! , m2, pp. 19-33. '79
  7. 7. i AfQugúnguue Euogornca c Fama¡ explica adequada-senna vamu/ em knxnxiosolcàmí: pñado 'pain a Vida , ihúiiiã e' ' ' dose bbssíhados_, o pamá* fo px-, oenzvmêãfzfd WW# (asian, excessos e prazerçsms' esefbserrãuc íhtueís qàassassivos. 'Ka' susana, a chegarañfk armmsr= suáíaspii~^pága 44_ tsunami da na/ cuíálismo $355' a: 'acum- qúehwmuásaaã das-Hassan: : 'par _ ' . v õbvàüiéçyeisdtñggris da Ldçàáñznzdcs ããíríznypnblícadk em *París »éin M80; e um 'texto reescrito n parñr di( versão em 1a- tímgflbíside sigam ? atenua/ sabre Sendim, de 1660 (Íigs. 4.1 e 4:2'). @título genérico para as diversas variações do origi- nalpode ser Le: Dialagzzz: de Luisa Sigea ou, simplesmente, ' Dhíaisàf, segunda um relatório policial de 1718, ocasião em que diversas cópia: foram apreendidas¡ Pàssivêimente inspira- do em LÉcalz dêsfíllcs, nora-se que o texto em _iarim (e tam- bém a versão em francês) eia dê ãútãria feminina. Exam! a libertinagem a aprçsenta dãtezlhés sobre os orgãos sexuais e as posições. Uma série dê diálogoimosua uma mãe bissexual, di. , versos garotos e alguhshomehs rudes, personagens que choca- vam ao tévelarem vínculos e fraudes secretas ou ao ÓBSCTÊVG# rem suas pñoezàs sexuaigOs diálogos em latini entre as” duas primas invecam osmaturalistas clássicos -Juvenal, Horácio e Ovídio --e seus sucessores renascenlistas -*- Bcccacciú e Rabelaís, Areíino e Maquíavei. 'O autor de Hhloíszãz, douto e, a. Azenhas de ! a Pré/ actuam: la' Mica [á para: ae agem, APM; mis, »xau/ n 042., Nessa data. prwavelmenrg ns Ilvyeiros vendíam o texto emírancês - muitas vezes mnsiderzdo, equívucaníinwltt, uma lraduçio direpa. m: um_ boa luduéão em ín~ da de Timbalada-sonar: : Sigea, Pads, Issa, ver BN. , Enfar ma, Par¡ um ; um do Envia, m Pascnl Pia (em). L5 Livni: d: ¡Tnb! du XVÍe síéc/ e a mas paus. 2 vols. , mis, ¡Lcoulec LA. Fame, 19757. esnou unnda B. N., Safe/ ZEE. EnÍerZ57 e uma edição dikrenxe de Alaísízs Signs ¡versiuque possui umuvâzína de uma diferente a nãoindm' local nem dan de publácaçàoye possui um¡ inlmduçãu mami, mas os distagouao idênticos aos do Euler 25a. hm_ a yersia' em latim, bzseei-me na edição de Amstefdã deJ678. 18a
  8. 8. A QUALIDADE FuosoncA E FORNAL naum 4.1 : (página anminr) Franzupício de um¡ Versia em hum de Lblazdémiz d: : dam: : (1 67a). DcuM4-2: (acimzoFronúsplcio de uma audição francesa deLldcmümw dzuhme: do século xxx (Grenobla. 1650) Não lo¡ comprovado que us¡ ilustração um da sécula xvn (verlegendn da ng. u). 152 '› Lmente, da sexmzgíaaaxqlin D Munoo M/ Êvíñrzusrí: m ? museum tado. rim çravésií literário. ¡gair . ignaçaosó mas» s @igualdade entre os gê- ' kia' obra se esténçlêr @ssa reação crítica a1 esse _a4 . suína íexto pofñogpáijçg _ g é de Tullie e Qctláyjeéjgqlçada e as personagem I_ M, êãglmais atraentes apggrgs ngztradugão francesa de 16,59 Ôyíâsqursçñlogóñço de abgrtura. rçpleiu de alusões clás- skcaglé' eliminado substituindo-se à latim pelo diálogo e pela narraçãb em francês. As primas-encornram-se a, a partir desse momento, um desejo particular envolve-as. 'Iüllie seduz a me~ nos experiente Octaviehque em breve irá se casar. A ação que anàecede o ¡ntercurso entre elas é sugerida pela mais agressiva Tullie: “Estou encanuda em vêJa; grava pensando em você" [Jg sui. ; mui: de vou: uoinje pensei: tou: przsemznunt a' vous] Q pretendente de Octavie larnata-se sexualmente mais agres- sivo: “Eu sempre repare¡ em mas ações; os movimentos verdm deirosde um homem cujo amor se toma senhor: Mas, acima de tudo, depois_ de algum tempo, começou a se tornar mais atrevi- doLJÍ' [J 'an' taujours remarqué dans : e: actions, le: ueritable nzauuements d'un homme, dont l 'amours : st renda l: nwhrznnai: sur tou; depuisquelque 54mm, il crzmmence a err: pá: : hard¡ avec . Ela descreve seus movimentos ousados, instigada pela cxáriosrdade ávida de Talkie; “O que ele fazia com a mão? " [Que fakait-il avec : a mam] Octavíe quer que Tullie a ajude no “estudo de uma , ciência que para mim é, ao: mesmo tempo, necessária e desconhecidam”. Prontamente, elas vão para a cama, e Octavie reage extatícagnente à: carícias de Tullie; "Eu faço de você a dona dumeu corpjü' L Tullie percebe seu poder: “Você me torna dona do caminho que conduz ao bem-estar Í_ sem( mÍnína. ,eP°d=5'êW~B9aS; 9. Mgdgrelne Kahn, Nanaiíye rraqsvuvrsankewhadc and Gender ln me Elghrtemh- Century english Nove! , nham, NY, Cnmellunõversht/ Press, 1991, craque, semdanélln da anãllse, as¡ meu não ro¡ desuwolvida. Obsemrqueosámmmou : qm: Manos ccnnrmivas da teoria mawialísu da matéria, são do género neutra. 1o. academia de: dunas, Pms. !em p. 6. 11.¡dem, p,w. 185
  9. 9. A Quwmo( Fntosona r FORMM supremo; ah, eu veio a porta, mas. ai de mini! , sã sào capaz de me mnceder o poder que você é capaz de me dar [. ..]"". Rapi- damente, Octavie a ajuda, para maior alegria de Tullie: “Ma Cher: Octauü, mar¡ Ámour, cmbmssé mai' etroitzment, à repair, ah, ali, ah, je nim puis plus-Je déc/ Large ah. , ah, ali, je meus de plaisírsmí No texto francês, as duas primas têm praticamente a mesma idade, o que suaviza a submissão na cena de sedução lésbica da versão latina. E também se suprime a maior parte das tediosas alusões clássicas. como a longa citação de Ovldio, por exemplo. Ambos os textos descrevem o lesbianismo como umapaixão alternativa encontrada em todo o mundo, e não deixam dúvida de que, embora manada, Tullie prefere as mulheres. Porém, ne- nhuma das versões prescinde da fascinação pelo pênis, e ambas mostram os homens insistindo, descaradamente, de modo vio- lento e agressivo, na dor da deflorição. O intercurso entre ho- mens também é menáonado, mas, corno em Fanny Hill (1748), é condenado. Evidentemente, os elementos naturalistas estão pre- sents em ambas as verñes da história; na narrativa, o pênis ainda é uma força motriz que aubjuga a receptiva Octavie. Porém, Tullie, apenas vinte anos depois da versão em latim, sabe precisamente como e por que o desejo a arrebata, Além de instzniida em filosofia, ela conhece os textos de seus contempor rãneos. Natur ente, continua citando os antigos filósofos - Hipócrates, Ze ão e os estóicos, Empéducles, Galeno e Aristóteles - sobre a questão da morada da alma, mas encon- trou sua própria deñnição de alma no materialismo contem› porâneo. Em uma longa passagem do texto em francês, con- clui, sobre a morada da alma: “Aaeclito que sua verdadeira morada está nos testículos do homens e da mulher" [.12 croy qu: son véritable síàge e: : dan. : Ie. : Testiculex de l 'liomme d: de la 12. o lexroaflmiazWu me falsdonc Ia mailressede : edsemín quíconduit au souveraín um; ahl J'en vais Ia pode; mzls hélasr ie ne pais me servir m. palm que m me doam. ..- um, ibidem). u. Idem p. za. 181, O MUNDO MATERMUSTA m PORNDCRAFIA fémmel Adotando a crença média¡ da época, segundo a qual homens e mulheres possuíam testículos, mas rejeitando a idéia absurda de alguns escritos médicos que conoebiam o homem como ativo e a mulher como passiva na psicologia da repro- dução", Tullie acredita que todas as eiaculações ou emissões de fluidos corporais de homens e mulheres, por mais breves que fossem “du plaisir uénérien", oiiginavam uma morada vi› tal e prazenteira”. No fim, o desejo mútuo de 'Ilillie e Octavie ce de à fixação no prazer heterossexual - sem dúvida, reve- lando mais sobre o autor que sobre os à, mas não antes de apresentar a narradora meter na, presen- te novamente nas principais o ras pornográfioas rancesas e inglesas do século XVIII. ' Como suas sucessoras-do século XVIII, Tullie é capaz de for- mular seu materialismo em uma linguagem que sugere sua leitura de autores contemporâneos. Pouco antes de introduzir seu dedo em Octavie, Tullie afirma, grifando ergo em seu argu- mento concludente sobre os prazeres do saxo: "Eu vim lhe dizer que, se o sêmen é a morada da alma (disso nãose pode duvidar), ergo cada gota que brota é uma parte dela " [Je ze aims d: dire, u' lu semznce est le siàge de Fáme (cow-ne il rien faut paint douta) ergo chaqw goutze qui sort en est um: portíon]“. Pode ser uma provocação àqueles que vgostaniaip de saber o que ela havia lido, O tom cartesiano da passagem ressoa excessos similares do prfr prio Descartes que justiñcaram o materialismo na maior parte da literatura clandestina européia desde meados do século XVII ace' La Mettrie e Diderot, na década de 174-0". 14. Thomas Laqueur, Making Sex: Body and Geddel flam lhe Greek: to Freud, Cambndge, MA, Harvard University PressPI99o, pp, Iza-Aa. Povlm, a pamoyana não conllrma a argumentação desenvolvida no capítulo 5, 15. fAczdémie de: damas, ou Le¡ Sep! mmiens aaIants/ dwaíslu, Colônia, lgnace Ie Bas, 1691, p, el. Este e Enfer 171, em Pla, Le: Livres, pp. 322-7, e écompavado ao texto em Iaiim, Enfer 25a, também em m. Ver n. t, 16. Idem, ibídem. Compara-se ao Euler 258/259, um Fla. 17. Avam vananian, "La Meurie, Diderot, and sexology In lhe Enllghvenmzni". em Juan Macary (org), Exsays on lhe Age ol Enllghlenmen( in Hana¡ oHra O. Wade, Genebra, Lihrarie DID! , 1977, pp, 147 S7. : B5
  10. 10. ' in “evaráóãitá gs teoria; que jiistiñcavam a autori- dade _pclltica_, e _zambave darepresenoatividade da autoridade. ' A Qui-Llozkdt' Iâijl-'dmu , retomado na porvrwgraf' dupelosacenscres ' Tsw# Atézmesmo a namrailista anônima de LÉàoZe desfílies diz que, "letras mulheres goverrrassem as igreías como gavarnanr os homem que possuem os instrumexrtos, elas virariam tudo de cnheça para baixomño: homens, ¡idsegura ela, introduziram a inveja no mizndo. › Em Vénus lu populaírz, ou Apologií de: maison: de ; bye (1727), o autor anônimo - que' se supõe sér inglês (tdvez, "corretamente, dada : cadência ao francês) e qúe escreve a par- tir de uma perspectiva basicamente naturalista - atribui a Hobbes a ànalogia que permitiu a satisfação legal da luxúria. "M ima que escreveram sobre o ato : fe governar [fizeram isso] por air: de uma cnmparaãofentre o corpo político eo corpo natural, e assim [m] faz o celebre Hobàes em Lzuiatd. Para usxrrrios essa alegoria, podemds considerar o espirito da liber- tlnagem com? ) um tipo de apetite caprichoso [peccanu] do cor- po político¡ que atinge as partes exteriores [isto é, o pênis] su» jeilas à conrazxxinação"“. ,o pênis ereto é avariado mecanica- meme qunndo obtém "n permissão 'pública para freqüentar 1a, mente da: Ma. Pmls; 1 m, p. ao. Esse e Euler n), em m. v9. Venus bmw/ aire auJpologie de; mafson: asim, londres, A. Moore, 17274347. Essa ó cópla da ñodlehn L 37. Mmvonmse Bernard de mndeville como possível amor dure texto, embora nla mí¡ nenhum¡ mnnnmçno : B6 . rlñfkívúàulwmxwun m Pqauooum gre [oferecem] de' evacuação aueeoseiaaares do io masculino. o - à mamária ñfadiáiénal. que . , aliás ? areas pára; Inúmeras capazes de . @interrupção Afhdeque-esteiam pre- , _ »a uso 'a que a natureza Iheeüestñiou. devam: : . ami Dmae defusada da' apmximaaãe do órgíu que wcsmrpeaxzet emaerdinâãcüaemunrereew; Por mais ealêífeâtô qua: ngturalrstaesteia em : me casa de prazer e li- laéxñxiágení, não pode escapar das reg-res dá procriação. O hmnein é quem ; um a procriação; a mulher, passivamente, aguarda o instrumento ámíado, que detém o aànen da Vida. ,Em oomparaçâh, Hobbes percebeu que, como corpos anima~ dos, as mulheres -podiárn sex-plenamente participantes e igual- mente desejoses, podiam ser advir¡ wmv ilncindoras e como ” rêcepwns. Segundo ele, a força e os direitos de _pmprindade hereditária ; mantinham-nas em desigualdade. As mulheres, aindà muitasvezes vítima: sociais, tomanrse ha pornografia materialista participantes e guias para o uni- verpo dos sentidos. Nesse dominib, eua: filóoofas materialista: -- agora encontradas facilmente em ambos oe luana do canal da Mancha -- eram -ímplneavelrnentefrloaéñcan : abre a natu- rewda condição hmlrlaxia. No Em do século XVIII. as ñlósofas da literatura pornográñcs tornaram-se periomgens muito oc- _ man: e eram geralmanhe reta-mails como* ¡› das. Por exemplo, existe uma descriga cria” Han-Lú List of Count-Garden Ladidx- 0:; Marq” Pharma-ek Kalemkr. .. [A A Lista àHanydasSen/ tom: de Coveuñ-Gandem0u, «Relação da: Pmun: : do Honrar/ LJ (1788). Ebal lista das pronimm de lnndres é complementada com os endereços reais. Como obra de fração. raramente : uu deicriçõs eram audi-ias. e para nos- sua propósitos o personlgem da sexlhora Griffin '- n é auñcí- eme'. Ela é descrita como uma pessoa infeliz com sua sorte, e 20. NEED? , 61-2.
  11. 11. A Quimera: riiosona s FORMAL exerce seu comércio perto de Union-Stairs, Wapping, onde pode ser reconhecida como "uma mulher graciosa, perto dos qua- renta Adquiriu grande experiência, ao longo de vinte anos, estudando flor-afã: : nalurul na Universidade de Portsmouth. É senhora de todas as suas ações e pode agir regularmente a par- tir da investida de sua lingua [. ..]"“'. Embora idosa para os pa- drões da Haruki' List. a senhora Griffin é um personagem bem- educado por seus próprios méritos, como a prostituta caracte- ristica do século XVII, que era uma teóñca e ao mesmo tempo uma profissional. Parece razoável argumentar que personagens como a senhora Griffin não sio apenas narradores. são também emblemática do novo universo filosófico e social revelado pela. literatura por- nográñca. Antes desse universo existir, o pau (le vit) era o único lugar de movimento, único instrumento no universo do prazer. Com seu advento, o corpo feminino (e o orifício, le con, ou a xoxota) toma parte desse movimento e algumas vezes o inicia. Nesse momento pornográñoo, focalizado aqui do ponto de vista de suas implicações democráticas, le con alcança igualdade com le vit, e ambos são auxiliados pelo materialismo filosófico deli- _neada pela nova ciência. No fim do século XVIII, nenhum órgão tinha muita atividade. Um pornôgrafo alemão da década de 1790, inspira- do pelo progresso industrial, encontrou uma “invenção ingle- sa" - die stimulations masc/ tiene à que era movida mecani- camente e balançava o homem e a mulher em vaivém recipro- co; desse modo, proporcionava êxtase sem esforço”. O texto as- segurava ao leitor que a máquina podia compensar até mesmo a impotên cia. Mesmo que o propósito do materialismo mecanicista fosse aparecer, ele nunca substituiu inteiramente os mecanismos mais zi. Hanlsít list. .., Londres, H. Ranger. .. n: Dtury Lane, Play-House, 175a, p. m. Todas as ouirasprosiiiuiassão mulheresde i9 a 24 anos. zz. Para um¡ desciiçio da máquina, m Amor: Expsiimnrai-Pirysikzlixche: Taschebuch: (me: asndchen mil Kaplan, 179a, British Llbíaiy, Prívaie case 3¡ . m 2, seção e, an. 21 | - 2 e zw. 188 O MUNDO MMEkIALisrA DA PORNDCRAFIA simples e mais comuns da literatura naturalista mais antiga: ambos os 'discursos pornográficos sobrepõem-se no tempo e coexistem no século XVIII, Em 1718, o prefácio da tradução inglesa de um tratado naturalista de 1629 sobre Iustigação ex- plicava a filosofia de gênero naturalista mais antigo: "um na- turalista que investiga as causas do mal-estar não pode ofender qualquer homem, e deve revelar como os homens podem pro- ceder por sua propria conta a partir das fontes da natureza, quando não têm recursos para imaginar, ficcionar e ridiculari- zar os encantamentos diabólioosm”. O naturalista, mais narrador de histórias filosóficas (muitas vezes explicitamente politicas) que ñccionisla realista - ao contrário do romancista, conside- rava a natureza uma entidade fechada em si mesma, transpa- rente e moralmente neutra, e não havia necessidade de artifí- cio para conquista-la. Ao surgir no inicio do século XVII, em oposição a uma vasta literatura religiosa (segundo a qual as paixões eram elementos que existiam apenas para ser contro- lados e subjugados), a literatura naturalista argumenta que, de qualquer modo, a conquista foi à força “o bom efeito justifica o horror da aplicação; as coisas não são consideradas boas ou más por sua dot ou prazer, mas por sua utilidade e sua inutili- dadew'. Para o natural ta as x e os des os intrinsecamente Ele pod a prescrever asa Lsfação da açoite e até mesmo afirmar que as mu heres tinham prazer com essa prática. Esses argumentos, porém, não levavam o naturalista a pregar a igualdade du desejo masculino e feminino, como dei- xa claro um tratado sobre hermafroditas que acompanhava o ensaio sobre fustigação, Entretanto, os hermafroditas muitas vezes encontram prazeres naturais, pois a ordem da natureza propõe que “os prazeres de-Vênus são mais incontroláveis nas 23 [John Henry Meibomiusl, Premio, em A Treat/ se oflhe Use o( Floggmg In Venernl Affairs: M50 of the om: : o¡ the Loiras 2nd Reilu. To which ls Added, A Tlearise o/ Hetmaphrodilzs, Limeira, E. curii, ma, p, 13. 24. Idem, p i3. : B9
  12. 12. A QUALIDADE FILOSOHCA e FomAL mulheres que nos homens, já que estes são dotados de maior razão". Esse mesmo autor descreve o sadismo e o lesbianismo entre hermafroditas, e retrata maliciosamente toda relação "como um entretenimento inocente [u›] sem qualquer intenção de estimular Masculinos-Femininos ao Amor praticado entre pese soas do mesmo sexo"? Em uma estrutura essencialmente aristotélica, os naturalistas louvavam a atividade sexual e cria› vam mundos completamente particulares; podiam até excitar, embora seu artilicio estivesse limitado pela hipótese da atividade masculina e passividade feminina - o que não implica que as mulheres desejassem menos sexo que os homens -. e por suas suposições sobre racionalidade masculina, que trazia ordem ao processo reprodutivo. Nesse modelo, o naturalista simplesmen» te presumia o aspecm natural e artificial das questões sexuais. Supunha que o desejo e a razão masculina ativavam e contro- lavam a paixão; porém, sua expressão era moralmente neutra. O naturalista propõe que se fale honesta e abertamente so- bre os assuntos sexuais, para instruir e para estimular pelo uso das palavras -principalmente as imprópria: _- e, em alguns casos, para experimentar a ficção, embora com objetivos didáticos. Mas, no fim do século XVII, quando a pornografia naturalista se encaminhou na direção do gênero materialista, a nova forma de literatura começou a parecer visivelmente di~ ferente da naturalista. O materialismo parece ter surgido como o companheiro “natural” do romancista pornograñrlo, o ver- 25. Idem, e cilo ainda de marisa o/ Hermaphmdíles (Ciles Jacob), vero prefácio, e pp, ii, i4 e ss par¡ sadismo. o nando sobre lustlgaçâo ! oi Dubllzàdo Inicialmente em latim em 1692. O edilor Cuvll to¡ acusado de sodomia diversas vezes. Os tratados são bastante se melhantes, e o segundo er¡ aparentemente de nulo/ Ia de Jacob, um escrito( memenána e (veqüenlador d¡ Grub street. Assemelha-se ao Hevmaphrodílux, de Heccadelli. Apud David F. Gutenberg em mconsrmcrion o/ Homosexuality, Chicago, University oÍClilcago Press. issu, p. 30a. Oultos lraiados naturalislas ingleses-m realidade, m manuaísmilrlmo- niaisqueabras pornográñcas - são' 7heXV Com/ rms afRash Jndlnconsíderal: Mzrríage. or Select Anirrumrerrlonr upon me Mrscaniagr o¡ the Wedded ser». Done aut 0/ Frenth, Londrs, Wallerüavlzf, 1682, Pub/ ¡cadoemmeWormruAdvocmJ Or, Fl/ Ien RoalCmilarts otMrrrimony. Being ln Requitalofrhe Lau Fífteen sbamcomlari: mu¡ Salyrical/ ?e/ /ectíons on Whoring. .. Wr/ rzen by a Person ol Quality o( the Fem/ e Ser, 1 2d. , Londres, 1653. Encontra-se em Eodleian Wood 75o. igo O Muuoo MAHRIAUFYA m Poznocvwm dadeiro narrador da história sexual que tem enredo, ação e personagens. A metafísica do materialismo possibilitou o aca- so e o inesperado, uma infinidade de desejos, movimentos ela- borados de todas as partes do corpo, tensões, crescendos e cli- max cuidadosamente desenvolvidos. Tudo isso exigiu o artifi- cio da licção, tal como as novas leis da natureza, para ordena'- los e eXplicáJos. O naturalista francês que criou Vénus dan. : le cloitre au Ia Relígicuse en chemise (1685, com uma tradução inglesa no mesmo ano) forneceu um esclarecimento adicional sobre as qualidades aubversivas do gênero (fig. 4.5), O autor usa a for- ma dialogada para punir as façanhassexuais do clero e aconse- lhar que "sejamos guiados por essa pura e inocente natureza, seguindo inteiramente as tendências que ela nos oferece". Ele descreve a promiscuidade clerical sugerindo anticlerinalismo, e não excitação sexual, como o propósito principal do tratado”. Os distribuidora do tratado parecem ter concordado com essa avaliação. Em 1704, quando um deles foi preso em Paris por “distribuir libelos, livros escandalosaos contra a Religião, o Es~ tado e os bons costumes", também tinha em seu poder livros com críticas diretas a Luis XIV e sua amante, a madame de Maintienon”. O naturalismo pode ter tido sua: limitações filo- sóñcas, mas isso nunca inibiu sua qualidade subversiva. John Cleland, o mais hábil pornógrafo inglês do século XVXH, explicou melhora limitação do natumlismo ao adotar uma idéia transparente sobre a natureza “pura". Em seu Dictionary of Love [Dicionário da Amad, o autor distancia-se da noção ba- nal de que “a natureza fornece lições excelentes; [e de que] é suficiente prestar atenção nela, sem outro esclarecimento". Cleland adverte o amante imaginado que tal defmiço não é za. Lami usando wins in me cioisrer: Or, ?Be Nun in hersmadc »ya Pizvson o/ Horiorrr, madre, 1725, n. J. :me uma : ápia na Private Case da British Library, zs N63. 171a: caso envolveu a ptisão, ari 170441: Anroine Galodre, pel¡ rlisritazição de L. Religieuse u. marisa, ou Venus dan; le dom-e e Les Amam du noyer lie/ Within! de Mainienon, ver APP. Paris; Aa/ S/ZI 5. ' i9¡
  13. 13. O MUNDO MAYERIALISYA ca PORNOCRAFM suficiente: “essa idéia baseia-se nas principios da Antigüidade, tão falsa no amor quanto as idéias de Arinátela sobre Filosofia natural". Articulando uma analogia condizente Dom a nova ci- ência, ele explica que o amor, comu a fíáca, "tendo perdido sua natureza claramente ingênua, e estando agora convertido em arte, deve, como as outras artes, recorrer a palavras e expres~ sões particulares". Adverte que a dependência da natureza “pode até mesmo ser nociva para aqueles que confiam nisso; uma paixão cujo controle foi superado pela ana”. Como ro- mancista, Cleland conhecia os artifícios e sabia que, sob o novo regime orientado pelo realismo ñcciorial. , a paixão é simples- mente o instrumento do artifício. Quando quer expressar a ver» dade que o amor buscava, ele só pode recorrer a uma passagem idealista de ClarLrsa, Os parnógrafos materialistas, entre os quais Cleland era um mestre insuperável, tentaram ensinar por meio da narrativa todos os truques do ato sexual, todas as suas palavras e expressões; e iambém procuraram aperfeiçoar e capacitar o artifício da ficção recentemente descoberto. Thérê: : p/ zilosop/ w (l 748), obra franixsa contemporânea de Fanny mu, elucida o papel desempenhado pelo materialismo no gênero pornografia: (fig. 4.4). Como Fanny, Thérése é uma viajante e aventiireira sexual; mas, ao contrário de Fanny, é uma mulher dotada de alguns recursos, que nunca exigiu pa- gamenm para fazer sexo. Fanny não é de moda algum agito. rante cm filosofia e é. certamente, materialista; mas Thérêse é ainda mais incisivamente filósofa. Enquanto narra sua. : faça- nhas, Thérêse conta que não está simplesmente ensinando a respeito da natureza, mas sobre viver fora das 'implicações das leis da natureza: “repicmlhe que existe uma necessidade que za. A Dictionary n/ Love [andrea] Bell a. c. Emuimm, 1776, pp. iv-v. Estou usando Budleízrivel. 45.g,9.C| e|¡nd c iLÍUtLÍkJdo comooauux dolívmewibfnckbnd, Marvin ol¡ woman ur Pleasure, ed. Fem' Sabem Oxlord. U›< Ordem Unwusiw mu, Isas, p. ioxxi; apud Radier, Lhhíonrutre damn/ r lücinu 4 a- Fronúspício de Virna ahnrkclonrz aulalhbküucen chtmbdDínuldorí. l m). '95
  14. 14. 1 A Quaumuz Fnosórioi E FORMAL as imutáveis Leis da Natureza introduzem em' nós; é também na Natureza que temos o remédio para aliviar essa necessida› de” [.72 vous le repeté c'est un bei-pin que le: Lair immuables de la Nature existem: en nous, c'est aussi de. : "mins de la Naum: que nous terwns le rernêde que je vom indique pour soulager ce besoírü”. Ela também sugere que as leis da natureza, pode-se dizer, existem somente por sua utilidade, porque permitem a expressão da necessidade humana; certamente. a natureza trans- parente não é mais suficiente. A mecanização da natureza de» tem a chave para a paixão, exatamente como a paixão corrobm ra as novas leis da natureza. Thérése explica: “É um arranjo de órgãos, a disposição das fibras, um certo movimento, os liquh dos, que compõem o gênero das paixões a natureza é uni- forme" [lbrrungzmenz de: organes, le: dírpositibn: desfíbres, un certain mouuement, de: liqueurs, dorme/ it Ie gerir: de: passion. : la mzmre est urzgñv-md”. Assim, Thérése rapidamente entende que, no intercurso anal, também deve se mover para criar “un moutement oppasé". Os sentidos atuam mecanicamem te e, da experiência fisica do bem e do mal, os seres humanos podem deduzir definições morais sobre o bem e o mal: "C'est un rriémnique certain, ma : :here nous sentam, :é nousnhvon: dídées du bien : :E du mal physiqm comme du bien à du mal moral, que par [a vote de: serum. De fato, a visão de Thérêse é bastante determinada pelas leis mecânicas, porém é controla- da por seu artificio literário. Desse modo, ela eventualmente acha possivel descarta-las conjuntamente. Mas não antes que fossem úteis em sua própria criação ficcianal, como fundamento lógico para os homens e mulheres que ela descreve e justifica. A mudança no fim do século XVII da natureza para as leis da natureza, e do naturalismo para o materialismo, criou os 29. Théràie phflowphe, ou Mémolresyaur selvírú VHlsmire de D. Dlrrag. .. Eslá em Bodleían VELBSEJ 2; p. BD. sonham phiiusapnem Mémoires pour mm ? Himirede D. Dírvag, &deMademlselle Eradlce, Haia, ma, p. 23m cópia : uma encontra-se no aum Lihramesua paginação pode dilevirda cópia da Bíbllothêque Nalionale. 31 . Idem, p. 31. 194 O Munoo MAYÉRIAUSTA cu Pomocvwu suportes metañsims para a narrador: : feminina e também en- gendrou uma proliferação de personagens francesas inglsec que conquistaram uma certa imortalidade literária no gênero: 'Billie e Octavie em sua "academia de mulheres", Thêrêié» ' Fanny Hill, Julie, a filósofo (ou a boa patricia da Revolução Francesa) e a mais antiga e menos conhecida Eulalie, cuja. correspondência surgiu em 1785". O poder desses personagens 'deriva da força descritiva das novas narrativas sobre a excitação sexual. Essa arte excita porque, como os cientistas, oc narradores pornográficos e filosóficos oonmntram nona atenção sobre a natureza Eles enmpsulnm corpos, mptunmeduplicam seus mo- vimentos, colocam-nos em um mundo de pouibilidades ilimita- das e, nesse processo, absuaem tudo isso de qualquer universo determinado. A essência do novo momento pornográñco ruido na excitação sexual induzida pelo em de contemplar a interação de corpos isolados e ativados, supostamente não controlado. : por qualquer lei, exceto as da natureza ou da psicologia 4.5). Quer estejam se masturbando ou sendo observados enquanto fazem sexo, quer sozinhos ou em grupo, os corpo¡ auomizudoa na nova pornografia são inteiramente No processo, talvez inadvertidnmente, tornam-se parecidos; porém, são tão similar, tão semelhantes e indeñnidoa, sexual e rnatañaionmente, quanto os átomos e os planetas. Os corpo¡ ocupam um lugar conceitualmente análogo ao espaço e tempo dos filósofos mecânicos: uma abstração divorciadn do espaço cotidiano. em que apenas são percebidas as aparêncins ou dos corpo: vestidos e adornados, disfarçados por cores e texturas, corpo¡ visíveis ao olho públióo, codificados com os símbolos de status, poder e sexualidade reais ou imaginários. v 32. como mmionadomnneeocuvie ¡lou! pdndoaíspamuguu -vtLasDl-Iwrs dgiuaasautmih genérico pxIAbiSIuSQJeaQWmDÇNVEWIUuU-ntñmdkrlh ds damas (mai. Vefjníel 623, em na, les 1M: de wa. Julie qutebt anlulíe philuopheauiesonhníaenrimnuvok. 1 22;- maampmmommcawde Flnhy HIIL inoMcmalrs nfawimm n/ Pleasur, ed. Paeçsdwr, iuuummowd. un, Oxiovd Univeskyhcss. i9as. ver lalrbém oulàblnnu ~< du líbenímge deñris. Amin vielkplusieun nuas oclebmsde ceslàdc. imunes, Nouise, 1735, 571k( 52a. - 195
  15. 15. A QUALIoAoe Fnosónca r FonMAL A literatura pomográñca e os tratados filosóficos da nova ciência concebem um espaço íntima, no qual só importa a for ça, o compulsivo vaivém dos corpos. Ambos prometiam poder ao corpo, mas, em sua habilidade para a excitação sexual, ape~ nas a pornografia cumpriu a promessa. Acreditar, de modo simplista, que todas as necessidades - referindo-se à porno» grafia como um gênero _ são as criadas por homens para ho- mens é não compreender a subversão racionalizada pelo mate rialismo e simbolizada pela narradota do sexo feminino. Essas mulheres, que deviam ser simplesmente guias da pornografia, l podiam ser um sinal do desejo de seus autores anônimos de apresentar e defender uma sexualidade banal e domesticada, que podia ser experimentada por todos. Isso encorajava a cria- ção de um espaço íntimo no qual a fantasia era permitida, mes- mo que nunca fosse oonsumada por completo. Talvez esses au- tores desejassem controlar esse espaço, para estende-lo aos menos audaciosos ou para obter lucro oom a venda de sua liter ratura; todas essas razões fornecem motivos suficientes para a criação do gênero. Mas existiam corpos reais, vestidos e organi~ zados, que inventaram, distribuíram e adquiriram essa litera- tura. Esse universo subversivo e suas revelações sobre a inven- @o da pornografia é que nos interessam. Os relatórios_ da poli ia parisiense revelam que muitas das principais obras da pornografia francesa foram produzidas e vendidas por grupos compostos por até duas dúzias de homens e mulheres. Nenhum outro gênero literário proibido parece ter sido tão consistente e organizado; às vaza, sete ou mais pes~ soa: eram presas por seu envolvimento com um único livro. Em nenhum outro género perseguido pela policia - incluin- do as obra: jansenistas - as mulheres apareciam não regular- mente nos relatórios. Um homem da pequena nobreza, com antecedentes criminais, foi pego em um cabaré ao tentar ad- quirir Théràse philosaphe. Uma mulher costurava as páginas; homen: e mulheres vendiam a obra. E a responsável pela dis~ n96 O MUNDO MArmIALlsTA DA PORNOGRAFIA tribuição do livro era Caterine Marguerite le Cocq, conhecida pelo nome androgino com que se apresentava, “Catin le Cocq" (catia, que significa prostituta; le cocq, que signi ca galo). A obra dependia dos esforços de impressoras, gravadores, dis› tribuidores e livreiros, e todos eram enviados às prisões par¡ ienses, onde, em média, ficavam presos por dois anos por causa da encrenca. A rede que envolvia Théràse incluiu o edi~ tor ou. talvez, sô o distribuidor em Liege, cuja intenção, se- gundo a polícia, era publicar outra edição de Histoire d: Dom Bougre, panier de. : Churtrzuz, obra pornografica muito po» pular”. O titulo foi traduzido para Master Buggy: em que buggery, como o francês antigo bougre, rlesignava sodomia (fig. 4.6). Em 1748, poucos anos depois de sua publicação, parece que essa obra foi bastante vendida, junta com Dlzloislla e diversas obras e satiras _politicas obscenas contra Luis XV e madame de Pompadour”. 33. Esse lelatóvio, dando de 1746, Inlllulavaóe “Allaíre deTbérese Phllosoyhe el du Porrier des Chanreux', em que François Xavier d'Ar| es de Monligny e descrito como "Esalyev ¡nterrná dans Ie fenner du Ray enrre a la Ezstille Ie 1'lavrle(1749 son¡ le 15 ¡ou! 175o, a e: : atreve des Vanne l744 [. ..1". APP, Paris, n/7/s9z-97. Esse caso é descrílo brevemenle a parlír dos registros a¡ albllolheque Arsenal, no preuclo de Philippe Roger em Ouvres anonymer du XVIHe slêc/ e: L'Enler de Ia Bibllorheque Naifa/ vale, Paris, Fnyard, usas, vol. 1, pp. 18-9. N¡ verdade, uma grande quantidade de mulheres envolveu-se com o iansenismo. 34. os reglsuos de manuscritos apreendldos na década de'l 74o ; ao ínleressanres e imparlanle! verAPP, Paris, AaI7l461-752. Podem sercumplemenlados com os reginms que rrazem narrativas pomugráficas e sarírlcas contra o rei e que eum vendidos por pessoas presas por causa dessa atividade; ver APP, Paus, Aa/5/443-6S0. Outros dum- menbs aoonlam que livros sobre ; ansenismo e 'zlevassldsu' eram vendidos juntos, surpreendenremmle; Ver APP, ñ1¡s, M/7/339. Em 1742, exlsrem outros regísrros de prisão de sodnmlxas; vevAPF, ParigAañ/ MB, A grande maioria das pessoas encaroeu- das na uma¡ de 174a por vender livros negoclav: obras pornogrmcas e dizlribes palmas. Há uma grande prisão de lansenislasl verAPP, Plfls, Aa/ msz-sl. Na t. 517 na mena¡ a três homens e uma mulher (que nao em esposa de nenhum deles) vendendo pornagraaa, "Les nouvelles eccleslasrlques' (transcrito como no ariglnal e inteiramente lansenisral, em 1745, Em 17454747, rversas espiões (num plesos. Em 1747, Claude crespy lo¡ encarcerado devido i dilusão de lllerarura pol rllca, pornogra- nc¡ e Maçônica; ver APP, R1is, A¡/7/54|.0utr¡s prisões incluem, r. 54s, um mlrídoe uma esposa com míl cópias de Amusemenrs philosaphlque¡ sur ! e ! angry de¡ Erles, Leme a Mad. de Pompadour, e com 54 cópias de L'An de faire de: garçons, Ie Colparretn el Ia secrer de Ia Maconnerle, r. 555, 174a. N¡ l. 524, há um livreiro com obras de mosolos e íansenislas: e nas n. mas, de 1749, "discaurs lrlsclenls conlre le Roy er Mad de rompauaun, 197
  16. 16. 0 Muupo Marmwsu na Poxnoáwu A Quulmoc FILosoncA r Foram¡ A _ A muuuznheaawnmmnmnrimcmvqnu : ampliaram-GMA Fiomntkhunnrpínodnnbiuynúoyuphqnunntnm“0pluernmmdcu . gnmzn _ ñlnwfntntlnmfelízohonnnagnúvalikah-Ipopnwspdonnauunnn ñlowñnmnnnxuln“(lini. l.d. .ll14âl). 199
  17. 17. A QUALIDADE Fnosóro f Forma Baum. kñ: Con¡ mddnriul. Fama; Hinuú-¡deDamBà pain-dc: Charotwded. diFx-ankíun, ma; zoo O MUNDo MAvmIAusTA m ? aumentam Os produtores originais de Dom Baugre tiveram, porém, um destino similar ao dos distribuidores de Théràsz. A obra relata- va casos de lesbianismo, sudomia e incesto, assegurando aos leitores que os verdadeiros vícios eram restrito¡ aos poderosos e aos clérlgos. Por causa dese texto evidentemente amiclerical, a policia prendeu Charles Nourry, um "clérigo censurado, o sacristão da igreja de São Sebastião, em Trier-e” e encarec- rou-o na Bastilha, em 1741. Outros 25 envolvidos no caso Dom Bougne foram presos e imerrogados. A irmã de Nourry tam- bém fa¡ interrogada; e uma certa senhorita Olliex, a jovem ñlha de um livreiro, foi exilada em Toulouse. Por fazer e» tampas impudicas de monges e freiras, que leitores como Casanova elogiavam por “sua notável beleza” - provaveL mente um leitor cantemporâneo irá considera-las mais ex- plícitas que engenhosasr: um gravador também cumpriu uma sentença na prisãa, acompanhado por um tapeoeiro e a esposa. Suspeitavmse de um aristocrata que não chegou a ser preso como o foi um barão sueco e M. Stella, um lojista itali- ano. Pierre Paupie, um editor suspeito de Haia, bastante oo- nhecido por publicar obras eruditas e maçônicas, também foi mencionado nos relatórios. E e' citado numa descrição polici~ a1 de outra obra infame publicadL_ no mesmo ano: Ele é um zxtudante de Vblzaire [He i: a . rlzudent »j 70121174”. Os perpetradoxes de Dom Bougre podem ser considerados mem- brçs de um “sindicauf” internacional que se agregava tem- porariamente e que, em 174-1, achou bastante vantajoso cor- rer o risco. Em um período em que a sediçãa tinha sido excepcional- mente franca, ambos os círculos pornográñcos envolvidos nes- ses casos famosos da década de 1740 foram perseguidos. Esse crescente descontentamento emergir¡ durante a Guerra da Su- as. APP, mas, Aa/7/363-66; pm Bacculard dwnaud meu¡ un Eleve devomw), verAPP, París, Aa/ I/Jñl . Os registros dos imetmgalóvlns sobre o¡ nunuscnms são m. mmados em Roger, op. rir. , pp. *z-a; pm Casanova. ver suas Manaíra-s, 174455, ed. Rmé Dermrls, ma, camiu-rllnmuion, 1977, p. 44o, 2o¡
  18. 18. A Qumows FnosoncA r FORMAL cessão Austríaco, e os relatórios policiais estão repletos de no› mes de homens e mulheres prwos por vender sátiras contra o cada vez mais impopular Luis XV e contra sua amante, madame de Pompadour. Eles foram acusados de "fazer discursos insw lentes contra o rei e a madame de Pompadout". Um voluntá- rio da cavalaria e quatro mulheres - entre elas uma esposa de um valete e uma criada - foram presos por dizer que “o rei é um imbecil e um tirano que comente em ser contro- lado por sua prostituta". Era necessário, diziam eles, que o pais se libertasse dessa tirania. Dois anos depois, em 1751, parece que alguns oonspiradores foram encarcerados por ten- tar fazer isso”. Na prisão, esses cor-Aspiradores juntaram-se aos homens e às mulheres que já tinham iimprido dois anos de pena por pu- blicar Thérêre. Porém, não encontraram Diderot, solto já há algum tempo, depois de ficar preso por escrever uma sátira pornográñca, Les Bijou. : indiscmtx (1748), que também criti- cava o rei e sua amante”. As outras celas ainda recolhiam edi- tores de libelos, gravadores e vendedores ambulantes envolvi- dos com a publicação de Lldlmauach de Priapz e de diversas "gravuras obsoenas", além dos onipresentes vendedores de obras jansenistas e de outros que trouxeram da Holanda *vlannções satlricas contra pessoas respeitáveis". Naturalmente, também havia espiões, sodomitas, fanáticos religiosos e, sobretudo no inicio do século, muitos alquimistas, tanto homens quanto mulheres; porém, quase todos desapareceram na década de 1720. Talvez o mais solitário de todos os encarcerados fosse o senhor Medina, descrito nos relatórios como "um judeu_ ante- riormente um mercador acusado de sodomia na Holanda [que] havia vivido em Bruxelas, onde foi preso; na prisão, com- pôs nouuelles politiquzs, que enviou a Paris. às províncias e a outros paises". Em 1742, ao ser capturado em Paris, o senhor 36, Diz-se que estavam consultando comia o vel; ve¡ APP. ns, Ads/ ssa. 37. Kearney, ap. en, p. a2. 202 D MuNoo MAmIAusvA ou Poauocwu Medina, irnxépido, vendia a mesma literatura de difamaçã° política”. ' Se o senhor Medina era judeu, sodumita e negociou? ! de panfletos, também era um homem com propósitos you'll? ! 0 conexões internuçionais. Real ou fictício, ele pode ser conside- rado um simbolo da nova sociedade urbana. Mas o cenário pol'- nográfim já existia, pelo menos nos relatórios policiais, quatro ou mais décadas. A pornografia, em : ua amhivailênora em relação ao homossexualismo masculino, nunca fez justiça ao mundo em que o senhor Medina viveu. Nem as descrições naturalista, tampouco a¡ materialiatas, embora ricas, aludern ao que os relatórios policiaia sugerem. Já em 1706, a policia de Paris invadiu um (íabaré e prendeu Simon Langlois, :mL- sado pela criação de “uma assembléia para um tipo debrdem Pau¡ rapazes que desejavam se associar e que, adotando o nome da mulheres, :: usavam-se entre si Eles faziam essas reu- niõn geralmente no Cabaret du Chaudron, rue St. Antoine [. ..] onde, depois de beber demasiadamente, entregavam-Be ao pecado da sodomia; eles faziam certas cerimónias para B recepção dos novatos e prestavam juramento de fidelidade à Ordem"? Ianglois e seu grupo de iniciados zombavam das normas dos poderoso: e do clérigo. Imitando os hábitos aris- tocrátioos e oavalheirescos, Langlois adotou o titulo de “le 3a. Em APP, Pins, Aun/ az. Tanbém se an: que . c. linha Ildo an. .. com um cena Rmuel, poomlmenre o mesmo mw cludo oo cm Dom unàamesms' v! relatório, Rvussel édscrlw como o : um de'un Inbelk" e de outras o . APP, Pads, w559i. _ 39. 'Une . mais pour u. . amem dudu des ; nunes safe-n qu! m": ou l: premlem das mms de (emma I, I 'Ilwlenl das md-senmnubnâ a : :meme hlwlenrmasembléu ecotentordlnalmwent au Cabnreuiu ana mn u f l m¡ ¡_. ,¡ m) ¡pm! :voir m par : :ces u¡ communis! ! u pêdvé de Sodomle, a ue cerulnes ccvémanics paula armador¡ de: P-_vsémsetlazr felsolem wtf ümmmd* d, “na . .rodam Em APP, Pull, MIA/ ms. Ver também Mldoel uv, Naum Sodomy n. Elghlemlh-Cenury mu: From Sln m armar'. em Kem 061MB” e m, Hekma (mu), me Pursuh ol sadomy: Male Hcmoncxualiry ln Rena 2 no: R Enllghtenmerul Europe, Nov¡ Iorque, Hamnsrnn mx ma, 1939. w- I consider¡ um oonlunlo dlíerenu a: arquivos de mimos. no: contém M** I* clonnls sobre › mesmo da sodomll nesse www no35
  19. 19. A Qumowr FILOSOHCA r FORMAt Grand Maitre" [o Grande Mestre] Seu companheiro. Bertault, preferiu o titulo de "la mére des novices" [a mãe das noviçasr. _ Seria eme submundo sexual urbano uma outra espécie de ñcão, uma obra da esmerada imaginação policial? Parece im- provável, pois precisamente nesse período, em Londres, Ned Ward registrou a existência de clubes homossexuais masculi- nos semelhantes, com rituais, apelidos femininos e cerimónias de casamento". Em 1715, a policia de Paris estava mais uma vez invadindo cabarés, onde prenderam La Mar, "o principal integrante desse bando de rapazes deboChadOresM-g. Nesses re- latórios, existentes em ambos os lados do canal da Mancha, a cultura urbana e homossexual era similar, difundida pelos pró- prios viajantes, Vendedores e, possivelmente, marinheiros, que tornavam as cidades e os mercados tão vibrantes, anônimos, intrigantes e sugestivos, para' homens e mulheres de todas as preferências. z A cultura da. sodomía persistiu apesar das punições horripi- lantes. Em 1781, na Antuérpia, o senhor “Stockaert" ou "Stocks" - os magistrados franceses, tentando verter um 4o. Há um bom debaoe sobre pane do mareríal de arquivo em Claudo Courouve, Les Aiumblle: de la mamae, am, c. Courouve, 1937, p, l|$, Algum material sobre esse grupo est¡ publicado em G. B, Deppln¡ (WS-J. Correspondente administrativa ¡ou! k rêyne da Louis XIV, Parls, Imp. Nalion¡| e,| B51~185S, vol. 2, pp. 813-4. 41. Par¡ n lavado de 1706, verAPP, Paris, Aa/ Á/ZUS; em 1715, novamente porem/ oh ver sodomla em abarca, Ve! AFE PulrisAa/ À/GZG; sobre sodomíüs, em 1742, ver APP, ñrls, AIH/ MIS; em |75|, sobre a obtenção de dinheiro através da sodcmla, verAPP, mis, Aa/4I730. Sobre Ned Ward, ver Randolph Tron-bacia, -m Blnh of the Queen: Sodomy and Emergenae olGender Equallly In Modem Culture, 1660-1 75m, em Marlin Duberman, Martha ñclnus C George Chauncey Jr. (orgs. ), Hidden / Iom History: Roda/ Ming the Gay ond Lesbian Pa! , Noiva Iorque, New American Library, 1589. Triimbach : ira os seguintes reglmos do periodo: The rm¡ . na Canvlulon olsevenl Raputedsoàrviltes (M1200) Day O/ Oaober 1707, Birth library SISJ . l (205); Omara( London Rncotd OMce, Nil/ SP Setembro 1707. Ward afirma em Th¡ : me: History ol Clubs. londres, V709, pp. 134-300, que ele: são chamados de 'molllesã 42. Em m5, sobre claxslñrzção do sodomilas, ver APP, Paris, Aa/4/52ã. Hs em AnuHque Lemasson, Socíéléu : rlmimliré dm¡ le pan de Nants lu débil¡ du XVIII' : :me 06994723) (uma les ¡rdiives de VAmlrautt de Names), Rennes-Nantes, Marrlre, 1959, pp. eu, iezistmsde insultos verbais relativos a sodomia, mas nenhu- ma prisão pelo aro, 2 a4. O MUNDO Mirra/ rpm DA Ponuocmm nome flamengo e inglês, não puderam chegar a uma conclusão ~ foi preso por seduzir quatro rapazes, de 1B a 21 anos de ida- de. As autoridades locais de Antuérpia escreveram ao Conse- lho Privado, em Bruxelas, que representava o governo austriir oo nos Paises Baixos do sul, questionando sobre o destino do preso. A recomendação das autoridades locais era simples e ter¡ rival: condenarammo à morte e “propuseram que o preso fosse secretamente estrangulado na prisão e que os quatro ho- mens seduzidos por ele assistissem à execução”. As autorida- des locais esclarecerarn ao Conselho Privado, responsável pela última alçada, que essa punição revelaria a gravidade do crime e que uma execução publica causaria impacto, tornando públi- co o cris-ne. E ainda podia traumatizar os rapazes de ral maneira que eles talvez nunca sobrevivessem ao terror da experiência. Naturalmente, só ñmriam isentos da mes-ma punição se juros sem silêncio etemo. Mas o Conselho Privado tinha outra posr ção". Afinal de contas, representavam supostamente um regime ilustrado. Os magistrados ordenaram que o senhor Smdcer fosse levado à fronteira do modo mais discreto possivel e banido para sempre. Talvez possamos agora conjecturar porque, voluntari- amente ou não, o senhor Medina rumou de Bruxelas a Paris poucas décadas antes. Talvez também seia possivel entender melhor por que a pornografia foi considerada tão chocante e surpreendente apesar da ausência de elementos sádicos, até que Sade transformasse o gênero. J Segundo a policia e os magistra os, e os registros franceses e ingleses menos tendenciosos, as cidades tornaram-se lugares que seríamos capazes de reconhecer. Sua modernidade salta das paginas dos livros filosóficos e pornográficos, do cohsórciô comercial de seus criadores e vendedores. A modemidade é encontrada no risco dos cabaré; ilícitos. bares e clubes, até mes- 43. siockaen ou Sinclar "ui condamné a mon que ses luges se preparem d: lallre errangler secreienneni dm: Ia prlson ea II esrdelenmde Iara assisier a cette execur on quarta d: ses complicar : edulis par | e condamné i, ..i-. Em Archives ; ementas du royaume, Bruxelas, Conseil privé ¡uli¡. ,A124, S765, 28 abr. 1751. v 205
  20. 20. A QUAUDAD! FILOSÓFICA r FORMAL mo através dos registros monótonos e respeitáveis dos maçons e de suas lojas. Essa nova sociabilidade urbana, presente a par tir da última década do século XVII, incluiu homens e algu- mas mulheres, heterossexuais e homossexuais, ordinários ou respeitáveis, dissidentes, nãmconformistas, oonspiradores, so- breviventes do negócio da literatura subversiva ou apenas co› merciantes interessados em lucros. Essa nova sociedade urba- na sustentou, formal e ñlosoficamente, o Iluminismo. Visto através dos romances ou da pornografia, é o espaço habitado ? por recém-alfabeíjzados. Quando a policia, representando n rei e a fé (mi etfbí), ocupava os espaços que compunham essa nova sociedade urbana, procurava o ilegal e o subversivo. Quando percebia uma ameaça ao Estado, podia executar, banir ou pren- der os individuos. Por suas atividades no cabaré, Simon Langlois foi condena- do apenas a dois meses de prisão. Para as autoridades parisienses do século XVIII, a sodomia, quando não combinada com ou~ tras ofensas e não praticada em publico, nem sempre era tão perigosa quanto a boa pornografia filosófica, como Théràse philosophe. De fato, a turbulência politica da década de 1740 desembocou no que a policia denominou de “lilaelos inde- centes" contra o rei e sua amante, e isso constituiu o substrato para uma nova leitura de Tlzérêre phílosapliz. Se madame de Pompadour é a prostituta má de um rei tirânico, então Thérêse é o seu oposto, a boa prostituta, a pregadora do Iluminismo e da religião da natureza. Conscientemente ou não, seu mate- rialismo ofereceu a única filosofia da natureza capaz de de- nunciar o individualismo, as paixões e as atrações, a liberda- de e o não-conformismo, o desrespeito e a subversão das cida- des da Europa ocidental desde o inicio do século XVIII, se não antes. A Guerra da Sucessão Austrlaca, conduzida cam incompetência por um regime não-iluminista, fragmentou cidades, de Paris a Amsterdã. Seus cidadãos revidaram com livres philosophique: subversivos e com panfletos sediciosos 2.05 o MuNno wmmrsn ou Poluocswm que, como There's: e Les Bijou iadiscrzü; CON-Ínuluam a se' lidos e desfrutados muito tempo depois do turbulenm momento de sua criação (fig. 4.7). › Nem os pornografos tampouco os cientistas e os materia» listas podiam ter conoeitualizado os corpos e o espaço sem a existência simultânea doses individuos egoísta¡ Quando do- tados de impulsos eróticos (diferentes dos ilegais), eles n50 habitam celas de prisão, mas dormitórios recriados pornogra- ñcamente. Quando entram na arena politica antes reservada 'aos reis e às cortes, são também retratados nos escritos politi- cos dos novos ñlosófos mecânicos e materialistas, como Hobbes. Na literatura pornográñca, o cogita cartesiano, com todo seu egoísmo e auto-referência, torna-_se peroepliVel; ° ego se conhece só porque experimenta sensualmente todo obieto que deseja. Coiil-iecendo as historias de Catin le Cocq e do senhor Medina, conclui-se que a literatura filosófica e a literatura pornográfico da época podiam acompanhar a corn- plexidade e a originalidade de um universo no qual a polícia do Estado absolutista, embora por razões totalmente diferen- tes, também tinha interesse, A Algumas vezes, e raramente, as obras, em vez de examina- rem o universo sexual, investigar-am o universo social de Catiu. Medina e Ianglois, exaltandmo. Um tratado francês da déca- da de 1720 cria urna utopia homoerótiu: “as tribadas são uma Nação visionária, indefinivel e inoompreenslvel, que desfruta o prazer do excesso” [Les Bmtídes [tribades] : ont une Nation visionnaút, bldefiníssable, incompnéhemüle, aimant le phislr d lizzcài-. ..L Em outro reino homoerótico, o da Ordem de _ Manchette, os homens consideram-se irmãos. Os tratados mb- pioos sobre as mulheres da nação tribádica e os homens de Marichette pertencem ao g-éneronaturalista. Seu propósito não é propriamente a excitação sexual_ a menos que se considere excitante o uso repetitivo de palavras obsceno. ; - eles difun- dem a existência de reinos distantes e livres, Z°V“¡“d“° 9°' ao7
  21. 21. A QUAUDADE FIiosórlcA z FoaMAL Flw». 4.7: "o Sibnrin P. : Dim, Açoiundg . mim u. EM, - -_ ¡- . ?uma pastos-vu (Hlil. E a. (lusa). °“' °° °““' 208 O MuNno Mnvzmusn m PDRNOGRAFIA sodomitas e tribadas". Em 1752, um sacerdote foi exilado sob a “supeita de pertencer a Manchettem”. Seria um cano de vida o imitando a arte? Existia realmente uma Ordem de Manohette? Diversos autores franceses da época referem-se a ema congre- gação; e há até registros da policia parisiense que sugerem a existência de “ordens", com ritos iniciátioos, cerimônias e a adesão de novos membros* É improvável que a natureza exata desses grupo¡ seja algum dia conhecida. A partir de uma gran~ de variedade de fontes sabemos que existiam grupos de sodomitas, possivelmente até mesmo uibados, nas cidade¡ da Europa ocidental. e uma subeultura, em meados ou fim do aé- culo XVII. Durante o reino de Luis XIV (1645-1715), o pornográfico e o obsceno começaram a lutar contra as autoridades da Igreja e do Estado. A pornografia inicial encontrou nessa pottura de desafio - particularmente no gênero naturalista - um terna que foi retomado repetidamente até o fim do século XVIII. Especialmente durante os últimos anos do reinado de Luís XIV -- profundamente problemáticos, quando os protestantes e os entusiastas religiosos enchiam as prisões -, os objetos da por- nografia muitas vezes não eram reinos ou sexualidade: alter- nativas, mas as autoridades da Igreja e do Estado Em estilo natura sta rn obs i nto rn p m tratada criticou asperamente o cle- ro e a “sua tirania . A partir dessa mesma postura, outros tratados natuxalistas atacaram a corrupção usando a escatologia u. Histoire da PrlncíAppríus, etc. Extraílé des fanes du monde, depuis sa : :Mudam Manuscrí! versar. (rom/ é dans Ia brbliorhéque de Sduh-Hussairu, m¡ de Arm, daemon! par Mzmouth em 1722. Traduclion Française. n: Messlre Esprit. .., Conshntlnupla, 172a, m7. : i2 e 59. Observar que a sodomla praticada em público, :special/ mma uuvnpanhad¡ de outra conduta criminal, podia levar à execução pública a grama. 45. um promulga Reboul, carmeliu, que também: : : ebelou com¡ seu¡ alpellores; em APP. Paris, Aa/7/759. 46V: : Maurice Levar, Les encher; deSodome, Paris, Fayard, lsss, cap. s. Agmdeço a Bryant Ragan por esta indicação. . 47. Lesfmreríensdela gríl/ e, at¡ Le Maine au parloir, cólonza, 1662. Há uma copia na j Bibliothêque Nalionaledz reservz 3525. 209
  22. 22. A QUALIDADE Fuosoncs z Fomu animal; L: Cau/ zon mítnà [O Porco Mitmdo] usou a metáfora em 1689, precisamente durante o periodo repressivo do reino de Luis, para descrever a moral da corte e do clero”. Os naturalistas estavam pessoalmente interessados em ata- car o clero, cujo poder contribuiu para a sobrevivência do gê› nero ao longo do século. Na. década de 1750, há uma rara obra naturalista em verso escrita em holandês, Nesse livro, jesuítas, provavelmente nos Paises Baixos austríacos, agoitam as náde- gas desnudas dos que se confessam, desfrutam relações anais, espiam freiras a urinar e, portanto, sucumbem às tentações dos demônios que os asolam". Os naturalista: podiam também ser muito maliciosos. Portanto, o naturalismo sempre desfrutou um lugar na lite- ratura pornográfica e obscena do século XVIII. As obras mate- rialistas incluíram a narração como recurso para descrever os corpos em movimento e, conseqüentemente, para excitar. Em comparação, os naturalistas aproximararn-se das novas ñlosc» ñas naturais, mas, em geral, continuaram a escrever sobre a sexualidade. Durante toda a sua longa história, um dos princi- pais objetivos do gênero naturalista, que foi transmitido aos maoerialistas, foi empreender polêmicas contra a autoridade tradicional. Um exemplo é o tratado inglêsA Voyage to Lethc; by Cap: Samuel Coclt [Viagem pam Let/ ze, pelo Capitão Samuel Coclr] (1741). O narrador descreve a imaginária terra libertina de Lethe, que existiu antes do dilúvio: “Concebo [essa terra] por Consideração do Público e, particularmente, da Sociedade Real". O capitão Cook (pênis), o narrador, e o mais jovem de 4a. Le Cochon mil/ é. Dialogue, s. l., 1589. Um¡ Cópia encantada na Blbliothêque Nnllonale, :asma 826. 49. Hístorische mm en Dich! hleroelen, van/ an azuis¡ Cfraren mma Maris camarim Cedkvre, sL,1735. Estou citando n : opaca Privaxecase, da Brlllsh Llbrary, 31x14, que penso proceder dos Paises Balxus nusmacos. ver também a maioria dos manuscrllos em latim do colecionador de ane holandês, Hadrlan Beverland, na British Library e m Bodlelan, Oxford; w. Elias, "Hei Spinozlsüsch Erotlsm van Adriaan Bevevland', 77ídstrl7r Voorde Srudie van de Vedídvtíng 3-4, 1974, po. 252-320,- e Eric ¡ohn Dmgwa n, 'Hadrlnn Beverland: Lord of Zealand', em very Peru/ ia! smp/ e.- Pon/ aí! Studies in lhe Queer, the Abnormalandthe uncarmy, Londres, Rider, 1950, pa. 145.77. 2x0 O MUNDO MAITIIAUSTA m POINOCIAFIA doze filhos, cujo bisavô “tinha intimidade com a mãe de 05W¡ Cromwell e pode ter concebido Oliver". Como Lethe tomou- , e um lugar de devasaidao e obsoenidade, habitado por funcio- nários públicos e ecleaiázticos, essa obra pretendia ser uma sá- tira libertina e não es iñ em# Hi0 ñ** 5° fu" referencias a filósofos natuxalistas, Cook invoca o género por- nográñco, mas, como outras obras obscenas inglesas das déca- das de 1720 a 1740, esta é um ataque contra a licensiosidade e conupção da Corte Whiggcry, mb a perspectiva republicana”. Seu naniraliamo era apropriado n uma mensagem politica 00m nu ças populista: dirigida contra a oligarquia. 0 politico e o ñloaóñm nunca abandonaram o género por- nográfico, na França ou na Inglaterra, até o ñm do sécul 1789, a lista das prostitutas de Londres m Hai-risírLia-tp Cu- ra ser filosófica e politica: “nenhum entusiasmo é tão forte. tão estimulante, como o da côpula; a cópula traz a garantia d” 5a' binete mais reservado da natureza Por que as vitimas des- sa tendência natural devem ser caçada, como pai-ias da . sociedade, ser perpetuamente apanhados pela: garras da t¡- rania mesquinhaP”. A perseguição ao sexo é obra do clero e dos magistrados, que são as verdadeiras prostitutas: “Não seta _- o ministra de Estado, que sauifica a honra do seu pais ao seu _ . . ' Q M i interesse particular mais culpado que uma prostlmta- " › . Na França, exatamente quando Harris propõe sua questão re- tórica, a culpabilidade do clero e dos magistrados estava para ser julgada. Apenas dentro do processo revolucionano, como Lynn Hunt afirma no ensaio “Pornografia e Revolução Fran' cega” (neste volume ), a pornografia começou a mudar. De fato, . Ada c A Vo to Leth ; ty Cap? , Samunlúvck. .., Londres. I. Centrum lg", prrwñápía ; Etta-se iu Bodleñn. Ver lambóm A Ntw Description u¡ . ol m: lvterryland: Canrarnln¡ a Topogmphlcal, Geographic-I Ind Natur-l "WW Coumryr 7. ed. ; Bath, E. Crull lr J. Leah, 174 1. B: : cbn fo] uma. lmnlamemeio amfgllpra, porém devoto, George Cheyne e lo¡ encadermch [uma com Merryfand Dlsplayed. p . 51. Herrísk Lista/ Covenl-Carden Ladies”, HBO é encademnda com a Harris# Lmde 1759, po. ¡Il-xwer 1 n. 2!. su¡
  23. 23. A QUAUDADE Fnosónox z FDRMAL a Revolução respondeu afirmativamente à questão formulada por Harris e, no processo, reordenou não só o universo politico mas também o social e o sexual. O autor anônimo francês de Ler Bordelsd: Pari: (1790) rea- gia a esse reordenamento quando declarou que os velhos minis- tros de Estado, e não as novas prostitutas, eram os verdadeiros oorruptores da virtude. Nessas circunstâncias, a Revolução re- alimu todas as fantasias dos pornógrafos. Mais um critico da lioensiosidade do clero e dos magistrados que propriamente um guia, o autor do tratado sobre os bordéis de Paris manifestou- se como um bom e sensível pau-iota, que acreditou em novas possibilidades para a prostituição. Ele propôs a construção de uma casa em todo jízubourg, que deveria manter quatrooentas mulheres e empregar uma abadessa e um médico. E também exigia "um anfiteatro, uma imensa galeria, adequadamente iluminada [onde] todas as ninfas devotadas ao serviço pú- blico . ] seriam capazes de satisfazer os curiosos” [ag/ in qu: : le: :uríeuz les. .. amateur: puissentfzire un chair capable tout à la foi: de les animar ez de ler : existirá-el Um tal lugar dedicado à prostituiâo custaria muito dinheiro, mas esse diligente pro- motor da arte tinha uma solução: "Já que custaria dois milhões para se construir um estabelecimento tão útil, devemos achar alguns capitalistas que forneçam o-capilal; os quais desejariam ter, compreensivelmente, sua entrada asegurada, e que cons- ñtuiriam algumas ações parciais, pagando juros de 5% ao ano " [Comme il jim: dzuz million: pow- procéder à cel etablírsemenz utile, nous owns Lrouvé de: capitalista: qu¡ nousjmrnircnz les jnruir, qui aumnz (comme de maison) kun grande: zntrées, ez quífbnnemnt dns acliam partielles, portant inumsl à cinq pour cent por md”. O autor e defensor desse universo, explorado ini- cialmente pelos pornógrafos, estava tão certo da sobrevivência 52. Les Bordels de hrís, avec les noms, demente: el plíx: Plan Salubre e¡ parriotíque soumus au. !Ilustres de: Ems-Oénénux powen faire un arrícledc Ia canslilulion [. ..] MMM. o Ilan, Sartíne, Lemír, La Tmlíere, s. I., L'An Esconde de Ia Libené n 79m. 2m O MUNDO MATERIAHSTA DA PORNDCFAEIA de seu estabelecimento na nova liberdade revolucionária, que seus problemas tornavam-se essencialmente administrativos. Mais uma vez afirmando sua relação com o mundo social, os temas e os interesses da pornografia mudaram notadamente nas últimas décadas do século. Nesse periodo, a pornografia materialista francesa tornou-se abertamente politim e, ao fazer isso, associou seus interesses à tradição dos escritos materialistas ingleses e franceses, de Toland a d'Holbach, Nessas circunstân- cias, aiudada por uma justificativa trivial baseada no materialis- nio - portanto, por uma razão metafísica em seu próprio bene- ficio -, a pornografia também começou a dar conselhos. A re- pressão sexual é perigosa para a sociedade, não é proveitosa en- tre as pessoas do mesmo sexo; segundo os filósofos, o selvagem da mata, senhor de si mesmo, é mais saudável que o homem religioso isolado em seu claustrc”. Em um ataque frontal às con- venções sociais, um materialista francês, que escreveu em 1788 como um homem de ciência, pregou a liberdade sexual univer- sal a partir da eliminação de certas práticas repressivas. Essas práticas eram comuns nos claustros: homossexualidade, masturbaáo e flagelação, especialmente com crianças. 0 autor dizia ser um doutor ilustrado, que escrevia a “serviço do Esta- do e do amor". E, de acordo com o louvor oferecido a Jose' II, havia agora despotisrno oferecido junto com o Iluminismo”. 0 materialismo era tão trivial na década de 1780, que se domesticovl e se tornou prescritivo, Alguns até mesmo diriam que se tornou repressivo. Em Julie philosophe (1791), a prota- gonista, inclinada a pregar sermões, teve lições de “Fisica expe- rimental", leu Rousseau e viajou através do corredor da Revo- lução, de Paris a Amsterdãñ. Embora apóie com veemência a Revolução Francesa, dificilmente ela e' tão maliciosa ou ñloso- 53. Aphmdfsíaque externa, ou Trail! du Fat/ ot, el d. se: effats su¡ lephysique de Famour [. ..] par um Medecín, uma, p. es. n: uma cep: : na : mais as. a¡ 3mm. mu”, 29 5,87. 54. Idem, p. ma; sobre 1m u, p. es. ss. Iulie phílasaphe, pp. s, 24-5; 50h12 Deus, p. 15; sobre a Revolução Francesa. pp. 205.7. 215
  24. 24. A QUAUDADE FnosóncA r FORMM ficamente astuta como sua predecessora à; meio' sécul( Tliérése. 'Julie está muito ocupada, viajando e experimentar¡ do. Aparentemente, ela não leu nada sobre os novos bordéis os novos capitalistas em Les Bordels de Paris, nem levou o homens da ciência muito a sério sobre o que podia ser legislar! pelos supostamente ilustrados; além disso, Julie está ingenua mente convencida de que, "através do 'Iluminismo e da liberti nagem, as mulheres serão capazes de ser tudo que desejarem 'm Ainda em 1791 - talvez o último ano em que isso poderi¡ ocorrer_ era possivel ser ingênuo em relação às oomplexida de: do mundo materialista que a pornografia tentava narrar 1 descrever. Segundo um anônimo contemporâneo de Julie, 4 ' estudo dos grandes cientistas deveria agora permitir aos novo e vigorosos patriotss e cidadãos o deleite completo e a investi gação livre sobre "a Natureza, a Soberana do mundo"”. Thérêse, contudo, é uma criação de considerável requinte e como tal, faz jus à última palavra da ñlosoña. Tem origem pro miscua, foi flagrada se masturbando, foi para um convento ond¡ experimentou um prazer maior, e, durante o percurso, tornou-sr uma filosofia natural relativamente . ai-gata. Em seu espirituoa: livro (que a tornou famosa), Thérêse não consegue decidir x que lhe dá mais prazer, se relatar suas façanhas sexuais ou filo- sofar. Faz bem as duas coisas, e com muita alegria. Ela é autora de uma das melhores explicações sobre o materialismo em tod: a literatura clandestina e anônima do século e, de fato, vai além da maioria das observações. Th rêse compreendeu a utilidade portanto a temporalidade e dispensabilidade do próprio mate rialismo filosófico. Tomando uma idéia de L: Tluízé de: trai. - impomurs. ela entendeu que os líderes das principais religiv ões, como politicos. mentiram sobre a natureza e suasleis. Eles inventaram um conceito, como vimos, até mesmo captado pe- los materialista: : "A Senhora Natureza [. ..] é um eme imaginá- 56. Idem, p. 4. 57, LI Conredémíon de Ia Name, ou ! mr desc reproduíre, Londres, 1790, po. 1.5. HÁ uma cópia n¡ Prlvate Case dl British Library, 3D 6.12. 214. O Muuoo MATiIIALISTA ou Pocuocum rio; é uma palavra sem sentido. Os primeiros lidera religiosüs» m¡ Primeiros politicos, embaraçados pela idéia de que deviam apresentar a moral do bem e do mal ao povo, nnaginarelp um ente entre Deus e nós, e atribuíranylhe a criação de musas Paixões, de nossas misérias e de nossos crimes”. Thérése conti- nua; “Vejo claramente que ambos, Deus e Natureza, são a mes- ma coisa"; portanto, nenhum dos dois existe”. 0 materialismo foi a construção intelectual perfeita do mun- do social do periodo. Permitiu que as representações mecani- oas dos corpos inaniinados e dos átomo! 5005311¡ ¡Plllíãda-s 3°5 desejos, paixões e interesses recentemente expostos, agora 35- fem do animado. Em primeiro lugar, liberou a imaginagão de Hobbes; em seguida, exerceu seu fasdmo sobre os pornógrafos. Mas só Thérêse, tanto a praticante quanto a teórica, compreen- den que, se não houvesse o materialismo modemo, alguém entre os ñlósofos, pornógrafos ou sodomilas teria de inventa-lo. ss. 17mm phimophnnnei, v. mu. Cópia¡ a eodleiamwtssaizs. n15

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