SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 5
Baixar para ler offline
ENTREVISTA / DIVALDO LYRA JÚNIOR




COMUNICAÇÃO
                                                                                                                   Tese de doutorado
                                                                                                                 contém método que
                                                                                                                    busca valorizar a
                                                                                                                  conscientização e a
PACIENTE/FARMACÊUTICO:                                                                                           autonomia do idoso
                                                                                                                 como agente de sua
um instrumento libertário e essencial no trabalho                                                                      própria saúde
    do profissional e na promoção da saúde
                                                            Pelo jornalista Aloísio Brandão,
                                                                         Editor desta revista



        O farmacêutico Divaldo Lyra Júnior não deixaria a sua Recife, à qual é apegadíssimo, não
fosse para buscar conhecimentos na área que elegeu como a sua paixão profissional: a atenção
farmacêutica. Foi parar em Ribeirão Preto (SP) em cujo campus da USP (Universidade de São Paulo)
acaba de fazer o seu doutorado em comunicação entre o farmacêutico / paciente. A sua tese é um
poço de argumentações teóricas e práticas profundas, complexas, modernas e instigantes. Divaldo
passou um longo tempo, aplicando o método de comunicação que desenvolveu para a sua tese, ao
qual adaptou o Método Paulo Freire de educação, nas intervenções que realizou junto aos pacien-
tes idosos atendidos no SUS (Sistema Único de Saúde). O educador Paulo Freire elaborou um
método de alfabetização libertário, humanístico e conectado à realidade do educando. Paulo
Freire teria algo a colaborar com a atenção farmacêutica? Lyra Júnior prova que sim. O
método que o farmacêutico desenvolveu busca valorizar a conscientização e a
autonomia do idoso como agente de sua própria saúde. Nada mais alinhado ao
pensamento do educador. Os resultados dos estudos de Lyra Júnior foram sur-
preendentes e lhe deram a convicção de que a comunicação é um instrumento
essencial no trabalho do farmacêutico e na promoção da saúde. O doutor Dival-
do, entretanto, lamenta o fato de os farmacêuticos, a exemplo de outros profissi-
onais da saúde, serem formados sem os conhecimentos humanísticos necessári-
os ao desenvolvimento das habilidades de comunicação. Mas vê uma movimen-
tação política muito grande, de oito anos para cá, sacudindo o ambiente farma-
cêutico, com vistas a tirá-lo do limbo em que se encontrava e a pôr no centro da
cena o que Divaldo aposta ser, não muito longe, a força da profissão, no Brasil: a
atenção farmacêutica. Veja a entrevista.                                            Farmacêutico Divaldo Lyra Júnior




      PHARMACIA BRASILEIRA - O                atendidos no SUS (Sistema Único de                agente de sua própria saúde. É, aí, que
que o senhor deduziu com os seus es-          Saúde).                                           Paulo Freire entra, dando uma grande
tudos sobre comunicação entre pro-                  PHARMACIA BRASILEIRA - O                    contribuição, pois o seu método bus-
fissional de saúde / paciente?                método de educação de Paulo Freire é              ca uma maior independência do edu-
      Divaldo Lyra Júnior - O que deu         algo libertário, humanístico e centrado           cando, no caso o paciente idoso.
para notar é que a comunicação é um           na realidade do aprendiz. O que o se-                   Há uma condição essencial para
instrumento essencial no trabalho do          nhor conseguiu extrair desse método               a boa comunicação do farmacêutico,
farmacêutico e na promoção da saúde.          para aplicar na comunicação farmacêu-             que é a sua escuta ativa, que o permite
O tipo de método que utilizei de comu-        tico / paciente?                                  entender a realidade do paciente. A
nicação e educação ao paciente foi                  Divaldo Lyra Júnior – O que di-             partir daí, o farmacêutico identifica os
muito positivo em relação à maioria dos       ferencia o modelo de intervenção far-             pontos chave ou os problemas que
trabalhos que encontrei na literatura         macêutica que utilizei junto a pacien-            mais preocupam o paciente. Em segui-
do gênero. Nos meus estudos, eu adap-         tes do SUS do tradicional foi o tipo de           da, se faz uma análise da situação, com
tei o Método Paulo Freire nas inter-          orientação, a qual buscava a consci-              a fundamentação teórica dos proble-
venções junto aos pacientes idosos            entização e a autonomia do idoso como             mas identificados.

6                        Pharmacia Brasileira - Janeiro/Fevereiro 2005
“A comunicação é
um instrumento                                       ENTREVISTA / DIVALDO LYRA JÚNIOR
essencial no
                               Então, o farma-      senhor acha, então, que não há ne-            habilidades necessários à comunica-
trabalho do                  cêutico vai elabo-     nhum método de comunicação farma-             ção com o paciente.
farmacêutico e na            rar hipóteses de       cêutico/paciente formulado, organiza-              PHARMACIA BRASILEIRA - O
promoção da saúde.           solução dos pro-       do, no Brasil?                                senhor está deixando claro que existe
Nos meus estudos             blemas, mas com              Divaldo Lyra Júnior - Não, não          um gargalo de dificuldades, uma lacu-
                             um plano de cui-       existe. O que se faz, no País, é pura-        na, no ensino farmacêutico, exatamente
(para o doutorado,           dados. A partir        mente instintivo e comparável ao que          na comunicação farmacêutico/paciente,
na USP), eu adaptei          deste plano, ele       os boticários faziam, antigamente.            a qual considera uma ferramenta impres-
o método de Paulo            vai aplicá-las à re-         PHARMACIA BRASILEIRA -                  cindível para a efetividade do tratamen-
                             alidade do pacien-     Então, os farmacêuticos vão para a            to. Por que isso está acontecendo?
Freire nas                   te, por meio das       “batalha” diária do balcão, sem as ar-             Divaldo Lyra Júnior - Acredito
intervenções junto           intervenções far-      mas da comunicação?                           que há necessidade de investimento
aos pacientes idosos         macêuticas. Neste            Divaldo Lyra Júnior - Exatamen-         maciço na formação de professores
                             contexto, o diálo-     te. O modelo tecnicista utilizado para a      qualificados para esta área. O investi-
atendidos no SUS”.           go vai facilitar o     formação dos profissionais os afasta          mento deveria vir das universidades,
                             estabelecimento        da realidade. O conhecimento é funda-         das entidades farmacêuticas e dos Mi-
                             das relações entre     mentado unicamente na Farmacologia            nistérios da Saúde e da Educação. Os
        paciente e farmacêutico, num proces-        ou em outros conhecimentos afins. Os          Ministérios deveriam oferecer bolsas
        so simétrico de troca de informações.       profissionais que não têm formação
        Ou seja, nesse processo, o conheci-         clínico- humanística são jogados à pura
        mento científico do farmacêutico não        sorte. O conjunto de todos esses co-
        é mais importante que o conhecimento        nhecimentos é que constituirão o far-
        empírico adquirido pela vivência do         macêutico do futuro.
        paciente. Eles são complementares.                PHARMACIA BRASILEIRA -
              PHARMACIA BRASILEIRA -                Mas as Diretrizes Curriculares, apro-
        Essa complementaridade que o senhor         vadas, em 2001, prevêem isso – o com-
        desenvolveu e está propondo tem que         ponente humanístico na formação do
        efeito direto sobre o tratamento?           farmacêutico. O senhor tem esperan-
              Divaldo Lyra Júnior - A partir do     ças em que essas mudanças atinjam
        momento em que o paciente se sente          um ponto tal que privilegiem a comu-
        respeitado e toma consciência de sua        nicação farmacêutico/paciente?
        importância enquanto agente da pró-               Divaldo Lyra Júnior - Na verda-          Farmacêutico comunicando-se com paciente

        pria saúde, ele passa a cuidar melhor       de, a gente está vivendo um momento
        de si. E isso tem um efeito positivo di-    político propício a mudanças. Faz uns         de mestrado e de doutorado que fos-
        reto sobre a sua saúde.                     oito anos que estamos vivendo um mo-          sem empregadas em trabalhos realiza-
              PHARMACIA BRASILEIRA -                mento de recuperação do papel social          dos no próprio SUS. Essa contraparti-
        Como o senhor avalia a comunicação          do farmacêutico. Entendo que as dire-         da social poderia elevar o papel do far-
        nos procedimentos farmacêuticos, no         trizes curriculares acompanham este           macêutico como profissional da saúde
        Brasil, neste momento em que a aten-        processo de transformação.                    necessário à sociedade.
        ção farmacêutica dá sinais de começar             Entretanto, nos órgãos de fomen-             PHARMACIA BRASILEIRA -
        a se fortalecer?                            to e nas universidades, ainda há pre-         Comunicação e interdisciplinaridade
              Divaldo Lyra Júnior - A bem da        conceito com a área clínico-humanísti-        têm algo em comum?
        verdade, os profissionais não vêm           ca. Estou dizendo que no modelo tec-               Divaldo Lyra Júnior - O farma-
        sendo formados com os conhecimen-           nicista o foco de atuação é o medica-         cêutico passou muito tempo fora do
        tos humanísticos necessários ao de-         mento e, no clínico-humanístico, por          contato com o paciente. Isso, de um
        senvolvimento das habilidades de            outro lado, é o paciente. Dentro deste        certo modo, criou barreiras, atrofiando
        comunicação. Em meu ponto de vis-           contexto, o farmacêutico volta a se re-       as suas habilidades de comunicação
        ta, tanto as farmácias do SUS, quan-        conhecer como profissional de saúde,          com o paciente. Integração com outros
        to as farmácias-escola deveriam ser         o que tem um impacto social importan-         profissionais de saúde que praticam
        melhor utilizados para a vivência da        te para a população.                          esses cuidados, no seu dia-a-dia, pode
        realidade social e para a prática da              Na situação atual, as reformas cur-     minimizar essas barreiras e facilitar o
        comunicação com o paciente. O co-           riculares ainda estão acontecendo, de         processo de relação terapêutica.
        nhecimento teórico é fundamental,           uma forma muito tímida, o que, sem                 Só para exemplificar, em 2003, a
        mas a prática é vital.                      dúvida, não está privilegiando o de-          Associação Americana dos Farmacêu-
              PHARMACIA BRASILEIRA - O              senvolvimento dos conhecimentos e             ticos do Sistema de Saúde se aliou à

                                                                      Pharmacia Brasileira - Janeiro/Fevereiro 2005                           7
“A bem da
       verdade, os                                   ENTREVISTA / DIVALDO LYRA JÚNIOR
farmacêuticos não
        vêm sendo             Associação de              Ele sempre terá uma vivência e é       que regulamentações, nesta área, são
 formados com os              Enfermeiros da-      ela que pesa, nesse momento de ques-         sujeitas à burla, principalmente, por que
   conhecimentos              quele País, com      tionamento. Trinta por cento dos pro-        a indústria farmacêutica não entende
                              o objetivo de        blemas relacionados aos medicamen-           que os medicamentos são instrumen-
     humanísticos
                              aperfeiçoar as       tos (PRM), no meu estudo, foram iden-        tos de saúde e não bens de consumo.
    necessários ao            habilidades do       tificados pelos próprios pacientes. Es-      Enquanto isto não acontece, o farma-
  desenvolvimento             farmacêutico em      ses números são superiores a um tra-         cêutico tem um papel determinante na
das habilidades de            cuidar do paci-      balho semelhante, realizado, na Sué-         orientação correta aos pacientes, na mi-
                              ente, obviamen-      cia, onde os níveis cultural e de infor-     nimização das dúvidas causadas pe-
comunicação com               te, dando a de-      mação da população são muito altos.          los meios de comunicação e na redu-
      o paciente”.            vida importância     Lá, eles usaram a intervenção mais tec-      ção dos problemas relacionados aos
                              à comunicação.       nicista e eu, um tipo de intervenção         medicamentos.
                                      PHAR-        que visa à autonomia do paciente e                 PHARMACIA BRASILEIRA - O
    MACIA BRASILEIRA - Os estudiosos               estimula o auto-cuidado do paciente.         que mais chamou a sua atenção com
    afirmam que o paciente de hoje é muito               PHARMACIA BRASILEIRA -                 resultado dos seus estudos?
    mais bem informado sobre a sua pró-            Como o senhor avalia essas informa-                Divaldo Lyra Júnior - Que o far-
    pria saúde, que os de algum tempo              ções sobre saúde que são transmiti-          macêutico tem que estar muito bem
    atrás, devido ao seu acesso fácil aos          das ao cidadão pelos jornais, revistas,      preparado para a nova realidade que
    meios de comunicação. Isso altera para         rádio, televisão, Internet, certos livros,   se lhe apresenta e que o paciente pode
    melhor a comunicação desse paciente            outdoors etc.?                               ser um aliado importante na manuten-
    com farmacêutico?                                    Divaldo Lyra Júnior – Sem dúvi-        ção da saúde.
          Divaldo Lyra Júnior - Apesar da          da, este é um problema muito comple-               PHARMACIA BRASILEIRA -
    facilidade de acesso à informação e do         xo, visto que as informações transmiti-      Onde o farmacêutico mais erra, quan-
    maior auto-cuidado por parte do paci-          das por estes meios de comunicação           do está se comunicando com o paci-
    ente, ainda, há muitas lacunas em sua          são de qualidade duvidosa e, na maio-        ente? Onde mais acerta?
    troca de informações. A principal de-          ria das vezes, tendenciosas. Em geral,             Divaldo Lyra Júnior - Como a
    las está ligada à falta de preparação do       tais informações criam uma ilusão so-        maioria dos profissionais de saúde, o
    profissional com relação ao entendi-           bre os medicamentos, fazendo os usu-         farmacêutico costuma errar, ao não es-
    mento das necessidades, preocupa-              ários pensarem que se estes não fize-        cutar o que o paciente tem a dizer, ou
    ções, angústias, história de vida e as-        rem bem, mal também não farão. Como          seja, não valoriza as informações for-
    pectos culturais desses pacientes.             conseqüência, há um estímulo à auto-         necidas pelos pacientes. É importante
          O paciente, por mais bem informa-        medicação e ao uso indiscriminado de         esclarecer que ouvir é diferente de es-
    da que seja, terá sempre dúvidas sobre         medicamentos.                                cutar. Ouvir é captar ou perceber os
    o seu tratamento e que, por muitas ve-               Entretanto, observamos que, na         sons, enquanto que escutar é ouvir, com
    zes, não são expostos, por razões cultu-       realidade, os medicamentos são os prin-      atenção, com interesse, buscando real-
    rais ou religiosas, entre outras. Cabe, por-   cipais causadores de intoxicações, no        mente tentar dirimir todas as suas dúvi-
    tanto, ao farmacêutico facilitar o diálo-      País, desde 1996. Muito embora esta          das e encontrar soluções que sejam apli-
    go com o paciente e explorar o máximo          temática tenha sido bastante discuti-        cáveis à realidade de
    possível as suas dúvidas.                      da, no início da década passada, com a       cada paciente.
          PHARMACIA BRASILEIRA – O                 produção de uma literatura consisten-              Para tanto, o
    senhor está dizendo que a comunica-            te e esclarecedora, e a Anvisa tenha         farmacêutico deve
                                                                                                                             “Na verdade, a
    ção independe do nível de informação           feito algumas incursões, no sentido          procurar entender            gente está
    do paciente?                                   regulamentar a propaganda, promoção          quais as reais neces-        vivendo um
          Divaldo Lyra Júnior - O conheci-         e informação sobre os medicamentos           sidades e preocupa-          momento político
    mento vivido do paciente, na maioria           nos meios de comunicação, não há             ções de cada pacien-
    das vezes, já o faz ter uma percepção          como prever mudanças significativas          te, respeitando o ser        propício a
    dos seus problemas relacionados aos            neste setor, em curto prazo.                 individual, seu nível        mudanças. Faz
    medicamentos que lhe causam danos                    Para ser sincero, acredito que,        de escolaridade, a           uns oito anos
    à saúde e as metas a serem alcança-            devido ao grande prejuízo que estas          sua cultura e histó-
    das. Ninguém deve duvidar que o pa-            propagandas causam à saúde da po-            ria de vida. O pacien-
                                                                                                                             que estamos
    ciente, mesmo aquele que não tem aces-         pulação e ao sistema de saúde, com           te, por sua vez, que         vivenciando um
    so a informações originadas de livros          um número absurdo de hospitaliza-            percebe que o farma-         momento de
    ou de meios de comunicação de mas-             ções, elas deveriam ser proibidas, como      cêutico não está pre-
    sa, sabe questionar sobre a sua saúde.         foi feito com o cigarro. Acho isso, por      ocupado com a sua
                                                                                                                             recuperação do
                                                                                                                          papel social do
    8                         Pharmacia Brasileira - Janeiro/Fevereiro 2005                                               farmacêutico”.
“O farmacêutico
                                                       ENTREVISTA / DIVALDO LYRA JÚNIOR                                     passou muito
                                                                                                                            tempo fora do
                                                                                                                            contato com o
                                                            PHARMACIA BRASILEIRA -                  mas de uma re-          paciente. Isso
                                                      Esses erros refletem diretamente em           lação terapêuti-
                                                      que aspecto do tratamento? Pode dar           ca, construída          criou barreiras,
                                                      um exemplo?                                   pelo farmacêuti-        atrofiando as
                                                            Divaldo Lyra Júnior - Em minha          co e o paciente,        suas habilidades
                                                      pesquisa, eu atendi idosos que apre-          baseada nos pi-
                                                      sentaram uma média de quatro doen-            lares do respei-
                                                                                                                            de comunicação
                                                      ças e que usaram cerca de nove medi-          to mútuo, no            com o paciente. A
                 Dr. Divaldo orienta paciente idosa   camentos, concomitantemente. Então,           vínculo de con-         integração com
                                                      se eu olhasse isoladamente uma única          fiança, na igual-       outros
melhora, sente-se inibido a perguntar                 doença, e não o paciente como um              dade de papéis
e, em alguns casos, permanece com dú-                 todo, não conseguiria perceber o seu          e na troca con-         profissionais de
vidas importantes que podem ter vin-                  contexto.                                     tínua de experi-        saúde que
do do consultório médico, sobre o uso                       Por exemplo, quando um pacien-          ências. O farma-        praticam esses
ou o armazenamento correto dos me-                    te chega à farmácia com hipertensão, a        cêutico passa a
dicamentos.                                           atitude normal do profissional é tentar       ter uma preocu-         cuidados pode
      Portanto, o farmacêutico deve ser,              persuadi-lo a aderir ao tratamento anti-      pação sincera           minimizar essas
mais que um clínico, um educador em                   hipertensivo prescrito, sem procurar,         pelo paciente,          barreiras”.
saúde e um amigo do paciente. Neste                   na maioria das vezes, saber quais as          sentido-se ver-
sentido, é importante fustigar sempre                 verdadeiras razões que o fizeram não          dadeiramente
os pacientes, para que esgotem todas                  tomar seus medicamentos.                      responsável pela sua saúde e por sua
as suas dúvidas, pois todas as pergun-                      Às vezes, um efeito colateral,          qualidade de vida. Em suma, esta rela-
tas são importantes para o uso correto                como a impotência sexual causada por          ção é humanizada e “rola” sentimento.
dos medicamentos e para a manuten-                    medicamento que efetivamente contro-                PHARMACIA BRASILEIRA - O
ção da boa saúde.                                     la a sua pressão arterial, pode ter con-      que um farmacêutico jamais deve deixar
      Muitos colegas acertam, ao ten-                 seqüências graves em sua vida conju-          de fazer, com vistas a estabelecer uma
tar, em suas farmácias, mesmo sem                     gal e na sua auto-estima. Ao entender         comunicação proveitosa com o pacien-
qualquer tipo de formação, realizar es-               o seu contexto, o farmacêutico pode           te? E o que é imprescindível fazer?
tes processos de comunicação com os                   tentar conscientizar o paciente sobre a             Divaldo Lyra Júnior - Além de
pacientes. A população está muito ca-                 importância de relatar os problemas de        escutá-lo, como já falei anteriormente,
rente de informações, e tentar estabe-                saúde que o afligem, ao invés de agir         deve tentar falar a sua língua, quer di-
lecer a comunicação com o paciente é                  deliberadamente, sem orientação.              zer proporcionar o máximo de informa-
uma atitude importantíssima para a                          Pude observar que esta troca de         ções possíveis, empregando palavras
manutenção e promoção da saúde.                       informações pode ser tão importante,          e expressões compatíveis à realidade
      Entretanto, creio que a comuni-                 quanto a maioria dos medicamentos             de cada paciente. Pude perceber que
cação adequada é um processo muito                    prescritos. Explicando melhor, o farma-       quando os profissionais de saúde (in-
mais complexo que se imagina e que                    cêutico e o paciente podem formar uma         cluindo o farmacêutico) empregaram a
não deve ser realizado apenas instinti-               aliança sólida, fundamentada nos co-          linguagem fundamentada em aspectos
vamente, ou seja, os profissionais ne-                nhecimentos científico e empírico, res-       técnico-científicos, muito pouco foi
cessitam, cada vez mais, de se aperfei-               pectivamente, para discutir, por exem-        compreendido pelos pacientes.
çoar para prestar um serviço inovador                 plo, com o médico a substituição do                 Segundo os mesmos, este tipo de
e que atenda às reais demandas da                     medicamento que causa o problema.             linguagem é incompreensível para a
população.                                                  Após um ano de trabalho, esta           suas realidades. O que é pior e que, em
      Em meu ponto de vista, este aper-               aliança (ou relação) resolveu cerca de        determinadas situações, a compreen-
feiçoamento não deve ser restrito uni-                75% dos problemas relacionados aos            são inadequada pode causar proble-
camente à teoria, mas necessariamen-                  medicamentos identificados. Inclusive,        mas sérios de saúde. Por exemplo, uma
te aplicado à prática. Além disso, en-                os prescritores aceitaram 86% das in-         paciente relatou que estava usando um
tendo que os processos de comunica-                   tervenções, proporcionando aos ido-           determinado anti-hipertensivo e não
ção que fundamentarão as relações                     sos mais segurança e confiança no seu         estava sentindo-se bem. Perguntei,
farmacêutico-paciente devem ser hu-                   conhecimento. Além disso, 87% dos             então, o por quê do uso do medica-
manizados, não podendo ser proces-                    idosos apresentaram redução em sua            mento, já que a mesma apresentava
sos mecânicos e “desprovidos de sen-                  pressão arterial.                             naturalmente hipotensão.
timentos”. Caso contrário, continuare-                      Os resultados obtidos não foram               Pois bem, o problema é que o
mos a cometer os mesmos erros.                        fruto de mais um processo mecânico,           marido falou para ela que o medicamen-

                                                                        Pharmacia Brasileira - Janeiro/Fevereiro 2005                     9
ENTREVISTA / DIVALDO LYRA JÚNIOR                                                      INTERNACIONAL



       to era muito bom para a pressão. Ou
       seja, alta ou baixa, para um leigo, é um
       mero detalhe. Por essa razão, é neces-
                                                                                  Fepafar volta a
       sário que o farmacêutico sempre con-
       firme o entendimento do paciente, pe-
       dindo ao mesmo que repita todas as
                                                                                 discutir atenção
                                                                               farmacêutica nas
       orientações fornecidas. Este procedi-
       mento é indispensável para ratificar a
       compreensão, haja vista que os ido-
       sos também apresentam déficits audi-


                                                                                        Américas
       tivos e visuais que, de algum modo,
       podem ser barreiras no processo de
       comunicação.
             Nos casos em que alguns paci-
       entes apresentaram déficits cognitivos
       (como o esquecimento), comuns em                                                                    Vice-presidente do CFF,
       muitos idosos, foi necessário comple-                                                               Edson Taki, participou
       mentar as orientações com informa-
       ções escritas. Para isso, elaboramos                                                                da reunião da Fepafar
                            materiais individu-
                            alizados que res-
 “O farmacêutico            peitassem as ne-
    deve procurar           cessidades de cada                                                                  O Vice-presidente do Con-
   entender quais           indivíduo, com as                                                                selho Federal de Farmácia
                            informações refe-                                                                (CFF), Edson Chigueru Taki,
           as reais         rentes às dúvidas                                                                participou, em Santo Domin-
   necessidades e           mais freqüentes do                                                               go, na República Dominica-
 preocupações de            paciente, como,                                                                  na, no dia 17 de março, da
                            por exemplo, a fun-
   cada paciente,           ção de cada um dos
                                                                                                             reunião da Executiva da Fe-
respeitando o ser           medicamentos utili-
                                                                                                             deração Pan-americana de
                                                                                                             Farmácia (Fepafar). A imple-
  individual, seu           zados, seus riscos
                            e até o local ade-                                                               mentação da atenção farma-
           nível de                                                                                          cêutica, nos países latinos,
                            quado de armaze-
  escolaridade, a           namento.                                                                         voltou a fazer parte dos de-
    sua cultura e              Por outro lado,                                                               bates da entidade.
história de vida”.          apesar de que sa-                                                                   O Dr. Edson Taki, que par-
                            ber que uma sala                              Vice-presidente do CFF, Edson Taki
                                                                                                             ticipou da reunião, represen-
                            privativa ainda não                                                              tando o CFF e os farmacêu-
       seja comum, na maioria dos ambientes
                                                                     ticos brasileiros, informa que a Fepafar irá passar por uma
       de prática profissional, em nosso País,
       acredito que o ambiente privativo ade-
                                                                     reestruturação orgânica, momento que as novas ações da
       quado e a atmosfera do atendimento                            entidade serão rediscutidas, com vistas a dar maior objeti-
       sejam determinantes para a construção                         vidade às mesmas e a buscar conseqüências positivas para
       das relações de confiança entre o far-                        os profissionais, principalmente da América Latina.
       macêutico e o paciente. Logo, temos                                   Durante o evento, decidiu-se que o próximo Con-
       que tomar novas posturas, buscar for-                         gresso da Fepafar será realizado, na Cidade do México
       mação e exigir a estrutura adequada                           (México), na última semana de novembro de 2006. “Que-
       para conquistarmos este espaço, pois                          remos aprofundar as discussões sobre as ações possí-
       a população se ressente da falta desse                        veis da entidade para os países americanos e elaborar
       “novo profissional” nas farmácias, am-
                                                                     programas factíveis, principalmente na área do intercâm-
       bulatórios e hospitais. Se não tomar-
       mos uma atitude, outros profissionais
                                                                     bio científico entre os profissionais”, concluiu o Vice-
       poderão ocupar o nosso lugar.                                 presidente do CFF.

       10                      Pharmacia Brasileira - Janeiro/Fevereiro 2005

Mais conteúdo relacionado

Destaque

Transformación digital de Arte Granda por s|ngular en eCommBeers
Transformación digital de Arte Granda por s|ngular en eCommBeersTransformación digital de Arte Granda por s|ngular en eCommBeers
Transformación digital de Arte Granda por s|ngular en eCommBeerssngular
 
Business anthropology: a lever for innovation. 2012
Business anthropology: a lever for innovation. 2012Business anthropology: a lever for innovation. 2012
Business anthropology: a lever for innovation. 2012Joan Vinyets
 
PAISAJE BPMS 2012 - 2014
PAISAJE BPMS 2012 - 2014PAISAJE BPMS 2012 - 2014
PAISAJE BPMS 2012 - 2014Kay Winkler
 
Design fax 971 | Les gros mots du design | I don't like your design
Design fax 971 | Les gros mots du design | I don't like your designDesign fax 971 | Les gros mots du design | I don't like your design
Design fax 971 | Les gros mots du design | I don't like your designChristophe Chaptal de Chanteloup
 
Shooting Schedule
Shooting ScheduleShooting Schedule
Shooting ScheduleJamesAllann
 
Make-A-Wish Atlantic Prov Golf Info Pkg
Make-A-Wish Atlantic Prov Golf Info PkgMake-A-Wish Atlantic Prov Golf Info Pkg
Make-A-Wish Atlantic Prov Golf Info Pkgmawap
 
Amphenol LTW M12 Screw Terminal Connector
Amphenol LTW M12 Screw Terminal ConnectorAmphenol LTW M12 Screw Terminal Connector
Amphenol LTW M12 Screw Terminal ConnectorAmphenol LTW
 
Riwago cambiario
Riwago cambiarioRiwago cambiario
Riwago cambiarioRosa Lozano
 
Trabajo Laser Nd Yag Anual 2008 Faddy Grater 2 30pm
Trabajo Laser  Nd Yag  Anual 2008  Faddy Grater 2 30pmTrabajo Laser  Nd Yag  Anual 2008  Faddy Grater 2 30pm
Trabajo Laser Nd Yag Anual 2008 Faddy Grater 2 30pmPiel Latinoamericana
 
Creciendo en familia 2da. Escuela de Padres
Creciendo en familia 2da. Escuela de PadresCreciendo en familia 2da. Escuela de Padres
Creciendo en familia 2da. Escuela de PadresCeci Gadea
 
ICEHOTEL Magazine 2009
ICEHOTEL Magazine 2009ICEHOTEL Magazine 2009
ICEHOTEL Magazine 2009Icehotel
 
WRITTEN ENGLISH COMMUNICATION 2
WRITTEN ENGLISH COMMUNICATION 2WRITTEN ENGLISH COMMUNICATION 2
WRITTEN ENGLISH COMMUNICATION 2Luciano Renteria
 
Declaraciones del SRI por ALEXANDRA TASHIGUANO
Declaraciones del SRI por ALEXANDRA TASHIGUANODeclaraciones del SRI por ALEXANDRA TASHIGUANO
Declaraciones del SRI por ALEXANDRA TASHIGUANOalexandratashiguano
 
Championing the Cause: Bridging State Policy and Practice in K-12 OER (Open E...
Championing the Cause: Bridging State Policy and Practice in K-12 OER (Open E...Championing the Cause: Bridging State Policy and Practice in K-12 OER (Open E...
Championing the Cause: Bridging State Policy and Practice in K-12 OER (Open E...Sara Frank Bristow
 

Destaque (20)

Transformación digital de Arte Granda por s|ngular en eCommBeers
Transformación digital de Arte Granda por s|ngular en eCommBeersTransformación digital de Arte Granda por s|ngular en eCommBeers
Transformación digital de Arte Granda por s|ngular en eCommBeers
 
Business anthropology: a lever for innovation. 2012
Business anthropology: a lever for innovation. 2012Business anthropology: a lever for innovation. 2012
Business anthropology: a lever for innovation. 2012
 
PAISAJE BPMS 2012 - 2014
PAISAJE BPMS 2012 - 2014PAISAJE BPMS 2012 - 2014
PAISAJE BPMS 2012 - 2014
 
Transmodal 2012 04 msc bilbao pilar saracho
Transmodal 2012 04  msc bilbao  pilar sarachoTransmodal 2012 04  msc bilbao  pilar saracho
Transmodal 2012 04 msc bilbao pilar saracho
 
Design fax 971 | Les gros mots du design | I don't like your design
Design fax 971 | Les gros mots du design | I don't like your designDesign fax 971 | Les gros mots du design | I don't like your design
Design fax 971 | Les gros mots du design | I don't like your design
 
Shooting Schedule
Shooting ScheduleShooting Schedule
Shooting Schedule
 
Make-A-Wish Atlantic Prov Golf Info Pkg
Make-A-Wish Atlantic Prov Golf Info PkgMake-A-Wish Atlantic Prov Golf Info Pkg
Make-A-Wish Atlantic Prov Golf Info Pkg
 
Iii uniddad estructuras lineales
Iii uniddad estructuras linealesIii uniddad estructuras lineales
Iii uniddad estructuras lineales
 
Amphenol LTW M12 Screw Terminal Connector
Amphenol LTW M12 Screw Terminal ConnectorAmphenol LTW M12 Screw Terminal Connector
Amphenol LTW M12 Screw Terminal Connector
 
Senator Cargo News 1 2010
Senator Cargo News 1 2010Senator Cargo News 1 2010
Senator Cargo News 1 2010
 
Riwago cambiario
Riwago cambiarioRiwago cambiario
Riwago cambiario
 
Trabajo Laser Nd Yag Anual 2008 Faddy Grater 2 30pm
Trabajo Laser  Nd Yag  Anual 2008  Faddy Grater 2 30pmTrabajo Laser  Nd Yag  Anual 2008  Faddy Grater 2 30pm
Trabajo Laser Nd Yag Anual 2008 Faddy Grater 2 30pm
 
Business Transformation: 5 Steps to Growth
Business Transformation: 5 Steps to GrowthBusiness Transformation: 5 Steps to Growth
Business Transformation: 5 Steps to Growth
 
7 grupo mito caverna 2
7 grupo mito caverna 27 grupo mito caverna 2
7 grupo mito caverna 2
 
Creciendo en familia 2da. Escuela de Padres
Creciendo en familia 2da. Escuela de PadresCreciendo en familia 2da. Escuela de Padres
Creciendo en familia 2da. Escuela de Padres
 
ICEHOTEL Magazine 2009
ICEHOTEL Magazine 2009ICEHOTEL Magazine 2009
ICEHOTEL Magazine 2009
 
Presentación uk benidorm
Presentación uk benidormPresentación uk benidorm
Presentación uk benidorm
 
WRITTEN ENGLISH COMMUNICATION 2
WRITTEN ENGLISH COMMUNICATION 2WRITTEN ENGLISH COMMUNICATION 2
WRITTEN ENGLISH COMMUNICATION 2
 
Declaraciones del SRI por ALEXANDRA TASHIGUANO
Declaraciones del SRI por ALEXANDRA TASHIGUANODeclaraciones del SRI por ALEXANDRA TASHIGUANO
Declaraciones del SRI por ALEXANDRA TASHIGUANO
 
Championing the Cause: Bridging State Policy and Practice in K-12 OER (Open E...
Championing the Cause: Bridging State Policy and Practice in K-12 OER (Open E...Championing the Cause: Bridging State Policy and Practice in K-12 OER (Open E...
Championing the Cause: Bridging State Policy and Practice in K-12 OER (Open E...
 

Semelhante a Comunicacao no atendimento a pacientes

PLANO DE NEGÓCIO: IMPLANTAÇÃO DA DINAMIZAR FARMÁCIA DE HOMEOPATIA NA CIDADE D...
PLANO DE NEGÓCIO: IMPLANTAÇÃO DA DINAMIZAR FARMÁCIA DE HOMEOPATIA NA CIDADE D...PLANO DE NEGÓCIO: IMPLANTAÇÃO DA DINAMIZAR FARMÁCIA DE HOMEOPATIA NA CIDADE D...
PLANO DE NEGÓCIO: IMPLANTAÇÃO DA DINAMIZAR FARMÁCIA DE HOMEOPATIA NA CIDADE D...Eleazar Isava
 
Enfermeiro atribuições legais-psf
Enfermeiro atribuições legais-psfEnfermeiro atribuições legais-psf
Enfermeiro atribuições legais-psfEnfermare Home Care
 
Equipe multiprofissional de saúde
Equipe multiprofissional de saúdeEquipe multiprofissional de saúde
Equipe multiprofissional de saúdenaiellyrodrigues
 
Atenção farmacêutica teoria e prática um diálogo possível
Atenção farmacêutica   teoria e prática um diálogo possívelAtenção farmacêutica   teoria e prática um diálogo possível
Atenção farmacêutica teoria e prática um diálogo possívelNemesio Silva
 
PromoçãO, ProtecçãO E Apoio. Apoio RepresentaçõEs Sociais Em Aleitamento Materno
PromoçãO, ProtecçãO E Apoio. Apoio RepresentaçõEs Sociais Em Aleitamento MaternoPromoçãO, ProtecçãO E Apoio. Apoio RepresentaçõEs Sociais Em Aleitamento Materno
PromoçãO, ProtecçãO E Apoio. Apoio RepresentaçõEs Sociais Em Aleitamento MaternoBiblioteca Virtual
 
Os desafios da profissão farmacêutica
Os desafios da profissão farmacêuticaOs desafios da profissão farmacêutica
Os desafios da profissão farmacêuticaLeonara Rezende
 
Case Young Lions 2016 - Cuidar de você. Essa é a atitude - Bruno Facundes
Case Young Lions 2016 - Cuidar de você. Essa é a atitude - Bruno FacundesCase Young Lions 2016 - Cuidar de você. Essa é a atitude - Bruno Facundes
Case Young Lions 2016 - Cuidar de você. Essa é a atitude - Bruno FacundesBruno Facundes
 
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mamaFarmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mamaTCC_FARMACIA_FEF
 
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mamaFarmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mamaTCC_FARMACIA_FEF
 
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mamaFarmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mamaTCC_FARMACIA_FEF
 
Anais Fórum Saúde Mental Infantojuveni
Anais  Fórum Saúde Mental InfantojuveniAnais  Fórum Saúde Mental Infantojuveni
Anais Fórum Saúde Mental InfantojuveniCENAT Cursos
 
habilidades comunicativas em saúde
 habilidades comunicativas em saúde habilidades comunicativas em saúde
habilidades comunicativas em saúdeFrancisca Maria
 
Comunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidado
Comunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidadoComunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidado
Comunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidadoGabriela Montargil
 
A Importância Da Relação Médico Versao Explicita
A Importância Da Relação Médico Versao ExplicitaA Importância Da Relação Médico Versao Explicita
A Importância Da Relação Médico Versao ExplicitaJosiane M F Tonelotto
 

Semelhante a Comunicacao no atendimento a pacientes (20)

PLANO DE NEGÓCIO: IMPLANTAÇÃO DA DINAMIZAR FARMÁCIA DE HOMEOPATIA NA CIDADE D...
PLANO DE NEGÓCIO: IMPLANTAÇÃO DA DINAMIZAR FARMÁCIA DE HOMEOPATIA NA CIDADE D...PLANO DE NEGÓCIO: IMPLANTAÇÃO DA DINAMIZAR FARMÁCIA DE HOMEOPATIA NA CIDADE D...
PLANO DE NEGÓCIO: IMPLANTAÇÃO DA DINAMIZAR FARMÁCIA DE HOMEOPATIA NA CIDADE D...
 
Farmácia Integrada 2009
Farmácia Integrada 2009Farmácia Integrada 2009
Farmácia Integrada 2009
 
Enfermeiro atribuições legais-psf
Enfermeiro atribuições legais-psfEnfermeiro atribuições legais-psf
Enfermeiro atribuições legais-psf
 
Equipe multiprofissional de saúde
Equipe multiprofissional de saúdeEquipe multiprofissional de saúde
Equipe multiprofissional de saúde
 
Atenção farmacêutica teoria e prática um diálogo possível
Atenção farmacêutica   teoria e prática um diálogo possívelAtenção farmacêutica   teoria e prática um diálogo possível
Atenção farmacêutica teoria e prática um diálogo possível
 
Comunicação 03
Comunicação 03Comunicação 03
Comunicação 03
 
PromoçãO, ProtecçãO E Apoio. Apoio RepresentaçõEs Sociais Em Aleitamento Materno
PromoçãO, ProtecçãO E Apoio. Apoio RepresentaçõEs Sociais Em Aleitamento MaternoPromoçãO, ProtecçãO E Apoio. Apoio RepresentaçõEs Sociais Em Aleitamento Materno
PromoçãO, ProtecçãO E Apoio. Apoio RepresentaçõEs Sociais Em Aleitamento Materno
 
Os desafios da profissão farmacêutica
Os desafios da profissão farmacêuticaOs desafios da profissão farmacêutica
Os desafios da profissão farmacêutica
 
Case Young Lions 2016 - Cuidar de você. Essa é a atitude - Bruno Facundes
Case Young Lions 2016 - Cuidar de você. Essa é a atitude - Bruno FacundesCase Young Lions 2016 - Cuidar de você. Essa é a atitude - Bruno Facundes
Case Young Lions 2016 - Cuidar de você. Essa é a atitude - Bruno Facundes
 
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mamaFarmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
 
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mamaFarmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
 
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mamaFarmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
Farmacologia e farmacovigilância relacionadas ao câncer da mama
 
Anais Fórum Saúde Mental Infantojuveni
Anais  Fórum Saúde Mental InfantojuveniAnais  Fórum Saúde Mental Infantojuveni
Anais Fórum Saúde Mental Infantojuveni
 
habilidades comunicativas em saúde
 habilidades comunicativas em saúde habilidades comunicativas em saúde
habilidades comunicativas em saúde
 
Comunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidado
Comunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidadoComunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidado
Comunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidado
 
Farmacêutico para quê
Farmacêutico para quêFarmacêutico para quê
Farmacêutico para quê
 
ALEITAMENTO MATERNO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA / TCC
ALEITAMENTO MATERNO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA / TCC ALEITAMENTO MATERNO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA / TCC
ALEITAMENTO MATERNO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA / TCC
 
A Importância Da Relação Médico Versao Explicita
A Importância Da Relação Médico Versao ExplicitaA Importância Da Relação Médico Versao Explicita
A Importância Da Relação Médico Versao Explicita
 
Revista cremerj
Revista cremerjRevista cremerj
Revista cremerj
 
Relação médico paciente
Relação médico pacienteRelação médico paciente
Relação médico paciente
 

Mais de DESENVOLVA CONSULTORIA

As farmácias estão perdendo oportunidades
As farmácias estão perdendo oportunidadesAs farmácias estão perdendo oportunidades
As farmácias estão perdendo oportunidadesDESENVOLVA CONSULTORIA
 
Informalidade na compra de medicamentos
Informalidade na compra de medicamentosInformalidade na compra de medicamentos
Informalidade na compra de medicamentosDESENVOLVA CONSULTORIA
 
A Importância de evitar a ruptura de estoque
A Importância de evitar a ruptura de estoqueA Importância de evitar a ruptura de estoque
A Importância de evitar a ruptura de estoqueDESENVOLVA CONSULTORIA
 
Rdc 19 2011 - dispõe sobre a inclusão, retificação e exclusão de denominações...
Rdc 19 2011 - dispõe sobre a inclusão, retificação e exclusão de denominações...Rdc 19 2011 - dispõe sobre a inclusão, retificação e exclusão de denominações...
Rdc 19 2011 - dispõe sobre a inclusão, retificação e exclusão de denominações...DESENVOLVA CONSULTORIA
 
Rdc 20 2011 - dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias c...
Rdc 20 2011 - dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias c...Rdc 20 2011 - dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias c...
Rdc 20 2011 - dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias c...DESENVOLVA CONSULTORIA
 
Apresentação desenvolva consultoria treinamento
Apresentação desenvolva consultoria  treinamentoApresentação desenvolva consultoria  treinamento
Apresentação desenvolva consultoria treinamentoDESENVOLVA CONSULTORIA
 
Apresentação desenvolva consultoria treinamento
Apresentação desenvolva consultoria  treinamentoApresentação desenvolva consultoria  treinamento
Apresentação desenvolva consultoria treinamentoDESENVOLVA CONSULTORIA
 

Mais de DESENVOLVA CONSULTORIA (20)

Ruptura de estoque na Farmácia
Ruptura de estoque na FarmáciaRuptura de estoque na Farmácia
Ruptura de estoque na Farmácia
 
Desenvolva Consultoria
Desenvolva ConsultoriaDesenvolva Consultoria
Desenvolva Consultoria
 
As farmácias estão perdendo oportunidades
As farmácias estão perdendo oportunidadesAs farmácias estão perdendo oportunidades
As farmácias estão perdendo oportunidades
 
Informalidade na compra de medicamentos
Informalidade na compra de medicamentosInformalidade na compra de medicamentos
Informalidade na compra de medicamentos
 
Nova ST para farmácias
Nova ST para farmácias Nova ST para farmácias
Nova ST para farmácias
 
Guia da farmácia artigo sobre metas
Guia da farmácia artigo sobre metasGuia da farmácia artigo sobre metas
Guia da farmácia artigo sobre metas
 
Atualizações quanto ao simples 2011
Atualizações quanto ao simples 2011Atualizações quanto ao simples 2011
Atualizações quanto ao simples 2011
 
A Importância de evitar a ruptura de estoque
A Importância de evitar a ruptura de estoqueA Importância de evitar a ruptura de estoque
A Importância de evitar a ruptura de estoque
 
Gestão de estoque farmácias
Gestão de estoque farmáciasGestão de estoque farmácias
Gestão de estoque farmácias
 
Rdc 19 2011 - dispõe sobre a inclusão, retificação e exclusão de denominações...
Rdc 19 2011 - dispõe sobre a inclusão, retificação e exclusão de denominações...Rdc 19 2011 - dispõe sobre a inclusão, retificação e exclusão de denominações...
Rdc 19 2011 - dispõe sobre a inclusão, retificação e exclusão de denominações...
 
Dou rdc 20 2011 2
Dou rdc 20 2011 2Dou rdc 20 2011 2
Dou rdc 20 2011 2
 
Dou rdc 19 2011
Dou rdc 19 2011Dou rdc 19 2011
Dou rdc 19 2011
 
Dou rdc 19 2011 2
Dou rdc 19 2011 2Dou rdc 19 2011 2
Dou rdc 19 2011 2
 
Rdc 20 2011 - dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias c...
Rdc 20 2011 - dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias c...Rdc 20 2011 - dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias c...
Rdc 20 2011 - dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias c...
 
Como calcular a st nova
Como calcular a st novaComo calcular a st nova
Como calcular a st nova
 
Rdc 44 26 10 2010 antibioticos
Rdc 44 26 10 2010 antibioticosRdc 44 26 10 2010 antibioticos
Rdc 44 26 10 2010 antibioticos
 
Apresentação DESENVOLVA
Apresentação DESENVOLVA Apresentação DESENVOLVA
Apresentação DESENVOLVA
 
Apresentação desenvolva consultoria treinamento
Apresentação desenvolva consultoria  treinamentoApresentação desenvolva consultoria  treinamento
Apresentação desenvolva consultoria treinamento
 
Apresentação desenvolva consultoria treinamento
Apresentação desenvolva consultoria  treinamentoApresentação desenvolva consultoria  treinamento
Apresentação desenvolva consultoria treinamento
 
Apresentação Desenvolva Industria
Apresentação Desenvolva IndustriaApresentação Desenvolva Industria
Apresentação Desenvolva Industria
 

Último

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE - ENDOLASER
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE - ENDOLASERTERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE - ENDOLASER
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE - ENDOLASERCarlaDaniela33
 
AULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICAS
AULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICASAULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICAS
AULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICASArtthurPereira2
 
PSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.ppt
PSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.pptPSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.ppt
PSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.pptAlberto205764
 
Manual_Gestao e Administracao_III__Julho13_FINAL..pdf
Manual_Gestao e Administracao_III__Julho13_FINAL..pdfManual_Gestao e Administracao_III__Julho13_FINAL..pdf
Manual_Gestao e Administracao_III__Julho13_FINAL..pdfClivyFache
 
Enhanced recovery after surgery in neurosurgery
Enhanced recovery  after surgery in neurosurgeryEnhanced recovery  after surgery in neurosurgery
Enhanced recovery after surgery in neurosurgeryCarlos D A Bersot
 
CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR 011.pptx
CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR 011.pptxCONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR 011.pptx
CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR 011.pptxWenderSantos21
 
Medicina Legal.pdf jajahhjsjdjskdhdkdjdjdjd
Medicina Legal.pdf jajahhjsjdjskdhdkdjdjdjdMedicina Legal.pdf jajahhjsjdjskdhdkdjdjdjd
Medicina Legal.pdf jajahhjsjdjskdhdkdjdjdjdClivyFache
 
ENFERMAGEM - MÃ_DULO IV - ENFERMAGEM EM PACIENTES CRITICOS.pptx
ENFERMAGEM - MÃ_DULO IV - ENFERMAGEM EM PACIENTES CRITICOS.pptxENFERMAGEM - MÃ_DULO IV - ENFERMAGEM EM PACIENTES CRITICOS.pptx
ENFERMAGEM - MÃ_DULO IV - ENFERMAGEM EM PACIENTES CRITICOS.pptxcontatofelipearaujos
 
Sistema endocrino anatomia humana slide.pdf
Sistema endocrino anatomia humana slide.pdfSistema endocrino anatomia humana slide.pdf
Sistema endocrino anatomia humana slide.pdfGustavoWallaceAlvesd
 
eMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃO
eMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃOeMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃO
eMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃOMayaraDayube
 

Último (10)

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE - ENDOLASER
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE - ENDOLASERTERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE - ENDOLASER
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE - ENDOLASER
 
AULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICAS
AULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICASAULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICAS
AULA SOBRE SAMU, CONCEITOS E CARACTERICAS
 
PSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.ppt
PSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.pptPSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.ppt
PSORÍASE-Resumido.Diagnostico E Tratamento- aula.ppt
 
Manual_Gestao e Administracao_III__Julho13_FINAL..pdf
Manual_Gestao e Administracao_III__Julho13_FINAL..pdfManual_Gestao e Administracao_III__Julho13_FINAL..pdf
Manual_Gestao e Administracao_III__Julho13_FINAL..pdf
 
Enhanced recovery after surgery in neurosurgery
Enhanced recovery  after surgery in neurosurgeryEnhanced recovery  after surgery in neurosurgery
Enhanced recovery after surgery in neurosurgery
 
CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR 011.pptx
CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR 011.pptxCONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR 011.pptx
CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR 011.pptx
 
Medicina Legal.pdf jajahhjsjdjskdhdkdjdjdjd
Medicina Legal.pdf jajahhjsjdjskdhdkdjdjdjdMedicina Legal.pdf jajahhjsjdjskdhdkdjdjdjd
Medicina Legal.pdf jajahhjsjdjskdhdkdjdjdjd
 
ENFERMAGEM - MÃ_DULO IV - ENFERMAGEM EM PACIENTES CRITICOS.pptx
ENFERMAGEM - MÃ_DULO IV - ENFERMAGEM EM PACIENTES CRITICOS.pptxENFERMAGEM - MÃ_DULO IV - ENFERMAGEM EM PACIENTES CRITICOS.pptx
ENFERMAGEM - MÃ_DULO IV - ENFERMAGEM EM PACIENTES CRITICOS.pptx
 
Sistema endocrino anatomia humana slide.pdf
Sistema endocrino anatomia humana slide.pdfSistema endocrino anatomia humana slide.pdf
Sistema endocrino anatomia humana slide.pdf
 
eMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃO
eMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃOeMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃO
eMulti_Estratégia APRRESENTAÇÃO PARA DIVULGAÇÃO
 

Comunicacao no atendimento a pacientes

  • 1. ENTREVISTA / DIVALDO LYRA JÚNIOR COMUNICAÇÃO Tese de doutorado contém método que busca valorizar a conscientização e a PACIENTE/FARMACÊUTICO: autonomia do idoso como agente de sua um instrumento libertário e essencial no trabalho própria saúde do profissional e na promoção da saúde Pelo jornalista Aloísio Brandão, Editor desta revista O farmacêutico Divaldo Lyra Júnior não deixaria a sua Recife, à qual é apegadíssimo, não fosse para buscar conhecimentos na área que elegeu como a sua paixão profissional: a atenção farmacêutica. Foi parar em Ribeirão Preto (SP) em cujo campus da USP (Universidade de São Paulo) acaba de fazer o seu doutorado em comunicação entre o farmacêutico / paciente. A sua tese é um poço de argumentações teóricas e práticas profundas, complexas, modernas e instigantes. Divaldo passou um longo tempo, aplicando o método de comunicação que desenvolveu para a sua tese, ao qual adaptou o Método Paulo Freire de educação, nas intervenções que realizou junto aos pacien- tes idosos atendidos no SUS (Sistema Único de Saúde). O educador Paulo Freire elaborou um método de alfabetização libertário, humanístico e conectado à realidade do educando. Paulo Freire teria algo a colaborar com a atenção farmacêutica? Lyra Júnior prova que sim. O método que o farmacêutico desenvolveu busca valorizar a conscientização e a autonomia do idoso como agente de sua própria saúde. Nada mais alinhado ao pensamento do educador. Os resultados dos estudos de Lyra Júnior foram sur- preendentes e lhe deram a convicção de que a comunicação é um instrumento essencial no trabalho do farmacêutico e na promoção da saúde. O doutor Dival- do, entretanto, lamenta o fato de os farmacêuticos, a exemplo de outros profissi- onais da saúde, serem formados sem os conhecimentos humanísticos necessári- os ao desenvolvimento das habilidades de comunicação. Mas vê uma movimen- tação política muito grande, de oito anos para cá, sacudindo o ambiente farma- cêutico, com vistas a tirá-lo do limbo em que se encontrava e a pôr no centro da cena o que Divaldo aposta ser, não muito longe, a força da profissão, no Brasil: a atenção farmacêutica. Veja a entrevista. Farmacêutico Divaldo Lyra Júnior PHARMACIA BRASILEIRA - O atendidos no SUS (Sistema Único de agente de sua própria saúde. É, aí, que que o senhor deduziu com os seus es- Saúde). Paulo Freire entra, dando uma grande tudos sobre comunicação entre pro- PHARMACIA BRASILEIRA - O contribuição, pois o seu método bus- fissional de saúde / paciente? método de educação de Paulo Freire é ca uma maior independência do edu- Divaldo Lyra Júnior - O que deu algo libertário, humanístico e centrado cando, no caso o paciente idoso. para notar é que a comunicação é um na realidade do aprendiz. O que o se- Há uma condição essencial para instrumento essencial no trabalho do nhor conseguiu extrair desse método a boa comunicação do farmacêutico, farmacêutico e na promoção da saúde. para aplicar na comunicação farmacêu- que é a sua escuta ativa, que o permite O tipo de método que utilizei de comu- tico / paciente? entender a realidade do paciente. A nicação e educação ao paciente foi Divaldo Lyra Júnior – O que di- partir daí, o farmacêutico identifica os muito positivo em relação à maioria dos ferencia o modelo de intervenção far- pontos chave ou os problemas que trabalhos que encontrei na literatura macêutica que utilizei junto a pacien- mais preocupam o paciente. Em segui- do gênero. Nos meus estudos, eu adap- tes do SUS do tradicional foi o tipo de da, se faz uma análise da situação, com tei o Método Paulo Freire nas inter- orientação, a qual buscava a consci- a fundamentação teórica dos proble- venções junto aos pacientes idosos entização e a autonomia do idoso como mas identificados. 6 Pharmacia Brasileira - Janeiro/Fevereiro 2005
  • 2. “A comunicação é um instrumento ENTREVISTA / DIVALDO LYRA JÚNIOR essencial no Então, o farma- senhor acha, então, que não há ne- habilidades necessários à comunica- trabalho do cêutico vai elabo- nhum método de comunicação farma- ção com o paciente. farmacêutico e na rar hipóteses de cêutico/paciente formulado, organiza- PHARMACIA BRASILEIRA - O promoção da saúde. solução dos pro- do, no Brasil? senhor está deixando claro que existe Nos meus estudos blemas, mas com Divaldo Lyra Júnior - Não, não um gargalo de dificuldades, uma lacu- um plano de cui- existe. O que se faz, no País, é pura- na, no ensino farmacêutico, exatamente (para o doutorado, dados. A partir mente instintivo e comparável ao que na comunicação farmacêutico/paciente, na USP), eu adaptei deste plano, ele os boticários faziam, antigamente. a qual considera uma ferramenta impres- o método de Paulo vai aplicá-las à re- PHARMACIA BRASILEIRA - cindível para a efetividade do tratamen- alidade do pacien- Então, os farmacêuticos vão para a to. Por que isso está acontecendo? Freire nas te, por meio das “batalha” diária do balcão, sem as ar- Divaldo Lyra Júnior - Acredito intervenções junto intervenções far- mas da comunicação? que há necessidade de investimento aos pacientes idosos macêuticas. Neste Divaldo Lyra Júnior - Exatamen- maciço na formação de professores contexto, o diálo- te. O modelo tecnicista utilizado para a qualificados para esta área. O investi- atendidos no SUS”. go vai facilitar o formação dos profissionais os afasta mento deveria vir das universidades, estabelecimento da realidade. O conhecimento é funda- das entidades farmacêuticas e dos Mi- das relações entre mentado unicamente na Farmacologia nistérios da Saúde e da Educação. Os paciente e farmacêutico, num proces- ou em outros conhecimentos afins. Os Ministérios deveriam oferecer bolsas so simétrico de troca de informações. profissionais que não têm formação Ou seja, nesse processo, o conheci- clínico- humanística são jogados à pura mento científico do farmacêutico não sorte. O conjunto de todos esses co- é mais importante que o conhecimento nhecimentos é que constituirão o far- empírico adquirido pela vivência do macêutico do futuro. paciente. Eles são complementares. PHARMACIA BRASILEIRA - PHARMACIA BRASILEIRA - Mas as Diretrizes Curriculares, apro- Essa complementaridade que o senhor vadas, em 2001, prevêem isso – o com- desenvolveu e está propondo tem que ponente humanístico na formação do efeito direto sobre o tratamento? farmacêutico. O senhor tem esperan- Divaldo Lyra Júnior - A partir do ças em que essas mudanças atinjam momento em que o paciente se sente um ponto tal que privilegiem a comu- respeitado e toma consciência de sua nicação farmacêutico/paciente? importância enquanto agente da pró- Divaldo Lyra Júnior - Na verda- Farmacêutico comunicando-se com paciente pria saúde, ele passa a cuidar melhor de, a gente está vivendo um momento de si. E isso tem um efeito positivo di- político propício a mudanças. Faz uns de mestrado e de doutorado que fos- reto sobre a sua saúde. oito anos que estamos vivendo um mo- sem empregadas em trabalhos realiza- PHARMACIA BRASILEIRA - mento de recuperação do papel social dos no próprio SUS. Essa contraparti- Como o senhor avalia a comunicação do farmacêutico. Entendo que as dire- da social poderia elevar o papel do far- nos procedimentos farmacêuticos, no trizes curriculares acompanham este macêutico como profissional da saúde Brasil, neste momento em que a aten- processo de transformação. necessário à sociedade. ção farmacêutica dá sinais de começar Entretanto, nos órgãos de fomen- PHARMACIA BRASILEIRA - a se fortalecer? to e nas universidades, ainda há pre- Comunicação e interdisciplinaridade Divaldo Lyra Júnior - A bem da conceito com a área clínico-humanísti- têm algo em comum? verdade, os profissionais não vêm ca. Estou dizendo que no modelo tec- Divaldo Lyra Júnior - O farma- sendo formados com os conhecimen- nicista o foco de atuação é o medica- cêutico passou muito tempo fora do tos humanísticos necessários ao de- mento e, no clínico-humanístico, por contato com o paciente. Isso, de um senvolvimento das habilidades de outro lado, é o paciente. Dentro deste certo modo, criou barreiras, atrofiando comunicação. Em meu ponto de vis- contexto, o farmacêutico volta a se re- as suas habilidades de comunicação ta, tanto as farmácias do SUS, quan- conhecer como profissional de saúde, com o paciente. Integração com outros to as farmácias-escola deveriam ser o que tem um impacto social importan- profissionais de saúde que praticam melhor utilizados para a vivência da te para a população. esses cuidados, no seu dia-a-dia, pode realidade social e para a prática da Na situação atual, as reformas cur- minimizar essas barreiras e facilitar o comunicação com o paciente. O co- riculares ainda estão acontecendo, de processo de relação terapêutica. nhecimento teórico é fundamental, uma forma muito tímida, o que, sem Só para exemplificar, em 2003, a mas a prática é vital. dúvida, não está privilegiando o de- Associação Americana dos Farmacêu- PHARMACIA BRASILEIRA - O senvolvimento dos conhecimentos e ticos do Sistema de Saúde se aliou à Pharmacia Brasileira - Janeiro/Fevereiro 2005 7
  • 3. “A bem da verdade, os ENTREVISTA / DIVALDO LYRA JÚNIOR farmacêuticos não vêm sendo Associação de Ele sempre terá uma vivência e é que regulamentações, nesta área, são formados com os Enfermeiros da- ela que pesa, nesse momento de ques- sujeitas à burla, principalmente, por que conhecimentos quele País, com tionamento. Trinta por cento dos pro- a indústria farmacêutica não entende o objetivo de blemas relacionados aos medicamen- que os medicamentos são instrumen- humanísticos aperfeiçoar as tos (PRM), no meu estudo, foram iden- tos de saúde e não bens de consumo. necessários ao habilidades do tificados pelos próprios pacientes. Es- Enquanto isto não acontece, o farma- desenvolvimento farmacêutico em ses números são superiores a um tra- cêutico tem um papel determinante na das habilidades de cuidar do paci- balho semelhante, realizado, na Sué- orientação correta aos pacientes, na mi- ente, obviamen- cia, onde os níveis cultural e de infor- nimização das dúvidas causadas pe- comunicação com te, dando a de- mação da população são muito altos. los meios de comunicação e na redu- o paciente”. vida importância Lá, eles usaram a intervenção mais tec- ção dos problemas relacionados aos à comunicação. nicista e eu, um tipo de intervenção medicamentos. PHAR- que visa à autonomia do paciente e PHARMACIA BRASILEIRA - O MACIA BRASILEIRA - Os estudiosos estimula o auto-cuidado do paciente. que mais chamou a sua atenção com afirmam que o paciente de hoje é muito PHARMACIA BRASILEIRA - resultado dos seus estudos? mais bem informado sobre a sua pró- Como o senhor avalia essas informa- Divaldo Lyra Júnior - Que o far- pria saúde, que os de algum tempo ções sobre saúde que são transmiti- macêutico tem que estar muito bem atrás, devido ao seu acesso fácil aos das ao cidadão pelos jornais, revistas, preparado para a nova realidade que meios de comunicação. Isso altera para rádio, televisão, Internet, certos livros, se lhe apresenta e que o paciente pode melhor a comunicação desse paciente outdoors etc.? ser um aliado importante na manuten- com farmacêutico? Divaldo Lyra Júnior – Sem dúvi- ção da saúde. Divaldo Lyra Júnior - Apesar da da, este é um problema muito comple- PHARMACIA BRASILEIRA - facilidade de acesso à informação e do xo, visto que as informações transmiti- Onde o farmacêutico mais erra, quan- maior auto-cuidado por parte do paci- das por estes meios de comunicação do está se comunicando com o paci- ente, ainda, há muitas lacunas em sua são de qualidade duvidosa e, na maio- ente? Onde mais acerta? troca de informações. A principal de- ria das vezes, tendenciosas. Em geral, Divaldo Lyra Júnior - Como a las está ligada à falta de preparação do tais informações criam uma ilusão so- maioria dos profissionais de saúde, o profissional com relação ao entendi- bre os medicamentos, fazendo os usu- farmacêutico costuma errar, ao não es- mento das necessidades, preocupa- ários pensarem que se estes não fize- cutar o que o paciente tem a dizer, ou ções, angústias, história de vida e as- rem bem, mal também não farão. Como seja, não valoriza as informações for- pectos culturais desses pacientes. conseqüência, há um estímulo à auto- necidas pelos pacientes. É importante O paciente, por mais bem informa- medicação e ao uso indiscriminado de esclarecer que ouvir é diferente de es- da que seja, terá sempre dúvidas sobre medicamentos. cutar. Ouvir é captar ou perceber os o seu tratamento e que, por muitas ve- Entretanto, observamos que, na sons, enquanto que escutar é ouvir, com zes, não são expostos, por razões cultu- realidade, os medicamentos são os prin- atenção, com interesse, buscando real- rais ou religiosas, entre outras. Cabe, por- cipais causadores de intoxicações, no mente tentar dirimir todas as suas dúvi- tanto, ao farmacêutico facilitar o diálo- País, desde 1996. Muito embora esta das e encontrar soluções que sejam apli- go com o paciente e explorar o máximo temática tenha sido bastante discuti- cáveis à realidade de possível as suas dúvidas. da, no início da década passada, com a cada paciente. PHARMACIA BRASILEIRA – O produção de uma literatura consisten- Para tanto, o senhor está dizendo que a comunica- te e esclarecedora, e a Anvisa tenha farmacêutico deve “Na verdade, a ção independe do nível de informação feito algumas incursões, no sentido procurar entender gente está do paciente? regulamentar a propaganda, promoção quais as reais neces- vivendo um Divaldo Lyra Júnior - O conheci- e informação sobre os medicamentos sidades e preocupa- momento político mento vivido do paciente, na maioria nos meios de comunicação, não há ções de cada pacien- das vezes, já o faz ter uma percepção como prever mudanças significativas te, respeitando o ser propício a dos seus problemas relacionados aos neste setor, em curto prazo. individual, seu nível mudanças. Faz medicamentos que lhe causam danos Para ser sincero, acredito que, de escolaridade, a uns oito anos à saúde e as metas a serem alcança- devido ao grande prejuízo que estas sua cultura e histó- das. Ninguém deve duvidar que o pa- propagandas causam à saúde da po- ria de vida. O pacien- que estamos ciente, mesmo aquele que não tem aces- pulação e ao sistema de saúde, com te, por sua vez, que vivenciando um so a informações originadas de livros um número absurdo de hospitaliza- percebe que o farma- momento de ou de meios de comunicação de mas- ções, elas deveriam ser proibidas, como cêutico não está pre- sa, sabe questionar sobre a sua saúde. foi feito com o cigarro. Acho isso, por ocupado com a sua recuperação do papel social do 8 Pharmacia Brasileira - Janeiro/Fevereiro 2005 farmacêutico”.
  • 4. “O farmacêutico ENTREVISTA / DIVALDO LYRA JÚNIOR passou muito tempo fora do contato com o PHARMACIA BRASILEIRA - mas de uma re- paciente. Isso Esses erros refletem diretamente em lação terapêuti- que aspecto do tratamento? Pode dar ca, construída criou barreiras, um exemplo? pelo farmacêuti- atrofiando as Divaldo Lyra Júnior - Em minha co e o paciente, suas habilidades pesquisa, eu atendi idosos que apre- baseada nos pi- sentaram uma média de quatro doen- lares do respei- de comunicação ças e que usaram cerca de nove medi- to mútuo, no com o paciente. A Dr. Divaldo orienta paciente idosa camentos, concomitantemente. Então, vínculo de con- integração com se eu olhasse isoladamente uma única fiança, na igual- outros melhora, sente-se inibido a perguntar doença, e não o paciente como um dade de papéis e, em alguns casos, permanece com dú- todo, não conseguiria perceber o seu e na troca con- profissionais de vidas importantes que podem ter vin- contexto. tínua de experi- saúde que do do consultório médico, sobre o uso Por exemplo, quando um pacien- ências. O farma- praticam esses ou o armazenamento correto dos me- te chega à farmácia com hipertensão, a cêutico passa a dicamentos. atitude normal do profissional é tentar ter uma preocu- cuidados pode Portanto, o farmacêutico deve ser, persuadi-lo a aderir ao tratamento anti- pação sincera minimizar essas mais que um clínico, um educador em hipertensivo prescrito, sem procurar, pelo paciente, barreiras”. saúde e um amigo do paciente. Neste na maioria das vezes, saber quais as sentido-se ver- sentido, é importante fustigar sempre verdadeiras razões que o fizeram não dadeiramente os pacientes, para que esgotem todas tomar seus medicamentos. responsável pela sua saúde e por sua as suas dúvidas, pois todas as pergun- Às vezes, um efeito colateral, qualidade de vida. Em suma, esta rela- tas são importantes para o uso correto como a impotência sexual causada por ção é humanizada e “rola” sentimento. dos medicamentos e para a manuten- medicamento que efetivamente contro- PHARMACIA BRASILEIRA - O ção da boa saúde. la a sua pressão arterial, pode ter con- que um farmacêutico jamais deve deixar Muitos colegas acertam, ao ten- seqüências graves em sua vida conju- de fazer, com vistas a estabelecer uma tar, em suas farmácias, mesmo sem gal e na sua auto-estima. Ao entender comunicação proveitosa com o pacien- qualquer tipo de formação, realizar es- o seu contexto, o farmacêutico pode te? E o que é imprescindível fazer? tes processos de comunicação com os tentar conscientizar o paciente sobre a Divaldo Lyra Júnior - Além de pacientes. A população está muito ca- importância de relatar os problemas de escutá-lo, como já falei anteriormente, rente de informações, e tentar estabe- saúde que o afligem, ao invés de agir deve tentar falar a sua língua, quer di- lecer a comunicação com o paciente é deliberadamente, sem orientação. zer proporcionar o máximo de informa- uma atitude importantíssima para a Pude observar que esta troca de ções possíveis, empregando palavras manutenção e promoção da saúde. informações pode ser tão importante, e expressões compatíveis à realidade Entretanto, creio que a comuni- quanto a maioria dos medicamentos de cada paciente. Pude perceber que cação adequada é um processo muito prescritos. Explicando melhor, o farma- quando os profissionais de saúde (in- mais complexo que se imagina e que cêutico e o paciente podem formar uma cluindo o farmacêutico) empregaram a não deve ser realizado apenas instinti- aliança sólida, fundamentada nos co- linguagem fundamentada em aspectos vamente, ou seja, os profissionais ne- nhecimentos científico e empírico, res- técnico-científicos, muito pouco foi cessitam, cada vez mais, de se aperfei- pectivamente, para discutir, por exem- compreendido pelos pacientes. çoar para prestar um serviço inovador plo, com o médico a substituição do Segundo os mesmos, este tipo de e que atenda às reais demandas da medicamento que causa o problema. linguagem é incompreensível para a população. Após um ano de trabalho, esta suas realidades. O que é pior e que, em Em meu ponto de vista, este aper- aliança (ou relação) resolveu cerca de determinadas situações, a compreen- feiçoamento não deve ser restrito uni- 75% dos problemas relacionados aos são inadequada pode causar proble- camente à teoria, mas necessariamen- medicamentos identificados. Inclusive, mas sérios de saúde. Por exemplo, uma te aplicado à prática. Além disso, en- os prescritores aceitaram 86% das in- paciente relatou que estava usando um tendo que os processos de comunica- tervenções, proporcionando aos ido- determinado anti-hipertensivo e não ção que fundamentarão as relações sos mais segurança e confiança no seu estava sentindo-se bem. Perguntei, farmacêutico-paciente devem ser hu- conhecimento. Além disso, 87% dos então, o por quê do uso do medica- manizados, não podendo ser proces- idosos apresentaram redução em sua mento, já que a mesma apresentava sos mecânicos e “desprovidos de sen- pressão arterial. naturalmente hipotensão. timentos”. Caso contrário, continuare- Os resultados obtidos não foram Pois bem, o problema é que o mos a cometer os mesmos erros. fruto de mais um processo mecânico, marido falou para ela que o medicamen- Pharmacia Brasileira - Janeiro/Fevereiro 2005 9
  • 5. ENTREVISTA / DIVALDO LYRA JÚNIOR INTERNACIONAL to era muito bom para a pressão. Ou seja, alta ou baixa, para um leigo, é um mero detalhe. Por essa razão, é neces- Fepafar volta a sário que o farmacêutico sempre con- firme o entendimento do paciente, pe- dindo ao mesmo que repita todas as discutir atenção farmacêutica nas orientações fornecidas. Este procedi- mento é indispensável para ratificar a compreensão, haja vista que os ido- sos também apresentam déficits audi- Américas tivos e visuais que, de algum modo, podem ser barreiras no processo de comunicação. Nos casos em que alguns paci- entes apresentaram déficits cognitivos (como o esquecimento), comuns em Vice-presidente do CFF, muitos idosos, foi necessário comple- Edson Taki, participou mentar as orientações com informa- ções escritas. Para isso, elaboramos da reunião da Fepafar materiais individu- alizados que res- “O farmacêutico peitassem as ne- deve procurar cessidades de cada O Vice-presidente do Con- entender quais indivíduo, com as selho Federal de Farmácia informações refe- (CFF), Edson Chigueru Taki, as reais rentes às dúvidas participou, em Santo Domin- necessidades e mais freqüentes do go, na República Dominica- preocupações de paciente, como, na, no dia 17 de março, da por exemplo, a fun- cada paciente, ção de cada um dos reunião da Executiva da Fe- respeitando o ser medicamentos utili- deração Pan-americana de Farmácia (Fepafar). A imple- individual, seu zados, seus riscos e até o local ade- mentação da atenção farma- nível de cêutica, nos países latinos, quado de armaze- escolaridade, a namento. voltou a fazer parte dos de- sua cultura e Por outro lado, bates da entidade. história de vida”. apesar de que sa- O Dr. Edson Taki, que par- ber que uma sala Vice-presidente do CFF, Edson Taki ticipou da reunião, represen- privativa ainda não tando o CFF e os farmacêu- seja comum, na maioria dos ambientes ticos brasileiros, informa que a Fepafar irá passar por uma de prática profissional, em nosso País, acredito que o ambiente privativo ade- reestruturação orgânica, momento que as novas ações da quado e a atmosfera do atendimento entidade serão rediscutidas, com vistas a dar maior objeti- sejam determinantes para a construção vidade às mesmas e a buscar conseqüências positivas para das relações de confiança entre o far- os profissionais, principalmente da América Latina. macêutico e o paciente. Logo, temos Durante o evento, decidiu-se que o próximo Con- que tomar novas posturas, buscar for- gresso da Fepafar será realizado, na Cidade do México mação e exigir a estrutura adequada (México), na última semana de novembro de 2006. “Que- para conquistarmos este espaço, pois remos aprofundar as discussões sobre as ações possí- a população se ressente da falta desse veis da entidade para os países americanos e elaborar “novo profissional” nas farmácias, am- programas factíveis, principalmente na área do intercâm- bulatórios e hospitais. Se não tomar- mos uma atitude, outros profissionais bio científico entre os profissionais”, concluiu o Vice- poderão ocupar o nosso lugar. presidente do CFF. 10 Pharmacia Brasileira - Janeiro/Fevereiro 2005