Antiguidade Clássica - Introdução, por Marcos Filho

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Aulas iniciais da disciplina "História da Música Ocidental I", ministradas no curso de Música da Universidade Federal de São João del-Rei, MG.

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Antiguidade Clássica - Introdução, por Marcos Filho

  1. 1. ANTIGUIDADE CLÁSSICA Aspectos culturais MARCOS FILHOUniversidade Federal de São João del-ReiDepartamento de Música
  2. 2. P R O F. M A R C O S F I L H O Antiguidade - Começa com a utilização da escrita e termina com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Principais marcos: o desenvolvimento da agricultura e da pecuária, a adoção do escravismo, a construção de cidades-Estado e de sistemas políticos monárquicos, o surgimento da democracia na pólis grega e das religiões monoteístas, o crescimento das artes e o aparecimento das ciências.Universidade Federal de São João del-ReiDepartamento de Música
  3. 3. P R O F. M A R C O S F I L H O►A sociedade grega é basicamente patriarcal e ritualística.►O oikos era a unidade econômica e social da época.►A escravidão era uma atividade essencial e o número de escravossuperior ao da população (prisioneiros de guerra).►A economia era baseada na agricultura e na criação de animais. Osescravos cuidavam do trabalho no campo juntamente com a família.►A religião era politeísta. E os mitos dos deuses revelavam aspectosimportantes da cultura grega.►Na política, pouco a pouco os tiranos-ditadores e seus regimes cediamespaço para as oligarquias (governo de poucos). Surgimento dademocracia onde as assembleias passam a ter maior autoridadechegando a conter indivíduos masculinos das mais variadas categorias.Universidade Federal de São João del-ReiDepartamento de Música
  4. 4. P R O F. M A R C O S F I L H OPeríodo helenístico - Estende-se de 338 a 30 a.C., períodoque corresponde à expansão e o posterior declínio doimpério de Alexandre, o Grande, da Macedônia. Asconquistas de Alexandre e a fundação dos reinos diádocosdifundem a cultura grega no oriente. A biblioteca deAlexandria, com 100 mil rolos de papiros, transforma-se nocentro de irradiação cultural do helenismo, incentivando umnovo florescimento da geografia, matemática, astronomia,medicina, filosofia, filologia e artes. Em 220 a.C. começa umacrise econômica e política, a ascensão de novas potências ea reação dos povos gregos contra o helenismo, contribuindopara o seu declínio. A tomada de Alexandria pelas legiõesromanas, em 30 a.C., encerra o período.Universidade Federal de São João del-ReiDepartamento de Música
  5. 5. P R O F. M A R C O S F I L H OArtes e ciências gregas - Os gregos desenvolvema dramaturgia (Sófocles, Ésquilo, Eurípedes,Aristófanes), a poesia épica e lírica (Homero,Anacreonte, Píndaro, Safo), a História (Heródoto,Tucídides, Xenofonte), as artes plásticas (Fídias) e aarquitetura (Ictinas e Calícrates). Dedicam-se aoestudo da natureza e do homem pela filosofia(Aristóteles, Platão, Heráclito, Epicuro), astronomia(Erastótenes, Aristarco, Hiparco), física, química,mecânica, matemática e geometria (Euclides, Talesde Mileto, Pitágoras, Arquimedes).Universidade Federal de São João del-ReiDepartamento de Música
  6. 6. P R O F. M A R C O S F I L H O A MONODIA SCHURMANN, Ernst F. A música como linguagem: uma abordagem histórica. São Paulo: Brasiliense / CNPq, 1989. (Texto adaptado)Universidade Federal de São João del-ReiDepartamento de Música
  7. 7. P R O F. M A R C O S F I L H OO registro hoje disponível da música praticada naclássica civilização helênica, embora insuficientepara uma análise aprofundada, não deixa defornecer indicações que justificam a hipótese de queas principais dessas práticas se baseavam nostradicionais cantos provenientes da barbárie. Serieneles que a cultura oficial do Estado encontraria osmodelos de estruturas musicais, as quais, tendo sidoconsideradas anteriormente como sendo de origemsobrenatural ou divina, agora podiam ser utilizadas eadaptadas para exercer as novas funções deportadoras de determinados valores éticosfavoráveis às relações de produção vigentes.Tratava-se São João del-ReiUniversidade Federal de dos assim chamados nomoi.Departamento de Música
  8. 8. P R O F. M A R C O S F I L H ONomos  nomos (plural: nomoi). Cf. J. Subirá: “Os primitivoscompositores gregos eram verdadeiros compositores – e denenhuma forma autênticos criadores –, pois se limitavam aelaborar suas concepções musicais em cima de tiposconsagrados, em lugar de produzir obras alimentadas pelaprópria invenção. Utilizando um nomos tradicional,adaptavam-lhe poesias distintas e possivelmente mesmo lheaplicavam novos ritmos. Suas tarefas, neste sentido, nãopodiam produzir nada de muito extraordinário, uma vez queo nomos grego, esquema musical revelado pelos deuses,obedecia aos mesmos princípios que o samán dos antigoscantores da Índia e o raga dos indianos modernos”. (Históriade la Música, Barcelona, Salvat, 1947, vol. 1, pgs. 101-2.)Universidade Federal de São João del-ReiDepartamento de Música
  9. 9. P R O F. M A R C O S F I L H OÉ provável que se tenha procedido a alguma espéciede seleção entre os modelos disponíveis, de formaque os valores éticos que se lhes atribuíacorrespondessem às demandas decorrentes danecessidade de garantir a manutenção da novaorganização social própria à estrutura de classes,pela qual o Estado havia assumido aresponsabilidade. É natural que esta exigênciahaveria de implicar em que a estrutura musical setornasse apropriada para favorecersubstancialmente a competência social dos atos defala verbais existentes nos respectivos textos e, namedida do necessário, influir sobre os mesmos paraque, a nível de atos elucutórios, viessem a funcionarcomo Federal de São João del-ReiUniversidadeDepartamentoatos de persuadir. de Música
  10. 10. P R O F. M A R C O S F I L H OÉ provável que tenha sido a partir dodesenvolvimento de tais cantos que resultara, noperíodo clássico da cultura grega, aquele modo decomunicação que hoje é designado pelo termo cantomonódico ou monodia e que, durante um longotempo, constituiria a principal manifestação musicalda cultura dominante.Em muitos casos, o canto monódico não éconsiderado como um elemento da linguagemmusical, uma vez que ele não era senão um modoespecial de veicular a linguagem verbal com auxíliode determinados procedimentos musicais capazesde atuar sobre os atos de fala de forma a ampliar oumodificar os mesmos na sua qualidade de atoselocutórios. João del-ReiUniversidade Federal de SãoDepartamento de Música
  11. 11. P R O F. M A R C O S F I L H O Epitáfio de Seikilos Até ao fim dos teus dias, vive despreocupado Que nada te atormente. A vida é demasiado breve, e o tempo cobra o seu tributoUniversidade Federal de São João del-ReiDepartamento de Música
  12. 12. P R O F. M A R C O S F I L H O Euripedes Orestes: Stasimon Chorus Atrium Musicae de Madrid; Gregorio Paniagua dir. (P) 1979 Harmonia Mundi S.A.Universidade Federal de São João del-ReiDepartamento de Música
  13. 13. P R O F. M A R C O S F I L H O ó deusas iradas que fendeis os céus buscando vingança pelo crime, imploramo-vos que livreis o filho de Agamémnon da sua fúria cega […] Choramos por este mancebo. A ventura é fugaz entre os mortais.Sobre ele se abetem o luto e a angústia, qual súbito golpe de vento sobre uma chalupa, e ele naufraga nos mares revoltos.
  14. 14. P R O F. M A R C O S F I L H O PITÁGORAS (cerca de 550 a.C)Universidade Federal de São João del-ReiDepartamento de Música
  15. 15. P R O F. M A R C O S F I L H O
  16. 16. P R O F. M A R C O S F I L H O Estátua de bronze de Zeus lançando raio do Santuario de Zeus de Olimpia,
  17. 17. P R O F. M A R C O S F I L H O Hermes, o mensageiro (com a bolsa de moedas na mão), escultura de bronze
  18. 18. Hércules enfrenta um leão. Detalhe de vaso de cerâmica,530 a 520 a.C.
  19. 19. P R O F. M A R C O S F I L H OAsclépio, Deus da Medicina
  20. 20. P R O F. M A R C O S F I L H OKantharos - um copo de bebida, tipicamente usado pelo deus Dionísio comhomens em movimento de dança, segunda metade do século VI a.C.
  21. 21. Estátua do Eros adormecido, período Imperial romano
  22. 22. P R O F. M A R C O S F I L H O Heranças do mundo antigo na música da Idade Média: 1) uma concepção da música como consistindo essencialmente numa linha melódica pura e despojada; 2) a ideia da melodia intimamente ligada às palavras, especialmente no tocante ao ritmo e à métrica; 3) uma tradição de interpretação musical baseada especialmente na improvisação, sem notação fixa, em que o intérprete como que criava a música de novo a cada execução, embora segundo convenções comumente aceites e servindo-se das fórmulas musicais tradicionais; 4) uma filosofia da música que concebia esta arte, não como uma combinação de belos sons no vácuo espiritual e social da arte pela arte, mas antes como um sistema bem ordenado, indissociável do sistema da Natureza, e como uma força capaz de afetar o pensamento e a conduta do homem;Universidade Federal de São João del-ReiDepartamento de Música
  23. 23. P R O F. M A R C O S F I L H O 5) uma teoria acústica cientificamente fundamentada; 6) um sistema de formação de escalas com base nos tetracordes; 7) uma terminologia musical.Universidade Federal de São João del-ReiDepartamento de Música

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