A perigosa idéia de darwin daniel dennett

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A perigosa idéia de darwin daniel dennett

  1. 1. Daniel C. Dennett A PERIGOSA IDÉIA DE DARWIN A evolução e os significados da vida Tradução de TALITA M. RODRIGUES Timor l Rio de Janeiro - 1998
  2. 2. Iliulu ungmzl D/ ikwiyrs DANGEROUS ! DEA Evolution md u» meaning¡ of life CayyrijhlOlwiby DuielCümen Dldinimnlníldonllnl' fuimdeclnndn¡ Diniunynlnlhnuptxmjuanlívdm mulunliuivídndepnalrnil¡ EDITORAROGJJLTDA. RulRmhipSüVlM-Sfmh' ÃEIHHG-lhdellntimk] Tel. : SiW-IND-PIHWI-HM pan¡ Van Quina Prínudin Bnzill uma_ man-ii professor e amigo midi: ma: RUI CERQUEIRA (nurannepuiehmiiaum) pizpuçoaeuimii [AURANEVB CIP-Emil. cuiingiçm-m-ronu Sindzcnm Nlcimul ao¡ Edilmcx de Livros. iu. beim. Dnniel Clemcau Ddóp A ¡Krigosl ¡déil d: Dllwln' l : volnçh E o¡ Unificado¡ d¡ Via1/ Dullgl c. Denncu: indian a: mu¡ M. Rndrimm: ruido técnica. ni. . cmi-eia _ me de Jlneim: Rocco. ma. - (Ciência ÀIMIÍ) Tnduçla de. narwiiri dangerous . m. evolution . mi me mtlnmgs ur me Inclui ipa-iai: : e biblmgnñn. l. Seleção nnunl. z. Evolução (Binlogm) - Filmon. , J lívolwçio numlm 4 Filosañn. I. Tíiuln ll Série. cm)- N67 974510 CDUV ui iss
  3. 3. CAPÍTU LO U M DIGA-ME POR QUÊ i. NADA É SAGRADO? Costumávamos cantar muito quando éramos crianças, ao redor da fo- gueira nos acampamentos de verão, no colégio. na igieja ou reunidos este pequeno tesouro. a música está no Apêndice. A melodia simples e a fácil linha harmônica são surpreendentemente belas. ) Tell me why the stars do shine, Tell me why the ivy rwines, 7'elI me why ! lie skyír so blue. Then I will tell you just why l love you. Because God made the stars to shine, Because God made the ivy Mine, Because God made the sky so blue. Because God made you, that's why I love you. (Trad. livre: Diga-me por que brilham as estrelas¡ Diga-mc pc¡ que a her: se enmsca/ Diga-mc por que o céu é Ião aziil/ Epu direi por que amo você/ l Porque Deus fez as estrelas brilharam¡ Porque Deus fez a her¡ se enmscar/ Porque Deus fez o céu tão azul¡ Porque Deus fez você, é por isso que eu amo você. ) Essa declaração sentimental e direta ainda me dá um nó na gargan- ta - uma visão da vida tão doce, tão inocente. tão confiante! E ai' vem Darwin e estraga a festa. Estrago? É disso que trata este livro. Desde a publicação dc A origem das espécies. em 1859. a idéia fundamental de Charles Darwin vem despertando intensas reações. da feroz condenação até a adesão extática, chegando às vezes a se equipa- rar ao fervor religioso. Amigos e inimigos. igualmente. têm maltratado e desvirtuado a teoria de Darwin. Tem sido apropriada de fomia indevi- da para conferir respcitabilidadc científica a estarrecedoras doutrinas sociais e politicas. Foi exposta ao ridículo em caricaturas por seus adversários, alguns dos quais querem fazê-la competir nas escolas de
  4. 4. is DIGA~ME por QUÊ nossos filhos com u "ciência da criação", uma mistura patética de pseu› dociência religiosa' Quase ninguém é indiferente a Darwin, e nem deveria ser. A teoria darwiníana é uma teoria científica, e excelente. mas não é só isso. Os criacionistas que se opõem a ela tão acirradamente estão cenos em um ponto: a perigosa idéia de Darwin vai muito mais fundo na estrutura de nossas crenças fundamentais do que muitos de seus sofisticados apolo- gistas já admitiram, mesmo para si próprios. A doce e simples imagem da canção, tomada de forma literal, é al- go que a maioria de nós já superou, por maior que seja o carinho que te- nhamos por nossa lembrança. O Deus bondoso que amorosamente mol- dou cada um de nós (todas as criaturas grandes e pequenas) e salpicou o céu com estrelas brilhantes para nosso encanto - esse Deus é, como Papai Noel, um mito da infância. nada em que um adulto de mente sã e sem ilusões possa acreditar literalmente. É preciso transformar esse Deus em um símbolo de algo menos concreto ou então abandoná-lo. Nem todos os cientistas e filósofos são ateus. e muitos dos que são crentes declaram que sua noção de Deus pode coexistir pacificamente com o conjunto de idéias de Darwin, ou até mesmo encontrar apoio nelas. O Deus deles não é um Artíñce antropomórfico. mas continua sendo um Deus que, a seus olhos, merece ser adorado e é capaz de dar consolo e sentido às suas vidas. Outros fundamentam suas preocupa- ções maiores em ñlosoftas totalmente seculares, visões do significado da vida que afugentam o desespero sem a ajuda de qualquer conceito de existência de um Ser Supremo - a não ser o próprio universo. Alguma coisa é sagrada para esses pensadores. mas eles não a chamam de Deus; chamam-na. talvez. de Vida, Amor. Bondade. Inteligência. Beleza ou Humanidade. O que os dois grupos têm em comum. apesar da diferença entre suas crenças mais profundas, é a convicção de que a vida real- mente tem um significado. de que a bondade é importante. Mas será que qualquer versão dessa postura de questionamento e propósito pode ser mantida diante do darwinismo? Desde o inicio, há os que pensam ter visto Darwin deixar escapar um dos piores segredos possíveis: o do niilismo. Eles achavam que se Darwin estivesse certo. então nada seria sagrado. Para ser mais claro, nada poderia ter impor- tância. Seria esta uma reação exagerada? Quais são exatamente as implicações da idéia de Darwin - e, aliás. ela foi provada cientifica- mente ou é ainda “apenas uma teoria"? Quem sabe - talvez você esteja pensando - pudéssemos fazer uma divisão vantajosa: existem partes da idéia de Darwin que são indu- bitávcis. e outras que são extensões especulativas daquelas cientifica- ' N_i! o dCdlBlfEl espaço nenhum neste livro pari¡ listar IS profundas falhas du criacionismo. ou para dcicndcr minha perzlllplúrín condenação dessa teor-iai, Acndiin que essu izrcta foi ¡ltllnlruutillicnlt bem realizada por Kitchcr N82. Fuluyma 1974], Gllkcy IÚHS c outros V 19 A PERIGOSA IDEIA DE DARWIN - . - lvez os fatos cien- . - › ' _ se tivéssemos sorte i3 , ._ meme 'mmãlwels' Bum): ma implicação surpreendente Para a religiao, [mms não : vcsscm lira: ;EÍIÍÍÍCBÓO da vida. enquanw q” 35 ? ams : a a natureza umana o v 55035 das poderiam ficar e _ _ . preocupa _ idéia de Darwm que delfam as pe - ersas. ou meras inldlle' uarentena como extensoes por ÚBWWS °°“"°V q . . ~ ' ttilindor. _ - 'aumente irmsistíveis. Isso sena mini¡ _ uma_ das partes cienu _ muocesso_ Emma¡ fm. ?Wem- ? que u": Piza' ¡Íãñgédtiiutârilan evolutiva. E135 “Pa” 5° tes controvérsias gu-an o _ _ ã deve se enmíasm” com ¡su A “me “safado Pzleoifígviodnslmsmínuitam de questões que maimi¡ e u . - q ' o vencedor. 0 F95" “a” ciência": não Immfmbíãigxedêagyüiãlfngssa idéia, tão firme quanto desmanchüijdefâacientfñca, realmente tem amplas implicações Para ualquef 0" l - ' ' a da ida. :essa visão de qual é ou devenaAsser 1151521:: : não e; o “nm do m1. Em Isis' Copa-mc? pmpr: tgmo do Sol. levou mais de um sécu- Veño' mas s"? que di' gmvsnecuma transformação gradual e na verdade 1° PW* q? ” a “dê” se 'rznniiszadàr religioso Philipp M= |an°h“'°"-_ °°"'“. * bastante lndolçn (o m inou que "algum PrmciPe Cñsúd dama 'adm de Maninho Lutero, oilm umas poucas exceções como essa. o eliminar ess: 'lomctilliaafmente sacudido P9' C°Pém¡°°') A revolução mundo não 01 P . . d ouvi¡- o seu próprio Lim": 0 wPemicana acaba" 'fazeirlllilç 1': .vriirlllgmzs do universo. de oamÊu' Mas Diâwg” 39h” 0.x m: p, to: : uando a Questão já “ã° em mms uma este só foi publicado em , Rugas o peiardo de Galileu provocou uma de controversias entre os cre da I r-ejn Camisa romana. iniciando uma reação indignada por Partebem às só agora estão desaparecendo_ Mas_ onda de Choque cduasdíiofilftontíção épica a idéia de q” ° n°550 Plane' sar do drama ess _ _ ' t leveza na mente : irão é o tem: : da Cncaríãlgçíâãstêl$ü$íãcc: :goiilãlãlãnazeimm como algo das pessoas. 35 35 banal. sem lágrimas ou tenor. . - › bai-á ocupando um No devido tempo, a revoluçao darwiniana aca - _ de todas as . . ' as mentes - e coraG°°5 lugar similarmente llraáloqüllifd: enuemnw_ mais de um século após a pcssms cuhas 'do &Odaiemdsvque chega¡ a “m ac°rdo quanto a ea” morte de Darwm. í"" uai-io da revolução copemicana. implicações Surpreeiide: :: Iiaúbiico enquanw °5 “M”. que não Éhamou mu] o t classificados. a rcV0luçã° darwmÍana *mms “a0 "grain- dmplaniãdoíes e torcedores 161505 mmmd° Pamdo' teve. desde o inicio. especnic¡ antes e ¡ncenlÍVünd0 a tribuna de lionra. Puxando as mangas dos pa ii as também afetam os Próprios cienllãx Esses mesmos_medos e espcêãdgr que os Connucs re¡al¡va¡nen¡e emu. ms' Ponmnoóriao é d": ssld-ptreznham sido com freqüência exageradas Por tos entre te ncos nao q . d ¡- a rave no processo. t rcidos e orm E seus adeptos. mas também dISO . , . e há muita coisa emj0B°- Todo mundoja viu. vagamente. Cl"
  5. 5. 20 worms rox quiz Além disso, embora o próprio Darwin tenha sistemaúzado a sua teoria de fonnu nronumcntul e sua influência tenhu sido logo reconheci- da por muitos cientistas e outros pensadores de sua época, ela apresen- tava na verdade grandes lacunas que só recentemente começaram a ser preenchidas adequadamente. A maior delas. fazendo-se uma retrospeç. tiva. parece quase cômica. Em todos os seus brilhantes devaneios $392:: Êããããcãtñr: e làzrêlrege nemdseus' muitos fervorosos defenso- vincente e bem documefâdo d : msm escnção de um mecanismo con. traços dos pais mantendo ao e e mnôdade. capaz de combinar os _ alterada A idéia d mesmo tempo uma identidade básica e Êñfonnulada" seria mttiittãufiirfgclsivam estava bem à mao' descqbem em um ¡ma! ausuíaco relativa Pe ° miles Gregor Mendel e Publicada ironia da história da ciência elarçemeã' Souto' em “lsói Mas' por uma ter sua importância rec h U 'd 'col-Ê ' "sem que nmguém a “mas” até on ec¡ a (no inicio apenas vagamente) por volta (na verdade, a síntese de M d l D “ f * na «e graças ¡^ . . - ' à: : Halllãfâmfímst Ma_yr e outros. Mais cinquenta anos foram necessá- p p nar a maior parte das rugas dessa nova trama. O ponto fundamental do darwinismo Contemporâneo a 130m, da "ÊPWfdUWO B Evolução baseada no DNA. é hoje incontestável entre os . ÊEÉÀÍÊÍEÊÊ ÍÉZÉShZZÉÂÉÉShEÀÊSZÍE°““› "“"°"“°“'° a “M” “S tas possam levar a mudanças radicais e teísswei q! ? noyaidescobefi dmwíníana' mas a esperança de “é dae revo ucronárias . na teona estrondoso descoberta é quase tão Êazoával seja refumda Por alguma a uma visão geocêntrica e descartemos Crfpétiiliiacltio a de que retomam. ” A PERIGOSA IDÉIA DE DARWIN 21 Ainda assim, a teoria está enredada em controvérsias extraordina- riamente exaltadus, e um dos motivos de todo esse fervor é que tais de- bates sobre questões científicas são em geral distorcidos pelo temor de que a resposta "errada" possa ter intoleráveis implicações morais. Este medo é tão grande que é cuidadosamente deixado de lado, passando despercebido sob camadas e mais camadas de refutações e contra-refu- tações que confundem nossa atenção. Os adversários estão sempre mu- dando levemente de assunto. mantendo de forma conveniente os espec- tros ameaçadores na sombra. É essa desorientaçio a principal responsá- vel pela demora na chegada do dia em que todos poderemos viver tão à vontade com nossa nova perspectiva biológica como fazemos com a perspectiva astronômica que Copérnico nos deu. Sempre que se fala de darwinismo a temperatura sobe, porque há muito mais em jogo do que simplesmente os fatos empíricos sobre a evolução da vida na Terra. ou a lógica correta da teoria que explica es- ses fatos. Uma das coisas preciosas que está em risco é a visão do que significa perguntar. e responder, à questão, “por quêT'. A nova perspec- tiva de Darwin subverte várias hipóteses tradicionais. abalando nossas idéias-padrão sobre o que deveria valer como resposta satisfatória para essa antiga e inevitável pergunta. Aqui a ciência e a filosofia se entrela- çam totalmente. Os cientistas as vezes tentam se iludir. achando que as idéias filosóficas são apenas, na melhor das hipóteses. omamentos ou comentários parasitas sobre os difíceis e objetivos triunfos da ciência, e que eles mesmos estão imunes às confusões às quais os filósofos dedi- cam suas vidas tentando resolver. Mas não existe ciência livre de filoso- fia; existe apenas ciência cuja bagagem frlosóñca é embarcada sem pas- sar pela vistoria. A revolução darwiniana é ao mesmo tempo científica e filosófica. e uma não poderia ter ocorrido sem a outra Como veremos, foram os preconceitos filosóficos dos cientistas_ mais do que a falta de evidências científicas, que os impediu de ver como a teoria poderia realmente fun- cionar. Mas esses preconceitos com relação à filosofia que tinham de ser eliminados possuíam raízes pmfundas demais para ser deslocados pelo simples brilhantismo filosófico. Foi preciso um irresistível desfile de fatos científicos obtidos com muita dificuldade para forçar os pensa- dores a levarem a sério a nova e fantástica perspectiva proposta por Darwin. Quem ainda não conhece bem essa bela procissão pode ser per- doado por se manter fiel às idéias pre-darwinianas. E a batalha ainda não acabou; até entre os cientistas existem bolsões de resistência. Vou colocar as cartas na mesa. Se tivesse que premiar alguém por uma única boa idéia, esse prémio iria para Darwin, antes de Nevzton. Einstein e todos os outros. Em uma só tacada, a idéia da evolução pela seleção natural unifica as esferas de vida. significado e propósito com as esferas de espaço e tempo. causa e efeito. mecanismo e lei fisica. Mas ela não é apenas uma maravilhosa idéia cientifica. Ela é perigosa.
  6. 6. 22 DIGA-ME POR QUÊ Minha admiração pela magnifica idéia de Darwin não tem limites. mas eu também acalento muitas idéias e ideais que ela parece desafiar, e quero protege-los. Por exemplo, quem proteger a canção da fogueira do acampamento. e o que há de belo e verdadeiro nela. para meu netinho e seus amigos, e para os filhos deles quando crescerem. Existem muitas outras idéias magníficas também ameaçadas por Darwin, é o que pare- ce, e da mesma forma elas podem precisar de proteção. O único jeito de fazer isso - o único com alguma chance a longo prazo - é rompendo a cortina de fumaça e olhando de frente a idéia o mais resoluta e desa- paixonadamente possivel. Nesse caso não vamos nos contentar em dizer "não há motivo para preocupação. no final tudo dará certo". Nossa análise exigirá um boca- do de coragem. Sentimentos poderão sair magoados. Quem escreve so- bre evolução em geral evita este aparente choque entre ciência e reli- gião. Os tolos correm. Alexander Pope disse. por onde até os anjos têm medo de pisar. Você quer me seguir? Quer realmente saber o que sobre- vive a esse confronto? E se. no final, a doce visão - ou uma visão me- lhor - sobreviver ao encontro intacta, reforçada e mais profunda? Não seria uma vergonha perder a oportunidade de ver um credo mais forte, renovado, estabelecendo-se no lugar de uma fé frágil, doentia, que você por engano supôs que não deveria ser perturbada? Não existe futuro em um mito sagrado. Por que não? Por causa da nossa curiosidade. Porque, como a canção nos lembra. queremos saber par quê. Talvez tenhamos superado a resposta da canção, mas jamais superaremos a pergunta. Seja o que for que consideremos precioso. é impossível protege-Io da nossa própria curiosidade, porque, sendo o que somos. uma das coisas que mais valorizamos é a verdade. Nosso amor à verdade é um elemento central para o significado que damos às nossas vidas. De qualquer forma. a idéia de que podemos preservar o significa- do enganando a nós mesmos é pessimista demais, niilista demais, para que eu, por exemplo, consiga aceitar. Se essa fosse a melhor coisa a se fazer, eu concluiria que nada tem importância afinal de contas. Este livro, então. é para os que concordam que o único significado da vida com o qual vale a pena se preocupar é aquele capaz de suportar nossos esforços para examina-lo. Os outros podem fechar o livro agora e sair de mansinho. Para os que ficarem, eis o plano. A Parte l do livro localiza a revo- lução darwiniana no esquema mais amplo de coisas, mostrando como ela pode transfomiar a visão de mundo de quem conhece os seus deta- lhes. Este primeiro capítulo monta o cenário das idéias filosóficas que dominaram nosso pensamento antes de Danivin. O Capítulo 2 introduz a idéia central de Darwin com uma espécie de nova roupagem, como a idéia da evolução como um pmcerso algarítmica, e esclarece algumas confusões comuns. O Capítulo 3 mostra como essa idéia subverte : i tra- dição encontrada no Capítulo 1. Os Capítulos 4 e 5 exploram algumas . , 2,7 A PERIGOSA IDEIA DF, DARWIN das sulPmendentes - C Penmbad°ms ” Perspectivas almas pelo pen- samento “minis”. desafios à idéia de Darwin - ao neodarwi- nismcixolualstífigsexríiroudreínoas' q” Smgimm denm da própria biologia' ' de seus adversários declara- mostrando que, ao contráno d0_¡l“° 5318"” . _ ó . m m ram. a idéia u: Dzrtgm sollffertrlllgfu: :ssqaãeczgofgãsfzzã: 5o : mim . ane . . 3232.33?? estende à espécie com que mais nos preocupamos. . . A › ser o Homo sapiens. O Próprio Darwvinestagziaüpãgeslííigêgãã: ?liga com WI! ” j” miÍÍaÊÉTiÍÍeÍÊio depois. ainda há quem deseje cava' "m dama eu' arando da maioria, quando não de todas. 33 ímPllcaçõf-S fosso nosãariieger no darwinismo A Parte III demonstra que isso é um 11W Pe" . _ ' - › - D ' d' em a- e «ae «mw-- sê a Respeito a nós dlremmenle 'e 'em munostàzchilmanas -- da mente. lin- quada do pensamento darwinista às ques - ' lo - as esclarece em aspec- guagem, conhecimento e ética. P” “emp _ _ _ od ¡ d ami_ tos que sempre iludiram as abordlagãlls F“l? dlnalcr: í~ê': lf'pümãsagvtzünr o gos problemas e mostrando a so UÇ 0- ' . . m b bom negócio que fazemos ao trocar 0 P°"5am°“'° pré'darw'nls Pe - - - ' eus usos como seus abu- pensamento daiwinista, identificando tanto os s am nós F e ' lmente é imponaníe P sos e mostrando como aquilo que rea . ' , . _ f do, rem mais prum¡ ser importante para nós se revela, trans orma P0 . ' arw' 'ana. intenso, por sua passagem pela WWW? ” d m' 2. o QUÊ. owns. QUANDO. POR QUÊ - E COMO? Nossa curiosidade assume fonnas diferentes, como . AníIgÊÍCa-ÍÃÊÉ_ vou no alvorecer da ciência humana. Seus CSÍOTÇOS P'°“° uma: básicas sificá-la ainda fazem sentido. Ele identificou apuatroc É? e chamou as que gostaríamos de ver respondidas sobre qu q"? d - í l mas “e de uatro aiiia, termo grego na verdade intra uz ve __ q respgãuís errtlbora canhestramente. chamou de a5 (Nam) dlamsas ' a m ; idiomas ter curiosidade em saber: (1) de que matéria alguma coisa é feita, ou a sua cação mattszlrlzle; a - ma na as . (2) que fgnna (ou çstrutura, ou formato) essa sua causa forma ; . _ ' ' ' ela come ou, ou a sua causa eficiente¡ (3) o seu inilcioáorêlglo mem 01m" (como em . .os ñnsjusuñcam (oqual 95.2%? ) II: seu 'Ielot como Aristóteles chamou. às Vales OS mClO. . u ' mal traduzido, como "causa final".
  7. 7. 24 DIGA-ME por¡ QUÊ aristotélicos correspondam às perguntas Por quê? " O ajuste nem sempre é i u . .. P0P que . entretanto, de fato que . rem u u¡ Anstóteles, o tela: de uma coisa Saber sobre a quma causa de s 'P . . ; QE T2121:: Serrando essa tábua? " Pam que serve a Pam? " . .Bam Pmleger minha casa. " __ P” que V000 que: proteger a sua casa? " 3m Poder dormir de noite. " . .ãfzfnmíavgcê quer dormir à noite? " A PERIGOSA IDÉIA DE DARWIN 25 uma resposta do tipo "porquê" (a espécie de resposta que a pergunta parece exigir). as pessoas com freqüência substituem o "por que" por um "como". e tentam responder contando uma história de como foi que Deus nos criou e ao resto do universo, sem parar muito no por que Deus poderia ter desejado fazer isso. A pergunta "como" não tem um desta- que na lista de Aristóteles. mas era uma fonna popular de perguntar e responder muito antes de que ele fizesse sua análise. As respostas aos maiores “comos" são as cosmagoníar, histórias sobre de que maneira o cosmos, o universo inteim e todos os seus habitantes começaram a exis- tir. 0 livro do Gênesis 6 uma cosmogonia, mas existem muitas outras. Cosmólogos que exploram a hipótese do Big Bang e fazem especula- ções sobre buracos negros e supercordas são os criadores de cosmogo- nias da atualidade. Nem todas as cosmogonias antigas seguem o modelo de um criador. Algumas falam de um “ovo do mundo”. colocado no "Abismo" por um pássaro mítico qualquer. e outras de sementes planta- das e cultivadas. A imaginação humana tem poucos recursos em que se basear diante de uma pergunta tão surpreendente. Um dos primeiros mitos da criação fala de um “Deus existente por si mesmo" que, "com um pensamento, criou as águas e depositou nelas uma semente que se transformou em um ovo dourado, do qual ele mesmo nasceu como Brama. progenitor dos mundos" (Muir 1972. vol. IV, p. 26). E qual a Finalidade de todos esses ovos. sementes e mundos cons- truídos? Ou. então. para que o Big Bang? Os cosmólogos atuais. como muitos de seus antecessores ao longo da história, contam uma história interessante. mas preferem evitar o "porquê" da teleologia Há alguma razão para o universo existir? As razões representam algum papel inteli- glvel nas explicações do cosmos? Algo pode existir por uma razão sem ser a razão de alguém? Ou será que as razões - as causas do tipo (4) de Aristóteles - são adequadas apenas nas explicações para as obras e fei- tos de pessoas ou outros agentes racionais? Se Deus não é uma pessoa. um agente racional. um Artíñce Inteligente, que sentido poderia ter o maior "porquê" de todos? E se o maior "porquê" de todos não faz nenhum sentido, como podem fazer sentido "porquês" menores. mais estreitos? Uma das contribuições fundamentais de Darwin foi nos mostrar uma nova maneira de dar sentido aos "porquês". Gaste dela ou não. a idéia de Darwin oferece uma maneira - clara, convincente. surpreen- dentemente versátil - de resolver esses velhos enigmas. É preciso se acostumar com ela, que é com freqüência mal aplicada. mesmo pelos seus antigos mais ñéis. Expor e esclarecer pouco a eo essa maneira de pensar é um dos projetos centrais deste livm. preciso distinguir com cuidado o pensamento darwininno das imposturas excessivamente simpliñcadas e populares. o que nos fará abordar alguns pontos técni- cos. mas vale a pena. A recompensa será, pela primeira vez. um sistema estável de explicação que não se move em círculos ou em espirais em
  8. 8. iq' 1 0mm RMC lllcÀcnnlou csiii tante cargo de dirigir u cátedra de me contou. em grande put-rg Segunda Guerra Mundtul. c Russell durante umn viagem 26 um infinito retrocesso aos mistérios Al - - . to mais o retrocesso infinito aos núsiéiiãgnrliípsaríenstímãgefenním' mm_ dia o custo é proibitivo' você tem de se ' ' ' mas me em - deixar e ^ pode se enganar ou deixar que outros façam o uaballããnsíltí Voce mesmo como reconstruir de maneira intelectualmente 'ustif á um' mas não há bandms à compreensão que Darwin desmíu J ic vel as poderosas o Pñmeím passo na aval¡ ão h . d - - - Dan"" é v” como o mundo emaçanws às: : ; sepãcto da contrtbuiçao de baixo. Pelos olhos de dois compatriotas seus : :ESB dc : abeÇÊ para Hume podemos ter uma ' ' [inc e e “id __ _ perspectiva clara de uma outra visão de mundo existente em muitos grupos - que Darwin tomo b 1 u o so eta. 3. A "PROVA" DE LOCKE SOBRE A PRIMAZIA DA MENTE John Locke_ inventou a bom senso, e desde entao só as fugiu-g¡ a ¡gm! Bertrand Russell: John Locke contem rân d fundadores ao empixmo tâfúcziãoiãpgzjíávãgí: NCWIOQN' foi_um dos en¡ "uma dado a argumentos dedul-jvos d A m aum empinco, não ~ O upa racionalista U d Suas mcmões 1301100 Características nas " " ' ma e se, cmd¡ por completo visto ilustrar , Provas . entretanto. merece . v perfeitamente o bl ue' à ' ' nação existente antes da revolu ' ' ^ oq 1° "mg" çao darwiniana. O argument cer estranho e pom so am › ° POÇB pare- considem isso um 5:31 : o qufngligízíalãlçojãfãla: ;as seja paciente N Locke nsa S e °°'“a°- OPTÓPÚO Nesta pzessaglgneããeíílâããliãmfündo às Pessoas algo que era óbvio! x. i0) el - “ mpmem"" humana (1690. Iv. . e quis provar algo que achava que todos intimamente já sabiam: que “no ¡mcmn mma a Mente. E . mesmo o que era etemo: le Começou pergunlanm) a 5' W115i"- hliférbñlsllftaicu de Russell. Apesar de Ryle ocupar o impor 1050 tn : m x ord. :i: c Russell tm t ' porque Russell se manteve afastado n. anexar. : gnãueentífcnnuãzam' c: mn vez. entretanto Ryle se viu dividindo - ' 'm " ' bin: de in: monólona e tentando den: : - um' c" “' m" › pcraditmcnte cnmhutar uma conversa¡ co nl seu fumam compnnhcim R < M: lhe per unl s ou por que ele achava que Locke. que nunca (um . m. escritor no bom ou ur¡ - ¡ _ . te, m, mundo ñhsónfy; Efrkdcy. Hume ou Reid, linha tido muito tnnis influência que disse Rylc. qu: ele teve cum Russcu_ glesa. Bs: foi u resposta. e o tnrcto da . inte. boa m. . versa. DIGA~ME POR QUÊ A PERIGOSA lDÉlA DE DARWIN 27 Se. então, tem de haver algo que seja etemo. vejamos que espécie de Ser isso será E bastante óbvio à Razão que deverá ser necxaria- mente um Ser cogitativo, pois é tão impossivel conceber que simples Matéria nãcroogitativa produzisse um Ser pensante inteligente, quanto que nada deveria espontaneamente produzir Matéria. .. Locke começa sua prova aludindo a uma das máximas filosóficas mais antigas e utilizadas. Ex nihilo nihil fit: nada pode vir do nada. Como seu argumento tem de ser dedutivo, ele precisa mirar mais alto: não só é improvável ou implausível. ou difícil de imaginar, mas ¡tapas- sível de conceber que "simples Matéria não cogitativa produzia: um Ser pensante inteligente". 0 argumento continua em escalada: Vamos imaginar uma parcela qualquer de Matéria etema, grande ou pequena; veremos que ela. espontaneamente, não é capaz de produ- zir nada. .. Matéria. ponanto, pela sua própria energia, não pode es- pontaneamente produzir Movimento: seu Movimento deve vir da Eternidade. ou ser produzido e acrescentado à Matéria por algum outro ser mais poderoso que a Matéria. .. Mas vamos supor que o Movimento seja etemo também: mas Matéria. Matéria e Movirnen- to não-cogitntivos. independente das mudanças que possam ¡modu- zir no Tamanho e no Volume. não podem jamais produzir Pensa- mento: Movimento e Matéria continuam tão longe da capacidade de produzir Conhecimento como o nada ou uma não-entidade são capazes de produzir Matéria. E eu apelo ao pensamento de todos. possam eles ou não conceber tão facilmente a Matéria produzida do nada como o Pensamento produzido pela Matéria pura, quando an- tcs não havia Pensamento. nem existia um Ser inteligente. .. É interessante notar que Locke decide que pode com segurança "apelar ao pensamento de todos" para garantir essa "conclusão". Ele es- tava ceno de que o : eu "bom senso" era de fato um senso comum. Será que não vemos como é óbvio que. enquanto matéria e movimento pode- riam produzir mudanças no “Tamanho e no Volume". eles jamais seri- am capazes de produzir "Pensamento"? Isso não descartar-ia a possibili- dade de existência dos robôs - ou pelo menos dos robôs que alegariam ter Pensamentos autênticos entre os movimentos de suas cabeças Inate- riais? Certamente na época de Locke - que era também a de Descartes - a própria idéia de inteligência artificial (IA) estava tão próxima do inimaginável que Locke pôde confiar no apoio unânime da platéia no seu apelo. um apelo que se arriscaria a ser vaiado hoje em dia E. como › A paridade a: Descartes dc mnetit sobre o Pensamento como Mlbéria em Inovimenlné | ÍÍS~ cuiid¡ em detalhes Em meu llVm Corurioumt: : Brplained (mm. o livro a: John Rangel-nd. atlcquzidalllcnl: intilulado Ant/ iria¡ Illlrlllgcruk” Th( vm Idea 11935). e uma otima tnttuinçtio : nos canunhos rtittsnncosquc tomaram essa nim concebível apcslrdt' tudu.
  9. 9. '_ 13 DIGA-ME POR QUÊ de Darwin, Scu nascimento. qunsc profcliLudu pelo próprio Darwin foi Portanto, se imaginamios nada existindo primeiro ou etemo a Ma. téna _ramais podera começar a existir. Se imaginarmos simples Matéria. sem Movimento. etema: o Movimento jamais poderá co_ le Secular. lógica - pode-se dizer quase que matemática - de um as i pecto central da cosmogonia judaico-cristã (e também islâmica) no int'- i °'° “V” “E0 que W553i¡ Mente - "um Ser cogitativo", como diz A PERIGOSA lDÉlA DE DARWlN 29 provável de convicção. Se o único fundamento que você tem para sua crença religiosa é que "Deus inc contou isso cm uni sonho", sua religião não é uma religião natural. A distinção não teria feito muito sentido antes do alvorecer da ciência modema no século XVII. quando a ciên- cia criou um novo e competitivo modelo de provas para todas as cren- ças. Ela levantou a questão: Você é capaz de nos dar algum fundamento cientifico para suas crenças religiosas? Muitos pensadores religiosos. entendendo que o prestígio do pen- samento científico eia - no mais não havendo diferenças - uma aspi- ração valiosa, aceitaram o desafio. E dificil entender por que alguém desejaria evitar a conñmiação científica de seu próprio credo. se havia uma. A preferência esmagadora entre os supostos argumentos científi- cos para conclusões religiosas, então e agora. era uma ou outra versão da pmva teleológica da existência de Deus: entre os efeitos que pode- mos observar objetivamente no mundo, há muitos que não são (não podem ser. por vários motivos) meros acidentes; devem ter sido projeta- dos para serem como são, e não pode haver projeto sem projetista; por- tanto, um Projetista. Deus, deve existir (ou ter existido) como a origem de todos esses maravilhosos efeitos. Tal argumento pode ser visto como uma tentativa de se achar um caminho altemativo para a conclusão de Locke, um caminho que nos levará a detalhes um tanto mais empíricos, em vez de se basear tão dire- ta ou claramente no que é considerado inconcebível. As características dos projetos observados podem ser analisados, por exemplo, para garantir os fundamentos de nossa avaliação da sabedoria do Projetista, e nossa convicção de que o simples acaso não poderia ser responsável por essas maravilhas. Nos Diálogos de Hume. três personagens fictícios debatem com consumada inteligência e vigor. Cleantes defende a prova teleológica da existência de Deus, e dá a ela uma de suas mais eloqllentes expressões! E assim que ele começa: Olhe o mundo à sua volta. Contemple o todo e todas as suas par- tes: verá que nada mais é do que uma grande máquina. subdividida em um número infinito dc máquinas menores, que mais uma vez admitem subdivisões além do que os sentidos humanos são capa- zes de localizar e explicar. Todas essas várias máquinas. e até suas mais diminutas panes, estão ajustadas umas às outras com uma 4 William Paley descreveu com muito mais iktulhes biológicos 1 pmvl ideológica da existência de Deus em seu livro de IBOJ. Tea/ ngm Milani. acrescentando engenhosos Mirim. A influente ver-
  10. 10. 3o DIGA-ME rox QUÊ exatidão que : irrchatu a intuginaçào de todos os homens que já as contemplaram. A curiosa adaptação de meios e fins, por toda a natureza, assemelha-se, exatamente, embora exceda em muito, às produções de artifício humano - de projeto. pensamento, sabedo- ria e inteligência humanos. Visto que os efeitos assemelham-se uns aos outros, somos levados a inferir, por todas as regras de analo- gia, que as causas também se assemelham, e que o Autor da Natu- reza e de alguma fomia semelhante à mente do homem. embora possuidor de faculdades muito mais amplas. proporcionais à gran- deza da obra que ele executou. Com esse argumento a posreriori, e só com ele, pmvamos de imediato a existência de uma Divindade e a sua semelhança com a mente e a inteligência humanas. [PL ll. ] Filon, desafiante cético de Cleantes, desenvolve o argumento, pre- parando-o para a demolição. Antecipando o famoso exemplo de Paley, Fflon observa: "Junte vários pedaços de aço, sem contomo ou forma; eles jamais se organizaiáo para compor um relógio. ” Ele continua: "Pedra, argamassa e madeira, sem um arquiteto. jamais erguerão uma casa. Mas as idéias na mente humana, nós vemos, combinam-se em uma organização desconhecida e inexplicável para formar o projeto de um relógio ou de uma casa. A experiência. portanto. prova que existe um principio original de ordem na mente, não na matéria. " (Pt. ll) Observe que a prova teleológica da existência de Deus depende de uma inferência indutiva: onde há fumaça, há fogo; e onde existe um projeto, existe mente. Mas esta é uma inferência dúbia, adverte Fílon: a inteligência humana é nada mais do que uma das fontes e princípios do universo, assim como calor e frio, atração e repulsão e centenas de outras que po- demos observar diariamente. .. Mas uma conclusão pode, adequa- damente, ser transferida das partes para o todo? . Observando o crescimento de um ño de cabelo, podemos aprender alguma coisa sobre a geração de um homem . Que privilégio peculiar possui esta pequena agitação do cérebro, a que chamamos de pensamen- to, que temos de fazê-la o modelo dc todo o universoíl. .. Admirá- vel conclusão! Pedra, madeira, tijolos, ferro, bronzc. não possuem, hoje. neste diminuto globo de terra, uma ordem ou organização sem arte e artifício humanos. Portanto. o universo não poderia ori- ginalmente alcançar sua ordem e organização sem algo semelhante à arte humana. (Pt. ll. ] 3 Gjcrlsen mostra que. um: mil anos . mu. Cicero usou o mesmo exemplo Cum o mesmo ohjvtixo "Quando ternos uni relógio de sol ou dc água. sabemos que ele nos mz n lions porque foi projeta- do para isso e não por acaso Como podemos entño imaginar que o universo como uni lodo não possui propósito e inteligência quando ele abrange tudu. inclusive esses mesmo artefatos c seus artiíices? " (Giertscii 19249, p. rw). 31 r PERIGOSA IDÉIA DE DARWIN causa › ' 'l n observa. S5 C°1°C3rm°5 a mem? mms il Alem dissiláañfãrganização desconhecida e inexplicável , isso só . . s pnmeira. 00m adiará o problema: . 4 a subir mais alto, para encontrar a causa Continuamos : :nãgggsdetemiinou ser satisfatória e conclusivo. .. desta cauÍài-iio vamos nos satisfazer no que se refere à causa da- 55.3225? que supõe ser o Autor da natureza. ou. segundã o ' ' ê identi ca - órfico, o mundo ideal, no qual voc _ seu slSIe-“iã ? gli-cifras nós a mesma razão para identificar esse o midia um outro mundo ideal. ou novo P¡'¡“°¡P¡° mmü' “und-Í, ;ge e: : pai-amos se não formos mais adiante: P0¡ 11W i' geme' as - ' t rial? Como podemos tão longe? Por que “WWW “°. '““'3d° Tiga r al de contas que os satisfazer sem continuar ad infinttum. . 3 m ' : atisfação existe nessa progressão infinita? [PL IV-l - ' ' ssas untas retó- Cleantes nao tem respostas satisfatónas para e PHS ¡jcas e o pior não é isso. Clcantes insiste que 3 meme de Deus é canto a i e concorda quando Filon acrescenta "q“3“'° mms pmeclda' "WMM . tri ntão Filon continua a mente de Deus é Perl-ella» “um " , e . v . .. ãnelhorldueraesno enganb ou ¡ncogréncia em seus empreendimentos (PL e qua q V, )'? Há uma hipótese rival a ser excluída: E que surpresa teremos ao descobrir que ele e' ulm mecânicpsãál: : , . - , :i on asuce que imitou os outros e copiou uma arte (Ligenn ões gpondemções e cms» após multiplas tentativas' 61135' rirreiêrada” Muitos mun- controvérsias, foi gradualmente sen o 2P ' dm P°d°m '°' si” '°"'°““““°* ° “s” “rPÍI°°hÍ¡“. IÍ"ÍIÊrÉÍÉÊ . - o. perdido; muitas tentativas inutcis ei as. v ›d Cons"" ão nua melhoria prosseguiu ao 10H80 de 'ni-mms eras e ç do mundo. [PL V. ] . ^ ' t tiva, com suas sur- Quando Fñon apresenta ess? Iexiienglca its: : não a leva a sério « ' "sdoinsiile am'. Preelidentes antecêglrllçmle polêmãico Contra a Visão de Cleames de um exceto como um 4 _ , . - - a mostrar o que via como Amñce onlscienle. Hume a “I'ma aPínEas liiiis assuntos quem Püde de- as limitações do nosso conhecimento. m - _ d terminar onde está a verdade; não. meme quem P°<Ê°F°“J°°'“”" o" E ' robibilidadct entre um grande número de hipoteses que ? Mem esta a p número ainda maior que se pode imaginar" (FLV)- scr propostas. E "f" _ 'em "mms e explorando tal fenilidade, Fílon ' ' ' ' O v , _ . dA' imãglnciidçin: : desconcenado elaborando variações comICaS C 4 ' Cil › ' “i axeifgãiiiitfs sobre as hipóteses dele desafiando-o a mostrar por que cx r " ' >. . . . . .
  11. 11. 32 DlGA-ME ros our' A PERlGOSA lDÉlA DE DARWlN 33 sua PróPnã Versao devena ser a _ _ ç preferida. "Por ' - - , _ _ . nao poderiam se combinar para arquiteta¡- e @Clrlllllllllíarlllums DXÉmÍ°d°S , ..a legitima conclusao é que. .. se nao estivemos Cnntcntm um porque nao se tomar um perfeito zinirti¡›iii, ¡,, r¡, ¡u-r po¡ m_""1" “m E chamar a causa primeira e suprema de Deus ou Divindade, mas Êiuu , -1 Dllmdadc ou as Divindades são corpóreas e têquL Em afirmar desejamos vmar a expressão' de que mais Poderíamos chmm se_ ? C31 DUVIÚOS BIC 'V' (Pt. V) m um Certo mom t FT o Os' uam' não de Men/ e ou Pensamento, com os quais é justo supor que ele hipotese de Gaia: o universo e" 0* 1 0" antecipa a tenha uma considerável semelhança? (Pt. XIL] assemelha-se muito a um an¡ Fílon e sem dúvida o rta-voz de Hume nos Diúlo n: Por ue mal ou P0 g ' , q acionado por um Pñncípio igual de vidftoeprzoorganjudo' e para? Hume cedeu” Medo de represália do sistema? Não Hume sabia que nua clrcuhçao de maténa "de não Produz d vimento Uma conu- havia mostrado que a prova teleológica da existencia de Deus era uma POTWHO. d uzo eu, é um animal e a Di 'eãofqem 0 mundo pome imeparavelmente falha entre ciência e religiao. e providenciou mundo. impulsionando-o e sendo im ul n: aq” é a ALMA do para que seus Diálogo: só fossem publicados após sua morte em 1776 p 5mm °P°' ele ÍP¡ V¡ 1 exatamente para evitar perseguições Ele cedeu porque . tlmpÍtJmerlle Ou será que o mundo é n - nao adia imaginar nenhuma outra explicaçao para a ongem do PFOJCIO a - ld 4 « P . . . do que com um animal? red l ade mais parecido com um vegetal manifestado na natureza. Hume nao foi capaz de ver como a “cunosa adaptação dos meios aos fins, em toda a natureza" poderia ser atribuída Da mesma maneira ao acaso - e se não ao acaso a que então? que uma árv . . campos proximos e produz out : rrevifrsfalha suas Sementes pelos O que poderia explicar este sofisticado pmieto a nao ser a existen- O mundo, ou seu Sistema planeláno s. assim o grande vegetal. cia de um Deus inteligente? Fflon e um dos mais hábeis e engenhoso: Cenas sementes que, ao serem es a") droduz dentro de Sl mesmo adversanos em qualquer debate filosófico real ou imaginam), e ele dá geram em novos mundo c: eta as no caos circundante, ve- alguns maravilhosos tiros no escuro. na caça de uma altemativa Na de um mundo ¡P! V" m a, por exemplo. e a semente Pane Vlll, Fílon taz algumas especulaçoes que chegam provocante- vel apenas a transposições finitas: e isso deve acontecer, em uma duração etema. para que toda ordem ou posição possível possa ser nãvamente na sua própria essencia. isso é uma espécie de cosmo tentada um número inñnit de vezes. .. Há um sistema, uma OFN E lã. que nos parece ridicula. porque uma aranha é um animalzi dem. uma disposição de coisas, por meio da qual a matéria pode _0 esprezivel. cujas ações jamais tomaremos como modelo do preservar essa perpétua agitaçao que lhe parece essencial e no en- ambm 3 Origem de fodas a; uma; ao c: : gua "ãnosso Pkmm essa organizaçao ou ordem e por sua própna natureza, essa ordem como explicado por Cleantes Será dificilp J Ole Inteligencia' uma vez estabelecida. mantém a si propnzi durante muitas eras, se- sausfanína pda qua¡ um Smema Drdenadliürü e da! uma razao nao pela etemidade Mas sempre que a maténa for tão equilibrada, “m0 n35 entranhas como no , gmbm fp¡ V; m0 possa ser 'CCMÚ arranjada e ajustada de modo a continuar em perpétuo movimento a e no entanto conservar uma constância nas formas sua SlIU-IÇZIO 511m5 resiste a 3,5., ¡ ç deve. necessanamente, ter a mesma a arencia de ane e inven dO falhas fatais em todas as versgevseçdgdãrcs$ Vdkmãd m” Fno" "um" [ que observamos hoje. .. Um defeito cr: qualquer dessas panicifla- imagina¡ No gm¡ dos Dimmu” enlmãm e? ? q” çkãnws CONSGEU? l ridades destroi a fonna; e a matéria, da qual elaé composta, é mais Cordando com Clgunles: ' n' ' O" "D5 SUFPTCCHÚC CDn- í uma vez posta em liberdade e lançada em movimentos e fermenta-
  12. 12. 34 DIGAME POR QUÊ Suponha. .. que a matéria fosse lançada em qualquer posição, por uma força cega, não guiada; é evidente que essa primeira posi- ção deve. com toda probabilidade, ser a mais confusa e a mais desordenada que se possa imaginar, sem qualquer semelhança com aquelas obras da invenção humana que. junto com uma simetria de partes, descobrem uma adaptação de meios aos fins e uma tendên- cia à autopreservação. .. Suponha que a força amante, seja qual for. continue ainda na matéria. .. Assim o universo segue, por muitas cms, em uma continua sucessão de caos e desordem. Mas não é possível que ele se acomode ñnalmente. ..? Não poderemos espe- rar essa posição das etemas revoluções de matéria não guiada. ou ter certeza dela. e isso não poderá explicar toda a aparente sabedo- ria e arquitetura existentes no universo? Hum. parece que algo assim poderia funcionar. .. mas Hume não podia levar a sério a corajosa investida de Filon. Seu veredicto final: “Uma total suspensão de julgamento é aqui o nosso único recurso sen- sato"(Pt. VIII). Poucos anos antes dele. Denis Diderot também havia escrito algumas especulações que prenunciavam Darwin de fomia es- pantosa: "Posso lhe afirmar. .. que monstros aniquilaram uns aos outros sucessivamente; que todas as combinações defeituosas de matéria desa- pareceram e que sobreviveram apenas aquelas cuja organização não envolvia nenhuma contradição importante, e que podiam subsistir por si próprias e se perpetuar" (Diderot 1749). Há milênios circulavam idéias interessantes sobre evolução. mas. como ocorre com a maioria das idéias filosóficas, embora elas parecessem oferecer uma solução para o problema, não prometiam ir muito adiante, abrir novas investigações ou gerar previsões surpreendentes que pudessem ser testadas ou explicar fatos que não tencionavam expressamente explicar. A revolução da evo- lução teve de esperar até Charles Darwin descobrir como tecer uma hipótese evolutiva em uma trama de explicações composta literalmente de milhares de fatos obtidos com muita dificuldade e quase sempre sur- preendentes sobre a natureza. Darwin não inventou essa idéia maravi- lhosa sozinho. nem compreendeu-a totalmente mesmo depois de tê-la formulado, mas fez um trabalho tão monumental esclarecendo-a e atan- do-a de tal forma que não mais pudesse se dispersar que é ele quem merece o crédito por isso. O próximo capitulo revê sua maior façanha. CAPÍTULO l: Ante: de Dnruiin, a idéia de uma "Mente-primeira" rei- nava iiicoriieslr: um Deus inteligente en¡ viria tomo a fan/ e essencial de qualquer Projeto, u resposta _final para iodo cadeia de "porquêsT Até David Hume. que habilmente expôs as problemas insolúveis dessa virão e teve lampejns da alterna/ iva darwinínna, não conseguiu desm- brir como lrvâ-In u sério. u u. A PERIGOSA IDÉIA DE DARWIN CAPITULO 2: Darwin, disposto a responder a uma pergunta relativa- mente modesta sobre a origem das espécies, descreveu um processo ao qual deu o name de seleção natural. processo este irracional. :em pm- pósito e mecânica. Isso revelou-se ser a semente para a resposta n uma pergunta ainda mais importante: como surgiu o Projeto?

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