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ReferênciasReferências
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Uma releitura lacaniana a respeito da obra "O Futuro de Uma Ilusão", de Sigmund Freud.

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Leituras de “o futuro de uma ilusão” e a religião nos dias atuais

  1. 1. Leituras de “O Futuro de Uma Ilusão” e aLeituras de “O Futuro de Uma Ilusão” e a religião nos dias atuaisreligião nos dias atuais  ““Lacan (2005) nos informa que a ciência,Lacan (2005) nos informa que a ciência, assim como a posição do cientista,assim como a posição do cientista, constituiu um tabu para Freud. Por esseconstituiu um tabu para Freud. Por esse motivo é possível supor a implicação domotivo é possível supor a implicação do seu desejo na realização desse ideal:seu desejo na realização desse ideal: elevar a psicanálise aoelevar a psicanálise ao statusstatus de ciência,de ciência, e com isso garantir sua incorruptibilidade.e com isso garantir sua incorruptibilidade. Freud também parece ter se deixado iludirFreud também parece ter se deixado iludir por seu desejo ao decretar o fim dapor seu desejo ao decretar o fim da religião”.religião”.
  2. 2.  ““Desde muito cedo foi necessário queDesde muito cedo foi necessário que Freud rompesse com os preceitosFreud rompesse com os preceitos norteadores do programa científico de seunorteadores do programa científico de seu tempo. [...] Mais apropriado do que afirmartempo. [...] Mais apropriado do que afirmar a crença de Freud no triunfo final da razãoa crença de Freud no triunfo final da razão seja observar que sua opção pela viaseja observar que sua opção pela via científica deveu-se basicamente àcientífica deveu-se basicamente à necessidade de legitimar sua prática.necessidade de legitimar sua prática.
  3. 3.  ““Apesar disso, oitenta anos depois daApesar disso, oitenta anos depois da publicação dopublicação do Futuro de uma ilusão,Futuro de uma ilusão, estãoestão cada vez mais na pauta do dia: acada vez mais na pauta do dia: a escalada contínua dos fundamentalismosescalada contínua dos fundamentalismos juntamente com a proliferaçãojuntamente com a proliferação desenfreada de seitas e doutrinasdesenfreada de seitas e doutrinas religiosas.”religiosas.”
  4. 4.  ““Ao contrário do que previu Freud, oAo contrário do que previu Freud, o discurso encampado pela ciência nãodiscurso encampado pela ciência não promoveu a extinção dos laços entre apromoveu a extinção dos laços entre a humanidade e o sagrado, mas parece terhumanidade e o sagrado, mas parece ter fornecido razões ainda mais fortes parafornecido razões ainda mais fortes para garantir a permanência das religiões.garantir a permanência das religiões. Ambos os seguimentos passaram aAmbos os seguimentos passaram a coexistir, e por vezes, essa coexistênciacoexistir, e por vezes, essa coexistência pressupõe inclusive certapressupõe inclusive certa complementaridade”.complementaridade”.
  5. 5.  ““Em decorrência do caráter precário eEm decorrência do caráter precário e provisório da razão, a condição humana,provisório da razão, a condição humana, submetida ao tempo destruidor, à doençasubmetida ao tempo destruidor, à doença e às atrocidades levadas a cabo pelase às atrocidades levadas a cabo pelas duas grandes guerras do século XX, seduas grandes guerras do século XX, se sobrepõe violentamente ao idealsobrepõe violentamente ao ideal artificialartificial da racionalidade. Os avanços da ciência,da racionalidade. Os avanços da ciência, cujas propostas iniciais incluíam acujas propostas iniciais incluíam a ampliação contínua do domínio humanoampliação contínua do domínio humano sobre a natureza e a compreensão dossobre a natureza e a compreensão dos fenômenos naturais/sociais, tornaramfenômenos naturais/sociais, tornaram cada vez mais insustentável e frágil acada vez mais insustentável e frágil a continuidade da própria existência”.continuidade da própria existência”.
  6. 6.  ““O avanço do campo de abrangência dasO avanço do campo de abrangência das técnicas científicas parece sertécnicas científicas parece ser diretamente proporcional à emergência dodiretamente proporcional à emergência do sentimento cada vez mais intenso desentimento cada vez mais intenso de angústia por demonstrar seguidamenteangústia por demonstrar seguidamente que há sempre algo imprevisível queque há sempre algo imprevisível que insiste em escapar ao esforço racional deinsiste em escapar ao esforço racional de explicação e de previsão”.explicação e de previsão”.
  7. 7.  ““Além da presença frequente doAlém da presença frequente do imponderável, existem as incontroláveisimponderável, existem as incontroláveis ameaças biológicas, a nuncaameaças biológicas, a nunca completamente superada ameaça decompletamente superada ameaça de destruição nuclear, o temor frente àsdestruição nuclear, o temor frente às incalculáveis conseqüências dasincalculáveis conseqüências das intervenções humanas na natureza, aintervenções humanas na natureza, a barbárie das duas grandes guerras e dasbarbárie das duas grandes guerras e das guerrilhas que dominam nos grandesguerrilhas que dominam nos grandes centros urbanos demonstram, de modocentros urbanos demonstram, de modo contundente, quão tênue é o fio quecontundente, quão tênue é o fio que sustenta a humanidade”.sustenta a humanidade”.
  8. 8.  ““Na medida em que a ciência (convocadaNa medida em que a ciência (convocada a fim de amenizar, ainda quea fim de amenizar, ainda que parcialmente, a angústia humana) expõeparcialmente, a angústia humana) expõe o caráter limítrofe de uma realidadeo caráter limítrofe de uma realidade incontrolável, é possível ver noincontrolável, é possível ver no recrudescimento do sentimento religioso erecrudescimento do sentimento religioso e no fervoroso apelo à religião do qualno fervoroso apelo à religião do qual somos testemunhas, uma tentativasomos testemunhas, uma tentativa desesperada de estabilizar e organizar adesesperada de estabilizar e organizar a loucura que domina o dia-a-dia daloucura que domina o dia-a-dia da atualidade. Nesse sentido, o retorno aoatualidade. Nesse sentido, o retorno ao sagrado se realiza como esforço desagrado se realiza como esforço de devolver à humanidade uma ordem, aindadevolver à humanidade uma ordem, ainda que artificial”.que artificial”.
  9. 9.  ““A zona limítrofe à qual a história daA zona limítrofe à qual a história da civilização nos trouxe causa tantacivilização nos trouxe causa tanta perplexidade que a retomada do culto aoperplexidade que a retomada do culto ao Eterno ilustra a tentativa de suportar oEterno ilustra a tentativa de suportar o choque de uma realidadechoque de uma realidade irremediavelmente fragmentada. Airremediavelmente fragmentada. A proliferação das manifestações religiosasproliferação das manifestações religiosas na atualidade testemunha a súplicana atualidade testemunha a súplica desesperada para que os estilhaçosdesesperada para que os estilhaços dessa realidade sejam reunidos, aindadessa realidade sejam reunidos, ainda que de modo bastante precário, a fim deque de modo bastante precário, a fim de restabelecer sua unidade imaginária”.restabelecer sua unidade imaginária”.
  10. 10.  ““Por essa razão, Lacan (2005) dirá que aPor essa razão, Lacan (2005) dirá que a religião está destinada a triunfar em nossareligião está destinada a triunfar em nossa época: a religião triunfará sobre a ciênciaépoca: a religião triunfará sobre a ciência e também sobre a psicanálise porque ae também sobre a psicanálise porque a existência de Deus comporta a ilusão dasexistência de Deus comporta a ilusão das garantias. A divinagarantias. A divina ProvidênciaProvidência desmentedesmente a contingência. A presença vigorosa daa contingência. A presença vigorosa da religião na contemporaneidade pode serreligião na contemporaneidade pode ser vista, portanto, como um esforço a maisvista, portanto, como um esforço a mais na tentativa de fazer existir uma unidadena tentativa de fazer existir uma unidade impossível, o que passa necessariamenteimpossível, o que passa necessariamente pela negação da realidade em seu estadopela negação da realidade em seu estado de pura dispersão”.de pura dispersão”.
  11. 11.  ““Por esse motivo, a religião fervilha e sePor esse motivo, a religião fervilha e se prolifera de modo desenfreado,prolifera de modo desenfreado, costurando as peças soltas que compõemcosturando as peças soltas que compõem nossa realidade como recusa ao caráternossa realidade como recusa ao caráter fragmentário de uma sociedade cada vezfragmentário de uma sociedade cada vez mais acossada pelo real de sua condição.mais acossada pelo real de sua condição. Ao contrário do que supunha Freud emAo contrário do que supunha Freud em seuseu Futuro de uma ilusãoFuturo de uma ilusão (1927), a(1927), a religião triunfará inclusive sobre areligião triunfará inclusive sobre a psicanálise, que por sua vez terá depsicanálise, que por sua vez terá de arranjar-se para sobreviver a ela (Lacan,arranjar-se para sobreviver a ela (Lacan, 2005)”.2005)”.
  12. 12.  ““Supor a existência de uma ordem,Supor a existência de uma ordem, instaurada e regida pelo Onipotente einstaurada e regida pelo Onipotente e Onisciente Criador permite a construçãoOnisciente Criador permite a construção de uma ilusão que parece serde uma ilusão que parece ser indispensável ao nosso tempo. Por esteindispensável ao nosso tempo. Por este motivo, é possível que o avançomotivo, é possível que o avanço desenfreado dos fundamentalismosdesenfreado dos fundamentalismos religiosos seja mais uma dentre asreligiosos seja mais uma dentre as manifestações sintomáticasmanifestações sintomáticas características de nossa época”.características de nossa época”.
  13. 13.  ““O apelo ao sagrado em nosso tempoO apelo ao sagrado em nosso tempo parece estar norteado pela solidez dasparece estar norteado pela solidez das inabaláveis verdades produzidas sob ainabaláveis verdades produzidas sob a forma dasforma das revelaçõesrevelações: é a verdade estável: é a verdade estável e absoluta produzida pela revelaçãoe absoluta produzida pela revelação religiosa que fundamenta a ilusão dereligiosa que fundamenta a ilusão de segurança no interior dessa dissoluçãosegurança no interior dessa dissolução generalizada”.generalizada”.
  14. 14.  ““Somente um discurso arraigado naSomente um discurso arraigado na verdade pode refugiar a humanidadeverdade pode refugiar a humanidade desolada, fornecendo-lhe a salvaguardadesolada, fornecendo-lhe a salvaguarda de uma Providência que regula toda ade uma Providência que regula toda a ordem universal. Nesse ponto pareceordem universal. Nesse ponto parece residir o principal trunfo das práticasresidir o principal trunfo das práticas religiosas em relação a suas opositoras: areligiosas em relação a suas opositoras: a condição de produzir uma consistênciacondição de produzir uma consistência imaginária que devolve o conjunto àimaginária que devolve o conjunto à realidade dissolvida. A unidaderealidade dissolvida. A unidade imaginária, entretanto, não passa de umaimaginária, entretanto, não passa de uma reação cuja função primordial é negar areação cuja função primordial é negar a violência de uma realidade incontrolável”.violência de uma realidade incontrolável”.
  15. 15.  Por conclusão, tem-se que o homemPor conclusão, tem-se que o homem sustenta e fortalece o seu própriosustenta e fortalece o seu próprio desamparo por atitudes irracionais. Adesamparo por atitudes irracionais. A “razão” do Iluminismo, e usada como“razão” do Iluminismo, e usada como argumento contra a religião por Freud, seargumento contra a religião por Freud, se enfraquece face à natureza irracional doenfraquece face à natureza irracional do homem. Não se venceram todas as forçashomem. Não se venceram todas as forças da Natureza, como se previu. Porém, eda Natureza, como se previu. Porém, e mais importante, tampouco venceu-se amais importante, tampouco venceu-se a natureza mais devastadora dentre todas,natureza mais devastadora dentre todas, a natureza humana irracional.a natureza humana irracional.
  16. 16. ReferênciasReferências  NUNES, Tiago Ribeiro. Situação doNUNES, Tiago Ribeiro. Situação do fenômeno religioso contemporâneo.fenômeno religioso contemporâneo. PsychePsyche, São Paulo, v.12, n.23, dez., São Paulo, v.12, n.23, dez. 2008.2008.  FREUD, Sigmund. (1927).FREUD, Sigmund. (1927). O futuro deO futuro de uma ilusão.uma ilusão. In: FREUD Sigmund.In: FREUD Sigmund. ObrasObras completascompletas. Rio de Janeiro: Imago, 1974.. Rio de Janeiro: Imago, 1974. vol. XXI, Cap. III.vol. XXI, Cap. III.

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