Universidade de Brasília – UnB
Faculdade de Educação – FE
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Resumo
As representações sociais são conhecimentos que se acumulam a partir da experiência,
das informações, saberes e v...
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representações diferenciadas sobre um mesmo objeto. (LOPES, 2005, P. 93, APUD,
MOSCOVICI, 1961).
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Importância da escola
A sociedade atual vive em constante medo, pois a violência, as desigualdades sociais,
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A tabela abaixo mostra o resultado, nos quatro quadrantes proporcionados pelo
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Referências
ANDRADE, M. A. A. Cultura Política, Identidade Representações Sociais. Recife,
Fundação Joaquim Nabuco, Ed....
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Representações sociais da escola

  1. 1. Universidade de Brasília – UnB Faculdade de Educação – FE Disciplina: Projeto III Representações Sociais Professora: Teresa Cristina Representações Sociais da escola na perspectiva de pais de alunos do ensino fundamental do Distrito Federal Alunos: Ávila de Casio Gonçalves Juliana Mendanha 27 de junho de 2009.
  2. 2. 2 Resumo As representações sociais são conhecimentos que se acumulam a partir da experiência, das informações, saberes e visão de mundo que os sujeitos recebem e transmitem pela tradição, pela educação e pela comunicação social. São maneiras de como os sujeitos sociais apreendem os fatos da vida cotidiana, as informações do seu contexto, dos acontecimentos e das pessoas. Presenciamos uma época em que a demanda pela participação dos pais na escola é crescente, considerando esta relação como fundamental para o bom desenvolvimento do educando, enquanto o individuo ativo do processo ensino-aprendizagem. Pode-se dizer que a escola é um prolongamento do lar, onde o aluno se socializa com os outros e partilha o seu dia-a-dia. Assim, a colaboração e a interação dos pais com os professores ajuda a resolver muitos problemas escolares dos seus educandos que vão surgindo ao longo do seu percurso escolar. A participação dos pais em trabalhos da escola torna-se essencial para que haja um dialogo entre eles. É de suma importância que os pais participem das atividades proporcionadas pela escola e incentivem seus filhos a participarem também, pois esta união enriquecerá todo o processo educativo. Introdução Pensar o tema Representações Sociais da escola implica considerar uma gama de reflexões sobre esta instituição e as diversas maneiras em que ela é vista pela comunidade, pois os diferentes tipos de representações são construídos por meio das relações interpessoais de um determinado grupo. Nos últimos anos, o conceito de representação social tem surgido freqüentemente em trabalhos acadêmicos, isso nos leva a indagar sobre a grande importância do tema para a sociedade. Paulatinamente, este conceito está atravessando as ciências humanas e contribuindo para a interpretação de fenômenos sociais contemporâneos. Para a orientação deste trabalho foram abordados alguns teóricos, os quais nos auxiliaram no desenvolver da pesquisa, dentre eles, pode-se destacar: Moscovici, o primeiro a formular o conceito de Representações Sociais; Sá; Andrade e outros. Por meio deles percebemos que as Representações Sociais são construções do senso comum, contudo de uma forma mais detalhada e elaborada. É um saber coletivo influenciado por vivências e experiências do dia-a-dia, por conceitos e interações entre as várias culturas. Inegavelmente, as Representações Sociais são construídas na observação de fenômenos e tem fundamentos ancorados tanto na sociologia como na antropologia.
  3. 3. 3 O objetivo geral desta pesquisa é analisar as Representações Sociais da escola na perspectiva de pais de alunos do 4º e 5º ano do Distrito Federal. Para tal análise torna-se necessário verificar cuidadosamente as representações que esses sujeitos proferiram a respeito da escola e relacioná-las com suas respectivas argumentações. Representações Sociais O primeiro conceito formal da Representação Social surgiu no trabalho de Moscovici, intitulado La psychanalyse, son image et son public (1961, 1976). “A representação social é uma modalidade de conhecimento particular que tem por função a elaboração de comportamentos e a comunicação entre os indivíduos” (Leonete 2006, p. 17, apud MOSCOVICI, 1978, p.26). Desta forma, entende-se que a articulação ou a combinação de diferentes questões, pontos de vista ou objetos, que propícia aos indivíduos saberes individuais ou coletivos, constituem e modelam o que se chama de Representações Sociais. Moscovici (1961) fala de dois processos de construção das representações sociais, são eles: a objetivação e a ancoragem. O primeiro possibilita que os conceitos e idéias sejam transformados em imagens concretas; há uma transformação do abstrato em concreto. Num objeto complexo, por exemplo, a objetivação se desenvolve relacionando e descontextualizando os elementos do objeto para serem apropriados pelo público. A objetivação supõe uma construção seletiva; uma esquematização do objeto representado. O segundo se refere ao processo de “enraizamento social” da representação de seu objeto, ou seja, há um reajustamento para absorver um elemento novo. Sá (1993) afirma que o condicionamento das representações sociais realmente acontece em todas as ocasiões e lugares onde as pessoas se encontram e se comunicam, mesmo que formal ou informalmente: no café da manhã, no almoço, no jantar, nas filas do banco, supermercado, no trabalho, na escola, nos bares, nas praças, nos corredores; talvez, principalmente nos botequins e bares, ou mesmo numa noitada. Moscovici corrobora essa idéia ao afirmar que as representações sociais terminam por constituir um pensamento num verdadeiro ambiente onde se desenvolve a vida cotidiana. (...) As representações podem ser uma forma particular de adquirir conhecimento e uma forma de transmitir entre indivíduos conhecimentos adquiridos, ou seja, as representações constituem modos de vida e forma de comunicação entre as pessoas, por isso, são representações sociais. Grupos diferentes podem e tendem a produzir
  4. 4. 4 representações diferenciadas sobre um mesmo objeto. (LOPES, 2005, P. 93, APUD, MOSCOVICI, 1961). Inegavelmente, o campo das ações sociais do homem engloba um saber construído no aporte das relações inter e intrapessoais; realidades consensuais, as quais provem dos universos reificados, ou seja, além do senso comum formado por conhecimentos produzidos espontaneamente por membros de um grupo e ancorado no consenso, surge os novos saberes populares que permeia as representações sociais. As formas de conhecimento: o saber do senso comum, a modalidade de pensamentos práticos orientados para a comunicação, compreensão e o domínio do ambiente social, constituem formas de representações sociais. Segundo Sá (1993, APUD, MOSCOVICI, 1984, p.23-24), “Para compreender o fenômeno das representações sociais devemos começar do começo (...) o propósito de todas as representações é o de transformar algo não familiar, ou a própria não familiaridade, em familiar”. Nesta perspectiva podem-se detectar os valores, as ideologias e as contradições para se compreender os aspectos do comportamento social, observável e registrável. Numa representação social é necessário considerar tanto os comportamentos individuais quanto os fatos sociais, observando a concretude e a singularidade histórica. Saber o porquê de uma representação é contribuir para as descobertas de ações e condutas nas comunicações sociais; é dialogar com o espaço onde se vive. A representação social não está calcada no conhecimento científico em si, mas e um saber elaborado e reelaborado segundo as vivências e experiências que dão significado para uma determinada ação. É composta por figuras e expressões socializadas; atos que se tornam comuns ao logo do tempo. As interações sociais modelam esse saber, o qual pode se entendido como o senso comum, porém mais detalhado e sistemático. Elas constroem, evoluem e se transformam no interior de grupos sociais; constituem verdadeiros atributos dos grupos sociais. Representar um objeto significa criá-lo simbolicamente, faz com que ele tenha um sentido para quem o representa, passando assim a fazer parte de seu mundo (...). O processo representativo é uma construção social da realidade, em nível simbólico, em que o sujeito deixa as marcas de sua identidade naquilo que representa. Andrade (1999, p. 73).
  5. 5. 5 Andrade (1999) afirma que as representações se expressam na comunicação e na conduta, mas, sobretudo na comunicação (percebe-se a fundamental importância da comunicação na construção do saber) e na linguagem falada, esta media o desenvolver das relações sociais; a postura diretiva do saber. Esta mesma autora diz que “Ficam então caracterizadas as RS como estruturas cognitivas específicas da sociedade contemporânea que se constroem no longo das relações sociais” (p. 79). (...) diríamos que as RS são uma forma de conhecimento específico, de caráter primordial- denominada “saber de senso comum” ou “saber primitivo” ou “saber natural”- socialmente elaborada e partilhada, tendo como finalidade prática, conhecer e agir sobre o mundo, atendendo às necessidades do cotidiano. Andrade (1999, p. 79). Analisando os atributos que formam uma representação social, pode-se perceber que ela nunca poderá ser construída isoladamente, pois a mesma necessita de um conjunto de idéias, imagens, opiniões, enfim, de articulação para formar um campo de representação. Mesmo sendo, muitas vezes contraditórias, as representações servem, por meio de uma perspectiva coletiva, porém sem extinguir a individualidade, para um estudo aprofundado a fim de se compreender melhor a realidade. Inegavelmente, a teoria das representações sociais proposta por Moscovici contribuiu e continua contribuindo para importantes pesquisas na área da construção do pensamento humano, facilitando o entendimento das relações formadas entre os sujeitos de uma sociedade. Representações sociais da escola A representação social da escola é uma expressão da realidade que as pessoas constroem ao longo de sua vida. Nessa construção são criadas articulações entre o passado, o presente e o futuro e isso proporciona ao desenvolvimento de várias idéias à respeito dela, a escola, formando uma visão coletiva do ambiente escolar. A representação resulta de um contínuo processo de apreensão e construção da realidade, e a escola, nesse processo, é vista conforme a vivência e a experiência própria de cada indivíduo. A representação social da escola surge, inegavelmente, de uma estrutura que foi internalizada pelos indivíduos durante seu desenvolvimento como pessoa. A cada dia essa
  6. 6. 6 representação pode ser moldada por novos conhecimentos resultados de experiências compartilhadas por indivíduos de vários grupos sociais. Dentro dessa perspectiva de representação social da escola, pode-se perceber uma diversidade de idéias a respeito dela, pois a representação pode ser considerada de forma subjetiva. Para um determinado grupo de pessoas a escola poder ser o “segundo lar” das crianças, onde elas aprendem a viver e conviver na sociedade. Para outros, a escola é um lugar onde os indivíduos são formados; o processo de desenvolvimento individual e coletivo é moldado com as vivências no âmbito escolar. Ela também poder ser considerada como um espaço de conscientização onde os sujeitos aprendem novas atitudes; uma mudança significativa para as relações sociais. Muitas pessoas atribuem à escola a função de passar conteúdos relevantes para as crianças; construir em conjunto com elas um aprendizado que lhe sirva para viver harmoniosamente na comunidade. Dessa forma ela se torna mediadora do conhecimento; das relações interpessoais; das histórias de vida; das ações dos alunos em sala de aula; enfim, um jogo de acontecimentos permeados pelo ambiente escolar que auxiliam na construção do conhecimento e das representações sociais da escola. O ambiente escolar acaba se tornando um lugar representativo e privilegiado para a observação das representações que são construídas no interior dos grupos sociais. O estudo das representações sociais é um instrumento de grande utilidade para compreender o que ocorre em sala de aula no decorrer da interação educativa, tanto do ponto de vista dos objetos de saber ensinados, quanto dos mecanismos psicossociais, por vezes discretos, em ações de aprendizagem. (GILLY, 2001, APUD DOTTA, 2006, p. 322-323). No âmbito escolar, o professor tem sido alvo de comentários negativos e, muitas vezes, é considerado o responsável pela atual situação educacional do país. Essa é uma realidade. É de grande importância analisar as representações sociais do professor e as características que envolvem todo o processo de aprendizagem e o seu papel social diante da comunidade, Leanete (2006, apud SOUTO, 1995). Diante disso, pode-se perceber que a escola acaba tendo diversas representações sociais, uma vez que ela é composta por vários agentes (alunos, professores, coordenadores, funcionários etc.) e é vista pelos mais variados grupos sociais, permeados por crenças,
  7. 7. 7 saberes, culturas, vivências entre outros. Ela, a escola, com todo o seu conjunto representativo, auxiliam nas conclusões que a própria sociedade tiram dela. Escola A palavra escola vem do grego scholé, que significa lugar do ócio. Na Grécia Antiga, muitas pessoas se reuniam na escola para refletir e pensar mais calmamente. Essa prática ainda é usada por muitas pessoas nos dias atuais. No Brasil colonial as principais escolas foram criadas pelos jesuítas nos anos compreendidos entre 1554 e 1570. Neste período foram fundadas cinco escolas de ensino elementar em: Porto Seguro, llheus, Espírito Santo, São Vicente e São Paulo. Nessas instituições, ensinava-se, Retórica, Humanidades. Gramática Portuguesa, Latim e Grego. A visão de escola como espaço social em que ocorrem movimentos de aproximação e de afastamento, onde se criam e recriam conhecimentos e valores nos levam a crer que ela é um terreno cultural caracterizado por vários graus de acomodação, contestação e resistência; uma pluralidade de linguagens e objetivos, André (2003). Escola é aquela que garante a qualidade de ensino educacional a cada um de seus alunos, de modo que reconheça e respeite a diversidade de cada um de acordo com suas potencialidades. A escola é o espaço no qual se deve favorecer, a todos os cidadãos, o acesso ao conhecimento e o desenvolvimento de competências (conjunto de habilidades), ou seja, a possibilidade de apreensão do conhecimento produzido pela humanidade e de sua utilização no exercício efetivo e contínuo da cidadania. Uma das funções da escola é auxiliar o aluno no processo de aprendizagem e de construção das competências, objetivo primeiro de toda ação educacional. Acredita-se que ela é peça fundamental para a formação de conhecimentos e valores que norteiam nossa civilização, ou seja, por meio dos conteúdos programados abriremos as portas do conhecimento universal. A escola é um lugar de motivação, de alegria; o prazer de freqüentar a escola e de aprender algo novo é o “combustível” que muitas pessoas têm para encarar a realidades da vida. Wenceslau da Cunha (2006) afirma que as escolas formam o caráter e a personalidade de um povo, podendo se bem planejada, oferecer as bases necessárias para o triunfo do indivíduo e, em caso contrário, pervertê-lo para sempre. Por isso, as escolas precisam ser reformuladas através de planos lúcidos e lógicos e uma consciente articulação de planejamento adaptado à realidade de nossos dias e dos alunos.
  8. 8. 8 Importância da escola A sociedade atual vive em constante medo, pois a violência, as desigualdades sociais, a falta de respeito, a falta de amor ao próximo entre outros estão se multiplicando a cada dia e assustando a população. Neste contexto, a escola se torna uma saída, na visão de muitas pessoas, para amenizar estes problemas, uma vez que as relações desenvolvidas em sala de aula podem resultar em processos de aprendizagem e conscientização coletiva entre os alunos. Assim, a escola tem grande importância por favorecer a cada aluno, independentemente de etnia, sexo, idade, deficiência, condição social ou qualquer outra situação um ensino significativo que garanta o acesso ao conjunto sistematizado de conhecimentos como recursos a serem mobilizados durante toda a sua vida. Mesmo com a violência que se percebe no ambiente escolar, por exemplo: a agressividade entre os alunos e a falta de respeito aos professores não elimina a possibilidade de se construir saberes de grande valia para o desenvolvimento social dos indivíduos. “Mas as crises de alterações que vive a escola são normais uma vez que a educação é feita de conflitos. (...) 'a escola deve persistir ainda por muito tempo' ”, Mônica (DIÁRIO NA ESCOLA, 2003, P. 3). Ainda que o ambiente escolar seja formado por todo este contexto, são constantes as discussões a respeito do “para que serve a escola” enquanto instância educativa. Diariamente, observamos as diferentes interpretações de sua função e relevância na vida das pessoas. Ferreira enfatiza bem este ponto: A clássica questão do por que e para que educar admite sempre várias respostas. Concepções político-filosóficas, ligadas a tempos e espaços diferentes, aparecem nos discursos do “dever ser” da educação. É sempre polêmico delinear os fins da educação... (FERREIRA , 1993, p.5). Mônica (2003) afirma que a função básica do estabelecimento de ensino hoje é social e de transmissão cultural. Desta forma, deixou de ser o centro de transmissão de conhecimento para se tornar responsável pela manutenção de valores e normas de conduta. Por ser um ambiente em que as crianças passam grande parte do tempo, ele se torna fundamental para a construção da socialização destes indivíduos.
  9. 9. 9 Inegavelmente a escola tem um papel muito importante na sociedade, ela engloba os processos de mediação dos conhecimentos necessários à convivência e ao ajustamento de um membro no seu grupo ou sociedade. Pais e escola Presenciamos uma época em que a demanda pela participação dos pais na escola é crescente, considerando esta relação de reciprocidade como fundamental para o bom desenvolvimento do educando, enquanto indivíduo ativo do processo de ensino- aprendizagem. Pode-se dizer que a escola é um prolongamento do lar, onde o aluno se socializa com os outros e partilha o seu dia-a-dia. Assim, a colaboração e interação dos pais com professores ajudam a resolver muitos problemas escolares, dos seus educandos, que vão surgindo ao longo do seu percurso escolar (MEC, 2007, p 27). Na visão de muitos pais a escola realmente é a extensão do lar a qual deve intensificar uma interação entre a criança e a família. Esta interação pode favorecer, sem dúvida, um processo educativo para o desenvolvimento dos indivíduos. A participação dos pais em trabalhos da escola torna-se essencial para que haja um diálogo entre eles auxiliando na aprendizagem do educando. É de extrema importância que os pais participem das atividades proporcionadas pela escola e incentivem seus filhos a participarem também, pois esta união enriquecerá todo o processo educativo. Desta forma, os pais farão parte, efetivamente, da representação social da escola. Além do mais, esta participação é garantida através da Lei 9.394/96, no seu artigo 14, em que garante a participação da comunidade escolar e local nos conselhos ou instrumentos de participação equivalentes. Assim, fica evidente o reconhecimento da importância dos atores da escola, entre eles os pais, para uma boa efetivação da mesma. Uma vez que o trabalho em conjunto tem o intuito de propiciar o desenvolvimento de comportamentos que contribuirão na formação do aluno. Cabe à escola tornar os pais participativos, levando até eles o conhecimento da filosofia de trabalho da instituição, as informações, qualificações e experiências.(...) O planejamento da vida cotidiana junto à instituição escolar deve ser iniciado pelo conhecimento sobre a criança e suas peculiaridades. Isso é conseguido por meio de
  10. 10. 10 um contato direto entre família e professores. (BOLLMAN C. REV. PEC, Curitiba, v.1., n.1, p. 66, jul.2000-jul.2001) Nesta perspectiva, pode-se observar que o diálogo entre a família e a escola é fundamental para entender o desenvolvimento educativo o qual tende a colaborar para um equilíbrio no desempenho escolar dos alunos. Quando isso acontece, as Representações Sociais da escola se tornam mais clara para os pais e o aprendizado de seus filhos é estruturado na relação dialética: pais- escola-alunos. Metodologia Nesta pesquisa, trabalhamos numa abordagem investigativa com o intuito de obtermos resultados quantitativos e qualitativamente dos dados colhidos dos sujeitos pesquisados. Para isso, usamos como instrumento para a coleta dos dados um questionário de associação livre, o qual tinha a seguinte estrutura: cada sujeito deveria concluir, usando inicialmente 6 palavras, a frase: para mim a escola é.... Dentre as 6 palavras ele deveria escolher e escrever por ordem, as 3 mais importantes. Por último ele escolheria a palavra mais importante dentre as 3 e justificaria sua decisão. Os questionários foram respondidos no momento da entrega e junto com o pesquisador. Os participantes da pesquisa consistiam em pais de alunos do 4º e 5º ano do ensino fundamental da rede publica do Distrito Federal. Participaram da pesquisa 69 pais com idades compreendidas entre 24 e 55 anos, sendo 46 do gênero feminino e 23 do gênero masculino. Em relação ao sexo feminino 2,1% possuem ensino fundamental incompleto; 2,1% possuem o ensino fundamental completo; 65,2% ensino médio completo; 2,1% médio incompleto; 13,04% superior incompleto; 10,8% superior completo e 4,3% não identificaram a sua escolaridade. Por outro lado, percebemos que 17,39% do sexo masculino possuem ensino fundamental incompleto; 39,13% possuem ensino médio completo; 7,39% possuem ensino superior completo; 13,04 possuem ensino superior incompleto e 13,04 não identificaram sua escolaridade. Os dados coletados foram analisados por meio do software denominado EVOC desenvolvido por Vergès, versão 2003, que permite a organização das evocações produzidas de acordo com as suas freqüências, ordem de evocação, ou de importância, possibilitada pela hierarquização dos termos enunciados pelos sujeitos. Este software nos deu um resultado preliminar das palavras mais evocadas pelos pais.
  11. 11. 11 Análises e discussão dos dados O objetivo geral dos questionários aplicados com os pais foi verificar as representações que os mesmos têm da escola e assim entender melhor os aspectos da realidade destes sujeitos. No software EVOC, o núcleo central, o quadrante mais significativo para as análises, foram encontradas as palavras: aprendizagem, conhecimento, educação e futuro sendo as que apareceram com maior freqüência. Socialização, importante e outras também apareceram no 1º quadrante, embora com menor freqüência. No gráfico abaixo, podemos observar a freqüência de evocação destas palavras. 1º Quadrante - Núcleo Central 0 5 10 15 20 25 30 35 1Palavras evocadas Frequência Aprendizagem Conhecimento Educação Importante Futuro Socialização Essencial Estudo Fundamental Ao analisar as justificativas dos pais, percebemos que em sua maioria a aprendizagem é o ato de assimilar e compreender o que é ensinado na escola e que sem ele o “vencer na vida” se tornará mais difícil. A construção simbólica que se tem de escola começa a aparecer vertiginosamente nos questionários. Quando o sujeito diz que o aprendizado é tudo, ele está prioritariamente referindo a um futuro profissional, relação feita pela maioria em suas justificativas. Inegavelmente é na escola que se tem a idéia de construir um bom conhecimento sobre o mundo. De acordo com Lopes (2005, p. 15), “A teoria da aprendizagem também se apresenta como mais uma forma de explicação do comportamento humano.” De certa forma o comportamento é permeado por características da aprendizagem. Ficou claro nos questionários que a aprendizagem é abordada pela maioria dos sujeitos como um meio pelo qual uma pessoa conseguirá ter um futuro mais próspero. Percebe-se uma ligação entre sucesso social com a aprendizagem. A escola seria mediadora indispensável desse processo de construção, sendo a aprendizagem um modo sintético de aperfeiçoar novas
  12. 12. 12 competências e habilidades para o convívio em sociedade. Desta forma, percebe-se uma ligação direta entre a escola e a aprendizagem. Esta é tida como papel fundamental da escola, devendo, assim, ter a qualidade como princípio fundamental. Outro ponto analisado, foi que a aprendizagem não está ligada necessariamente aos conhecimentos científicos, mas também, aos conhecimentos diários, inseridos no contexto sociocultural de cada indivíduo, construídos coletivamente, através de uma ação recíproca. Tendo em vista que “aprender significa também a existência de um contexto sociocultural que é sua fonte propulsora e o quadro de referência de validação do conhecimento produzido” (MUNIZ, 2004).Temos, assim, a aprendizagem como fator importante para o desenvolvimento e para a construção do “eu”, ou seja, do reconhecimento da pessoa humana. Analisando as justificativas dos pais referentes ao conhecimento, palavra que representa a escola na visão deles verificou uma associação com informações que ajudariam o indivíduo a resolver determinados tipos de problemas e assim entender melhor a realidade que o cerca. Um pai justificou que “conhecer significa descobrir algo novo”. Observamos que o conhecimento está intrinsecamente unido à aprendizagem, tendo em vista que a construção do conhecimento ocorre através do convívio social, sendo a escola um importante mecanismo de socialização. Além disso, considera-se a necessidade do estudo, para que desta forma, ocorra o desenvolvimento do pensamento e, assim, a construção do conhecimento. Assim como a aprendizagem e o conhecimento, palavras muito evocadas pelos pais e que se encontram no núcleo central, a educação também foi uma palavra representativa para a escola. Nas respectivas justificativas dos sujeitos em questão, verificamos que a educação foi vista por eles como uma fonte indispensável para se conseguir tudo e é algo que todos nós precisamos. Os argumentos usados giram em torno de um futuro melhor, ou seja, a educação é o caminho para a ascensão social. Detectamos que a escola é vista como principal fonte de Educação, considerando que educar é o papel fundamental desta instituição. O ambiente escolar é visto como instrumento de ensinamento dos valores presentes no contexto social, uma vez que este ambiente está inserido num contexto maior, sendo alvo de diversos fatores externos. Além disso, acredita-se na educação como um caminho favorável à sobrevivência humana. Brandão (1995) afirma que a educação está em todos os lugares e no ensino de todos os saberes. Assim, não existe modelo de educação, a escola não é o único lugar onde ela ocorre e nem muito menos o professor é seu único agente. Existem inúmeras educações e cada uma atende a sociedade em que ocorre, pois é a forma de reprodução dos saberes que compõe uma cultura, portanto, a educação de uma sociedade tem identidade própria.
  13. 13. 13 As justificativas dos pais que escolheram a palavra importante para completar a frase citada anteriormente expressam, de forma clara, uma ligação com o futuro profissional. A escola é importante por propiciar aos alunos uma possibilidade de um futuro melhor. Na visão deles é a escola que orienta e capacita o indivíduo para efetuar boas escolhas na sociedade capitalista e competitiva. Esses são alguns significados que percebemos nas justificativas das respostas proferidas pelos sujeitos da pesquisa. Não diferentes desses argumentos, outros dizem que a escola é fundamental porque estrutura a pessoa para a vida. A escola é o futuro. Argumento inerente a essa resposta se fundamenta na escola como promotora de uma vida melhor. Como percebemos em algumas justificativas anteriores, a escola representa, para a maioria dos pais, um ideário que proporciona às pessoas condições para se ter sucesso financeiro e uma boa preparação profissional. Tem-se a escola como o lugar em que se aprende e, assim, se ensina tudo o que é necessário para a ascensão social, tendo em vista, que a concepção de “futuro melhor” está vinculada a realidade capitalista na qual estamos inseridos. Retomando à fundamentação teórica,Wenceslau da Cunha (2006) afirma que a escola, se for bem planejada, pode oferecer as bases necessárias para o triunfo do indivíduo. Por outro lado, verificamos que a socialização também foi uma palavra muito evocada pelos pais, motivo esse, se encontra no núcleo central. As considerações que os sujeitos fizeram sobre essa resposta, se estruturam na interação dos alunos no ambiente escolar como algo preponderante para um bom aprendizado. A escola também foi associada ao estudo; a representação social da escola está ancorada na qualidade do estudo que a mesma apresenta aos alunos. Lopes (2005) afirma que a socialização seria um dado fundamental na condução do desenvolvimento, dessa forma criaria condições para fluir o pensamento. São as interações sociais que possibilitam uma consciência no final de um desenvolvimento. Segundo este mesmo autor (p. 15), “(...) a socialização é apenas um aspecto limitado da aprendizagem que se relaciona com o comportamento social entre os seres humanos”. A interação entre os alunos numa escola proporciona a eles vivenciar novas experiências e conhecer diversos pontos de vista, daí a importância da socialização. A representação da escola como um lugar de oportunidades também foi dita por uma grande quantidade de pais. Essa palavra se encontra no segundo quadrante e teve uma freqüência muito alta. Os argumentos dos pais sobre essa questão estão ligados, também, a um futuro melhor, uma vida melhor etc. A preparação profissional também foi proferida por alguns pais com algo representativo da escola.
  14. 14. 14 A tabela abaixo mostra o resultado, nos quatro quadrantes proporcionados pelo software EVOC, de todas as palavras que foram mais evocadas pelos pais. Elas foram colocadas, em cada quadrante, na ordem de maior para menor freqüência de modo a facilitar as observações feitas pelo leitor. Núcleo central 2º quadrante 3º quadrante 4º quadrante F Palavras evocadas F Palavras evocadas F Palavras evocadas F Palavras evocadas 30 Aprendizagem 18 Amizade 4 Boa 4 Lazer 22 Conhecimento 7 Convívio 4 Casa 3 Cidadania 22 Educação 7 Diversão 4 Ensino 3 Companheirismo 14 Futuro 6 Necessária 4 Especial 3 Disciplina 14 Importante 6 Preparação- profissional 4 Tudo 3 Família 11 Socialização 5 Oportunidade 4 Formação 3 Respeito 6 Essencial 5 Desenvolvimento 3 Chata 5 Estudo 3 Cultura 5 Fundamental 3 Experiência 3 Integração Considerações finais Este trabalho foi muito importante para entendermos a relevância das interpretações que atores necessários para o bom desenvolvimento da escola, como, no caso, os pais, possuem a respeito deste lócus educativo. Desta forma, esta pesquisa contribuiu no sentido de que a interpretação das Representações Sociais aqui investigadas, nos proporciona fomento para a busca de estratégias, que de forma direta ou indireta, melhorem a qualidade de ensino. Deste modo, acreditamos que a solidificação de um bom sistema de ensino será possível, a partir do momento que considerarmos as expectativas destes atores a respeito da escola, pois assim, alcançaremos um ambiente escolar de acordo com a realidade dos indivíduos que atuam diretamente neste processo. Assim, consideramos que a investigação das Representações Sociais da Escola é um instrumento fundamental para entendermos estas expectativas, uma vez que, ao falarmos de Representações, nos referimos a um conhecimento construído coletivamente, o que nos proporciona, através desta pesquisa, a relação recíproca entre pais↔escola, ponto fundamental para analisarmos o que a escola é, e o que deveria ser, de acordo com os pais, trabalhando, a partir disso, para o seu progresso.
  15. 15. 15 Referências ANDRADE, M. A. A. Cultura Política, Identidade Representações Sociais. Recife, Fundação Joaquim Nabuco, Ed. Massangana, 1999. ANDRÉ, MARLI, E. D. A. Etnografia da prática escolar. Papirus, ed.14ª, 2003. BOLLMAN, CLEUSA, M. S; ANTUNES, DANIELA, M. K; CARVALHO, EMÍLIA, M; LEPCHAK, JOANA, D’. A; DELFES, LUISA, H. A. P; PATRINHANI, MARIA, L. S; FENIANOS, W. Interação pais e escola. Rev. PEC, Curitiba, v.1., n.1, p.65-68, jul.2000- jul.2001 BRANDÃO. Carlos R. O que é educação, 33ª Ed. Brasiliense, São Paulo. 1995. DIÁRIO NA ESCOLA, SANTO ANDRÉ – 7 de fevereiro de 2003. Diário do grande abc. FERREIRA, Nilda Tevês. CIDADANIA: uma questão para a educação. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. LOPES, N. A. Deficiência e Inclusão Escolar: um estudo sobre representações sociais. UnB, junho/ 2005 – dissertação. MERCÊS, A. B. B; ARRUDA, A; BURIHAN, B. S; SÁ, C.B; SOUZA, F. E. A; SATO, L; ALICE, M. V. L; JAMES, M. P. S; MARIA, N. G; VIERALVES, R. C; LANE, S. T. M; OLIVEIRA, S. S. O conhecimento no cotidiano: as perspectivas da psicologia social, Ed. Brasiliense, 1993. LEANETE, T. D. Representações Sociais do ser professor. Campinas: S.P: Alínea, 2006. MEC. Projeto Educativo 2007/2010. São Romão/ MG, 2007. WENCESLAU, CUNHA. Educação Brasil escola, 2006. www.brasilescola.com

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