RELAÇÃO ENTRE EXISTENCIALISMO E MARXISMO SEGUNDO
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conseguirem dominar essa angústia interior de não haver um nada que os guie
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possibilita o avanço de sua emancipação perante sua fragilidade biológica,
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desenvolvimento de uma nova concepção de enxergar a vida humana e sua
interação entre a dominação, o medo e a existência.
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Relação entre existencialismo e marxismo segundo Sartre

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Texto filosófico abordando a intrínseca relação entre o existencialismo e marxismo.

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Relação entre existencialismo e marxismo segundo Sartre

  1. 1. RELAÇÃO ENTRE EXISTENCIALISMO E MARXISMO SEGUNDO SARTRE Para se discutir a relação entre existencialismo e marxismo de acordo com Sartre é necessário compreender inicialmente a concepção que o filósofo francês tinha do que era a existência humana. Desse modo, a existência é percebida como a relação do homem consigo mesmo e com o universo que o rodeia, ou seja, que a existência é uma maneira de ser de acordo com determinado momento ou situação. Compreendendo a situação como uma realidade sólida em que o homem está inserido, influenciando sua forma de agir nesse mundo o qual ele foi "lançado", uma vez que, por não acreditar em uma existência divina, para Sartre o homem não existiria por intermédio da mão de Deus, como pensam os religiosos cristãos, mas fruto do próprio acaso. E o acaso seria senão a sorte de acontecimentos o qual o homem vivenciaria, mas que estariam também ligados as próprias escolhas feitas por cada indivíduo. Assim, um dos principais contrapontos e polêmicas existentes na filosofia de Sartre sobre o existencialismo se encontra no fato de que para ele não existe um Ser divino, denominado de Deus, criador do universo, infinito e com poderes sobrenaturais. Entretanto, há apenas uma existência que se completa no próprio existir, ou seja, é a essência dos homens destituídos de um racionalismo que o faz diferente dos outros seres vivos, que possibilita que o mesmo possa entender a existência como algo que ocorre justamente pela interferência do homem na natureza, e pelos próprios fenômenos que ocorreram mesmo antes do ser humano surgir a milhões de anos. Não seria também a existência humana um conceito criado pelo próprio homem, a fim de validar a busca pelo sentido de sua presença neste mundo? Busca pelo sentido esse que o inquieta, afinal por possuir o dom da razão o homem sente-se privilegiado, mas ao mesmo tempo perturbado perante os outros seres vivos que não cogitam sobre seu existir, apenas existem, e os homens sem um Deus sentem-se incapacitados por não
  2. 2. conseguirem dominar essa angústia interior de não haver um nada que os guie e que os levem ao que se almeja que seria a felicidade e a vida eterna. O existencialismo de Sartre se torna repudiável para a ampla maioria das pessoas, justamente por seu caráter ateísta, onde nega a existência de um Deus guiando o destino do homem e, por conseguinte da humanidade. Isso acaba transformando o conceito de existência em algo ainda mais complexo, afinal sem um ser divino, para ordenar os fenômenos existentes e guiar a sina humana como compreendê-la através do espectro da mera casualidade e sorte? Outro fator que faz com que a filosofia sartriana da não existência de Deus seja tão dura é o fato de que ela acaba por tornar a vida humana em algo ainda mais vazio e sem sentido, já que sem um fator motivador e uma crença em uma vida eterna, toda existência humana se encerra em uma gama de acontecimentos sem nexo algum e que se finda de forma abrupta, de modo mais sem sentido ainda. Isso abriria precedentes para o aumento de atos dito como "desumanos" e "pecaminosos", ou seja, que iriam contra a natureza divina, mas que por justamente não serem considerados errados, já que não haveria Ser Superior algum para condená-los, poderiam ser amplamente praticados. Desse modo, o homem responsável por suas próprias ações, é detentor do livre-arbítrio, conceito presente também no Cristianismo, mas que analisado conforme a filosofia de Sartre, se mostra como algo mais forte. Uma vez, que as escolhas que o homem faz mudam e interferem não apenas em sua história, mas pode trazer consequências para todo o planeta. Por não haver mais um Deus responsável pela vida, pelos fenômenos naturais e por tudo o que ocorre na vida humana e natural, a responsabilidade do existir humano se torna maior, visto que ela seria crucial no futuro de todos, já que não estaria mais traçado como se imagina nas religiões Cristãs. O marxismo como uma doutrina que percebe o ser humano como um indivíduo social histórico e que tem a aptidão de trabalhar e desenvolver a produtividade do trabalho, o que distingue os homens dos outros seres e
  3. 3. possibilita o avanço de sua emancipação perante sua fragilidade biológica, proporcionando o desenvolvimento de suas potencialidades, possui grande conexão com o existencialismo sartriano. Inicialmente essa interligação se daria pelo fato de que o marxismo assim como o existencialismo de Sartre atribui ao próprio homem a responsabilidade pelas suas ações, e, por conseguinte o rumo de sua história, seus progressos ou infortúnios. Diferentemente do existencialismo cristão e da lógica protestante de prosperidade, onde Deus é que provê tudo e ele é que seria o único capaz de dar ao homem a sabedoria necessária para seu progresso, ou o castigo por sua desobediência. O Cristianismo ao ser levado e desenvolvido na Europa ajudou a propagar a ideia de que o homem é o único ser capaz de dominar a natureza, de modo que o homem europeu em especial, pôde se valer da ideia de que por ser superior, e cristão tinha como missão salvar os povos pagãos que desconheciam a Deus, e desse modo se acharam no direito de tomar suas terras e até mesmo escravizá-los, dando início a séculos depois a uma nova e desigual divisão do trabalho. Essa divisão do trabalho surgida pós-revolução industrial foi a base para que Marx desenvolvesse suas ideias, de que a concepção materialista e dialética da História, interpreta a vida social conforme a dinâmica da base produtiva das sociedades e das lutas de classes daí consequentes. Marx por ser ateísta como Sartre possuía também a crença de que o homem aceitaria o sofrimento como algo natural e divino na esperança da recompensa de uma vida eterna em um paraíso extraterreno, dizia que a religião era o ópio do povo, já que o alienava e fazia com que as pessoas não se indignassem diante das injustiças. Portanto, o marxismo e o existencialismo de Sartre embora sejam visões filosóficas que tentam explicar coisas diferentes no caso a situação do homem enquanto ser individual e sua situação enquanto ser social, acabam se completando. Visto que, promovem o encontro de dois grandes filósofos que embora tenham encontrado no Ateísmo uma fonte de inspiração e, por conseguinte grande rejeição por parte das pessoas, possibilitaram o
  4. 4. desenvolvimento de uma nova concepção de enxergar a vida humana e sua interação entre a dominação, o medo e a existência. Embora, particularmente eu na função de escritor não seja ateísta, acredito que muitas vezes a religião aliena as pessoas, e que melhor do que acreditar em um Deus que castiga ou que rege o nosso destino, prefiro crer em um Ser Divino que promove a paz interior e possibilita a harmonia e o amor verdadeiro entre os próprios homens e entre estes e a natureza.

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