CURRÍCULO EM MOVIMENTO - Ensino Médio

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Caderno 5 do Currículo do EM - texto para validação - SEEDF

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CURRÍCULO EM MOVIMENTO - Ensino Médio

  1. 1. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL Livro 5CURRÍCULO EM MOVIMENTO QUARTO CICLO Ensino Médio Semestralidade Versão para Validação Fevereiro de 2013
  2. 2. Governador do Distrito FederalAgnelo QueirozSecretário de EducaçãoDenilson Bento da CostaSecretária Adjunta de EducaçãoMaria Luiza Fonseca do ValleSubsecretária de Educação BásicaSandra Zita Silva TinéColaboradores:Adriana Aparecida Barbosa Ramos Matos, Adriana Helena Teixeira, Adriana TostaMendes, Aldeneide Dos Santos Rocha, Alexandra Pereira Da Silva, Alexandre Viana AraujoDa Silva, Aline de Menezes, Álvaro Sebastião Teixeira Ribeiro, Amanda MidôriAmano,Ana José Marques, Ana julia E. Heringer Salles, Ana Lucia F. de Brito, Ana Maria de LimaFagundes, Ana Paola Nunes Oliveira Lima, Ana Paula Santos de Oliveira, Anderson deF. Matias, André Lucio Bento, André Wangles de Araújo, Andrei Braga da Silva, AndréiaCosta Tavares, Anna Izabel Costa Barbosa, Antônia Lima Cardoso, Antonio Carlos DeSousa, Antônio Eustáquio Ribeiro, Ari Luiz Alves Paes,Ariomar da Luz Nogueira Filho,Arlene Alves Dutra, Avelina Pereira Neves, Carla Ramires Lopes Cabaleira,Carlos AlbertoMateus da Silva, Carlos Dos Santos Escórcio Gomes, Carmen Silvia Batista, Cassia DeOliveira Hiragi, Cátia Cândido da Silva, Cátia De Queiroz Domingues, Célia AparecidaFaria Almeida, César Alexandre Carvalho, Cícero Lopes de Carvalho Neto, Cília CardosoRodrigues da Silva, Cira Reis Araujo De Sousa, Claudia De Oliveira Souza, Cleide deSouza M. Varella, Cleonice Martins dos Reis, Cristiane Alves de Assis, Cristiano de SousaCalisto, Daniel Ferraz, Daniel Policarpo S. Barbosa, Deborah Christina de MendonçaOliveira, Deborah Moema Campos Ribeiro, Denise Formiga M. de Castro, Denise Marrade Moraes, Dhara Cristiane de Souza Rodrigues, Edileuza Fernandes da Silva, EdnaRodrigues Barroso, Ednéa Sanches, Edvan Vieira Das Virgens, Elaine Eloisa De AlmeidaFranco, Elayne Carvalho da Silva, Elna Dias, Elson Queiroz De Oliveira Brito, ElzimarEvangelista, Emilia Helena Brasileiro Souza Silva, Érica Soares Martins Queiroz, ErikaGoulart Araújo, Ester Shiraishi, Eudócia Correia Moura, Eugênia Medeiros,EvandirAntonioPettenon, Fani Costa De Abreu, Francisca das Chagas A. Franco, Francisco AugustoRodrigues De Mattos, Frederico Dos Santos Viana, Geovane Barbosa de Miranda, GildaDas Graças E Silva, Gilda Ferreira Costa, Gilmar Ribeiro de Souza, Giovanna Amaral daSilveira, Gisele Lopes Dos Santos, Gisele Rocha do Nascimento, Gleidson Sousa Arruda,Goreth Aparecida P. da Silva, Helen Matsunaga, Helenilda Maria Lagares, Hélia CristinaSousa Giannetti, Helio Francisco Mendes, Hiram Santos Machado, Idelvania Oliveira,Ildete Batista do Carmo, Ilma Maria FilizolaSalmito, Iracema Da Silva De Castro, Irair PaesLandin, Irani Maria Da Silva, Iris Almeida dos Santos, Isla Sousa Castellar,Ivanise dos ReisChagas , Jailson Soares Barbosa, James Oliveira Sousa, Jamile Baccoli Dantas, Jane Leitedos Anjos, Janilene Lima da Cunha, Jaqueline Fernandes, Jardelia Moreira Dos Santos,JeovanyMachoado dos Anjos, João Carlos Dias Ferreira, João Felipe de Souza, JoaquimV. M. Barbosa, Jorge Alves Monteiro, Jose Batista Castanheira De Melo, José NorbertoCalixto, Jose Pereira Ribeiro, Jose Wellington Santos Machado, Julia Cristina Coelho, Juliana
  3. 3. Alves De Araújo Bottechia, Juliana Ruas de Menezes, Júlio César Ferreira Campus, KátiaFranca Vasconcellos, Kátia Leite Ramos, Laércio Queiroz da Silva, LatifeNemetala Gomes,Laurice Aparecida Pereira Da Silva, Leila D’Arc de Souza, Lídia Danielle S. de Carvalho,Ligia Da Silva Almeida Melo, Liliani Pires Garcia, Lucélia de Almeida Silva, Luciano daSilva Menezes, Lúcio Flávio Barbosa, Lucy Mary Antunes dos Santos, Luiz Carlos PereiraMarinho, Luzia Inacio Dias, , Luzia Oliveira do Nascimento, Maicon Lopes Mesquita,Maira I. T. Sousa, Manoel Alves da Silva, Marcelo L. Bittencourt, Márcia Andréia B. Ramos,Márcia de Camargo Reis, Márcia Forechi Crispim, Marcia Lucindo Lages, Márcia SantosGonçalves Coelho, Márcio Antônio Sousa da Silva, Marcio Mello Nóbrega Soares, MarcioMelo Freitas, Marcos Antonio da Silva, Margarete Lopes dos Santos, Maria AparecidaSousa, Maria Cristina Dollabela, Maria da Glória da Mota, Maria do Rosario RochaCaxanga, Maria Goreth Andrade Dizeró, Maria Irene Barros, Maria Ireneuda de SouzaNogueira, Maria Juvanete Ferreira da Cunha Pereira, Maria Luiza Dias Ramalho, MariaRosane Soares Campelo, Mario Bispo Dos Santos, Mário Sérgio Ferrari, Marta Carvalhode Noronha Pacheco, Matheus Ferreira, Maura da Aparecida Leles, Maxwendel PereiraDe Souza, Michelle Abreu Furtado, Milton Soares da Silva, Miriam Carmem MagalhaesMiranda, Moacir Natercio F. Júnior, Nádia Maria Rodrigues, Nair Cristina da Silva Tuboiti,Natalia de Souza Duarte, Neide Rodrigues de Sousa, Neide Silva Rafael Ferreira, NellyRose Nery Junquilho, Nilson Assunção de Araújo, Nilson Couto Magalhaes, Nilva MariaPignata Curado, Norma Lúcia Neris de Queiros, Odaiza Cordeiro de Lima, Olga Freitas,Oraniel de Souza Galvão, Pablo Da Silva Sousa, PatriaLiliande Castro Rodrigues, PatríciaCarneiro Moura, Patricia Coelho Rodrigues, Patrícia Nunes de Kaiser, Paula Mirandade Amaral, Paulo Cesar Dos Anjos, Paulo Cesar Rocha Ribeiro, Paulo Henrique Ferreirada Silva, Paulo Ricardo Menezes, Pedro Alves Lopes, Pedro Anacio Camarano, Pedrode O. Silva, Plínio José Leite de Andrade, Porfirio Magalhães Sousa, Priscila Poliane deS. Faleirom, Rafael Batista de Sousa, Rafael Dantas de Carvalho, Rafael Urzedo Pinto,Raimundo Reivaldo de Paiva Dutra, RaniereR. Silva de Aguiar, Raquel Vila Nova Lins,Regeane Matos Nascimento, Regina Aparecida Reis Baldini de Figueiredo, Regina LúciaPereira Delgado, Reinaldo Vicentini Júnior, Rejane Oliveira dos Santos, Remísia F T DeAguiar, Renata Alves Saraiva de Lima, Renata CallaçaGadioli dos Santos, Renata Nogueirada Silva, Renata Parreira Peixoto, Renato Domingos Bertolino, Rinaldo Alves Almeida,Rober Carlos Barbosa Duarte, Roberto de Lima, Robison Luiz Alves de Lima, Roger Penade Lima, Rosália Policarpo Fagundes de Carvalho, Rosana Cesar de Arruda Fernandes,Rosangela Delphino, Rosangela Toledo Patay, RosembergHolz, Samuel WvildeDionisio deMoraes, Sara dos Santos Correia, Sérgia Mara Bezerra, Sergio Bemfica da Silva, Sérgio LuizAntunes Neto Carreira, Shirley Vasconcelos Piedade, Sônia Ferreira de Oliveira, SuramaAparecida de Melo Castro, Susana Moreia Lima, Tadeu Maia, Tania Cristina Ribeiro deVasconcelos,Tadeu Queiroz Maia, Tania Lagares de Moraes, Telma Litwinuzik, UrâniaFlores, Valeria Lopes Barbosa, Vanda Afonso Barbosa Ribeiro, Vanessa Ribeiro Soares,Vania Elisabeth AndrinoBacellar, Vânia Lúcia C. A. Souza, Vasco Ferreira, Verinez CarlotaFerreira, Veronica Antonia de Oliveira Rufino, Vinicius Ricardo de Souza Lima, VivianyLucas Pinheiro, Wagner de Faria Santana, Wando Olímpio de Souza, Wanessa de Castro,Washington Luiz S Carvalho, Wédina Maria Barreto Pereira, Welington Barbosa Sampaio,Wellington Tito de Souza Dutra, Wilian Gratão.
  4. 4. Proposta de validação do currículo em movimento Esse Currículo em Movimento intenta enfrentar as fragilidades que as escolaspúblicas do Distrito Federal vêm apresentando. Procura, especialmente, romper com asbarreiras sociais, políticas, econômicas e culturais que segregam unidades escolares edistorcem as possibilidades de aprendizagem dos estudantes. A construção do Currículo em Movimento iniciou-se em 2011, nas unidadesescolares das quatorze Coordenações Regionais de Ensino, com a análise daspotencialidades e fragilidades do Currículo Experimental. Essas e outras análises foramdebatidas em sete Plenárias Regionalizadas ainda no ano de 2011. As sugestões foramsistematizadas e serviram de base para o Projeto Político Pedagógico Carlos Mota,lançado no primeiro semestre em 2012, e para essa versão do Currículo, construídacoletivamente por professores e professoras dessa casa. Esse processo ajudou aampliar a compreensão sobre os caminhos a serem percorridos na educação públicado Distrito Federal. Também em 2012, foram realizadas eleições diretas para Diretores e ConselhosEscolares e instituído o Fórum de Educação do Distrito Federal, previstos na Lei 4.751 de2012 – Lei da Gestão Democrática. Assim, em um processo de reformulação da dinâmicada gestão da educação e defendendo os princípios da cidadania, da diversidade, daaprendizagem e da sustentabilidade humana, o Currículo em Movimento passa agorapor um processo de socialização e validação democrática pela Comunidade Escolar. Com intenção de assegurar voz e vez a cada integrante de nossa comunidadeescolar, convidamos todos e todas para participarem do processo de validação doCurrículo em Movimento. Para organização do trabalho, sugerimos o seguinte roteiro: 1) Validação do Currículo em Movimento pela Comunidade das Unidades Escolares: a. Período – fevereiro e março. b. Estratégia - A comunidade escolar estudará o Currículo em Movimento de sua etapa/modalidade. Após as discussões a escola faz seus apontamentos de supressão, acréscimo e alteração e elege seus representantes por etapa/ modalidade para validação Regional. 2) Validação do Currículo em Movimento nas Coordenações Regionais de Ensino: a. Período – abril e maio. b. Estratégia – Os representantes das unidades escolares, em plenárias Regionais, a partir de sistematização prévia das sugestões das escolas, formulam sua proposta Regional. 3) Validação Distrital do Currículo em Movimento: a. Período – junho. b. Estratégia – Em Conferência própria, o Currículo em Movimento será validado e publicado, permitindo a toda a comunidade escolar do Distrito Federal conhecimentos e metodologias significativas e identitárias de nossa política educacional.
  5. 5. SumárioIntrodução......................................................................................................................... 7 Perfil dos estudantes................................................................................................8 Diversidade dos professores.................................................................................... 9 Organização do trabalho pedagógico....................................................................... 9 Objetivo Geral........................................................................................................ 13 Objetivos Específicos..............................................................................................13 Marco legal............................................................................................................ 14 Perfil dos estudantes do ensino médio.................................................................. 17 Nessa perspectiva histórico-cultural, continua o autor,......................................... 18 Organização do tempo e espaço da escola: a semestralidade...............................18 Processo de Avaliação da Aprendizagem e Estratégia de Recuperação.................20 Registro de notas................................................................................................... 22 A construção de uma sociedade multiletrada: linguagens e culturas no Ensino Médio ........................................................................................................ 22 A pedagogia dos multiletramentos na construção de uma escola pública contemporânea...................................................................................................... 23 As áreas do conhecimento do Ensino Médio e as dimensões curriculares............25 Área de Linguagens................................................................................................ 27 Área de Ciências da Natureza ................................................................................ 28 Área de Matemática ..............................................................................................28 Área de Ciências Humanas .................................................................................... 29 Organização e abordagem dos conteúdos............................................................. 38 Orientações para a abordagem da Língua Estrangeira Moderna - LEM.................56 Orientações para a abordagem do Ensino Religioso.............................................. 58Considerações Finais....................................................................................................... 62Referências...................................................................................................................... 65
  6. 6. Apresentação A Secretaria de Educação do Distrito Federal, por meio da Coordenação de EnsinoMédio/Subsecretaria de Educação Básica, vem no ano de 2013 atender ao pleito coletivode jovens estudantes de ensino médio e de professores dessa etapa de ensino. Ao longo dos dois primeiros anos da gestão do Governo, iniciado em 2011,esses dois grupos de atores que constroem a escola indicaram, durante as plenáriasde reestruturação curricular, possíveis pontos de melhoria do processo de ensino-aprendizagem. Entre eles: acúmulo grande de disciplinas para estudar, númeroenorme de estudantes, turmas e diários para os professores, conteúdos simultâneos,pouca aproximação entre professores e jovens estudantes devido ao escasso tempodisponibilizado, dificuldade de reconhecer as falhas no processo de ensino-aprendizagemindividualizado, em razão do número excessivo dos estudantes. Outros pontos também foram apresentados, mas o que mais se destacou foi anecessidade de reestruturação curricular, inicialmente, pelo tempo dedicado ao conteúdoe ao estudante. Houve pontualmente a sugestão da organização dos componentescurriculares em uma nova forma, também permitida pela Lei de Diretrizes e Bases daEducação, em seu Artigo 23, quando expressa que A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar (LDBEN, 1996, 5ªed.). Desta forma, a Coordenação de Ensino Médio iniciou a discussão e organização doprocesso semestral de ensino, no ensino médio da Rede Pública de Ensino. Não se tratade algo novo, no Brasil ou em Brasília, A primeira vez que isto ocorreu foi em 1997, em11(onze) escolas do turno noturno, e o resultado foi uma drástica redução na repetênciae na evasão, sem reduzir a qualidade do processo de aprendizagem, posto que, nesseperíodo, houve um impressionante aumento nos índices de aprovação. Percebeu-se àépoca que, com o quantitativo de disciplinas ensinadas ao mesmo tempo e em umaorganização anual, os estudantes não conseguiam conciliar trabalho, escola e família. Sabe-se, no entanto, que para um bom aproveitamento do trabalho escolar éde grande importância o trabalho coletivo dos educadores em espaços qualificados dacoordenação pedagógica, do acompanhamento pedagógico e sistematizado da equipede coordenadores das instâncias centrais, intermediárias e locais, apoiando a escola,
  7. 7. além de uma formação continuada consistente dos professores, envolvendo a teoria ea prática de uma proposta de ensino que fuja à tradicional e já comprovada prática quevem sendo utilizada. Este documento pretende disponibilizar as orientações básicas para aimplementação da reestruturação curricular do Ensino Médio, tendo na semestralidadea proposta de reorganização do tempo e espaço pedagógicos. Ele foi elaborado coma participação de representantes de 28 escolas de Ensino Médio do Distrito Federal,de gestores e coordenadores pedagógicos de todas as 14 Coordenações Regionaisde Ensino do Núcleo de Ensino Médio, EJA e Educação Profissional da Escola deAperfeiçoamento dos Profissionais da Educação e da Equipe da Coordenação de EnsinoMédio/SUBEB/SEEDF.
  8. 8. Introdução Anotações A proposta curricular para Ensino Médio que ora seapresenta integra o processo de reestruturação curricular da redepública de ensino do Distrito Federal. É importante destacar queo Ensino Médio está sendo redefinido desde a instância nacional,a partir das Diretrizes Nacionais da Educação Básica – DCNEB(Resolução nº 04 de julho de 2010), das Diretrizes CurricularesNacionais do Ensino Médio – DCNEM, aprovadas pelo ConselhoNacional de Educação – CNE (Resolução CNE/CEB 2/2012), além daimplantação do Programa Ensino Médio Inovador – ProEMI, desde2009, pelo Ministério da Educação, ao qual a Secretaria de Estadode Educação do Distrito Federal aderiu e vem ampliando o númerode escolas participantes. Seu Documento Orientador apresentacomo estratégia Induzir a reestruturação dos currículos do Ensino Médio [...] fomentando propostas curriculares inovadoras nas escolas do ensino médio, disponibilizando apoio técnico e financeiro, consoante à disseminação da cultura de um currículo dinâmico, flexível e compatível com as exigências da sociedade contemporânea. O objetivo do MEC é que os sistemas de ensino e as unidadesescolares, a partir dos projetos de reestruturação curricularfomentados pelo ProEMI, possam elaborar suas propostascurriculares, tendo incorporado os projetos aos Projetos político-pedagógicos. Na esfera local, a partir de 2007, iniciou-se um processode reformulação curricular, sendo que em 2010 foi implantadauma proposta curricular, em versão experimental e, ao longo domesmo ano, foi realizada uma Conferência de Educação, cujasresoluções também apontavam para mudanças curriculares narede pública. Esse “Currículo Experimental” colocou o letramentocomo um de seus eixos. Para Tfouni (1988), letramento são asconsequências sociais e históricas da introdução da escrita nasociedade. Para Kleiman (1995), letramento é apenas um dos 9
  9. 9. componentes desse fenômeno ao qual acrescenta outros, como as práticas sociais de leiturae escrita, e os eventos em que elas ocorrem. O que fica evidente: as práticas sociais de leiturae escrita irão conduzir o estudante para além da alfabetização. Soares (1999) contribui com amesma posição ao salientar que letramento é o estado ou condição de indivíduos ou de grupossociais de sociedades letradas que exercem efetivamente as práticas sociais de leitura e escrita eparticipam competentemente de eventos de letramento. No decorrer do primeiro semestre de 2011, iniciou-se um debate sobre as fragilidadese potencialidades do Currículo Experimental. No início do segundo semestre, foi encaminhadopara todas as escolas um conjunto de textos para subsidiar a discussão sobre a reestruturação docurrículo, para, em seguida, levar as questões levantadas para as plenárias que se realizaram entreagosto e novembro desse ano. As teorias críticas e pós-críticas constituíram-se no referencialteórico para a definição da concepção do currículo a ser reestruturado. Em todos esses movimentos, o que ficou evidente foi a necessidade de se estabeleceruma nova “cara” para o Ensino Médio ou, por assim dizer, sua identidade, que contemplassea diversidade dos professores, dos estudantes jovens e adultos contemporâneos, mas que,ao mesmo tempo, desenvolvesse a perspectiva da cidadania visando à emancipação dessesestudantes. Estes foram os temas recorrentes, observados em todas as plenárias realizadas nosegundo semestre de 2012, com significativa participação dos professores, seja no coletivo oucomo representantes de suas instituições educacionais, nos debates dos grupos de trabalho nasplenárias. Os princípios da educação em direitos humanos e a sustentabilidade, em consonânciacom as DCNEM, balizaram as discussões. As plenárias foram divididas em dois momentos: o primeiro, com palestras apresentandoos eixos estruturantes do currículo e o segundo, com a formação de grupo de trabalhos temáticos.Os Grupos de Trabalho contaram com a participação dos professores representantes das escolas,que trouxeram as contribuições das discussões realizadas pelos coletivos de suas escolas, alémdos integrantes de setores das Coordenações Regionais de Ensino – CRE e das Coordenações daSubsecretaria de Educação Básica – SUBEB. Entre as diversas proposições apontadas pelas plenárias, destacamos aqui aquelas quecontribuíram para a definição da proposta curricular que se apresenta. São elas:Perfil dos estudantes • Nossos alunos de hoje não são como os de dez anos atrás: são digitais, enquanto os professores são analógicos. São sujeitos diversos e de diversos interesses. Com muito acesso à informação, porém, sem maturidade para gerenciar a informação obtida para 10
  10. 10. transformar em conhecimento. • São diversificados em relação à situação socioeconômica, Anotações cultural, religiosa. São críticos e observam todo o processo de aprendizagem. • São seres plurais, que pensam e agem diferentemente... É preciso pensar em como trabalhar com essa pluralidade, com identidade em construção, envolvida em drogas... Jovens que morrem cedo, com gravidez precoce, com liberdade assistida... Sujeitos críticos, dinâmicos, ativos e participativos, com acesso à internet. Estudantes trabalhadores, carentes de afeto.Diversidade dos professores • Os professores são diversificados no que diz respeito à religião, cultura, política, formação e concepção da prática docente, sendo mais resistentes a novos métodos de ensino, à tecnologia, às mudanças curriculares... • Os professores priorizam aspectos individuais ao invés dos coletivos. • Deve haver uma redução do conteúdo programático e da carga de regência dos professores. • São profissionais que necessitam de formação continuada, melhores condições de trabalho e reconhecimento profissional. São indivíduos de que queremos corrigir as falhas históricas. • São professores abertos a uma nova mudança. • São professores que necessitam de formação continuada. • São professores despreparados para lidar com as diversidades, incluindo os ANEE. • São professores heterogêneos em suas concepções políticas e pedagógicas.Organização do trabalho pedagógico • Descentralizar a formação continuada dos professores para as DREs e para as próprias escolas com certificação 11
  11. 11. pela EAPE. • Repensar tempo e espaço para o ensino médio, como, por exemplo, transformá-lo em curso semestral. • Continuar a discussão de currículo em fóruns virtuais. • Preocupar-se com a repetência e evasão e, neste sentido, é preciso discutir espaço, tempo, recursos e metodologias para ao Ensino Médio. • Preocupar-se com uma concepção crítica e pós-crítica, pois o que existe é a cultura da prática docente tradicional. • Ter um currículo novo, flexível, persuasivo. • Rever a questão do excesso de disciplinas. • Trabalhar por meio de outras linguagens. • Verificar a questão da semestralidade e da redução de disciplinas. • Utilizar a coordenação pedagógica para oferecer cursos de formação continuada. • Revitalizar o Ensino Regular Noturno. • Valorizar a construção do Projeto Político-pedagógico na escola com participação de todos os segmentos que englobam a instituição de ensino. • Cobrar os resultados previstos neste projeto. Este breve histórico demonstra uma convergência de intenções e interesses. Por um lado,a SEEDF, propondo e organizando o debate acerca da reestruturação curricular e, por outro, osprofessores manifestando, a partir de seu ponto de vista, a necessidade de uma mudança não sócurricular, mas também nas condições de trabalho. Somando-se a esse movimento, que deixa clara a inquietação e o interesse dos professorespor mudanças no Ensino Médio, outra referência tão importante quanto são os indicadores dedesempenho dessa etapa da educação. O cenário nacional mostra redução das matrículas eaumento dos índices de reprovação e evasão que influenciam no baixo resultado do Índice deDesenvolvimento da Educação Básica – IDEB. Fato semelhante aconteceu no período entre 1995 e 1998, quando a FundaçãoEducacional, por meio do Departamento de Pedagogia e a Direção de Ensino Médio, diante deindicadores negativos da educação pública do DF, estendeu a implantação da proposta da EscolaCandanga – uma lição de cidadania ao Ensino Regular Noturno. A partir de então, ocorreu umasérie de debates, seminários e encontros, até a formulação da proposta da semestralidade, cujosresultados podem ser observados nas tabelas abaixo, extraídas do documento Avaliação doProjeto Pedagógico Ensino Regular Noturno na Escola Candanga:
  12. 12. Tabela 1 Anotações Tabela 2 Os dados mostram a evolução positiva dos indicadoreseducacionais: redução acentuada nos índices de evasão e aumentosignificativo nos índices de aprovação. A melhoria da qualidade daeducação evidenciada quando da implantação da semestralidade,entre os anos de 1997 e 1998, motivou a SEEDF a rediscutir aproposta, fazer o debate com vistas à promoção das adaptaçõesnecessárias para o contexto atual e, finalmente, transformar emuma proposta curricular para toda a rede de ensino, incluindo o 13
  13. 13. turno diurno. Cabe ressaltar que, em 1999, não houve continuidade dessa proposta curricular.Com a mudança de governo, outras políticas educacionais foram implantadas. Além da experiência do Distrito Federal, outras unidades da federação tambémimplantaram a semestralidade, como os estados do Paraná, Goiás, Ceará e Rio Grande do Norte.O Ministério da Educação está promovendo um debate nacional sobre a reformulação curriculardo Ensino Médio e a semestralidade tem-se apresentado como um dos grandes temas. O Ensino Médio do Distrito Federal, em 2011, teve um índice de reprovação da ordem de22,89%, o que significou o terceiro maior índice de reprovação entre as redes estaduais de todo oBrasil. Essa taxa de reprovação fez com que nosso IDEB não alcançasse a meta estabelecida em 2009,de 3,4, ficando com o índice de 3,3. As médias do ENEM/2011 das unidades escolares públicas doDF que o INEP divulgou, também apresentaram uma queda no rendimento de nossos estudantes. As tabelas abaixo apresentam os índices de aprovação, reprovação e abandono dosestudantes da rede pública, no período compreendido entre 2007 e 2011. A evolução dessesíndices ao longo desse período demonstra claramente que está ocorrendo uma diminuição dosíndices de aprovação e, como consequência, o aumento dos índices de reprovação e de abandonodos estudantes. Tabela 3 – Série histórica do índice de Aprovação no período 2007- 2011 ANO 2007 2008 2009 2010 2011 TURNO Diurno Noturno Diurno Noturno Diurno Noturno Diurno Noturno Diurno Noturno Sem 449,36 47,55 662,07 558,57 55,07 553,17 553,54 44,14 551,97 339,42 Dependência Com 117,44 58,94 117,43 77,27 117,00 88,66 116,68 88,99 117,09 9,33 DependênciaFonte: Censo escolar / 2012 – SEDF Tabela 4 – Série histórica dos índices de Reprovação e Abandono no período 2007-2011 ANO 2007 2008 2009 2010 2011 TURNO Diurno Noturno Diurno Noturno Diurno Noturno Diurno Noturno Diurno Noturno Reprovação 225,26 115,83 119,67 113,25 221,09 222,58 224,77 22,23 15,50 18,12 Abandono 66,63 221,50 44,99 118,34 88,26 224,89 77,58 228,27 77,23 25,90Fonte: Censo escolar /2012 – SEDF Assim temos que, para além do desejo e interesse evidenciados, existe a necessidadeurgente de promover melhorias no Ensino Médio. É nesse contexto que a SEEDF apresentaesta proposta de reestruturação curricular, tendo como eixos estruturantes a Diversidade, aCidadania, a Sustentabilidade e as Aprendizagens. Os eixos integradores especificamente para o 14
  14. 14. Ensino Médio são a Ciência, a Tecnologia, a Cultura e o Mundo doTrabalho. Anotações A concepção de currículo que fundamenta a elaboraçãodessa proposta é baseada nas teorias críticas e pós-críticas docurrículo que, de acordo com Tomaz Tadeu da Silva, As teorias críticas de currículo, ao deslocarem a ênfase dos conceitos simplesmente pedagógicos de ensino e aprendizagem para os conceitos de ideologia e poder, por exemplo, nos permitiram ver a educação de uma nova perspectiva. Da mesma forma, ao enfatizarem o conceito de discurso em vez do conceito de ideologia, as teorias pós-críticas de currículo efetuaram outro importante deslocamento na nossa maneira de conceber o currículo (SILVA, 1999, p.17). Segundo o autor, os conceitos enfatizados por essas duascategorias de teoria de currículo seriam para as teorias críticas:ideologia, reprodução cultural e social, poder, classe social,capitalismo, relações sociais de produção, conscientização, currículooculto, resistência, emancipação e libertação; para as teoriaspós-críticas: identidade, alteridade, diferença, subjetividade,representação, cultura, gênero raça, etnia, sexualidade,multiculturalismo, significação e discurso (SILVA, 1999, p.17). A fundamentação teórico-metodológica e as propostas deorganização do trabalho pedagógico e abordagem do conhecimentoserão explicitadas ao longo deste documento, quando daapresentação da matriz de objetos de conhecimento.Objetivo Geral Promover a reestruturação curricular do Ensino Médioda rede pública do Distrito Federal, por meio da reorganizaçãodo espaço/tempo e da proposição de estratégias metodológicasque favoreçam a efetividade dos processos pedagógicos, ouseja, do processo de ensino-aprendizagem, da prática docentee das relações professor/estudante, com vistas à melhoria dosindicadores educacionais.Objetivos Específicos • Melhorar as condições pedagógicas por meio da 15
  15. 15. reorganização do tempo/espaço do cotidiano escolar. • Reduzir os índices de reprovação e evasão escolares. • Tornar mais efetiva a relação professor/estudantes. • Qualificar a avaliação, incluindo o processo contínuo de recuperação das aprendizagens. • Redimensionar a coordenação pedagógica como um espaço/tempo de planejamento, troca de experiências, pesquisa e formação continuada dos professores.Marco legal A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, de dezembro de 1996,instituiu a Educação Básica (Artigo 21), organizada por meio das etapas Educação Infantil, EnsinoFundamental e Ensino Médio, consideradas suas diferentes modalidades de oferta, de forma apropiciar a estruturação de um projeto de educação escolar que contemple as características dedesenvolvimento desde a infância, passando pela juventude até a vida adulta. A LDBEN define, ainda, que a Educação Básica tem por finalidade desenvolver o educando,assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhemeios para progredir no trabalho e em estudos posteriores (BRASIL, Lei nº 9.394/1996, art. 22). Apresenta o Ensino Médio como etapa final da Educação Básica, em continuidade aoEnsino Fundamental, com os seguintes objetivos: I - a consolidação e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamentos posteriores; III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e desenvolvimento da autonomia intelectual e pensamento crítico; IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando teoria e prática, no ensino de cada disciplina (BRASIL, Lei nº 9.394/1996, art.35). Em novembro de 2009, foi aprovada a Emenda Constitucional 59, tornando a “educaçãobásica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusivesua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria”, devendo serimplementado até 2016, nos termos do Plano Nacional de Educação – PNE, atualmente emdebate no Congresso Nacional. O texto do PNE ratifica na terceira meta a universalização doEnsino Médio, estabelecendo a faixa etária dos estudantes como sendo entre 15 e 17 anos epropõe como primeira estratégia para alcance dessa meta Institucionalizar programa nacional de diversificação curricular do ensino médio, a fim de incentivar abordagens interdisciplinares estruturadas pela relação entre teoria e prática, discriminando-se conteúdos obrigatórios e conteúdos eletivos articulados em dimensões temáticas, tais como ciência, trabalho, tecnologia, cultura e esporte, apoiado por meio de ações de aquisição de equipamentos e laboratórios, produção de material didático específico e formação continuada de professores. 16
  16. 16. Significa dizer que o Ensino Médio assume o status deEducação Básica, de caráter obrigatório para a formação acadêmica Anotaçõesde todos os jovens entre 15 e 17 anos de idade, sendo asseguradasua oferta gratuita para todos os que não tiverem acesso a ele naidade certa. Em relação à qualidade social da educação, as DiretrizesCurriculares Nacionais Gerais da Educação Básica – DCGEB,em seu artigo 9º, adotam como centralidade o estudante e asaprendizagens, o que pressupõe o atendimento aos requisitos: I – revisão das referências conceituais quanto aos diferentes espaços e tempos educativos, abrangendo espaços sociais na escola e fora dela; II – consideração sobre a inclusão, valorização das diferenças e o atendimento à pluralidade e à diversidade cultural, resgatando e respeitando os direitos humanos, individuais e coletivos e as várias manifestações de cada comunidade; III – foco no projeto político-pedagógico, no gosto pela aprendizagem, e na avaliação das aprendizagens como instrumento de contínua progressão dos estudantes; IV – inter-relação entre organização do currículo, do trabalho pedagógico e da jornada de trabalho do professor, tendo como foco a aprendizagem do estudante. Quanto à organização do currículo, as Diretrizes CurricularesNacionais para o Ensino Médio - DCNEM (Resolução 02 do CNE/CEB, de janeiro de 2012) estabelecem em seu artigo 8º quatro áreasdo conhecimento: Linguagens, Matemática, Ciências da Naturezae Ciências Humanas. Em seus dois parágrafos, estabelecem queo tratamento metodológico deve evidenciar a contextualização ea interdisciplinaridade para a articulação e o fortalecimento dossaberes para a apreensão e intervenção na realidade a partir dacooperação entre os professores. Em seu artigo 5º, as DCNEM apresentam as bases para aoferta do Ensino Médio, assim descritas: I - formação integral do estudante; II - trabalho e pesquisa como princípios educativos e pedagógicos, respectivamente; III - educação em direitos humanos como princípio nacional norteador; IV - sustentabilidade ambiental como meta universal; V - indissociabilidade entre educação e prática social, considerando-se a historicidade dos conhecimentos e dos sujeitos do processo educativo, bem como entre teoria e prática no processo de ensino-aprendizagem; 17
  17. 17. VI - integração de conhecimentos gerais e, quando for o caso, técnico-profissionais realizada na perspectiva da interdisciplinaridade e da contextualização; VII - reconhecimento e aceitação da diversidade e da realidade concreta dos sujeitos do processo educativo, das formas de produção, dos processos de trabalho e das culturas a eles subjacentes; VIII - integração entre educação e as dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura como base da proposta e do desenvolvimento curricular. § 1º O trabalho é conceituado na sua perspectiva ontológica de transformação da natureza, como realização inerente ao ser humano e como mediação no processo de produção da sua existência. § 2º A ciência é conceituada como o conjunto de conhecimentos sistematizados, produzidos socialmente ao longo da história, na busca da compreensão e transformação da natureza e da sociedade. § 3º A tecnologia é conceituada como a transformação da ciência em força produtiva ou mediação do conhecimento científico e a produção, marcada, desde sua origem, pelas relações sociais que a levaram a ser produzida. § 4º A cultura é conceituada como o processo de produção de expressões materiais, símbolos, representações e significados que correspondem a valores éticos, políticos e estéticos que orientam as normas de conduta de uma sociedade. A conceituação do currículo é apresentada, no artigo 6º, da seguinte forma: ação educativa constituída pela seleção de conhecimentos construídos pela sociedade, expressando-se por práticas escolares que se desdobram em torno de conhecimentos relevantes e pertinentes, permeadas pelas relações sociais, articulando vivências e saberes dos estudantes e contribuindo para o desenvolvimento de suas identidades e condições cognitivas e socioafetivas. Quanto à orientação para a elaboração da proposta curricular das unidades de ensino, oartigo 13 define que devem estar presentes: I - as dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura como eixo integrador entre os conhecimentos de distintas naturezas, contextualizando-os em sua dimensão histórica e em relação ao contexto social contemporâneo; II - o trabalho como princípio educativo, para a compreensão do processo histórico de produção científica e tecnológica, desenvolvida e apropriada socialmente para a transformação das condições naturais da vida e a ampliação das capacidades, das potencialidades e dos sentidos humanos; III - a pesquisa como princípio pedagógico, possibilitando que o estudante possa ser protagonista na investigação e na busca de respostas em um processo autônomo de (re) construção de conhecimentos. IV - os direitos humanos como princípio norteador, desenvolvendo-se sua educação de forma integrada, permeando todo o currículo, para promover o respeito a esses direitos e à convivência humana. V - a sustentabilidade socioambiental como meta universal, desenvolvida como prática educativa integrada, contínua e permanente, e baseada na compreensão do necessário equilíbrio e respeito nas relações do ser humano com seu ambiente. A partir deste marco legal, a proposta curricular que se apresenta tem como eixosintegradores a Ciência, a Tecnologia, a Cultura e o Mundo do Trabalho. A pesquisa será um dosprincípios que deverá fazer parte do cotidiano escolar, tanto na prática docente, amplificando oconceito freireano de professor pesquisador, quanto na rotina dos estudantes, proporcionando-lhes uma nova forma de olhar os acontecimentos a sua volta, desenvolvendo neles a capacidadede opinar, de pensar e de usufruir dos novos conhecimentos. 18
  18. 18. O acesso às tecnologias digitais e a formação dos estudantesem torno dessas tecnologias são fundamentais e devem ser Anotaçõesdesenvolvidos, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionaisdo Ensino Médio, a partir das dimensões da formação humana –trabalho, ciência, tecnologia e cultura. Os multiletramentos assumem uma perspectiva deabordagem dos conteúdos extremamente importante na formaçãodos estudantes, pois favorecem o empoderamento dessesjovens na perspectiva de uma participação ativa na “sociedadedo conhecimento”, caracterizada pela circulação de um grande ediversificado volume de informações. Proporcionam maior grau deautonomia e ampliam as condições para o exercício da cidadania e,consequentemente, para o desenvolvimento da nação. O princípio educativo do trabalho leva-nos a compreendero trabalho como todas as formas de ação que os seres humanosdesenvolvem para construir as condições que asseguram suasobrevivência. Implica reconhecê-lo como responsável pelaformação humana e pela constituição da sociedade. É pelo trabalhoque os seres humanos produzem conhecimento, desenvolvem econsolidam sua concepção de mundo, conformam as consciências,viabilizam a convivência, transformam a natureza, constroem asociedade e fazem história.Perfil dos estudantes do ensino médio Os estudantes do Ensino Médio são predominantementeadolescentes e jovens. Segundo o Conselho Nacional de Juventude(CONJUVE), são considerados jovens os sujeitos com idadecompreendida entre os 15 e os 29 anos. A principal tarefa do Ensino Médio é tornar-se atraentepara os jovens entre 15 e 17 anos, considerando o turno diurno,e os maiores de 18 anos que optam pelo ensino regular noturno,incentivando-os a permanecer na escola, adotando diferentesestratégias de ensino e de aprendizagem para os vários anseios,próprios dos grupos juvenis. Isso se deve ao fato de que osestudantes dessa faixa etária apresentam características muito 19
  19. 19. emblemáticas, entre as quais: estão inseridos em um mundo digitalizado, marcado pela fruição –são chamados “nativos digitais”; optam por estudar os três anos de curso regular, pois aspiram àcontinuidade de seus estudos, vislumbrando o ingresso no ensino superior; necessitam trabalhare estudar ou se preparar para o trabalho. Entender o jovem do Ensino Médio dessa forma significa superar uma noçãohomogeneizante e naturalizada desse estudante, passando a percebê-lo como sujeito comvalores, comportamentos, visões de mundo, interesses e necessidades singulares. Além disso,deve-se também aceitar a existência de pontos em comum que permitam tratá-lo como umacategoria social. Segundo Fávero (2010), o estudante de hoje não corresponde a nenhuma das representações propostas pela cultura escolar de natureza iluminista, porque hoje, na posição de sujeito do conhecimento, ele é, sobretudo, um sujeito histórico, que traz para a sala de aula um repertório de experiências constitutivas da cotidianidade da sociedade contemporânea.Nessa perspectiva histórico-cultural, continua o autor, a escola deixou de ser uma comunidade de ouvintes, centrada no discurso pastoral dos professores. As escolas de hoje, recorrendo-se à expressão de Guattari, são verdadeiros ‘territórios existenciais coletivos’, devido à presença de alunos que são os “praticantes do cotidiano” contemporâneo e que trazem para dentro das salas de aula as suas práticas culturais. Os estudantes, portanto, são produtos diários da cultura, de uma cultura-ação, de uma cultura no sentido antropológico, que encara todo e qualquer ato social como uma forma de construir culturalmente e socialmente a realidade (FÁVERO, 2010). Então, tendo em vista os sujeitos de direito em suas multiplicidades identitárias e sociais, épreciso pensar e propor percursos formativos que permitam o acesso a saberes e conhecimentoscomuns a todos os estudantes brasileiros, tendo em vista a necessária construção e manutençãoda identidade nacional, sem ratificar a ideia de um currículo único, mas respeitando asespecificidades das diferentes populações estudantis e as características culturais, linguísticas esociais dos territórios em que estão inseridos. O desafio que está posto é o da reinvenção criativa da escola e de seus tempos e espaçospedagógicos, reafirmando o direito ao acesso, à permanência e aos processos formativos.Organização do tempo e espaço da escola: a semestralidade Nesta nova proposta de regime anual haverá a divisão dos componentes curricularesem blocos semestrais, com o propósito de reduzir o número de disciplinas por semestre parao estudante e o número de turmas para o professor, proporcionando, assim, uma relação maispróxima entre estes. A redução de disciplinas a serem cursadas pelo estudante favorecerá os estudos de cadacomponente curricular. Ocorrerá também um aumento no número de aulas das disciplinas que 20
  20. 20. são oferecidas em apenas um dos blocos, o que promoverá maistempo disponível com cada professor. Anotações Com relação ao corpo docente, possibilitará um trabalhomais efetivo com o estudante, podendo identificar pontualmenteas necessidades de aprendizagem do mesmo. Além disso, commenos turmas, os professores terão mais tempo para planejar suasaulas, proporcionando mais qualidade pedagógica às mesmas,melhor acompanhamento da frequência e das aprendizagensdos estudantes, tomando medidas preventivas com a equipepedagógica para ações contra a evasão. Existe também a mudançanas práticas de conselho de classe ao longo do semestre, quando oprofessor vai, por ter mais tempo com o aluno, conhecê-lo melhor. Para melhor compreensão, seguem abaixo, como modelos,os quadros de distribuição dos componentes curriculares porblocos. Cabe ressaltar que esses blocos não poderão sofreralterações, sendo definitivos para todas as escolas da Secretaria deEducação do Distrito Federal que implantarão a proposta.BLOCOS DE DISCIPLINAS DO DIURNO BLOCO 1 CH BLOCO 2 CH LÍNGUA PORTUGUESA 04 LÍNGUA PORTUGUESA 004 MATEMÁTICA 03 MATEMÁTICA 003 ED. FÍSICA 02 ED. FÍSICA 002 HISTÓRIA 04 GEOGRAFIA 004 FILOSOFIA 04 SOCIOLOGIA 004 BIOLOGIA 04 QUÍMICA 004 FÍSICA 04 ARTE 004 INGLÊS 03 ESPANHOL 002 ENSINO RELIGIOSO 01 ENSINO RELIGIOSO 001 PARTE DIVERSIFICADA 01 PARTE DIVERSIFICADA 202 TOTAL SEMANAL 30 TOTAL SEMANAL 330 21
  21. 21. DISCIPLINAS DO NOTURNO BLOCO 1 CH BLOCO 2 CH LÍNGUA PORTUGUESA 04 LÍNGUA PORTUGUESA 04 MATEMÁTICA 03 MATEMÁTICA 03 HISTÓRIA 04 GEOGRAFIA 04 FILOSOFIA 03* SOCIOLOGIA 04 BIOLOGIA 04 QUÍMICA 04 FÍSICA 04 ARTE 02 INGLÊS 02 ESPANHOL 02 ENSINO RELIGIOSO 01* EDUCAÇÃO FÍSICA 02 TOTAL SEMANAL 25 TOTAL SEMANAL 25*Apenas para a 1ª série do Ensino Médio. Nas demais séries, Filosofia terá 04 aulas semanais. Caso não haja opçãopelo Ensino Religioso, a aula será incorporada à carga horária da Filosofia. De acordo com os quadros apresentados acima, observa-se que Língua Portuguesa eMatemática permeiam os dois blocos, permanecendo ao longo de todo o ano letivo. Isto ocorredevido à carga horária dessas disciplinas ser maior que a das outras, o que ocasionaria umnúmero elevado de aulas no semestre. A Educação Física também ocorrerá ao longo de todo oano letivo para o turno diurno e, no turno noturno, apenas no bloco 2, porque a carga horáriadeste é menor do que diurno. E também conforme orientação da Coordenação de EducaçãoFísica e Desporto Escolar – CEFDESC, o desenvolvimento motor é parte de todo o comportamentohumano. O desenvolvimento cognitivo, afetivo e o motor estão relacionados, por isso o corpodeve estar em movimento durante todo o ano. A oferta de Ensino Religioso está presente no quadro do turno diurno durante todo oano letivo, porém cabe ressaltar que sua permanência é uma opção da comunidade escolar.Caso não seja uma disciplina escolhida, essa carga horária será utilizada para as aulas da ParteDiversificada, conforme estipulado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da EducaçãoBásica e do Ensino Médio. No turno noturno, caso haja a opção da comunidade, essa disciplinaserá ofertada apenas para a 1ª série do ensino médio; se isso não ocorrer, essa carga horária seráacrescida ao componente curricular de Filosofia. om essa organização, não há deficit na carga horária do corpo docente e discente, ou Cseja, atende ao estipulado pela modulação dos professores e pela Matriz Curricular da Secretariade Educação do Distrito Federal.Processo de Avaliação da Aprendizagem e Estratégia de Recuperação As mudanças pedagógicas realizadas na última década nas estruturas curricularesda educação básica vêm sinalizando a necessidade de um processo avaliativo pautado no 22
  22. 22. atendimento ao direito de aprendizagem e desenvolvimento dosestudantes em relação aos conhecimentos e saberes fundamentais Anotaçõesa sua formação integral. Nesse sentido, é necessário desenvolveralternativas avaliativas que consigam evidenciar a forma pela qualocorre a articulação dos saberes e o modo como as aprendizagensse constroem, considerando as características individuais e sociaisdesses jovens estudantes. A organização curricular em semestres considera aimportância que os instrumentos avaliativos têm para a continuidadedos estudos e para o fortalecimento dos vínculos entre estudantese instituição de ensino. Para tanto, o processo avaliativo deve sercontínuo, processual e dinâmico, por meio de ações pedagógicasinovadoras e transformadoras, ou seja, é fundamental a efetivaçãode uma avaliação formativa, em que os aspectos qualitativosprevaleçam em relação aos quantitativos, conforme as diretrizesavaliativas da SEEDF. Nessa perspectiva, a avaliação vai além da verificaçãopontual dos conhecimentos e fundamenta-se em oportunidadesdiversificadas que possibilitem aos estudantes demonstrar oaprendizado construído ao longo do semestre. Para alcançar osaspectos qualitativos na aprendizagem, o processo avaliativo develançar mão de diferentes instrumentos, tais como: prova objetiva,prova dissertativa, seminários, debates, relatórios, autoavaliação,entre outros, de acordo com o componente curricular e asespecificidades da turma. Além disso, julga-se necessário usarinstrumentos avaliativos que dêem conta do trabalho interdisciplinardesenvolvido no bloco de disciplinas e entre os blocos, sempre quepossível, pois este é o principal foco da proposta. Considerando a divisão dos componentes curriculares porblocos, compreende-se que o desenvolvimento das aprendizagensdos conteúdos seja favorecido, uma vez que docentes ediscentes têm maior carga horária em cada componente, o queproporciona melhores condições de planejamento pedagógicoe, consequentemente, mais oportunidades para diversificar asestratégias de ensino e aprendizagem. Diante disso, o processo 23
  23. 23. avaliativo nos componentes curriculares se dará, de acordo com os seguintes princípios: a) avaliar para saber o nível de aprendizagem dos alunos; b) avaliar para saber o que é preciso priorizar na ressignificação dos conteúdos curriculares; c) avaliar para tomar decisões que possibilitem alcançar os resultados esperados (planejar atividades, escolher instrumentos mais adequados ao componente curricular ou etapa de ensino, desenvolver projetos, entre outras). À medida que forem sendo evidenciadas dificuldades de aprendizagem dos estudantes,o princípio da avaliação processual e da recuperação contínua deve ser observado para que osestudantes, sob orientação e acompanhamento dos professores, possam superar suas dificuldadese obtenham êxito ao final do semestre. Com isso, os instrumentos avaliativos devem preconizar a aprendizagem significativa eprogressiva de acordo com a natureza do componente curricular e seus objetivos, diminuindoassim, significativamente, a probabilidade de docente e discente não alcançarem os resultadosesperados. No caso de baixo rendimento do aluno (média inferior a cinco), as estratégias derecuperação seguem o disposto na LDB 9394/96, Art. 24, inciso V e nas diretrizes avaliativas darede pública de ensino. Para tanto, a escola deverá planejar e implementar ao longo do ano letivoos estudos de recuperação de cada componente curricular em que o aluno não obteve êxito.Registro de notas O processo de avaliação de aprendizagem será contínuo, processual e dinâmico, noqual cada professor, de acordo com o componente curricular e a turma de alunos em que atua,escolherá os instrumentos mais adequados para verificar os conhecimentos construídos. Noentanto, o registro de notas obedecerá à legislação vigente. Portanto, será realizado duas vezes acada semestre, sendo o primeiro registro ao final do 50° dia letivo e o segundo, ao final do 100°dia letivo.A construção de uma sociedade multiletrada: linguagens e culturas no Ensino Médio Uma das marcas da contemporaneidade é a rapidez com que as tecnologias setransformam, viabilizando novas possibilidades de interação e tornando-se capazes de modificaros modos como as pessoas se relacionam e criam representações de si mesmas e o do mundo.Esse processo de transformação também produz impactos e efeitos de caráter cognitivo, culturale social quando atuamos em contextos específicos. Com muita celeridade, a dinâmica do mundo atual torna obsoletas algumas ferramentas 24
  24. 24. e produz outras ─ novas e multifacetadas ─ que permitem aatuação humana em espaços antes considerados inimagináveis, Anotaçõesespecialmente os digitais, de forma interativa e colaborativa. Alémdisso, a contemporaneidade se constrói, também, por uma duplae intrínseca multiplicidade: i) uma multiplicidade de linguagens(verbais, multimodais, sonoras etc.) que exigem de nós práticasdiversas e novas, tais como as digitais, visuais e midiáticas para bematuarmos nas esferas escolares, científicas, acadêmicas, artísticas,entre outras; ii) e uma multiplicidade de culturas, na constantecriação e recriação de representações com propósitos culturaisespecíficos. Essa dupla multiplicidade (de linguagens e de culturas)é abarcada no conceito de multiletramentos, que, segundo Rojo(2012, p. 13), “aponta para dois tipos específicos e importantes demultiplicidade em nossas sociedades, principalmente urbanas, nacontemporaneidade: a multiplicidade cultural das populações e amultiplicidade semiótica de constituição dos textos por meio dosquais ela se informa e se comunica”. Do ponto de vista cultural,é preciso considerar a constituição híbrida das sociedades, o quedestrói, entre outras teses, aquelas baseadas em antagonismosque opõem o popular e o erudito, o clássico e o moderno, porexemplo. No processo em que se considera a multiplicidadecultural, é fundamental a perspectiva de que as sociedades sãohíbridas e de que são híbridos também os textos que circulamnos contextos do cotidiano, da escola, da academia científica, doentretenimento, o que colabora mais uma vez com a ideia emtorno dos multiletramentos.A pedagogia dos multiletramentos na construção de uma escolapública contemporânea Se uma das funções sociais da escola é entender o mundopara, entre outras, formar cidadãos que também o entendam, ocritiquem e o transformem, é necessário, então, que o trabalhopedagógico perceba as mudanças ocorridas na contemporaneidade,a fim de que os conteúdos historicamente construídos possam ser 25
  25. 25. ressignificados em razão do que se constitui e se transforma incessantemente. Mais do que isso:é imperioso que os estudantes da etapa final da Educação Básica se percebam como usuários eprodutores da multiplicidade de linguagens do mundo de hoje, além de membros pertencentesa culturas múltiplas e híbridas. O termo multiletramentos foi proposto pelo Grupo de Nova Londres em 1996 e deu-se,também, pelo entendimento de que a escola deve dar lugar ao pluralismo cultural e semiótico(diversas linguagens), em contraposição à intransigência com a diversidade. Uma pedagogiados multiletramentos surge da necessidade de a escola tomar a seu cargo (daí a proposta de‘pedagogia’) os novos letramentos emergentes na sociedade contemporânea, em grande parte─ mas não somente ─ devidos às novas TICs, e de levar em conta e incluir nos currículos a grandevariedade de culturas já presentes nas salas de aula de um mundo globalizado e caracterizadopela intolerância com a diversidade cultural, com a alteridade (ROJO, 2012, p. 12). Em termos gerais, uma prática pedagógica realizada na perspectiva dos multiletramentosdeve considerar o mundo e a escola pela lente da diversidade, da multiplicidade de linguagens e deculturas. Desse modo, os conteúdos trabalhados precisam favorecer a formação de uma sociedademultiletrada, que seria, em resumo, aquela em que homens e mulheres desempenhassemde forma bem sucedida práticas letradas com propósitos culturais específicos; cidadãos queentendessem o papel que as diversas linguagens desempenham nas diferentes esferas sociais(escolar, científica, artística, institucional, de entretenimento etc.). Há, ainda, outro aspecto a ser levado em conta quando se imagina uma pedagogiados multiletramentos: o processo de formação de cidadãos críticos em relação às diversasrealidades e pontos de vista construídos nos diversos textos que circulam na sociedade. Trata-se da perspectiva de letramentos críticos, que, conforme Cervetti, Pardales e Damico (2011),englobariam nossa capacidade de perceber que os textos guardam sentidos diversos, tendo emvista que são constituídos social e culturalmente. Assim, o trabalho pedagógico dos conteúdos nohorizonte dos multiletramentos busca, sobretudo, formar leitores que se atrevam a questionaro que leem, entendendo que o que se lê não é um conjunto de sentidos neutros, mas permeadode ideologia. É preciso compreender que o processo de formação de estudantes críticos ─ leitores quedesvelam as realidades diversas presentes nos textos de diversos gêneros (artigo de opinião,editorial, gráfico, tabela, infográfico, reportagem, notícia, entre outros) ─ não é tarefa única dosprofessores de certos componentes curriculares, mas, sobretudo, de todos os professores daescola, numa tentativa de articular a construção de conhecimentos das diversas ciências com aatitude reflexiva em relação ao que se aprende. Desse modo, os conteúdos das quatro áreas que compõem o currículo do Ensino Médio 26
  26. 26. (Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências da Naturezae suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias e Ciências AnotaçõesHumanas e suas Tecnologias) devem ser trabalhados em dimensõesque, ao mesmo tempo, sejam capazes de favorecer a construçãodo conhecimento escolar e científico, e de promover a formaçãode cidadãos críticos na perspectiva dos multiletramentos, emrazão da multiplicidade de linguagens e de culturas nas (e das)sociedades contemporâneas. A cidadania aqui referida é concebidana perspectiva de uma cidadania construída e não formalmenteconcedida. Nas palavras de Gentili, A cidadania é, desta forma, o exercício de uma prática inegavelmente política e fundamentada em valores como a liberdade, a igualdade, a autonomia, o respeito à diferença e às identidades, a solidariedade, a tolerância e a desobediência a poderes totalitários (GENTILI, 2003, p.73).As áreas do conhecimento do Ensino Médio e as dimensõescurriculares A proposta curricular feita para o Ensino Médio é umamatriz que considera as áreas do conhecimento organizadas emdimensões que se interconectam e se internalizam. A opção pordimensionar essas áreas dá-se em razão da busca por favorecer ainterdisciplinaridade e ressignificar os conteúdos historicamentemais demandados por certos componentes curriculares. Assim, odesenho curricular que ora se apresenta requer um entendimentode que os conteúdos científicos e escolares se relacionam de modoa promover o entendimento de que o mundo atual é caracterizado,como vimos, por uma multiplicidade de linguagens e de culturas,presentes no conceito complexo dos multiletramentos. A matriz curricular para o Ensino Médio está organizadaem quinze dimensões, definidas a partir da perspectiva geral dosmultiletramentos e de conceitos ou categorias que marcam cadauma das quatro áreas do conhecimento. Para fins de visualizaçãodidática, as quinze dimensões estão representadas nos diagramasa seguir: 27
  27. 27. LINGUAGENS CIÊNCIAS DA NATUREZA MATEMÁTICA CIÊNCIAS HUMANAS É preciso salientar que, na presente proposta de desenho curricular, as quinzedimensões estão interconectadas e cada uma delas internaliza aspectos de todas as outras.Esse entendimento é importante para que a organização do trabalho pedagógico seja capaz depromover a interdisciplinaridade entre as áreas do conhecimento e seus respectivos componentescurriculares. Além disso, a configuração dos conteúdos em dimensões é uma tentativa deressignificá-los, a fim de que a escola acompanhe as transformações pelas quais o mundo passa. O que define cada uma das dimensões, como já explicitado, é a noção dos multiletramentosem associação com alguns conceitos ou categorias que singularizam as quatro áreas doconhecimento, como pode ser depreendido dos resumos a seguir: 28
  28. 28. Área de Linguagens Anotações Os conteúdos trabalhados nesta dimensão devem favorecer as práticas sociais e culturais marcadas pelas diversas linguagens, mídias e tecnologias que constroem a dinâmica da contemporaneidade. Nesse sentido, é preciso considerar o papel que os Multiletramentos, gêneros textuais escritos, orais, visuais e multimodais desempenham nas esferas da vida cotidiana e dos texto, contextos de uso artísticos, musicais, literários, jornalísticos, publicitários, institucionais, esportivos e criatividade e de entretenimento. Além disso, os conteúdos desta dimensão devem submeter-se à convicção de que o movimento movimento não se restringe ao corpo físico, mas que se expande para a relação entre ele, a natureza e a cultura, de modo dialético e recursivo, em articulação com as condições humanas de criatividade, inventividade e capacidade de gerar o novo. Os conteúdos trabalhados nesta dimensão devem favorecer as práticas sociais, de cunho notadamente artístico e estético, desempenhadas pela humanidade ao longo dos tempos e na contemporaneidade. Assim, o trabalho pedagógico deve propiciar ao estudante Multiletramentos, experiências artísticas construídas e vivenciadas literatura, por meio das atividades de linguagem, da leitura, da interpretação, da simbologia, da apreciação, da sensibilidade e presença corporal e do prazer estético. Além disso, apreciação estética é necessário que os conteúdos desta dimensão recuperem as representações artísticas canônicas universais, as contribuições de origem africana e indígena, mas que também favoreçam a fruição estética das manifestações culturais populares e daquelas próprias dos contextos locais. Os conteúdos trabalhados nesta dimensão devem favorecer as práticas sociais, de cunho notadamente artístico e estético, desempenhadas pela humanidade ao longo dos tempos e na contemporaneidade. Assim, o trabalho pedagógico deve propiciar ao estudante Multiletramentos, experiências artísticas construídas e vivenciadas oralidade, por meio das atividades de linguagem, da leitura, da interpretação, da simbologia, da apreciação, da interação e presença corporal e do prazer estético. Além disso, corporeidade é necessário que os conteúdos desta dimensão recuperem as representações artísticas canônicas universais, as contribuições de origem africana e indígena, mas que também favoreçam a fruição estética das manifestações culturais populares e daquelas próprias dos contextos locais. Os conteúdos trabalhados nesta dimensão devem favorecer a reflexão em torno do papel que as diversas linguagens exercem quando realizamos práticas sociais de natureza textual, discursiva, artística e desportiva. Multiletramentos, Nesse sentido, o trabalho pedagógico deve propiciar ao gramática, estudante experiências de reflexão sobre a construção de sentidos nos textos (por meio de recursos reflexão e gramaticais, lexicais, pragmáticos, imagéticos etc.); e de reflexão sobre o caráter heterogêneo das línguas. análise crítica Além disso, os conteúdos desta dimensão devem contribuir para o desenvolvimento da capacidade do estudante em realizar avaliação crítica de si, do outro e do mundo. 29
  29. 29. Área de Ciências da Natureza Os conteúdos trabalhados nesta dimensão partem de uma perspectiva de que as Ciências não são neutras. Dessa forma, é necessária a construção de diálogos éticos em prol da Multiletramentos, sustentabilidade humana no enfrentamento de questões que se apresentem, na realidade ciência, dos estudantes, como situações problema. Essa realidade é o desafio a ser considerado pelo professor para fomentar uma diversidade metodológica que permita a construção, em cultura e coautoria com os estudantes, de projetos de intervenção pedagógica, a fim de transformar essas realidades, considerando os aspectos culturais, os conhecimentos não formais e ética suas origens. Assim, os multiletramentos são significativos para revelar e interpretar tais contextos e, consequentemente, promover a apropriação da cultura científica escolar, embasada na ética e nos direitos do cidadão, contribuindo com uma formação participativa, reflexiva e crítica dos estudantes. Os conteúdos trabalhados nesta dimensão devem desenvolver a consciência crítica Multiletramentos, em relação ao que se ouve, lê, escreve e vê. Nesse sentido, é preciso compreender que tecnologia, o ser humano precisa combinar múltiplas habilidades, conhecimento multicultural, informação e comportamentos adequados aos diferentes contextos para exercer seus direitos e deveres criatividade de cidadão crítico e consciente do presente e do futuro. Para isso, é importante que se entendam a tecnologia e a informação como recursos presentes no cotidiano do indivíduo, em constante e rápida transformação, tornando-se conhecimentos valiosos para as condições humanas de criatividade. Os conteúdos trabalhados nesta dimensão partem da convicção de que o raciocínio lógico é capaz de romper com os processos de simples memorização de fórmulas e tabelas, pois Multiletramentos, desenvolve no estudante capacidades de construir conceitos a partir de observações e de lógica, experiências vivenciadas dentro e fora da escola. Esse raciocínio contribui para a análise dos fatos, promove o pensamento científico e desenvolve ações de manipulação de objetos análise e de aprendizagem, de operacionalização, de representação e de abstração. Nesse contexto, representação a representação assume, nas Ciências da Natureza, o papel de construtora de modelos simbólicos dos diversos fenômenos, contribuindo para a percepção da ciência no âmbito dos multiletramentos. Além disso, a lógica, a análise e a representação devem atuar em conjunto, pois a natureza não age biológica, física e quimicamente de maneira isolada, o que exige uma visão interdisciplinar das ciências. Os conteúdos relativos a esta dimensão pretendem que o estudante seja considerado o centro dos processos de ensino e de aprendizagem e de seu papel transformador na Multiletramentos, dinâmica da natureza e da sociedade. Nesse contexto, a natureza, o ser humano e a natureza, sociedade devem ser considerados de forma sustentável, por serem interdependentes. transformação e Além disso, esses três elementos vivem em constante transformação e, desse modo, é sociedade preciso que o trabalho pedagógico docente propicie que o estudante construa uma visão crítica sobre os processos de interação entre natureza, ser humano e sociedade. Nessa perspectiva, ações pedagógicas multiletradas contribuem para desvelar a ideologia erigida nas diversas representações do que se considera “sustentabilidade”.Área de Matemática Os conteúdos trabalhados nesta dimensão partem de uma perspectiva de que a Matemática não é neutra. Dessa forma, é necessária a construção de diálogos éticos em prol da sustentabilidade humana no enfrentamento de questões que se apresentem, na realidade Multiletramentos, dos estudantes, como situações problema. Essa realidade é o desafio a ser considerado cultura, pelo professor para fomentar uma diversidade metodológica que permita a construção, em coautoria com os estudantes, de projetos de intervenção pedagógica, a fim de transformar sociedade e essas realidades, considerando os aspectos culturais, os conhecimentos não formais e suas origens. Assim, os multiletramentos são significativos para revelar e interpretar tais ética contextos e, consequentemente, promover a apropriação da cultura científica escolar, embasada na ética e nos direitos do cidadão, contribuindo com uma formação participativa, reflexiva e crítica dos estudantes. Os conteúdos trabalhados nesta dimensão devem desenvolver a consciência crítica em relação ao que se ouve, lê, escreve e vê. Ou seja, o estudante, a partir dessa dimensão, terá a possibilidade de ler, interpretar e analisar dados de diferentes formatos e, ainda, Multiletramentos, fazer julgamento e opções a partir desta análise. Nesse sentido, é preciso compreender tecnologia, que o ser humano precisa combinar múltiplas habilidades, conhecimento multicultural, informação e comportamentos adequados aos diferentes contextos para exercer seus direitos e deveres criatividade de cidadão crítico e consciente do presente e do futuro. Para isso, é importante que se entendam a tecnologia e a informação como recursos presentes no cotidiano do indivíduo, em constante e rápida transformação, tornando-se conhecimentos valiosos para as condições humanas de criatividade. 30
  30. 30. Os conteúdos trabalhados nesta dimensão partem da Anotações convicção de que o raciocínio lógico é capaz de romper com os processos de simples memorização de fórmulas e tabelas, pois desenvolve no estudante a capacidade de construir conceitos a partir de observações e de experiências vivenciadas dentro e fora da escola. A ideia de “algebrizar” está relacionada com a capacidade de simbolizar, operar simbolicamente e de interpretar as relações simbólicas. É o grande início da modelagem Multiletramentos, matemática. A lógica algébrica permite ao indivíduo lógica, traduzir uma situação problema em linguagem matemática a partir da qual são aplicadas rotinas de análise e cálculos e algoritmos, o que promove o pensamento representação científico e desenvolve ações de manipulação de objetos de aprendizagem, de operacionalização, de representação e de abstração. Nesse contexto, a representação assume, na Matemática, o papel de construir modelos simbólicos dos diversos fenômenos, colaborando para a percepção do conhecimento no âmbito dos multiletramentos. Dessa forma, a lógica, a análise e a representação devem atuar em conjunto, contribuindo para que os estudantes possam ter uma visão crítica e coerente ao interpretar e agir sobre os fatos.Área de Ciências Humanas Os conteúdos trabalhados nesta dimensão trazem a perspectiva de que as Sociedades e Culturas estão em constante mudança. Nesse sentido, devem buscar estabelecer um elo possível entre o conhecimento escolar, a necessidade social e a qualidade de vida dos Multiletramentos, cidadãos, vinculados ao contexto do século XXI, que se sociedades, apresenta com um universo cultural extremamente rico culturas e espaço/ e complexo, mas também traz agregadas as profundas tempo marcas das desigualdades sociais, estabelecendo um novo paradigma para a percepção do mundo, da sociedade e da história. Assim, a abordagem pedagógica deve abranger todo o processo histórico, geográfico, sociológico e filosófico e seus aspectos socioeconômicos vinculados à política, à cultura, ao trabalho, aos direitos humanos, ao meio ambiente, relacionando-os ao desenvolvimento humano dos educandos. Os conteúdos trabalhados nesta dimensão devem possibilitar ao estudante a compreensão do mundo, além de favorecer o desenvolvimento da curiosidade Multiletramentos, intelectual, do senso crítico e de contemplar sua ciências, formação como pessoa e como cidadão, como sujeito ético que valorize a pluralidade cultural do gênero meio ambiente e humano. Nesse sentido, a escola deve estar em sintonia educação com seu tempo, promovendo investigações filosóficas e científicas para desvelar as possibilidades de mudança a partir de temas contemporâneos que geram impactos na qualidade de vida das pessoas. Além disso, é necessário que a escola considere o estranhamento e a desnaturalização dos fenômenos sociais. Os conteúdos trabalhados nesta dimensão devem promover a discussão de que a identidade do indivíduo pode ser compreendida na dialógica de sua unidade Multiletramentos, e das diversidades como sendo dimensões inerentes, indivíduos, antagônicas e complementares da espécie humana. identidades e Assim, a prática pedagógica deve considerar a convivência diversidade com as diferenças, a fim de promover o reconhecimento e o respeito às pluralidades. Além disso, é preciso que a escola discuta e combata todas as formas de preconceito e discriminação, o que se torna possível com uma educação inspirada na ética e nos direitos humanos. 31
  31. 31. Os conteúdos trabalhados nesta dimensão devem favorecer o entendimento do estudante Multiletramentos, de que a Política corresponde a uma rede de interesses e de acordos estabelecidos pelos estado, seres humanos em um processo de tomada de decisões, o que envolve valores sociais e de relações de poder. Além disso, é necessário que a prática pedagógica aborde os conteúdos, política e considerando que o poder é Poder, é um complexo de relações entre os sujeitos históricos nas diversas formações sociais e que o Trabalho é conceituado  em sua perspectiva trabalho ontológica de transformação da natureza, como realização inerente do ser humano e como mediação no processo de produção de sua existência. Ressalte-se que há uma total articulação entre a perspectiva dos multiletramentos e asdimensões aqui elencadas para abordagem das áreas de conhecimento com a concepção quefundamenta o Programa Ensino Médio Inovador – ProEMI, instituído pelo MEC para fomentara reestruturação de projetos curriculares das escolas, cuja meta é a universalização das escolasenvolvidas. Nesse programa, são definidos macrocampos pedagógicos, a partir dos quais osprojetos escolares são estruturados. São eles: • Macrocampo obrigatório: Integração Curricular. • Macrocampos eletivos: Leitura e Letramento; Iniciação Científica e Pesquisa; Línguas Estrangeiras; Cultura Corporal; Produção e Apreciação das Artes; Comunicação, Cultura Digital e Uso de Mídias; Participação Estudantil. O documento orientador do ProEMI assim define os macrocampos: Compreende-se por macrocampo um campo de ação pedagógico-curricular no qual se desenvolvem atividades interativas, integradas e integradoras dos saberes, dos tempos, dos espaços e dos sujeitos envolvidos com a ação educacional. Os macrocampos se constituem, assim, como um eixo a partir do qual se possibilita a integração curricular com vistas ao enfrentamento e à superação da fragmentação e hierarquização dos saberes. Permite, portanto, a articulação entre formas disciplinares e não disciplinares de organização do conhecimento e favorece a diversificação de arranjos curriculares (MEC/ProEMI/2013). As quinze dimensões, divididas unicamente para fins didáticos, devem favorecerabordagens interdisciplinares dos conteúdos nelas situados, como nos exemplos descritos - aseguir - em que os gêneros textuais cartum, notícia e infográfico simulam brevemente um trabalhopedagógico com a temática “os efeitos da ação humana sobre o meio ambiente”, envolvendo astrês áreas do conhecimento: 32
  32. 32. Exemplo 1: Anotações Fonte: <http://grafar.blogspot.com.br/2010/01/serie-do-mes- desmatamento_25.html>. Acesso em 11/12/2012. Em termos gerais, sugere-se que, por meio deste cartum,seja possível mobilizar as quatro áreas do conhecimento, semprecom atenção para a ideia conceitual e teórica das dimensõescurriculares. Desse modo, por exemplo, há clara possibilidade de sefavorecer uma abordagem das seguintes dimensões curriculares: Área de Ciências da Natureza: abordagem da dimensãoMultiletramentos, tecnologia, informação e criatividade, umavez que se espera com ela que os estudantes desenvolvam aconsciência crítica frente à informação que ouvem, leem, escrevemou veem. No âmbito dessa dimensão, um conteúdo que pode sertrabalhado é “ação antrópica sobre o ambiente na perspectiva dasustentabilidade”. Área de Matemática: abordagem da dimensãoMultiletramentos, cultura, sociedade e ética, em razão de que aescola deve promover a apropriação da cultura científica escolar,embasada na ética e nos direitos do cidadão, contribuindo parauma formação participativa, reflexiva e crítica dos estudantes.No âmbito dessa dimensão, alguns conteúdos que podem ser 33
  33. 33. trabalhados são “noções de matemática financeira” e “juros simples e compostos”. Área de Ciências Humanas: abordagem da dimensão Multiletramentos, sociedades,culturas, espaço/tempo, uma vez que se espera com ela que a escola leve em consideração todo oprocesso histórico, geográfico, sociológico, bem como filosófico e seus aspectos socioeconômicosvinculados à política, à cultura, ao trabalho, aos direitos humanos, ao meio ambiente, relacionando-os ao desenvolvimento humano dos educandos. No âmbito dessa dimensão, um conteúdo quepode ser trabalhado é “globalização”. Área de Linguagens: abordagem da dimensão Multiletramentos, gramática, reflexão eanálise crítica, uma vez que se espera com ela que a escola contribua para o desenvolvimentoda capacidade do estudante em realizar avaliação crítica de si, do outro e do mundo. No âmbitodessa dimensão, alguns conteúdos que podem ser trabalhados são “a arte e seu papel políticoe social” e “estudo comparativo de obras do passado e obras contemporâneas”; abordagem dadimensão Multiletramentos, texto, criatividade e movimento, uma vez que se espera que a escolaconsidere o papel que os gêneros textuais escritos, orais, visuais e multimodais desempenhamnas esferas da vida cotidiana e dos contextos de uso artísticos, musicais, literários, jornalísticos,publicitários, institucionais, esportivos e de entretenimento. No âmbito dessa dimensão, umconteúdo que pode ser trabalhado é “produção, refacção e leitura de textos do domínio literário,jornalístico e dos novos contextos midiáticos e tecnológicos” e “elementos formais da linguagemvisual: linhas, esquemas geométricos, simetria e assimetria, ritmo, cor, textura, forma, espaçopositivo/negativo”. 34
  34. 34. Exemplo 2: No Cerrado, 53 municípios entram para a “lista suja” do desmatamento Anotações REDAÇÃO ÉPOCA   Enquanto o desmatamento da Amazônia é amplamente divulgado e gera até reações internacionais, o nosso Cerrado, bioma que ocupa um quarto de todo o país, não atrai tantas atenções. No entanto, ele continua sendo desmatado: cerca de 48% de todo o Cerrado já foi derrubado. Nesta segunda-feira (26), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) colocou em prática mais uma medida para tentar reduzir a derrubada no bioma, ao publicar uma lista no Diário Oficial com 53 municípios que mais desmataram o Cerrado no último ano – uma estratégia similar à usada na Amazônia, que funcionou em alguns casos, como mostra o sucesso de Paragominas, no Pará. A situação mais crítica é no Maranhão: o estado conta com 20 municípios listados pelo ministério. Bahia e Tocantins têm, cada um, oito municípios listados, e o Piauí conta com seis municípios, entre eles o que mais desmatou: Baixa Grande do Ribeiro. Completam a lista os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Entram na lista as cidades que derrubaram mais de 25 km² de vegetação natural em 2010-2011, e que possuem pelo menos 20% da cobertura nativa. O objetivo do Ministério é que esses municípios recebam incentivos para tornarem suas economias mais sustentáveis. Serão tomadas medidas de ordenamento territorial, fiscalização e controle para tentar reduzir as taxas de desmatamento. O plano faz parte de uma das metas ambientais que o Brasil se comprometeu a cumprir: reduzir em 40% as emissões de gases de efeito estufa, provenientes de desmatamento do Cerrado.Fonte: <http://colunas.revistaepoca.globo.com/planeta/tag/cerrado/> Acesso em: 30/12/2012 (com adaptações). De modo semelhante ao que foi exemplificado com ocartum, sugere-se que o trabalho com essa notícia seja capaz demobilizar as quatro áreas do conhecimento e algumas de suasdimensões e conteúdos: Área de Ciências da Natureza: abordagem da dimensãoMultiletramentos, tecnologia, informação e criatividade; com ela,pretende-se que a escola desenvolva no estudante a consciênciacrítica em relação ao que ele ouve, lê, escreve e vê. No âmbitodessa dimensão, alguns conteúdos que podem ser trabalhados são 35
  35. 35. “agricultura sustentável” e “ação antrópica sobre o ambiente na perspectiva da sustentabilidade”;abordagem da dimensão Multiletramentos, natureza, transformação e sociedade, pois comela espera-se que a escola propicie ao estudante a construção de uma visão crítica sobre osprocessos de interação entre natureza, ser humano e sociedade. No âmbito dessa dimensão,alguns conteúdos que podem ser trabalhados são “reações de combustão e poluição ambiental”e “uso racional da energia na perspectiva da sustentabilidade humana”. Área de Matemática: abordagem da dimensão Multiletramentos, cultura, sociedade eética, tendo em vista que se espera com essa dimensão que a escola promova o enfrentamentode questões que se apresentem, na realidade dos estudantes, como situações problema. Noâmbito dessa dimensão, um conteúdo que pode ser trabalhado é “noções de estatística”. Área de Ciências Humanas: abordagem da dimensão Multiletramentos, ciências, meioambiente e educação, uma vez que se espera com ela que a escola esteja em sintonia com seutempo, promova investigações filosóficas e científicas e desvele as possibilidades de mudança apartir de temas contemporâneos (meio ambiente, direitos humanos, entre outros) que geramimpactos na qualidade de vida das pessoas. No âmbito dessa dimensão, alguns conteúdos quepodem ser trabalhados são “diversidades ambientais” e “desenvolvimento sustentável, relatóriose tratados ambientais internacionais”. Área de Linguagens: abordagem da dimensão Multiletramentos, texto, criatividade emovimento, uma vez que com ela se pretende que a escola considere o papel que os gênerostextuais escritos, orais, visuais e multimodais desempenham nas esferas da vida cotidiana edos contextos de uso artísticos, musicais, literários, jornalísticos, publicitários, institucionais,esportivos e de entretenimento. No âmbito dessa dimensão, alguns conteúdos que podem sertrabalhados são “produção, refacção e leitura de gêneros textuais do domínio jornalístico: notícia,reportagem, resenhas” e “produção, refacção e leitura de resumos, sinopses e comentárioscríticos”. 36
  36. 36. Exemplo 3: AnotaçõesFonte: <http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,veja-os-mapas-e-graficos- da-devastacao-no-cerrado,441529,0.htm> Acesso em: 5/12/2012 Da mesma forma que os exemplos anteriores com o cartume com a notícia, sugere-se que o trabalho com esse infográfico sejacapaz de mobilizar as quatro áreas do conhecimento e algumas desuas dimensões e conteúdos: 37
  37. 37. Área de Ciências da Natureza: abordagem da dimensão Multiletramentos, natureza,transformação, sociedade, pois com ela espera-se que a escola leve o estudante a refletir que anatureza, o ser humano e a sociedade devem ser considerados de forma sustentável, por sereminterdependentes. No âmbito dessa dimensão, alguns conteúdos que podem ser trabalhadossão “ecossistemas terrestres e aquáticos”, “biogeografia brasileira” e “relações ecológicas:importância para o ser humano e para a natureza”. Área de Matemática: abordagem da dimensão Multiletramentos, lógica, análise erepresentação, pois com ela pretende-se que a escola contribua para a análise dos fatos, promovao pensamento científico e desenvolva ações de manipulação de objetos de aprendizagem, deoperacionalização, de representação e de abstração. No âmbito dessa dimensão, alguns conteúdosque podem ser trabalhados são “construção de gráficos, tabelas, quadros, utilizando informaçõessociais” e “noções de estatística”. Área de Ciências Humanas: abordagem da dimensão Multiletramentos, ciências, meioambiente e educação, uma vez que se espera com ela que a escola esteja em sintonia com seutempo, promova investigações filosóficas e científicas e desvele as possibilidades de mudança apartir de temas contemporâneos que geram impactos na qualidade de vida das pessoas. No âmbitodessa dimensão, alguns conteúdos que podem ser trabalhados são “diversidades ambientais” e“desenvolvimento sustentável, relatórios e tratados ambientais internacionais”. Área de Linguagens: abordagem da dimensão Multiletramentos, texto, criatividade emovimento, uma vez que se espera com ela que a escola considere o papel que os gêneros textuaisescritos, orais, visuais e multimodais desempenham nas esferas da vida cotidiana e dos contextosde uso artísticos, musicais, literários, jornalísticos, publicitários, institucionais, esportivos e deentretenimento. No âmbito dessa dimensão, alguns conteúdos que podem ser trabalhados são“leitura de gêneros de textos descontínuos (gráficos, tabelas etc.)”, “produção, refacção e leiturade textos do domínio literário, jornalístico e dos novos contextos midiáticos e tecnológicos” e“produção, refacção e leitura de textos escritos e multimodais em diversos gêneros em diversossuportes”. Os exemplos descritos apenas ilustram algumas maneiras de como é possível integraras dimensões e as áreas por meio da abordagem dos diversos conteúdos. É preciso, entretanto,reiterar a necessidade de a escola considerar aspectos do mundo contemporâneo para que oestudante possa entendê-lo, questioná-lo e transformá-lo. Assim, justifica-se a proposição de umapedagogia dos multiletramentos, o que faz a prática pedagógica levar em conta que a dinâmicado mundo atual é, também, marcada por aspectos multimodais, multimidiáticos e multiculturais.Além disso, no processo em que se concebe o mundo em razão de todos esses aspectos, a noçãode letramentos críticos desempenha um papel fulcral no processo de questionamento do mundo e 38

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