Método Socrático em Terapia Cognitiva-Comportamental

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Método Socrático em Terapia Cognitiva-Comportamental

  1. 1. Método Socrático: questionamento sistemático Marcelo da Rocha Carvalho CPCS – São Paulo IPq – AMBAN
  2. 2. Sócrates  Filósofo grego.  Tudo que sabemos sobre Sócrates é através do relato de outros filósofos contemporâneos, principalmente Platão.  Um dos textos mais citados é “A defesa de Sócrates”, escrito por Platão, que descreve uma conversa de Sócrates refletindo sobre sua condenação, onde deveria tomar cicuta(um veneno) e acabar com a sua vida.
  3. 3. Fases descritas por Sócrates  Ironia – onde ironizaria o discurso ouvido, desmistificando certezas sobre o que fora dito, invalidando verdades pessoais, mostrando uma realidade muito mais ampla e demonstrando ignorância do indivíduo que se manifestou.
  4. 4. Fases descritas por Sócrates  Maêutica – Ou o “parto”(em grego), seria o momento onde após a ironia, a pessoa seria agraciada com um visão da verdade, acima das opiniões pessoais, voltada para a realidade e a vida(daí a metáfora com o parto, ou seja, o nascimento)
  5. 5. Método Socrático e Psicoterapia  É uma técnica muito usada em muitas formas de psicoterapia.  Aaron Beck e Albert Ellis descrevem que o método socrático é uma parte dos processos da Terapia Cognitiva e da TREC.  Talvez o aspecto da ironia seja apenas e muito usado na TREC – sendo sempre descrito como método em seus manuais.
  6. 6. Método Socrático na Psicoterapia  Os componentes básicos do método socrático, segundo Overholser(1993) são: – Questionamento sistemático. – Indução a razão. – Definições universais.
  7. 7. Questionamento Sistemático
  8. 8. A-B-C THEORY D E F A B C (Activating Event) (Belief) (Consequences-emotional & behavioral (Disputing Intervention) (Effect – An effective philosophy) New Feeling Does not cause ‘C’ Causes ‘C’ Could Be Healthy or Unhealthy Central To REBT
  9. 9. TREC e seu estilos de debate 1. Socrático. 2. Didático. 3. Irônico e/ou competitivo. 4. Autorevelador.
  10. 10. Estratégias do debate 1. Centrar-se na falta de lógica. • Debate filosófico. 2. Focar em aspectos empíricos e objetivos. • Debate empírico. 3. Centrar em aspectos pragmáticos e constatáveis. • Debate empírico.
  11. 11. Estilo Socrático na TREC  Tem como objetivo principal o questionamento das crenças irracionais do paciente através de perguntas enfocando sua falta de funcionabilidade, falta de lógica e inconsistência empírica. Seu propósito é estimular o paciente a pensar por si mesmo, em lugar de aceitar automaticamente o ponto de visto do terapeuta, ou mesmo das pessoas a sua volta: contextualização.
  12. 12.  Originalmente, o questionamento socrático(chamado de “elenchus”) segue o formato de um exame(prova).  O questionamento repetitivo foi usado para forçar pessoas a admitirem sua ignorância(Nelson, 1980).  Embora a inquisição socrática pode ajudar as pessoas a terem a “mente aberta”, ela com freqüência resulta em humilhação pública.
  13. 13.  Como é usado hoje, o questionamento socrático é visto como um exploração cooperativa.  Que com tato, pode ajudar os pacientes a reconhecer áreas que eles desconhecem as respostas, mas pode despertar o desejo de aprender.  O processo de questionamento tem como meta motivar os pacientes a descobrir com encontrar as respostas para os seus problemas.  Estimula o pensamento independente dos pacientes.
  14. 14. Formas de questionamento  As perguntas podem seguir diversos formatos: memória, “tradução”, interpretação, aplicação, análise, síntese e avaliação.  Paciente podem ser estimulados a novas formas de pensar através de diferentes tipo de perguntas.
  15. 15. Questões de memória  As questões de memória exigem que os pacientes relembrem ou reconheçam informações necessárias para responder as perguntas.  Exemplos: quando o problema começou? Quando foi a última ocorrência? O que aconteceu neste momento?  Estas informações são usadas para criar entendimento para o controle comportamental do paciente sobre suas contingências.
  16. 16. Questões de “tradução”  Exige que o paciente troque ou transforme informações ou idéias numa diferente forma paralela.  “O que isto representa para você? Como podemos tirar um sentido disto? O que sua mãe diria sobre isto?”  Estas perguntas promovem um olhar sobre “furos” na maneira de pensar ou no entendimento do paciente e promover o entendimento adequado.
  17. 17. Questões de interpretação  Estas perguntas ajudam o cliente a descobrir relações entre os fatos, generalizações, definições, valores e habilidades.  “Os seus problemas no casamento tem alguma semelhança com os problemas no trabalho? Como estas duas situações poderiam ser similares? Onde elas diferem? Eu gostaria de saber se nós podemos aprender algo do seu primeiro casamento que poderia nos ajudar neste momento?”
  18. 18. Questões de interpretação  Podem ser usadas ainda para ajudar os pacientes a aprender interpretar simbolismos pela indução a analogias.  “O que isto significa para você? O que nós podemos aprender sobre esta situação?”
  19. 19. Questões aplicativas  Servem para aplicar informações ou habilidades num problema específico de uma situação.  O que você tentou fazer para resolver este problema antes? Que outras coisas você poderia fazer para resolver este problema? Como você acredita que poderá fazer estas mudanças?
  20. 20. Questões aplicativas  Elas incluem o mínimo de direcionamento no lugar de forçar os pacientes a identificarem específicos passos envolvidos na resolução do problema, através e inserido em suas contigências.
  21. 21. Questões de análise  Ajudam os pacientes a resolverem os problemas quebrando em partes menores para o enfrentamento adequado.  Promove o desenvolvimento da consciência envolvida nos processos cognitivos usados para alcançar conclusões lógicas.
  22. 22. Questões de análise  “O que você acredita que está causando este problema? Que evidências você tem para afirmar isto? Como você pode afirmar que está certo ou errado?há situações que possam melhorar esta situação? Há coisas que possam piorar esta situação?”
  23. 23. Questões de síntese  Ajuda os pacientes a resolver seus problemas através dos uso de pensamentos criativos ou até mesmo divergentes.  As questões devem sugerir muitas possibilidades para muitas soluções.
  24. 24. Questões de síntese  “De que formas distintas você pode ver esta situação ou problema? O que representa para você se tornar um médico?
  25. 25. Questões de avaliação  Promove perguntas para que os pacientes façam julgamentos ou avaliações de acordo com certos critérios que ajudem o paciente a distinguir diferenças e criar medidas.  “O que você procura num casamento? O que significa para você ter sucesso? Como você se vê como pessoa?
  26. 26. Abordagem analítico-comportamental “Diagnóstico“ Várias denominações: Diagnóstico comportamental Avaliação diagnóstica comportamental Análise funcional Avaliação comportamental Outras
  27. 27. Etapas da Avaliação Comportament al (adaptado de Follette, Naugle e Linnerooth, 1999) Os resultados foram satisfatórios? Avaliação e intervenção completas Reformulação da conceitualização funcional Organização da queixa de acordo com os princípios da análise do comportamento Delineamento da intervenção Implementação da intervenção Avaliação dos resultados Caracterização do(s) comportamento(s) alvo Identificação de variáveis ambientais relevantes sim não
  28. 28. Conceituação Cognitiva – A Formulação do Caso  Como o paciente desenvolveu este transtorno?  Quais foram os acontecimentos, experiências e interações importantes em sua vida?  Quais as crenças fundamentais e básicas sobre si próprio?  Quais seus pressupostos, regras, expectativas e atitudes?
  29. 29. Conceituação Cognitiva – A Formulação do Caso  Quais estratégias usou e usa para administrar suas crenças negativas?  Quais os principais pensamentos automáticos?  Em que circunstâncias eles surgem?  Há imagens ou comportamentos disfuncionais?
  30. 30. Conceituação Cognitiva – A Formulação do Caso  Como as crenças interagem com os acontecimentos de modo a deixá-lo vulnerável?  Quais seus problemas?  Quais os fatores de estresse?  O que está acontecendo em sua vida e como ele percebe e interpreta isto?
  31. 31. Terapêutica das Crenças fundamentais  Educando acerca das crenças – É uma idéia, não necessariamente uma verdade. – Acreditar ou sentir que é verdade, não a torna verdadeira. – Como é uma idéia, pode ser testada. – Por ter origem na infância, não foi necessariamente verdadeira na época.
  32. 32. Terapêutica das Crenças fundamentais  Educando acerca das crenças: – Continua a ser mantida porque era ignorada. – Continua a ser mantida porque não se leva em conta as informações em contrário.  O objetivo do trabalho terapêutico é ter uma visão realista de si próprio.
  33. 33. Terapêutica das Crenças fundamentais  Hipótese principal a ser testada:  Ou você está certo e é completamente inadequado (podemos trabalhar para modificar isso)  Ou você não é completamente inadequado, mas tem uma “crença” de que é (sentindo e agindo como se a crença fosse verdadeira).
  34. 34. Terapêutica das Crenças fundamentais  Metáforas para explicar a manutenção das crenças: – Filtro ou tela ao redor da mente (O que está de acordo com a crença passa pelo filtro). – Qualquer informação que contradiga a crença é rebatida pela tela ou distorcida para passar pelo filtro.  Você tem um exemplo que aconteceu na última semana?
  35. 35. Terapêutica das Crenças fundamentais  Porque a crença fundamental parece ser verdadeira, ou é sentida como verdadeira? – O que você acha que acontece se esta maneira de processar os dados estiver presente desde a infância? – Quais os efeitos de sistematicamente filtrar os dados negativos para dentro, e os positivos para fora?  A crença fundamental pode ser sentida como verdadeira e não ser.
  36. 36. Terapêutica das Crenças fundamentais  Qual a crença fundamental?  Quanto você acredita nela neste instante? (0 a 100)  Quanto acreditou nela durante esta semana?
  37. 37. Terapêutica das Crenças fundamentais  Nova crença fundamental:___________  Quanto você acredita nela?  Evidências que contradizem a antiga crença fundamental.  Evidências que apóiam a nova crença.
  38. 38. Terapêutica das Crenças fundamentais  Após identificá-las usar o Questionamento Socrático:  Quais as evidências?  De que outra maneira se pode olhar para a crença?  Se sua crença é verdadeira, quais as implicações?
  39. 39. Técnicas para modificar as Crenças Fundamentais  Diagrama Cognitivo  Educação  Análise das “Vantagens e Desvantagens”  Diário da atividade das Crenças  Agir “como se”  Técnicas de Terapia Gestalt  Técnicas Psicodramáticas
  40. 40. Técnicas para modificar as Crenças Fundamentais  Distanciar, comparando ou contrastando com exemplos.  Desenvolver novos padrões para comparação e avaliação  Metáforas  Estórias e Fábulas  Álbum de retratos  Experimentos Comportamentais
  41. 41. Técnicas para modificar as Crenças Fundamentais  Continuum Cognitivo  Revisão da História de Vida  Reestruturar memórias antigas  Evidências que contrariam as crenças em cada ano da vida.  Evidências que contrariem as crenças no dia a dia.  Evidências que dão suporte às novas crenças realistas.
  42. 42. Técnicas para modificar as Crenças Fundamentais - Imagens  Crenças que possuem componente pictorial (imagens, memórias vívidas de acontecimentos da infância): – Modificar interpretações distorcidas sobre estes eventos. – Reestruturar o significado das memórias visuais. – Reviver o passado de modo mais saudável (Controlando e modificando as imagens de uma maneira que o paciente não conseguiria fazer quando os eventos aconteceram).
  43. 43. Técnicas para modificar as Crenças Fundamentais- Imagens  Orientações gerais para trabalhar com imagens:  Focalizar acontecimentos do passado identificados como críticos ou traumáticos.  Focalizar acontecimentos atuais que trouxeram grande emoção e relacioná-los com os acontecimentos do passado.  Focalizar tema com grande carga afetiva e relacioná-lo com acontecimentos semelhantes de fora da sessão.
  44. 44. Técnicas para modificar as Crenças Fundamentais- Imagens  Focalizar atenção nas emoções e sensações físicas.  Perguntar sobre quando teve esta sensação pela primeira vez.  Elaborar pensamentos e emoções vividos pela “criança”: – O que estava pensando? – O que estava sentindo?
  45. 45. Técnicas para modificar as Crenças Fundamentais- Imagens  Elaborar pensamentos e emoções vividos pela “criança”: – O que ela achava que estava acontecendo? – O que ela esperava do futuro? – O que passou a pensar sobre si mesmo? – O que passou a pensar sobre os outros? – Que crenças e regras estava construindo? – Quais as interpretações sobre sua capacidade de ser amada, competência, etc.
  46. 46. Técnicas para modificar as Crenças Fundamentais- Imagens  Resumir o significado pessoal associado à memória.  Avaliar o pensamento do adulto: – Você acredita que esta crença é verdade?  Colocar a posição adulta: – Exercícios dramáticos. – Discutir racionalmente com o paciente adulto.
  47. 47. Técnicas para modificar as Crenças Fundamentais- Imagens  Modificar as crenças da criança: – Trazer o adulto para a imagem – Trazer pessoa de confiança ou protetora Com quem você gostaria de conversar? O que você gostaria de ouvir?
  48. 48. Técnicas para modificar as Crenças Fundamentais- Imagens  Modificar as imagens de modo que a criança sinta controle e bem estar: – O que você quer que aconteça? – Modificar os acontecimentos dos outros na imagem. – Modificar o comportamento da criança. – Modificar as conseqüências.  Avaliar os pensamentos e sentimentos após o exercício.
  49. 49. Técnicas para modificar as Crenças Fundamentais- A nuvem  Esquemas ativados por acontecimentos não verbais: Temperatura, odores, sensações físicas, postura, tom de voz, velocidade do discurso, etc.  Passos para modificação desses esquemas: – Identificação: Avaliação cuidadosa de situações desencadeantes, investigando modalidades sensoriais e procurando um padrão.
  50. 50. Técnicas para modificar as Crenças Fundamentais- A nuvem  Passos para modificação desses esquemas: – Desafiar o conteúdo dos esquemas através de métodos verbais, com imagens ou físicos. – Colocar em palavras os esquemas evocados. – Ativar os esquemas deliberadamente usando os estímulos apropriados.
  51. 51. Referências Bibliográficas  Beck J. Terapia Cognitiva - teoria e prática. Porto Alegre, Artmed, 1997.  Auger L. Ajudar-se a si mesmo. São Paulo, Loyola, 1974.  Young J. Terapia Cognitiva para Transtornos da Personalidade. Porto Alegre, Artmed, 2003.  Hawton e cols. Terapia Cognitivo- Comportamental para Transtornos Psiquiátricos. Martins Fontes, São Paulo,
  52. 52. Bibliografia  Barlow, David (Org.) – “Manual Clínico dos Transtornos Psicológicos”, Artes Médicas, 1999;  Ellis, A. – OVERCOMING DESTRUTIVE BELIEFS, FEELINGS AND BEHAVIORS. Prometheus Books, 2001.

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