SlideShare uma empresa Scribd logo
J. Gimeno Sacristán e A. I. Pérez Gómez ,
COMPREENDER E TRANSFORMAR O
ENSINO
Artes Médicas
CAPÍTULO I AS
FUNÇÕES SOCIAIS DA ESCOLA : DA REPRODUÇÃO À RECONSTRUÇÃO
CRÍTICA DO CONHECIMENTO E DA EXPERIÊNCIA
A . I. Pérez Gómez
RESUMO
EDUCAÇÃO E SOCIALIZAÇÃO
Nos pequenos grupos humanos e nas sociedades primitivas, a aprendizagem dos
produtos sociais e a educação dos novos membros da comunidade aconteciam como
socialização direta da geração jovem, mediante a participação cotidiana das crianças nas
atividades da vida adulta. Contudo, a aceleração do desenvolvimento das comunidades
humanas, a complexidade das estruturas, a diversificação de funções e tarefas da vida
nas sociedades, tornaram ineficaz esse processo.
Surgiram, então, ao longo da história diferentes formas de especialização no processo de
educação ou socialização secundária ( tutor, preceptor, academia, escola religiosa, escola
laica ...), chegando aos sistemas de escolarização obrigatória para todas as camadas da
população nas sociedades industriais contemporâneas. Nestas sociedades a preparação
das novas gerações para sua participação no mundo do trabalho e na vida pública requer
a intervenção de instâncias específicas como a escola, cuja função peculiar é atender e
canalizar o processo de socialização. Esta função da escola aparece puramente
conservadora : garantir a reprodução social e cultural para a sobrevivência mesma da
sociedade.
Outras instâncias primárias de convivência e intercâmbios, como a família, os grupos
sociais, os meios de comunicação exercem de modo direto a influência
reprodutora da comunidade social. No entanto, a escola, por seus conteúdos, por suas
formas e sistemas de organização, introduz progressivamente, as idéias, os
conhecimentos, as concepções, as disposições e os modos de conduta que a sociedade
adulta requer. Assim, a contribuição da escola é decisiva e possibilita à sociedade
industrial substituir os mecanismos externos de controle da conduta por disposições mais
ou menos aceitas de autocontrole.
Esta tendência conservadora lógica, choca-se com a tendência, também lógica, que
busca modificar aspectos dessa formação que se mostram desfavoráveis para alguns
indivíduos ou grupos que compõem o complexo e conflitante contexto social. Para que
haja equilíbrio de convivência nas sociedades, tanto a
conservação quanto a mudança são necessárias, e o mesmo ocorre em relação ao
equilíbrio da estrutura social da escola.
CARÁTER PLURAL E COMPLEXO DO PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO DA
ESCOLA
Dentro deste complexo e dialético processo de socialização que a escola cumpre nas
sociedades contemporâneas é necessário que compreendamos os objetivos de tal
processo, os mecanismos e procedimentos usados para sua realização.
Todos os autores e correntes da sociologia da educação admitem que ao menos, desde o
surgimento das sociedades industriais, o objetivo básico e prioritário da socialização dos
alunos na escola é prepará-los para sua futura incorporação no mundo do trabalho
(análise dessas posições em Fernández Enguita, 1990).
Divergências teóricas surgem quanto à definição do que significa preparação para o
mundo do trabalho, como se realiza este processo, que conseqüências advêm da
promoção da igualdade de oportunidades ou da promoção da reprodução e reafirmação
das diferenças sociais de origem dos indivíduos e grupos.
O segundo objetivo do processo de socialização na escola é a formação do cidadão para
sua intervenção na vida pública, de modo que se possa manter a dinâmica, o equilíbrio
nas instituições e as normas de convivência.
Para isso, é necessário que a escola assuma as fortes contradições que marcam as
sociedades contemporâneas desenvolvidas.
De acordo com F. Enguita, a sociedade é mais ampla que o Estado. Na esfera política,
todas as pessoas têm, em princípio, os mesmos direitos; na esfera econômica, no
entanto, a primazia não é dos direitos da pessoa mas os da propriedade. Dessa forma a
escola defronta-se com demandas contraditórias no processo de socialização das futuras
gerações. Deve provocar o desenvolvimento de conhecimentos, idéias, atitudes e
comportamentos que permitam a incorporação dos indivíduos no mundo civil, no âmbito
da liberdade de consumo, de escolha e participação política, da liberdade e
responsabilidade da vida familiar. Por outro lado, deve desenvolver características bem
diferentes dessas, para a incorporação submissa e disciplinada da maioria, no mundo do
trabalho assalariado.
Assim, a escola transmite e consolida o individualismo, a competitividade, a falta de
solidariedade. Assume-se a idéia de que a escola é igual para todos e de que, portanto,
cada um chega onde suas capacidades e esforços pessoais lhes permitem. Impõe-se a
ideologia aparentemente contraditória do individualismo e do conformismo social.
A estrutura social aparentemente aberta para a mobilidade individual, oculta a
determinação social do desenvolvimento do sujeito como conseqüência das profundas
diferenças de origem que se refletem nas formas de conhecer, sentir, esperar e atuar dos
indivíduos. Este processo vai minando progressivamente, as possibilidades dos mais
desfavorecidos social e economicamente.
OS MECANISMOS DE SOCIALIZAÇÃO NA ESCOLA
A escola tem sido descrita como um processo de inculcação e doutrinamento ideológico,
feito através da transmissão de idéias e mensagens, seleção e organização de conteúdos
de aprendizagem. Com a sociologia da educação e a psicologia social ampliou-se o foco
dessa análise, levando-nos a compreender que os processos de socialização que
ocorrem na escola, acontecem também como conseqüência das práticas sociais que se
estabelecem.
Os alunos assimilam idéias e conhecimentos que a eles são transmitidos, mas também e
principalmente os aprendem como conseqüência das diversas interações sociais que
ocorrem na escola e na aula. Além disso, o conteúdo oficial do currículo, não cala nem
estimula os interesses e preocupações vitais da criança e do adolescente. Eles aprendem
esse conteúdo para passar nos exames e esquecer depois, enquanto que a
aprendizagem dos mecanismos, estratégias, normas e valores de interação social que
lhes possibilitam o êxito pessoal na vida acadêmica e pessoal do grupo, estendem seu
valor e utilidade além do campo da escola. Esta aprendizagem os induz a uma forma de
ser, pensar e agir em suas relações sociais no mundo do trabalho e na vida pública.
Os mecanismos da socialização na escola se encontram no tipo de estrutura de tarefas
acadêmicas que se trabalhe na aula e na forma que adquire a estrutura de relações
sociais da escola e da aula – esses componentes encontram-se mutuamente inter-
relacionados, de modo que uma forma de conceber a atividade escolar requer uma
estrutura de relações sociais compatíveis e convergentes.
Nesse sentido são importantes os seguintes aspectos do desenvolvimento do currículo :
1. A seleção e a organização dos conteúdos do currículo. Concretamente, o que se
escolhe e o que se omite da cultura pública da comunidade e quem tem o poder de
selecionar ou intervir em sua modificação.
2. O modo e o sentido da organização das tarefas acadêmicas, bem como o grau de
participação dos alunos na configuração das formas de trabalho.
3. A ordenação do espaço e do tempo na aula e na escola. A flexibilidade ou rigidez do
cenário, do programa e da seqüência de atividades.
4. As formas e estratégias de valorização da atividade dos alunos. Os critérios de
valorização, assim como a utilização diagnóstica ou classificatória dos resultados e a
própria participação dos interessados no processo de avaliação.
5. Os mecanismos de distribuição de recompensas como recursos de motivação
extrínseca e a forma e grau de provocar a competitividade ou a colaboração.
6. Os modos de organizar a participação dos alunos na formulação, no estabelecimento
e no controle das formas e normas de convivência e interação.
7. O clima de relações sociais presidido pela ideologia do individualismo e da
competitividade ou da colaboração e solidariedade.
Enfim, a análise deve abarcar os fatores que determinam o grau de participação e
domínio dos próprios alunos sobre o processo de trabalho e os modos de convivência, de
maneira que se possa chegar a compreender o grau de alienação ou autonomia dos
estudantes quanto a seus próprios processos de produção e intercâmbio no âmbito
escolar.
CONTRADIÇÕES NO PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO NA ESCOLA
O processo de socialização na escola é complexo e sutil, marcado por profundas
contradições e inevitáveis resistências individuais e grupais.
Consideremos :
1. “A escola é um cenário permanente de conflitos (...). O que acontece na aula é o
resultado de um processo de negociação informal (...) entre o que o professor/a ou a
instituição escolar querem que os alunos/as façam e o que estes estão dispostos a
fazer”. (Fernández Enguita, 1990).
Na aula sempre acontece um processo explícito ou não de negociação. Ocorrem
movimentos de resistências que minam os processos de aprendizagem pretendidos,
provocando, a médio e longo prazo, nos alunos, os efeitos contrários aos
explicitamente pretendidos. Não há o domínio do professor sobre os intercâmbios
latentes. Existem espaços de relativa autonomia que podem ser utilizados para
desequilibrar a evidente tendência à reprodução conservadora do status quo .
2. A simplificação e especialização do trabalho autônomo nas sociedades pós-industriais
estabelecem para a escola, demandas diferenciadas e contraditórias na esfera da
ocupação econômica.
Uma escola homogênea em sua estrutura, propósitos e formas de funcionar
dificilmente pode provocar o desenvolvimento de idéias, atitudes e comportamentos
tão diferenciados para satisfazer as exigências do mundo do trabalho assalariado e
burocrático (disciplina, submissão, padronização) e ao mesmo tempo as exigências do
âmbito do trabalho autônomo (iniciativa, risco, diferenciação).
3. Dificuldades da escola em compatibilizar as exigências do mundo do trabalho com
outras exigências da vida social, como a da política, do consumo, das relações de
convivência familiar, nas sociedades formalmente democráticas. Há uma contradição
entre a sociedade que requer de um lado a participação ativa e responsável de todos
cidadãos considerados por direito como iguais, e essa mesma sociedade que na
esfera econômica induz a maioria da população à submissão e à aceitação de
escandalosas diferenças de fato. Contudo, tanto na sociedade como na escola, essa
contradição é suavizada quando se comprova que na prática, apenas a aparência de
comportamento democrático é requerida. Há um certo grau de hipocrisia.
Sob a ideologia de igualdade de oportunidades numa escola comum para todos, se
desenvolve decisivamente o processo de classificação, de exclusão das minorias e da
diferenciação para o mundo do trabalho e participação social. Como bem
demonstraram Bernstein, Bandelot e Establet, Bowles e Gentis, a orientação
homogeneizadora da escola confirma e legitima as diferenças sociais, transformando-
as em outras de caráter individual. As diferenças de origem consagram-se como
diferenças de saída.
Sem uma análise profunda, aceitam-se as aparências de um currículo e certas formas de
organizar a experiência dos alunos como comuns e iguais para todos, confundindo
causas com efeitos e aceitando a classificação social como conseqüência das diferenças
individuais em capacidade e esforços.
Essa é a forma mais eficaz de socializar as novas gerações na desigualdade. Deste
modo, inclusive os mais desfavorecidos aceitarão e assumirão a legitimidade das
diferenças sociais e econômicas, e a mera vigência formal das exigências democráticas
no âmbito político, assim como a relevância do individualismo, a concorrência e a falta de
solidariedade.
SOCIALIZAÇÃO E HUMANIZAÇÃO : A FUNÇÃO EDUCATIVA DA ESCOLA
A função educativa da escola ultrapassa a função reprodutora do processo de
socialização, já que se apoia no conhecimento público (ciência, filosofia, cultura, arte...)
para provocar o desenvolvimento do conhecimento particular de cada um de seus alunos.
A utilização do conhecimento público, da experiência e da reflexão da comunidade social
ao longo da história introduz um instrumento que pode quebrar o processo reprodutor.
Essa vinculação exige da escola e dos que nela trabalham, que identifiquem e
desmascarem seu caráter reprodutor.
Assim, as inevitáveis influências que a comunidade exerce sobre a escola e o processo
de socialização sistemática das novas gerações devem sofrer a mediação crítica da
utilização do conhecimento.
Deve-se analisar na escola a complexidade que o processo de socialização adquire em
cada época, comunidade e grupo social, assim como os poderosos e diferenciados
mecanismos de imposição da ideologia dominante da igualdade de oportunidades numa
sociedade marcada pela discriminação.
A função educativa da escola na sociedade pós-industrial contemporânea deve
concretizar-se em dois eixos complementares de intervenção:
 O desenvolvimento radical da função compensatória
 A reconstrução do conhecimento e da experiência
DESENVOVIMENTO RADICAL DA FUNÇÃO COMPENSATÓRIA
Nas sociedades industriais avançadas, apesar de sua constituição política formalmente
democrática, sobrevive a desigualdade e a injustiça.
A escola não pode anular tal discriminação, mas pode atenuar, em parte, os efeitos da
desigualdade e preparar cada indivíduo para lutar e se defender, nas melhores condições
possíveis no cenário social. Só assim, esses indivíduos terão condições de enfrentar a
mobilidade competitiva que aí está. A escola deve, então propôr uma política radical para
compensar as conseqüências individuais da desigualdade social.
Com este objetivo, deve-se substituir a lógica da homogeneidade pela lógica da
diversidade. Embora seja certo que tanto nos modelos uniformes quanto nos
diversificados pode-se fomentar e reproduzir a desigualdade e discriminação que existe
na sociedade, na maioria dos países desenvolvidos o perigo de discriminação é mais
decisivo nos modelos uniformes de trabalho acadêmico – homogeneidade de ritmo,
estratégias e experiência para todos os alunos.
A intervenção compensatória da escola deve considerar um modelo didático flexível e
plural que permita atender às diferenças de origem , de modo que o acesso à cultura
pública se acomode às exigências de interesses, ritmos, motivações e capacidades
iniciais dos que se encontram mais distantes dos códigos e características que se
expressa. Sua realização requer flexibilidade, diversidade e pluralidade metodológica e
organizativa.
A uniformidade no currículo, nos ritmos, métodos e experiências didáticas favorece os
grupos que não necessitam da escola para o desenvolvimento das habilidades
instrumentais que a sociedade requer, grupos estes que vivenciam em seu ambiente
familiar e social uma cultura parecida àquela que a escola trabalha.
Pelo contrário, para aqueles grupos sociais cuja cultura é bem diferente da acadêmica da
aula, a lógica da homogeneidade não pode senão consagrar a discriminação de fato, já
que possuem códigos de comunicação e intercâmbio bem diferentes dos que a escola
requer.
O desenvolvimento radical da função compensatória requer a lógica da diversidade
pedagógica dentro da escola compreensiva e comum para todos. A organização da aula e
da escola, e a formação profissional do docente devem garantir o tratamento educativo
das diferenças, trabalhando com cada aluno desde sua situação real.
Cabe, ainda, fomentar a pluralidade de formas de viver, pensar e sentir, estimular o
pluralismo e cultivar a originalidade das diferenças individuais como a expressão mais
genuína da riqueza da comunidade humana e da tolerância social.
Assim, se concebe a democracia mais como um estilo de vida e uma idéia moral do que
como uma mera forma de governo (Dewey, 1967) onde os indivíduos, respeitando seus
diferentes pontos de vista e projetos vitais, se esforçam através do debate e da ação
política, da participação e cooperação ativa, para criar e construir um clima de
entendimento e solidariedade.
A RECONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO E DA EXPERIÊNCIA
O segundo objetivo da tarefa educativa da escola obrigatória nas sociedades industriais,
deve ser, provocar e facilitar a reconstrução dos conhecimentos, atitudes e formas de
conduta que os alunos assimilam direta e acriticamente nas práticas sociais de sua vida
anterior e paralela à escola.
Na sociedade contemporânea, a escola perdeu o papel hegemônico na transmissão e
distribuição da informação. Os meios de comunicação de massa, e em especial a
televisão oferecem de modo atrativo e ao alcance da maioria dos cidadãos uma
abundante bagagem de informações. As informações variadas que a criança recebe,
somadas ao conhecimento de suas experiências e interações sociais com os
componentes de seu meio de desenvolvimento, vão criando de modo sutil, incipientes
concepções ideológicas que ela utiliza para interpretar a realidade cotidiana e para tomar
decisões no seu modo de intervir e reagir. A criança chega à escola com
abundante capital de informações e com poderosas e acríticas pré-concepções sobre os
diferentes âmbitos da realidade.
Tanto o campo das relações sociais que rodeiam a criança como o dos meios de
comunicação que transmitem informações, valores e concepções ideológicas, cumprem
uma função mais próxima da reprodução da cultura dominante do que da reelaboração
crítica e reflexiva da mesma. Não há interesse em oferecer elementos para um debate
aberto e racional que permita opções autônomas sobre qualquer aspecto da vida
econômica, política ou social.
Somente a escola pode cumprir esta função. E para desenvolver este complexo e
conflitante objetivo, a escola compreensiva, apoiando-se na lógica da diversidade
deve começar por diagnosticar as pré-concepções e interesses com que os indivíduos e
os grupos de alunos interpretam a realidade e decidem sua prática.
Ao mesmo tempo deve oferecer o conhecimento público como ferramenta inestimável de
análise para facilitar que cada aluno questione, compare e reconstrua suas pré-
concepções, seus interesses e atitudes condicionadas, suas pautas de conduta induzidas
por seus intercâmbios e relações sociais.
Como afirma Bernstein (1987): “A escola deve transformar-se numa comunidade de vida
e, a educação deve ser concebida como uma contínua reconstrução da experiência.
A escola, ao provocar a reconstrução das preocupações simples, facilita o processo de
aprendizagem permanente, ajuda o indivíduo a compreender que todo conhecimento ou
conduta encontram-se condicionados pelo contexto e, portanto, precisam ser comparados
com outras representações, assim como com a evolução de si mesmo e do próprio
contexto.
Mais que transmitir informação, a função da escola contemporânea deve se orientar para
provocar a organização racional da informação fragmentária recebida e a reconstrução
das pré-concepções acríticas, formadas pela pressão reprodutora do contexto social, por
meio de mecanismos e meios de comunicação cada dia mais poderosos e de influência
mais sutil.
A exigência de provocar a reconstrução, por parte dos alunos, de seus conhecimentos,
atitudes e modos de atuação requer outra forma de organizar o espaço, o tempo, as
atividades e as relações sociais na aula e na escola. Possibilitar a vivência de práticas
sociais e intercâmbios acadêmicos que induzam à solidariedade, à colaboração, à
experimentação compartilhada ; que estimulem a busca, a comparação, a crítica, a
iniciativa e a criação, num outro tipo de relação com o conhecimento e a cultura.
A função crítica da escola, em sua vertente compensatória e em sua exigência de
provocar a reconstrução crítica do pensamento e da ação, requer a transformação radical
de suas práticas pedagógicas e sociais e das funções e atribuições do professor. O
princípio básico que norteia a escola nesses objetivos e funções é facilitar e estimular a
participação ativa e crítica dos alunos nas diferentes tarefas que se desenvolvem na aula
e que constituem o modo de viver da comunidade democrática de aprendizagem.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Diretrizes curriculares nacionais para a educação
Diretrizes curriculares nacionais para a educaçãoDiretrizes curriculares nacionais para a educação
Diretrizes curriculares nacionais para a educação
Elicio Lima
 
Projeto Político Pedagógico
Projeto Político PedagógicoProjeto Político Pedagógico
Projeto Político Pedagógico
professorfj2012
 
Sacristã e Gomez aula 9
Sacristã e Gomez aula 9Sacristã e Gomez aula 9
Sacristã e Gomez aula 9
Audrey Danielle Beserra de Brito
 
Tendências Pedagógicas
Tendências PedagógicasTendências Pedagógicas
Tendências Pedagógicas
Laudiceia Pereira
 
Projeto politico pedagogico
Projeto politico pedagogicoProjeto politico pedagogico
Projeto politico pedagogico
Heles Souza
 
Apresentacao sobre curriculo
Apresentacao sobre curriculoApresentacao sobre curriculo
Apresentacao sobre curriculo
Tatá Oliveira
 
Relatório de gestão escolar
Relatório de gestão escolarRelatório de gestão escolar
Relatório de gestão escolar
Maryanne Monteiro
 
A atuação do pedagogo em espaços não escolares
A atuação do pedagogo em espaços não escolaresA atuação do pedagogo em espaços não escolares
A atuação do pedagogo em espaços não escolares
Elizangela Quintela Miranda Costa
 
Relatorio final estágio_não escolar e gestão
Relatorio final estágio_não escolar e gestãoRelatorio final estágio_não escolar e gestão
Relatorio final estágio_não escolar e gestão
mkbariotto
 
Atividade proposta em grupo refletindo sobre a gestão da escola
Atividade proposta em grupo refletindo sobre a gestão da escolaAtividade proposta em grupo refletindo sobre a gestão da escola
Atividade proposta em grupo refletindo sobre a gestão da escola
pactoensinomedioufu
 
Teoria sociocritica
Teoria sociocriticaTeoria sociocritica
Teoria sociocritica
Silvia Kelly
 
Teorias Pedagógicas Modernas
Teorias Pedagógicas ModernasTeorias Pedagógicas Modernas
Teorias Pedagógicas Modernas
Rodrigo Gabriel da Silva
 
Inclusão
InclusãoInclusão
Inclusão
kalydymer
 
Escritos de educação por Pierre Bourdieu
Escritos de educação por Pierre BourdieuEscritos de educação por Pierre Bourdieu
Escritos de educação por Pierre Bourdieu
Governo do Estado de São Paulo
 
Formação Docente Profissional
Formação Docente ProfissionalFormação Docente Profissional
Formação Docente Profissional
profamiriamnavarro
 
ConstruçãO Ppp[1]
ConstruçãO Ppp[1]ConstruçãO Ppp[1]
ConstruçãO Ppp[1]
guestaa7fd
 
O papel do pedagogo na escola
O papel do pedagogo na escolaO papel do pedagogo na escola
O papel do pedagogo na escola
Cleia Printes
 
Conceitos de curriculo
Conceitos  de curriculoConceitos  de curriculo
Conceitos de curriculo
Jaqueline de Paulo
 
Teorias sociocríticas segundo Libâneo
Teorias sociocríticas segundo LibâneoTeorias sociocríticas segundo Libâneo
Teorias sociocríticas segundo Libâneo
Thaís Razuki
 
Didática Ensino Superior
Didática Ensino SuperiorDidática Ensino Superior
Didática Ensino Superior
Hamilton Nobrega
 

Mais procurados (20)

Diretrizes curriculares nacionais para a educação
Diretrizes curriculares nacionais para a educaçãoDiretrizes curriculares nacionais para a educação
Diretrizes curriculares nacionais para a educação
 
Projeto Político Pedagógico
Projeto Político PedagógicoProjeto Político Pedagógico
Projeto Político Pedagógico
 
Sacristã e Gomez aula 9
Sacristã e Gomez aula 9Sacristã e Gomez aula 9
Sacristã e Gomez aula 9
 
Tendências Pedagógicas
Tendências PedagógicasTendências Pedagógicas
Tendências Pedagógicas
 
Projeto politico pedagogico
Projeto politico pedagogicoProjeto politico pedagogico
Projeto politico pedagogico
 
Apresentacao sobre curriculo
Apresentacao sobre curriculoApresentacao sobre curriculo
Apresentacao sobre curriculo
 
Relatório de gestão escolar
Relatório de gestão escolarRelatório de gestão escolar
Relatório de gestão escolar
 
A atuação do pedagogo em espaços não escolares
A atuação do pedagogo em espaços não escolaresA atuação do pedagogo em espaços não escolares
A atuação do pedagogo em espaços não escolares
 
Relatorio final estágio_não escolar e gestão
Relatorio final estágio_não escolar e gestãoRelatorio final estágio_não escolar e gestão
Relatorio final estágio_não escolar e gestão
 
Atividade proposta em grupo refletindo sobre a gestão da escola
Atividade proposta em grupo refletindo sobre a gestão da escolaAtividade proposta em grupo refletindo sobre a gestão da escola
Atividade proposta em grupo refletindo sobre a gestão da escola
 
Teoria sociocritica
Teoria sociocriticaTeoria sociocritica
Teoria sociocritica
 
Teorias Pedagógicas Modernas
Teorias Pedagógicas ModernasTeorias Pedagógicas Modernas
Teorias Pedagógicas Modernas
 
Inclusão
InclusãoInclusão
Inclusão
 
Escritos de educação por Pierre Bourdieu
Escritos de educação por Pierre BourdieuEscritos de educação por Pierre Bourdieu
Escritos de educação por Pierre Bourdieu
 
Formação Docente Profissional
Formação Docente ProfissionalFormação Docente Profissional
Formação Docente Profissional
 
ConstruçãO Ppp[1]
ConstruçãO Ppp[1]ConstruçãO Ppp[1]
ConstruçãO Ppp[1]
 
O papel do pedagogo na escola
O papel do pedagogo na escolaO papel do pedagogo na escola
O papel do pedagogo na escola
 
Conceitos de curriculo
Conceitos  de curriculoConceitos  de curriculo
Conceitos de curriculo
 
Teorias sociocríticas segundo Libâneo
Teorias sociocríticas segundo LibâneoTeorias sociocríticas segundo Libâneo
Teorias sociocríticas segundo Libâneo
 
Didática Ensino Superior
Didática Ensino SuperiorDidática Ensino Superior
Didática Ensino Superior
 

Destaque

Compreender e Transformar o Ensino
Compreender e Transformar o EnsinoCompreender e Transformar o Ensino
Compreender e Transformar o Ensino
Ulisses Vakirtzis
 
Compreender e transformar o ensino
Compreender e transformar o ensinoCompreender e transformar o ensino
Compreender e transformar o ensino
Colégio Parthenon
 
20 sacristan compreender e transformar o ensino
20 sacristan compreender e transformar o ensino20 sacristan compreender e transformar o ensino
20 sacristan compreender e transformar o ensino
helioluc
 
Apresentacao curriculo 12_maio_2011
Apresentacao curriculo 12_maio_2011Apresentacao curriculo 12_maio_2011
Apresentacao curriculo 12_maio_2011
Mari_Saracchini
 
Os câmbios sociais e as funções da escola
Os câmbios sociais e as funções da escolaOs câmbios sociais e as funções da escola
Os câmbios sociais e as funções da escola
Ricardo de Albuquerque
 
Função Social da Escola - Condensado
 Função Social da Escola - Condensado Função Social da Escola - Condensado
Função Social da Escola - Condensado
Maria Isaltina Santana
 
As funções sociais do estado e a reforma do Estado Social ‘por Anabela Coelho...
As funções sociais do estado e a reforma do Estado Social ‘por Anabela Coelho...As funções sociais do estado e a reforma do Estado Social ‘por Anabela Coelho...
As funções sociais do estado e a reforma do Estado Social ‘por Anabela Coelho...
A. Rui Teixeira Santos
 
2. 3 a romanização da península ibérica
2. 3   a romanização da península ibérica2. 3   a romanização da península ibérica
2. 3 a romanização da península ibérica
Maria Cristina Ribeiro
 
Antonio novoa
Antonio novoaAntonio novoa
Antonio novoa
afermartins
 
Arábia
ArábiaArábia
Arábia
Daniel Dias
 
Visigodos
VisigodosVisigodos
Visigodos
dos36
 
1º ocupação muçulmana e resistência cristã
1º ocupação muçulmana e resistência cristã1º ocupação muçulmana e resistência cristã
1º ocupação muçulmana e resistência cristã
Básicas ou Secundárias
 
Primeiros Povos
Primeiros PovosPrimeiros Povos
Primeiros Povos
zialucio
 
Árabes
ÁrabesÁrabes
Visogodos
VisogodosVisogodos
Visogodos
ceap
 
A Queda do Império Romano do Oriente.
A Queda do Império Romano do Oriente. A Queda do Império Romano do Oriente.
A Queda do Império Romano do Oriente.
Adail Silva
 
Os Romanos
Os RomanosOs Romanos
Os Romanos
crisanadu
 
Diversidade Cultural Desigualdades Sociais
Diversidade Cultural Desigualdades SociaisDiversidade Cultural Desigualdades Sociais
Diversidade Cultural Desigualdades Sociais
culturaafro
 
Revolução francesa 2
Revolução francesa 2Revolução francesa 2
Revolução francesa 2
Carla Teixeira
 
Dermeval saviani historia das ideias pedagogicas no brasil [2ª ed]
Dermeval saviani   historia das ideias pedagogicas no brasil [2ª ed]Dermeval saviani   historia das ideias pedagogicas no brasil [2ª ed]
Dermeval saviani historia das ideias pedagogicas no brasil [2ª ed]
Luiza Katia
 

Destaque (20)

Compreender e Transformar o Ensino
Compreender e Transformar o EnsinoCompreender e Transformar o Ensino
Compreender e Transformar o Ensino
 
Compreender e transformar o ensino
Compreender e transformar o ensinoCompreender e transformar o ensino
Compreender e transformar o ensino
 
20 sacristan compreender e transformar o ensino
20 sacristan compreender e transformar o ensino20 sacristan compreender e transformar o ensino
20 sacristan compreender e transformar o ensino
 
Apresentacao curriculo 12_maio_2011
Apresentacao curriculo 12_maio_2011Apresentacao curriculo 12_maio_2011
Apresentacao curriculo 12_maio_2011
 
Os câmbios sociais e as funções da escola
Os câmbios sociais e as funções da escolaOs câmbios sociais e as funções da escola
Os câmbios sociais e as funções da escola
 
Função Social da Escola - Condensado
 Função Social da Escola - Condensado Função Social da Escola - Condensado
Função Social da Escola - Condensado
 
As funções sociais do estado e a reforma do Estado Social ‘por Anabela Coelho...
As funções sociais do estado e a reforma do Estado Social ‘por Anabela Coelho...As funções sociais do estado e a reforma do Estado Social ‘por Anabela Coelho...
As funções sociais do estado e a reforma do Estado Social ‘por Anabela Coelho...
 
2. 3 a romanização da península ibérica
2. 3   a romanização da península ibérica2. 3   a romanização da península ibérica
2. 3 a romanização da península ibérica
 
Antonio novoa
Antonio novoaAntonio novoa
Antonio novoa
 
Arábia
ArábiaArábia
Arábia
 
Visigodos
VisigodosVisigodos
Visigodos
 
1º ocupação muçulmana e resistência cristã
1º ocupação muçulmana e resistência cristã1º ocupação muçulmana e resistência cristã
1º ocupação muçulmana e resistência cristã
 
Primeiros Povos
Primeiros PovosPrimeiros Povos
Primeiros Povos
 
Árabes
ÁrabesÁrabes
Árabes
 
Visogodos
VisogodosVisogodos
Visogodos
 
A Queda do Império Romano do Oriente.
A Queda do Império Romano do Oriente. A Queda do Império Romano do Oriente.
A Queda do Império Romano do Oriente.
 
Os Romanos
Os RomanosOs Romanos
Os Romanos
 
Diversidade Cultural Desigualdades Sociais
Diversidade Cultural Desigualdades SociaisDiversidade Cultural Desigualdades Sociais
Diversidade Cultural Desigualdades Sociais
 
Revolução francesa 2
Revolução francesa 2Revolução francesa 2
Revolução francesa 2
 
Dermeval saviani historia das ideias pedagogicas no brasil [2ª ed]
Dermeval saviani   historia das ideias pedagogicas no brasil [2ª ed]Dermeval saviani   historia das ideias pedagogicas no brasil [2ª ed]
Dermeval saviani historia das ideias pedagogicas no brasil [2ª ed]
 

Semelhante a Sacristan, josé e gomes, peres, a.i as funções sociais da

A função Social da Escola
A função Social da EscolaA função Social da Escola
A função Social da Escola
Sued Oliveira
 
Pacto EM
Pacto EMPacto EM
As dimensões do trabalho de inspeção escolar frente aos novos paradigmas educ...
As dimensões do trabalho de inspeção escolar frente aos novos paradigmas educ...As dimensões do trabalho de inspeção escolar frente aos novos paradigmas educ...
As dimensões do trabalho de inspeção escolar frente aos novos paradigmas educ...
Ivete Almeida
 
didatica ensino superior 2
didatica ensino superior 2didatica ensino superior 2
didatica ensino superior 2
jairdeoliveirajunior
 
Keila01 projeto
Keila01 projetoKeila01 projeto
Keila01 projeto
Juçara Keylla
 
Livro Faces da Educação II.pdf
Livro Faces da Educação II.pdfLivro Faces da Educação II.pdf
Livro Faces da Educação II.pdf
MariaSantos884373
 
O ENSINO DA ESCOLA PÚBLICA: UMA VISÃO ANALÍTICA ATRAVÉS DO PIBID
O ENSINO DA ESCOLA PÚBLICA: UMA VISÃO ANALÍTICA ATRAVÉS DO PIBIDO ENSINO DA ESCOLA PÚBLICA: UMA VISÃO ANALÍTICA ATRAVÉS DO PIBID
O ENSINO DA ESCOLA PÚBLICA: UMA VISÃO ANALÍTICA ATRAVÉS DO PIBID
pibidgeo
 
ARQUIVO Claudete menegatt
ARQUIVO Claudete menegattARQUIVO Claudete menegatt
ARQUIVO Claudete menegatt
claudete menegatt
 
Tcc heterogeneidade no ambiente escolar
Tcc heterogeneidade no ambiente escolarTcc heterogeneidade no ambiente escolar
Tcc heterogeneidade no ambiente escolar
AlanWillianLeonioSil
 
Apresentacao grupo uma abordagem participativa para a gestão escolar
Apresentacao grupo uma abordagem participativa para a gestão escolarApresentacao grupo uma abordagem participativa para a gestão escolar
Apresentacao grupo uma abordagem participativa para a gestão escolar
betejorgino
 
Uma abordagem participativa para a gestão escolar
Uma abordagem participativa para a gestão escolarUma abordagem participativa para a gestão escolar
Uma abordagem participativa para a gestão escolar
profarosangela
 
Marlene monica
Marlene monicaMarlene monica
Marlene monica
Fernando Pissuto
 
GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA, UM COMPROMISSO COM A ESCOLA PÚBLICA
GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA, UM COMPROMISSO COM A ESCOLA PÚBLICAGESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA, UM COMPROMISSO COM A ESCOLA PÚBLICA
GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA, UM COMPROMISSO COM A ESCOLA PÚBLICA
lissandra pereira
 
Ensaio modulo ii.
Ensaio modulo ii.Ensaio modulo ii.
Ensaio modulo ii.
mtolentino1507
 
Plano de Gstão Escola au santo
Plano de Gstão Escola au santoPlano de Gstão Escola au santo
Plano de Gstão Escola au santo
Lucio Lira
 
Formação e identidade do professor
Formação e identidade do professorFormação e identidade do professor
Formação e identidade do professor
Selmy Araujo
 
O uso responsável do celular na sala de aula
O uso responsável do celular na sala de aulaO uso responsável do celular na sala de aula
O uso responsável do celular na sala de aula
Edison Paulo
 
Educação Inclusiva
Educação InclusivaEducação Inclusiva
Educação Inclusiva
Liberty Ensino
 
EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES APOSTILA 1.pdf
EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES APOSTILA 1.pdfEDUCAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES APOSTILA 1.pdf
EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES APOSTILA 1.pdf
4444444444ada
 
Tendencias pedagogicas katia e luciana
Tendencias pedagogicas katia e lucianaTendencias pedagogicas katia e luciana
Tendencias pedagogicas katia e luciana
Katia Teixeira
 

Semelhante a Sacristan, josé e gomes, peres, a.i as funções sociais da (20)

A função Social da Escola
A função Social da EscolaA função Social da Escola
A função Social da Escola
 
Pacto EM
Pacto EMPacto EM
Pacto EM
 
As dimensões do trabalho de inspeção escolar frente aos novos paradigmas educ...
As dimensões do trabalho de inspeção escolar frente aos novos paradigmas educ...As dimensões do trabalho de inspeção escolar frente aos novos paradigmas educ...
As dimensões do trabalho de inspeção escolar frente aos novos paradigmas educ...
 
didatica ensino superior 2
didatica ensino superior 2didatica ensino superior 2
didatica ensino superior 2
 
Keila01 projeto
Keila01 projetoKeila01 projeto
Keila01 projeto
 
Livro Faces da Educação II.pdf
Livro Faces da Educação II.pdfLivro Faces da Educação II.pdf
Livro Faces da Educação II.pdf
 
O ENSINO DA ESCOLA PÚBLICA: UMA VISÃO ANALÍTICA ATRAVÉS DO PIBID
O ENSINO DA ESCOLA PÚBLICA: UMA VISÃO ANALÍTICA ATRAVÉS DO PIBIDO ENSINO DA ESCOLA PÚBLICA: UMA VISÃO ANALÍTICA ATRAVÉS DO PIBID
O ENSINO DA ESCOLA PÚBLICA: UMA VISÃO ANALÍTICA ATRAVÉS DO PIBID
 
ARQUIVO Claudete menegatt
ARQUIVO Claudete menegattARQUIVO Claudete menegatt
ARQUIVO Claudete menegatt
 
Tcc heterogeneidade no ambiente escolar
Tcc heterogeneidade no ambiente escolarTcc heterogeneidade no ambiente escolar
Tcc heterogeneidade no ambiente escolar
 
Apresentacao grupo uma abordagem participativa para a gestão escolar
Apresentacao grupo uma abordagem participativa para a gestão escolarApresentacao grupo uma abordagem participativa para a gestão escolar
Apresentacao grupo uma abordagem participativa para a gestão escolar
 
Uma abordagem participativa para a gestão escolar
Uma abordagem participativa para a gestão escolarUma abordagem participativa para a gestão escolar
Uma abordagem participativa para a gestão escolar
 
Marlene monica
Marlene monicaMarlene monica
Marlene monica
 
GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA, UM COMPROMISSO COM A ESCOLA PÚBLICA
GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA, UM COMPROMISSO COM A ESCOLA PÚBLICAGESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA, UM COMPROMISSO COM A ESCOLA PÚBLICA
GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA, UM COMPROMISSO COM A ESCOLA PÚBLICA
 
Ensaio modulo ii.
Ensaio modulo ii.Ensaio modulo ii.
Ensaio modulo ii.
 
Plano de Gstão Escola au santo
Plano de Gstão Escola au santoPlano de Gstão Escola au santo
Plano de Gstão Escola au santo
 
Formação e identidade do professor
Formação e identidade do professorFormação e identidade do professor
Formação e identidade do professor
 
O uso responsável do celular na sala de aula
O uso responsável do celular na sala de aulaO uso responsável do celular na sala de aula
O uso responsável do celular na sala de aula
 
Educação Inclusiva
Educação InclusivaEducação Inclusiva
Educação Inclusiva
 
EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES APOSTILA 1.pdf
EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES APOSTILA 1.pdfEDUCAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES APOSTILA 1.pdf
EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES APOSTILA 1.pdf
 
Tendencias pedagogicas katia e luciana
Tendencias pedagogicas katia e lucianaTendencias pedagogicas katia e luciana
Tendencias pedagogicas katia e luciana
 

Mais de marcaocampos

Vigotsky, a formacao social da mente cap. 6, 7 e 8
Vigotsky, a formacao social da mente  cap. 6, 7 e 8Vigotsky, a formacao social da mente  cap. 6, 7 e 8
Vigotsky, a formacao social da mente cap. 6, 7 e 8
marcaocampos
 
Tardif, maurice saberes docentes e formação profissioanal
Tardif, maurice   saberes docentes e formação profissioanalTardif, maurice   saberes docentes e formação profissioanal
Tardif, maurice saberes docentes e formação profissioanal
marcaocampos
 
Sousa. sandra m. zakia avaliacao na organizacao do ensino
Sousa. sandra m. zakia   avaliacao na organizacao do ensino Sousa. sandra m. zakia   avaliacao na organizacao do ensino
Sousa. sandra m. zakia avaliacao na organizacao do ensino
marcaocampos
 
Soares, magda linguagem e escola
Soares, magda   linguagem e escolaSoares, magda   linguagem e escola
Soares, magda linguagem e escola
marcaocampos
 
Sawaia, bader as artimanhas da exclusao
Sawaia, bader   as artimanhas da exclusaoSawaia, bader   as artimanhas da exclusao
Sawaia, bader as artimanhas da exclusao
marcaocampos
 
Saul, ana maria paulo freire e a formacao de educadores
Saul, ana maria   paulo freire e a formacao de educadoresSaul, ana maria   paulo freire e a formacao de educadores
Saul, ana maria paulo freire e a formacao de educadores
marcaocampos
 
Piaget, jean para onde vai a educação
Piaget, jean para onde vai a educaçãoPiaget, jean para onde vai a educação
Piaget, jean para onde vai a educação
marcaocampos
 
Perrenoud, phillipie ensinando competencias
Perrenoud, phillipie   ensinando competenciasPerrenoud, phillipie   ensinando competencias
Perrenoud, phillipie ensinando competencias
marcaocampos
 
Perrenoud, phillipie dez competencias para ensinar
Perrenoud, phillipie   dez competencias para ensinarPerrenoud, phillipie   dez competencias para ensinar
Perrenoud, phillipie dez competencias para ensinar
marcaocampos
 
Perrenoud, phillipe pedagogia diferenciada- da inteção a a
Perrenoud, phillipe   pedagogia diferenciada- da inteção a aPerrenoud, phillipe   pedagogia diferenciada- da inteção a a
Perrenoud, phillipe pedagogia diferenciada- da inteção a a
marcaocampos
 
Peb i hipóteses de escrita texto
Peb i hipóteses de  escrita  textoPeb i hipóteses de  escrita  texto
Peb i hipóteses de escrita texto
marcaocampos
 
Peb i hipotese leitura texto
Peb i hipotese leitura   textoPeb i hipotese leitura   texto
Peb i hipotese leitura texto
marcaocampos
 
PEB l analise de texto
PEB l analise de textoPEB l analise de texto
PEB l analise de texto
marcaocampos
 
Oliveira, marta kholl vigostski - aprendizado e desenvolvi
Oliveira, marta kholl   vigostski - aprendizado e desenvolviOliveira, marta kholl   vigostski - aprendizado e desenvolvi
Oliveira, marta kholl vigostski - aprendizado e desenvolvi
marcaocampos
 
Mantoan, maria tereza égler, integracao de pessoas com defi
Mantoan, maria tereza égler, integracao  de pessoas com defiMantoan, maria tereza égler, integracao  de pessoas com defi
Mantoan, maria tereza égler, integracao de pessoas com defi
marcaocampos
 
Macedo, lino, como construir uma escola para todos
Macedo, lino, como construir uma escola para todosMacedo, lino, como construir uma escola para todos
Macedo, lino, como construir uma escola para todos
marcaocampos
 
Linhares, célia os professores e a reinvencao da escola
Linhares, célia   os professores e a reinvencao da escolaLinhares, célia   os professores e a reinvencao da escola
Linhares, célia os professores e a reinvencao da escola
marcaocampos
 
Lerner,delia ler e escrever na escola 3
Lerner,delia   ler e escrever na escola 3Lerner,delia   ler e escrever na escola 3
Lerner,delia ler e escrever na escola 3
marcaocampos
 
Lajolo, marisa do mundo da leitura para a leitura do mundo
Lajolo, marisa do mundo da leitura para a leitura do mundoLajolo, marisa do mundo da leitura para a leitura do mundo
Lajolo, marisa do mundo da leitura para a leitura do mundo
marcaocampos
 
La taylle, yves de o erro na perspectiva piagetiana
La taylle, yves de   o  erro na perspectiva piagetianaLa taylle, yves de   o  erro na perspectiva piagetiana
La taylle, yves de o erro na perspectiva piagetiana
marcaocampos
 

Mais de marcaocampos (20)

Vigotsky, a formacao social da mente cap. 6, 7 e 8
Vigotsky, a formacao social da mente  cap. 6, 7 e 8Vigotsky, a formacao social da mente  cap. 6, 7 e 8
Vigotsky, a formacao social da mente cap. 6, 7 e 8
 
Tardif, maurice saberes docentes e formação profissioanal
Tardif, maurice   saberes docentes e formação profissioanalTardif, maurice   saberes docentes e formação profissioanal
Tardif, maurice saberes docentes e formação profissioanal
 
Sousa. sandra m. zakia avaliacao na organizacao do ensino
Sousa. sandra m. zakia   avaliacao na organizacao do ensino Sousa. sandra m. zakia   avaliacao na organizacao do ensino
Sousa. sandra m. zakia avaliacao na organizacao do ensino
 
Soares, magda linguagem e escola
Soares, magda   linguagem e escolaSoares, magda   linguagem e escola
Soares, magda linguagem e escola
 
Sawaia, bader as artimanhas da exclusao
Sawaia, bader   as artimanhas da exclusaoSawaia, bader   as artimanhas da exclusao
Sawaia, bader as artimanhas da exclusao
 
Saul, ana maria paulo freire e a formacao de educadores
Saul, ana maria   paulo freire e a formacao de educadoresSaul, ana maria   paulo freire e a formacao de educadores
Saul, ana maria paulo freire e a formacao de educadores
 
Piaget, jean para onde vai a educação
Piaget, jean para onde vai a educaçãoPiaget, jean para onde vai a educação
Piaget, jean para onde vai a educação
 
Perrenoud, phillipie ensinando competencias
Perrenoud, phillipie   ensinando competenciasPerrenoud, phillipie   ensinando competencias
Perrenoud, phillipie ensinando competencias
 
Perrenoud, phillipie dez competencias para ensinar
Perrenoud, phillipie   dez competencias para ensinarPerrenoud, phillipie   dez competencias para ensinar
Perrenoud, phillipie dez competencias para ensinar
 
Perrenoud, phillipe pedagogia diferenciada- da inteção a a
Perrenoud, phillipe   pedagogia diferenciada- da inteção a aPerrenoud, phillipe   pedagogia diferenciada- da inteção a a
Perrenoud, phillipe pedagogia diferenciada- da inteção a a
 
Peb i hipóteses de escrita texto
Peb i hipóteses de  escrita  textoPeb i hipóteses de  escrita  texto
Peb i hipóteses de escrita texto
 
Peb i hipotese leitura texto
Peb i hipotese leitura   textoPeb i hipotese leitura   texto
Peb i hipotese leitura texto
 
PEB l analise de texto
PEB l analise de textoPEB l analise de texto
PEB l analise de texto
 
Oliveira, marta kholl vigostski - aprendizado e desenvolvi
Oliveira, marta kholl   vigostski - aprendizado e desenvolviOliveira, marta kholl   vigostski - aprendizado e desenvolvi
Oliveira, marta kholl vigostski - aprendizado e desenvolvi
 
Mantoan, maria tereza égler, integracao de pessoas com defi
Mantoan, maria tereza égler, integracao  de pessoas com defiMantoan, maria tereza égler, integracao  de pessoas com defi
Mantoan, maria tereza égler, integracao de pessoas com defi
 
Macedo, lino, como construir uma escola para todos
Macedo, lino, como construir uma escola para todosMacedo, lino, como construir uma escola para todos
Macedo, lino, como construir uma escola para todos
 
Linhares, célia os professores e a reinvencao da escola
Linhares, célia   os professores e a reinvencao da escolaLinhares, célia   os professores e a reinvencao da escola
Linhares, célia os professores e a reinvencao da escola
 
Lerner,delia ler e escrever na escola 3
Lerner,delia   ler e escrever na escola 3Lerner,delia   ler e escrever na escola 3
Lerner,delia ler e escrever na escola 3
 
Lajolo, marisa do mundo da leitura para a leitura do mundo
Lajolo, marisa do mundo da leitura para a leitura do mundoLajolo, marisa do mundo da leitura para a leitura do mundo
Lajolo, marisa do mundo da leitura para a leitura do mundo
 
La taylle, yves de o erro na perspectiva piagetiana
La taylle, yves de   o  erro na perspectiva piagetianaLa taylle, yves de   o  erro na perspectiva piagetiana
La taylle, yves de o erro na perspectiva piagetiana
 

Sacristan, josé e gomes, peres, a.i as funções sociais da

  • 1. J. Gimeno Sacristán e A. I. Pérez Gómez , COMPREENDER E TRANSFORMAR O ENSINO Artes Médicas CAPÍTULO I AS FUNÇÕES SOCIAIS DA ESCOLA : DA REPRODUÇÃO À RECONSTRUÇÃO CRÍTICA DO CONHECIMENTO E DA EXPERIÊNCIA A . I. Pérez Gómez RESUMO EDUCAÇÃO E SOCIALIZAÇÃO Nos pequenos grupos humanos e nas sociedades primitivas, a aprendizagem dos produtos sociais e a educação dos novos membros da comunidade aconteciam como socialização direta da geração jovem, mediante a participação cotidiana das crianças nas atividades da vida adulta. Contudo, a aceleração do desenvolvimento das comunidades humanas, a complexidade das estruturas, a diversificação de funções e tarefas da vida nas sociedades, tornaram ineficaz esse processo. Surgiram, então, ao longo da história diferentes formas de especialização no processo de educação ou socialização secundária ( tutor, preceptor, academia, escola religiosa, escola laica ...), chegando aos sistemas de escolarização obrigatória para todas as camadas da população nas sociedades industriais contemporâneas. Nestas sociedades a preparação das novas gerações para sua participação no mundo do trabalho e na vida pública requer a intervenção de instâncias específicas como a escola, cuja função peculiar é atender e canalizar o processo de socialização. Esta função da escola aparece puramente conservadora : garantir a reprodução social e cultural para a sobrevivência mesma da sociedade. Outras instâncias primárias de convivência e intercâmbios, como a família, os grupos sociais, os meios de comunicação exercem de modo direto a influência reprodutora da comunidade social. No entanto, a escola, por seus conteúdos, por suas formas e sistemas de organização, introduz progressivamente, as idéias, os conhecimentos, as concepções, as disposições e os modos de conduta que a sociedade adulta requer. Assim, a contribuição da escola é decisiva e possibilita à sociedade industrial substituir os mecanismos externos de controle da conduta por disposições mais ou menos aceitas de autocontrole. Esta tendência conservadora lógica, choca-se com a tendência, também lógica, que busca modificar aspectos dessa formação que se mostram desfavoráveis para alguns indivíduos ou grupos que compõem o complexo e conflitante contexto social. Para que haja equilíbrio de convivência nas sociedades, tanto a conservação quanto a mudança são necessárias, e o mesmo ocorre em relação ao equilíbrio da estrutura social da escola. CARÁTER PLURAL E COMPLEXO DO PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO DA ESCOLA
  • 2. Dentro deste complexo e dialético processo de socialização que a escola cumpre nas sociedades contemporâneas é necessário que compreendamos os objetivos de tal processo, os mecanismos e procedimentos usados para sua realização. Todos os autores e correntes da sociologia da educação admitem que ao menos, desde o surgimento das sociedades industriais, o objetivo básico e prioritário da socialização dos alunos na escola é prepará-los para sua futura incorporação no mundo do trabalho (análise dessas posições em Fernández Enguita, 1990). Divergências teóricas surgem quanto à definição do que significa preparação para o mundo do trabalho, como se realiza este processo, que conseqüências advêm da promoção da igualdade de oportunidades ou da promoção da reprodução e reafirmação das diferenças sociais de origem dos indivíduos e grupos. O segundo objetivo do processo de socialização na escola é a formação do cidadão para sua intervenção na vida pública, de modo que se possa manter a dinâmica, o equilíbrio nas instituições e as normas de convivência. Para isso, é necessário que a escola assuma as fortes contradições que marcam as sociedades contemporâneas desenvolvidas. De acordo com F. Enguita, a sociedade é mais ampla que o Estado. Na esfera política, todas as pessoas têm, em princípio, os mesmos direitos; na esfera econômica, no entanto, a primazia não é dos direitos da pessoa mas os da propriedade. Dessa forma a escola defronta-se com demandas contraditórias no processo de socialização das futuras gerações. Deve provocar o desenvolvimento de conhecimentos, idéias, atitudes e comportamentos que permitam a incorporação dos indivíduos no mundo civil, no âmbito da liberdade de consumo, de escolha e participação política, da liberdade e responsabilidade da vida familiar. Por outro lado, deve desenvolver características bem diferentes dessas, para a incorporação submissa e disciplinada da maioria, no mundo do trabalho assalariado. Assim, a escola transmite e consolida o individualismo, a competitividade, a falta de solidariedade. Assume-se a idéia de que a escola é igual para todos e de que, portanto, cada um chega onde suas capacidades e esforços pessoais lhes permitem. Impõe-se a ideologia aparentemente contraditória do individualismo e do conformismo social. A estrutura social aparentemente aberta para a mobilidade individual, oculta a determinação social do desenvolvimento do sujeito como conseqüência das profundas diferenças de origem que se refletem nas formas de conhecer, sentir, esperar e atuar dos indivíduos. Este processo vai minando progressivamente, as possibilidades dos mais desfavorecidos social e economicamente. OS MECANISMOS DE SOCIALIZAÇÃO NA ESCOLA A escola tem sido descrita como um processo de inculcação e doutrinamento ideológico, feito através da transmissão de idéias e mensagens, seleção e organização de conteúdos de aprendizagem. Com a sociologia da educação e a psicologia social ampliou-se o foco dessa análise, levando-nos a compreender que os processos de socialização que ocorrem na escola, acontecem também como conseqüência das práticas sociais que se estabelecem. Os alunos assimilam idéias e conhecimentos que a eles são transmitidos, mas também e principalmente os aprendem como conseqüência das diversas interações sociais que ocorrem na escola e na aula. Além disso, o conteúdo oficial do currículo, não cala nem estimula os interesses e preocupações vitais da criança e do adolescente. Eles aprendem esse conteúdo para passar nos exames e esquecer depois, enquanto que a aprendizagem dos mecanismos, estratégias, normas e valores de interação social que lhes possibilitam o êxito pessoal na vida acadêmica e pessoal do grupo, estendem seu
  • 3. valor e utilidade além do campo da escola. Esta aprendizagem os induz a uma forma de ser, pensar e agir em suas relações sociais no mundo do trabalho e na vida pública. Os mecanismos da socialização na escola se encontram no tipo de estrutura de tarefas acadêmicas que se trabalhe na aula e na forma que adquire a estrutura de relações sociais da escola e da aula – esses componentes encontram-se mutuamente inter- relacionados, de modo que uma forma de conceber a atividade escolar requer uma estrutura de relações sociais compatíveis e convergentes. Nesse sentido são importantes os seguintes aspectos do desenvolvimento do currículo : 1. A seleção e a organização dos conteúdos do currículo. Concretamente, o que se escolhe e o que se omite da cultura pública da comunidade e quem tem o poder de selecionar ou intervir em sua modificação. 2. O modo e o sentido da organização das tarefas acadêmicas, bem como o grau de participação dos alunos na configuração das formas de trabalho. 3. A ordenação do espaço e do tempo na aula e na escola. A flexibilidade ou rigidez do cenário, do programa e da seqüência de atividades. 4. As formas e estratégias de valorização da atividade dos alunos. Os critérios de valorização, assim como a utilização diagnóstica ou classificatória dos resultados e a própria participação dos interessados no processo de avaliação. 5. Os mecanismos de distribuição de recompensas como recursos de motivação extrínseca e a forma e grau de provocar a competitividade ou a colaboração. 6. Os modos de organizar a participação dos alunos na formulação, no estabelecimento e no controle das formas e normas de convivência e interação. 7. O clima de relações sociais presidido pela ideologia do individualismo e da competitividade ou da colaboração e solidariedade. Enfim, a análise deve abarcar os fatores que determinam o grau de participação e domínio dos próprios alunos sobre o processo de trabalho e os modos de convivência, de maneira que se possa chegar a compreender o grau de alienação ou autonomia dos estudantes quanto a seus próprios processos de produção e intercâmbio no âmbito escolar. CONTRADIÇÕES NO PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO NA ESCOLA O processo de socialização na escola é complexo e sutil, marcado por profundas contradições e inevitáveis resistências individuais e grupais. Consideremos : 1. “A escola é um cenário permanente de conflitos (...). O que acontece na aula é o resultado de um processo de negociação informal (...) entre o que o professor/a ou a instituição escolar querem que os alunos/as façam e o que estes estão dispostos a fazer”. (Fernández Enguita, 1990). Na aula sempre acontece um processo explícito ou não de negociação. Ocorrem movimentos de resistências que minam os processos de aprendizagem pretendidos, provocando, a médio e longo prazo, nos alunos, os efeitos contrários aos explicitamente pretendidos. Não há o domínio do professor sobre os intercâmbios latentes. Existem espaços de relativa autonomia que podem ser utilizados para desequilibrar a evidente tendência à reprodução conservadora do status quo . 2. A simplificação e especialização do trabalho autônomo nas sociedades pós-industriais estabelecem para a escola, demandas diferenciadas e contraditórias na esfera da ocupação econômica. Uma escola homogênea em sua estrutura, propósitos e formas de funcionar dificilmente pode provocar o desenvolvimento de idéias, atitudes e comportamentos tão diferenciados para satisfazer as exigências do mundo do trabalho assalariado e burocrático (disciplina, submissão, padronização) e ao mesmo tempo as exigências do âmbito do trabalho autônomo (iniciativa, risco, diferenciação).
  • 4. 3. Dificuldades da escola em compatibilizar as exigências do mundo do trabalho com outras exigências da vida social, como a da política, do consumo, das relações de convivência familiar, nas sociedades formalmente democráticas. Há uma contradição entre a sociedade que requer de um lado a participação ativa e responsável de todos cidadãos considerados por direito como iguais, e essa mesma sociedade que na esfera econômica induz a maioria da população à submissão e à aceitação de escandalosas diferenças de fato. Contudo, tanto na sociedade como na escola, essa contradição é suavizada quando se comprova que na prática, apenas a aparência de comportamento democrático é requerida. Há um certo grau de hipocrisia. Sob a ideologia de igualdade de oportunidades numa escola comum para todos, se desenvolve decisivamente o processo de classificação, de exclusão das minorias e da diferenciação para o mundo do trabalho e participação social. Como bem demonstraram Bernstein, Bandelot e Establet, Bowles e Gentis, a orientação homogeneizadora da escola confirma e legitima as diferenças sociais, transformando- as em outras de caráter individual. As diferenças de origem consagram-se como diferenças de saída. Sem uma análise profunda, aceitam-se as aparências de um currículo e certas formas de organizar a experiência dos alunos como comuns e iguais para todos, confundindo causas com efeitos e aceitando a classificação social como conseqüência das diferenças individuais em capacidade e esforços. Essa é a forma mais eficaz de socializar as novas gerações na desigualdade. Deste modo, inclusive os mais desfavorecidos aceitarão e assumirão a legitimidade das diferenças sociais e econômicas, e a mera vigência formal das exigências democráticas no âmbito político, assim como a relevância do individualismo, a concorrência e a falta de solidariedade. SOCIALIZAÇÃO E HUMANIZAÇÃO : A FUNÇÃO EDUCATIVA DA ESCOLA A função educativa da escola ultrapassa a função reprodutora do processo de socialização, já que se apoia no conhecimento público (ciência, filosofia, cultura, arte...) para provocar o desenvolvimento do conhecimento particular de cada um de seus alunos. A utilização do conhecimento público, da experiência e da reflexão da comunidade social ao longo da história introduz um instrumento que pode quebrar o processo reprodutor. Essa vinculação exige da escola e dos que nela trabalham, que identifiquem e desmascarem seu caráter reprodutor. Assim, as inevitáveis influências que a comunidade exerce sobre a escola e o processo de socialização sistemática das novas gerações devem sofrer a mediação crítica da utilização do conhecimento. Deve-se analisar na escola a complexidade que o processo de socialização adquire em cada época, comunidade e grupo social, assim como os poderosos e diferenciados mecanismos de imposição da ideologia dominante da igualdade de oportunidades numa sociedade marcada pela discriminação. A função educativa da escola na sociedade pós-industrial contemporânea deve concretizar-se em dois eixos complementares de intervenção:  O desenvolvimento radical da função compensatória  A reconstrução do conhecimento e da experiência DESENVOVIMENTO RADICAL DA FUNÇÃO COMPENSATÓRIA Nas sociedades industriais avançadas, apesar de sua constituição política formalmente democrática, sobrevive a desigualdade e a injustiça. A escola não pode anular tal discriminação, mas pode atenuar, em parte, os efeitos da desigualdade e preparar cada indivíduo para lutar e se defender, nas melhores condições
  • 5. possíveis no cenário social. Só assim, esses indivíduos terão condições de enfrentar a mobilidade competitiva que aí está. A escola deve, então propôr uma política radical para compensar as conseqüências individuais da desigualdade social. Com este objetivo, deve-se substituir a lógica da homogeneidade pela lógica da diversidade. Embora seja certo que tanto nos modelos uniformes quanto nos diversificados pode-se fomentar e reproduzir a desigualdade e discriminação que existe na sociedade, na maioria dos países desenvolvidos o perigo de discriminação é mais decisivo nos modelos uniformes de trabalho acadêmico – homogeneidade de ritmo, estratégias e experiência para todos os alunos. A intervenção compensatória da escola deve considerar um modelo didático flexível e plural que permita atender às diferenças de origem , de modo que o acesso à cultura pública se acomode às exigências de interesses, ritmos, motivações e capacidades iniciais dos que se encontram mais distantes dos códigos e características que se expressa. Sua realização requer flexibilidade, diversidade e pluralidade metodológica e organizativa. A uniformidade no currículo, nos ritmos, métodos e experiências didáticas favorece os grupos que não necessitam da escola para o desenvolvimento das habilidades instrumentais que a sociedade requer, grupos estes que vivenciam em seu ambiente familiar e social uma cultura parecida àquela que a escola trabalha. Pelo contrário, para aqueles grupos sociais cuja cultura é bem diferente da acadêmica da aula, a lógica da homogeneidade não pode senão consagrar a discriminação de fato, já que possuem códigos de comunicação e intercâmbio bem diferentes dos que a escola requer. O desenvolvimento radical da função compensatória requer a lógica da diversidade pedagógica dentro da escola compreensiva e comum para todos. A organização da aula e da escola, e a formação profissional do docente devem garantir o tratamento educativo das diferenças, trabalhando com cada aluno desde sua situação real. Cabe, ainda, fomentar a pluralidade de formas de viver, pensar e sentir, estimular o pluralismo e cultivar a originalidade das diferenças individuais como a expressão mais genuína da riqueza da comunidade humana e da tolerância social. Assim, se concebe a democracia mais como um estilo de vida e uma idéia moral do que como uma mera forma de governo (Dewey, 1967) onde os indivíduos, respeitando seus diferentes pontos de vista e projetos vitais, se esforçam através do debate e da ação política, da participação e cooperação ativa, para criar e construir um clima de entendimento e solidariedade. A RECONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO E DA EXPERIÊNCIA O segundo objetivo da tarefa educativa da escola obrigatória nas sociedades industriais, deve ser, provocar e facilitar a reconstrução dos conhecimentos, atitudes e formas de conduta que os alunos assimilam direta e acriticamente nas práticas sociais de sua vida anterior e paralela à escola. Na sociedade contemporânea, a escola perdeu o papel hegemônico na transmissão e distribuição da informação. Os meios de comunicação de massa, e em especial a televisão oferecem de modo atrativo e ao alcance da maioria dos cidadãos uma abundante bagagem de informações. As informações variadas que a criança recebe, somadas ao conhecimento de suas experiências e interações sociais com os componentes de seu meio de desenvolvimento, vão criando de modo sutil, incipientes concepções ideológicas que ela utiliza para interpretar a realidade cotidiana e para tomar decisões no seu modo de intervir e reagir. A criança chega à escola com abundante capital de informações e com poderosas e acríticas pré-concepções sobre os diferentes âmbitos da realidade.
  • 6. Tanto o campo das relações sociais que rodeiam a criança como o dos meios de comunicação que transmitem informações, valores e concepções ideológicas, cumprem uma função mais próxima da reprodução da cultura dominante do que da reelaboração crítica e reflexiva da mesma. Não há interesse em oferecer elementos para um debate aberto e racional que permita opções autônomas sobre qualquer aspecto da vida econômica, política ou social. Somente a escola pode cumprir esta função. E para desenvolver este complexo e conflitante objetivo, a escola compreensiva, apoiando-se na lógica da diversidade deve começar por diagnosticar as pré-concepções e interesses com que os indivíduos e os grupos de alunos interpretam a realidade e decidem sua prática. Ao mesmo tempo deve oferecer o conhecimento público como ferramenta inestimável de análise para facilitar que cada aluno questione, compare e reconstrua suas pré- concepções, seus interesses e atitudes condicionadas, suas pautas de conduta induzidas por seus intercâmbios e relações sociais. Como afirma Bernstein (1987): “A escola deve transformar-se numa comunidade de vida e, a educação deve ser concebida como uma contínua reconstrução da experiência. A escola, ao provocar a reconstrução das preocupações simples, facilita o processo de aprendizagem permanente, ajuda o indivíduo a compreender que todo conhecimento ou conduta encontram-se condicionados pelo contexto e, portanto, precisam ser comparados com outras representações, assim como com a evolução de si mesmo e do próprio contexto. Mais que transmitir informação, a função da escola contemporânea deve se orientar para provocar a organização racional da informação fragmentária recebida e a reconstrução das pré-concepções acríticas, formadas pela pressão reprodutora do contexto social, por meio de mecanismos e meios de comunicação cada dia mais poderosos e de influência mais sutil. A exigência de provocar a reconstrução, por parte dos alunos, de seus conhecimentos, atitudes e modos de atuação requer outra forma de organizar o espaço, o tempo, as atividades e as relações sociais na aula e na escola. Possibilitar a vivência de práticas sociais e intercâmbios acadêmicos que induzam à solidariedade, à colaboração, à experimentação compartilhada ; que estimulem a busca, a comparação, a crítica, a iniciativa e a criação, num outro tipo de relação com o conhecimento e a cultura. A função crítica da escola, em sua vertente compensatória e em sua exigência de provocar a reconstrução crítica do pensamento e da ação, requer a transformação radical de suas práticas pedagógicas e sociais e das funções e atribuições do professor. O princípio básico que norteia a escola nesses objetivos e funções é facilitar e estimular a participação ativa e crítica dos alunos nas diferentes tarefas que se desenvolvem na aula e que constituem o modo de viver da comunidade democrática de aprendizagem.