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Mama África, fonte de alimentos

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Artigo publicado no Jornal O Estado de Minas em 23 de fevereiro de 2006.

Publicada em: Negócios, Tecnologia
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Mama África, fonte de alimentos

  1. 1. Jornal Estado de Minas Página 1 de 2 ARTIGO Mama África, fonte de alimentos Países africanos co mo o Quênia, com características semelhantes ao cerrado brasileiro, têm recebid o grande aporte de recursos internacionais, por meio da privatização de suas terra s Mara Luiza Gonçalves Freitas* ARTIGO Thomas Mukoya/Reuters 23/2/06 Johan Galtung, Prêmio Nobel da Paz e experiente mediador, tem um trabalho valoroso voltado à transcendência e à transformação de conflitos em paz, no sistema ganha- ganha. Os conflitos, segundo o autor, são profundamente sérios para todos os envolvidos, não importando o tamanho deles. Neste sentido, a questão da segurança alimentar apresenta-se como um tema relevante, uma vez que, o desequilíbrio nesse campo, coloca em xeque não apenas a estabilidade dos países, mas também os destinos da própria humanidade. A temática escassez de alimentos colocou o mundo em polvorosa desde o início deste ano com a explosão da produção de biocombustíveis à base de milho, que elevou os preços dos alimentos e ganhou contornos mais intensos, com a desestruturação da economia americana, que imediatamente, gerou um efeito cascata. Tal situação é agravada pela evolução gradativa do aquecimento global. Na busca da mitigação do problema eminente do desabastecimento das mesas de suas populações, algumas nações têm enxergado na África uma opção para incremento da produção mundial de alimentos. Mas de qual África tanto se fala? Um continente tão plural, inquieto e íngreme seria capaz de oferecer tais respostas ao planeta e ao mesmo tempo, resguardar a sua própria população, com oferta de desenvolvimento e minimização das disparidades sociais? Talvez não o seu todo, mas uma parte do seu coração, situada na chamada faixa Subsahariana. Essa região é formada, de acordo com o Banco Mundial (2008) por 47 países, entre eles Mauritânia, Cabo Verde, Senegal, Guiné Bissau, Serra Leoa, Costa do Marfim, Gana, Burkina, Nigéria, Congo, São Tomé e Príncipe, Gabão, Sudão, Ethiópia, Somália, Uganda, Quênia, Angola, Zimbábue, Namíbia, Malaui, Botswana, África do Sul, Moçambique e Madagascar. Esses países, com características semelhantes à da região do cerrado brasileiro, já têm recebido grandes volumes de recursos internacionais, por meio da privatização de suas terras. Países como a China tem estimulado seus empreendedores a promoverem inversões no continente africano para garantir alimentos exclusivamente ao povo chinês, em franca expansão demográfica. Ao mesmo tempo, a União Européia neste mesmo ano anunciou investimento de 1 bilhão de euros, para projetos ligados à agricultura naquela região. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), dos 850 milhões de pessoas com desnutrição crônica, 200 milhões vivem na África Subsahariana, sendo que destes, cerca de 50% vivem com menos de US$ 1 por dia. Isso significa que o mero interesse na realização de inversões nos países que compõem a região pode não ser suficiente para mitigar a pobreza. Pelo contrário, podem intensificar as diferenças. Nesse sentido, há um trabalho interessante desenvolvido há algum tempo pela Aliança Internacional de Cooperativas, na tentativa de promover a interação entre as pessoas das comunidades, a fim de que elas alavanquem processos de crescimento sustentado por meio da prática do cooperativismo. Evidentemente que a sustentabilidade é uma palavra de ordem neste ambiente, marcado por séculos de exploração, guerras, sangue. Muito sangue. Para uma análise suave em torno do tema competitividade, é possível a apropriação do olhar do indiano Pankaj Ghemawat, da Harvard Business School. Ele afirma que a proximidade cultural, oriunda de uma relação colônia e metrópole, pode incrementar o comércio internacional entre as nações envolvidas em até 300%. Evidentemente que tal proximidade abre espaço para a construção de um marketing de produto atrativo aos olhos dos consumidores dos países desenvolvidos, que são os produtos exóticos. O fair trade vem depois. Um bom exemplo é o caso do Jacu Coffee, café processado pelo animal e reprocessado pelos humanos que fazem bom uso da combinação demanda de mercado e senso de oportunidade. Por outro lado, pode-se incorporar ao léxico competitivo, o argumento consolidado do Departamento Americano de Agricultura (Usda), em torno dos fatores que contribuem para elevação dos preços dos alimentos. Entre os principais motivos, estão o
  2. 2. Jornal Estado de Minas Página 2 de 2 crescimento da população, a expansão econômica (desconsiderando-se a atual crise ) e o incremento do consumo per capita de alimentos. Além disso, a Usda cita como fatores a retração da produção global de alimentos, a disparada dos preços do petróleo, o crescimento do mercado de biocombustíveis, o declínio dos estoques constantes de alimentos, a desvalorização do dólar, as políticas globais de exportação, as adversidades climáticas, os custos de produção dos produtores, como os demais fatores que podem colaborar para a escassez de alimentos. A combinação dessas duas perspectivas – comércio internacional e variáveis mercadológicas – acaba por redundar num tema fundamental que é a finalização da Rodada de Doha, que, desde a última reunião do G-20, realizada em Washington, tornou-se a pérola rara, fundamental para consolidar a jóia da segurança alimentar. Sem isso, Johan Galtung certamente terá muito trabalho, porque a fome é um desafio historicamente consolidado e letal para qualquer nação, rica ou pobre. Em decorrência dela, que coloca em xeque as necessidades mais básicas do homem, a civilidade perece. E o conflito não é bom, à medida que rouba a beleza da vida. Então, a agricultura é uma senhora valorosa que não pode de modo algum, ser relegada às estatísticas. Já dizia Abraham Lincolm: que perecessem as cidades, mas não que não perecessem os campos, pois as cidades ressurgiriam daqueles. Que os países que compõem a África Subsahariana se convertam em grandes parceiros para os países latino-americanos e especialmente o Brasil, para a construção de um mundo melhor. *Professora dos cursos de Engenharia de Produção Agroindustrial da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) e de Administração da Universidade de Cuiabá, Campus Norte Tangará da Serra. adm@marafreitas.adm.br

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