De quem é a culpa do Brasil importar

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Artigo publicado no Coffee Break em 16 de maio de 2011.

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De quem é a culpa do Brasil importar

  1. 1. 17/05/2011 Café - Informativo Coffee BreakHome | Indique este site Home Sabor Café Coffee News O Cafezal Sobre o Site Contato 16/05/2011 08:54:17 De quem é a culpa do Brasil importar café industrializado (T&M)? Por Mara Luiza Gonçalves Freitas* Thomas Hobbes certa vez escreveu que o “homem é o lobo do próprio homem”. Parafraseando, em função do tema deste artigo, pode-se se afirmar que “a indústria de café é o lobo da própria indústria de café”. Antes de refletir sobre o segmento de café torrado em grão e ou moído (T&M), é CPR de balcão importante ressaltar que o Brasil é um Descrição Valor grande exportador de café industrializado: Padrão setembro R$ 505,00 não se pode deixar de lado a indústria de café solúvel, que promove a exportação de T.6 set retirar R$ 480,00 café com valor agregado pela T.6/7 set ret. R$ 475,00 industrialização desde a década de 1940. O Brasil, observando estes dois segmentos, o de torrefação e o de solubilização, já é, há muito tempo, um dos grandes exportadores PUBLICIDADE de café industrializado no mundo. É por isso que ao contrário do que acontece no segmento de torrado, o solúvel brasileiro vez ou outra tem que entrar pesado na defesade interesses das indústrias brasileiras, por meio da impetração de painéis na OMC. Talvez este segmento industrial não apareça tanto, porque ele é extremamente concentrado, mas mantém seu papel estratégico, especialmente para quem produz conillon em território brasileiro. A questão que talvez venha incomodando um bocadinho, é o crescimento da importação de café torrado em grão e ou moído, que no primeiro quadrimestre de 2011, respondeu pelo montante de US$ PUBLICIDADE 12 milhões. De acordo com a SECEX, isso significa um incremento de 233% da pauta em relação ao mesmo período em 2010, o que é expressivo, pois o volume exportado de café pelo Brasil não anda na mesma velocidade. O volume de exportações brasileiras neste mesmo período foi de US$ 6,4 milhões. Como o texto tem no seu título a pergunta que coordena esta reflexão, vamos encontrar o culpado agora. A culpa é do slogan “O Brasil tem de ensinar o brasileiro a beber café”. A notícia ruim para a indústria brasileira de café é que ao que parece, em razão dos números inquestionáveis das importações, é que o processo não vai parar. Em 19 de fevereiro de 2007, eu publiquei no Jornal O Estado de Minas, no Caderno Agropecuário, tratando sobre este assunto. Recordo-me que na época, quando a importação não ultrapassava US$ 1,5 milhão, teve gente que me escreveu dizendo que eu era visionária e que a importação fazia parte de uma estratégia de promoção de consumo, já que o café é igual ao vinho. Este processo, depois da entrada da Illy, ganhou mais força ainda, através do projeto desenvolvido pela ABIC junto com a rede Pão-de-Açúcar, denominado Pacafés. Pode-se se chamar a estratégia hoje de tiro no pé? Pessoalmente, acredito que não, porque a competição é positiva para o desenvolvimento da competitividade industrial. O problema do país não é de mercado, mas de algumas limitações políticas, decorrentes do posicionamento do Estado e de crenças ultrapassadas de alguns elos do setor, no caso, a própria indústria de café torrado em grão e moído, que pensa que é agroindústria. Ministério errado, política errada, resultado da Balança Comercial mais temerário ainda.coffeebreak.com.br/…/De-quem-e-a-cu… 1/4
  2. 2. 17/05/2011 Café - Informativo Coffee Break Ministério errado, política errada, resultado da Balança Comercial mais temerário ainda. Café é uma especiaria semelhante ao vinho e se não fosse este raciocínio, certamente, o país não assistiria o espetáculo da qualidade que hoje assiste, que é decorrência de uma vontade setorial nacionalmente consolidada. Quem introduziu no Brasil a discussão sobre a qualidade, foi um industrial italiano, Ernesto Illy. Os brasileiros, não perderam tempo e começaram a promoção desse processo em São Paulo. Começou a discussão em torno da produção de cereja descascado, desmucilamento, normatização para garantir padrão mínimo de qualidade. Daí devagarzinho, aquilo que era uma tendência paulista, começou a ganhar força em Minas Gerais, em particular na região do Cerrado Mineiro, que rapidamente reestruturou sinergicamente os produtores cooperados e criaram o CACCER, onde o marketing de origem tinha o seu maior representante. O Estado de Minas Gerais ao perceber o êxito na experiência, em 1996, iniciou o processo do Certiminas, que ganhou expressividade durante a gestão de Célio Gomes Floriani, então diretor do Instituto Mineiro de Agropecuária. Logo, importantes estados produtores como Paraná, Espírito Santo e Bahia, passaram a desenvolver programas estatais voltados ao assunto. Em 2002, a APEX-Brasil entrou no jogo e começou em parceria com o Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo, o processo de promoção da exportação de café industrializado (modalidade torrado & moído), que acabou se tornando nacional. Programas de certificação privados nacionais e internacionais de terceira parte começaram a ganhar força no cenário nacional e o consumidor brasileiro começou a tomar um café que antes só podia ser consumido além fronteira. As cafeterias emergiram e a profissão de barista migrou da Europa para o Brasil. É a qualidade do café brasileiro, que sem dúvida, ainda mantém o Brasil na dianteira e que garante que o país seja o segundo maior mercado consumidor do mundo. No que tange aos interesses do segmento produtor e exportador, portanto, tudo vai bem. A importação neste sentido, é uma consequência de posicionamento de multinacionais que preferem investir em estratégias de canal diferenciadas, como a criação de lojas próprias, as cafeterias ou boutiques. Esta não é só uma tendência da Nespresso. Antes dela, Illy, Lavazza, Segafreddo Zanetti, Delta e Starbucks já ditavam um estilo de consumo de café. Historicamente, viajando lá atrás ainda, pode-se dizer que o fenômeno do consumo de café fora de casa, em cafeterias, vem desde o Cairo, no século XIV. O Egito foi o primeiro lugar do mundo a consumir café proveniente do Iêmen. A questão a se observar aí, é que as condições do mercado nacional para indústrias, continuam fazendo com que o investimento direto estrangeiro seja mais vantajoso dessa forma, do que por meio de implantação de plantas industriais perto do suprimento de café verde brasileiro. Acredito que a questão do controle de qualidade dos produtos conjugado com as fronteiras livres para o comércio internacional sejam os principais motivos. Como mudar esta questão no Brasil? Creio que a indústria de café brasileira perdeu sua grande oportunidade de barganhar aparatos legais que contribuíssem para a sua competitividade, quando da gestão do Governo Lula. O segmento era o que detinha a maior proximidade com a presidência da República, em razão do então vice-presidente da república, José de Alencar (in memorian). Há a necessidade da importação de café verde, sim. Mas há uma necessidade muito maior que é o investimento na expatriação de companhias nacionais, com subsídios do BNDES. No curto prazo, é o que se deve fazer. Aproveitar o MERCOSUL neste sentido pode ser uma alternativa, especialmente em tempos de discussão de Sistemas de Preferências Comerciais na União Européia, que prometem colocar o Brasil e a China fora do tabuleiro das exportações de produtos com alto valor agregado. A participação brasileira no mercado de café industrializado com tal aprovação de barreiras e a retração da economia americana, só tende a despencar ainda mais. A solução então é a importação de café in natura ou o aumento de produção, portanto? Pessoalmente, considero que hoje, com as condições de infraestrutura e fiscalização que o país tem, dada a dimensão da cultura cafeeira no território, é sensato produzir mais, sob a pena de retração expressiva nos preços da saca produzida pelo cafeicultor, do que autorizar a importação. A IN 16/2010 infelizmente é um exemplo de que o Brasil, na área de café, não está preparado para dar um passo tão importante, que é a abertura de suas fronteiras para a entrada de café verde. O preço desta ineficiência na infraestrutura é assistir, por enquanto, o desequilíbrio da Balança Comercial. Este olhar certamente desagradará alguns segmentos, mas ele é cauteloso. Uma abertura de mercado dessa natureza exige: (a) construção de laboratórios especializados em regiões portuárias e fronteiriças; (b) credenciamento de laboratórios no território nacional; (c) contratação de pessoal através de concurso público (fiscais sanitários); (d) treinamento de profissionais do Ministério da Agricultura, Receita Federal, Polícia Federal, Força Nacional e Exército para atuação em portos e fronteiras nacionais (como todos sabem, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador são produtores e com tal ação, evitar-se-ia a entrada de café esquentado dentro das fronteiras nacionais. Isso também evitaria a entrada de outras mercadorias não desejadas também, como entorpecentes); (e) dotação orçamentária; (f) aparato legal regulando a questão (item mais fácil e barato de se fazer); (g) consolidação de procedimentos burocráticos para o controle (rastreamento de produtos on-line); (g)coffeebreak.com.br/…/De-quem-e-a-cu… 2/4
  3. 3. 17/05/2011 Café - Informativo Coffee Break nenhuma gaveta por perto (para evitar engavetamento da norma, evidentemente). Este último item o problema mais sério que inviabiliza a competitividade no país, atualmente. No caso do aumento da produção do café, basta realizar projeções estatísticas entre oferta e demanda no prazo de 10 anos, selecionar a espécie (se arábica ou conillon) e as variedades mais resistentes a impactos climáticos como a seca e definir a área a ser implantada em cada região produtora do país. Este processo é mais fácil, porque o investimento é menor e transfere a responsabilidade do Estado para o produtor e não gera impactos orçamentários expressivos, exceto no campo do financiamento do plantio, colheita e endividamento. O que já é trivial na gestão política do agronegócio café brasileiro: modelo de governança política ceteris paribus, portanto. Voltando a Thomas Hobbes, percebe-se que a indústria de café paga e deverá pagar, para continuar a viver em comunidade, sob os limites do contrato social historicamente estabelecido. O saldo a descoberto da Balança é apenas um sintoma claro disso. *Mara Luiza Gonçalves Freitas é Professora de ensino superior na área de administração e de especialização latu-sensu em diversas instituições, é bacharel em administração pela Universidade Federal de Mato Grosso (1999), especialista em cafeicultura empresarial (2002) e mestre em administração pela Universidade Federal de Lavras (2006). Áreas de interesse em pesquisa: (1) Finanças; (2) Agronegócio. veja também » O alerta está aceso CNA apresenta nova linha Nota à imprensa Museu do Café oferece de crédito destinada à atividades gratuitas sobre cafeicultura as memórias relacionadas ao café coffee news Sabor Café coffee break o cafezal parceiros intranet Edição do Dia Curiosidades Sobre o Site Artigos e Projetos ABIC Área Jornalismo Versão de Impressão Histórias Quem Somos Colheita ABICS Web-Mail Arquivo de Edição Receitas Contato Dica da Semana BSCA Cooperativas Mais Lidas Anuncie Conosco Doenças CNA Previsão do Tempo Estratégia CNC Mercado de Café Implantação Doce Arte Café Pragas OCB - Sescoop Preparo Peabirus Regiões Cafeiras Polo de Excelência do Tratos Culturais Café Sincal Viva Verde LCA © 2010 Coffee Break. Todos os direitos reservados. Curiosidades Histórias Receitas Arquivos de Edições Busca de Notícias Edição do Dia Versão de Impressão Artigos e Projetos Colheita Dica da Semana Doenças Estratégias Implantação Pragas Preparo Regiões Cafeeirascoffeebreak.com.br/…/De-quem-e-a-cu… 3/4
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