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ARGUMENTOS PARA A EXISTÊNCIA DE DEUS                  As provas de Tomás de AquinoAs provas declaradas por Tomás de Aquino...
Os cientistas costumavam ficar imaginando o queaconteceria se se pudesse dissecar, digamos, o ouronas menores partículas p...
ARGUMENTOS PARA A EXISTÊNCIA DE DEUS           O argumento ontológicoOs argumentos para a existência de Deus encaixam-seem...
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ARGUMENTOS PARA A EXISTÊNCIA DE DEUS            O argumento ontológicoMinha sensação, pelo contrário, teria sido uma desco...
POR QUE QUASE COM CERTEZA DEUS NÃO EXISTE         O BOEING 747 DEFINITIVOO argumento da improbabilidade é o grandeargument...
POR QUE QUASE COM CERTEZA DEUS NÃO EXISTE              O BOEING 747 DEFINITIVOO nome vem da interessante imagem do Boeing ...
O argumento da improbabilidade afirma que coisas complexasnão podem ter surgido por acaso. Mas muitas pessoas definem"surg...
A SELEÇÃO NATURAL COMO CONSCIENTIZADORAQuem, antes de Darwin, poderia ter imaginado que algo tãoaparentemente projetado qu...
COMPLEXIDADE IRREDUTÍVELO design é a única alternativa que os autores conseguemimaginar para o acaso. Portanto um projetis...
COMPLEXIDADE IRREDUTÍVELO que é que faz a seleção natural ser bem-sucedida como soluçãopara o problema da improbabilidade,...
COMPLEXIDADE IRREDUTÍVELOs criacionistas que tentam usar o argumento daimprobabilidade a seu favor sempre assumem que a ad...
ADORAÇÃO DAS LACUNASOs criacionistas procuram avidamente uma lacuna no conhecimento ouna compreensão atuais. Se uma aparen...
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  1. 1. DEUS, UM DELÍRIO Richard DawkinsClinton Richard Dawkins (Nairobi, 26 de março de 1941) é um eminente zoólogo, etólogo,evolucionista e popular escritor dedivulgação científica britânico, natural doQuênia, além de ex-professor daUniversidade de Oxford. Dawkins é conhecidoprincipalmente pela sua visão evolucionistacentrada no gene, exposta em seu livroO Gene Egoísta, publicado em 1976. Em 1982,ele realizou uma grande contribuição à ciênciada evolução com a teoria, apresentada em seulivro O Fenótipo Estendido, de que oefeito fenotípico não se limita ao corpo de umorganismo, mas sim de que o efeito influenciano ambiente em que vive este organismo.Desde então escreveu outros livros sobreevolução e apareceu em vários programas detelevisão e rádio para falar de temas comobiologia evolutiva,criacionismo e religião.
  2. 2. Dawkins inicia sua obra discutindo sobre o privilégioque a religião goza , o de estar acima de qualquercrítica.Críticos de literatura ou de teatro podem serzombeteiramente negativos e ganhar elogios pelacontundência sagaz da resenha. Mas nas críticas àreligião até a clareza deixa de ser virtude para soarcomo hostilidade. Um político pode atacar sem dó umadversário no plenário do Parlamento e receberaplausos por sua combatividade. Mas basta um críticosóbrio e justificado da religião usar o que em outroscontextos seria apenas um tom direto para asociedade polida balançar a cabeça em desaprovação.
  3. 3. PODEMOS DUVIDAR!!!!Suspeito que para muitas pessoas o principal motivo de se agarraremà religião não seja o fato de ela oferecer consolo, e sim o de elasterem sido iludidas por nosso sistema educacional e não se daremconta de que podem não acreditar. Decerto é assim para a maioriadas pessoas que acham que são criacionistas. Simplesmente nãoensinaram direito a elas a impressionante alternativa de Darwin. Éprovável que o mesmo aconteça com o mito depreciativo de que aspessoas "precisam" da religião. Numa conferência recente, em 2006,um antropólogo citou a resposta de Golda Meir quando questionadase acreditava em Deus: "Acredito no povo judaico, e o povo judaicoacredita em Deus". Nosso antropólogo usou sua própria versão:"Acredito nas pessoas, e as pessoas acreditam em Deus". Prefirodizer que acredito nas pessoas, e as pessoas, quando incentivadas apensar por si sós sobre toda a informação disponível hoje em dia,com muita freqüência acabam não acreditando em Deus, e vivemuma vida realizada — uma vida livre de verdade.
  4. 4. PODEMOS DUVIDAR!!!!Suspeito — quer dizer, tenho certeza — que há muita gentepor aí que foi criada dentro de uma ou outra religião e ouestá infeliz com ela, ou não acredita nela, ou estápreocupada com tudo de mau que tem sido feito em seunome; pessoas que sentem um vago desejo de abandonar areligião de seus pais e que gostariam de poder fazê-lo, massimplesmente não percebem que deixar a religião é umaopção.
  5. 5. CIÊNCIA E RELIGIÃO Visão de Darwin de que tudo foi "criado por leis que atuam à nossa volta":Assim, é da guerra da natureza, da fome e da morte,que deriva diretamente o mais exaltado objeto quesomos capazes de conceber, a produção de animaissuperiores. Há grandeza nessa visão da vida, comseus tantos poderes tendo sido originalmenteinsuflados em algumas poucas formas ou em apenasuma; e de que, enquanto este planeta giravaseguindo a lei imutável da gravidade, de um começotão simples, infinitas formas, as mais belas e as maismaravilhosas, evoluíram e continuam evoluindo.
  6. 6. CIÊNCIA E RELIGIÃOCarl Sagan escreveu, em Pálido ponto azul: Como épossível que praticamente nenhuma religiãoimportante tenha olhado para a ciência e concluído:"Isso é melhor do que imaginávamos! O universo émuito maior do que disseram nossos profetas, maisgrandioso, mais sutil, mais elegante"? Em vez disso,dizem: "Não, não, não! Meu deus é um deuspequenininho, e quero que ele continue assim". Umareligião, antiga ou nova, que ressaltasse amagnificência do universo como a ciência moderna orevelou poderia atrair reservas de reverência erespeito que continuam quase intocadas pelas crençasconvencionais.
  7. 7. CIÊNCIA E RELIGIÃOSe por Deus se quer dizer o conjunto de leis físicas quegovernam o universo, então é claro que esse Deusexiste. É um Deus emocionalmente insatisfatório [...]não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade".O Deus metafórico ou panteísta dos físicos está a anos-luz de distância do Deus intervencionista, milagreiro,telepata, castigador de pecados, atendedor de precesda Bíblia, dos padres, mulas e rabinos, e do linguajar dodia-a-dia. Confundir os dois deliberadamente é, naminha opinião, um ato de alta traição intelectual.
  8. 8. A HIPÓTESE DE QUE DEUS EXISTEExiste uma inteligência sobre-humana esobrenatural que projetou e criou deliberadamente ouniverso e tudo que há nele, incluindo nós. Este livrovai pregar outra visão: qualquer inteligência criativa,de complexidade suficiente para projetar qualquercoisa, só existe como produto final de um processoextenso de evolução gradativa. Inteligênciascriativas, por terem evoluído, necessariamentechegam mais tarde ao universo e, portanto, nãopodem ser responsáveis por projetá-lo. Deus, nosentido da definição, é um delírio
  9. 9. A HIPÓTESE DE QUE DEUS EXISTENão é de surpreender, já que ela se baseia mais emtradições locais de revelações específicas do que emprovas, que a Hipótese de que Deus Existe apareçaem várias versões. Os historiadores da religiãoreconhecem uma progressão de animismos tribaisprimitivos, passando por politeísmos como os dosgregos, romanos e nórdicos, até os monoteísmos,corno o judaísmo e seus derivados, o cristianismo e oislã.
  10. 10. A definição simples da Hipótese de que DeusExiste com que comecei tem de sersignificativamente engordada paraacomodar o Deus abraâmico. Ele não criouapenas o universo; ele é um Deus pessoalque vive dentro dele, ou talvez fora dele (oque quer que isso signifique), possuidor dasqualidades humanas desagradáveis
  11. 11. ARGUMENTOS PARA A EXISTÊNCIA DE DEUS As provas de Tomás de Aquino1 O Motor que Não é Movido. Nada se move sem um motoranterior. Isso nos leva a uma regressão, da qual a únicaescapatória é Deus. Alguma coisa teve de fazer a primeira semover, e a essa alguma coisa chamamos Deus.2 A Causa sem Causa. Nada é causado por si só. Todo efeito temuma causa anterior, e novamente somos forçados à regressão. Elasó é concluída por uma causa primeira, a que chamamos Deus.3 O Argumento Cosmológico. Deve ter havido uma época em quenão existia nada de físico. Mas, como as coisas físicas existemhoje, tem de ter havido algo de não físico para provocar suaexistência, e a esse algo chamamos Deus.
  12. 12. ARGUMENTOS PARA A EXISTÊNCIA DE DEUS As provas de Tomás de AquinoAs provas declaradas por Tomás de Aquino no século XIII nãoprovam nada, e é fácil — embora eu hesite em dizê-lo, dada suaeminência — mostrar como são vazias. As três primeiras são apenasmodos diferentes de dizer a mesma coisa, e podem ser analisadasjuntas. Todas envolvem uma regressão infinita — a resposta a umapergunta suscita uma pergunta anterior, e assim ad infinitum.Esses três argumentos baseiam-se na idéia da regressão e invocamDeus para encerrá-la. Eles assumem, sem nenhuma justificativa, queDeus é imune à regressão. Mesmo que nos dermos ao duvidoso luxode conjurar arbitrariamente uma terminação para a regressãoinfinita e lhe dermos um nome, não há absolutamente nenhummotivo para dar a essa terminação as propriedades normalmenteatribuídas a Deus: onipotência, onisciência, bondade, criatividade dedesign, sem falar de atributos humanos como atender a preces,perdoar pecados e ler os pensamentos mais íntimos.
  13. 13. Os cientistas costumavam ficar imaginando o queaconteceria se se pudesse dissecar, digamos, o ouronas menores partículas possíveis. Por que não sepoderia cortar uma dessas partículas pela metade eproduzir um farelo ainda menor de ouro? A regressãonesse caso é encerrada de maneira decisiva peloátomo. A menor partícula possível de ouro é um núcleoque consista de exatamente 79 prótons e um númeroligeiramente maior de nêutrons, acompanhado de umenxame de 79 elétrons. Se se "cortar" o ouro além donível de um único átomo, qualquer coisa que se obtiverjá não será mais ouro [...] Não está de maneiranenhuma claro que Deus seja uma terminação naturalpara a regressão de Tomás de Aquino.
  14. 14. ARGUMENTOS PARA A EXISTÊNCIA DE DEUS O argumento ontológicoOs argumentos para a existência de Deus encaixam-seem duas categorias principais, os a priori e os aposteriori. Os cinco de Tomás de Aquino sãoargumentos a posteriori, baseando-se em inspeções domundo. O mais famoso dos argumentos a priori,aqueles que se baseiam na pura racionalização teórica,é o argumento ontológico, proposto por santoAnselmo de Canterbury em 1078 e reeditado de formasdiferentes por vários filósofos desde então.
  15. 15. ARGUMENTOS PARA A EXISTÊNCIA DE DEUS O argumento ontológicoÉ possível conceber, disse Anselmo, um ser sobre o qual nadade melhor possa ser concebido. Até mesmo um ateu consegueconceber um ser tão superlativo, embora negue sua existênciano mundo real. Mas, prossegue o argumento, um ser que nãoexiste no mundo real é, exatamente por esse fato, menos queperfeito. Portanto temos uma contradição e, presto, Deusexiste! Mas não é bom demais para ser verdade que umaverdade grandiosa sobre o cosmos venha de um mero jogo de palavras?
  16. 16. ARGUMENTOS PARA A EXISTÊNCIA DE DEUS O argumento ontológicoMinha sensação, pelo contrário, teria sido uma desconfiançaautomática e profunda para com qualquer linha de raciocínioque chegasse a uma conclusão tão significativa sem utilizar umúnico dado proveniente do mundo real. Talvez isso só indiqueque sou mais cientista que filósofo.Kant identificou a carta escondida na manga de Anselmo nafrágil pressuposição de que a "existência" é mais "perfeita" que ainexistência. O filósofo americano Norman Malcolm explicouassim: "A doutrina de que a existência é a perfeição éincrivelmente excêntrica. Faz sentido e é verdade dizer queminha futura casa será melhor se tiver calefação do que se nãotiver; mas o que poderia significar dizer que ela será uma casamelhor se existir, mais que se não existir?"
  17. 17. POR QUE QUASE COM CERTEZA DEUS NÃO EXISTE O BOEING 747 DEFINITIVOO argumento da improbabilidade é o grandeargumento. Ele é realmente um argumento fortíssimoe desconfio que irrespondível — mas exatamente nadireção contrária da intenção dos teístas. Oargumento da improbabilidade, empregado de formaadequada, chega perto de provar que Deus não existe.O nome que dei à demonstração estatística de queDeus quase com certeza não existe é a tática doBoeing 747 Definitivo.
  18. 18. POR QUE QUASE COM CERTEZA DEUS NÃO EXISTE O BOEING 747 DEFINITIVOO nome vem da interessante imagem do Boeing 747 e do ferro-velho, de Fred Hoyle [...] Hoyle disse que a probabilidade de avida ter surgido na Terra não é maior que a chance de umfuracão, ao passar por um ferro-velho, ter a sorte de construirum Boeing 747. Outras pessoas tomaram a metáforaemprestada para se referir à evolução dos seres mais complexos,onde ela tem uma plausibilidade espúria. A chance de se montarum cavalo, um besouro ou um avestruz plenamente funcionaismisturando aleatoriamente suas partes pertence ao mesmoterreno do 747. Esse, em termos muito resumidos, é oargumento favorito dos criacionistas — um argumento que sópoderia ter sido pensado por uma pessoa que não entende oessencial da seleção natural: alguém que acha que a seleçãonatural é uma teoria do acaso, quando — no sentido relevantede acaso — se trata do contrário.
  19. 19. O argumento da improbabilidade afirma que coisas complexasnão podem ter surgido por acaso. Mas muitas pessoas definem"surgir por acaso" como sinônimo de "surgir na ausência de umdesign deliberado". Não surpreende, portanto, que elas achemque a improbabilidade seja uma evidência do design.O entendimento profundo do darwinismo nos ensina adesconfiar da afirmação fácil de que o design é a únicaalternativa para o acaso, e nos ensina a buscar rampasgradativas de uma complexidade que aumente lentamente.Antes de Darwin, filósofos como Hume compreenderam que aimprobabilidade da vida não significa que ela necessariamentetenha sido projetada, mas não conseguiram imaginar qualseria a alternativa. Depois de Darwin, todos nós deveríamosdesconfiar, no fundo dos ossos, da simples idéia do design.
  20. 20. A SELEÇÃO NATURAL COMO CONSCIENTIZADORAQuem, antes de Darwin, poderia ter imaginado que algo tãoaparentemente projetado quanto a asa de uma libélula ou o olhode uma águia é na verdade o resultado de uma longa sequênciade causas não aleatórias, mas puramente naturais?A evolução darwiniana, especificamente a seleção natural,destruiu a ilusão do design dentro do domínio da biologia, e nosincita a desconfiar de qualquer hipótese de design também nafísica e na cosmologia. Acho que o físico Leonard Susskind tinhaisso em mente quando escreveu: "Não sou historiador, mas voume arriscar a dar uma opinião: a cosmologia moderna começoude verdade com Darwin e Wallace. Como ninguém antes, elesderam explicações para nossa existência que rejeitaramcompletamente os agentes sobrenaturais [...] Darwin e Wallaceestabeleceram um padrão não apenas para as ciências da vida,mas também para a cosmologia".
  21. 21. COMPLEXIDADE IRREDUTÍVELO design é a única alternativa que os autores conseguemimaginar para o acaso. Portanto um projetista deve ser oautor. E a resposta da ciência para essa lógica defeituosatambém é sempre a mesma. O design não é a únicaalternativa ao acaso. A seleção natural é uma alternativamelhor. Na verdade, o design não é nem mesmo umaalternativa de verdade, porque suscita um problema maior doque o que solucionou: quem projetou o projetista? Tanto oacaso como o design fracassam como soluções para oproblema da improbabilidade estatística, porque um deles é oproblema, e o outro retorna a ele. A seleção natural é asolução verdadeira. É a única solução viável já sugerida. E nãoé apenas uma solução viável, é uma solução de incrível poder eelegância.
  22. 22. COMPLEXIDADE IRREDUTÍVELO que é que faz a seleção natural ser bem-sucedida como soluçãopara o problema da improbabilidade, para o qual o acaso e odesign fracassam já de saída? A resposta é que a seleção natural éum processo cumulativo, que divide o problema daimprobabilidade em partículas pequenas. Cada uma das partículasé ligeiramente improvável, mas não definitivamente. Quandograndes números desses fatos ligeiramente improváveis sãoreunidos em série, o resultado final do acúmulo é mesmoimprobabilíssimo, improvável o bastante para estar muito alémdo alcance do acaso. São esses produtos finais que dão forma aosobjetos do argumento cansativamente reciclado peloscriacionistas. O criacionista não enxerga o cerne da questão,porque ele (pelo menos uma vez, as mulheres não deviam seimportar por serem excluídas pelo pronome) insiste em tratar agênese da improbabilidade estatística como um evento único eisolado. Ele não entende o poder do acúmulo.
  23. 23. COMPLEXIDADE IRREDUTÍVELOs criacionistas que tentam usar o argumento daimprobabilidade a seu favor sempre assumem que a adaptaçãobiológica é uma questão de tudo — acertar na loteria — ou nada.Outro nome para essa falácia é "complexidade irredutível". Oolho vê ou não vê. A asa voa ou não voa. Assume-se que nãoexistem intermediários úteis. Mas isso está simplesmenteerrado. Intermediários assim abundam na prática — exatamenteo que deveríamos esperar na teoria. O segredo do cofre da vida éum mecanismo de "está quente, está frio". A vida real busca asencostas de subida amena por trás do monte Improvável,enquanto os criacionistas enxergam apenas o assustadorprecipício da frente.
  24. 24. ADORAÇÃO DAS LACUNASOs criacionistas procuram avidamente uma lacuna no conhecimento ouna compreensão atuais. Se uma aparente lacuna é encontrada,assume-se que Deus, por padrão, deve preenchê-la. O que preocupateólogos conscientes como Bonhoeffer é que as lacunas diminuemconforme a ciência avança, e Deus fica ameaçado de acabar sem nadapara fazer, e sem ter onde se esconder. O que preocupa os cientistas éoutra coisa. É uma parte essencial do empreendimento científicoadmitir a ignorância, até mesmo exultar na ignorância, já que ela é umdesafio para conquistas futuras. Como escreveu meu amigo MattRidley, "a maioria dos cientistas fica entediada com o que já descobriu.É a ignorância que os impele". Os místicos exultam com o mistério equerem que ele continue misterioso. Os cientistas exultam com omistério por um motivo diferente: ele lhes dá o que fazer. Em termosmais gerais, um dos efeitos verdadeiramente negativos da religião éque ela nos ensina que é uma virtude satisfazer-se com o não-entendimento.

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