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Mundos de Significação no Natural e no Artificial  Das Sociedades Humanas às Artificiais-2009 ISR/IST
  Conceitos Fundamentais Cognição-  capacidade de qualquer sistema, natural ou artificial, para interagir com o ambiente q...
Tipos de Cognição   Agente cognitivo artificial imerso em ambiente artificial Agente cognitivo natural imerso em ambiente ...
<ul><li>Agente cognitivo e respectivo ambiente constituem uma unidade orgânica, um microcosmo. </li></ul><ul><li>A arquite...
Uexk ϋ hll: Functionkreis
A carraça (Ixodes Ricinus) não ouve, não vê, não tem sentido do gosto Mas é dotada de sensores que identificam pequenas vi...
Esta capacidade “interpretativa”, a capacidade de individuar entidades atribuindo significado a determinados traços ambien...
O processo semiótico em que assenta a cognição e que sustenta e garante a vida desenrola-se a nível macro e micro: A nível...
O processo de individuação e atribuição de significado que caracteriza as formas básicas de semiose, que acabámos de refer...
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The limits of my language mean the limits of my world. Ludwig Wittegenstein
O processo de construção de um modelo do mundo- a realidade- é simultâneo ao processo de aquisição da linguagem, nomeadame...
Naming  singles out a particular aspect of the passing contents which never recur with any strict uniformity, providing it...
As entidades que dão substância à realidade estão carregadas de significação cultural e só são significativas para aqueles...
A cada unidade lexical está geralmente associada uma representação mental típica, um determinado valor semântico (que cons...
A questão que se põe, actualmente, é a de saber se no que respeita à cognição humana podemos continuar a afirmar que o amb...
As mudanças que progressivamente se têm vindo a introduzir no nosso ambiente, graças à revolução digital, são múltiplas. A...
O homem transporta para o cenário virtual o seu modo específico de definir o espaço, de definir o tempo e os sistemas semi...
O desenvolvimento de agentes cognitivos artificiais preparados para interagirem com humanos, usando elementos típicos das ...
Using Dialog and Human Observations to Dictate Tasks to a Learning Robot Assistant Paul E. Rybski, Jeremy Stolarz, Kevin Y...
A abordagem proposta pela Semiótica Cognitiva permite uma mudança de ponto de vista essencial, que remonta a Kant, ao faze...
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Mundos de Significação no Natural e no Artificial (Isabel Ferreira)

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"Mundos de Significação no Natural e no Artificial", Isabel Ferreira, 26 de Fevereiro de 2009, Ciclo de Conferências "Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais" (edição 200), Instituto de Sistemas e Robótica, Instituto Superior Técnico, Lisboa

Publicada em: Tecnologia, Saúde e medicina
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Mundos de Significação no Natural e no Artificial (Isabel Ferreira)

  1. 1. Mundos de Significação no Natural e no Artificial Das Sociedades Humanas às Artificiais-2009 ISR/IST
  2. 2. Conceitos Fundamentais Cognição- capacidade de qualquer sistema, natural ou artificial, para interagir com o ambiente que o rodeia, procurando adaptar-se sempre que os parâmetros que definem esse ambiente se alteram ( embodied, embedded, situated ) Agente Cognitivo – qualquer sistema natural ou artificial dotado de autonomia Ambiente- a “bolha” física ou virtual que envolve esse agente. Semiose - processo interpretativo através do qual certos traços ambientais se tornam salientes para um dado agente cognitivo, que de acordo com a leitura que deles faz, reage/interage
  3. 3. Tipos de Cognição Agente cognitivo artificial imerso em ambiente artificial Agente cognitivo natural imerso em ambiente artificial Agente cognitivo artificial imerso em ambiente natural Agente cognitivo natural imerso em ambiente físico natural
  4. 4. <ul><li>Agente cognitivo e respectivo ambiente constituem uma unidade orgânica, um microcosmo. </li></ul><ul><li>A arquitectura física do agente determina: </li></ul><ul><li>as formas de interacção disponíveis. </li></ul><ul><li>a “seeability”- a capacidade de reconhecer e interpretar traços ambientais específicos </li></ul><ul><li>Para Uexk ϋ hll (1928) cada organismo tem o seu Functionkreis- “Tudo quanto o organismo percebe torna-se o seu mundo de sinais significativos, e todas as suas acções passam a ser o seu mundo de acção. Mundo de sinais e mundo de efeitos, juntos constituem o seu “Umwelt” </li></ul>
  5. 5. Uexk ϋ hll: Functionkreis
  6. 6. A carraça (Ixodes Ricinus) não ouve, não vê, não tem sentido do gosto Mas é dotada de sensores que identificam pequenas vibrações, variação de iluminação e fundamentalmente a presença de uma temperatura corporal de 37°C associada a um certo odor (butyric acid) e presença de CO 2 Haller’s Organ Questing
  7. 7. Esta capacidade “interpretativa”, a capacidade de individuar entidades atribuindo significado a determinados traços ambientais e ignorando todos os outros, resulta de um “conhecimento”inato, um “know-how” que todos os agentes cognitivos naturais possuem . A arquitectura do agente cognitivo incorpora informação vital relativa aos padrões ambientais típicos “esperáveis” e fornece para cada “cenário” a opção ou opções disponíveis em termos comportamentais. On this account Varela (1992) refers: “ The nature of the environment […] acquires a curious status: it is that which lends itself (es lehnt sich an…) to a surplus of significance. Like jazz improvisation, environment provides the “excuse” for the neural “music” from the perspective of the cognitive system involved”.
  8. 8. O processo semiótico em que assenta a cognição e que sustenta e garante a vida desenrola-se a nível macro e micro: A nível macro- está presente na interacção agente cognitivo/ambiente A nível micro- está também presente na interacção de todos os componentes responsáveis pela homeostase do organismo Comunicação intercelular Os sistemas homeostáticos requerem comunicação intercelular via mensageiros químicos. Embora esses mensageiros químicos possam entrar em contacto com muitas células, só têm significado e só influenciam o comportamento de certos tipos receptores específicos (frequentemente só um). Estes receptores são altamente selectivos no que diz respeito ao tipo e número de mensageiros reconhecíveis.
  9. 9. O processo de individuação e atribuição de significado que caracteriza as formas básicas de semiose, que acabámos de referir, está naturalmente presente na cognição humana. No entanto, apesar de todas as formas de cognição envolverem sempre a construção de um mundo significativo- a meaningful world- onde o agente cognitivo desempenha o papel central seria um erro grosseiro simplificar a complexidade da cognição humana. Cassirer (1927): whatever is alive has its own circle of action for which it is there and which is there “for” it_ both as a wall that closes it off and as a viewpoint that it holds “open” for the world. Only with mankind this life complex becomes a knowledge complex. A linguagem, aquilo que Chomsky designou por “faculty of language”, dá corpo a este “knowledge complex”, à consciência de Si, do Outro e à definição de uma realidade objectivamente partilhada
  10. 10. <ul><li>Dada a especificidade da cognição humana temos de distinguir dois níveis de semiose: </li></ul><ul><li>Um nível básico </li></ul><ul><li>Um nível superior </li></ul>O nível superior- triádico, porque mediado por um sistema simbólico. Cassirer define o homem como “animal symbolicum”. Sugere a existência de um sistema simbólico que mediando os “receptor e o effector systems” de Uexk ϋ hll permite a constituição da relação: Eu/ Realidade/ O Outro O nível básico- diádico Eu O Outro Realidade E a definição de uma realidade constituída por entidades bem individualizadas e aparentemente auto-subsistentes
  11. 11. The limits of my language mean the limits of my world. Ludwig Wittegenstein
  12. 12. O processo de construção de um modelo do mundo- a realidade- é simultâneo ao processo de aquisição da linguagem, nomeadamente ao processo de constituição de uma Estrutura Léxico/Conceptual. Este processo, embora seja particularmente intenso numa primeira fase, desenrola-se durante toda a vida do indivíduo, permitindo a progressiva expansão do seu reportório linguístico, a permanente objectivação da experiência e a definição de uma visão do mundo . Ambientes distintos In Van Berg e Vollbregt 2003
  13. 13. Naming singles out a particular aspect of the passing contents which never recur with any strict uniformity, providing it with a stable sign , and on the basis of this an “artificial” unity, regarding and treating it as “the same”. Cassirer 1957 A criação de uma identidade é sempre uma tarefa colectiva que acontece num contexto social, cultural e linguístico específicos. A atribuição de um nome a uma entidade é um acto social que garante a objectivação da experiência. Como Percy (1995) afirma: “ I am not only conscious of something. I am conscious of it as being what it is for you and me”. sapatos
  14. 14. As entidades que dão substância à realidade estão carregadas de significação cultural e só são significativas para aqueles capazes de interpretarem o sistema(s) semióticos em que aquelas se integram. rato: pequeno mamífero roedor da família dos murídeos rato: dispositivo manual com que se realizam operações no computador rato: pedra de arestas aguçadas que corta as amarras das embarcações rato: peixe seláquio (Dic. Português Contemporâneo) mouse, pl.mice: a small animal that is covered in fur and has a long thin tail mouse, pl. mouses: a small device that is moved by hand across a surface to control the movement of the cursor on a computer screen. (OALD)
  15. 15. A cada unidade lexical está geralmente associada uma representação mental típica, um determinado valor semântico (que constitui o seu significado) e em muitos casos (no caso dos artefactos, por exemplo) um “programa motor específico” Por outro lado, o valor semântico que atribuímos à expressão linguística, o seu significado, é uma entidade complexa, de cuja estrutura não temos, (nem é suposto termos) consciência. Shoes: pair of outer coverings for your feet, usually made of leather or plastic (OALD) Da informação incorporada em [shoes] decorre: shoes x fabrica/faz/repara y w vende y a z z calça y em v
  16. 16. A questão que se põe, actualmente, é a de saber se no que respeita à cognição humana podemos continuar a afirmar que o ambiente com o qual o ser humano interage é exclusivamente natural
  17. 17. As mudanças que progressivamente se têm vindo a introduzir no nosso ambiente, graças à revolução digital, são múltiplas. A fronteira inicialmente muito clara separando o natural do artificial é hoje mais ténue, à medida que o artificial invade o nosso quotidiano, multiplicando as formas de interacção possível, instalando-se nas nossas rotinas, incorporando-se – através da linguagem- no nosso modelo do mundo. In Eric Sadin 2006- Times of Signs
  18. 18. O homem transporta para o cenário virtual o seu modo específico de definir o espaço, de definir o tempo e os sistemas semióticos que sustentam a sua visão do mundo e que são sempre cultural e historicamente determinados
  19. 19. O desenvolvimento de agentes cognitivos artificiais preparados para interagirem com humanos, usando elementos típicos das formas de cognição humana, é um dos objectivos da Robótica Se os robots vão interagir, comunicar e raciocinar de forma idêntica à humana, precisarão de possuir um sistema de representações e valores a elas associados que seja comum àquele que possuem os membros de uma dada comunidade. Mas a cognição humana é ainda, no que refere à linguagem regulada por “um pouco mais” A significação que subjaz à cognição humana assenta na linguagem perpassa nas formas habituais de interacção por cinco domínios: Semântica Morfosintaxe Pragmática Prosódia Atitude Corporal
  20. 20. Using Dialog and Human Observations to Dictate Tasks to a Learning Robot Assistant Paul E. Rybski, Jeremy Stolarz, Kevin Yoon, Manuela Veloso Carnegie Mellon University School of Computer Science Task: dinner is ready go to dining room “ tell Jeremy set the table” go to living room “ tell Kevin come to dinner” go to bedroom “ say turn off the television” go to living room “ say task complete” “ thank you” O desenvolvimento de robots capazes de interagirem com humanos passa necessariamente por cada uma destas áreas e pela noção de que a entidade artificial tem de incorporar pelo menos algumas das constelações que fazem parte de um universo semiótico.
  21. 21. A abordagem proposta pela Semiótica Cognitiva permite uma mudança de ponto de vista essencial, que remonta a Kant, ao fazer incidir a análise não na natureza das entidades individuais per se e na existência de um mundo objectivo, mas interrogando-se sobre a natureza física do agente cognitivo e sobre o papel fundamental desta natureza na definição e construção de um “meaningful world”.

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