MIA COUTO ganha Prémio Camões 2013 (25ª edição)

1

http://imagens5.publico.pt/imagens.aspx/774405?tp=UH&db=IMAGENS

"Lite...
António Emílio Leite Couto, escritor moçambicano, nascido na Beira em 1955, no
seio de uma família de emigrantes portugues...
nomeadamente com o seu título de estreia neste género, Terra Sonâmbula (1992),
que Mia Couto manifesta os primeiros sinais...
Na sua carreira, foi também acumulando distinções, como os prémios Vergílio Ferreira
(1999, pelo conjunto da obra), Mário ...
capacidade de transportar para a escrita a oralidade”, acrescentou Vasconcelos.
Além disso, conseguiu “passar do local par...
(…) esta distinção não o vai desviar do seu novo romance, sobre Gungunhana,
personagem histórico de Moçambique. "O prémio ...
Mia Couto gostaria de usar Prémio Camões a favor de jovens escritores
moçambicanos

7

O escritor Mia Couto disse hoje que...
Sobre a importância do Prémio Camões que recebeu para a literatura moçambicana,
Mia Couto afirmou ter dúvidas quanto ao se...
LISTA DE VENCEDORES DO PRÉMIO CAMÕES

Ano

Autor

País

Miguel Torga

9

Portugal

1989

João Cabral de Melo Neto
1990

Br...
Jorge Amado
1994

Brasil

José Saramago
1995

10

Portugal

Eduardo Lourenço

1996

Portugal

Pepetela
1997

Angola

Antón...
Autran Dourado
2000

Brasil

11

Eugénio de Andrade
2001

Portugal

Maria Velho da Costa
2002

Portugal

Rubem Fonseca
200...
José Luandino Vieira

2006

Portugal/Angola

12

António Lobo Antunes
2007

Portugal

João Ubaldo Ribeiro
2008

Brasil

Ar...
Dalton Trevisan
2012

Brasil

13

Mia Couto

2013

Moçambique
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Escritor mia couto ganha prémio camões

493 visualizações

Publicada em

vida de Mia Couto

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
493
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
48
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
5
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Escritor mia couto ganha prémio camões

  1. 1. MIA COUTO ganha Prémio Camões 2013 (25ª edição) 1 http://imagens5.publico.pt/imagens.aspx/774405?tp=UH&db=IMAGENS "Literatura não é produzir livros, é esta dinâmica que anda à volta da escrita literária, que envolve as escolas, as famílias, as bibliotecas, a circulação dos livros. Tudo isso faz uma literatura. Não pensemos que há literatura moçambicana porque há meia dúzia de escritores que têm alguma projeção" Mia Couto http://sicnoticias.sapo.pt/cultura/2013/05/28/
  2. 2. António Emílio Leite Couto, escritor moçambicano, nascido na Beira em 1955, no seio de uma família de emigrantes portugueses, passou a ser conhecido como Mia Couto visto o seu irmão mais novo não conseguir pronunciar corretamente Emílio. No entanto, de acordo com o autor, o apelido também se prende com a sua paixão por felinos. Começou por estudar Medicina na Universidade de Lourenço Marques (atual Maputo), interrompendo o curso para se dedicar ao jornalismo, logo a seguir à independência, na sequência do 25 de Abril de 1974. Trabalhou em publicações como A Tribuna, Tempo e Notícias, tendo sido diretor da Agência de Informação de Moçambique. Mais tarde, na década de 1980, regressa à universidade e forma-se em Biologia. Em 1983, publica o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho. "O livro surgiu em 1983, numa altura em que a revolução de Moçambique estava em plena pujança e todos nós tínhamos, de uma forma ou de outra, aderido à causa da independência. E a escrita era muito dominada por essa urgência política de mudar o mundo, de criar um homem e uma sociedade nova, tornou-se uma escrita muito panfletária”, comentou Mia Couto em entrevista ao PÚBLICO (20/11/1999), aquando da reedição daquele título pela Caminho. Em 1986 edita o seu primeiro livro de crónicas, Vozes Anoitecidas, que lhe valeu o prémio da Associação de Escritores Moçambicanos. Mas é com o romance, e 2
  3. 3. nomeadamente com o seu título de estreia neste género, Terra Sonâmbula (1992), que Mia Couto manifesta os primeiros sinais de “desobediência” ao padrão da língua portuguesa, criando fórmulas vocabulares inspiradas da língua oral que irão marcar a sua escrita e impor o seu estilo muito próprio. “Só quando quis contar histórias é que se me colocou este desafio de deixar entrar a vida e a maneira como o português era remoldado em Moçambique para lhes dar maior força poética. A oralidade não é aquela coisa que se resolve mandando por aí umas brigadas a recolher histórias tradicionais, é muito mais que isso”, disse, na citada entrevista. E acrescentou: “Temos sempre a ideia de que a língua é a grande dama, tem que se falar e escrever bem. A criação poética nasce do erro, da desobediência.” Foi nesse registo que se sucederam romances, sempre na Caminho, como A Varanda do Frangipani (1996), Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra (2002 – que o realizador José Carlos Oliveira haveria de adaptar ao grande ecrã), O Outro Pé da Sereia (2006), Jesusalém (2009), ou A Confissão da Leoa (2012). A propósito dos seus últimos livros, o escritor confessou algum cansaço por a sua obra ser muitas vezes confundida com a de um jogo de linguagem, por causa da quantidade de palavras e expressões “novas” que neles aparecem. Paralelamente aos romances, Mia Couto continuou a escrever e a editar crónicas e poesia – “Eu sou da poesia”, justificou, numa referência às suas origens literárias. 3
  4. 4. Na sua carreira, foi também acumulando distinções, como os prémios Vergílio Ferreira (1999, pelo conjunto da obra), Mário António/Fundação Gulbenkian (2001), União Latina de Literaturas Românicas (2007) ou Eduardo Lourenço (2012). O escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro, Prémio Camões 2008, disse à Lusa, no Rio de Janeiro, que “Mia Couto é, sem dúvida, um dos escritores mais importantes da língua portuguesa, e esse prémio é o reconhecimento que sua obra já há tempo faz por merecer”. E congratulou-se “festivamente com Mia Couto e com a literatura moçambicana, que ele honra com sua arte e exemplo”. E o escritor português Vasco Graça Moura considerou também ser esta uma atribuição perfeitamente merecida. “Mia Couto é um grande escritor, parece-me perfeitamente justificado”, disse à Lusa. Mia Couto é um “grande autor de língua portuguesa” e tem “uma capacidade de invenção verbal surpreendente. Por isso, na perspetiva do escritor português, a obra de Mia Couto “ultrapassa, de algum modo, os limites normais da prosa escrita em português”.  O júri justificou a distinção de Mia Couto tendo em conta a “vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e a profunda humanidade”, segundo disse à agência Lusa José Carlos Vasconcelos, um dos jurados. A obra de Mia Couto, “inicialmente, foi muito valorizada pela criação e inovação verbal, mas tem tido uma cada vez maior solidez na estrutura narrativa e 4
  5. 5. capacidade de transportar para a escrita a oralidade”, acrescentou Vasconcelos. Além disso, conseguiu “passar do local para o global”, numa produção que já conta 30 livros, que tem extravasado as suas fronteiras nacionais e tem “tido um grande reconhecimento da crítica”. Os seus livros estão, de resto, traduzidos em duas dezenas de línguas. Do júri, que se reuniu durante a tarde desta segunda-feira no Palácio Gustavo Capanema, sede do Centro Internacional do Livro e da Biblioteca Nacional, fizeram também parte, do lado de Portugal, a professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa Clara Crabbé Rocha (filha de Miguel Torga, o primeiro galardoado com o Prémio Camões, em 1989), os brasileiros Alcir Pécora, crítico e professor da Universidade de Campinas, e Alberto da Costa e Silva, embaixador e membro da Academia Brasileira de Letras, o escritor e professor universitário moçambicano João Paulo Borges Coelho e o escritor angolano José Eduardo Agualusa. Também em declaração à Lusa, Mia Couto disse-se "surpreendido e muito feliz" por ter sido distinguido com o 25º. Prémio Camões, num dia que, revelou, não lhe estava a correr de feição. “Recebi a notícia há meia hora, num telefonema que me fizeram do Brasil. Logo hoje, que é um daqueles dias em que a gente pensa: vou jantar, vou deitar-me e quero me apagar do mundo. De repente, apareceu esta chamada telefónica e, obviamente, fiquei muito feliz”, comentou o escritor, sem adiantar as razões. (…) 5
  6. 6. (…) esta distinção não o vai desviar do seu novo romance, sobre Gungunhana, personagem histórico de Moçambique. "O prémio não me desvia. Estou a escrever uma coisa que já vai há algum tempo, um ano, mais ou menos, e é sobre um personagem histórico da nossa resistência nacionalista, digamos assim, o Gungunhana, que foi preso pelo Mouzinho de Albuquerque, depois foi reconduzido para Portugal e acabou por morrer nos Açores”, disse Mia Couto, à agência Lusa. “Há naquela figura uma espécie de tragédia à volta desse herói, que foi mais inventado do que real, e que me apetece retratar”, sublinhou. Criado por Portugal e pelo Brasil em 1989, e atualmente com o valor monetário de cem mil euros, este é o principal prémio destinado à literatura em língua portuguesa e consagra anualmente um autor que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum. http://www.publico.pt/cultura/noticia/xxxxxx-premio-camoes-foi-para-o-escritor-1595653 (adaptado)  6
  7. 7. Mia Couto gostaria de usar Prémio Camões a favor de jovens escritores moçambicanos 7 O escritor Mia Couto disse hoje que gostaria de usar o valor do Prémio Camões para desenvolver um projeto que dê "espaço aos jovens escritores moçambicanos", algo que, considera, Moçambique não dispõe nesta altura. "Gostaríamos (o escritor e os seus irmãos) muito de poder intervir (...) em áreas junto do livro, dos jovens escritores que não têm espaço", disse Mia Couto, quando falava, em Maputo, numa conferência de imprensa a propósito do Prémio Camões, que lhe foi atribuído ontem. Segundo Mia Couto, "todas as semanas", algum jovem escritor lhe bate à porta com um "manuscrito para mostrar", o que lhe causa "muita impressão", pois revela "uma grande solidão", uma vez que "essas pessoas" não têm com quem partilhar a "preocupação" do valor da obra. "Não existe instituição em Moçambique que possa receber esta gente, que possa organizar um momento que é essencial, que é alguém escutar, olhar aquele texto preparado pelo jovem e poder ver se ali há uma potencialidade de alguém que pode ser amanhã um escritor", disse.
  8. 8. Sobre a importância do Prémio Camões que recebeu para a literatura moçambicana, Mia Couto afirmou ter dúvidas quanto ao seu significado, argumentando que ela "é muito maior que a contribuição de um escritor", apontando ainda críticas à situação que o país vive neste aspeto. "Se a política oficial e prática do Governo não a tomar como prioridade, estamos a colocar em risco isso que se chama de literatura moçambicana", acrescentou. Sobre o espaço da lusofonia e do seu potencial literário no mundo, Mia Couto entende que é necessário "acertar, dentro da família" de países de expressão portuguesa, "determinadas coisas", antes de se começar a "pensar num território tão grande, que é o mundo". "Se não nos impomos, se não somos capazes de mostrar alguma coisa que tem um valor único, alguma espécie de contribuição inovadora, o mundo não quer saber de nós", considerou. "Mesmo nós (Moçambique) temos uma posição de grande ambiguidade: às vezes a língua portuguesa é nossa, outras vezes, não é nossa; às vezes, é tida como língua nacional, outras vezes, não", lamentou. http://sicnoticias.sapo.pt/cultura/2013/05/28/mia-couto-gostaria-de-usar-premio-camoes-a-favor-de-jovens-escritoresmocambicanos 8
  9. 9. LISTA DE VENCEDORES DO PRÉMIO CAMÕES Ano Autor País Miguel Torga 9 Portugal 1989 João Cabral de Melo Neto 1990 Brasil José Craveirinha 1991 Moçambique Vergílio Ferreira 1992 Portugal Rachel Queiroz 1993 Brasil
  10. 10. Jorge Amado 1994 Brasil José Saramago 1995 10 Portugal Eduardo Lourenço 1996 Portugal Pepetela 1997 Angola António C. de Mello e Sousa 1998 Brasil Sophia de Mello B. Andresen 1999 Portugal
  11. 11. Autran Dourado 2000 Brasil 11 Eugénio de Andrade 2001 Portugal Maria Velho da Costa 2002 Portugal Rubem Fonseca 2003 Brasil Augustina Bessa-Luís 2004 Portugal Lygia Fagundes Telles 2005 Brasil
  12. 12. José Luandino Vieira 2006 Portugal/Angola 12 António Lobo Antunes 2007 Portugal João Ubaldo Ribeiro 2008 Brasil Arménio Vieira 2009 Cabo Verde Ferreira Gullar 2010 Brasil Manuel António Pina 2011 Portugal
  13. 13. Dalton Trevisan 2012 Brasil 13 Mia Couto 2013 Moçambique

×