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   Novo Regime Jurídico das Inst...
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Editorial
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23 de Outubro de 2007, 3ª feira            ENSINO SUPERIOR                                             A CABRA       5
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6   A CABRA       ENSINO SUPERIOR                              3ª feira, 23 de Outubro de 2007




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NACIONAL                                                        23 de Outubro de 2007, 3ª feira                           ...
10        A CABRA      INTERNACIONAL                                          3ª feira, 23 de Outubro de 2007




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A CABRA – 171 – 23.10.2007

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Versão integral da edição n.º 171 do jornal universitário de Coimbra “A Cabra”. Quinzenário. Portugal, 23.10.2007.
Para consultar o jornal na web, visite http://www.acabra.net/
e-mail: acabra@gmail.com

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A CABRA – 171 – 23.10.2007

  1. 1. @B?F54?B41B4@ PLANETA 1571C?6B5B TERROR @B5CCº5C MEDIA| Pág. 15 Série Z à moda de Rodriguez ARTES FEITAS | Pág.16 ANO XVII Quinzenal Gratuito Nº 170 TERÇA-FEIRA | 23 DE OUTUBRO, 2007 Director: Helder Almeida DeT_Q`_cd_c`QbQ_ INCERTEZAS NO SISTEMA DE Y^ÒSY_TQQdQTQ EMPRÉSTIMOS PARA ESTUDANTES Na próxima quinta- –feira, quando a “ca- bra” der as doze bada- Entidades bancárias já disponibilizam crédito desde o início de Outubro ladas, vão ouvir–se os primeiros acor- Com a entrada em vigor do Novo Regime quem veja nos empréstimos apenas uma des na serenata. O Jurídico do Ensino Superior, no passado Nos EUA cinco milhões forma de o Estado cortar nas verbas da ac- acontecimento dia 10 de Outubro, entrou em funciona- de estudantes não ção social escolar e mais um passo para a marca o início das mento o sistema de empréstimos. O crédi- privatização do ensino. Nos Estados Uni- celebrações da to está disponível para todos os estudantes conseguiram pagar dos da América, onde se adoptou um siste- Festa das Latas. do superior e o valor pode chegar aos 25 os créditos ma semelhante, cinco milhões de estudan- Este ano as noi- mil euros, para licenciaturas de cinco anos. tes viram–se impossibilitados de pagar as tes do parque Estão também contemplados créditos para Para o Governo este é “um instrumento dívidas contraídas. realizam–se no alunos de pós-graduação, mestrado, crucial para o desenvolvimento de uma po- Queimódromo e doutoramento e programas erasmus. lítica de apoio à escolarização”. Mas há têm mais uma DESTAQUE | Págs. 2 e 3 noite musical. Pelo palco da Latada vão passar nomes como: Domingos Paciência “ O futebol português está cada vez mais fraco” Blasted Mechanism, Orishas, Gentleman, Quim Barreiros e The Gift, David Fonseca. SUPLEMENTO | CENTRAIS BU`_bdQWU]* 3Q^Sb_TQ=Q]Q Em Portugal, 1500 mulheres morrem de cancro da mama, o que equivale a qua- tro mulheres por dia. A uma semana do Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama, A Cabra foi ouvir falar na angústia e na força de três mulheres, que passaram pela doença. NACIONAL | Pág.9 DbQ^cVUbÏ^SYQcTUVYSXUYb_c `U_GYbUUccTQE3 Desde o ano passado que o número de processos de criminalidade informática em Coimbra duplicou. A falta de contro- lo do serviço wireless da e-U, possibilita que estas transgressões sejam cometi- das pela rede da universidade. A Polícia Judiciária confirma o envolvimento de estudantes. CÁTIA MONTEIRO CIENCIA | Pág.11
  2. 2. 2 A CABRA DESTAQUE 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 Novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior - Sistema de empréstimos 9^cdbe]U^d_`QbQ_TUcU^f_fY]U^d__e S_]`b_]UdY]U^d_T_Vedeb_/ O sistema de empréstimos to, os estudantes do ensino superior que investir”. meira vez em 1965 nos Estados Unidos para alunos do superior já obedeçam a uma série de critérios. Por “O sistema de empréstimos pode até da América (EUA). O “Higher Education entrou em funcionamento. exemplo, os emprésti- funcionar no início, mas dificilmente da- Act” foi então aprovado pelo Congresso No entanto, existem dúvidas mos estão interditos rá um resultado favorável em relação à dos EUA. quanto à eficácia desta a cidadãos de na- necessidade em aumentar a frequência A falta de acção social e os elevados va- medida governamental cionalidade no ensino superior”, conclui. lores das propinas praticadas pelas uni- não portu- Em declarações anteriores feitas versidades obrigaram os estudantes a re- François Fernandes guesa, bem a A CABRA, o reitor da correr à banca para pagar os seus estu- como a alu- Universidade de Coimbra, dos. Os estudantes que assim o entendam nos que te- Francisco Seabra Santos, já Num país onde a média dos salários é já têm à disposição um sistema de em- nham na ban- tinha defendido que o sis- muito inferior às propinas praticadas préstimos bancários para financiamento ca dívidas su- tema de empréstimos por grande parte das instituições de En- dos estudos superiores. O crédito vai periores a cin- “não é uma boa sino Superior privadas, os problemas permitir financiar, total ou parcialmen- co mil euros. solução”. “Não acho não tardaram em chegar. te, os estudos incluindo cursos de espe- boa ideia que um Nos anos seguintes verificou–se com cialização tecnológica, licenciaturas e “Um siste- estudante acabe o grande frequência a impossibilidade por mestrados, assim como doutoramentos e m com pou- curso e comece a parte dos estudantes em pagar as dívidas pós–graduações. Os alunos que preten- co futuro” vida profissional contraídas. dam utilizar um dos programas de inter- O governo vê com uma carga O congresso, num primeiro momento, câmbio de estudantes ou de mobilidade no sistema de tão elevada para aumentou o número de anos de carência, internacional, como o Erasmus, também empréstimos pagar”, acrescen- mas mais tarde optou por retirar protec- podem recorrer a este novo sistema. bancários um tava Seabra ções sociais aos devedores e permitiu aos Os valores envolvidos podem variar “instrumento Santos. credores a possibilidade de se apropria- entre os 1000 e os cinco mil euros, por crucial para o Já o estudio- rem dos salários e de confiscarem as li- cada ano lectivo, estando o valor máximo desenvolvimen- so de políticas cenças profissionais. de empréstimo estipulado em 25 mil eu- to de uma polí- do Ensino Su- Actualmente nos Estados Unidos exis- ros para licenciaturas com cinco anos. O tica de apoio à perior, José tem cerca de cinco milhões de estudan- prazo de reembolso oscila entre os seis e escolarização Veiga tes impossibilitados de pagar as suas dí- os dez anos, com um período de carência da população vidas. correspondente ao seguinte à conclusão no patamar Em Portugal, a questão dos em- do curso. mais eleva- préstimos tem gerado diversas A grande novidade do sistema reside do do sis- opiniões, favoráveis e desfavorá- no facto de aos estudantes não ser exigi- tema de veis. do qualquer fiador, uma vez que cabe ao ensino”. No entanto, só quando os es- Fundo de Garantia Mútua cobrir 100 por No en- tudantes que agora pedem cento de cada empréstimo. Caso o estu- tanto crédito terminarem os seus dante cometa irregularidades durante o a s cursos e tiverem que começar reembolso, os bancos podem sempre re- reac- a pagar é que se vai ficar a correr ao fundo para reaver a quantia in- saber do sucesso deste sistema. vestida. Os créditos bancários têm uma taxa de ções juro fixa para o total do contrato, à qual n ã o Empréstimo em três passos: se acrescenta um “spread” (taxa que o têm si- banco utiliza para pagar os encargos com do as ILUSTRAÇÃO POR: JOSÉ MIGUEL PEREIRA Apresentar–se no balcão da os empréstimos) máximo de 1,5 por cen- mais fa- S i - instituição bancária com o to, que diminui consoante o aproveita- voráveis. mão, vê o comprovativo de matrícula, mento escolar do aluno. Esta percenta- O vice- sistema de crédito comprovativo de média e gem varia dependendo da instituição –reitor da Univer- como uma “forma de criar opor- registo criminal bancária. sidade de Coimbra, António Gomes Mar- tunidades para todos os estudantes inde- Santander–Totta, Banco Espírito San- tins, questiona o sucesso do sistema de pendentemente da respectiva situação to, Caixa Geral de Depósitos, Montepio empréstimos a longo prazo, invocando o económica”. Contudo, o especialista não Geral, Millenium BCP, e o Grupo Banco exemplo recente nos Estados Unidos on- vê com os bons olhos o curto período de Internacional do Funchal (BANIF), que de “houve uma enorme incidência de in- carência. “Os estudantes só deveriam co- Formalizar o pedido inclui o Banco Comercial dos Açores, capacidade em pagar empréstimos por meçar a pagar os empréstimos depois de foram os bancos que aderiram até ao parte dos estudantes recém-licenciados”. estabilizados profissionalmente, e de momento. Para António Gomes Martins, o estado acordo com o salário que recebam”. “De O novo modelo de crédito é indepen- português “olha para o Ensino Superior outro modo, não acredito que o novo sis- dente dos serviços de Acção Social Esco- como um prestador de serviços cujos tema seja bem sucedido”, conclui. lar, o que faz com que os alunos que pe- clientes têm que ser bem satisfeitos, e Aguardar cinco dias pela çam empréstimos possam continuar a para isso até se concedem empréstimos” O caso americano confirmação. usufruir de bolsas de estudo. e não “como algo estratégico para o de- O sistema de empréstimos bancários a Contudo, só poderão recorrer ao crédi- senvolvimento em que o estado deveria estudantes foi posto em prática pela pri-
  3. 3. 23 de Outubro de 2007, 3ª feira DESTAQUE A CABRA 3 1aeYS_^^_cS_ E3`bU`QbQ “ _cUcdeTQ^dUcTU3_Y]RbQ ” VITOR ALVES ^_f_cUcdQded_c François Fernandes Para se adaptar ao novo Regime Jurídi- co das Instituições do Ensino Superior (RJIES), a Universidade de Coimbra (UC) vê–se obrigada a proceder a uma reunião extraordinária dos estatutos numa as- sembleia criada para o efeito. No dia 10 de Outubro os senadores da UC aprovaram em senado o regulamento para a constituição da Assembleia Estatu- tária. Esta será constituída por 21 ele- mentos, que incluem o reitor, 12 profes- sores três estudantes e cinco elementos externos à universidade. Os membros que vão integrar a assem- bleia vão ser escolhidos através do voto da comunidade universitária. Entre 8 e 12 de Novembro vão ser apre- sentadas as listas concorrentes, que entram em campanha de 19 a 23 do mes- mo mês. Três dias depois, a 26, são reali- zadas as eleições. Só depois os membros eleitos vão poder escolher entre si os elementos externos, através de votação pelo método de Hondt. A Assembleia Estatutária terá, a partir desse momento, a tarefa de aprovar os novos estatutos da UC no prazo de oito A Academia de Coimbra foi a única do país a juntar-se à manifestação convocada pela CGTP-IN meses. O vice–presidente da DG/AAC, João Começou com palmas as palavras de ordem dos sindicalistas anos, também presente na manifesta- Pita, afirma que o papel dos alunos esco- e acabou com palmas, que, em rimas fortes, verberam contra o ção, as reclamações “são todas as que se lhidos para integrarem a comissão será a participação da Associação estado do país e contra Sócrates, o pri- possa imaginar. É o ensino que não é de tão maior “quanto a qualidade que eles Académica de Coimbra meiro–ministro. “Justiça social faz falta qualidade, que é caro”, afirma com con- demonstrarem e os argumentos que es- na manifestação da última a Portugal!”, “o país não se endireita vicção antes de concluir: “apoio os estu- grimirem junto dos professores”. com políticas de direita!”, “trabalho dantes”. Para João Pita o número de represen- quinta–feira, 18. Mas será que sim, desemprego não!”, “não à precarie- Envolvida num manto de 200 mil pes- tantes estudantis muito reduzido. O diri- quem aplaudia conhecia as dade, sim à estabilidade!” podia ouvir- soas, que enche as ruas que vão dos Oli- gente estudantil considera que “se estão a reivindicações estudantis? –se. vais até ao Pavilhão de Portugal, no Par- deixar de fora os estudantes”, o que pode É ao som de palmas que os cerca de que das Nações, onde decorre a Confe- mais tarde “complicar as possibilidades Reportagem por Helder Almeida duas centenas de estudantes se juntam rência Intergovernamental da União dos estudantes terem influência dentro aos milhares de trabalhadores de todo o Europeia, a Academia de Coimbra lança dos órgãos da universidade”. “Tenho mui- “ E h malta! Vamos fazer baru- país. A reacção não deixa de surpreen- as reclamações sobre o estado da educa- tas reservas se no futuro voltaremos a ter lho! Vamos lá malta jovem!”. der alguns dos alunos de Coimbra. ção no país: Processo de Bolonha novamente algum tipo de voz com peso O repto é lançado por um Questionada por que razão aplaude, (“abaixo!”), financiamento (“mais!”), eleitoral suficiente para fazer valer os homem alto, de bigode farfa- Brigite Teles, professora na Lousã, diz acção social (“não existe em Portugal!”). nossos direitos e os nossos interesses”, lhudo e bochechas rosadas de tinto que, que “os direitos dos estudantes também Do palco, montado mesmo atrás do alerta. a passo largo, se dirige com uma multi- estão a ser postos em causa”. Confessa, edifício onde decorre a cimeira, talvez Sobre os novos estatutos, uma vez que dão para a zona do metro dos Olivais, no entanto, não ter conhecimento das para os governantes e a Europa ouvirem “vêm já formatados pela especificidade do em Lisboa – o ponto de encontro da ma- reivindicações dos alunos. melhor o descontentamento popular, novo regime jurídico”, João Pita, prevê nifestação convocada pela CGTP–IN. Já Armando Dutra, 54 anos, professor Carvalho da Silva vai agradecendo aos que sejam “piores do que aqueles que vi- Os estudantes, que acabam de descer do ensino secundário nos Açores, mani- vários sindicatos, de norte a sul do país, goram neste momento”. O vice–presiden- dos autocarros, ainda adormecidos pela festante, crê “que têm que ver com me- a presença. Lembra também a compa- te da DG/AAC remete no entanto a res- viagem, são literalmente atropelados lhores condições de apoio, sobretudo rência da academia coimbrã na mani- ponsabilidade para o governo, a quem pela massa trabalhadora. A rua Cidade em matéria de acção social escolar, e festação: “aqui, connosco, os estudantes acusa de criar um regime que é “clara- de Bissau é um mar de gente. Bandeiras com a nova política europeia em termos de Coimbra!”. São muitos os que aplau- mente contra os estudantes e contra as verdes, amarelas, vermelhas, pretas agi- de educação que não parece a mais ade- dem. No fim, a satisfação estava espe- instituições”. tam o ar quente, pesado. Pelo ar ecoam quada”. Para o jurista Luís Matos, de 56 lhada no rosto dos dirigentes da AAC. Com Cláudia Teixeira PUBLICIDADE
  4. 4. 4 A CABRA OPINIAO 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 Editorial =Q^YVcUQVY^c Mais um passo *Nuno Braga , Aluno do 4ºano de Jornalismo para privatizar Há que ser muito céptico em relação a manifestações de estudantes, principalmente quando elas nunca são de es- nifestação a sério, com grupos sindicais organizados e já batidos nestas andanças. o ensino tudantes! Elaborando melhor, as “manifs” até podem ser promovi- Confesso que fiquei surpreendido com a magnitude e empenho dos que nela participaram. Gente de todas as das com as melhores das intenções e com o melhor dos idades e de todas as profissões que se juntaram para mos- Entrou em vigor este ano lectivo o sistema de em- motivos mas, no final das contas, quem aparece é um ou trar que não estão contentes com a sua situação actual. préstimos para os estudantes do ensino superior. Se- dois grupinhos de meninos que andam a Mas neste caso são mesmo os trabalha- gundo o Governo, esta medida não vai substituir a ac- brincar aos partidos e que procuram fi- dores mais fracos que participam nas ma- ção social escolar, mas é algo mais, que a aumenta e car com o protagonismo. nifs, não são os chefes de repartição, ou os complementa. Desde há muitos anos que as “manifs” “Os estudantes directores que dão a cara! São os traba- Por outro lado, o executivo garante que os estu- servem para isto porque, também há não vão às lhadores simples, humildes que realmen- dantes mais carenciados vão continuar a ser financia- muito tempo, os verdadeiros estudantes te precisam desses direitos, são os profes- dos a fundo perdido e para isso aumenta as verbas desistiram d’ “a luta”, como lhe chamam. manifs porque já sores que andam todos os anos de escola para a acção social escolar. Relativamente às propi- Os verdadeiros estudantes não vão a ma- em escola, enfermeiros que têm contratos nas, já uma grande fonte de receita das instituições, é nifs por várias razões e aqui só vou enu- perceberam que precários, entre outros. garantido que até 2009 se vão manter inalteradas. merar algumas delas: são sempre lixa- Ora, fazendo uma comparação com as Mas nestas boas intenções depressa se descobrem Não vão porque os verdadeiros estu- manifestações estudantis, observamos incongruências: dantes não se podem dar ao luxo de per- dos pelos meni- que não são os bolseiros que estão lá a pe- 1. empréstimos – até poderia ser uma medida posi- tiva se o País tivesse emprego para os seus licencia- der aulas, ou ficar com faltas a cadeiras importantes, porque os pais andam a pa- nos que querem dir por uma acção social melhor. Não são os mais necessitados que estão lá a pedir dos poderem pagar os empréstimos. Não nos pode- gar as propinas a custo e por isso não brincar à que se acabe com as propinas, são os “ou- mos esquecer que quem optar por um empréstimo te- querem desperdiçar o dinheiro deles (é tros”. rá que começar a saldar a dívida logo um ano após claro que se pode contrapor com o argu- política” O que é que isto significa? Que os “ou- terminar a licenciatura. Como sabemos, todos os mento de que os estudantes gastam di- tros” são altruístas? Não. anos milhares de licenciados ficam no desemprego, nheiro nos copos por isso têm dinheiro para pagar propi- Significa que há alguém a beneficiar em nome dos estu- por isso como conseguirá um estudante pagar o seu nas); dantes. Há alguém a fazer carreira à conta das manifs que empréstimo, que pode chegar aos 25 mil euros, es- Não vão porque já perceberam que são sempre lixados pode dizer que organizou! tando no desemprego? A isto, o ministro já respon- pelos meninos que querem brincar à política; Já estava na hora dos verdadeiros estudantes levarem “a deu: só quem tiver condições de pagar é que deve pe- Não vão porque aparecem sempre alguns agitadores que luta” a sério e impedirem que esses meninos usem o bom- dir apoio à banca. Esclarecedor. só querem criar desacatos e que tiram toda a credibilidade –nome da Associação Académica de Coimbra única e ex- 2. acção social escolar – o Orçamento de Estado pa- aos estudantes! clusivamente para seu próprio beneficio. ra 2008 consagra um aumento de 0,2 por cento para Dia 18 de Outubro houve uma manifestação em Lisboa. * Carta ao Director a acção social escolar no ensino superior. Mas, por Participei porque me interessava ver como seria uma ma- (Cartas ao director podem ser enviadas para a cabra@gmail.com) outro lado, corta nas verbas para as cantinas, resi- dências e serviços médicos. Aumenta–se num lado, corta–se no outro. 3. propinas – no ensino superior público paga–se, actualmente, quase mil euros só de propinas. Se até 2009 as propinas não aumentam, como garante Ma- riano Gago, o que acontecerá depois dessa data? As pistas parecem apontar todas num sentido: uma cada vez maior privatização do ensino superior. Uma privatização gradual, em que aos poucos os estudan- tes deixam de ser tratados como usufruidores de um bem público e passam a ser tratados como clientes. Os empréstimos são um passo nesse sentido. Perante isto, seria bom que os estudantes não se calassem e tivessem consciência do que isso representaria para o País. O ensino deve ser um direito, não um privilégio. Só assim um País se desenvolve. Mas quem pensa nisto em vésperas de mais uma grande festa académi- ca? Helder Almeida Jornal Universitário de Coimbra - A CABRA Depósito Legal nº183245/02 Registo ICS nº116759 Director Helder Almeida Chefe de Redacção Rui Antunes Editores: Cátia Monteiro (Fotografia), François Fernandes (Ensino Superior), Salvador Cerqueira (Cidade), Raquel Carvalho (Nacional), Rui Antunes (Internacional), João Miranda (Ciência), Patrícia Costa (Desporto), Martha Mendes (Cultura), Ângela Monteiro (Media), Carla Santos (Viagens) Secretária de Redacção Adelaide Baptista Paginação François Fernandes, Rui Antunes, Salvador Cerqueira, Sofia Piçarra Redacção Ana Bela Ferreira, Ana Filipa Oliveira, Ana Margarida Gomes, Ana Raquel Melo, Cláudia Teixeira, Eunice Oliveira, Filipa Faria, Joana Gante, João Pimenta, Liliana Figueira, Marta Campos, Marta Costa, Secção de Jornalismo, Pedro Crisóstomo, Raquel Mesquita, Sandra Camelo, Sara Simões, Soraia Manuel Ramos,Tânia Ramalho, Wnurinham Silva Fotografia Carine Pimenta, Carolina Sá, Catarina Associação Académica de Coimbra, Silva, Cláudia Teixeira, Daniel Palos, Fábio Teixeira, Fausto Moreira, Filipa Faria, José Marques, Liliana Lago, Martha Morais, Mónica Pópulo, Tiago Lino Ilustração José Rua Padre António Vieira, Miguel Pereira, Rafael Antunes Colaboradores permanentes Andreia Ferreira, André Tejo, Cláudia Morais, Emanuel Botelho, Fernando Oliveira, Laura Cazaban, Rafael 3000 - Coimbra Tel. 239821554 Fax. 239821554 Fernandes, Raphaël Jerónimo, Rui Craveirinha, Vitor André Mesquita Colaboraram nesta edição Alexandre Oliveira, Andreia Silva, Carolina de Sá, Catarina Domingos, e-mail: acabra@gmail.com Catarina Fonseca, Catarina Frias, Catarina Pinto, Emanuela Gomes, Filipa Craveiro, Jennifer Lopes, Jens Meisel, João Picanço, José Vasconcelos, Lídia Gomes, Marco Roque, Marta Oliveira, Paulo Lemos, Pedro Martins, Raquel Soares, Rita Matos, Saimon Morais, Tânia Mateus, Tiago Martins, Thiago Neves, Vânia Silva Publicidade Sofia Piçarra - 239821554; 913009117 Impressão CIC - CORAZE, Oliveira de Azeméis, Telefone. 256661460, Fax: 256673861, e-mail: grafica@coraze.com Tiragem 4000 exemplares Produção Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra Propriedade Associação Académica de Coimbra Agradecimentos Reitoria da Universidade de Coimbra, Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra
  5. 5. 23 de Outubro de 2007, 3ª feira ENSINO SUPERIOR A CABRA 5 Orçamento de Estado 08 FUbRQc`QbQ_U^cY^_ce`UbY_bSbUcSU] ]Qc`_eS_ RUI ANTUNES O vice–reitor António Gomes entidades descontam 7,5 por cento). Para Martins acusa o António Gomes Martins a medida “anula, só estado de “estrangular” por si, o aumento da estimativa registado es- as instituições de te ano”. Ensino Superior Ainda em relação ao acréscimo estipulado pelo orçamento, o ministro da Ciência, Tec- nologia e Ensino Superior, Mariano Gago, François Fernandes afirmou recentemente em Coimbra que “se- Milene Santos rá desigual para as instituições”. O ministro pretende que o financiamento se passe a De acordo com a proposta do Orçamento processar “em função da qualidade e de ou- de Estado (OE) para 2008, apresentada no tros parâmetros que foram acordados com passado dia 12 de Outubro pelo Governo, as as universidades e institutos politécnicos”. verbas destinadas aos gastos do Ministério Acerca desta questão, o vice–reitor acredita da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior que se está a levar a cabo uma “politica de (MCTES) vão crescer 8,9 por cento relativa- estrangulamento do ensino superior ‘darwi- mente à estimativa de execução deste ano. niana’” a que só “as instituições mais fortes Deste modo, no próximo ano a despesa do podem resistir”. MCTES atinge o valor de 2.508,8 milhões de Por sua vez, os politécnicos viram a fatia euros. do orçamento que lhes era destinada dimi- Para o funcionamento das universidades o nuir para os 404,7 milhões de euros, ou se- governo destinou 1.153,3 milhões de euros, ja, menos 0,6 por cento. Na opinião do pre- mais três por cento relativamente ao ano sidente do Conselho Coordenador dos Insti- Instituições passam a descontar 11 por cento para o sistema de protecção social passado. No entanto, o vice–reitor da Uni- tutos Superiores Politécnicos (CCISP), Lu- versidade de Coimbra, António Gomes Mar- ciano de Almeida, “o orçamento não corres- Aumentar bolsas não é solução baixo graças aos serviços de acção social vão tins, considera esta verba insuficiente. “Em ponde às necessidades dos politécnicos , A Acção Social também viu o seu orça- ter que recorrer cada vez mais ao mercado”, 2007 o orçamento para o Ensino Superior tendo em conta o aumentode alunos”. Lu- mento subir para os 120,8 milhões de euros, conclui. sofreu um corte real de cerca de 15 por cen- ciano de Almeida considera que “a solução ou seja, mais 0,2 por cento. Para António Além disso, António Gomes Martins aler- to. Aumentar três pontos percentuais em de reservar uma parte do fundo global desti- Gomes Martins tal disponibilidade orça- ta para o facto de os limiares que determi- 2008 significa não só continuar com dificul- nado ao ensino superior para o saneamento mental revela–se mais uma vez insuficiente. nam a atribuição de bolsas se manterem dades como agravá–las”, afirma o vice–rei- financeiro de algumas universidades e poli- O vice–reitor reprova a opção do Governo inalterados. “ Continuamos com a situação tor. técnicos, acabou por condicionar o acrésci- de aumentar o número de bolsas em detri- inominável que é a bolsa do escalão máximo O OE contempla ainda que as universida- mo do orçamento para outras instituições”. mento das verbas destinadas ao funciona- só poder ser atribuída a uma família que só des, institutos politécnicos e todos os esta- O presidente do CCISP sugere que a lei do fi- mento dos serviços de acção social, o que tenha um salário mínimo de rendimento e belecimentos de ensino com autonomia ad- nanciamento seja alterada “para que as ins- “implica menos dinheiro para as cantinas, tenha pelo menos cinco membros”. A pro- ministrativa e financeira passem a descon- tituições possam ser financiadas de acordo residências e serviços médicos”. Consequen- posta orçamental está em discussão até 28 tar 11 por cento para o sistema de protecção com o seu plano de actividades e nível de re- temente, “os estudantes bolseiros que hoje de Novembro e entra em vigor a 1 de Janei- social da função pública (actualmente estas sultados e não com o orçamento histórico”. conseguem comprar serviços a um custo ro de 2008. _fQcY^YSYQdYfQc`QbQQS_]e^YTQTUUbQc]ec Gabinete das Relações Erasmus na sociedade portuguesa. Cada túlias são um espaço de diálogo informal pessoas, “estudantes de Itália, Espanha, Internacionais mistura sessão das tertúlias é apresentada por uma onde, todas as quintas–feiras, os Erasmus Áustria e Alemanha que não teria conheci- diálogo informal e diversão pessoa ou grupo que discute ou demonstra “acabam por participar e conversar aberta- do se não fosse a festa”. Confessa ainda que para integrar Erasmus na vida um tema previamente determinado pelo mente”, acrescenta o coordenador das RI. este contacto com estudantes de diferentes académica gabinete das RI. O coordenador do Gabi- Na tentativa de contrariar os convívios países serviu para aprender “coisas não só nete das Relações Internacionais da que normalmente se realizam no English sobre a cidade de Coimbra, mas também DG/AAC, João Inglês, dá o exemplo da úl- Bar ou na Via Latina, o gabinete das Rela- sobre as cidades de cada um, trocámos Sandra Camelo tima sessão cujo tema foi a vida estudantil ções Internacionais tem organizado festas muitas experiências”. Wnurinham Silva e a tradição de Coimbra. “Não queremos “diferentes e maiores, para que os Erasmus Ao contrário das tertúlias, os convívios que eles vejam Coimbra só como um lugar possam ter um espaço suficiente para se não têm datas regulares, mas estão abertos A chegada de novos alunos Erasmus exi- de boémia e de escola, pois também preci- encontrarem e conviverem com todos os a todas as pessoas e “tendo em conta que é ge iniciativas que permitam conhecer a vi- sam de ter uma componente cultural da ci- estudantes da Universidade de Coimbra”, uma festa Erasmus, decidimos que seria da académica de Coimbra. É com este ob- dade”, explica João Inglês. “Os Erasmus esclarece João inglês. melhor eles não pagarem entrada”, afirma jectivo que o gabinete das Relações Inter- têm o hábito de se relacionarem com ou- Wilson Feitosa, um jovem estudante são- João Inglês. nacionais (RI) da Direcção–Geral da Asso- tros estudantes do país de origem, acaban- –tomense, chegou este ano a Coimbra e es- Iniciativa do gabinete das Relações In- ciação Académica de Coimbra (DG/AAC) do por não se integrar bem na sociedade tá a frequentar o primeiro ano de Direito. ternacionais da Direcção–Geral, os encon- está a organizar convívios e tertúlias dirigi- portuguesa e na vida académica de Coim- Esteve no último convívio realizado pela tros Erasmus têm “pés para andar”. Na das aos alunos Erasmus. bra”, explica. “Por isso, nós criámos estas DG/AAC e classifica a festa como “muito opinião de João Inglês “se a próxima DG Realizados quinzenalmente, os encon- reuniões para que eles fiquem a conhecer boa” e com “boa música”. Segundo o estu- for inteligente só tem de agarrar no projec- tros pretendem introduzir a comunidade também pessoas de outros países”. As ter- dante o convívio permitiu conhecer novas to e seguir em frente”.
  6. 6. 6 A CABRA ENSINO SUPERIOR 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 1]Uc]QÒ^WeQe]QfYTQÅ`QbdU FÁBIO TEIXEIRA Através das associações os estudantes mantêm-se unidos e partilham a cultura dos seus países de origem No momento da recepção de caloiros oriundos do mundo de língua portuguesa, A CABRA tentou perceber as diversas circunstâncias que se lhes deparam Por Patrícia Costa, Emanuela Gomes e Carla Santos realização de exames finais, con- Guineenses, referiu outra contrariedade, “o Mas é essencialmente através das activi- entrevistados é a saudade, sentimento con- A correr à bolsa de estudo e a expec- tativa da candidatura à universida- de são situações do conhecimento de todos aqueles que entram no ensino su- ministério da Guiné entrega as bolsas e os vistos, através da embaixada de Portugal. Mas depois as pessoas chegam aqui e são abandonadas”. dades culturais e desportivas que as associa- ções procuram integrar os seus estudantes no seio da comunidade. Por exemplo, os ti- morenses promulgam a interactividade com siderado por Teixeira de Pascoaes como o grande traço espiritual definidor da alma portuguesa. “São saudades de casa, da famí- lia e dos amigos que ficaram por lá”, rema- perior português. Por vezes, a angústia da É então no meio das adversidades que as a música ensaiada em tétum (dialecto); os tou Euclides de Cassamá. espera dos resultados pode ser sentida bem associações de estudantes de cada país são cabo–verdianos encontram–se para degus- longe da Universidade de Coimbra e até preponderantes, fazendo a integração da- tar pratos tradicionais como a “cachupa” ou mesmo de Portugal. Países como Cabo–Ver- queles que pela primeira vez atravessam a beber ponche e aguardente; a Associação Encontros de um outro de, Guiné–Bissau, São Tomé e Príncipe, An- ponte de Santa Clara, muitas vezes em direc- Guineense organiza, frequentemente, festas Português gola, Moçambique e Timor enviam, anual- ção às escadas monumentais. para reunir os associados; datas comemora- mente, estudantes com apenas um destino e tivas dos países de origem são celebradas em Timor: “10 anos 10 ideias”, um projecto um objectivo: tirar um curso superior em Difícil de entender Portugal. que inclui várias actividades. Portugal. Para quem chega, a cidade dos estudantes No decorrer da conversa, Bruno levantou Antónia Domingos, estudante de mestra- parece uma torre de babel . Na cacofonia do o véu sobre um mundo onde as aparências 27 Outubro: Assembleia–geral para do na faculdade de psicologia, chegou à “ci- bar da Associação Académica de Coimbra, o valem mais do que muitas evidências. O di- aprovar o projecto da nova direcção. dade do Mondego” com um filho nos braços presidente da Associação do Estudantes Ti- rigente recorda situações desagradáveis, e uma bagagem cheia de ilusões. No primei- morenses, Félix de Jesus, estagiário de Ciên- “nunca senti preconceito directo, mas sei de Início de Novembro: recepção dos ca- ro dia, a mãe solteira encontrou a “praxe cias da Educação, confessa que, no seu ano uma amiga que não foi atendida numa loja”. loiros – encontro e actividades desportivas. obrigatória” das matrículas, na Escola Supe- de ingresso, sentiu bastantes dificuldades Porém, Bruno admite que o preconceito é rior de Educação de Coimbra (ESEC). Pro- linguísticas. Da mesma maneira, muitos dos igualmente visível do outro lado. 12 Novembro: Dia Nacional de Juven- curar casa não foi fácil e muito menos en- seus conterrâneos sentem dificuldades de Com a aproximação do fim do curso surge tude timorense – conferência sobre o Mas- contrar um lugar para deixar o filho durante integração devido aos parcos conhecimentos a dúvida para o futuro próximo. Para Hector sacre de Sta. Cruz. as aulas. Sem conhecer ainda os direitos que da língua. Para tentar colmatar esta falha, os Costa, estudante de Sociologia, a resposta é tinha, dirigiu–se aos serviços da ESEC, mas estudantes guineenses organizam–se entre clara, “quero voltar como quadro altamente 14 Dezembro: Mini–conferência de a assistente social disse–lhe “que o menino si para dar explicações de português àqueles qualificado para ajudar o meu país a desen- um padre timorense convidado sobre ju- não podia andar na creche da universidade”. que chegam. Para alguns, os dialectos de volver–se”. Já o finalista guineense de medi- ventude e culturas. Antónia sentiu–se injustiçada pois veio, origem continuam a dominar as calorosas cina, Anaxor Casamiro, admite regressar pe- posteriormente, a “descobrir que todas as conversas dos estudantes. “O crioulo está lo menos para África. “ O meu objectivo é es- Cabo Verde: recepção ao caloiro. estudantes podem deixar os filhos no infan- entranhado no sangue, é um modo de vida”, pecializar–me e voltar para a Guiné–Bissau. tário”. afirmou o vice–presidente da Associação de Tenho o dever moral de voltar para o meu Guiné: recepção ao caloiro e formação Euclides de Cassamá, estudante de medi- Estudantes Cabo–verdianos e estudante de país”, enaltece. Para o cônsul de São Tomé e sobre a cidade, a história da universidade, cina e gestor da Associação de Estudantes Direito, Bruno Lassy. Príncipe, o maior desafio que se impõe aos etc.
  7. 7. 23 de Outubro de 2007, 3ª feira PAGINA A CABRA 7 A Academia em imagens C?C5cdeTQ^dU “ ?TYQ]QYcdbYcdU`QbQQ1SQTU]YQ” BRUNO COSTA-ARQUIVO. “Olá, precisas de ajuda?” Há dez anos no activo, a linha SOS Estu- dante, tem vindo a dar apoio a um vasto le- que de pessoas que ligam em busca de uma palavra amiga. A iniciativa partiu de Paulo David Carvalho, que se apercebeu da gran- de quantidade de estudantes que não se conseguiam integrar na faculdade. E quan- do uma conhecida se suicidou, Paulo teve necessidade de fazer algo. Assim surgiu a linha de apoio, a 17 de Abril de 1997. Presentemente, a secção conta com a ajuda de 30 pessoas, todas estudantes, que trabalham em regime anónimo e voluntá- rio. O recrutamento é feito em Outubro e Março. Durante cerca de um mês são abor- dadas as formas de comunicar e temas co- mo o suicídio ou a sexualidade. A finalidade da linha é garantir um espa- ço onde as pessoas possam ser escutadas independentemente do tema abordado. “Somos como que um espelho daquilo que as pessoas nos dizem, não fazemos qual- quer tipo de juízos de valor nem damos conselhos. Tentamos apenas que quem liga reflicta sobre aquilo que nos diz”, refere a presidente da secção, Filipa Craveiro. Segundo as estatísticas de 2006, foi rece- bido um total de 926 chamadas, sendo que cerca de 680 foram realizadas por pessoas quot; $ Para o dia 20 deste mês estava marcada uma reunião extraordinária do senado universitá- do sexo masculino. O número de chamadas rio, no Pólo II. Discutia–se então o valor da propina na Universidade de Coimbra. De forma a foi ligeiramente maior nos meses de Janei- impedir a votação da propina máxima (880 euros), os estudantes tentaram entrar no edifício ro e Junho, pois “é na altura dos exames ?edeRb_ onde decorria o senado, tendo sido agredidos pelas forças policiais, chamadas pelo reitor Sea- que os estudantes ligam mais”, afirma a bra Santos. Um estudante é ainda detido. O presidente da DG/AAC da altura, Miguel Duarte, presidente da secção. classifica aquele dia como “o mais triste para a Academia de Coimbra após o 25 de Abril”. Contudo, Filipa Craveiro salvaguarda que os telefonemas dos estudantes são 1SQTU]YQfUcdUcUTUWQQ`QbQS_]U]_bQb!quot; Q^_c uma minoria”. “A média de idades de quem liga é de 35 anos”, diz Filipa Craveiro, o que comprova que a acção desta secção extra- As festividades culminam com A gala vai contar com um misto de coreo- para deixar um testemunho para o futuro”. vasa o universo estudantil. a apresentação de um grafias musicais, teatro, desporto e um es- Na gala espera–se a presença de parte da O número de atendimento disponível pa- livro dedicado à AAC e uma pectáculo multimédia “que pretende retra- comissão de honra, que é composta por 130 ra apoio é o 808200204 ou o 969554545, gala no teatro académico tar a AAC e os vários contextos que a envol- personalidades ligadas à história da Acade- funcionando entre as 20 horas e a uma da verem desde a fundação até aos dias de ho- mia, desde ex–dirigentes associativos, anti- madrugada, excepto no período das férias je”, sublinha o coordenador das festivida- gos reitores, vencedores do prémio Salgado escolares. O SOS estudante pode ainda ser Rita Matos des, Joel Vasconcelos. O espectáculo vai ser Zenha a nomes ligados ao poder actual co- contactado por correio electrónico, através o culminar das comemorações da Academia mo José Sócrates, Cavaco Silva ou Durão do endereço estudante.sos@gmail.com. A Associação Académica de Coimbra que tiveram início a 24 de Março. Barroso. No final da gala vão ainda ser can- Por Adelaide Baptista e (AAC) celebra a 3 de Novembro, no Teatro Joel Vasconcelos salienta que as come- tados, nos jardins da AAC, os parabéns à Filipa Craveiro Académico de Gil Vicente 120 anos, numa morações contribuíram para que houvesse Academia, seguindo-se um convívio no Clu- gala aberta a todos os estudantes da Uni- “um projecto comum da AAC em que todas be de Rugby. Nota editorial: Ao longo de oito edições versidade de Coimbra. Na preparação do as suas estruturas trabalhassem para o Também no mesmo sítio e no mesmo dia A CABRA manteve esta página dedica- espectáculo estão envolvidas diversas sec- mesmo”. O coordenador do espectáculo re- é apresentado um livro com fotografias e da à história e às secções da casa. Ter- ções culturais e desportivas e organismos fere ainda “que as comemorações não servi- textos dedicados à AAC, da autoria de Ra- mina aqui a homenagem aos 120 anos autónomos ligados à AAC. ram só para evocar o passado mas também fael Marques. da AAC. PUBLICIDADE
  8. 8. 8 A CABRA CIDADE 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 5cdeTQ^dUcY]`ecY_^Q]^UWØSY_TQ^_YdU LILIANA LAGO Quando as aulas acabam, o ritmo acelera e a diversão é o objectivo comum dos estudantes. Empresários da noite falam da importância estudantil no negócio Salvador Cerqueira Saimon Morais Marco Roque “A noite de Coimbra foi sempre a noite dos estudantes”, afirma o professor Amadeu Carvalho Homem, aluno da Universidade de Coimbra na década de 60. A opinião é parti- lhada pelos comerciantes que trabalham du- rante a noite. O gerente do café Couraça, Fausto Cor- reia, crê que cerca de “99 por cento” dos clientes são estudantes e que sem a presença da comunidade estudantil, o conhecido café da Alta “provavelmente não estaria aberto”. A presença dos estudantes nos espaços de convívio nocturno são uma constante em de Coimbra O investigador do Centro de Estudos So- ciais, Elísio Estanque, explica que “a pre- lho Homem, “as noitadas tinham de ser fei- mas adverte que “essas situações não podem Perante a situação utópica de não existir a sença dos estudantes é tão significativa na tas no espaço das repúblicas. As tertúlias de- ser controladas pelos gerentes”. universidade em Coimbra, a maioria dos cidade que os modelos de consumo de deter- corriam também em certos cafés da Praça da Quando os “morcegos” ultrapassam o li- empresários inquiridos, com estabelecimen- minadas actividades sociais possuem os República e na Baixa, onde havia uma ou mite e a diversão se torna preocupação, o tos nas zonas da Alta, Praça da República, contornos que têm”. outra tasca que encerrava mais tarde”. Ac- Instituto Nacional de Emergência Médica avenida Sá da Bandeira e Baixa, conclui que A “estudantada”, termo utilizado por al- tualmente, Estanque considera que “real- (INEM) é chamado a intervir. O consumo de não seria possível manter o negócio. Mário guns dos empresários, desempenha grande mente a crítica e preocupação sociais dos es- álcool em excesso e as eventuais quedas são Coimbra, encarregado de balcão do café influência na criação de empresas, no perío- tudantes se está a perder, o que aconteceu os principais casos que o INEM socorre na Cartola, afirma mesmo que Coimbra seria do de funcionamento e até nos preços prati- graças ao acesso menos restrito à universi- cidade dos estudantes. A delegada regional “uma aldeia com muita casa”. cados. Rute Marinho, secretária da direcção dade e à perspectiva instrumentista que os do instituto, Regina Pimentel, refere que “a da Associação Comercial e Indústrial de jovens têm relativamente aos cursos”. rotina da equipa só é abalada nos dias de Quando a fome aperta à noite Coimbra (ACIC), confirma que “a ausência O encontro dos estudantes de Coimbra em festa. No dia do cortejo da Queima das Fitas, da massa estudantil influencia a restauração espaços nocturnos deriva, de acordo com o por exemplo, atendemos mais de 200 cha- Com cerca de 60 anos, a padaria Mimosa da cidade, como o período de encerramento, sociólogo, do facto de “haver uma crise de madas, mas é normal no dia do desfile”. tem uma forma peculiar de lidar com os que coincide com a época de férias lectivas”. identidade em geral e de o indivíduo preci- Os convívios académicos alteram também noctívagos. “Temos a porta fechada durante O relações públicas da discoteca Vinyl, Hu- sar de se sentir integrado. A ilusão de parti- o ritmo do trabalho da empresa responsável a noite, mas foi–se criando o hábito de bater go Simões, revela que nos dias úteis a pro- lha e de vivência colectiva, essa experiência pela limpeza da cidade, ERSUC (Resíduos à porta e ser atendido, a qualquer hora”, re- gramação do espaço “é confinada aos estu- de comunhão, ocorre sobretudo em momen- Sólidos do Centro, S. A.). Para o rasto de li- fere o sócio–gerente, Adérito Jordão. Se- dantes, com as noites temáticas das terças e tos de exaltação”. xo deixado pelos estudantes após serenatas gundo o responsável, o estabelecimento faz quintas–feiras”. No fim–de–semana, a vida Os distúrbios normalmente associados ao e convívios, a empresa possui já uma estra- sucesso também por “praticar preços acessí- nocturna é habitada pelos naturais de Coim- convívio da noite devem–se essencialmente tégia. O responsável pela empresa, Sílvio veis às bolsas dos estudantes” e por manter bra, que Hugo Simões classifica como “um ao barulho. Situações de vandalismo ou vio- Ramos, esclarece que “assim que se iniciam com eles uma boa relação. A solução para público–alvo completamente diferente”. lência são pouco frequentes. O gerente do as aulas, a quantidade de material utilizado qualquer distúrbio que surja é “chamar a A noite que há cinquenta anos atrás era Bar da Associação Académica de Coimbra aumenta substancialmente. Quando há fes- atenção na altura, até porque às vezes, de passada em locais selectos expandiu–se. An- (BAAC), Tomás Ramalho, admite que “nun- tas, temos sempre uma estrutura preparada, manhã, isto está um pandemónio”, afirma tigamente, como recorda o professor Carva- ca houve um distúrbio sequer no BAAC”, reforçando o número de trabalhadores”. Jordão. 3 respostas de... 1 A população de Coimbra está disponível para aju- dar a comunidade? Há muita gente disponível pa- ra ajudar e a prova disso é o grande núme- ro de grupos de voluntariado que existem. Só no Centro Universitário Manuel da 2 Quais os projectos que têm especial adesão por parte dos jovens? Os jovens participam bastante, talvez pela realidade de Coimbra envolver muito 3 De que modo é que o CUMN se distingue de outras equipas de vo- luntariado? Não tem de se distinguir totalmente. Nóbrega (CUMN) há quatro, no Justiça e crianças, como a casa dos órfãos ou a casa Creio que oferece uma motivação para o Paz há muitos mais e na própria Associa- de infância. Muitos também ajudam no fazer com um sentido de missão de defen- ção Académica existe um grupo de volun- hospital. Creio que muitos voluntários der o cristianismo ou os valores cristãos. tariado. Exemplo disso é o Banco Alimen- vão ao hospital pela dimensão que ele tem Oferece um espaço e experiências. Não é tar que também tem tido bastantes volun- na região. Além disto, nos últimos anos que sejamos melhores ou muito diferen- Filipe Martins tários. tem nascido uma vontade crescente de, tes que outros grupos. O CUMN é mais no Verão, irem para África. um espaço aberto e de acolhimento em Presidente do Centro Universitário Manuel da Nóbrega Coimbra, com grupos diversos onde as Por Salvador Cerqueira e Eunice Oliveira pessoas se podem integrar.
  9. 9. NACIONAL 23 de Outubro de 2007, 3ª feira A CABRA 9 “ 1`UdUSYQ]UWbYdQbz^È_dU^X_]Q]Q{ UbQe]QT_bX_bb_b_cQ ” CÁTIA MONTEIRO Em Portugal, duas em cada dez mulheres sofrem de cancro da mama. A Cabra recolheu testemunhos de quem já passou pela doença Reportagem por Raquel Carvalho Catarina Frias Ana Raquel Melo Catarina Pinto “ P odem perguntar se quando me olho ao espelho gosto de ver. Não, claro que não. Mas já aprendi a amar também aquele lado”, diz Maria Anunciação, educadora de infância, 54 anos. “Aquele lado” é diferente do que foi um dia, ali já não está um seio, mas uma cicatriz que rasga a pele, marca vi- va da existência de um cancro da mama. Foi há 2 anos. O dia corria ligeiro. Nada fazia prever que aquele fosse um dia dife- rente de tantos outros, até que Maria Anun- ciação entrou no banho e, naquele curto es- paço de tempo, sozinha com a água a jorrar pelo corpo, descobre algo de anormal. Atra- vés da palpação, percebeu que tinha um nó- A 30 de Outubro celebra-se o Dia Nacional de Prevençaão do Cancro da Mama dulo na mama. Assim, nasceu a dúvida e a angústia. “Fui logo ao centro de saúde, onde confessa São, como é tratada pelos amigos. São passou pela dor com o apoio do filho, a ter a doença”, afirma. Contudo, Ilda passa me reencaminharam para o laboratório. Aí, Do período da “quimio”, a educadora de “foi o elo mais forte da minha doença, um agora por uma fase estável. Ao longo do tive a confirmação de que era maligno”. infância recorda a frase que ouvia frequen- soldado discreto mas presente”, relembra. tempo, “fui–me abaixo mas levantei–me, O cancro da mama, tal como outros can- temente: “a quimioterapia é um medica- No entanto, recorreu também à ajuda de chorei, ri, enfim...acho que consegui”, con- cros, é traiçoeiro, manhoso, desenvolve–se mento cego, surdo e mudo”, porque mata uma psicóloga. “Ela obrigava–me a pôr tudo fessa. Da doença retirou uma forma mais in- dentro do corpo, de mansinho, em silêncio. células boas e más. Mata aleatoriamente. cá para fora. O medo da dor, porque tem–se tensa de viver a vida, “comecei a querer vi- Segundo a ginecologista, Teresa Rebelo, “o medo de tudo, de um mundo que é subita- ver mais rápido, a dar mais valor às coisas e cancro da mama pode passar despercebido Depois da quimioterapia mente diferente, que cai em cima de nós”, a sentir mais”, conclui Ilda Henriques. durante muito tempo, porque é uma doença Após o tratamento, Maria Anunciação su- recorda. “Passamos a estar resumidos a um O cancro da mama alterou–lhes o corpo, indolor nas fases iniciais e só é detectável fa- jeitou–se a uma mastectomização radical de grande cancro que está na nossa cabeça, nos os sentimentos, o olhar sobre as coisas, a vi- zendo alguns exames de rastreio”. Portanto, um seio. “Na altura, não estava preocupada nossos olhos, nos nossos ouvidos, tudo é da. “Agora gosto muito mais de mim”, diz o auto–exame da mama, a ida regular ao gi- com o lado estético. A única coisa que me cancro”, era este o mundo de São naquela São com a força de alguém que não ficou necologista, a mamografia e a ecografia ma- preocupava era a erradicação total do mal”, fase da doença. A ginecologista, Cristina preso ao passado. Lá atrás, ficou a ideia de mária são cuidados essenciais para que a revela. Ao nível cirúrgico a operação correu Frutuoso, também salienta a importância “mulher invencível”, de “super mu- doença seja detectada precocemente, o que bem, no entanto, Maria teve que enfrentar a do apoio psicológico, “o acompanhamento lher”…Maria Anunciação ganhou, assim, aumenta as probabilidades de cura. perda da mama. “Apetecia–me gritar e dizer deve ser feito durante e após o tratamento”. uma nova forma de vida, situada na frontei- Os cuidados referidos foram todos deixa- a toda a gente ‘não tenho mama’, era assim A fragilidade decorrente da doença advém ra entre os limites impostos pela doença e dos de lado por Silvina Santa Rajado, refor- uma dor horrorosa”. da ausência, que se reflecte no lado mais ín- um infinito que aprendeu a conquistar. mada, 73 anos. “Fiz a primeira mamografia Desde a mastectomização, a reconstrução timo de uma mulher. Da ausência de uma aos 64 anos, até aí não ligava a mamogra- mamária era uma prioridade para Maria, mama, com a qual São tem aprendido a li- fias”, confessa. Nessa altura, foram–lhe contudo, o seu desejo nunca se concretizou. dar. Contudo, “é uma perda que ainda me Associações que ajudam diagnosticados nódulos no seio, mas só há A notícia que se seguiu fê–la abandonar a dói, quando ponho um decote e não posso dois anos os exames revelaram um tumor ideia. São tinha novamente cancro. Desco- pô–lo mais profundo porque se nota”. A Associação Portuguesa de Apoio à maligno. “Depois do resultado da biopsia briu-o no seu local de trabalho. Ali mesmo, Ilda Henriques, 48 anos, também sente Mulher (APAM) com cancro da mama e o disseram–me que tinha de ser operada, ti- explodiu para o mundo. Nesse dia, “eu cho- essa ausência, “ sou uma mulher vaidosa, Movimento Vencer e Viver são algumas nha de fazer radioterapia, mas não seria ne- rei a minha humanidade. Não tive vergonha sempre gostei de usar decote e, de repente, das instituições que prestam auxílio às ví- cessário tirar o peito”. Apesar dos ecos nega- de mostrar a minha humanidade, estava vejo que não posso usar. É claro que faz fal- timas da doença. tivos da palavra cancro, Silvina fala de “sor- triste, estava inconsolável, sentia–me mise- ta”. Esta ausência reflecte–se inevitavel- Apoio a nível hospitalar e domiciliário, te”. A “sorte” de não ter que lidar com a au- rável”, lembra. mente na vida afectiva e sexual da mulher. grupos de apoio e uma linha telefónica sência de uma mama. A “sorte” de não ter Desta vez, São sentiu a doença de uma Nesse sentido, o apoio do marido foi funda- são algumas das funções desempenhadas que se submeter ao doloroso tratamento da forma diferente, já sabia por aquilo que teria mental, “ele quis logo ver a cicatriz, passa a pelo Movimento Vencer e Viver, consti- quimioterapia. de passar novamente. A recuperação foi me- mão no peito como se tivesse mama”. tuído exclusivamente por voluntários. Maria Anunciação não teve essa mesma nos difícil, contudo a dor continuou a ser Por sua vez, a APAM inclui apenas pro- sorte. Com a quimioterapia “perdi o sabor, o imensa. Uma dor que se reflectia em tudo à A vida com a doença fissionais de saúde, que prestam serviços cheiro, a visão ficou afectada, o cabelo, o as- sua volta. Uma dor que expressava nos qua- Ilda convive com o cancro desde 1999, “eu na área da medicina, da enfermagem e da pecto, as unhas ficaram negras, a pele esca- dros que sempre gostou de pintar. Uma dor tinha cancro da mama, eu tenho, porque psicologia, entre outras. mou, ficamos com um aspecto miserável”, difícil de suportar sem apoio psicológico. não há cura para o cancro, a gente continua
  10. 10. 10 A CABRA INTERNACIONAL 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 @_Ø^YQU]UcdQT_;QSji^c[Y @_baeU]eTQ] _c`QÒcUcTU ^_]U/ D.R. Gémeos conseguiram colocar a Polónia no centro das atenções. Especialistas Ana Margarida Gomes consideram que a imagem do Jennifer Lopes país saiu danificada Muitos foram os países que, nos últimos 40 anos, viram o seu nome alterado. Entre Rui Antunes as principais razões que levaram a essa Catarina Domingos mudança, destacam–se as de natureza po- Catarina Fonseca lítica e cultural. Miguel Monjardino, pro- fessor do Instituto de Estudos Políticos da Há 35 anos os gémeos Kaczynski torna- Universidade Católica, refere que “a dife- vam–se conhecidos no grande ecrã através rente ordem política instaurada nos terri- da participação em “Os dois que roubaram tórios é, habitualmente, a razão que leva à a Lua”. Hoje, o filme é outro. Lech e Jaros- adopção de uma nova nomenclatura pela law voltam a ser protagonistas, mas, desta maioria dos países”. vez, na cena política polaca e europeia. Um dos casos que se insere na categoria Derrotado nas legislativas de domingo dos países que viram o seu nome alterado Jaroslaw vai deixar de ser primeiro-min- por razões políticas é o do Zimbabué. Em istro, mas impõe–se uma certeza: a de que 1963, a Federação da África Central desfez- o apelido Kaczynski vai continuar a estar –se. Dela faziam parte a Niassalândia, que presente no poder político do país. com a independência adoptou o nome de Para além do aspecto físico, os gémeos Malawi, a Rodésia do Norte, que passou a têm também linhas ideológicas comuns. chamar–se Zâmbia, e a Rodésia do Sul. Es- Ambos pertencem ao Partido Lei e Justiça ta última só em 1980, com o fim da guerra (PiS) e nos últimos dois anos têm levado a colonial, conquistou a sua independência, cabo uma governação conjunta. Lech, elei- tomando o nome de Zimbabué. Segundo to presidente em 2005, nomeou o irmão Apesar da derrota de Jaroslaw os polacos vão continuar com um Kaczynski no poder Miguel Monjardino, “a mudança de poder Jaroslaw para primeiro–ministro depois da gerou a mudança de nome, dando assim a obscura demissão do então chefe de Gover- Porém, são outras as políticas que ser- Meirelles, “mórbidos”. A especialista recor- entender que o país que aparece é diferen- no, Kazimierz Marcinkiewicz. vem de bandeira aos gémeos, como o forta- da o último Conselho Europeu onde os di- te do ponto de vista político”. “Populistas, de extrema–direita, com um lecimento da economia, através da redução plomatas polacos disseram que se Alema- Outro caso de relevo é o do Myanmar discurso nacionalista”, é assim que a espe- do défice e do desemprego, e o combate à nha não tivesse morto 30 milhões de ju- que, até Junho de 1989, era denominado cialista em assuntos europeus, Isabel Mei- corrupção. José Goulão fala numa “grande deus, hoje a Polónia teria uma população pelas autoridades desse país de Birmânia. relles, define os líderes polacos. Já José capacidade de intervenção relativamente idêntica. António Gama Mendes, docente de Goulão, jornalista perito em política inter- às políticas económicas mundiais”. No en- A impopularidade polaca ultrapassa as Geografia Política da Faculdade de Letras nacional, classifica os Kaczynski como tanto, atenta que os Kaczynski “defendem fronteiras comunitárias. A Rússia é um dos da Universidade de Coimbra, afirma que “a “uma versão actualizada daquilo que foi o um capitalismo selvagem, um crescimento rivais por excelência dos Kaczynski, que mudança de estatuto político levou à alte- ciclo de Lech Walesa [primeiro líder do pe- económico a todo o custo, sem atender aos têm impedido um acordo entre os 27 e o ração do nome Birmânia, designação que ríodo pós–comunista] ”. João Carlos Barra- problemas sociais que possam ser criados”. executivo de Putin. A Cimeira UE–Rússia lhe foi atribuída durante a colonização in- das, comentador de política internacional que se realiza em Mafra, na próxima sexta- glesa, para Myanmar.” Esta modificação, da TSF, recorda que os irmãos “vêm dos “Polónia non grata” dificulta –feira, 26, pode mesmo estar condenada ao que reflecte um posicionamento político círculos mais conservadores da direita”. estabilidade europeia fracasso devido à intransigência polaca. particular, é, ainda hoje, contestada por ter “Tiveram um contributo para um carácter As relações entre a Polónia e a União Eu- José Goulão considera que quando é ne- sido imposta por um regime militar não ainda mais xenófobo da política na Poló- ropeia (UE) deterioraram–se com a chega- cessária unanimidade os gémeos “podem eleito. nia”, acrescenta. da ao poder do presidente Lech Kaczynski. ser um grande problema”. Porém deixa o A República Democrática do Congo viu A tendência para a xenofobia não é a úni- Nos últimos tempos a Polónia chegou a aviso que a era Kaczynski não vai durar pa- também o seu nome alterado por diversas ca das linhas controversas, já que os irmãos ameaçar boicotar algumas medidas euro- ra sempre. “A Europa não pode ser drama- vezes. Congo, no início, toma a designação pretendem eliminar a herança comunista e peias, inclusivamente o novo Tratado Re- ticamente afectada por uma ‘passagem pro- de Zaire em 1971, devido à política de “afri- desenvolver uma “revolução moral” de ín- formador. visória’”, preconiza Goulão. canização” que proibia nomes ocidentais e dole conservadora. José Goulão afirma que “São pelos interesses da Polónia e contra cristãos. Em 1997, o nome muda para Re- os gémeos “são contra direitos sociais ad- a União Europeia”. Isabel Meirelles sinteti- pública Democrática do Congo. Gama quiridos como o aborto”. Também João za desta forma a postura dos gémeos face à A palavra de Durão Mendes aponta estas mudanças como von- Carlos Barradas lembra que a Polónia se comunidade. José Goulão partilha da opi- O presidente da Comissão Europeia, tade de reforço da identidade nacional. recusou a participar no dia europeu contra nião, classificando o partido do Governo Durão Barroso, defende a Polónia dizen- Os casos anteriormente referidos são de a pena de morte. O comentador recorda como “autoritário e eurocéptico, o que po- do que “no que diz respeito aos direitos países que, após conquistarem a sua inde- ainda “as campanhas contra homossexuais de criar problemas na integração plena da fundamentais é um país que, até hoje, pendência, adoptaram novos nomes. No na função pública por parte do executivo de Polónia na UE”. O jornalista acrescenta que tem vindo a cumprir todos os seus com- entanto, o docente refere que “outros há Jaroslaw Kaczynski”. os Kaczynski “são claramente desconfiados promissos”. Barroso remete até para os que se formaram mantendo o nome que A maioria da população corrobora as me- acerca do Tratado Constitucional e dos for- indicadores do eurobarómetro que dizem lhes era atribuído enquanto regiões não au- didas do poder bicéfalo. José Goulão expli- matos de funcionamento da UE”. que “a opinião pública na Polónia é uma tónomas”. Entre esses têm–se como exem- ca que “a essência conservadora polaca é No seio da UE, a Polónia vai cultivando das mais pró–europeias”. plos Timor–Leste e a Bielorússia, dois paí- fruto de uma realidade que se caracteriza disputas particulares. A Alemanha é um Quanto às posições xenófobas assumi- ses que mantiveram a designação pela qual por uma população obrigada à hierarquia dos países mais hostilizados pelos gémeos. das pelos líderes polacos Barroso é pe- eram conhecidos antes da independência. católica”. O jornalista acrescenta que “a Po- Apesar da tentativa de Angela Merkel de remptório ao afirmar: “houve declara- Miguel Monjardino conclui que “a prin- lónia é o país onde mais se verifica uma as- apaziguar os ânimos, a Polónia tem vindo a ções infelizes de alguns responsáveis po- cipal razão para as mudanças de nome dos sociação política e social à Igreja Católica, defender um menor peso dos germânicos líticos que obviamente não podemos diversos países é a vontade de afirmação com forte influência nas massas conserva- nas instituições comunitárias. Os argumen- subscrever”. dos regimes que neles estiveram em vi- doras”. tos utilizados são, no entender de Isabel gor”.
  11. 11. Ce`U]U^d_1312B1 UT^Ÿ!'! (Bilh ete G : eral 33 e uros)

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