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Revista Unipampa_Revolução_Alegrete_Paulo Pimenta_Mainardi

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Caminho para o desenvolvimento 
A Fronteira Oeste e a Campanha estão entre 
as regiões com menor grau de desenvolvimento 
do País. Com a economia baseada na produção 
primária, apresentam um baixo grau de indus-trialização. 
Por isso, sofrem, ao longo das últimas 
décadas, de um grande esvaziamento. Muitos do 
que deixavam suas cidades partiam em busca da 
formação acadêmica. As universidades existentes 
eram todas privadas. 
Ambiente favorável para sediar uma das 18 
novas universidades federais criadas pelos gover-nos 
Lula/Dilma dentro do Programa de Expansão 
do Ensino Universitário. Oportunidade logo per-cebida 
pelo deputado federal Paulo Pimenta 
e pelo então prefeito de Bagé, Luiz Fernando 
Mainardi, que seguiram orientação do atual go-vernador 
Tarso Genro que, como Ministro da Edu-cação, 
sugeriu uma ampla mobilização para inse-rir 
as duas regiões na pauta do Governo Federal. 
O Brasil mudou muito nos últimos anos. São 
sete milhões de alunos nas universidades, 49 mil 
escolas em tempo integral, 422 escolas técnicas 
federais, além de mais de R$ 200 bilhões que se-rão 
destinados à educação nos próximos 10 anos, 
com o investimento em educação chegando a 10% 
do PIB (hoje ele é de 6,4%). As pessoas também 
estão sendo melhor qualificadas por meio do Pro-grama 
Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao 
Emprego (Pronatec), que já ofertou oito milhões 
de vagas, com R$ 14 bilhões de investimento e 
6,8 milhões de inscritos. 
E a nossa região, a partir da conquista da 
Unipampa, instalada em dez municípios, também 
começa a mudar. 
Afinal, como disse o presidente Lula, em 
Bagé, no dia 27 de julho de 2005, quando anun-ciou 
a criação de nossa universidade: “Atrás de 
uma universidade vai o conhecimento, vai a pos-sibilidade 
de desenvolvimento, vai a geração de 
emprego e vai a formação de gente pobre que 
nunca sonhou fazer uma universidade”. 
Nas próximas páginas contaremos a história 
da conquista e as transformações que a Unipam-pa 
está produzindo no Pampa Gaúcho.
Conquista que veio das ruas 
Até a publicação da Lei Federal nº 11.640, 
de 11 de janeiro de 2008, que criou a Unipam-pa, 
um longo caminho precisou ser percorrido. A 
ampla mobilização popular realizada entre os me-ses 
de abril e julho de 2005 em 23 municípios da 
Fronteira Oeste e Campanha, que levou mais de 
70 mil pessoas às ruas, foi decisiva. 
Tudo começou quando a direção da Univer-sidade 
da Região da Campanha (Urcamp), bus-cando 
alternativas para enfrentar uma das piores 
crises da instituição em seus 50 anos de vida, 
procurou o então prefeito de Bagé, Luiz Fernando 
Mainardi, e o deputado federal Paulo Pimenta. 
O professor Arno Cunha, que ocupava a 
reitoria, relatou a Mainardi e Pimenta a afli-tiva 
situação no dia 27 de fevereiro de 2005. 
Os dois entraram em campo e marcaram 
agenda com Tarso Genro, que era ministro da 
Educação. A Urcamp queria apoio para um plano 
de estabilização que encaminhasse solução para 
a dívida de R$ 50 milhões e permitisse captar re-cursos 
para um programa de investimentos que 
levassem à modernização. 
No encontro do dia 10 de março, Tarso pro-pôs 
duas medidas. A curto prazo, com apoio dos 
técnicos do MEC, a elaboração de um plano de 
captação de verbas juntos às agências oficiais de 
financiamento. A médio prazo, a mobilização para 
incluir a universidade no Plano de Expansão do 
Ensino Universitário, que começava a ser gestado 
pelo Governo Federal. 
As propostas foram apresentadas ao Conse-lho 
da Fundação Atilla Taborda, mantenedora da 
Urcamp, no dia 24 de março e uma semana de-pois 
estava formada a Comissão de Mobilização. 
O primeiro ato público pela federalização da Ur-camp 
aconteceu no Ginásio Corujão, em Bagé, no 
16 de maio, reunindo cerca de três mil pessoas.
Mobilização tomou as cidades 
A partir do primeiro ato, o movimento to-mou 
os 23 municípios da área de abrangência 
das Urcamp. Caminhadas, carreatas, mateadas 
e comícios foram realizados em toda a região, 
levando milhares de pessoas às ruas para reivin-dicar 
a federalização da Urcamp. Foi, sem dúvi-das, 
o maior movimento popular já realiza-do 
na região. 
Diante das dificuldades legais e institucio-nais 
de federalização da Urcamp, a luta foi dire- 
O grande dia 
O dia 27 de julho de 2005 vai entrar 
para a História da região. Nesta data, Lula, 
diante de aproximadamente 40 mil pes-soas, 
reunidas na Praça Silveira Martins, 
anunciou a criação da Unipampa, hoje con-siderada 
uma das maiores obras já realiza-das 
por um governo em favor do desenvolvi-mento 
da Metade Sul do Rio Grande do Sul. 
Bagé se preparou e se enfeitou para rece-ber 
as milhares de pessoas que vieram de 22 
municípios e que estavam integradas ao movi-mento 
que superou barreiras ideológicas, reli-giosas 
e até clubísticas. Era uma luta de todos 
cionada para a conquista de uma Universidade 
Federal para a região. 
O movimento deu certo. Mainardi, Pi-menta 
e Arno, acompanhados de Tarso, 
mantiveram, audiência com Lula no dia 14 
de junho, em Brasília, data em que foi confir-mada 
a presença do presidente da República em 
Bagé, no dia 27 de julho, para anunciar a criação 
da Universidade Federal do Pampa. 
e para todos. Mais de 250 ônibus se dirigiram 
a Bagé levando pessoas que queriam ser prota-gonistas 
de uma conquista que mudaria suas vi-das, 
as vidas de suas cidades e a vida da região. 
Em Bagé, Mainardi decretou ponto faculta-tivo 
na Prefeitura e garantiu passe livre no trans-porte 
municipal. O comércio e os bancos fecha-ram 
no início da tarde. 
O povo não se decepcionou. Lula anun-ciou, 
naquela tarde ensolarada de inverno, que 
Bagé e região teriam uma universidade. Foi uma 
grande festa que os que lá estavam até hoje não 
esquecem e nem esquecerão.
Ex-alunos acompanham crescimento 
do mercado imobiliário 
No Alegrete, como dizem os nativos, dois jo-vens 
formados em engenharia civil na Unipampa 
têm a dimensão exata do que representa a uni-versidade 
na vida deles e da região. Na prática, 
atestam o crescimento pelo qual vem passando a 
cidade e, em especial, o ramo imobiliário. 
Funcionários da Prefeitura Municipal, Ricar-do 
Rodrigues, 27 anos, e Alisson Cooper, 26 anos, 
praticamente todos os dias avaliam projetos de 
novas edificações. 
Pequenas obras e adaptações em terrenos 
vazios ou pátios de residências logo se transfor-mam 
em dezenas de moradias e abrigam cente-nas 
de estudantes de todas as partes do País. 
Na maioria dos campi – são cinco na Fron-teira 
Oeste e cinco na Campanha – metade dos 
alunos, é de fora das cidades-sede ou de outros 
estados. O restante vem do próprio município ou 
de cidades próximas. 
Diversificação da matriz econômica 
a partir do conhecimento e da tecnologia 
Professor da Unipampa de Alegrete desde 
2007, Alessandro Girardi dirige a universidade 
desde 2012 e conhece os desafios que tem pela 
frente. Numa instituição federal de ensino com 
1,5 mil alunos, enxerga na diversificação econô-mica 
a partir do conhecimento e da tecnologia 
um dos grandes trunfos do futuro na região. 
Aposta no polo tecnológico PampaTec, par-ceria 
com o Estado, como forma de manter os 
egressos trabalhando e gerando renda à cidade. 
Nos grandes centros, a saturação de mer-cados 
em algumas áreas indica que a criação 
de postos de trabalho qualificados no interior é 
a saída para reorganizar as cidades, acredita o 
diretor. 
“Pra onde vão os alunos que saem da uni-versidade? 
É uma pergunta para a qual estamos 
tentando encontrar a resposta e o caminho. Por 
que não gerar empregos com qualificação e mer-cado 
depois da formação. Apostamos no Pampa- 
Tec”, confirma. 
Fornecer a estrutura para trabalhar a custo 
baixo é o que quer qualquer empresa ou ideia de 
negócio. O projeto prevê ainda um condomínio 
empresarial cujo foco são os cursos oferecidos.
Unipampa dá outra cara ao Alegrete 
Em oito anos, a Unipampa foi responsável 
pela duplicação da oferta de empregos em Alegre-te: 
saiu de 2,5 mil para cinco mil postos de traba-lho. 
Obras da instituição e da própria construção 
em civil para abrigar alunos deram ânimo à paca-ta 
cidade da Fronteira Oeste. 
Por ano, apenas com salários de servidores 
a Unipampa injeta R$ 12 milhões no município, 
mais outro R$ 1,5 milhão com contratados. As 
principais obras do campus totalizam R$ 14 mi-lhões 
e são executadas por empresas da cidade. 
O ingresso de 1,5 mil universitários, 77 pro-fessores 
e pelo menos 100 servidores efetivos e 
Da China 
para o Brasil 
O professor de engenharia mecânica Wang 
Chong, 57 anos, é um deles. De Pequim, capital 
da China, veio para o Brasil em 1992. Morou em 
São Carlos, interior de São Paulo, lecionou em 
universidade privada e em 1998 começou a dar 
aulas na Unijuí, no Rio Grande do Sul. 
Na da Unipampa, onde hoje dá aula, não é 
só a aparência que denota a origem oriental. O 
caminhar apurado, como se a pressa o acompa-nhasse, 
guarda paralelo com crescimento do seu 
país, uma das maiores economias do mundo e 
parceiro do Brasil nos Brics. 
“Lá, as coisas voam. Podem construir uma 
ponte num final de semana. Sei que aqui as coisas 
são um pouco diferentes. Tudo é discutido. Mas a 
infraestrutura melhorou consideravelmente nos 
últimos anos. Ainda não acompanhou o ritmo do 
País, mas chegará lá”, acredita. 
outros terceirizados mudou a rotina da prefeitura, 
centrada historicamente na receita vinda do cam-po, 
explica a vice-prefeita Maria de Fátima Mulaz-zani, 
53 anos. 
Conhecida como Preta, ela afirma que o cus-teio 
à permanência desses jovens e funcionários 
na cidade, a diversidade cultural, necessidades 
de moradia, infraestrutura urbana e de lazer alte-raram 
inclusive o panorama social. 
“Neste período, conquistamos importantes 
recursos para projetos estruturantes, como o res-taurante 
universitário, a casa do estudante (em 
construção), o que vai possibilitar melhores condi-ções 
ao alunos de outros estados, além de quali-ficar 
o trabalho com novos laboratórios e salas de 
aula em total de 14 mil metros² a serem concluí-dos 
em breve”. 
Os alunos vêm de todas as classes sociais. 
“Já temos gente formada e concursada trabalhan-do 
na administração municipal. Eles não teriam 
oportunidade de estudar e realizar o sonho de 
cursar um ensino superior não fosse a Unipam-pa”, 
conclui Preta.
Universidade em construção 
Desde o dia 15 de setembro de 2006, quan-do 
o então ministro da Educação, Fernando Hadad, 
hoje prefeito de São Paulo, proferiu a aula inaugu-ral 
da Unipampa, no município de Bagé, a universi-dade 
vem num constante processo de construção. 
Muitas obras já foram feitas. Muitos equipamentos 
adquiridos. 
Mas ainda há um caminho a percorrer, que 
vem sendo palmilhado de acordo com a grandeza 
do projeto. Não é uma universidade qualquer. É, na 
verdade, uma universidade que se constrói na di-versidade 
do Pampa, com interação para além dos 
dez municípios em que está instalada, pois desen-volve 
ações em todo o seu entorno. 
Somente entre os anos de 2009, época em 
que a Unipampa se desvinculou das Universida-des 
Federais de Santa Maria e Pelotas, e o pri-meiro 
semestre de 2014, já foram investidos R$ 
238.799.142,36, dos quais R$ 129.563.838,78 
em obras e R$ 109.235.303,58 em equipamentos. 
A folha de pagamento saiu de R$ 1.400.898,95 em 
agosto de 2008 para R$ 12.807.291,82 no mês de 
agosto deste ano. Cresceu mais do que dez vezes, 
o que bem dimensiona a expansão da Unipampa. 
Os reflexos são sentidos de forma direta em 
todas as cidades em que estão instalados os cam-pus 
da nova universidade. E não são apenas de 
ordem econômica. Lideranças empresariais e po-líticas 
atestam que houve grandes transformações 
sociais e culturais nos municípios. 
Lula, Tarso, Mainardi e Pimenta estavam 
certos quando apostaram na criação da Uni-pampa. 
Estrutura básica está montada 
A estrutura física básica da Uni-pampa 
já está montada. Prédios e la-boratórios, 
com equipamentos de pri-meira 
linha, funcionam a pleno. Neste 
momento, estão sendo implantados os 
restaurantes universitários e começa-ram 
a ser construídas as casas de es-tudantes. 
Quatro restaurantes já funcio-nam 
e, até o final do ano, começam a 
operar mais dois, um em Bagé e outro 
em Dom Pedrito. Para o campus de 
Uruguaiana, que funciona em prédio 
adquirido da PUC, está em fase de con-tratação 
da empresa que servirá as re-feições 
a preços subsidiados. 
As obras das casas dos estudan-tes 
estão acontecendo. Cada campus 
terá uma casa. Em Santana do Livra-mento, 
cidade onde a instituição não 
possui terreno, foi locado um imóvel, 
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  • 1. Caminho para o desenvolvimento A Fronteira Oeste e a Campanha estão entre as regiões com menor grau de desenvolvimento do País. Com a economia baseada na produção primária, apresentam um baixo grau de indus-trialização. Por isso, sofrem, ao longo das últimas décadas, de um grande esvaziamento. Muitos do que deixavam suas cidades partiam em busca da formação acadêmica. As universidades existentes eram todas privadas. Ambiente favorável para sediar uma das 18 novas universidades federais criadas pelos gover-nos Lula/Dilma dentro do Programa de Expansão do Ensino Universitário. Oportunidade logo per-cebida pelo deputado federal Paulo Pimenta e pelo então prefeito de Bagé, Luiz Fernando Mainardi, que seguiram orientação do atual go-vernador Tarso Genro que, como Ministro da Edu-cação, sugeriu uma ampla mobilização para inse-rir as duas regiões na pauta do Governo Federal. O Brasil mudou muito nos últimos anos. São sete milhões de alunos nas universidades, 49 mil escolas em tempo integral, 422 escolas técnicas federais, além de mais de R$ 200 bilhões que se-rão destinados à educação nos próximos 10 anos, com o investimento em educação chegando a 10% do PIB (hoje ele é de 6,4%). As pessoas também estão sendo melhor qualificadas por meio do Pro-grama Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec), que já ofertou oito milhões de vagas, com R$ 14 bilhões de investimento e 6,8 milhões de inscritos. E a nossa região, a partir da conquista da Unipampa, instalada em dez municípios, também começa a mudar. Afinal, como disse o presidente Lula, em Bagé, no dia 27 de julho de 2005, quando anun-ciou a criação de nossa universidade: “Atrás de uma universidade vai o conhecimento, vai a pos-sibilidade de desenvolvimento, vai a geração de emprego e vai a formação de gente pobre que nunca sonhou fazer uma universidade”. Nas próximas páginas contaremos a história da conquista e as transformações que a Unipam-pa está produzindo no Pampa Gaúcho.
  • 2. Conquista que veio das ruas Até a publicação da Lei Federal nº 11.640, de 11 de janeiro de 2008, que criou a Unipam-pa, um longo caminho precisou ser percorrido. A ampla mobilização popular realizada entre os me-ses de abril e julho de 2005 em 23 municípios da Fronteira Oeste e Campanha, que levou mais de 70 mil pessoas às ruas, foi decisiva. Tudo começou quando a direção da Univer-sidade da Região da Campanha (Urcamp), bus-cando alternativas para enfrentar uma das piores crises da instituição em seus 50 anos de vida, procurou o então prefeito de Bagé, Luiz Fernando Mainardi, e o deputado federal Paulo Pimenta. O professor Arno Cunha, que ocupava a reitoria, relatou a Mainardi e Pimenta a afli-tiva situação no dia 27 de fevereiro de 2005. Os dois entraram em campo e marcaram agenda com Tarso Genro, que era ministro da Educação. A Urcamp queria apoio para um plano de estabilização que encaminhasse solução para a dívida de R$ 50 milhões e permitisse captar re-cursos para um programa de investimentos que levassem à modernização. No encontro do dia 10 de março, Tarso pro-pôs duas medidas. A curto prazo, com apoio dos técnicos do MEC, a elaboração de um plano de captação de verbas juntos às agências oficiais de financiamento. A médio prazo, a mobilização para incluir a universidade no Plano de Expansão do Ensino Universitário, que começava a ser gestado pelo Governo Federal. As propostas foram apresentadas ao Conse-lho da Fundação Atilla Taborda, mantenedora da Urcamp, no dia 24 de março e uma semana de-pois estava formada a Comissão de Mobilização. O primeiro ato público pela federalização da Ur-camp aconteceu no Ginásio Corujão, em Bagé, no 16 de maio, reunindo cerca de três mil pessoas.
  • 3. Mobilização tomou as cidades A partir do primeiro ato, o movimento to-mou os 23 municípios da área de abrangência das Urcamp. Caminhadas, carreatas, mateadas e comícios foram realizados em toda a região, levando milhares de pessoas às ruas para reivin-dicar a federalização da Urcamp. Foi, sem dúvi-das, o maior movimento popular já realiza-do na região. Diante das dificuldades legais e institucio-nais de federalização da Urcamp, a luta foi dire- O grande dia O dia 27 de julho de 2005 vai entrar para a História da região. Nesta data, Lula, diante de aproximadamente 40 mil pes-soas, reunidas na Praça Silveira Martins, anunciou a criação da Unipampa, hoje con-siderada uma das maiores obras já realiza-das por um governo em favor do desenvolvi-mento da Metade Sul do Rio Grande do Sul. Bagé se preparou e se enfeitou para rece-ber as milhares de pessoas que vieram de 22 municípios e que estavam integradas ao movi-mento que superou barreiras ideológicas, reli-giosas e até clubísticas. Era uma luta de todos cionada para a conquista de uma Universidade Federal para a região. O movimento deu certo. Mainardi, Pi-menta e Arno, acompanhados de Tarso, mantiveram, audiência com Lula no dia 14 de junho, em Brasília, data em que foi confir-mada a presença do presidente da República em Bagé, no dia 27 de julho, para anunciar a criação da Universidade Federal do Pampa. e para todos. Mais de 250 ônibus se dirigiram a Bagé levando pessoas que queriam ser prota-gonistas de uma conquista que mudaria suas vi-das, as vidas de suas cidades e a vida da região. Em Bagé, Mainardi decretou ponto faculta-tivo na Prefeitura e garantiu passe livre no trans-porte municipal. O comércio e os bancos fecha-ram no início da tarde. O povo não se decepcionou. Lula anun-ciou, naquela tarde ensolarada de inverno, que Bagé e região teriam uma universidade. Foi uma grande festa que os que lá estavam até hoje não esquecem e nem esquecerão.
  • 4. Ex-alunos acompanham crescimento do mercado imobiliário No Alegrete, como dizem os nativos, dois jo-vens formados em engenharia civil na Unipampa têm a dimensão exata do que representa a uni-versidade na vida deles e da região. Na prática, atestam o crescimento pelo qual vem passando a cidade e, em especial, o ramo imobiliário. Funcionários da Prefeitura Municipal, Ricar-do Rodrigues, 27 anos, e Alisson Cooper, 26 anos, praticamente todos os dias avaliam projetos de novas edificações. Pequenas obras e adaptações em terrenos vazios ou pátios de residências logo se transfor-mam em dezenas de moradias e abrigam cente-nas de estudantes de todas as partes do País. Na maioria dos campi – são cinco na Fron-teira Oeste e cinco na Campanha – metade dos alunos, é de fora das cidades-sede ou de outros estados. O restante vem do próprio município ou de cidades próximas. Diversificação da matriz econômica a partir do conhecimento e da tecnologia Professor da Unipampa de Alegrete desde 2007, Alessandro Girardi dirige a universidade desde 2012 e conhece os desafios que tem pela frente. Numa instituição federal de ensino com 1,5 mil alunos, enxerga na diversificação econô-mica a partir do conhecimento e da tecnologia um dos grandes trunfos do futuro na região. Aposta no polo tecnológico PampaTec, par-ceria com o Estado, como forma de manter os egressos trabalhando e gerando renda à cidade. Nos grandes centros, a saturação de mer-cados em algumas áreas indica que a criação de postos de trabalho qualificados no interior é a saída para reorganizar as cidades, acredita o diretor. “Pra onde vão os alunos que saem da uni-versidade? É uma pergunta para a qual estamos tentando encontrar a resposta e o caminho. Por que não gerar empregos com qualificação e mer-cado depois da formação. Apostamos no Pampa- Tec”, confirma. Fornecer a estrutura para trabalhar a custo baixo é o que quer qualquer empresa ou ideia de negócio. O projeto prevê ainda um condomínio empresarial cujo foco são os cursos oferecidos.
  • 5. Unipampa dá outra cara ao Alegrete Em oito anos, a Unipampa foi responsável pela duplicação da oferta de empregos em Alegre-te: saiu de 2,5 mil para cinco mil postos de traba-lho. Obras da instituição e da própria construção em civil para abrigar alunos deram ânimo à paca-ta cidade da Fronteira Oeste. Por ano, apenas com salários de servidores a Unipampa injeta R$ 12 milhões no município, mais outro R$ 1,5 milhão com contratados. As principais obras do campus totalizam R$ 14 mi-lhões e são executadas por empresas da cidade. O ingresso de 1,5 mil universitários, 77 pro-fessores e pelo menos 100 servidores efetivos e Da China para o Brasil O professor de engenharia mecânica Wang Chong, 57 anos, é um deles. De Pequim, capital da China, veio para o Brasil em 1992. Morou em São Carlos, interior de São Paulo, lecionou em universidade privada e em 1998 começou a dar aulas na Unijuí, no Rio Grande do Sul. Na da Unipampa, onde hoje dá aula, não é só a aparência que denota a origem oriental. O caminhar apurado, como se a pressa o acompa-nhasse, guarda paralelo com crescimento do seu país, uma das maiores economias do mundo e parceiro do Brasil nos Brics. “Lá, as coisas voam. Podem construir uma ponte num final de semana. Sei que aqui as coisas são um pouco diferentes. Tudo é discutido. Mas a infraestrutura melhorou consideravelmente nos últimos anos. Ainda não acompanhou o ritmo do País, mas chegará lá”, acredita. outros terceirizados mudou a rotina da prefeitura, centrada historicamente na receita vinda do cam-po, explica a vice-prefeita Maria de Fátima Mulaz-zani, 53 anos. Conhecida como Preta, ela afirma que o cus-teio à permanência desses jovens e funcionários na cidade, a diversidade cultural, necessidades de moradia, infraestrutura urbana e de lazer alte-raram inclusive o panorama social. “Neste período, conquistamos importantes recursos para projetos estruturantes, como o res-taurante universitário, a casa do estudante (em construção), o que vai possibilitar melhores condi-ções ao alunos de outros estados, além de quali-ficar o trabalho com novos laboratórios e salas de aula em total de 14 mil metros² a serem concluí-dos em breve”. Os alunos vêm de todas as classes sociais. “Já temos gente formada e concursada trabalhan-do na administração municipal. Eles não teriam oportunidade de estudar e realizar o sonho de cursar um ensino superior não fosse a Unipam-pa”, conclui Preta.
  • 6. Universidade em construção Desde o dia 15 de setembro de 2006, quan-do o então ministro da Educação, Fernando Hadad, hoje prefeito de São Paulo, proferiu a aula inaugu-ral da Unipampa, no município de Bagé, a universi-dade vem num constante processo de construção. Muitas obras já foram feitas. Muitos equipamentos adquiridos. Mas ainda há um caminho a percorrer, que vem sendo palmilhado de acordo com a grandeza do projeto. Não é uma universidade qualquer. É, na verdade, uma universidade que se constrói na di-versidade do Pampa, com interação para além dos dez municípios em que está instalada, pois desen-volve ações em todo o seu entorno. Somente entre os anos de 2009, época em que a Unipampa se desvinculou das Universida-des Federais de Santa Maria e Pelotas, e o pri-meiro semestre de 2014, já foram investidos R$ 238.799.142,36, dos quais R$ 129.563.838,78 em obras e R$ 109.235.303,58 em equipamentos. A folha de pagamento saiu de R$ 1.400.898,95 em agosto de 2008 para R$ 12.807.291,82 no mês de agosto deste ano. Cresceu mais do que dez vezes, o que bem dimensiona a expansão da Unipampa. Os reflexos são sentidos de forma direta em todas as cidades em que estão instalados os cam-pus da nova universidade. E não são apenas de ordem econômica. Lideranças empresariais e po-líticas atestam que houve grandes transformações sociais e culturais nos municípios. Lula, Tarso, Mainardi e Pimenta estavam certos quando apostaram na criação da Uni-pampa. Estrutura básica está montada A estrutura física básica da Uni-pampa já está montada. Prédios e la-boratórios, com equipamentos de pri-meira linha, funcionam a pleno. Neste momento, estão sendo implantados os restaurantes universitários e começa-ram a ser construídas as casas de es-tudantes. Quatro restaurantes já funcio-nam e, até o final do ano, começam a operar mais dois, um em Bagé e outro em Dom Pedrito. Para o campus de Uruguaiana, que funciona em prédio adquirido da PUC, está em fase de con-tratação da empresa que servirá as re-feições a preços subsidiados. As obras das casas dos estudan-tes estão acontecendo. Cada campus terá uma casa. Em Santana do Livra-mento, cidade onde a instituição não possui terreno, foi locado um imóvel, que já abriga alunos.
  • 7. Cursos estão em fase de consolidação Recebendo 3.120 alunos por ano, a Unipam-pa saiu de 30 cursos de graduação que funcio-navam em 2006 para os atuais 63. Estes se en-contram em fase de consolidação. Os que foram avaliados até agora obtiveram notas entre 4 e 5. Uma excelente avaliação se levarmos em conside-ração que a nota máxima é 5. Hoje são cerca de 12 mil alunos, sendo 11 mil em cursos de graduação e mil na pós-gradua-ção. Mas, ainda há espaço físico para abrigar novas vagas. Para isso, é necessário obter sucesso nas pactuações negociadas junto ao Ministério da Edu-cação para aumentar a oferta de cursos noturnos. No horizonte da criação de novos, a universi-dade trabalha com a perspectiva de montar cursos de Medicina e Direito, projetos que também con-tam com o apoio de Pimenta e Mainardi. Cerca de 2.500 alunos formados A Unipampa, que conta, hoje, com 716 pro-fessores e 696 servidores, já formou 2.481 alunos desde 2010. Somente em 2013 foram graduados 727 estudantes. Com 63 cursos de graduação, a universidade tem hoje com cerca de 9,9 mil estu-dantes, devendo abrigar, quando estiver efetiva-mente implantada, 12 mil estudantes. A instituição mantem 781 alunos bolsistas, sendo 208 na área de ensino, 251 na extensão e 322 em pesquisa. O acervo das bibliotecas é de aproximadamente 190 mil exemplares, entre livros, periódicos e outras mídias. Em todas as unidades, funcionam 81 grupos de pesquisas que desenvolvem 803 projetos, 16 cursos de especialização e a produção científica já alcançou a soma de 2.681 trabalhos.
  • 8. A Unipampa é de todos e para todos Se tem uma coisa de que nós não nos arre-pendemos é do nosso envolvimento no processo que resultou na conquista de uma Universidade Federal para nossa região. Este era um sonho de nossa ge-ração que se transformou em bandeira de lutas des-de à época em que, jovens estudantes, liderávamos o movimento estudantil em Santa Maria e Bagé. E uma possibilidade concreta para impulsionar o crescimento da Campanha e da Fronteira Oeste. Quando aceitamos o desafio proposto pelo mi-nistro Tarso e passamos a coordenar a ampla mobi-lização que tomou conta da região estávamos con-vencidos de que esta era uma das mais importantes contribuições que poderíamos oferecer para o nosso desenvolvimento. Foi com esta certeza que nos jo-gamos de cabeça e corpo nesta empreitada, cientes do papel de homens públicos comprometidos com as transformações necessárias para que o Brasil e o Rio Grande avancem cada vez mais. Percorremos milhares de quilômetros viajando por 23 cidades. Participamos de dezenas de reuniões nos municípios, em Porto Alegre e Brasília. Estivemos com o presidente Lula, com o então ministro Tarso Genro e seus assessores no Ministério da Educação. Mas, não cansamos. Pelo contrário, cada atividade nos dava a certeza de que o caminho era esse e que estávamos no rumo certo. No dia 27 de julho de 2005, em Bagé, quando ouvimos o presidente Lula anunciar a criação da Uni-pampa, vibramos junto com as 40 mil pessoas que tomavam a Praça Silveira Martins e várias quadras da Avenida Sete de Setembro. Hoje, ao voltar a estes municípios e presenciar os avanços já produzidos em menos de uma década, conversar com pessoas que mudaram suas vi-das, receber agradecimentos de pais e familiares que conseguiram ver os sonhos de filhos e parentes reali-zados, nos damos conta da grandeza do que foi a con-quista da Unipampa. Não devemos e nem podemos esquecer o apoio estimulador do atual governador Tarso Genro. Foi ele que, na condição de ministro de Educação orientou os nossos passos, fazendo com que o nosso norte esti-vesse em consonância com a política do Governo Fe-deral. Tarso é parte importante desta conquista. Devemos, por outro lado e por um dever de justi-ça, reconhecer que não fosse a sensibilidade do presi-dente Lula não teríamos esta conquista. Um operário, portador de diploma de curso técnico, que vislumbrou nos investimentos em educação uma alternativa para o desenvolvimento do País e, acima de tudo, de inclu-são social, é o grande responsável por tudo isso. Política, aliás, que tem continuidade com a pre-sidenta Dilma, que ampliou os repasses para a educa-ção e que também sabe da importância da emancipa-ção dos pobres e menos favorecidos, caminho que fica mais curto com a formação e qualificação profissional. A Unipampa, portanto, é uma vitória de todos nós. A Unipampa é de todos e para todos. Luiz Fernando Mainardi Deputado Estadual Paulo Pimenta Deputado Federal