Morangueiro irrigado-completo+capa

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Morangueiro irrigado-completo+capa

  1. 1. Luís Carlos Timm Vítor Emanuel Quevedo Tavares Carlos Reisser Junior Carina Costa Estrela (Editores) Morangueiro IrrigadoMorangueiro Irrigado: aspectos técnicos e ambientais do cultivo Aspectos técnicos e ambientais do cultivo
  2. 2. Morangueiro IrrigadoAspectos técnicos e ambientais do cultivo
  3. 3. Luís Carlos Timm Vitor Emanuel Quevedo Tavares Carlos Reisser Júnior Carina Costa Estrela Editores Morangueiro IrrigadoAspectos técnicos e ambientais do cultivo Pelotas – RS – Brasil Universidade Federal de Pelotas 2009
  4. 4. Obra publicada pela Universidade Federal de Pelotas Reitor: Prof. Dr. Antonio Cesar Gonçalves Borges Vice-Reitor: Prof. Manoel Luiz Brenner de Moraes Pró-Reitor de Extensão e Cultura: Prof. Dr. Luiz Ernani Gonçalves Ávila Pró-Reitor de Graduação: Prof. Dra. Eliana Póvoas Brito Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Dr. Manoel de Souza Maia Pró-Reitor Administrativo: Eng. Francisco Carlos Gomes Luzzardi Pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento: Prof. Ms. Élio Paulo Zonta Pró-Reitor de Recursos Humanos: Admin. Roberta Trierweiler Pró-Reitor de Infra-Estrutura: Mario Renato Cardoso Amaral Pró-Reitoria de Assistência Estudantil: Assistente Social Carmen de Fátima de Mattos do Nascimento CONSELHO EDITORIALProfa. Dra. Carla Rodrigues Prof. Dr. José Estevan GayaProf. Dr. Carlos Eduardo Wayne Nogueira Profa. Dra. Luciane Prado KantorskiProfa. Dra. Cristina Maria Rosa Prof. Dr. Luiz Alberto BrettasProfa. Dra. Flavia Fontana Fernandes Profa. Dra. Maria Tereza Fernandes PoueyProfa. Dra. Francisca Ferreira Michelon Prof. Dr. Volmar Geraldo da Silva Nunes Editora e Gráfica Universitária R Lobo da Costa,447 – Pelotas, RS – CEP 96010-150 Fone/fax:(53)3227 8411 e-mail: editora@ufpel.edu.br Diretor da Editora e Gráfica Universitária: Prof. Dr. Volmar Geraldo da Silva Nunes Gerência Operacional: Bel. Daniela da Silva Pieper Chefe da Seção Gráfica: Carlos Gilberto Costa da SilvaImpresso no BrasilEdição: 2009© Copyright 2009 by – Luís Carlos Timm, Vitor Emanuel Quevedo Tavares, Carlos Reisser Júnior, Carina Costa EstrelaISBN: 978-85-7192-612-7Tiragem: 150 exemplaresCapa, layout e editoração eletrônica: Vitor Emanuel Quevedo Tavares Apoio: Processo CNPq/ CT-Agronegócio nº 554299/2006-2 Dados de catalogação na fonte: (Marlene Cravo Castillo – CRB 10/744) M829 Morangueiro irrigado: aspectos técnicos e ambientais do cultivo / editado [por] Luís Carlos Timm.../et al./. Pelotas : Ed. da Universidade Federal de Pelotas, 2009 163 p. : il. 1. Irrigação. 2. Qualidade da água. 3. Atributos do solo. 4. Sistemas de produção de morango. 5. Fragaria x ananassa Duch. I. Timm, Luís Carlos. II Tavares, Vitor Emanuel Quevedo. III Reisser Júnior, Carlos. IV. Estrela, Carina Costa. V. Título. CDD 634.75
  5. 5. Informações sobre os Autores e Co-AutoresLuís Carlos Timm - Eng. Agrícola, Prof. Adjunto, Depto de Engenharia Rural, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista de Produtividade em Pesquisa CNPq – Nível 2, lctimm@ufpel.edu.br.Vítor Emanuel Quevedo Tavares - Eng. Agrícola, Prof. Associado, Depto de Engenharia Rural, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista PET/SESu/MEC, vtavares@ufpel.tche.br.Carlos Reisser Júnior - Eng. Agrícola, Pesquisador, Embrapa Clima Temperado, Cx. Postal 403, Pelotas-RS, 96001-970, reisser@cpact.embrapa.br.Carina Costa Estrela - Ecóloga, MSc. em Ciências, Pelotas-RS. ccestrela@terra.com.brDenise de Souza Martins – Eng. Agrônoma, Mestranda no PPGSPAF, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista CAPES.André Samuel Strassburger – Eng. Agrônomo, Doutorando no PPGSPAF, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista FAPEG.Roberta Marins Nogueira Peil – Eng. Agrônoma, Profa. Associada, Depto de Fitotecnia, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.José Ernani Schwengber – Eng. Agrônomo, Pesquisador, Embrapa Clima Temperado, Estação Experimental Cascata, Cx. Postal 403, Pelotas-RS, 96001-970.
  6. 6. Leonardo Göetzke Furtado – Eng. Agrônomo, Depto de Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.Luís Carlos Philipsen – Técnico Agrícola, EMATER – Escritório Municipal de Turuçu-RS.Luís Eduardo Correa Antunes - Eng. Agrônomo, Pesquisador, Embrapa Clima Temperado, Cx. Postal 403, Pelotas-RS, 96001-970.Noel Gomes da Cunha - Eng. Agrônomo, Pesquisador, Embrapa Clima Temperado, Cx. Postal 403, Pelotas-RS, 96001-970.Maria Laura Turino Mattos – Eng. Agrônoma, Pesquisadora, Embrapa Clima Temperado, Cx. Postal 403, Pelotas-RS, 96001-970.Leandro Sanzi Aquino – Eng. Agrônomo, Mestrando do PPGA- Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista CAPES.Gabrieli da Cunha Pereira – Tecnóloga em Gestão Ambiental, Pelotas-RS.Manoela Terra de Almeida – Acadêmica do Curso de Química Ambiental, Universidade Católica de Pelotas, Pelotas-RS.Carla Denize Venzke – Tecnóloga em Gestão Ambiental, Pelotas- RS.Adilson Luís Bamberg – Eng. Agrícola, Doutorando do PPGA- Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista CAPES.Eloy Antonio Pauletto – Eng. Agrônomo, Prof. Associado, Depto de Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx.
  7. 7. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista de Produtividade em Pesquisa CNPq – Nível 2.Luiz Fernando Spinelli Pinto – Geólogo, Prof. Associado, Depto de Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.Álvaro Luiz Carvalho Nebel – Eng. Agrícola, Doutorando do PPGA-Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.Wildon Panziera – Graduando em Agronomia, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.Gláucia Oliveira Islabão – Química, Doutoranda do PPGA-Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.Ledemar Carlos Vahl – Eng. Agrônomo, Prof. Titular, Depto de Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.Danilo Dufech Castilhos – Eng. Agrônomo, Prof. Associado, Depto de Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.Rodrigo Bubolz Prestes – Graduando em Agronomia, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista BIC FAPERGS.
  8. 8. Colaboradores• Sérgio Leal Fernandes (DER/FAEM/UFPel-Pelotas-RS)• Eroni Emilio Konrad (Secretaria da Agricultura-Turuçu-RS)• Lauro Francisco Schneid (EMATER – Escritório Municipal de Turuçu-RS)• Dalgisa Philipsen (EMATER – Escritório Municipal de Turuçu-RS)• Michel David Gerber (CEFET/RS-Pelotas-RS)• Fioravante Jaekel dos Santos (DER/FAEM/UFPel-Pelotas- RS)• Jocelito Saccol de Sá (CEFET/RS-Pelotas-RS)• João Carlos Medeiros Madail (Embrapa Clima Temperado- Pelotas-RS)• João Soares Viegas Filho (DEA/FEA/UFPel-Pelotas-RS)• Marco Moro (EMATER – Escritório Regional de Pelotas- RS)• Gilnei Manke (Eng. Agrônomo-Pelotas-RS)• Clênio Nailto Pillon (Embrapa Clima Temperado-Pelotas- RS)• Marilice Cordeiro Garrastazu (Embrapa Clima Temperado- Pelotas-RS)• Orlando Pereira Ramirez (DEA/FEA/UFPel-Pelotas-RS)• Endrigo Pereira Lima (CEFET/RS-Pelotas-RS)• Gabriel Rodrigues Bruno (CEFET/RS-Pelotas-RS)
  9. 9. Agradecimentos Para a concretização do presente trabalho, os autoresreceberam apoio financeiro bem como a concessão de bolsas deestudo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico eTecnológico, CNPq. Também agradecem a CAPES e aFAPERGS pela concessão de bolsas de estudo. Os autores agradecem aos produtores de morango quecontribuíram para a realização do projeto intitulado“VARIABILIDADE ESPACIAL E TEMPORAL DAQUALIDADE DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO E SEUIMPACTO AMBIENTAL NO SISTEMA FAMILIAR DEPRODUÇÃO DE MORANGO DO PÓLO PRODUTIVO DOMUNICÍPIO DE TURUÇU-RS”, especialmente aos produtoresAbel Winter, Arnildo Weinert, Cassio Peter, Dioni Stern,Ermindo Milech, Fábio Zitzke, Gilso Zuge, Ildo Beiersdorf,Paulo Scherdien, Paulo Tuchtenhagen, Pedro Bonow, SilmoStocker, Teodorico Kabke, Valdenir Hartwig e Valdomiro deSouza, os quais pertencem a Associação dos Produtores deMorango do Município de Turuçu-RS. A todos, NOSSO MUITO OBRIGADO pelacolaboração e compreensão ao longo do projeto.
  10. 10. SUMÁRIO CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................ 14CAPÍTULO 1 - FISIOLOGIA DA PRODUÇÃODE MORANGUEIRO ........................................................... 16 1.1 INTRODUÇÃO ................................................................. 16 1.2 CARACTERÍSTICAS DA PLANTA ...................................... 17 1.2.1 Botânica ............................................................... 17 1.2.2 Sistema radicular .................................................. 18 1.2.3 Fisiologia da planta .............................................. 20 1.2.4 Exigência hídrica.................................................. 22 1.3 CULTIVARES .................................................................. 23 1.3.1 Características das cultivares utilizadas em Turuçu-RS ............................................................ 24 1.3.2 Novas cultivares para a Região Sul...................... 25 1.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................ 27 1.5 LITERATURA CITADA ..................................................... 28CAPÍTULO 2 - SISTEMA DE PRODUÇÃODO MORANGUEIRO: FATORES QUEINFLUENCIAM O MANEJO DA IRRIGAÇÃO............... 30 2.1 INTRODUÇÃO ................................................................. 30 2.2 UTILIZAÇÃO DE COBERTURA DO SOLO ........................... 31 2.2.1 Materiais de origem vegetal ................................. 32 2.2.2 Materiais sintéticos .............................................. 33 9
  11. 11. 2.2.3 Influência da cobertura do solo no aporte de água ................................................................. 33 2.3 UTILIZAÇÃO DE TÚNEIS ................................................. 34 2.3.1 Manejo dos túneis ................................................ 34 2.3.2 Influência dos túneis de cultivo sobre a irrigação ............................................................. 36 2.4 ESCOLHA DO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO ............................ 36 2.4.1 Aspersão ............................................................... 36 2.4.2 Gotejamento ......................................................... 37 2.4.3 Influência dos sistemas de irrigação na incidência de doenças e pragas ............................ 38 2.5 FERTIRRIGAÇÃO ............................................................ 41 2.5.1 Aspectos nutricionais do morangueiro ................. 42 2.5.2 Tipos e fontes de nutrientes para a fertirrigação .. 44 2.5.3 Utilização de soluções de origem orgânica .......... 45 2.5.4 Estrutura necessária.............................................. 46 2.5.5 Manejo da fertirrigação ........................................ 47 2.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................ 48 2.7 LITERATURA CITADA ..................................................... 48CAPÍTULO 3 - SOLO E MANEJO DA ÁGUA................ 51 3.1 O SOLO .......................................................................... 51 3.2 ATRIBUTOS FÍSICO-HÍDRICOS DO SOLO .......................... 54 3.2.1 Textura do solo..................................................... 54 3.2.2 Estrutura do solo .................................................. 55 3.3 ÁGUA NO SOLO .............................................................. 59 3.3.1 Umidade do solo .................................................. 59 3.3.2 Retenção de água no solo ..................................... 6110
  12. 12. 3.3.3 Capacidade de campo e ponto de murcha permanente ........................................................... 62 3.3.4 Capacidade de água disponível ............................ 62 3.3.5 Armazenamento de água no solo ......................... 63 3.4 DETERMINAÇÃO DA UMIDADE DO SOLO ......................... 65 3.5 MANEJO DA ÁGUA ......................................................... 69 3.5.1 Produção de mudas .............................................. 69 3.5.2 Produção de frutos ............................................... 72 3.5.3 Resposta do morangueiro à disponibilidade hídrica................................................................... 80 3.5.4 Manejo da irrigação localizada ............................ 84 3.5.5 Fertirrigação ......................................................... 87 3.6 LITERATURA CITADA ..................................................... 88CAPÍTULO 4 - QUALIDADE DA ÁGUA ........................ 92 4.1 A ÁGUA USADA NA AGRICULTURA ................................. 92 4.1.1 A água usada na cultura do morangueiro ............. 94 4.2 QUALIDADE DA ÁGUA USADA NA IRRIGAÇÃO ................ 95 4.2.1 Qualidade da água usada na irrigação localizada ............................................................. 97 4.3 FONTES DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA PARA IRRIGAÇÃO ........ 99 4.4 ESTUDO DE CASO: QUALIDADE DA ÁGUA USADA PARA IRRIGAÇÃO DO MORANGUEIRO NO MUNICÍPIO DE TURUÇU-RS ........................................................... 100 4.4.1 Caracterização e origem das fontes de captação de água para irrigação ......................... 103 4.4.2 Potencial de risco de danos ao sistema de irrigação do morangueiro ................................... 106 11
  13. 13. 4.4.3 Variabilidade espacial e temporal da qualidade da água de irrigação ........................... 109 4.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................. 110 4.6 LITERATURA CITADA ................................................... 111CAPÍTULO 5 - QUALIDADE FÍSICO-HÍDRICADO SOLO E A PRODUÇÃO DE MORANGO................. 115 5.1 QUALIDADE DO SOLO................................................... 115 5.1.1 Solos do Município de Turuçu-RS..................... 118 5.1.2 Qualidade do solo e a produção de morango ..... 121 5.2 ESTUDO DE CASO: INDICADORES DA QUALIDADE FÍSICO-HÍDRICA DO SOLO ............................................. 125 5.2.1 Estabilidade de agregados em água: distribuição de agregados do solo em classes de tamanho e diâmetro médio ponderado (DMP) .................... 125 5.2.2 Porosidade do solo ............................................. 130 5.2.3 Curva de retenção de água no solo..................... 132 5.2.4 Capacidade de Água Disponível (CAD) ............ 134 5.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................. 135 5.4 LITERATURA CITADA ................................................... 136CAPÍTULO 6 - INDICADORES QUÍMICOS EMICROBIOLÓGICOS DO SOLO NA PRODUÇÃODE MORANGO .................................................................. 140 6.1 INDICADORES DE QUALIDADE DO SOLO ........................ 140 6.1.1 Indicadores químicos ......................................... 141 6.1.2 Indicadores microbiológicos .............................. 145 6.1.3 Indicadores relacionados à fertilidade................ 14612
  14. 14. 6.2 ESTUDO DE CASO: INDICADORES QUÍMICOS E MICROBIOLÓGICOS DO SOLO NA PRODUÇÃO DE MORANGO DO MUNICÍPIO DE TURUÇU-RS .................... 148 6.2.1 Indicadores químicos ......................................... 148 6.2.2 Indicadores microbiológicos .............................. 154 6.2.3 Indicadores de fertilidade ................................... 1566.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................. 1596.4 LITERATURA CITADA ................................................... 160 13
  15. 15. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Ao longo dos últimos anos, a técnica de irrigação vemsendo usada em sistemas de produção de morango empropriedades familiares no município de Turuçu-RS.Entretanto, as informações regionais sobre a qualidade da águaque vem sendo utilizada na irrigação, a eficiência dos sistemasjá implantados bem como os possíveis impactos da água deirrigação sobre os atributos do solo são escassas. Aliado a estefator, a dificuldade de assistência, a falta de informações e anão disponibilização e apropriação de conhecimentos etecnologias aos produtores, tem conduzido a um manejo deirrigação completamente empírico, causando impactosnegativos que estão comprometendo o desenvolvimento dacultura e afetando os recursos naturais, trazendo conseqüênciastanto sociais como para a atividade econômica propriamentedita. Em vista disso, informações referentes ao solo, à planta,ao clima e aos sistemas de irrigação podem ser úteis para omanejo de água, além de permitir o uso dos recursos hídricosde modo mais eficiente. As relações entre os componentes do Sistema Solo-Água-Planta-Atmosfera são complexas, o que torna o manejoda irrigação uma tomada de decisão criteriosa. Este manejocompreende o uso combinado de informações, sendo o níveltécnico e o grau de interesse do produtor fatores primordiaispara o seu sucesso. Ressalta-se que tal manejo deve serpraticado e analisado continuamente, para que com o decorrerdos anos o produtor adquira maior experiência e conhecimentotécnico, e se torne mais eficiente quanto ao uso da água. Destaforma, o objetivo do presente texto é apresentar, de modosimples e direto, aos técnicos e produtores, como as14
  16. 16. informações do solo, da planta, do clima e do sistema deirrigação são importantes ao manejo de irrigação. O texto está dividido em seis capítulos. O primeirotrata da fisiologia da cultura do morangueiro; o segundo temcomo enfoque os diferentes sistemas de produção de morango;o terceiro traz informações básicas sobre o solo do ponto devista agronômico e manejo da água de irrigação; o quartoaborda questões ligadas a qualidade da água de irrigação; oquinto e o sexto capítulos abordam aspectos relativos aqualidade do solo do ponto de vista físico-hídrico, químico emicrobiológico. Acreditamos que a apresentação de estudos decasos, nos capítulos quarto, quinto e sexto, seja um importantediferencial deste texto em relação aos demais nesta mesmatemática. Palavras-chave: irrigação, qualidade da água, atributos do solo, sistemas de produção de morango, Fragaria x ananassa Duch. 15
  17. 17. CAPÍTULO 1 - FISIOLOGIA DAPRODUÇÃO DE MORANGUEIRO Denise de Souza Martins André Samuel Strassburger Roberta Marins Nogueira Peil José Ernani Schwengber Carlos Reisser Júnior Leonardo Göetzke Furtado1.1 INTRODUÇÃO O morangueiro é cultivado e suas frutas apreciadas nasmais diversas regiões do planeta. A produção mundial éestimada em cerca de 3,1 milhões de toneladas e, a brasileira,em 100 mil toneladas (CARVALHO, 2006). No Rio Grande do Sul, a área plantada é estimada em600 ha, com produção aproximada de 18 mil toneladas anuais(IBGE, 2005 apud CARVALHO, 2006), sendo a culturaconduzida, predominantemente, em propriedades agrícolasfamiliares, devido à grande necessidade de mão de obra. No município de Turuçu, o cultivo do morangueiropassou a ganhar maior importância a partir do ano de 2001,pela implantação de tecnologias como túneis baixos, sistema deirrigação por gotejamento, cobertura do solo e fertirrigação, e,sobretudo, pela organização dos agricultores. Hoje a16
  18. 18. Capítulo IAssociação de Produtores de Morango de Turuçu - RS contacom 22 agricultores, com predominância de áreas de até 1 ha. As cultivares mais utilizadas em Turuçu são Camarosae Camino Real. Para alcançar o potencial produtivo destascultivares, assim como para outras recomendadas para nossaregião, é necessário entender a fisiologia da planta, ou seja,como a planta responde aos estímulos ambientais externosdurante o seu ciclo. Neste capítulo serão abordados aspectos relativos àbotânica e fisiologia da planta, caracterização de algumascultivares utilizadas e de outras com potencial para utilizaçãona região.1.2 CARACTERÍSTICAS DA PLANTA1.2.1 Botânica O morangueiro pertence à família Rosaceae, ao gêneroFragaria e à espécie Fragaria x ananassa Duch. É um híbridointerespecífico resultante do cruzamento das espéciesF. chiloensis e F. virginiana. As plantas que compõem o gêneroFragaria são herbáceas, atingem de 15 a 30 cm de altura,podendo ser rasteiras ou mais eretas. Formam pequenastouceiras (hábito de crescimento em roseta) que aumentam detamanho à medida que a planta envelhece. É uma planta perenecultivada como planta anual, principalmente por questõessanitárias e fisiológicas (RONQUE, 1998). A folha do morangueiro normalmente é constituída porum pecíolo longo e três folíolos. Os folíolos são dentados eapresentam um grande número de estômatos (300 a 400 pormm2 de folha) o que confere ao morangueiro uma maiorsensibilidade à falta de água, à baixa umidade relativa do ar e àsaltas temperaturas (SANHUEZA et al., 2005 apud SILVA etal., 2007). 17
  19. 19. Morangueiro Irrigado Os estolões são caules verdadeiros, muito flexíveis,que se desenvolvem em contato com o solo, permitindo que, apartir da roseta foliar existente em seus nós, cresçam raízes quepenetram no solo, dando origem a novas plantas independentes(RONQUE, 1998). O estolão é a forma mais utilizada demultiplicação vegetativa do morangueiro (SILVA et al., 2007). As flores do morangueiro estão agrupadas eminflorescências do tipo cimeira, ou seja, depois de aberta aprimeira flor, os botões laterais vão se abrindo um a um,acompanhando o desenvolvimento da inflorescência. O númerode inflorescências por planta é variável dependendo da cultivar,assim como o número de flores por inflorescência. Asinflorescências se formam a partir das gemas existentes nasaxilas das folhas. A primeira flor normalmente origina oprimeiro fruto, em geral o mais desenvolvido de cadainflorescência (SILVA et al., 2007). Os frutos do tipo aquênio são minúsculos de coloraçãovermelho amarronzados, duros e superficiais, que normalmenteas pessoas confundem achando que é a semente. Na verdadeestes aquênios são os frutos verdadeiros. O que chamamos defruta do morangueiro é, na verdade, o receptáculo floral queengrossa e se torna carnoso e doce, de formato e sabor variávelde acordo com a cultivar utilizada (SILVA et al., 2007). As características botânicas da planta são importantes,pois as cultivares de morangueiro são caracterizadas com basenas diferenças morfológicas da folha, da planta ou do fruto(CONTI et al., 2002 apud SILVA et al., 2007).1.2.2 Sistema radicular O sistema radicular do morangueiro é formado porraízes adventícias e fasciculadas. As raízes adventícias ouprimárias são grandes e perenes (não morrem de um ano para o18
  20. 20. Capítulo Ioutro), com função de reserva, contribuindo na absorção deágua e nutrientes (PIRES et al., 2000). As raízes fasciculadas ou secundárias são longas e sedesenvolvem lateralmente ao rizoma, em camadas sobrepostas,ficando as camadas de raízes mais novas acima das raízes maisvelhas. Estas raízes têm a vida mais curta (NATIVIDADE,1940 apud INFORZATTO; CAMARGO, 1973). As raízes do morangueiro se renovam continuamentedurante o ciclo da cultura, e devido a essa forma de renovaçãodas raízes, o sistema radicular do morangueiro é poucoprofundo (GALLETA; BRINGHURTS, 1990 apud PIRES etal., 2000). A distribuição do sistema radicular no solo depende demuitos fatores, como a compactação do solo, a umidade, aaeração e a fertilidade do mesmo. Para fins de irrigação, aprofundidade efetiva das raízes (que representa a camada desdea superfície do solo até onde se encontra a maior parte dasraízes absorventes) é um dos parâmetros básicos para projetosde manejo de água para a cultura (PIRES et al., 2000). A quase totalidade das raízes do morangueiroencontra-se até 60cm de profundidade. Todavia, a maior partedo sistema radicular se concentra nos primeiros 30cm do solo,profundidade recomendada para fins de irrigação (RONQUE,1998; PIRES, et al., 2000). As raízes servem de órgão de reserva defotoassimilados da planta, para que ocorra a brotação dopróximo ano. A vida saudável do morangueiro, no que diz respeitoàs suas raízes, depende da contínua produção de novas raízesprincipais do caule e da possibilidade dessas raízes produziremnovos tecidos, assegurando a existência duradoura da planta(INFORZATTO; CAMARGO, 1973). Como o sistema radicular do morangueiro é bastantesuperficial, a área de cultivo deve ser mantida sempre limpa e 19
  21. 21. Morangueiro Irrigadoprotegida por cobertura morta, mantendo úmida a camadasuperficial do solo, evitando que as plantas espontâneasconcorram por nutrientes e água com o morangueiro.1.2.3 Fisiologia da planta Para a melhor exploração da cultura do morangueiro éde fundamental importância o conhecimento sobre os aspectosfisiológicos da planta. Segundo Duarte Filho et al. (1999), durante a série detransformações que a planta passa em seu ciclo, existemdiferenças marcantes entre as fases de desenvolvimentovegetativo - formação de biomassa como folhas, caules eestolões, e desenvolvimento reprodutivo - formação decomponentes da flor como pétalas, estames e pistilo. A fase vegetativa é verificada logo após o transplantedas mudas, que no município de Turuçu geralmente ocorre nomês de abril (ESTRELA, 2008). A diferenciação do meristema vegetativo para floral,que resultará no florescimento, é muito dependente de umconjunto de fatores, sendo o fotoperíodo (duração do dia), atemperatura e a interação entre estes os de maior relevância(SILVA et al., 2007; RONQUE, 1998). Em função da resposta da planta ao fotoperíodo, ascultivares se classificam em cultivares de dias curtos, cultivaresde dias neutros (ou indiferentes ao fotoperíodo) e cultivares dedias longos. Atualmente, as cultivares de dias longos não sãoutilizadas no Brasil (WREGE et al., 2007). As cultivares de dias curtos são aquelas que florescemquando há redução do comprimento do dia (menor que 14 horasde luz) e da temperatura (menor que 15°C) (SILVA et al.,2007). Nesse grupo, encontram-se a maioria das cultivaresutilizadas no Brasil, como Camarosa e Camino Real,20
  22. 22. Capítulo Iamplamente utilizadas no município de Turuçu (ESTRELA,2008). As cultivares de dias neutros são aquelas queapresentam uma menor sensibilidade ao fotoperíodo emcomparação às de dias curtos, prolongando o florescimento atéque as baixas temperaturas paralisem suas atividades (SILVAet al., 2007). As cultivares Diamante, Aromas e Albion sãocultivares de dias neutros que já estão sendo introduzidas nosmunicípios da região Sul do Rio Grande do Sul. Para que o florescimento seja abundante é preciso quea planta tenha suprido as horas de frio necessárias para aindução floral no período anterior ao transplante (período emque está no viveiro), que varia de acordo com a cultivar. Esserequerimento de horas de frio, geralmente abaixo de 7°C, énecessário para uma normal formação de folhas e flores naplanta (SILVA et al., 2007). Segundo Ronque (1998) é interessante que os viveirosde mudas estejam localizados em regiões de latitude e/oualtitudes elevadas, a fim de que o número de horas acumuladasde frio (380 a 700 horas, dependendo da cultivar) seja suprida. Devido a este aspecto fisiológico e também peloaspecto sanitário, a grande maioria das mudas utilizadas no RioGrande do Sul é importada do Chile e Argentina, pois osviveiros destes países possuem as condições climáticas maisfavoráveis. Wrege et al. (2007) realizaram um zoneamentoagroclimático para produção de mudas no Rio Grande do Sul everificaram que, na Região Sul do Estado, as horas de frio estãoabaixo das exigência da cultura. Assim, a produtividade dasmudas produzidas nessa região pode ser inferior àquelasproduzidas em locais mais recomendados para a produção demudas, conforme demonstra Oliveira e Scivittaro (2006). Dependendo do estímulo de luz (fotoperíodo) etemperatura que a planta recebe após o transplante nos 21
  23. 23. Morangueiro Irrigadocanteiros, ela pode vir a ter uma florada precoce, sem que aparte vegetativa esteja bem desenvolvida. Nestes casos,aconselha-se que estes primeiros cachos florais sejamremovidos da planta, ainda quando pequenos, para que haja umincremento no crescimento vegetativo da planta e, assim, elasuporte o crescimento das frutas que virão posteriormente. Emplantas que são mantidas com cultivo de 18 meses, além doincremento no crescimento vegetativo que ocorre no primeiroano quando se adota esta prática, existe um incremento naprodutividade das plantas no segundo ano (DAUGAARD,1999). Em cultivares de dias curtos, como a Camarosa e aCamino Real, o aumento do fotoperíodo e da temperaturaestimulam a planta a emitir estolões, em detrimento da emissãode inflorescências. As cultivares de dias neutros ouindiferentes, como Aromas e Albion, são menos influenciadaspor esses dois fatores, e, portanto, apresentam uma menoremissão de estolões e uma continuidade na emissão deinflorescências. Se a intenção é a produção de frutas, seaconselha retirar os estolões das plantas, pois eles são fortesdrenos, favorecendo o desenvolvimento das inflorescências edas frutas.1.2.4 Exigência hídrica O morangueiro é extremamente sensível ao déficithídrico do solo. A irrigação é, portanto, uma prática culturalindispensável para que a lavoura atinja níveis satisfatórios deprodutividade e qualidade das frutas (SANTOS et al., 2005). Pela característica do sistema radicular poucoprofundo, a cultura do morangueiro exige um bom manejo dairrigação, evitando-se deficiências, assim como excessos,reduzindo a incidências de doenças.22
  24. 24. Capítulo I As necessidades hídricas do morangueiro estãorelacionadas ao clima, às condições de umidade do solo e à fasede desenvolvimento da planta, necessitando de 900 a 1100 mmde chuvas bem distribuídas durante o ciclo de cultivo(CARVALHO, 2006). A fase de maior exigência hídrica do morangueiro é ade frutificação. Nessa fase, a planta necessita mais água paraformar os frutos, que possuem baixos teores de matéria seca, e,também, por ser a fase que coincide com a primavera-verão,quando a transpiração da cultura aumenta devido ao calor. Segundo Severo et al. (2006), 86% da água consumidadurante o ciclo do morangueiro é durante a fase de frutificação.Como essa fase é longa, atenção especial deve ser dada para omanejo da água neste período, para que não ocorram excessos enem déficits.1.3 CULTIVARES As principais cultivares de morangueiro utilizadas noBrasil provêm dos programas de melhoramento dos EstadosUnidos, destacando-se: Aromas, Camarosa, Camino Real,Diamante, Dover, Oso Grande, Sweet Charlie e Ventana; daEspanha: Milsei-Tudla; do programa de melhoramento genéticoda Embrapa Clima Temperado: Bürkley, Santa Clara e VilaNova; e do Instituto Agronômico – IAC: cultivar Campinas(OLIVEIRA et al., 2005 apud OLIVEIRA; SCIVITTARO,2006). No Rio Grande do Sul, as cultivares Aromas eCamarosa são, respectivamente, as cultivares de dias neutros ede dias curtos mais utilizadas, sendo ambas indicadas paraconsumo in natura e industrialização (OLIVEIRA;SCIVITTARO, 2006). 23
  25. 25. Morangueiro Irrigado1.3.1 Características das cultivares utilizadas em Turuçu- RS Segundo ESTRELA (2008) as cultivares demorangueiro mais utilizadas no município de Turuçu sãoCamarosa e Camino Real, ambas de dias curtos. A cultivar Camarosa (Figura 1.1) foi obtida naUniversidade da Califórnia, em 1993, apresentando plantasvigorosas, com folhas grandes de coloração verde-escura, cicloprecoce, com alta capacidade de produção, frutas grandes,uniformes, de coloração vermelho-escura, polpa firme e saborsub-ácido, sendo indicada tanto para consumo in natura quantopara industrialização (SANTOS, 2003).Figura 1.1 - Cultivar Camarosa (foto: Denise de Souza Martins). A cultivar Camino Real (Figura 1.2) é nova nomercado brasileiro. Foi desenvolvida na Universidade daCalifórnia em 2001 e introduzida no Brasil a partir de 2006(OLIVEIRA et al., 2007). Mostra-se tão produtiva quanto aCamarosa e a Aromas, com até 1 Kg de frutas comerciais porplanta, sendo a colheita concentrada no período de agosto adezembro (OLIVEIRA et al., 2007).24
  26. 26. Capítulo IFigura 1.2 - Cultivar Camino Real (foto: Denise de Souza Martins).1.3.2 Novas cultivares para a Região Sul Algumas cultivares de dias neutros vem sendo testadascom sucesso na região Sul do RS. Como exemplos, pode-secitar as cultivares Aromas e Albion. A cultivar Aromas (Figura 1.3) também foi obtida naUniversidade da Califórnia, porém em 1997. É uma cultivarmuito produtiva, com hábito de crescimento ereto. As frutas sãode tamanho grande, coloração vermelha-escura, saboragradável e qualidade excelente para consumo in natura eindustrialização (SHAW, 2004). Essa cultivar já está sendoimplantada na região, com resultados de produtividadesemelhantes às cultivares Camarosa e Camino Real, quepossuem maior produção na fase intermediária do períodoprodutivo, enquanto a Aromas apresenta maior produção nafase final do ciclo produtivo (OLIVEIRA; SCIVITTARO,2006). 25
  27. 27. Morangueiro IrrigadoFigura 1.3 - Cultivar Aromas (foto: Denise de Souza Martins). Outra cultivar que está sendo introduzida no Estado é aAlbion (Figura 1.4). Essa cultivar apresenta folhas maiscoriáceas e mais eretas que a Camino Real, assim como asinflorescências, que também são mais eretas, deixando os frutossuspensos, diminuindo o ataque de insetos como a broca dasfrutas e os danos por queimaduras devido ao contato com oplástico. É relativamente resistente à antracnose (SHAW, 2004)o que pode facilitar seu cultivo a céu aberto. As frutas são detamanho grande, de sabor excelente, com formato cônicoalongado, sendo de coloração vermelho escuras quando bemmaduras, tanto internamente quanto externamente, mostrandoaptidão tanto para consumo in natura quanto paraindustrialização. Uma das principais vantagens do cultivo de plantas dedias neutros juntamente com as de dias curtos é oescalonamento da produção durante o ciclo, pois as plantas dedias curtos são mais precoces e as de dias neutros produzem atéjaneiro ou fevereiro, aumentando o período de oferta da frutano mercado.26
  28. 28. Capítulo IFigura 1.4 - Cultivar Albion (foto: Denise de Souza Martins).1.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O conhecimento da fisiologia da produção e osaspectos botânicos da planta são de fundamental importânciapara o adequado manejo da cultura. A utilização de cultivaresde dias neutros conciliadas às cultivares de dias curtos, jácultivadas no município de Turuçu, mostra-se uma alternativainteressante para aumentar o período de oferta da fruta nomercado. O maior conhecimento sobre fatores como acaracterística do sistema radicular, a exigência hídrica dacultura, a qualidade da muda e as respostas da planta aosfatores climáticos, permite uma otimização do sistema deprodução e, consequentemente, melhores resultados em relaçãoà produtividade. 27
  29. 29. Morangueiro Irrigado1.5 LITERATURA CITADACARVALHO, S. P. Boletim do morango: cultivoconvencional, segurança alimentar, cultivo orgânico. BeloHorizonte: FAEMG, 2006. 160p.DAUGAARD, H. The effect of flower removal on the yieldand vegetative growth of A+ frigo plants of strawberry(Fragaria x ananassa Duch). Scientia Horticulturae, v. 82,n. 1-2, p. 153-157, 1999.DUARTE FILHO, J. et al. Aspectos do florescimento etécnicas empregadas objetivando a produção precoce emmorangueiros. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 20,n. 198, p. 1-9, 1999.ESTRELA, C. C. Variabilidade espacial e temporal daqualidade da água de irrigação no sistema de produção demorango em propriedades familiares no município deTuruçu-RS. Pelotas, 2008. 98p. Dissertação (Mestrado emSistemas de Produção Agrícola Familiar) – Faculdade deAgronomia “Eliseu Maciel”, Universidade Federal de Pelotas,2008.INFORZATTO, R.; CAMARGO, L. S. Sistema radicular domorangueiro (Fragaria híbridos), em duas fases do ciclovegetativo. Bragantia, Campinas, v. 32, n. 8, p. 185-191, 1973.OLIVEIRA, R. P.; SCIVITTARO, W. B. Desempenhoprodutivo de mudas nacionais e importadas de morangueiro.Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal - SP, v. 28,n. 3, p. 520-522, 2006.OLIVEIRA, R. P.; SCIVITTARO, W. B.; FERREIRA, L. V.Camino Real: nova cultivar de morangueiro recomendadapara o Rio Grande do Sul. Pelotas: Embrapa ClimaTemperado, Comunicado Técnico 161, 4p., 2007.28
  30. 30. Capítulo IPIRES, R. C. M. et al. Profundidade efetiva do sistemaradicular do morangueiro sob diferentes coberturas do solo eníveis de água. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília,v. 32, n. 4, p. 793-799, 2000.RONQUE, E. R. V. Cultura do morangueiro; revisão eprática. Curitiba: Emater, 1998. 206 p.SANTOS, A. M. Cultivares. In: SANTOS, A. M.; MEDEIROS,A. R. M. (Ed.) Morango: produção. Pelotas: Embrapa ClimaTemperado; Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2003.p. 24-30. (Frutas do Brasil, 40).SANTOS, A. M.; MEDEIROS, A. R. M.; WREGE, M. S.Sistema de produção do morango: irrigação e fertirrigação.Embrapa Clima Temperado, ISSN 1806-9207 VersãoEletrônica, novembro 2005. Disponível em:<http://sistemasdeproducao. cnptia.embrapa.br/>. Acesso em18 de março de 2009.SEVERO, F. D. et al. Consumo hídrico do morangueirocultivado em ambiente protegido. CD do Congresso deIniciação Científica – UFPel, 2006.SILVA, A. F.; DIAS, M. S. C.; MARO, L. A. C. Botânica eFisiologia do morangueiro. Informe Agropecuário, BeloHorizonte, v. 28, n. 236, p. 7-13, 2007.SHAW, D. V. Strawberry Production Systems, Breeding andCultivars in Califórnia. In: II Simpósio Nacional doMorango; I Encontro de Pequenas Frutas e Frutas Nativasdo Mercosul. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, p. 16-21,2004.WREGE, M. S. et al. Zoneamento agroclimático paraprodução de mudas de morangueiro no Rio Grande do Sul.Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2007. 27p. Documento187, versão online. 29
  31. 31. CAPÍTULO 2 - SISTEMA DEPRODUÇÃO DO MORANGUEIRO:FATORES QUE INFLUENCIAM OMANEJO DA IRRIGAÇÃO André Samuel Strassburger Denise de Souza Martins Carlos Reisser Júnior José Ernani Schwengber Roberta Marins Nogueira Peil Luís Carlos Philipsen2.1 INTRODUÇÃO Dentre as práticas culturais empregadas na cultura domorangueiro, a irrigação apresenta-se como uma das maisimportantes. Esta prática torna-se fundamental, pois a cultura éaltamente exigente em relação à disponibilidade hídrica e osregimes de chuvas em algumas regiões podem não sersuficientes ou não apresentar uma distribuição adequada. Para que as plantas expressem o seu potencialprodutivo, é necessário que as condições adequadas de cultivosejam proporcionadas, tornando-se fundamental a manutençãoda umidade do solo dentro dos parâmetros exigidos pelacultura. O déficit hídrico, assim como o excesso por períodosde tempo prolongados, pode causar danos irreversíveis à planta,reduzindo a produtividade.30
  32. 32. Capítulo II Algumas práticas culturais adotadas no cultivo domorangueiro influenciam de maneira significativa o manejo dairrigação, como a utilização de cobertura do solo e túnel baixo.O sistema de produção predominante entre os agricultores domunicípio de Turuçu-RS caracteriza-se pela utilização decobertura do solo com plástico de coloração preta, pelautilização de túneis baixos e irrigação por gotejamento. A adubação segue as recomendações tradicionais,utilizando-se adubos químicos. Alguns produtoreseventualmente utilizam adubos de origem orgânica efertirrigação. O controle de pragas e doenças é realizado comagrotóxicos tradicionais ou, menos comumente, produtosalternativos. O manejo da cultura e o sistema de produção adotadoexercem fundamental importância para o sucesso da lavoura.Neste capítulo, as principais práticas culturais utilizadas para ocultivo do morangueiro serão abordadas destacando-se oadequado manejo e a influência destas sobre a irrigação.2.2 UTILIZAÇÃO DE COBERTURA DO SOLO Uma das práticas culturais mais importantes para acultura do morangueiro é a utilização de cobertura do solo, queconsiste na aplicação de qualquer cobertura na superfície dosolo que forme uma barreira física à transferência de energia evapor d’água entre o solo e a atmosfera. Tem como principais objetivos: evitar o contato diretodos frutos com o solo, aumentando sua qualidade; reduzir aincidência de plantas invasoras; reduzir as perdas de nutrientespor lixiviação; modificar o microclima do solo; reduzir asoscilações de temperatura; e reduzir as perdas de água do solopor evaporação (RONQUE, 1998; SANTOS; MEDEIROS,2003). 31
  33. 33. Morangueiro Irrigado Os materiais utilizados como cobertura do solo para acultura do morangueiro podem ser de origem vegetal (como aacícula de pinus e a casca de arroz) ou sintéticos (como osfilmes de polietileno). A cobertura do solo deve ser realizadaaproximadamente 30 dias após o transplante, quando as mudasjá estiverem com o sistema radicular bem desenvolvido,evitando maiores danos ao manuseá-las (RONQUE, 1998;SANTOS; MEDEIROS, 2003).2.2.1 Materiais de origem vegetal Os principais materiais de origem vegetal utilizadoscomo cobertura do solo na cultura do morangueiro são: cascade arroz, acícula de pinus, sabugo de milho picado, serragem,maravalha, palhas, hastes de cereais e folhas diversas. Ronque (1998) destaca que os materiais utilizadoscomo cobertura do solo devem ser isentos de contaminantes ouqualquer outra substância que possa vir a prejudicar o adequadodesenvolvimento das plantas. A camada formada pelos resíduos vegetais deve teruma espessura suficiente para evitar que os raios solarespenetrem, mantendo a umidade do solo devido à menorevaporação da água. Dentre as vantagens da utilização da cobertura comresíduos vegetais destacam-se: menor ataque de ácaros, emrazão do microclima úmido abaixo das folhas; menor custo; eenriquecimento do teor de matéria orgânica do solo, com aincorporação da cobertura morta após o término do cultivo(SANTOS; MEDEIROS, 2003). A dificuldade de manejo edanos físicos às frutas são os principais limitantes da utilizaçãode materiais de origem vegetal em comparação aos materiaissintéticos.32
  34. 34. Capítulo II2.2.2 Materiais sintéticos Os primeiros materiais sintéticos a serem utilizadoscomo cobertura do solo foram o papel e resíduos de petróleo.Com o surgimento da indústria petroquímica, a partir da décadade 50, materiais mais baratos, como os filmes de polietileno,passaram a ser utilizados como cobertura do solo (STRECK etal., 1994). Atualmente, para a cultura do morangueiro acobertura mais utilizada é o polietileno opaco preto, com 30 ou50 micras de espessura. As coberturas plásticas têm como principaisvantagens: a redução da umidade relativa, o que diminui aincidência de fungos, especialmente aqueles que ocasionampodridões de frutos, preservando sua qualidade; o estímulo àprodução precoce; e a redução da mão-de-obra de transporte ecolocação, em comparação com outras opções de coberturas. As principais desvantagens são o elevado custo doplástico, o estímulo ao desenvolvimento de ácaros pelaformação de microclima seco (SANTOS; MEDEIROS, 2003) eo impacto ambiental causado pelo plástico após sua retirada dosolo.2.2.3 Influência da cobertura do solo no aporte de água Um dos principais efeitos esperados pela utilização decobertura do solo é a redução da perda de água do solo. Amagnitude da redução da evaporação pelo material de coberturadepende da sua natureza. A cobertura morta de palha seca reduzmenos a evaporação da água do solo que os materiais sintéticos,possivelmente porque o vapor dágua difunde-se através dacamada de resíduos (STRECK et al., 1994). Com a utilização de cobertura plástica a evaporação daágua da superfície do solo pode ser reduzida em até 21%, emcomparação ao solo nu (STRECK et al., 1994). Dessa forma, a 33
  35. 35. Morangueiro Irrigadoutilização de cobertura mantém a umidade do solo por umperíodo de tempo maior que o solo descoberto, o que significaum aumento da eficiência da irrigação e uma economia de águae energia, caso a irrigação não seja por gravidade.2.3 UTILIZAÇÃO DE TÚNEIS Com a introdução da plasticultura na produçãoagrícola, o morangueiro passou a ser cultivado com algum tipode proteção plástica, seja em túneis baixos, altos ou casasplásticas. Grande parte dos agricultores tem preferência pelautilização de túneis baixos para a cultura do morangueiro emcomparação a outras estruturas de maior porte, devido aomenor custo de implantação e a possibilidade de rodízio dasáreas de cultivo, fator importante para evitar maiores problemascom doenças. Dentre as vantagens que os túneis proporcionam emrelação ao cultivo a céu aberto, podem ser citadas a antecipaçãoda colheita, maior produção e melhor qualidade, oriundas damaior proteção quanto aos fenômenos climáticos como geadas,excesso de chuvas, queda acentuada de temperatura durante anoite, proteção do solo contra a lixiviação e, consequentemente,redução dos custos com fertilizantes e agrotóxicos. Comoprincipais desvantagens têm-se o elevado custo do plástico e oaumento da mão-de-obra para abrir e fechar os túneis.2.3.1 Manejo dos túneis Para que as vantagens da utilização dos túneis sejamobtidas, é importante que o manejo adotado seja adequado.Caso contrário, pode ocorrer aumento na incidência de doenças,culminando em uma redução da produção. Abaixo segue omanejo adequado dos túneis a ser adotado, baseado nas34
  36. 36. Capítulo IIrecomendações de Santos e Medeiros (2003) e em observaçõesda equipe. Abertura dos túneis: deve ser realizada logo pelamanhã. Ambas laterais devem ser abertas de forma que toda aumidade seja eliminada. Em dias de ventos moderados, pode-seabrir apenas o lado oposto àqueles predominantes, evitandodanos ao plástico e as plantas. Quanto maior a ventilação menorserá a ocorrência de doenças; Fechamento dos túneis: no final da tarde, deve-serealizar a operação inversa, ou seja, deve-se fechar as lateraisdos túneis para aumentar o acúmulo térmico, elevando atemperatura noturna dentro dos túneis. Em dias de chuva, ostúneis devem ser mantidos fechados, sendo abertos assim queas condições climáticas melhorarem. A manutenção do túnel fechado durante o dia aumentaa temperatura do ar e a umidade relativa dentro do túnel.Nessas condições, tem-se um aumento da ocorrência dedoenças que se desenvolvem sob condições de alta umidaderelativa. O cultivo protegido, desde que bem manejado, e airrigação localizada constituem práticas valiosas para o manejode doenças na cultura do morangueiro e possibilitam a reduçãodo uso de agrotóxicos. Outra questão importante a ser observada em relaçãoao manejo dos túneis é a polinização. Na cultura domorangueiro a polinização é realizada principalmente pelasabelhas. O acesso às flores deve ser facilitado, ou seja, os túneisdevem estar abertos no horário de maior atividade das abelhas. Quanto maior o número de visitas, melhor será apolinização e, consequentemente, a qualidade das frutas. Emlocais nos quais não exista uma grande ocorrência de abelhas,para melhorar a polinização recomenda-se colocar caixas deabelhas próximas à lavoura. Caso os túneis sejam mantidos fechados por umperíodo de tempo prolongado, o número de visitas será 35
  37. 37. Morangueiro Irrigadoreduzido, com reflexos negativos sobre a polinização, assim, aqualidade e a produtividade da lavoura serão afetadas.2.3.2 Influência dos túneis de cultivo sobre a irrigação A utilização de abrigos plásticos está diretamenteligada à necessidade de um sistema de irrigação, mesmoquando a estrutura de proteção utilizada é o túnel baixo. O ciclonatural da água nesse tipo de estrutura é quebrado e ofornecimento de água para as plantas na forma de precipitaçãonão ocorre. Em se tratando do cultivo do morangueiro em túneisbaixos, embora ocorram precipitações elevadas, a águaacumula-se nos corredores, sendo que parte dela infiltra noscanteiros, parte volta para a atmosfera na forma de vapor eparte é perdida por percolação. Muitas vezes a fração infiltrada nos canteiros não ésuficiente para manter a umidade do solo em níveis adequados.Assim, mesmo com precipitações abundantes, pode existir anecessidade de se realizar a irrigação, sendo necessária aobservação da umidade do solo, para a definição do momentode irrigar. Quando se utilizam túneis para o cultivo, a irrigaçãopor aspersão fica inviabilizada, sendo necessária a implantaçãode irrigação localizada.2.4 ESCOLHA DO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO2.4.1 Aspersão No Brasil, até a década de 80, grande parte daslavouras de morangueiro era irrigada por aspersão (SANTOS etal., 2005). Esse sistema propicia condições favoráveis aoaparecimento de doenças, devido ao molhamento que ocorre na36
  38. 38. Capítulo IIparte aérea das plantas. As gotas de água da irrigação tambémservem como disseminadoras dos esporos de patógenos. Para Santos et al. (2005) e Carvalho (2006), os únicosbenefícios de um sistema de irrigação por aspersão são adiminuição do ataque de ácaros e o controle de geadas,podendo evitar dano às flores e frutos pequenos. Atualmente,esse método de irrigação é mais utilizado após o plantio, paragarantir a sobrevivência das mudas a campo (SANTOS et al.,2005) e na produção de mudas de morangueiro em viveiros.2.4.2 Gotejamento O sistema de irrigação por gotejamento vem sendoamplamente adotado na cultura do morangueiro. Isso ocorredevido à maior eficiência no uso da água e menor incidência dedoenças, pela redução do molhamento da parte aérea da planta.Como consequência, há um aumento na produtividade, notamanho e na qualidade da fruta (SANTOS et al., 2005). Além da redução do molhamento foliar, o sistema deirrigação por gotejamento reduz o consumo de energia elétricae possibilita o uso de fertirrigação. Todavia, necessita águalimpa, filtrada e manutenção constante dos equipamentos, o queacarreta um custo inicial mais elevado em comparação aosistema de irrigação por aspersão (CARVALHO, 2006).Mesmo com essas desvantagens, o sistema de irrigação porgotejamento é o mais indicado para a cultura do morangueiro eamplamente utilizado entre os agricultores do município deTuruçu. Porém, se o sistema não for bem manejado, podeconduzir a resultados negativos, como o excesso de água nosolo, o que pode aumentar a incidência de fungos de solo,reduzindo a produtividade e até causando a morte das plantas(SANTOS et al., 2005; CARVALHO, 2006). 37
  39. 39. Morangueiro Irrigado2.4.3 Influência dos sistemas de irrigação na incidência de doenças e pragas A irrigação por aspersão, pela característica domolhamento da parte aérea da planta, favorece o aparecimentode doenças nas folhas e nas frutas. A mancha da micosferela (Figura 2.1) é causada pelofungo Micosphaerella fragaria (Tul.) Lindau e ocorre na faseinicial e final do ciclo. Maiores danos ocorrem quando seutiliza altas densidades, irrigação por aspersão e excesso deadubação nitrogenada (FORTES; OSÓRIO, 2003).Figura 2.1 - Mancha da micosferela (foto: Denise de Souza Martins). A antracnose, causada pelos fungos Colletotrichumgloreosporioidis, C. acutatum e C. Fragariae, produz lesões eestrangulamento em estolões, pecíolo, pedúnculo, fruta (Figura2.2) e coroa da planta. Quando ataca os botões florais causa achamada flor-preta. Maior ataque às plantas é observado com oaumento da umidade. Assim, a irrigação por aspersão pode serprejudicial, favorecendo o aparecimento da doença. Comocontrole preventivo recomenda-se a eliminação de restosculturais, uma vez que o fungo pode sobreviver neles e autilização de túneis de polietileno que evitam o molhamento daparte aérea da planta.38
  40. 40. Capítulo IIFigura 2.2 - Antracnose na fruta (foto: Denise de Souza Martins). O mofo cinzento (Botrytis cinerea Pers) atacaprincipalmente as frutas (Figura 2.3) em qualquer estádio dedesenvolvimento, desde que ocorram longos períodos comumidade. A água da chuva e da irrigação por aspersão sãoveículos para disseminar os esporos do fungo.Figura 2.3 - Mofo cinzento na fruta (foto: Denise de Souza Martins). 39
  41. 41. Morangueiro Irrigado As principais pragas que atacam a cultura domorangueiro são o pulgão e o ácaro rajado. Os pulgões (Figura2.4) são insetos de corpo mole, de coloração variada,dependendo da espécie. Vivem agrupados, em colônias, na faceinferior das folhas. O dano dos pulgões ao morangueiro édevido à sucção da seiva da planta e pela possível transmissãode viroses que levam ao enfraquecimento e eventual morte daplanta (SANTOS et al., 2005).Figura 2.4 - Pulgão verde na folha. (foto: Denise de Sousa Martins). O ácaro rajado (Tetranychus urticae Koch) ocorre noSul do Brasil e onde são aplicados sistematicamente inseticidase acaricidas no cultivo do morangueiro. Ele tem cor verdeamarelado a verde escuro, com duas manchas escuras nos ladosdo corpo, não sendo visível a olho nu. Os ácaros vivem em colônias, na face inferior dasfolhas, principalmente junto à nervura central, formando umaespécie de teia. Eles removem os tecidos superficiais da folha,causando perda de seiva junto às primeiras camadas do tecidofoliar, ocorrendo amarelecimento ao longo da nervura central eum tipo de bronzeamento lateral da folha. O período ou época de incidência dos pulgões e ácarosdepende mais das condições climáticas (temperaturas elevadas40
  42. 42. Capítulo IIe longas estiagens) do que do estádio de desenvolvimento daplanta. Os ácaros predadores (ácaros vermelhos – Figura 2.5)ocorrem naturalmente nas lavouras, desde que não haja aaplicação de acaricidas.Figura 2.5 - Ácaro predador, na parte superior da figura, e ácaros rajados, na parte inferior da figura (foto: Denise de Sousa Martins). Como os pulgões e ácaros aparecem nas lavourasdevido a altas temperaturas e baixa umidade, a irrigação poraspersão diminui a incidências destas pragas.2.5 FERTIRRIGAÇÃO A fertirrigação é o processo de aplicação defertilizantes juntamente com a água de irrigação, visandofornecer as quantidades de nutrientes requeridas pela cultura nomomento adequado para obtenção de altos rendimentos eprodutos de qualidade (CARRIJO et al., 2004). A utilização de sistemas de irrigação por gotejamentopermite a aplicação concomitante de água e fertilizantes, poisapresenta características estruturais e operacionais que 41
  43. 43. Morangueiro Irrigadofavorecem a implantação dessa prática. É uma maneira racionale eficiente de nutrir as plantas na agricultura irrigada.Representa aproximadamente 10% do custo de implantação dosistema de irrigação (COELHO et al., 2003), necessitandoapenas a aquisição do sistema de injeção de fertilizantes quandoo sistema de irrigação já está instalado. Dentre as vantagens da fertirrigação podem ser citadaso atendimento das necessidades nutricionais das plantas, deacordo com a curva de absorção dos nutrientes; a aplicação dosnutrientes restrita ao volume molhado, na região de maiorabundância das raízes; as quantidades e concentrações dosnutrientes podem ser adaptadas às necessidades da planta emfunção de seu estádio fenológico e condições climáticas;proporciona economia de mão-de-obra; reduz as perdas; ereduz a atividade de pessoas ou máquinas na área de cultivo,diminuindo a compactação e favorecendo as condições físicasdo solo (COELHO et al., 2003). Como inconvenientes do sistema podem ser citadospossíveis entupimentos que podem ocorrer durante o processo,a salinização e a contaminação de solos e mananciais devido àlixiviação de nutrientes. Esses inconvenientes estãorelacionados principalmente com o manejo incorreto do sistemade fertirrigação, pela não diluição total do fertilizante e pelaaplicação em excesso.2.5.1 Aspectos nutricionais do morangueiro A primeira etapa para a determinação dos fertilizantese corretivos a serem aplicados para o cultivo do morangueiro éa análise química do solo. De posse desta, deve-se realizar acorreção da acidez do solo, se necessário, buscando alcançarpH próximo a 6,0 e com no mínimo três meses de antecedênciaao transplante das mudas (COMISSÃO DE QUÍMICA EFERTILIDADE DO SOLO - RS/SC, 2004).42
  44. 44. Capítulo II Como o período de cultivo do morangueiro é longo,recomenda-se o parcelamento da recomendação total daadubação para a cultura, visando reduzir as perdas de nutrientese manter os níveis de fertilidade do solo sempre próximo aoideal em cada fase de crescimento das plantas, reduzindoperdas por lixiviação. Dessa forma, o suprimento de nutrientespode ser realizado todo via fertirrigação, começando oprocedimento logo após o transplante das mudas ou com umaaplicação na base e o restante parcelado (CARVALHO, 2006). Segundo Filho et al. (1999), até o início das primeirascolheitas, a planta absorve 37,2% do nitrogênio (N); 28,7% dofósforo (P) e 23,1% do potássio (K) requerido durante todo operíodo, fator importante a ser levado em consideração para oplanejamento da aplicação dos fertilizantes. O nitrogênio, apesar de ser um dos nutrientes maisexigidos pela cultura, não pode ser adicionado de formaindiscriminada. O excesso pode causar crescimento vegetativoexuberante em detrimento da produção (PACHECO et al.,2007), favorecendo o aparecimento de doenças devido aodesequilíbrio nutricional. Em contrapartida, a deficiência de Ncausa redução no crescimento das plantas. Por ser um nutrientemóvel no solo, deve-se atentar ao fato de que irrigações pesadaspodem causar lixiviação do nutriente, causando perdassubstanciais. A deficiência de P causa paralisia tanto no crescimentovegetativo (emissão de folhas e estolões), quanto noreprodutivo (emissão de flores). Os frutos tornam-se ácidos ecom aroma desagradável. A adequada nutrição fosfatada éimportante para aumentar a resistência do morangueiro àsdoenças, a consistência e o tamanho dos frutos (PACHECO etal., 2007). O K é o nutriente que mais favorece a qualidade dafruta, aumentando os teores de sólidos solúveis totais, de ácidoascórbico e melhorando o aroma, o sabor, a cor e a firmeza 43
  45. 45. Morangueiro Irrigado(FILHO et al., 2000). Além disso, confere maior longevidade àplanta, tornando-a mais produtiva por um período de tempomaior (PACHECO et al., 2007). O cálcio (Ca) melhora a firmeza e resistência da fruta.Sua deficiência avançada ocasiona mortalidade das gemasassociadas à emissão de novas folhas e raízes, sendo importantepara definir a firmeza das frutas (PACHECO et al., 2007). Os micronutrientes, embora absorvidos em menorquantidade, são tão importantes quanto os macronutrientes paraum adequado crescimento e produção. O zinco e o boro são osdois micronutrientes para os quais as plantas mais comumenteapresentam sintomas de deficiência (PACHECO et al., 2007).A carência de ambos os elementos produz uma diminuição nafertilidade do pólen e na frutificação e, consequentemente, naprodutividade final.2.5.2 Tipos e fontes de nutrientes para a fertirrigação Para a cultura do morangueiro, tanto osmacronutrientes como os micronutrientes podem ser aplicadosvia fertirrigação. Como fonte de nitrogênio, pode-se utilizar auréia, o nitrato de amônio, o sulfato de amônio, o nitrato decálcio, o nitrato de potássio, o fosfato monoamônico (MAP) e ofosfato diamônico (DAP). As fontes de potássio mais utilizadas são o cloreto depotássio, o nitrato de potássio, o sulfato de potássio e o fosfatomonopotássico. Para a adubação fosfatada, podem serutilizados o ácido fosfórico, o fosfato monopotássico, o fosfatomonoamônico purificado e o fosfato diamônico. Para a adição de micronutrientes, existem outrasfontes, que são menos utilizadas e mais difíceis de seremencontradas no mercado como nitrato de magnésio, sulfatoferroso, Fe EDTA, ácido bórico, sulfato de cobre, sulfato demanganês, sulfato de zinco e molibidato de sódio.44
  46. 46. Capítulo II A escolha de um desses fertilizantes para suprir ademanda de um determinado nutriente deve ser realizada deacordo com o teor de cada nutriente presente no fertilizante,com a disponibilidade no mercado e com o preço. Alguns desses fertilizantes são fontes de mais de umnutriente, como o nitrato de cálcio, que além de ser fonte denitrogênio, também é fonte de cálcio, outro nutrienteimportante para a cultura do morangueiro. Dessa forma, emalguns casos, pode ser mais interessante a aplicação de umfertilizante que forneça mais de um nutriente do que autilização de outro fertilizante que forneça apenas um nutriente.2.5.3 Utilização de soluções de origem orgânica Além dos fertilizantes químicos de alta solubilidade,também podem ser utilizadas soluções de origem orgânica paraa fertirrigação. É uma das alternativas que os agricultores quese dedicam a produção orgânica de morangos encontraram paraa aplicação de nutrientes juntamente com a irrigação durante ociclo produtivo. Uma das opções para a utilização desse tipo de fontede nutrientes é o húmus líquido. A fertirrigação com húmuslíquido tem sido utilizada com sucesso nos experimentosrealizados na Estação Experimental Cascata (Embrapa ClimaTemperado), demonstrando bons resultados para a cultura domorangueiro. O preparo do húmus líquido é simples. A seguirseguem as recomendações para a elaboração do húmus líquidode acordo com Schiedeck et al. (2006). Para preparar 100 L de húmus líquido, na proporção de1:10, utiliza-se 10 kg de húmus e mistura-se em 100 L de água,obtendo-se uma concentração aproximada de 5%, uma vez quea umidade do húmus é cerca de 50%. Em um recipiente,adiciona-se primeiramente a água e posteriormente o húmus,agitando-se de forma vigorosa para que todo o sólido se 45
  47. 47. Morangueiro Irrigadodissolva na água. Pode ser preparado em qualquer recipienteevitando que a solução fique exposta ao sol. Concentraçõessuperiores a 5% não são recomendadas, pois são difíceis deserem filtradas. A mistura deve ser agitada pelo menos uma vezao dia para que o máximo de nutrientes e microorganismos dohúmus seja liberado na água. O processo de preparo dura cercade 4 a 7 dias. Anteriormente a aplicação, o material deve sermuito bem filtrado em peneira fina, removendo-se todo omaterial sólido para evitar o entupimento do sistema deirrigação.2.5.4 Estrutura necessária Para realizar a fertirrigação, é necessário além dosistema de irrigação, equipamentos adequados para injeção dosnutrientes no sistema. Segundo Silva e Marouelli (2002), ainjeção dos fertilizantes no sistema de irrigação pode serrealizada por três diferentes sistemas: a) com tanques de injeção com cilindrohermeticamente fechado, onde o fertilizante é colocado e poronde parte da água que se destina às plantas passa por diferençade pressão, transportando, dessa forma, o produto até osemissores; b) com bomba injetora de fertilizantes que retira ofertilizante a ser aplicado de um reservatório e o injetadiretamente no sistema de irrigação; c) com o tubo de Venturi, que se baseia no princípiohidráulico de Venturi, que consiste de um estrangulamento deuma tubulação, causando uma sucção resultante da mudança navelocidade do fluxo e, assim, injeta a solução a ser aplicada nosistema de irrigação. De acordo com as necessidades, qualquer um dessesmecanismos pode ser utilizado. Observa-se que o mais simples,mais barato e que vem sendo amplamente utilizado para a46
  48. 48. Capítulo IIcultura do morangueiro, apresentando uma distribuiçãosatisfatória da solução no sistema de irrigação é o tubo deVenturi.2.5.5 Manejo da fertirrigação O manejo adequado da fertirrigação requer que ainjeção de fertilizantes seja iniciada quando toda tubulaçãoestiver cheia de água e os emissores em pleno funcionamento.Caso contrário, a uniformidade de distribuição de fertilizantesserá prejudicada. O processo de fertirrigação pode ser divididoem três etapas: a primeira para enchimento da tubulação; asegunda para aplicação propriamente dita da solução na água deirrigação; e a terceira para promover a lavagem da tubulação edos emissores (MAROUELLI et al., 1996; SOUSA et al.,2003). Em relação à frequência da fertirrigação, esta pode serfeita todas as vezes que for realizada a irrigação ou emintervalos maiores. A frequência depende de fatores como acapacidade do sistema, mão-de-obra disponível, tipo de solo,tipo de cultura ou mesmo da preferência do produtor. O parcelamento deve ser realizado de acordo com osparâmetros químicos do solo ou pela taxa de absorção dosnutrientes pela cultura. Salienta-se que é importante omonitoramento do estado nutricional das plantas paradeterminar a necessidade da fertirrigação, observando-sesintomas de deficiências ou excessos de nutrientes nas plantasou pela análise química foliar. Aplicações de fertilizantes em regime de altafrequência e em pequenas quantidades têm a vantagem dereduzir a lixiviação dos nutrientes e manter o nível defertilidade próximo do ótimo (SILVA; MAROUELLI, 2002). Em solos arenosos, onde as perdas de água e nutrientesocorrem com maior intensidade, o uso da fertirrigação permite 47
  49. 49. Morangueiro Irrigadoreduzir significativamente essas perdas com aplicações maisfrequentes de forma pontual, principalmente em relação aadubação nitrogenada (VÁSQUEZ, 2003).2.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS A cultura do morangueiro reveste-se de importânciapara os horticultores da Região Sul do Estado, em especial nomunicípio de Turuçu, tornando-se uma alternativa queproporciona uma fonte de renda durante um longo período doano. O morango é uma fruta muito apreciada e de alto valorno mercado, no entanto, apresenta em seu sistema de produçãouma série de detalhes que dificultam a produção de frutas dealta qualidade, sem contaminantes químicos ou biológicos. Se o sistema de produção for bem manejado, ocorreuma redução na incidência de doenças e na necessidade deaplicação de agrotóxicos, obtendo-se um produto com um baixonível de contaminantes químicos e, ainda, com um menor custode produção.2.7 LITERATURA CITADACARRIJO, O. A.; SOUZA, R. B. de; MAROUELLI, W. A.;ANDRADE, R. J. de. Fertirrigação de hortaliças. Brasília:Embrapa Hortaliças, 2004. 13p. (Circular Técnica).CARVALHO, S. P. Boletim do Morango: cultivoconvencional, segurança alimentar, cultivo orgânico. BeloHorizonte: FAEMG, 2006. 160p.COELHO, E. F.; SOUZA, V. F. de; PINTO, J. M. Manejo defertirrigação em fruteiras. Bahia Agrícola, Salvador, v. 6, n. 1,p. 67-70, 2003.48
  50. 50. Capítulo IICOMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO -RS/SC. 2004. Manual de adubação e calagem para osEstados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. PortoAlegre: SBCS - Núcleo Regional Sul UFRGS, p. 258-259,2004.FILHO, H. G.; SANTOS, C. H. dos; CRESTE, J. E. Nutrição eadubação do morangueiro. Informe Agropecuário, BeloHorizonte, v. 20, n. 198, p. 36-40, 1999.FORTES, J. F.; OSÓRIO, V. A. Morango. Fitossanidade.Embrapa Clima Temperado. Brasília: Embrapa InformaçãoTecnológica, 2003.MAROUELLI, W. A.; SILVA, W. L. C.; SILVA, H. R.Fertirrigação em hortaliças. In: MAROUELLI, W. A.; SILVA,W. L. C.; SILVA, H. R. Manejo da irrigação em hortaliças.Brasília: Embrapa informação tecnológica CNPH, 1996. p. 48-52.PACHECO, D. D.; DIAS, M. S. C.; ANTUNES, P. D.;RIBEIRO, D. P.; SILVA, J. J. C.; PINHO, D. B. Nutriçãomineral do morangueiro. Informe Agropecuário, BeloHorizonte, v. 28, n. 236, p. 40-49, 2007.SANTOS, A. M.; MEDEIROS, A. R. M. Frutas do Brasil.Embrapa Informações Tecnológicas: Brasília, 2003. 81p.RONQUE, E. R. Cultura do morangueiro, revisão e prática.Curitiba: EMATER-Paraná, 1998. 206 p.SANTOS, A. M.; MEDEIROS, A. R. M.; WREGE, M. S.Sistema de produção do morango: irrigação e fertirrigação.Embrapa Clima Temperado, ISSN 1806-9207 VersãoEletrônica, novembro 2005. Disponível em:<http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/>. Acesso em:20 mar. 2009. 49
  51. 51. Morangueiro IrrigadoSCHIEDECK, G.; GONÇALVES, M. de M.; SCHWENGBER,J. E. Minhocultura e produção de húmus para a agriculturafamiliar. Pelotas: Embrapa Clima Temperado. 2006. 12 p.Circular Técnica. Versão online. Disponível em:<http://www.cpact.embrapa.br/publicacoes/download/circulares/Circular_57.pdf> Acesso em: 10 mar. 2009SILVA, W. L. C.; MAROUELLI, W. A. Fertirrigação dehortaliças. Irrigação Tecnologia Moderna, Brasília, n. 52/53,p. 45-47, 2002.SOUSA, V. F.; FOLEGATTI, M. V.; FRIZZONE, J. A.;CORRÊA, R. A. L.; ALENCAR, C. M. Distribuição defertilizantes em um sistema de fertirrigação por gotejamento.Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental,Campina Grande, v. 7, n. 1, p. 186-189, 2003.STRECK, N. A.; SCHNEIDER, F. M.; BURIOL, G. A.Modificações físicas causadas pela cobertura do solo. RevistaBrasileira de Agrometeorologia, Santa Maria, v. 2, p. 131-142, 1994.VÁSQUEZ, A. N. Fertirrigação por gotejamento superficiale subsuperficial no meloeiro (Cucumis melo L.) sobcondições protegidas. 2003. 174 p. (Doutorado emAgronomia). Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.Universidade de São Paulo.50
  52. 52. CAPÍTULO 3 - SOLO E MANEJO DAÁGUA Carlos Reisser Júnior Vitor Emanuel Quevedo Tavares Luís Carlos Timm Carina Costa Estrela Luís Eduardo Correa Antunes Noel Gomes Cunha3.1 O SOLO Do ponto de vista agronômico, o termo solo refere-se àcamada externa e agricultável da superfície terrestre sendoconstituído das fases sólida, líquida e gasosa. O material deorigem, o tempo, o clima, a topografia da região e osorganismos vivos são os fatores que atuam no processo de suaformação. Sua origem é a rocha que, por ação de processosfísicos, químicos e biológicos de desintegração, decomposiçãoe recombinação, se transformou, no decorrer das erasgeológicas, em material poroso de características peculiares. O solo é o reservatório de água e nutrientes para asplantas, além de permitir a sustentação dos vegetais. A Figura3.1 ilustra um corte vertical no perfil de um solo, constituído deuma série de camadas superpostas, denominadas horizontes dosolo. 51
  53. 53. Morangueiro Irrigado A00 M.O. não decomposta A0 M.O. humificada A A1 hor. mineral c/ m.o A2 hor. de perdas A3 hor. de transição B1 hor. de transição B B2 hor. de iluviação B3 hor. de transição C Rocha em decomposição D Rocha matrizFigura 3.1 - Ilustração dos horizontes de um perfil completo de solo (REICHARDT; TIMM, 2008). Um solo completo é formado de quatro horizontes:- horizonte A (horizonte de eluviação) - é a camada superficialdo solo, exposta diretamente à atmosfera. Ele é o horizonte queperde elementos químicos por lavagens sucessivas com a águada chuva. Subdivide-se em Aoo (camadas superficiais em solosde florestas com grande quantidade de material orgânico, nãodecomposto: galhos, folhas e frutos); Ao (situa-se abaixo doAoo, constituído de material orgânico decomposto); A1 (já éhorizonte mineral, mas com alta porcentagem de matériaorgânica decomposta que lhe confere uma cor escura); A2 (queé o típico horizonte A, de cor mais clara, correspondendo àzona de máxima perda de elementos minerais) e A3 (é um52
  54. 54. Capítulo IIIhorizonte de transição entre A e B, possuindo características deambos);- horizonte B (horizonte de iluviação) - é o horizonte que ganhaelementos químicos provenientes do horizonte A, situadoacima;- horizonte C – é o horizonte formado pelo material que deuorigem ao solo, em estado de decomposição;- horizonte D – é o horizonte formado pela rocha matriz. As espessuras dos horizontes são variáveis e a falta dealguns horizontes em determinados solos é bastante comum.Tudo isto depende da intensidade da ação dos fatores deformação do solo sobre o material de origem. A Figura 3.2ilustra um perfil de solo ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Eutrófico Típico encontrado em uma propriedadesituada no município de Turuçu-RS.Figura 3.2 - Ilustração do perfil de um solo ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Eutrófico Típico encontrado em uma propriedade situada no município de Turuçu-RS. 53
  55. 55. Morangueiro Irrigado3.2 ATRIBUTOS FÍSICO-HÍDRICOS DO SOLO Em se tratando do dimensionamento e do manejo desistemas de irrigação é importante o conhecimento dosatributos físico-hídricos do solo que estão diretamenterelacionados à retenção e o armazenamento de água no seuperfil. Aqui serão abordados de forma sucinta os seguintesatributos:3.2.1 Textura do solo A fase sólida do solo é constituída pela matériamineral e orgânica que variam em termos de qualidade e detamanho. Quanto ao tamanho, algumas são suficientementegrandes para serem vistas a olho nu, ao passo que outras são tãodiminutas que apresentam propriedades coloidais. Na maioria das vezes, as partículas do solo sãodivididas em três frações de tamanho, chamadas fraçõestexturais: areia, silte e argila. Determinadas as quantidadesrelativas das três frações, o solo é enquadrado em uma dadaclasse textural (arenoso, siltoso ou argiloso) em função dasdiferentes proporções de areia, silte e argila. O tamanho daspartículas é de grande importância, pois ele determina onúmero de partículas por unidade de volume ou peso e asuperfície que estas partículas expõem. Por exemplo: partículasmais finas (argila) possuem uma maior superfície específica(maior relação entre área da superfície e o volume da partícula)e, portanto, possuem maior superfície de contato com a água enutrientes o que confere ao solo uma maior capacidade de reterestas substâncias.54
  56. 56. Capítulo III3.2.2 Estrutura do solo O arranjo, a orientação e a organização das partículassólidas do solo definem a geometria dos espaços porosos, ouseja, a estrutura de um solo. Como o arranjo das partículas dosolo é geralmente muito complexo para permitir qualquercaracterização geométrica simples, não há meio prático demedir a estrutura de um solo. Devido a isso, o conceito deestrutura do solo é qualitativo. A junção das partículas do solo dá origem aosagregados, os quais são classificados segundo a forma(prismáticos, laminares, colunares, granulares e em blocos) e otamanho do agregado (de acordo com seu diâmetro). Um solobem agregado (ou estruturado) apresenta boa quantidade deporos de tamanho relativamente grande (macroporos). Dizemosque possui alta macroporosidade, qualidade que afeta apenetração das raízes, circulação de ar (aeração), operações decultivo (manejo do solo) e a infiltração de água (irrigação). O solo possui poros de variadas formas e dimensões,que condicionam um comportamento peculiar a cada solo. Afração sólida do solo que mais decisivamente determina seucomportamento físico é a fração argila, já que é a mais ativa emprocessos físico-químicos que ocorrem no solo. As fraçõesareia e silte têm áreas específicas relativamente pequenas e, emconseqüência, não mostram grande atividade físico-química.Elas são importantes quando o solo se encontra próximo àsaturação onde predominam fenômenos capilares. Tanto a textura como a estrutura conferem ao solo umespaço poroso, ou volume de poros, onde se encontram a partelíquida e a gasosa. Desta forma, a quantidade de água que osolo retém (capacidade de retenção), a passagem da água pelasuperfície do solo (infiltração) e a distribuição de água nointerior do solo (drenagem) são dependentes da textura e daestrutura do solo. 55
  57. 57. Morangueiro Irrigado Se coletarmos uma amostra de solo (Figura 3.3)contendo as três frações e que represente certa porção do perfildo solo, é possível discriminar as massas e os volumes de cadafração e as seguintes relações massa-volume podem serobtidas: ms,Vs (sólidos) ml,Vl (líquidos) mt , Vt mg,Vg (gases) Poros ou vazios: Vv = Vl +VgFigura 3.3 - Amostra do perfil de um solo ilustrando a fração sólida, líquida e gasosa.mt = ms + ml + mg (3.1)Vt = Vs + Vl + Vg (3.2)onde: mt é a massa total da amostra de solo; ms é a massa daspartículas sólidas do solo; ml é a massa líquida do solo, que porser diluída, é tomada como massa de água; mg é a massa de gás,isto é, ar do solo, que é uma massa desprezível em relação a mse ml; Vt é o volume total da amostra de solo; Vs é o volumeocupado pelas partículas sólidas; Vl pela água e Vg o volumedos gases (não desprezível como no caso de sua massa). As seguintes definições relacionadas à fração sólida dosolo são importantes tanto no dimensionamento como nomanejo de um sistema de irrigação: A densidade do solo (Ds, g/cm3), definida como arelação entre a massa das partículas sólidas ms (g) e o volumetotal de solo Vt (cm3), é um parâmetro útil que indica se um56
  58. 58. Capítulo IIIsolo está estruturado (menor densidade) ou compactado (maiordensidade). Coletando-se amostras de solo de estruturapreservada com anéis cilíndricos de volume conhecido, a Dspode ser calculada por meio da seguinte equação: msDs = (3.3) Vt A densidade do solo varia de acordo com o seuvolume total Vt. Ao se compactar (comprimir) uma amostra, mspermanece constante e Vt diminui, por conseguinte Ds aumenta.A densidade do solo é, portanto, um indicativo do grau decompactação de um solo. Para solos de textura grossa, maisarenosos, as possibilidades de arranjo das partículas não sãomuito grandes e, por isso, os níveis de compactação tambémnão são grandes. Pelo fato de possuírem partículas maiores, oespaço poroso também é constituído, sobretudo, de porosgrandes denominados, de modo arbitrário, de macroporos; deforma aparentemente paradoxal, nesses, o volume de poros épequeno. A faixa de variação dos valores de densidade do solopara solos arenosos é de 1,40 a 1,80 g/cm3. Para um mesmosolo arenoso, esse intervalo de variação, a diferentes níveis decompactação, é bem menor. A compactação do solo representauma mesma massa de solo ocupando um volume de solomenor. Isso modifica sua estrutura, seu arranjo e seu volume deporos. Para solos de textura fina, mais argilosos, aspossibilidades de arranjo das partículas são bem maiores. Seuespaço poroso é constituído, essencialmente, de microporos e ovolume de poros Vv é grande, razão pela qual os valores Dsapresentam uma faixa de variação maior (0,90 a 1,60 g/cm3). A relação entre a densidade do solo e a densidade daágua (1,0 g/cm3) é denominada densidade relativa do solo (Dr),a qual é adimensional. 57
  59. 59. Morangueiro Irrigado A densidade das partículas do solo (Dp, g/cm3) é arelação entre a massa das partículas sólidas ms (g) e orespectivo volume ocupado pelas partículas Vs (cm3). msDp = (3.4) Vs A densidade das partículas depende da constituição dosolo e como varia relativamente pouco de solo para solo, nãovaria de modo excessivo entre diferentes solos. A densidadedas partículas aproxima-se da densidade das rochas. O quartzotem Dp = 2,65 g/cm3 e como é um componente freqüente nossolos, a densidade das partículas oscila em torno desse valor. Amédia para uma grande variedade de solos é 2,70 g/cm3. Se aconstituição do solo for muito diferente, como é o caso de solosturfosos (com muita matéria orgânica), seu valor pode ser maisbaixo. A porosidade total do solo (P), que está diretamenteligada à definição de densidade, é uma medida do espaçoporoso do solo. É definida pela relação entre o volume de poros(Vv) e o volume total do solo (Vt): VV  VT − VS P= =  × 100 (3.5) Vt  Vt    Ela é adimensional e, em geral, expressa emporcentagem. Quanto maior a porosidade total de um solo, maior asua capacidade de reter água. Por isso os solos de textura fina(argilosos), em geral, têm maior capacidade de retenção deágua. A porosidade total também é, logicamente, afetada pelonível de compactação. Quanto maior Ds, menor P. Uma equação muito utilizada para estimar, de formaindireta, P a partir de dados de Ds e Dp é a seguinte:58
  60. 60. Capítulo III  D P = 1 − s  × 100 (3.6)  D   p  A fase gasosa do solo (ar do solo) ocupa os espaçosvazios não ocupados pela água do solo. A presença de camadasde impedimento (compactação) pode diminuir essa aeração, pormeio da redução dos poros, resultando em uma infiltração eredistribuição mais lenta da água no solo. A fase líquida do solo é uma solução aquosa de saisminerais e substâncias orgânicas, sendo os sais minerais os demaior importância.3.3 ÁGUA NO SOLO3.3.1 Umidade do solo A determinação quantitativa da fase líquida, que nãoleva em conta os solutos, ou simplesmente da água do solo éfeita de várias formas, dependendo da finalidade da medida: - Umidade à base de peso U ml mt − msU= = (3.7) ms msonde mt, ml e ms foram definidos na equação 3.1. A umidade U é adimensional (g/g), mas suas unidadesdevem ser mantidas para não confundir com a umidade à basede volume, que também é adimensional, mas numericamentediferente. A umidade U também é, com freqüência, apresentadaem porcentagem. Sua medida é bastante simples: a amostra épesada úmida mu (= mt) e, em seguida, deixada em estufa à105oC, até peso constante ms (24 a 48 h ou até peso constante),sendo a diferença entre essas massas a massa de água ml. Aamostra pode ter qualquer tamanho, desde que não seja muito 59
  61. 61. Morangueiro Irrigadopequena, nem muito grande (ideal de 50 a 500 g) e pode ter suaestrutura deformada. Para sua determinação servem, portanto,amostras retiradas no campo com qualquer instrumento (trado,pá, enxada, colher etc.), devendo-se, porém, ter o cuidado denão deixar a água evaporar antes da pesagem úmida. - Umidade à base do volume θ Vl ml mu − msθ= = = (3.8) Vt Vt Vtonde Vl e Vt foram definidos na equação 3.2. A umidade θ é adimensional (cm3/cm3) e, comfreqüência, é apresentada em porcentagem. Sua medida é maiscomplicada, pois envolve a medida do volume Vt e, por isso, aamostra não pode ser deformada. Normalmente toma-se Vl = ml(considerando a densidade da solução do solo como 1,0 g/cm3).O volume Vt é o mais difícil de ser medido. A técnica maiscomum é a do uso de anéis volumétricos, idênticos aosutilizados para a medida da densidade do solo. O procedimento mais conveniente para determinar θ émedir U e depois multiplicar o resultado por Dr:θ = U × Dr (3.9)sendo U dado em g de água/g de solo e Dr adimensionalresultando θ em cm3 de água/cm3 de solo. Logicamente Drprecisa ser conhecido, mas a densidade do solo não varia muitono tempo, a não ser quando são realizadas operações de manejo(aração, gradagem, subsolagem, dentre outras). Mas, em geral,as maiores variações de Dr ocorrem nos primeiros 30 cm. Paramaiores profundidades, geralmente considera-se Dr constante. Exemplo: Coletou-se uma amostra de solo com um volume de 3150 cm , cuja massa úmida é 228 g e a massa seca é 193 g.Dessa forma:60
  62. 62. Capítulo III 228 − 193U= = 0,181 g/g ou 18,1 % 193 228 − 193θ= = 0,233 cm 3 / cm3 ou 23,3 % 150 Note-se que para a mesma amostra, U é diferente de θ,daí a necessidade de manter as unidades, mesmo sendo ambosos valores adimensionais. 193DS = = 1,287 g / cm3 150 1,287Dr = = 1,287 1,0θ = U × Dr = 0,181×1,287 = 0,233 cm3 / cm3 Vê-se, portanto, que só para o caso particular de Dr =1, θ = U, que é o caso de solo bem fofo. Ainda usando o valormédio de 2,65 g/cm3 para a densidade das partículas: DS 1,287P = 1− = 1− = 0,514 cm3 / cm3 ou 51,4 % Dp 2,6503.3.2 Retenção de água no solo A retenção de água no solo ocorre devido afenômenos de capilaridade e adsorção. A capilaridade atua naretenção da água no solo quando os poros estão cheios de água(solo úmido). A medida que o solo vai secando, os poros vão seesvaziando, filmes de água recobrem as partículas sólidas dosolo e a adsorção passa a predominar na retenção de água. A 61
  63. 63. Morangueiro Irrigadoenergia requerida para se retirar a água na condição seca émuito maior que na condição úmida.3.3.3 Capacidade de campo e ponto de murcha permanente Diz-se que um solo está saturado quando todos osporos estão cheios de água. Nesta condição, a água que drena éaquela retida devido à capilaridade nos poros maiores. Quandoessa drenagem cessa, o solo atinge a capacidade de campo(θcc). Continuando a drenagem, a adsorção passa a predominarno processo de retenção de água e, neste caso, os porosmenores passam a perder água. Quando a umidade do solo é tãobaixa que a quantidade de água existente faz com que a plantamurche, sem recuperar o turgor mesmo com o umedecimentodo solo, diz-se que o solo atingiu o ponto de murchapermanente (θPMP).3.3.4 Capacidade de água disponível A diferença de umidade entre a capacidade de campo eo ponto de murcha permanente é definida como a capacidadede água disponível (CAD). A CAD (mm) é calculada pelaseguinte equação:CAD = (θ cc − θ PMP ) × z (3.10)onde θcc é a umidade do solo na capacidade de campo(cm3/cm3), θPMP é a umidade do solo no ponto de murchapermanente (cm3/cm3) e z é a espessura da camada de solo(mm). A quantidade de água disponível em um solo estárelacionada com a energia com que a água é retida na matriz dosolo, ou seja, o potencial matricial da água no solo (Reichardt e62
  64. 64. Capítulo IIITimm, 2008). Essa relação origina a curva de retenção de águano solo, que é elaborada em laboratório.3.3.5 Armazenamento de água no solo Dados os valores de umidade do solo, que sãopontuais, como se determina a quantidade de água armazenadaem uma dada camada de solo? A quantidade de água que cai sobre um determinadolocal, comumente, é expressa em termos de altura. Porexemplo, em Turuçu/RS chove em média 1.900 mm por ano. Oque representa isso? A água de chuva é medida empluviômetros, que são recipientes coletores de água expostos aotempo (Figura 3.4). Eles têm uma área de captação S (m2)(seção transversal de sua boca) e coletam um volume V (m3) deágua durante a chuva. A altura de chuva é h (m) = V/S, quepode ser convertida em mm. O interessante é que h independedo tamanho da boca do pluviômetro, pois um pluviômetro deboca 2S coletará o dobro do volume, isto é, 2V, resultando nomesmo valor de h. O significado de h pode, então, ser melhorvisualizado para o caso de S = 1 m2, isto é, h igual ao volumede água que cai sobre a superfície unitária. 63
  65. 65. Morangueiro IrrigadoFigura 3.4 - Ilustração de um pluviômetro tipo “Ville Paris” utilizado para medir a quantidade de água da chuva em uma propriedade no município de Turuçu/RS. Se jogarmos 1 L de água sobre uma superfície plana eimpermeÀ

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