O ENSINO SOBRE A
GRAÇA SALVADORA NA
HISTÓRIA DA IGREJA
Franklin Ferreira
O pecado e a graça
no ensino cristão primitivo
PAIS GREGOS
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Partem do intelecto, ao qual a
vontade está subordina...
O ensino de Pelágio no século IV
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A vida cristã consiste de um esforço constante, através do
qual a pes...
A conversão de Agostinho
“E tu, Senhor, até quando? Até
quando continuarás irritado? Não
te lembres de nossas culpas
passa...
O triunfo da graça em Agostinho
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Total depravação humana e a consequente incapacidade
para salvação;
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Interesse pastoral e devocional
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No fim, a base da diferença entre Pelágio e Agostinho
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“[Na doutrina da graça] Agostinho encontrou o ‘antídoto
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(...) A graça divina seguiria o cristão em todas as idades,
protegendo o fiel batizado até nos períodos mais vulneráveis d...
As decisões conciliares
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Os puritanos e a graça de Deus
A partir do século XVII, por
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Uma cadeia que não se rompe
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Uma importante distinção
GRAÇA COMUM
(amor benevolente)
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Deus o criador concede
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A controvérsia hipercalvinista
Uma distorção surgida no século XVIII entre os batistas ingleses,
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Com algumas modificações, a
posição semi-agostiniana foi
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O triunfo da graça em Karl Barth
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O ensino da graça na atualidade
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Conclusão: “Somente a Escritura”
1. As diversas posições históricas devem ser julgadas
pelas Escrituras:
“O Juiz Supremo, ...
Lutherbibel, 1534
Conclusão: “Somente a graça”
2. Diante das diversas opções históricas, a posição bíblica é
aquela que afirma a gratuidade ...
Ao contemplar a rude cruz
(Isaac Watts)
1. Ao contemplar a rude cruz
em que por mim morreu Jesus,
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“A Escritura Sagrada, (...) o único
testemunho de revelação real e
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Conclusão: Devida humildade
3. A posição assumida sobre o que a Escritura ensina
sobre a graça deve excluir o orgulho e ar...
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Conclusão: “Seja anátema”
4. A posição das Escrituras é clara: a tentativa de ajudar a
salvação com nossas obras torna nul...
“O guarda de um bordel público é menos
pecador que o pregador que não
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O ensino da graça salvadora - Franklin Ferreira

  1. 1. O ENSINO SOBRE A GRAÇA SALVADORA NA HISTÓRIA DA IGREJA Franklin Ferreira
  2. 2. O pecado e a graça no ensino cristão primitivo PAIS GREGOS ¨  ¨  Partem do intelecto, ao qual a vontade está subordinada, e por meio da qual opera: o que o homem pensa, poderá fazer. O homem opera o começo de sua salvação, onde, depois, Deus coopera com a graça. PAIS LATINOS ¨  ¨  Concedem liberdade à vontade. Deus começa a obra e, depois, o homem coopera com sua vontade, enfatizando fortemente a obra da graça, ainda que não exclusiva.
  3. 3. O ensino de Pelágio no século IV ¨  ¨  ¨  ¨  A vida cristã consiste de um esforço constante, através do qual a pessoa vence seus pecados e obtém a salvação. Deus fez os seres humanos livres e o mal teria sua origem na vontade, tanto na do diabo como na de seres humanos. O ser humano sempre tem poder de se sobrepor ao pecado, através da escolha do bem e do mal, podendo cumprir perfeitamente os mandamentos de Deus, sem pecar. Não há necessidade de alguma graça especial de Deus, pois esta é algo que está presente em todos os lugares, em todo momento.
  4. 4. A conversão de Agostinho “E tu, Senhor, até quando? Até quando continuarás irritado? Não te lembres de nossas culpas passadas! Sentia-me ainda preso ao passado, e por isso gritava desesperadamente: Por quanto tempo, por quanto tempo direi ainda: amanhã, amanhã? Por que não agora? Por que não pôr fim agora à minha indignidade?”
  5. 5. O triunfo da graça em Agostinho ¨  ¨  ¨  ¨  Total depravação humana e a consequente incapacidade para salvação; Somos salvos pela eleição incondicional de Deus, enfatizando a prioridade da graça livre e soberana de Deus; Esta graça é irresistível nos eleitos, pois o Espírito Santo convence eficazmente o pecador; Os santos perseveram na fé, pois aqueles que de antemão foram eleitos serão preservados da queda final.
  6. 6. Interesse pastoral e devocional ¨  ¨  ¨  No fim, a base da diferença entre Pelágio e Agostinho foram seus pontos de vista sobre a natureza humana e a graça de Deus. Mas a luta de Agostinho em prol da graça de Deus não era motivada apenas pela defesa de uma das doutrinas centrais da fé cristã. A ênfase de Agostinho sobre a primazia da soberana graça de Deus foi intensamente existencial e pastoral.
  7. 7. “[Na doutrina da graça] Agostinho encontrou o ‘antídoto contra o elitismo cristão’. (...) Nenhum grupo deixava de ser tocado pela graça divina. Pois não havia esforço, por mais humilde que fosse, que não dependesse tão rigorosamente da dádiva da graça divina quanto a mais espetacular manifestação de ‘carisma’ [como no martírio e no celibato]. Todos os fiéis eram iguais, pois todos eram igualmente ‘pobres’. Todos eram também iguais porque, para seu sustento, eram inteiramente dependentes do abundante banquete de Deus. (...) Agostinho pôs-se a trabalhar para eliminar a distância entre a vitória da graça divina nos mártires – cujo comportamento parecia inimitável e muito ‘extramundano’ para a maioria dos seus ouvintes – e a operação menos dramática, porém igualmente decisiva, dessa mesma graça na média dos cristãos, quando eles enfrentavam a dor e a tentação em sua vida.
  8. 8. (...) A graça divina seguiria o cristão em todas as idades, protegendo o fiel batizado até nos períodos mais vulneráveis de sua vida. (...) E, mais importante que tudo, Agostinho apreendeu com clareza, em sua doutrina da graça, as consequências do intenso sentimento da ação validada por uma inspiração sobrenatural, que perpassava toda a cultura religiosa de sua época. Ele domesticou essa ideia de ação ao colocar a glória da graça divina à disposição de todos. Num mundo em que ninguém podia gloriar-se em si mesmo, Agostinho deixou aberto o caminho para que todos, dentro da Igreja (...), se gloriassem na ideia da ação baseada em Deus, pois insistiu em que Deus era capaz de colocar um peso de glória (2Co 4.17) em cada coração.” Peter Brown
  9. 9. As decisões conciliares ¨  A igreja antiga concordou com Agostinho, condenando o pelagianismo como herético em três concílios: o  Cartago (418), no norte da África o  Éfeso (431), na Ásia Menor o  Orange (529), na França ¨  Mas ao final desse período já haviam duas novas interpretações sobre a salvação, conhecidas como semipelagiana e semi-agostiniana.
  10. 10. A graça na Igreja Ocidental POSIÇÃO   PELAGIANISMO   AGOSTINIANISMO   S E M I PELAGIANISMO   PRINCIPAIS DEFENSORES   Pelágio   Juliano de Eclano   Celéstio   Agostinho de Hipona   - João Cassiano   S E M I - Cesário de Arles   AGOSTINIANISMO   RESUMO   O homem nasce essencialmente bom e é capaz de fazer o necessário para a salvação.   O homem está morto no pecado; a salvação é totalmente pela graça de Deus, a qual é dada apenas aos eleitos.   A graça de Deus e a vontade do homem trabalham juntas na salvação, na qual o homem deve tomar a iniciativa.   A graça de Deus estende-se a todos, capacitando uma pessoa a escolher e a fazer o necessário para a salvação.  
  11. 11. Uma influência duradoura Seguidores da interpretação agostiniana sobre as doutrinas da graça: ¨  ¨  ¨  ¨  No cristianismo medieval: Anselmo de Cantuária, Bernardo de Claraval, Tomás de Aquino e Tomás de Kémpis, além de Jan Hus e John Wycliffe. As reformas eclesiásticas do século XVI, especialmente nas tradições luterana e reformada. A reforma puritana na Inglaterra, nos séculos XVI e XVII. O Grande Avivamento, ocorrido na Inglaterra e nos Estados Unidos no século XVIII.
  12. 12. Os puritanos e a graça de Deus A partir do século XVII, por causa da influência dos escritos de William Perkins, passou-se a enfatizar entre os agostinianos uma seqüência ou ordem da aplicação da salvação (cf. Rm 8.29-30).
  13. 13. Uma cadeia que não se rompe 1.  2.  3.  4.  5.  6.  7.  Antes do tempo Deus predestinou e elegeu os piores pecadores para a salvação; no tempo, estes foram chamados e regenerados, o que leva os eleitos a responderem ao chamado do evangelho com fé e arrependimento; isto implica a justificação e a adoção, assim como a santificação, a perseverança e, ao fim do tempo, a ressurreição e a glorificação, tendo como alvo a união mística do fiel com Cristo.
  14. 14. Uma importante distinção GRAÇA COMUM (amor benevolente) ¨  ¨  Deus o criador concede dádivas a justos e a injustos. O amor benevolente de Deus é universal, se estendendo a todas as pessoas, sem distinção.  GRAÇA SALVADORA (amor complacente) ¨  ¨  Bênção especial que Deus, o redentor, concede ao seu povo por meio da fé em Cristo. O amor complacente de Deus é o deleite e o prazer especiais que Deus tem em seu Filho unigênito e, por meio da adoção, por cada crente.
  15. 15. A controvérsia hipercalvinista Uma distorção surgida no século XVIII entre os batistas ingleses, que mina a evangelização ou distorce a mensagem evangélica: 1.  2.  3.  4.  5.  Nega que o chamado do evangelho se aplica a todos os ouvintes; ou Nega que a fé é dever de todo pecador; ou Nega que o evangelho faça qualquer “oferta” de Cristo, de salvação ou de misericórdia aos não-eleitos (ou nega que o oferecimento da misericórdia divina é gratuita e universal); ou Nega a existência da chamada “graça comum”; ou Nega que Deus tenha qualquer tipo de amor pelos não-eleitos.
  16. 16. Outros caminhos após a Reforma Com algumas modificações, a posição semi-agostiniana foi assumida pelos arminianos no século XVII, por John Wesley e a tradição metodista no século XVIII, assim como por grande parte da tradição de santidade e pentecostal do século XIX e XX.
  17. 17. O triunfo da graça em Karl Barth ¨  ¨  ¨  O destino sofrido por Jesus Cristo reflete um processo intratrinitário, no qual Deus escolhe o Filho e nele, a raça humana, e que ele rejeita o Filho e permite que Cristo se submeta à morte a fim de que pudesse ser ressuscitado para a glória eterna. A predestinação é, pois, uma decisão eterna feita por Deus, significando que os homens – todos os homens – são graciosa e soberanamente eleitos, enquanto que o próprio Deus, na forma do Filho, toma sobre si mesmo a condenação. Esta posição conduz ao universalismo, porque a única diferença entre aqueles que estão na igreja e aqueles que estão fora é que a igreja sabe da sua eleição e o mundo não.
  18. 18. O ensino da graça na atualidade ¨  ¨  O ressurgimento das mesmas ênfases agostinianas na atualidade não é uma novidade, antes, é o retorno a uma das doutrinas fundamentais da teologia cristã, e a ênfase na liberdade e soberania da graça de Deus e radicalidade do pecado. Principais autores: D. M. Lloyd-Jones, J. I. Packer, R. C. Sproul, John MacArthur, Michael Horton, John Piper, D. A. Carson, Tim Keller, Albert Mohler e Wayne Grudem.
  19. 19. Conclusão: “Somente a Escritura” 1. As diversas posições históricas devem ser julgadas pelas Escrituras: “O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura”. (Confissão de Fé de Westminster I.10)
  20. 20. Lutherbibel, 1534
  21. 21. Conclusão: “Somente a graça” 2. Diante das diversas opções históricas, a posição bíblica é aquela que afirma a gratuidade da graça (cf. Rm 3.24). A salvação é a obra completa de Deus em favor dos pecadores, regenerando-os, justificando-os, libertando-os de sua escravidão ao pecado, santificando-os, sustentando-os e conduzindo-os à glória. E esta é recebida pela fé somente, mas esta a não é a causa pela qual Deus salva pecadores. Pois, de acordo com as Escrituras, a origem da salvação se encontra somente em Deus, para sua glória.
  22. 22. Ao contemplar a rude cruz (Isaac Watts) 1. Ao contemplar a rude cruz em que por mim morreu Jesus, minha vaidade e presunção eu abandono em contrição. 2. Em nada quero me gloriar salvo na cruz de dor sem par, humilde sacrificarei tudo que desagrada ao Rei. 3. Se eu fosse o mundo lhe ofertar ele o iria desprezar. Seu grande amor vem requerer minha entrega, todo o meu ser.
  23. 23. “A Escritura Sagrada, (...) o único testemunho de revelação real e competente de Deus, (...) diz que, tendo-nos Deus procurado no milagre de sua condescendência em Jesus Cristo, cujos testemunhas são os profetas e os apóstolos, todos os nossos esforços por encontrá-lo por nossa iniciativa não só perderam seu sentido, mas se provaram impossíveis”. Karl Barth, “Reforma é decisão”, p. 172-173.
  24. 24. Conclusão: Devida humildade 3. A posição assumida sobre o que a Escritura ensina sobre a graça deve excluir o orgulho e arrogância (cf. Rm 3.27; 1Co 1.26-29). De forma maravilhosa, a graça alcança os piores pecadores. São estes que são o alvo da triunfante graça de Deus. Aqueles que recebem a salvação em Cristo, a recebem somente pela graça, do começo ao fim – e dessa forma Deus recebe toda glória.
  25. 25. Um monge perguntou certa vez a Francisco de Assis qual foi a razão de Deus tê-lo escolhido. Ele não tinha resposta. Mas o curioso monge insistiu; deveria haver alguma razão para Deus tê-lo escolhido. Depois de um tempo pensando, Francisco de Assis sugeriu que Deus o escolheu por não haver pecador pior. Por isto, toda soberba é excluída, para que, no fim, aqueles que constituem o novo povo de Deus gloriem-se somente “no Senhor” (1Co 1.31). Parte superior do mais antigo retrato de Francisco de Assis, um mural no mosteiro beneditino de Sacro Speco em Subiaco, Itália.
  26. 26. Conclusão: “Seja anátema” 4. A posição das Escrituras é clara: a tentativa de ajudar a salvação com nossas obras torna nula a obra de Jesus. Por isso o apóstolo Paulo ameaça com maldição a todos os que pervertem o seu evangelho, entregando-os à ira do juízo de Deus (cf. Gl 1.6-9). O sentido de toda a Escritura é claro: Jesus Cristo, e somente ele, salva, “gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação” (Rm 3.24-25).
  27. 27. “O guarda de um bordel público é menos pecador que o pregador que não entrega o verdadeiro Evangelho, e o bordel não é tão ruim assim como a igreja do falso pregador. (...) Isto os surpreende? Lembrem-se de que a doutrina do falso pregador não causa nada mais que dia-a-dia desviar e violar almas recém-nascidas no batismo — cristãos jovens, almas tenras, noivas virgens, puras e consagradas a Cristo. Considerando que o mal é feito espiritualmente e não fisicamente como num bordel, ninguém o observa: mas Deus está incomensuravelmente descontente”. Martinho Lutero Sermon on the St. Stephen’s Day, em: Erl. Ed. 10, 228; W. 11, 280; St. L. 11, 204.

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