Examinai as Escrituras - Atos a Apocalipse

3.259 visualizações

Publicada em

Publicada em: Espiritual
0 comentários
6 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
3.259
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
93
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
479
Comentários
0
Gostaram
6
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Examinai as Escrituras - Atos a Apocalipse

  1. 1. J. SIDLOW BAXTER EXAMINAI-------AS--------- ATOS A APOCALIPSE
  2. 2. Ex a m in a i ESCKffilfeS J. Sidlow Baxter Tradução de Neyd Siqueira
  3. 3. Riw uh A. fc. '* Sayão (olilol» Uicil Un*6anlo» Haib« (pr>'vu) ílü lit:pniduçãq: Rn' MAZINHO RODRIGUES Primeira edição em português: outubro de 1989 Publicado no Brasil com a devida autorização e com todos os direitos reservados por
  4. 4. PREFÁCIOÀEDIÇÃO EM PORTUGUÊS A obra aqui intitulada EXAMINAI AS ESCRITURAS é a sexta parte de uma coleção de seis volumes. Esta coleção surgiu em decorrência do desejo do Pastor J. SidlowBaxter de oferecer, com lições atraentes e prá­ ticas, um conhecimento bíblico básico aos membros da Capela Charlotte, em Edimburgo, na Escócia. O autor teve a feliz idéia de preparar seus es­ tudos de um modo completo para os membros daquela igreja, começan­ do com Gênesis e terminando em Apocalipse, sem escrever apenas mais um comentário. O autor lança um alicerce agradável e seguro para aquele que deseja apresentar-se como obreiro (ou membro da igreja) “que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2.15). Neste volume, o Pastor Baxter discorre sobre os primórdios da igreja cristã, segundo registrados pelo livro de Atos dos Apóstolos, fazuma via­ gem através das cartas do Novo Testamento, chegando, por fim, ao livro das revelações, Apocalipse. Em liçõessemprepráticas ebastanteassimiláveis,Baxterofereceincon­ táveis informações muito iluminadoras àqueles que têm somente idéias acerca do NovoTestamento. Temos convicção de que apopularidade go­ zadapor esta obra em inglês será amesma que severificará na sua edição em português. Dentro de pouco tempo, Edições Vida Nova estará colo­ cando à disposição do público leitor os quatro volumes desta série, que se relacionam com o Antigo Testamento. Os Editores
  5. 5. ATOS DOS APÓSTOLOS (1) Lição nQ21
  6. 6. NOTA: Leia Atos dos Apóstolos pelo menos duas vezes para este estudo. Não obstante as severas críticas feitas ao livro nas últimas décadas, eruditos como o professor Ramsay demonstraram conclusivamente que eleé dignodo mais elevado crédito comoumahistóriadoprimeiro século. Uma atmosfera de realidade o cerca: nenhum outro livro do Novo Testamento associa o seu conteúdo com a história geral do mundo como esta obra. (A grande autoridade sobre todas as dúvidas relativas à credibilidade deAtoséoprofessorW.M.Ramsay, especialmente em seus livros: The Churchin theRoman Empire; St.Paulthe TravellerandRoman Citizen;An Historical Commentary on Galatians [“A Igreja no Império Romano; S. Paulo, Viajante e Cidadão Romano; Um Comentário Histórico de Gálatas”].) W. H. G. Thomas
  7. 7. ATOS DOS APÓSTOLOS Vinte e oito capítulos emocionantes apresentam-se anós! Podemos ler qualquer deles várias vezes, descobrindo sua fascinação crescente a cada leitura.Penaalgumajamaisescreveuum registromaisirresistível. Seesses acontecimentos memoráveis não provocarem a imaginação e nem despertarem as emoções de qualquer leitor realmente interessado, nenhum outro o fará. Todavia, até mesmo o simples interesse pelo livro fica eclipsado pela sua importância como revelação e história. Ele é a seqüência dos poderosos eventos dos evangelhos e a introdução para as gloriosasdoutrinas das epístolas;marcando, defato,um dosmaiselevados pontos críticos da história, como em breve teremos oportunidade de ver. Autor e Data Devemos,porém, dizeralgumacoisasobre o autore adataemprimeiro lugar. É possível afirmar com finalidade quase categórica que o livro é de autoria de Lucas, o escritor do terceiro evangelho. Existem quatro considerações que estabelecem este fato. Primeira: tanto “Atos dos Apóstolos” como o “Evangelho Segundo Lucas” são dedicados a Teófilo (Lc 1.3; At 1.1); e ao iniciar “Atos” o escritor faz menção de seu “primeiro livro”,referindo-se evidentemente ao “Evangelho Segundo Lucas”. Segunda: há semelhanças, deReconhecimento unânime, no estilo, nas frases e na ordem em ambos os livros, e uma correspondência notável em certa fraseologia médica que é própria de Lucas, “o médico amado” (Cl 4.14). Terceira: o pronome “nós”, em versículos tais como 16.10 e 20.6, é geralmente tido como indicador do narrador, pelo menos do capítulo 16 em diante, como um dos companheiros de viagem de Paulo. Silas e Timóteoparecem estar eliminadosporversículostaiscomo 16.19e20.4,5; não há também qualquer traço de evidência de que o escritor possa ser Tito. Quem seria ele então, senão Lucas? Desde que o estilo de todos os
  8. 8. capítulosprecedentesao 16éomesmo daqueles queseseguem aele, olivro não teria sido escrito inteiramente por Lucas? Quarta: a autoria de Lucas, tanto de Atos como do terceiro evangelho, é confirmada unanimemente pela tradição cristã a partir de Irineu, no século II A.D., sendo aceita pelos críticos de todas ou quase todas as escolas de nossos dias. A data, assim como a doutrina, pode ser perfeitamente fixada. Ele foi completado cerca doano 63A.D. em Roma; ou seja,perto do fimdos dois anos em que Paulo esteve preso nessa cidade e, possivelmente, sob a orientação desse grande apóstolo. A narrativa chega exatamente até esse ponto e não poderia ter sido completada antes. Todavia, não haveria também possibilidade de ter sido escrita muito mais tarde que isso, pois, se o julgamento de Paulo diante de Nero e sua absolvição tivessem tido lugar, Lucas, certamente, registrariaofato. Além do mais, se asprojetadas viagens de Paulo e seu segundo julgamento — e mais que tudo, seu martírio — houvessem ocorrido, Lucas não teria, com toda certeza, registrado isso em vez de interromper repentinamente seu relato como o fez no final do capítulo 28? É quase certo que sim, pois sabemos através de 2Timóteo 4.6,11 que Lucas ficou com Paulo até o fim. Objetivo e Título Qual oescopo, ouseja, oassunto e oobjetivo deAtos? Algunspreferem chamá-lo de “Atos do Espírito Santo”, devido às suas muitas referências ao Espírito Santo. Outros gostariam de dar-lhe o título de “Atos do Cristo Que Subiu aos Céus”. Eles nos remetem às palavras introdutórias de Lucas: “Escrevi oprimeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesusfez eensinou, até aodiaem que, depois de haver dado mandamentos por intermédio doEspírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado àsalturas...”e sugerem queLucaspretende agora, neste novo livro, contar o que o Senhor continuou a fazer depois de sua ascensão. Mas, segundo nosso critério, overdadeiro nome do livro é o que sempre teve, “Atos dos Apóstolos”;pois, embora o Cristo que subiu às alturas e oEspírito que dá de Sua plenitude estejam operando através e acima de tudo, as figuras vistas são as dos homens comissionados por Cristo e controlados pelo
  9. 9. Espírito, os apóstolos. O principal desafio do livropara nós éjustamente o significado do que esses homens disseram e fizeram. Se quisermos interpretar a ascensão de Cristo e o fenômeno do Pentecoste devemos observar esseshomens. Alguns negam que o título “Atos dos Apóstolos” seja o verdadeiro ou original. Por exemplo, o Comentário de Marshall sobre Atos diz: “A obra não pode ser considerada em sentido algum como um registro dos feitos dos apóstolos, desde que não contém um relato detalhado do trabalho deles, com exceções dos de Pedro e de Paulo. Ele é de fato o registro de alguns atos de certos apóstolos e de outros que não eram apóstolos”. A simplesresposta aistoé que, se olivro não consiste especialmente de uma narrativa dos feitos dos apóstolos, será difícil saber o que ele é. Os doze apóstolos, todos eles, são mencionados no primeiro capítulo, a fim de podermos saber, sem sombra de dúvida, a quem Lucas se refere quando fala dos “apóstolos” nos capítulos seguintes. Eles são citados coletivamente depois disso nada menos do que 23 vezes! Seus pronunciamentos, decisões e atividades importantes, como um corpo, forampreservados,revelando suaunanimidade eautoridadereconhecida. Desse modo, embora o escritor não tenha achado necessário ou possível apresentar a história pessoal de cada um, ficamos sabendo que os escolhidos para menção especial são citados como representantes ou líderes.Talvez devamos acrescentar que apesar dos “Doze”ocuparemum lugar distinto, o termo “apóstolo” é usado para Barnabé e para outros mencionados pelo nome ou incluídos na narrativa sem serem nomeados. O livro é verdadeiramente comparável ao seu nome. Trata dos “Atos dos Apóstolos”.Tem o propósito de ensinar-nos a relevância desses homens, do que fizeram e disseram e do que aconteceu com eles. Chave e Plano O pensamento principal em Atos é dar testemunho de Cristo e o versículo-chave é sem dúvida 1.8: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”.Neste v. 8, vemos a nomeação divina, o equipamento espiritual e o compromisso
  10. 10. geográfico das testemunhas de Cristo. Além disso, o desenvolvimentogeográfico de todo o livro é antecipado aqui: “em Jerusalém, como em toda aJudéia e Samaria, e até aos confins da terra”. Nos capítulos 2 a 7, o testemunho é dado em Jerusalém. Nos capítulos 8-12 ele é divulgado em toda Judéia e Samaria. Finalmente, do capítulo 13até encerrar-se o livro, é levado “até aos confins da terra”. O que essasprimeiras testemunhas deveriam anunciar? Qual otema de seutestemunho para Cristo? Ao respondermos essaquestão com cuidado e sinceridade, veremos o livro assumir seu significado supremo. Quanto aoplano, o livro de Atos tem duas partes: a primeira, que vai atéofimdo capítulo 12easegunda, do capítulo 13atéoúltimo.Jerusalém é o foco da primeira parte. Na segunda, as atenções convergem para Antioquia. Na primeira, Pedro é a figura proeminente. Na segunda, é Paulo. Na primeira parte, há um movimento saindo de Jerusalém em direção àJudéia e Samaria. Na segunda, a ação tem início em Antioquia, atravessa o império e encaminha-se para Roma. Na primeira parte, ficamosrestritos àPalestina, onde é dado testemunhoprimeiro aosjudeus da pátria e depois a judeus e gentios sem distinção. Na segunda parte, somos conduzidos através do império, onde o testemunho é novamente dado primeiro aos judeus da Dispersão e depois a judeus e gentios ao mesmo tempo. A primeira parte termina com a rejeição geral da Palavra pelos judeus da pátria e a segunda com a rejeição geral da Palavra pelos judeus da Dispersão. A primeira parte termina com a prisão de Pedro. A segunda encerra-se com aprisão de Paulo. Existeum paralelo entre Pedro, naprimeiraparte, ePaulo, na segunda, que parece ser mais que pura coincidência. PEDRO PAULO I Primeiro sermão (2) I Cura de um coxo (3) I Simão, o mágico (8) Primeiro sermão (13) Cura de um coxo (14) Elimas, o mágico (13) Influência do lenço (19) Imposição das mãos (19) Paulo adorado (14) Ressurreição de Êutico (20) Prisão de Paulo (28) Influência da sombra (5) Imposição das mãos (8) I Ressurreição de Tabita (9) Prisão de Pedro (12)
  11. 11. Ao serem destacadas essas duas partes, vemos como o livro de Atos é realmente planejado de acordo com o versículo-chave, em Atos 1.8. Vamos registrar muito bem —na primeira parte de Atos (1-12) temos “Jerusalém,Judéia e Samaria”;nasegunda (13-28) temos “até aosconfins da terra”.Será útil colocar num papel os fatos da seguinte forma: ATOS DOS APÓSTOLOS Tema principal: Testemunho de Cristo Versículo-chave: At 1.8 PARTE 1(1-12) PARTE 2 (13-28) Jerusalém: o centro Antioquia: o centro Pedro, figura principal: Paulo, figura principal: Em direção a Samaria Em direção a Roma Palavra rejeitada pelosjudeus Palavra rejeitada pelosjudeus da pátria da Dispersão Prisão de Pedro Prisão de Paulo Juízo sobre Herodes Juízo sobre osjudeus É disso que tratam, portanto, o “escopo”, a “chave” e o “plano”. Veremos que três eventos críticos foram registrados em Atos, dando ao livroum significadodispensacionalsurpreendente.Antes deexaminarmos osmesmos,porém,há umapergunta damáximaimportânciaque*devemos responder com todo cuidado. Qual a natureza e conteúdo do testemunho apostólico para o Senhor Jesus Cristo? O Que Significava Testemunho Apostólico? O primeiro capítulo do livro cobre os cinqüenta dias desde a ressurreiçãodoSenhor atéodiadePentecoste.Essescinqüentadiasforam divididos em quarenta dias e dez dias —os quarenta dias do ministério do Senhor ressurreto e os dez dias de “espera” entre a ascensão de Cristo e avinda do Espírito Santo. A importância desses últimos quarenta dias do ministério do Senhor na terra não pode deixar de ser ressaltada ao máximo.O que estavaemprimeirolugaremseuspensamentos epalavras?
  12. 12. Qual oassunto de suasúltimas conversas econselhosaos apóstolos? Ov.3 nos conta: “(Ele) se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias efalando áas coisas concernentes ao reino de Deus”.Não pode haver linguagem mais clara. Durante esses quarentadias, o assunto supremo e absorvente daconversafoi o“reino de Deus”.Istoprovocouumaperguntamuito naturalporparte dos apóstolos, que está registrada no v. 6: “Então os que estavam reunidos lhe perguntavam: Senhor, seráesteo tempo em querestaureso reino aIsrael?” Esta pergunta era o resultado perfeitamente natural do ensino do Senhor —uma pergunta inteligente e correta que nós mesmos teríamos feito se estivéssemos no lugar deles. Todavia, bastante estranhamente, a maioria dos comentaristas de Atos a ignora. Eles confundem o “reino de Deus”coma “Igreja”(espiritualizando-o completamente, semmencionar o fato de que o separam da profecia do Antigo Testamento) e acusam os apóstolos de ignorânciaincorrigívele de ambições egoístas. Por exemplo, ofalecidoRev. WilliamArthur explicaoassunto emseulivro, The Tongue ofFire (“A Língua de Fogo”) —cuja obra teve extraordinária influência há cerca de sessenta anos atrás: “Aparentementemaisdispostosainterpretar ‘poder’comoreferindo-se àsesperanças de sua nação do que ao reino dagraça, eles perguntaram, ‘Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?’Ele nada disse sobre um reino para Israel ou em Israel... Quando perguntaram, portanto, se iria naquela ocasião devolver o reino a Israel, Ele, em seguida, afastou a curiosidade dos mesmos. Quais os desígnios do Pai quanto ànação de Israel, quando elesvoltariam aserum reino, não lhes cabiaperguntar. Tinham um trabalho mais importante e mais próximo. ‘Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade’.” Citamos esse trecho por representar inúmeros comentários semelhantes sobre a pergunta feita pelos apóstolos; ele nos parece marcado por estranhas contradições. Como oescritorpoderia afirmar que o Senhor nada dissera “sobre um reino para Israel ou em Israel” parece de fato estranho em vista do que nos ensinam os quatro evangelhos. É igualmenteestranho ouvirque oSenhor“emseguidaafastouacuriosidade dos mesmos”, em vista de apenas alguns dias antes (veja Mt 24) ter dado
  13. 13. uma longa e detalhada resposta a uma questão bastante parecida! Além disso, ao registrar a pergunta dos discípulos, Lucas fazuso de um “então” significativo. A ordem exata das palavras no versículo seria: “Os que estavam reunidos, então lhe perguntavam: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” Lucas, evidentemente, utiliza o “então” aqui, para mostrar que a pergunta dos discípulos era um resultado lógico do que o Senhor estivera dizendo sobre o reino”. A maioria dos escritores, no entanto, adota o ponto de vista da citação que acabamos de dar, extraída do livro de William Arthur. Quando examinamos os comentários bíblicos conhecidos, tantos os mais antigos como osmais recentes, descobrimos a mesma opinião expressa em todos. Mas, esta explicação da pergunta dos apóstolos é verdadeira no que diz respeito ao cenário histórico e ao contexto? Achamos que não. E no que diz respeito aos próprios apóstolos, ela certamente coloca uma pressão insuportávelsobre anossa credulidade. Pense bem —aliestavam homens adultos, que, emboranão tivessemcursado escolas de nívelsuperior, eram indivíduos de bom senso e raciocínio; eles tinham sido companheiros do SenhorJesus durante três anos,tinham-no observadoe ouvido empúblico e em particular, visto todos os milagres e ouvido todas as parábolas, recebendo explicações especiais a respeito delas; haviam ouvido todas as pregações e ensinamentos sobre o reino dos céus ou reino de Deus, e, embora não houvessem compreendido todo o significado pleno contido em alguns pronunciamentos do Senhor, haviam captado a essência de seu ensino (conforme lemos em passagens como Mateus 13.51, onde, em resposta à pergunta do Senhor, “Entendestes todas estas coisas?” eles respondem: “Sim”).Esseshomens, especialmente escolhidos eensinados, os confidentes do Senhor, que o acompanharam até a cruz, tiveram agora quarenta dias maravilhosos de instrução culminante por parte do Cristo ressurreto sobre o “reino de Deus”; se eles, como muitos de nós, eram antes “tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram” (Lc 24.25), não o são mais agora, porque Lucas nos diz que, quando o Cristo ressuscitado se apresentou aos discípulos, “então” lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras!” Todavia, depois e apesar de tudo isto, espera-se que creiamos que quando os discípulos perguntaram: “Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” eles estavam fazendo uma pergunta irrelevante e não espiritual, sendo de tal formaignorantes que chegavama confundirum ensinamento
  14. 14. sobre o reino espiritual (a Igreja) com um reino material, interpretando erradamente as instruções claras de Cristo, não apenas acerca de um assunto secundário, mas sobre a comunicação central e essencial de todo o seu ensino! Isto é certamente absurdo demais para receber qualquer crédito de nossa parte! Se os apóstolos eram homens desse tipo, será melhor considerá-los débeis mentais de uma vez! Não basta dizer que eles, embora mentalmente bastante normais, não tivessem suficiente espiritualidade para compreender as verdades espirituais que Cristo lhes estivera ensinando, pois todos concordarão que os apóstolos, àquela altura, já eram homens regenerados. O próprio Senhor os pronunciara “limpos, pela palavra” (Jo 15.3); e todos estarão de acordo em que esses homens, apesar de sua inexperiência espiritual, haviam sido especialmente ensinados pelo Espírito Santo; como vemos, por exemplo, naspalavras do Senhor aPedro: “Nãofoi carne esangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus” (Mt 16.17). De modo algum trata-se de eles serem espirituais ou não, mas de seu senso comum, de entenderem ou não aspalavras claras que lhes foram ditas pelo Senhor antes e depois de sua ressurreição. Se colocarmos quaisquer homens normais da atualidade no lugar deles (não estou querendo dizer necessariamente homens “convertidos”), oque deveríamos esperar dosmesmos? Sabemos muito bem. Podemos ou ousamos então esperar menos desses indivíduos especialmente escolhidose instruídos, osapóstolos? Seráque eleshaviam cometidoum engano tão grande assim, aponto de confundir aIgreja, que é um organismo espiritual, com um reino israelita material, nacional e aparente, aoperguntarem, “Senhor, será este otempo em que restaures o reino a Israel?”; então, nosso Senhor, em lugar de responder simplesmente que não lhes cabia conhecer “tempos ou épocas que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade”, teria certamente pronunciado uma das sentenças mais dolorosas daBíblia —sejade forte censura ou de decepção compassiva! Quanto à resposta de Jesus ter sido uma reprovação, como sugerido, não acreditamos que se trata disso. Mas, sim de uma declaração pura de um fato. Mantê-los ignorantes quanto aos “tempos ou épocas”relativos à volta do Rei-Messias e o estabelecimento do reino não era, de modo algum, uma censura. O Senhor não afirmara que Ele mesmo desconhecia quando isso iria acontecer? “Mas a respeito daquele dia ou da hora
  15. 15. ninguém sabe; nem os anjos do céu, nem o Filho, senão somente o Pai” (Mc 13.32). Em vez de as palavras do Senhor conterem reprovação, veremos em breve que elas possuíam um significado especial para eles, sendo essa a razão de Lucas ter o cuidado de registrá-las. Qual o motivo deste mal-entendido sobre apergunta dos apóstolos e a resposta do Senhor à mesma? Ele é causado simplesmente pelo erro em confundir o reino do céu, ou reino de Deus, com a Igreja da dispensação presente. O que os apóstolos deveriam então pregar, segundo a comissão do Cristo ressurreto? Comojá notado, tratava-se de algo ligado ao “reino de Deus”,pois esse foi o assunto em consideração durante os quarenta dias. O Senhor ressurreto nomeou os apóstolos como suas testemunhas especialmente em relação a duas coisas. Eles deveriam dar testemunho dEle (1) como sendo de fato o Messias-Rei de Israel, o Salvador de seu povo, crucificado mas agora ressurreto, o Rei predestinado do “reino dos céus”há muito prometido; e (2) como o Salvadorpessoal, da culpa, poder e castigo eterno do pecado, para todos os que crerem nEle, através de sua morte expiatória e ressurreição. Eles deveriam apresentar a oferta do Rei edoreino, comooSenhorfizeraaté odiade suacrucificação. Sóque agora havia um novo e maravilhoso fator na mensagem —o da Cruz, o perdão para “o pecado do mundo”,e asboas novas da salvação pessoal pelafé no Senhor Jesus, o Cristo de Israel e agora Salvador do mundo. Quaisquer que sejam os outros significados que possam pertencer aos Atos dos Apóstolos, o livro é, principalmente, A RENOVAÇÃO DA OFERTA DO REINO DOS CÉUS À NAÇÃO DE ISRAEL. Modelos de Pregações Apostólicas lista renovação da oferta do reino a Israel é o ponto-chave de todas as proclamações registradas dos apóstolos à nação no dia de Pentecoste e após o mesmo. Examine as duas primeiras declarações públicas de Pedro - a do dia de Pentecoste e a outra no pórtico do Templo. O grande sermão de Pedro no dia de Pentecoste é mencionado no capítulo 2.14-40. Ele é dirigido especificamente aos homens de Israel (w. 14,22, 36). A seguir (note cuidadosamente), o derramamento do Espírito
  16. 16. no Pentecoste é atribuído ao cumprimento da profecia de Joel 2.28-32. Pedro declara: “O que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel”(v. 16).AoqueserefereaprofeciadeJoel?ÀIgreja?Absolutamente não. Ela se refere à nação de Israel e, em particular, ao reino messiânico (quepredominanaspredições doAntigoTestamento), comoJoel2euma comparação com outras profecias do Antigo Testamento irão provar. Pedro coloca em seguida a responsabilidade da crucificação do Messias sobre anação deIsrael (w. 22,23),lembrando-os dos“milagres,prodígios e sinais” que Jesus operara entre eles. Pedro anuncia nesse ponto a nova mensagemdaressurreição eexaltação deJesuscrucificado, mostrandoser ela um cumprimento da predição messiânica (w. 24-33). Essa é uma passagem tremenda e triunfante. Note as cinco grandes afirmações relativas a “Jesus de Nazaré” (v. 22): 1. Este Homem, Jesus, é o foco da profecia do Antigo Testamento — “Porque a respeito dele dizDavi” (v.25). 2. Este Homem, Jesus, é o Senhor —“Porque a respeito dele diz Davi: Diante de mimvia sempre o Senhor”(v. 25). 3. Este Homem, Jesus, é o “Santo“prometido —“A respeito dele diz Davi... o teu Santo” (v. 27). 4.Este Homem, Jesus, é oMessiasprometido —“(Davi) prevendo isto, referiu-se a...Cristo” (v. 31). 5.Este Homem, Jesus, éoREIprometido —“(Davi) sabendo...que um de seus descendentes (Cristo) se assentariano seu trono“ (v. 30). Essasespantosasdeclarações,acompanhadasdos“sinais”milagrososno diade Pentecoste, devem ter tido um efeito surpreendente sobre amente dos ouvintes judeus de Pedro. Mas este tinha algo ainda mais extraordinário para dizer. Depois de insistir sobre o messiado de Jesus combasenos“milagres,prodígiose sinais”que opróprioJesusfizeraentre eles, do fato de sua ressurreição, conforme a predição de Davi, Pedro oferece a comprovação final não só de que Jesus é de fato o Messias, mas que,numsentidoúnico etranscendente,Ele éopróprioFilhodeDeus.Isto seencontra nov.33: “Exaltado, pois, àdestra de Deus, tendo recebido do PaiapromessadoEspírito Santo, (Jesus)derramouistoquevedese ouvis”. A palavra de Pedro é decisiva e suaimplicação inevitável: este Jesus fez o que somenteDeuspode fazer —Ele derramou oEspíritoDivino! Afirmar
  17. 17. queJesus exercera estaprerrogativaabsolutamente divinaseriablasfêmia se o Senhor Jesus não fosse de fato o Filho de Deus. Mas Ele é verdadeiramente Jeová-Jesus; ou, no título duplo dado por Pedro, Ele é “Senhor e Cristo” (v. 36). Essefoi então o sermão de Pedro dirigido aIsrael no dia de Pentecoste. Os fenômenos sobrenaturais são explicados como cumprindo a profecia do Antigo Testamento relativa ao reino messiânico prometido. O Jesus crucificado mas agora exaltado é declarado o Cristo e Rei prometido. Quando os ouvintes perguntam o que devem fazer sobre isso, Pedro exorta-os ao arrependimento e batismo em Nome de Jesus Cristo, para remissão de pecados, a fim de participarem da bênção do Espírito agora derramado. Ele acrescenta no final: “Pois para VÓS OUTROS é a promessa (de Joel e a promessa do reino na profecia do Antigo Testamento em geral), PARA VOSSOS FILHOS, e (mais tarde) para os que ainda estão longe (os gentios), quantos o Senhor nosso Deus chamar” (v-39). Quanto aosegundodiscursopúblico dePedro (cap.3.12-26),umsimples olhar será suficiente para pôr em foco o seu significado central. Encontramos duas coisas surpreendentes nele: primeira, a admissão de ler havido ignorância na crucificação de Jesus; e, segunda, a promessa de que o Senhor então voltaria, se o povo de Israel se arrependesse e O recebesse. Os versículos 17 a 21 têm a seguinte redação: “E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossasautoridades;masDeus assimcumpriuoque dantes anunciarapor boca de todos os profetas que o seu Cristo havia de padecer. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que da presença do Senhor venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus, ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antigüidade”. O que isto pode significar senão a oferta renovada de um Messias-Rei e do reino dos céus aosjudeus? Não ficaigualmente claro que aspalavras proferidas por Pedro prometem a volta de Jesus, e que os tempos de refrigério (restauração) viriam sem demora, havendo arrependimento e
  18. 18. conversão por parte de Israel? Eis aqui o fato, claramente declarado, de que se houvesse um arrependimento e aceitação nacional de Jesus como Senhor e Cristo daparte de Israel, então o segundo advento de Cristo em poder e glória teria tido lugar, pois jamais uma promessa mais definida tinha sido dada. Aoenfatizaristonãoestamosnosesquecendo daspalavras dov.21onde Pedro acrescenta,“Ao qual(oSenhorJesus) énecessário queocéureceba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antigüidade”. Não devemos certamente pensar que o inspirado Pedro, ao dizer isso, tivesse em mente uma demora de dois milanos, entre aquele dia e avolta futura do Senhor, como os crentes do século XX percebem agora haver. Pensar que uma reservaassimsecretaestivessenamente dePedro,tornariaasuaexortação precedente teatral e enganosa. Os “tempos da restauração” a que Pedro se refere aqui são os mesmos “tempos derefrigério”que ele acabara de afirmar queviriam sem demora, juntamente com a volta do Senhor, se Israel se arrependesse e o reconhecesse. Os próprios apóstolos tinham pensado nessa mesma “restauração” quando perguntaram, “Senhor, será este o tempo em que restaures a Israel o reino?” Os profetas do Antigo Testamento prevêem repetidamenteumarestauração doIsraeldispersonaterra daaliança;uma restauração da teocracia sob o Messias que estava para vir; e uma restauração dos plenos privilégios sob as provisões da aliança abrâmica finalmente cumprida. Os “tempos da restauração” poderiam ter sido estabelecidos então; caso contrário, as palavras de Pedro carecem de realidade. Não fazia parte da predeterminação divina que o reino messiânico e a restauração de Israel fossem adiados por mais dois mil anos depois da Encarnação; mas Deus previu a desobediência de Israel e decidiu contra a aplicação do plano. Como sempre, foi dado espaço para o livre-arbítrio humano e Ele permitiu que os acontecimentos se desenvolvessem até os seus resultados correspondentes. As palavras de Pedro sobre uma oferta renovada foram pronunciadas de boa fé; e a volta do Senhor poderia ter ocorrido então,sem qualquer necessidadefundamental de adiamento.
  19. 19. DOS APOSTOLOS Lição n222
  20. 20. NOTA: Para este estudo, leia de novo cuidadosamente o discurso de Estêvão ao Sinédrio e a narrativa de seu martírio, assim como as três viagens missionárias de Paulo. AIMPORTÂNCIADEATOS O valor de um livro pode, às vezes, ser melhor calculado se considerarmos qual seria anossaperda senão opossuíssemos. Seé assim, dificilmente teremos condição de avaliar muito o livro de Atos dos Apóstolos. Se ele não tivesse chegado até nós, haveria um espaço em branco em nosso conhecimento que nada mais poderia preencher. Farrar Se o íívro de Atos desaparecesse, coisa afguma poderia substítuí-fo; e, avançando um pouco mais, as Escrituras cristãs ficariam então diante de nós como dois fragmentos separados, sem que o arco pudesse ser completado. Howson
  21. 21. ATOS DOS APÓSTOLOS (2) OS TRÊS EVENTOS BÁSICOS Segundopensamos,osuficientejáfoiditoparamostrarque amensagem dos apóstolos continhaprincipalmente uma renovação da oferta do reino messiânico a Israel (embora seja necessário ter sempre em mente que, apesar de o reino prometido estar ligado basicamente a Israel, não existe exclusividade nesse sentido, como fica claro pelas profecias do Antigo Testamentorelativasaomesmo).Istonoslevaaumaconsideração dostrês eventos básicos em Atos e do resultado final do livro. Os três pontos críticos são os seguintes: O ataque contra Estêvão (7.54-60) A revolta contra Paulo (22.22) A ida para os gentios (28.28) com contexto. OAtaque contra Estêvão Vejamos oprimeiro caso: oataque contraEstêvão. Mencionamos que o livro de Atos se divide em duas partes principais. Todo o conteúdo àí primeiraparte (1-12) ou levaao ataque contra Estêvão ou éum resultado dele. Este acontecimento é o pivô em redor do qual gira todo o restante, Veremos que, em cada um dos primeiros capítulos de Atos, temos primeiro omilagree depois otestemunho.Osmilagrestinhamopropósito de preparar o caminho para a mensagem. Eles eram as evidências sobrenaturais, conforme as profecias do Antigo Testamento, como as de Joel, de que o reino, há tanto prometido, estava realmente aqui no seu início, em seu estágio incipiente: e a mensagem era que se a nação aceitasse essas evidências, arrependendo-se e acolhendo a oferta renovada do Senhor Jesus Cristo, Ele então voltaria e o reino seriíi introduzido em suaplenitude.
  22. 22. Assim sendo, no capítulo 2, temos o primeiro milagre das “línguas” e depois o grande sermão de Pedro explicando o significado delas. Do mesmomodo,noscapítulos3e4,ambossobre acuradocoxo,lemos sobre oprimeiromilagrena“PortaFormosa”,seguido do duplo testemunhodos apóstolos — ao povo em gerale depois aos líderes da nação. No capítulo 5, temos a advertência sobrenatural no caso de Ananias e Safira, e a declaração do v. 12: “muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo, pelas mãos dos apóstolos”, seguida de um novo duplo testemunho ao público e ao concílio. Depois disso, nos capítulos 6 e 7, ficamos sabendo dos “grandes prodígios e sinais entre opovo”feitospor Estêvão, seguidos do seu testemunho diante do Sinédrio e de sua acusação severa pelos líderes judeus. Além disso, nesses primeiros capítulos, observamos que, em cadacaso, depois domilagree damensagem, houveimediataoposição das autoridadesjudaicas. Acusação Finalda Nação Tudo isto chega a um auge no ataque contra Estêvão. Primeiro: nos milagres, mensagem e martírio de Estêvão temos ojulgamento final e acusaçãoda nação. Vários leitores talveztenham ficado imaginando qual seria a razão do longo discurso de Estêvão dirigido ao Sinédrio. Por que esta longa revisão histórica? Não poderia ter sido encurtada? Essas perguntas revelam que o verdadeiro significado das palavras de Estêvão não foi compreendido. A sua retrospectiva, na verdade, não passava de uma acusação. Ela tinha como propósito mostrar de que maneira Israel rejeitara repetidamente o testemunho do Espírito de Deus, através de toda a sua história até que finalmente, sob a influência de seus líderes perversos, opovo chegara aoterrível extremo de mataropróprio Messias. O objetivotriste de Estêvão éproduzir culpainteligente e conscientepelo duplo e hediondo pecado, primeiro de crucificar o Filho de Deus e agora de resistir ainda ao testemunho graciosamente renovado do Espírito Divino. Cristo dissera na cruz: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”;e Pedro fizera concessão a isto em suas palavras à multidão: “eu sei que o fizestes por ignorância”; mas agora essa ignorância não serve como desculpa —a situação será de tal modo esclarecida que os líderes judeus estarão agindo naplena consciência do que fazem, de maneira que
  23. 23. qualquerum poderáver. Aspalavras, “Eles não sabem o que fazem”,não mais lhes servirão de cobertura. Milagres foram operados, testemunhos foram dados. O oferecimento foi feito. Eles viram, ouviram e compreenderam —mas continuaram resistindo. Osmilagresforam, com certeza, indiscutíveis e irrefutáveis. Ospróprios líderes viram-se forçados a admitir isso. Vemos tanto a sua admissão do fato como suaatitude em relação aele nos capítulos 4.16,17 e5.12,17,18. Assim também, o testemunho dos apóstolos tinha sido o mais claro possível. Não poderia haver qualquer interpretação errada de pronunciamentos diretos como os feitos no capítulo 4.9-12. Não havia realmente qualquer possibilidade de erro numa linguagem clara como essa. No entanto, qual foi o resultado? O capítulo 5.33 nos conta: “Eles (os líderes), porém, ouvindo, se enfureceram e queriam matá-los”!Nada podia deter sua raiva e oposição invejosa. A resistência consciente e obstinada deles ao Espírito Santo cadavez mais se revelava até que sua face perversa desmascarou-se finalmente no julgamento de Estêvão: “Homens de duracervize incircuncisos de coração e de ouvidos, vóssempre resistisao Espírito Santo”.Houve umjulgamento e a nação foi condenada. Rejeição Finalda Nova Oferta Segundo: o martírio de Estêvão marcou a rejeição judaica oficial da renovação da oferta do reino. Nesses primeiros capítulos de Atos encontramos duas palavras usadas para descrever as obras sobrenaturais operadas pelos apóstolos. São elas “sinais” e “prodígios”. Os milagres apostólicos eram “sinais“ — sinais de que o reino havia, de fato, se aproximado novamente na mensagem renovada através dos apóstolos. Quanto à sua natureza, esses sinais eram “prodígios”, obras tão evidentemente sobrenaturais que mostravam com certeza a operação de Deus entre o povo. Os sinais eram tão claros quanto os testemunhos diretos. Todavia, em todo o tempo houve hostilidade daparte dos líderes judeus. A temperatura de seus sentimentos subiu rapidamente até que, no ataque contra o seráfico Estêvão, o líquido fervente e escaldante de sua raivadescontroladaderramou-senaprimeiraperseguiçãopública danova
  24. 24. minoria cristã, oficialmente instigada. O apedrejamento de Estêvão foi o sinal para um levante de todo o povo contra os crentes. Esta foi a faísca quepôsfogonoódiodosjudeus contraoNazarenoeseusseguidores.Note aligação entre oúltimoversículo do capítulo 7e oprimeiro do capítulo 8: “E apedrejavam a Estêvão que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Então, ajoelhando-se, clamou em altavoz: Senhor, não lhes imputes este pecado. Com estas palavras adormeceu...Naquele dia levantou-segrandeperseguiçãocontraaigrejaemJerusalém;etodos...foram dispersos...”.Estêvão,oprotomártir,foirapidamenteseguidoporcentenas de outros que caíram sob os golpes do perseguidor. A tradição conta-nos que mais de dois mil foram mortos no levante iniciado com o martírio de Estêvão. Esse martírio foi a expressão desesperada, mortal e decisiva da novarejeição oficialjudaica do SenhorJesus como Messias-Salvador-Rei. PrimeiroMovimentoEvangelístico Terceiro: o martírio de Estêvão precipitou o primeiro movimento evangelísticofora da capitaljudaica. Vejamos outra vez o capítulo 8. No primeiro verso, lemos que, em conseqüência da perseguição provocada pelo episódio de Estêvão, “todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria”. No v. 4 lemos: “Entrementes os que foram dispersos iamportodapartepregando apalavra”,e no v.5: “Filipe, descendo àcidadede Samaria,anunciava-lhesaCristo”.Ov.25diz: “Eles, porém, (Pedro e João) havendo testificado e falado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém, e evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos”.Pouco adiante, nov.40aprendemos que “Filipe...passando além, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesaréia”. Depois do registro da morte de Estêvão, todos oscapítulos daprimeira parte de Atos tratam deste primeiro movimento de evangelização fora da cidade de Jerusalém. Eles nos apresentam os aspectos principais do mesmo, mostrando como foi dado testemunho a cidades e pessoas importantes, tais como: Cap. 8. Samaria O tesoureiro etíope Cap. 9. Damasco Saulo, o futuro Paulo. Cap. 10. Cesaréia Cornélio, o centurião. Cap. 11. Antioquia Defesa do ministério aos gentios.
  25. 25. Quarto: oataque contraEstêvão ocasionouatransferênciaparaum novo centro,Antioquia. No capítulo 11.19lemos: “Então osque foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão, se espalharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus”. A partir deste ponto, Antioquia passa a tomar a liderançano livro de Atos.Jerusalém conserva sualiderançanominal. Ela ainda é o centro da decisão e de pronunciamentos da autoridade, pois os Doze ainda se mantêm ali. Além disso, apeculiaridade da capitaljudaica, proveniente de suas associações sagradas também permanece. Ela será para sempre o berço histórico da nova fé: no entanto, em importância estratégica é Antioquia que avança agora. “A mão do Senhor” está com eles em Antioquia de maneira especial. “Muitos”crerameseentregaram aoSenhornessacidade.Jerusalém envia Barnabé aAntioquia. Barnabé leva Saulo de Tarso para ali. Os discípulos são chamados “cristãos”pela primeiravez em Antioquia. Ela também foi abase de onde saíramasgrandes campanhas missionáriaspaulinas através do império. E é ela que envia agora ajuda a Jerusalém e à Judéia. Toda a segunda parte de Atos está ligada aos acontecimentos na mesma Antioquia. Vemos assim que o ataque contra Estêvão tornou-se um evento crucial emAtos de quatro maneiras. Ele marca (1) oúltimojulgamento da nação na capital, (2) a rejeição judaica oficial quanto à renovação da oferta do reino, (3) oprimeiro movimento de evangelizaçãoparafora dacidade, (4) o surgimento de um novo centro estratégico. Desse modo, oprincipal resultado e relevância desta primeira parte de Atosé:ANOVAREJEIÇÃO DO REINO FEITAOFICIALMENTENA CAPITAL. OAtaque Contra Paulo Seguimos agora para a segunda crise principal em Atos, i.e., o ataque contra Paulo. Da mesma forma que na primeira parte do livro, o martírio de Estêvão é o foco, o clímax dos acontecimentos precedentes e a causa dos que o seguem; assim, aqui nesta segunda metade do livro, a explosão da hostilidade judaica descrita no capítulo 22 (e notavelmente no v. 22)
  26. 26. faz com que as coisas precipitem-se, esclarecendo a situação num abrir e fechar de olhos e determinando, de imediato, a novalinha de ação que se segue. Devemos antes,porém, examinaroscapítulos 13-21,que nos conduzem até este ataque selvagem. As palavras do Senhor foram: “Sereis minhas testemunhas tanto emJerusalém, como em toda aJudéia e Samaria, e até aosconfinsdaterra”.Vimosagoranaprimeiraparte dolivrootestemunho dado em Jerusalém, Judéia e Samaria, tendo a mensagem sido levada “primeiro aosjudeus”,e depois, emvistada oposiçãojudaica, transmitida “também aos gentios”. Mas não basta que as boas novas do reino sejam proclamadas apenas na pátria. O que dizer dos milhares de judeus dispersos por todo o mundo romano, osjudeus da Dispersão?. Aceitarão eles a mensagem? Isto ainda precisa ser verificado. É necessário que tenham a sua oportunidade. A segunda parte de Atos trata então do testemunho do reino para os judeus da Dispersão e até “aos confins da terra”. Observamos novamente aqui a obediência estrita à ordem, “primeiro aojudeu” e depois “também ao gentio”. A Primeira ViagemMissionária A primeira viagem missionária de Paulo é narrada nos capítulos 13 e 14. Entre os lugares mencionados durante a jornada, foi registrado ministério nos seguintes: Salamina 13.5 Pafos 13.6 Antioquia (da Pisídia) 13.14 Icônio 13.51 Listra e Derbe 14. 6, 20 Viagem de volta 14. 21, 22 Com exceção de Listra e Derbe, vemos que, em cada caso, na primeira viagem missionária, os dois apóstolos foram inicialmente aos “judeus” e, portanto, dirigiram-se à sinagoga. Quanto a Listra e Derbe, além da probabilidade de não haver sinagoga em qualquer delas, talvez não existissem judeus nessas duas cidades. A narrativa diz: “Sobrevieram,
  27. 27. porém, judeus de Antioquia e Icônio e, instigando as multidões e apedrejando a Paulo, arrastaram-no para fora da cidade dando-o por morto”. Essa expressão, “as multidões” (o povo), traduz geralmente o termo grego laos no Novo Testamento, usado especificamente para a naçãojudaica. Osjudeus consideravam-se de maneira peculiar “o povo”, devido à sua relação especial de aliança com o Senhor. Encontramos essa palavrausada, por exemplo, emAtos 21.28. Aqui (14.19), no entanto, não élaos,masumapalavra que significaasmultidões. Osjudeus invejosos que haviam perseguido Paulo e Barnabé até Listra, instigaram “asmultidões” (não-judias) contraeles.Aprobabilidade é,portanto, de quenãohouvesse sinagogas nem judeus em Listra ou em Derbe. Qual era a mensagem que os dois apóstolos pregaram nesta primeira expedição missionária? Compreendemos muito bem que os registros dos pronunciamentos deles, feitos por Lucas, são necessariamente fortes abreviações; mas o sentido damensagem é claramente preservado. Lucas também o resume no final da viagem, no capítulo 14.21, 22: “E, tendo anunciado O EVANGELHO naquela cidade, e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, fortalecendo as almas dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, atravésde muitastribulações,nosimportaentrarNOREINO DE DEUS”. A mensagem era a de JESUS COMO REI-MESSIAS E SALVADOR PESSOAL. Quais os resultados desta primeira viagem missionária? Vejamos os lugares visitados em ordem. Nenhum resultado é descrito em Salamina. Em Pafos não é apresentado qualquer efeito da reação geral, mas encontramos a oposição do mágico judeu e uma reação favorável de um oficial gentio. Em Antioquia da Pisídia, muitos judeus e prosélitos da sinagoga mostraram-se interessados (13.43); mas a isto seguiu-se uma severa oposição da comunidade judia (w. 45,50). O que deve ser notado é o fato de os gentios terem aceito alegremente a Palavra (w. 42, 44, 48). Em face da hostilidade judia, Paulo então declara: “Eis aí que nos volvemos para os gentios” (v. 46). Depois disso, em Icônio, um “grande número”(e não uma “grandemultidão”,como naA.V.) na sinagoga, tanto dejudeus como gregos, passou acrer (14.1). Osjudeus comoum todo (w. 2,4) fizeram outravezgrande oposição, instigando osgentios contraPaulo e Barnabé (w. 2,5). Finalmente, em Listra e Derbe, os perseguidores judeus atiçam o povo contra os apóstolos; todavia, muitos gentios são
  28. 28. discipulados nessas cidades (w. 19, 21). Fica assim claro que osjudeus estavam fechando cadavez mais a porta contra o testemunho apostólico e que, ao mesmo tempo, a “porta da fé” se abria para os gentios (14.27). Com base na primeira visita a Chipre, os dois evangelistas aparentemente pretendiam tratar apenas com osjudeus. EmAntioquiaeIcônio foram,porém, forçadosareconhecer quenão seria possível limitar-se a eles com exclusividade, embora pregassem primeiro aosjudeus (13.46). Quando os vemos como fugitivos na Licaônia, os dois tinham sido praticamente empurrados para os gentios! Aovoltarem à suasede, eles “relataram quantas coisas fizeraDeus com eles, e como abrira aos gentios a porta da fé”. Não lhes foi possível dar notíciasalegressobreoarrependimento eaaceitaçãoporparte dosjudeus. O fatoprincipalfora essaabertura dasportas para osgentios. Uma grande transição estava tendo lugar. Cada vez mais vemos essas outras palavras ganhando destaque: “etambém aosgentios”. A Segunda ViagemMissionária A segunda viagem missionária de Paulo vai do capítulo 15.36 a 18.22. Ela pode ser analisada como segue (vejap. seguinte):
  29. 29. ATOS DOS APÓSTOLOS (2) A SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA Lugar Método eMensagem Reação e resultado Filipos “Primeiro (1) O Messias Não há regis­ Em direção a aojudeu” prometido, aque­ tro (conver­ Tessalônica le que carrega os são de Lídia) Tessalô­ Tl pecados nica Alguns aceitam: Fuga para oposição Beréia (2) Esse Messias Beréia t» é Jesus, crucifi­ Muitos aceitam: Fuga para cado mas ressur- oposição Atenas reto Atenas tt Nenhuma reação Ida para os judaica gentios Corinto V. (3) Jesus é agora o- Severa “Nos volve­ ferecido como Rei, oposição mos para os Messias e Salva­ gentios” Éfeso " dor. Não registra­ De volta à se­ do até mais de em Antio- tarde quia Estes foram o método, a mensagem e o resultado da segunda viagem missionária de Paulo. Embora a reação em Tessalônica pareça muito favorávelno início,só“alguns”judeus que aceitamapalavra; a“multidão” dos que aceitam é composta de gregos (17.4). O único ponto positivo (no que serefere àtendênciajudaica) é Beréia, apesar de que, mesmo ali, fica clara a reação negativa da maioria. A oposição dosjudeus parece ter sido maior em Corinto (18.6, 12, 17). Em relação a isto temos o registro das últimaspalavrasditasporPaulo antes de suavoltaàsede,sendo elasmuito significativas: “Eis aí que nosvolvemospara osgentios”. A Terceira ViagemMissionária O itinerário da terceira viagem missionária é coberto pelos capítulos 18.23-21.3. O único lugar em que é descrito o ministério é a cidade de Éfeso eocapítulo 19inteiro foidedicado aomesmo. Ométodo empregado repete-se: “aojudeu primeiro” (v. 8). A mensagem era “o reino de Deus”
  30. 30. (v. 8). A reação manifestou-se em grande parte como incredulidade e oposição dos judeus (vs. 9,13), embora pareça ter havido uma certa receptividade favorável. Quanto ao resultado, manifestou-se uma transição para os gentios, entre os quais surgiu um movimento de grande amplitude (w. 9,18-20). Assim, os judeus da Dispersão receberam a mensagem que lhes foi pregada nessas três memoráveis viagens missionárias de Paulo, e no testemunho não-registrado de outros, tais como Barnabé. Quais os resultados registrados? Basta fazer um retrospecto das análises dos dois primeiros itinerários e, depois desta terceira excursão mais breve que não necessita de exame, a fim de compreender o fato lamentável de que os judeus da Dispersão manifestaram a mesma atitude de seus conterrâneos na terra natal. Apesar de um número apreciável deles ter respondido positivamente em dois ou três lugares, a vasta maioria rejeitou e opôs-se àmensagem. O clamor obstinado delesfoi: “Não queremos que este reine sobre nós!” Quando Paulo voltou a Jerusalém após sua terceira viagem missionária, qual o conteúdo de seu relatório? O capítulo 21.19 nos diz: “E, tendo-os saudado (aTiago e aospresbíteros), contou minuciosamente o que Deus fizera entre os gentios por seu ministério”. Isso tem um significado importantíssimo, especialmente à luz do que se segue então em Jerusalém. Paulo em Jerusalém —O Clamor! Isto nos leva diretamente ao segundo dos três eventos fundamentais no livro de Atos. Paulo estavaemJerusalém por ocasião do Pentecoste anual (20.16).Judeus domundo inteiro encontravam-seentão nacapitaljudaica, assim como acontecera cerca de 27 anos antes, quando o Espírito Santo fora derramado pela primeira vez sobre o grupo de apóstolos, e Pedro declarara aos “judeus piedosos, de todasasnações debaixo do céu”que se haviam reunido para a Páscoa e o Pentecoste, que a vinda do Espírito cumprira aprofecia de Joel (2.5,16). Agora, nesses últimos capítulos (21, 22), quando o clamor assassino levanta-se contra Paulo, os judeus da Dispersão estavam bem representados pelos muitos provenientes de váriaspartes do mundo romano, que tinham seguido paraJerusalém a fim de celebrar as festas. Paulo tornara-se bem conhecido de todos eles em
  31. 31. conseqüência de suas três expedições evangelísticas e os mesmos estão agora prestes apronunciar sua rejeição feroz e final no que diz respeito a ele e à sua mensagem. Note que foramos“judeusvindosdaÁsia”(21.27) que agarraram Paulo, alvoroçando o povo contra ele. O grito deles foi a faísca que fez explodir a dinamite. “Agitou-se toda a cidade!” Só a intervenção rápida dos soldados impediu que Paulo fosse morto (w. 30-32)! Mas o apóstolo espancado e ferido fará ainda sua importantíssima “defesa” nas escadas do forte, diante dos compatriotas enfurecidos. Ela é apresentada no capítulo 22, um pronunciamento corajoso e comovente, mas não é permitido ao apóstolo completá-lo. No momento em que Paulo chega a um certoponto,fazendoum determinado comentário, aplebe explodeem gritos, pedindo sua morte. Esta violência desenfreada, exatamente neste ponto, dá à ocasião seu significado básico. O v. 22 diz: “Ouviram-no até essa palavra, e então gritaram, dizendo: Tira tal homem da terra, porque não convém que ele viva. Ora, estando eles gritando, arrojando de si as suascapas,atirandopoeiraparaosares...”O quefoientão que repudiaram tão violentamente? Foi isto: “MASELE (JESUS) MEDISSE: VAI, PORQUE EU TE ENVIAREI PARA LONGE AOS GENTIOS”. “Ouviram-no até essa palavra, e então gritaram...!” Eram os representantes dos judeus da Dispersão, juntamente com os judeus incrédulos da pátria, pronunciando emvoz alta sua rejeição final de Jesus como seu Cristo e da mensagem da salvação para os gentios. Esta última idéia era intolerável para eles. Ela os enfureceu e os fez perder a cabeça em seu preconceito presunçoso. Não iriam receber o reino, mas estavam decididos a não permitirem que qualquer privilégio fosse concedido aos gentios. Desde o início do capítulo 13, tudo conduziu a este ponto e veremos agora que todos os incidentes que se seguem resultam significativamente dele. Não há possibilidade de engano: Capítulo 23 Paulo diante do Sinédrio, 24 Paulo diante do Governador Félix,
  32. 32. 25 26 27 Paulo diante do Governardor Festo, Paulo diante do rei Agripa, Paulo enviado daJudéia para Roma. AIda para os Gentios O ponto críticofinalno livrode Atos éalcançadono capítulo 28.Depois de uma viagem arriscada (17.1-28.15), enfim Paulo chegou a Roma (18.16). Não se tratando de um criminoso comum e talvez por recomendaçãodoamávelcenturiãoJúlio,sobcujacustódiaoapóstolofora levado a Roma (27.1), Paulo recebe alguns privilégios (28.16), como acontecera também durante sua prisão em Cesaréia (24.23), e durante a viagem a Roma (27.3). Embora aparentemente preso com algemas a um soldado (28.16,20), é-lhepermitido morar em casaprópria (v.30).Depois depassar três diasemRoma, elereúne oslíderesjudeuspara explicar-lhes sua presença ali e marcar um dia em que pudesse lhes ensinar a Palavra de Deus relativa ao Senhor Jesus e à oferta renovada do reino de Deus a Israel. Quando esseslíderesjudeuscomparecerammaistardeàentrevista,qual foi o testemunho específico do apóstolo? A resposta encontra-se no capítulo 28.23: “Havendo-lhes eles marcado um dia, vieram em grande número ao encontro de Paulo na sua própria residência. Então, desde a manhãatéàtarde,lhesfezumaexposição emtestemunhodoreinodeDeus, procurando persuadi-los a respeito de Jesus, tanto pela lei de Moisés, comopelosprofetas”.Apesardasexperiências desanimadoras do apóstolo na Judéia e através do império, sua abordagem ainda é “primeiropara os judeus”(v. 17) e só depois “também aos gentios” (v.30); e o tema do seu testemunho continua sendo “oreino”(w. 23, 31). Qual o resultado? Osversículos 24 e25nos contam: “Houve alguns que ficaram persuadidos pelo que ele dizia; outros, porém, continuaram incrédulos. E, havendo discordância entre eles, despediram-se...”Temos aimpressão de quemesmo osque“creram”(ou,maisliteralmente,“foram convencidos”) não receberam a palavra com grande entusiasmo. Como indica otermo grego, tratava-se mais de um caso de assentimento mental, do que de uma aceitação alegre no íntimo. Os outros rejeitaram
  33. 33. definitivamente a palavra. O resultado total fica indiscutivelmente claro na declaração do próprio Paulo: “E, havendo discordância entre eles, despediram-se, dizendo Paulo estaspalavras: Bem falou o Espírito Santo a vossos pais, por intermédio do profeta Isaías, quando disse: Vai a este povo e dize-lhe: De ouvido ouvireis, e não entendereis; vendo vereis, e não percebereis. Porquanto o coração deste povo se tornou endurecido; com os ouvidos ouviram tardiamente, e fecharam os seus olhos, para que jamais vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, para que não entendam com o coração, e se convertam, e por mim sejam curados” (w. 25-7). Imediatamente depois disto, o ponto crítico final do livro é alcançado com as palavras: “TOMAI, POIS, CONHECIMENTO DE QUE ESTA SALVAÇÃO DE DEUS FOI ENVIADA AOS GENTIOS. E ELES A OUVIRÃO” (v. 28). O livro de Atos termina quando chegamos a este terceiro e mais significativoponto culminante. Ele alcançou seu alvo trágico e cumpriu o seu desígnio. A renovação da oferta do reino de Deus a Israel foi feita durante um período de trinta anos, primeiro aosjudeus da terra e depois aos da Dispersão por todo o mundo romano, e finalmente aosjudeus na cidade imperial. Com essa mensagem do novo oferecimento do reino estava ligada a maravilhosa Salvação do Messias Jesus, mediante seu sacrifício no Calvário, e o fato da sua Ressurreição. A atitude dosjudeus, no entanto, foi, quase sempre e em toda parte, de incredulidade e oposição. O episódio conclusivo em Roma é uma confirmação final: OS JUDEUS REJEITARAM A OFERTA RENOVADA DE JESUS COMOO CRISTO DE ISRAEL,SEU REIE SALVADOR.O “REINO” SERÁAGORA REMOVIDO E SUSPENSO TEMPORARIAMENTE. A NAÇÃO DE ISRAEL IRÁ DURANTE ALGUM TEMPO (f. e. NA ERA PRESENTE) SER POSTA DE LADO COMO POVO REPRESENTANTE DE DEUS NA TERRA, E UM EVANGELHO TRANSCENDENTE DE GRAÇA DIVINA ESTENDIDA A TODOS SE TORNARÁ CONHECIDO ENTRE TODAS AS NAÇÕES DOS GENTIOS. O livro orientou-nos de modo a nos preparar para as epístolas à igreja cristã (Romanos a2Tessalonicenses) e aprender nelas a respeito do novo e maravilhoso movimento no propósito divino, até aqui oculto nos
  34. 34. EXAí^inat as escrituras conselhos secretos da Diyindade) mas agora reyelado como a sub]ime resposta do ceu á m creduh^z judaica - a saber, A IGREJA, o corpo místico, a noiva e o templo doFilho de Deus
  35. 35. ATOS DOS APÓSTOLOS (3) Lição ns23
  36. 36. NOTA: Leiaespecialmente para este estudo oscapítulos3a 12,27 e28. O LIVRO DE ATOS Seu registro está cheio de ilustrações e exemplos da doutrina cristã. Vemos o significado do ensino cristão pelo estilo de vida adotado pelos crentes. Trata-se de um livro que ensina pelo exemplo, e seus fatos estão repletos de idéias e princípios. Encontramos aqui a semente da doutrina cristã desenvolvida mais tarde nas epístolas dos grandes apóstolos Paulo, Pedro e João; e ovalor especial disso é termos a doutrina exemplificada pelavida. W. H. G. Thomas
  37. 37. ATOS DOS APÓSTOLOS (3) Fizemos um exame do livro de Atos e aprendemos o seu propósito principal com base nos três pontos críticos nele registrados. Emvistade seufimrepentino, muitos afirmamque setrata deuma obra inacabada;masconsiderá-ladesse modo serianegligenciarseu significado importantíssimo. Admitimos que seria ótimo saber muito mais sobre os últimos dias de Paulo na terra, mas nada foi acrescentado por não haver necessidade de qualquer outra coisapara cumprir a finalidade do livro. Qualquer coisa que possa ser dita de um ponto de vista literário ou histórico com respeito ao seu término, esta peça davida real encontra-se tragicamente completa em seu aspecto estratégico (que é essencial). Ela marca um ponto crítico sinistro nas dispensações. Israel disse “NÃO” a Jesus como Messias-Rei-Salvadore àrenovação da oferta do reino. Lucas nos conduz através do período de indecisão sobre a nova oferta, até o ponto em que a recusa de Israel torna-se indiscutivelmente estabelecida. Oprópriofatodeeleterminarrepentinamentenesseponto estimulanossa mente a examinar melhor as epístolas à igreja cristã, encontrando ali a gloriosa doutrina de uma IGREJA que é o corpo místico e a noiva do amado Filho de Deus. Em certo sentido, a história é deliberadamente incompleta. Ela nos desperta curiosidade em vários pontos. Paulo foi libertado depois do seu primeiro julgamento em Roma? Será que ele, como alguns deduzem, passou mais algum tempo viajando? Que rumo tomaram as coisas em Jerusalém? O que aconteceu aos Doze? Pedro visitou Roma? Esses assuntos são deixados sem solução por estarem fora do objetivo do livro. Mudanças surpreendentes e episódios cheios de vida constituem um desafio para o estudo cuidadoso de cada página de Atos. Mas nosso interesse aqui está nos significados principais, fazendo todas as circunstâncias assumirem sua verdadeira proporção, força e valor. A análise seguinte oferece umavisãofotográfica do livrointeiro, mostrando seus pontos críticos e movimentos determinantes.
  38. 38. ATOS DOS APÓSTOLOS Renovação da oferta do reino aosjudeus Cap. 1Apóstolos preparados e comissionados (1) OFERTARENOVADAAOS JUDEUS DAPÁTRIA(2-12). Cap. 2 Milagre —Testemunho —Reação 3,4Milagre —Testemunho —Oposição. 5Milagre —Testemunho —Oposição. 6,7 Milagre —Testemunho —Oposição. Primeiro ponto crítico:Ataque contra Estêvão (7) (1) Julgamento final da nação nacapital. (2) Rejeição oficial do reino porparte dosjudeus. (3) Primeiro movimento de descentralização da evangelização. (4) Transferênciaparaumnovo centro —Antioquia. Movimento de descentralização: Cidades epessoas importantes. 8Samaria —Tesoureiro etíope. 9Damasco —Saulo, o futuro Paulo. 10Cesaréia —Cornélio, o gentio. 11Antioquia —inclusão dos gentios (v. 18). 12Jerusalém —no final da parte 1.Julgamento de Herodes, como chefe danação. (2) OFERTARENOVADAAOS JUDEUS DADISPERSÃO (13-28). 13,14Primeiraviagem missionáriade Paulo. 15.36Segunda viagemmissionária de Paulo. 18.23Terceiraviagemmissionária de Paulo. Reação geral dosjudeus —oposição. Segundo ponto crítico:Ataque contra Paulo (22). (1) Apogeu do ódiojudaico contraPaulo. (2) Rejeição culminante dosjudeus da Dispersão. (3) Isto provocou testemunho apessoas importantes. (4) Levou ao testemunho final de Paulo em Roma. Novos testemunhos diante de indivíduos destacados. 23 Paulo testemunha perante oSinédrio. 24Paulo testemunha perante o governador Félix. 25 Paulo testemunha perante ogovernadorFesto. 26Paulo testemunha perante o reiAgripa. 27Paulo vai aRoma: testemunho final. Terceiroponto crítico:Ida para osgentios (28). “Tomai, pois, conhecimento de que esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. E eles a ouvirão”(28.28).
  39. 39. O Surpreendente Controle Conforme nossas descobertas, afirmamos de novo que este livro, Atos dos Apóstolos, trata principalmente de uma descrição da oferta renovada do Messias-Jesus e do “reino dos céus” há muito prometida à nação de Israel. A recusa desse povo em aceitar o novo oferecimento foi a circunstânciaque ocasionou historicamente aemergência da igrejavisível na terra; mas isso não altera o fato de que o temaprincipal de Atos é esta renovação da oferta do reino messiânico a Israel e que nela está o seu significado primeiro. Só quando lemos as epístolas é que descobrimos a revelação do propósito divino que estava operando sob e juntamente com a nova rejeição de Jesus e do reino por parte dos judeus. A segunda oferta do reino, comojávimos, foirecusadaprimeiropelosjudeus dapátria e depois pelos judeus da Dispersão. No entanto, grupos de crentes formaram-se portodo omundo romano, embora fossem, em suamaioria, compostos de gentios (pois, apesar de muitos judeus poderem ter respondido individualmente, o povo judeu, como um todo, persistiu em sua recusa obstinada). A medida que a incredulidade dosjudeus tornava-se cadavez mais firme, esses grupos de judeus e crentes assumiram um novo significado. Assim como o crime terrível do Calvário fora previsto e controladoporDeus —desde que acrucificação do Messias danação fora sublimada no auto-sacrifício expiatório do Salvador do mundo —assim também esta nova falha do povo judeu tinha sido prevista e controlada pelaDivindade. Sobaoperaçãopoderosa deDeus, essesgruposde crentes espalhados através de todo o mundo romano tornaram-se, então, vistos e conhecidos, através de olhos e penas inspiradas, como as primeiras assembléias daqueles homens remidos pelo sangue, nascidos do Espírito, que constituem a IGREJA espiritual, o corpo místico, a noiva e otemplo do Filho eterno. Paulonos dizque o“mistério”daIgreja foiprimeiroreveladoaele (veja Ef3.3-11).Até esteponto aIgrejaconstituíraumsegredo “oculto emDeus desde os séculos”. Isto significa claramente que a Igreja do Novo Testamento não pode ser o foco da profecia do Antigo Testamento. Portanto, o esforço de introduzi-lanaprofecia doAntigoTestamento, seja em Joel 2 ou em qualquer outra passagem, é errado. A Igreja pode certamente estaremcondiçõeslatentes quanto àtipificaçãoeprefiguração
  40. 40. do Antigo Testamento, mas ela não é, em parte alguma, o foco de pronunciamentos diretos. Agora, porém, à medida em que a trágica história da incredulidade judaica se desenrola até o último parágrafo de Atos,vemosváriosgrupospequenos de crentes emtodo omundoromano, transfiguradospelaluzquebrilhasobre elesprocedente dasepístolas.Das cinzas da incredulidade judia levanta-se este novo e esplêndido edifício espiritual, a Igreja, da qual esses pequenos grupos são a primeira expressão. Eis anoiva eleitapara oIsaque celestial! Um templo espiritual para o Senhor glorificado! Um corpo místicopara aquele que é o “cabeça sobre todas as coisas”!Veja, “a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2.11)! Uma nova era se inicia! O reino, duas vezes recusado pela nação incrédula de Israel, ficará temporariamente suspenso; mas o propósito de Deus avança sem impedimentos. Não é de admirar que o próprio Paulo, contemplando apenas um aspecto deste profundo “mistério”, exclamasse: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento deDeus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33). Salientamos novamente o fato de que apenas à luz das epístolas podemos perceber este significado mais profundo nessas assembléias recém-formadas de crentes espalhadas através de todo o mundo romano, comoregistradoemAtos.Apalavra“igreja”emversículos comoAtos2.47 deveser lida como “assembléia”,afim de não lermos prematuramente no termo “igreja” significados que ele só adquiriria mais tarde. Se mantivermos em mente que este livro é, em primeiro lugar, a oferta renovada do reino messiânico a Israel, nos pouparemos de muitas armadilhas; além disso, os problemas aparentemente ligados com a inexistência dos milagres pentecostais nos dias de hoje começam a desaparecer. Não estamos dizendo que seja errado datar o inído histórico da Igreja Cristã no Pentecoste, mas isso deve ser feito com certa reserva, a fim de não interpretarmos erroneamente osacompanhamentos milagrososdessa manifestação anormal como sendo uma regra para a Igreja cristã até os dias atuais. A fim de concluir o assunto com a maior clareza possível, podemos dizer que o derramamento pentecostal do Espírito Santo, que foievidentementeumaconfirmação divinadanovaofertadoreino aIsrael, constituiu também de formalatentea origemhistórica daIgreja, mediante a fusão operada pelo Espírito daquelas primeiras unidades humanas, em
  41. 41. um organismo espiritual e em uma sociedade. O significado da manifestação sobrenaturalficoupatenteado deimediato no que sereferia a Israel; porém, ele só apareceu mais tarde, em relação à igreja. O Livro deAtos —Uma Continuação Como ênfase, devemos mencionar aqui o que já foi salientado repetidamentepor outros, ou seja, que olivro deAtos éumacontinuação. As primeiras palavras de Lucas são estas: “Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus fez e ensinou, até ao dia em que,depoisdehaverdadomandamentosporintermédio doEspírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas...” Da mesma forma que eleterminaseu evangelhocom aascensão do Senhor, aquiele começa com a mesma; portanto, este segundo “livro” é uma continuação do primeiro. Mas encontramos muitas outras coisas além destas. A ordem das palavras em grego dáênfase deliberada àpalavra “começou”.(Cf.versões daImprensa BíblicaBrasileirae AlmeidaRevista e Corrigida.) O livro de Atos não éumasimples crônica que dátestemunho de um Cristo ausente. A sua ascensão não roubou seus seguidores da sua presença. O belíssimo paradoxoé queElejamais estevetantocom elescomodepois dedeixá-losl Em todo o livro de Atos, Jesus é o principal Personagem, ainda mais presente agora, por estar fisicamente invisível. Esta é a maravilhosa narrativa do que opróprio Jesus, crucificado, ressurreto e que subiu aos céus,CONTINUOU afazerpelo seuEspírito através de suastestemunhas escolhidas! Em todo o tempo, repetimos, Ele é a causa dominante. Que grandioso estudo é este! Vamos traçá-lo um pouco aqui e depois completá-lo mais tarde.É ELE quemderramaogloriosoEspírito Santo(2.33).É ELE quem cura o coxo (3.16; 4.10). É ELE quem “acrescenta” à assembléia os que vão sendo “salvos” (2.47). É ELE que évisto “sentado à direita de Deus” (7.55). É ELE quem interfere diretamente a fim de converter Saulo na estrada de Damasco (9.5). É ELE quem cura a enfermidade de Enéias (9.34). E ELE quem consola Paulo na fortaleza em Jerusalém (23.11). E o mesmo acontece no decorrer de todo o livro. Durante os dias de sua
  42. 42. presença visível, corporal, localizada, ele ficou “limitado”,mas agora Ele opera e falapelo Espírito Santo em maior escala. Veja Lucas 12.50eJoão 16.12,13. Todos os obreiros cristãos devem apreciar isto com gratidão e graficamente.Não trabalhamos simplesmenteparaJesus;Elemesmo está a postos, controlando, trabalhando conosco. O que vemos em Atos é a demonstração emocionante de Marcos 16.20. A Chave Espiritual Seconsiderarmos a sua estrutura, a chavepara olivro estáem Atos 1.8, comojá mencionamos: “Em Jerusalém,como emtodaaJudéiae Samaria, eatéaosconfinsdaterra”.Estaéaordememqueotestemunhoseexpande e o livro toma forma; a porta da fé também é aberta sucessivamente aos judeus, romanos e gregos — como nos evangelhos. Mas o elemento espiritual central é a expressão em Atos 1.2 —“porintermédio do Espírito Santo”.Basta passar os olhos pelos primeiros capítulos para ver quantos tesouros espirituais são abertos por esta chave: Capítulo 1. 2. 3,4. 5. 6. “Por intermédio do Espírito Santo” —Poderoso (w. 5, 8). “Por intermédio do Espírito Santo” —Pronuncia­ mento (w. 3,4, 6). “Por intermédio do Espírito Santo” —Intrepidez (4.18, 19-31). “Por intermédio do Espírito Santo” —“Sinais, pro­ dígios” (w. 7.12, 25, 32). “Por intermédio do Espírito Santo” —Sabedoria (w. 3,10). Seprosseguíssemos até completar essalinha de indagação, iríamosusar demasiado espaço; masdemosinício aotrabalho einsistimos comojovem estudante daBíbliapara que abra seupróprio caminhoaté ofinal. Aquele que estuda, reflete e compreende osmétodosusadospelos Espírito Santo, como revelados em Atos dos Apóstolos, será bastante sábio em servir a
  43. 43. Deus è dar testemunho de Cristo. A mais triste de todas as referências ao Espírito Santo talvez seja a que vem no último parágrafo do livro. Deus nos salve e a todos os que nos cercam da cegueira e obstinação que amaldiçoou osjudeus da antigüidade e entristeceu o Espírito do Senhor! Padrões Espirituais A Igreja de hoje pode aprender muito por intermédio daquelas primeiras assembléiasde crentesmencionadasemAtos! Faremosbem em examinar esses originais elaborados pelo Espírito e em comparar-nos a eles,tantoindividualcomo corporativamente. Comomuitas daschamadas “igrejas”dehoje afastaram-se da comunhão cristãdaquelesprimeirosdias! “Vê,pois,quetudo façassegundoomodelo quetefoimostradonomonte” (Ex25.40),foiaadvertênciadivinaaMoisés.O EspíritoSantodizomesmo àsigrejas através de Atos dos Apóstolos. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7). Estamos tocando num aspecto que, por sisó, encheriaum novo livro. O tempo para reestudar aqueles primeiros grupos cristãos é insuficiente. Como exemplo, vamos examinar brevemente o capítulo 5.12-17, 18, 42. Observe as três características que distinguiam essa “igreja”. Primeiro, havia poder para repelir. O v. 13 diz: “Mas, dos restantes, ninguém ousava ajuntar-se a eles”.Aquele grupo santo tinha o poder de despertar temor. Veja o v. 11. A maior parte das pessoas de hoje pensa que oúnico poder necessário às igrejas é o de atrair. Estão enganadas. A igrejalocal também precisa de poder para repelir —repelir o hipócrita, o mundano condescendente, o intrigante que sabe insinuar-se. Ó, à maldição do “povo misto”em nossas igrejas, cujo apetite volta-se para as iguarias do Egito! Naquelaprimeira igreja a atmosfera cheia do Espírito era vida para a santidade e morte para o fingimento. Segundo, havia poder para atrair. O v. 14 diz: “E crescia mais e mais a multidão de crentes, tantohomens comomulheres,agregados aoSenhor”. Duas classes eram atraídas: (a) “crentes”; (b) “doentes”. Os crentes buscavamcomunhão. Os doentes buscavamcura. De que forma asigrejas de hoje comparam-se a ela? Por que as igrejas são tão negligenciadas atualmente, até mesmo pelos doentes, pecadores e solitários?
  44. 44. Terceiro, havia poder para superar. O v. 17 começa; “Levantando-se, porém, o sumo sacerdote, e todos os que estavam com ele...” A vasilha transborda de ódio escaldante contra os nazarenos! Eles são presos, açoitados eproibidos de falar. Mas, como termina ocapítulo? “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e de pregar Jesus, o Cristo”. Quando o Espírito Santo está realmente no controle, isso sempre acontece. A oposição não é eliminada, mas vencida. Os obstáculos transformam-se em triunfo. O sofrimento presente por causa do Nome pode ser permitido; mas há graça exuberante e vitória final para a causa. O Propósito é Divino, mas a Oposição é Permitida Este aparente enigmadeoposiçãoedificuldadespermitidasficapatente nanarrativaem todo olivrodeAtos. Ossábios de coração irãolevarofato em consideração. O cristianismo do Pentecoste não fornece imunidade aos ataques de Satanás, em qualquer forma que se apresentem. Justamente no final, na descrição feita por Lucas sobre a deportação de Paulo de Cesaréia para Roma (27,28), eles aparecem com ferocidade incessante esuprema.Naspalavrasde G.CampbellMorgan: “Deum lado, as dificuldades e perigos multiplicavam-se e pareciam conspirar para interromper e impedir o propósito divino. Do outro, esse propósito foi executado com firmeza, com certeza, embora lentamente. Temos a impressão de que o poder de Deus deveria alcançar o cumprimento de seus planos por intermédio de processos mais pacíficos. Todavia, fica finalmente evidenciado que, mediante essas mesmas dificuldades e oposições, o plano de Deus é servido da maneira mais ampla e plena”. Depois de Satanás ter feito tudo que podia, Lucas consegue ainda escrever: “Uma vez em Roma" (28.16); e o propósito de Deus move-se num ritmo irresistível. Que os santos provados e perturbados aprendam isto com segurança! Padrões espirituais vivos são encontrados em todo o livro de Atos. É pena que não possamos demorar-nos mais neles, especialmente nos mais notáveis, como foi aquele primeiro e imortal “dia de Pentecoste” no capítulo 2 e, mais tarde, a invasão da casa de Cornélio pelo Espírito, no
  45. 45. capítulo 10. Em nossas breves indagações, nos interessamos mais em dar o perfil do significado da transição do período como um todo. No momento devemos deixar relutantemente até os incidentes mais importantes, caso contrário teremos de sair inevitavelmente dos limites impostos. Uma Nova Luz na Volta do Senhor Há uma outra questão, porém, que nos sentimos no dever de discutir antes de terminar este artigo. A grandiosa verdade da volta futura do Salvador a este mundo faz parte de Atos. Quando conseguimos compreender que este livro trata principalmente da renovação da oferta do reino messiânico aIsrael,passamos aentender melhor essa“esperança abençoada”. Se lermos corretamente as Escrituras, a segundavinda de Cristo a esta terra não é, por assim dizer, um evento fixado por calendário a uma data determinada, mas sim um acontecimento contingente a certos outros eventos. O Senhor disse: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe” (Mt 24.36). Nenhum ser humano poderia ter conhecimento disso comantecedência,poisdependiadareação deIsraelàrenovação daoferta deJesus comoCristo eSalvador. Seo“diaehora”fosseumadatamarcada dada a conhecer a qualquerpessoa, ou a qualquer grupo de pessoas, como seria possível fazer uma oferta de boafé aos judeus, como encontramos em Atos dos Apóstolos, de que, se eles aceitassem agora a nova oferta de Jesus como seu Messias-Salvador-Rei, Ele voltaria então do céu para introduzir a promessa dos “tempos de refrigério” e estabelecer o Seu reino? Como vimos, essa promessa foi claramente feita através dos apóstolos. Voltemos agora ao capítulo 3.17-21: “E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossas autoridades; mas Deus cumpriu o que antes anunciara por boca de todos osprofetas que o seu Cristo haviade padecer. Arrependei-vos, pois, e convertei-vospara serem cancelados osvossos pecados, a fim de que dápresença do Senhorvenham tempos de refrigério, e que ENVIE ELE O CRISTO, QUE JÁ VOS FOI DESIGNADO, JESUS, ao qual
  46. 46. é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antigüidade”. Palavras tão simples assim não podem ser mal interpretadas. Se houvesse um arrependimento e aceitação nacional de Jesus como sendo de fato o Messias-Salvador-Rei de Israel, a volta do Senhor em glória pública teria ocorrido sem maior delonga. Em outras palavras, a segunda voltadeCristodependiadareação deIsraelànovamensagemapresentada por intermédio dos apóstolos. Vemos muito nitidamente, então, a resposta, quando os discípulos perguntaram, “Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1.6). Ele replicou: “Não vos compete conhecertemposou épocasque oPaireservoupara suaexclusiva autoridade.”Conhecerodiaeahoraporantecipação seriapreverareação deIsrael antes daofertado reinoter sidorenovada. Naspalavras deTiago, isto é dito, bem: “Diz o Senhor que faz estas coisas conhecidas desde séculos” (At 15.18). De acordo com este conhecimento antecipado perfeito Ele prepara, pré-arranja e pré-determina. Assim sendo, embora jamais deixe seus propósitos finais à mercê da incerteza humana, no desenvolvimento das coisas até o fim predeterminado Ele reconhece o livre-arbítrio do homem em todo o tempo e arranja previamente segundo a suapresciência o que o homem irá fazer. Assim é que os eventos quase sempre seguem o seu curso natural, enquanto ao mesmo tempo Deus prevê e predomina sobre tudo, afim de cumprir os seus propósitos finais. Desse modo, com toda autenticidade, a oferta renovada do reino messiânico foi feita aos judeus, como registrado em Atos; e a volta de Cristo nesse período de espera dependia da reação deles. Isto está associado às epístolas. Naquelas escritas aos tessalonicenses, a segunda vinda de Cristo é representada como se pudesse ocorrer num futuro iminente. Em algumas das outras cartas paulinas há uma mudança notável de ênfase: a esperança prodigiosa ainda brilha à frente, mas não existe a mesma impressão de cumprimento próximo. Isto tem causado problemas para os leitores interessados; quando consideramos porém o livro de Atos como sendo distintamente a renovação da oferta do reino a Israel, o problema desaparece. O período coberto por Atos, repetimos, foi um intervalo de espera. Enquanto o reino estava sendo oferecido outra vez à nação, a volta do
  47. 47. Senhor poderia ter ocorrido sem qualquer demora após o cumprimento das condições. A oferta era real; a promessa, verdadeira; o Filho do Homem crucificado, mas que subira aos céus, estava de fato “sentado à direita de Deus”,pronto para descer novamente em forma de bênção do reino. Será que Israel reagiria, se arrependeria, O receberia? Esse era o pontode suspense.Nessasepístolasescritas duranteesseperíodo emAtos, quando ainda havia esperança de Israel arrepender-se, encontramos a aparente iminência da volta do Senhor. As primeiras dessas epístolas foram 1e 2Tessalonicenses (escritas em 53A.D.). 1e2 Coríntios, Gálatas e Romanos foram escritas quatro ou cinco anos mais tarde, quando a oposição judaica tornava-se cada vez mais forte, mas justamente na ocasiãoem que,para asassembléias de crentes emtodo omundo romano, a esperança da volta de Cristo continuava sendo aquela que enchia o horizonte imediato (essa é a razão de palavras tais como as encontradas em Rm 13.11,12; 1Co 7.26, 29; 15.52,58; 16.22; 2 Co 4.14). Quando nos voltamos para Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Timóteo e Tito, porém, há uma nova ênfase bastante destacada. A grande expectativa da voltado Senhor não desapareceu, continuabrilhante: mas não existe mais o mesmo sentido de iminência. Uma concepção diferente ganha proeminência, temporariamente, e ganhando a atenção da alma —isto é, aIGREJA, como corpo místico, a noivae o templo do Filho eterno.Essas epístolasnão foram escritas até em 64A.D. (ouaté maistarde),i.e.,depois do pronunciamento culminante de Atos 28.28. Não dizemos que existeumadivisão rígidae inalterávelentre esses dois grupos de epístolas. A esperança da volta do Senhor encontra-se em ambos; mas existe uma modificação à medida que os desenvolvimentos posteriores registrados em Atos esclarecem a situação. A Igreja também faz parte de ambos; mas o seu conceito aprofunda-se enquanto o “mistério” divino vai sendo mais plenamente revelado. Não afirmamos existir uma demarcação rígida entre os dois grupos; todavia, a diferença de ênfase é distinta aqui e a explicação é encontrada numa verdadeira compreensão de Atos como arepetição da oferta do reino a Israel. Um outro assunto digno de nota é que as duas epístolas aos tessalonicenses, embora certamente dêem a impressão de que a volta do Senhor era esperada em futuro mais próximo, não afirmam na verdade que ela era assim iminente. Com essa capacidade sobrenatural que caracteriza a Escritura inteira, um equilíbrio adequado é mantido aqui;
  48. 48. desse modo, enquanto a sensação de expectativa é salientada e até encorajada, não existe um compromisso real quanto ao “dia” e “hora”. Nesteparticular, éimportante distinguirentre o que Paulopensou e oque ele ensinou. E possível que ele mesmo pensasse que a volta do Senhor estava próxima; mas jamais escreveu isso. Não exigimos inspiração e infalibilidadepara tudo queos apóstolospensarem,massimparatudo que ensinaram. Rssns Hnn<: rnrtns Hn ’spuiinrln AHve.ntn ans Tpsçalnnire.mp.s mantêm umaespéciedeequilíbriosensívelentreumaexpectativaanimadora<< indefinição cuidadosa quanto ao tempo. Isto parece injusto em àqueles primeiros crentes? Trata-se, na verdade, justamente Ao observar as coisas do lado humano, a volta do Senhor nqãêiid-thtao ter acontecido;pois, comovimos, eraum fatocondick y*ntémplar os acontecimentos da perspectativa divina (que^s /pnraoycompletas permitem-nos fazer agora) não poderia ter hayrttóAjmaNrenovação da oferta do reino sem essa promessa contingègtòvvx npvâíécusa judaica é conhecida antecipadamente por Deus, ma( ^sèpyeorre também com seu propósito mais amplo através d Ig /CSàyòItafinal de Cristo depois de chamarpara siosmembros eleitosj aIgreja. De acordo comisto, agrande esperança foi colocada diante daqfeslès primeiros crentes para que eles tivessem —juntamente coSlodoHiue os seguiram —esta inteligência santificadora relath(^"msuipação final. Isto também nãâ~^K>Quanto mais refletimos a respeito, tanto mais verificamos Qxáafòq^ttk de uma inspiração divina predominante no perfeito etíuMmria que essas epístolas aos tessalonicenses mantêm, parec^^bi sugerir a iminência da volta do Senhor e ao mesmo tempo Jakalquer determinação real de tempo. Era necessário que >primeiros crentesvivessemnaexpectativadavoltado Senhor,que semdúvidas sobre osentes queridos que morreram antes da chegada $òúltimo dia e que uma pena inspirada lhes escrevesse a esse respeito, para que nós hoje, que estamos cneganao ao tim dos tempos, assim como eles, pudéssemos receber luz e orientação dadas por Deus. Isto nos leva ao nosso comentário final sobre avolta do Senhor. Como jávimos, durante operíodo de esperade Atos, avoltado Senhor dependia dareação de Israelàrenovação daoferta do reino. Não existe tambémum sentido real em que ela ainda é um evento condicional? A mesma não depende mais da resposta de Israel à mensagem apostólica, esse fator foi
  49. 49. completamente eliminado apartir daquelepronunciamento solene e final em Atos 28.28: “TOMAI, POIS, CONHECIMENTO DE QUE ESTA SALVAÇÃO DE DEUS FOIENVIADAAOS GENTIOS. E ELES A OUVIRÃO”. Absolutamente não, essa contingência desapareceu para sempre. Todavia, parece que aVindaprometida depende agora, num sentido real, de um outro desenvolvimento histórico. Lemos em Romanos 11.25: “Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para que não sejaispresumidos em vós mesmos, que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios”. “ATÉ QUE HAJA ENTRADO A PLENITUDE DOS GENTIOS!” Como essa “plenitude” dos gentios será completada? Não será mediante nossa própria colaboração? Paulo pergunta nessa mesma passagem: “Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquelede quemnadaouviram?ecomoouvirão,senãoháquempregue?” (Rm 10.14). ExisteaindaoutrareferênciadoNovoTestamento que merece atenção. Em 2Pedro 3.11,12 lemos: “Visto que todas essas coisashão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando avinda do dia de Deus”. Veja então: Podemos apressar esse dia! Como? Esforçando-nos, como fez Paulo, para introduzir aplenitude dos gentios”!Esse grande “dia”,de um modo misterioso, mas real, tornara-se de novo contingente! Comoistonos devesurpreender! Geralmentepensamos maldosjudeus tia antigüidade que eram “tardos de coração para crer tudo o que os l»rofetasdisseram”,e que não quiseram responderpositivamente à oferta renovada do reino através dos lábios dos apóstolos. Mas quando nossos dias forem observados em retrospecto, apareceremos nós com a mesma culpabilidade? Comosomos tardos para crer em tudo que nosso Senhor e seus apóstolos inspirados falaram! Acabamos de citar 2 Pedro 3.12. Veja como Pedro prossegue no v. 14: "l’or essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por
  50. 50. ser achados por ele em paz...” Essa é realmente a palavra-chave: EMPENHAI-VOS! DOZE PERGUNTAS SOBRE ATOS 1. Você pode citar quatro fatores que indiquem Lucas como oautor de Atos? 2. Em sua opinião “Atos dos Apóstolos” é um título que cabe bem ao livro? Caso positivo, por que? 3. Qual o versículo-chave e o tema? Quais as duas metades do livro? Quais os seis aspectos em que as duas partes são paralelas? 4. De que maneira Pedro (na primeira metade) e Paulo (na segunda) são paralelos? 5. Quando os apóstolos perguntaram: “Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel? estavam sendo pouco espirituais ou enganavam-se quanto à natureza do reino? Explique. 6. Quais sejam os outros significados que o livro possa ter, ele é principalmente um... (o que)? 7. Quais os três eventos principais que dão ao livro seu tremendo significado? 8. Existem quatro aspectos relevantes envolvidos no ataque contra Estêvão. Quais são eles? 9. Quais os lugaresvisitados na segundaviagem missionária de Paulo? 10. Em que sentido o intervalo de tempo coberto pelo livro de Atos representou um “período de suspense”? 11. Em que sentido o livro de Atos (à luz das epístolas) marca um cancelamento surpreendente por parte de Deus? 12. Você tem alguma sugestão para explicar porque o fim estranhamente repentino de Atos pode ter tido um propósito sobrenatural?
  51. 51. EPÍSTOLAS ÀS IGREJAS CRISTÃS INTRODUÇÃO Lição na24
  52. 52. Acho bastante útil que entre as traduções da Bíblia exista uma reconhecida como padrão para o uso geral do público. Ter uma versão usada regularmente é, sem dúvida, uma vantagem no que se refere à leitura, referência e citação da Escritura em público. Todavia, para a leituraparticular da Bíblia, eu seria o primeiro a recomendar o uso livre de traduções modernas. Devemos acolher todos osnovos esclarecimentos e ângulos sobre o original inspirado. Algumas das traduções recentes fazem com que muitas passagens brilhem com nova beleza, consolo ou desafio. Não as defendemos como substitutas das versões já consagradas pelo uso geral do público, mas como suas auxiliares, pois suas redações, em alguns casos, têm mais vida e força em comparação com os textos aos quais estamos habituados. Tecemos aqui estes comentários por serem de especialimportânciapara oestudo das epístolas doNovoTestamento que passaremos a examinar. J. S. B.
  53. 53. EPÍSTOLAS ÀS IGREJAS CRISTÃS DeixamosagoraosEvangelhoseolivrodeAtosechegamosàsepístolas. Elas são emnúmero de22,seincluirmos o LivrodeApocalipse comouma epístola (o que realmente é, segundo os versículos de abertura); e dividem-se em três grupos. Em primeiro lugar, temos as nove epístolas à Igreja Cristã (Rm a 2 Ts). A seguir vêm as quatro Epístolas Pastorais e Pessoais (1 Tm a Fm). Por último, encontram-se as nove Epístolas aos CristãosHebreus (Hb a Ap). Parte da correspondência entre os dois grupos de nove é digna de nota, comojá citamos antes, no decorrer deste estudo. Cadagrupo começa com um grande tratado doutrinário —no primeiro casoRomanos, no segundo Hebreus. Cadaum terminacomum “apocalipse”ou arevelação do futuro em relação à volta do Senhor Jesus — Tessalonicenses num grupo e Apocalipse no outro. As nove epístolas à “Igreja”,como o nome implica, foram escritas às igrejas cristãs. Essas nove são epístolas cristãs, mas seu aspecto e atmosfera são especialmentejudaicas. Iremos considerá-las no devido curso; mas no momento nos ocuparemos com as nove epístolas às “Igrejas”. Importância Especial para Nós Ficamos imaginando se poucos ou muitos cristãos atualmente compreendem a importância concentrada dessas nove epístolas à “igreja cristã” e das quatro epístolas “pastorais e pessoais” para a presente era. Toda Escritura, de Gênesis a Apocalipse, foi escrita para nós, sendo proveitosa de várias formas; mas nem toda Escritura foi escrita sobre nós ou diretamente a nós como crentes em Cristo dapresente dispensação. A parte da Bíblia escrita especificamente para nós e sobre nós, como membros do corpo místico e noiva de Cristo, é aquela que consiste das nove epístolas à “igreja cristã” e das quatro epístolas “pastorais”. Se há umaparte daEscritura que os crentes cristãos devemconhecermuitobem é esta.
  54. 54. Certos grupos de pregadores e teólogos de nossos dias falam muito sobre uma “volta”aos quatro evangelhos e àhistóriade Jesus. Isto resulta em parte de um conceito completamente errado sobre a unidade e progresso da doutrina bíblica como um todo. Certamente não ousamos subestimar a importância fundamental dos quatro “evangelhos” —eles são a base histórica de todo o cristianismo; mas, se quisermos conhecer a interpretação divina, o significado doutrinário e as maravilhosas implicações espirituais desses registros históricos básicos, devemos examinar as epístolas. Existe hoje, entre as nossas igrejas, uma enorme deficiência quanto à compreensão da doutrina cristã, a qual é devida, em grande parte, a este excesso de ênfase sobre os evangelhos em detrimento dasepístolas. Gostaríamos de dizeratodos oscristãos:procurem conhecer bem as epístolas às igrejas cristãs; elas constituem aquela parte das Escrituras que nos deve interessar especialmente, pela sua própria natureza. Sua Peculiaridade e Propriedade O fato de tão grande parte de nosso Novo Testamento ser na forma de cartas deve chamar nossa atenção. Nesse sentido, os documentos fundamentais do cristianismosãoúnicosentre asreligiõesdomundo. Mas, além disso, essas epístolas têm uma propriedade marcante no que diz respeito à missão que devem realizar. Qual opropósito divino por trás de sua composição e preservação? Como vimos, durante o período de intervalo coberto por Atos dos Apóstolos, a volta do Senhor dependia da reação de Israel à nova oferta do Senhor como Messias-Salvador-Rei. Se tivesse havido uma resposta nacional, o Senhor teria voltado em glória soberana sem mais delongas (At3.17-21);mas, àmedida que arecusadeIsrael tornou-se cadavezmais obstinada, a voltaprometida mostrou-se irrealizável. Ao lado do fracasso de Israel, porém, foi gradualmente revelado que um novo movimento de Deus estava sendo moldado na história. Embora a nação de Israel como um todo tivesse recusado a oferta renovada do Messias-Salvador-Rei, surgiram, através do mundo romano, grupo ou “igrejas” de crentes, reconhecendo Jesus como SalvadorDivino evivendo na esperança dasua
  55. 55. volta. Essas foram a primeira expressão na terra desse organismo espiritual, a Igreja, o corpo místico e a noiva do Deus Filho. Foi necessário que essas comunidades recebessem instrução de forma mais permanente do que simplesmente o ensino oral pelo qual, foram chamadas a existir. Como isto deveria ser feito? As Epístolas são a resposta. Elas preservam de modo permanente os ensinos inspirados especialmente providenciados para os cristãos da era presente. Paulo e seus co-escritores não podiam imaginar que estivessem escrevendo para uma época a vinte séculos adiante da sua! Mas o Espírito Santo sabia, e foram de talmodo guiadosno que escreveram que suascartas se tornaram a doutrina da Igreja para todos os tempos. Como já dissemos, existe uma propriedade notável a respeito dessas cartas para o fim a que devem servir. Podemos ficarperfeitamente gratos porque asverdades nelas apresentadas foram entregues anós naforma de cartas, em lugar de teses ou catecismos teológicos sob medida! Chegando até nós na forma dessas cartas comoventes, elas contêm calor, paixão e energia, frescor e um toque pessoal que, de outro modo,jamais poderiam ter. Além disso, esta forma de comunicar a verdade era peculiarmente apropriada a uma natureza como a de Paulo. “Ela se adequava àquela impetuosidade de sentimentos, àquela natureza emocional calorosa que o cinismo moderno teria depreciado como ‘emotivo’ ou ‘histérico’, que nãopoderialimitar-se àcomposiçãodetratadosformais.Elapermitiauma liberdade de expressão muito maisvigorosae mais natural ao apóstolo do que os silogismos regulares e os parágrafos em estilo fluente de um livro formal”. Além disso, o estilo de Paulo como escritor é tão perfeito e complexo queforneceumveículo singularde expressãopara oEspírito Santo. Desse modo, embora as grandes verdades relativas à salvação, à Igreja e à vida cristã estejam escritas claramente para que possam ser lidas por todos, existem também profundidades ocultas e tesouros escondidos que estão sempre recompensando aqueles queseempenhamemdescobri-los!Essas cartasnão dãoapenaspermanênciaàsinstruçõesdoEspírito SantoàIgreja Cristã, mas revestem-nas de um interesse que cresce, cada vez mais, à medida que continuamos a estudá-las.
  56. 56. Seu Número e Ordem Apesarde existiremnoveepístolas à“igreja”,elas sãodirigidassomente a sete igrejas; visto que, em dois casos, duas cartas são dirigidas à mesma igreja. Vale a pena notar, porém, que o Espírito Santo através de Paulo trata com o mesmo número místico, como fez o Senhor Jesus quando, da glória, se dirigiu às “sete igrejas”,conforme registrado em Apocalipse 2e 3. O número sete nas Escrituras dá a idéia de plenitude. Nas epístolas dirigidas pelo Espírito Santo através de Paulo, a essas sete igrejas cristãs, temos o ensino globaldoEspírito Santoparaos crentes emCristo durante adispensação atual.Elascontêm“todaaverdade”àqualseríamosguiados pelo Espírito Santo, conforme o Senhor previamente anunciara. A ordem bíblica dessas epístolas à “igreja” é também de especial interesse para nós. Em 2Timóteo 3.16, Paulo escreve: “Toda Escritura é inspiradaporDeus eútilpara oensino,para arepreensão,paraacorreção”. Ao que parece, o Espírito Santo, ao dirigir-se a essas sete igrejas por intermédio de Paulo, dividiu-as em três e quatro, correspondendo às palavras do apóstolo recém-mencionadas. Verificamos que as cartas enviadas a três dessas igrejas representam, de certa maneira, uma elaboração doutrinária, cada uma ligada a um tema principal. São as Epístolas aos Romanos, Efésios e Tessalonicenses, abrangendo especialmentedoutrina.Nas epístolas às quatro outras igrejas, embora, de um ou outro modo, haja instrução ao longo das mesmas, nenhum assunto predominante éexposto emformade tratado.Sãotratadosepistolares,não doutrinários. Nesse grupo acham-se as epístolas aos Coríntios, Gálatas, Filipenses e Colossenses. Elas contêm, de maneira distinta, “repreensão” e “correção”.Assim sendo, temos: ROMANOS (“Doutrina”) CORÍNTIOS (“Repreensão”) GÁLATAS (“Correção”) EFÉSIOS (“Doutrina”) FILIPENSES (“Repreensão”) COLOSSENSES (“Correção”) TESSALONICENSES (“Doutrina”) Vejamos essas três igrejas às quais foram dirigidos os tratados
  57. 57. doutrinários —Romanos,Efésios eTessalonicenses.Ascartas aessastrês são as normas sobre os assuntos de que tratam: Justificação pela fé (Romanos), a doutrina da Igreja (Efésios), a Segunda Vinda de Cristo (Tessalonicenses). Quanto a Coríntios e Gálatas, elas vêm após Romanos (a líder do quarteto) por evidenciarem desvio de seu ensino especial e evocarem, respectivamente, “repreensão” (Coríntios) e “correção” (Gálatas) —a “repreensão”referindo-se àconduta incorreta; e a “correção”,à doutrina errada. Quanto a Filipenses e Colossenses, vêm após Efésios (a primeira das três) porque, igualmente, evidenciam desvio de seu ensino especial e evocam, respectivamente, “repreensão” (Filipenses) e “correção” (Colossenses). 1 e 2 Tessalonicenses são o fecho destas sete “instruções” do Espírito Santo.Em Romanos, opecadorarrependido émostrado comomortopara opecadoe“ressuscitadoem Cristo”.EmEfésios,eleseacha“sentado com Cristo nos lugares celestiais”num sentido espiritual.Em Tessalonicenses, é “arrebatado” para sempre na glória com o Senhor! E mesmo nas duas breves cartas aos Tessalonicenses existe a mesma ordem (1) “doutrina”, (2) “repreensão”, (3) “correção”. A primeira carta aos Tessalonicenses apresenta a verdadeira “doutrina” e estabelece o padrão para a doutrina do segundo advento. A segunda segue-se a ela com “repreensão” do comportamento errado em vista davolta esperada e “correção”de idéias erradas. A Ordem Cronológica Talvez devamos acrescentar que sua ordem canônica, que acabamos de referir,não é acronológica. Quanto àsdatas aproximadaselugares em que foram escritas, o consenso de opinião parece ser o seguinte:

×