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Renata minerbo

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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieNOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS, AUTONOMIA E CAPACITAÇÃO NASPOLÍTICAS URBANAS PARTICIPATIVAS: O CASO EXEMPLAR DOMOVIMENTO OÁSISRenata Minerbo Strengerowski (IC) e Volia Regina Costa Kato (Orientadora)Apoio: PIBIC MackenzieResumoA pesquisa busca ampliar a reflexão sobre as ações voluntárias, assim como a política departicipação pública sobre comunidades carentes voltadas para a melhoria das condições urbanas efortalecimento das identidades coletivas. Junto a isso, analisar a importância dessa participaçãopública, do papel dos Novos Movimentos Sociais e da rede (network), uma nova maneira deorganizar e funcionar, de caráter igualitário e democrático, que tem se mostrado muito eficienteapesar dos desafios para se inserir na sociedade atual.Os objetivos específicos estão voltados para a análise dos Novos Movimentos Sociais, tendo oInstituto Elos e Oasis como exemplo de metodologia a ser aplicada em comunidades de maneiraparticipativa. Realizar um balanço especulativo sobre os objetivos e resultados concretos de açõesvoluntárias e cooperativas dos movimentos sociais em torno da melhoria das condições urbanas deassentamentos precários, tomando-se o caso estudado como uma experiência exemplar.Palavras-chave: movimentos sociais, políticas urbanas participativas, empoderamento socialAbstractThe research wants to expand the reflection about the voluntary actions, as well as the policy onpublic participation on poor communities, looking for better urban conditions and strengthen collectiveidentities. In addition, it wants to analyze the importance of public participation and the New SocialMovements and its network, as a new way of organizing and working in a democratic way, that seemsto be very efficient, even though it has difficulties penetrating in the actual society.The specific goal of this research is to analyze the New Social Movements, using the Instituto Elosand the Elos Oasis Methodology as an example of a methodology to be applied on communities in aparticipatory way. It aims to create a speculative balance between the goals and concrete results ofthe voluntary and cooperative actions of the social movements, around the improvement of urbanconditions on settlements, using it as a successful case study.Key-words: social movements, participatory urban policies, social empowering 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 20111. INTRODUÇÃOOs propósitos iniciais da pesquisa se configuraram em torno de um duplo interesse:primeiramente, ampliar, como participante do Movimento Oasis associado à ONG InstitutoElos e aluna do Curso de Arquitetura e Urbanismo, o entendimento pessoal sobre estaforma específica de se envolver e buscar soluções para os problemas das comunidadescarentes e, junto a isso, investigar os resultados de algumas ações na cidade de Santos, emespecial a Vila Alemoa, onde ocorreu em 2009 uma ação que resultou em um espaçocoletivo de lazer que atendia aos desejos manifestados pelos moradores. No decorrer dapesquisa, este escopo inicial se ampliou. O olhar investigativo sobre o caso da Vila Alemoa,interpelou-me sobre os conteúdos e significados mais amplos dos chamados NovosMovimentos Sociais e suas práticas, nos quais se insere o Movimento Oasis. Ao contráriodos movimentos sociais urbanos anteriores que se caracterizavam por ações de pressão,reivindicações e protestos, as novas formas de organização social possuem composiçãomais fluida dos agentes, facilitadas redes tecnológicas de contato, apelam para açõesconcretas, buscam fortalecer os elos de identidade urbana e social e fomentam capacitaçãodos indivíduos nos processos de participação inerentes às políticas públicas urbanas.Mostrar como estes aspectos se articulam na aplicação da Metodologia Elos Oasis,configura assim os objetivos e resultados desta pesquisa, destacando casos exemplares desua atuação.Com efeito, as novas conjunturas brasileiras, desde os processos sociais deredemocratização que culminaram na Constituição de 1988 e posteriormente no Estatuto daCidade (2001), consolidam a participação social como elemento inerente das políticaspúblicas urbanas. Entretanto, avaliações críticas sobre as formas de inserções dos agentessociais na formulação e execução destas políticas têm evidenciado processos aindaincipientes de envolvimento participativo cujo fortalecimento dependeria de experiênciascontinuadas nesta direção e, portanto, de uma dinâmica histórica de aprendizagem política.Tudo indica que os Novos Movimentos Sociais têm caminhado nesta direção, como podeser visualizado nos resultados desta pesquisa. À partir de alguns referenciais teóricos,busca-se descrever e analisar atuações exemplares na Vila Alemoa, Paquetá e outras, quepodem ser entendidas como o movimento em ação.2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICAO embasamento teórico da pesquisa se dá em duas dimensões fundamentais: a contextual,onde se destacam as formas de inserção da participação popular no Brasil, e a conceitual,destacando interpretações sobre os movimentos sociais e as características das ONGs. 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana MackenzieO século XX foi marcado pelo crescimento intenso e desordenado das áreas urbanas que seapresentavam como reflexos de acentuadas e cumulativas desigualdades sociais. Deficitsde infraestruturas e de atendimento de demandas habitacionais, além de carências desaneamento básico, apelam para os questionamentos de qualidade de vida esustentabilidade urbana global. A urbanização mundial passa a assumir contornos cada vezmais preocupantes, não apenas pela proeminência de crescimento populacional nascidades (desde 2007 a população urbana já supera a população rural no mundo). Uma vezque os processos tanto econômico como político-sociais são cada vez mais interconectadosna escala mundial, o avanço da pobreza é preocupante, sendo evidente a necessidade deadoção de outros mecanismos de gestão urbana capazes solucionar os problemas dacidade. Levando em conta tais fatores, desde a Conferência Urbana Mundial de 1998, AConferência de Istambul, a ONU vem formatando diretrizes aos Estados Nacionais nosentido de incorporar a cooperação entre iniciativas públicas, privadas e sociais. O Planodefende novos modelos de governança que envolvam parcerias entre atores que constroeme operam as cidades, aproveitando os recursos e infraestruturas existentes, investindo nosrecursos humanos disponíveis como condição fundamental para o desenvolvimento dequalquer comunidade. “A Conferência [UN- Habitat] de Istambul marca uma nova era de cooperação, uma era de cultura à solidariedade. Enquanto caminhamos para o século XXI, oferecemos uma visão positiva de assentamentos humanos sustentáveis, um sentido de esperança para um futuro comum e um conselho de participar de um desafio verdadeiramente vantajoso e atraente, de construirmos junto um mundo onde cada um pode viver em uma casa segura com a promessa de uma vida decente de dignidade, boa saúde, segurança, felicidade e esperança.” (Istambul Declaration - The Habitat Agenda, 2006)Especialmente com a Declaração do Milênio (2000) e a instituição do UN-HABITAT comoresponsável por metas de atendimento da demanda habitacional no mundo, a ONUestabelece os Fóruns Urbanos Mundiais como o principal canal de participação sócio-política entre os Estados nacionais, mobilizando ações práticas e inovações urbanas deminimização da pobreza mundial. (ANTONUCCI, 2010) No avanço desta perspectiva, oFórum Urbano Mundial de 2006, ocorrido na cidade de Vancouver declara, como um dosseis temas fundamentais a serem debatidos internacionalmente, a necessidade de sefomentar novas metodologias de capacitação dos movimentos sociais visando inovaçõesnas políticas públicas urbanas e uma efetiva inserção social das comunidades carentes.Construir uma nova cultura cívica, significa conceber um processo em construção e quedepende entre outros aspectos, de capacitação da população e de possibilidades de acessoa informações. (Idem, 2010: 99) 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011No Brasil, se a participação popular sempre exerceu pressões no sentido do avanço deconquistas sociais através de protestos e mobilizações em torno das necessidades dehabitação e de infra-estruturas urbanas é, sobretudo nos anos de 1980, que asreivindicações que acompanham as lutas pela redemocratização do país, se associam apropostas específicas de inclusão social nas políticas públicas urbanas. Tal como situaGohn (2003:50): “A participação popular foi definida, naquele período, como esforços organizados para aumentar o controle sobre os recursos e as instituições que controlavam a vida em sociedade. Esses esforços deveriam partir fundamentalmente da sociedade civil organizada em movimentos e associações comunitárias.(...) Tratava-se de mudar as regras do controle social e de alterar a forma de fazer política no país”.A mudança de conotação em prol de apelos participativos significa um aumento nademocratização (como defende a Constituição de 1988) e o surgimento de um mediador darelação Estado- Sociedade e proposições de qualidade, uma vez que os civis estãopresentes no cotidiano do local, possibilitando uma real interpretação das prioridades,estabelecendo diagnósticos e estratégias específicas para o local. Além disso, essa novamaneira de governar significa uma mudança na postura e valores dos indivíduos em seuhabitat, que passam a abrir mão de certos interesses individuais pelo bem comum (o queraramente vemos na política brasileira). Deve haver cooperação e coletividade, comresponsabilidades distribuídas conforme as afinidades das pessoas e de preferência comuma organização horizontal, ou seja, sem hierarquia- em rede- para que elas cumpram seusdeveres com prazer, e não por obrigação. É nesta conjuntura de mobilização social quedesponta o conceito de empoderamento, isto é, a capacidade de autonomia para a ação efortalecimento de caminhos específicos aos ideais das diversas organizações sociais aolargo de possíveis manipulações e cooptações políticas. “O empoderamento de grupos e indivíduos via capacitação política e organizacional, que leva ao resgate – crescimento da auto-estima – e à construção da identidade, assim como ao acesso a oportunidades de emprego e geração de renda, itens de grande relevância em uma conjuntura de desemprego. O empoderamento torna mais fácil, também, o acesso aos serviços públicos, devido à difusão de informações que gera”. (Idem, 2003: 58)De acordo com a análise crítica desta autora em torno dos processos vigentes, essas novaspráticas tendem a se defrontar com obstáculos decorrentes da cultura política nacional, emque predominam valores como clientelismo, paternalismo, e populismo, além daimplementação de projetos privilegiando interesses particulares, a descrença na eficácia dasleis, o “jeitinho brasileiro” com percepções distorcidas como a naturalização da corrupção e 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana Mackenziea valorização das estruturas corporativas, nos aspectos de vícios e privilégios que elascarregam. Em muitos casos, os processos participativos se resumem em um grandediscurso descolado de práticas condizentes. Em suas avaliações, “Observa-se que a operacionalização não plena dessas novas instâncias democratizantes se dá devido à falta de tradição participativa da sociedade civil em canais de gestão dos negócios públicos; a curta trajetória de vida desses conselhos e, portanto, a falta de exercício prático; e ao desconhecimento das possibilidades por parte da maioria da população.” (GOHN, 2003: 90).Pode-se dizer que a falta de divulgação da possibilidade de participação pública está ligadanão só à falta de tradição no país, mas também a uma estratégia para conservar os víciosde privilégios particulares e troca de favores. A participação social, num modelo que vemsido incorporado pelas ONGs contemporâneas, busca uma relação ideal entre sociedade eEstado. Tem um grande poder de mobilização, e passa a ser vista como energiascanalizadas para objetivos comuns, buscando cotidianamente os resultados desejados portodos, ainda que o conteúdo político seja quase esquecido. Questões como a de quemaneira motivar as pessoas a se envolverem com a comunidade e seu bairro estão sempreem discussão, notando-se que o sentimento de pertencer e de identidade podem motivar talparticipação. Nota-se também que com as novas ONGs, o que une as pessoas mais do quesua comunidade e localidade é uma causa em comum, a busca pela solidariedade, comoum valor ético que se contrapõe ás tendências predominante, competitivas e individualistas.Sem dúvida, a identificação com a causa e a conexão com o lugar são essenciais para oenvolvimento do indivíduo, uma vez que as pessoas passam a querer fazer, e não dever. Ofato de ser uma organização mais fluida, por cada vez mais estarem organizados em rede,deixando de lado a hierarquia, também atrai mais as pessoas. Esta é a estratégia utilizadapela Metodologia Elos (explicada adiante), exemplo de um Novo Movimento Social quebusca o desenvolvimento comunitário através da participação da população na realizaçãodos sonhos coletivos e utilizando a organização em rede, que tem se mostrado muito efetivapara catalisar as ações práticas.Em termos conceituais, Ilse Scherer (1996) define os Novos Movimentos Socais (NMS)como organizações a partir da sociedade civil que buscam estabelecer um novo equilíbriode forças entre o Estado e a sociedade, assim como dentro dela própria, entre osdominantes e os dominados. Além disso, buscam a descentralização do poder, criandonovas relações comunitárias através da reapropriação política. “(...) tal fenômeno poderiaser considerado como estatisticamente pouco significativo. Porém, creio quequalitativamente é importante considerar estes focos de transformação que emergem apartir das bases da sociedade”. (IDEM, 1996: 50) 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Unir o potencial do Estado (poder institucional) com o da população (vitalidade,numerosidade e força) de maneira equilibrada, pode potencializar a força para atransformação social numa dialética entre força comunitária e política participativa, comodefendem os Novos Movimentos Sociais (NMS). Entende-se aí como política participativa otrabalho coletivo e cooperativo de três instâncias na resolução de questões da cidade: osórgãos públicos, as entidades privadas e as organizações populares. Já a organizaçãocomunitária requer uma responsabilidade coletiva, isto é, autonomia e pró-atividade dentrodo grupo, criando e/ ou fortalecendo uma identidade. Esta, por sua vez, é essencial paraque haja dedicação e engajamento dos indivíduos para com seus coletivos.A partir dos anos de 1990, Scherer (1996: 51) destaca a importância da compreensão dasredes de movimento (network organizations) estabelecidas entre organizações populares eoutros movimentos culturais e políticos. “Parte-se da hipótese de que é nas articulaçõesentre organizações e atores políticos e nas subseqüentes criações de redes que vem seconstituindo um movimento social”. Nota-se que tais articulações criam uma identidade entreos agentes por conta de valores e ideais comuns, mesmo que os Movimentos tenham focosdistintos. Esta identidade fortalece tal rede, conectando atores de movimentos culturais epolíticos, potencializando e unindo os focos de transformações sociais existentes, queisolados costumam ser pouco efetivos. Conclui-se que a rede de movimentos, sejam elesculturais ou políticos, consiste na conexão dos pequenos focos de transformação. Comodito, esta conexão amplia a efetividade das ações vindas da sociedade civil, além defortalecer sua atuação no campo político e revolucionário na cultura tradicional dapopulação. A rede liga grupos de objetivos comuns, além de facilitar a troca de informações,conhecimentos e contatos úteis aos mais diversos Movimentos, possibilitando o surgimentode uma cultura de caráter mais coletivo e cooperativo.Como aponta Scherer (Idem: 60- 63) existem desafios a serem superados por essa novamaneira organizacional: a falta de homogeneização entre os Movimentos, até mesmo dentrode uma mesma organização em diferentes locais, não fortalece Movimentos com mesmosobjetivos e valores que poderiam trabalhar juntos; a dificuldade de inserção na sociedadecomo movimento cultural, a que questiona os valores tradicionais; o conflito entre o discursoideológico e a prática é comum dentro dos próprios Movimentos. Estes, possuem algumascaracterísticas comuns independentemente do que defendem ou reivindicam, como apolítica participativa e o equilíbrio de forças sociais. 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana Mackenzie3. O MÉTODOA pesquisa se caracteriza por uma diversidade de métodos de levantamento de dados e deanálise, perseguindo um caminho interpretativo não linear, envolvendo revisão bibliográfica,observação de campo, contatos e entrevistas informais e outras orientadas por uma pautade conteúdos. Numa primeira etapa, a pesquisa bibliográfica onde se buscava a ampliaçãoconceitual e análise dos movimentos sociais urbanos, possibilitou uma compreensão maisconsistente e abrangente sobre a atuação do Oasis, redirecionando os focos iniciais dapesquisa. Ao invés de se ater a uma única ação, a análise passou a focar nascaracterísticas do próprio Movimento e no alcance de suas práticas. Sobretudo, permitiuorientar a interpretação em termos de convergência entre o discurso do movimento e assuas ações concretas. No que diz respeito à Metodologia Elos Oasis, foram usados sites,materiais da formação dos jovens e entrevistas informais com Rodrigo Rubido (um dosfundadores do Instituto Elos) e Thais Polydoro, (Guerreira Sem Arma e integrante da equipedesde 2000), além do conhecimento pessoal adquirido nesses dois anos de prática.Foi feita uma entrevista com Ronaldo Pereira, morador da Alemoa que recebeu osGuerreiros Sem Armas em 2009 e que, foi tão transformado e conquistado pelametodologia, que acabou de participar dos Guerreiros Sem Armas 2011. A entrevista foifeita em campo, buscando observar também as características urbanas e mudançasocorridas depois da primeira ação do Oasis. Os dados oficiais da área foram adquiridos empesquisas no site da Prefeitura de Santos e em Trabalhos Finais de Graduação deArquitetura e Urbanismo que englobam a área em questão, referenciados na Bibliografia.4. RESULTADOS E DISCUSSÃOA Metodologia Elos Oasis é um exemplo de práticas dos Novos Movimentos que utilizam-seda participação pública para atingir seus objetivos, além de serem organizados de maneirainovadora- em rede- e buscando parcerias para viabilizar projetos. É interessante analisar ainiciativa dos pontos de vista de participante do Movimento e de estudante em busca deesclarecimento dessa nova maneira de se organizar e atuar na sociedade. Abaixo constatoda a descrição da Metodologia Elos Oasis, desde sua origem até cada etapa do processo.4.1. O INSTITUTO ELOS E O MOVIMENTO OASIS4.1.1. OrigemO Oasis surgiu na mobilização de estudantes de arquitetura da FAU-Santos que discutiam ametodologia da disciplina de projeto. Integrantes do Diretório Acadêmico, os jovensorganizaram o ENEA Santos (Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura), com o tema 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011da “arquitetura na rua”, propondo ações práticas em comunidade e dando início a ummovimento que daria muitos frutos.Na época (1996), o Museu da Pesca de Santos estava em péssimas condições deconservação, prestes a ser desativado caso não surgisse uma proposta eficiente e emconta. Quatro estudantes se mobilizaram para fazer o projeto e execução por meio demutirão, com campanhas de divulgação e arrecadação de recursos que iam desde venda deadesivos à grandes festas. Organizaram oficinas, conseguiram apoios estratégicos econtaram com a participação de cerca de 100 pessoas ao longo de todo o processo, queterminou no ano 2000, dando origem ao Instituto Elos e à Metodologia Elos Oasis que foisendo criada nesse processo e veio a ser oficializada em 2003. Hoje ela está patenteada nomodelo mais aberto possível- o Criative Commons- que consiste na livre manipulação,distribuição, compartilhamento e replicação destes conteúdos.Durante o processo, que durou quatro anos, o grupo foi se consolidando e percebendoelementos fundamentais para que ações como essa dessem certo. Segundo RodrigoRubido, um dos quarto estudantes que deram origem à metodologia e um dos fundadoresdo Instituto Elos, destaca alguns destes elementos: fortalecer o jovem para agir pelasociedade, estimular a política participativa e criar um desafio real, com resultados visíveis acurto ou médio prazo. O desenvolvimento de uma metodologia com um passo-a-passo decomo implementar a política participativa tira do discurso e facilita a prática da mesma.4.1.2. O PropósitoA ideia é estimular protagonistas da transformação desejada, visando a pró atividade eações concretas e resultados a curto ou médio prazo. Há uma extrema necessidade daparticipação da sociedade civil na resolução dos problemas das cidades, uma vez que asesferas governamentais não dão conta da demanda e muitas vezes não sabem anecessidade real das cidades, municípios ou bairros. Como levantado anteriormente, oenvolvimento de cidadãos na política pode, não só agilizar os processos e responderdiretamente às necessidades locais, como agir em prol de questões relacionadas aogoverno brasileiro, uma vez que a politização da população é essencial para umdesenvolvimento e mudança efetivos. O Instituto Elos define seu propósito como “Impulsionar um movimento de fazeracontecer já o mundo que todos sonhamos”. Em entrevista, Rodrigo explica a frase. “Impulsionar um movimento” pelo fato de que sozinho uma ação é muito pontual,enquanto um movimento tem a força coletiva e promove mudanças maiores e mais efetivasque podem ir se expandindo mais rapidamente; “Fazer acontecer já” traz para a realidade; amaterialização é um estímulo para dar continuidade ao movimento. O fato de materializar os 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana Mackenziesonhos e projetos é um estímulo para dar continuidade ao uso da metodologia, envolvendoas pessoas cada vez mais em sua filosofia; “O mundo que todos sonhamos” é lutar pelomelhor mundo, não apenas por um mundo melhor; buscar a utopia como realidade. Éacreditar no potencial de transformação que cada um tem dentro de si e investir para que sematerialize.4.1.3. DefiniçãoO Instituto Elos é responsável pela formação de jovens para que possam aplicar o jogo ondee quando desejarem. Isso se dá de duas maneiras: a primeira, o Guerreiros Sem Armas,que acontece a cada 2 anos e é o principal programa do Instituto, em que jovens do mundotodo vão à Santos em uma imersão de 1 mês para serem capacitados nas tecnologiassociais e no passo a passo da metodologia (o qual participei da edição de 2009). O segundoformato é o Oasis Training, que é uma espécie de Guerreiros Sem Armas express, comcapacitação adaptada em 10 dias, 1 semana ou 1 fim de semana.O Oasis é uma tecnologia social prática de desenvolvimento comunitário que convida umacomunidade a projetar e construir de forma cooperativa um projeto desafiador escolhidopelos moradores para satisfazer suas necessidades. O Jogo visa despertar e cultivar umespírito de empreendedorismo social cooperativo nos membros da comunidade, mastambém enfatiza o estímulo à comunidade em si. Sob esse aspecto, dois dos principaisobjetivos são restaurar e/ou fortalecer as relações e ligações afetivas que unem umacomunidade; e cultivar um senso de oportunidade e de responsabilidade de cuidar daspessoas e do ambiente à sua volta. As pessoas capacitadas são quem alimentam o Movimento Oasis, que acontece emrede, através da união de pessoas nos ambientes virtual e presencial, considerando umadefinição ampla de comunidade e envolvendo representantes de diferentes setores dasociedade – ONGs, governo municipal, iniciativas privadas, assim como moradores deoutras partes da cidade. Neste caso, surgem ações espontâneas em todo o mundo, nãonecessariamente com o envolvimento do Instituto Elos, contando com o poder, força e apoioda rede. As pessoas que fazem acontecer normalmente são jovens com espírito deliderança e com uma visão crítica de sua atuação e papel na sociedade. “Estimular e habilitar grupos para cooperação e empreendedorismo de grupo e comunitário; promover o olhar apreciativo e ampliar a capacidade de cada um propor soluções criativas para as questões críticas da nossa sociedade, do nosso bairro; trazer para o cotidiano dos participantes a percepção que é possível transformar o mundo sem sofrimento; sem comprometer a sua liberdade ou autonomia e ainda fazer tudo com muito prazer; promove a prática de valores humanos como: respeito, compaixão, cooperação, aceitação de diferenças etc.; amplia o nível de informação sobre estratégias de sustentabilidade ambiental e auto construção; e 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 restaurar ou constrói um sonho comunitário, podendo ser replicável.” (INSTITUTO ELOS, 2009)A Metodologia Elos Oasis, tal como aponta Engels (2009), foi inspirada na cultura Guarani eno mito da Terra Sem Males, nas tradições caiçaras, nos princípios da multidisciplinaridadee visão holística, no conceito de associativismo, cooperação e construção coletiva. Alémdessas inspirações, a metodologia foi baseada na filosofia Waldorf (antroposofia), noconceito de capital social de Augusto de Franco, no livro Alfabetização Ecológica de FritjofCapra, no livro “O Teatro do oprimido” de Augusto Boal, no sentimento humano trazido porPaulo Freire, na prática de atividades lúdicas (a arte de brincar) e na prática de fazerperguntas (estimular as pessoas a buscar as próprias respostas).Há alguns pré requisitos para que a ação do Oasis seja efetiva, como por exemplo, aexistência de uma organização prévia da comunidade (associação dos moradores ou ONGsatuantes), ou ao menos um sonho comum, com um mínimo de 5 moradores encantadoscom a proposta. O envolvimento e empoderamento de adultos também é essencial para quehaja continuidade e que novas ações aconteçam, sendo essencial criar metas de médioprazo para estimular o engajamento. O contato constante para garantir o envolvimento dosmoradores assim como a disseminação da proposta para o máximo de pessoas possíveltambém é essencial antes da chegada dos voluntários, que por sua vez fortalecem os laçoscom a comunidade e iniciam a fase da Proposição e da Ação.A metodologia propõe, por meio de 8 tecnologias sociais e de 7 etapas, transformar espaçosdegradados em espaços coletivos de maneira dinâmica e trabalhando o campo afetivo,criando laços e reforçando a identidade daquela população para com aquele local. Empoucos dias são implementadas soluções projetadas coletivamente a partir do levantamentode talentos, recursos e sonhos locais. Uma vez que o projeto é feito quase que unicamentecom elementos da própria comunidade, ele funciona como uma fonte para a auto-estimadaquela população, que passa a acreditar na sua capacidade de criar e suprir seus própriosdesejos, deixando de depender do poder público, e estabelecendo uma nova possibilidadede relação: a parceria. A transformação é principalmente interna nos indivíduos, à medidaque se mobilizam para a criação de um espaço físico que representa a materialização dessatransformação, assim como do esforço conjunto em função de um objetivo comum. Istosignifica que a construção física não é a prioridade da ação, e sim um estímulo visual para atransformação interna de cada indivíduo e da comunidade como unidade (comum-unidade).Ainda assim, nota-se a importância de espaços de convivência, encontro, permanência elazer do ponto de vista urbanístico, uma vez que o desenho da cidade influencia diretamenteno comportamento das pessoas. 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana Mackenzie4.1.4 MetodologiaComo dito, a metodologia consiste em 7 passos do processo desde o diagnóstico até arealização, que devem ser aplicados após uma conversa prévia com os moradores, com ocomprometimento e constatação da vontade de fazer acontecer. Cada passo utiliza-se detecnologias sociais (Comunicação Não Violenta, Olhar Apreciativo, Cafe Comunitário, OpenSpace, Danças Circulares, Jogos Cooperativos, Rede e Mutirão) e que facilitam ações emgrupos, assim como auxiliam na assimilação do processo. Cada etapa é essencial para queo processo seja efetivo, e é aplicada primeiro pelos participantes e depois pela comunidade. Passo a Passo da metodologia. Fonte: www.elosmaiscultura.com.bra. O olhar (Percepção): Reeducar o olhar e a percepção dos espaços e pessoas,através do Olhar Apreciativo (ou Investigação Apreciativa), buscando sempre o belo e aabundância onde aparentemente só existe escassez. O exercício estimula a prática de fazerperguntas que reforcem a capacidade de elevar o potencial positivo.b. O afeto (Informação): Conhecer a vida da comunidade: quem são as pessoas queproduzem o belo (coisas e ações), quem são as lideranças afetivas (pelo respeito e afetoque a comunidade tem a ela), como rezadeiras, educadores, artesãos ou anciãos. Nessemomento são mapeados os talentos e recursos existentes no local, além de aprofundarnas origens culturais da comunidade e nas características dos moradores locaisc. O sonho (Reflexão): Descobrir quais são os sonhos da comunidade trabalhada atravésde conversas com os moradores. A abordagem é feita perguntando os sonhos das pessoas,ao invés de perguntar dos problemas, uma vez que os sonhos normalmente são a resoluçãodos problemas (eles mesmo já propõe a solução), mas abordados de maneira positiva e 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011otimista. Fazem-se perguntas que estimulam a reflexão, até que a pessoa conclua quaissão seus sonhos mais íntimos no que diz respeito ao espaço e a sua vida naquele lugar.d. O cuidado (Proposição): Elaborar coletivamente a proposta de ação, que deve atenderao maior número possível de sonhos coletivos da comunidade, considerando asinformações levantadas nos processos 1 a 3. Essa proposta de ação é feita em umareunião com a comunidade, onde eles sistematizam seus sonhos, recursos e talentosatravés do World Café. Depois disso é feita uma maquete física para que os moradorespossam visualizar o sonho coletivo escolhido a ser realizado, além de servir como um apoiopara o momento da materialização.e. O milagre (Ação): É o momento Mão na Massa para materializar o sonho projetado. Istoé feito através de um mutirão com uma mobilização prévia dos recursos necessários(espaço físico, matéria-prima, ferramentas, mão de obra, alimentação, entre outros). Nestaetapa trabalha-se principalmente a cooperação, autonomia e pró atividade, buscando amaterialização imediata dos sonhos, o fortalecimento e a articulação da rede deparceiros.f. A Celebração: Comemorar o milagre da transformação atingida coletivamente. A formade celebração fica a critério da comunidade; este é o momento de fortificar os elos criados,compartilhando os aprendizados e desafios vivenciados no processo.g. Re- Evolução: É o momento de colher aprendizados e planejar ações a partir dainiciativa e autonomia de cada comunidade, conectando-a à rede de outras comunidades eparceiros do Oasis. Inicia-se com o Encontro do Futuro, lançando novos desafios e traçandonovos objetivos com a comunidade. (www.oasismundi.ning.com)4.2. AÇÃO DO MOVIMENTO OASIS NA VILA ALEMOA - SANTOSPresente na Zona Noroeste de Santos, o bairro da Alemoa possui 945400m² de área decaratáter majoritariamente industrial. A ocupação da comunidade deu-se na década de 50, 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana Mackenzie na margem da ferrovia onde atualmente passa a Rodovia dos Bandeirantes. Localizada estrategicamente próxima às indústrias e o matadouro, onde a maioria dos moradores trabalhava, a Vila Alemoa foi expandindo até atingir as dimensões que tem hoje, com 1113 famílias cadastradas em 2009 das quais 160 foram para o CDHU. (PRADO: 2000) Com apenas quatro vias pavimentadas, a área ocupada pela Vila Alemoa está localizada sobre o mangue, que em partes foi aterrado e em partes não. Com praticamente todas as casas construídas por seus próprios moradores, as mais recentes datando 16 anos, suas tipologias variam entre o barraco (25%), a casa de alvenaria (65%) e as palafitas (10%). “É uma inversão da prática projetual e de planejamento urbano: enquanto nas cidades ou nos espaços urbanos projetados as plantas existem em projeto antes mesmo da cidade real, nos espaços labirínticos, como as favelas, é o oposto que acontece, as plantas só são produzidas a posteriori, e são desenhadas a partir do espaço já existente.” (BERENSTEIN, 2002: 54)Abrigos emergenciais Situação das palafitas Circulação e acesso Em janeiro de 2009, a Vila Alemoa foi uma das três comunidades que receberam o grupo Guerreiros Sem Armas. Depois de 3 semanas exercitando o Olhar, o Sonho, o Afeto e o Cuidado, o Milagre ia acontecer. Em 5 dias, o mão na massa teve a participação dos Guerreiros, pessoas da comunidade (principalmente as crianças), um grupo de jovens do Clube Rotary, estudantes e professor da UFABC e os Lideranças Executivas, estudantes de administração que vivenciam a última semana do programa. O sonho realizado pela comunidade e seus parceiros foi uma praça com parquinho, mesas de convivência e jogos, horta comunitária, pergolado, paisagismo e um mural com um logo da Alemoa. À Esq: mural feito na ação GSA 2009 À Dir: praça pronta e presença de inúmeras pessoas (Fonte: arquivo Elos 2009) 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 “A favela é um espaço em constante movimento porque os moradores são os verdadeiros responsáveis por sua construção, ao contrário do morador da cidade formal, que muito raramente se sente envolvido na construção do seu espaço urbano e, em particular, dos espaços públicos de sua cidade. A participação comunitária ocorre de forma muito mais representativa nas favelas e áreas favelizadas em geral do que na cidade formal.” (BERENSTEIN, 2002: 56)Depois dessa ação, os moradores organizaram alguns eventos ao longo do ano, muitosdeles em parceria com a Vila dos Criadores, outra comunidade com ação dos GuerreirosSem Armas 2009. Já em março, alguns jovens organizaram o Encontro dos Grafiteiros naAlemoa para colorir a avenida; Em pela única vez na história da comunidade, a associação,os jovens e o grupo abril, na Páscoa, a comunidade organizou uma festa que conseguiureunir, Comu; A Festa Junina, o Dia das Crianças e o Natal são festas que sempreacontecem lá e que ganharam ponto fixo para acontecer: a praça construída no Oasis dejaneiro; Em julho, o Encontro Anual das Comunidades foi anfitrionado pelos moradores daVila dos Criadores e da Alemoa, que foi quem sediou o evento. Eles discutiram “o que fazerjuntos que não dá para fazer sozinho”, e estão trabalhando para criar uma nova associação:já estão com o Estatuto pronto, estão articulando as comunidades de Santos e em busca deum CNPJ para facilitar as relações burocráticas. Junto a isso, montaram um roteiro deTurismo de Base Comunitária com o Projeto bagagem que está em desenvolvimento. À Esq: mural feito no encontro dos grafiteiros 2009. À Dir: estado de conservação da praça em Jul. 2010. (Fonte: Arq. Pessoal 2010 e Arq. Elos 2009) 14
  15. 15. Universidade Presbiteriana MackenzieEm setembro de 2009, a Vila Alemoa realizou o Oasis Anima, e em dois dias de mão namassa reformaram a praça existente, fizeram campo de futebol, musculação e ampliaram omural de pinturas e grafites.Em visita a campo no dia 28/07/10, Ronaldo, morador e líder da Vila Alemoa, guiou-me econtou alguns fatos. A respeito da infra estrutura básica, parte da população paga uma taxapara a luz, outros pagam a conta normalmente; pagam pela água, mas pela energia elétricae esgoto não, sendo a primeira obtida por meio de “gatos”, e o segundo, sem tratamento,fica céu aberto com riscos de contaminação e doenças. Há um alojamento emergencial com31 casas que abrigam moradores de áreas de risco e que se mudarão para os CDHUs. Noentorno da comunidade encontram-se 3 mercados atacadistas, uma Escola Municipal deEnsino Médio e uma de Ensino Fundamental com cursos apenas durante o dia, uma clínicade saúde que atende a 3 comunidades próximas e por isso não dá conta da demanda. “O tecido urbano da favela é maleável e flexível, é o percurso que determina os caminhos. Ao contrário da planificação urbana tradicional, que determina a priori o traçado, as ruas da favela (e todos os espaços públicos) são determinadas exclusivamente pelo uso.” (BERENSTEIN, 2002: 54)Em 1981 foi fundada a associação dos moradores, pelo mesmo homem que é hoje o diretore que, segundo Ronaldo, não dá abertura para discussão sobre a gestão do espaço.Rampas de acessibilidade foram criadas ano passado, quando um cadeirante passou atrabalhar na associação. Lá são oferecidos cursos e serviços básicos de saúde, mas suasatividades são independentes de qualquer outra iniciativa da comunidade. “A maior diferença entre a ocupação planejada da cidade formal e a ocupação selvagem das favelas diz respeito ao tipo de raíz, uma fixa e a outra aberta, a qual tem um enorme potencial de transformação.” (BERENSTEIN, 2002: 56)Em março de 2011 foi inaugurada uma biblioteca em conjunto com a Vila dos Criadores,resultado de parcerias com os doadores dos livros. Ronaldo está articulando um novo Oasisna mesma área, e tem identificado novos líderes que podem fortalecer a comunidade. Istorepresenta a efetividade da primeira ação, que desencadeou tantas outras e que elevou aauto-estima de moradores que agora são protagonistas das transformações que desejam.4.3. OUTROS EXEMPLOS DE PRÁTICAS SIGNIFICATIVAS4.3.1. Paquetá - SantosO bairro do Paquetá, localizado no centro de Santos, próximo ao porto, era tido como umdos locais mais degradados e violentos da cidade, com alto índice de tráfico de drogas,prostituição, e 18 mil famílias morando em cortiços em péssimas condições. O bairro conta 15
  16. 16. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011com inúmeros imóveis de valor arquitetônico, muitos deles extremamente decadentes, semuso ou ocupado por famílias.Em 2002, começou uma nova gestão na ACC (Associação dos Cortiços do Centro), queestava reestruturando a entidade e conhecendo o trabalho do Instituto Elos, procurou-os embusca de uma ação. No ano seguinte, o Elos foi convidado pelo SESC- Santos para dar umapalestra sobre participação comunitária, e aproveitou a oportunidade para mostrar na práticacomo fazer, iniciando aí as ações no bairro do Paquetá. Em 2007, o bairro recebeu osGuerreiros Sem Armas com o sonho de transformar um casarão abandonado em um CentroCultural (o qual está em atividade e a busca pela apropriação do imóvel está emandamento).A primeira ação aconteceu na Praça Nagasaki, reformada algumas vezes pelo poderpúblico, mas sem grande adesão da comunidade. Neste caso, houve grande participação dapopulação, que construiu bancos, jardins, pintou muros e fez um parquinho para as criançasem apenas 2 dias. No Encontro do Futuro, dias após a ação, houve grande presença demoradores de diversas idades, gerando novas ações e metas para os próximos 3 meses.Desde então, fizeram reuniões semanais, reestabelecendo a comunicação na comunidade eresgatando costumes como festas de páscoa, dia das crianças e Natal, que há alguns anostinham deixado de comemorar coletivamente, além de criar parcerias importantes comONGs e empresários para a consolidação de seus projetos. Em função dos inúmerossonhos coletivos, foram criados 5 frentes de trabalho que se responsabilizariam pela buscada realização: o grupo dos jovens, que criaram uma central de cursos (oferecendo teatro,dança, filmes, entre outros), se integraram nos eventos das cidades e criaram o FestivalNagasaki, evento oficial de Santos; o grupo das crianças, que mobilizaram contadoras dehistórias, passeios, cozinha coletiva (levavam comida e as mães preparavam) e oficinas,com apoio da assistência social; o grupo da geração de renda, que teve início como umaterapia grupal e virou uma cooperativa que vende bonecas de panos, artesanato, design debijouterias (já são vendidas no exterior com o auxílio da Petrobrás que deu apoio financeiro)e hoje estão com um projeto buscando a interação com presidiários; o grupo da creche e dapadaria em parcerias com ONGs e recursos do Instituto HSBC inauguraram em 2009 apadaria em estabelecimento próprio, e hoje estão trabalhando para materializar a creche; epor fim, o grupo de habitação popular (sendo este o maior objetivo da comunidade), que deuinício com visitas à experiências bem sucedidas e graças ao apoio da ONG Ambienta e ofinanciamento da Caixa Econômica Federal, estão finalizando as obras de 174 habitações.Pode se dizer que este é o caso que mais evoluiu desde a primeira ação da MetodologiaElos Oasis. As pessoas se organizaram, reivindicaram e conquistaram seu principal objetivo,a moradia digna. Ainda estão em busca de outras coisas, porém com a certeza de que 16
  17. 17. Universidade Presbiteriana Mackenzieunidos eles são capazes. É um exemplo inspirador principalmente para outras comunidadesque estão em lutas semelhantes em busca da melhoria da qualidade de vida.4.3.2. Instituto Elos e a Iniciativa PrivadaEm dezembro de 2010 foi realizado um Oasis com os trainees da Natura. São 30 jovens emprocesso de formação que dura 2 anos, iniciado no começo do ano. Eles escolheram aplicara Metodologia Elos em uma das comunidades do entorno da sede principal, em Jundiaí.Foram 2 fins de semana: um de visita e diagnóstico apreciativo, e no outro, a ação. Foramfeitas duas áreas de lazer e convivência próximas aos dois campinhos existentes, buscandoatender às demandas dos diferentes usuários.A experiência foi muito interessante, principalmente pelo fato de os jovens terem um espíritoextremamente competitivo, e conseguirem redirecionar suas habilidades de maneiracooperativa. É importante conscientizar os futuros grandes empresários do país, fazendocom que entendam que trabalhar junto é mais produtivo e muito importante para odesenvolvimento do país e da própria empresa, e que não é necessário “derrotar” o outropara se dar bem, que em parceria as coisas se tornam mais agradáveis e simples de seremrealizadas.4.3.3. instituto ELOS e o Governo FederalO Projeto Elos no Canteiro Mais Cultura (http://mais.cultura.gov.br) é parte do ProgramaMais Cultura desenvolvido pelo Ministério da Cultura, que visa a criação de espaços físicosem áreas com escassez de equipamentos públicos e infra-estrutura (onde serãoimplantadas bibliotecas e espaços de cultura pelo Ministério). A Metodologia Elos é utilizadapara formar e mobilizar agentes locais para elaborar ações colaborativas e colocá-las emprática com as construções coletivas, tendo como princípio a participação social ampladurante todo o processo. Dessa forma, deverão ser articulados como atores primordiais doprocesso o Ministério da Cultura, as Prefeituras, Governos Estaduais e órgãos públicoslocais, a comunidade, entidades e instituições parceiras.Em 2010 foram realizadas ações em 20 cidades do Brasil que estão recebendo a ação, queacontece em 3 etapas: a Expedição, com visita e diagnóstico apreciativo nas comunidades;a Formação, que forma agente locais com a Metodologia Elos; e o Mão na Massa, que sãoas ações nas comunidades coordenadas pelos participantes da formação e com supervisãode facilitadores do Elos, sendo eles Guerreiros Sem Armas formados em 2007 e 2009.(www.elosmaiscultura.com.br)Esta é a primeira experiência de Oasis em parceria com o governo que se mostrou muitoeficiente e satisfatória. Neste projeto foram identificados 3 eixos principais de ação: 17
  18. 18. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011socioeconômico, socioambiental e sociocultural. O primeiro, ajuda no desenvolvimento dealguma atividade de acordo com a habilidade local para a geração de renda, com produtosde alta qualidade. O segundo cuida do paisagismo e outras frentes relacionadas ao meioambiente, e o terceiro, por fim, trabalha o campo do lazer e cultura, desenvolvendo as áreasde convivência e lazer como parquinhos, praças e outros espaços construídos coletivamentepela comunidade.5. CONSIDERAÇÕES FINAISA Metodologia Elos Oasis se encaixa em inúmeros quesitos levantados pela ONU ou porIlse Scherer como essenciais para a resolução de problemas na sociedade atual,destacando principalmente a participação da população desde a concepção de novaspolíticas urbanas até a execução das mesmas. Não só o governo não dá conta da demandade questões consideradas essenciais, como o envolvimento da sociedade civil acata emuma relação diferenciada entre as pessoas e o espaço, assim como entre os própriosindivíduos, gerando respeito, solidariedade e identidade, fortalecendo laços e aumentando aautonomia e auto-estima de comunidades que passam a ser protagonistas das ações.A análise da efetividade de ações utilizando a Metodologia Elos- Oasis identificou que amudança nos moradores (seu comportamento, valores e pró-atividade) e suas atuações sãomais importantes do que o estado de conservação das construções feitas na sexta etapa, oMão na Massa; o resgate da auto-estima junto ao fortalecimento das relações das pessoas,gera autonomia e a crença na capacidade de transformação sem necessidade de ajuda dasautoridades, estabelecendo parcerias com o governo, iniciativa privada e o terceiro setor.Ainda assim, nota-se a importância de lugares de lazer, encontro e convivência emcomunidades, uma vez que tais espaços passam a fazer parte da vida das pessoas, e suaqualidade influencia diretamente na qualidade de vida dos moradores. Além disso, o fato deserem feitos pela própria comunidade fortalece as relações pessoais e o sentimento depertencimento e inspira outras ações, pois remete à capacidade de fazer coletivamente.Cabe salientar que o sentido das ações nestas comunidades visa, portanto, mais do quealterar as condições materiais de carência hoje existentes, fortalecer o potencial humano,capacitando os indivíduos, através de um processo de auto-percepção e auto-estima, aagirem com mais autonomia frente aos seus próprios problemas de exclusão social.A transformação ocorre não só nas comunidades que recebem a ação, mas nos voluntáriosque participam do processo. Este fato pode ser considerado tão importante quanto oprimeiro, uma vez que essas pessoas desencadeiam outras ações e estimulam suas redesa transformarem suas realidades. 18
  19. 19. Universidade Presbiteriana MackenzieComo Guerreira Sem Arma e participante efetiva das ações do Oasis, destaco algumas dasdificuldades encontradas para o crescimento e fortalecimento do Movimento, como a uniãocom outras organizações de mesmos objetivos e valores, ou a dificuldade de inserção nasociedade, uma vez que questiona os valores tradicionais e desafia as pessoas a pensareme agirem de maneira diferente do que estão acostumadas (mesmo notando que as pessoasse dispõe a isso com freqüência). Nota-se que ações que acontecem espontaneamente emcidades sem a participação do Instituto Elos ou de um Guerreiro Sem Armas, dificilmenteserão efetivas na comunidade, já que cada passo deve ser feito garantindo sua essência;mas, a mudança nos voluntários pode ocorrer da mesma maneira.Outro fator que se mostrou interessante é a eficiência da organização em rede, que é umatecnologia estimulada há tempos, porém raramente vista em prática. Sua eficácia se dá pelofato de que as responsabilidades são divididas sem hierarquia, e sim por afinidade. Isso nãosó estimula as pessoas a fazerem o que gostam, como agilizam os processos, já que todostem autonomia para tomar decisões. O poder da rede também está nas conexões,compartilhando contatos e sugerindo parcerias, o que é essencial para viabilizar projetos,principalmente do terceiro setor. Isso possibilita ampliar a área de atuação, avançando paraoutras cidades e países, como é a intenção do Instituto Elos de dissipar a Metodologia ElosOasis pelo mundo- e já está sendo posta em prática, mas com certeza ainda há muito queaprender e compreender.Cabe salientar finalmente e reafirmando algumas análises críticas, que o potencial destesnovos movimentos sociais onde se agilizam formas de aglutinação social em moldes maissolidários e horizontais, se defronta com horizontes incertos e ambíguos se considerado osprocessos mais amplos de transformação histórica da sociedade contemporânea. Contémsinais de possibilidades e, sobretudo operam formas inovadoras de capacitação dosindivíduos aos processos de participação social, tão enfatizados pelas políticas públicasurbanas.6. BIBLIOGRAFIAALEX, Sun. Projeto da Praça: Convívio e Exclusão no Espaço Público. São Paulo:Editora SENAC, 2008.ANTONUCCI, Denise. ALVIM, Angélica. ZIONI, Silvana. KATO, Volia. UN- Habitat: dasDeclarações aos Compromissos. São Paulo: Editora Romano Guerra, 2008.ENGELS, Marina M. KITA, Cintia Tiemi. LUCHESI, Julia Sodré. Metodologias deDesenvolvimento Comunitário: Descrições, análises e comparações. Trabalho deConclusão de Curso de Engenharia Ambiental SENAC, São Paulo, 2009.GOHN, Maria da Glória. Conselhos Gestores e Participação Sociopolítica. São Paulo:Cortez Editora, 2003 19
  20. 20. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011_________ A cidade ao lado da cultura: espacialidades sociais e modalidades deintermediação cultural. In: SANTOS, Boaventura de Souza (org). A Globalização e asCiências Sociais. São Paulo: Cortez, 2002.Guia de Formação- Elos no Canteiro Mais Cultura. Instituto Elos, 2010.Metodologia. Disponível em http://guerreirossemarmas.wordpress.com/metodologia/ ,acesso 28 de maio de 2010.Oásis – Faça você mesmo. http://oasismundi.ning.com/group/materiaismaterialesmaterials,acesso em 25 de maio de 2010.POLYDORO, Thais. Reciclando Ambiente: Recuperando Vida. Trabalho Final deGraduação FAU-Santos, 2000.PRADO, Fabio C. Requalificação Urbana na Alemoa, Jd. Piratininga e Jd. São Manoel.Trabalho Final de Graduação FAU-Santos, 2000.SCHERER, Ilse. Redes de Movimentos Sociais. São Paulo: Edições Loyola- 2ª edição,1996.Sobre o Programa. Disponível em http://elosmaiscultura.com.br/sobreelos, acesso 15 demarço de 2011.UN-HABITAT –Istambul Declaration on Human Settlement. The Habitat Agenda. Un-Habitat, 1996. Disponível em: www. Unhabitat.org, acesso 10 agosto de 2010.VARELLA, Drauzio. BERTAZZO, Ivaldo.JACQUES, Paola B. Maré, Vida na Favela. Rio deJaneiro: Ed. Casa da Palavra, 2002.Contato: rezinha_s@hotmail.com e vrkato@uol.com.br 20

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