Rafael gulelmo

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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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Rafael gulelmo

  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieA VERTICALIZAÇÃO DE MARÍLIARafael Gulelmo de Souza (IC) e Nadia Somekh (Orientadora)Apoio: PIBIC MackenzieResumoO presente trabalho trata da verticalização na cidade de Marília-SP. A análise tem foco no período de1951 a 2006, na qual, se levanta alguns aspectos sociais e econômicos da sociedade. O processo deverticalização contribui para uma mudança no desenho da cidade, onde a mesma deixa de ser umúnico plano. Baseado em um processo de análise e contagem dos edifícios, onde existe o uso doelevador, dos anos de 1951, ano em que foi concedido o primeiro Habite-se, até o ano de 2006. Esseartigo discorre um pouco sobre a formação da cidade de Marília – SP. O processo do crescimentovertical foi demonstrado através de fotos, gráfico, e tabelas e na forma dissertativa. Coletando ologradouro e o número de cada edificação vertical, pode-se junto à prefeitura municipal, localizar oano em que o Habite-se foi concedido a cada edifício. Chegando a uma conclusão que averticalização de Marília, assim como outras cidades como São Paulo - SP e Maringá – PR, iniciou-sena parte central e foi com o passar dos anos se espalhando para as demais regiões da cidade. Ecomo a verticalização no Brasil, ao contrario dos Estados Unidos da América, se constituiuprincipalmente através do uso residencial.Palavras-chaves: verticalização, Marília, Edifício VerticalAbstractThe vertical growth process has contributed to change the citys design, in which the city ceases to beone single plan. Its based on a process of analysis and counting of buildings in which elevators existand are used, from 1951, the year in which the first “Habite-se” was issued, until 2006. This projectdescribes to a certain extent Marilias shaping as a city. The process of vertical growth has beendemonstrated with photos, charts and diagrams, and in textual form. Collecting the addresses andnumbers of each vertical building, one may locate at the City Hall the year in which the “Habite-se” hasbeen issued to each building. One comes to the conclusion that Marilias vertical growth, as with othercities like São Paulo - SP and Maringá - PR, has started in its central region and within years spreadto other areas of town. And how vertical growth in Brazil, opposite to United States of Americas, hashappened to supply the demand of dwelling spaces. Mostly in residential land use.Key-words: vertical growth, Marília, Vertical building 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011IntroduçãoA pesquisa sobre verticalização em Marília nasce de dúvidas que instigam a compreensãoda construção de edifícios, visando o estudo da verticalização na cidade de Marília-SP, naqual, sempre tive imenso interesse, para que possa ser conhecido o processo gerador demudança da paisagem urbana da cidade. Gerando alguns questionamentos, da constituiçãoda cidade, como e porquê se deu a construção dos primeiro edifícios na cidade? O por queescolhi a cidade de Marília? Por que estudar a verticalização? A verticalização é um caso denecessidade. Segundo OKANO (2007 p.10) “A verticalização é parte do processo deprodução do espaço; um fenômeno que identifica nossa urbanização, cuja compreensão énecessária para entender a urbanização brasileira.” Por essas indagações esse projeto foicriado, procurando da melhor forma possível esclarecer de forma didática essatransformação.É desde a construção do primeiro edifício, em 1951, até o ano de 2006, que é o estudodesta pesquisa, um período de seis décadas, onde o Brasil passou por grandestransformações políticas, econômicas, urbanísticas e sociais, fazendo com que umapequena cidade do interior de São Paulo, torne-se um grande polo econômico, atraente deindústrias, e novos habitantes. E Marília nessas seis décadas também passou por grandesmudanças, atraindo novos industrias, deixando de ser uma cidade agrária, econsequentemente trazendo novos moradores e investimentos, tendo em 2010 o sétimomelhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), do Brasil, na qual é avaliado; emprego,renda, saúde e educação, segundo a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio deJaneiro). Neste projeto de pesquisa, tomasse por base outras cidades como: Maringá – PR,São José do Rio Preto – SP e São Paulo, capital. Procura-se também analisar se averticalização em Marília foi executada de forma correta, procurando atenderadequadamente a necessidade da cidade. Foi realizado o levantamento de cada edifício dacidade que possua cinco ou mais pavimentos, consequentemente o mesmo possuaelevador, para que se possa especializar as edificações no território urbano e demonstrarcomo foi o processo de verticalização, mostrando também seus respectivos usos.Com o crescimento a cidade ganhou ares de metropolização e segundo MENDES (S.D) acidade deixa de ser um plano somente, e passa a ganhar edifícios e segundo o mesmoautor; “É fundamental estar numa cidade em fase de formação dois processos:metropolização e verticalização...”.Com o crescimento gradativo da população, a cidade deixa de ser uma cidade rural, epassa a ganhar novas indústrias criando uma população urbana, criando assim uma nova 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana Mackenzieclasse social e uma nova classe em potencial para aquisição de novos tipos de residênciasas verticais.A verticalização é segundo SOMEKH (1987) “é a multiplicação do solo urbano”, possibilitadapelo elevador, na qual, o edifício sendo resultado da “equação” habitantes versus área, ondeuma nova classe deseja morar nas regiões centrais, porém há falta de área(horizontal)disponível para todos, criando os arranha-céus, entende-se por arranha-céu: “...deve ter umnúmero mínimo de vinte andares, que nele devem ser determinantes o elevador, a estruturae a função.” (CAMPOS; JÚNIOR, 2006 p.44), multiplicando o solo urbano. A verticalização éum caso de necessidade, SOUZA (1994) diz que a pessoa com capital em mãos não quermorar muito longe do centro da cidade, para eles convém morar próximo ao centro, ou, àsuas atividades, assim como diz SOMEKH (1987 apud TOPALOV p.33) “As localizaçõesresidenciais são definidas por uma característica única: a distância ao centro de negócios”.Contudo a origem do crescimento vertical, não deu-se com o objetivo de moradia,SOMEKH(1987 p.12) relata “A origem da verticalização está diretamente associada aoscentros terciários americanos.” E segundo SOMEKH(1987 p.11) “Vários fatores podemexplicar seu aparecimento: alta concentração urbana, aumento da divisão do trabalho e dosetor terciário...”. Neste projeto procuramos explicar esse crescimento vertical da cidade deMarília desde sua origem até 2006, mostrando o crescimento vertical da cidade, através detabelas, mapas e gráficos e também da sua história.Formação Histórica e Dados da Cidade de MaríliaA cidade de Marília nasceu da união de três patrimônios o Alto Cafezal, uma área de 53alqueires, “Essas terras delimitavam-se, ao Norte, pelo espigão Peixe-Feio, com as terras daFazenda Guataporanga, onde, em 1926, Bento de Abreu Sampaio Vidal abriria o patrimôniode Marília.”(LARA 1991 p.13) e a Fazenda Cincinatina localizada em frente ao loteamentodo Alto Cafezal, o limite entre as duas fazendas hoje localiza-se a Avenida Sampaio Vidal. Opatrimônio de Vila Barbosa, localizado a leste dos dois rios, Peixe e Feio. No dia quatro deAbril de 1926, Marília foi fundada por Bento de Abreu Sampaio Vidal.Marília logo começou a crescer, e trazer investimentos para a cidade, que com o capitaloriundo do café começou a se desenvolver. Logo após o café a cidade ganhou novasculturas rurais, a do algodão trouxe com si duas fábricas de óleo, associada com a culturade amendoim, aliado a esse inicio de industrialização, tivemos a abertura da estrada deferro, a famosa Estrada de Ferro Alta Paulista, e a abertura das estradas de rodagem queligava Marília a região noroeste do estado de São Paulo, e as regiões de Sorocaba e aonorte do Paraná (Fonte: http://www.marilia.sp.gov.br/prefeitura/index.html). 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 (Foto: http://www.camar.sp.gov.br/) Vista aérea da cidade.Entre a década de 60 e 70 a economia se torna agroindustrial e com a queda da produçãode café a cidade começa a não depender tanto da agricultura, sua economia começa aganhar industrias, e Marília passa a receber investimentos das industrias alimentícias, apartir da década de 70 esses investimentos aumentam e a agricultura perde força e aeconomia da cidade torna-se em grande parte industrial, e sua população torna-se maisurbana. Na década de 80 e 90 a cidade ganha força e torna-se polo regional, atraindo aindamais investimentos, criando uma região administrativa que se configura até hoje. A cidade,hoje, conta com uma área de 1.170 Km² (FONTE: IBGE) e a área urbana corresponde a 42Km² (FONTE: www.marilia.sp.gov.br/prefeitura/index.html) sendo considerada uma cidadede médio porte e com uma população em 2010 de aproximadamente 216 milhabitantes.(FONTE: IBGE). (Fonte: Google Earth) Foto de satélite da cidade de Marília. 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana MackenzieOs primeiros edifícios.O processo de verticalização se inicia nos Estados Unidos, contudo há uma contestaçãosobre o primeiro arranha- céu, SOMEKH (1987 p. 11) relata “Existem controvérsias arespeito do primeiro arranha-céu. Wiseman (1970 p.125) atribui esse título ao edifício da‘Equitable Life Assurance Company’, foi construído entre 1868/70, com aproximadamente 40metros de altura,... Segundo esse autor, esse foi o primeiro edifício comercial em que aspossibilidades do elevador foram realizadas. C.Jencks (1980, p.6), por sua vez, observa queo edifício da Equitable, apesar de sua altura, tem a aparência de um palácio renascentistade cinco andares com mansardas, perguntando-se logo em seguida como pode o primeiroarranha-céu não “arranhar” efetivamente o céu. Para ele os dois primeiros arranha-céus,ambos edifícios comerciais americanos, foram o edifício Manhattan, com 16 andares, deWilliam Le Baron Jenney, construído em Chicago entre 1890/91, e o Edifício Wainwringht,com 10 andares, projetado por Louis Sullivan, construído em St. Louis, na mesma época(Jencks, 1980, p.40)”No inicio desta pesquisa também havia encontrado um equivoco da construção do primeiroedifício, alguns documentos relatava que o primeiro edifício de Marília havia sido o “EdifícioMarília”, contudo, tomo por base o ano que a certidão de Habite-se foi concedido, de todasas edificações, e segundo os dados da prefeitura o primeiro edifício da cidade foi o “EdifícioOuro Verde” de 1951, localizado na Avenida Sampaio Vidal, 457, foi destinadoexclusivamente à moradia, um edifício de 6 pavimentos, estando ele localizado na regiãocentral da cidade, a empolgação era tanta, que todas as unidades do edifício, foram todasvendidas em um único dia, SOMEKH(1987 p.15) afirma ”Ao contrário da experiênciainternacional de verticalização, que é predominantemente terciaria e geralmenteconcentrada nos grandes centros de negócios, verificamos que a verticalização em SãoPaulo é predominante residencial.”. Isso comprova que no Brasil ao contrario dos EstadosUnidos, destinou a verticalização não ao setor terciário, com edifícios destinados aescritórios, por exemplo, mas sim a moradia.A construção deste edifício foi um grande marco para a cidade, pois na década de 50 umacidade do interior de São Paulo, totalmente voltada para a agricultura, “ganhar” um edifíciodesse porte e nas condições em que ele foi concebido, foi algo realmente marcante. Aconstrução desse edifício também foi enfática no que desrespeito a nova sociedade, naqual, a cidade estava ganhando, foi nessa época que a cidade viveu o “boom” econômico docafé, onde se produzia muito café e exportava-se muito também, e neste momento a cidadecomeça a ganhar uma expressividade no cenário nacional. Com isso começou a atrairnovos investimentos, nas diversas áreas, mas na construção civil em especial, pois 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011precisava atender a nova classe que começava a surgir com o crescimento do café, eatender os barões do café que começaram a migrar para a cidade atraídos pelo sucessonos cafezais. O café foi tão importante que o nome do edifício foi “Ouro Verde” alusão aocafé que naquela época foi de fundamental importância, onde o mesmo era conhecido comoo “Ouro Verde”. E foi a partir da década de 50 que a população urbana superou a rural, eMarília adquiriu novas características.Outro fator importante é sua localização dos primeiros edifícios, sempre na região central dacidade, área de maior interesse comercial e maior concentração populacional; como é ocaso de Maringá-PR, segundo COSTA (2002) o processo de verticalização deu-seinicialmente na Zona 01 da cidade, o centro da cidade, e foi-se espalhando para as zonasperiféricas da cidade, partindo sempre do centro, Marília não foi diferente. São Paulo deu-sea mesma formulação, segundo SOMEKH (1987) a verticalização na cidade iniciou-se docentro, espraiando-se, as regiões mais periféricas.Primeiro período de verticalização 1951-1989Neste período que compreende 04 décadas o crescimento vertical foi de pouca expressão,teve um saldo de apenas 20 edifícios. Década Número de Edificações Verticais 50 03 60 01 70 04 80 12Essa tabela mostra a quantidade de edificações por década, nas 3 primeiras foram um totalde 7 edificações verticais, sendo praticamente 0,23 construções verticais por ano, e aindana década de 60 apenas 1 edifício foi construído, demonstrando uma baixa verticalização nacidade. Contudo vale ressaltar algumas edificações que foram marcantes, uma delas foi aconstrução do segundo edifício da cidade que foi o “Edifício Marília” foi construído todo comrecursos de fazendeiros e compradores de café de todo o Estado, o Sr. Miguel Granito Neto,comerciante de outra localidade, iniciou a sua construção, no terreno que antigamente era oposto de gasolina Texaco, na esquina da Rua 9 de julho, com a Avenida Sampaio Vidal,uma construção bastante sofisticada, um edifício com 10 andares, na qual, no ultimo andarexistia o restaurante, mais sofisticado da época, o restaurante “Marília”, na qual, se tinhauma vista muito privilegiada da cidade toda, morava nele grandes fazendeiros e comerciantede fora, assim como cafeicultores. Ele contava com 2 elevadores, sua localizaçãoestratégica determina mais uma vez a construção de um edifício, localizado bem no coração 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana Mackenzieda cidade, área de grande interesse comercial, evidenciando mais uma vez SOUZA(1994) asociedade com capital em mãos, não abre mão de morar longe do centro da cidade e desuas atividades e também comprovando o que diz SOMEKH(1987 apud TOPALOV p.33)“Segundo Topalov, os consumidores são tratados deterministicamente como sujeitoseconômicos do ‘ trabalhar e comprar: o espaço é apenas a distância ao lugar onde issoacontece’” (Fonte: http://www.camar.sp.gov.br/) Em primeiro plano o “Edifício Marília” ao fundo o “Edifício Ouro Verde”.Na sua construção o “Edifício Marília” foi também destinado a uso misto, pois em suacobertura havia um restaurante. Nele morava a elite cafeicultora, no saguão principal doedifício aconteciam às grandes festas da elite mariliense, com o passar dos anos orestaurante foi fechado, tornado-se um edifício exclusivamente residencial, hoje ele tornou-se, novamente, de uso misto, o térreo conta hoje com uma concessionária de veículos e osantigos apartamentos, hoje destina-se a alguns escritórios, consultórios e algunsapartamentos.Com o sucesso do “Edifício Marília” o Sr. Miguel Granito Neto, resolve construir um novoedifício o “Galeria Santa Luzia” localizado na mesma avenida dos outros dois, AvenidaSampaio Vidal, 473,mais precisamente ao lado do “Edifício Ouro Verde”, porém esse edifícionão foi um sucesso como o “Ouro Verde”. Um edifício de uso misto, no térreo possuía eainda possui lojas, e ele possui oito pavimentos, todos eles exclusivamente residencial atéos dias de hoje. 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Na década de 60 apenas um edifício foi construído na cidade, foi a prefeitura municipal umedifício de 7 andares na principal avenida da cidade, a, Avenida Sampaio Vidal, na gestãodo prefeito Adorcino de Oliveira Lyrio, com o projeto dos arquitetos Miguel Brada e AnizBrada. Com um projeto com características bem modernistas, com a utilização de Pilots,janelas em fita, planta livre da estrutura e laje plana. (Fonte: http://www.panoramio.com/photo/6532968) Foto retrata a construção da prefeitura municipal na década de 60. 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana Mackenzie (Fonte: http://www.panoramio.com/photo/6532989) Está foto retrata as 4 primeiras construções verticais de Marília, entre as décadas de 50 e 60.A foto mostra bem a questão da localização, todos edifícios são localizados na mesmaavenida e todos muito próximos uns dos outros. O uso dos primeiros edifícios eramparecidos, exceto a prefeitura que é um uso institucional, os outros 3 destinava-seprincipalmente a moradia, mas nos térreo ou cobertura havia um comercio, para agregarvalor ao empreendimento.Na década seguinte, a de 70, houve mais 4 edificações. O “Edifício Cliper” foi considerado oprimeiro de grande porte, conta com 16 andares, e seu uso é misto até os dias de hoje, notérreo com comercio e uma torre com 16 andares, sendo que cada andar possui 2apartamento, recebeu a certidão de Habite-se em 1973. Localizado também na mesmaAvenida, das 4 edificações verticais anteriores, isso demonstra a “intensa” verticalização namesma, e a partir dela a verticalização foi-se espraiando para as zonas periféricas dacidade, como é o caso da edificação seguinte. Esta edificação fica localizada na zonaperiférica da cidade, zona Oeste, em um bairro de alto poder aquisitivo, trata-se do “EdifícioVale do Sol”, recebeu o Habite-se em 1974, um empreendimento exclusivamenteresidencial, uma torre com 13 pavimentos e cada pavimento com 2 apartamentos. A partirdessa “fuga” da verticalização do centro da cidade em especial a Avenida Sampaio Vidal,começa uma dispersão das construções verticais pela cidade. Ainda na década de 70 um 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011novo edifício com é executado, sendo este o primeiro totalmente comercial, trata-se doedifício da antiga Telesp, hoje Telefônica, um edifício com nove andares, localizado na RuaJosé de Anchieta, 358. (Fonte: Comissão de Registro Históricos de Marília). Foto aérea da cidade em 1975. Nota-se o edifício Cliper, sendo o mais alto na foto, com 16 pavimentos. 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana MackenzieSegundo Período de Verticalização 1990 – 2006Este segundo período de verticalização em Marília compreende duas décadas, onde ocrescimento vertical foi bastante intenso, devido à necessidade de novas moradias, pois foium período que a população da cidade cresceu de forma significativa, fazendo com quehouvesse a necessidade de uma nova demanda de moradia para a população. E como ademanda por solo urbano passa-se a ser um meio de especulação imobiliária, amultiplicação do solo passa a ser muito interessante, uma forma de agregar mais valor aterrenos com boa localização. Década Numero de edifícios Verticais 90 47 Até 2006 29Está tabela mostra de forma quantitativa, a década e o numero de edifícios, mostrando umintenso processo vertical, dando uma média de 4,75 construções verticais por ano. A partirda década de 90 os novos edifícios verticais começaram a espraiar-se pela cidade deMarília. Esse espraiamento ocorreu também em São Paulo – SP que SOMEKH (1987)descreveu, e Maringá – PR que COSTA (2002) relatou, mas épocas diferentes. Nesseperíodo de verticalização, nota-se, que os novos edifícios verticais passam a ganhar umgabarito (altura) maior, de 15 a 20 andares, fazendo com que o solo seja melhor utilizado,gerando assim um melhor aproveitamento do solo, criando-se novas moradias. Os novosedifícios foram em sua maioria construída com o intuito de moradia e não para finscomerciais, alguns o térreo foram utilizados como comercio, sendo o edifício de uso misto.Outra avenida da cidade, a Avenida Rio Branco, foi um local de intensa verticalização nadécada de 90, sendo que, na sua primeira parte, que se estende da Avenida Sampaio Vidalaté a Rua Rodrigues Alves, as edificações verticais são todas residenciais, da RuaRodrigues Alves até a Avenida da Saudades, há além de edifícios residências, existem oscomerciais. E ao Sul da Avenida Rio Branco, houve uma verticalização bem intensa, enessa região encontram-se os edifícios verticais com maior gabarito, assim como os demelhor padrão e todos destinados a residência. 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 (Fonte: Comissão de Registros Históricos de Marília) A foto mostra a parte Sul da Avenida Rio Branco, e em primeiro plano a Rua Sete de SetembroO esquema abaixo mostra a Avenida Rio Branco, local de grande verticalização na décadade 90 e até 2006 (Fonte: http://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&q=mapa%20de%20marilia&gs_sm=e&gs_upl=1289l3593l0l3876l15l15l0l0l0l0l324l2546l3.7.4.1l15l0&bav=on. 2,or.r_gc.r_pw.&biw=1366&bih=664&um=1&ie=UTF-8&sa=N&tab=wl)utro fator que se analisa no segundo período de verticalização é o tipo de edificaçõesverticais, as edificações seguem um padrão de médio a um alto padrão, com edifícios de 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana Mackenzieapartamentos de quatro a uma unidade por andar. Para atender uma população comrecursos em mãos. No ano de 1999 houve o grande pico do crescimento vertical, comdezenove Habite-se concebido a edifícios verticais, concentrando-se na sua grande maioriana região centro – oeste da cidade. (Fonte: Comissão de Registro Históricos de Marília). Na foto de 1999, mostra-se a região central da cidade, maior concentração vertical. A grande Avenida na esquerda é a Avenida Sampaio Vidal. E ao fundo notam-se alguns edifícios em construção.Outro fator que se analisa nesse crescimento vertical, na década de 90 é a vinda de novosmoradores devido à notoriedade das universidades instaladas na cidade. A o bairro “CidadeUniversitária”, localizado na porção Sudoeste da cidade, concentram três grandesuniversidades, alguns edifícios que foram construídos para acomodar os estudantes queviam de outras regiões do estado de São Paulo e outros Estados do Brasil, para estudar emMarília.Contudo depois do auge da verticalização, houve um declínio acentuado, no ano de 2000,por exemplo, apenas cinco Habite-se foi concebido, contra os dezenove do ano anterior e de2000 a 2006 foram criados vinte e nove Habite-se. Em entrevista com o arquiteto LuizFernando Gentile, que atua em Marília, ele descreve que o mercado imobiliário fez esse“boom” para que pudessem ter uma “reserva” de moradia, por isso nos anos seguintes ao“boom”, muitas das novas residências ainda estavam desocupadas, e com isso osinvestimentos das construtoras em prédios verticais foi-se diminuindo, até que essas 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011moradias ociosas fossem ocupadas. E alguns edifícios, suas obras param, deixando algunsprédios inacabados, que posteriormente foram concluídos.Nos anos 2000 uma área em especial da cidade ganhou uma verticalização modesta, essaregião é a porção leste da cidade.(Fonte: Comissão de Registros Históricos de Marília) Essa foto do meio do ano de 99 mostra ao meio da imagem a Avenida Tiradentes e sua continuação a Avenida das Indústrias. A parte inferior da imagem é uma parte da porção Leste da cidade onde houve um processo de verticalização.E da mesma forma como as outras regiões da cidade, nessa a verticalização tambémocorreu para suprir necessidades de moradia, com um gabarito (altura) em média de 8 a 13pavimentos.MétodoPara os dados técnicos, por exemplo, Habite-se, da pesquisa foi-se utilizado o métodoquantitativo, consistiu na coleta de dados “in lócus” de cada edifício e junto à prefeitura. Acoleta “in lócus” consistiu na ida em cada edifício com cinco ou mais pavimentos, na qual secoletava o logradouro e numero de cada edifício, seu uso, a quantidade de pavimentos e onome do condomínio. Com isso executou-se uma tabela para a organização dos edifícios.Abaixo se tem uma parte da tabela. 14
  15. 15. Universidade Presbiteriana Mackenzie Endereço Condomínio Ano Habite-se Uso N° pavimentos Av. Sampaio Ed. Portinari - Residencial 12 Vidal, N° 344 A Av. Sampaio Ed. Di Cavalcante - Residencial 12 Vidal, N° 300 A Av. Sampaio Ed. Solar - Residencial 19 Vidal, N° 60 A MediterrenéAv. Carlos Gomes, Ed. Érico - Comercial 05 N° 312 Veríssimo Av. Sampaio Ed. Galeria Santa - Misto 08 Vidal, N° 473 LuziaCom essas informações, seguiu-se até a prefeitura municipal, através dessas informaçõesfoi possível descobrir o ano em que o Habite-se foi concedido às edificações, para quepudesse ser executada uma periodização da verticalização. A tabela abaixo já conta o anoem que o Habite-se foi concedido. Endereço Condomínio Ano Habite-se Uso N° pavimentos Av. Sampaio Ed. Portinari 1997 Residencial 12 Vidal, N° 344 A Av. Sampaio Ed. Di Cavalcante 1997 Residencial 12 Vidal, N° 300 A Av. Sampaio Ed. Solar 2007 Residencial 19 Vidal, N° 60 A MediterrenéAv. Carlos Gomes, Ed. Érico 1993 Comercial 05 N° 312 Veríssimo Av. Sampaio Ed. Galeria Santa 1953 Misto 08 Vidal, N° 473 LuziaHouve também a entrevista com Luiz Fernando Gentile, arquiteto e urbanista, na qual, atuana cidade de Marília, fornecendo dados arquitetônicos, sobre o mercado imobiliário e qual amelhor maneira de conseguir o ano das edificações verticais. Existiu entrevista commembros da Comissão de Registros Históricos de Marília, onde foi possível a coleta deimagens históricas da cidade e também imagens aéreas, antigas e recentes.Resultados e DiscussãoAtravés desse projeto de pesquisa, foi possível uma quantificação de todas as edificaçõesverticais com cinco ou mais pavimentos, desde o primeiro, 1951, até o ultimo até o ano de2006. Num total de oitenta e nove edifícios verticais na cidade de Marília. Com esselevantamento das edificações, foi-se possível elaborar um gráfico onde é colocado o númerode edificações verticais por décadas até 2006. 15
  16. 16. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Números de Construções Verticais X Décadas 50 45 40 35 30 25 Números de Construções 20 Verticais X Décadas 15 10 5 0 50 60 70 80 90 Até 06Com esse gráfico torna-se, mais clara a visualização no número de construções em suasrespectivas décadas, mostrando sua evolução no decorrer dos anos e o seu auge.Analisando o gráfico vê-se que na década de 50, inicio da verticalização, houve algumasconstruções, todas com intuito de moradia, comprovando SOMEKH (1987) que descreveque o Brasil contraria as experiências internacionais, onde a verticalização deu-se no setorterciário, e no Brasil ela nasce para atender a necessidade de moradia. Em Marília nasce damesma maneira, os primeiros edifícios, os da década de 50, foram destinado a moradia. Nadécada de 60 há apenas uma construção vertical, e esta foi o prédio da prefeitura, umedifício institucional. Já na década de 70 a cidade recebe seu primeiro edifício comercial, oda antiga “Telesp”, e a partir dessa década houve um crescimento desse tipo de construçãoe as mesmas começam a se descentralizar. Nos anos 80 as construções ainda são depouca expressão, e também voltadas para a moradia. E nos anos 90 é onde houve o grandeperíodo de verticalização, na qual, foi-se construído quarenta e sete novos edifícios, sendoaté o ano de 2006 o grande auge da verticalização, e esse auge foi movido ao que SOUZA(1994) descreve, onde uma sociedade com capital em mão, não quer morar longe do centroda suas atividades, devido a essa falta de espaço ocorre a verticalização, uma forma deagregar uma certa população em uma determinada região. O questionamento desse projetode pesquisa é: a verticalização de Marília foi feita de forma correta? Depois de pesquisar,nota-se que a verticalização na cidade foi feita de uma forma coerente, potencializandoáreas de interesse, ressaltando SOMEKH (1987 apud TOPALOV p.33) “Segundo Topalov,os consumidores são tratados deterministicamente como sujeitos econômicos do ‘trabalhare comprar: o espaço é apenas a distância ao lugar onde isso acontece’”. 16
  17. 17. Universidade Presbiteriana MackenzieAlgumas ConclusõesO objetivo dessa pesquisa é principalmente a realização de um inventario dos edifícios deMarília, na qual, foram catalogados 89 edifícios verticais que possuem 05 ou maispavimentos, onde é de grande importância a utilização dos elevadores, caracterizandoassim a verticalização da cidade. Através dessa pesquisa pode-se notar a variância naconstrução de edifícios por décadas, tendo o seu grande ápice na década de 90, onde foiconstruído uma grande quantidade de edifícios, fazendo um “estoque” de moradias, edevido a essas residências ociosas, nos anos subseqüentes houve um declínio no ritmo deedificações verticais, nota-se que em 1999 houve a concessão de dezenove “Habite-se” eno ano seguinte apenas cinco concessões. Nesta pesquisa pode-se observar onde começouesse processo de mudança da paisagem urbana, e esse inicio se deu no centro da cidade,mas precisamente na principal avenida da cidade e como esse processo foi se espalhandoem todas as regiões, mas se concentra ainda a sua maior parte na porção central da cidade,ao redor da Avenida Sampaio Vidal e na porção sudoeste ao redor da Avenida Rio Branco,como o processo de verticalização também mudou a paisagem urbana.(Fonte: Comissão de Registros Históricos de Marília) Na foto acima mostra-se uma vista da cidade na década de 50, inicio do processo de verticalização. 17
  18. 18. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 (Fonte: Comissão de Registros Históricos de Marília) Esta foto mostra Marília hoje, quase seis décadas depois do inicio processo de verticalização.Analisou-se também que o processo de verticalização procurou da melhor forma possívelser coerente com a necessidade apresentada, verticalizando, mas também procurandoadensar essas áreas, não deixando um vazio urbano nas áreas mais verticalizadas, ou seja,verticalizando não para o setor terciário, mas para habitação. Agora buscaremos responder,por que a verticalização ocorreu dessa forma? (Fonte: Emdurb Marília.) Mapa de zoneamento das regiões de Marília. 18
  19. 19. Universidade Presbiteriana MackenzieReferências 1. COSTA, Luiz Fernando da Silva. Os promotores imobiliários no processo de verticalização das cidades Maringá, Cianorte e Umuarama. Maringá, UEM, 2002. (Dissertação de Mestrado). 2. CAMPOS, C. M., JÚNIOR, J. G. S (Orgs). Palacete Santa Helena: Um pioneirismo da modernidade em São Paulo. São Paulo: Editora Senac, 2006. 249p. 3. LARA, Paulo Corrêa. Marília, Sua Terra, Sua Gente. Marília: Editora Iguatemy de Comunicação Ltda, 1991. 253p. 4. MENDES, César Miranda. A verticalização na cidade jardim - Maringá: a descaracterização de um plano, UEM: S.D. 5. OKANO, Taís Lie. Verticalização e Modernidade: São Paulo 1940-1957. São Paulo, Mackenzie, 2007. ( Dissertação de Mestrado) 6. SOUZA, Maria Adélia Aparecida. A identidade da metrópole: A verticalização em São Paulo, Hucitec :EDUSP,1994. 7. SOMEKH, Nádia. A (des) Verticalização de São Paulo. São Paulo, USP, 1987. (Dissertação de Mestrado). Sites Acessados 1. http://www.marilia.sp.gov.br/prefeitura/index.html (Acessado 27/04/2010) 2. www.ibge.gov.br (Acessado 27/04/2010). 3. www.yesmarilia.com.br (Acessado 23/06/2007). 4. :http://www.cidadespaulistas.com.br/prt/map-tematico/11-marilia.htm- (Acessado em 05/10/2010) 5. : http://www.panoramio.com/photo/6532989 (Acessado 08/03/2011) 6. : http://www.panoramio.com/photo/6532968 (Acessado 08/03/2011) 7. : http://www.camar.sp.gov.br/ (Acessado 17/01/2011) 8. Programa: Google Earth 9. :http://maps.google.com.br/maps?hl=pt- BR&q=mapa%20de%20marilia&gs_sm=e&gs_upl=1289l3593l0l3876l15l15l0l0l0l0l 324l2546l3.7.4.1l15l0&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.&biw=1366&bih=664&um=1&ie=UT F-8&sa=N&tab=wl (Acessado 26/07/2011) 19
  20. 20. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Contato: rafaelgulelmo@hotmail.com e nadia@mackenzie.br 20

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